Importações em recorde histórico e queda nas exportações geram “tempestade perfeita” para o setor calçadista brasileiro

 

 

Da Redação (*)

Brasília – Depois de um ano de recorde, as importações seguiram em elevação no primeiro mês de 2026. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos registros da Secex, janeiro registrou um novo recorde para o mês, alcançando o maior volume da histórica, iniciada em 1997. No mês, as importações somaram 4,46 milhões de pares e US$ 62,9 milhões, incrementos tanto em volume (+34,3%) quanto em valores (+31,2%) em relação a janeiro de 2025.

O movimento mantém o ritmo sustentado de crescimento das importações – com contínuas taxas expressivas – há cinco anos. O destaque, mais uma vez, foram os países asiáticos Vietnã, China e Indonésia, que juntos responderam por 84% das importações de janeiro – em dólares e pares.

Segundo o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o resultado preocupa a indústria calçadista nacional, pois acontece em um contexto de desaquecimento da demanda doméstica – que caiu 2,3% em 2025.

“O aumento da entrada de calçados no Brasil, em especial a preços muito baixos, incita grande preocupação na medida em que se dá em detrimento do produto nacional, que ano passado perdeu 2,2% de sua produção”, avalia o dirigente, ressaltando que a entidade vem trabalhando o tema junto ao governo federal.

Origens

A principal origem dos calçados importados em janeiro foi o Vietnã, de onde vieram 1,5 milhão de pares por US$ 32,57 milhões, altas de 34,3% e 31,2%, respectivamente, ante o mesmo mês de 2025.

A segunda origem foi a China, de onde foram importados 1,26 milhão de pares por US$ 3,44 milhões, incremento de 75,7% em volume e queda de 31,4% em receita, o que é explicado pelo preço médio extremamente baixo do produto chinês embarcado ao Brasil (US$ 2,73).

A terceira origem das importações de janeiro foi a Indonésia. No mês, foram importados do país asiático 996 mil pares de calçados por US$ 17 milhões, incrementos de 34,2% e 41,1%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025.

Exportações: queda esperada

Já do lado das exportações, nada de novo para o setor calçadista. Em janeiro, os embarques alcançaram 9,4 milhões de pares e US$ 71,5 milhões, quedas tanto em volume (-17,7%) quanto em receita (-18,8%) em relação ao mesmo mês do ano passado.

O principal destino foram os Estados Unidos, para onde as exportações somaram 832,9 mil pares e US$ 10,23 milhões, quedas de 26,8% e 45,7%, respectivamente, ante janeiro de 2025.

“O tarifaço segue tendo impactos importantes para o setor, neste que é o nosso principal destino internacional”, comenta Ferreira. Outro mercado que contribuiu para a queda das exportações do setor foi a Argentina, segundo destino no ano passado, que registrou queda nas suas importações de calçados brasileiros. Em janeiro, os argentinoimportaram 286,96 mil pares por US$ 4,42 milhões, quedas de 54,9% e 57,4%, respectivamente, em relação ao intervalo correspondente do ano passado. “Na Argentina, além da desaceleração do consumo, ocorre um acirramento da concorrência internacional com produtores asiáticos”, explica o executivo.

Estados

O principal exportador de calçados do Brasil segue sendo o Rio Grande do Sul. Em janeiro, partiram das fábricas gaúchas 3 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 36,17 milhões, incremento de 16% em volume e queda de 3,3% em receita no comparativo com o primeiro mês de 2025. Na sequência, apareceram os estados do Ceará (3,7 milhões de pares e US$ 17,6 milhões, quedas de 26,4% e 35,7%, respectivamente, ante janeiro de 2025) e São Paulo (1,62 milhão de pares e US$ 5,52 milhões, queda de 25% em volume e incremento de 14,1% em receita em relação a janeiro do ano passado).

(*) Com informações da Abicalçados

 

 

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Wine South America amplia ações de ESG e reforça compromisso com a sustentabilidade do setor vitivinícola

Com ações como compensação de carbono, gestão de resíduos e inclusão social, feira avança no desenvolvimento responsável do mercado

Da Redação (*)

Brasília – Considerada uma das principais feiras de negócios do setor vitivinícola na América Latina, a Wine South America vem ampliando de forma consistente suas iniciativas de ESG (Environmental, Social and Governance). Práticas sustentáveis e ações de impacto social estão sendo incorporadas no planejamento e na execução do evento que ocorre em Bento Gonçalves (RS), no coração da Serra Gaúcha. Dessa forma, a feira se consolida não apenas como uma plataforma de negócios e conteúdo, mas também como um ambiente comprometido com o desenvolvimento responsável do setor.

Na última edição, em 2025, a WSA recebeu mais de 7 mil compradores e gerou mais de R$ 100 milhões em negócios. Ao todo, a feira conta com marcas expositoras de mais de 20 países de todo o mundo, como Portugal, Itália, Espanha, Grécia, Argentina, Chile, Uruguai e Nova Zelândia. A próxima edição da WSA acontece de 12 a 14 de maio de 2026.

