Tensão no Golfo Pérsico com ataque ao Irã pressiona fluxo de carne halal, soja e açúcar do Brasil

Da Redação

Brasília – A decisão de fechar o Estreito de Ormuz, tomada em 28 de fevereiro em meio à escalada do conflito com o Irã, colocou em risco a segurança jurídica e econômica do Brasil, que lidera a produção global de carne halal — abatida e preparada segundo os princípios da lei islâmica — e depende da rota para escoar mais de 28 mil toneladas mensais do produto.

Frederico Favacho, sócio do Santos Neto Advogados e especialista em contratos internacionais do agronegócio, avalia que o momento exige atenção. “Os contratos não ficam imediatamente suspensos por conta de força maior ou outra condição, na medida em que os exportadores brasileiros possam ter outras rotas, como, por exemplo, o Mediterrâneo. Só que são rotas mais caras e mais complicadas”, afirma.

Segundo o especialista, os portos da região permanecem em alerta devido ao cenário de conflito entre os países. “A expectativa é que o Brasil tenha impacto não só nas carnes, mas também na soja que exportamos para a região e no açúcar. Precisaremos observar como os fatos vão se desenvolver nos próximos dias para desenhar decisões estratégicas”, diz Favacho.

O alerta se justifica: as exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes fecharam 2025 com alta de 1,91% em relação ao ano anterior, somando US$ 1,79 bilhão, segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, que acompanha o comércio com as 22 nações da Liga dos Estados Árabes, abrangendo o Norte da África e o Oriente Médio. Com o resultado, o Brasil registrou o segundo recorde consecutivo de receitas com o bloco.

Mercado importante para o agro brasileiro

“O Irã é um destino importante das commodities agrícolas brasileiras, principalmente o milho — foi o produto que mais exportamos para o país em 2025, seguido pela soja e, em terceiro lugar, o açúcar. São quase US$ 3 bilhões em exportações apenas para o Irã. Além disso, há os demais países do Golfo Pérsico e do Norte da África. Se considerarmos Emirados Árabes, Arábia Saudita e Egito — embora este último seja mais atendido pelo Canal de Suez —, todos abastecidos com carne, soja, milho e açúcar brasileiros, o impacto no mercado local é significativo, já que esse conjunto representa cerca de US$ 21 bilhões em exportações”, explica Frederico Favacho.

Favacho lembra ainda que o Brasil sempre manteve posição privilegiada no fornecimento de commodities agrícolas ao Irã, mesmo sendo um país sob embargo. “Como exportamos alimentos, ficamos fora das restrições comerciais, o que nos colocou em vantagem no mercado internacional. Então, de fato, poderemos sofrer algum impacto nos contratos de exportação, mas é importante observar que este não é o nosso maior mercado. O principal continua sendo a China, seguida pela União Europeia”, conclui o especialista.

 

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Prorrogadas inscrições para o programa Mulheres Globais, voltado para inserção de empresárias no mercado internacional

Da Redação (*)

Brasília – Empresas brasileiras lideradas por mulheres ganharam mais tempo para registrar a participação no programa Mulheres Globais, que teve as inscrições prorrogadas até o dia 8 de março. A iniciativa, realizada em parceria entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), tem o objetivo de apoiar a internacionalização de negócios femininos por meio do comércio eletrônico, oferecendo capacitação e consultorias técnicas voltadas à superação de desafios reais do e-commerce global.

De acordo com a gerente de Promoção Comercial da CNI, Tatiana Farah, ao incentivar a participação da liderança feminina no mercado estrangeiro, o Mulheres Globais contribui para reduzir barreiras históricas no comércio exterior e ampliar a presença feminina em mercados estratégicos. “Mais do que capacitar, o programa cria condições reais para que empresárias brasileiras avancem no comércio internacional de forma estratégica e segura, usando o e-commerce como alavanca de crescimento”, afirma.

Relançado em 2025, o Mulheres Globais passou a adotar um formato renovado, alinhado às diretrizes e indicadores do Programa Mulheres e Negócios Internacionais (MNI). “A proposta é oferecer um percurso de desenvolvimento estruturado, com foco prático em planejamento, inteligência de mercado e tomada de decisão para atuação internacional via e-commerce”, afirma a Gerente de Competitividade da ApexBrasil, Clarissa Furtado.

As interessadas poderão se inscrever tanto pela página do programa Mulheres Globais como presencialmente, durante o Women Entrepreneur Forum (WeForum), fórum internacional voltado ao fortalecimento do empreendedorismo feminino que acontece durante o Movimente 2026, nos dias 3 e 4 de março, em Brasília. O evento terá um espaço na programação destinado ao Mulheres Globais, com apresentação de mais informações sobre a iniciativa.

Acompanhamento é personalizado de acordo com perfil da empresa 

Com 30 vagas, esta etapa do programa – que acontece de janeiro a junho de 2026 – é o segundo ciclo de dois que são realizados ao longo de 2025 e deste ano. Cada ciclo conta com workshop virtual, consultorias individuais, elaboração de plano de ação e participação em ação de negócios, proporcionando um acompanhamento personalizado para cada empresa.

