O enigma Delcy: transformando o regime em um parceiro previsível

Márcio Coimbra (*)

Delcy Eloína Rodríguez Gómez não é uma figura acidental, mas a herdeira da “aristocracia civil” bolivariana. Filha do mártir Jorge Antonio Rodríguez, ela combina capital simbólico revolucionário com uma formação europeia que a distingue da elite militar. Agora, como presidente interina sob a chancela do TSJ após a captura de Maduro, Delcy emerge como o pivô de uma transição de alto risco, operando na interseção entre a retórica anti-imperialista e o pragmatismo da diplomacia financeira internacional.

No tabuleiro de Caracas, ela governa em simbiose absoluta com seu irmão, Jorge Rodríguez, formando um bloco tecnocrata que se contrapõe à ala radical e ideológica de Diosdado Cabello. Sem comando direto de tropas, sua sobrevivência política depende do “pêndulo” de Vladimir Padrino López, o Ministro da Defesa atua como o fiador dos militares chavistas. Enquanto Cabello personifica a brutalidade do Cartel de los Soles, os Rodríguez preferem a cooptação cirúrgica e a inteligência burocrática, sob a pressão asfixiante das sanções que pesam sobre Delcy desde 2018.

Sua liderança, contudo, é assombrada pelas delações de Hugo “El Pollo” Carvajal e pela iminente colaboração de Maduro em solo americano. Tais testemunhos são venenos de ação lenta que podem expor redes de financiamento ilícito, comprometendo sua viabilidade como interlocutora. Ela caminha sobre uma corda bamba geopolítica: depende do aparato de inteligência cubano (G2) para monitorar conspirações militares internas, mas qualquer transição que mantenha o cordão umbilical com a ditadura cubana será vista como uma “mudança cosmética” por Washington. Ela precisa projetar-se perante Trump como uma “Murillo venezuelana” — uma interlocutora técnica e moderada capaz de pacificar o país e garantir a estabilidade energética via PDVSA.

Para os interlocutores internacionais, incluindo Washington, Delcy apresenta-se como uma gestora capaz de operacionalizar a retomada do setor petrolífero e a renegociação de ativos estratégicos. Mesmo sob o peso de investigações externas e da histórica influência de Cuba, ela aposta em uma política de “distensão”, por enquanto, sem transição — uma reforma que torne o regime funcional e aceitável para o mercado global. O sucesso de sua gestão reside na capacidade de transformar o Estado venezuelano em um parceiro previsível, garantindo a permanência da elite civil antes de uma possível transição política definitiva.

Para os Estados Unidos, Delcy não é uma aliada confiável, mas uma ferramenta de conveniência transacional. Sua sobrevivência dependerá de movimentos táticos milimétricos: ela poderá libertar presos políticos para sinalizar boa vontade, mas dificilmente desmantelará o aparato repressivo, sob risco de sofrer um golpe militar por traição à casta armada. Sua missão é tentar converter o regime em uma estrutura de distensão rumo a uma possível transição — uma autocracia mais palatável e funcional.

A volta da democracia dependerá do sucesso deste processo, no entanto, serão passos lentos e graduais, evitando uma guerra civil que poderia eclodir com o retorno abrupto da oposição ao poder em conflito com um aparato repressor e armado, alimentado por práticas, recursos e cooptação de grupos terroristas, narcotraficantes e de aparatos de inteligência estrangeiros presentes na Venezuela.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal. 

 

 

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Acordo Mercosul-UE está alinhado a objetivos ambientais e ao enfrentamento das mudanças climáticas, diz Marina Silva

Da Redação (*)

Brasília – A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, comemorou a aprovação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) pela Comissão da UE e avaliou de forma positiva os termos celebrados entre os países que irão compor a maior zona de livre comércio do mundo.

“As negociações resultaram em um texto equilibrado e alinhado aos desafios ambientais, sociais e econômicos contemporâneos”, destaca nota oficial divulgada pelo ministério.

Na avaliação da ministra, o texto do acordo está alinhado a agenda ambiental brasileira, capaz de promover o desenvolvimento ao mesmo tempo em que protege a natureza e enfrenta a mudança do clima.

“Em três anos, conseguimos reduzir o desmatamento na Amazônia em 50% e em 32,3% no Cerrado e, ao mesmo tempo, abrir mais de 500 novos mercados para o agronegócio do país”, reforça.

Para Marina Silva, a condução dessa agenda pelo governo brasileiro e os compromissos ambientais assumidos pelos países do Mercosul foram definitivos para que o conselho do bloco europeu finalizasse as negociações de forma favorável. “Depois de 25 anos, a aprovação deste acordo está ancorada na confiança de que o governo do presidente Lula conduz uma agenda ambiental séria, consistente e comprometida com resultados”, diz.