Entre as principais ações ambientais da feira, a Wine South America adota uma política estruturada de gestão de resíduos e logística sustentável, com a destinação correta de materiais como vidro, papelão, plástico, madeira, alumínio e isopor. Na edição de 2025, todos os resíduos gerados no evento foram reciclados ou reutilizados, evitando a emissão de aproximadamente 26 toneladas de CO₂.

Além disso, materiais gráficos e lonas utilizadas na feira passaram por processos de logística reversa, sendo doados para reaproveitamento em projetos sociais, reduzindo o descarte e prolongando o ciclo de vida dos insumos.

A feira também conta com iniciativas de compensação de carbono, incluindo ações de conscientização ambiental e doação de mudas de árvores, reforçando a integração do evento com práticas sustentáveis e educativas.

“A sustentabilidade precisa fazer parte da estratégia de eventos de negócios, especialmente em setores que dependem diretamente do equilíbrio ambiental, como o vitivinícola. Nosso compromisso é evoluir continuamente, assumindo responsabilidades que vão além da realização da feira”, afirma Marcos Milanez, diretor da Wine South America.

No campo social, a Wine South America promove ações voltadas ao impacto positivo na comunidade local. Em 2025, o valor arrecadado com a bilheteria de um workshop realizado durante o evento foi destinado ao Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC), por meio da ONG Parceiros Voluntários.

A feira também avançou em políticas de inclusão, com a contratação de profissionais com deficiência para atuarem durante o evento, fortalecendo o compromisso com diversidade, equidade e representatividade.

Sustentabilidade como estratégia: o compromisso ESG também nos expositores da WSA

O compromisso da Wine South America com a agenda ESG encontra ressonância em expositores que fazem da sustentabilidade um pilar estratégico de seus negócios. Um exemplo é a Vinícola Aurora, uma das maiores e mais tradicionais cooperativas do país, que integra práticas ESG à sua governança e operação.

Segundo Cassandra Marcon Giacomazzi, gerente de sustentabilidade da cooperativa, a agenda ESG da Aurora está diretamente conectada à estratégia e à governança da organização. “Desde 2023, consolidamos iniciativas de sustentabilidade, com foco na integridade da cadeia produtiva, boas práticas agrícolas, direitos humanos e gestão ambiental. O ESG é um critério indispensável em todas as fases do nosso negócio”, destaca.

Entre as iniciativas da Aurora estão o fortalecimento do Programa de Integridade e Compliance, a atualização do Código de Conduta, a implantação de um Canal de Denúncias com possibilidade de anonimato, a avaliação de governança de cerca de 1.300 fornecedores e a capacitação contínua de colaboradores, cooperados e parceiros. Na área social, a cooperativa mantém o Programa de Boas Práticas Agrícolas (PBPA), alinhado às normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que orienta e fiscaliza as propriedades dos cooperados.

Em 2025, a Aurora publicou seu primeiro Relatório de Sustentabilidade, alinhado às diretrizes internacionais da GRI 2021, e assumiu compromissos ESG conectados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Para a Aurora, a adoção de práticas ESG por eventos setoriais é fundamental para o avanço do mercado.

“Feiras como a Wine South America exercem um papel estratégico ao reunir toda a cadeia produtiva. Quando incorporam iniciativas como compensação de carbono e gestão de resíduos, sinalizam que sustentabilidade e profissionalização caminham juntas e elevam o padrão do setor como um todo”, afirma Cassandra.

O credenciamento para a WSA 2026 está disponível no site da feira – winesa.com.br.

(*) Com informações da Wine South America

 

 

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ApexBrasil e Itamaraty promovem etapa da Missão à África na Etiópia com mais de 300 reuniões de negócios

Fórum de Cooperação Econômica Brasil–Etiópia reuniu empresários, autoridades e especialistas e marcou a inauguração do escritório da Embrapa na capital etíope_

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) realizaram, no dia 6 de fevereiro, a etapa de Adis Abeba da Missão à África, com a promoção do Fórum de Cooperação Econômica Brasil–Etiópia. Ao todo, foram realizadas 303 reuniões de negócios entre empresários brasileiros e etíopes, reforçando o interesse mútuo em ampliar o comércio bilateral, os investimentos e a cooperação econômica entre os países.

A programação teve início com o Seminário Empresarial Brasil-Etiópia, com ampla agenda institucional, painéis temáticos e rodadas de negócios. A cerimônia de abertura reuniu autoridades dos dois países, entre elas o Ministro de Comércio e Integração Regional da Etiópia, Kassahun Gofe Balami e Zeleke Temesgen, Comissário da Ethiopian Investment Commission (EIC).

Foi assinado um Memorando de Entendimento (MoU) entre a ApexBrasil e a EIC com o objetivo de fortalecer a cooperação institucional e ampliar as oportunidades de comércio e investimentos entre Brasil e Etiópia. O acordo cria um marco formal para a troca de informações, a realização conjunta de missões empresariais e fóruns de investimento, além do apoio direto a empresas brasileiras interessadas em acessar ou expandir sua atuação no mercado etíope.

