Exportações de café solúvel sobem 20% em julho e EUA são o principal mercado, diz Abics

Setor vive momento positivo com a isenção das tarifas norte-americanas e a entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia; Abics projeta um segundo semestre ainda mais favorável

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras de café solúvel somaram 8,161 mil toneladas em julho de 2026 – equivalentes a 353.761 sacas de 60 kg em café verde –, volume 20% superior ao embarcado no mesmo mês do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O resultado consolida a retomada do produto no mercado internacional e vem acompanhado de um avanço igualmente expressivo no consumo doméstico.

Com o desempenho do mês passado, o Brasil acumula 57,4 mil toneladas (2,488 milhões de sacas) exportadas entre janeiro e julho deste ano, alta de 10,9% sobre as 51,7 mil toneladas (2,243 milhões de sacas) registradas nos mesmos sete meses de 2025.

Abics destaca importância da reação do setor

Para o diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, os números chegam em um momento de virada no ambiente comercial do setor. Em 1º de maio, entrou em vigor o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Na segunda quinzena de julho, os Estados Unidos incluíram o café solúvel na lista de isenções da nova tarifa aplicada a produtos brasileiros, encerrando o período de quase um ano em que o produto foi o único elo da cadeia cafeeira nacional a permanecer sobretaxado.

“São conquistas, contudo, recentes demais para explicar os volumes já embarcados. Nenhuma das duas medidas teve tempo de se refletir integralmente nos números de julho, mas o que já se enxerga é a reação desses mercados. Os embarques para a UE cresceram 51,4% entre maio e o fim de julho, somando 5,2 mil toneladas e as remessas aos EUA voltaram a crescer no mês passado, 9,5% acima de julho de 2025, com 1,3 mil toneladas. O efeito pleno das duas conquistas deve aparecer a partir do segundo semestre”, projeta Lima.

A receita cambial acumulada nos sete primeiros meses de 2026 somou US$ 663,5 milhões, recuo de 2,5% ante o mesmo intervalo do ano passado, variação modesta diante do salto em volume, conforme o executivo da Abics.

“É um descolamento explicado pelos preços: o mercado global opera, atualmente, abaixo das cotações excepcionais registradas em 2025. Embarcamos bastante mais café e faturamos praticamente o mesmo”, observa.

Principais importadores

Os Estados Unidos seguem como principal destino do café solúvel brasileiro, com 8,4 mil toneladas adquiridas entre janeiro e julho, montante 12% inferior ao do mesmo período de 2025.

Lima comenta que essa comparação pede contexto, já que todo o intervalo de 2026 transcorreu sob a sobretaxa americana, em vigor desde agosto de 2025, enquanto os sete primeiros meses do ano passado ainda foram anteriores à aplicação da medida.

“É justamente por isso que o dado de julho ganha peso. Mesmo comparado a uma base ainda livre de tarifas, o mês registrou 1,3 mil toneladas embarcadas aos EUA, alta de 9,5%, sendo o primeiro sinal claro de recuperação do fluxo, anterior à própria isenção, que passou a valer apenas nos últimos dias do mês passado”, analisa.

Na sequência aparecem a Argentina, com 4,6 mil toneladas e queda de 9,6% na comparação anual, e a Rússia, também com 4,6 mil toneladas, mas alta de 21,9%.

Chama atenção, entre os principais destinos do produto brasileiro em 2026, a presença de países que são grandes e tradicionais fabricantes de café solúvel e que, ainda assim, ampliaram fortemente as compras do Brasil.

A Colômbia ocupa o 4º lugar, com 3,4 mil toneladas (+145,7% ante 2025); a Indonésia vem imediatamente na sequência, com 3,2 mil toneladas (+49,6%); o México, com 2,3 mil toneladas (+33,2%), é o 9º no ranking; e o Vietnã fecha o top 10, com 2,2 mil toneladas (+67,2%).

“Esse movimento reforça a competitividade da indústria brasileira de café solúvel, que abastece, inclusive, seus concorrentes diretos”, anota o diretor executivo da Abics.

Lima aponta que o bloco europeu também marca presença no topo da lista, com a Polônia na sexta posição e um crescimento de 40,6%, a Estônia na sétima, com evolução de 103,4% e os Países Baixos em oitavo lugar, apresentando um avanço de 36,9%.

“Esses países estão entre os dez maiores compradores, todos registrando uma expansão expressiva na comparação com 2025. Essa é uma leitura que converge com o salto de 51,4% nos embarques à União Europeia, como um todo, desde maio”, comenta.

Consumo interno

O desempenho positivo não se restringe ao comércio exterior. No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o consumo de café solúvel pelos brasileiros alcançou 17,3 mil toneladas (751 mil sacas), incremento de 14,4% frente ao apurado entre janeiro e o fim de julho do ano passado.

Para a consultora de Mercado Interno da Abics, Eliana Relvas, o avanço tem uma explicação direta: a variedade de produtos que a indústria nacional passou a colocar nas prateleiras, ampliando a oferta ao consumidor.

“Hoje nós temos um sortimento muito amplo de café solúvel, desde cafés orgânicos, descafeinados, cafés premium e de excelência, enfim, variedade de oferta para diferentes momentos de consumo. Assim, a percepção de produtos de qualidade também aumentou”, explica.

Ela acrescenta que, para além da bebida, o café solúvel vem ganhando espaço como ingrediente em vários produtos, como em bebidas prontas para beber e em produtos em pó.

“Esses produtos vêm registrando um aumento importante no consumo, principalmente com proteína. Dessa forma, o café solúvel entra como um importante ingrediente nessa mescla de produtos voltados à reposição e à suplementação de proteína”, conta.

Outro fator, completa a consultora, é a queda de um antigo preconceito com a categoria.