Compromisso com a sustentabilidade

Entre os pontos fortes do acordo comercial destacados na nota do MMA estão a reafirmação de compromissos pela sustentabilidade ambiental e climática dos países envolvidos. A exemplo da adoção do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas e do reforço à soberania na definição dos padrões ambientais de cada país.

O documento também avança ao considerar instrumentos financeiros das agendas de clima e biodiversidade, como a possibilidade de valoração dos serviços prestados pela natureza e o financiamento ambiental.

A promoção de produtos da bioeconomia e bens sustentáveis também entraram no acordo de comércio entre os blocos, que prevê ainda o fornecimento de informações sobre desmatamento e o cumprimento da legislação ambiental pelos países exportadores.

As salvaguardas estabelecidas pelo texto, de acordo com o comunicado do MMA, previnem impactos ambientais negativos e asseguram que a ampliação do comércio contribua para a promoção da sustentabilidade.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Cenário cambial: como o dólar se comportou em 2025 e quais os desafios para 2026

 

 Marcos Weig (*)

O dólar iniciou 2025 em patamar elevado frente ao real, superando R$ 6,15 logo em janeiro. O movimento refletiu, em parte, a manutenção de juros altos nos Estados Unidos e, em parte, a percepção de aumento do risco doméstico, influenciada por dúvidas sobre a trajetória fiscal e incertezas no ambiente político-econômico. Nesse contexto, o diferencial de juros entre Brasil e EUA foi insuficiente para conter a pressão compradora sobre a moeda americana nos primeiros meses do ano.

Com o passar do tempo, porém, parte das expectativas que haviam impulsionado o dólar se mostrou mais intensa do que os fundamentos sugeriam. A hipótese de uma guinada tarifária imediata nos EUA, que havia influenciado projeções no fim de 2024, foi substituída por uma postura mais pragmática da nova administração americana. Esse reposicionamento contribuiu para reduzir a tensão nos mercados. A taxa Selic, em níveis elevados, também atuou como fator de equilíbrio, permitindo alguma recomposição do real. Não se tratou de uma solução definitiva para os desafios locais, mas de uma correção de parte dos excessos observados no início do ano.

O segundo trimestre marcou o início de um ambiente externo mais favorável às moedas emergentes. O dólar se enfraqueceu globalmente, o índice DXY recuou e discussões sobre diversificação cambial ganharam visibilidade. O Brasil acompanhou esse movimento como parte de um ajuste mais amplo. Nesse cenário, o câmbio encontrou um ponto de maior estabilidade, distante das tensões que caracterizaram o começo de 2025.

Desafios para 2026

Se 2025 foi um período de recomposição após meses de forte volatilidade, 2026 tende a exigir maior atenção aos fatores que influenciam o câmbio. No início do ano, o foco permanecerá nos EUA: indicadores de atividade, emprego e inflação deverão orientar as expectativas em torno do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve. Caso esse processo avance, é possível que o dólar siga perdendo força globalmente, o que também poderia favorecer o real no curto prazo.

A partir do segundo trimestre, entretanto, o câmbio brasileiro deve responder mais diretamente aos elementos internos. A evolução do ambiente político, a percepção sobre a sustentabilidade das contas públicas e a capacidade de execução de políticas econômicas serão fatores relevantes para o prêmio de risco e, consequentemente, para a trajetória da taxa de câmbio. Em um contexto de menor proteção garantida pelo cenário internacional, sinais consistentes de previsibilidade e responsabilidade fiscal tendem a ganhar importância.

Assim, 2026 se apresenta como um ano em que oportunidades e riscos coexistem. Um ambiente externo mais benigno pode abrir espaço para um real mais valorizado, especialmente se acompanhado de avanços na agenda doméstica. Por outro lado, a ausência de clareza na condução das políticas públicas pode limitar esse potencial, reforçando a volatilidade e preservando parte das incertezas vistas nos últimos anos.

(*) Marcos Weigt, diretor de Tesouraria do Banco Travelex

 

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Empresariado brasileiro comemora avanço no acordo com União Europeia e considera tratado um “marco estratégico”

Industriais veem oportunidade para ampliar mercados e PIB

Da Redação (*)

Brasília – Entidades empresariais brasileiras comemoraram a aprovação, após 25 anos de negociações, do acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia. A proposta conseguiu, nesta sexta-feira (9), o aval do bloco europeu, onde era necessária a chancela de 15 dos 27 Estados-membros, que, além disso, precisavam representar ao menos 65% da população total do bloco.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou o acordo como um passo significativo para avançar na inserção internacional do Brasil e para o fortalecimento da indústria nacional. Segundo a CNI, em 2024, quando o bloco europeu foi o destino de 14,3% das exportações do país, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE foram criados 21,8 mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

“A aprovação do acordo é um passo decisivo e cria as condições políticas necessárias para avançarmos rumo à assinatura. Esperamos que esse processo seja concluído o quanto antes, para que possamos transformar esse avanço institucional em oportunidades concretas de comércio, investimentos e aumento da competitividade do país”, avalia o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A CNI também vê potencial de intensificação das relações comerciais e produtivas com países do Leste Europeu, como República Tcheca, Polônia e Romênia, “que possuem fluxos comerciais modestos com o Brasil, que podem ser ampliados de forma consistente, com destaque para indústria, tecnologia e consumo interno”.

