Datamar Shipping Conference debaterá futuro do setor frente a desafios políticos, excesso de dados e descarbonização

Conferência acontece nos dias 17 e 18 de março na Faria Lima

Da Redação (*)

Brasília – Em um cenário em que eficiência logística e previsibilidade são cada vez mais estratégicas para o comércio global, o uso inteligente de dados ganha protagonismo no transporte marítimo. É nesse contexto que a Datamar – empresa referência em inteligência de dados para o comércio exterior e o transporte marítimo – realiza a DataSmart Shipping Conference 2026: Shipping 5.0: Dados,Çõ  Tecnologia e Pessoas para um Futuro Sustentável”, que chega ao seu segundo ano consolidada como parte da agenda anual dos principais eventos de logística marítima no Brasil.

A ser realizada em São Paulo nos dias 17 e 18 de março, a conferência propõe um ambiente de troca de conhecimento sobre tendências, desafios operacionais e oportunidades trazidas pela digitalização do setor. A programação inclui painéis e apresentações voltadas à aplicação prática de dados e tecnologia na tomada de decisões estratégicas no shipping.

Entre os temas da agenda estão o uso de analytics para previsão de demanda, visibilidade da cadeia logística, otimização de rotas, monitoramento de fluxos comerciais e os impactos da digitalização na eficiência operacional de portos, armadores, terminais e empresas de logística.

Para Marcos Silva, CIO da Datamar e especialista em tecnologia para logística marinha, o setor vive um momento de transformação impulsionado pela disponibilidade crescente de dados e pela evolução das ferramentas de análise. “A logística marítima sempre foi intensiva em informação, mas durante muito tempo esses dados ficaram fragmentados ou subutilizados. Hoje, com plataformas analíticas mais robustas e integração entre sistemas, o setor passa a transformar informação em inteligência de negócio, permitindo decisões mais rápidas, previsíveis e estratégicas”, afirma.

Segundo ele, o debate sobre dados e tecnologia no transporte marítimo deixou de ser apenas técnico e passou a integrar a estratégia das empresas que atuam no comércio exterior. “Quem opera no shipping precisa lidar com um ambiente altamente dinâmico, influenciado por fatores geopolíticos, econômicos e operacionais. O acesso a dados confiáveis e à capacidade de interpretá-los com rapidez se tornou um diferencial competitivo para toda a cadeia logística”, explica.

Shipping 5.0 amplia debate sobre tecnologia, pessoas e sustentabilidade

O conceito de Shipping 5.0, tema central da conferência, reflete uma evolução no uso de tecnologia no transporte marítimo. Mais do que ganhos de eficiência operacional, a proposta busca integrar dados, inteligência artificial e análise estratégica a uma visão que também considera pessoas, sustentabilidade e resiliência das cadeias logísticas.

Nesse contexto, tecnologias como big data, inteligência artificial e análise preditiva passam a desempenhar papel cada vez mais relevante na gestão das operações marítimas. O cruzamento de grandes volumes de dados, que incluem desde informações meteorológicas até fluxos do comércio internacional, permite antecipar tendências, simular cenários e apoiar decisões estratégicas.

Outro ponto importante é a colaboração entre especialistas e tecnologia. Em vez de substituir profissionais, as ferramentas analíticas ampliam a capacidade de interpretação de dados e tornam a tomada de decisão mais rápida e embasada.

A agenda do evento também inclui discussões sobre transparência nas cadeias de suprimentos, descarbonização e rastreabilidade das cargas, temas cada vez mais presentes nas estratégias globais do transporte marítimo. Tecnologias como blockchain e sistemas avançados de monitoramento de emissões têm sido apontadas como caminhos para aumentar a sustentabilidade e a confiabilidade das operações.

De acordo com Marcos Silva, esses debates acompanham uma agenda internacional cada vez mais intensa sobre o futuro da logística marítima. “Esses temas foram amplamente discutidos durante a London International Shipping Week 2025, um dos principais encontros globais do setor, que reuniu autoridades, executivos e especialistas para debater o futuro do transporte marítimo. Há um movimento claro de transformação estrutural na indústria, impulsionado pelo uso estratégico de dados, pela sustentabilidade e por novas formas de cooperação entre tecnologia e pessoas”, afirma.

Evento insere o Brasil no contexto dos debates internacionais

Para ele, eventos como o DataSmart Shipping ajudam a aproximar o Brasil dessas discussões internacionais. “É gratificante recordar que essa iniciativa foi idealizada em 2024, quando ainda era apenas uma visão em desenvolvimento. Ver hoje esse movimento se tornar uma realidade concreta e relevante para o setor representa uma realização significativa”, diz.

A DataSmart Shipping Conference também se propõe a aproximar diferentes elos da cadeia logística, como armadores, operadores logísticos, embarcadores, terminais portuários e analistas de mercado, estimulando a troca de experiências e a construção de soluções para os desafios do comércio marítimo.

“Mais do que falar sobre tecnologia, a conferência busca discutir como transformar dados em vantagem competitiva para o setor marítimo. O futuro do shipping passa por decisões cada vez mais orientadas por inteligência analítica”, conclui o especialista.

