DUIMP e Reforma Tributária: obrigação ou oportunidade?

Renato Figueiredo (*)

Atuando no Comex há 14 anos, algumas coisas não mudaram. Desde o início do projeto Sped, NF-e, DUE, DUIMP e agora Reforma Tributária, sempre que pergunto para a maioria das empresas com as quais converso: como estão as coisas? Como estão os projetos? As respostas são as mesmas: um caos, corrido demais, tendo que atender às novas “mudanças legais”. Destaco o termo “mudanças legais” porque é a forma com que as empresas encaram estes projetos.

Na verdade, vivemos a maior oportunidade para alavancar resultados, reduzir custos e aumentar margem está acontecendo agora, e muitas empresas ainda não se deram conta disso. Tratam destes temas apenas como mais obrigações legais que têm que cumprir.

Durante décadas, o comércio exterior foi tratado dentro das empresas como uma área essencialmente operacional. Seu papel era garantir conformidade, atender exigências governamentais, cumprir prazos e reduzir riscos aduaneiros. Isso é passado. O comércio exterior moderno ocupa uma posição muito mais relevante dentro da estratégia corporativa. Em um cenário de pressão por eficiência, aumento da competitividade global e necessidade constante de ganho de produtividade, ele se tornou uma fonte direta de geração de valor, impacto financeiro e vantagem competitiva.

As empresas que ainda enxergam mudanças como DUIMP e Reforma Tributária apenas como novas obrigações regulatórias estão perdendo a principal mensagem por trás dessa transformação. Estamos vivendo uma das maiores jornadas de simplificação da história do comércio exterior brasileiro.

Conformidade não é diferencial, não é opcional, é OBRIGAÇÃO

Ao surgirem novos requisitos regulatórios, grande parte da energia é direcionada apenas para garantir que a empresa continue cumprindo essas obrigações legais. Se você resolveu descer para o play e jogar esse jogo, conformidade é o mínimo que sua empresa tem que entregar. Para o Radar, há leis e requisitos mínimos que devem ser cumpridos. Para ter um benefício fiscal, a utilização de algum Regime Aduaneiro Especial ou certificações como OEA, seja qual for, há regras, leis e requisitos próprios. Cumpri-los é requisito, não opção.

Toda empresa que importa ou exporta precisa atender às exigências regulatórias. Isso não gera vantagem competitiva. Apenas permite que ela comece ou continue a operar. O diferencial surge quando a organização utiliza os movimentos de transformação regulatória como oportunidade para repensar processos, eliminar atividades manuais, integrar informações e construir uma operação mais eficiente e inteligente.

A janela de simplificação precisa ser aproveitada

Projetos como o PUCOMEX e a DUIMP representam uma mudança estrutural na forma como o Brasil realiza operações de comércio exterior. A proposta do Portal Único é simplificar processos, reduzir redundâncias, integrar órgãos governamentais, padronizar informações e aumentar a eficiência da cadeia logística e aduaneira. Não estamos falando apenas de substituir sistemas ou trocar documentos. Estamos falando da possibilidade de revisar processos que, em muitos casos, permanecem praticamente inalterados há décadas.

Saímos de um cenário de documentos, processos e fiscalização para um cenário de dados, processos e documentos. Essa é uma oportunidade para que as empresas automatizem atividades repetitivas, eliminem controles paralelos em planilhas, estruturem dados com qualidade, utilizem inteligência para tomada de decisão, reduzam custos operacionais, aumentem previsibilidade e governança e usem de forma inteligente estratégias fiscais e tributárias.

As companhias que aproveitarem esse momento para transformar seus processos sairão da transição mais fortes do que entraram.

O impacto não está apenas na operação, mas na margem

Muitas lideranças ainda associam comércio exterior exclusivamente à movimentação física de mercadorias. Não faltar estoque, não faltar matéria-prima que atrase uma linha de produção ou não deixar faltar estoque para venda e distribuição são as prioridades. Mas, na prática, uma gestão moderna da área influencia diretamente indicadores financeiros da companhia.

Ganhos de eficiência operacional, correta utilização de regimes aduaneiros, melhor gestão tributária, redução de retrabalho, aumento da produtividade das equipes e maior visibilidade sobre custos logísticos podem representar impactos significativos na rentabilidade do negócio.

Ainda vejo empresas com custos altos com demurrage e armazenagem, sendo penalizadas com multas pela simples falta de documentos ou erros de digitação e ainda empresas que estão no Brasil com suas margens sendo consumidas por negociações globais, como frete, para ficar apenas em um exemplo. A sua operação de Comex pode impactar diretamente a margem da sua companhia.

Reforma Tributária e DUIMP fazem parte da mesma visão de futuro

Outro ponto importante é compreender que Reforma Tributária e Portal Único não são iniciativas isoladas. Ambas fazem parte de um movimento muito maior de modernização do ambiente de negócios brasileiro.

A Reforma Tributária busca simplificar o sistema tributário nacional, reduzir complexidades históricas e aumentar a previsibilidade para empresas. A nova estrutura baseada em CBS e IBS foi concebida justamente para criar um ambiente mais simples e eficiente. Imaginem: leis e impostos federais, 27 unidades federativas e quase 6 mil municípios com legislação própria que serão substituídas por uma única legislação, Lei Complementar 214/2025.

Da mesma forma, a DUIMP foi criada para simplificar operações, integrar informações e aumentar a eficiência dos processos de importação. É uma iniciativa brasileira, mas faz parte de um movimento global de modernização e facilitação do comércio exterior baseado no conceito Single Window (Janela Única de Comércio Exterior), promovido por organismos como OMA/WCO. Detalhe: o Brasil tem sido protagonista em todo esse processo.