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) ressalta que o acordo é um marco estratégico para a indústria química brasileira, ao ampliar o acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo, estimular investimentos, fortalecer a inovação e impulsionar uma agenda de sustentabilidade alinhada aos princípios ESG.

“O acordo representa uma oportunidade concreta de reposicionar a indústria química brasileira em cadeias globais de maior valor agregado”, afirma o presidente-executivo da Abiquim André Passos Cordeiro.

Cordeiro acrescenta que o acordo cria um ambiente mais previsível e moderno para investimentos, especialmente em áreas como bioeconomia, química de base renovável e energia limpa.

Para a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a assinatura representa um marco essencial para o comércio internacional, em tempos marcados por turbulência geopolítica e inúmeras crises, criando a maior zona de livre comércio do mundo.

O tratado, na projeção da associação, pode propiciar o aumento das exportações do setor eletroeletrônico para a União Europeia entre 25 e 30% no médio prazo, assim como permitirá uma diversificação dos fornecedores de insumos para a produção industrial.

A expectativa da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) é de que o acordo abrirá várias janelas de oportunidades para a economia brasileira. Para o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, o acordo é uma combinação em que todos os países ganham e se fortalecem para enfrentar os desafios do cada vez mais competitivo do comércio internacional.

“O acordo é uma vitória da diplomacia e do setor produtivo. Os próximos passos até chegar à implementação exigirão diálogo entre os países para o benefício de toda a sociedade”, destaca.

A CACB prevê a atração de investimentos dos países europeus no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com benefícios para todo o continente. “O cenário favorece não só o bloco, mas toda a América do Sul”.

Fiesp, Firjan e Fiemg

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) demonstrou entusiasmo com o acordo, mesmo avaliando que o texto não é perfeito.

“Foi o acordo possível para conciliar interesses de 31 países, em um cenário de transformação do comércio internacional. A Fiesp participou ativamente das negociações nas últimas décadas, com o objetivo principal de que o entendimento trouxesse valor real para as pessoas e para a indústria brasileira”.

Para a Fiesp, o acordo é abrangente e mudará substancialmente a forma com que as empresas do Mercosul e da UE fazem negócios, importam, exportam e investem entre si.

O presidente da entidade, Paulo Skaf, disse que o real trabalho começa agora, porque será necessário a todos inovar, melhorar a produtividade e buscar incessantemente a excelência da porta para dentro das fábricas, que já têm condições de competir com os europeus.

“E trabalharemos para assegurar a isonomia competitiva que permita ao empreendedor nacional prosperar e tirar o máximo proveito das oportunidades que o acordo oferece”, afirmou.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) também comemorou que a aproximação entre Mercosul e UE promoverá um significativo aumento da corrente de comércio, novos investimentos e crescimento do PIB industrial brasileiro, diversificando e ampliando parcerias em um cenário geopolítico marcado por tensões.

Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), ainda que avalie o acordo de forma positiva, ressalta que o acordo deve ser analisado com cautela e atenção aos seus impactos sobre a indústria.

“Minas Gerais mantém relação comercial sólida e superavitária com o bloco europeu, o que reforça a importância estratégica do acordo para o estado. Entre 2021 e 2025, as exportações mineiras para a União Europeia somaram cerca de US$ 31,0 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 13,38 bilhões, resultando em saldo positivo de US$ 17,62 bilhões”.

A federação acredita que os benefícios serão principalmente para setores como café, mineração, siderurgia, celulose e cadeias industriais integradas, como a automotiva e de autopeças. “Ao mesmo tempo, a FIEMG destaca a necessidade de atenção à implementação do acordo, especialmente para segmentos mais sensíveis à concorrência externa, além de atividades que dependem do cumprimento de exigências sanitárias e regulatórias específicas”.

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, a aprovação do acordo bilateral é um avanço importante, após mais de duas décadas de discussões e ajustes.

Meirelles ressaltou que o tarifaço imposto pelo governo americano reforçou a importância de acordos bilaterais que permitam uma maior capilaridade do comércio internacional brasileiro.

