Brasil e EUA voltam a se reunir na próxima semana para retomar negociação comercial

Reunião foi acertada após ligação de Lula para Trump nesta sexta (21)

Da Redação (*)

Brasília – O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) deverão se reunir na próxima semana com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para retomar as negociações comerciais entre os dois países.

A reunião ainda terá a data acertada pelas equipes dos dois governos. O Mdic confirmou ter recebido contato do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, depois presidente estadunidense, Donald Trump.

A retomada das tratativas abre um novo canal de diálogo entre Brasília e Washington em meio à disputa comercial provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Ligação de Lula para Trump durou 80 minutos

Lula telefonou para Trump na manhã desta sexta-feira. A conversa durou uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu de forma cordial.

O presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações comerciais e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo americano para a adoção das novas tarifas são infundadas.

Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para fundamentar as medidas estão questões relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado.

Lula afirmou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu o diálogo como caminho para preservar a relação comercial entre os dois países.

Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou a retomada do contato entre as equipes dos dois governos.

Busca de solução negociada

A reunião deverá envolver Márcio Elias Rosa, integrantes do MRE e representantes do USTR.  Em nota conjunta, o MDIC e o MRE consideram que a sinalização dos dois presidentes cria uma oportunidade para a busca de uma solução negociada para o impasse comercial.

(*) Com informações da Agência Brasil

 

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Internacionalizar o negócio começa pelo financeiro: o que toda empresa precisa saber

Eduardo Garcia (*)

Quando uma empresa decide expandir para outro país, normalmente a atenção está voltada para conquistar clientes, encontrar fornecedores ou abrir novos mercados. Faz sentido porque é esse movimento que impulsiona o crescimento. O problema é que muitos empresários descobrem apenas depois que o maior desafio da internacionalização não está na venda, mas na capacidade de sustentar financeiramente essa operação.

Essa realidade é cada vez mais comum entre pequenas e médias empresas brasileiras, especialmente aquelas na fronteira, que mantêm relações comerciais entre Brasil e Paraguai. Muitas conseguem gerar demanda rapidamente, mas precisam estruturar a mesma eficiência na parte financeira, especialmente para receber de clientes no exterior, pagar fornecedores em outro país, lidar com diferentes moedas e manter previsibilidade no fluxo de caixa. Quando essa estrutura acompanha o crescimento desde o início, a internacionalização deixa de ser apenas uma oportunidade comercial e passa a se sustentar como estratégia de negócio.

Antes de pensar em vender para outro país, existe uma pergunta que todo empresário deveria responder: minha operação financeira está preparada para acompanhar esse crescimento?

O primeiro ponto é entender como o dinheiro vai circular antes mesmo de fechar o negócio internacional. Isso significa mapear, desde o início, como será o recebimento do cliente e o pagamento ao fornecedor, definindo o caminho do dinheiro com a mesma atenção que se dá à parte comercial. Com essa definição clara desde o início, o fluxo de caixa ganha previsibilidade e a empresa consegue estruturar cada etapa financeira de acordo com a dinâmica da operação.

Defendo que o câmbio não deveria ocupar o centro da atenção do empresário. A prioridade precisa estar em acompanhar custos, margens e resultados, enquanto a estrutura financeira garante que os recursos circulem de forma eficiente e previsível. Na minha visão, a melhor estrutura é justamente aquela que se torna quase invisível para quem está à frente do negócio: ela oferece controle sobre cada operação sem exigir atenção diária aos detalhes técnicos de uma transação internacional.

Transparência também precisa fazer parte dessa estrutura. Em uma operação internacional, o empresário deve saber exatamente qual taxa está sendo aplicada, quanto o destinatário receberá e qual será o prazo da transferência. Ter essas informações de forma clara permite tomar decisões melhores, proteger margens e acompanhar o impacto de cada operação sobre o caixa. Quanto maior o volume financeiro movimentado, mais importante se torna ter visibilidade sobre todo esse processo.

É nesse contexto que os ativos digitais também ganham espaço como infraestrutura para pagamentos internacionais. Mais do que uma tecnologia associada ao mercado financeiro, eles podem contribuir para tornar determinadas operações mais rápidas, eficientes e acessíveis. O ponto, porém, não é fazer do empresário um especialista em blockchain ou moedas digitais. A tecnologia deve funcionar nos bastidores, assim como acontece com a internet: quem vende online não precisa conhecer sua arquitetura para se beneficiar dela. O que importa é que ela simplifique processos, amplie possibilidades e reduza barreiras para quem quer operar além das fronteiras.

