Só tecnologia não salva suas operações de câmbio

Diogo Moretti (*)

Durante muito tempo, o câmbio foi tratado como uma etapa operacional das transações internacionais. A empresa negociava com o fornecedor ou comprador, definia valores e prazos e, quando chegava o momento do pagamento ou do recebimento, concluía a operação.

Essa lógica já não acompanha a velocidade do comércio exterior. Uma condição comercial aparentemente vantajosa pode deixar de ser interessante se a demora no fechamento do câmbio comprometer a margem ou o prazo negociado.

Por isso, a tecnologia aplicada ao câmbio deixou de ser apenas uma conveniência, mas ela, por si só, não garante eficiência.

Digitalizar a burocracia não resolve o problema

A empresa pode contar com etapas tecnológicas e continuar lenta se os documentos estiverem dispersos, os responsáveis não souberem o que avaliar ou cada operação depender de um novo fluxo de aprovação.

A tecnologia gera vantagem quando reduz a distância entre análise, decisão e execução. Isso acontece quando a empresa consegue simular uma transferência, conhecer o custo antes da confirmação, enviar a documentação, concluir o pagamento e acompanhar seu andamento com facilidade.

Mas a plataforma é apenas uma parte dessa estrutura. Para aproveitar os recursos disponíveis, a empresa também precisa organizar seus processos internos e estabelecer critérios para decidir. Sem isso, até uma operação digital pode continuar presa a dúvidas, retrabalho e demora.

Agilidade começa antes do fechamento do câmbio

Agir com rapidez não significa decidir por impulso. No câmbio, a verdadeira agilidade nasce da preparação.

Quando o financeiro sabe quais informações precisa consultar, quais condições são aceitáveis e quanto de oscilação a margem da operação suporta, não precisa começar a análise do zero diante de cada pagamento. A empresa consegue reagir mais rapidamente porque parte dos critérios já foi estabelecida.

Esse ponto é especialmente importante para importadores. O fechamento do câmbio não está isolado do restante da operação. Ele afeta o valor desembolsado, o fluxo de caixa, a relação com o fornecedor e o custo que será incorporado ao produto.

Se o câmbio só entra na discussão quando a invoice precisa ser paga, muitas decisões já foram tomadas. A empresa pode ter pouco espaço para rever preços, prazos ou margens. A tecnologia acelera a execução, mas não corrige a falta de planejamento que veio antes.

Previsibilidade não significa acertar a cotação

Nenhuma plataforma elimina a oscilação das moedas. Também não existe tecnologia capaz de indicar com certeza qual será o melhor momento para fechar uma operação.

A previsibilidade aqui é outra: entender antecipadamente o custo da transferência, avaliar o impacto da cotação sobre a margem e saber até que ponto a empresa consegue absorver uma variação.

Essa visão permite trocar uma decisão baseada apenas na cotação do momento por uma decisão orientada pelas necessidades do negócio. O objetivo deixa de ser perseguir uma taxa ideal e passa a ser fechar o câmbio dentro de condições que preservem o resultado da operação.

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Diogo Moretti (*) – Gerente comercial na Remessa Online.Especialista em Importação e Exportação.

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Acordo  Mercosul-Singapura entra em vigor neste sábado e garante tarifa zero para exportações

 

Da Redação (*)

Brasília – Entra em vigor a partir do próximo sábado (1º) o Acordo Mercosul-Singapura, que deverá reduzir ou eliminar gradualmente as tarifas entre o país asiático e o bloco sul-americano.  A parceria garante tarifa zero para 100% das exportações brasileiras destinadas ao país asiático. O texto também trará a definição de critérios comuns para as operações comerciais.

Além da redução de tarifas, o acordo amplia o acesso ao mercado de serviços, incentiva investimentos e inclui um capítulo específico sobre comércio eletrônico, o primeiro negociado pelo Mercosul com um parceiro extrarregional.

O acordo com Singapura já está valendo no Uruguai desde março e no Paraguai desde fevereiro.

Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Singapura atingiu US$ 10,7 bilhões. As exportações brasileiras somaram US$ 7,4 bilhões, com superávit comercial de US$ 4,1 bilhões. Entre os principais produtos vendidos estão óleos combustíveis, máquinas e carnes bovina, suína e de aves.

Informações no Portal Siscomex

O governo brasileiro disponibilizou manuais para serviços de orientação para exportadores, importadores e operadores de comércio exterior. As informações estão disponíveis no Portal Siscomex.

As informações disponibilizadas trazem informações sobre as regras para aplicação das preferências tarifárias, os critérios de origem das mercadorias e os procedimentos necessários para realizar operações de comércio exterior no âmbito do acordo.

O acordo foi assinado em 2022 e a expectativa do governo brasileiro à época era de incrementar o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e dos serviços produzidos) em R$ 28,1 bilhões até 2041.

Negociado desde 2018, o acordo com Singapura deverá aumentar em US$ 500 milhões por ano as exportações do Mercosul para o país asiático.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Sobretaxas dos EUA podem chegar a 37,5%: Amcham explica como empresas devem avaliar exposição às tarifas

Da Redação (*)

Brasília – As sobretaxas dos EUA para as exportações brasileiras ganharam uma nova camada. Soma-se a sobretaxa de 25%, em vigor desde 22 de julho sobre práticas e políticas do Brasil, novas sobretaxas de 12,5% nos produtos brasileiros, desta vez como resultado da investigação da Seção 301 sobre importações provenientes de trabalho forçado.

A medida entrou em vigor em 24 de julho e alcança cerca de 3 mil produtos brasileiros, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais. Em parte significativa dos casos, as duas sobretaxas serão cumulativas e poderão chegar a 37,5%.

