Missão da ApexBrasil na África visa aprofundar cooperação e ampliar comércio bilateral com o continente

Iniciativa visa aprofundar a cooperação econômica, ampliar o comércio bilateral e aproximar empresas brasileiras de mercados estratégicos

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou, nesta segunda-feira (2), em Nairóbi, a estruturação de um programa de apoio às exportações brasileiras para o continente africano. O anúncio foi feito pelo presidente da Agência, Jorge Viana, durante a etapa queniana da Missão África 2026, iniciativa organizada pela ApexBrasil e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com o objetivo de aprofundar a cooperação econômica, ampliar o comércio bilateral e aproximar empresas brasileiras de mercados estratégicos da África.

A missão em Nairóbi reuniu 26 empresas brasileiras e cooperativas, além de instituições parceiras como Sebrae, Anvisa e Embrapa, e promoveu 230 reuniões de negócios. O foco desta etapa está na segurança alimentar, no desenvolvimento da cadeia agroindustrial queniana, no fortalecimento do complexo industrial da saúde e na transferência de tecnologia – áreas consideradas prioritárias para a cooperação entre Brasil e Quênia.

Ao anunciar a iniciativa, Jorge Viana destacou que a ação se alinha à retomada da cooperação econômica do Brasil com o continente africano, uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Viana ressaltou ainda a necessidade de unir forças para impulsionar o comércio com a região. “Algo que precisamos também, é retomar o financiamento para exportações. Já tivemos e foi um erro ter acabado, é uma iniciativa que traz benefícios para o Brasil e também aos países africanos”, comentou.

O programa contará com aporte de recursos, colaboração de parceiros como a Embrapa, Sebrae e Fiocruz e atuação regionalizada da Agência, apoiando-se nas representações nas diferentes regiões da África para compreender as especificidades de cada mercado, gerar melhores resultados para as empresas brasileiras e estreitar os laços com parceiros locais e institucionais.

Atuação estratégica 

Durante a abertura do encontro, Jorge Viana ressaltou que o continente africano ocupa posição estratégica na política externa e comercial brasileira, tanto pelo potencial de crescimento quanto pelas afinidades históricas, culturais e produtivas. O presidente da ApexBrasil destacou que a atuação da Agência na África é organizada de forma regionalizada, abrangendo Norte da África, África Ocidental, África Oriental e Sul da África e que, nos últimos três anos, a Agência realizou sete missões empresariais em 16 países africanos, além de participar de feiras e ações no Quênia, Angola, Moçambique, África do Sul e Egito.

Durante o seminário, a diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Repezza, destacou que as áreas de saúde e segurança alimentar seriam prioritárias nos debates no Quênia. “Temos aqui um debate qualificado das duas partes e áreas com grande potencial de estabelecimento de parcerias, principalmente na transferência de tecnologia no setor agropecuário e no compartilhamento de experiências em toda a cadeia de valor de insumos farmacêuticos, desde a matéria prima ao produto finalizado”, afirmou.

A CEO da KEPROBA (Kenya Export Promotion and Branding Agency), Floyce Mukabana, ressaltou os fortes laços diplomáticos entre as duas nações. “O Brasil se destaca no cenário internacional na agricultura, energia e manufatura e podemos explorar essa parceria em prol de ambos os países”, disse Floyce.

A cerimônia de abertura contou ainda com a participação da encarregada de negócios da Embaixada do Brasil em Nairóbi, Daniella Araujo; do diretor do Departamento de Promoção Comercial, Investimentos e Agricultura do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Alex Giacomelli; do diretor de investimentos em infraestrutura da Invest Kenya, Rogers Amisi; da CEO da KEPROBA, Floice Mukabana; e do secretário principal para Promoção de Investimentos do Ministério de Investimentos, Comércio e Indústria do Quênia, Abubakar Hassan Abubakar.

Na sequência, foram realizadas apresentações sobre as conexões Brasil-Quênia, com contribuições de representantes do setor privado e institucional dos dois países, reforçando oportunidades de cooperação e investimento bilateral.