Essa mesma lógica também vale para o caminho inverso. Empresas instaladas no exterior podem ampliar seu mercado consumidor ao aceitar pagamentos de clientes brasileiros em reais, em uma modalidade conhecida como eFX. Na prática, a empresa estrangeira comercializa seu produto ou serviço e oferece ao consumidor brasileiro a possibilidade de pagar via Pix, utilizando um meio já presente no seu dia a dia. Por trás dessa experiência simples, existe uma estrutura financeira que permite à empresa receber os valores consolidados das vendas em sua moeda local ou em dólares. Para o cliente, a compra acontece como qualquer outra. Para a empresa, câmbio e remessa funcionam nos bastidores. É exatamente esse tipo de estrutura que defendo: aquela que amplia possibilidades sem transferir complexidade para quem está à frente do negócio.

Esse talvez seja um dos principais aprendizados da nova economia internacional. Internacionalizar deixou de ser um desafio exclusivo das grandes empresas. Pequenas e médias organizações também conseguem operar além das fronteiras, desde que contem com uma estrutura financeira capaz de acompanhar esse movimento.

Expandir para outro país continua sendo uma decisão comercial. Mas garantir que pagamentos, recebimentos, câmbio e fluxo de caixa funcionem com a mesma eficiência da operação doméstica é uma decisão estratégica. E, muitas vezes, é justamente ela que determina se a internacionalização será um projeto sustentável ou apenas uma boa oportunidade que ficou pelo caminho.

(*) Eduardo Garcia é fundador da Sttart Pay e executivo do mercado financeiro com mais de 20 anos de experiência em gestão estratégica, liderança de equipes e desenvolvimento de negócios. 

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Cachoeiro Stone Fair 2026 reúne negócios, tecnologia e novos mercados para a indústria brasileira de rochas naturais

Em novo formato de três dias, feira acontece de 25 a 27 de agosto e reúne mais de 200 marcas, 15 mil visitantes esperados e uma programação voltada à geração de negócios, inovação, arquitetura e internacionalização do setor

Da Redação (*)

Brasília – A indústria brasileira de rochas naturais chega à Cachoeiro Stone Fair 2026, realizada de 25 a 27 de agosto, em Cachoeiro de Itapemirim (ES), diante de um cenário que combina desafios no comércio exterior, abertura de novos mercados, avanço tecnológico e transformação no perfil de consumo. Estreando um novo formato, com três dias de programação, a feira reforça sua posição como plataforma de negócios e relacionamento para uma cadeia que envolve desde a extração e o beneficiamento até a distribuição, especificação e aplicação das rochas em projetos de arquitetura e construção.

A expectativa é reunir 15 mil visitantes, de todos os estados brasileiros e de cerca de 30 países, além de mais de 200 marcas expositoras, em uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados. A proposta desta edição é concentrar oportunidades, encontros e negociações em uma agenda mais dinâmica, priorizando um público profissional e qualificado, formado por marmoristas, distribuidores, compradores, profissionais da construção civil, arquitetos, designers e outros agentes diretamente ligados à cadeia.

Mais do que apresentar produtos, a Cachoeiro Stone Fair busca refletir os movimentos que estão transformando a indústria de rochas naturais, colocando no mesmo ambiente negócios, comércio exterior, tecnologia, conhecimento, arquitetura e novas aplicações.

Comércio exterior: setor busca novos mercados diante de um novo cenário global.

A realização da feira acontece em um momento de mudanças importantes no comércio exterior brasileiro. O setor de rochas naturais encerrou o primeiro semestre de 2026 com US$ 711,1 milhões em exportações, resultado 4,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Apesar do acumulado negativo, os números mais recentes apontam para uma recuperação: somente em junho, as exportações alcançaram US$ 165,2 milhões, o maior faturamento mensal da história do setor e uma alta de 34,1% em relação a junho de 2025.

Ao mesmo tempo, a composição das exportações brasileiras passa por uma transformação. Os quartzitos já representam 60,3% do faturamento do setor, com US$ 428,5 milhões exportados no primeiro semestre, crescimento de 6,7% em relação ao mesmo período de 2025 e novo recorde para o segmento. Na contramão, materiais tradicionais registraram retração, como granito (-18,4%), mármore (-26,7%) e ardósia (-7%).

Esse movimento torna a diversificação de mercados uma das questões centrais para a indústria. Em meio aos desafios relacionados às tarifas e às mudanças nas relações comerciais internacionais, entidades do setor, em articulação com a ApexBrasil, Centrorochas e Itamaraty, vêm ampliando iniciativas de promoção comercial, participação em feiras e aproximação direta com compradores de mercados considerados estratégicos.