A Amcham elaborou 4 perguntas para ajudar as empresas a avaliarem sua exposição e entender como as diferentes medidas interagem.

  1. A sobretaxa de até 37,5% vale para todos os produtos brasileiros?

Não. A incidência das sobretaxas depende da lista de produtos. Ambas as normativas possuem listas de produtos excetuados da aplicação da sobretaxa. Dentre eles, destacam-se os setores de combustíveis, aeronaves, café, máquinas e carnes.

Por isso, cada empresa precisa avaliar seus produtos e operações individualmente antes de calcular o impacto da medida.

A nova sobretaxa de 12,5%, relacionada à investigação sobre trabalho forçado, possui uma lista própria de produtos alcançados e de exceções. Por isso, um produto que não esteja sujeito aos 25% pode ainda estar sujeito aos 12,5%, e vice-versa.

  1. A sobretaxa de até 37,5% é cumulativa com outras sobretaxas já aplicadas pelos EUA?

Sim. As sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 301 podem se acumular quando um produto estiver abrangido tanto pela medida de 25% específica para o Brasil quanto pela nova tarifa de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado.

Segundo estimativa da Amcham, 85,3% das exportações brasileiras alcançadas pela nova tarifa de 12,5%, equivalentes a US$ 10,7 bilhões anuais, também estão sujeitas aos 25%. Nesses casos, as sobretaxas adicionais chegam a 37,5%. Já os produtos sujeitos às tarifas da Seção 232 estão excluídos das duas medidas da Seção 301.

  1. Como saber qual será a sobretaxa efetiva aplicada ao meu produto?

A empresa deve verificar o código tarifário do produto nos Estados Unidos, sua origem, as regras aplicáveis e a existência de exceções. Preparamos um passo a passo:

  1. a) Verifique na legislação se o produto está abrangido pela Seção 232.

Se sim: aplica-se a sobretaxa definida especificamente pela Seção 232 (não se aplica as sobretaxas da Seção 301).

Se não: siga para o Passo b.

  1. b) Verifique se o produto está incluído na lista de exceção da Seção 301 aplicada ao Brasil (Anexo II da normativa disponível no link).

Se não estiver: será aplicada a sobretaxa de 25%.

Se estiver: não será aplicada a sobretaxa de 25%.

Para ambos os casos, a empresa deve seguir para o passo c.

  1. c) Verifique se o produto está incluído na lista de exceção da Seção 301 sobre trabalho forçado aplicada ao Brasil e mais 59 economias (Anexo II da normativa disponível no link):

Se não estiver: será aplicada a sobretaxa de 12,5%.

Se estiver: não será aplicada a sobretaxa de 12,5%.

Caso o produto não esteja abrangido pela Seção 301, existem algumas possibilidades de aplicação de sobretaxas:

Se não estiver nas listas de isenção das normativas sobre Brasil e trabalho forçado, será aplicada a sobretaxa de 37,5%.

Se não estiver na lista de isenção sobre Brasil (25%), mas estiver na lista de isenção de trabalho forçado, será aplicada a sobretaxa de 25%.

Se não estiver na lista de isenção sobre trabalho forçado (12,5%), mas estiver na lista de isenção sobre Brasil (25%), será aplicada a sobretaxa de 12,5%.

Se o produto não for abrangido pela Seção 232 e estiver nas listas de isenção sobre Brasil e trabalho forçado, seráisento das sobretaxas.

Em resumo, produtos abrangidos pela Seção 232 seguem apenas a sobretaxa definida para o respectivo setor. Para os demais produtos, aplica-se a lógica da Seção 301.

  1. O que devo acompanhar agora?

O primeiro passo é revisar a classificação tarifária dos produtos e mapear a exposição da empresa às três frentes: Seção 232, sobretaxa de 25% da Seção 301 específica para o Brasil e nova sobretaxa de 12,5% da Seção 301 sobre trabalho forçado.

O acompanhamento das negociações entre Brasil e EUA e de eventuais alterações regulatórias por fontes confiáveis, como o Observatório de Política Comercial dos EUA e o Monitor do Comércio Brasil-EUA, é essencial.

O time da Amcham está à disposição para auxiliar empresas a identificar qual a sobretaxa aplicável ao seu produto.

(*) Com informações da Amcham

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Comércio exterior: os 5 desafios financeiros que travam a competitividade das empresas

Importar e exportar não se resume a fechar um contrato com um fornecedor ou cliente no exterior. Por trás da movimentação da mercadoria, existe uma operação financeira que influencia diretamente os custos, o fluxo de caixa e a margem da empresa.

Oscilações do câmbio, despesas não previstas, atrasos na liberação da carga, prazos de pagamento e limitações tecnológicas podem transformar uma operação lucrativa em prejuízo. Conhecer esses desafios é o primeiro passo para se planejar melhor e reduzir imprevistos. Confira 5 deles a seguir.

  1. Volatilidade cambial
    A oscilação do câmbio é um dos fatores mais sensíveis para quem importa ou exporta. Quando a moeda varia de forma brusca entre a negociação e o pagamento, a empresa pode ver sua margem encolher ou seu custo subir sem aviso.

    Enquanto a queda do dólar é boa para o importador, vira uma grande questão para o exportador. Um levantamento da Broadcast mostrou que a rentabilidade acumulada das exportadoras brasileiras caiu 7,7% entre janeiro e abril de 2026, em meio à valorização do real frente ao dólar.