O presidente da Faesp avaliou também que as salvaguardas impostas por países como Itália e França não estão erradas, pois pretendem proteger as cadeias produtivas locais. Na visão do presidente da Faesp, o governo brasileiro também deve ter essa preocupação com o produtor.

“No caso do leite em pó, há mais de um ano estamos denunciando a importação desenfreada, comprometendo a cadeia do leite, sem que nenhuma posição tenha sid

(*) Com informações da Agência Brasil

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Alckmin: governo espera que acordo com UE entre em vigor ainda em 2026 para gerar empregos e atrair investimentos

Da Redação (*)

Brasília – O vice-presidente Geraldo Alckmin disse, nesta sexta-feira (9), que o acordo entre Mercosul e União Europeia deve ser assinado nos “próximos dias” e que o governo brasileiro espera que entre em vigência ainda no ano de 2026.

Para isso ocorrer, Alckmin explicou em entrevista à imprensa que é necessário “internalizar”. Isso quer dizer que é preciso que o Parlamento Europeu e os Congressos de cada país do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) aprovem o pacto comercial. Alckmin destacou que a sociedade vai ganhar com produtos mais baratos e de melhor qualidade.

“Se o Congresso Brasileiro votar no primeiro semestre, nós não dependemos da Argentina, Paraguai e Uruguai, para já entrar em vigência”, afirmou Alckmin.

Emprego e investimentos

Geraldo Alckmin destacou que o acordo tem potencial de gerar emprego e investimentos para o Brasil.

“Nós deveremos ter mais investimentos europeus na região do Mercosul e no Brasil, e mais investimentos brasileiros nos 27 países da Europa”, acrescentou Alckmin.

O vice-presidente destacou que o acordo fortalece o multilateralismo, em detrimento do isolacionismo. Para valorizar o potencial do acordo, Alckmin enumerou que a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do País e fica atrás apenas da China. Inclusive a corrente comercial (somando exportações e importações) no ano passado foi de US$ 100 bilhões.

Um exemplo é que somente a indústria de transformação brasileira exportou US$ 23,6 bilhões para a União Europeia, o que representou um crescimento de 5,4% desse setor (para o mundo, essa elevação foi de 3,8%).

“A União Europeia foi o primeiro ou o segundo destino da exportação de 22 estados brasileiros [no ano passado]”, destacou o vice-presidente. Alckmin também observou que 30% dos exportadores brasileiros vendem produtos para aquele continente, o que representa mais de 9 mil empresas brasileiras. “Essas empresas exportadoras empregam mais de três milhões de trabalhadores”.

Sustentabilidade

Alckmin assinalou que o acordo possibilita um comércio com regras e também fortalece a sustentabilidade ao gerar compromissos dos países no combate às mudanças climáticas. “É um ganha-ganha. Quem for mais competitivo vende”.

O vice-presidente ponderou ainda que o acordo se torna ainda mais fundamental levando em conta o momento geopolítico “difícil, de instabilidade e de conflitos”.

“(O acordo) mostra que é possível construir caminho de comércio com regras, de abertura comercial e de fortalecimento não do isolacionismo, mas do multilateralismo”.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Acordo UE-Mercosul amplia competitividade de exportações brasileiras e beneficia consumidores dos dois blocos, diz especialista

Para especialista, redução tarifária, harmonização regulatória e abertura gradual de mercados criam oportunidades imediatas para frutas e ganhos estruturais para setores como agronegócio, químico e indústria

Da Redação

Brasília –  O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul representa uma das mais amplas iniciativas de integração econômica já firmadas entre os dois blocos e deve gerar impactos relevantes tanto para empresas quanto para consumidores. Além da liberalização tarifária, o tratado prevê harmonização de regras e procedimentos, um fator considerado decisivo para a intensificação do comércio internacional. A análise é de Marcelo Vitali, diretor da consultoria How2Go no Brasil.

O executivo ainda afirma que o acordo amplia a capacidade de competição das empresas brasileiras no mercado europeu, inclusive com novas linhas de produtos. “É um acordo muito abrangente, que não trata apenas de tarifas, mas também de harmonização regulatória, o que é extremamente relevante no comércio exterior”, afirma.

Um dos efeitos mais imediatos deve ocorrer no setor de frutas frescas. Hoje, produtos brasileiros como manga e uva enfrentam tarifas para entrar na União Europeia, enquanto concorrentes de outros países já operam com isenção. “Assim que o acordo for aprovado e sancionado pelos dois blocos, a redução tarifária para frutas frescas passa a valer, o que torna a fruta brasileira mais competitiva no mercado europeu”, explica Vitali.

