Big techs na América Latina: a corrida bilionária por data centers

Investimento recorde, disputa de mercado e o dilema da transferência de tecnologia

Frederico Lamego (*)

O maior ciclo de investimento em infraestrutura tecnológica da história recente está em curso. Amazon, Microsoft, Alphabet (Google) e Meta devem investir, juntas, entre US$ 650 bilhões e US$ 725 bilhões em 2026 em infraestrutura de IA no mundo todo — alta de quase 70% sobre 2025. Segundo a PwC/Oxford Economics, o mundo deve investir US$ 31,6 trilhões em data centers até 2050. E a América Latina, pela primeira vez, deixou de ser espectadora. Diversos investimentos vêm sendo anunciados em vários países. Há duas disputas simultâneas: entre países, que competem por energia limpa, incentivos fiscais e previsibilidade regulatória; e entre plataformas que buscam o domínio do mercado de nuvem regional. O desafio está em não perder essa onda de investimentos que dependerá diretamente do arcabouço legal que vem sendo desenhado no Brasil, México, Chile e Colômbia.

Há diversos investimentos em curso. A OpenAI escolheu a Argentina para sediar o primeiro data center do projeto Stargate na América Latina (US$ 25 bilhões na Patagônia). A TikTok anunciou seu maior investimento na região com mais de US$ 39 bilhões (R$ 200+ bi) no Ceará, Brasil. O Mercado Livre, pela via da logística de e-commerce, confirmou aporte recorde de US$ 11,2 bilhões (R$ 57 bi) no Brasil em 2026. A Amazon anunciou US$ 14,6 bilhões em investimentos para infraestrutura de nuvem na região: US$ 5,6 bi no Brasil, US$ 5 bi no México e US$ 4 bi no Chile, além de investimentos em operações logísticas. Já Microsoft investe US$ 2,9 bilhões (R$ 14,7 bi) em nuvem e IA no Brasil até 2027. Já a Google opera regiões em São Paulo, Santiago e Querétaro, tendo anunicado a aplicação de recursos da ordem de US$ 850 milhões no Uruguai. O Brasil lidera os investimentos na região, com 48% da capacidade instalada de data centers e 71% de toda a capacidade em construção, à frente de México, Chile e Argentina somados.

Em paralelo a esses investimentos, há discussões regulatóras e sobre transferência de tecnologias. Na Argentina, um único projeto de data center da OpenAI veio acompanhado de novos acordos de transferência de dados com os EUA. Na Colômbia, a tramitação da lei de proteção a menores nas redes envolveu diálogo intenso entre o setor e o Congresso. No Chile e no Uruguai, projetos de data center de Google e AWS passaram por renegociação de escala e de uso de recursos hídricos junto a comunidades locais — um processo aponta caminhos de convivência entre investimentos e sustentabilidade. E, no Brasil, há diversos projetos de lei e resoluções em curso: o PL 2338/2023 que trata de marca legal da inteligência artifical, além do PL 4675/2025 que propõe regulações pelo CADE para plataformas digitais. Este último foi inclusive objeto do tarifaço americano contra produtos brasileiros que citou explicitamente a regulação de plataformas. Há ainda o PL 278/2026 que trata do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter – Redata que está em fase de sanção pela Presidência. A Resolução Gecex nº 852/2026 elevou as alíquotas do Imposto de Importação sobre servidores, semicondutores e circuitos integrados (7,2% a 25%), acirrando o embate entre big techs — que preferem importar servidores já montados, com GPUs da Nvidia e AMD embutidas em arquiteturas proprietárias — e fabricantes nacionais.

No tema da tranferência de tecnologia, há discussões sobre a necessidade dos países desenvolverem seus modelos de IA. Os atuais investimentos focam em construção civil, energia, água e operação, enquanto o desenvolvimento de modelos de IA e o desenho de chips permanecem nos países de origem. Contudo, o desenvolvimento dessa agenda só será possível com investimentos em infraestrutura e capacitação.  Há problemas relacionados com a infraestrutura de cabos submarinos e o gargalo de conexão à rede elétrica — apontado pela PwC como o principal limitador global do setor. No tema da logística física de e-commerce, há falta de energia e mão de obra que afetam as operações da Amazon e do Mercado Livre.

A manutenção do fluxo atual de investimentos — e a perspectiva de novos aportes — dependerá, assim, diretamente do arcabouço legal que Brasil, México, Chile e Colômbia estão desenhando. O caso brasileiro merece atenção especial: o país reúne potencial para se tornar ator relevante na transição energética justamente como complemento à instalação de data centers. Nesse sentido, a regulamentação da reforma tributária tende a ter impacto positivo, ao trazer previsibilidade de médio prazo para investimentos de capital intensivo e longa maturação. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação de que o excesso de regulação e a competição predatória entre estados e países acabem por prejudicar, em vez de consolidar, essa onda. Ou seja, a soberania digital dependerá da qualidade da regulação doméstica e não do estabelecimento de condicionalidades ao capital estrangeiro. O desafio dos próximos anos será duplo: atrair e reter capital sem transformar a disputa numa corrida ao fundo do poço regulatório.