Na prática, proteger-se do câmbio significa criar uma regra interna para não deixar toda a operação exposta à variação do dólar. A empresa pode, por exemplo, travar a cotação de um pagamento futuro, equilibrar receitas e despesas na mesma moeda ou usar instrumentos financeiros para reduzir o impacto da oscilação.

  1. Custos ocultos da operação
    No comércio exterior, o custo real vai além do valor da mercadoria. Frete interno, taxas portuárias, liberação documental, contratação de câmbio e armazenagem entram na conta — e, se houver atraso no embarque, novas cobranças podem surgir e corroer a margem da operação.

Quando esses custos não são mapeados com precisão, o negócio parece rentável no papel, mas perde eficiência na prática. O caminho mais seguro é adotar uma visão de custo total da operação, com acompanhamento detalhado por etapa.

  1. Burocracia e atraso
    Processos manuais e excesso de etapas administrativas aumentam o tempo e o custo da operação. No comércio exterior, um atraso pode significar perda de janela comercial, encarecimento logístico e menor previsibilidade financeira.

Empresas mais competitivas costumam reduzir esse risco com padronização de processos, integração entre áreas e uso de dados para antecipar exigências regulatórias e operacionais. E esse desafio nos leva ao desafio seguinte.

4. Baixa digitalização
A inteligência artificial e a automação já vêm sendo utilizadas para reduzir erros, automatizar documentos, melhorar o compliance e acelerar a análise de risco, com ganho de eficiência em etapas antes totalmente manuais.

Para pequenas empresas, o investimento em tecnologia é mais desafiador, mas pode ser o grande diferencial para aumentar a competitividade e trazer ganhos maiores no longo prazo.

  1. Fluxo de caixa internacional
    Importar e exportar exige lidar com pagamentos e recebimentos em momentos diferentes, muitas vezes em moedas distintas. Isso cria pressão sobre o caixa e pode comprometer capital de giro, especialmente em empresas menores.

A gestão financeira internacional precisa considerar prazos, conversão cambial, concentração de vencimentos e necessidade de uma reserva maior para oscilações. Quanto mais previsível for o fluxo, maior a capacidade de negociar e crescer com segurança.

Mapear esses desafios com antecedência é o que permite à empresa negociar em melhores condições, evitar decisões apressadas diante de um imprevisto e preservar previsibilidade, margem e capital de giro em uma atividade que, por natureza, lida com variáveis fora do seu controle direto.

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Burocracia na importação consome eficiência de grandes empresas, aponta NTT DATA

Movimentação portuária no País atinge marco histórico de 1,4 bilhão de toneladas, mas potencial de crescimento esbarra na baixa maturidade, aponta NTT DATA

Da Redação (*)

Brasília – O comércio exterior brasileiro vive um momento de forte expansão física. A movimentação portuária no país alcançou o recorde histórico de 1,4 bilhão de toneladas no fechamento do último ano, com alta de 6,1%, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). No entanto, por trás dos números recordes de infraestrutura, existe um gargalo dentro das próprias organizações: a eficiência operacional na nacionalização de mercadorias. É o que aponta a NTT DATA, especializada em tecnologia e consultoria de negócios.

Enquanto os portos e terminais se modernizam para escoar e receber insumos e produtos rapidamente, a operação interna de importação de muitas grandes empresas ainda patina em rotinas analógicas. O crescimento físico do setor tem gerado um aumento exponencial na complexidade do fluxo de entrada de mercadorias no país. Para acompanhar esse ritmo, a maturidade tecnológica corporativa precisa dar um salto, sob o risco de anular os ganhos obtidos na ponta logística.

Peso do “trabalho invisível” no fluxo de importação

De acordo com mapeamentos de mercado e análises de operações conduzidas pela NTT DATA, a jornada de importação nas grandes companhias ainda apresenta sérias fragilidades estruturais. O cenário mais comum é caracterizado por uma forte dependência de planilhas, e-mails e controles paralelos para gerenciar processos de importação multimilionários.

Este ecossistema fragmentado gera um alto volume de atividades manuais de conferência, digitação e validação de dados aduaneiros, fiscais e de documentos essenciais de embarque. Entre eles estão a Commercial Invoice (fatura comercial internacional), o Packing List (romaneio de carga que detalha como as mercadorias estão distribuídas) e o Bill of Lading (conhecimento de embarque que funciona como o contrato de transporte marítimo).

Como consequência desse processo manual, as áreas de importação sofrem com baixa visibilidade da operação, dificuldade extrema de consolidação de informações em tempo real e, consequentemente, maior exposição a erros, retrabalhos, atrasos e custos evitáveis — como multas fiscais e taxas de demurrage (cobradas pelo atraso na devolução de contêineres aos armadores).

“O crescimento da infraestrutura portuária do Brasil é uma excelente notícia para a economia, mas ele escancara o quão grave é a falta de maturidade operacional nas mesas de importação das grandes companhias”, afirma Ricardo Costa, Head de Customer Success da NTT DATA.

“Podemos dizer que o verdadeiro gargalo da importação hoje está na mesa do analista que ainda digita e cruza dados manualmente para liberar uma carga aduaneira e valida informações em planilhas paralelas. No cenário dinâmico em que nos encontramos, com expansão de rotas e novos acordos internacionais, a agilidade na liberação documental tornou-se um fator de sobrevivência de mercado.”

Papel da hiperautomação e inteligência de dados na entrada de cargas

Em resposta a esse desafio, a NTT DATA se posiciona no mercado como uma parceira estratégica de negócios, indo além do papel de fornecedora de tecnologia. Ao integrar inteligência de processos, hiperautomação e análises de dados estruturados à rotina de importação, a empresa reforça que é possível transformar um cenário de vulnerabilidade em eficiência de ponta a ponta na cadeia de suprimentos.