Sob uma perspectiva estratégica, os dois movimentos apontam para a mesma direção: mais simplicidade, mais transparência, mais produtividade e mais competitividade para as empresas brasileiras. Por isso, é um erro encará-los apenas como exigências legais. Eles são, na verdade, instrumentos de transformação.

Inovar não pode esperar o fim da transição

Muitas empresas estão adiando investimentos em automação, inteligência de dados e modernização tecnológica porque estão concentradas exclusivamente em atender aos cronogramas das novas regulamentações. Estão caindo em uma armadilha, pior, criada por elas mesmas. A transformação regulatória não deve interromper a inovação, mas acelerá-la.

As organizações mais bem-sucedidas serão justamente aquelas que utilizarão esse período para construir processos digitais, integrar áreas, elevar a qualidade dos dados e criar uma operação preparada para os próximos anos. Quem esperar a transição terminar para iniciar sua transformação provavelmente chegará atrasado.

Um projeto para as empresas e para o Brasil

O verdadeiro significado do Portal Único, da DUIMP e da Reforma Tributária são iniciativas concebidas para simplificar o ambiente de negócios, reduzir burocracias históricas e aproximar o Brasil das melhores práticas internacionais. O sucesso desses projetos beneficia simultaneamente empresas, governo e sociedade.

Empresas tornam-se mais competitivas, o comércio exterior ganha eficiência e o país reduz barreiras operacionais e fortalece sua inserção global.

Por isso, talvez a principal pergunta que os executivos deveriam fazer neste momento não seja se suas empresas estarão preparadas para atender às novas exigências. A pergunta correta é: Como minha empresa pretende aproveitar a maior oportunidade de transformação e simplificação do comércio exterior brasileiro das últimas décadas?

(*) Renato Figueiredo, Diretor Comercial eComex

 

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Internacionalização de empresas: capacitação irá preparar startups e MPE para o mercado exterior

Sebrae desmistifica a internacionalização de pequenos negócios, com trilhas completas que incluem consultorias especializadas e rodadas de negócios

Da Redação (*)

Brasília – Os pequenos negócios representam atualmente cerca de 40% das empresas brasileiras que exportam. Para incentivar o crescimento dessa participação, o Sebrae oferece uma jornada completa para apoiar micro e pequenas empresas (MPE) e startups a ampliarem as vendas para outros países. Por meio do Programa de Internacionalização de Pequenos Negócios, MPE e startups são capacitadas para disputarem espaço no mercado global, promovendo inovação, geração de empregos e ganho de competitividade dentro e fora do Brasil.

“Exportar não é um privilégio apenas de grandes empresas. O mercado global está aberto à inovação, à sustentabilidade e à qualidade dos produtos e serviços dos pequenos negócios brasileiros”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares. Ele cita como exemplo a Hannover Messe 2026, considerada a mais importante feira de tecnologia industrial no mundo, realizada na Alemanha entre 20 e 24 de abril. A comitiva brasileira registrou a participação de mais de 300 empresas, das quais 190 MPE e startups apoiadas pelo Sebrae.

“Nós conseguimos abrir nos últimos anos, graças à atuação do governo federal e da ApexBrasil, cerca de 657 novos mercados. Quando uma MPE cruza as fronteiras, ela ganha maturidade, melhora seus processos e se torna muito mais competitiva no mercado interno, além de novos clientes em outros países”, diz Soares.

Ações do Sebrae como o Programa de Internacionalização de Pequenos Negócios têm o propósito, segundo Rodrigo Soares, de provar que a internacionalização é um caminho viável, seguro e transformador para o empreendedor.

Da sensibilização à consolidação

Para guiar os empresários nesse desafio, o Sebrae estruturou a Jornada de Exportação dos

Pequenos Negócios, um caminho dividido em sete etapas personalizadas de acordo com a maturidade de cada empreendimento:

  1. Sensibilização e engajamento:Mapeamento e conscientização do empresário de que o mercado externo é uma oportunidade real, por meio de capacitações, eventos com especialistas, webinars e cases de sucesso.
  2. Diagnóstico e estratégia :Avaliação do potencial exportador da empresa, inteligência de mercado e elaboração do plano de exportação, com apoio do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), em parceria com a ApexBrasil.
  3. Adequação do negócio: Apoio para certificações, ajuste de produtos, rótulos, embalagens, materiais promocionais em outros idiomas e preços para exigências internacionais, com suporte de soluções como o Sebraetec.
  4. Preparação comercial: Treinamento em comércio exterior, apoio na construção de estratégias, simulação de negociações e desenvolvimento de pitch comercial para compradores estrangeiros.
  5. Acesso a mercados: Conexão direta com clientes globais por meio de missões empresariais, feiras internacionais e rodadas de negócios.
  6. Exportação digital: Capacitação para atuação em e-commerce cross-border, marketplaces globais e estratégias de marketing digital internacional.
  7. Consolidação e crescimento: Acompanhamento da jornada exportadora e fornecimento de inteligência de mercado para que a presença no exterior se transforme em um canal contínuo de receita.

Como participar

Empresários interessados em avaliar o potencial exportador do seu negócio e iniciar a Jornada de Exportação podem procurar os canais de atendimento do Sebrae (0800 570 0800), os pontos de atendimento da instituição nos estados ou consultar os cursos sobre exportação na plataforma oficial da instituição.

(*) Com informações da Agência Sebrae de Notícias

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Canadá impõe sobretaxa de 25% sobre importações de móveis de madeira; medita afeta exportações brasileiras

Medida provisória de salvaguarda está em vigor desde 31 de julho e afeta produtos brasileiros enquadrados nos códigos tarifários abrangidos

Da Redação (*)

Brasília – O Governo do Canadá aplicou uma tarifa provisória de salvaguarda de 25% sobre as importações de determinados armários e gabinetes de madeira e seus subcomponentes. A medida entrou em vigor em 31 de julho de 2026 e poderá permanecer válida por até 200 dias.

