Momento decisivo para o comércio exterior

José Roberto Tadros (*)

No dia 18 de novembro, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) promoverá o Fórum de Comércio Exterior – Desafios e Oportunidades, um encontro que chega em momento decisivo para o setor produtivo brasileiro. Em meio a um cenário de juros elevados, inadimplência recorde e crescente competição desleal de produtos importados, discutir a inserção internacional do Brasil é mais do que necessário — é uma questão estratégica para a soberania econômica do País.

O comércio exterior, embora muitas vezes associado mais à pauta industrial, é tema central também para o setor terciário. O que acontece nas fronteiras — nas políticas de tarifas, nos acordos comerciais, nas regras de importação e exportação — impacta diretamente o varejo, os serviços e o turismo. Por isso, a CNC atua de forma firme e contínua em defesa da isonomia tributária e da competitividade do nosso comércio, pilares essenciais para preservar empregos, empresas e o dinamismo econômico nacional.

O recente “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos é um exemplo claro da sensibilidade e da volatilidade das relações econômicas globais. Medidas unilaterais, motivadas por rearranjos geopolíticos e pressões internas, podem gerar reflexos imediatos no desempenho das nossas empresas, reduzindo investimentos e afetando o crescimento. Estimativas apontam que o impacto desse aumento de tarifas pode retirar até 0,2% do PIB brasileiro, o que reforça a necessidade de uma política externa ativa e atenta.

Da mesma forma, a implementação do Tax Free, operacional no Rio de Janeiro desde setembro, representa um movimento importante para reposicionar o Brasil no mapa turístico global. Estimular o consumo de turistas estrangeiros no país é medida urgente e inteligente — adotada com sucesso por diversos países vizinhos.

Esses temas, que podem parecer distintos, na verdade compõem uma mesma equação: a necessidade de fortalecer a nossa autonomia econômica. Proteger o comércio local de distorções tributárias, ampliar a inserção brasileira em cadeias globais e criar um ambiente atrativo para investidores e turistas são dimensões complementares de uma estratégia sólida de desenvolvimento.

O Fórum, uma iniciativa da Assessoria das Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços da CNC, em conjunto com a Assessoria de Gestão das Representações e com a participação da Câmara Brasileira do Comércio Exterior, reunirá especialistas de grande relevância — representantes do setor empresarial, economistas, consultores e profissionais com atuação direta nas pautas aduaneiras e regulatórias. É dessa pluralidade de olhares que nascem diagnósticos precisos e caminhos concretos.

Queremos contribuir para um Brasil mais integrado ao mundo, mas também mais preparado para enfrentar práticas protecionistas e mudanças abruptas nas regras do comércio internacional. Para isso, defendemos uma política de comércio exterior que seja moderna, transparente, previsível e alinhada às necessidades do setor produtivo.

A CNC reafirma seu compromisso de liderar esse debate com responsabilidade e visão de futuro. Seguiremos vigilantes e atuantes, buscando o equilíbrio entre abertura comercial, desenvolvimento interno e proteção do nosso tecido empresarial — especialmente aquele composto por milhões de micro e pequenas empresas que formam a espinha dorsal da economia brasileira.

Convido todos a acompanharem o Fórum e a participarem dessa discussão estratégica. Que este encontro fortaleça a construção de soluções que ampliem oportunidades, reduzam assimetrias e posicionem o Brasil de maneira competitiva no cenário global.

(*) José Roberto Tadros – Presidente do Sistema CNC–Sesc–Senac

https://www.sympla.com.br/evento-online/forum-comercio-exterior-desafios-e-oportunidades/3149329?referrer=www.google.com&referrer=www.google.com

 

 

 

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Setor de rochas cresce apesar das tarifas, mas queda nas exportações de granito e mármore acende alerta

Dados mostram que vendas foram afetadas diretamente pelas tarifas impostas pelos EUA, com quedas expressivas nas exportações de granitos, mármores e pedra sabão. Apesar do cenário desafiador, o setor vem sendo impulsionado sobretudo pelas exportações dos quartzitos, que compensaram parte das perdas.

Da Redação (*)

Brasília – As tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos a diversos produtos brasileiros têm provocado efeitos concretos no setor de rochas naturais, especialmente nas exportações de granitos, mármores e pedra sabão. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), entre janeiro e outubro de 2025, as exportações somaram US$ 1,24 bilhão, alta de 20,3% frente ao mesmo período do ano anterior. O avanço, no entanto, não reflete um cenário de tranquilidade.