Análises realizadas na base de clientes da empresa ilustram o impacto prático da transformação digital especificamente nas operações de importação:

Redução de mais de 70% no tempo operacional por processo de importação: o ciclo médio de processamento e nacionalização caiu de cerca de 45h45 para 10h49.

Ganho de produtividade: uma economia média superior a 35 horas por operação, liberando equipes de tarefas repetitivas de preenchimento e conferência de registros como a DI (Declaração de Importação) e a Duimp (Declaração Única de Importação, o novo documento eletrônico que unifica o processo de entrada de cargas no país). Com isso, os profissionais podem focar em análises de riscos, parametrizações aduaneiras e planejamento estratégico.

Eliminação do trabalho manual: redução de até 70% nas atividades manuais através do uso de automação especializada nas rotinas de validação de documentos de embarque.

Força de trabalho digital: operações de importação passam a ser suportadas por mais de 70 robôs especializados, que executam validações de documentos de comércio exterior, integrações de sistemas legados de ERP com portais governamentais e o monitoramento de processos em tempo real.

Ao conectar dados robustos de crescimento logístico portuário com soluções inteligentes de automação, a NTT DATA reforça que a previsibilidade e o controle operacional nas áreas de importação são os únicos caminhos para que as grandes corporações brasileiras consigam, de fato, garantir o abastecimento de suas cadeias produtivas e extrair o valor máximo do novo momento econômico do país.

(*) Com informações da NTT DATA

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China facilita exportação de polpas e frutas congeladas brasileiras. Açaí, manga, goiaba e abacaxi serão beneficiados

Da Redação (*)

Brasília – A China deu mais um passo para ampliar a entrada de produtos brasileiros em seu mercado ao disponibilizar os procedimentos necessários para a exportação de polpas e frutas congeladas produzidas no Brasil.

A medida permite que empresas brasileiras interessadas iniciem o processo de habilitação para vender esses produtos ao país asiático.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) incluiu em seu sistema o modelo de certificado sanitário que será exigido nas exportações brasileiras de polpas e frutas congeladas.

“Com isso, os estabelecimentos interessados já podem dar entrada no registro junto ao sistema China Import Food Enterprise Registration (Cifer), etapa obrigatória para acessar o mercado chinês”, informou o ministério.

A autorização vale para produtos obtidos de espécies de frutas já reconhecidas como alimentos pelas autoridades chinesas. Entre elas estão açaí, manga, goiaba, abacaxi e maracujá, além de outras frutas permitidas para consumo humano no país.

De acordo com as regras chinesas, frutas que ainda não tenham sido reconhecidas como alimento permanecem sujeitas a procedimentos regulatórios específicos previstos na legislação local para novos alimentos.

Orientações

O registro no sistema Cifer deve ser feito diretamente pelo estabelecimento exportador, que é responsável pela apresentação da documentação exigida.

Após a análise e aprovação pela autoridade chinesa, a empresa recebe um número de registro, requisito indispensável para realizar embarques ao país.

As exportações também deverão ser acompanhadas pelo certificado sanitário oficial acordado entre Brasil e China.

Antes de iniciar o processo de habilitação, o Ministério da Agricultura orienta os exportadores a consultarem os requisitos e procedimentos estabelecidos pelas autoridades chinesas.

Após a aprovação do registro pela GACC e a emissão do certificado sanitário pela autoridade brasileira competente, as vendas poderão ser realizadas de acordo com as exigências sanitárias e aduaneiras em vigor.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Gasto de turistas estrangeiros no Brasil cresce 13%, bate recorde e atinge R$ 28,7 bilhões no 1º semestre de 2026

Resultado de junho também foi positivo, registrando aumento de 17% na comparação com o ano passado

Da Redação (*)

Brasília – Os gastos de turistas internacionais atingiram R$ 28,7 bilhões no Brasil no primeiro semestre de 2026. O valor é 13% maior que os R$ 25,5 bilhões registrados no mesmo período do ano passado e o maior já registrado na história.

Os dados, compilados pelo Ministério do Turismo, foram divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (28).
Analisando apenas o mês de junho, os gastos dos estrangeiros foram de R$ 4,12 bilhões – 17,1% maior que os R$ 3,52 bilhões contabilizados no mesmo mês de 2025. Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o crescimento dos gastos de estrangeiros retrata o bom momento que o setor vive no Brasil.

“É um momento muito positivo para o turismo. O setor vem, nos últimos anos, e especialmente em 2026, se consolidando como um dos principais motores do desenvolvimento econômico e da geração de oportunidades para o nosso país”, afirmou o ministro.

Os resultados do primeiro semestre consolidam a tendência de expansão da atividade turística em 2026. No primeiro semestre, a aviação doméstica bateu recorde com mais de 50,1 milhões de passageiros. Já o turismo de negócios movimentou R$ 7,18 bilhões de janeiro a junho de 2026, alcançando o maior faturamento da história.

(*) Com informações do MTur

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AEB eleva para US$ 94 bilhões projeção de superávit da balança comercial em 2026

Exportações devem somar US$ 385 bi e importações, US$ 291 bi, com corrente de comércio de US$ 676 bi

Da Redação (*)

Exportações devem somar US$ 385 bi e importações, US$ 291 bi, com corrente de comércio de US$ 676 bi

Da Redação (*)

Brasília – A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) revisou para cima as projeções da balança comercial de 2026 e estima que o País feche o ano com superávit de US$ 94,067 bilhões — alta de 38% ante os US$ 68,166 bilhões apurados em 2025. As exportações devem alcançar US$ 385,275 bilhões (crescimento de 10,6%), enquanto as importações estão projetadas em US$ 291,208 bilhões (elevação de 4%), configurando uma corrente de comércio de US$ 676,483 bilhões, avanço de 7,6% sobre o ano anterior.