Para os empresários brasileiros, o MoU representa maior segurança institucional, facilitação de contatos, apoio na identificação de oportunidades e investimentos e a construção de um ambiente mais favorável à internacionalização.

Durante o fórum, foi inaugurado o escritório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Adis Abeba, que funcionará na Embaixada do Brasil, representada pelo pesquisador José Ednilson Miranda. A presidente da Embrapa, Sílvia Massruhá, destacou que a atuação internacional da instituição se baseia em três pilares: “conhecimento científico, capacitação e políticas públicas. Isso fez com que o Brasil se transformasse de importador de alimentos em um grande produtor e exportador. O Brasil não traz nada pronto; adaptamos modelos à realidade local e estamos aqui para cooperar e compartilhar, contribuindo para que a União Africana trace seu próprio caminho de sucesso”, afirmou.

Jorge Viana defende maior presença no continente africano

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ressaltou que a Agência irá ampliar sua presença no continente africano. “Estamos trabalhando para, em breve, firmar quatro espaços de referência da ApexBrasil na África, seguindo uma estratégia de divisão do continente em quatro regiões e de reaproximação, como defende o presidente Lula. Isso permitirá uma atuação mais eficiente, personalizada e próxima dos empresários, fortalecendo a promoção do comércio bilateral”, afirmou.

A programação do evento incluiu painéis temáticos que abordaram áreas estratégicas para a cooperação entre Brasil e Etiópia. O painel Brazil–Ethiopia Connections, moderado por Ana Paula Repezza, Diretora de Negócios da ApexBrasil, reuniu representantes do setor privado e do governo para discutir oportunidades de investimento e parcerias. Na sequência, o painel Sustainable Agricultural Production debateu produção agrícola sustentável, com foco em proteínas animais, café especial e investimentos no setor. Já o painel Logistics and Energy Transition tratou de temas como infraestrutura, logística, aviação, energia e transição energética, setores considerados essenciais para o fortalecimento das cadeias produtivas e do comércio entre os países.

Além das rodadas de negócios, a agenda conta com visitas técnicas a parques industriais e instalações supermercadistas, permitindo aos empresários brasileiros conhecer de perto o ambiente de negócios etíope.

Para o empresário Bruno da Silva, da SyrcSim Cosméticos, a participação no fórum foi decisiva. “Foi uma oportunidade única de conhecer o mercado e estabelecer contatos que, ao longo do tempo, vão gerar grandes resultados. Temos muita similaridade de mercados, produtos e cosméticos. Saímos daqui, inclusive, já com data para voltar”, afirmou.

A etapa de Adis Abeba integra a Missão à África promovida pela ApexBrasil e pelo Ministério das Relações Exteriores, que tem como objetivo aprofundar as relações econômicas do Brasil com países africanos, ampliar a presença de empresas brasileiras no continente e estimular parcerias sustentáveis de longo prazo.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Amigos da Rússia: aproximação expõe crise moral do Brasil

Márcio Coimbra (*)

A política externa brasileira atravessa hoje uma perigosa indefinição ética. Ao buscar um estreitamento de laços com a Rússia em meio à invasão da Ucrânia, o Brasil não apenas desafia o consenso das democracias ocidentais, mas flerta com a erosão de sua própria identidade. O regime de Moscou, uma autocracia que cerceia a liberdade e persegue opositores, utiliza a força militar como ferramenta sistemática de expansão.

Para um país que se orgulha de suas instituições, o silêncio — ou a cordialidade excessiva — configura uma dissonância cognitiva diplomática que compromete nossa credibilidade junto a parceiros que compartilham de nossa arquitetura de valores.

Essa aproximação torna-se ainda mais incompreensível quando se nota que o Brasil negligencia evidências graves de que sua própria soberania tem sido instrumentalizada pelo Kremlin. A descoberta de uma rede de espiões russos operando em solo nacional com identidades fraudulentas é um alerta que Brasília parece ignorar.

Agentes como Sergey Cherkasov (Victor Muller Ferreira), Mikhail Mikushin (José Assis Giammaria) e Artem Shmyrev (Gerhard Daniel Campos) revelam que Moscou enxerga o Brasil não como um parceiro de igual estatura, mas como uma “fábrica de identidades” para suas operações globais de infiltração.

Essa falta de respeito manifesta-se também na opacidade das movimentações de aeronaves estatais russas em aeroportos nacionais. Relatos sobre voos suspeitos em Brasília entre 2025 e 2026, envolvendo modelos como o Ilyushin Il-96 e o Tupolev Tu-204, levantam questionamentos profundos.

Tais aeronaves realizam rotas complexas para evitar o espaço aéreo europeu, fazendo escalas na África e no Cáucaso antes de pousar em Brasília e rumar para Havana e Caracas. A ausência de transparência sobre essas cargas sugere uma “diplomacia das sombras” que fragiliza nossa imagem perante o mundo civilizado.