Serviço

DataSmart Shipping Conference 2026

Tema: Shipping 5.0 Dados, Tecnologia e Pessoas para um Futuro Sustentável

Data: 17 e 18 de março

 

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Exportação de café desaba em fevereiro impactada pela forte queda nos embarques para os EUA e a Alemanha

A receita cambial chegou a US$ 1,062 bilhão e apresentou declínio de 14,7% na comparação com fevereiro de 2025

Da Redação (*)

Brasília – Relatório estatístico mensal divulgado hoje (11) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), indica que o Brasil embarcou 2,618 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto em fevereiro, o que rendeu uma receita cambial de US$ 1,062 bilhão. Na comparação com o mesmo mês de 2025, houve queda de 23,5% em volume e de 14,7% em valores.

Com esse desempenho, as exportações de café do Brasil chegaram a 26,038 milhões de sacas no acumulado dos oito primeiros meses do ano safra 2025/26, o que implica declínio de 22,6% em relação a idêntico intervalo anterior. Já a receita cambial apresentou uma evolução de 5,3% entre julho do ano passado e fevereiro deste ano ante os oito primeiros meses da safra 2024/25, chegando a US$ 10,301 bilhões.

Ano civil

No primeiro bimestre de 2026, as remessas brasileiras de café ao exterior totalizam 5,410 milhões de sacas, volume que representa recuo de 27,3% frente aos dois primeiros meses do ano passado. Em valores, a perda é de 13%, com os ingressos de dólares no país saindo de US$ 2,575 bilhões para os atuais US$ 2,241 bilhões.

O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, explica que o cenário de baixa nas exportações, neste ano, ocorre, principalmente, com a variedade arábica, cujas cotações vêm sofrendo queda acentuada e rápida na Bolsa de Nova York.

Segundo ele, os fundos estão liquidando posições compradas substancialmente, antecipando uma disponibilidade bem maior do produto na próxima safra, cenário que, aliado ao recuo expressivo do dólar frente ao real e ao fato de os produtores, capitalizados, com remanescente ajustado da safra corrente, acaba por dosar a oferta brasileira a níveis não competitivos para novos negócios frente às demais origens.

“Essa tendência deve permanecer até a entrada da próxima safra, ocasionando perda de market share do Brasil para outras origens produtoras, o que, obviamente, não é favorável em médio e longo prazos”, comenta.

Ferreira completa que esse movimento pode se acentuar com as tensões geopolíticas no Oriente Médio e os gargalos logísticos.

“A tendência de recuperação é esperada a partir da próxima safra que se avizinha e já ocorre com o conilon, que conta com maiores estoques de passagem e cuja colheita comercializada a partir de maio será também importante. No caso arábica, a expectativa de recuperação dos embarques é aguardada a partir de junho, com a chegada da nova safra, com volume bem mais relevante que a que se encerrará”, pondera.

Principais destinos

A Alemanha foi o principal destino dos cafés do Brasil no primeiro bimestre de 2026, com a importação de 786.589 sacas, o que equivale a 14,5% do total e representa uma queda de 20,1% na comparação com o acumulado entre janeiro e fevereiro de 2025.

Os Estados Unidos, com 12,1% de representatividade, adquiriram 655.998 sacas (-45,8%) e ocuparam o segundo lugar no ranking. Na sequência, vêm Itália, com a importação de 568.598 sacas (+5,9%); Bélgica, com 331.747 sacas (-6,8%); e Japão, com 315.816 sacas (-34,5%).

Tipos de café

Em janeiro e fevereiro deste ano, o café arábica, com o envio de 4,423 milhões de sacas ao exterior, permaneceu como o mais exportado pelo Brasil. Esse montante equivale a 81,8% do total embarcado, apesar de representar queda de 28,9% frente ao primeiro bimestre de 2025.

Na sequência, com o equivalente a 573.301 sacas remetidas para fora do país, apareceu o segmento do café solúvel, com um declínio de 11,5% na comparação com os dois primeiros meses do ano passado. Esse tipo de produto respondeu por 10,6% das exportações totais no período atual.

Os cafés canéforas (conilon + robusta), com 408.446 sacas – recuo de 27,7% e 7,5% do total –, e o produto torrado e torrado e moído, com 5.572 sacas (-38,7% e 0,1% de representatividade), completam a lista.

Cafés diferenciados

Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais responderam por 19,8% das exportações totais brasileiras no primeiro bimestre deste ano, com a remessa de 1,069 milhão de sacas ao exterior. Esse volume é 40,7% inferior ao registrado no agregado de janeiro e fevereiro de 2025.

A um preço médio de US$ 461,74 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 493,5 milhões, o que correspondeu a 22% do obtido com todos os embarques de café no primeiro bimestre do ano passado. No comparativo anual, o valor é 31,2% menor do que o registrado nos dois primeiros meses de 2025.

A Alemanha também liderou o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 137.770 sacas, o equivalente a 12,9% do total desse tipo de produto exportado.

Fechando o top 5, aparecem EUA, com 132.179 sacas e representatividade de 12,4%; Bélgica, com 130.484 sacas (12,2%); Itália, com 124.249 sacas (11,6%); e Holanda (Países Baixos), com 86.253 sacas (8,1%).

