Déficit de US$ 7,16 bilhões no comércio de serviços de TIC mostra forte dependência da tecnologia estrangeira

Estudo da Softex aponta déficit de US$ 7,16 bilhões no comércio exterior de serviços de TIC; especialista defende ampliar a capacidade de desenvolver, adaptar e integrar soluções tecnológicas às necessidades dos negócios

Da Redação

Brasília – O Brasil amplia o uso de tecnologias digitais nas empresas, mas ainda enfrenta um desafio estrutural: transformar a adoção de ferramentas em maior capacidade de desenvolver soluções próprias e reduzir a dependência de fornecedores externos.

O Estudo TICs 2026, do Observatório Softex, aponta que as importações brasileiras de serviços de tecnologia da informação e comunicação somaram US$ 13,33 bilhões em 2024, enquanto as exportações alcançaram US$ 6,17 bilhões. O resultado foi um déficit de US$ 7,16 bilhões no comércio exterior do setor.

O levantamento também mostra que 79,8% das empresas brasileiras que utilizam inteligência artificial recorrem a softwares e sistemas disponíveis no mercado. Embora a contratação de soluções prontas seja uma estratégia legítima e, em muitos casos, eficiente, o dado abre espaço para discutir até que ponto as organizações conseguem adaptar a tecnologia às próprias necessidades.

Para Rafael Franco, especialista em tecnologia e soluções corporativas e fundador da Joya Solutions, a questão não é defender que todas as empresas desenvolvam seus próprios softwares, mas compreender quais capacidades precisam permanecer sob seu domínio.

“Comprar uma solução pronta pode ser a melhor decisão para determinado problema. O risco está em construir toda a operação sobre ferramentas que a empresa não consegue adaptar, integrar ou substituir sem grandes impactos. É preciso entender quais tecnologias são estratégicas para o negócio e onde existe dependência excessiva de um fornecedor”, afirma.

Comprar tecnologia não elimina a necessidade de conhecimento técnico

A contratação de plataformas prontas permite acelerar a implantação de ferramentas e evitar investimentos elevados no desenvolvimento de sistemas próprios. No entanto, a escolha também envolve avaliar limitações de personalização, custos de expansão, possibilidades de integração e condições para migrar informações caso a empresa precise mudar de fornecedor.

Essas questões ganham relevância quando diferentes áreas passam a depender de sistemas que não foram planejados para funcionar em conjunto. O resultado pode ser uma estrutura na qual cada ferramenta resolve uma necessidade isolada, mas a operação depende de integrações adicionais, processos manuais ou serviços complementares para funcionar de ponta a ponta.

Segundo Franco, desenvolver capacidade tecnológica própria não significa necessariamente criar um produto do zero. Em muitos casos, envolve dominar a arquitetura da operação, compreender os dados utilizados, documentar integrações e manter profissionais capazes de avaliar alternativas técnicas.

“Uma empresa pode usar várias plataformas de mercado e continuar tendo autonomia. O importante é saber como elas se conectam, quais informações compartilham, quais são as limitações contratuais e o que seria necessário para trocar uma delas. Autonomia não é fazer tudo internamente. É conseguir tomar decisões sem ficar refém de uma única opção”, explica.

O custo da dependência aparece quando o negócio muda

A dependência tecnológica nem sempre é percebida durante a contratação de um sistema. Ela costuma se tornar mais evidente quando a empresa cresce, precisa criar um novo serviço, altera seus processos ou descobre que uma ferramenta não oferece determinada funcionalidade.

Nesses momentos, a ausência de documentação, o desconhecimento das integrações e a falta de profissionais especializados podem aumentar o custo e o tempo necessários para realizar mudanças.

A avaliação também precisa considerar a capacidade de negociação da empresa. Quando uma plataforma concentra funções essenciais e não existem alternativas viáveis, mudanças de preço, de condições comerciais ou de funcionalidades podem ter consequências importantes para a operação.

“É importante avaliar o custo total de uma tecnologia, não apenas o valor da licença. Quanto custa integrá-la aos outros sistemas? Quanto custa adaptar um processo? Se a empresa precisar sair dessa plataforma, consegue levar seus dados e continuar operando? Essas perguntas deveriam fazer parte da decisão desde o início”, diz Franco.

O especialista recomenda que as organizações identifiquem quais sistemas são críticos, documentem as integrações, avaliem alternativas disponíveis e definam quais competências técnicas precisam manter internamente ou acessar por meio de parceiros especializados.

Autonomia tecnológica começa com decisões de arquitetura

A discussão sobre dependência tecnológica também envolve o desenvolvimento de um mercado capaz de oferecer soluções adaptadas às particularidades das empresas brasileiras. O déficit comercial apontado pela Softex evidencia a diferença entre o volume de serviços de TIC comprados e vendidos pelo país, mas não significa, isoladamente, que toda importação represente um problema ou que uma solução nacional seja necessariamente superior.

Para Franco, o objetivo deve ser ampliar as possibilidades de escolha e evitar que decisões tomadas por conveniência no curto prazo criem limitações desproporcionais no futuro.

“Não faz sentido desenvolver internamente algo que já existe no mercado e atende bem à empresa. Mas também não faz sentido contratar uma ferramenta sem avaliar como ela se encaixa na operação e quais dependências cria. A decisão precisa considerar o problema, o custo, a capacidade de adaptação e a importância daquela tecnologia para o negócio”, afirma.

Em um cenário de crescente digitalização, a capacidade de combinar soluções de mercado, desenvolvimento próprio e integração entre sistemas pode se tornar um diferencial competitivo. Para as empresas, o desafio não é abandonar a tecnologia estrangeira, mas construir conhecimento suficiente para escolher, adaptar e utilizar essas ferramentas de acordo com seus objetivos.

“A pergunta não deveria ser apenas qual software a empresa vai contratar. É preciso perguntar qual capacidade ela precisa construir para continuar evoluindo, independentemente da ferramenta escolhida hoje”, conclui Franco.

 

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Cross-border: a competitividade internacional também depende dos pagamentos

Daniel Moretto (*)

Uma venda internacional pode ser concluída em poucos cliques e ainda percorrer um longo caminho até se transformar em dinheiro disponível para a empresa. Enquanto o recebimento não se concretiza, o negócio continua financiando sua operação e assumindo compromissos com fornecedores. A distância entre vender e receber acaba, assim, influenciando a capacidade de crescer em outros mercados.

Os debates sobre produtividade e pagamentos internacionais no Payment Anyway 2026, realizado em outubro, em São Paulo, reforçam uma questão central para a expansão das empresas: a eficiência dos pagamentos precisa ser avaliada pelo impacto na conversão das vendas, na margem e na previsibilidade do caixa. A velocidade é parte dessa equação, mas a competitividade também depende de quanto custa receber e de quando a receita estará disponível para financiar a operação.