“A quantidade de produtos ofertados no mercado faz com que o consumidor brasileiro consuma mais o café solúvel, tendo uma melhor percepção sobre ele, o que é bom porque entendem melhor a diversidade e a qualidade. Isso, aliado à praticidade de preparo e aos constantes investimentos das nossas indústrias, contribui para que o consumo permaneça evoluindo gradualmente”, conclui.

(*) Com informações da Abics

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Mauro Vieira diz que comércio Brasil-Asean deve superar EUA e União Europeia “num futuro próximo”

Brasil estreita laços com países asiáticos em meio a tarifaço dos EUA

Da Redação (*)

Brasília – Ao receber o representante da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Brasília, nesta terça-feira (18), o ministro das relações exteriores, Mauro Vieira, projetou que o comércio do Brasil com o Sudeste Asiático deve superar os negócios com os Estados Unidos (EUA) e com a União Europeia (UE) “num futuro próximo”.

O chanceler lembrou que o comércio brasileiro com a Asean, bloco que reúne 11 países asiáticos, aumentou 10 vezes entre 2003 a 2025, passando de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões.

“Nesse ritmo, o intercâmbio comercial deverá ultrapassar aquele com parceiros tradicionais do Brasil, como os EUA ou a União Europeia, no futuro próximo. O Brasil já exporta mais para a Singapura do que para a Alemanha. Exporta mais para a Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia do que para a França”, disse.

A fala ocorreu após reunião com secretário geral da Asean, o cambojano Kao Kim Hourn, em uma agenda para aprofundar as relações com o sudeste asiático. Entre os Estados membros da associação estão Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste e Camboja.

O encontro do ministro Mauro Vieira com a Asean ocorre em meio ao recente tarifaço dos EUA contra parte das exportações brasileiras, em um contexto em que o Brasil tenta diversificar exportações para minimizar os impactos econômicos do tarifaço de Donald Trump.

Vieira manifestou ainda o interesse do Brasil se tornar um “parceiro de diálogo” da Asean, condição hoje restrita aos EUA, União Europeia, Japão, Índia, China, Canadá, Rússia, Austrália e Coréia do Sul.

“Nossas regiões partilham o interesse em promover o desenvolvimento sustentável, ampliar os fluxos de comércio e investimentos e em fortalecer o Sul Global”, disse Vieira.

Asean vê Brasil como parceiro especial

O representante da Asean Kao Kim Hourn visita o Brasil a convite do governo brasileiro com agendas que vão de hoje até a próxima sexta-feira (21) e previsão de encontros com ministros de Estado, empresários e acadêmicos.

Na reunião do Itamaraty, o secretário-geral Kao Kim Hourn destacou que espera estreitar as relações com o Brasil.

“A Asean atribui grande importância à parceria com o Brasil. Desenvolvemos uma das relações mais dinâmicas e sustentáveis ​​na América Latina”, disse o secretário-geral.

Para Kao Kim, o Brasil e a Asean podem desenvolver parcerias na área econômica, via comércio e investimentos, assim como nas áreas de inovação, desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, agricultura, energia renovável e ação climática.

“Ressalto ainda que a Asean e o Brasil compartilham um forte compromisso com o multilateralismo baseado em regras, o diálogo e a cooperação internacional. Esse é um ponto fundamental para que países desenvolvidos e emergentes enfrentem juntos seus desafios comuns”, completou o cambojano.

Nos últimos 10 anos, os países da Asean duplicaram seus Produto Interno Brutos (PIBs), passando de US$ 2,5 trilhões para US$ 4,5 trilhões, considerando todos os Estados-membros. Juntos, eles somam mais de 700 milhões de habitantes.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Domínio invisível chinês – A nova fronteira da soberania

Márcio Coimbra (*)

Existe uma transformação silenciosa na América Latina. Enquanto a diplomacia se hipnotiza com a rivalidade entre superpotências, a geopolítica é reescrita nos bastidores de prefeituras, editais de transporte e câmeras urbanas. Trata-se da expansão chinesa em sua versão mais sutil: um modelo que abandona os holofotes para se enraizar na infraestrutura básica que faz as cidades funcionarem.

A eficácia dessa abordagem reside no ponto cego criado para o Ocidente. Atento ao desgaste de obras como megaportos e usinas, Pequim recalibrou suas agulhas para priorizar a negociação capilar com governadores e prefeitos, oferecendo respostas imediatas a demandas locais. Ao fornecer ônibus elétricos, gerenciar redes de energia ou manter trens, corporações chinesas erguem uma dependência sistêmica. Cada contrato parece inofensivo, mas o efeito cumulativo é devastador: quando um estado percebe que seus serviços dependem exclusivamente de suporte chinês, sua margem de manobra política evapora.

Essa presença física serve de veículo para o motor do domínio contemporâneo: a Rota da Seda Digital. Em vez de erguer apenas concreto e aço, a China constrói os canais invisíveis da informação. Prefeituras sem diretrizes de segurança cibernética encontram em gigantes chinesas ofertas irrecusáveis de modernização. Redes 5G e a migração de dados para a nuvem fazem a máquina pública operar sob uma arquitetura mantida por Pequim. Consolida-se o aprisionamento tecnológico: governos locais tornam-se reféns de atualizações e suporte contínuo, transferindo sua soberania sem que a sociedade perceba.

O desdobramento mais sensível dessa arquitetura é o processamento de dados por Inteligência Artificial. Sob o conceito de “Cidades Seguras”, adquirem-se sistemas para mapear o tráfego, rastrear veículos e identificar rostos em tempo real, ocultando sob o combate ao crime uma colheita ininterrupta de dados biométricos. O perigo geopolítico vincula-se à Lei de Inteligência Nacional da China, que obriga empresas a cooperarem com o Estado. Assim, o acervo colhido na região fica exposto ao acesso direto de Pequim, estabelecendo uma vigilância preditiva sem precedentes.