(*) Frederico Lamego é Assessor Especial da Confederação Nacional da Indústria – CNI e Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília.

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Prêmio ApexBrasil + EXAME abre inscrições para reconhecer os melhores negócios internacionais de 2026

Em sua terceira edição, iniciativa premiará empresas e instituições que se destacam em exportações, internacionalização e atração de investimentos. Inscrições são gratuitas e seguem até 17 de setembro

Da Redação (*)

Brasília – Estão abertas as inscrições para o Prêmio ApexBrasil + EXAME: Melhores dos Negócios Internacionais 2026. Realizada pelo terceiro ano consecutivo, a premiação reconhece empresas e instituições que contribuem para ampliar a presença brasileira no mercado internacional por meio de iniciativas inovadoras, sustentáveis e capazes de gerar impacto econômico e social.

Inscreva-se

Podem concorrer empresas brasileiras ou com operação no país, cooperativas, startups, comerciais exportadoras, entidades setoriais, fundos de participação e sociedades de investimentos. Serão avaliadas iniciativas desenvolvidas entre janeiro de 2025 e junho de 2026 nas áreas de exportação e atração de investimentos.

Nas duas edições anteriores, o prêmio recebeu mais de 900 inscrições e reconheceu mais de 37 instituições. Em 2026, a iniciativa conta com 13 categorias, que contemplam empresas de diferentes portes e setores, além de aspectos estratégicos para a atuação internacional brasileira, como sociobiodiversidade, desenvolvimento regional, diversidade, cooperativismo e inovação.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até 17 de setembro. A cerimônia de premiação está prevista para 1º de dezembro, em São Paulo.

Categorias da edição de 2026

  • Promoção da Sociobiodiversidade;
  • Desenvolvimento Regional;
  • Liderança e Diversidade;
  • Cooperativismo;
  • Indústria — micro, pequenas ou médias empresas;
  • Indústria — grandes empresas;
  • Serviços;
  • Agro — micro, pequenas ou médias empresas;
  • Agro — grandes empresas;
  • Startup;
  • Investimento Estrangeiro;
  • Destaque Projeto Setorial Agro;
  • Destaque Projeto Setorial de Indústria e Serviços.

Cada categoria possui critérios próprios de avaliação, detalhados no regulamento. Entre os aspectos considerados estão o desempenho internacional e a adoção de práticas corporativas relacionadas ao tema da categoria. Os candidatos também deverão apresentar um relato de caso destacando os principais da organização, o que irá compor a maior parte da nota.

Os postulantes com as melhores pontuações de acordo com os critérios de cada categoria serão avaliados por uma comissão julgadora composta por representantes da ApexBrasil, da EXAME, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Sebrae.

Os vencedores receberão o troféu do Prêmio ApexBrasil + EXAME além de um prêmio inédito: as empresas vencedoras terão 1 ano de isenção de taxas de participação relacionadas a serviços prestados diretamente pela ApexBrasil em 2027.

Serviço

Prêmio ApexBrasil + EXAME: Melhores dos Negócios Internacionais 2026
Inscrições: gratuitas, até 17 de setembro de 2026
Cerimônia de premiação: 1º de dezembro de 2026
Local: São Paulo (SP)
Inscrições: acesse a página do prêmio
Regulamento: confira as regras e os critérios de participação

(*) Com informações da ApexBrasil

 

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Balança de poder: Direita mira o Senado em 2027

Márcio Coimbra (*)

A eleição presidencial costuma monopolizar os holofotes do debate público, mas o verdadeiro centro de gravidade da política brasileira para 2027 está sendo desenhado, em silêncio, na disputa pela renovação de duas terças partes do Senado Federal. Longe de ser apenas uma câmara revisora, o Senado se consolida como o grande fiel da balança institucional do país.

A projeção de uma bancada de oposição com cerca de 43 cadeiras — impulsionada por um PL fortalecido com 20 senadores — reflete não um acaso eleitoral, mas o resultado de um plano altamente calculado do movimento bolsonarista para reconfigurar a arquitetura de poder na República.

A obstinação da direita em dominar a Casa Alta responde a uma lógica de sobrevivência e pragmatismo. Ao constatar que o Judiciário se tornou uma trincheira autônoma de interesses próprios e que o Executivo oscila entre um conveniente progressismo e as intempéries da economia, o bolsonarismo converteu a disputa senatorial em prioridade absoluta

Lançando ex-ministros e nomes de expressivo apelo ideológico, o movimento transformou o pleito para o Senado em um vértice estratégico. A meta é clara: erguer uma trincheira capaz de emparedar o Supremo Tribunal Federal, além de ditar o rumo das sabatinas e escolhas para órgãos vitais do Estado, de Embaixadas até agências reguladoras.