Essa eficiência começa na experiência de compra. No e-commerce internacional, uma oferta competitiva pode perder força se o consumidor não encontrar os meios de pagamento que costuma utilizar ou tiver dúvidas sobre a moeda e o valor da cobrança. Adaptar essa etapa aos hábitos de cada mercado ajuda a reduzir barreiras à conclusão da venda. Para a empresa, o desafio é conectar essa experiência local a uma operação que permita receber e administrar a receita com previsibilidade.

Em uma venda internacional, a confirmação do pagamento pelo consumidor e a disponibilidade dos recursos para a empresa são momentos distintos. Conforme o meio de pagamento e o modelo de processamento, o recebimento pode envolver conversão de moeda e diferentes prazos de liquidação. Por isso, além da rapidez, a empresa precisa ter clareza sobre quando receberá e qual será o valor líquido, considerando tarifas e câmbio. Sem essa visibilidade, torna-se mais difícil avaliar a margem da venda e planejar o uso da receita.

Novas alternativas, como as stablecoins, ampliam as possibilidades de tornar os pagamentos internacionais mais eficientes. Para a empresa, porém, o benefício depende de como essa tecnologia se integra ao recebimento: a liquidez disponível, os custos e a eventual conversão para a moeda em que o negócio opera precisam entrar na conta. O ganho deve ser medido pelo valor líquido e pelo prazo de disponibilização dos recursos, considerando todo o percurso do pagamento.

As condições de recebimento também precisam acompanhar a estratégia de cada empresa. Receber em determinada moeda, por exemplo, pode facilitar o cumprimento de compromissos financeiros naquele mercado. A infraestrutura deve oferecer flexibilidade para acomodar essas necessidades sem tornar a entrada em cada novo país uma operação mais difícil de administrar.

Depois da compra, a empresa precisa relacionar o valor recebido à venda original. Se uma transação foi realizada em uma moeda e liquidada em outra, por exemplo, o financeiro deve conseguir identificar o câmbio aplicado, as tarifas e o valor líquido sem reconstruir esse percurso manualmente. Essa rastreabilidade também permite acompanhar eventuais devoluções e resolver diferenças com mais agilidade, evitando que o crescimento das vendas multiplique o trabalho de conciliação.

Esse acompanhamento depende da integração entre os participantes do pagamento, com responsabilidades claras para identificar e resolver falhas. Para a empresa, isso significa saber onde está uma transação, quem pode atuar sobre um problema e como acompanhar sua resolução, mantendo a segurança ao longo do processo.

A contribuição dos pagamentos para a competitividade se torna concreta quando a empresa consegue vender em novos mercados sem ampliar, na mesma proporção, o esforço para receber e administrar sua receita. Com custos e prazos claros e menos trabalho manual, o negócio ganha condições de avaliar a rentabilidade da expansão e planejar seus próximos investimentos. É por esse resultado que a inovação em pagamentos deve ser medida: sua capacidade de sustentar o crescimento da empresa.

(*) Daniel Moretto, vice-presidente sênior comercial da Nuvei LATAM

 

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DUIMP e Reforma Tributária acendem alerta no comércio exterior para exigências ativas, diz especialista

Com as novas regras de CBS e IBS incorporadas ao Portal Único, empresas importadoras enfrentam o desafio de adaptar fluxos fiscais e aduaneiros simultaneamente

Da Redação

Brasília – A transição para a Reforma Tributária do Consumo deixou de ser uma discussão projetada para o futuro e passou a fazer parte da rotina diária das equipes de comércio exterior. Com a integração de exigências voltadas à CBS e ao IBS na Declaração Única de Importação (DUIMP), as companhias se veem diante de um novo cenário operacional: o preenchimento de dados fiscais detalhados, como o local de consumo da mercadoria por item, passou a ser obrigatório na aduana. O reflexo prático é que a conformidade tributária deixou de ser exclusividade do departamento fiscal e invadiu o processo de ponta a ponta do Comex.

Embora 2026 tenha sido desenhado pelo governo como um período de testes, em que os novos tributos ainda não são recolhidos de forma definitiva, o ecossistema regulatório não dá margem para omissões. A ausência ou o preenchimento incorreto de campos obrigatórios no Layout da DUIMP pode barrar o registro da declaração e gerar retenções de cargas nos portos e aeroportos.

“O maior risco hoje não é a alíquota em si, mas o dado que nasce descentralizado na operação e chega incompleto na hora do registro”, aponta Ricardo Costa, Head de Customer Success da NTT DATA.

Importância do novo processo de informação

O principal obstáculo enfrentado pelas organizações não é a legislação, mas a fragmentação da informação. Dados fundamentais para atender ao Fisco, como a Unidade Federativa e o município de destino do produto, além do histórico de taxas pagas até a liberação, muitas vezes transitam em planilhas manuais ou desencontrados entre as áreas de compras, logística e fiscal.

Com a virada de 2027 se aproximando, quando a CBS substituirá o PIS e a Cofins e o IBS iniciará sua transição gradual, a margem para improvisos se estreita. “As equipes precisam entender que o processo de importação agora alimenta diretamente a apuração dos novos tributos, exigindo um nível de governança inédito”, reforça Costa.

Diante desse cenário de alta complexidade regulatória, a adaptação dos softwares de gestão tornou-se uma prioridade estratégica. Soluções de Global Trade como o Conexos Cloud e o GUEPARDO Global Trade passaram por atualizações estruturais para que a tecnologia absorva as novas exigências da DUIMP de forma automatizada. Entre as entregas estão a inclusão de campos para CBS e IBS na Invoice e na DUIMP, automação para o envio do local de consumo por item e os ajustes para a transmissão dos dados da conta utilizada no pagamento associado à declaração.

Mais do que apresentar inovações isoladas, o movimento de atualização reflete um posicionamento pragmático de mercado: assegurar que os sistemas funcionem como uma blindagem regulatória para o importador. Ao centralizar dados fiscais e aduaneiros em uma única fonte confiável antes mesmo do envio ao Portal Único, as ferramentas reduzem o risco de gargalos operacionais. “Nosso papel não é apenas entregar campos novos, mas garantir que a empresa acompanhe as mudanças regulatórias com segurança, sem fricção e sem retrabalho na ponta”, conclui Costa.

 

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Indústria calçadista comemora alta de 17,5% nas exportações para a Europa com acordo Mercosul-UE

 

 

 

Da Redação (*)

Brasília – O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigência em maio deste ano, vem gerando boas expectativas para exportadores e compradores do bloco que visitarão a 7ª edição da BFSHOW. Promovida pela Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Calçados (Abicalçados) e organizada pela NürnbergMesse Brasil (NMB), a maior feira calçadista da América Latina acontece entre os dias 10 e 12 de novembro, no Distrito Anhembi, em São Paulo/SP.