Programação 

A programação incluiu ainda dois painéis temáticos centrais. O painel sobre Saúde, Mobilidade e Tecnologia foi moderado pela diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, e reuniu Felipe Carvilhe, gerente de unidade de negócios da Fundação Butantan; Brenno Alves, diretor da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFIR); Moses Nderitu, diretor-geral da BasiGo; e o Dr. Eric Musau, presidente da Associação de Hospitais Privados do Quênia. O debate destacou o potencial de cooperação em inovação, mobilidade sustentável, equipamentos médicos e fortalecimento dos sistemas de saúde.

Já o painel sobre Segurança Alimentar foi moderado por Laudemir Muller, gerente de Agronegócios da ApexBrasil, e contou com a participação de Juan Lebrón, diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu; Rayane Alvarenga, coordenadora da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq); José Ednilson Miranda, representante da Embrapa para a África Subsaariana; Marcos Brandalise, CEO da BrazAfric; e Tim Chesire, CEO da Makongi Agri Limited. O painel abordou soluções para o desenvolvimento agroindustrial, aumento da produtividade, mecanização agrícola e cooperação tecnológica para garantir segurança alimentar e crescimento sustentável.

A agenda em Nairóbi incluiu ainda sessões de networking, 230 reuniões de negócios e encontros institucionais, reforçando o papel da missão como plataforma concreta para geração de negócios e parcerias de longo prazo entre empresas brasileiras e africanas. Para as próximas etapas, a missão segue para Kigali, em Ruanda e em seguida Adis Abeba, na Etiópia.

Quênia – maior economia da África Oriental

O Quênia consolida-se como a maior economia da África Oriental, com crescimento projetado de 5,4% a partir de 2026, sustentado por reformas estruturais, maior integração regional e fortalecimento do setor de serviços. Em 2025, o Brasil exportou US$ 122,7 milhões para o Quênia, com crescimento médio anual de 19,7% entre 2021 e 2025.

De acordo com estudo da ApexBrasil, foram identificadas oportunidades para 179 produtos brasileiros no mercado queniano, com destaque para máquinas e equipamentos de transporte, artigos manufaturados, produtos alimentícios e animais vivos, além de produtos químicos. Com uma população em forte crescimento e jovem, com mais de 70% das pessoas com menos de 30 anos, o país apresenta um ambiente próspero e diverso para estabelecimento de negócios e parcerias.

(*) Com informações da ApexBrasil

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ApexBrasil visita empresa de torrefação de cafés especiais que vende o produto brasileiro nos Emirados Árabes

Empresa de Dubai esteve no Brasil em 2025 durante edição do programa Exporta Mais Brasil de Cafés Especiais que gerou R$ 134 milhões em negócios

Da Redação (*)

Brasília – Além de coordenar a delegação brasileira com 192 empresas na Gulfood 2026 – a maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio -, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) está com agenda intensa de prospecção e promoção da imagem do país na região.

Na sexta-feira (30), foi a vez de dar atenção ao setor de cafés especiais. O presidente da Agência, Jorge Viana, acompanhado do gerente de Agronegócio, Laudemir Muller, e da gerente geral do Escritório da ApexBrasil em Dubai (EA Dubai), Tatiana Riera, realizou visita técnica à Cypher Urban Roastery, empresa de cafés especiais fundada em Dubai em 2016. A Cypher conheceu os cafés especiais do Brasil em 2025, durante rodada do programa Exporta Mais Brasil voltado para o produto, e hoje vende cafés brasileiros especiais na região.

“Com a criação do Exporta Mais Brasil, focado em levar compradores do mundo inteiro para o Brasil, colocamos esses compradores de frente com o que temos para oferecer ao mundo, em diferentes regiões. Fizemos 25 eventos desses e temos uma programação para mais 40”, explicou Jorge Viana, destacando o importante papel dos escritórios internacionais da Agência que fazem a arregimentação desses compradores ao redor do mundo.