As ações de inteligência e orientação comercial terão como foco mercados da América Latina e Caribe, BRICS, África e Ásia. Como novidade, as empresas participantes poderão solicitar cadastro na vitrine Buy Brazil, iniciativa da ApexBrasil que conecta exportadores brasileiros a compradores internacionais em um ambiente digital gratuito, ampliando a visibilidade dos produtos no exterior. 

Quem pode participar

O programa é voltado a empresas brasileiras lideradas por mulheres, de diferentes portes, com interesse em internacionalizar seus negócios por meio do e-commerce. São priorizadas empresas da indústria dos setores de moda (confecções, calçados e joias), cosméticos e alimentos e bebidas. Para participar, as interessadas devem comprovar liderança feminina e ter a internacionalização como parte da estratégia de crescimento.

Resultados que mostram o impacto da iniciativa

Entre 2023 e 2024, o programa promoveu dois ciclos de mentoria voltados aos setores de moda, cosméticos, alimentos e bebidas. Nesse período, 40 empresas participaram de 92 sessões de mentoria, somando 136 horas de atividades entre encontros individuais e coletivos. A experiência serviu de base para o redesenho da nova edição, que agora prioriza consultorias técnicas com soluções aplicáveis ao dia a dia das empresas.

(*) Com informações da CNI

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China, fábrica do mundo, atrai cada vez mais a atenção dos pequenos e médios importadores brasileiros

Da Redação

Brasília – A cada mês, a Ásia Source recebe entre 2.500 e 3.000 cadastros de brasileiros interessados em obter mais informações sobre como importar da China, um número que não para de crescer. Esse interesse identificado pela empresa que fornece consultoria e gestão de importação, é um forte indício de que a compra de bens chineses deve seguir em alta em 2026 e contribuir para o aumento da corrente de comércio entre o Brasil e a China e a redução do gigantesco superávit comercial que o Brasil acumula no intercâmbio comercial com os chineses nos últimos anos.

Na visão de Luis Muller, fundador e principal executivo da empresa, 2026 será um ano de crescimento das importações: “por ser um ano eleitoral, o governo vai injetar dinheiro na economia, baixar a taxa de juros, facilitar o consumo e dar mais crédito para as pessoas. Será um ano de consumo e nesse contexto acredito que teremos uma alta das importações”.

Fundada em 2019 por Luis Muller, com a proposta de estruturar a importação como um projeto técnico e acessível, a Ásia Source faz parte do Grupo 300 Franchising e atua conectando empresas brasileiras e fornecedores globais -da China em especial-, por meio de análise e gestão especializada. A empresa se baseia em um modelo de negócio hoje replicado em mais de 150 unidades, que têm como origem a vivência prática de seu fundador em logística, transporte e comércio internacional.

China, “fábrica do mundo”

Luis Muller é também um profundo conhecedor da China, país que visita regularmente há cerca de dez anos e nesse tempo, conforme ele destaca, “percebi que a China conseguiu montar um ecossistema que permitiu que o país se transformasse na fábrica do mundo. Isso se deve, entre outros aspectos, ao fato de a China ter uma mão de obra que se torna barata por ser abundante. Em segundo lugar, o país dispõe de muita tecnologia e a partir daí, consegue investir muito na produção de máquinas”.

Muller se mostra impressionado com a cultura empresarial chinesa e lembra que “quando se coloca os pés na China, parece que você está entrando em uma grande empresa. Uma empresa com um código de cultura muito forte, porque todos os chineses têm o mesmo pensamento”. E lembra que quando viajou à China pela primeira vez, há mais de dez anos, “os chineses não sabiam onde ficava o Brasil. Não conheciam o nosso idioma, a nossa capital. Não conheciam a nossa localização geográfica. Ao longo do tempo isso foi se transformando”.

Com as regulares e sucessivas viagens à China, ele percebeu que a proliferação de fábricas por todo o país é outro fator que explica a explosão da indústria chinesa de máquinas e equipamentos. Segundo Luis Muller, “a Alemanha era o grande destaque mundial nesse segmento, mas os chineses atropelaram os alemães há muito tempo. Com mão de obra abundante, tecnologia e equipamentos, eles montam uma fábrica, que pode ser uma fabriqueta de fundo de quintal e nela você encontra uma máquina de última geração, uma CNC (Controle Numérico Computadorizado, máquinas-ferramentas automatizadas, como tornos e fresadoras, operadas por comandos programados via computador. Essas máquinas utilizam softwares (CAM) para cortar, moldar ou furar materiais com alta precisão, repetibilidade e velocidade, sem intervenção manual contínua de um operador), uma sopradora (equipamento industrial utilizado para fabricar peças plásticas ocas (como garrafas, frascos e reservatórios) através do processo de moldagem por sopro). A China consegue produzir tudo isso em larga escala, e o país se especializou em fábricas, em fabricar coisas”.