Portos de embarque

O Porto de Santos foi o principal exportador dos cafés do Brasil no primeiro bimestre, com 4,217 milhões de sacas e representatividade de 77,9% no total. Na sequência, vieram o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 18,2% dos embarques ao remeter 983.890 sacas ao exterior, e o Porto de Paranaguá (PR), que exportou 66.954 sacas e teve representatividade de 1,2%.

(*) Com informações do Cecafé

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Criptomoedas no comércio exterior: muito volume financeiro, pouca economia real

Amanda Prado (*)

Os números mais recentes sobre criptoativos no Brasil deixam claro que estamos diante de um mercado em rápida expansão, mas ainda pouco integrado à economia real, especialmente quando falamos de comércio exterior. Há crescimento, há fluxo internacional relevante, porém ainda existe um abismo entre o volume financeiro movimentado e o uso efetivo das criptomoedas para compra e venda de bens e serviços.

Entre janeiro e setembro de 2025, as operações com criptoativos comunicadas à Receita Federal somaram R$ 337,9 bilhões, um avanço de 16,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apenas no terceiro trimestre, foram R$ 106,9 bilhões em transações. Esses dados mostram que o Brasil já opera em uma escala significativa de ativos digitais, com empresas e investidores cada vez mais ativos nesse mercado.

O Banco Central ajuda a dimensionar esse fenômeno. Em setembro de 2024, empresas brasileiras compraram US$ 1,429 bilhão em criptoativos no exterior, um crescimento de 40% em relação ao mesmo mês do ano anterior. É um volume expressivo de recursos cruzando fronteiras em formato digital. Ainda assim, isso não significa que esses ativos estejam sendo usados majoritariamente para liquidar operações de exportação ou importação.

Na prática, a participação das criptomoedas na balança comercial brasileira segue marginal. O comércio exterior do país movimenta centenas de bilhões de dólares por ano por meio de contratos de câmbio tradicionais. Diante desse universo, o uso de cripto como meio de pagamento para mercadorias e serviços ainda é exceção, não regra. O que cresce, de fato, são operações financeiras, transferências internacionais e estratégias de alocação de capital.

Isso acontece porque, apesar dos avanços regulatórios, o uso de criptomoedas no comércio exterior ainda é complexo do ponto de vista operacional. A legislação brasileira reconhece essas transações, exige declaração à Receita Federal e o recolhimento integral dos tributos, mas não oferece um arcabouço simples e padronizado para a execução dessas operações no dia a dia das empresas.

Hoje, muitas importações liquidadas com cripto são classificadas como operações sem cobertura cambial, o que exige atenção redobrada ao compliance. Nas exportações, o desafio está em receber ativos digitais, lidar com sua volatilidade e convertê-los em reais de forma eficiente, rastreável e alinhada às exigências fiscais. Para muitas empresas, especialmente as de médio porte, esse custo operacional ainda não compensa.

O resultado é um modelo que funciona quase como um “barter digital”: a mercadoria circula, os tributos são pagos, mas o sistema financeiro tradicional ainda não está plenamente integrado a esse fluxo. Falta interoperabilidade entre o mundo cripto e os processos contábeis, fiscais e financeiros das empresas.

Para que as criptomoedas deixem de ser um instrumento periférico e passem a ter relevância real no comércio exterior, o debate precisa evoluir. A próxima fronteira não é tecnológica, mas institucional. É preciso criar pontes seguras que permitam às empresas negociar internacionalmente sem assumir riscos adicionais de volatilidade, insegurança jurídica ou exposição operacional.

O Brasil já mostrou que tem apetite e escala para criptoativos. O desafio agora é transformar esse volume financeiro em eficiência econômica. Enquanto isso não acontece, continuaremos vendo números robustos nos relatórios, mas impactos ainda tímidos na balança comercial e na vida real das empresas.

(*) Amanda Prado, CEO da CorpX, instituição de pagamentos 

 

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Exportações aos EUA caem 20,3% no primeiro bimestre e atingem o menor nível em três anos, destaca Monitor da Amcham Brasil

 

Mudanças tarifárias anunciadas no fim de fevereiro ainda não estão refletidas nas estatísticas do comércio bilateral e devem ser percebidas a partir de março.

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 2,5 bilhões em fevereiro de 2026, registrando queda de 20,3% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo a mais recente edição do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborada pela Amcham Brasil.

Com esse resultado, as exportações brasileiras para o mercado americano acumulam sete meses consecutivos de retração, movimento iniciado em agosto de 2025, quando houve a aplicação pelos Estados Unidos de sobretaxas de importação — entre 40% e 50% — para um amplo conjunto de produtos. Embora a queda tenha sido menos intensa do que nos meses anteriores, o desempenho indica um início de ano marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral.

É importante destacar que as mudanças tarifárias anunciadas no final de fevereiro — após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que levou ao fim das sobretaxas de 40% e 50% e à adoção de uma nova sobretaxa global de 10% — ainda não estão refletidas plenamente nas estatísticas bilaterais. Como essas medidas entraram em vigor apenas no fim do mês, seus efeitos deverão começar a aparecer no fluxo comercial a partir de março.

Exportações no primeiro bimestre registram menor nível desde 2023

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 4,9 bilhões, representando queda de 23,2% em relação ao mesmo período de 2025 — o equivalente a US$ 812 milhões a menos nas vendas.