“Os escritórios da ApexBrasil pelo mundo estão cumprindo um papel extraordinário. Nos Emirados Árabes, nosso escritório viabilizou a ida de empresas que são hoje uma referência no mundo árabe, trabalham com foco em cafés especiais e tem um potencial enorme da vender os cafés do Brasil pra o mercado árabe”, destacou.

Tatiana Riera, gerente geral do EA Dubai, destacou o importante papel da ApexBrasil para o relacionamento do país com outros mercados e os exportadores brasileiros. “Esse é nosso principal papel, conectar o comprador internacional com o mercado local.

Somos essa ponte entre o Brasil e o mercado internacional – como fazemos aqui em Dubai”, afirmou. “Nossa parceria com os Emirados Árabes começou quando os convidamos para participar do Exporta Mais, esse projeto comprador o qual levamos todos ao Brasil para conhecer os produtos. Nesse caso da Cypher fomos às fazendas de café especial. Esse é um projeto muito especial”, reforçou.

Jommalyn Angeles foi a representante da Cypher Urban Roastery que participou das rodadas de negócios e visitas técnicas do Exporta Mais Brasil de Cafés Especiais no ano passado. O programa passou pelo Acre, Minas Gerais e Espírito Santo. Ao longo do percurso, cerca de 80 produtores brasileiros apresentaram seus produtos para 24 compradores internacionais de diferentes países, entre eles, Jommalyn. .

Ao longo da edição, eles participaram de degustações (cupping), visitas técnicas e rodadas de negócios com os produtores brasileiros, reforçando a conexão direta entre origem, qualidade e mercado. “Minha experiência no Brasil não tem paralelo. Foi incrível. Desde as pessoas, o solo, até a xícara. As histórias poderosas que os produtores brasileiros compartilharam com a gente foi incrível. A equipe da Apex é muito prestativa, têm muita paciência, pois receber um grupo grande não é fácil”, afirmou Jommalyn, parabenizando a Agência.

Na visita à Cypher, em Dubai, Jorge Viana e equipe da ApexBrasil foram recebidos pelo fundador e CEO da empresa, Mohamad Merhi, que apresentou toda a área de trabalho da empresa e reforçou o potencial do produto brasileiro na região. “O que vocês estão fazendo com esse programa é fantástico”, disse Mohamed. “Convidar as empresas de fora para conhecer e conversar diretamente com os produtores de café do seu país sobre o potencial deles, a história deles, é fantástico”, reforçou. “Aqui fazemos um blending de cafés de El Salvador, de Honduras, do Brasil, e assim termos um mix de diferentes países. Então essa é a vantagem que nós temos. A gente traz esses cafés para cá, prepara e vende”, explicou.

Expectativa de faturamento de US$ 3,5 bilhões na Gulfood

Enquanto isso, desde o dia 26 de janeiro, a delegação brasileira de empresas de diferentes segmentos, inclusive cafés especiais, seguem fazendo sucesso na Gulfood. Neste ano, a feira ocorre simultaneamente em dois locais: no Dubai World Trade Centre (DWTC) e no Dubai Exhibition Centre (DEC), na Expo City. A feira está dividida por setores, com carnes, proteínas e bebidas concentradas no DWTC, enquanto no DEC estão grãos, pulses, ‘world food’ e segmentos emergentes de alto valor agregado, como inovação alimentar, sustentabilidade, tecnologia para a indústria e startups.

Com cerca de 8,5 mil expositores de 130 países, esta edição do evento deve receber mais de 150 mil visitantes. A expectativa da ApexBrasil é que os negócios gerados pelo Brasil no evento ultrapassem US$ 3,5 bilhões.

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Exportações do Nordeste somam US$ 24,8 bilhões em 2025, cifra recorde nos últimos 3 anos, mostra Data Nordeste

Montante é o maior valor em três anos. Produtos de origem vegetal, minerais e alimentos são os itens mais vendidos no mercado internacional. Informações estão disponíveis no Data Nordeste, que passa a exibir dois novos painéis sobre comércio exterior.