Como o Brasil não integra a lista de países isentos, as importações canadenses dos produtos brasileiros enquadrados nos códigos tarifários afetados também passam a estar sujeitas à sobretaxa.

A medida reduz a competitividade de preço do mobiliário brasileiro no mercado canadense. Segundo o Ministério das Finanças do Canadá, a decisão busca conter possíveis desvios de comércio e proteger os fabricantes locais enquanto prossegue o inquérito de salvaguarda.

Próximos passos

O Tribunal Canadense de Comércio Internacional (Canadian International Trade Tribunal — CITT) será responsável pela condução do inquérito e deverá apresentar seu relatório final até 15 de janeiro de 2027.

Caso o Tribunal conclua que as importações não causam danos à indústria local, a sobretaxa será encerrada imediatamente. Se houver uma conclusão favorável à existência de dano, a tarifa poderá ser convertida em medida definitiva.

A Abimóvel, junto à equipe técnica da BMJ – Consultores Associados, acompanha os desdobramentos do processo e seus possíveis impactos sobre as exportações brasileiras do setor moveleiro.

(*) Com informações da Abimóvel

 

 

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Exportações brasileiras aos Estados Unidos caem 12,2% no ano e déficit da balança comercial cresce 122,3%, aponta Amcham

Produtos sujeitos às sobretaxas mais elevadas registram queda de 31,5% entre janeiro e julho; vendas brasileiras ao mercado americano somam US$ 21 bilhões

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, uma queda de 12,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas ao mercado norte-americano e levou as exportações brasileiras aos Estados Unidos ao menor nível dos últimos três anos. Os dados são da nova edição do Monitor do Comércio Brasil – Estados Unidos, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados de julho do Comexstat.

O levantamento mostra que a retração é ainda mais acentuada entre os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas (hoje entre 25% e 37,5% e antes em até 50%). No acumulado do ano, as exportações desses itens recuaram 31,5%, passando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões, queda de US$ 1,4 bilhão.

“Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Exportações caem 5% em julho com efeito das sobretaxas

Analisando apenas o mês de julho, as exportações brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% frente ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompe a recuperação observada em junho, quando as vendas haviam registrado o primeiro crescimento desde agosto do ano passado, momento em que as tarifas mais elevadas foram aplicadas.

Assim como no acumulado do ano, entre os bens submetidos às sobretaxas mais elevadas (atualmente entre 25% e 37,5%), a retração foi mais forte no mês: 25,7%. Já os produtos alcançados pela Seção 232 tiveram crescimento de 21,5%, impulsionado principalmente pelas exportações de produtos de aço e alumínio.

Entre os principais produtos com quedas mais elevadas no acumulado do ano – e sujeitas às sobretaxas mais elevadas – estão: sebo de bovinos, madeiras compensadas, portas, fumo, madeira de coníferas, granitos, torneiras e sucos de frutas. Além desses, produtos sujeitos à Seção 232 com semimanufaturas de ferro e aço seguem em queda.

Do lado das importações, julho marcou uma mudança de trajetória. Depois de sete meses consecutivos de retração, as compras brasileiras de produtos norte-americanos cresceram, ainda que de maneira tímida (em 0,6%), alcançando US$ 4,3 bilhões.

 

Com exportações em queda e importações praticamente estáveis no mês, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões no comércio com os Estados Unidos em julho. No acumulado de janeiro a julho, o déficit brasileiro chegou a US$ 2,3 bilhões, alta de 122,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Exportações aos Estados Unidos têm desempenho inferior ao restante do mundo

O Monitor também mostra uma diferença relevante entre o desempenho das vendas brasileiras aos Estados Unidos e para os demais mercados.

Enquanto as exportações aos Estados Unidos recuaram 12,2%, as exportações totais do Brasil ao mundo cresceram 10,5% entre janeiro e julho. Apesar da queda, os Estados Unidos permanecem como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.

Entre os dez principais produtos exportados aos Estados Unidos no acumulado do ano, quatro apresentaram retração no mercado americano ao mesmo tempo em que avançaram nas vendas para o restante do mundo. É o caso de óleos brutos de petróleo (-25,5% para os Estados Unidos), semimanufaturados de ferro ou aço (-11,1%), ferro-gusa (-7,9%) e celulose (-5,3%).

Entre os principais produtos sobretaxados, o movimento também chama atenção: cinco dos dez itens mais exportados aos Estados Unidos registraram queda no acumulado do ano, enquanto todos esses produtos apresentaram crescimento nas vendas para o restante do mundo.

Principais números | Janeiro a julho de 2026

– Exportações Brasil → Estados Unidos: US$ 21,0 bilhões | -12,2%
– Importações Estados Unidos→ Brasil: US$ 23,2 bilhões | -10,4%
– Déficit brasileiro: US$ 2,3 bilhões | +122,3%
– Bens sem sobretaxa: US$ 11,1 bilhões | -9,7%
– Bens com sobretaxa: US$ 9,8 bilhões | -14,4%
– Produtos sujeitos a sobretaxas de 25% a 37,5%: US$ 3,2 bilhões | -31,5%

As análises do Monitor consideram a estrutura tarifária vigente após as medidas que entraram em vigor em 22 e 24 de julho, relacionadas às investigações da Seção 301 sobre o Brasil e sobre trabalho forçado, além das sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 232.

