Estudo da ApexBrasil destaca complementaridade econômica e identifica oportunidades no comércio Brasil-México

Publicação destaca complementaridade econômica e oportunidades para diversificação das exportações brasileiras

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atualizou o estudo Perfil de Comércio e Investimentos – México, com um panorama das relações comerciais entre os dois países até o ano de 2025. O levantamento mostra que o México se consolida como um dos principais parceiros do Brasil na América Latina, com uma corrente de comércio dinâmica e marcada pela forte presença de produtos industrializados.

De acordo com o estudo, o México é o sexto principal destino das exportações brasileiras, com destaque para bens de maior valor agregado. Entre os principais produtos exportados estão automóveis, autopeças, máquinas e equipamentos, produtos químicos e siderúrgicos. Com cerca de US$ 7,7 bilhões em vendas brasileiras para o país, o México figura entre os grandes parceiros comerciais do Brasil e como um dos mercados mais relevantes da América Latina, pela complementaridade entre as duas economias, especialmente no setor industrial.

A Inteligência de Mercado da ApexBrasil aponta que há amplo espaço para expansão das exportações brasileiras. O Mapa de Oportunidades identifica 505 produtos com potencial de crescimento no mercado mexicano, especialmente nos segmentos de máquinas e equipamentos, químicos, alimentos e bebidas, além de bens manufaturados. A ferramenta também aponta oportunidades para diversificação da pauta exportadora, com inserção em nichos de maior valor agregado.

Além do comércio, o México também se destaca como parceiro relevante em investimentos. O fluxo bilateral tem crescido nos últimos anos, com empresas brasileiras ampliando sua presença no mercado mexicano, especialmente nos setores de indústria, energia e serviços. Ao mesmo tempo, empresas mexicanas mantêm investimentos no Brasil, reforçando a integração produtiva entre os países. Com estoque de Investimento Estrangeiro Direto de aproximadamente US$ 13,1 bilhões, concentrado em setores como telecomunicações, alimentos e bebidas, energia, logística e varejo, empresas mexicanas têm ampliado sua presença por meio de projetos greenfield e operações de fusões e aquisições.

Integração regional e desafios comerciais

O fluxo comercial entre Brasil e México é influenciado pelos Acordos de Complementação Econômica nº 53 e nº 54 (ACE-53 e ACE-55), que regulam parte do comércio bilateral e estabelecem preferências tarifárias para diversos produtos.

Dentro desse escopo, ainda há espaço para aprofundamento das relações, especialmente com a ampliação do ACE-53, aumentando a redução das barreiras tarifárias e não tarifárias. O ACE-53 rege produtos não automotivos, enquanto o ACE-55 estrutura o comércio de veículos e autopeças, sendo fundamental para a presença brasileira no setor automotivo mexicano. Em 2025, cerca de 40,8% das exportações brasileiras ao México estavam amparadas por esses acordos, somando aproximadamente US$ 3,15 bilhões.

Sendo uma das economias mais abertas do mundo, com ampla rede de acordos comerciais — incluindo o tratado com Estados Unidos e Canadá (USMCA) —, o México possui uma estrutura de importações fortemente influenciada por esses acordos, o que eleva a competitividade entre fornecedores no mercado. Esse cenário aumenta a competitividade no mercado mexicano, exigindo das empresas brasileiras maior adaptação a padrões técnicos, regulatórios e logísticos.

Mesmo diante desses desafios, o México se mantém como um mercado estratégico, com mais de 120 milhões de consumidores e forte integração às cadeias globais de valor. A proximidade cultural e econômica com o Brasil, aliada ao dinamismo industrial mexicano, cria condições favoráveis para a ampliação das exportações brasileiras.

Atuação da ApexBrasil no México

A ApexBrasil tem atuado no mercado mexicano de maneira estratégica e diversificada, combinando ações de promoção comercial, inteligência de mercado e articulação institucional para promover as empresas brasileiras no país. O México foi um dos poucos países a receber visitas oficiais tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto do vice-presidente Geraldo Alckmin. A Agência acompanhou as duas missões, realizando encontros entre empresários brasileiros e mexicanos que reforçam o diálogo de alto nível e a atração de investimentos.

A participação também se estendeu a feiras setoriais relevantes — como a Expotransporte, ANPIC, Expo Nacional Ferretera, Tecno Mueble Internacional, Expo ANTAD e Plastimagen —, evidenciando o esforço da Agência em ampliar a presença brasileira em segmentos-chave da economia local, como logística, couro e calçados, construção, varejo e indústria plástica.

Missões empresariais multissetoriais também contribuíram para qualificar a inserção internacional das empresas brasileiras, promover parcerias estratégicas e

ampliar o acesso a oportunidades em um dos mercados mais dinâmicos e abertos das Américas.

Clique aqui e acesse gratuitamente o estudo completo.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Mercosul volta ao radar de empresas brasileiras e contribui para internacionalização de indústrias do interior

Integração regional e busca por diversificação de mercados colocam países vizinhos como alternativa estratégica para pequenas e médias empresas brasileiras

Da Redação

Brasília – O Mercosul voltou a ganhar espaço nas estratégias de internacionalização de empresas brasileiras. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que o bloco respondeu por cerca de 7% a 8% das exportações do país em 2025, com corrente de comércio superior a US$ 40 bilhões anuais. A retomada ocorre em meio à busca por diversificação de mercados diante de tensões geopolíticas e disputas comerciais globais.