A projeção é de que o setor poderia ter alcançado um resultado ainda mais expressivo, não fosse a queda acentuada nas vendas para os Estados Unidos de materiais que foram diretamente afetados pelas tarifas. As exportações de granito, por exemplo, registraram retração de 14,7%; o mármore caiu 9,8%; e a pedra sabão sofreu uma queda de 54,6%. Todos esses produtos integram a lista de materiais com tarifa adicional de 50% imposta pelo governo americano, o que comprometeu sua competitividade frente a outros fornecedores globais.

Vale reforçar que, embora as pedras naturais brasileiras estejam inseridas na lista de minerais não metálicos críticos para a cadeia de construção residencial dos Estados Unidos, apenas um código tarifário (HTSUS 6802.99.00) foi incluído entre as exceções à tarifa adicional.

Esse código contempla os quartzitos, cuja demanda tem crescido significativamente. Já os demais materiais, como mármore, granito e pedra sabão, continuam sujeitos à sobretaxa, o que compromete a competitividade internacional e limita o aproveitamento integral do potencial exportador do setor.

“O Brasil possui a maior geodiversidade do planeta, com mais de 1.200 variedades de rochas naturais, um potencial único ainda tem muito a ser explorado no comércio global”, afirmou o presidente da Centrorochas, Tales Machado.

Aplicação premium em cozinhas e banheiros

Com alto valor agregado e reconhecidos por sua resistência e durabilidade, os quartzitos brasileiros têm sido amplamente aplicados no mercado norte-americano, sobretudo em bancadas de cozinhas e banheiros, onde estética e desempenho são determinantes. Esse uso, porém, não concorre com a produção doméstica americana de mármore e granito, tradicionalmente voltada para monumentos e obras públicas, o que reforça o caráter complementar, e não substitutivo, da pedra natural brasileira naquele mercado.

Os Estados Unidos se mantêm como o principal destino das rochas naturais brasileiras, respondendo por 53,9% das exportações entre janeiro e outubro deste ano. Na sequência vêm a China (17,0%) e a Itália (8,3%), ambos com desempenho recorde de compras, especialmente de blocos brutos, posteriormente beneficiados e comercializados em diversos continentes.

Segundo o presidente da Centrorochas, Tales Machado, o cenário reforça a importância de uma atuação técnica e estratégica diante dos desafios internacionais. “Desde o anúncio do tarifaço, iniciamos um forte trabalho de diplomacia empresarial com agendas técnicas e institucionais em Washington D.C., buscando mitigar os efeitos da medida e abrir caminhos para o crescimento sustentável do setor. O desempenho dos quartzitos mostra que essa articulação funciona e que o Brasil segue relevante e competitivo no mercado global de rochas naturais”, concluiu.

(*) Com informações da Centrorochas

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Acordo entre EUA e China têm efeito mais diplomático do que comercial, diz Biond Agro

Mesmo com o retorno parcial das compras chinesas, o mercado global de soja segue pressionado por excesso de oferta e margens apertadas

Da Redação (*)

Brasília – O recente acordo comercial entre Estados Unidos e China, que prevê a retomada de embarques agrícolas e redução de tarifas, trouxe otimismo momentâneo ao mercado de commodities. No entanto, a expectativa é que o impacto do acordo seja mais político do que econômico, sinalizando uma boa vontade diplomática, mas sem alterar o quadro fundamental de oferta e demanda da soja no cenário global.

A China deve importar cerca de 12 milhões de toneladas de soja americana em 2025, o que representa apenas um terço do volume registrado em 2020/21, quando as compras superaram 35 milhões de toneladas.

“O acordo demonstra mais um gesto de aproximação entre as potências do que uma mudança efetiva no fluxo comercial. A China segue priorizando a soja da América do Sul, especialmente a brasileira, por questões de competitividade e segurança de abastecimento”, explica Felipe Jordy, gerente de inteligência e estratégia da Biond Agro.

Soja sobe em Chicago, mas fundamentos seguem frágeis

Em outubro, a soja registrou uma das maiores altas em quatro anos na Bolsa de Chicago, com valorização superior a 10% no mês. O movimento, no entanto, foi impulsionado mais pela expectativa de mercado do que por mudanças concretas na oferta e demanda.