O levantamento, com dados fornecidos pela Funcex e elaborado pela AEB, reflete o desempenho acima do esperado registrado no primeiro semestre. O documento aponta que as incertezas do cenário internacional estão provocando recuperação de preços e, em escala menor, de volumes, o que projeta elevação das exportações, crescimento reduzido das importações e, como consequência, expansão expressiva do saldo comercial.

O quadro revisado pela entidade mostra que o desempenho de 2026 ocorre em um cenário global marcado por elevado grau de imprevisibilidade. O documento lista uma série de fatores que impactam diretamente o comércio exterior brasileiro, com destaque para o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Sabemos que o presidente Trump adotou as tarifas sem critérios técnicos e sem dispor de previsibilidade — foi mais uma decisão por impulso. O conflito entre Ucrânia e Rússia, o confronto entre Estados Unidos e Irã, os bloqueios do Estreito de Ormuz, a agressividade comercial da China e possíveis reflexos climáticos de El Niño são outros agravantes,” avalia o presidente-executivo da AEB, José Augusto de Castro.

Por setores, a indústria extrativa lidera o crescimento das exportações, com US$ 100,568 bilhões projetados — expansão de 25,2% sobre 2025, impulsionada sobretudo pelo petróleo bruto, cujas vendas devem somar US$ 64,653 bilhões. A agropecuária deve alcançar US$ 84,334 bilhões (+6,7%), com destaque para a soja em grão, projetada em US$ 54,502 bilhões. A indústria de transformação deve somar US$ 198,391 bilhões (+5,3%), puxada por carnes, óleos combustíveis e celulose.

Exportações de soja e petróleo superam US$ 50 bilhões pela primeira vez

Do lado das importações, a indústria de transformação responde pela maior fatia, com US$ 269,531 bilhões projetados (+1,8%), enquanto a agropecuária deve recuar 9,2%, para US$ 5,522 bilhões, e a indústria extrativa deve crescer 4,2%, atingindo US$ 14,253 bilhões.

Entre as particularidades destacadas pela AEB, duas chamam atenção. Pela primeira vez na história do comércio exterior brasileiro, dois produtos — soja em grão e petróleo bruto — poderão ultrapassar US$ 50 bilhões cada um em exportações em 2026, disputando entre si a posição de maior produto exportador do País que, pelo segundo ano consecutivo, deve permanecer com o petróleo. As exportações de soja em grão deverão atingir ainda novo recorde de volume, com 126 milhões de toneladas embarcadas, aumento de 14% ante o recorde anterior de 108 milhões registrado em 2025
Juntas, soja, petróleo e minério de ferro são projetadas em US$ 141,204 bilhões, correspondendo a 36,6% das exportações totais do Brasil — participação superior aos 33,6% apurados em 2025. A AEB observa que todos os 15 maiores produtos em valor exportados pelo País são commodities, com os automóveis fora da lista devido a problemas na Argentina, à agressividade comercial chinesa e aos custos elevados do Brasil.

Déficit recorde nos manufaturados

Entre muitos pontos de atenção, o presidente-executivo da entidade destaca o déficit recorde da balança comercial de produtos manufaturados, projetado em US$ 143 bilhões este ano.

“Trata-se de uma escalada que passou de US$ 108 bilhões em 2023 para US$ 131 bilhões em 2024 e US$ 134 bilhões em 2025. A manutenção desse resultado negativo gera exportação de emprego e importação de desemprego. São mais de 4 milhões de postos de trabalho que escapam do Brasil. É um cenário devastador para nossa economia,” sentencia Castro.

A projeção cambial para 2026 aponta oscilação entre R$ 4,30 e R$ 5,30, com taxa mediana de R$ 5,00. No ranking mundial, o Brasil deverá permanecer na 26ª posição em exportação e na 25ª em importação. “Essas colocações são incompatíveis com o porte da economia brasileira,” lamenta o executivo da AEB.

Apesar do superávit total projetado em US$ 94 bilhões, a AEB destaca que apenas as exportações líquidas de soja e petróleo são estimadas em US$ 107 bilhões — valor que, por si só, supera o saldo de toda a balança comercial, evidenciando a concentração da pauta exportadora em commodities.

A entidade sustenta que o futuro do comércio exterior brasileiro depende da aprovação de reformas estruturais e de iniciativas para a redução do Custo Brasil, que tem se tornado ainda mais robusto.

“Sem esses avanços, o Brasil continuará sendo um grande exportador de commodities e grande importador de produtos manufaturados. A Reforma Tributária já superou seu primeiro obstáculo no Congresso Nacional, mas há outros desafios que precisam ser ultrapassados para que novos horizontes se abram para o comércio exterior e a economia como um todo,” pontua Castro.

(*) Com informações da AEB

 

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5 Erros que Fazem a Sua Primeira Exportação Virar Prejuízo

O guia honesto para quem está prestes a dar o primeiro passo no comércio exterior

Exportar pela primeira vez é um momento de conquista.

Meses de preparação, pesquisa de mercado, ajuste do produto, negociação com o importador. Quando o embarque finalmente acontece, a sensação é de que o mundo inteiro acabou de abrir uma porta.

E então algo dá errado.