A corrupção e o pragmatismo político funcionam como o lubrificante ideal para que gigantes chinesas contornem auditorias técnicas e éticas. O caso da Hikvision no Rio de Janeiro ilustra essa dinâmica: sob o pretexto da segurança pública, o estado firmou contratos milionários de reconhecimento facial em meio a denúncias de opacidade, direcionamento e superfaturamento. Enquanto a empresa sofria sanções por riscos de segurança e violações de direitos humanos, a administração no Rio aprofundava a parceria, entregando o controle do espaço público indiretamente para Pequim.

A Rota da Seda Digital reconfigura a soberania continental. A América Latina não está sendo submetida por doutrinação ideológica ou coerção militar, mas pela dependência operacional dos elementos básicos da sociedade moderna. À medida que prefeituras e estados entregam redes de energia, dados biométricos e trânsito ao ecossistema tecnológico de Pequim, a autonomia dilui-se de baixo para cima. O resultado é uma hegemonia algorítmica e invisível — erguida em cada servidor instalado, câmera ativada e licitação homologada —, que redesenha o mapa do poder global sem que o mundo perceba.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

 

 

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BD fortalece gestão de comércio exterior com plataforma da eComex e amplia governança sobre operação de importação

Solução integrada apoia uma operação distribuída em cinco estados brasileiros, reduz atividades manuais, fortalece a conformidade regulatória e aumenta a rastreabilidade dos processos

Da Redação (*)

Brasília – Operar uma cadeia de comércio exterior que envolve diferentes modais de transporte, parceiros logísticos, órgãos reguladores e milhares de produtos exige muito mais do que eficiência operacional. Para a BD, empresa global de tecnologia médica, manter controle, rastreabilidade e conformidade em todas as etapas do processo tornou-se um fator estratégico para garantir o abastecimento do mercado brasileiro e acompanhar a evolução das exigências regulatórias.

Foi nesse contexto que a companhia consolidou sua parceria com a eComex. Há quase dez anos, a plataforma passou a centralizar a gestão das operações de importação da empresa no Brasil, conectando processos, pessoas e sistemas em uma única plataforma.

“Hoje, a eComex está no coração da nossa operação. É por meio da plataforma que monitoramos todo o fluxo das importações e mantemos a comunicação com despachantes, órgãos reguladores e sistemas governamentais. Em uma operação desse porte, garantir controle, velocidade e rastreabilidade é fundamental”, afirma Hugo Aragão, especialista de Comércio Exterior da BD.

A operação da companhia contempla cargas aéreas, marítimas e rodoviárias, distribuídas entre unidades e centros logísticos localizados em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco  e Santa Catarina. Além de abastecer o mercado brasileiro, a empresa também exporta produtos fabricados no país para mais de 20 mercados internacionais.

Busca de uma solução robusta

Ao avaliar as alternativas disponíveis no mercado, a BD buscava uma solução que acompanhasse a complexidade de sua operação global e se integrasse ao ambiente tecnológico já existente, preservando a governança dos processos.

“Por sermos uma empresa global, precisávamos de uma solução robusta, que se integrasse ao nosso ecossistema sem causar impactos relevantes nas ferramentas internas. Além disso, era essencial contar com uma plataforma que garantisse o controle da operação e a conformidade dos processos”, explica Aragão.

Atualmente, a plataforma da eComex está integrada ao SAP e aos sistemas governamentais, como Siscomex e Portal Único de Comércio Exterior (PUCOMEX), reunindo em um único ambiente a gestão das importações, documentação, licenças, custos e demais processos regulatórios. A solução também ampliou a visibilidade sobre toda a operação e reduziu atividades manuais, tornando os fluxos mais ágeis e confiáveis.

“Hoje temos mais velocidade na operação e muito mais confiança nas informações. Quando os sistemas não são integrados, é preciso replicar dados diversas vezes, aumentando o risco de erros”, destaca.

Em um setor altamente regulado como o de saúde, manter a operação aderente às constantes mudanças na legislação e nos sistemas governamentais é um desafio permanente. Nesse cenário, a evolução contínua da plataforma tem permitido à companhia acompanhar essas transformações sem comprometer a continuidade dos processos.

“A operação evolui constantemente e o ecossistema de comércio exterior também. Manter os sistemas atualizados é indispensável para garantir que os processos continuem funcionando com segurança e conformidade. A eComex tem sido uma parceira importante nessa evolução”, afirma Aragão.

Soluções inteligentes e conectadas

Ao longo da parceria, esse processo de evolução também trouxe ganhos estruturais para a gestão do comércio exterior da companhia. Com maior padronização dos processos, rastreabilidade das operações e confiabilidade das informações, a BD ampliou sua capacidade de governança e passou a sustentar o crescimento da operação com mais previsibilidade.

Para André Barros, CEO da eComex, empresas inseridas em cadeias globais e altamente reguladas precisam de tecnologia capaz de transformar a gestão do comércio exterior em um processo cada vez mais estratégico.

“Nosso compromisso é apoiar empresas como a BD na construção de operações mais inteligentes, conectadas e preparadas para acompanhar a evolução tecnológica e regulatória. Quando informação, automação e conformidade caminham juntas, o comércio exterior deixa de ser apenas uma atividade operacional e passa a gerar valor para todo o negócio.”

Com uma operação de comércio exterior altamente complexa, a BD reforça sua capacidade de atuar com mais controle, rastreabilidade e previsibilidade, consolidando uma gestão preparada para acompanhar a evolução das demandas regulatórias e do mercado.

(*) Com informações da eComex

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MPMEs brasileiras: crédito difícil, burocracia, modelo exportador concentrado são obstáculos na busca pela internacionalização

Da Redação

Brasília – Em países como a China, Itália,  Espanha, Portugal e Estados Unidos a participação das Micros, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) nas exportações oscilam entre até 55-60%, Enquanto isso, no Brasil, essas empresas respondem por apenas 0,8% do valor total exportado pelo país, apesar de representarem a imensa maioria dos negócios brasileiros. Essa baixa participação nas vendas externas é justificada, entre outros motivos pelo fato de que as MPMEs enfrentam desafios importantes, como custos logísticos elevados, necessidade de adequação a normas e certificações internacionais e dificuldades de acesso ao crédito voltado para a exportação.