Essa reorganização alterará drasticamente a dinâmica da governabilidade, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto. Se o eleitorado optar por um governo progressista, o Executivo enfrentará uma conjuntura de permanente sufoco. Com apenas cerca de três dezenas de aliados convictos, o Planalto ficará refém de negociações com os poucos parlamentares flutuantes e alas pragmáticas do MDB e do PSD para evitar a derrubada de vetos e neutralizar pautas-bomba.

Por outro lado, caso vença um presidente conservador, o Senado deixará de atuar como freio moderador para se transformar em catalisador, acelerando reformas liberais, blindando o governo na indicação de ministros para as Cortes Superiores e outras posições estratégicas.

Ainda assim, a aritmética parlamentar revela uma limitação crucial. Embora 43 senadores garantam a maioria simples para controlar comissões e o plenário, o número fica aquém da margem superqualificada de 54 votos exigida para aprovar emendas constitucionais ou conduzir processos de impeachment contra ministros do STF e o chefe do Executivo. A oposição terá musculatura política para produzir fricção constante e desgastar seus adversários, mas não a força bruta necessária para promover mudanças sem o endosso do centro pragmático.

Essa equação coloca em xeque o pragmatismo do Centrão e encurrala o futuro de Davi Alcolumbre. Para reter qualquer margem de controle na presidência do Senado, o amapaense será forçado a fatiar o próprio poder, entregando comissões e cargos estratégicos ao bloco conservador. Mais do que impor concessões, contudo, essa nova maioria ganha musculatura suficiente para peitar a política tradicional, lançar um candidato próprio e destronar o caciquismo da Casa. O sinal dos tempos é límpido: pelas engrenagens desse renovado plenário, já não passará apenas a disputa da Mesa Diretora, mas a própria chave da estabilidade política da República.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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A corrida dos EUA por terras raras e minerais críticos e o Brasil

Fernanda Brandão (*)

As inovações tecnológicas, o desenvolvimento da Inteligência Artificial e a transição energética contribuíram para que os minerais críticos se tornassem recursos estratégicos e de grande valor geopolítico no cenário internacional contemporâneo. O mercado de minerais críticos hoje é extremamente concentrado em um único país, a China, que é responsável por 90% do processamento desses minerais e possui as maiores reservas conhecidas deles.

No contexto da competição tecnológica entre China e Estados Unidos e do esforço do governo americano de promover o desacoplamento entre as duas economias, assegurar acesso a fontes alternativas de minerais críticos tornou-se um interesse vital para os Estados Unidos.

Nesse cenário, o Brasil tem despontado como um ator estratégico que pode ser valioso para reduzir a dependência americana de recursos minerais chineses fundamentais para a indústria de tecnologia, inclusive com finalidades militares. O Brasil possui as segundas maiores reservas conhecidas de minerais críticos do mundo.

As reservas brasileiras desses minerais ainda são muito pouco exploradas, tornando o país um alvo do interesse americano para garantir acesso privilegiado a esses recursos. Não é à toa que a Estratégia Nacional de Defesa dos EUA afirma que as Américas são parte da zona de influência do país, que buscará garantir a manutenção de sua preponderância na região.

Esse compromisso é apresentado como o Corolário Trump da Doutrina Monroe, que ficou conhecida como “doutrina Donroe”. Além de manter a primazia da influência americana na região, os EUA querem garantir acesso privilegiado aos recursos estratégicos da região, como o petróleo venezuelano e os minerais críticos brasileiros.

As relações bilaterais entre Brasil e EUA têm sido marcadas por tensão e pela imposição de tarifas arbitrárias e desproporcionais às exportações brasileiras, apesar do suposto bom relacionamento entre Trump e Lula. As tarifas aplicadas pelo governo americano têm tido como um de seus principais objetivos forçar os países a buscarem acordos de renegociação dessas tarifas com os Estados Unidos, que têm incluído exigências sobre minerais críticos, como a facilitação de investimentos dos EUA em toda a cadeia produtiva do recurso. Recentemente, o Brasil foi alvo de uma nova leva de tarifas e da interrupção das negociações para a remoção das tarifas aplicadas sobre o país.

No último ano, houve um aumento significativo nas solicitações para obtenção de licenças para exploração de reservas de minerais críticos, sobretudo por empresas estrangeiras, com destaque para empresas americanas, canadenses e australianas. Os Estados Unidos se destacam pela compra da única empresa de exploração de minerais críticos no país, a Serra Verde, por uma empresa americana na qual o governo dos EUA possui participação.

Em abril deste ano, a USA Rare Earth anunciou a aquisição da Serra Verde por US$ 2,8 bilhões e, três meses depois, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou que tem planos de investir US$ 1,6 bilhão na USA Rare Earth, em troca de 16 milhões de ações da empresa. A Serra Verde é hoje a única empresa fora da Ásia capaz de prover os quatro principais minerais para ímãs de alto desempenho: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

Antes da compra pela empresa americana, a Serra Verde operou em parceria com a empresa chinesa Shenghe Resources, com a qual possuía um contrato de dez anos, e chegou a enviar, em um ano, 85% de sua produção para a cadeia de produção chinesa. O contrato com a empresa chinesa foi encerrado em 2025, sete anos antes do previsto. O anúncio do encerramento do contrato foi seguido do anúncio de aumento do empréstimo feito à empresa Serra Verde pela americana International Development Finance Corporation.