Além da proximidade geográfica, o perfil da pauta exportadora ajuda a explicar o movimento. Diferentemente de mercados como China, que concentram compras em commodities, os países do Mercosul são importantes compradores de produtos industrializados brasileiros, como veículos, máquinas, equipamentos e bens de maior valor agregado.

Primeiro passo para a internacionalização de empresas

Fábio Nascimento, contador e CEO do Grupo FN, afirma que o bloco regional costuma ser um primeiro passo natural para empresas que pretendem iniciar operações no comércio exterior. “O Mercosul reúne condições que facilitam a entrada de empresas brasileiras no comércio internacional. Há acordos tarifários, proximidade logística e uma demanda relevante por produtos industrializados”, afirma.

Entre os destinos regionais, a Argentina segue como um dos principais parceiros industriais do Brasil. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que mais de 85% das exportações brasileiras para o país são produtos manufaturados, incluindo automóveis, autopeças, máquinas e equipamentos industriais. O fluxo comercial tem peso relevante para cadeias produtivas brasileiras ligadas à indústria automotiva, metalmecânica e de tecnologia.

Esse cenário também abre espaço para empresas localizadas fora dos grandes centros industriais. Regiões como o Vale do Paraíba, que reúne polos de manufatura avançada, tecnologia e indústria aeroespacial, têm potencial para ampliar presença no comércio regional. Empresas instaladas na região produzem componentes, equipamentos e soluções tecnológicas que podem encontrar demanda crescente em países vizinhos.

Mercosul, caminho mais acessível

Segundo o especialista, muitas companhias de médio porte ainda não exploram o mercado regional por acreditarem que exportar exige uma estrutura complexa. “A internacionalização costuma ser vista como algo distante da realidade de empresas médias, mas o Mercosul pode ser um caminho mais acessível para iniciar esse processo”, aponta.

O avanço do comércio exterior também tem ampliado a presença de pequenas e médias empresas brasileiras nas exportações. Levantamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do Ministério do Desenvolvimento mostra que mais de 40% das empresas exportadoras do país são pequenas ou médias, embora ainda representem uma parcela menor do valor total exportado.

Para o executivo, esse dado mostra que o comércio internacional deixou de ser exclusivo de grandes companhias. “Hoje existem programas de apoio, linhas de financiamento e estruturas de consultoria que ajudam pequenas e médias empresas a acessar mercados internacionais”, explica.

O especialista aponta cinco medidas para empresas se prepararem para exportar ao Mercosul

Especialistas apontam que a entrada em mercados regionais exige planejamento, organização e análise estratégica. Algumas medidas ajudam a reduzir riscos e aumentar a competitividade.

  • Mapear a demanda nos países do bloco
    Estudos de mercado ajudam a identificar quais produtos possuem maior potencial de venda em Argentina, Paraguai e Uruguai.
  • Adequar produtos e documentação
    Mesmo com integração regional, cada país possui normas técnicas e exigências regulatórias específicas.
  • Planejar logística e transporte
    A proximidade geográfica facilita rotas rodoviárias e reduz custos logísticos, mas planejamento é essencial para manter prazos e competitividade.
  • Estruturar planejamento tributário e cambial
    Operações internacionais exigem análise de regimes tributários, contratos de exportação e gestão de câmbio.
  • Buscar apoio especializado
    Consultorias de comércio exterior e despachantes aduaneiros ajudam a estruturar a operação e evitar erros comuns.

De acordo com o CEO do Grupo FN, empresas que se organizam antes de iniciar exportações aumentam as chances de sucesso. “Exportar exige planejamento financeiro, logístico e jurídico. Quando a empresa estrutura esses pilares, o processo tende a ser muito mais seguro”, destaca.

Vantagens e alertas para empresas que pretendem exportar

A expansão para mercados regionais pode trazer ganhos relevantes para companhias brasileiras. Entre os benefícios estão a ampliação de mercado consumidor, diversificação de receitas e possibilidade de ganho de escala na produção.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a internacionalização exige atenção a fatores como variações cambiais, diferenças regulatórias e gestão de contratos internacionais. Avaliar capacidade produtiva, logística e estrutura financeira antes de assumir novos compromissos comerciais é considerado essencial.

Segundo o executivo, empresas que adotam uma estratégia gradual de internacionalização tendem a consolidar presença regional e ampliar competitividade. “Começar pelo Mercosul permite que a empresa aprenda a operar no comércio exterior, desenvolva processos internos e construa experiência para acessar mercados mais distantes no futuro”, conclui.

Em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica e reorganização das cadeias produtivas, a integração regional volta a ganhar importância estratégica. Para indústrias instaladas fora dos grandes centros econômicos, o fortalecimento do comércio dentro do Mercosul pode representar uma oportunidade concreta de ampliar exportações e reduzir a dependência de poucos mercados internacionais.