Dados elaborados pela Abicalçados justificam o otimismo dos exportadores brasileiros que estarão na feira calçadista. Segundo o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, desde maio, a tarifa média de importação de calçados brasileiros na União Europeia reduziu 1,4 ponto percentual, de 10,7% para 9,3%.

“Essa média passará para 8,2% em janeiro de 2027, dentro do prazo de desgravação total que é de dez anos”, explica o executivo. No recorte em que o acordo comercial esteve em vigência, maio a setembro, as exportações para o Velho Continente somaram 2,8 milhões de pares e US$ 29,6 milhões, crescimentos tanto em volume (+7%) quanto em receita (+17,5%) em relação ao período correspondente do ano passado. “O acordo pode ter aproximado as relações comerciais e iniciado o processo de recuperação gradual do mercado”, avalia Ferreira.

Projeto Comprador

Para a BFSHOW, são esperados mais de 10,5 mil compradores, sendo cerca de 10% deles internacionais. Visando fortalecer a presença de players significativos, a Abicalçados, em parceria com a feira e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), realiza mais uma edição do Projeto Comprador Internacional. Para novembro foram convidados mais de 200 importadores de 45 países, um número recorde. Os compradores europeus convidados são da Alemanha, Croácia, Espanha, França, Grécia, Portugal, Reino Unido e Sérvia.

Expectativas positivas

Um dos compradores internacionais convidados para a BFSHOW é Vishal Sonwane, diretor-executivo das empresas DigiKraft GmbH, sediada na Alemanha, e Herzo Kraft, nos Emirados Árabes Unidos. Juntas, elas atuam como distribuidoras de marcas e varejistas de um portfólio selecionado de marcas internacionais de roupas esportivas e calçados, estando presentes na Amazon, no TikTok e em plataformas de comércio eletrônico relevantes na União Europeia e nos Emirados Árabes Unidos.

Apesar de ainda não fazer negócios com o Brasil, Sonwane diz que está otimista com a participação na maior feira calçadista da América Latina.  “Estamos ansiosos para encontrar propostas interessantes e relevantes para os mercados do Oriente Médio e da Alemanha”, diz. No caso da Alemanha, essa expectativa é ainda mais positiva, devido ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. “O acordo é um avanço significativo que estamos considerando ativamente em nossa estratégia de fornecimento. Embora ainda não tenhamos começado a comprar produtos brasileiros, a redução das barreiras comerciais torna os calçados brasileiros consideravelmente mais competitivos em termos de preços e prazos de entrega para nossos mercados”, acrescenta.

O comprador da Masalves Calçado Unipessoal, Manuel Alves, conta que a empresa portuguesa trabalha diretamente com vários fornecedores, e indiretamente por meio de representantes brasileiros, importando cerca de US$ 750 mil em produtos todos os anos. Segundo ele, embora ainda não tenha refletido o acordo de forma mais efetiva, já que a desgravação total do imposto de importação acontecerá em dez anos, as compras do Brasil devem aumentar nos próximos anos. “Nossa estimativa é a manutenção e reforço de compras no Mercosul”, projeta Alves, ressaltando que a perspectiva é comprar entre 25% e 30% mais na edição de novembro em relação à feira de maio.  “As compras na BFSHOW representam um peso cada vez maior nas compras internacionais da nossa empresa”, conclui o comprador. A Masalves possui 27 lojas físicas e uma loja on-line em Portugal.

A feira

Com mais de 300 marcas brasileiras, a BFSHOW é considerada a grande vitrine do calçado brasileiro para o mundo. Ao longo dos seus três dias de realização, a mostra receberá milhares de players de todo o Brasil e de parte do mundo.

Serviço

7ª BFSHOW
Data: 10 a 12 de novembro de 2026, terça-feira a quinta-feira
Horário: Dias 10 e 11 de novembro, das 9h às 19h. Dia 12 de novembro das 9h às 17h
Local: Distrito Anhembi, em São Paulo/SP
Mais informações e credenciamento: www.bfshow.com.br.

(*) Com informações da Abicalçados

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Câmara de Comércio França-Brasil e Ciesp firmam acordo para impulsionar parcerias e negócios

França consolida-se entre os três maiores investidores estrangeiro no Brasil, impulsionado por cerca de 1.400 empresas instaladas no país, que geram 450 mil empregos diretos e promovem um intenso intercâmbio tecnológico com a cadeia produtiva nacional

Da Redação (*)

Brasília -. A Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB) e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) assinaram na última terça-feira (20) um acordo de cooperação inédito para impulsionar negócios entre empresas brasileiras e francesas de todos os portes. O ato foi realizado durante o coquetel de lançamento do BusinessLeaders Club, iniciativa da CCIFB que busca ampliar as oportunidades de conexão e cooperação empresarial, aproximando o ecossistema paulista da expertise francesa em tecnologia e sustentabilidade.

A França conta com cerca de 1.400 empresas instaladas no Brasil, responsáveis pela geração de aproximadamente 450 mil empregos diretos e por um intenso intercâmbio tecnológico com a cadeia produtiva nacional. A parceria entre a CCIFB e o Ciesp busca fortalecer essa relação, ampliar oportunidades de negócios e conectar empresas de diferentes portes a novas possibilidades de cooperação e desenvolvimento.

Competitividade e maior participação nas cadeias globais de valor

Para o presidente do Ciesp, Rafael Cervone, o acordo é um passo fundamental para ampliar a competitividade do setor produtivo e inserir companhias de todos os portes nas cadeias globais de valor. “O acordo aproxima mercados, abrindo portas concretas para inovação, tecnologia e novas oportunidades de negócios”, disse Cervone.

Na mesma linha, a diretora-secretária do Ciesp, Elizabeth Bighetti Bozza, que foi responsável pela articulação do acordo, explica que a soma de forças faz com que o Ciesp alcance o vetor de internacionalização para as indústrias e potencializa a missão da Câmara.

Para a diretora de PME (Pequenas e Médias Empresas) da Câmara de Comércio França-Brasil em São Paulo, Tamy Tanzilli, o acordo representa um avanço importante para fortalecer as relações econômicas entre os dois países e ampliar as oportunidades de cooperação entre empresas brasileiras e francesas. “A aproximação entre a CCIFB e o Ciesp é uma oportunidade de conectar empresas, compartilhar conhecimento e transformar a complementaridade entre os dois mercados em negócios concretos. Queremos ampliar o acesso de nossos associados a parcerias estratégicas e, dessa forma, fomentar a competitividade da indústria brasileira, inclusive no exterior, através da implementação do acordo mercosul entre outras ações Cross Border”, afirma Tamy.