(*) Com informações da Amcham Brasil 
 

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O avanço da IA e os limites da humanidade

Ives Gandra da Silva Martins (*)

O empresário Elon Musk declarou recentemente que, em até cinco anos, a inteligência artificial ultrapassará a capacidade humana. Por enquanto, prevalece a impressão de que dominamos a tecnologia e de que ela só pode fazer aquilo que o homem programa, pautando-se por relações lógicas, matemáticas e físicas. Trata-se, afinal, de um sistema projetado para processar, com extrema rapidez, soluções que a mente humana tem dificuldade de alcançar.

O dado que mais impressiona — e que justifica a observação de Musk — é o ritmo vertiginoso dessa evolução. Não nos referimos apenas ao aumento do poder computacional, mas a uma mudança qualitativa: quando a computação deixa de ser mera ferramenta de cálculo para se tornar um agente decisório autônomo, a discussão ultrapassa a engenharia e alcança a dimensão ético-existencial.

Essa aceleração não se restringe apenas ao aumento do poder de processamento computacional, mas indica uma mudança qualitativa na própria forma como a tecnologia interfere na realidade. Quando a computação deixa de ser uma mera ferramenta de cálculo para se tornar um agente decisório autônomo, a discussão ultrapassa a engenharia e alcança a dimensão ético-existencial do próprio ser humano.

Em sua encíclica “Magnifica Humanitas”, o Papa Leão XIV já apontou a importância e os riscos da transformação social pela tecnologia. Ele demonstrou que esses sistemas evoluem continuamente. A inteligência artificial é mais rápida no trabalho, não faz greves nem gera encargos sociais. Seus alertas éticos mostram que corremos riscos gravíssimos se não houver cautela, pois a substituição da mão de obra humana pela eficiência produtiva da máquina pode gerar impactos sociais irreparáveis. Configura-se, assim, um dilema em que o lucro econômico imediato e a eficiência algorítmica atropelam a dignidade do trabalho e a coesão social.

No momento em que alcançarmos integrações também de natureza química — na mesma velocidade em que hoje ocorrem as de natureza digital —, haverá ainda mais motivos para preocupação. Afinal, a aceleração com que a inteligência artificial ganha terreno, conquista novos campos e consolida estruturas é impressionante.

Trata-se do ponto em que a tecnologia deixa de interagir apenas com circuitos de silício para se conectar diretamente com a biologia e com os processos neuroquímicos do cérebro humano. Ao atingirmos integrações de natureza química – na mesma velocidade em que hoje ocorrem as de ordem digital —, essa fronteira híbrida, embora promissora para a medicina e a biotecnologia, abrirá precedentes inéditos sobre o controle do comportamento e a manipulação da própria consciência. É por essa razão que os alertas sobre a velocidade com que a inteligência artificial ganha terreno e consolida estruturas se tornam tão urgentes.

Vale a pena recordar que o escritor e filósofo Umberto Eco, no final do século passado — quando a inteligência artificial consistia apenas em computadores mais rápidos na solução de determinados problemas —, já dizia que essa celeridade tornaria o homem descartável no futuro.

A discussão, portanto, ultrapassa os limites da tecnologia: o problema não está apenas no que as máquinas serão capazes de fazer, mas no que deixaremos de exigir do ser humano. Se a eficiência e a rapidez passarem a ser critérios suficientes para determinar o valor de uma atividade, corremos o risco de medir o homem pelos mesmos parâmetros que utilizamos para avaliar uma máquina.

O trabalho, entretanto, não representa apenas uma forma de produzir riqueza. Ele também participa da construção da identidade, da autonomia e do sentimento de pertencimento do indivíduo à sociedade. A substituição crescente do trabalho humano pela tecnologia, portanto, pode produzir consequências que vão muito além da economia: poderá atingir a própria percepção que o homem tem de sua utilidade e de seu lugar no mundo.

Por outro lado, em suas diretrizes éticas, o Papa Leão XIV, em sua encíclica, alerta que corremos riscos gravíssimos de ordem social se não houver cautela. Afinal, a substituição da mão de obra humana pela eficiência produtiva da inteligência artificial pode gerar grandes e irreparáveis impactos na vida humana.

Essa transformação alcança também atividades intelectuais que sempre dependeram do discernimento humano. No Direito, por exemplo, a inteligência artificial já pode realizar, em segundos, pesquisas e cruzamentos de informações que exigiriam horas de trabalho. Mas a decisão jurídica não se resume à localização da norma ou do precedente mais adequado. Interpretar, ponderar valores, avaliar circunstâncias concretas e assumir a responsabilidade pelas consequências de uma decisão são atividades que não podem ser reduzidas à velocidade de processamento de uma máquina. Quanto maior for a capacidade da inteligência artificial, portanto, maior será a necessidade de preservar a responsabilidade humana sobre aquilo que não pode ser decidido apenas pela eficiência.

Precisamos decidir quais limites jurídicos, econômicos e éticos serão impostos à inteligência artificial antes que a capacidade tecnológica determine, por si mesma, o nosso papel na sociedade. A previsão de Elon Musk – vinda de quem enriqueceu ao explorar o avanço tecnológico — deve servir como um alarme definitivo. Se não nos prepararmos  para impor balizas à automação, arriscamo-nos a caminhar para cenários de profunda desumanização, onde a ficção retratada em produções como no filme “O Exterminador do Futuro” deixará de ser um aviso distante para se tornar a nossa realidade.

(*) Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de S. Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

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Embraer bate recorde de receita no 2º. trimestre com R$ 11,3 bilhões em vendas e entrega de 65 aeronaves

Da Redação (*)

Brasília – A Embraer, uma das líderes globais da indústria aeroespacial, registrou R$ 11,3 bilhões em receitas no segundo trimestre de 2026 (2T26), estabelecendo novo recorde para o período abril-junho. Na comparação com um ano atrás, o crescimento foi de 10%.