Os Estados Unidos possuem a expectativa de uma uma safra cheia, mas enfrentam lentidão nas exportações, enquanto o Brasil caminha para novo recorde, com produção estimada em 177 milhões de toneladas. Essa abundância mantém os estoques elevados e reduz os prêmios nos portos brasileiros, o que limita novas altas de preço.

“Esse ponto é crucial. A euforia momentânea em Chicago não nasce de fundamentos, nasce de manchetes. A oferta global permanece elevada e o estoque mundial de soja segue confortável, o Brasil vindo para o mercado com a potencial super safra em 25/26 o dará competitividade (+ oferta, – preço). A trégua, portanto, não muda o equilíbrio estrutural: apenas mascaram, por algumas semanas, o excesso de oferta e o descompasso entre preço e realidade”, analisa Felipe Jordy.

China compra menos, e janela americana segue curta

O pacto entre Washington e Pequim prevê a retomada das compras chinesas de produtos agrícolas, como soja e sorgo, e a redução de tarifas em ambas as direções. Ainda assim, as projeções apontam que a China deve importar cerca de 12 milhões de toneladas de soja americana em 2025, número inferior à média praticada dos últimos 5 anos de aproximadamente 28 milhões de toneladas.

“Essa diferença mostra que a janela de competitividade dos EUA segue restrita ao período de dezembro a fevereiro, antes da entrada da safra brasileira. A partir de março, o fluxo global volta a ser dominado pela América do Sul, reforçando o protagonismo brasileiro nas exportações”, comenta Felipe Jordy.

Gestão comercial e liquidez ganham importância

No mercado doméstico, o câmbio estabilizado em torno de R$ 5,35 já não compensa os prêmios enfraquecidos nem as oscilações de Chicago, mantendo o mercado físico travado. Atualmente, o Brasil comercializou cerca de 25% da safra, um atraso de 7 pontos percentuais em relação à média histórica para o mesmo período.

Diante desse cenário, a concentração de oferta nos próximos meses tende a pressionar a logística e os preços, reforçando a importância da gestão de liquidez.

“O momento exige uma cobertura mínima de 40% da produção, garantindo a proteção de custos e evitando exposição a eventuais quedas de preço ou gargalos logísticos. A estratégia deve priorizar margens e liquidez, combinando contratos futuros e barter de forma equilibrada”, finaliza.

(*) Com informações da Biond Agro

 

 

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Enaex 2025 debate reindustrialização, competitividade do Brasil no comércio exterior e reforma tributária

Durante a abertura do evento, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a AEB e a GE Aerospace homenagearam a Superintendência da 7ª Região Fiscal da Receita Federal do Brasil

Da Redação (*)

Brasília – O maior e mais tradicional evento de comércio exterior do Brasil, o Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex) prossegue hoje (13/) reunindo representantes do governo, especialistas e empresários para discutir os rumos da inserção competitiva e sustentável do país no mercado internacional. Realizado pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), no Rio de Janeiro, em sua 43ª edição o Enaex reafirma seu papel como principal fórum de diálogo entre o setor produtivo e o poder público na busca de soluções para os desafios enfrentados por exportadores e importadores.

O tema desta edição – “Produtividade na Indústria e Competitividade no Comércio Exterior” – enfatiza a necessidade de políticas industriais e logísticas integradas para impulsionar a retomada econômica e ampliar a presença do Brasil nas cadeias globais de valor. Na abertura, nesta quarta-feira (12/11), o presidente executivo da AEB, José Augusto de Castro, destacou que o encontro “se consolida como um espaço estratégico para propor políticas de Estado que tornem o Brasil mais competitivo e sustentável no comércio global”.

O diretor de Relações Institucionais da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Márcio Fortes, destacou a importância da reindustrialização para gerar produtividade na indústria e competitividade no comércio exterior. “Temos esse compromisso estratégico com o estado do Rio de Janeiro”, sentenciou Marcio Fortes, apresentando dados de que a corrente de comércio fluminense entre janeiro e outubro de 2025 alcançou cerca de US$ 70 bilhões, evidenciando a relevância do setor para a economia regional.

Ele também mencionou as “Propostas Firjan para um Brasil 4.0”, documento com 62 medidas para modernizar a indústria nacional dentro do programa federal Nova Indústria Brasil (NIB). Diversas dessas propostas se relacionam diretamente ao comércio exterior — entre elas, a defesa da reforma tributária, que busca reduzir a cumulatividade de impostos e aumentar a competitividade das exportações, e a implantação do Portal Único de Comércio Exterior, que tem simplificado e desburocratizado as operações internacionais.