Rodada de Negócios

O acordo já nasce com ação prática agendada para o dia 12 de novembro, com a realização da 1ª Rodada de Negócios Brasil-França. O modelo é focado em agilidade e escala, reunindo entre 20 e 25 empresas âncoras (consumidoras) e de 150 a 200 fornecedores estratégicos para a promoção de mais de 100 reuniões B2B qualificadas de dez minutos, desenhadas para acelerar parcerias e cadeias de suprimentos tecnológicas.

(*) Com informações do Ciesp

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Embraer marca novo recorde histórico de US$ 35,7 bilhões na carteira de pedidos para o segundo trimestre de 2026

 A Embraer, uma das líderes globais da indústria aeroespacial, registrou carteira de pedidos de US$35,7 bilhões no terceiro trimestre (3T26) – um aumento de 3% em relação ao recorde histórico registrado no trimestre anterior, e de 14% na comparação anual.

Da Redação (*)

Brasília – A Aviação Comercial registrou carteira de pedidos de US$ 15,8 bilhões no 3T26, com crescimento de 5% em relação ao 2T26 e 4% no comparativo com o 3T25. O terceiro trimestre foi marcado por forte atividade comercial, com 36 pedidos firmes e 30 direitos ou opções de compra para a família E2.

No período, o Grupo Abra realizou um pedido firme de 20 aeronaves E195-E2, além de 10 opções e 15 direitos de compra – elevando o potencial total da encomenda para até 45 aeronaves. A Binter encomendou 5 aeronaves E195-E2 adicionais e assegurou 4 novos direitos de compra. A Luxair converteu 3 direitos de compra de E190-E2 em pedidos firmes e assegurou 1 direito de compra adicional – elevando o total de sua carteira de pedidos para 9 aeronaves. A ANA Holdings encomendou 8 aeronaves E190-E2 adicionais, ampliando o acordo anunciado em 2025 e elevando o total de pedidos firmes para 23 aeronaves. No acumulado do ano, a Embraer recebeu 72 pedidos firmes para os jatos da família E2 – contribuindo para um índice de vendas por receita de 1,2x na Aviação Comercial nos últimos 12 meses.

Aviação Executiva

A Aviação Executiva registrou carteira de pedidos recorde de US$ 8,2 bilhões, 5% acima do 2T26 e 12% maior na comparação anual. Durante o 3T26, a Embraer lançou o Phenom 300EV – mais recente evolução do jato leve mais entregue do mundo por 14 anos consecutivos. O modelo incorpora novas tecnologias desenvolvidas para aprimorar a segurança operacional, incluindo o Garmin Emergency Autoland, que permite pousos automatizados em situações de emergência. Ao receber a tripla certificação de ANAC, FAA e EASA, este se tornou o primeiro jato leve certificado com a tecnologia. Ainda no período, foi entregue o primeiro Praetor 600E à Flexjet. A nova geração da aeronave, assim como o Praetor 500E no segmento de jatos médios, também recebeu tripla certificação. A Aviação Executiva encerrou o trimestre com índice de vendas por receita de 1,4x nos últimos 12 meses.

 

Defesa & Segurança

Na unidade de Defesa & Segurança, a carteira de pedidos atingiu US$6,1 bilhões no 3T26, ligeiramente superior em relação ao trimestre anterior e 56% maior na comparação anual. O principal destaque do período foi a assinatura do contrato para a aquisição de 2 KC-390 Millennium pela Força Aeroespacial Colombiana (FAC). O pedido amplia os mercados da aeronave na América Latina e reforça sua crescente presença internacional. Atualmente, Defesa & Segurança tem 43 pedidos firmes para as aeronaves de transporte militar KC‑390 Millennium, e 25 pedidos firmes para a aeronave de ataque leve A‑29 Super Tucano – resultando em um índice de vendas por receita de 2,9x nos últimos 12 meses.

Serviços & Suporte

Em Serviços & Suporte, a carteira de pedidos alcançou o nível recorde de US$5,6 bilhões, com crescimento de 2% em relação ao trimestre anterior e 14% na comparação anual. Durante o trimestre, foram anunciados novos contratos de longo prazo, incluindo os dedicados às frotas de 19 aeronaves E190 da Portugália e 40 aeronaves E190 da Alliance Airlines. A Embraer também prorrogou a vigência do contrato do Programa Pool para a frota de 9 aeronaves ERJ 145 da Western Air. Em relação à Aviação Executiva, a divisão assinou 69 contratos do Executive Care, totalizando aproximadamente US$53 milhões. No segmento de Defesa & Segurança, foi assinado novo contrato de suporte logístico e serviços para a frota de KC-390 Millennium da Força Aeroespacial Colombiana (FAC), renovado o contrato de Suporte Logístico Integrado (ILS) para a frota de A-29 Super Tucano da Força Aérea do Chile (FACH) e ampliado o escopo do contrato de meios de treinamento para a Suécia. Serviços & Suporte encerrou o trimestre com índice de vendas por receita de 1,3x nos últimos 12 meses.

(*) Com informações da Embraer

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Exportações do estado do Rio crescem 20% no acumulado do ano; importações têm queda de 16%, aponta boletim da Firjan

O aumento das exportações de petróleo no estado do Rio pode ser explicado pelo crescimento de 207% nos embarques destinados à Índia (US$ 2,7 bilhões) e de 51% à China (US$ 16,9 bilhões). Em contrapartida, as vendas para os EUA diminuíram 50%, um valor total de US$ 1,3 bilhão.

Da Redação (*)

Brasília – As exportações do estado do Rio somaram US$ 38,3 bilhões, entre janeiro e agosto deste ano, representando um aumento de 20% em comparação ao mesmo período de 2025. A indústria de petróleo e gás foi responsável pelo desempenho positivo, com o mesmo índice de crescimento, atingindo US$ 30,5 bilhões, o que representa 80% da pauta exportadora estadual. Os dados são do Boletim Rio Exporta, produzido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

A análise revela também que, no total, a balança comercial brasileira apresentou um superávit de US$ 55,3 bilhões, resultado de exportações no valor de US$ 251 bilhões e importações de US$ 196 bilhões. O estado do Rio se mantém entre os principais participantes nacionais, contribuindo com 12% deste montante, correspondentes a US$ 54,8 bilhões.

O aumento das exportações de óleos brutos de petróleo no estado do Rio de Janeiro pode ser explicado pelo crescimento de 207% nos embarques destinados à Índia (US$2,7 bilhões) e de 51% à China (US$16,9 bilhões) – principal parceiro comercial fluminense. Em contrapartida, os negócios exteriores com os Estados Unidos diminuíram 50%, um valor total de US$1,3 bilhão.