Não porque o produto era ruim. Não porque o mercado não queria comprar. Mas porque um detalhe que parecia pequeno, um documento incorreto, um custo esquecido, uma cláusula ausente, transformou uma operação promissora em prejuízo real.

Essa história se repete com frequência no comércio exterior brasileiro. E o que une quase todos os casos é um fator comum: os erros que causaram o problema não eram imprevisíveis. Eram evitáveis. E na maioria das vezes, quem os cometeu simplesmente não sabia que existiam.

Este artigo foi escrito para mudar isso.

Não é uma lista de curiosidades. É um mapa dos cinco pontos onde exportadores iniciantes perdem dinheiro com mais frequência, com a explicação de por que cada erro acontece e o que fazer para não cometê-lo.

Erro 1 — Calcular o preço de exportação a partir do preço interno

Este é o erro mais silencioso da lista. Ele não aparece na hora do embarque. Não aparece na alfândega. Ele aparece quando você faz a conta final da operação e percebe que vendeu bem, embarcou com orgulho e ficou no zero, ou abaixo.

Como acontece:

O exportador pega o preço de venda no mercado brasileiro, converte para dólar pela cotação do dia e manda para o importador. Parece lógico. Mas o preço interno foi calculado para cobrir os custos de uma venda doméstica, não os custos de uma exportação.

O que fica de fora dessa conta?

O frete interno do armazém até o porto. A THC — Terminal Handling Charge — a taxa cobrada pelo terminal portuário pela movimentação do contêiner, que pode variar entre R$ 400 e R$ 1.200 por unidade. O Certificado de Origem. O despachante aduaneiro. A embalagem reforçada para o modal marítimo. O seguro internacional. A corretagem de câmbio.

Cada um desses itens parece pequeno isoladamente. Juntos, podem representar entre 15% e 35% do valor da mercadoria.

O que fazer:

O preço de exportação correto se chama Preço FOB e é calculado a partir do custo de produção, não do preço de venda interno. A fórmula é direta:

Preço FOB = Custo de produção + Custos de exportação + Margem de lucro

Antes de enviar qualquer proposta a um importador, liste todos os custos envolvidos na operação, da fábrica até o bordo do navio. Somente depois defina a margem que faz sentido para o seu negócio e converta para a moeda negociada.

Nunca negocie preço internacional sem ter feito essa conta antes. O importador vai pedir desconto. Você precisa saber até onde pode ir sem trabalhar no prejuízo.

Erro 2 — Classificar o NCM errado

O NCM — Nomenclatura Comum do Mercosul — é o código de oito dígitos que classifica cada mercadoria no sistema aduaneiro brasileiro. Ele determina a alíquota de impostos, as exigências de licenciamento, os acordos comerciais disponíveis e as obrigações de certificação.

Parece burocracia. É uma das decisões mais importantes de toda a operação.

Como acontece:

O exportador iniciante olha para a tabela NCM e escolhe o código que parece mais parecido com o produto. Ou pega o código que um concorrente usa. Ou usa o que o contador sugere sem verificação específica.

O problema é que dois produtos aparentemente similares podem ter NCMs completamente diferentes, com implicações fiscais e regulatórias totalmente distintas.

Uma empresa que exporta molho de pimenta industrializado e usa o NCM de pimenta in natura está classificando errado. As alíquotas são diferentes. Os documentos exigidos são diferentes. As restrições no país de destino podem ser diferentes.

As consequências de uma classificação errada incluem multa de até 1% do valor da operação, retenção da carga na alfândega, necessidade de retificação da Declaração de Exportação e, em casos mais graves, cancelamento da operação.

O que fazer:

A classificação correta do NCM é responsabilidade do exportador — mas não precisa ser feita sozinho. O despachante aduaneiro é o profissional mais indicado para confirmar a classificação de produtos com maior complexidade.

Para produtos mais simples, a Receita Federal disponibiliza a tabela NCM atualizada no portal receita.fazenda.gov.br. Use também o sistema de consulta do MDIC e, quando em dúvida, solicite uma consulta formal de classificação fiscal à Receita Federal — é um procedimento gratuito que garante segurança jurídica para a operação.

Nunca embarque sem ter a certeza do NCM correto.

A Academia Comex desenvolveu um guia completo com o passo a passo da primeira exportação — do registro no Siscomex ao fechamento do câmbio. Se você está planejando a sua primeira operação, o material pode ser o atalho que evita meses de tentativa e erro.

→ Conheça o guia Como Começar a Exportar

Erro 3 — Ignorar os custos logísticos que não estão no frete

Quando um exportador pede cotação de frete para o agente de cargas, recebe um número. Esse número é o Ocean Freight — o frete base de porto a porto. E é apenas uma parte do que vai aparecer na fatura final.

Como acontece:

O exportador calcula a operação com base no frete cotado. Embarca. E quando chegam as faturas, encontra uma lista de cobranças que nunca tinha visto antes.

THC de origem — movimentação do contêiner no terminal portuário brasileiro.
BAF — Bunker Adjustment Factor — variação do preço do combustível repassada pelo armador.
CAF — Currency Adjustment Factor — variação cambial.
B/L Fee — emissão do conhecimento de embarque.
Documentation Fee — taxa administrativa do agente de cargas.
PSS — Peak Season Surcharge — sobretaxa em períodos de alta demanda.

E o mais assustador para quem não sabe que existe: demurrage e detention.

O demurrage é a taxa cobrada quando o contêiner fica dentro do terminal portuário no destino além do prazo gratuito concedido pelo armador — o chamado free time, que geralmente varia entre 7 e 14 dias. Quando esse prazo vence sem que o importador retire a mercadoria, o armador começa a cobrar por dia de ocupação do espaço. Os valores variam, mas podem chegar a US$ 100 ou mais por dia por contêiner.