Ambiente de negócios e infraestrutura invejável

O empresário vê no Estado chinês um forte indutor do processo produtivo do país: “na China, as empresas têm incentivo em relação a crédito, infraestrutura, benefícios fiscais e uma série de outros incentivos. Em contrapartida, elas têm que produzir muito, vender muito e pagar muitos impostos. É o oposto do que a gente vê aqui no Brasil, que não dispõe de um ambiente propício para produzir as manufaturas e vendê-las”.

Além disso, Luis Muller destaca que a China dispõe de uma infraestrutura gigantesca em relação a portos, aeroportos, ferrovias e uma rede de trens de alta velocidade. Segundo ele, entre cinco e seis dos dez maiores portos do mundo estão na China. E, com tudo isso, sublinha, “o país tem uma velocidade muito grande em relação a conseguir lidar com grandes volumes. A isso se soma o fato de que o processo chinês de exportação ou de importação é totalmente digitalizado. Em contrapartida, aqui no Brasil, ainda que tenhamos uma Receita Federal bastante evoluída em relação a tecnologias e documentação, a nossa infraestrutura deixa bastante a desejar. Com isso, no Brasil, uma carga chega aos nossos portos e permanece parada por quatro a cinco dias aguardando pela liberação. Às vezes temos um único fiscal do Ministério da Agricultura para atender a uma região gigantesca. Por outro lado, o Brasil ainda é um país muito protecionista, e o governo busca proteger a indústria nacional, mas nossa indústria não tem capacidade produtiva. Acredito que infraestrutura e tecnologia são os dois principais fatores que fazem a China ser tão eficiente”.

“Custo Brasil” e Reforma Tributária

O executivo da Ásia Source vê no chamado “Custo Brasil” outro sério entrave ao desenvolvimento do Brasil e, por consequência, do comércio exterior brasileiro: “obviamente, isso é algo que não tem nada parecido na China” e lembra que, ao contrário do Brasil, “a China tem uma vasta e moderna rede ferroviária, enquanto o Brasil privilegia o transporte rodoviário. Nossa empresa é sediada em Santa Catarina, mas atendemos clientes do Brasil inteiro e em nossas operações evitamos utilizar os portos de Santos para cima, porque são muito difíceis de se operar. São burocráticos e caros. Temos um cliente em Rondônia que traz cargas para o Paraná ou Santa Catarina, de caminhão, com três, quatro e até cinco dias de viagem porque é mais barato que ir direto para Manaus”.

Luis Muller vê com ceticismo a Reforma Tributária em curso no país e que terá grandes implicações no comércio exterior brasileiro. Segundo ele, “hoje somos atendidos por três contabilistas. Uma delas é uma das maiores contabilistas tributárias de Santa Catarina. Tivemos que contratá-los para dar suporte aos nossos clientes pois 99% das empresas que atendemos nunca importaram na vida e seus contadores pouco ou nada conhecem do processo importador e às vezes tomam decisões equivocadas e atuamos para apoiá-los. A Reforma Tributária vem com o objetivo de simplificar as coisas. Mas ainda não estou conseguindo enxergar isso de uma maneira prática. A mesma coisa se passa com o Simples Nacional, que não tem nada de simples. Depende da atividade principal da empresa, do seu faturamento, se a empresa tem ou não colaboradores”.

Na percepção do executivo, a Reforma Tributária acaba com o diferencial competitivo de Santa Catarina, que passa principalmente pelas condições de desoneração tributária. Algumas empresas têm impostos reduzidos para 3% a 1%, dependendo do ramo de atuação. No geral, o desembaraço aduaneiro é isento do ICMS, permitindo que o pagamento ocorra apenas no momento da venda, o que preserva o caixa da empresa. As condições são tão impactantes que empresários de estados como São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso preferem operar em Santa Catarina, que oferece custos operacionais mais baixos que, por exemplo, os portos paulistas.

Ele destaca que “Santa Catarina se desenvolveu muito por conta disso, em relação à infraestrutura e a geração de empregos. O novo Imposto de Importação já está sendo cobrado e ele não gera crédito. Trata-se de um imposto federal e a gente não sabe onde ele é aplicado. É diferente do IPVA, do IPTU, dos impostos específicos. Não estou vendo como isso vai trazer benefícios para nós. Esperamos a evolução dos acontecimentos para ter um pouco mais de clareza e entender como as coisas vão se comportar daqui para a frente”.

 

 

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Revisão em taxas de importação de eletrônicos mantém preço sem aumento, avalia secretário do MDIC

Da Redação (*)

Brasília – O governo federal decidiu revisar as tarifas de importação de smartphones e de produtos eletroeletrônicos. A medida foi aprovada nesta sexta-feira (27) pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), vinculado à Câmara de Comércio Exterior (Camex).

O impacto da decisão sobre os preços ao consumidor é “praticamente nulo”, estimado em um aumento de 0,062%.

O cálculo é de Uallace Moreira Lima, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que acompanhou o vice-presidente Geraldo Alckmin em agenda neste sábado, em São Paulo.