 

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Plataforma Paresi apresenta glossário e ajuda a decifrar o estrangeirismo no universo ESG

Glossário ESG tem os principais termos usados por grandes, pequenas e médias corporações no Brasil

Da Redação (*)

Brasília – Há muito tempo que palavras estrangeiras como networking, follow-up, briefing stakeholder e benchmarking foram incorporadas ao vocabulário corporativo brasileiro. Entretanto, novos estrangeirismos estão sendo introduzidos no universo empresarial, especialmente na área de ESG, que também é a sigla em inglês de Environmental, Social and Governance, que significa Ambiental, Social e Governança e representa um conjunto de critérios usados para avaliar o compromisso das empresas com práticas sustentáveis e responsáveis.

Para auxiliar pequenas e médias empresas a entender melhor todo esse novo vocabulário, a startup Paresi.Social colocou em sua Plataforma Paresi um glossário com as principais siglas, termos e palavras usadas no mundo ESG. Aqui, apresentamos algumas dessas siglas estrangeiras que precisam ser conhecidas por quem busca sustentabilidade nos seus negócios.

ESRS (European Sustainability Reporting Standards) 

Padrões europeus de relatórios de sustentabilidade exigidos pela CSRD. Definem como empresas devem reportar informações ESG, incluindo questões climáticas, sociais, de governança e da cadeia de valor. São compatíveis com padrões GRI, facilitando a transição para empresas que já utilizam esse framework.

CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive) 

Diretiva europeia que expande significativamente os requisitos de relatórios de sustentabilidade para empresas que operam na União Europeia. Exige o uso dos padrões ESRS (European Sustainability Reporting Standards) e afeta empresas de toda a cadeia de fornecimento global, incluindo PMEs brasileiras que exportam para a Europa.

Greenwashing 

Prática de transmitir uma falsa impressão de responsabilidade ambiental que não corresponde à realidade das ações da empresa. Pode incluir comunicação enganosa sobre produtos “verdes”, metas ambientais vagas sem plano de ação ou destaque desproporcional a iniciativas pequenas. A utilização de indicadores padronizados como GRI e dados verificáveis é uma forma de evitar greenwashing.

GRI (Global Reporting Initiative) 

Organização internacional que estabelece o padrão mais utilizado no mundo para relatórios de sustentabilidade. Os GRI Standards são adotados por mais de 10 mil organizações em 100 países e cobrem temas como energia (GRI 302), emissões (GRI 305), resíduos (GRI 306), diversidade (GRI 405), saúde e segurança (GRI 403) e envolvimento comunitário (GRI 413). A Plataforma Paresi incorpora 153 indicadores GRI.

SASB (Sustainability Accounting Standards Board) 

Organização que desenvolveu padrões de divulgação de sustentabilidade focados em questões ESG financeiramente relevantes, organizados por setor de atuação. Diferente do GRI, que tem uma abordagem multi-stakeholder ampla, o SASB foca nas informações mais relevantes para investidores e mercados financeiros. Atualmente faz parte da IFRS Foundation, que está consolidando os padrões de divulgação de sustentabilidade globais através do ISSB (International Sustainability Standards Board).

SROI (Social Return on Investment) 

Metodologia que mede o valor social, ambiental e econômico gerado por um programa ou investimento em relação aos recursos aplicados. Expressa o retorno em termos monetários, por exemplo, “para cada R$ 1 investido, foram gerados R$ 4,50 em valor social”. O SROI envolve mapeamento de stakeholders, definição de resultados, valoração de impactos e cálculo da razão custo-benefício social. É amplamente utilizado por organizações do terceiro setor, investidores de impacto e empresas com programas de investimento social.

TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures) 

Grupo de trabalho criado pelo Financial Stability Board (FSB) que desenvolveu recomendações para divulgação de riscos e oportunidades financeiras relacionados ao clima. Estruturada em quatro pilares: governança, estratégia, gestão de riscos e métricas/metas, a TCFD orienta empresas a comunicarem como as mudanças climáticas afetam seus negócios. Suas recomendações foram incorporadas pelos padrões ISSB e ESRS, tornando-se referência global para divulgação climática corporativa.

Confira o glossário completo de ESG na Plataforma Paresi.

(*) Com informações da Plataforma Paresi

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Alta do diesel pressiona custos logísticos e pode impactar importações e preços finais dos produtos

Oscilações no preço do combustível impactam fretes, cadeias de suprimento e o custo final de produtos no Brasil

Da Redação

Brasília – O diesel é um dos principais insumos da logística global. Ele abastece o transporte rodoviário, marítimo e parte das operações portuárias, o que faz com que qualquer variação de preço tenha efeito direto sobre o custo de movimentação de mercadorias. Quando o combustível sobe, o impacto se espalha por toda a cadeia de suprimentos, atingindo desde o transporte interno até o frete internacional e o preço final dos produtos.

O aumento recente desse recurso no Brasil está ligado a uma combinação de fatores. Oscilações no preço do petróleo no mercado internacional, decisões de política energética, variações cambiais e ajustes internos na política de preços contribuem para pressionar o valor do combustível. Além disso, medidas pontuais para conter impactos no curto prazo podem gerar distorções temporárias, afetando a previsibilidade do mercado e a formação de preços.

Na prática, esse movimento já gera reflexos no cenário atual. Empresas que dependem de transporte intensivo passam a operar com margens mais pressionadas, enquanto operadores logísticos ajustam valores de frete e revisam contratos. O efeito é cumulativo e atinge diferentes setores, especialmente aqueles que dependem de cadeias globais de suprimento, como a indústria e o comércio exterior.