Em agosto de 2026, o Departamento da Guerra dos EUA anunciou um pacote de US$ 750 milhões em investimentos para a aquisição de minerais críticos oriundos do projeto Pela Ema, em Serra Verde. Esse recurso seria parte de um projeto de US$ 1,55 bilhão em investimentos na Serra Verde. No acordo, o governo americano também se comprometeu a comprar pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras nos próximos cinco anos.

Os minerais críticos são muito importantes para a indústria de defesa americana, inclusive para a produção de aviões-caça e mísseis, que estão com baixo estoque por conta dos conflitos na Ucrânia e no Irã. O Departamento da Guerra e outras autarquias americanas também têm investido em projetos relacionados a minerais críticos no continente africano, porém o Brasil tem recebido os maiores montantes de investimento.

O governo brasileiro se manifestou com preocupação sobre o acordo estabelecido e estuda acionar o Poder Judiciário para vetá-lo, uma vez que o acordo prevê a exportação dos recursos sem exigir que pelo menos parte do processo industrial seja realizado no país. Ainda assim, poucos dias depois do anúncio, houve a retomada das negociações comerciais entre Estados Unidos e Brasil sobre as tarifas aplicadas ao país.

A exploração das reservas brasileiras de minerais críticos traz desafios e oportunidades para o país. Por serem recursos centrais para a indústria de alta tecnologia, a exploração e a produção desses recursos poderiam contribuir para a inserção do Brasil nas cadeias de produção de tecnologia, contribuindo para o crescimento econômico do país e o desenvolvimento e fortalecimento do setor industrial nacional.

Contudo, os efeitos econômicos da exploração desses recursos podem ser limitados caso o país se limite apenas à exploração e à exportação dos recursos antes dos processos de agregação de valor industrial, transferindo a maior parte da riqueza potencial desses recursos para outros países e mantendo o Brasil como fornecedor de bens primários na economia global.

Enquanto as empresas estrangeiras correm para assegurar licenças de exploração, tramita a passos lentos no Congresso Nacional o Projeto de Lei (PL) 2.780/2024, que instituirá a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Há grande divergência sobre os limites que serão colocados, ou não, sobre a exportação do minério não refinado.

A grande preocupação é criar mecanismos que estimulem as empresas exploradoras a trazer pelo menos parte do processamento desses minérios para ser realizado no país antes da exportação, aumentando o valor agregado do produto exportado, medida que desagradaria às empresas interessadas na exploração desses recursos.

Há também desafios envolvendo questões ambientais. As reservas brasileiras de minerais críticos se encontram principalmente no Centro-Oeste e no Norte, perto de terras indígenas, da Floresta Amazônica e do Cerrado. O processo de extração e refino dos minerais críticos é, geralmente, bastante poluente, gerando detritos tóxicos ou até mesmo radioativos, além do potencial de contaminação de recursos hídricos e da possibilidade de aumento do desmatamento. O tema dos minerais críticos é central para o futuro da inserção política e econômica internacional do país. As escolhas feitas sobre como acontecerá a exploração desses recursos terão impactos duradouros sobre as perspectivas de crescimento econômico e desenvolvimento social do país.

(*) Fernanda Brandão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

 

 

 

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Embratur amplia ações no mercado dos Estados Unidos para atrair eventos internacionais ao Brasil

Nova etapa da parceria com a PCMA reforça, nos EUA, a competitividade do Brasil no segmento MICE com destaque para capacidade de entrega e ecossistemas de conhecimento e negócios

Da Redação (*)

Brasília – A Embratur iniciou uma nova etapa da parceria com a Professional Convention Management Association (PCMA) voltada ao mercado de turismo de negócios e eventos dos Estados Unidos. A Agência lançou uma campanha direcionada a estrategistas de eventos profissionais e tomadores de decisão do segmento de Turismo de Negócios e Eventos. A divulgação apresenta um país que conecta eventos a setores estratégicos, comunidades profissionais, conhecimento e oportunidades de negócios.

O conteúdo é um artigo publicado no formato PCMA Engage, tem como título “A Leading Global Meeting Destination: Why Brazil Is Competing, and Winning, on the World Stage” (Um dos principais destinos globais para eventos: por que o Brasil compete – e vence- no cenário internacional). “Em um mercado global cada vez mais competitivo, o que faz um destino entrar no radar dos grandes eventos internacionais?” A campanha mostra como o Brasil responde a essa pergunta em três frentes: competitividade e diversidade de destinos; conectividade e capacidade de entrega; e ecossistemas de conhecimento e negócios.