Além de Márcio Fortes, representando o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, também participaram da abertura do Enaex, Catarina Carneiro da Silva, gerente executiva de Análise, Desenvolvimento Econômico e Estatístico da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC); José Luís Pinho Leite Gordon, diretor do BNDES; Priscila Sakalem, secretária de Transportes e Mobilidade do estado do Rio de Janeiro; e Bruno Costa, subsecretário de Relações Internacionais do estado do Rio.

Reforma Tributária

O primeiro painel “Reforma Tributária: um novo cenário para o comércio exterior brasileiro – desafios e perspectivas” foi um dos pontos altos do Enaex 2025, reunindo especialistas do setor público e privado para discutir os impactos das mudanças no sistema tributário sobre a competitividade das exportações nacionais.

Moderador do painel, Márcio Fortes destacou que a simplificação tributária é essencial para destravar o ambiente de negócios no país. “O Brasil ainda enfrenta uma das maiores complexidades fiscais do mundo. A reforma precisa tornar o sistema mais racional, com menos custos e mais previsibilidade para o setor produtivo”, afirmou.

Renato Agostinho, diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX), apresentou um panorama sobre os principais pontos da reforma e seus efeitos esperados. Segundo ele, estudos indicam que, em até 15 anos após a implementação do novo modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), o Brasil poderá registrar aumento de 12% no PIB, crescimento de 14% nos investimentos e expansão de 17% nas exportações.

“O novo sistema deve reduzir distorções e eliminar resquícios tributários que hoje encarecem os produtos brasileiros no exterior. Isso significa um comércio mais competitivo e transparente”, explicou.

Para Mário Sérgio Denis, diretor de Economia da CNI, a reforma tributária representa um “divisor de águas” para a indústria nacional. Ele alertou, no entanto, que o sucesso dependerá da aplicação efetiva das regras e da segurança jurídica. “A manutenção da carga tributária global é essencial, mas precisamos garantir que a simplificação não gere novos custos ocultos ou perda de competitividade”, pontuou.

Já o advogado Breno Console, sócio do escritório Martinelli Advogados, reforçou que o fim da cumulatividade tributária e da chamada “guerra fiscal” entre estados é fundamental para reduzir o custo Brasil. “Hoje, cada estado cria incentivos próprios, muitas vezes favorecendo importações em detrimento da produção nacional. Com a tributação no destino e o fundo de compensação federativo, teremos um ambiente mais justo e produtivo”, afirmou.

Os debatedores foram unânimes em reconhecer que a reforma trará ganhos diretos ao comércio exterior, ao eliminar distorções e simplificar procedimentos. “A desoneração completa das exportações, agora de forma efetiva, é um passo decisivo para a competitividade global do país”, destacou Dayane Lima, coordenadora do Comitê Técnico Tributário da AEB.

O evento ainda também contou com a homenagem à Superintendência da 7ª Região Fiscal da Receita Federal do Brasil entregue pela AEB, Firjan e GE Aerospace, em reconhecimento à eficiência, competência e agilidade na implantação de novos sistemas e tecnologias operacionais voltadas ao comércio exterior. A placa comemorativa foi entregue ao superintendente adjunto Ronaldo Feltrin.

Ainda no primeiro dia de evento, à tarde, na Arena 1, ocorreu a palestra “Made In Rio: Jornada de internacionalização de empresas fluminenses e acesso à mercados internacionais”, com os analistas de Comércio Exterior da Firjan Internacional, Ana Carolina Vieira de Oliveira e Lucas Peron.

(*) Com informações da Firjan

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CNC promove fórum para debater impactos do tarifaço e estratégias para fortalecer presença do Brasil no comércio exterior

Evento promovido pela CNC reunirá especialistas para debater os impactos do protecionismo global e as estratégias para fortalecer a presença brasileira nas cadeias internacionais

Da Redação (*)

Brasília – Com o anúncio de novos aumentos tarifários por parte dos Estados Unidos e o crescimento das barreiras comerciais em diversos mercados, o comércio exterior brasileiro volta a enfrentar um cenário de incerteza e pressão competitiva. Para discutir os efeitos dessa conjuntura e propor caminhos de resiliência, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) promoverá, no dia 18 de novembro, o Fórum Comércio Exterior – Desafios e Oportunidades, das 10h às 11h30, com transmissão pelo canal CNC Play no YouTube.