Diante disso, causa perplexidade que o governo estenda o tapete vermelho para o primeiro-ministro Mikhail Mishustin. Tal recepção sugere que o compromisso brasileiro com o Direito Internacional é seletivo. O argumento da necessidade comercial não resiste aos números: as exportações para a Rússia representam ínfimos 0,6% do total nacional. Em contrapartida, a União Europeia, que lidera as sanções contra Putin, é destino de 15% de nossas vendas.

Trocar a possibilidade de acesso preferencial a um mercado de 450 milhões de consumidores pelo fornecimento de fertilizantes russos — insumo que poderia ser diversificado com Canadá ou Marrocos — é um isolacionismo ideológico que nos afasta das cadeias de valor mais sofisticadas do Ocidente.

Há ainda a dimensão humanitária: o sentimento de traição da comunidade ucraniana no Brasil. Com 600 mil descendentes, majoritariamente no Paraná, essa diáspora vê na postura de Brasília uma ofensa ao sofrimento de seus familiares. É doloroso ver o governo confraternizar com um regime cujo líder é alvo de mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra.

Ao incentivar laços com Moscou, o Brasil ignora os riscos reais de retaliação pelas nações livres. O “custo Rússia” é demasiadamente alto, logo é hora de decidir: ou o Brasil retoma sua liderança moral na ordem global ou mergulha em um isolamento histórico e vergonhoso.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Brasil deve buscar ampliação do Acordo Mercosul-Índia em visita de Lula a Nova Délhi, defende especialista

Da Redação

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará a Índia de 19 a 21 de fevereiro acompanhado por uma missão integrada por aproximadamente 200 empresários e na percepção do especialista em comércio exterior, Jackson Campos, o governo brasileiro deveria aproveitar a oportunidade avançar com as negociações visando ampliar a cobertura -hoje bastante limitada- do Acordo de Comércio Preferencial entre o Mercosul e a República da Índia, celebrado em Nova Delhi, em 25 de janeiro de 2004 e em vigor desde 2009.

Para Jackson Campos, da parte do Mercosul, cabe ao Brasil liderar o processo de aprofundamento desse acordo. E ele explica: “o volume das exportações da Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai para a Índia é praticamente inexistente e o Brasil só tem a ganhar”.

Campos identifica outro problema: a crescente importação pelo Uruguai de produtos indianos, em especial medicamentos para posterior exportação para o Brasil: “os uruguaios têm aumentado a importação de produtos indianos, que posteriormente passam por algum tipo de manufatura e são reexportados para o Brasil como se fosse um bem produzido em um país membro do Mercosul. Já visitei algumas unidades do setor farmacêutico no Uruguai que fazem esse tipo de operação”.

Brasil projeta um acordo muito mais abrangente

Atualmente, o acordo cobre cerca de 450 linhas tarifárias, num universo de cerca de 10 mil, e prevê reduções tarifárias modestas, entre 10% e 20%. A meta é ampliar substancialmente o escopo e incluir novas áreas de cooperação comercial. O governo brasileiro pretende negociar a inclusão de novos produtos, especialmente do agronegócio, negociar reduções tarifárias e buscar a retirada de barreiras comerciais.

Segundo Jackson Campos, “a Índia é considerada um país secundário para o Brasil. De lá, a gente importa muito produtos farmacêuticos, dos quais os indianos são um dos maiores exportadores do mundo, e eles têm também muitos têxteis, pneus, partes e peças de veículos. Mas em termos de exportação, o Brasil é um país pouco expressivo e um dos principais motivos é a proximidade da China com a Índia. Para eles é muito mais fácil, e barato, comprar da China que do Brasil. E quando falamos de frutas e outros produtos agrícolas, eles também são produtores e inclusive são exportadores de frutas para o mundo inteiro. Aí reside o grande desafio, que é convencer a Índia a importar do Brasil e não da China”.

Campos reforça que já esteve diversas vezes na Índia para prospectar mercados para empresas brasileiras no país asiático e destaca que “os indianos me perguntavam sempre: porque vamos importar do Brasil se podemos importar da China pela metade do preço e receber muito mais depressa?”

Preço e logística não são os únicos obstáculos no caminho do fortalecimento dos laços comerciais entre o Brasil e a Índia: “os dois países são muito protecionistas. Talvez um acordo econômico específico com a Índia seja um bom ponto de partida. Além disso, os dois países são extremamente burocráticos, principalmente no tocante ao aspecto aduaneiro. Tanto para a exportação quanto para a importação”.

O especialista assinala que “a Índia é tão difícil quanto o Brasil na importação. Quando se importa da Índia é muito simples, mas na exportação do Brasil é tudo muito complexo, da mesma forma que é com relação a nós. Assim como a Índia, nós também buscamos fazer importações de onde é mais barato e mais rápido”.