Diesel: de 30% a 40% do custo do transporte

Dados recentes do setor logístico brasileiro mostram que o diesel é um dos principais componentes de custo do transporte. Estudos indicam que o combustível pode representar entre 30% e 40% dos custos operacionais do transporte rodoviário no país, e pequenas variações já impactam diretamente o valor do frete. Em alguns casos, cada aumento de R$ 0,10 no litro pode elevar o custo do transporte em até 1,5%, efeito que se espalha rapidamente por toda a cadeia de suprimentos e pressiona o preço final de produtos no mercado.

Márcio Buteri, proprietário da GX5 Import, formado em Administração em Comércio Exterior e com mais de 27 anos de experiência em operações internacionais, explica que o diesel funciona como um indicador sensível da dinâmica logística. Segundo ele, mudanças no custo do combustível alteram rapidamente o equilíbrio financeiro das operações de importação e exigem ajustes constantes por parte das empresas.

Na prática, a elevação do diesel influencia diferentes etapas da importação. O transporte terrestre nos países de origem se torna mais caro, operações portuárias passam a ter custos maiores e o frete internacional sofre reajustes. Além disso, seguros logísticos e contratos de transporte tendem a incorporar essas variações, ampliando o custo total da operação.

Para o empresário, o principal desafio está na previsibilidade. “O diesel é um dos primeiros custos a reagir a mudanças no mercado. Quando ele sobe, toda a logística é impactada em sequência. Isso exige das empresas uma leitura constante do cenário internacional para evitar surpresas no custo final”, afirma.

Outro ponto relevante é a forma como muitas empresas estruturam suas decisões de importação. A análise costuma se concentrar no preço da mercadoria no exterior, enquanto variáveis logísticas recebem menos atenção. “O valor do produto é apenas uma parte da operação. O frete, o seguro e as condições de transporte podem mudar rapidamente. Quando isso não é considerado, a margem da empresa fica exposta”, explica.

Reflexos sobre prazos

O aumento do diesel também afeta os prazos. Com custos mais altos, transportadoras e operadores logísticos podem precisar reorganizar rotas, priorizar determinadas cargas ou ajustar cronogramas, o que reduz a previsibilidade das entregas. Esse efeito tende a ser mais percebido em cadeias que dependem de múltiplos modais ou longas distâncias.

Empresas que trabalham com importação já incorporam esse tipo de variável em seus planejamentos. A necessidade de acompanhar custos logísticos em tempo real e estruturar operações com maior controle tornou-se parte da rotina. A gestão mais próxima de fornecedores, contratos e rotas passa a ser decisiva para manter a competitividade.

Com os custos cada vez mais voláteis, a logística deixa de ser apenas uma etapa operacional e assume papel estratégico. O comportamento do diesel, nesse contexto, funciona como um dos principais indicadores para decisões de importação, influenciando diretamente preços, prazos e a sustentabilidade financeira das operações.

 

 

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Missão empresarial à China destaca presença feminina no mercado de locação de máquinas e equipamentos

Delegação reúne 30 líderes do setor rental e reforça intercâmbio tecnológico entre Brasil e China

Da Redação

Brasília – Um grupo formado por 30 executivas brasileiras do mercado rental de máquinas e equipamentos embarcará para a China entre 12 e 18 de abril em uma missão empresarial inédita que reflete o avanço da liderança feminina no setor. A Expedição China 2026 reunirá fundadoras, CEOs e gestoras de locadoras de diferentes regiões do país em uma agenda de intercâmbio tecnológico na cidade de Changsha, um dos principais polos industriais chineses de equipamentos para construção.

O grupo representa empresas de um setor que cresce rapidamente no Brasil. Hoje, o país reúne mais de 30 mil locadoras de equipamentos, que atendem principalmente os segmentos de construção civil, infraestrutura e indústria. Embora não exista um levantamento oficial sobre a presença feminina no mercado rental, a participação de mulheres em funções de liderança vem aumentando gradualmente, acompanhando uma tendência observada também na construção civil – onde cerca de 11% da força de trabalho já é composta por mulheres, segundo dados do IBGE.

“Não é apenas uma viagem técnica, mas uma missão de alta gestão”, afirma Helen Záccaro, fundadora do Gestoras BR, movimento que reúne mulheres líderes do mercado de locação no Brasil e responsável pela organização da expedição em parceria com a fabricante global de plataformas elevatórias Sinoboom.

Segundo ela, o grupo reúne executivas responsáveis por decisões estratégicas em suas empresas. “São mulheres que lideram com dados, autoridade e visão estratégica, gerenciando frotas que somam bilhões de reais em ativos. O objetivo é fortalecer essa rede de liderança feminina e ampliar a presença do rental brasileiro no cenário internacional”, diz.

Entre as participantes está Fernanda Espechit, gerente de Inovação da Orguel. Para ela, uma expedição internacional formada exclusivamente por mulheres evidencia o avanço do protagonismo feminino no setor. “A China tem uma cultura milenar, mas também é um dos lugares onde a inovação acontece de forma muito intensa. Estar lá é uma oportunidade de observar, aprender e trazer novos insights”, acredita.