No resultado consolidado, a Embraer atingiu R$ 1,5 bilhão no EBIT ajustado, com margem de 13,4% no 2T26. Já o fluxo de caixa livre ajustado sem Eve foi de R$ 2 bilhões no trimestre, refletindo o forte desempenho operacional da empresa, entradas de caixa relacionadas a vendas e um crédito tributário extraordinário.

O crédito tributário, a isenção de tarifas e a melhora de perspectiva nos negócios fizeram a companhia elevar suas projeções para o ano como um todo. A partir de agora, as perspectivas para o fechamento de 2026 são de margem EBIT ajustada entre 10% e 10,6% (acima da faixa anterior de 8,7% a 9,3%) e fluxo de caixa livre ajustado sem Eve de US$ 400 milhões ou maior (acima da estimativa anterior de US$ 200 milhões ou maior).

Durante o 2T26, também houve crescimento no lucro líquido ajustado, que chegou a R$ 1,1 bilhão (no mesmo trimestre de 2025, era de R$ 890,3 milhões). Houve aumento expressivo nas métricas de retorno para investidores, com lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 1 bilhão e lucro líquido por ação de R$ 1,5161 (um ano antes, os valores estavam em R$ 448,9 milhões e R$ 0,6120, respectivamente).

Na linha de investimentos, a Embraer reportou R$ 609,2 milhões no 2T26 (frente a R$ 576,5 milhões no 2T25). Incluindo Eve, o total é de R$ 760,6 milhões (no ano anterior, este valor estava em R$ 828,5 milhões).

Desempenho por unidade de negócio

Defesa & Segurança voltou a ser destaque no trimestre, com receita em R$ 1,5 bilhão – um aumento de 22% na comparação ano a ano. O resultado se deve ao maior reconhecimento de receitas do KC-390 Millennium, relacionado à carteira de clientes e ao estágio de produção. A margem bruta aumentou de 19,6% para 20,6% em relação ao ano anterior, enquanto a margem EBIT ajustada saiu de 9,3%, para 12%, impulsionadas pela alavancagem operacional.

A Aviação Executiva teve receita de R$ 3,7 bilhões no 2T26 e aumento de 19% ano contra ano, devido ao maior volume de entregas e mix de produtos. Em Serviços & Suporte, a receita foi de R$ 2,9 bilhões no período, 11% acima do alcançado um ano antes – em razão de maiores volumes em todos os segmentos. E na Aviação Comercial, a receita foi de R$ 3,2 bilhões, com redução de 2% em relação ao 2T25, refletindo principalmente a apreciação do real frente ao dólar – que mais do que compensou o maior volume de entregas.

Entregas e carteira de pedidos

A Embraer entregou 65 aeronaves no 2T26, registrando seu melhor desempenho para o período nos últimos 16 anos. O total representa crescimento de 7% na comparação com o 2T25. No semestre, a Embraer entregou 109 aeronaves, cerca de 20% a mais do que as 91 entregues no 1S25 – resultado do progresso contínuo das iniciativas da companhia para o nivelamento da produção.

A carteira de pedidos da empresa atingiu US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre (2T26). Em trajetória ascendente há sete trimestres, o valor é recorde mais uma vez – com avanço de 16% em relação ao patamar atingido no mesmo período do ano passado (2T25).

(*) Com informações da Embraer

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Conexão Moscou: Brasília abre espaço para interesses russos

Márcio Coimbra (*)

Na alta geopolítica, a ingenuidade é um luxo caríssimo e a coincidência, uma ilusão para amadores. Quando o Palácio do Planalto recebe, de portas fechadas e fora da agenda oficial, o homem apontado pelo Ocidente como o verdadeiro número dois do Kremlin, o recado ao mundo vai muito além do protocolo.

A presença silenciosa de Nikolai Patrushev em Brasília, em meio a atritos com Washington e a poucos meses do pleito eleitoral, não é um fato isolado. É o ponto de convergência de uma estratégia russa de longo alcance que envolve guerra híbrida, dependência energética e a instrumentalização do território brasileiro.

A escolha do Brasil pelo aparato de segurança de Moscou não é recente. O país tornou-se entreposto global para a “lavagem de identidades” do programa de espiões “Ilegais” da Rússia. Casos como os de Sergey Cherkasov e Mikhail Mikushin mostraram como a inteligência russa usou brechas cartorárias para fabricar passaportes e infiltrar agentes no TPI e na OTAN.

A exploração avançou também sobre o capital humano, atraindo jovens brasileiros para o front com falsas promessas. O padrão é claro: Moscou enxerga o Brasil como um território conveniente, capaz de fornecer desde identidades falsas até infantaria descartável para sua combalida máquina de guerra.

A dimensão mais pragmática dessa aliança subterrânea, contudo, é financeira e logística. Enquanto o discurso oficial empunha a “neutralidade”, a economia real revela a adesão ao financiamento do esforço de guerra de Vladimir Putin. Mais de R$ 6,2 bilhões em diesel russo sancionado entraram no país por uma “frota fantasma” de 32 navios com rotas maquiadas e ligações com o crime organizado expostas pela Operação Carbono Oculto.

Hoje, a Rússia responde por 63% de todo o diesel importado pelo Brasil. Neste contexto, a figura de Patrushev — presidente do Conselho Marítimo russo — é decisiva. Sua passagem por Brasília, reunindo-se com ministérios estratégicos, civis e militares, buscou garantir blindagem regulatória e a manutenção dessas rotas paralelas.

Essa articulação ganha gravidade sob a ótica da guerra de informação. Patrushev, sancionado pela OFAC, é o mestre intelectual das operações globais de manipulação eleitoral do Kremlin. Sua visita ocorreu quando a diplomacia brasileira entrava em rota de colisão com os EUA, com revogações cruzadas de vistos e acusações de ingerência.