 

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Especialista aponta 5 passos essenciais para a expansão internacional do seu negócio

Especialista em negócios, Surama Jurdi, reforça que para crescer no exterior é preciso repensar processos, comunicação e modelos para competir globalmente

Da Redação (*)

Brasília – Expandir uma companhia para o mercado internacional é um passo estratégico que exige planejamento, visão global e execução rigorosa. Esse movimento ganha ainda mais relevância quando os dados revelam que as exportações brasileiras de serviços atingiram o valor recorde de US$ 51,83 bilhões no último ano, sendo 65% referentes a serviços digitais, principalmente para os Estados Unidos, de acordo com o levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No entanto, segundo Surama Jurdi, CEO e fundadora da Surama Jurdi Academy, ecossistema global de educação empresarial, a maioria dos empreendedores cometem o erro de enxergar a internacionalização apenas como uma tradução do cenário local. “Na prática, trata-se de uma reconstrução estratégica, que envolve rever processos, comunicação, modelo de negócio e até a mentalidade da liderança para atuar de forma global”, comenta a especialista.

Oportunidades estratégicas de internacionalização

Com base em experiências recentes nos Emirados Árabes Unidos e a presença constante no local ao longo de mais de seis anos, Surama identifica oportunidades estratégicas relevantes para empresas que desejam expandir internacionalmente nesse mercado. “A região emiratense reúne um ecossistema favorável para os negócios, com abertura para inovação, incentivos e um ambiente multicultural que acelera parcerias globais. É um terreno fértil para o crescimento, desde que o processo seja conduzido com planejamento”, explica a CEO.

Com mais de 20 anos de experiência em educação executiva e negócios internacionais, Surama apresenta cinco passos essenciais para empresas que desejam crescer além das fronteiras com resultado sustentável. Confira:

  1. Clareza de posicionamento global
    Antes de escolher o país de destino, é fundamental entender qual o problema solucionado pela companhia e se essa dor existe no mercado internacional. “Não é sobre onde você quer estar, mas onde sua solução faz sentido e gera valor”, destaca a especialista.
  1. Estudo profundo do mercado-alvo
    Cultura, comportamento do consumidor, legislação, concorrência e modelo de consumo mudam conforme cada país. “A pesquisa de mercado é essencial para reduzir riscos e evitar decisões baseadas apenas em achismos”, orienta a mentora.
  1. Estrutura jurídica e financeira bem definida
    Questões tributárias, contratos e meios de pagamento devem ser pensados com antecedência. “Mesmo com grande potencial, um negócio pode ser inviabilizado se a estrutura jurídica e financeira não for planejada de forma estratégica”, diz Surama.
  1. Comunicação adaptada ao contexto local
    Internacionalizar não é apenas traduzir o idioma, é necessário adaptar a mensagem, o tom e os canais de comunicação. “A marca deve respeitar o contexto cultural sem perder sua essência”, comenta a CEO.
  1. Mentalidade global e networking estratégico
    Construir conexões locais, contar com mentores e desenvolver uma mentalidade internacional são fatores decisivos. “Negócios globais são construídos por pessoas que pensam e agem estrategicamente, desenvolvendo constantemente uma visão de inovação e crescimento”, reforça a especialista.

Para Surama, a expansão internacional é um processo possível e acessível quando guiado por método, conhecimento e acompanhamento adequado. “As companhias não ampliam apenas a atuação, mas também fortalecem a relevância em um mercado internacional cada vez mais competitivo e dinâmico”, conclui.

(*) Com informações da Surama Jurdi Academy

 

 

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Expansão internacional é meta de 1 em cada 5 varejistas e EUA são o mercado-alvo prioritário

Com e-commerce em forte crescimento e destaque para eletrônicos e tecnologia, varejo brasileiro vê mercados como Estados Unidos, Argentina e Chile como destinos prioritários para avançar além das fronteiras

Da Redação (*)

Brasília – Uma em cada cinco empresas varejistas brasileiras planeja levar seus negócios para além das fronteiras em 2025. O dado faz parte do Relatório do Varejo 2025, elaborado pela Adyen, a partir de entrevistas com mais de 14 mil comerciantes em 28 países, incluindo 500 no Brasil.

O levantamento aponta que 21% das empresas nacionais definiram a expansão internacional como uma de suas principais metas para os próximos anos, com destaque para Estados Unidos, Argentina, Chile e Portugal entre os destinos mais citados.

Um novo olhar global

Entre os mercados-alvo, os Estados Unidos lideram, mencionados por 41% dos varejistas brasileiros interessados em internacionalizar operações. Em seguida, aparecem Argentina, com 37%, Chile, com 30%, e Portugal, com 29%. O estudo também mostra que varejistas do setor de eletrônicos demonstram interesse acima da média pelo mercado norte-americano, refletindo a forte demanda por produtos de tecnologia naquele país.

Esse movimento ocorre em meio ao avanço do comércio eletrônico no Brasil. Estudo da fintech Nuvei, baseado na análise de mercados digitais de alto crescimento, projeta que o e-commerce brasileiro deve movimentar cerca de US$ 418,8 bilhões em 2025. A expectativa é de crescimento médio anual de 21% até 2027. Dentro desse cenário, as vendas online do varejo podem quase dobrar de tamanho, alcançando aproximadamente US$ 297,7 bilhões até 2027.