Escalada tarifária expõe vulnerabilidades

Nos últimos meses, o chamado ‘tarifaço’ norte-americano — com sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros — acendeu um sinal de alerta entre exportadores e entidades representativas. Setores como o químico, metalúrgico e de transformação já relatam perdas de competitividade e redução de margens diante da nova onda de protecionismo internacional.

Para José Carlos Raposo Barbosa, presidente da Federação Nacional dos Despachantes Aduaneiros (Feaduaneiros), que participa do fórum representando a Câmara Brasileira do Comércio Exterior (CBCEX) da CNC, enriquecendo o debate com a visão técnica e a experiência prática do setor aduaneiro, o momento exige articulação institucional e planejamento estratégico.

“O comércio exterior brasileiro precisa de previsibilidade e de uma estratégia nacional sólida. As empresas estão preparadas para competir, mas necessitam de um ambiente que ofereça segurança jurídica e apoio governamental para enfrentar as barreiras externas”, afirma Raposo.

Brasil entre os países com mais barreiras não tarifárias

Além das tarifas impostas por parceiros internacionais, o país também enfrenta desafios internos. Estudos recentes apontam que o Brasil está entre as nações com maior número de barreiras não-tarifárias, que incluem exigências técnicas, licenças específicas e morosidade em processos aduaneiros. Esses entraves afetam principalmente as pequenas e médias empresas, que têm dificuldade de manter regularidade exportadora.

O economista Fabio Bentes, gerente-executivo de Análise e Desenvolvimento Econômico da CNC, explica que as cadeias globais de valor estão se reorganizando e que o Brasil precisa agir rapidamente para não perder espaço.

“A tendência mundial é de reindustrialização e regionalização de cadeias. Se o Brasil não reagir com acordos comerciais e políticas de incentivo, pode ver sua participação no comércio global cair ainda mais”, alerta Bentes.

Fórum propõe agenda de soluções e diálogo institucional

Com foco em soluções práticas e estratégias de médio prazo, o Fórum reunirá representantes do setor privado e de órgãos legislativos. Além de Raposo e Bentes, participarão Otávio Leite, consultor da Fecomércio-RJ e ex-deputado federal, e Felipe Miranda, coordenador legislativo da Diretoria de Relações Institucionais da CNC. O encontro discutirá temas como o impacto das tarifas internacionais e o papel da diplomacia comercial; a importância dos acordos regionais para redução de barreiras e custos logísticos; e caminhos para ampliar a competitividade brasileira e atrair novos exportadores.

Segundo Felipe Miranda, é essencial que o Congresso Nacional e as entidades empresariais atuem em sinergia. “O Brasil precisa atualizar sua política comercial com base em dados e previsões globais. O papel da CNC é justamente articular essa ponte entre o Legislativo e o setor produtivo”, afirma.

Protagonismo institucional

A abertura do evento contará com a participação de José Roberto Tadros, presidente da CNC, em mensagem especial, além de discursos de Luiz Carlos Bohn (presidente da Fecomércio-RS e coordenador-geral das Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços), Sergio Henrique Moreira de Sousa (AGR) e Andrea de Marins Esteves (ACBCS). A iniciativa reforça o papel da CNC como principal articuladora das pautas empresariais do setor de comércio e serviços, consolidando sua atuação tanto em fóruns nacionais quanto internacionais.

Serviço

Data: 18 de novembro de 2025

Horário: 10h às 11h30

Formato: Online – transmissão ao vivo pelo canal CNC Play (YouTube)

Palestrantes: José Carlos Raposo Barbosa (Feaduaneiros), Otávio Leite (Fecomércio-RJ), Fabio Bentes(CNC) e Felipe Miranda (CNC).

Realização: CNC, por meio da Assessoria das Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços (ACBCS) e da Assessoria de Gestão das Representações (AGR)

(*) Com informações da CNC

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Tailândia encanta e brasileiros são o 3.º maior público do singular e fascinante Festival das Lanternas

O evento é uma experiência visual e espiritual que atrai milhares de brasileiros todos os anos e conta até com tradutor oficial em português

Da Redação

Brasília – A cada ano, o céu da Tailândia se transforma em um espetáculo de luz e emoção durante o Festival das Lanternas, celebrado por todo o país durante a lua cheia do 12º mês lunar, o que ocorreu na semana passada. Considerado um dos eventos mais belos e simbólicos do planeta, o festival realizado em Chiang mistura espiritualidade, tradição e conexão, atraindo milhares de visitantes de todo o mundo.