O detention é a mesma lógica, mas para quando o contêiner sai do terminal e fica no armazém do importador além do prazo permitido.

Uma operação com contêiner parado por 30 dias além do free time pode gerar uma conta de US$ 2.000 a US$ 4.000 — facilmente maior do que o lucro de uma operação pequena.

O que fazer:

Ao pedir cotação de frete, solicite sempre a lista completa de taxas além do Ocean Freight — especificamente THC de origem e destino, B/L Fee e Document Fee. Peça também qual é o free time concedido no porto de destino.

No contrato com o importador, inclua uma cláusula definindo responsabilidade por demurrage e detention no destino. Quem causou o atraso paga. Sem essa cláusula, o exportador pode ser envolvido numa disputa desnecessária.

Compare sempre pelo menos três cotações de agentes de cargas diferentes antes de fechar o frete. A diferença entre agentes pode ser significativa e o mais barato nem sempre é o melhor quando se considera a qualidade do serviço e o suporte em caso de problema.

Erro 4 — Exportar sem contrato escrito com o importador

Este é o erro que tem o potencial de causar o maior prejuízo absoluto. Não em todas as operações, mas quando acontece, o impacto pode ser devastador.

Como acontece:

A negociação correu bem. O importador parece sólido. A relação foi construída ao longo de meses de e-mails e videochamadas. O contrato formal parece excessivo para o momento — “vamos fazer essa primeira operação e depois formalizamos melhor.”

A mercadoria é embarcada. Os documentos são enviados. E então o pagamento não chega.

Sem contrato escrito, o exportador não tem onde se apoiar. Não há cláusula de pagamento para acionar. Não há prazo definido juridicamente. Não há foro de resolução de disputas especificado. Não há lei aplicável definida.

Acionar judicialmente um importador estrangeiro sem base contratual é um processo caro, demorado e de resultado incerto, especialmente em países sem acordos de cooperação jurídica com o Brasil.

Mas o problema não é só o não pagamento. Um exportador sem contrato também fica vulnerável a reclamações tardias de qualidade — sem prazo de reclamação definido, o importador pode rejeitar a mercadoria semanas ou meses depois da chegada. Fica vulnerável a disputas sobre especificações do produto — sem descrição técnica formalizada, o que foi “acordado” é uma questão de memória e interpretação. E fica vulnerável a agentes e representantes que levam a carteira de clientes embora no fim do contrato, sem cláusula de propriedade dos clientes, esse ativo vai junto.

O que fazer:

Todo negócio internacional acima de US$ 5.000 merece um contrato escrito. Não precisa ser um documento de 30 páginas para começar, um contrato básico com as cláusulas essenciais já oferece proteção real:

Identificação completa das partes com dados de registro empresarial. Descrição técnica precisa do produto com referência a amostras aprovadas. Quantidade, preço unitário, valor total e moeda. Incoterm e local de entrega. Forma e prazo de pagamento com penalidade por atraso. Prazo máximo para reclamação de não conformidade. Lei aplicável e foro de resolução de disputas, preferencialmente arbitragem internacional.

A assinatura eletrônica resolve o problema da distância. Plataformas como DocuSign e ClickSign têm validade jurídica reconhecida em mais de 60 países e permitem formalizar o contrato em minutos, independente de onde as partes estão.

O contrato não é de desconfiança. É profissionalismo. E importadores sérios — especialmente europeus e norte-americanos — ficam mais confiantes, não menos, quando o exportador apresenta um contrato bem estruturado.

Para quem está formalizando as primeiras operações internacionais, a Academia Comex desenvolveu um guia completo sobre contratos internacionais — com as cláusulas essenciais explicadas, guia de negociação intercultural e modelo de contrato em português pronto para adaptar.

→ Conheça o guia Estruturação e Fechamento de Contratos Internacionais

Erro 5 — Subestimar a embalagem para o modal marítimo

O produto chegou ao destino. Mas chegou errado.

Este é o erro que mais surpreende exportadores iniciantes — porque a embalagem parece um detalhe secundário comparado a tudo que está em jogo numa operação internacional. E é exatamente por isso que ela é subestimada.

Como acontece:

A mercadoria é embalada da mesma forma que seria para uma venda doméstica. Caixa de papelão simples, palete de madeira não tratado, sem proteção contra umidade.

O contêiner fecha no porto de Santos. O navio parte. E durante os próximos 22 dias de travessia até a Europa, a temperatura dentro do contêiner varia entre 5°C e 50°C dependendo do trecho, da exposição ao sol e da posição do contêiner no navio. A umidade relativa no interior pode atingir 100%. A condensação se acumula no teto e nas paredes do contêiner e pinga sobre a carga.

Produtos eletrônicos oxidam. Alimentos processados absorvem umidade e perdem textura. Metais enferrujam. Embalagens de papelão colapsam sob o peso. Rótulos soltam.

O importador recebe e recusa parte da carga.

E se o palete era de madeira sem o tratamento NIMF-15 — a norma fitossanitária internacional exigida por praticamente todos os países do mundo — a mercadoria pode ser retida ou destruída na alfândega do destino antes mesmo de chegar ao importador.

O custo de uma carga recusada ou destruída não é apenas financeiro. É o relacionamento com o importador, a reputação da empresa e, em alguns casos, a inviabilidade de reembarcar ou devolver o produto.

O que fazer:

A embalagem de exportação precisa ser dimensionada para a viagem que a mercadoria vai fazer, não para a venda que vai acontecer no destino.