Segundo ele, a produção de celulares no país já é majoritariamente nacional: cerca de 95% dos aparelhos comprados pelos brasileiros são fabricados no Brasil. Por isso, as mudanças têm impacto tão baixo para o consumidor.

O que mudou?

A decisão do governo envolve um conjunto de 120 produtos. Desse total:

– 105 itens tiveram o imposto de importação zerado;

– 15 produtos continuaram nos percentuais anteriores. Entre eles, notebooks, smartphones, roteadores, impressoras em braile e mesas digitalizadoras.

Esses 15 itens, segundo o secretário, seriam reajustados para 16% ou 20%, ou passariam de 12% para 16%, por possuírem similares produzidos no país.

Com a revisão, foram mantidas as alíquotas anteriores, como 10% ou 16%.

Na prática, a medida aprovada na sexta-feira mantém as condições anteriores para esses produtos e amplia a lista de itens com tarifa zerada.

Custos baixos

Segundo Uallace Moreira Lima, o objetivo central da decisão é defender a cadeia produtiva nacional e, ao mesmo tempo, manter baixos os custos de produção.

O secretário explicou que foi mantido o regime de ex-tarifário, que reduz praticamente a zero o imposto de importação para determinados bens.

“A lógica é garantir que as empresas continuem tendo acesso a insumos e equipamentos com menor custo, sem prejudicar a indústria nacional.”

A concessão de ex-tarifário, quando for solicitada pela indústria, será dada automaticamente, antes da análise de 150 dias para averiguar se o item tem produção nacional.

Para o governo, a calibragem das tarifas permite proteger a produção, o emprego e a renda, sem gerar aumento de preços para a população.

Diálogo

De acordo com o secretário, parte das críticas e da repercussão negativa iniciais ocorreu por uma “falta de leitura atenta” das resoluções que regulamentaram a mudança.

Ele ressaltou que ficou acordado com o setor que todos os produtos que estavam com alíquota zero e passariam para 7% poderiam ter o benefício restabelecido imediatamente, mediante pedido das empresas.

“Esse compromisso está sendo cumprido pelo governo”, destacou Uallace.

Para ele, à medida que o setor produtivo passa a compreender os detalhes da decisão, fica claro que a política foi formulada de forma criteriosa, preservando o incentivo à importação de insumos e, ao mesmo tempo, protegendo a produção nacional.

Como funciona

Pelas regras estabelecidas, as empresas que tiveram a alíquota elevada de 0% para 7% podem apresentar um pedido de revisão. A partir disso, o governo passa a analisar se o produto possui ou não similar nacional.

Se não houver produto equivalente fabricado no país, a alíquota permanece em 0%;

Se, ao final da análise, for constatado que há similar nacional, a tarifa volta para 7%.

O mesmo procedimento vale para novos investimentos. Caso uma empresa pretenda importar uma máquina ou equipamento que ainda não tenha o benefício da tarifa zero, poderá solicitar o enquadramento no ex-tarifário.

O governo, então, verificará se existe produção nacional equivalente antes de conceder o benefício.

Segundo o secretário, o regime continuará funcionando normalmente, reforçando o caráter técnico e dialogado da política de tarifas adotada pelo governo.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Acordo Mercosul-União Europeia deve entrar em vigor em maio, prevê Geraldo Alckmin

Da Redação (*)

Brasília – O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse hoje (27), na capital paulista, que o acordo comercial firmado entre o Mercoslu e a União Europeia deve entrar em vigor em maio.

Em entrevista a jornalistas, Alckmin disse que sua expectativa é que o acordo seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas, seguindo depois para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta semana, o acordo já foi aprovado pela Câmara dos Deputados..

“Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, disse.

União Europeia

Nesta sexta-feira, a Comissão Europeia anunciou que o bloco aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul para garantir que o bloco obtenha a vantagem do pioneirismo.

Normalmente, a União Europeia aguarda a aprovação de seus acordos de livre comércio pelos governos do bloco e pelo Parlamento Europeu. No entanto, os parlamentares, liderados por deputados franceses. Votaram no mês passado para contestar o acordo no tribunal superior do bloco europeu, o que pode atrasar sua implementação total em dois anos.

A aprovação pela assembleia da UE continua sendo necessária, mas a UE e o Mercosul podem começar a reduzir tarifas e aplicar outros aspectos comerciais do acordo antes disso.

Salvaguardas

Segundo Alckmin, hoje foi encaminhada uma proposta para a Casa Civil para que sejam regulamentadas as salvaguardas previstas no acordo, que são mecanismos que permitem suspender a redução das tarifas caso ocorra um surto de importações. Depois de passar pela Casa Civil, o texto ainda será levado ao Ministério da Fazenda e das Relações Exteriores, para então poder ser sancionado pelo presidente Lula.

A expectativa do governo é que essas salvaguardas sejam regulamentadas já nos próximos dias. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, falou o vice-presidente.