Para Fernanda, a viagem também carrega um significado pessoal. “Quero representar as mulheres com quem trabalho diariamente, que constroem essa jornada junto comigo. Levo esse senso de responsabilidade e também muito orgulho de fazer parte de um movimento que está abrindo caminhos e mostrando que é possível ocuparmos cada vez mais espaço”, enfatiza.

A executiva destaca ainda a ampliação da presença feminina em eventos ligados ao ecossistema de inovação. “O GestorasBR, que está promovendo o evento com a Sinoboom, é um exemplo de como a força da conexão entre mulheres pode nos levar cada vez mais longe”, complementa Fernanda.

Mulheres na linha de frente

Ao seu lado, estará Bruna Diniz, coordenadora de vendas da Mecan, unidade fabril da Orguel especializada na produção de andaimes, fôrmas, escoramentos metálicos e componentes metalmecânicos para aplicações industriais. “Nossa expectativa é muito positiva, principalmente para conhecer de perto tecnologias inovadoras e práticas do mercado internacional, além de observar como a liderança feminina atua em um ambiente industrial altamente tecnológico”, afirma.

Na avaliação dela, a presença crescente de mulheres no setor tem sido impulsionada por iniciativas de troca de experiências e desenvolvimento profissional. “Nos últimos anos tenho participado de eventos voltados ao fortalecimento da atuação feminina no mercado. Esses encontros ampliam conexões, incentivam o desenvolvimento profissional e reforçam a presença das mulheres em áreas ligadas à tecnologia e à inovação”, diz Bruna.

Intercâmbio tecnológico no maior mercado de equipamentos do mundo

A programação da missão será realizada na sede da Sinoboom, em Changsha, e inclui visitas técnicas à fábrica da empresa, além de debates sobre tendências globais do mercado rental e inovação industrial. A agenda também terá a primeira edição internacional do Summit Rental Gestoras – China, evento tradicionalmente realizado no Brasil para discutir gestão, tecnologia e liderança no setor.

A iniciativa surgiu após a participação de Susan Xu, CEO global da Sinoboom, em uma edição do Summit no Brasil. Durante o encontro, a executiva chinesa se impressionou com a presença e a atuação das lideranças brasileiras.

Para Helen, a missão também simboliza uma mudança gradual na estrutura do setor. “O rental ainda é majoritariamente masculino, mas a presença dessas executivas em uma missão internacional mostra que o protagonismo feminino começa a ganhar reconhecimento global”, afirma.

Orguel e Mecan

A Orguel é referência nacional no desenvolvimento de soluções customizadas de engenharia, com foco na locação de equipamentos de acesso para os mais diversos setores, como mineração, construção civil, petróleo e gás. Integrante do mesmo grupo, a Mecan se destaca como uma das principais fabricantes da América Latina, atuando na produção de andaimes, fôrmas, escoramentos metálicos e componentes metalmecânicos para aplicações industriais. Juntas, as marcas oferecem tecnologia, segurança e eficiência para obras de grande porte em todo o país.

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A doutrina Delcy

Márcio Coimbra (*)

Se o Estreito de Ormuz retém hoje o fôlego da geopolítica global, o Palácio de Miraflores exige um olhar muito mais cirúrgico. Ali, testemunhamos uma metamorfose estrutural profunda: a saída de Nicolás Maduro e a ascensão de Delcy Rodríguez. A Venezuela deixou de ser um laboratório de resistência ideológica para se tornar o epicentro de um experimento de sobrevivência pragmática. Delcy é a arquiteta de uma “normalização autoritária” que desafia as leituras convencionais da diplomacia regional.

A demissão de Vladimir Padrino López do Ministério da Defesa e de Samuel Moncada da Embaixada nas Nações Unidas é o marco zero desta era. Ao remover a ponte entre o chavismo originário, as Forças Armadas e a diplomacia, os irmãos Rodríguez — Delcy e Jorge — consolidam um controle civil-repressivo, substituindo a lealdade ideológica por uma tecnocrática. O regime transmutou-se de monolito militar em corporação política. É a “Perestroika Tropical”: uma reestruturação econômica desenhada para garantir a longevidade do grupo no poder, sem qualquer concessão à transparência política.

A mudança mais radical reside na nova Lei de Hidrocarbonetos. Ao permitir que petroleiras estrangeiras operem com controle majoritário, Delcy transformou a PDVSA em um ativo de segurança nacional para potências externas. É o “Capitalismo de Estado” como escudo humano diplomático. Para o governo Trump, o realismo energético carrega o potencial de distensão. O petróleo fluindo com eficiência é a moeda de troca pelo silêncio internacional sobre o ainda déficit democrático interno, mesmo que esteja em processo de distensionamento.

A geopolítica venezuelana migrou do dogmático “Eixo da Resistência” para um pragmático “Eixo da Conveniência”. À China, mesmo que mais distante, Delcy oferece ordem operacional e previsibilidade de pagamentos. Paralelamente, os laços com Cuba e Irã sofreram uma mutação fria, com o subsídio ideológico cedendo espaço à eficiência pura. Havana agora é tratada como uma prestadora de serviços em declínio, enquanto a presença iraniana se enfraquece para sinalizar ao Ocidente a disposição do regime em mitigar influências indesejadas em troca de reconhecimento.

