Alckmin destaca avanços nas negociações com os EUA, parceria com a indústria e aposta em fim do impasse

Em reunião na CNI, ministro do MDIC destacou reversão de taxação para 8% das exportações impactadas e agradeceu o empenho do setor privado na defesa comercial brasileira

Da Redação (*)

Brasília – O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, destacou na terça-feira (30) a importância do trabalho conjunto entre o governo federal e o setor produtivo na defesa dos interesses comerciais brasileiros frente ao tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Convidado a participar da reunião de diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Alckmin disse que o encontro entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos EUA, Donald Trump, na ONU, foi um passo importante que terá desdobramentos para resolver o impasse tarifário.

Em sua fala, o ministro do MDIC destacou resultados positivos já alcançados nas negociações. “Se pegar essas últimas quatro semanas, foram 8% das exportações brasileiras afetadas pelo tarifaço que saíram. 4% na celulose. Agora mais 4% de madeira e móveis”, explicou.

O vice-presidente ressaltou, ainda, o papel do setor produtivo nas negociações, mencionando a missão empresarial coordenada pela CNI a Washington, no início de setembro. “Foi muito importante a ida da CNI e da delegação de empresários aos Estados Unidos. A Amcham e a US Chambers também têm ajudado, então essa parceria é muito importante para nos ajudar a resolver essa questão,” disse Alckmin, agradecendo o presidente da CNI, Ricardo Alban, pelo “empenho do setor privado brasileiro e americano”.

Coordenando o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, criado pelo governo federal para fazer frente à tarifa imposta pelos EUA, o vice-presidente realizou dezenas de reuniões com representantes de empresas brasileiras e norte-americanas para buscar soluções para o tarifaço.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a preocupação com a defesa comercial brasileira em um momento em que diversos países estão aplicando políticas protecionistas e se reposicionando globalmente. Ele também ressaltou o diálogo entre os setores públicos e privado.

“Se falamos tanto em complementariedade entre o setor público e o privado, eles têm e precisam se complementar para serem eficientes e mitigar os hiatos. Queremos transformar os desafios em oportunidades e chegarmos a discussões construtivas. A possibilidade do encontro entre os dois presidentes demostra a força dessa convergência”, disse Alban.

(*) Com informações do MDIC

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Tarifaço de Trump: ‘O pior está por vir’, afirma produtor e exportador de manga do Vale do São Francisco

Alex Tenório lembrou que os Estados Unidos consomem 50% de toda a manga produzida no segundo semestre no Vale e tarifaço vai impactar agricultores

Da Redação

Brasília – “O pior ainda está por vir na região do Vale São Francisco”, afirmou o produtor rural, exportador, empresário e consultor Alex Tenório, sobre o tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos para a importação de produtos brasileiros. Ele explica que os Estados Unidos consomem 50% de toda a manga produzida no segundo semestre na região e que os impactos serão sentidos não apenas na produção, mas também no crédito, nas operações financeiras de toda a cadeia produtiva e na qualidade da fruta.

Segundo a Embrapa, o Vale responde por cerca de 90% das exportações de manga no país. “É um mercado de enorme expressão para a região. O faturamento vai cair. Ainda não temos a dimensão das perdas, mas a conta vai chegar nos próximos meses. Os produtores já estão sentindo, já há empresas deixando a fruta no pomar, sem colher”, afirmou Tenório.

Ele disse que os prejuízos do tarifaço dos EUA vão chegar ao Vale do São Francisco em três meses, afetando a economia e toda a cadeia produtiva local, que é muito extensa. “Inclui desde o produtor até o operador logístico, o operador portuário, a indústria de papelão que projetou um número de caixas de embalagens que não será consumido”, disse.

Tenório acrescentou que o custo operacional do Brasil é muito alto e a operação logística absorve grande parte do retorno financeiro da manga. “Tem época em que vendemos a caixa de manga na Europa a 4 euros e a logística custa 3 euros”, disse. A soma do custo Brasil ao tarifaço torna o cenário ainda mais caótico, apontou.

Sem crédito

O produtor e empresário lembrou que o tarifaço não exerce pressão apenas no mercado produtor e distribuidor, mas também nas operações financeiras de toda a cadeia produtiva. “As instituições financeiras financiam a fruticultura. Com a redução das opções de mercado, o produtor perde o crédito, dando início a uma bola de neve. Há queda no emprego e toda cadeia funciona de forma mais lenta”, comentou.