Da Redação (*)

Brasília – O Nordeste alcançou, em 2025, o maior volume de exportações dos últimos três anos. A região vendeu ao mercado internacional US$ 24,8 bilhões em produtos, equivalente a 7% de tudo o que o Brasil exportou no período. O resultado representa um avanço em relação a 2024, indicando redução da dependência do mercado externo, com queda nas importações. Além do crescimento das exportações, as importações nordestinas recuaram cerca de 5%, passando de US$ 28,7 bilhões em 2024 para US$ 27,2 bilhões em 2025. Os dados fazem parte dos novos painéis de comércio exterior do Data Nordeste, plataforma pública de informações econômicas desenvolvida pela Sudene, que reúne e organiza estatísticas estratégicas sobre a região.

Os produtos do reino vegetal lideraram as vendas externas do Nordeste, com US$ 6,9 bilhões. Em seguida aparecem os minerais, com US$ 4,6 bilhões, e os produtos das indústrias alimentares, que somaram US$ 2,1 bilhões. A China foi o principal destino das exportações nordestinas, (US$ 6,22 bilhões), seguida por Estados Unidos (US$ 2,89 bilhões) e Canadá (US$ 2,72 bilhões). Na América do Sul, a Argentina foi o principal parceiro comercial (US$ 1,62 bilhão). Na Europa, os Países Baixos concentraram o maior volume de compras (US$ 1,19 bilhão).

No mesmo período, o estado da Bahia liderou as exportações, com US$ 11,52 bilhões, seguido do Maranhão (US$ 5,49 bilhões) e Pernambuco, com US$ 2,36 bi. Ceará (US$ 2,30), Rio Grande do Norte (US$ 1,14 bi), Piauí (US$ 850 milhões), Alagoas (US$ 580 milhões), Sergipe (US$ 510 milhões) e Paraíba (US$ 140 milhões), completam a relação.

EUA lideram ranking das importações nordestinas

No panorama das importações nordestinas, produtos minerais lideram a pauta, com US$ 10,98 bilhões, valor que corresponde a quase 40% do total importado pela região. Em seguida aparecem os produtos químicos, que somaram US$ 4,56 bilhões, e o grupo formado por máquinas e aparelhos, material elétrico, aparelhos de gravação e reprodução de som e imagem e seus acessórios, com US$ 3,34 bilhões. Quanto à origem das compras externas, os principais parceiros comerciais do Nordeste foram Estados Unidos (US$ 7,71 bilhões) e China (US$ 5,19 bilhões), seguidos por Rússia (US$ 1,55 bilhão) e Argentina (US$ 1,42 bilhão).

Ainda do lado das importações, a Bahia concentrou o maior volume de importações, com US$ 12,83 bilhões, seguida por Maranhão (US$ 10,50 bilhões), Pernambuco (US$ 7,10 bilhões) e Ceará (US$ 6,50 bilhões). Na sequência aparecem Paraíba, com US$ 1,47 bilhão, e Alagoas, com US$ 1,31 bilhão. Sergipe (US$ 842 milhões), Rio Grande do Norte (US$ 658,49 milhões) e Piauí (US$ 362,41 milhões) completam o cenário. Para o economista e coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da Sudene, José Farias, o desempenho reforça o papel das exportações como vetor de desenvolvimento. O comércio internacional é um fator importante para o desenvolvimento do Nordeste. Por um lado, as exportações são um canal comercial relevante. Por outro, a partir do cenário das importações, é possível identificar oportunidades e estruturar estratégias de abertura de novos negócios internacionais, agregação de valor aos produtos e geração de emprego, renda e melhoria de produtividade. A competitividade do cenário internacional não é simples, mas, neste contexto, o Nordeste tem potenciais interessantes que despertam cada vez mais o interesse internacional, a exemplo dos produtos que fazem parte da cadeia produtiva da bioeconomia. É um conjunto de fatores: identificar novas demandas e desenvolver estratégias para aumentar o valor agregado dos itens”, analisou o especialista.