Em 2025, o Brasil se consolidou como o terceiro maior público estrangeiro, com cerca de 4,5 mil a 5 mil brasileiros entre os mais de 17 mil participantes – ficando atrás apenas de chineses e japoneses, de acordo com a Capital Marketing, representação oficial do Turismo da Tailândia no Brasil.

O brasileiro se tornou um público tão ávido pelo Festival das Lanternas que, há alguns anos, o evento passou a contar com tradutor oficial para o português. Entre os brasileiros presentes no evento neste ano, estavam 43 viajantes levados pela Se Tu For, Eu Vou – Viagens, agência especializada em expedições.

“A cada ano a procura aumenta. Parece que o boca a boca entre os viajantes virou o melhor marketing possível! Quem vai volta tão encantado que acaba indicando para os amigos, e aí pronto: no ano seguinte o grupo dobra! O Festival das Lanternas é aquela experiência que todo mundo quer viver pelo menos uma vez na vida, e a Tailândia virou o verdadeiro Brasil da Ásia”, conta Carolina Taketomi, sócia da agência.

O Chiang Mai CAD Festival, organizado pelo Chiang Mai Arts & Design, é o mais procurado entre os estrangeiros e acontece em um cenário cercado pela natureza, com rituais budistas, apresentações culturais, buffet tailandês e o aguardado momento em que as lanternas sobem ao céu e as cestas de luz flutuam pelos rios.

“O festival é superconcorrido e os ingressos limitados. Recomendamos comprar um ano antes, assim que abrem as vendas, mas quem vai em uma expedição com a gente não precisa se preocupar com nada, porque garantimos o ingresso em lugares privilegiados, com transfer privativo e toda a facilidade possível”, explica Carolina.

Lanternas flutuando no céu

O festival acontece em dois dias e o auge é à noite, quando o céu fica completamente iluminado pelas lanternas e o rio ganha um brilho dourado com os barquinhos flutuando. “É impossível não se arrepiar! Todo mundo fica em silêncio por alguns segundos, olhando pra cima. E aí começam os abraços, os sorrisos, as lágrimas. O clima é de emoção pura e gratidão. Mesmo quem chegou desacreditado sente uma energia diferente”, descreve Carolina. A mensagem principal, ressalta, é se desprender do que passou para abrir caminho ao novo – e é isso que as lanternas simbolizam.

A experiência vai além do visual e toca algo mais profundo. “O festival une tudo o que o brasileiro ama: significado, beleza e emoção. É uma vivência que vai além da foto – tem o simbolismo da renovação, de deixar ir o que não serve mais e abrir espaço para o novo. E brasileiro adora um momento de recomeço, né?”, reflete Carolina. O sentimento mais comum entre os brasileiros, conta, é um misto de emoção, espiritualidade e conexão — com o lugar, com o grupo e consigo mesmos.

“É aquele tipo de viagem que muda algo dentro da gente”, define Carolina. E também é um momento em que os brasileiros aproveitam para celebrar o amor e realizar sonhos. “Nos grupos que levamos para lá, já tivemos dois pedidos de casamento, renovação de votos, muitas lágrimas caindo por estarem realizando um sonho que parecia impossível. É muito gratificante poder participar desse momento lindo na vida dos nossos viajantes”, completa.

Para Carolina, o filme Enrolados, da Disney, também ajudou a despertar nos brasileiros o desejo de participar do Festival das Lanternas. Além disso, os viajantes da Se Tu For Eu Vou contam com suporte total em português: “O festival tem tradutor oficial para o público brasileiro, e nossos líderes fazem tradução simultânea durante os passeios”, completa.

Origem da tradição

A origem das lanternas está ligada ao antigo povo Lanna, que vivia no norte da Tailândia. Segundo a tradição, os balões de papel eram lançados ao céu durante a lua cheia do 12.º mês lunar como forma de enviar orações às relíquias de Buda guardadas nos céus. Com o tempo, o gesto de devoção se transformou em um espetáculo visual que encanta tailandeses e turistas do mundo todo. Hoje, mesmo com regras mais rígidas para o lançamento das lanternas nas cidades, a celebração continua viva, com casas e templos decorados por pequenas luzes e velas que mantêm acesa a essência espiritual do Festival das Lanternas.