Tenório citou que um distribuidor que comprava 10 milhões de quilos de manga para exportar para os EUA vai reduzir a quantidade pela metade porque o sistema financeiro reduziu as opções para esse distribuidor financiar suas operações. “A pressão que o empresariado do Vale do São Francisco está sofrendo com o tarifaço é muito maior do que o aumento da tarifa”, afirmou.

Além de reduzir as opções de mercado, a taxação de 50% sobre a manga tem um grande impacto porque a fruta já é um produto de baixo valor agregado, portanto, o produtor não consegue arcar com esse custo tão alto. “O mercado desaquecido resulta em frutas desvalorizadas. A fruta que não vai para o mercado dos Estados Unidos já está nos pomares das fazendas e vai ter que ir para outro lugar. Vai para o mercado europeu, ampliando a oferta. Quanto mais frutas no mercado, menor o preço”, apontou.

Desconfiança e queda de qualidade

O tarifaço impactou ainda a qualidade da manga, de acordo com o produtor e empresário. “O produtor perdeu a confiança já não está manejando tão bem sua cultura, o que impacta a qualidade da fruta. O clima é horrível, de medo e desconfiança e vai piorar muito nos próximos três meses”, disse.

Tenório defendeu que produtor rural no Brasil precisa ter acesso ao mercado e para isso são necessários acordos com países de forma diplomática. Ele disse que o tarifaço é uma variante que pode ser resolvida, ao contrário de outras como o clima e as chuvas, que não têm solução. “Com o clima, o produtor aprende a lidar porque não pode mudar. Mas a questão do tarifaço é política e pode ser resolvida”, afirmou.

O produtor rural e empresário comentou que o Vale do São Francisco, região geográfica do Nordeste brasileiro delimitada pela bacia do Rio São Francisco e abrangendo partes dos estados da Bahia e Pernambuco, gera mais de 250 mil empregos na agricultura e tem papel relevante para a economia local e nacional.

Tenório lembrou que o primeiro semestre deste ano já havia sido complicado para o agricultor porque ocorreu aumento da oferta de manga de países da África, do Peru e da República Dominicana. ”O produtor esperava melhorar os ganhos no segundo semestre e agora enfrenta o caos por causa da política”, lamentou.

Produção

Segundo a Embrapa, o Brasil produz aproximadamente 1,25 milhão de toneladas de manga por ano e ocupa a sexta posição entre os maiores produtores mundiais, atrás da Índia, Indonésia, China, Paquistão e México. A região do Vale São Francisco é a de maior produtividade no país, conforme a Embrapa, com média superior a 30 toneladas por hectare, que pode chegar a 50 toneladas em áreas mais adensadas, enquanto a média nacional é de 20 toneladas por hectare.

De acordo com a Embrapa, o Brasil exportou 266 mil toneladas em 2023, cerca de 90% produzidas no Vale do São Francisco. Embora a região colha a fruta o ano todo, o pico de produção costuma ser justamente no segundo semestre. O principal mercado da manga brasileira é a União Europeia, com o maior volume indo para a Holanda, devido ao porto de Roterdã. O segundo país que mais comprou a manga brasileira em 2023 foi os Estados Unidos, seguido da Espanha, Reino Unido e Portugal.

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Comércio Brasil-Chile tem novas regras para exportação. Conheça os detalhes aqui

As regras entram em vigor nesta terça-feira, dia 30 de setembro. Para aprofundar informações sobre o tema, a CNI disponibilizará uma cartilha com as mudanças e fará um webinar para esclarecer dúvidas e apontar como o setor privado pode aproveitar ao máximo as novas regras

Da Redação (*)

Brasília – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lança, nesta terça-feira (30), cartilha sobre o Novo Regime de Origem entre Brasil e Chile. O material é um guia detalhado de como ampliar as oportunidades de negócios no mercado chileno.

O documento foi elaborado para apoiar empresas e entidades setoriais na adaptação às novas regras de exportação. No dia 2 de outubro, a CNI fará um webinar para a aprofundar o entendimento sobre o tema. A transmissão será às 11h, ao vivo pelo canal da CNI no YouTube.