Para o presidente da Embratur, Bruno Reis, a ação aproxima a oferta de destinos nacionais de um mercado relevante para o segmento de negócios e eventos. “Com essa ação, apresentamos ao mercado norte-americano informações concretas sobre a capacidade do Brasil para receber encontros internacionais, mostrando nossa conectividade, infraestrutura e experiência na realização de eventos de diferentes portes. É também uma oportunidade de aproximar os destinos e o trade brasileiro dos profissionais que participam das decisões sobre onde esses eventos vão acontecer”, afirma Reis.

Para Lucio Vaquero, Diretor Regional da PCMA, “a continuidade desta parceria com a Embratur é fundamental para ampliar a presença do Brasil junto aos profissionais que influenciam e decidem onde os grandes eventos internacionais acontecem. O país reúne atributos muito competitivos, como diversidade de destinos, infraestrutura, conectividade e uma indústria de eventos experiente e qualificada. Na PCMA, vemos um enorme potencial para que o Brasil continue fortalecendo seu posicionamento global e transformando essa visibilidade em novas oportunidades para todo o ecossistema de eventos e negócios.”

Eventos Internacionais

O Brasil alcançou a 13ª posição mundial no ranking da International Congress and Convention Association (ICCA), com 42 cidades brasileiras sediando eventos internacionais, em 2025, resultado que sinaliza um mercado experiente, com destinos preparados e capacidade comprovada para receber eventos de diferentes perfis e portes. A liderança latino-americana e o avanço no ranking reforçam a confiança no país como opção competitiva para novas oportunidades internacionais.

Conectividade

A facilidade de acesso é outra vantagem competitiva do Brasil. 19 aeroportos internacionais e 38 companhias aéreas conectam o país a 63 destinos no mundo. A partir dos Estados Unidos, há voos diretos de Nova York, Miami, Orlando, Atlanta, Houston, Dallas, Chicago e Los Angeles para destinos brasileiros como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Campinas, Belém, Fortaleza e Recife. Esse dado demonstra a capacidade do Brasil para receber eventos internacionais com escala, frequência e diferentes alternativas de acesso.

Acesso aos destinos brasileiros

Como desdobramento do conteúdo, o artigo direciona os profissionais para o Showcase Visit Brasil de Turismo de Negócios e Eventos – 13 principais destinos brasileiros. O material reúne informações sobre hotelaria, lugares únicos, setores econômicos e experiências em diferentes cidades brasileiras, apoiando planejadores e associações na escolha do destino mais adequado para seus eventos.

(*) Com informações da Embratur

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Paraná pode ganhar espaço com o Acordo Mercosul-União Europeia

Lourdes Manzanares (*)

O Acordo de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio deste ano, depois de mais de duas décadas de negociações. Passados quatro meses de vigência, o que se percebe no Paraná não é ainda uma revolução nos números, mas um movimento estratégico. As empresas estão se organizando, buscando informação e se preparando para vender mais e melhor para um mercado de mais de 700 milhões de consumidores.

E o estado já chega a esse momento em vantagem. Em 2025, o Estado exportou US$ 2,46 bilhões para o bloco europeu, o equivalente a 10,4% de tudo o que vendeu ao exterior, mais do que embarcou para Argentina, Estados Unidos e México somados a cada um desses mercados isoladamente. Não é uma relação que começa agora, é um vínculo que o acordo vem potencializar.

Os setores com maior capacidade de aproveitar as novas condições são o agronegócio e a agroindústria, os mais competitivos globalmente, os mais resilientes a crises externas e os que mais pesam no PIB do Estado e do país. Não por acaso, farelo de soja, madeira trabalhada, carnes (especialmente frango), açúcares e melaços lideram a pauta paranaense para a Europa. Em 2025, só o farelo de soja somou US$ 950 milhões em vendas ao bloco, seguido pela madeira compensada (US$ 203 milhões) e pela carne de frango in natura (US$ 187 milhões).

Mas o Paraná não exporta só commodity. Máquinas de terraplanagem, partes de motores para veículos e produtos químicos também aparecem entre os itens de maior valor agregado que já circulam para a Europa, e são justamente os setores com espaço para crescer com a redução de tarifas prevista no acordo.

Hoje, o impacto do acordo é mais estratégico do que estatístico. As empresas paranaenses estão concentradas em entender como exportar e como aplicar as novas regras, sobretudo em proteína animal, café, azeites vegetais, alimentos processados, máquinas e componentes industriais. Esse interesse já se traduz em mais investimento em expansão produtiva, puxado pela maior previsibilidade comercial e pelo acesso ampliado ao mercado europeu.

Como consequência direta, cresce a corrida por certificações fitossanitárias, ambientais e de rastreabilidade compatíveis com as normas europeias, um movimento que afeta com força a agroindústria, o setor de alimentos, moda, design e produtos com indicação de origem.