O resultado representa o menor valor para o primeiro bimestre desde 2023, refletindo a combinação entre fatores conjunturais de mercado e o impacto das medidas tarifárias que seguiram afetando parte relevante da pauta exportadora brasileira até o fim de fevereiro.

Petróleo, café e produtos afetados por sobretaxas pressionam resultado

A retração nas exportações em fevereiro foi influenciada pela forte queda nas vendas de petróleo bruto (-80,7%) e combustíveis derivados de petróleo (-42,2%), ambos produtos isentos de sobretaxas e com peso relevante na pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos.

O café, igualmente isento de sobretaxas desde novembro, também apresentou queda significativa, de 40% na comparação anual, contribuindo para a redução do valor total exportado no mês.

Os produtos sujeitos a sobretaxas de 40% e 50% até o final de fevereiro registraram queda de 27,4% no mês, enquanto produtos impactados pelas tarifas da Seção 232, como itens de madeira, apresentaram retração ainda mais acentuada.

“Os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte. Será importante acompanhar, nos próximos meses, em que medida essa mudança contribuirá para melhorar o desempenho das exportações brasileiras e o fluxo do comércio bilateral. Ao mesmo tempo, é fundamental que os governos dos dois países avancem em entendimentos para evitar novas restrições comerciais, especialmente no âmbito da investigação da Seção 301”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Desempenho relativo do comércio bilateral x mundo

A análise do desempenho das exportações brasileiras para os Estados Unidos em comparação com outros mercados também evidencia um cenário de desaceleração.

No acumulado do ano, apenas três dos dez principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos apresentaram desempenho superior ao observado nas exportações brasileiras para o restante do mundo: carne bovina, equipamentos de engenharia civil e celulose.

Em contraste, produtos como semiacabados de ferro ou aço, petróleo bruto, aeronaves e máquinas elétricas registraram desempenho mais fraco nas vendas destinadas ao mercado americano.

Déficit brasileiro no comércio bilateral se amplia

As importações brasileiras de produtos americanos também registraram retração em fevereiro (-16,5%), marcando o segundo mês consecutivo de queda. Ainda assim, os Estados Unidos permaneceram entre os principais fornecedores do Brasil, embora tenham recuado para a terceira posição entre as origens das importações brasileiras, atrás de China e Coreia do Sul.

A queda mais intensa das exportações em relação às importações contribuiu para a ampliação do déficit brasileiro no comércio bilateral.

No acumulado de janeiro a fevereiro de 2026, o déficit do Brasil com os Estados Unidos atingiu US$ 900 milhões, aumento de 142,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

(*) Com informações da Amcham

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Fórum Empresarial Brasil–África do Sul tem foco no fortalecimento do comércio bilateral e ações de exportação

Encontro de empresários brasileiros e sul-africanos teve como objetivo aproximar comercialmente ambos os países e discutir estratégias de exportação

Da Redação (*)

Brasília – Nesta segunda-feira (9), foi realizado o Fórum Empresarial Brasil–África do Sul no Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF). O evento, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), é uma iniciativa que objetiva fortalecer a relação comercial bilateral firmada entre os países. Ao todo, a delegação brasileira contou com 30 autoridades, entre empresários, investidores e representantes governamentais, enquanto a delegação sul-africana reuniu 21 participantes.

Com fala de abertura do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, o fórum empresarial foi iniciado com a presença do vice-presidente do Brasil e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, e do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. “Nas últimas décadas, a relação bilateral entre Brasil e África do Sul ganhou nova dimensão a partir de nossas parcerias no Sul Global. Atuamos de forma coordenada em fóruns internacionais, defendendo maior representatividade do mundo no desenvolvimento em instituições globais. Cooperamos no âmbito do BRICS, um dos mais importantes agrupamentos internacionais, e no mecanismo IBAS (Fórum de Diálogo entre Índia, Brasil e África do Sul), com sua inovadora estratégia de cooperação”, destacou o ministro Mauro Vieira.

Na sequência, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ressaltou as respectivas semelhanças comerciais e oportunidades entre os dois países, tendo em vista que Brasil e África do Sul são os países mais industrializados da América Latina e do continente africano, respectivamente. “A maior economia da África com a maior economia da América Latina interagem muito bem na política, mas no comércio temos um grande potencial para crescer”, afirmou Viana, que expressou o desejo de realizar até o fim do ano um fórum de empresários na África do Sul.

Alckmin destaca possibilidades de aumentar comércio bilateral

Para ilustrar as muitas oportunidades comerciais entre Brasil e África do Sul, o vice-presidente Geraldo Alckimin comentou sobre as possibilidades de aumentar o comércio entre as duas nações. “Primeiramente, queremos ampliar as linhas tarifárias. Segundo, queremos promover investimentos e integrar cadeias produtivas em setores estratégicos. Estamos em negociações avançadas para um acordo de cooperação e facilitação de investimentos”, disse o vice-presidente.