O sinal é inequívoco: Brasília acusa os americanos de interferência eleitoral enquanto acolhe no Planalto, fora da agenda, o ex-chefe da antiga KGB, hoje chamada de FSB, e arquiteto da guerra suja russa com um currículo interminável de desinformação política no exterior. Em ano de eleições, a presença da cúpula da inteligência russa não é coincidência de calendário, mas uma troca de conveniências geopolíticas.

Ao tolerar o uso de seu território para espionagem, permitir o atracamento de uma frota clandestina de combustível e receber em segredo o chefe da inteligência do Kremlin sancionado internacionalmente, o Brasil sacrifica sua histórica reputação diplomática. A visita de Patrushev consolidou um pacto silencioso de cooperação logística, energética e de inteligência que insere nosso país no mapa das operações híbridas da Rússia — com custos que cobrarão seu preço por gerações.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Exportações de móveis para os EUA desabam 42% e vendas globais caem 6,5% no semestre, diz Abimóvel

Os embarques de móveis e colchões recuaram 6,5%, influenciados pela baixa de 42% nas vendas ao mercado americano; exportações de suprimentos, por outro lado, avançaram 4%; enquanto isso, alta das importações chinesas amplia atenção no mercado interno

Da Redação (*)

Brasília – O comércio exterior da cadeia moveleira brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com desempenhos distintos. As exportações de móveis e colchões recuaram 6,5%, enquanto os embarques de componentes, matérias-primas, máquinas e demais suprimentos avançaram 4,0%, ambos em relação a igual período no ano anterior.

A diferença esteve relacionada, principalmente, ao comportamento dos Estados Unidos. No mobiliário acabado, a perda registrada no principal destino do setor superou os ganhos obtidos em outros países. Entre os suprimentos, a redução das vendas ao mercado americano foi mais moderada e pôde ser compensada pela expansão em diferentes destinos.

No fluxo inverso, as importações brasileiras de móveis e colchões cresceram 41,7%, com forte concentração de produtos chineses. O movimento reduziu o saldo comercial do segmento e ampliou a importância de acompanhar os efeitos da reorganização dos fluxos globais sobre o mercado brasileiro.

Os indicadores integram a Conjuntura de Móveis, estudo mensal desenvolvido pelo IEMI com exclusividade para a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), a partir de informações oficiais e pesquisas setoriais.

Estados Unidos concentram retração das exportações de móveis

As exportações brasileiras de móveis e colchões somaram US$ 349,7 milhões no primeiro semestre, ante US$ 374,2 milhões no mesmo período de 2025. A redução foi de aproximadamente US$ 24,5 milhões.

Somente nos Estados Unidos, porém, a perda chegou a quase US$ 44 milhões. Os embarques ao país caíram cerca de 42%, e a participação estadunidense nas exportações brasileiras do segmento diminuiu de 28,0% para 17,4%. Excluídos os Estados Unidos, as exportações brasileiras de móveis e colchões registraram crescimento de aproximadamente 7,2%. Esse resultado compensou parcialmente as perdas observadas no principal destino das exportações brasileiras, embora em magnitude insuficiente para neutralizar os impactos decorrentes da retração daquele mercado.

Esse desempenho reforça a efetividade da estratégia de diversificação conduzida pelo Projeto Brazilian Furniture, iniciativa da Abimóvel em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Por meio de inteligência comercial, promoção internacional e apoio à internacionalização, o projeto tem contribuído para ampliar a presença das empresas brasileiras no exterior, buscando mitigar a concentração geográfica das exportações, reduzir a exposição do setor a choques específicos de mercado e fortalecer sua resiliência diante de um ambiente internacional caracterizado por crescente volatilidade e barreiras comerciais.

Mesmo após a forte queda, os EUA permaneceram como o maior destino do mobiliário brasileiro. O Uruguai, segundo colocado, respondeu por 12,9% dos embarques. Para recuperar apenas o valor perdido no mercado americano, seria necessário praticamente duplicar as vendas atuais ao Uruguai ou obter expansões mais relevantes em vários paísessimultaneamente.

A América Latina vem, de toda forma, ganhando importância nesse processo. Além do Uruguai, Argentina, Peru, Paraguai, Colômbia e Bolívia ampliaram suas compras no semestre, favorecidos pela proximidade geográfica, pelos menores tempos logísticos e por acordos comerciais existentes.

Esses mercados, contudo, apresentam diferentes escalas, estruturas de distribuição e perfis de consumo, não sendo plenamente substituíveis. Assim, “a diversificação não consiste em substituir um grande comprador por outro, mas em construir uma carteira de destinos mais equilibrada e resiliente, ampliando oportunidades de negócios e reduzindo, de forma gradual, a exposição do setor a riscos econômicos, geopolíticos, regulatórios e tarifários concentrados em um único mercado”, reforça Cândida Cervieri, diretora-executiva da Abimóvel.

Baixa participação dos EUA afeta polos moveleiros no Brasil

A retração das exportações também se refletiu de forma distinta entre os principais polos moveleiros brasileiros, em razão das diferentes estratégias de inserção internacional e da composição de seus mercados de destino. Santa Catarina, líder nacional no primeiro semestre de 2025, registrou redução de 29,4% nos embarques, com sua participação nas exportações brasileiras passando de 35,5% para 26,9%. Esse desempenho está associado, em grande medida, à elevada exposição de parte das empresas catarinenses ao mercado americano, historicamente um dos principais destinos de suas exportações.