Ganhos relevantes para os dois blocos

A How2Go conduziu recentemente um estudo para a Federação Espanhola de Alimentos com o objetivo de mapear os setores com maior impacto potencial do acordo. A análise aponta que o agronegócio brasileiro tende a ganhar espaço, não apenas em frutas, mas também em grãos, açúcar, café e alimentos industrializados. Do lado europeu, segmentos como vinhos e lácteos devem se beneficiar de uma abertura gradual do mercado do Mercosul, com redução progressiva das tarifas de importação.

Para o especialista, o acordo não favorece apenas empresas, mas também consumidores dos dois lados. “O consumidor brasileiro tende a ter maior acesso a produtos europeus hoje altamente taxados, como vestuário, eletrônicos e perfumes. Da mesma forma, o consumidor europeu se beneficia de produtos brasileiros mais competitivos”, afirma.

Setores menos visíveis ao consumidor final também aparecem como potenciais beneficiados. É o caso da indústria química, altamente integrada em cadeias globais. “A União Europeia importa volumes relevantes de insumos químicos, e o Brasil tem empresas relevantes nesse segmento. Além da redução tarifária, a harmonização de regras e certificações pode reduzir custos e facilitar o acesso ao mercado europeu”, destaca Vitali.

Apesar da resistência de parte do setor agrícola francês, o diretor da How2Go avalia que o peso econômico desse segmento é limitado dentro do conjunto da economia europeia. “Há interesses industriais e estratégicos muito maiores em jogo. Para a União Europeia, o acordo com o Mercosul é uma alternativa importante em um cenário de reconfiguração do comércio internacional”, diz.

Nesse contexto, Vitali aponta que o acordo também abre espaço para uma diversificação de mercados por parte do Brasil, inclusive como forma de mitigar impactos recentes sobre setores industriais afetados por barreiras comerciais em outros mercados. “São processos de médio e longo prazo, mas a parceria com a União Europeia cria uma nova rota de integração comercial para os dois blocos”, conclui.

 

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Lula comemora acordo entre Mercosul e UE: “vitória do diálogo” e  considera “dia histórico” para o multilateralismo

Bloco europeu aprovou pacto comercial nesta sexta-feira (9)

Da Redação (*)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a aprovação do acordo entre União Europeia e Mercosul. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou no início da tarde desta sexta-feira (9) a aprovação por ampla maioria dos Estados-membros. Pelas redes sociais, Lula afirmou ser “uma vitória do diálogo”.

“Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou o presidente.

Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é “uma sinalização em favor do comércio internacional”. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.

O presidente ainda afirmou ser um “dia histórico para o multilateralismo” e lembrou a longa negociação, de 25 anos, até a conclusão do acordo.

“Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre-comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões”.

O multilateralismo, citado por Lula, é a prática que promove a cooperação entre múltiplos países para promover os interesses comuns a todos nas relações internacionais. É uma prática oposta à do unilateralismo, quando o país age por conta própria, e é diferente também do bilateralismo, quando há associação de apenas dois países.

Assinatura

Com o resultado confirmado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar ao Paraguai já na próxima semana para ratificar o acerto com os países-membros do Mercosul – bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O Paraguai assumiu em dezembro de 2025 a presidência rotativa pro-tempore do bloco.

Os países do Mercosul precisam fazer o mesmo e submeter o documento final aos seus parlamentares, mas a entrada em vigor é individual, ou seja, não é preciso esperar a aprovação dos parlamentos dos quatro estados-membros.

Itamaraty e MDIC

Em nota, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) saudaram a aprovação da assinatura do acordo. “Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais”, sustentam as pastas.

(*) Com informações da Agência Brasil

 

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Acordo Mercosul-União Europeia cria mercado de US$ 22 trilhões e pode gerar aumento de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras, diz ApexBrasil

Da Redação (*)

Brasília – Após 26 anos de negociações, a aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia marca um novo capítulo para o comércio internacional brasileiro. Para o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, o resultado reflete um esforço político e institucional consistente, com protagonismo do governo brasileiro. “O presidente Lula teve um papel essencial. A Apex também, junto com o Itamaraty. Nosso escritório em Bruxelas trabalhou continuamente para esse resultado”, afirmou. “A diplomacia brasileira muda de patamar”, acrescentou o chefe de Assuntos Estratégicos da ApexBrasil Europa, Aloysio Nunes, que calcula em US$7 bilhões o aumento das exportações brasileiras para a União Europeia.

Segundo Viana, o acordo representa uma conquista em um cenário internacional marcado pelo enfraquecimento de mecanismos multilaterais e pela fragmentação do comércio global. “Esse acordo segue no sentido contrário ao que o mundo está andando. A própria Organização Mundial do Comércio perdeu importância, e nós estamos falando aqui do maior acordo econômico do mundo”, destacou.

“Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, ressaltou o presidente da ApexBrasil, ao analisar o potencial econômico do acordo. “É o segundo fluxo comercial que o Brasil tem com o mundo, só perde para a China, e o mais importante: é um comércio equilibrado, praticamente 50 a 50”, afirmou. “A ApexBrasil se preparou e saiu na frente, buscando expansão do comércio com a Europa neste ano, em resposta ao tarifaço. Houve um aumento de 4% das exportações brasileiras para região, e isso aumentará ainda mais”, acrescentou Aloysio Nunes.

Jorge Viana também destacou a qualidade da pauta exportadora brasileira com o bloco. “Mais de um terço daquilo que o Brasil exporta para a região é composto de produtos da indústria de processamento. Temos um comércio de excelente qualidade com a União Europeia”, ressaltou.

Impactos setoriais positivos

Na indústria, o acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil.  Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos.

Haverá redução gradativa, até zerar, das tarifas sobre diversas commodities (sujeitos a cotas). Destacam-se os principais produtos brasileiros exportados em 2025: carne de aves, carne bovina e etanol.

Para o presidente da ApexBrasil, a combinação entre países do Mercosul, com economias tropicais e complementares, e uma das regiões com maior poder de consumo do mundo cria um cenário extremamente positivo. “O Mercosul se associa a uma das regiões com o maior potencial de consumo do mundo. O resultado será muito bom para todos, inclusive para o mundo”, afirmou.

(*) Com informações da ApexBrasil

 

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Nicolás Maduro e a Doutrina Monroe

Khaled Louhichi (*)

Os acontecimentos do final de semana passado marcaram uma mudança significativa no cenário geopolítico da América Latina. Operações militares direcionadas dos Estados Unidos foram conduzidas contra a infraestrutura estratégica na Venezuela, resultando na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa. Pouco depois, o presidente dos Estados Unidos referiu-se explicitamente à Doutrina Monroe, reafirmando uma interpretação contemporânea da soberania regional.

Esta sequência deve ser interpretada como um sinal estratégico de cunho estrutural, e não como um evento isolado. Ela reflete uma reconfiguração mais ampla da política externa norte-americana, caracterizada pela reorientação geográfica, priorização mais rigorosa de interesses e disposição mais explícita para recorrer a dinâmicas de poder quando interesses considerados vitais estão em jogo.

A operação também demanda análise por uma perspectiva econômica e energética. A Venezuela detém algumas das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Qualquer estabilização política poderia, em teoria, permitir que o país produzisse muito mais petróleo do que faz hoje (antes de 2017, o país produzia aproximadamente o dobro do volume atual). Entretanto, liberar esse potencial exigirá modernização significativa da indústria e da base de ativos, que atualmente opera bem abaixo dos padrões do setor.

Fatores-chave

Os Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra alvos militares em Caracas e em áreas ao redor da capital, antes de avançarem sobre um complexo militar e uma instalação presidencial.

  • Esta operação resultou na captura do Nicolás Maduro e de sua esposa, com relatos da imprensa sugerindo que pelo menos 40 pessoas possam ter morrido no ataque.
  • Pouco depois, uma declaração presidencial dos Estados Unidos reafirmou explicitamente a referência à Doutrina Monroe, ressaltando sua relevância para a política regional.
  • As reações internacionais foram variadas, com alguns atores manifestando preocupações quanto à soberania nacional e ao arcabouço jurídico da intervenção.

Leitura Política e Estratégica

A referência à Doutrina Monroe não é um mero lembrete histórico; reflete um esforço deliberado para redefinir o marco operacional estratégico dos Estados Unidos.

  • A América Latina é reafirmada como uma área estratégica prioritária.
  • A influência de atores extra-regionais está sendo progressivamente caracterizada como uma preocupação direta de segurança.
  • Os Estados Unidos parecem estar adotando uma abordagem de esfera de influência, em vez de uma estritamente normativa ou multilateral.

De natureza historicamente defensiva, a Doutrina Monroe é, aqui nesta análise, mobilizada para justificar ação direta quando o equilíbrio regional é percebido como ameaçado.

A Orientação Estratégica dos Estados Unidos

A Estratégia de Segurança Nacional publicada em novembro de 2025 fornece um marco interpretativo claro para os recentes desenvolvimentos. O documento declara explicitamente a intenção dos Estados Unidos de reafirmar e fazer cumprir a Doutrina Monroe no Hemisfério Ocidental, por meio de uma reorientação estratégica voltada a impedir que qualquer potência extra-hemisférica controle ativos ou infraestrutura considerados estratégicos.

A estabilidade latino-americana é definida como um interesse vital, notadamente para conter fluxos migratórios, combater o tráfico de entorpecentes e garantir cadeias de suprimentos. A estratégia reconhece abertamente uma lógica de esferas de influência, estabelecendo um vínculo direto entre segurança nacional, segurança energética e controle sobre recursos estratégicos.