Rodada de Negócios aproxima indústria brasileira de novos compradores

Na Cachoeiro Stone Fair, essa estratégia estará presente por meio da Rodada de Negócios, uma das ações do projeto setorial It’s Natural – Brazilian Natural Stone, desenvolvido pela Centrorochas em parceria com a ApexBrasil.

Nesta edição, compradores dos Emirados Árabes Unidos, México e Polônia participarão das atividades, ampliando as oportunidades de prospecção em mercados alternativos e reduzindo a dependência de destinos tradicionais.

A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo que utiliza as principais feiras do setor como plataformas de internacionalização. Por meio dos chamados Projetos Comprador, empresas brasileiras são conectadas diretamente a potenciais clientes internacionais, transformando os eventos em ambientes de geração efetiva de negócios.

A estratégia deverá ganhar ainda mais escala na Marmomac Brazil 2027, prevista para março do próximo ano, quando a Centrorochas planeja ampliar o número de compradores internacionais convidados, incluindo representantes de mercados como México, Canadá, Reino Unido, Espanha, Austrália, Índia, Emirados Árabes e Polônia.

O movimento acompanha também a ampliação da agenda brasileira de acordos comerciais, com avanços nas negociações e acordos com diferentes mercados, criando novas possibilidades para a indústria brasileira de rochas naturais.

Espírito Santo concentra força da indústria brasileira

A relevância da Cachoeiro Stone Fair está diretamente ligada à importância do Espírito Santo para a indústria nacional de rochas naturais. O Estado concentra aproximadamente 80% das exportações brasileiras do setor, enquanto a atividade representa cerca de 10% do PIB capixaba.

Em Cachoeiro de Itapemirim, a cadeia produtiva reúne mais de 1.200 empresas, consolidando o município como um dos principais polos da indústria brasileira.

A força regional também ajuda a explicar a importância da feira. Cachoeiro é reconhecida pelo setor como um dos principais berços do beneficiamento de rochas naturais no Brasil e concentra uma cadeia que reúne empresas de extração, beneficiamento, comércio e serviços especializados.

(*) Com informações da Cachoeiro Stone Fair

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Brasil assina acordo turístico com a Índia projetando acesso a um mercado de 1,5 bilhão de pessoas

 

Parceria assinada durante reunião do BRICS prevê intercâmbio de experiências, capacitação profissional e promoção conjunta de destinos turísticos

Da Redação (*)

Brasil e Índia firmaram nesta sexta-feira (21), durante o encontro de ministros do Turismo do BRICS, em Jaipur (Índia), um plano de ação com objetivo de aumentar o fluxo de turistas entre os dois países.

A parceria abre novas perspectivas para a promoção dos destinos brasileiros em um mercado de cerca de 1,5 bilhão de pessoas. País mais populoso do mundo na atualidade, a Índia é vista como uma oportunidade para ampliar o intercâmbio turístico e econômico entre as duas nações, além de criar oportunidades para a atração de um número maior de visitantes indianos ao Brasil.

Entre as iniciativas previstas estão a troca de informações e estatísticas sobre o setor, ações de capacitação profissional, compartilhamento de boas práticas e divulgação de eventos turísticos realizados em ambos os mercados. Também está prevista a aproximação entre profissionais dos órgãos oficiais de turismo para a troca de experiências sobre infraestrutura, gestão e desenvolvimento da atividade turística.

Índia e sua vasta riqueza cultural e diversidade

Estamos falando de nações com enorme riqueza cultural, diversidade de destinos e capacidade de gerar oportunidades de negócios, investimentos e intercâmbio de conhecimentos. Este plano cria as bases para uma cooperação ainda mais sólida e para o fortalecimento do turismo como instrumento de desenvolvimento econômico e aproximação entre os povos”, afirmou o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

Outro destaque é o intercâmbio de experiências em segmentos nos quais os dois países possuem expertise. O Brasil compartilhará conhecimentos em áreas como turismo de natureza, sol e praia, turismo cultural, gastronômico, indígena, afroturismo e turismo de aventura. Já a Índia contribuirá com experiências em turismo de bem-estar e médico, incluindo Ayurveda e Yoga, além de turismo espiritual, cultural e de natureza.

O plano de ação será coordenado pelos ministérios do Turismo dos dois países, terá vigência inicial de três anos e renovação automática, com a expectativa de ampliar a integração bilateral e criar novas oportunidades para o setor nos próximos anos.