A base de dados dos produtos exportados e importados pelo Nordeste exibidos no Data Nordeste utiliza o Sistema Harmonizado (SH), nomenclatura adotada internacionalmente desde 1988, sendo atualizado pela Organização Mundial das Aduanas. Os novos painéis do Data Nordeste permitem acompanhar a evolução histórica das exportações e importações desde 2010, com dados por estado e município, origem e destino dos produtos e valores agregados. As informações seguem padrões internacionais e estão disponíveis para consulta pública, ampliando a transparência e apoiando decisões de gestores, pesquisadores, investidores e da sociedade em geral.

(*) Com informações da Ascom/Sudene

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Exportações de serviços batem recorde, somam US$ 51,8 bilhões em 2025 mas setor acumula déficit de US$ 52,94 bilhões

MDIC lançou painel com estatísticas do setor

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras de serviços alcançaram o valor recorde de US$ 51,83 bilhões em 2025, dos quais 65% referentes a serviços digitais. O valor consta no Painel Comércio Exterior Brasileiro de Serviços em Números (ComexVis Serviços), lançado na última quarta-feira (28) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A ferramenta reúne dados estatísticos inéditos e interativos sobre as transações internacionais de serviços do Brasil e do mundo. Diferentemente da balança comercial, que reflete as exportações e as importações de mercadorias, o comércio de serviços não tinha estatísticas detalhadas no país.

Embora as transações de serviços componham as contas externas do Banco Central (BC), divulgadas todos os meses, a autoridade monetária compila os dados de forma agregada, sem o destrinchamento dos números.

Os dados apresentados no painel têm como base as informações primárias do Banco Central e passam a integrar o conjunto de estatísticas oficiais divulgadas pela Secex. O ComexVis Serviços também se soma ao ecossistema digital do ministério, que inclui ferramentas como o Comex Stat e o Comex Vis, com gráficos, indicadores e análises interativas.

Desenvolvido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o painel tem como objetivo ampliar a transparência, qualificar o debate público e fortalecer a formulação de políticas voltadas à competitividade do setor de serviços na inserção internacional do país. A plataforma permite consultar valores atualizados de exportações e importações, acompanhar a evolução histórica dos fluxos e analisar a distribuição por setores e parceiros comerciais.

Importância do segmento para o comércio exterior brasileiro

Segundo o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, a iniciativa responde a uma demanda crescente por informações estruturadas sobre o setor. Ele ressaltou que os serviços constituem uma fronteira cada vez mais relevante do comércio exterior e destaca que cerca de 40% do valor adicionado nas exportações de manufaturados brasileiros corresponde a serviços embutidos, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico,

“A plataforma atende à demanda por dados comparáveis e acessíveis sobre o comércio internacional”, afirmou Alckmin em nota.

De acordo com a Secex, a iniciativa contribui para ampliar o conhecimento sobre o setor e apoiar o setor produtivo. Segundo a secretaria, ao disponibilizar as informações de maneira simples e visual, o painel permite que governo, empresários e associações identifiquem oportunidades de negócios, fortalecendo a promoção do comércio de serviços.

Dependência de capitais externos

Apesar das exportações recordes de serviços em 2025, o Brasil tem um déficit crônico na balança do setor. No ano passado, o país importou US$ 104,77 bilhões em serviços, com o saldo ficando negativo em US$ 52,94 bilhões. Somado ao alto volume de remessas de lucros para o exterior em 2025, o país fechou o ano passado com déficit de US$ 68,791 bilhões nas contas externas.

O déficit nas contas externas poderia ser o dobro não fosse o superávit de US$ 68,293 bilhões na balança comercial no ano passado. Na prática, rombos nas contas externas indicam dependência de recursos financeiros, como o da bolsa de valores, e de investimentos diretos de empresas estrangeiras no Brasil para o país fechar o balanço de pagamentos, aumentar as reservas internacionais e impedir a desvalorização do real.

