CIIE 2026: na vitrine global da China, Brasil busca negócios que podem chegar a US$ 280 milhões

Comitiva brasileira leva 36 empresas e cooperativas a Xangai para expandir exportações em meio a recorde histórico no comércio bilateral. 

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil participa, a partir do dia 5 de novembro, da 9.ª China International Import Expo (CIIE), em Xangai, com a projeção de alcançar US$ 280 milhões em negócios. Organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a missão brasileira reúne 36 empresas e cooperativas focadas em ampliar a presença de produtos nacionais no mercado asiático. O evento acontece até ao dia 10 de novembro no National Exhibition and Convention Center (NECC).

A feira ocorre em momento estratégico: a corrente bilateral entre Brasil e China atingiu recorde de US$ 171 bilhões em 2025. No último ano, as exportações brasileiras para o país asiático somaram US$ 100 bilhões, gerando superávit de mais de US$ 29 bilhões, o 17º ano consecutivo de saldo positivo. O resultado no volume de exportações foi impulsionado por desempenhos recordes na carne bovina (US$ 8,8 bilhões) e no café não torrado (US$ 459 milhões), refletindo a estratégia de diversificação para além das commodities tradicionais.

Expositores brasileiros

As atividades da delegação nacional estarão concentradas no National Pavilion. A lista de expositores abrange diferentes perfis do setor produtivo, desde empresas de proteína animal, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Aurora Coop, até organizações da agricultura familiar representadas pela UNICAFES (União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária).

O portfólio apresentado aos importadores inclui vinhos da Vinícola Salton, mel e própolis da ApisBrasil e da CONAP, destilados da Cachaça Pernambucana, além de sucos e açaí da Bela Iaca e da Açaí Super Fruta. Tradings e empresas de comércio exterior, como a Atlântica e a DCDF Trading, também integram o pavilhão.

Ativações e promoção comercial

Para atrair os importadores e o público chinês, os estandes brasileiros abrigarão uma série de ativações interativas e gastronômicas durante o evento. A tecnologia estará presente através do XBOT, um robô que fará a preparação ao vivo de sorvete de açaí, numa parceria com as empresas Açaí Amazonas e Ecofood. A rede asiática Luckin Coffee também marcará presença no espaço, apresentando grãos de café brasileiros do tipo SOE (Single Origin Espresso) e bebidas à base de café.

A programação inclui demonstrações ao vivo e degustação de churrasco brasileiro, permitindo o contato direto dos compradores com as proteínas nacionais. O pavilhão terá ainda elementos culturais e interativos para os visitantes, como uma máquina de jornais tradicionais, distribuição de pelúcias de capivara e testes de conhecimento temáticos (quizzes) focados nos setores de café, carne e frutas, com premiação para quem responder os três quizzes espalhados pelo evento.

Apoio institucional e diplomático

Para acompanhar as rodadas de negociação, a missão conta com a equipe técnica da agência, incluindo o gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Pedro Netto, além de autoridades diplomáticas e representantes governamentais, como o embaixador do Brasil em Pequim, Marcos Galvão, e o cônsul-geral em Xangai, Augusto Pestana .

Pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), está prevista a participação da Ângela Pimenta Peres, Diretora do Departamento de Promoção do Agronegócio , além dos adidos agrícolas Jean Gouhie e Leandro Feijó.

A representação do setor privado inclui o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Roberto Perosa, e o Conselheiro da Diretoria da UNICAFES, Luciano Monteiro, além de executivos da Luckin Coffee para temas de sustentabilidade e consumo.

A nona participação consecutiva do Brasil no evento reafirma o compromisso do país em fortalecer laços comerciais com a China, indo além da tradicional exportação de commodities. Mais do que garantir números expressivos na balança comercial, a vitrine da CIIE é peça-chave para consolidar a imagem nacional como um fornecedor confiável, inovador e pautado pela sustentabilidade. Estar na primeira e maior feira de importações do mundo significa posicionar produtos de maior valor agregado diretamente no radar do mercado asiático, garantindo a competitividade e a expansão contínua das empresas e cooperativas brasileiras no cenário global.

(*) Com informações da ApexBrasil

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