(*) Com informações do MTur

 

 

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Amcham reforça importância do diálogo entre Brasil e EUA após conversa entre presidentes Lula e Trump

Entidade defende retomada das negociações como caminho para superar divergências comerciais

Da Redação (*)

Brasília – A Amcham Brasil considera muito positiva a disposição manifestada pelos presidentes do Brasil e dos Estados Unidos de manter o diálogo e retomar as negociações bilaterais durante conversa telefônica realizada nesta sexta-feira (21). Segundo o governo brasileiro, o presidente norte-americano propôs que as equipes dos dois países voltem a se reunir o mais brevemente possível para tratar das relações comerciais.

Para a Amcham Brasil, a retomada das negociações em alto nível é o caminho prioritário para buscar a redução das sobretaxas atualmente em vigor, evitar novas restrições e construir um entendimento que preserve e amplie o comércio e os investimentos entre os dois países.

“O diálogo direto entre os presidentes e a disposição para a retomada das negociações entre os dois governos são sinais importantes. O momento deve ser aproveitado para avançar em soluções concretas que reduzam barreiras, promovam mais comércio e investimento e tragam maior previsibilidade para as empresas”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Essa posição está alinhada à percepção predominante entre empresas consultadas recentemente pela Amcham. No levantamento, 90,5% defenderam a intensificação do diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos.

A Amcham seguirá contribuindo com o setor empresarial e com autoridades brasileiras e norte-americanas para favorecer a construção de um entendimento capaz de superar as atuais divergências e preservar uma relação econômica equilibrada, previsível e mutuamente benéfica.

(*) Com informações da Amcham Brasil

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eComex alerta empresas para etapas finais do desligamento da DI e reforça urgência na migração para a DUIMP

Cronograma prevê novos desligamentos a partir de 31 de agosto e conclusão da transição para casos remanescentes em dezembro; empresas que não se prepararem podem enfrentar atrasos, custos adicionais e riscos de desabastecimento

Da Redação (*)

Brasília – Asempresas brasileiras que ainda não concluíram a migração para a Declaração Única de Importação (DUIMP) precisam acelerar a preparação para as etapas finais do desligamento da Declaração de Importação (DI). O cronograma de transição para o Novo Processo de Importação (NPI) prevê novos desligamentos a partir de 31 de agosto de 2026 e etapas remanescentes em dezembro.

Diante da proximidade dos prazos, a eComex, empresa especializada em tecnologia para comércio exterior, alerta que a mudança não deve ser tratada apenas como uma troca de sistema: a adaptação envolve revisão de processos, estruturação do catálogo de produtos, adequação tecnológica e treinamento das equipes.

A migração para a DUIMP faz parte do processo de modernização do comércio exterior brasileiro e consolida a transição para um modelo mais integrado e digital por meio do Portal Único de Comércio Exterior. Para André Barros, CEO da eComex, um dos principais riscos é as empresas subestimarem a dimensão da mudança e deixarem a preparação para a última hora.

“A empresa não pode olhar para a DUIMP como se fosse simplesmente desligar um sistema e ligar outro. Mudam processos, tecnologia e a própria maneira de executar as operações. É preciso preparar a empresa, organizar as informações dos produtos, revisar processos, adequar a tecnologia e treinar as pessoas. Quem deixar essa preparação para a última hora corre o risco de enfrentar problemas justamente quando a DI deixar de ser uma alternativa.”

Entre as adaptações necessárias está a criação e organização do catálogo de produtos, com informações como classificação fiscal e atributos, além da adequação dos procedimentos relacionados às licenças de importação e ao LPCO (Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos). A eComex recomenda que as empresas que ainda não iniciaram a transição comecem imediatamente a operar com a DUIMP, identificando gargalos e ajustando seus processos antes do desligamento da DI.

Possíveis impactos

A falta de preparação pode gerar impactos que vão além da operação de comércio exterior. Caso uma empresa não consiga realizar o desembaraço de uma mercadoria, a carga pode ficar parada, gerando custos adicionais e comprometendo a produção. Dependendo do setor, o problema pode se estender por toda a cadeia de fornecimento e chegar ao consumidor final, com risco de desabastecimento.

“O impacto de uma operação que não funciona pode ser muito maior do que um atraso pontual. Uma carga parada representa custo e pode comprometer a produção de uma empresa. Em determinados segmentos, isso também pode afetar toda uma cadeia de fornecimento e até gerar desabastecimento no mercado. Por isso, a preparação para a DUIMP deve ser tratada como uma prioridade de negócio, e não apenas como um projeto de tecnologia”, afirma Barros.