No ano passado, o déficit das contas externas foi compensado, com sobra, pelo investimento estrangeiro direto, que somou US$ 77,676 bilhões, o melhor resultado desde 2014. O aumento das exportações de serviços ajudaria a reduzir a dependência de capitais externos do Brasil.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Acordo UE-Mercosul pode acarretar cinco mudanças para o agronegócio brasileiro segundo especialista

Da Redação

Brasília -A entrada em vigor provisória do acordo entre União Europeia e Mercosul, prevista para 2026, marca uma nova etapa nas relações comerciais do Brasil com um dos maiores mercados consumidores do mundo. Após mais de duas décadas de negociações, o tratado promete ampliar o acesso de produtos agrícolas brasileiros ao mercado europeu, ao mesmo tempo em que impõe desafios regulatórios, ambientais e concorrenciais ao setor do agronegócio nacional.

De acordo com Igor Fernandez de Moraes, sócio do Silva Nunes Advogados e especialista em Direito do Agronegócio, o acordo deve ser interpretado como um divisor de águas. “Estamos diante de uma reconfiguração das regras do jogo para exportadores brasileiros. O agronegócio ganha oportunidades concretas de expansão, mas precisará lidar com um nível de exigência jurídica e sanitária muito mais elevado”, avalia.

Entre os impactos imediatos está a ampliação de cotas para produtos como carne bovina, aves, açúcar, arroz e mel, que poderão entrar na União Europeia com tarifas reduzidas. Contudo, essas concessões vêm acompanhadas de mecanismos de proteção aos produtores europeus, como cláusulas de salvaguarda. “Isso significa que, diante de um aumento brusco de exportações brasileiras, a UE poderá suspender benefícios tarifários, o que gera insegurança comercial para produtores”, explica o advogado.

Outro ponto sensível diz respeito às exigências ambientais e sanitárias, que não serão flexibilizadas com o acordo. A União Europeia mantém padrões rigorosos sobre rastreabilidade, uso de defensivos agrícolas e sustentabilidade da produção. “Quem não se adaptar a essas exigências ficará fora do mercado europeu, enquanto quem investir em conformidade jurídica e ambiental terá vantagem competitiva relevante”, alerta Fernandez.

O acordo também tende a estimular mudanças estruturais no campo brasileiro, com maior profissionalização da cadeia produtiva. “O produtor deixa de ser apenas agricultor e passa a ser também gestor de risco jurídico, regulatório e comercial”, afirma o especialista. Esse movimento pode impulsionar investimentos em tecnologia, certificações internacionais e governança corporativa no setor rural.

Apesar dos desafios, a avaliação é que o tratado abre espaço para diversificação de mercados e redução da dependência comercial de poucos parceiros. “O Brasil pode se posicionar como fornecedor estratégico de alimentos para a Europa, desde que esteja preparado juridicamente para cumprir os compromissos assumidos”, conclui o advogado.

Conheça 5 impactos do acordo UE-Mercosul para o agronegócio brasileiro:

  1. Ampliação de cotas agrícolas com tarifas reduzidas
    Produtos como carne e açúcar ganham acesso facilitado ao mercado europeu, mas dentro de limites quantitativos rigorosos, o que exige planejamento exportador.
  2. Aumento das exigências sanitárias e ambientais
    O acordo não flexibiliza regras da UE. Pelo contrário, reforça a necessidade de rastreabilidade e sustentabilidade jurídica da produção brasileira.
  3. Cláusulas de salvaguarda comercial
    A União Europeia poderá suspender benefícios se considerar que suas cadeias produtivas foram prejudicadas, reforçando a necessidade de planejamento e análise mercadológica internacional para manter competitividade e longevidade internacional para exportadores brasileiros, para que tenham maior previsibilidade e invistam com mais segurança.
  4. Maior concorrência interna e externa
    Produtores brasileiros enfrentarão tanto a competição europeia quanto a pressão por preços e qualidade superiores.
  5. Valorização da governança e da segurança jurídica no campo
    O produtor que investir em compliance, certificações e assessoria jurídica terá mais chances de se manter no mercado internacional.

 

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