Nesse cenário, afirma Gustavo Reis, analista de Acesso a Mercados do Sebrae, “o grande desafio dos próximos anos não é apenas aumentar o número de MPMEs exportadoras, mas também elevar sua participação no valor exportado, agregando mais tecnologia, inovação, diferenciação e valor aos produtos brasileiros”.

Para o especialista, “nos próximos anos, será fundamental ampliar instrumentos financeiros específicos para exportação de pequenos negócios, com processos mais simples, maior capilaridade e custos compatíveis com a realidade das micro e pequenas empresas”.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as MPMEs respondem por apenas 0,8% das exportações brasileiras, enquanto em países como a China a participação dessas empresas no valor exportado oscila entre 55% e 60¨, com um crescente protagonismo das MPMEs no total embarcado para o exterior, impulsionadas pelo comércio eletrônico e uma forte integração com as cadeias globais. No caso da Itália, essa participação se situa entre 50% e 55%, graças a um modelo baseado em distritos industriais e empresas familiares.

Panorama idêntico se registra na Espanha, onde esse grupo de empresas contribui entre 45% e 50% do valor exportado com uma forte presença nas vendas externas de manufaturas, alimentos, modas e bens industriais. Em Portugal, as MPMEs respondem por até 50% do valor exportado envolvendo produtos como têxteis, calçados, móveis, vinhos e alimentos.

Gustavo Reis credita essa baixa participação das MPMEs à forte concentração das exportações brasileiras em commodities agrícolas, minerais e produtos industriais de grande escala, setores tradicionalmente liderados por grandes empresas, embora as micro e pequenas empresas representem a imensa maioria dos negócios brasileiros.

Importância das parcerias no processo de internacionalização

Na busca de transformar essa realidade, afirma Gustavo Reis, o Sebrae atua por meio de uma ampla rede de parcerias nacionais e internacionais voltadas ao fortalecimento da competitividade e da internacionalização dos pequenos negócios.

Essas iniciativas incluem cooperação técnica com organismos multilaterais, entidades de promoção de comércio exterior, instituições de apoio empresarial e ambientes de inovação em diversos países. O objetivo é compartilhar boas práticas, gerar conhecimento, promover capacitações e facilitar conexões comerciais para empresas brasileiras.

Além das parcerias internacionais, o Sebrae trabalha de forma integrada com o governo federal , por meio da PNCE – Política Nacional da Cultura Exportadora, Ministério do Desenvolvimento e Indústria e Comércio (MDIC), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e Apex Brasil, câmaras de comércio, federações empresariais e entidades setoriais, ampliando as oportunidades de inserção das pequenas empresas em mercados estratégicos como Estados Unidos, União Europeia, China e América Latina.

Ampliar a participação dos pequenos negócios brasileiros no comércio eletrônico internacional faz parte do esforço implementado pelo Sebrae visando contribuir para uma maior internacionalização dessas empresas. Segundo Gustavo Reis, “nos últimos anos, ganharam relevância iniciativas ligadas a esse segmento, permitindo que micro e pequenas empresas alcancem consumidores e compradores em diversos países por meio de plataformas digitais e marketplaces globais. O foco do Sebrae é reduzir as barreiras de entrada e criar condições para que mais empresas possam competir internacionalmente de forma sustentável”.

A importância do acesso ao crédito pelas MPMEs

Ao contrário do que acontece nos países em que os pequenos negócios são elemento fundamental no ambiente exportador e nos quais o crédito farto e desburocratizado é elemento essencial do processo, no Brasil, o acesso ao crédito continua sendo um dos maiores desafios para as pequenas e micro e pequenas empresas.

Na percepção do analista do Sebrae, “O acesso ao crédito continua sendo um dos maiores desafios para as micro e pequenas empresas brasileiras. Exportar pode exigir investimentos em adaptação de produtos, certificações, embalagens, promoção comercial, participação em feiras, adequação regulatória e capital de giro. Muitas empresas possuem potencial exportador, mas encontram dificuldades para financiar essa etapa de crescimento. O Sebrae atua em diversas frentes para reduzir esse obstáculo. Uma delas é a orientação financeira e a preparação empresarial, ajudando os empreendedores a estruturarem melhor seus projetos e aumentarem sua capacidade de acessar recursos financeiros”.

De acordo com Gustavo Reis, “também trabalhamos na articulação com instituições financeiras, fundos garantidores, agentes de crédito e programas públicos que possam apoiar investimentos necessários à internacionalização. Um dos exemplos é o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), do Sebrae, que funciona como um aval complementar às garantias pessoais do empreendedor de pequeno porte, permitindo que consigam crédito mais facilmente junto a instituições financeiras parceiras. Outro aspecto importante é a redução de riscos. Quanto mais preparada está a empresa, maior sua capacidade de acessar financiamentos e transformar oportunidades internacionais em negócios efetivos. Por isso, crédito e capacitação precisam caminhar juntos”.

Além das parcerias internacionais, o Sebrae trabalha de forma integrada com o governo federal , por meio da PNCE – Política Nacional da Cultura Exportadora, Ministério do Desenvolvimento e Indústria e Comércio (MDIC), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e Apex Brasil, câmaras de comércio, federações empresariais e entidades setoriais, ampliando as oportunidades de inserção das pequenas empresas em mercados estratégicos como Estados Unidos, União Europeia, China e América Latina.

PEIEX, parceria ApexBrasil e Sebrae

Outro elemento relevante nesse esforço destinado a aumentar a participação dos pequenos negócios nas exportações brasileiras são as iniciativas contidas no Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), uma iniciativa da Apex Brasil e que, em alguns estados, é executado pelo Sebrae e consolidou-se como uma das principais portas de entrada para empresas que desejam iniciar sua jornada internacional.