No que se refere às importações de petróleo, o volume somado no período foi de US$ 1,9 bilhão, indicando uma variação positiva de 24% em relação ao mesmo período de 2025. As compras originárias da Arábia Saudita, principal fornecedora do insumo (US$ 1,4 bilhão; 72% do total importado), apresentaram aumento de 17%.

Crescimento fora do mercado de petróleo

As exportações fluminenses, desconsiderando petróleo, registraram crescimento de 22% (US$ 7,8 bilhões). O mercado estadunidense manteve-se como o principal destino nesta categoria, com participação de 34% e movimentação de US$ 2,7 bilhões. No entanto, houve redução de 52% nas exportações para os Países Baixos (US$ 103 milhões), em decorrência da redução de 96% nas vendas de óleos combustíveis (US$ 3,4 milhões). O destaque ficou para os embarques de automóveis de passageiros, com aumento de mais de 1.000%, somando US$ 69,3 milhões, principalmente destinados ao México.

Um segmento que também registrou boa performance na balança foi o de indústria de Máquinas e equipamentos. O crescimento de 34%, totalizando US$ 907 milhões, foi impulsionado pelo aumento de 31% nas exportações de bombas, compressores, ventiladores e coifas (US$356 milhões). Também destaca-se a alta de 119% nos embarques de rolamentos e engrenagens, partes e peças (US$ 94,8 milhões).

Queda de 16% nas importações

No total, as importações fluminenses somaram US$ 16,5 bilhões no acumulado de janeiro a agosto, representando uma queda de 16% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A principal indústria importadora foi a de Outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores, com US$ 3,3 bilhões em importações, mas com variação negativa de 48%. O recuo é atribuído, principalmente, à pequena aquisição de motores e turbinas para aviação e suas partes, que representou menos de 1% da pauta importadora do estado (US$ 56,0 milhões) e caiu 98%, em relação a 2025.

Destaca-se ainda a redução de 16% nas importações dos “demais produtos” (US$ 6,3 bilhões), categoria que reúne todos os itens fora dos 15 principais do ranking e que respondeu por 38% do total importado, impactando na redução da categoria.

Nas importações fluminenses, excluindo petróleo, a queda foi de 20% do valor acumulado de 2026 (US$ 14,6 bilhões), devido, entre outras questões, ao recuo de 16% das compras do Mercosul (US$ 791 milhões). Contudo, as importações do estado apresentaram expansão junto a cinco dos dez principais parceiros comerciais dessa categoria, com destaque para a Alemanha, cujas aquisições somaram US$ 1,2 bilhão (alta de 15%), devido ao desembarque de tubos de ferro fundido, ferro ou aço e seus acessórios (US$ 324 milhões; + 472%).

(*) Com informações da Firjan

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Fiscalização digital expõe riscos para importadores que usam planilhas, alerta Saygo Group

Avanço da Receita Federal na integração de dados exige maior controle sobre documentos, câmbio e logística para evitar erros, custos extras e atrasos nas operações

Da Redação (*)

Brasília – Enquanto a Receita Federal avança na digitalização do comércio exterior, parte das empresas brasileiras ainda controla documentos, pagamentos internacionais e processos logísticos por meio de planilhas e sistemas desconectados. A contradição ganha importância com a ampliação do uso obrigatório da Declaração Única de Importação (Duimp), prevista no cronograma de 2026 do governo federal. A mudança integra informações no Portal Único de Comércio Exterior e exige maior consistência nos registros utilizados pelos importadores.

Para Fabiane Oliveira, formada em Administração de Empresas e fundadora da Saygo Group, empresa especializada em assessoria e gestão de operações de importação e exportação, o principal desafio está na falta de comunicação entre os departamentos. “A fiscalização está se tornando mais digital, mas muitas empresas continuam trabalhando com informações espalhadas. O risco aparece quando o financeiro tem um registro, a logística trabalha com outro e os documentos apresentados à Receita não refletem o que aconteceu na operação”, explica.

A transformação faz parte do Novo Processo de Importação, que substitui gradualmente a antiga Declaração de Importação pela Duimp. Em setembro de 2026, a Receita reforçou a necessidade de adequação dos sistemas e procedimentos internos para as próximas etapas da migração.

Fiscalização digital amplia atenção aos erros documentais

Com a integração de informações no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), divergências na descrição de mercadorias, classificação fiscal, valores declarados e documentos comerciais podem ganhar maior visibilidade. Dependendo da irregularidade, essas inconsistências podem provocar atrasos na liberação de cargas, despesas adicionais e penalidades.

A fundadora explica que parte dos problemas começa antes da chegada da mercadoria ao Brasil, quando informações negociadas com fornecedores estrangeiros não são devidamente conferidas. “Uma informação errada pode atravessar várias etapas sem ser percebida. Quando a divergência aparece no desembaraço, a empresa já tem compromissos financeiros assumidos e prazos para cumprir. Isso pode significar mais armazenagem, atrasos e custos que poderiam ter sido evitados”, afirma.

Segundo a especialista, a conferência deve começar na negociação internacional e continuar até a entrada da mercadoria no estoque, garantindo coerência entre documentos, pagamentos e registros aduaneiros.

Falta de integração também compromete o resultado financeiro

Os efeitos da desorganização vão além da fiscalização. Quando contratos de câmbio, despesas logísticas, tributos e pagamentos internacionais são acompanhados separadamente, a empresa pode ter dificuldade para calcular o custo efetivo de uma importação e identificar onde sua margem está sendo pressionada.

Para Thiago Oliveira, CEO da Saygo Group, a gestão das importações precisa deixar de ser uma atividade isolada dos departamentos operacionais. “O empresário não pode descobrir no fechamento que uma importação custou mais do que o previsto porque ninguém reuniu todas as despesas. Quando os dados não estão conectados, a empresa perde a capacidade de antecipar problemas e tomar decisões com segurança”, destaca.

O executivo ressalta que a integração também fortalece a governança e o compliance, conjunto de práticas voltadas ao cumprimento das exigências legais e regulatórias. Informações consolidadas permitem acompanhar compromissos financeiros, identificar atrasos recorrentes e comparar custos previstos com os efetivamente realizados.

Tecnologia pode reduzir pontos cegos nas importações

A necessidade de reunir informações operacionais e financeiras levou a Saygo a desenvolver o Vision, plataforma que centraliza dados relacionados a embarques, pagamentos, câmbio e exigências regulatórias. A ferramenta permite acompanhar processos e identificar pendências, reduzindo a dependência de controles manuais.

Para Thiago, o benefício vai além da organização documental. O histórico das operações também pode ajudar a identificar padrões de custos, gargalos logísticos e oportunidades de melhoria na gestão. “Digitalizar não é simplesmente substituir uma planilha por uma ferramenta. É fazer com que as informações trabalhem juntas. Quando conseguimos enxergar quanto custa importar de determinado fornecedor, quais etapas apresentam atrasos e onde o dinheiro está sendo consumido, passamos a tomar decisões mais estratégicas”, explica.