Finalizando a solenidade de abertura, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa chamou atenção para setores de destaque, apreciados tanto pela indústria brasileira como pela indústria sul-africana, com destaque para os setores de agricultura e aviação. “Precisamos trabalhar em reduzir a fricção comercial, ao fortalecer a cooperação para o comércio. Existe um enorme escopo para avançar a indústria em setores de impacto identificados entre os dois países, pois existem importantes setores de importância onde a cooperação pode ser elevada a um nível muito maior”, observou Ramaphosa.

Além das falas institucionais da abertura, empresários e representantes de instituições dos dois países se manifestaram em um painel dedicado às oportunidades de cooperação econômica e investimentos. Entre os representantes estiveram a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá; o vice-presidente da Embraer, José Serrador; o vice-presidente de Sustentabilidade e Relações Institucionais da WEG, Daniel Godinho; o diretor da Vale, Kennedy Alencar; o diretor do BNDES, Nelson Barbosa. Este foi o 27º fórum empresarial promovido pela ApexBrasil, de janeiro de 2023 e março de 2026, a ApexBrasil promoveu 27 fóruns empresariais, sendo 21 com a presença do presidente Luís Inácio Lula da Silva e 6 com o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Atualmente, a África do Sul configura como um dos principais parceiros comerciais do Brasil no continente africano, além de compartilhar semelhanças únicas que fazem dela um dos principais destinos para as exportações brasileiras no Sul Global. Em 2025, o comércio bilateral entre os dois países alcançou US$ 2,4 bilhões, dos quais US$ 1,5 bilhão corresponderam a exportações brasileiras, um crescimento de 6,4% em relação a 2024. Considerando apenas os países do continente africano, a África do Sul ocupou a 3ª posição entre os principais parceiros comerciais do Brasil.

(*) Com informações da ApexBrasil

 

 

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Análise de inteligência marítima da Datamar revela novo risco logístico global após escalada no Oriente Médio

Estudo aponta impacto potencial em fretes, rotas e cadeias globais de suprimentos

Da Redação (*)

Brasílis – A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã inaugurou uma nova fase de incerteza para o comércio exterior, com reflexos diretos sobre a logística marítima, responsável por cerca de 80% do comércio mundial em volume. A combinação entre risco geopolítico, volatilidade energética e ambiente comercial mais protecionista tende a elevar custos e aumentar a imprevisibilidade das cadeias globais de suprimentos, pressionando empresas e governos a rever estratégias.

A nova instabilidade no Oriente Médio marca uma transição relevante no funcionamento do comércio global. Se nas últimas décadas a eficiência operacional guiava as decisões logísticas, o cenário atual indica uma mudança estrutural: o risco geopolítico passa a ocupar posição central no planejamento das cadeias internacionais.

Segundo Marcos Silva, CIO da Datamar e especialista em tecnologia para logística marinha, a própria dinâmica já reflete essa virada. “A logística marítima deixou de apenas reagir à economia global e passou a antecipar seus movimentos. Antes que os indicadores macroeconômicos reajam, o transporte marítimo já sinaliza mudanças estruturais”, afirma.

Hormuz no radar

No centro das preocupações está o Estreito de Hormuz, por onde transita parcela significativa do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente. Qualquer ameaça à estabilidade da região costuma provocar reação imediata nos mercados energéticos – com efeito direto sobre o custo do bunker fuel, combustível dos navios.

Além da energia, a tensão na região influencia decisões operacionais de armadores, que já consideram:

  • Redefinição de rotas
  • Aumento do seguro marítimo (war risk premium)
  • Revisão de escalas portuárias
  • Ampliação do tempo de trânsito

Dados da Datamar mostram que, apenas em janeiro de 2026, aproximadamente 71 navios porta-contêineres partiram do Brasil com destino a países direta ou indiretamente envolvidos nas atuais tensões, evidenciando a exposição do comércio brasileiro ao cenário geopolítico.

Arco de risco marítimo

O impacto não se limita ao Golfo Pérsico. Analistas apontam a formação de um “arco de risco” que inclui pontos sensíveis do tráfego global, como o Canal de Suez e o Estreito de Bab el-Mandeb.

O Egito, altamente dependente das receitas de Suez, pode ser afetado caso armadores evitem o Mar Vermelho diante da ameaça de ataques — especialmente ligados ao grupo Houthi, no Iêmen. Já Omã funciona como termômetro da estabilidade no próprio Hormuz.

A leitura no setor é clara: em cadeias altamente interdependentes, a instabilidade em um único ponto pode gerar efeitos em cascata sobre todo o sistema logístico.

Reflexos iniciais no frete

Historicamente, crises no Oriente Médio impactam primeiro a percepção de risco e só depois as operações físicas. Entre os sinais já monitorados pelo mercado estão:

  • Alta dos prêmios de seguro
  • Maior volatilidade dos fretes
  • Ajustes preventivos de rotas
  • Alongamento dos transit times

A experiência recente indica que o custo logístico reage não apenas a interrupções efetivas, mas também à expectativa de risco.

Exposição do Brasil

Embora distante do epicentro do conflito, o Brasil não está imune. A pauta de importações mostra dependência relevante de insumos petroquímicos da região: plásticos respondem por 74,14% das compras conteinerizadas provenientes de países envolvidos direta ou indiretamente nas tensões (jan/2025 a jan/2026).