Entre os assuntos abordados na cartilha estão as mudanças trazidas pelo novo marco regulatório sobre as regras de origem, que definem quando um produto é considerado originário de um país e, portanto, pode se beneficiar das preferências tarifárias em acordos comerciais.

O funcionamento dessas regras, os limites de uso de insumos de terceiros países, os novos modelos de prova e verificação de origem, além das atualizações alinhadas às práticas internacionais também serão pontos de destaque da cartilha.

Entre os benefícios das novas regas estão a simplificação dos cálculos, a flexibilização para setores estratégicos e a adoção de normas mais compatíveis com a logística atual.

Novo regime simplifica regras e introduz autocertificação  

Destacam-se entre as principais novidades do novo regime: a simplificação e modernização das regras de origem; cálculos mais simples para insumos importados utilizados na produção; maior flexibilidade nos percentuais de insumos de terceiros países — 40% (regra geral), 45% (alguns produtos) e 50% (setor automotivo); além da criação de um modelo híbrido de prova de origem, que permite tanto a autocertificação pelas empresas exportadoras quanto a emissão por entidades habilitadas.

Dados da CNI mostram que o comércio de bens entre os dois países é intensivo em produtos da indústria de transformação. Nos últimos 10 anos, o setor respondeu por 69,8% das exportações brasileiras para o Chile e 64,8% das importações vindas do país vizinho. O comércio bilateral é composto, majoritariamente, por insumos industriais, que representaram 48,2% da corrente de comércio no período. Bens de consumo duráveis e combustíveis responderam por 20,7% e 18,9%, respectivamente.

A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, avalia que a atualização das regras representa um passo decisivo para ampliar a previsibilidade e a competitividade dos produtos brasileiros no mercado chileno, reforçando a integração econômica bilateral.

“O Brasil e o Chile firmaram um dos primeiros acordos comerciais do Mercosul, parceria que também resultou no primeiro acordo de livre comércio moderno e abrangente em vigor para o Brasil. A modernização do regime de origem completa esse processo, tornando as regras mais simples, alinhadas às práticas internacionais e capazes de dar mais segurança às empresas brasileiras que atuam no mercado chileno”, afirma Constanza.

Webinar apresentará as mudanças 

Durante o webinar “Novo Regime de Origem Brasil–Chile”, especialistas vão detalhar as mudanças, esclarecer dúvidas e apontar como o setor privado pode aproveitar ao máximo as novas regras. O objetivo é apoiar as empresas brasileiras nesse processo de adaptação, garantindo que elas usufruam plenamente dos benefícios do acordo e ampliem sua participação no mercado chileno.

(*) Com informações da CNI

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Alckmin lança núcleo do PEIEX e apresenta o Pavilhão Brasil na Hannover Messe 2026 em São José dos Campos

As iniciativas são estratégicas para a internacionalização de empresas brasileiras. Em abril de 2026, o Brasil será “País-Parceiro Oficial” da Hannover Messe, evento que reúne mais de 130 mil visitantes e 4 mil expositores de mais de 60 países

Da Redação (*)

Brasília – O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lançaram, na segunda-feira (29), o núcleo do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) e apresentaram o Pavilhão Brasil na Hannover Messe 2026, a maior feira industrial do mundo, em São José dos Campos (SP).

Em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Faculdade Sebrae e o Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (PIT), a iniciativa simbolizou a conexão entre a capacitação de empresas para exportar e sua efetiva inserção nos mercados globais, especialmente no escopo da Nova Indústria Brasil, política industrial lançada pelo governo federal em 2024.

Ao anunciar simultaneamente a expansão do PEIEX em São Paulo e a preparação do Brasil como país parceiro oficial da Hannover Messe 2026, o governo federal reforçou a visão de que a qualificação é a porta de entrada para que empresas inovadoras conquistem espaço em cadeias internacionais de valor.

Durante sua fala, Geraldo Alckmin destacou a importância de criar competitividade e garantir oportunidades para exportações. “O comércio exterior é emprego e renda. Muitas empresas não sobrevivem apenas com o mercado interno. Muitas atividades precisam da exportação para ganhar escala e competitividade. Ao mesmo tempo, ela permite que pequenas empresas cresçam. Por isso, o foco no comércio exterior é fundamental e esse é o trabalho da Apex: promover os produtos brasileiros e atrair investimentos para o Brasil”, afirmou.