O triângulo com os EUA é estritamente transacional. Washington tende a preferir uma Venezuela estável e aberta a negócios do que uma democracia incerta. Assim, a libertação seletiva de prisioneiros políticos funciona como válvula de escape diplomática para arrefecer pressões sem que os Rodríguez renunciem ao controle absoluto.

A inovação de Delcy é o descarte da estética revolucionária em favor da gerencial. Ela compreendeu que a comunidade internacional, exausta de crises, aceita um autoritarismo funcional. Para o Brasil e a região, o desafio é complexo: lidamos com uma liderança que domina as ferramentas da política global. Delcy criou um ambiente onde o custo de derrubar o regime é maior do que o de mantê-lo. Se estabilizar a inflação e a produção petrolífera em 2026, ela terá inventado a autocracia do século XXI: aquela que não se isola, mas convida o mundo para ser sócio da sua própria permanência.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Exporta Mais Brasil Frutas registra resultados expressivos e cresce expectativa em torno do Acordo Mercosul–União Europeia

Negócios gerados ultrapassaram R$ 60 milhões, cifra que representa um aumento de 81% em relação à primeira edição realizada em Mossoró no ano passado

Da Redação (*)

Brasília – A segunda edição Exporta Mais Brasil – Frutas Frescas, realizada durante a Fruit Attraction São Paulo, maior evento do setor no Hemisfério Sul, reforçou o protagonismo do Brasil no comércio internacional de frutas frescas ao reunir 47 empresas brasileiras em uma agenda qualificada de promoção comercial. O país é o terceiro maior produtor mundial de frutas, com um volume recorde total de exportações de US$ 1,45 bilhão em 2025.

As vendas para o exterior aumentaram 12% em relação ano anterior, o que sinaliza uma expansão do setor. A tendência é de continuidade no crescimento das exportações, especialmente com a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia. Alguns produtos, como a uva, terão tarifas de importação zeradas em breve.

A ação contou com a participação de 17 compradores internacionais, de 16 países (África do Sul, Antigua e Barbuda, China, Eslováquia, Estados Unidos, Honduras, Índia, Israel, Itália, México, Omã, Países Baixos, Reino Unido, Romênia, Rússia e Singapura), distribuídos por quatro continentes (Europa, Ásia, Américas e África), selecionados pelos escritórios da ApexBrasil no exterior. Ao longo da programação, foram realizadas 282 reuniões de negócios, que resultaram em US$ 11,2 milhões (R$ 60,4 milhões) em negócios gerados. Este valor representa um crescimento de 81% em relação à primeira edição realizada no Rio Grande do Norte em 2025.

Novos tempos com Acordo UE-Mercosul

Promovida pela ApexBrasil, a iniciativa foi realizada em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Sebrae, fortalecendo a articulação institucional e a competitividade internacional do setor. Para Paula Simões, coordenadora de Agronegócios da ApexBrasil, esta edição do Exporta Mais aconteceu em um momento propício para o produtor de frutas expandir negócios com o apoio da Agência.

“O Exporta Mais Brasil, edição Frutas Frescas, reforça o papel da ApexBrasil em apoiar as empresas brasileiras na diversificação de mercados e na ampliação do acesso a compradores internacionais. A ação acontece em um momento muito favorável para o setor, com o início do Acordo Mercosul–União Europeia, que traz ganhos concretos de competitividade para as frutas brasileiras, como a eliminação imediata de tarifas para a uva e a redução gradual para outras culturas. Esse novo cenário abre uma janela importante de oportunidades, e nosso trabalho é conectar produtores e exportadores a mercados estratégicos, transformando esse avanço comercial em negócios reais”, destacou.

Os resultados evidenciam a efetividade do modelo do Exporta Mais Brasil, que conecta diretamente empresas nacionais a compradores estratégicos, amplia o acesso a novos mercados e contribui para a diversificação e qualificação da pauta exportadora do agronegócio brasileiro.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Márcio Elias Rosa assume o Ministério Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em substituição a Geraldo Alckmin

Novo titular da pasta assume após o exercício do cargo de Secretário Executivo do ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin, cujos trabalhos terão plena continuidade.

Da Redação (*)

Brasília – O advogado e professor Márcio Fernando Elias Rosa, de 63 anos, é o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Ele foi nomeado na sexta-feire pelo presidente Luiz Inácio da Silva, em substituição ao vice-presidente Geraldo Alckmin, que se desincompatibilizou da pasta. A posse e o exercício ocorrerão nesta segunda-feira (6/4).

Márcio Elias já exercia o cargo de secretário-executivo do Ministério desde janeiro de 2023, tendo antes atuado na transição de governo, junto a coordenação jurídica. Ele assume o novo posto comprometido em dar continuidade ao trabalho e aos programas implementados por Alckmin nos últimos três anos.

“O vice-presidente teve uma atuação que eu classifico como histórica à frente do MDIC. Sob seu comando, não só reconstruímos um ministério extremamente importante para o país, e que havia sido extinto no governo anterior, como colocamos a política industrial no centro do debate sobre crescimento e desenvolvimento econômico, com a criação da Nova Indústria Brasil (NIB), sem dúvida a principal marca dessa gestão do MDIC e uma das principais do governo”, afirmou o novo ministro.