Por fim, embora o documento reconheça uma preferência geral pela não intervenção, ele afirma explicitamente que esse princípio não se aplica quando interesses fundamentais são diretamente ameaçados, legitimando assim o recurso a uma ação unilateral.

Implicações Setoriais – Energia
A atual fraqueza da produção e exportação de petróleo venezuelano reflete uma combinação de fatores. As sanções internacionais constrangeram severamente os fluxos de exportação e os canais de logística. Simultaneamente, a base produtiva sofre com questões estruturais de longa data: investimento crônico insuficiente, degradação da infraestrutura, perda de expertise e limitações operacionais.

No curto prazo, os eventos recentes dificilmente afetarão materialmente o suprimento global de petróleo. Em médio prazo, o potencial energético do país permanece significativo, mas qualquer normalização exigiria estabilização política, um quadro institucional clarificado e investimentos substanciais, particularmente em serviços de campo petrolífero, engenharia e manutenção.
Implicações de Mercado – Dívida de Mercados Emergentes

Venezuela: a dívida soberana e quase soberana permanece em default. O perfil continua distressede orientado por eventos, condicionado a um processo político e jurídico claramente definido.

  • Colômbia: está indiretamente exposta pela proximidade geográfica. A volatilidade de curto prazo movida por sentimento é possível, mas não representa, por ora, qualquer desafio imediato aos seus sólidos fundamentos macrofinanceiros.

Conclusão Multissetorial: O episódio venezuelano confirma um ambiente internacional fragmentado, progressivamente moldado por dinâmicas de poder e esferas de influência.

  • Energia: impacto limitado no curto prazo, porém com opcionalidade estratégica em médio prazo condicionada à estabilização política e investimentos significativos..
  • Dívida de mercados emergentes: maior diferenciação entre países com fundamentos resilientes e situações idiossincráticas extremas.
  • Ativos regionais: maior volatilidade, sem indícios de contágio sistêmico neste momento. Nesse contexto, disciplina de seleção e análise granular de risco país permanecem centrais para alocação eficiente de ativos.

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Agro bate recorde em exportações com US$ 169 bilhões e registra superávit de US$ 149,07 bilhões em 2025

O setor representou quase metade das vendas totais do Brasil para o exterior, impulsionado por número recorde de aberturas e ampliações de mercado

Da Redação (*)

Brasília – Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 169,2 bilhões, o que representa um aumento de 3,0% em relação aos US$ 164,3 bilhões registrados em 2024. O valor corresponde a 48,5% de todo o valor exportado pelo Brasil no ano passado. O resultado foi impulsionado pelo aumento de 3,6% no volume de produtos enviados ao exterior, desempenho que compensou a queda de 0,6% nos preços médios.

De acordo com o ministro Carlos Fávaro, o recorde no valor exportado é resultado da estratégia adotada pelo governo federal, por meio da ação coordenada entre o Mapa, o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a ApexBrasil, de diversificação de produtos e destinos, além da resiliência e do esforço do produtor brasileiro, que produziu em 2025 quantidade suficiente para abastecer o mercado interno, ajudando no controle dos preços, e exportar os excedentes, gerando emprego, renda e desenvolvimento para o país por meio de uma agropecuária cada vez mais tecnológica e sustentável.

Por sua vez, as importações de produtos agropecuários no ano passado somaram US$ 20,2 bilhões, um aumento de 4,4% em relação a 2024. Com isso, a corrente de comércio agropecuário no último ano foi de US$ 189,4 bilhões, e o saldo da balança comercial do agronegócio, ou seja, a diferença entre o que o setor vendeu e o que comprou do exterior, fechou o ano com um superávit de US$ 149,07 bilhões.

Em dezembro de 2025, as exportações somaram US$ 14 bilhões, recorde para o mês e crescimento de 19,8% em comparação com as exportações do mesmo mês de 2024. Já as importações foram de US$ 1,62 bilhão, incremento de 6,8% em relação a dezembro de 2024, resultando em saldo da balança comercial de US$ 12,38 bilhões no último mês.

Vale destacar que, em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou a marca de 525 novos mercados abertos desde 2023. Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, os mercados abertos desde o início desta gestão já trouxeram aproximadamente US$ 4 bilhões em receitas cambiais adicionais, sem contar o impacto das inúmeras ampliações de mercado realizadas no período. Além disso, a estratégia de diversificação de produtos elevou, durante o último ano, as exportações de produtos não tradicionais em cerca de 15%, e a diversificação de destinos possibilitou que o agronegócio brasileiro enfrentasse turbulências no cenário internacional (tarifaço, casos de influenza aviária, redução dos preços internacionais de algumas commodities, etc.).