De acordo com Alckmin, a lógica prevista para a abertura de mercados é de que haja ganhos para a sociedade, que poderá comprar produtos de melhor qualidade e com menor preço. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”

Sobre o acordo

O Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Já União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

O acordo estabelece a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 720 milhões de habitantes. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que a implementação do acordo pode incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões e ampliar a diversificação das vendas internacionais brasileiras, beneficiando inclusive à indústria nacional.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Governo derruba alta de imposto para smartphones e eletrônicos após forte repercussão no Congresso

Camex zera tarifa de 105 itens e reverte alta de 15 bens informáticos

Da Redação (*)

Brasília – Após repercussão negativa no Congresso e nas redes sociais, o governo federal decidiu revogar parte do aumento do imposto de importação sobre produtos eletrônicos e bens de capital anunciado no início do mês.

A medida foi aprovada nesta sexta-feira (27) pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), vinculado à Câmara de Comércio Exterior (Camex).

A decisão restabelece as alíquotas anteriores para 15 produtos de informática, incluindo smartphones e notebooks. A Camex também zerou a tarifa de importação para 105 itens classificados como bens de capital (máquinas e equipamentos usados na produção) e produtos das áreas de informática e telecomunicações.

Nos dois casos, a redução de tarifas de importação ocorre por meio do mecanismo de ex-tarifário, que reduz alíquotas para itens sem produção de similar ou equivalente no Brasil.

Smartphones 

Com o recuo, a alíquota de importação de smartphones retorna a 16%. A proposta anterior previa elevação para 20%. Em alguns casos, o aumento poderia chegar a até 7,2 pontos percentuais.

Também tiveram as tarifas restabelecidas produtos como notebooks, que retornam à alíquota original de 16%; gabinetes com fonte de alimentação (10,8%); placas-mãe (10,8%); mouses e track-balls (10,8%); mesas digitalizadoras (10,8%) e unidades de memória SSD (10,8%).

Segundo o governo, as alterações passam a valer a partir da publicação da resolução no Diário Oficial da União. A lista completa de produtos beneficiados está disponível no site da Camex.

Desgaste político

O aumento inicial atingia cerca de 1,2 mil itens e gerou reação de parlamentares da oposição e de setores empresariais, que alertaram para possível impacto nos preços ao consumidor.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vinha defendendo a medida sob o argumento de proteção à indústria nacional e de correção de distorções no comércio exterior. Ele esclareceu que mais de 90% dos produtos afetados são produzidos no Brasil, e o aumento só atingia produtos importados.

No caso de eletrônicos produzidos ou montados no país com insumos importados, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) esclareceu que os componentes seriam beneficiados pelo mecanismo de drawback, que reduz o Imposto de Importação de insumos usados para fabricar produtos destinados à exportação.

O governo estimava arrecadar até R$ 14 bilhões em 2026 com a elevação das alíquotas. A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão consultivo do Senado, previa receita maior, de R$ 20 bilhões neste ano.

Pressão 

Diante da pressão política, o Executivo optou por um recuo parcial. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a decisão acolheu pedidos protocolados por empresas até 25 de fevereiro e já estava prevista nas regras de ex-tarifário, mecanismo que permite zerar imposto para produtos sem similar nacional. A pasta informou que as alíquotas mais altas anunciadas no início do mês não chegaram a entrar em vigor.

Os 105 produtos que tiveram a tarifa reduzida a zero permanecerão com isenção por 120 dias. Novas revisões poderão ocorrer nas próximas reuniões do Gecex, que delibera mensalmente sobre realinhamentos tarifários.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Tarifaço global entra em 2026, pressiona o comércio exterior e acelera a corrida por inteligência na logística marítima

Escalada de medidas protecionistas e maior volatilidade dos fretes marítimos elevam custos e reforçam o papel da análise de dados nas cadeias globais

Da Redação

Brasília – O comércio exterior inicia 2026 sob o impacto persistente de um novo ciclo de elevação tarifária em grandes economias, movimento que vem sendo classificado por analistas como um “tarifaço global”. A intensificação de políticas industriais defensivas, somada às tensões geopolíticas e à reorganização das cadeias produtivas, tem aumentado a complexidade operacional do transporte marítimo e pressionado custos ao longo da cadeia.

Projeções recentes da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam crescimento moderado do comércio de mercadorias após a desaceleração observada entre 2023 e 2024, enquanto o volume de medidas restritivas segue elevado em nível global. Relatórios da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) apontam que incertezas regulatórias, custos logísticos e gargalos portuários permanecem entre os principais fatores de risco para a fluidez das trocas internacionais.

No Brasil, dados do ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que a corrente de comércio continua em patamar historicamente alto, mas com maior volatilidade de preços e prazos logísticos, especialmente em rotas mais sensíveis a mudanças tarifárias.

Para Marcos Silva, CIO da Datamar e especialista em tecnologia para logística marítima, o impacto do tarifaço vai além do aumento direto de custos. “O tarifaço não afeta apenas a competitividade do produto, mas também altera fluxos comerciais, pressiona a previsibilidade das rotas e exige um nível muito maior de inteligência de dados para sustentar decisões operacionais”.