Gustavo Reis afirma que “a maior contribuição do programa é conscientizar e preparar os empreendimentos para exportar de forma estruturada. Muitas empresas possuem produtos ou serviços com potencial internacional, mas precisam desenvolver processos, planejamento, gestão comercial, adequação de produtos e conhecimento dos mercados externos antes de realizar suas primeiras operações. Ao longo de sua trajetória, o programa contribuiu para a formação de empresas em todas as regiões do país, fortalecendo a cultura exportadora e ampliando a base de negócios preparados para atuar no mercado internacional”.

Ao concluir, o analista do Sebrae ressalta que “mais do que medir apenas a primeira exportação realizada, é importante observar a construção de capacidades permanentes dentro das empresas. O processo de internacionalização é uma jornada que exige preparação, maturação e continuidade”.

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Conheça em Congonhas (MG), o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, obra-prima de Aleijadinho e Patrimônio Mundial da Unesco

Conheça em Congonhas (MG) A cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte, destino abriga o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, famoso pelos 12 Profetas em pedra-sabão e por um dos mais importantes conjuntos do barroco brasileiro

Da Redação (*)

Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1985, o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG), reúne um dos mais importantes conjuntos artísticos e religiosos do Brasil. O complexo preserva a basílica, seis capelas que retratam a Paixão de Cristo e as famosas esculturas dos 12 Profetas, consideradas a principal obra de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

A construção do santuário começou em 1757, após uma promessa feita pelo minerador português Feliciano Mendes, que atribuiu ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos  sua recuperação de uma grave doença. Ao longo dos séculos 18 e 19, o monumento recebeu a contribuição de importantes artistas do Período Colonial, como Aleijadinho e Mestre Ataíde, tornando-se uma das maiores referências da arte barroca na América Latina.

Reconhecimento

A Unesco reconheceu o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos por representar uma das mais importantes realizações da arte barroca na América Latina. O conjunto reúne a basílica, as esculturas dos 12 Profetas em pedra-sabão e as seis capelas dos Passos da Paixão, que preservam 66 esculturas em madeira policromada (pintada em várias cores) representando os últimos momentos da vida de Jesus Cristo.

Grande parte dessas obras foi produzida por Aleijadinho entre o fim do século 18 e o início do século 19. Consideradas o ponto mais alto de sua carreira, as esculturas tornaram-se um dos principais símbolos do barroco brasileiro e foram decisivas para o reconhecimento internacional do santuário.

O que fazer

Entre os principais atrativos estão:

  • Santuário do Bom Jesus de Matosinhos: principal cartão-postal da cidade, reúne a basílica e todo o conjunto reconhecido pela Unesco.
  • 12 Profetas: esculturas em pedra-sabão, produzidas por Aleijadinho entre 1800 e 1805, consideradas uma das maiores obras da arte barroca brasileira.
  • Capelas dos Passos da Paixão: seis capelas preservam 66 esculturas em madeira policromada, que retratam cenas da Paixão de Cristo.
  • Salão dos Ex-Votos: espaço que reúne objetos deixados por fiéis em agradecimento por graças alcançadas ao longo de mais de dois séculos de devoção.
  • Museu de Congonhas: apresenta exposições sobre a história do santuário, a obra de Aleijadinho e a formação da cidade.
  • Beco dos Canudos: preserva construções do Período Colonial, que hoje abrigam lojas de artesanato em pedra-sabão, madeira, cerâmica e outros produtos típicos.

Quem tiver mais tempo também pode visitar a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a antiga Estação Ferroviária, importantes marcos da história de Congonhas.

Quando visitar

O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos pode ser visitado durante todo o ano, mas algumas celebrações tornam a experiência mais especial:

  • Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos (setembro): principal festa religiosa da cidade, reúne milhares de romeiros de diferentes estados.
  • Semana Santa: procissões, celebrações religiosas e encenações da Paixão de Cristo movimentam o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos e as igrejas históricas da cidade.
  • Corpus Christi: fiéis confeccionam tapetes ornamentais, que cobrem as ruas próximas ao santuário; tradição que integra as celebrações religiosas da data.
  • Natal: missas, concertos e apresentações culturais integram a programação de fim de ano nas igrejas e espaços históricos da cidade.

Ao longo do ano, Congonhas também promove eventos culturais, exposições e atividades ligadas ao patrimônio histórico e ao barroco mineiro.

Como chegar

Congonhas está na região Central de Minas Gerais, a cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte. Quem chega de avião pode desembarcar no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (Confins) e seguir de carro, ônibus ou traslado até o município. Para quem viaja de carro, o principal acesso é pela BR-040, rodovia que liga Belo Horizonte à cidade. Também há linhas regulares de ônibus partindo da capital mineira.

Patrimônio Mundial

A Lista do Patrimônio Mundial reúne locais reconhecidos pela Unesco por sua importância cultural, natural ou histórica para a humanidade. Os bens inscritos são considerados de Valor Universal Excepcional e passam a integrar uma relação internacional de patrimônios cuja preservação é de interesse mundial.

O Brasil possui atualmente 26 bens inscritos na lista, distribuídos entre as categorias Cultural, Natural e Mista.

(*) Com informações do MTur

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Amcham defende manutenção do diálogo de alto nível e das negociações no trato do contencioso Brasil-EUA

Da Redação (*)

Brasília – A intensificação do diálogo de alto nível e das negociações entre os governos brasileiro e americano, com o objetivo de reduzir as sobretaxas atualmente em vigor, evitar novas restrições e construir um entendimento que preserve e amplie o comércio e os investimentos bilaterais deve ser o caminho prioritário para a superação da grave crise que Brasil e Estados Unidos enfrentam em seu comércio exterior. Essa posição foi defendida pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), através de nota oficial divulgada hoje (14).

No comunicado, a Amcham Brasil informa que acompanha com atenção a decisão do governo brasileiro, divulgada em 13 de agosto, de iniciar a análise do pleito previsto na Lei da Reciprocidade Econômica em relação às medidas comerciais recentemente adotadas pelos Estados Unidos no âmbito da Seção 301 da legislação americana.