Há ainda destaque para o efeito da safra recorde de grãos 2024/2025, que atingiu 352,2 milhões de toneladas, representando um incremento de 17% em relação ao ciclo anterior. Na pecuária, a produção atingiu níveis recordes para as carnes bovina, suína e de frango, permitindo a existência de excedentes exportáveis sem comprometer a oferta de produtos agropecuários para o mercado interno.

Destaques por produtos e mercados

Entre os três principais compradores de produtos agropecuários brasileiros, a China lidera o ranking (US$ 55,3 bilhões, 32,7% das exportações e crescimento de 11% em relação a 2024), seguida pela União Europeia (US$ 25,2 bilhões, 14,9% das exportações e aumento de 8,6% em relação ao último ano) e pelos Estados Unidos (US$ 11,4 bilhões, 6,7% das exportações e queda de 5,6% em relação a 2024). Destaque ainda para mercados que expandiram suas compras de produtos agropecuários brasileiros: Paquistão (US$ 895,6 milhões; +122%), Argentina (US$ 573,79 milhões; +29%), Filipinas (US$ 332,6 milhões; +9,18%), Bangladesh (US$ 256,75 milhões; +4,64%), Reino Unido (US$ 231,5 milhões; +3%) e México (US$ 217 milhões; +2%).

Entre os principais produtos da pauta exportadora, a soja em grãos manteve-se como o principal item, gerando US$ 43,5 bilhões em receitas cambiais (+1,4%), com volume embarcado recorde de 108,2 milhões de toneladas, aumento de 9,5%. A carne bovina também registrou recorde, com receitas de US$ 17,9 bilhões (+39,9%) e incremento de 20,4% em volume. Durante o ano de 2025, foram abertos 11 mercados para a carne bovina brasileira.

Ainda no setor de proteínas animais, destaque para o incremento de 19,6% no valor e de 12,5% no volume exportado de carne suína, tornando o Brasil, pela primeira vez, o terceiro maior exportador mundial do produto, e para o aumento de 0,6% no volume exportado de carne de frango, mesmo diante de um cenário desafiador no ano anterior, em função do primeiro e único caso registrado de influenza aviária em granjas comerciais.

O café, outro produto tradicional da pauta exportadora, apresentou crescimento de 30,3% em valor, totalizando US$ 16 bilhões, impulsionado por preços internacionais que atingiram níveis históricos, tanto para o café verde quanto para o café solúvel. Destaque também para o incremento no valor e no volume exportado de frutas (+12,8% e +19,7%, respectivamente), além da abertura de 26 mercados nos últimos três anos, e para os pescados (+2,6% em valor e +17% em volume).

Embora o complexo soja, as proteínas animais, o complexo sucroalcooleiro e o café liderem o faturamento das vendas externas brasileiras, a balança comercial de 2025 registrou crescimento expressivo de produtos menos tradicionais da pauta exportadora, que se apresentam como oportunidades para os setores envolvidos por meio da abertura e ampliação de mercados. Vale ressaltar a conquista de recordes em produtos específicos. Após a abertura do mercado chinês para o gergelim brasileiro, em novembro de 2024, as exportações desse produto para aquele país já geraram US$ 195,1 milhões.

Outro produto com expansão notável foram as miudezas de carne bovina, que apresentaram incremento de 20,6% em valor (US$ 605 milhões) e de 16,9% em volume (267 mil toneladas), com aberturas relevantes no ano anterior, como Indonésia e Filipinas.

O DDG de milho (grãos secos de destilaria), coproduto da produção de etanol, também apresentou crescimento de 4,3% em volume (825 mil toneladas). Como exemplo, a Turquia passou de US$ 35,6 milhões para US$ 62,7 milhões em compras desse produto (+76,1%). Já os feijões tiveram desempenho recorde em 2025, com aumento de 32% em valor (US$ 443 milhões) e de 55,5% em volume (533 mil toneladas), em comparação com o ano anterior.

Diversos itens que não compõem o grupo principal de commodities alcançaram marcas históricas em 2025, quando comparados a 2024:

  • Pimenta piper seca ou triturada: US$ 517,81 milhões em valor (+81,1%) e 803 mil toneladas (+34,6%)
  • Amendoim: US$ 366,9 milhões em valor (+1,9%) e 311,5 mil toneladas (+37,3%)
  • Óleo de amendoim: US$ 264,6 milhões em valor (+147,4%) e 173 mil toneladas (+180,4%)
  • Melões frescos: US$ 231,5 milhões em valor (+24,9%) e 283,4 mil toneladas (+16,4%)
  • Castanha de caju: US$ 75,8 milhões em valor (+72,7%) e 16,6 mil toneladas (+120,2%)

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(*) Com informações do Mapa

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