Nem todas as empresas estão prontas, mas os gargalos são conhecidos

Contudo, seria ingênuo dizer que todas as empresas paranaenses, ou brasileiras, já estão preparadas para o mercado europeu. As que trabalham com produtos de maior valor agregado, acostumadas a exportar para vários países do bloco, largam na frente. Já os elos mais primários da cadeia, como o setor agrário, precisam se adaptar, e a procura por informação técnica tem crescido exatamente por isso.

Os desafios são de duas ordens. Do lado estrutural, o Paraná ainda esbarra em gargalos logísticos conhecidos, como a necessidade de renegociar concessões de pedágio, ampliar a capacidade do Porto de Paranaguá e destravar a Ferroeste. O transporte rodoviário segue predominante no Brasil, e o custo disso é real. Muitas vezes é mais barato embarcar uma carga por navio até a Europa do que transportá-la de caminhão entre estados do próprio país.

Do lado regulatório, pesa o Regulamento europeu de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que passa a valer a partir de 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas e exige comprovação de origem, lote a lote, de commodities como soja, madeira e carne, um processo de rastreabilidade complexo e caro, mas sem o qual não há acesso ao mercado europeu. Some-se a isso a criação do IVA l (Imposto sobre Valor Agregado) pela reforma tributária brasileira, que, na prática, obrigará as empresas a operar dois sistemas tributários em paralelo por um bom tempo, encarecendo a gestão em um momento que pedia justamente o contrário.

O que falta para o Paraná aproveitar a janela

Nada disso é automático. Redução de tarifa não é sinônimo de venda garantida, é uma condição a mais em um jogo que ainda exige investimento em rastreabilidade, adequação regulatória e, sobretudo, infraestrutura logística à altura do potencial produtivo do Estado. As empresas de maior porte, mais acostumadas ao mercado europeu, já vêm se movimentando. O desafio agora é levar essa mesma preparação para as médias e pequenas, que respondem por boa parte da produção primária e são as que mais sentirão o peso das novas exigências.

O acordo Mercosul-União Europeia abre uma janela real de oportunidade para o Paraná. Cabe ao Estado, ao setor produtivo e às cadeias de apoio técnico transformar essa previsibilidade comercial em resultado concreto, antes que outros concorrentes globais o façam primeiro.

(*) Lourdes Manzanares é Diretora da Câmara de Indústria e Comércio Brasil-Alemanha do Paraná e Diretora Geral da Interprint do Brasil

 

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Exportações aos EUA crescem em agosto, mas acumulam queda relevante no ano nos 3 grandes setores

Em agosto, as exportações brasileiras ao país cresceram 12,1% em valor na comparação com o mesmo mês de 2025; Aumento é acompanhado por queda na quantidade vendida

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, queda de 9,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,6 bilhões a menos em vendas e levou as exportações brasileiras ao mercado norte-americano ao menor valor para o período desde 2023. Os dados são da mais recente edição do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados do Comexstat.

O comércio bilateral permanece em trajetória de retração em 2026, com queda tanto das exportações quanto das importações. Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano, com perdas para ambas as economias. Esse quadro reforça a importância de buscar soluções que reduzam barreiras e contribuam para fortalecer o comércio bilateral”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Em agosto, as exportações brasileiras aos Estados Unidos cresceram 12,1% em valor na comparação com o mesmo mês de 2025. O avanço, no entanto, foi acompanhado por queda de 17,3% na quantidade exportada, que atingiu o menor nível para um mês de agosto desde 2021. O crescimento em valor foi sustentado pelo aumento dos preços médios, embora produtos como carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café também tenham registrado altas relevantes em quantidade.

A comparação ocorre sobre uma base já impactada pelas tarifas adicionais de 40% e 50%, implementadas pelos Estados Unidos a partir de agosto do ano passado. Apesar do crescimento das exportações em valor em agosto deste ano, os produtos atualmente sujeitos às sobretaxas mais elevadas, de 25% a 37,5%, registraram queda de 10,5%.

No acumulado de janeiro a agosto, as exportações dos produtos sujeitos às sobretaxas de 25% a 37,5% tiveram retração ainda mais acentuada, de 29,1%, passando de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões. Considerando todos os bens com sobretaxas, a queda foi de 11,4%, enquanto os produtos sem sobretaxas recuaram 8,3%.

Entre os dez principais produtos submetidos às tarifas de 25% a 37,5%, nove registraram queda nas exportações ao mercado norte-americano no acumulado do ano. Entre as maiores retrações estão madeira de coníferas (-55,3%), fumo não manufaturado (-39,9%), sebo bovino (-39,4%) e granitos trabalhados (-37,4%).

Do lado das importações, agosto marcou o segundo mês consecutivo de crescimento, após sete meses de retração. As compras brasileiras de produtos norte-americanos avançaram 1,1% no mês. No acumulado do ano, porém, permanecem em queda.