Nesse contexto, a redução dos pedidos afeta não apenas o faturamento das empresas, mas também a utilização da capacidade produtiva, a demanda por insumos, os serviços logísticos, os investimentos e a geração de empregos ao longo de toda a cadeia produtiva.

Por outro lado, estados com maior diversificação geográfica de mercados ou com maior dinamismo em outras regiões apresentaram comportamento distinto no período. O Rio Grande do Sul passou a liderar as exportações nacionais, impulsionado pelo crescimento das vendas para a América do Sul, enquanto o Paraná também ampliou seus embarques e São Paulo manteve desempenho próximo da estabilidade.

Essa dinâmica ocorre sobretudo porque a produção anteriormente destinada aos Estados Unidos não pode ser simplesmente transferida para o mercado interno ou enviada a outros países. Parte relevante das indústrias exportadoras produz sob encomenda para importadores, grandes redes ou marcas estrangeiras, seguindo dimensões, materiais, acabamentos, embalagens, certificações e exigências logísticas específicas. O redirecionamento exige – para além de questões econômicas e de comportamento de consumo – planejamento, investimento e continuidade.

Suprimentos avançam com base internacional mais diversificada Na vertical de componentes, matérias-primas, máquinas e demais fornecedores, as exportações alcançaram US$ 1,785 bilhão, alta de 4% no primeiro semestre.

Os Estados Unidos continuaram como o maior mercado, embora tenham reduzido suas compras em 9,5%. Fora do destino norte-americano, os embarques de suprimentos cresceram aproximadamente 12,5%.

A maior variedade de produtos, aplicações industriais e clientes permitiu compensar com mais eficiência a retração nos EUA. Argentina, México, Paraguai, Colômbia e França estiveram entre os mercados que ampliaram as compras no período.

Enquanto as exportações de móveis e colchões recuaram, as importações desses produtos aumentaram 41,7%. Com isso, o superávit comercial do segmento diminuiu de aproximadamente US$ 236 milhões para US$ 153,9 milhões. A China respondeu por 74,3% dessas compras e ampliou em 48,9% as vendas de móveis e colchões ao mercado brasileiro.

“A preocupação não está na importação em si, mas na velocidade do crescimento, na concentração da origem e no risco de redirecionamento comercial”, enfatiza Cândida. À medida que grandes economias elevam tarifas e controles de importação, parte da produção internacional pode buscar mercados alternativos mais acessíveis, aumentando a pressão competitiva sobre a indústria brasileira.

Nas importações de suprimentos, o avanço foi mais moderado, de 2,8%. A análise desse fluxo, porém, exige maior diferenciação: o grupo reúne tanto produtos que concorrem diretamente com a fabricação nacional quanto matérias-primas, componentes, equipamentos e tecnologias utilizados pelas próprias indústrias brasileiras.

(*) Com informações da Abimóvel

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Impulsionado por produtos inovadores e de alta tecnologia, comércio exterior da China soma US$ 686 bilhões em julho

Da Redação (*)

Brasília – O comércio exterior da China manteve crescimento estável em julho, impulsionado por exportações robustas de produtos inovadores e de alta tecnologia, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas (AGA) na sexta-feira (7).

O valor total das importações e exportações de mercadorias cresceu 19,2% ano a ano, atingindo 4,66 trilhões de yuans (US$ 686,26 bilhões) no mês passado, permanecendo acima da marca de 4 trilhões de yuan por cinco meses consecutivos. As exportações subiram 17,8% em termos anuais, enquanto as importações aumentaram 21,2%.

Nos primeiros sete meses do ano, o comércio exterior total de mercadorias somou 30,13 trilhões de yuans, um aumento anual de 17,3%.

As exportações de produtos de alta tecnologia, como robôs industriais e impressoras 3D, dispararam mais de 50% em julho na comparação anual, superando o crescimento de 39% registrado no primeiro semestre e respondendo por quase 60% do aumento total das exportações daquele mês.

“A economia chinesa tem avançado apesar dos ventos contrários, caminhando para uma estrutura de maior qualidade e melhor, o que tem proporcionado forte apoio ao crescimento do comércio exterior”, disse Lyu Daliang, diretor do Departamento de Estatísticas e Análise da AGA.

Comércio com mais de 180 países e regiões

Nos primeiros sete meses do ano, o comércio da China com mais de 180 países e regiões manteve crescimento. O comércio com a Associação das Nações do Sudeste Asiático, a União Europeia, a América Latina e a África cresceu 20%, 9,5%, 15,4% e 18,9%, respectivamente.

O comércio com países parceiros da Iniciativa Cinturão e Rota aumentou 15,5%, enquanto o comércio com outras economias da APEC cresceu 21%. O comércio com os Estados Unidos recuou ligeiramente 1,6%, embora a queda tenha diminuído 2 pontos percentuais em comparação com os primeiros seis meses do ano.

Quanto ao tipo de empresas, o setor privado permaneceu como a força motriz, com importações e exportações atingindo 17,16 trilhões de yuans, um aumento de 17,2%, representando 56,9% do total nacional. As empresas com investimento estrangeiro registraram um aumento de 17,6% em seu comércio, enquanto as estatais tiveram um crescimento de 17,3%.

Uma estrutura comercial mais equilibrada está se formando, com o crescimento das importações superando as exportações em 8 pontos percentuais nos primeiros sete meses. As importações de commodities a granel aumentaram 3% em volume, enquanto as de produtos mecânicos e elétricos saltaram 29,7%, para 5,31 trilhões de yuans, representando 41,9% do total das importações.