Fabiane ressalta que a tecnologia não substitui o conhecimento técnico. A classificação correta das mercadorias e o cumprimento das exigências aduaneiras continuam sendo fundamentais. “Um sistema pode ajudar a identificar inconsistências, mas é preciso ter critérios para analisar o que está sendo declarado. Sem processos bem estruturados, a empresa apenas transfere a desorganização para uma plataforma digital”, afirma.

Como preparar a empresa para os novos controles

A adequação começa pelo mapeamento dos processos internos, com definição de responsáveis pela conferência documental, padronização dos cadastros de produtos e integração entre as áreas financeira, comercial e logística. Também é necessário acompanhar o cronograma da Duimp, cuja obrigatoriedade varia conforme as características de cada operação.

Para o CEO, a mudança deve ser encarada como uma oportunidade de aprimorar a gestão empresarial. “A empresa precisa saber quanto cada importação realmente custa, quais fornecedores entregam dentro do prazo e onde estão os riscos. A fiscalização digital reforça essa necessidade, mas ter informações confiáveis também é fundamental para proteger a margem, planejar o caixa e crescer com controle”, conclui.

(*) Com informações da Saygo Group

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Brasil reforça ambiente favorável para avanço do Acordo Mercosul-Canadá na Brazil Week em Toronto

Durante a Brazil Week, em Toronto, delegação brasileira apresenta potencial brasileiro a negociadores canadenses para expandir participação do país em um mercado que importa mais de US$ 500 bilhões ao ano.

Da Redação (*)

Brasília – O governo brasileiro e o setor produtivo intensificaram nesta semana as tratativas para a conclusão do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Canadá. Durante a Brazil Week, realizada em Toronto, autoridades e empresários debateram estratégias para diversificar a pauta de exportações e ampliar a presença de produtos e investimentos brasileiros no mercado canadense, que atualmente importa mais de US$ 500 bilhões anuais. Hoje, a fatia do Brasil nesse mercado é de apenas 1,3%.

A urgência em finalizar o tratado comercial foi o tema central das discussões bilaterais. O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, que lidera a delegação nacional no evento, destacou o empenho em estreitar laços com a contraparte canadense, que tem suas tratativas conduzidas por Aaron Fowler, Diretor-Chefe de Negociação do Acordo Mercosul–Canadá.

“A ideia é, principalmente, acelerar, criar um bom ambiente para que o Acordo Mercosul-Canadá possa ser finalizado logo”, afirma. “O contexto geopolítico atual, marcado pela instabilidade nas cadeias globais e pelas recentes tarifas impostas pelo atual governo dos Estados Unidos a ambos os países, reforça a necessidade de diversificação”. Segundo o presidente da ApexBrasil, o cenário gera nova oportunidade tanto para o comércio quanto para investimentos.

Agronegócio, orgânicos e o valor da sustentabilidade

Em 2025, o comércio bilateral entre os países somou US$ 10,4 bilhões, mas as exportações do Brasil continuam altamente concentradas, com ouro e alumina representando mais de 65% do total vendido ao país norte-americano. A conclusão do acordo tarifário tem como meta abrir espaço competitivo para produtos de maior valor agregado.

A estratégia comercial mira a expansão das vendas de carne bovina de alta qualidade, frutas, orgânicos e itens naturais da sociobiodiversidade amazônica. A base dessa expansão é a complementaridade econômica: o Canadá é um fornecedor estratégico de fertilizantes, enquanto o Brasil consolida-se como potência global em agricultura tropical.

Transição energética e processamento de minerais críticos

O setor industrial, com foco na cadeia de minerais críticos, forma o outro pilar de possibilidades. Essenciais para a transição energética global — cuja demanda deve quadruplicar até 2040 —, esses recursos têm no Brasil um de seus maiores expoentes mundiais, com destaque para a segunda maior reserva global de terras raras.

A recém-sancionada Política Nacional para Minerais Críticos estabelece segurança jurídica e estabilidade para atrair o capital estrangeiro. O objetivo é romper com o modelo restrito à extração mineral bruta e focar no processamento tecnológico.

O Canadá, que abriga o principal polo de financiamento à mineração do mundo, demonstrou receptividade. “Eles estão muito interessados naquilo que o Brasil quer, que é construir no Brasil uma indústria de processamento e de agregação de valor dos minerais críticos e dos minerais raros, que a nossa legislação acabou de trazer”, explica Laudemir Müller. “Eu acho que isso é uma grande oportunidade, eles têm alto interesse, e o Canadá pode ser um grande parceiro para desenvolver essa indústria no Brasil”.

Expansão além das commodities

O esforço em Toronto também envolve captar uma fatia maior do capital canadense. Apesar de ser o terceiro maior destino de investimentos diretos estrangeiros no mundo, o Brasil recebe atualmente apenas 1% dos mais de C$ 2,4 trilhões que o Canadá mantém investidos no exterior.

Para reverter esse quadro, a ApexBrasil articula parcerias que vão além da indústria pesada e do agronegócio, englobando tecnologia para agricultura (AgriTech), economia criativa, produção de games, desenvolvimento de softwares e o setor audiovisual. A delegação brasileira reforça que a previsibilidade oferecida por uma matriz elétrica com cerca de 90% de fontes renováveis e a confiança mútua consolidada entre as duas nações formam a base segura para essa integração econômica de longo prazo.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Variação cambial preocupa empresas brasileiras: o que dizem os especialistas do IamForexTrader

Brasília – A oscilação do dólar continua sendo um dos principais desafios para empresas brasileiras que atuam no comércio internacional. Uma mudança aparentemente pequena na taxa de câmbio pode aumentar o custo de uma importação, reduzir a rentabilidade de uma exportação e comprometer o planejamento financeiro de negócios que dependem de fornecedores ou clientes estrangeiros.

Para compreender esses impactos, é necessário olhar além da cotação diária. O IamForexTrader, plataforma especializada em análises de corretoras, mercado Forex e educação financeira, apresenta uma perspectiva sobre os riscos cambiais e as estratégias que podem ajudar empresas a enfrentar a volatilidade das moedas.

A questão central não é apenas descobrir se o dólar vai subir ou cair. Para importadores e exportadores, o desafio está em preservar as margens comerciais e manter a previsibilidade dos resultados, mesmo quando o mercado segue uma direção inesperada.

Por que a variação cambial preocupa o comércio exterior brasileiro?

A variação cambial ocorre quando o valor de uma moeda muda em relação a outra. No Brasil, as oscilações do dólar americano recebem atenção especial porque grande parte das operações internacionais utiliza a moeda como referência.