“Agradeço ao presidente Lula pela confiança. Será um grande desafio seguir com a mesma estratégia e buscar resultados concretos para o comércio exterior e para a política industrial, mas também será uma honra servir ainda mais ao seu governo ”.

Carreira

Natural de Ibiúna, SP, Márcio Elias Rosa é formado pela Instituição Toledo de Ensino (SP) de Bauru e tornou-se mestre e doutor em Direito do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foi procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo por dois mandatos e Secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de S.Paulo (2015-2018).

Também exerceu o magistério nas áreas de direito administrativo e tutela coletiva e foi membro do Ministério Público de São Paulo, onde atuou como promotor de Justiça de Direitos Difusos e Coletivos (2009/2012) e promotor de Justiça e Cidadania (1986-2009). Foi presidente da Fundação Casa.
É autor de livros nas áreas de direto administrativo e constitucional.

Em suas duas gestões como procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo (2012/2014 e 2014/2016), promoveu ações em prol do acesso à Justiça, dos direitos sociais, da defesa da mulher e de combate à violência doméstica, da defesa do consumidor, da aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), da tutela ambiental e da defesa do patrimônio público. Também criou as Promotorias de Justiça Regionais, com ênfase na atuação em saúde, educação e assistência social, e a Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência Doméstica.

Como advogado, foi consultor jurídico, com atuação no Brasil e no exterior, na área de direito ambiental e responsabilidade civil, atuando como expert e consultor jurídico. Está licenciado da advocacia.

(*) Com informações do MDIC

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A guerra não fica onde começa

Marcio Pimenta (*)

A guerra não começa quando o primeiro tiro é disparado e não termina quando o último cessa. A guerra, vista de longe, do conforto do sofá, costuma parecer organizada. Há mapas, briefings, palavras que soam técnicas o suficiente para sugerir algum grau de controle.

Fala-se em operações limitadas, em respostas proporcionais, em objetivos claros, precisos. A impressão é de que alguém, em algum lugar, sabe exatamente o que está fazendo. De perto, essa impressão não se sustenta por muito tempo.

Estive no norte do Iraque entre 2016 e 2017, acompanhando a ofensiva contra o Estado Islâmico. Havia uma linha de frente, como sempre há. Ela podia ser traçada, discutida, atualizada. Era o tipo de coisa que aparece bem em relatórios. Mas a guerra não estava ali. Ou melhor, não estava apenas ali.

Lembro-me de entrar em casas recém-abandonadas, em cidades que haviam acabado de ser retomadas. As portas abertas, como se ninguém tivesse tido tempo de fechá-las. Sobre as mesas, pratos ainda dispostos, a coreografia interrompida de uma refeição comum. Em alguns quartos, roupas dobradas com cuidado. Em outros, brinquedos espalhados, como se alguém fosse voltar para buscá-los.

E havia os sinais de combate, inevitáveis. Paredes marcadas, perfuradas, superfícies quebradas, o tipo de dano que não deixa dúvidas sobre o que aconteceu. Mas não era isso que mais chamava atenção. Era a convivência entre esses sinais e o que permanecia. A tentativa quase teimosa da vida de continuar ali, mesmo depois de já não ser possível.

Essas casas não eram exceção. Eram padrão. Repetiam-se de cidade em cidade, com pequenas variações, como se a guerra tivesse desenvolvido um método próprio de interromper as coisas.

Com o tempo, fica claro que a guerra não apaga o que existia antes dela. Ela se deposita sobre o que já estava ali. Camadas sucessivas de conflito, perda e adaptação. Uma casa abandonada não é apenas o resultado de um combate recente. Ela carrega histórias anteriores, outras rupturas, outros deslocamentos. A guerra atual se soma às anteriores, e dificilmente será a última. É assim que ela persiste.

Não apenas nos escombros, mas na memória. No modo como as pessoas passam a ver o mundo, a desconfiar do futuro, a ajustar suas expectativas ao que é possível sobreviver, não ao que seria desejável viver. Crianças crescem nesse ambiente e aprendem cedo o que evitar, em quem não confiar, como reconhecer sinais de perigo. Mais tarde, carregam isso consigo, mesmo quando o cenário muda.

A guerra, nesse sentido, não termina. Ela se transfere. Passa de uma geração para outra, menos como lembrança do que como disposição. Como forma de interpretar o outro, de reagir ao desconhecido, de antecipar ameaças. Ressentimentos encontram abrigo, narrativas se consolidam, versões do passado tornam-se verdades inquestionáveis. E, a partir daí, novos conflitos encontram terreno fértil.

Ainda assim, insistimos em descrevê-la como algo que pode ser contido. Talvez porque seja mais fácil acreditar que existem limites. Talvez porque seja necessário para justificar decisões que, de outra forma, pareceriam imprudentes. Ou talvez porque reconhecer a natureza real da guerra exigiria admitir que seus efeitos não podem ser previstos, nem controlados, nem encerrados de forma clara.

O problema é que a guerra não se organiza segundo essas expectativas. Ela começa com objetivos e rapidamente passa a ignorá-los. Absorve o que encontra pelo caminho, incorpora tensões anteriores, produz outras novas. O que era para ser uma intervenção torna-se um estado prolongado de instabilidade. E, quando finalmente se declara que acabou, descobre-se que ela apenas mudou de forma.