Para a empresa, a operação antecipada com a DUIMP é uma das principais formas de identificar eventuais problemas antes da conclusão da transição. A preparação também deve incluir a capacitação dos profissionais envolvidos, já que a mudança exige uma nova dinâmica de trabalho e não apenas a adaptação dos sistemas.

“Quem ainda não começou precisa correr. O momento agora é de testar a operação, entender quais são os gargalos e descobrir o que precisa ser alterado antes do desligamento. Não é uma mudança que se resolve de um dia para o outro. Quanto mais perto chegamos das últimas etapas, menor é a margem para fazer ajustes”, destaca o CEO da eComex.

Inovações marcam uma nova etapa do comércio exterior brasileiro

A consolidação do Portal Único e o desligamento progressivo da DI representam, para a eComex, um marco na modernização do comércio exterior brasileiro e o início de uma nova etapa para o setor. Na avaliação da empresa, esse “mundo novo do comércio exterior” é impulsionado pela convergência de três movimentos: a transformação promovida pelo governo, que simplifica e digitaliza processos; o avanço da tecnologia e da inteligência artificial, que amplia as possibilidades de automação; e a chegada de uma nova geração de profissionais, mais familiarizada com essas ferramentas e aberta a novas formas de trabalhar.

“O desligamento da DI é o início, sem volta, de um novo mundo para o comércio exterior. Essas três forças estão convergindo e criando um ambiente completamente diferente. Agora, a indústria também precisa subir a régua e acompanhar essa transformação”, conclui Barros.

(*) Com informações da eComex

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Mais de 6 milhões de investidores brasileiros desconhecem onde está o dinheiro deles

Tiago Piassum (*)

A B3 fechou junho de 2026 com 6,45 milhões de contas de investidor pessoa física em renda variável, o maior patamar em cinco anos. Repare na palavra: contas. Quem mantém cadastro em mais de uma corretora entra mais de uma vez na estatística, porque o que a Bolsa contabiliza são os relacionamentos com intermediários. A distinção parece burocrática, mas ela abre um mal-entendido bem maior.

Pergunte a um investidor onde estão as ações dele. Quase sempre a resposta traz o nome de uma corretora ou de um banco. E quase sempre está errada. Os ativos negociados em bolsa no Brasil ficam depositados na central depositária da B3. A corretora executa a ordem, cobra a corretagem e exibe a posição no aplicativo. Guardar as ações, ela não guarda. Quem quiser conferir não precisa pedir autorização a ninguém: a Área do Investidor da B3 é gratuita, o acesso é feito com CPF e a tela mostra a posição em custódia detalhada por instituição, com extrato mensal e informe de rendimentos para a declaração.

Muita gente imagina que trocar de corretora significa mudar os papéis de lugar. Não significa. A plataforma pela qual se comprou é uma camada de serviço, relevante para preço, produto e atendimento, mas não é ela que detém o ativo. É um detalhe de infraestrutura que o mercado brasileiro nunca fez questão de explicar, e que importa por um motivo nada técnico: saber quem guarda organiza tudo o que vem depois. É o que define para onde vai o dinheiro se o intermediário quebrar, de quem o investidor pode cobrar e quanto controle ele tem, de fato, sobre o próprio patrimônio.

O investidor brasileiro aprendeu a comparar taxas de administração, rentabilidade e corretagem, mas não aprendeu a perguntar quem guarda o seu dinheiro. E é essa pergunta que reaparece agora, em outro terreno. Em ativo digital, ela é o centro de tudo, só que sem uma infraestrutura central respondendo por todo mundo.

Existem dois arranjos. No primeiro, a conta é custodiada: a instituição detém as chaves criptográficas, o cliente faz o pedido e ela executa. É o modelo mais próximo do bancário, com uma diferença que precisa ser dita sem rodeios: conta em plataforma de ativo digital não tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que alcança depósitos em instituições financeiras brasileiras associadas, dentro de limites por CPF. Normalmente tem seguro contratado contra invasão hacker, que cobre eventos específicos, mas não é a mesma coisa que garantia de depósito.

No segundo arranjo, a chave é do próprio titular. Quem assina é ele, e nenhuma instituição consegue mover o saldo. A contrapartida é simétrica: ninguém bloqueia, ninguém empresta e ninguém resgata o acesso perdido. Se o titular perde todos os meios de autenticação sem ter deixado um caminho de recuperação, o ativo continua visível no registro público e inacessível para sempre. Nenhum dos dois arranjos é melhor que o outro em abstrato. São riscos de natureza diferente, e o investidor precisa saber qual deles está comprando.