Quando o real se desvaloriza, empresas que precisam comprar dólares para pagar fornecedores estrangeiros passam a enfrentar custos maiores. Por outro lado, exportadores que recebem pagamentos em dólares podem se beneficiar da conversão dessas receitas para reais.

Entretanto, essa relação não é tão simples quanto parece.

Uma indústria exportadora pode receber mais reais por suas vendas internacionais e, simultaneamente, pagar mais caro por máquinas, combustíveis e matérias-primas importadas. Dependendo da estrutura de custos, o ganho cambial sobre as receitas pode ser parcialmente ou totalmente compensado pelo aumento das despesas.

O problema se intensifica quando existe um intervalo significativo entre a assinatura de um contrato e o pagamento efetivo.

Durante esse período, mudanças nas cotações podem alterar o resultado financeiro de uma operação que inicialmente parecia lucrativa.

Como o dólar afeta importadores e exportadores?

Cenário cambial Impacto sobre importadores Impacto sobre exportadores
Valorização do dólar Aumento dos custos de compras em moeda americana Maior valor em reais das receitas em dólares
Desvalorização do dólar Redução dos custos de compras em dólares Menor valor em reais das receitas em dólares
Alta volatilidade Dificuldade para calcular custos e definir preços Incerteza sobre receitas e margens futuras
Maior estabilidade Mais previsibilidade nas compras internacionais Melhor planejamento de receitas e investimentos

Os efeitos apresentados são gerais. O impacto efetivo depende das condições contratuais, da composição dos custos, das moedas utilizadas e das estratégias de proteção financeira adotadas.

Quanto uma oscilação cambial pode custar a uma empresa?

Imagine uma importadora brasileira que negocia a compra de equipamentos no valor de US$ 100 mil.

No momento da negociação, a cotação utilizada no planejamento financeiro é de R$ 5,00 por dólar. Portanto, a empresa calcula que precisará desembolsar R$ 500 mil para pagar ao fornecedor.

No entanto, o pagamento será realizado somente após a entrega dos equipamentos.

Nesse intervalo, o dólar pode apresentar diferentes comportamentos.

Cotação do dólar Valor da importação Diferença em relação ao orçamento
R$ 4,80 R$ 480.000 Economia de R$ 20.000
R$ 5,00 R$ 500.000 Sem alteração
R$ 5,20 R$ 520.000 Custo adicional de R$ 20.000
R$ 5,40 R$ 540.000 Custo adicional de R$ 40.000

Exemplo hipotético, sem considerar spread cambial, tarifas bancárias, impostos ou despesas logísticas.

Se a cotação passar de R$ 5,00 para R$ 5,40, a importadora terá um custo adicional de R$ 40 mil, equivalente a 8% do valor inicialmente previsto em reais.

Para uma empresa que trabalha com margens comerciais reduzidas, esse aumento pode comprometer uma parcela significativa do lucro esperado.

A situação se torna ainda mais complexa quando existem diversos contratos internacionais, com diferentes prazos e moedas de pagamento.

O que a análise do IamForexTrader revela sobre os riscos cambiais?

A principal conclusão da análise é que a exposição cambial precisa ser tratada como parte do planejamento financeiro, e não apenas como uma consequência inevitável das operações internacionais.

O mercado Forex reúne moedas negociadas globalmente e reage a fatores como decisões de política monetária, inflação, expectativas econômicas e acontecimentos geopolíticos.

Esses movimentos são relevantes tanto para participantes dos mercados financeiros quanto para empresas que realizam transações comerciais internacionais.

Na perspectiva apresentada pelo IamForexTrader, três aspectos merecem atenção especial.

1. Prever o dólar não é o mesmo que controlar riscos

Empresas podem acompanhar indicadores econômicos, decisões dos bancos centrais e tendências de mercado, mas nenhuma dessas informações permite prever com segurança a direção futura das cotações.

Por isso, uma estratégia financeira baseada exclusivamente na expectativa de valorização ou desvalorização de uma moeda pode aumentar a exposição ao risco.

A alternativa consiste em avaliar diferentes cenários e preparar o negócio para resultados desfavoráveis.

2. O prazo da operação é tão importante quanto a cotação

Uma importadora que precisa comprar dólares amanhã enfrenta uma situação diferente daquela que possui pagamentos programados para os próximos seis meses.

Quanto maior a distância entre a contratação e a liquidação financeira, maior pode ser a incerteza sobre o custo final da operação.

A análise das datas de recebimento e pagamento permite identificar períodos de maior exposição e planejar medidas de proteção.

3. A proteção cambial deve preservar a atividade principal

Importadores e exportadores não precisam transformar suas operações comerciais em estratégias especulativas sobre moedas.

O objetivo da gestão cambial é reduzir a incerteza financeira e proporcionar condições mais previsíveis para a continuidade dos negócios.

Uma empresa que consegue estimar seus custos futuros pode negociar preços, planejar estoques e administrar seu capital de giro com maior segurança.

A prioridade de uma política cambial não deve ser acertar a próxima cotação do dólar, mas garantir que oscilações inesperadas não comprometam a sustentabilidade financeira da empresa.

Hedge cambial: como proteger operações internacionais?

Entre as alternativas de gestão financeira, o hedge cambial é uma das mais utilizadas para reduzir a exposição às oscilações das moedas.

A estratégia consiste em utilizar mecanismos que possam compensar, limitar ou neutralizar determinados efeitos das variações cambiais sobre receitas e obrigações futuras.

Existem diferentes instrumentos disponíveis, cada um com características específicas.

Contratos a termo e NDF

Os contratos a termo permitem estabelecer antecipadamente determinadas condições para operações cambiais futuras.

Uma modalidade conhecida é o NDF (Non-Deliverable Forward), no qual ocorre uma liquidação financeira baseada na diferença entre a taxa contratada e uma taxa de referência.

Para uma importadora, esse mecanismo pode ajudar a reduzir a incerteza sobre o custo de uma obrigação em moeda estrangeira.

Contudo, a proteção também pode impedir que a empresa aproveite integralmente movimentos favoráveis da taxa de câmbio.

Contratos futuros de dólar

Os contratos futuros negociados em mercados organizados permitem assumir posições destinadas a compensar parcialmente os efeitos de movimentos cambiais.

No Brasil, a B3 oferece instrumentos que podem ser utilizados para essa finalidade.

É importante considerar, entretanto, que contratos futuros podem exigir garantias e ajustes financeiros diários.

Assim, uma operação de proteção economicamente adequada também precisa ser compatível com a capacidade de caixa da empresa.

Opções cambiais

As opções oferecem ao comprador o direito, mas não a obrigação, de realizar uma operação sob condições previamente estabelecidas.