O evento contou com a presença do ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), Márcio França; da diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Repezza; além de lideranças da ApexBrasil, do Sebrae, da Câmara Brasil-Alemanha (AHK) e da Hannover Messe.

Alckmin mencionou os eixos fundamentais das políticas públicas da Nova Indústria Brasil (NIB). “Para inovação, são R$ 110 bilhões disponíveis pelo BNDES, Embrapii e Finep, com juros de 4% ao ano. O segundo é a sustentabilidade. Já temos R$ 180 bilhões anunciados pela indústria automotiva em mobilidade verde. E o outro pilar central é a competitividade. Hoje, a idade média das máquinas da indústria brasileira é de 15 anos. Com a depreciação acelerada, damos condições para que as empresas renovem seus equipamentos em apenas dois anos, reduzindo custos, aumentando a produtividade e melhorando a eficiência energética. Isso é essencial para disputar mercado com a concorrência internacional”, detalhou Alckmin.

Qualificação para exportar

Criado em 2004, o PEIEX já apoiou mais de 30 mil empresas brasileiras, das quais mais de 20 mil eram de micro e pequeno porte. Entre 2017 e 2023, as empresas atendidas pelo programa exportaram cerca de US$ 3,6 bilhões para diversos destinos, com destaque para países da Ásia, Europa e América do Sul.

Em São Paulo, o programa está presente desde 2010 e já preparou mais de 3.900 empresas para o comércio exterior. O convênio vigente com o Sebrae-SP e a Faculdade Sebrae previa o atendimento de 2.425 empresas até 2027, considerado o maior número da história do PEIEX no estado. O núcleo de São José dos Campos foi estruturado para atender 100 empresas da região, reforçando a vocação industrial e tecnológica do Vale do Paraíba.

O vice-presidente ressaltou que o Vale do Paraíba tem papel estratégico para a indústria nacional: “Vocês estão no local correto. O Vale do Paraíba é a região mais industrializada do Brasil e uma das maiores do mundo, comparável ao Vale do Ruhr, na Alemanha. É um verdadeiro corredor de indústrias, que vai de São Paulo ao Rio de Janeiro, com aviões, automóveis, metalurgia, química, eletroeletrônica, alimentos e siderurgia”.

Hannover Messe 2026

Em abril de 2026, o Brasil será “País-Parceiro Oficial” da Hannover Messe, evento que reúne mais de 130 mil visitantes e 4 mil expositores de mais de 60 países. O Pavilhão Brasil, coordenado pela ApexBrasil, ocupará 2.000 m² em halls temáticos dedicados às áreas de automação, máquinas e equipamentos, indústria digital, robótica, energia e sustentabilidade.

Com expectativa de reunir cerca de 450 representantes brasileiros, a participação representará uma vitrine da Nova Indústria Brasil, com destaque para inovação, tecnologia, sustentabilidade e digitalização. Além da exposição em espaço premium, as empresas terão acesso a rodadas de negócios, matchmaking exclusivo, promoção internacional e apoio institucional, ampliando as possibilidades concretas de acesso a novos mercados.

Conexão estratégica

Ao reunir em um mesmo evento a qualificação de empresas por meio do PEIEX e a apresentação do Pavilhão Brasil na Hannover Messe 2026, a ApexBrasil reforçou sua estratégia de apoiar a indústria nacional desde a preparação inicial até a projeção internacional. A agenda conectou o fortalecimento da base produtiva brasileira com oportunidades globais de alto impacto.

Ana Repezza, diretora de Negócios da ApexBrasil, informou que 98% do mercado mundial está fora do Brasil. “É o programa de capacitação e qualificação PEIEX que vai apoiar as empresas que queiram começar a exportar, realizando toda essa jornada: adaptação de produto, fluxo de caixa, certificações, mudança de rótulo. O consultor ajuda a trilhar todo esse caminho”, concluiu.