Apoio maciço do empresariado ao diálogo

Na percepção da instituição, essa posição reflete a visão predominante do setor empresarial consultado pela Amcham. Em pesquisa recente, 90,5% das empresas defenderam a intensificação do diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos, enquanto apenas 3,2% apontaram a adoção de medidas de reciprocidade como estratégia preferencial.

Ao avaliar a possibilidade de o governo brasileiro vir a utilizar os dispositivos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica em relação aos Estados Unidos, a Amcham avalia que “a abertura desse procedimento não representa, neste momento, decisão pela adoção de contramedidas pelo Brasil. O rito ordinário adotado prevê consultas diplomáticas com o governo dos Estados Unidos, análise de enquadramento e consulta pública como parte do processo prévio de avaliação.

Nesse contexto, a Amcham considera fundamental que esse procedimento seja conduzido com equilíbrio, moderação e avaliação criteriosa de seus potenciais impactos, assegurando ampla participação do setor empresarial. Ao mesmo tempo, a Amcham considera que a adoção de eventuais contramedidas deve ser evitada, diante do considerável risco de

elevar custos para empresas e consumidores, afetar cadeias produtivas e investimentos e levar a uma escalada comercial e política na relação com os Estados Unidos, reduzindo o espaço para o diálogo e tornando mais difícil alcançar uma solução negociada.

Segundo a nota, a Amcham seguirá contribuindo com o setor empresarial e com autoridades brasileiras e norte-americanas para favorecer a construção de um entendimento capaz de superar as atuais divergências e preservar uma relação econômica equilibrada, previsível e mutuamente benéfica.

(*) Com informações da Amcham

 

 

 

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Exportações brasileiras aos Estados Unidos caem 12,2% no ano; importações voltam a crescer, aponta Amcham

Produtos sujeitos às sobretaxas mais elevadas registram queda de 31,5% entre janeiro e julho; vendas brasileiras ao mercado americano somam US$ 21 bilhões

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, uma queda de 12,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas ao mercado norte-americano e levou as exportações brasileiras aos Estados Unidos ao menor nível dos últimos três anos. Os dados são da nova edição do Monitor do Comércio Brasil – Estados Unidos, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados de julho do Comexstat.

O levantamento mostra que a retração é ainda mais acentuada entre os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas (hoje entre 25% e 37,5% e antes em até 50%). No acumulado do ano, as exportações desses itens recuaram 31,5%, passando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões, queda de US$ 1,4 bilhão.

“Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Analisando apenas o mês de julho, as exportações brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% frente ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompe a recuperação observada em junho, quando as vendas haviam registrado o primeiro crescimento desde agosto do ano passado, momento em que as tarifas mais elevadas foram aplicadas.

Assim como no acumulado do ano, entre os bens submetidos às sobretaxas mais elevadas (atualmente entre 25% e 37,5%), a retração foi mais forte no mês: 25,7%. Já os produtos alcançados pela Seção 232 tiveram crescimento de 21,5%, impulsionado principalmente pelas exportações de produtos de aço e alumínio.

Entre os principais produtos com quedas mais elevadas no acumulado do ano – e sujeitas às sobretaxas mais elevadas – estão: sebo de bovinos, madeiras compensadas, portas, fumo, madeira de coníferas, granitos, torneiras e sucos de frutas. Além desses, produtos sujeitos à Seção 232 com semimanufaturas de ferro e aço seguem em queda.

Do lado das importações, julho marcou uma mudança de trajetória. Depois de sete meses consecutivos de retração, as compras brasileiras de produtos norte-americanos cresceram, ainda que de maneira tímida (em 0,6%), alcançando US$ 4,3 bilhões.

Com exportações em queda e importações praticamente estáveis no mês, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões no comércio com os Estados Unidos em julho. No acumulado de janeiro a julho, o déficit brasileiro chegou a US$ 2,3 bilhões, alta de 122,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Exportações aos Estados Unidos têm desempenho inferior ao restante do mundo

O Monitor também mostra uma diferença relevante entre o desempenho das vendas brasileiras aos Estados Unidos e para os demais mercados.

Enquanto as exportações aos Estados Unidos recuaram 12,2%, as exportações totais do Brasil ao mundo cresceram 10,5% entre janeiro e julho. Apesar da queda, os Estados Unidos permanecem como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.

Entre os dez principais produtos exportados aos Estados Unidos no acumulado do ano, quatro apresentaram retração no mercado norte-americano ao mesmo tempo em que avançaram nas vendas para o restante do mundo. É o caso de óleos brutos de petróleo (-25,5% para os Estados Unidos), semimanufaturados de ferro ou aço (-11,1%), ferro-gusa (-7,9%) e celulose (-5,3%).

Entre os principais produtos sobretaxados, o movimento também chama atenção: cinco dos dez itens mais exportados aos Estados Unidos registraram queda no acumulado do ano, enquanto todos esses produtos apresentaram crescimento nas vendas para o restante do mundo.

Principais números | Janeiro a julho de 2026

– Exportações Brasil → Estados Unidos: US$ 21,0 bilhões | -12,2%
– Importações Estados Unidos→ Brasil: US$ 23,2 bilhões | -10,4%
– Déficit brasileiro: US$ 2,3 bilhões | +122,3%
– Bens sem sobretaxa: US$ 11,1 bilhões | -9,7%
– Bens com sobretaxa: US$ 9,8 bilhões | -14,4%
– Produtos sujeitos a sobretaxas de 25% a 37,5%: US$ 3,2 bilhões | -31,5%

As análises do Monitor consideram a estrutura tarifária vigente após as medidas que entraram em vigor em 22 e 24 de julho, relacionadas às investigações da Seção 301 sobre o Brasil e sobre trabalho forçado, além das sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 232.