Varejo digital e comércio global

A pesquisa também indica que o varejo é o principal motor das transações no comércio eletrônico nacional, superando segmentos como viagens e delivery. Outro destaque é o avanço das vendas transfronteiriças online, que devem crescer cerca de 93% entre 2024 e 2027, sinalizando maior integração do Brasil às cadeias globais de consumo digital.

Esse contexto favorece especialmente os setores ligados a tecnologia da informação e comunicação. Dados divulgados pela Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), em parceria com a NielsenIQ, mostram que o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) registrou crescimento aproximado de 10% nas vendas no primeiro trimestre de 2025.

Entre os destaques, está o tablet, que obteve alta de 29% na comercialização no período, além de equipamentos do universo gamer e dispositivos voltados à produtividade e ao entretenimento.

Setores estratégicos e desafios

O fortalecimento do varejo brasileiro também se reflete em rankings globais. Em 2025, cinco empresas nacionais figuraram entre as 250 maiores varejistas do mundo, segundo levantamento da Deloitte, que avalia desempenho financeiro e presença internacional de companhias do setor.

Para especialistas, a internacionalização passou a ser vista como uma estratégia para diluir riscos associados ao mercado doméstico e ampliar fontes de receita. Ao mesmo tempo, exige preparo em áreas como logística internacional, adequação regulatória, tributação e adaptação cultural.

Com um varejo digitalmente mais maduro e setores estratégicos em crescimento, como eletrônicos e tecnologia, a expansão internacional deixa de ser apenas um movimento aspiracional e passa a integrar, de forma concreta, o planejamento de crescimento de uma parcela relevante do varejo brasileiro.

(*) Com informações da Adyen

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Fórum Empresarial Brasil-Rússia marca um novo patamar nas relações entre os dois países, diz ApexBrasil

Em evento organizado pela ApexBrasil e MRE, vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin e o 1º ministro Russo, Mikhail Mishustin, falam do interesse mútuo de fortalecer o comércio bilateral

Da Redação (*)

Brasília – Na ocasião do Fórum Empresarial Brasil-Rússia, realizado nesta quinta-feira (5), em Brasília-DF, Brasil e Rússia consolidaram o interesse mútuo de fortalecer as relações comerciais e econômicas entre os dois países. O evento reuniu autoridades e empresários de ambas as nações para discutir e encontrar oportunidades de aprimorar a cooperação bilateral.

“Esse Fórum foi elaborado para que possamos ampliar as exportações de bens industrializados e de maior valor agregado entre nossos países e incentivar parcerias em áreas como indústria, tecnologia, energia, saúde e serviços especializados”, disse o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, durante a abertura do encontro.

O primeiro-ministro da Federação Russa, Mikhail Mishustin, também destacou o interesse de ambos os países em fortalecer as relações comerciais. “Esse Fórum mostra a intenção do presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, de ampliar nossa cooperação bilateral. Estamos abertos a um parceiro estratégico como o Brasil”, afirmou.

“Temos tudo para aumentar ainda mais nossas parcerias em áreas como o setor industrial, agronegócio, além de farmacêutica – e contamos com a abordagem positiva do regulador brasileiro, com transferência de tecnologia, soluções informacionais, tecnologias modernas de digitalização e gestão pública, sistemas mais modernos de cybersegurança e inteligência digital, levando em conta a soberania digital. Estamos abertos ao diálogo. Sejam bem-vindos à Rússia”, reforçou.

Relação comercial em outro patamar é a meta

Representando a ApexBrasil, a chefe do Escritório da Agência em São Paulo (EA São Paulo), Márcia Nejaim, também destacou a importância do evento. “Esse encontro é um passo essencial para a ampliação do patamar comercial entre nossos países”, disse Márcia, que reforçou o importante papel da ApexBrasil na consolidação dessa relação. “A ApexBrasil atribui grande importância às relações comerciais do Brasil com a Rússia, onde temos um escritório há 16 anos ativo e estratégico em Moscou”, pontuou.

Segundo Márcia, o Brasil tem contribuído ativamente na garantia da segurança alimentar da Rússia como fornecedor de proteínas, carnes e outros produtos fundamentais. Por sua vez, a Rússia, segundo ela, desempenha papel essencial ao promover insumos estratégicos como fertilizantes e combustíveis, que são fundamentais para o dinamismo da agricultura e da economia do Brasil.

“E queremos avançar ainda mais no desenvolvimento de negócios entre nossas empresas em setores diversos. Há ampla espaço para ampliar fluxos, diversificar pautas e agregar valor ao nosso comércio bilateral”, reforçou a representante da ApexBrasil.

Oportunidades

As relações comerciais entre Rússia e Brasil são positivas e seguem em avanço. Em 2025, o comércio bilateral alcançou US$ 10,9 bilhões. O Brasil exportou para a Rússia US$ 1,5 bilhão, representando 0,4% do total exportado pelo Brasil – um aumento de 5% em relação a 2024, quando o valor foi de US$ 1,4 bilhão.