(*) Com informações da ApexBrasil

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KPMG: 76% das empresas permanecem em estágios iniciais ou intermediários de implementação de ESG

Da Redação (*)

Brasília – A pesquisa “Índice ESG de Maturidade de Asseguração de 2025” realizada pela KPMG revelou um dado inédito: 76% das empresas ainda permanecem em estágios iniciais ou intermediários na implementação de práticas ESG (da sigla em inglês, meio ambiente, social e governança). O levantamento entrevistou 1.320 executivos e membros de conselhos em diversos setores e regiões globais, representando, em conjunto, uma receita média de US$ 16,8 bilhões.

Segundo o estudo, as organizações que se destacam em práticas de sustentabilidade e governança apresentam três diferenciais claros: forte engajamento do conselho, uso avançado de tecnologias digitais e integração estratégica dos fatores ESG às operações.

Em contrapartida, empresas em estágio inicial ou intermediários ainda enfrentam desafios significativos, como estruturas de governança limitadas e sistemas de dados pouco desenvolvidos.

“Qualidade da informação para apoiar a tomada da decisão é e seguirá a ser o tema da década. Para isso, é preciso ter sistemas de gestão e governança de qualidade. A Asseguração é um ingrediente que complementa esse esforço. O fato de 76% das empresas estarem em estágios iniciais ou intermediários é preocupante e deve servir de alerta também para as empresas brasileiras”, destaca a sócia líder de ESG na KPMG nas Américas, Nelmara Arbex.

KPMG aponta cinco ações-chave para acelerar ações ESG:

O estudo ainda destaca cinco ações estratégicas para as empresas acelerarem a maturidade em ESG.

1-Fortalecer a governança: incorporar a supervisão das questões ESG no nível do conselho, garantindo a responsabilização pela identificação do risco, pelo monitoramento do desempenho e pela preparação e divulgação de informações.

2- Desenvolver as habilidades e competências necessárias: investir em conhecimento interno para interpretar padrões, gerenciar dados e interagir efetivamente com provedores de asseguração.

3- Aprimorar os sistemas de gerenciamento de dados: desenvolver sistemas robustos para coletar, validar e relatar métricas ESG que atendam aos requisitos de grau de asseguração.

4- Adotar tecnologias digitais: aproveitar plataformas, painéis e ferramentas de inteligência artificial aplicada ao ESG para simplificar os relatórios e melhorar a qualidade dos dados.

5- Envolver a cadeia de valor: estender as práticas ESG a fornecedores e parceiros para garantir consistência e credibilidade em todas as divulgações.

“O estudo da KPMG mostra que acelerar a maturidade em ESG não é apenas uma questão interna, mas de transformação estrutural. Fortalecer a governança, investir em competências internas, aprimorar a gestão de dados, adotar tecnologias digitais e engajar toda a estrutura desde o os conselheiros até os funcionários são passos que permitem às empresas não apenas reportar, mas gerenciar riscos e oportunidades de forma integrada e confiável”, aponta o sócio líder de asseguração da KPMG no Brasil e na América do Sul, Sebastian Soares.

(*) Com informações da KPMG

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A China e a renúncia à Cláusula de Tratamento Especial e Diferenciado

Fernanda Brandão (*)

Nesta semana, a China anunciou que não buscará mais tratamento especial como país em desenvolvimento nos acordos comerciais multilaterais futuros que aderir. Essa escolha representa uma importante mudança na postura chinesa em negociações comerciais e atende a uma demanda antiga dos Estados Unidos e da União Europeia na Organização Mundial do Comércio (OMC) em relação ao país. Mas qual o significado dessa mudança e quais as implicações para o comércio internacional e para o regime multilateral de comércio?

A Cláusula de Tratamento Especial e Diferenciado aos países em desenvolvimento é parte dos acordos da OMC e garante aos países em desenvolvimento exceções em relação aos acordos gerais da OMC no sentido de liberalização permitindo a manutenção de barreiras comerciais tarifárias e não tarifária com o objetivo de permitir um tempo de adaptação e integração das indústrias nacionais desses países que costumam ser menos competitivas no mercado internacional em comparação com aquelas oriundas de países desenvolvidos.

A inclusão da cláusula tinha como objetivo dar aos países em desenvolvimento alguma margem de negociação para garantir a sobrevivência dos seus setores industriais menos desenvolvidos que dos países em desenvolvimento. O desenvolvimento de uma indústria nacional agregadora de valor é visto como um requisito para o desenvolvimento da economia de um país.