O Fisco, aliás, já respondeu essa pergunta por conta própria. Pela Instrução Normativa RFB 2.312, a declaração pré-preenchida do Imposto de Renda de 2026 passou a trazer automaticamente as operações realizadas em exchanges brasileiras. Em julho entrou em vigor a DeCripto, criada pela IN RFB 2.291/2025, dentro da adesão do país ao padrão da OCDE para troca internacional de informações sobre criptoativos. Quem opera em plataforma nacional já tem o próprio extrato do lado da Receita Federal.

Sobra daí uma assimetria que diz muito sobre o momento do mercado brasileiro. Na Bolsa, a resposta está a um login de distância, e o investidor não vai buscá-la. Em plataforma nacional de ativo digital, o Estado montou a resposta antes dele. Em autocustódia, não existe resposta pronta em lugar nenhum: existe o titular, e só.

São milhões de contas de um lado, e um país que ocupa a décima posição entre os 151 países avaliados no Índice Global de Adoção de Criptomoedas da Chainalysis, do outro. O brasileiro entrou nos dois mercados com velocidade. Aprendeu a comparar rentabilidade em planilha e a negociar taxa no atendimento. Custódia é a única variável dessa conta que não se descobre depois. A pergunta que resolve isso cabe em uma linha e vale igual para a ação e para o dólar digital: se eu quiser mover esse dinheiro amanhã, quem precisa concordar?

(*) Tiago Piassum é especialista em ativos digitais e CEO da Rivool

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Prêmio Eco 2026: Amcham Brasil recebe até 31 de agosto inscrições para prêmio de sustentabilidade 

Prêmio Eco reconhece projetos empresariais e, na categoria Lideranças Eco, CEOs e executivos à frente da agenda de sustentabilidade nas organizações

Da Redação (*)

Brasília – A Amcham Brasil recebe até 31 de agosto inscrições de empresas de todo o país para o Prêmio Eco 2026, iniciativa da entidade que reconhece projetos, empresas e lideranças que vêm incorporando a sustentabilidade à estratégia e às decisões de negócio.

A poucos dias do encerramento do prazo, empresas de todos os portes e setores, associadas ou não à Amcham, ainda podem inscrever iniciativas relacionadas à sustentabilidade em processos, produtos e serviços.

A edição deste ano também contempla a categoria Lideranças Eco, voltada ao reconhecimento de CEOs e executivos que exercem papel de liderança na agenda de sustentabilidade dentro das organizações, mobilizando suas empresas e conectando compromissos socioambientais à estratégia, aos investimentos e à geração de valor.

“A sustentabilidade já deixou de ser uma agenda paralela para fazer parte das decisões centrais das empresas. Queremos reconhecer tanto as iniciativas que estão produzindo resultados concretos quanto as lideranças que têm papel decisivo para colocar essa agenda no centro da estratégia dos negócios”, afirma Daniela Aiach, Diretora de Sustentabilidade e Business Center da Amcham Brasil.

Uma das mais tradicionais premiações de sustentabilidade empresarial do país

Criado pela Amcham Brasil, o Prêmio Eco consolidou-se como uma das mais tradicionais iniciativas de reconhecimento da sustentabilidade empresarial no país, dando visibilidade a práticas que contribuem para transformar a atuação das empresas e disseminar referências para o setor privado.

Ao longo de sua trajetória, a premiação já reconheceu iniciativas de empresas como Telefônica Brasil, Banco do Brasil, C&A, Gerdau, Banco Votorantim, Hyundai Motor Brasil, Mercado Livre, BASF e Faber-Castell, entre outras.

O Prêmio Eco também se tornou um espaço de encontro entre lideranças empresariais e referências nacionais e internacionais em sustentabilidade. Sua trajetória inclui nomes como Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos; Gro Harlem Brundtland, ex-primeira-ministra da Noruega e referência internacional em desenvolvimento sustentável.

 Empresas podem concorrer em três categorias

Em 2026, o Prêmio Eco contempla três frentes de reconhecimento:

  • Sustentabilidade em Processos: iniciativas que incorporam práticas sustentáveis às políticas, aos indicadores, à gestão e às operações das empresas;
  • Sustentabilidade em Produtos & Serviços: projetos que integram atributos de sustentabilidade ao desenvolvimento e ao ciclo de vida de produtos e serviços;
  • Lideranças Eco: reconhecimento a CEOs e executivos que exercem papel relevante na condução da agenda de sustentabilidade, influenciando a estratégia e a tomada de decisão de suas organizações.