Dependendo da estrutura contratada, elas podem limitar perdas decorrentes de movimentos desfavoráveis e preservar parte dos benefícios de uma oscilação positiva.

Essa flexibilidade normalmente envolve o pagamento de um prêmio.

Hedge natural

Nem toda proteção exige a contratação de derivativos financeiros.

Uma empresa exportadora que recebe em dólares e também realiza pagamentos internacionais na mesma moeda pode utilizar parte dessas receitas para cumprir suas obrigações.

Essa combinação reduz a necessidade de conversões cambiais, desde que respeitados os prazos financeiros, as exigências operacionais e a regulamentação aplicável.

Como empresas podem reduzir os riscos da variação cambial?

Uma estratégia eficiente começa pela identificação das operações que realmente apresentam exposição às moedas estrangeiras.

Antes de contratar instrumentos financeiros, a empresa precisa entender quando receberá recursos, quando deverá realizar pagamentos e quais valores poderão sofrer alterações.

Algumas práticas ajudam a estruturar essa gestão:

  1. Mapear pagamentos e recebimentos internacionais. Registrar valores, moedas utilizadas e datas previstas para cada operação.
  2. Calcular a exposição cambial líquida. Considerar receitas e despesas na mesma moeda e seus respectivos vencimentos.
  3. Simular diferentes cenários. Avaliar os efeitos de valorizações e desvalorizações sobre custos, receitas e margens.
  4. Estabelecer limites de risco. Definir o nível de oscilação financeira que a empresa consegue suportar.
  5. Avaliar instrumentos de proteção. Comparar os custos, benefícios e obrigações associados a cada alternativa.
  6. Revisar periodicamente a estratégia. Atualizar as projeções conforme contratos comerciais e condições de mercado mudam.

Também é importante definir responsabilidades internas.

Em empresas de maior porte, decisões relacionadas à exposição cambial geralmente envolvem os departamentos financeiro, comercial e de gestão de riscos.

Já pequenos importadores e exportadores podem buscar orientação de instituições autorizadas e profissionais especializados para selecionar alternativas compatíveis com suas operações.

Por que acompanhar apenas a cotação do dólar não é suficiente?

Uma dificuldade recorrente no comércio exterior é confundir a cotação divulgada em portais financeiros com a taxa efetivamente utilizada em uma operação de câmbio.

No Brasil, o Banco Central divulga referências cambiais, incluindo a PTAX, que servem a diferentes finalidades econômicas e financeiras.

Entretanto, a taxa negociada por uma empresa com uma instituição autorizada pode ser diferente dessas referências.

Além da cotação, o custo efetivo de uma operação pode incluir spread cambial, tarifas e tributos, conforme suas características.

Por essa razão, uma comparação adequada deve considerar todos os componentes relevantes, e não apenas o valor apresentado em um gráfico de mercado.

O Banco Central do Brasil disponibiliza dados históricos de cotações que podem auxiliar análises financeiras e estudos sobre o comportamento das moedas.

Essas informações são úteis para identificar movimentos anteriores, mas não garantem que padrões observados no passado se repetirão.

Agronegócio e indústria: setores especialmente expostos

Os efeitos da variação cambial não se limitam a empresas especializadas em importação e exportação.

No agronegócio brasileiro, por exemplo, produtores de commodities podem negociar vendas internacionais com preços referenciados em dólares, enquanto parte dos custos de produção depende de insumos importados.

Fertilizantes, defensivos agrícolas, máquinas e determinados equipamentos podem sofrer influência das condições cambiais.

Uma valorização do dólar pode beneficiar receitas de exportação, mas também aumentar custos associados à preparação de safras futuras.

Na indústria, a situação apresenta características semelhantes.

Fabricantes que dependem de componentes estrangeiros podem enfrentar pressão sobre margens quando o real perde valor, principalmente se houver dificuldade para repassar aumentos de custos aos consumidores.

Ao mesmo tempo, uma moeda brasileira mais fraca pode favorecer a competitividade internacional de determinados produtos fabricados no país.

O resultado depende da participação dos insumos importados, da formação dos preços e das condições de demanda em cada mercado.

Os erros que podem comprometer a rentabilidade

A volatilidade cambial faz parte do ambiente internacional. Entretanto, algumas decisões empresariais podem ampliar seus efeitos negativos.

Entre os erros mais comuns estão:

  • Orçamentos sem margem de segurança: calcular preços considerando apenas uma cotação e desconsiderar possíveis oscilações.
  • Descompasso entre receitas e despesas: assumir pagamentos em moeda estrangeira sem avaliar quando os recursos estarão disponíveis.
  • Ausência de planejamento: contratar fornecedores internacionais sem analisar o impacto cambial sobre o resultado final.
  • Proteção inadequada: utilizar instrumentos financeiros incompatíveis com o valor ou o prazo das obrigações comerciais.
  • Excesso de confiança nas previsões: adiar decisões importantes esperando uma cotação considerada ideal.

Também é necessário diferenciar operações destinadas à proteção de estratégias de negociação que buscam lucro com movimentos de mercado.

A utilização de alavancagem e derivativos sem compreensão de seus riscos pode criar obrigações financeiras adicionais, em vez de reduzir a exposição da empresa.

Gestão cambial pode se tornar uma vantagem competitiva

Em um mercado internacional competitivo, administrar corretamente a exposição cambial pode representar uma vantagem importante.

Empresas que conseguem projetar seus custos com maior precisão possuem melhores condições para negociar contratos de longo prazo, planejar investimentos e preservar margens comerciais.

Essa previsibilidade também contribui para decisões relacionadas a estoques, expansão internacional e seleção de fornecedores.

A proteção cambial não elimina todos os riscos do comércio exterior e tampouco garante resultados positivos. Sua função é ajudar a reduzir a dependência de movimentos imprevisíveis das moedas.

Para importadores, exportadores e empresas com operações internacionais, compreender a dinâmica do mercado Forex é uma parte relevante desse processo.

Conclusão

A variação cambial continuará influenciando as decisões de empresas brasileiras que compram, vendem ou mantêm compromissos financeiros no exterior.

A valorização ou a desvalorização do dólar pode criar oportunidades, mas também provocar aumentos inesperados de custos e alterações importantes nas margens de lucro.

A análise apresentada pelo IamForexTrader reforça a importância de combinar conhecimento sobre o mercado de moedas com planejamento financeiro, avaliação de riscos e instrumentos adequados de proteção.

Mais importante do que tentar antecipar cada movimento do dólar é construir uma estratégia que permita à empresa manter sua competitividade mesmo diante de mudanças inesperadas no cenário internacional.

Para o comércio exterior brasileiro, essa capacidade de adaptação pode ser tão importante quanto a negociação de bons preços e a conquista de novos mercados.

 

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