Anos depois dos combates mais intensos, a guerra ainda estava presente nas regiões por onde passei. Não como lembrança, mas como rotina. Em cidades que funcionavam pela metade. Em famílias que haviam aprendido a viver com ausências. Em jovens que nunca tinham experimentado algo que pudesse ser chamado de normalidade.

A guerra, nesse ponto, já não era um acontecimento. Era o contexto. Talvez o erro esteja em tratá-la como instrumento. A ideia de que ela pode ser usada, direcionada, encerrada. Instrumentos pressupõem controle. A guerra não oferece isso. Uma vez iniciada, ela segue adiante, indiferente às intenções que a colocaram em movimento.

A linha de frente, tão frequentemente apresentada como o centro do conflito, é apenas a parte mais visível. E, de certa forma, a mais simples de compreender. O que realmente define a guerra acontece fora dela. Nos lugares onde não há câmeras. Nas decisões que não são registradas. Nas vidas que não retomam o curso anterior. E, sobretudo, no que permanece depois.

Porque é ali, nesse acúmulo quase invisível de perdas, memórias e adaptações, que a próxima guerra começa.

(*) Marcio Pimenta é explorador da National Geographic. Doutor em Relações Internacionais e membro do The Explorers Club, esteve no Iraque entre 2016 e 2017, onde documentou a guerra contra o ISIS e o renascimento das mulheres yazidis, grupo étnico do norte do país.

 

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A IA está redefinindo a gestão de custos nas empresas

Fabio Seixas (*)

A indústria de software vive uma transição relevante em seus modelos de negócio. Especialmente no ecossistema de Software as a Service (SaaS), cresce o movimento de migração de contratos baseados exclusivamente em licenças ou volume de uso para formatos orientados a resultados, nos quais a cobrança passa a considerar métricas concretas de desempenho e geração de valor.

Esse avanço dialoga diretamente com esse conceito, no qual serviços passam a ser estruturados com previsibilidade, mensuração contínua e lógica de produto. Se soluções digitais são cada vez mais avaliadas pelo efeito que produzem, seja em aumento de receita, ganho de eficiência operacional ou melhoria da experiência do cliente, torna-se natural que o modelo de remuneração acompanhe essa lógica.

Essa transformação, antes concentrada no SaaS, começa a alcançar também o desenvolvimento de software sob demanda, pressionando empresas a repensarem contratos baseados exclusivamente em horas trabalhadas ou escopo fechado. Esse debate ganha ainda mais relevância em um ambiente no qual a inteligência artificial amplia significativamente a produtividade, automatiza etapas do processo e reduz o esforço operacional necessário para gerar resultados. Quando a tecnologia permite entregar mais valor em menos tempo, a lógica de cobrança por esforço tende a se tornar desalinhada com o impacto efetivamente produzido.

Portanto, a IA não apenas transforma a execução técnica, mas cria as condições para que modelos orientados a resultados se tornem viáveis e sustentáveis. As projeções da Gartner reforçam a dimensão estratégica dessa transição. Segundo a consultoria, até o final de 2026, cerca de 40% das aplicações empresariais deverão incorporar agentes de IA específicos, frente a menos de 5% em 2025.

A mesma instituição projeta que, até 2028, 90% das compras B2B serão iniciadas, avaliadas ou concluídas por agentes de IA. Os números indicam que a adoção será estrutural, alterando fluxos decisórios e modelos de negócio.

Com isso, ganha força a discussão sobre a evolução dos modelos de precificação em desenvolvimento de software. Tradicionalmente baseados em horas trabalhadas ou escopo fechado, esses modelos tendem a perder aderência em um ambiente no qual a IA amplia significativamente a produtividade e automatiza etapas do processo. Se a tecnologia permite entregar mais valor em menos tempo, a lógica de cobrança por esforço pode se tornar desalinhada com o impacto gerado.

A proposta de migrar para modelos orientados a resultados dialoga diretamente com esse novo contexto, pois, ao invés de remunerar exclusivamente a execução técnica, a precificação passaria a considerar indicadores concretos de negócio, como aumento de receita, redução de custos operacionais, ganho de eficiência ou melhoria na experiência do cliente. A IA, ao elevar o potencial de geração de valor, cria as condições para essa mudança estrutural.

Entretanto, escalar iniciativas de IA exige investimento em infraestrutura, governança de dados, segurança da informação e capacitação de equipes. Há também a complexidade de integrar novas soluções a sistemas legados e de estabelecer métricas claras para mensurar resultados. Para CIOs, o equilíbrio entre inovação, controle orçamentário e mitigação de riscos torna-se um exercício contínuo de priorização estratégica.

Desse modo, mais do que adotar IA por tendência, a questão central passa a ser como utilizá-la para transformar tecnologia em vetor direto de performance empresarial. Organizações que conseguirem alinhar eficiência operacional, inteligência de dados e modelos contratuais orientados a resultados tendem a consolidar uma posição competitiva mais robusta em um mercado cada vez mais automatizado e orientado por agentes inteligentes.

(*) Fabio Seixas, especialista em desenvolvimento de sofware e IA, e CEO da Softo*

 

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