(*) Com informações da Amcham

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Fluxo turístico China-Europa tem aumento expressivo em ambas as direções com política chinesa de isenção unilateral de vistos

Da Redação (*)

Brasília – Sob a política chinesa de isenção unilateral de vistos, viajantes de países como França, Alemanha e Itália podem permanecer no país por até 30 dias. Mais de 30 países europeus têm acesso à China sem necessidade de visto.

Graças a essa política, a China registrou 17,8 milhões de entradas de cidadãos estrangeiros, europeus e pessoas de outras regiões, sem visto no primeiro semestre de 2026, um aumento de 30,6% em relação ao ano anterior, segundo a Administração Nacional de Imigração.

Durante uma viagem de quase três semanas por Beijing, Shanghai e pela província de Yunnan, no sudoeste da China, o blogueiro de viagens alemão Sorin Liviu Jurj descobriu que um passaporte e um smartphone eram tudo o que ele precisava para aproveitar grande parte do que a China tinha a oferecer.

“Na China, seu telefone não é apenas um telefone. Ele é sua carteira, mapa, tradutor, ferramenta para chamar táxi, comprar ingressos e um dispositivo de comunicação”, escreveu ele em um guia de viagem publicado em maio. “A China foi um dos países mais descomplicados, modernos e surpreendentes que já visitei”.

Jurj faz parte de um fluxo crescente de viajantes europeus que se dirigem à China neste verão. Dados da plataforma chinesa de viagens Trip.com mostram que as reservas feitas por europeus para atrações turísticas aumentaram mais de 20 vezes em relação ao ano anterior.

O crescimento das viagens entre China e Europa não é unidirecional. Turistas chineses também estão viajando cada vez mais para a Europa, atraídos por suas cidades históricas, experiências culturais e eventos esportivos e culturais de grande destaque.

Isenção de vistos torna a China mais acessível aos europeus

Para viajantes como Jurj, um processo de entrada mais simples é parte do que tornou a China mais acessível. Sob a política chinesa de isenção unilateral de vistos, viajantes de países como França, Alemanha e Itália podem permanecer no país por até 30 dias. Mais de 30 países europeus têm acesso à China sem necessidade de visto.

Graças a essa política, a China registrou 17,8 milhões de entradas de cidadãos estrangeiros, europeus e pessoas de outras regiões, sem visto no primeiro semestre de 2026, um aumento de 30,6% em relação ao ano anterior, segundo a Administração Nacional de Imigração.

As companhias aéreas também observaram uma demanda crescente de viajantes internacionais. Na rota Shanghai-Atenas da Juneyao Air, passageiros estrangeiros representaram 32% do tráfego até agora neste ano. Ji Hao, gerente-geral da filial grega da companhia aérea, disse que a rota transportou 21.694 passageiros estrangeiros até 5 de agosto, quase igualando o total de todo o ano passado.

A conectividade aérea também se expandiu em outras rotas, com a Air China aumentando seu serviço Beijing-Varsóvia de quatro voos semanais para uma operação diária a partir de 12 de abril.

Fluxo de turistas chineses para a Europa cresce 28% em 2026

Enquanto isso, as viagens da China para a Europa registram um crescimento expressivo. Após a vitória da Espanha na Copa do Mundo neste verão, a plataforma de viagens chinesa Qunar observou um aumento repentino no interesse por destinos espanhóis, com as buscas por voos Shenzhen-Barcelona disparando 33 vezes em apenas uma hora.

Um relatório da Comissão Europeia de Viagens, divulgado no início deste ano, projetou que o número de chegadas de chineses à Europa aumentaria 28% em relação ao ano anterior em 2026.

Dados do Escritório de Estatísticas da República da Sérvia mostraram que visitantes chineses registraram 85.025 pernoites no país nos primeiros três meses de 2026, tornando a China um dos principais mercados de turismo receptivo da Sérvia.

Marija Labovic, CEO da Organização Nacional de Turismo da Sérvia, disse que os turistas chineses estão indo cada vez mais além das compras e da visitação de pontos turísticos famosos, buscando experiências mais personalizadas com o cotidiano local.

“Há uma mudança clara em direção a viagens focadas na vivência do destino e em sua autenticidade”, disse ela.

Essa mudança também é visível em outras partes da Europa. A China foi o principal mercado emissor asiático de turistas para a Polônia em maio, com 12.551 turistas chineses hospedados em estabelecimentos com pelo menos 10 leitos e totalizando 23.062 diárias no país, segundo estatísticas oficiais.

Laços comerciais em franca expansão

Além dos gastos com turismo, o aumento das viagens entre a China e a Europa também está remodelando os pagamentos transfronteiriços e a cooperação empresarial.

Em fevereiro, a Comissão Europeia de Viagens, a Mastercard e o Banco Industrial e Comercial da China lançaram um cartão de crédito de marca compartilhada, projetado para facilitar pagamentos de transporte, hospedagem, alimentação e experiências culturais para viajantes chineses que visitam a Europa.

“A China continua sendo um dos mercados emissores de longa distância mais importantes para a Europa”, disse o diretor-executivo da Comissão Europeia de Viagens, Eduardo Santander, destacando que o cartão fortalecerá “a ponte Europa-China, apoiando viagens mais sustentáveis ​​e benefícios tangíveis para as economias e comunidades locais”.

A cooperação também está se intensificando no setor hoteleiro. Em junho, o grupo hoteleiro francês Accor e o chinês H World Group anunciaram a expansão da cooperação entre suas plataformas de reserva direta e de fidelidade na China, na Europa e no Oriente Médio, proporcionando aos membros acesso a mais hotéis e estabelecimentos, tarifas exclusivas e outros benefícios.

Santander disse que o turismo entre a China e a Europa deverá se desenvolver ainda mais. “A prioridade é garantir um acesso mais fácil, oferecer um produto turístico mais diversificado e focado em experiências, e proporcionar uma experiência acolhedora e integrada aos visitantes”.