Para a Amcham, dar visibilidade a essas experiências também é uma forma de acelerar a evolução da agenda no setor empresarial.

“Mais do que reconhecer boas práticas, queremos identificar experiências que possam inspirar outras empresas e mostrar como a sustentabilidade pode estar conectada à competitividade, à inovação e à geração de valor. O Prêmio Eco cria uma plataforma para dar visibilidade a quem já está liderando esse movimento”, afirma Aiach.

 Inscrições terminam em 31 de agosto

Prêmio Eco 2026 é aberto a empresas de todos os portes, associadas ou não à Amcham Brasil. As inscrições terminam em 31 de agosto de 2026.

(*) Com informações da Amcham

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Na mesa ou no cardápio: por que geopolítica virou pauta de conselho de administração

Frederico Lamego e Antonio Carlos Lessa (*)

“Ou você está na mesa, ou está no cardápio.” Mark Carney recuperou a frase em Davos, em janeiro, e falava de potências médias: países sem status de superpotência que, somados, movem a maior parte do comércio mundial. A frase não é dele. Circula desde os anos 1990, sem autor conhecido, e serviu sempre para descrever Estados. Agora descreve empresas.

A ONU, o FMI e a OMC continuam existindo, e continuam produzindo relatórios. O que a OMC já não produz é decisão executável. Desde dezembro de 2019, o Órgão de Apelação está paralisado porque os Estados Unidos bloqueiam a indicação de novos árbitros, e quem perde um painel apela para uma instância que não existe.

Vinte e sete membros, o Brasil entre eles, montaram um arranjo provisório de arbitragem para contornar o impasse; ele vale só entre quem aderiu, e os Estados Unidos não aderiram. Foi assim que o Brasil venceu painéis contra a Índia e a Indonésia, no açúcar e na carne de frango, e ficou sem poder executar nenhuma das duas decisões. Rompida uma regra, não há a quem recorrer. Resta negociar.

Tarifaço americano, transição energética, reindustrialização puxada pela defesa, corrida da inteligência artificial. Alguém ainda acha que isso é assunto de departamento de estudos? Geopolítica virou competência de gestão. Em poucas companhias brasileiras, porém, essa capacidade gerencial tem dono no organograma.

A pergunta que costumamos ouvir é sempre a mesma: qual o efeito desta crise sobre o câmbio do próximo trimestre, ou sobre determinada linha de produção? É pergunta legítima, e chega tarde. O risco político já foi precificado bem antes, no spread que a empresa paga para captar lá fora, no prêmio do seguro de crédito à exportação, na garantia adicional que o parceiro estrangeiro passa a exigir sem explicar o porquê.

A manchete não espera nada disso. A pergunta mais útil é também a mais incômoda, e não pede profecia: se determinada rota se fechar, quais decisões desta diretoria mudam? E quantas delas já foram tomadas de forma irreversível?

Desde 1º de maio, a parte comercial do acordo entre o Mercosul e a União Europeia está em vigor provisoriamente. Vinte e seis anos de negociação, assinatura em janeiro, tarifas já caindo, cotas regulamentadas por portaria da Secex. O acordo definitivo, esse, continua indefinido. O Parlamento Europeu pediu ao Tribunal de Justiça da União Europeia parecer sobre a compatibilidade do texto com os tratados do bloco, e a análise pode levar dois anos.

A empresa que hoje monta sua planilha de exportação sob as novas cotas depende, portanto, de uma corte em Luxemburgo e da ratificação por 27 parlamentos nacionais. A França já votou contra. Minerais críticos, semicondutores, energia limpa, defesa: quanto mais o Brasil se conecta a essas cadeias, mais o que se decide fora daqui aparece no balanço de companhias que nunca exportaram um contêiner.

Terras raras servem de teste, e o teste é recente. O Brasil aparece nas estatísticas do USGS com cerca de 21 milhões de toneladas de óxidos, ou 23% das reservas mundiais, atrás só da China. O número pede cautela: a Agência Nacional de Mineração revisou o estoque para 11,4 milhões de toneladas no Sumário Mineral de 2025, ao adotar critério internacional mais estrito. O país segue em segundo lugar de qualquer forma. E extrai menos de 1% do volume mundial. Uma só mina opera em escala comercial, a Serra Verde, em Minaçu, Goiás, que começou a produzir em janeiro de 2024 e vende concentrado misto de óxidos. Separação, metalurgia e ímãs continuam do outro lado do mundo.