Para o modal marítimo, as proteções essenciais são: caixa de papelão ondulado duplo ou triplo, com resistência à umidade adequada ao produto. Filme stretch envolvendo o palete inteiro para estabilidade e barreira física. Sachês de sílica gel no interior das caixas para controle de umidade, especialmente para eletrônicos, metais, alimentos e produtos sensíveis. Cintas de polipropileno para volumes pesados e irregulares. Paletes de madeira com certificação NIMF-15 — sem exceção, para qualquer destino.

A marcação da embalagem também precisa estar correta: nome e endereço do exportador e do importador, descrição da mercadoria, NCM, peso bruto e líquido de cada volume, dimensões, país de origem e marcas de manuseio quando aplicável.

Uma dica prática antes de qualquer embarque marítimo de longo curso: fotografe o interior do contêiner vazio antes de carregar. Verifique cheiro, manchas e furos no assoalho. Documente o stuffing com fotos da carga posicionada. Em caso de sinistro, essa documentação é o que diferencia uma indenização aprovada de uma reclamação negada pela seguradora.

E contrate o seguro. O seguro ICC A cobre praticamente todos os riscos de uma viagem marítima por menos de 1% do valor da carga. É o custo que mais se justifica numa operação de exportação e o que mais é esquecido na pressa do primeiro embarque.

O que esses cinco erros têm em comum

Nenhum deles é resultado de má intenção. Nenhum deles é imprevisível. E nenhum deles precisa ser aprendido na prática.

Todos os cinco erros acontecem por uma razão simples: o exportador iniciante entra na operação sem conhecer o processo completo. Ele conhece o produto. Conhece o mercado. Mas não conhece as regras do jogo que conectam os dois.

O comércio exterior tem uma curva de aprendizado, mas essa curva pode ser encurtada. Cada erro desta lista representa semanas ou meses de experiência dolorosa que podem ser substituídos por horas de estudo estruturado antes de embarcar.

A diferença entre uma primeira exportação lucrativa e uma primeira exportação que vira prejuízo raramente está no produto ou no mercado. Está no preparo de quem operou.

Antes de encerrar, uma reflexão:

Exportadores que superam a primeira operação com resultado positivo quase sempre têm algo em comum: eles buscam informação antes de precisar dela.

Não esperaram o erro para aprender sobre NCM. Não descobriram o demurrage na fatura. Não encontraram o contrato faltando depois que o importador sumiu.

Eles foram ao encontro do conhecimento antes de ir ao encontro do embarque.

Se você está planejando a sua primeira exportação ou já está no processo e quer garantir que cada etapa está sendo feita da forma correta, a Academia Comex reúne os três guias mais completos disponíveis em português sobre o tema do registro no Siscomex ao fechamento do contrato internacional.

→ Acesse a Academia Comex e comece a exportar com segurança

Este artigo foi produzido pelo portal Comex do Brasil — referência em notícias e conteúdo especializado em comércio exterior, logística internacional e negócios globais.

comexdobrasil.com

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ABF e ApexBrasil promovem missão de imersão de franquias brasileiras na inovação do varejo chinês

Grupo de empresários do franchising terá em agosto agenda intensa em Xangai e Pequim, com especial destaque para compreender as transformações da China e a aplicação de IA e outros tecnologias aos negócios

Da Redação (*)

Brasília – As relações comerciais entre Brasil e China também avançam no franchising. Enquanto grandes redes chinesas aceleram seus planos de expansão para o mercado brasileiro, empresários brasileiros buscam conhecer de perto um dos ecossistemas de varejo, inovação e tecnologia mais dinâmicos do mundo. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), ao menos seis franquias brasileiras já operam na China, com cerca de 23 operações de franquias, incluindo Hong Kong. É nesse contexto que a ABF, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por meio do programa Franchising Brasil, realiza a Missão ABF China, entre os dias 27 de agosto e 5 de setembro de 2026.

A iniciativa, que terá agenda nas cidades de Xangai e Pequim, visa criar oportunidades para movimentar negócios, estimular a troca de conhecimento e fomentar parcerias entre empresas dos dois países. Durante dez dias, empresários e representantes de franqueadoras brasileiras terão acesso a uma agenda exclusiva voltada à inovação, transformação digital, varejo, expansão internacional e às principais tendências que estão redesenhando o setor de franquias em escala global.

China, potência em tecnologia e IA

A China se consolidou como uma das maiores potências mundiais em tecnologia, inteligência artificial, meios de pagamento digitais, logística e experiências de consumo. Ao mesmo tempo, marcas chinesas ampliam sua presença internacional e começam a enxergar o Brasil como um mercado prioritário para expansão, movimento observado recentemente com o anúncio da chegada de grandes redes do segmento de alimentação e bebidas ao País, como a Mixue e a Ai-Cha.

“A Missão ABF China foi estruturada para proporcionar uma visão prática sobre esse cenário. Os participantes realizarão visitas técnicas a empresas e operações de referência, conhecerão modelos inovadores de varejo, participarão de palestras e workshops com especialistas locais, além de encontros com entidades e organizações que atuam diretamente no desenvolvimento do franchising e da inovação na China”, explica Caroline Graciani, diretora-executiva da ABF.

Além do conteúdo técnico, a missão foi desenhada para ampliar o networking internacional dos participantes, criando um ambiente propício para a geração de negócios, identificação de oportunidades comerciais e desenvolvimento de futuras parcerias entre empresas brasileiras e chinesas.

 

Com vagas limitadas, as inscrições estão abertas, com mais informações aqui.

Serviço

Missão China ABF

Data: 27 de agosto a 5 de setembro de 2026

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