Segundo ele, a principal mudança em curso é estrutural: o comércio marítimo passa a operar – de forma mais sistemática – sob um ambiente de incertezas. “O transporte marítimo entrou definitivamente na era da volatilidade. Sem visibilidade de fretes e capacidade e desempenho portuário, as empresas ficam expostas a ineficiências que antes eram diluídas pelo crescimento do comércio”, aponta Marcos.

Volatilidade nos fretes e nas rotas

Indicadores internacionais de frete, como o Shanghai Containerized Freight Index (SCFI) e o Drewry World Container Index, registraram oscilações relevantes ao longo de 2024 e 2025, refletindo ajustes de capacidade das grandes alianças marítimas e choques geopolíticos em rotas estratégicas.

Na avaliação de analistas, a elevação de tarifas tende a amplificar esse movimento ao provocar redirecionamento de cargas, mudança de origens produtivas e maior desequilíbrio na reposição global de contêineres. “Quando as tarifas sobem, o efeito não é linear. Há redistribuição de demanda entre rotas, o que pressiona a gestão de equipamentos e a formação de fretes”, explica o CIO da Datamar. “Isso torna o planejamento logístico muito mais dependente de modelos preditivos.”

Dados da Datamar confirmam reconfiguração dos fluxos

A leitura dos dados consolidados de 2025 já evidencia, na prática, os efeitos dessa reconfiguração do comércio global. Segundo análises da Datamar – empresa brasileira especializada em inteligência de mercado para o comércio exterior e a logística marítima – a partir do DataLiner, plataforma de inteligência de comércio marítimo, o Brasil encerrou o ano com crescimento moderado nas exportações conteinerizadas (+2%) e com avanço um pouco mais robusto nas importações (+4,4%).

O desempenho sugere estabilidade, mas a análise detalhada revela movimentos estruturais relevantes ao longo do ano. As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,1% em 2025, refletindo diretamente mudanças tarifárias que impactaram os fluxos comerciais, sobretudo no segundo semestre. Em contrapartida, os embarques para outros mercados cresceram 4,1%, compensando parcialmente essa retração.

Mesmo nesse contexto, o último trimestre do ano indicou uma inflexão positiva, com crescimento de 6% em relação ao quarto trimestre de 2024, sinalizando ajustes de rota e recomposição gradual da demanda internacional.

A segmentação por produto reforça o cenário de assimetria: cadeias como carnes, tabaco e produtos vegetais apresentaram crescimento, enquanto café, açúcar e madeira registraram quedas relevantes. “O número consolidado importa, mas ele esconde histórias muito diferentes por produto, mercado e momento do ano. É nesse nível de detalhe que estão os sinais que orientam decisões futuras”, destaca Marcos Silva.

Segundo o CIO da Datamar, esse tipo de leitura só é possível com bases históricas robustas e modelos analíticos capazes de capturar mudanças estruturais. “O tarifaço acelera a necessidade de inteligência aplicada. Ferramentas como o DataLiner permitem enxergar não apenas o que aconteceu, mas antecipar tendências em um ambiente de incerteza crescente”.

Digitalização ganha urgência

Esse cenário tem acelerado investimentos em plataformas de inteligência logística, integração de dados portuários e análise preditiva. Estudos da McKinsey e da UNCTAD já vinham apontando a digitalização do transporte marítimo como um dos principais vetores de eficiência da década – tendência que ganha tração adicional com o ambiente mais protecionista.

Para Marcos, empresas que tratarem dados como ativo estratégico terão vantagem competitiva clara. “O tarifaço funciona como um catalisador da transformação digital no setor de shipping. Quem conseguir antecipar movimentos de mercado com base em dados terá mais resiliência operacional e melhor gestão de custos”, conclui o especialista.

 

 

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Taiwan: Alianças que protegem a ordem liberal

Lin Chia-lung (*)

Escrevo este artigo sob a sombra do autoritarismo chinês, mas com a convicção de quem lidera uma nação que transformou o compromisso com a liberdade, a democracia e os direitos humanos em sua própria identidade. Ao completar 30 anos desde nossa primeira eleição presidencial direta, Taiwan consolidou-se como uma democracia vibrante e um parceiro global indispensável. No entanto, o valor que oferecemos ao mundo hoje vai além dos ideais compartilhados, ele é profundamente estratégico e prático.

Como Ministro das Relações Exteriores, tenho promovido uma transição fundamental em nossa estratégia: passamos da “diplomacia baseada em valores” para a “diplomacia de valor agregado”. Meu objetivo é mostrar que a solidariedade com Taiwan não é apenas um ato moral, mas um motor de prosperidade para nossos aliados. Taiwan funciona como um fosso que salvaguarda o Indo-Pacífico, uma região por onde circulam 50% dos navios de contêineres do mundo. Qualquer instabilidade aqui, provocada pelo expansionismo autoritário, colocaria em risco o comércio global e a ordem internacional baseada em regras.