Exportações aos Estados Unidos caem nos três grandes setores

O Monitor da Amcham Brasil mostra que a retração das vendas brasileiras aos Estados Unidos no acumulado do ano alcança os três grandes setores da economia, em contraste com o desempenho das exportações brasileiras para os demais mercados, que registraram crescimento em todos eles.

Entre janeiro e agosto, as exportações da indústria de transformação aos Estados Unidos caíram 4,9%, enquanto as vendas do setor para o restante do mundo cresceram 6,6%. Na indústria extrativa, as exportações para os Estados Unidos recuaram 28,9%, enquanto avançaram 19,6% para os demais mercados. Na agropecuária, os embarques para os Estados Unidos caíram 26,7%, enquanto cresceram 9,5% para o restante do mundo.

Na indústria de transformação, responsável por 83,3% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, a queda de 4,9% representa a primeira retração das vendas ao mercado norte-americano desde 2020. Mesmo com o recuo, os Estados Unidos permanecem como o principal destino das exportações industriais brasileiras, respondendo por 15,5% do total.

Entre os dez principais produtos exportados aos Estados Unidos no acumulado do ano, seis registraram queda. Em quatro deles, a retração no mercado norte-americano ocorreu em contraste com o crescimento das vendas para o restante do mundo: petróleo bruto (-31,5% para os Estados Unidos), semimanufaturados de ferro ou aço (-4,3%), ferro-gusa (-8,1%) e celulose (-1,9%).

Principais números | Jan.-Ago. de 2026:Brasil → Estados Unidos:US$ 24,1 bilhões | -9,7%

  • Importações Estados Unidos → Brasil:US$ 27,3 bilhões | -8,6%
  • Déficit brasileiro:US$ 3,2 bilhões
  • Bens sem sobretaxa:US$ 13,1 bilhões | -8,3%
  • Bens com sobretaxa:US$ 11,0 bilhões | -11,4%
  • Produtos sujeitos a sobretaxas de 25%-37,5%:US$ 3,6 bilhões | -29,1%

As análises do Monitor consideram a estrutura tarifária vigente após as medidas que entraram em vigor em 22 e 24 de julho, relacionadas às investigações da Seção 301 sobre o Brasil e sobre trabalho forçado, além das sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 232.

 

(*) Com informações da Amcham Brasil

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Comércio exterior da China cresce impressionantes 17,6% e balança comercial supera US$ 5,13 trilhões de janeiro a agosto

Da Redação (*)

Brasília – O comércio exterior da China manteve um crescimento rápido nos primeiros oito meses de 2026, com exportações e importações registrando ganhos sólidos, e o crescimento das importações continuando a superar o das exportações, segundo dados oficiais nesta terça-feira (8).

As importações e exportações totais de bens do país aumentaram 17,6% ano a ano, para 34,78 trilhões de yuans (cerca de US$ 5,13 trilhões) no período de janeiro a agosto, segundo a Administração Geral das Alfândegas.

A taxa de crescimento foi 0,3 ponto percentual mais rápida do que a registrada nos primeiros sete meses do ano.

As exportações aumentaram 14,6% ano a ano, para 20,17 trilhões de yuans, enquanto as importações cresceram 22%, para 14,61 trilhões de yuans, revelaram os dados.

Somente em agosto, o comércio de bens da China totalizou 4,65 trilhões de yuans, um aumento de 19,8% em relação ao ano anterior e permanecendo acima da marca de 4 trilhões de yuans pelo sexto mês consecutivo.

As exportações cresceram 18,6% ano a ano em agosto, enquanto as importações cresceram 21,7%.

Tanto as exportações quanto as importações registraram crescimento de dois dígitos pelo quarto mês consecutivo, e o crescimento das importações superou o das exportações pelo sexto mês consecutivo.

(*) Com informações da Agência Xinhua

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Brasil e EUA voltam a se reunir na próxima semana para retomar negociação comercial

Reunião foi acertada após ligação de Lula para Trump nesta sexta (21)

Da Redação (*)

Brasília – O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) deverão se reunir na próxima semana com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para retomar as negociações comerciais entre os dois países.

A reunião ainda terá a data acertada pelas equipes dos dois governos. O Mdic confirmou ter recebido contato do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, depois presidente estadunidense, Donald Trump.

A retomada das tratativas abre um novo canal de diálogo entre Brasília e Washington em meio à disputa comercial provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Ligação de Lula para Trump durou 80 minutos

Lula telefonou para Trump na manhã desta sexta-feira. A conversa durou uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu de forma cordial.

O presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações comerciais e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo americano para a adoção das novas tarifas são infundadas.

Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para fundamentar as medidas estão questões relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado.

Lula afirmou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu o diálogo como caminho para preservar a relação comercial entre os dois países.

Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou a retomada do contato entre as equipes dos dois governos.

Busca de solução negociada

A reunião deverá envolver Márcio Elias Rosa, integrantes do MRE e representantes do USTR.  Em nota conjunta, o MDIC e o MRE consideram que a sinalização dos dois presidentes cria uma oportunidade para a busca de uma solução negociada para o impasse comercial.