Já nas exportações brasileiras para esses mercados, predominam:

  • Carne (67,67%)
  • Madeira (12,21%)
  • Açúcar (2,94%)

O perfil indica que eventuais aumentos nos fretes podem afetar diretamente a competitividade das commodities brasileiras.

Tarifaço e fragmentação

O ambiente geopolítico mais tenso se soma a outro vetor de pressão: o aumento de medidas tarifárias, especialmente dos Estados Unidos. A combinação de protecionismo com risco logístico tende a acelerar movimentos como:

  • nearshoring
  • diversificação de fornecedores
  • revisão de rotas críticas

Na avaliação de especialistas, decisões empresariais passam a considerar simultaneamente custo comercial e risco geopolítico, ou seja, um afastamento da lógica tradicional da globalização baseada apenas em eficiência.

Três cenários à frente

A análise prospectiva do setor trabalha hoje com três trajetórias principais:

  • Desescalada controlada: normalização parcial dos custos logísticos.
  • Conflito prolongado (base): volatilidade elevada e fretes estruturalmente mais altos.
  • Escalada ampliada: possível choque energético global e reorganização das rotas.

Diante desse ambiente de maior imprevisibilidade, cresce a importância de ferramentas capazes de antecipar mudanças no comportamento do comércio internacional. Portanto, compreender sinais precoces de alteração nas rotas marítimas tornou-se parte central da gestão de risco para operadores logísticos, exportadores e governos.

Dados ganham protagonismo

Diante da incerteza, cresce o papel da inteligência de dados na gestão logística. Plataformas analíticas passam a funcionar como sensores antecipados da economia global, captando sinais em alterações de rotas, escalas e fretes.

Para Marcos Silva, esse movimento redefine inclusive o papel da liderança em tecnologia. “Hoje, entender as rotas marítimas é, em grande medida, entender o futuro da economia global”, diz.

Ele acrescenta que a vantagem competitiva não está apenas em adotar novas ferramentas, mas em integrar métodos analíticos consolidados com tecnologias emergentes. “O avanço tecnológico não substitui as soluções que há décadas apoiam decisões corporativas; ele as fortalece. O verdadeiro valor está em integrar novas tecnologias a métodos que já provaram sua eficácia ao longo do tempo”, afirma.

(*) Com informações da Datamar

 

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Petróleo acima de US$ 100 muda dinâmica do mercado e coloca Copom sob pressão, avalia economista

Com escalada no Oriente Médio e risco à oferta global de energia, Raíssa Florence, economista e sócia da Oz Câmbio, alerta para o impacto direto sobre Ibovespa, dólar e expectativas de inflação no Brasil

Da Redação

Brasília – A escalada das tensões no Oriente Médio, com ameaças à navegação no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, levou o barril a superar os US$ 100 nos últimos dias e reacendeu a aversão global ao risco. Bolsas internacionais operaram sob pressão, o dólar voltou a se fortalecer e investidores passaram a monitorar possíveis impactos logísticos na cadeia global de energia.

Para Raíssa Florence, economista e sócia da Oz Câmbio, o mercado entrou em uma nova fase de sensibilidade extrema ao noticiário geopolítico. “O petróleo acima de US$ 100 não é apenas um movimento de preço, é uma reprecificação de risco inflacionário global. Isso muda a dinâmica de juros e fortalece o dólar no curto prazo”, afirma.

No Brasil, segundo a economista, o efeito é misto. De um lado, Petrobras e empresas ligadas a óleo e gás tendem a sustentar parte do Ibovespa, já que o barril mais alto melhora perspectivas de receita e geração de caixa. De outro, setores intensivos em energia, como aviação, transporte, logística e varejo, devem sofrer com pressão de custos e compressão de margens.

“Além disso, petróleo mais caro contamina expectativas de inflação aqui dentro e pode reduzir o espaço para cortes mais agressivos na próxima reunião do Copom. Com o dólar pressionado pela aversão ao risco, o real tende a permanecer volátil, beneficiando exportadoras, mas ampliando incertezas no curto prazo. A trajetória do barril e a duração do conflito serão determinantes para definir o tom do mercado nesta semana”, conclui a economista Raissa Florence.

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Exportações em queda e alta expressiva nas importações de países asiáticos geram apreensão no setor calçadista

 

 

Da Redação (*)

Brasília – Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), apontam que as exportações de calçados caíram em fevereiro. No mês, foram embarcados 7,67 milhões de pares, que geraram US$ 63,85 milhões, quedas tanto em volume (-20,3%) quanto em receita (-25,7%) em relação a fevereiro do ano passado. Já no acumulado do bimestre, as exportações somaram 17 milhões de pares e US$ 135,34 milhões, quedas de 18,9% e 22,2%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que a queda reflete a instabilidade do mercado internacional, em especial nos Estados Unidos. Outro motivador da queda é a Argentina. “Há um processo de desaceleração do consumo no mercado argentino iniciado no segundo semestre do ano passado, associado ao acirramento da concorrência internacional para os calçados brasileiros naquele mercado, especialmente com países asiáticos.”, explica, ressaltando que além da menor dinâmica da economia, a flexibilização das condições de importação no país têm beneficiado fornecedores asiáticos, que têm direcionado volumes crescentes para a América Latina diante das tarifas adicionais aplicadas no mercado norte-americano.