Quando aderiu à OMC, em 2001, a China foi enquadrada na categoria de país em desenvolvimento e pôde usufruir das exceções previstas na Cláusula do Tratamento Especial e Diferenciado. No início dos anos 2000, a China já despontava como um ator relevante no cenário global de comércio, mas ainda não ameaçava a preponderância econômica dos Estados Unidos e da Europa.

Contudo, com a contínua expansão da presença chinesa e o aumento da competitividade de suas indústrias, que passaram a oferecer produtos de qualidade e mais baratos do que os americanos e europeus, provocando perda de espaço desses países no mercado internacional, surgiram questionamentos sobre a continuidade da aplicabilidade da cláusula à China.

Desde então, EUA e UE pressionam para que o país deixe de ser tratado como em desenvolvimento, uma vez que sua indústria já se mostra suficientemente competitiva para atuar sem o benefício do tratamento especial.

Apesar de ser a segunda maior economia do mundo em termos de PIB nominal e a maior em Paridade de Poder de Compra (PPC), a China ainda é classificada como país em desenvolvimento, pois sua Renda Nacional Bruta (GNI) per capita está no patamar de renda média alta.

Segundo o Banco Mundial, um país de renda média tem uma renda per capita média de U$1.136 e U$4.465 e clássica os países com renda média per capita entre U$4.465 e U$13.845 e acima disso são considerados países de renda alta.

Hoje a China é um país de renda média alta, com um GNI per capita de U$ 13.660,00. A China, por sua vez, apesar de abrir mão dessa cláusula, reafirmou seu caráter como país em desenvolvimento e seu compromisso em continuar promovendo o desenvolvimento do Sul Global.
O que explica, então, a decisão da China de abrir mão da Cláusula de Tratamento Especial e Diferenciado apesar de ainda ser um país em desenvolvimento em termos técnicos? Em um contexto global, onde a promoção do livre comércio de forma multilateral tem sido substituída pela ação unilateral da maior economia global na imposição de barreiras tarifárias ao comércio, sinalizando o fim do seu compromisso com essa agenda e que tem impactado negativamente países que têm os estados Unidos como seu principal ou um dos seus principais parceiros comerciais.

Na imposição de tarifas, os Estados Unidos não fizeram acepção entre países desenvolvidos e em desenvolvimento colocando altas tarifas sobre países considerados de baixa renda ou renda média.

Geralmente, o impacto sobre as economias em desenvolvimento é maior do que sobre as economias desenvolvidas e revelam a dependência e a assimetria que marcam a relação econômica desses países com os Estados Unidos.

Nesse cenário, a China tem buscado se apresentar como um parceiro confiável. Em junho, a China anunciou a eliminação de tarifas de importação para países menos desenvolvidos, conforme a definição da OMC. Agora, ao renunciar ao direito de utilizar a cláusula, reforça seu compromisso com o sistema multilateral de comércio e com a liberalização progressiva do comércio internacional.

A medida também busca sinalizar que a China é um parceiro confiável para os países em desenvolvimento e que está comprometida com a promoção de prosperidade e desenvolvimento no âmbito global.

O objetivo é consolidar cada vez mais o papel da China como líder do Sul Global e consolidar sua zona de influência sobre esses países. Além disso, o desenvolvimento econômico chinês é altamente dependente do comércio internacional e as barreiras impostas pelos Estados Unidos criam desafios e dilemas para a inserção internacional do país.

Ao atrair países para sua zona de influência e diversificar seus parceiros comerciais, a China busca formas de dinamizar seu comércio e continuar o processo de crescimento da economia nacional.

É importante ressaltar que o impacto da revogação do direito de utilizar essa Cláusula só se aplicará para acordos comerciais concluídos no âmbito da OMC a partir de agora. Os acordos já concluídos continuam em vigor nos mesmos termos em que foram negociados.

Contudo, a OMC entende que essa medida pode ser importante para criar momento para avanço de importantes acordos comerciais e mostra sua responsabilidade e comprometimento em relação ao regime multilateral de comércio.

A decisão precede a Conferência Ministerial que acontecerá em 2026 no Camarões e remove um dos principais entraves de acordo entre a China e os países desenvolvidos em acordos de comércio.

(*) Fernanda Brandão, Doutora em Relações Internacionais, Professora e Coordenadora do Curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

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