Em 2026, a Serra Verde foi comprada pela americana USA Rare Earth, em operação avaliada em US$ 2,8 bilhões e amparada por financiamento da agência de desenvolvimento do governo dos Estados Unidos, enquanto o marco legal brasileiro para minerais críticos ainda se discutia. Está aqui o limite do argumento que defendemos, e convém reconhecê-lo. Nenhuma leitura geopolítica, por refinada que seja, ergue uma unidade de separação nem financia a década de maturação que um projeto desses exige. Mas responde a uma pergunta que ficou sem resposta em Minaçu: quem sabia, e há quanto tempo?

Compreender geopolítica não é erudição a ser terceirizada. É competência a ser internalizada por quem decide nas empresas brasileiras, do conselho de administração ao planejamento de médio prazo. Alguém precisa ter autoridade para travar um cronograma enquanto ainda dá tempo. Só assim a turbulência da nova ordem internacional vira vantagem competitiva. Do contrário, continuaremos no cardápio, e não na mesa.

Frederico Lamego é assessor especial da Presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Antonio Carlos Lessa é professor Titular do Instituto de Relações Internacionais da UnB (*)

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Uma cidade além dos negócios

Alessandra Andrade (*)

São Paulo, desde sempre denominada como “a cidade que não para”, hoje, mais do que nunca, é definida pela dimensão do mercado, diversidade econômica, capacidade de atrair capital e concentração de talentos. São atributos relevantes, mas insuficientes para explicar o que torna uma cidade competitiva. A vitalidade de uma metrópole depende das condições que oferece para que as empresas permaneçam, cresçam e se conectem à vida urbana.

Transformar investimentos em desenvolvimento exige continuidade, coordenação e visão de longo prazo. Infraestrutura, mobilidade, serviços, sustentabilidade, segurança, tecnologia e planejamento integram o ambiente em que decisões empresariais são tomadas e oportunidades se convertem em prosperidade compartilhada.

Ao participar dos debates do São Paulo Beyond Business (SP2B), uma convicção atravessou temas distintos. Uma cidade boa para investir precisa também funcionar para quem vive, trabalha e empreende nela. Crescimento econômico e qualidade urbana avançam juntos. A conexão entre poder público, iniciativa privada, academia e sociedade civil ajuda a reduzir barreiras e transformar potencial em projetos concretos.

Essa visão alcança o papel da inovação. Tecnologia, dados e inteligência artificial ampliam a capacidade de planejar e melhorar serviços. Ganham relevância quando solucionam problemas reais, reduzem o tempo perdido nos deslocamentos, simplificam a relação entre cidadãos e governo e ampliam o acesso a oportunidades.

O Centro de São Paulo resume os desafios. Sua requalificação depende de habitação, segurança, recuperação do patrimônio, atividade econômica e convivência. É preciso atrair moradores, empresas e investimentos, preservando a diversidade. Um centro vivo reúne diferentes usos e permanece ativo ao longo do dia, muitas vezes até à noite.

A mesma lógica vale para o empreendedorismo. Abrir uma empresa é apenas o início. A qualidade do ambiente para criar novos negócios se revela nas condições oferecidas para que eles sobrevivam, ganhem produtividade e alcancem novos mercados. Isso exige conhecimento, tecnologia, crédito, conexões, oportunidades comerciais e menos barreiras.

Também muda a forma como empresas se relacionam com seus públicos. As fronteiras entre B2B e B2C estão menos rígidas, pois toda relação econômica envolve pessoas tomando decisões. Algumas delas flexíveis. Produto, preço e canal continuam importantes, mas compreender comportamentos, culturas e necessidades humanas tornou-se um significativo diferencial competitivo.

A diversidade paulistana é uma vantagem difícil de reproduzir. A cidade funciona como um laboratório vivo de hábitos, demandas e modelos de negócio. Empresas podem identificar tendências, testar soluções e aprender com diferentes públicos. Essa potência se realiza quando a diversidade é reconhecida como fonte de conhecimento, inovação e inclusão econômica.

Pensar São Paulo muito além dos negócios é reconhecer tudo o que permite que eles prosperem. Quanto mais a cidade integrar desenvolvimento, qualidade urbana e oportunidades, maior será sua competitividade. Essa combinação fortalece São Paulo como gateway, a porta de entrada do Brasil para o mundo, conectando empresas, talentos, investimentos e inovação aos mercados.

(*) *Alessandra Andrade é presidente da São Paulo Negócios.

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