Destinos

Principal destino do calçado brasileiro no exterior, os Estados Unidos importaram, no primeiro bimestre, 2,18 milhões de pares brasileiros por US$ 27,5 milhões, incremento de 13,2% em volume e queda de 65% em receita na relação com o mesmo período do ano passado.

O segundo destino das exportações de calçados no bimestre foi a Argentina, para onde foram embarcados 760,68 mil pares por US$ 11,4 milhões, quedas de 59,5% e 65%, respectivamente, ante o mesmo ínterim de 2025.

Estados

O principal exportador do setor no Brasil segue sendo o Rio Grande do Sul, que no primeiro bimestre embarcou 5,33 milhões de pares por US$ 68,23 milhões, quedas de 4,8% e 16,7%, respectivamente, ante o período correspondente do ano passado.

Na sequência, aparece o Ceará, de onde partiram, no bimestre, 6,15 milhões de pares por US$ 30,82 milhões, quedas de 24,1% e 27,5%, respectivamente, em relação ao mesmo intervalo de 2025.

São Paulo aparece na terceira posição entre os exportadores de calçados. No bimestre, as fábricas paulistas embarcaram 697,7 mil pares, que geraram US$ 11 milhões, quedas de 30,9% e 26,3%, respectivamente.

Importações

As importações brasileiras de calçados seguem em crescimento, movimento observado nos últimos anos e que se mantém mesmo diante da menor dinâmica do mercado doméstico, fato que impacta na produção nacional.

No primeiro bimestre de 2026, as importações de calçados somaram 9,7 milhões de pares e US$ 109,27 milhões, incrementos tanto em volume (+23%) quanto em receita (+12,1%) em relação ao mesmo período do ano passado. As principais origens seguem sendo os países asiáticos: China (3,16 milhões de pares e US$ 8 milhões, incremento de 18,2% em volume e queda de 12,9% em receita ante o mesmo intervalo de 2025); Vietnã (2,53 milhões de pares e US$ 55,25 milhões, incrementos de 1% e 15,3%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado); e Indonésia (1,55 milhão de pares e US$ 27,3 milhões, incrementos de 4,7% e 16,2% em relação ao mesmo período de 2025).

Em partes – cabedais, saltos, solados, palmilhas etc -, as importações do bimestre somaram US$ 10,63 milhões, 10,2% mais do que no mesmo intervalo do ano passado. As principais origens foram China, Paraguai e Vietnã.

(*) Com informações da Abicalçados

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Política de tributação no Comércio Exterior: entre proteção e competitividade

Bruno Perottoni (*)

A tributação sobre importação e exportação sempre foi um tema sensível no Brasil e com razão. Tributos como Imposto de Importação, IPI, PIS/COFINS e ICMS compõem um arcabouço complexo que incide diretamente sobre os custos de empresas que operam no comércio exterior. Esses impostos não apenas financiam funções essenciais do Estado, como também influenciam de maneira decisiva a competitividade brasileira no mercado global.

No plano normativo, os tributos incidentes sobre as importações cumprem funções bem definidas: arrecadar receita e proteger a indústria nacional da concorrência externa que, sem barreiras, tende a pressionar setores produtivos locais. O Imposto de Importação, por exemplo, é aplicado sempre que uma mercadoria ingressa no território nacional, justamente com objetivo de “nivelar” a competição entre produtos estrangeiros e aqueles fabricados internamente.

Além disso, tributos como IPI e PIS/COFINS incidem sobre produtos já importados para financiar políticas sociais ou compensar efeitos tributários domésticos. O ICMS, por sua vez, cobrado pelos estados, apresenta variações conforme a unidade federativa e pode representar uma parcela significativa do custo final das mercadorias.

O custo tributário e a competitividade brasileira

Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que o Brasil mantém um regime tarifário médio relativamente elevado, com uma proporção expressiva de tarifas acima de 15% sobre importações, tanto em bens agrícolas quanto não agrícolas. Esse cenário revela uma postura ainda fortemente protetiva quando comparada a economia mais abertas.

No entanto, esse custo tributário elevado tem efeitos práticos no mercado. Se, por um lado, contribui para a proteção de determinados setores industriais, por outro, encarece insumos importados essenciais à produção, reduzindo a competitividade dos produtos brasileiros tanto no mercado externo quanto no mercado interno, onde concorrem com bens importados. Essa tensão torna-se ainda mais evidente em cadeias produtivas globalizadas, nas quais eficiência e custos são fatores determinantes para inserção e permanência nos mercados internacionais.

A discussão sobre tributação no comércio exterior ganhou nova dimensão com a adoção de medidas tarifárias externas que afetam diretamente o Brasil. Um exemplo recente são as tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros como café, aço e carne. Essas medidas pressionaram exportadores nacionais e exigiram respostas governamentais, que variam desde pacotes de crédito até incentivos fiscais voltados à mitigação dos impactos setoriais.

Esses episódios evidenciam que a política tributária não atua de forma isolada. Pelo contrário, ela é fortemente influenciada por relações comerciais internacionais, tensões geopolíticas e decisões de grandes mercados. Os efeitos imediatos refletem-se no volume e na direção do comércio, como a crescente exportação brasileira de carne para mercados asiáticos, ressaltando uma realocação estratégica diante de barreiras tarifárias.