Inovação é o motor do comércio exterior chinês

Além desses números principais, a inovação está desempenhando um papel cada vez mais central como principal motor do comércio exterior da China. Graças à rápida expansão da inovação do país, a matriz de exportações da China evoluiu do antigo “trio” de vestuários, móveis e eletrodomésticos para o mais recente “trio” de robótica, produtos relacionados à IA e medicamentos inovadores, passando pelo “trio” de veículos elétricos, baterias de lítio e painéis solares. Essa tendência destaca uma transição de uma manufatura intensiva em mão de obra para um crescimento impulsionado pela inovação, o que está remodelando o cenário comercial do país.

Dados recentes mostram que, nos primeiros sete meses, as exportações de produtos mecânicos e elétricos atingiram 11,12 trilhões de yuans, um salto de 21,2%, representando 63,8% do total das exportações chinesas. Entre eles, os produtos verdes e de baixo carbono tiveram um desempenho particularmente forte, com exportações de veículos elétricos e baterias de lítio aumentando 71,2% e 35,8%, respectivamente. As exportações de impressoras 3D, robôs industriais e navios registraram aumentos de 110%, 13,2% e 32,7%, respectivamente.

A constante inovação permanece como a chave para manter a competitividade global de todos os tipos de produtos chineses. Tao Yang, uma comerciante de Yiwu, conhecida como “supermercado do mundo”, na Província de Zhejiang, no leste da China, ficou encantada ao ver seus produtos na televisão durante a recente Copa do Mundo da FIFA. “Este chapéu é nosso design original”, disse ela.

Tao observou que suas categorias de produtos têm se expandido continuamente em resposta às demandas dos clientes. “Nossa força essencial está em transformar as ideias mais ousadas de nossos clientes em realidade”, explicou. “Essa capacidade de executar pedidos flexíveis e personalizados é o que mais surpreende nossos clientes, e nos confere uma vantagem competitiva decisiva.”

(*) Com informações da Agência Xinhua

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Município de SC bate todas as grandes metrópoles e lidera o ranking dos maiores importadores nacionais

Da Redação

Brasília – Com uma população inferior a 300 mil habitantes, Itajaí supera metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Manaus, se consolida como o município brasileiro líder nas importações, com um total US$ 9,1 bilhões importados no primeiro semestre do ano, resultado 12,6% superior ao mesmo período de 2025 e equivalente a 6,4% de todas as importações brasileiras. A China lidera a origem dos produtos, seguida por Alemanha, Estados Unidos, Chile e Argentina.

O resultado representa crescimento de 12,6% e um acréscimo de mais de US$ 1 bilhão em relação ao mesmo período de 2025, quando o município somou US$ 8,08 bilhões em importações. Os dados são do Comex Stat, sistema oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No período, as importações brasileiras totalizaram US$ 142,4 bilhões, o que significa que a movimentação do município catarinense responde sozinha por 6,4% de todas as compras externas feitas pelo Brasil.

“O crescimento de 12,6%, com mais de US$ 1 bilhão acrescentado às importações em apenas seis meses, mostra a força e a regularidade das operações registradas em Itajaí. Ao superar capitais e polos industriais consolidados, o município demonstra capacidade para concentrar fluxos de diferentes setores e atender empresas de várias regiões do país, que estão aumentando a demanda por importações, com escala, conhecimento técnico e serviços especializados em comércio exterior”, explica Matheus Bernardes, CEO da Cronos Logistics, um dos 50 maiores agentes de cargas marítimas e aéreas do país, com filiais nos EUA, em Miami e Nova Iorque, matriz em Itajaí e escritórios distribuídos pelo Brasil, em outros cinco polos logísticos.

Em 2025, Itajaí fechou o ano como líder do ranking nacional de municípios importadores, com um total de US$ 16,3 bilhões. Ano passado, o município catarinense exportou bens no valor total de US$ 6,1 bilhões, ocupando  a 5ª posição entre os municípios que mais exportaram em  todo o Brasil.

No primeiro semestre deste ano, Itajaí exportou pouco mais de US$ 3,3 bilhões, permanecendo como o 5º. Município maior exortador nacional.

China responde por quase a metade das importações

A China permaneceu como a principal origem das mercadorias importadas por empresas domiciliadas em Itajaí, com US$ 3,79 bilhões entre janeiro e junho, o equivalente a 41,6% do total. Na sequência aparecem Alemanha, com US$ 503,2 milhões; Estados Unidos, com US$ 501,5 milhões; Chile, com US$ 462,2 milhões; e Argentina, com US$ 445,1 milhões. Somados, os cinco países responderam por mais de 62% das importações registradas no município.

O crescimento das importações na cidade neste ano reforça a liderança já consolidada por três anos consecutivos. Em 2025, Itajaí contabilizou US$ 16,3 bilhões em importações.

“O resultado mostra que Itajaí se tornou um centro de decisão do comércio exterior brasileiro. A cidade reúne porto, terminais, retroáreas, armazéns, e prestadores especializados. Também está próxima de outros portos estratégicos de Santa Catarina, do Aeroporto de Navegantes e de importantes eixos rodoviários, o que permite planejar operações com diferentes alternativas de entrada e distribuição. Essa combinação oferece agilidade e previsibilidade às empresas que coordenam suas importações a partir da região”, afirma Fábio Rengel, COO da Cronos Logistics.

Entre janeiro e junho de 2026, a Cronos coordenou mais de 5.800 embarques de importação, principalmente para empresas dos segmentos têxtil, automotivo, fármaco e náutico. Os produtos vieram de países como China, Itália, Alemanha e Estados Unidos.

Conheça os 5 municípios que mais importaram no primeiro semestre de 2026:

Itajaí (SC): US$ 9.103.359.037

Manaus (AM): US$ 8.787.306.952

São Paulo (SP): US$ 6.479.646.588

Rio de Janeiro (RJ): US$ 5.816.927.516

Cariacica (ES): US$ 5.791.478.013

 

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