No mesmo período, as importações brasileiras com origem na Rússia foram de US$ 9,4 bilhões (5º principal fornecedor), mas com a pauta bastante concentrada em óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos e adubos ou fertilizantes químicos. O número foi cerca de 14,2% inferior a 2024, quando foram registrados US$ 10,9 bilhões.

O desafio maior está na diversificação da pauta exportadora. Pelo que indica o mais recente estudo Perfil de Comércio e Investimentos da Brasil-Rússia da ApexBrasil, há 217 oportunidades para isso. Segundo a publicação, os cinco principais grupos de produtos com oportunidades para o Brasil na Rússia são: alumina (óxido de alumínio); veículos automóveis para transporte de mercadorias e usos especiais; soja; cacau em pó; manteiga ou pasta de cacau; e frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas.

Entre 2024 e 2025, segundo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Rússia abriu mercado para diversos produtos agropecuários brasileiros – o que revela o interesse em ampliar a pauta exportadora. Entre eles estão: feijão (2025); banana (2024); erva mate (2024); amêndoas de cacau (2024); e noz-pecã (2024).

Segundo a ApexBrasil, a demanda russa de alimentos converge com a oferta brasileira em setores estratégicos e amplia o potencial de crescimento na relação comercial.

Áreas estratégicas

Ao longo da tarde, o Fórum contou com três painéis focados em discutir oportunidades de avanço na cooperação entre os dois países em áreas estratégicas. Sustentabilidade, segurança alimentar e desenvolvimento no campo das Tecnologias Industriais e da Informação foram os temas em destaque.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Como as cidades inteligentes moldam um futuro mais seguro para nossas crianças

Thomas Law  (*)

Garantir uma vida segura para as crianças sempre foi uma prioridade para famílias e gestores públicos. Com o crescimento acelerado das metrópoles e a presença constante da tecnologia no dia a dia, proteger os mais jovens passou a exigir estratégias inovadoras. Nesse contexto, as cidades inteligentes — que combinam tecnologia e planejamento integrado para promover proteção, sustentabilidade e melhor qualidade de vida — surgem como a solução para tornar os espaços urbanos mais seguros e acolhedores para as próximas gerações.

As soluções oferecidas por uma cidade inteligente vão muito além da conectividade. Elas envolvem planejamento sustentável, integração de dados, uso estratégico de inteligência artificial e participação cidadã. Quando aplicadas com foco na infância, essas ferramentas têm o potencial de transformar radicalmente a forma como cuidamos de nossas crianças no espaço público.

O uso de dados é um dos pilares centrais para garantir a proteção da população atualmente. Câmeras equipadas com recursos de análise e sensores conectados não apenas monitoram áreas de lazer e escolas, mas, com o apoio da IA, também podem detectar situações de risco, como quando uma criança se afasta do grupo ou é abordada por uma pessoa desconhecida. Essa análise preditiva permite respostas imediatas das autoridades. A UNICEF, por meio da iniciativa “Child-Friendly Cities”, destaca que a coleta e o uso de dados para mapear áreas de risco e incidentes são cruciais para o planejamento urbano centrado na infância.

A mobilidade também é fundamental. Municípios que investem em transporte público monitorado, com aplicativos que fornecem informações em tempo real, oferecem mais tranquilidade às famílias. Um relatório da McKinsey & Company de 2024 sobre o futuro da mobilidade urbana aponta que a adoção de tecnologias de análise de tráfego e infraestrutura inovadora pode reduzir significativamente acidentes com pedestres e ciclistas, tornando as ruas mais seguras para as crianças que caminham para a escola ou brincam no bairro.

O desenvolvimento de cidades inteligentes também exige a participação ativa da comunidade. Plataformas digitais que permitem denunciar situações de risco, reportar falhas em equipamentos coletivos ou sugerir melhorias no entorno escolar fortalecem a rede de proteção e aproximam cidadãos do poder público.

Diversos locais ao redor do mundo já têm adotado soluções tecnológicas voltadas à segurança e ao bem-estar infantil.

Copenhague, na Dinamarca, utiliza sensores de tráfego para monitorar fluxo de ciclistas em tempo real. As vias foram projetadas com ciclovias que conectam bairros residenciais a escolas e área comerciais. Já Barcelona, na Espanha, implementou o projeto Superilles, que transforma conjuntos de quarteirões em zona de baixa circulação para carros. São dois casos que mostram como os espaços coletivos podem ser projetados para permitir que os mais jovens se desloquem com mais autonomia e confiança.

Os exemplos não param aí. Singapura integrou câmeras de vigilância com análise de dados para identificar comportamentos suspeitos e aumentar a resposta a incidentes em tempo real. Em Oslo, na Noruega, um aplicativo permite que crianças reportem problemas que encontram nas ruas, como buracos ou falta de sinalização. Já Gurgaon, na Índia, desenvolveu um sistema de detecção de ameaças baseado em IA que utiliza câmeras para identificar comportamentos suspeitos em espaços públicos.