Reforma tributária e oportunidades de modernização

Internamente, há sinais de mudanças que podem alterar a dinâmica tributária do comércio exterior. A recente reforma tributária propõe a redução de encargos sobre insumos importados e a ampliação de benefícios fiscais às exportações, como o aprimoramento do regime drawback, que desonera insumos utilizados em bens exportados, e a imunidade tributária para serviços associados ao comércio exterior.

Caso sejam efetivamente implementadas, essas medidas têm potencial para elevar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional, reduzir custos operacionais e facilitar a inserção de pequenas e médias empresas no comércio global, um passo importante para diversificar exportadores e equilibrar a balança comercial.

O debate sobre a tributação das importações e exportações no Brasil não deve ser tratado apenas sob a ótica fiscal, mas como um componente estratégico da política industrial e comercial. Enquanto os tributos ajudam a proteger setores mais frágeis da concorrência de outros países, tarifas altas podem acabar dificultando investimentos, aumentando os custos ao longo das cadeias produtivas e prejudicando a atividade do país no cenário internacional.

A chave, portanto, está na construção de um sistema de tributação do comércio exterior mais transparente, eficiente e alinhado às dinâmicas do mercado global, que equilibre proteção legítima e estímulo à integração competitiva. Com ajustes orientados por dados e diálogo entre setor público e privado, o Brasil pode transformar sua tributação de comércio exterior em um obstáculo em uma vantagem estratégica.

(*) Bruno Perottoni é Diretor de Tesouraria do Braza Bank.

 

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ApexBrasil destaca importância para a economia brasileira das exportações recordes de US$ 26 bilhões em fevereiro

 

Para Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, os resultados reforçam o papel das exportações para o crescimento econômico e para a geração de oportunidades no país.

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil registrou, em fevereiro de 2026, o maior valor de exportações já alcançado para o mês na série histórica, US$ 26,3 bilhões, valor 15,6% superior que em relação a fevereiro de 2025. O desempenho foi impulsionado principalmente pela indústria extrativa, que registrou aumento de 55,5%, totalizando US$ 6,63 bilhões em exportações, mas contou também com resultados positivos tanto da indústria de transformação que avançou 6,3%, com US$ 14,37 bilhões, quanto da agropecuária que cresceu 6,1%, somando US$ 5,14 bilhões.

Entre os produtos com maior destaque, estão os óleos brutos de petróleo, que cresceram 76,5% e alcançaram US$ 3,7 bilhões em exportações; o ouro, com alta de 71,9% e vendas de US$ 700 milhões; o minério de ferro, que avançou 20,9%, totalizando US$ 2 bilhões; e a carne bovina, com crescimento de 41,8% e US$ 1,3 bilhão exportados. Já nos principais destinos, se destacam a China com alta de 38,7%, totalizando US$ 7,22 bilhões, e a União Europeia que registrou aumento de 34,7%, com US$ 4,23 bilhões.

Crescimento histórico das exportações

Para o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, os resultados refletem o esforço conjunto do setor produtivo e das instituições que atuam na promoção do comércio exterior brasileiro. “O Brasil conseguiu ter um crescimento histórico nas exportações em fevereiro, com US$ 26 bilhões vendidos ao exterior. Esse resultado é fruto do trabalho dos exportadores brasileiros, do governo e das instituições que apoiam o comércio exterior, como a ApexBrasil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o Ministério da Agricultura”, afirmou.

As importações somaram US$ 22 bilhões, queda de cerca de 4%, resultando em um fluxo de comércio de US$ 48 bilhões e saldo comercial de aproximadamente US$ 4 bilhões. No acumulado do primeiro bimestre de 2026, o Brasil alcançou US$ 50,9 bilhões em exportações, crescimento de 5,8% em relação ao mesmo período de 2025. O fluxo de comércio totalizou US$ 93 bilhões.

Geração de emprego e fortalecimento das reservas internacionais

Segundo Viana, os resultados reforçam o papel das exportações para o crescimento econômico e para a geração de oportunidades no país. “Esse desempenho ajuda a gerar emprego e renda e contribui para fortalecer a economia brasileira. As reservas internacionais do país também seguem em nível elevado, já superando US$ 363 bilhões, o que demonstra a solidez do Brasil no cenário global”, disse.

O gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, destacou que os resultados representam uma sequência de recordes para o comércio exterior brasileiro. “Os números são impressionantes. Fevereiro registrou recorde para o mês e, quando olhamos o acumulado de janeiro e fevereiro, também temos o maior valor já registrado para um primeiro bimestre”, explicou.

Ribeiro ressaltou ainda que o saldo comercial do bimestre, próximo de US$ 8 bilhões, é o segundo maior da série histórica, ficando atrás apenas do registrado no mesmo período de 2024. Na análise setorial, ele destacou o peso da indústria extrativa no resultado recente da balança comercial. “A indústria extrativa teve papel importante nesse crescimento e representa quase um quarto da pauta exportadora brasileira. Produtos como petróleo bruto e minério de ferro contribuíram de forma significativa para esse desempenho”, afirmou.

(*) Com informações da ApexBrasil

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