Enfrentamos diariamente táticas de coerção econômica, infiltração e ameaças militares. Por isso, transformamos nossos desafios em expertise. Em 2025, intensificamos nossa defesa contra a sabotagem de cabos submarinos e combatemos ativamente a desinformação gerada por Inteligência Artificial (IA). Essa resiliência é um bem público que compartilhamos através de plataformas como o GCTF (Estrutura de Cooperação e Treinamento Global), ajudando outras democracias a fortalecerem sua própria segurança.

No campo econômico, nossa posição é única: produzimos 60% dos semicondutores do mundo e 90% dos chips avançados e servidores de IA. Países que buscam diversificar suas cadeias de suprimentos para longe da dependência chinesa encontram em Taiwan uma alternativa segura e transparente. Diferente de modelos que geram armadilhas de dívida, nossa abordagem foca na sustentabilidade e no desenvolvimento mútuo. Estamos implementando projetos como o navio de emissão zero em Palau, o Parque Tecnológico Inteligente no Paraguai e parcerias de medicina digital no Reino de Essuatíni, na África.

Nossa aliança com os Estados Unidos é um exemplo prático dessa “diplomacia de valor agregado”. Recentemente, firmamos o compromisso de investir 250 bilhões de dólares   nas indústrias de semicondutores e tecnologia americanas, com outros 250 bilhões em garantias de crédito para apoiar nossas empresas nessa expansão. Juntos, através da Declaração Pax Silica, estamos assegurando que as cadeias de suprimentos de IA permaneçam estáveis e protegidas.

A exclusão de Taiwan de organizações como a OMS e o CPTPP (Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica) não é apenas uma injustiça contra nosso povo, mas uma perda para a comunidade internacional. Nossa experiência no combate à COVID-19 e nossos altos padrões de governança comercial poderiam fortalecer a segurança sanitária e econômica global.

O mundo livre precisa de Taiwan porque, ao trabalhar conosco, as nações ganham o que não podem encontrar em nenhum outro lugar: segurança reforçada, prosperidade técnica e o conhecimento vital para resistir à pressão autoritária. Seja pelo prisma dos valores ou dos interesses, Taiwan está pronto para ajudar a proteger o futuro de todos.

(*) Lin Chia-lung é Ministro de Relações Exteriores de Taiwan.

 

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Especialista projeta alta nas importações para 2026 com consolidação da China como principal fornecedor

Especialista explica como funciona o processo e destaca que preços mais baixos e maior variedade de itens impulsionam o crescimento do setor

Da Redação (*)

Brasília – De acordo com dados recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as importações brasileiras devem variar entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões em 2026. Os números refletem um movimento mais amplo: em um cenário de cadeias globais mais integradas e de maior pressão por eficiência de custos, importar passou a fazer parte da estratégia de empresas que buscam competitividade, previsibilidade de abastecimento e ampliação de portfólio.

Esse avanço se conecta diretamente ao fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China, principal origem das importações nacionais. Em 2025, as compras brasileiras provenientes do país asiático somaram US$ 70,9 bilhões, alta de 11,5% comparativamente com o ano anterior, e recorde histórico, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Na avaliação de Luis Muller, fundador da Asia Source Brasil, primeira franquia de importação do Brasil, esse movimento acompanha uma mudança de mentalidade. A rede atua conectando empresas brasileiras a fornecedores globais e estruturando operações de comércio exterior de ponta a ponta. Segundo o executivo, o crescimento das importações está ligado à busca por preços mais competitivos e maior variedade, mas, principalmente, à profissionalização do processo.

À medida que o volume importado cresce, também aumenta o interesse de empresários por entender como, de fato, funciona o processo. Apesar de ser uma prática consolidada no comércio internacional, dúvidas relacionadas à tributação, à burocracia e aos riscos logísticos ainda são recorrentes, especialmente entre empresas que nunca importaram ou que tiveram experiências pontuais sem planejamento adequado.

Processo de importação e previsibilidade

Nesse ponto, Muller observa que boa parte das incertezas nasce da falta de compreensão sobre as etapas envolvidas. Ele explica que a importação segue um fluxo técnico previsível, composto por fases interligadas, que começam muito antes da compra do produto. “O primeiro passo é a análise de viabilidade, etapa em que são avaliados custos de aquisição, tributos, despesas logísticas, câmbio e preço final nacionalizado. Sem essa análise, a operação perde referência de custo e margem”, esclarece o profissional.

A correta classificação fiscal da mercadoria aparece como um dos pilares do processo, pois define a carga tributária incidente. Para Muller, erros nessa etapa comprometem toda a operação. “A classificação fiscal não é um detalhe burocrático. Ela determina imposto, margem e conformidade. Quando o NCM é definido sem critério técnico, o risco deixa de ser exceção e passa a ser regra”, afirma.

Superada essa fase, entram as decisões contratuais e logísticas, como a escolha do Incoterm, do modal de transporte e do fornecedor internacional. Aqui, a validação do parceiro na origem se torna decisiva. A Asia Source, por exemplo, atua com auditorias de fábrica, verificação de capacidade produtiva e análise de histórico de exportação, práticas que reduzem significativamente a exposição ao risco. Muller costuma resumir esse ponto de forma direta: “não é o preço que define uma boa importação, mas a segurança da cadeia”.