No Brasil, o número de municípios que estão adotando tecnologias para criar ambientes mais seguros é cada vez maior. Em São Paulo e Salvador, por exemplo os sistemas de videomonitoramento têm se tornado aliados importantes na segurança urbana. Na capital paulista, o programa Smart Sampa integra câmeras de vigilância, inclusive em ônibus e metrôs, com dados de trânsito e da guarda municipal, agilizando a resposta a incidentes em locais de grande circulação. Já em Salvador, a expansão do monitoramento com reconhecimento facial para praças e parques reforça a proteção de crianças e famílias nos espaços públicos.

Outras capitais, como Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS), têm apostado na modernização da iluminação pública para aumentar a confiança dos cidadãos nos espaços de uso comum. Em Curitiba, a instalação de luzes automatizadas em áreas de lazer, como o Parque Barigui, melhora a visibilidade e estimula a presença de famílias após o anoitecer. Já em Porto Alegre, a iluminação eficiente integra-se ao planejamento urbano, contribuindo para rotas escolares mais seguras e ambientes coletivos mais bem frequentados.

Esses exemplos mostram que o cuidado não se constrói com ações isoladas, mas sim com uma rede de soluções integradas que, ao fortalecerem o ambiente das comunidades como um todo, protegem seus cidadãos mais vulneráveis.

A segurança dos mais jovens é, em última instância, o melhor indicador da qualidade de vida em qualquer sociedade. Se nossas cidades conseguem protegê-las, elas estão preparadas para oferecer bem-estar a todos. Investir em soluções inteligentes não significa apenas modernizar a infraestrutura urbana, mas, acima de tudo, construir um futuro mais humano, solidário e seguro. Cidades verdadeiramente inteligentes devem nascer com o olhar voltado para as crianças, porque são elas que, amanhã, vão herdar o espaço que estamos desenhando hoje.

(*) Thomas Law –  Advogado, Doutor em Direito Comercial pela PUC-SP, presidente do Ibrachina, do IBCJ e fundador do Ibrawork, hub de Open Innovation especializado em Smart Cites

 

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Brasil quer ampliar, diversificar e qualificar comércio e investimentos com a Rússia, diz Alckmin

Em declaração conjunta da VIII CAN Brasil-Rússia, o vice-presidente e o primeiro-ministro russo confirmaram compromisso de ampliação dos projetos de cooperação

Da Redação (*)

Brasília – A agenda bilateral de comércio, investimentos e cooperação econômica entre Brasil e Rússia foi tema da VIII Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação (CAN), realizada, nesta quinta-feira (5) em Brasília. O encontro foi copresidido pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e pelo primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin.

Na abertura do encontro, Alckmin enfatizou o potencial estrutural da relação bilateral.

“Brasil e Rússia são economias de grande escala, dotadas de ampla base produtiva, recursos naturais estratégicos, capacidade tecnológica e mercados internos relevantes. Essa combinação cria oportunidades concretas para ampliar, diversificar e qualificar nossa cooperação econômica e comercial”, afirmou.

Em sua fala, Alckmin indicou as frentes estratégicas para o avanço conjunto.

“A agenda da CAN reflete prioridades claras: cooperação industrial, fortalecimento do agronegócio, energia, ciência, tecnologia e inovação, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável. Em todas essas áreas, buscamos promover integração produtiva, parcerias empresariais e cooperação tecnológica”.

Ele também posicionou a parceria no contexto da política de modernização produtiva brasileira.

“O governo brasileiro tem adotado uma política consistente de neoindustrialização, baseada em inovação, sustentabilidade e inclusão. Queremos uma indústria mais verde, mais digital e mais integrada às cadeias globais de valor”, garantiu Alckimin.

Principal instância de coordenação intergovernamental entre os dois países, a comissão orienta iniciativas para ampliar negócios, estimular investimentos produtivos e fortalecer parcerias estratégicas. Em 2025, a corrente comercial Brasil–Rússia alcançou US$ 10,9 bilhões, com US$ 1,5 bilhão em exportações brasileiras e US$ 9,4 bilhões em importações.

Rússia destaca importância do Brasil como parceiro comercial

O primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, contextualizou a cooperação no plano geopolítico e avaliou que a relação econômica vem ganhando força com novos projetos conjuntos.

“A cooperação entre Brasil e Rússia está se desenvolvendo positivamente e, o mais importante, está se preenchendo com novos projetos benéficos para diferentes áreas, e estamos interagindo ativamente na área comercial e econômica”.

O primeiro-ministro também reconheceu a importância do Brasil para o comércio exterior russo e o intercâmbio bilateral.

“O Brasil, para nós, é o principal parceiro econômico na América Latina e concentra metade de todo o volume comercial, além de manter posições de liderança entre os fornecedores de produtos alimentares, principalmente de carne e café. A cooperação permite contribuir conjuntamente para garantir a segurança alimentar.”

(*) Com informações do MDIC

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