(*) Com informações da Agência Xinhua

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Brasil se consolida como principal destino das exportações de veículos de nova energia (NEVs) da China

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil se tornou o maior destino das exportações de veículos de nova energia (NEVs) da China e o segundo maior mercado das exportações totais de veículos do país no primeiro semestre de 2026, de acordo com dados industriais.

Impulsionadas tanto pela estratégia de localização quanto pela competitividade dos produtos, as montadoras chinesas têm alcançado um aumento constante nas vendas no mercado brasileiro, delineando uma trajetória de evolução que vai da “exportação de produtos” à “expansão internacional da indústria” e, por fim, ao “enraizamento do ecossistema”.

O Brasil está se tornando um mercado fundamental para as exportações automotivas da China e a cooperação na área de veículos de nova energia passou a ser um destaque nas relações comerciais bilaterais.

Entre janeiro e junho deste ano, as exportações acumuladas de veículos de nova energia da China totalizaram 2,42 milhões de unidades, um aumento anual de 70%, de acordo com dados recém-divulgados pela Associação de Carros de Passageiros da China (CPCA, sigla em inglês).

As exportações de NEVs para o mercado brasileiro chegaram a 299.803 unidades nos primeiros seis meses, subindo 158% em relação ao mesmo período do ano passado. Isso contribuiu diretamente para que o Brasil substituísse a Bélgica como o maior mercado de exportação de veículos de nova energia da China.

O avanço constante na localização da produção, com a implantação de fábricas pelas montadoras chinesas, foi um fator importante para o aumento acentuado das exportações ao Brasil, disse Cui Dongshu, secretário-geral da CPCA.

Considerando o volume total das exportações automotivas da China, o Brasil ocupou o segundo lugar de janeiro a junho, com 410.825 veículos, ficando atrás apenas da Rússia, com 448.157 veículos. Já em 2025, o Brasil ficou na quinta posição desse ranking.

Segundo Cui, os principais impulsionadores do crescimento das exportações deste ano continuam sendo os altos preços do petróleo, o aumento da competitividade dos produtos chineses e o crescimento contínuo da demanda dos países do Sul Global.

Atualização da lógica de localização

Diferentemente da exportação tradicional de veículos completos, cada vez mais montadoras chinesas construíram fábricas no Brasil, integrando a cadeia industrial ao mercado local e acelerando seu posicionamento industrial sistemático no país.

Em março de 2024, a BYD iniciou oficialmente as obras do complexo da fábrica de veículos elétricos em Camaçari, no estado da Bahia, a primeira planta da marca fora da Ásia destinada à produção de automóveis. Em 16 de julho deste ano, o 100 milésimo veículo de nova energia saiu oficialmente da linha de produção nessa fábrica e o número de funcionários em atividade na fábrica atingiu 5.500 pessoas.

A Great Wall Motor (GWM) inaugurou em agosto de 2025 sua primeira fábrica no continente americano em Iracemápolis, no estado de São Paulo, a primeira planta da marca no Hemisfério Sul e a terceira de produção de veículos completos fora da China. Em fevereiro deste ano, a GWM fechou um acordo com o governo do Espírito Santo sobre sua segunda fábrica no país, acelerando sua presença industrial local.

Também em novembro do ano passado, a Renault da França e a Geely da China anunciaram o investimento de R$ 3,8 bilhões (US$ 751,03 milhões) no estado do Paraná, onde as duas montadoras estabeleceram uma parceria local para a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de NEVs, entre outros.

“Não nos limitamos a vender e fabricar carros, estamos comprometidos em trazer tecnologias, empregos, cadeia industrial e ecossistema, integrando-nos plenamente ao desenvolvimento local”, destacou Tyler Li, presidente da BYD Brasil.

Por meio da promoção contínua da produção localizada e do aperfeiçoamento da rede de vendas, o Brasil poderá oferecer um importante apoio à expansão das marcas automotivas chinesas para os mercados da América do Sul, observou Liu Yan, especialista da Aliança para a Inovação e o Desenvolvimento Internacional das Montadoras Chinesas.

Coexistência de oportunidades e desafios

Os veículos de nova energia da China atendem à demanda do povo brasileiro por mobilidade ecológica, enquanto o mercado desses carros no Brasil apresenta tanto oportunidades quanto desafios.

Desde 2024, o governo brasileiro vem retomando a cobrança do imposto de importação sobre carros elétricos e híbridos em quatro etapas. Conforme o cronograma, todos os veículos eletrificados importados pagariam uma tarifa máxima de 35% a partir de 1º de julho de 2026.

Segundo a decisão recente do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), os veículos eletrificados semidesmontados (SKD) terão a tarifa de importação de 35% a partir de julho e os modelos desmontados (CKD) continuarão com a alíquota reduzida de 14% até o fim de 2026, passando também para 35% em janeiro de 2027.

Quanto aos dados de junho, o crescimento anual dos NEVs vendidos pelas marcas chinesas no mercado brasileiro caiu para 2%, enquanto países como a Bélgica e o Reino Unido registraram aumentos superiores a 100%.

Liu Yan afirmou que, diante do complexo cenário internacional, o modelo que depende exclusivamente da exportação de produtos é insustentável. Buscar novos mercados, construir um ecossistema industrial e reformular a identidade da marca estão se tornando os três principais pilares estratégicos para que a indústria automotiva chinesa supere os desafios da expansão internacional.

Carlos Augusto Serra Roma, diretor técnico da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), disse que a China possui escala industrial, expertise tecnológica e capacidade de investimento em tecnologias verdes, e o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com enorme potencial nas áreas de biocombustíveis, minerais críticos, agricultura sustentável e indústria verde.

A combinação dessas vantagens gerou oportunidades de cooperação históricas, que não apenas beneficiam o Brasil e a China, mas também contribuem de forma concreta para a descarbonização global, de acordo com Roma.

(*) Com informações da Agência Xinhua

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