Com o fornecedor homologado, a operação avança para a formalização contratual, contratação do frete internacional e do seguro de carga, além da emissão dos documentos de embarque. O acompanhamento logístico garante rastreabilidade da mercadoria até a chegada ao Brasil. Segundo o fundador da Asia Source, quando existe controle da carga do início ao fim, com seguro e documentação alinhados, o risco operacional se torna residual.

Na etapa final, ocorre o desembaraço aduaneiro, momento em que a mercadoria é nacionalizada. Embora essa fase seja frequentemente associada à burocracia, ela segue procedimentos padronizados. “A burocracia assusta quem não conhece o fluxo. Para quem trabalha com cronograma e planejamento tributário, ela é apenas mais uma etapa do projeto”, conclui Muller.

(*) Com informações da Asia Source Brasil

 

 

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Pressão por ESG cresce após casos globais de não conformidade na cadeia de fornecedores

Plataformas integradas, como o CIAL360 Supplier, surgem como resposta à necessidade de governança mais robusta nas organizações

Da Redação (*)

Brasília – Com o avanço das exigências de ESG e compliance no Brasil e no mundo, cresce também o escrutínio sobre como as empresas gerenciam riscos para além de suas operações internas. Casos recentes, como a ação movida em agosto de 2025 por organizações de direitos humanos contra a Tesla nos Estados Unidos (que acusam a empresa de trabalho forçado e “greenwashing” em sua cadeia de fornecimento de cobalto) evidenciam que falhas na gestão de fornecedores podem rapidamente se transformar em crises reputacionais e jurídicas. Nesse contexto, a governança corporativa, que antes se limitava à conformidade documental e à responsabilização interna, passa a exigir uma visão ampliada e contínua de toda a cadeia de valor.

Mesmo com políticas formalizadas e departamentos de compliance estruturados, muitas companhias ainda enfrentam dificuldades para mapear riscos ESG (ambientais, sociais e de governança) ao longo da sua rede de terceiros. A desconexão entre o discurso e a execução revela um ponto cego que pode comprometer não apenas a imagem institucional, mas também a saúde financeira do negócio.

“Há uma expectativa cada vez maior de investidores, consumidores e órgãos reguladores por mais transparência e responsabilidade em todas as etapas da operação. No entanto, a gestão de fornecedores ainda é vista por muitos como uma tarefa administrativa, quando, na verdade, trata-se de um eixo estratégico de governança”, comenta Carlos Butori, Country Manager e CCO da CIAL Dun & Bradstreet no Brasil.

Um novo paradigma para a gestão de riscos

A exposição a fornecedores com baixa conformidade ou histórico negativo pode acarretar desde multas regulatórias até crises reputacionais graves. Casos de envolvimento indireto com trabalho análogo à escravidão, uso de matéria-prima ilegal ou emissões irregulares de carbono são exemplos de situações que já levaram empresas a enfrentar investigações e perder contratos importantes.

Nesse cenário, a análise de riscos na cadeia de suprimentos passa a exigir mais do que planilhas ou processos isolados. É necessário integrar informações, automatizar processos e aplicar critérios consistentes e auditáveis, especialmente em empresas com uma rede ampla e complexa de fornecedores.

Segundo Pedro Vieira Maciel, COO Brasil e Head de Produtos Latam, “o verdadeiro desafio não é apenas coletar dados sobre os fornecedores, mas sim transformá-los em insights confiáveis, acionáveis e em conformidade com as políticas internas da empresa. É isso que diferencia uma gestão de riscos reativa de uma gestão estratégica e preventiva.”

Tecnologia como aliada da governança

Para responder a essa nova realidade, soluções como o CIAL360 Supplier vêm ganhando espaço nas áreas de compliance, compras e governança. A plataforma reúne funcionalidades de homologação, avaliação de riscos e due diligence contínua, integrando informações financeiras, jurídicas, reputacionais e ambientais em um único ambiente.

Além de dados próprios, o sistema da CIAL é alimentado por informações da base global da Dun & Bradstreet, a maior base de dados comerciais do mundo, com mais de 500 milhões de empresas monitoradas, incluindo listas de sanções, PEPs, ESG scores e mídia adversa.

ESG e Compliance como prática contínua

Com a crescente complexidade do ambiente regulatório e a consolidação dos critérios ESG como exigência de mercado, a gestão de fornecedores precisa evoluir para acompanhar essa transformação.

A centralização de dados, o uso de indicadores de risco padronizados e a automação de processos de homologação e avaliação de fornecedores tornam-se, portanto, pilares essenciais para uma gestão ESG eficiente e escalável.

Segundo Pedro Vieira Maciel, “não basta saber quem é seu fornecedor. É preciso saber com quem ele se relaciona, qual sua exposição a riscos e como ele impacta os seus próprios compromissos de governança. Essa visibilidade é o que garante a integridade da cadeia.”

(*) Com informações da CIAL Dun & Bradstreet

 

 

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