(*) Com informações da Agência Brasil

 

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Internacionalizar o negócio começa pelo financeiro: o que toda empresa precisa saber

Eduardo Garcia (*)

Quando uma empresa decide expandir para outro país, normalmente a atenção está voltada para conquistar clientes, encontrar fornecedores ou abrir novos mercados. Faz sentido porque é esse movimento que impulsiona o crescimento. O problema é que muitos empresários descobrem apenas depois que o maior desafio da internacionalização não está na venda, mas na capacidade de sustentar financeiramente essa operação.

Essa realidade é cada vez mais comum entre pequenas e médias empresas brasileiras, especialmente aquelas na fronteira, que mantêm relações comerciais entre Brasil e Paraguai. Muitas conseguem gerar demanda rapidamente, mas precisam estruturar a mesma eficiência na parte financeira, especialmente para receber de clientes no exterior, pagar fornecedores em outro país, lidar com diferentes moedas e manter previsibilidade no fluxo de caixa. Quando essa estrutura acompanha o crescimento desde o início, a internacionalização deixa de ser apenas uma oportunidade comercial e passa a se sustentar como estratégia de negócio.

Antes de pensar em vender para outro país, existe uma pergunta que todo empresário deveria responder: minha operação financeira está preparada para acompanhar esse crescimento?

O primeiro ponto é entender como o dinheiro vai circular antes mesmo de fechar o negócio internacional. Isso significa mapear, desde o início, como será o recebimento do cliente e o pagamento ao fornecedor, definindo o caminho do dinheiro com a mesma atenção que se dá à parte comercial. Com essa definição clara desde o início, o fluxo de caixa ganha previsibilidade e a empresa consegue estruturar cada etapa financeira de acordo com a dinâmica da operação.

Defendo que o câmbio não deveria ocupar o centro da atenção do empresário. A prioridade precisa estar em acompanhar custos, margens e resultados, enquanto a estrutura financeira garante que os recursos circulem de forma eficiente e previsível. Na minha visão, a melhor estrutura é justamente aquela que se torna quase invisível para quem está à frente do negócio: ela oferece controle sobre cada operação sem exigir atenção diária aos detalhes técnicos de uma transação internacional.

Transparência também precisa fazer parte dessa estrutura. Em uma operação internacional, o empresário deve saber exatamente qual taxa está sendo aplicada, quanto o destinatário receberá e qual será o prazo da transferência. Ter essas informações de forma clara permite tomar decisões melhores, proteger margens e acompanhar o impacto de cada operação sobre o caixa. Quanto maior o volume financeiro movimentado, mais importante se torna ter visibilidade sobre todo esse processo.

É nesse contexto que os ativos digitais também ganham espaço como infraestrutura para pagamentos internacionais. Mais do que uma tecnologia associada ao mercado financeiro, eles podem contribuir para tornar determinadas operações mais rápidas, eficientes e acessíveis. O ponto, porém, não é fazer do empresário um especialista em blockchain ou moedas digitais. A tecnologia deve funcionar nos bastidores, assim como acontece com a internet: quem vende online não precisa conhecer sua arquitetura para se beneficiar dela. O que importa é que ela simplifique processos, amplie possibilidades e reduza barreiras para quem quer operar além das fronteiras.

Essa mesma lógica também vale para o caminho inverso. Empresas instaladas no exterior podem ampliar seu mercado consumidor ao aceitar pagamentos de clientes brasileiros em reais, em uma modalidade conhecida como eFX. Na prática, a empresa estrangeira comercializa seu produto ou serviço e oferece ao consumidor brasileiro a possibilidade de pagar via Pix, utilizando um meio já presente no seu dia a dia. Por trás dessa experiência simples, existe uma estrutura financeira que permite à empresa receber os valores consolidados das vendas em sua moeda local ou em dólares. Para o cliente, a compra acontece como qualquer outra. Para a empresa, câmbio e remessa funcionam nos bastidores. É exatamente esse tipo de estrutura que defendo: aquela que amplia possibilidades sem transferir complexidade para quem está à frente do negócio.

Esse talvez seja um dos principais aprendizados da nova economia internacional. Internacionalizar deixou de ser um desafio exclusivo das grandes empresas. Pequenas e médias organizações também conseguem operar além das fronteiras, desde que contem com uma estrutura financeira capaz de acompanhar esse movimento.

Expandir para outro país continua sendo uma decisão comercial. Mas garantir que pagamentos, recebimentos, câmbio e fluxo de caixa funcionem com a mesma eficiência da operação doméstica é uma decisão estratégica. E, muitas vezes, é justamente ela que determina se a internacionalização será um projeto sustentável ou apenas uma boa oportunidade que ficou pelo caminho.

(*) Eduardo Garcia é fundador da Sttart Pay e executivo do mercado financeiro com mais de 20 anos de experiência em gestão estratégica, liderança de equipes e desenvolvimento de negócios. 

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