Roteiro

O roteiro de 12 dias na Tailândia da Se Tu For, Eu Vou – Viagens vai muito além do Festival das Lanternas. “É incrível e supercompleto! Passamos por Bangkok, com seus templos e mercados milenares; Chiang Mai, onde vivemos o Festival das Lanternas e o contato com a natureza; e Phi Phi Island, com praias de água azul-turquesa que parecem saídas de um filme. É o combo perfeito entre cultura, agito e descanso”, detalha Carolina.

Por isso tudo, a Tailândia tem se tornado um dos destinos mais procurados entre os clientes da agência — e com razão. É uma viagem que combina cultura, espiritualidade, natureza exuberante e uma energia difícil de explicar, mas fácil de sentir. “Já temos, inclusive, expedição programada para 2026”, conta Carolina.

Os grupos são sempre diversos: há casais em lua de mel, amigos em busca de aventura, mães e filhas viajando juntas e muitos viajantes solo que chegam tímidos e voltam com uma nova turma de amigos para a vida toda. Em uma única jornada, é possível relaxar em praias paradisíacas, participar de festivais cheios de significado espiritual, visitar templos milenares, brincar de ser “babá de elefantes por um dia”, conhecer a tribo das mulheres-girafas, provar insetos fritos, fazer massagem tailandesa diariamente e ainda viver algumas das festas mais animadas do planeta

Preços acessíveis e conectividade

O aumento do número de brasileiros viajando para a Tailândia não é por acaso. De acordo com a Capital Marketing, representante oficial do Turismo da Tailândia no Brasil, o crescimento se deve a uma combinação de fatores: o trabalho contínuo de divulgação do destino, o excelente custo-benefício – com hospedagem, alimentação e passeios bem mais baratos que em outros países -, a diversidade de paisagens e experiências que o país oferece e o avanço da conectividade aérea.

Nos últimos anos, a ampliação das rotas e o aumento da oferta de voos facilitaram o acesso dos brasileiros ao Sudeste Asiático, tornando a Tailândia uma escolha cada vez mais viável e desejada. Além disso, não é necessário visto para brasileiros que desejam ingressar no país a turismo ou negócios, com permanência limitada a 90 dias – o passaporte deve ter pelo menos seis meses de validade.

 

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Especialista em comex explica por que a moeda do Brics é vista como ameaça à hegemonia americana

Especialista em comércio exterior Jackson Campos explica por que Trump tem sido tão vocal e agressivo contra a criação da moeda; Brasil seria beneficiado, mas precisaria de cautela
Da Redação

Brasília – Tema central nas discussões entre Brasil e EUA, a criação de uma moeda para as negociações entre os países do Brics é vista como uma ameaça à hegemonia americana. Buscando defender o dólar e seu valor no mercado internacional, o presidente Donald Trump tem sido muito vocal contra o bloco econômico e suas movimentações, deixando claro que a guerra comercial está longe de acabar, mas é necessário entender por que é tão importante para o chefe da Casa Branca essa proteção à moeda americana.

A perda da hegemonia do dólar seria uma catástrofe para a economia americana. Segundo relatório do Congresso dos EUA, cerca de 60% das reservas cambiais globais e quase 90% das transações de câmbio envolvem a moeda e, para o especialista em comércio exterior, Jackson Campos, uma nova moeda tiraria o poder de barganha que os americanos possuem no mercado.

“Os Estados Unidos têm muita influência no cenário internacional e muito se dá por conta de serem a moeda mais aceita globalmente. Uma nova moeda, ainda mais em mercados imensos como China e Rússia, diminuiria a dependência do dólar e a influência americana em todo o globo, causando um grande dano à economia americana, que se beneficia muito com a dolarização e o poder que exerce sobre o comércio internacional”, explica Campos.

Outro ponto é que, por conta do uso massivo e internacional do dólar, os EUA conseguem usar o sistema financeiro global como instrumento de pressão política. Isso significa que, ao impor sanções contra um país, os americanos podem bloquear transações, congelar ativos e limitar o acesso a bancos e sistemas de pagamento internacionais. Isso já acontece hoje contra o Brasil através da Lei Magnitsky, atingindo figuras importantes do cenário político nacional.

“As sanções aplicadas contra brasileiros é uma forma que a dolarização pode impactar diretamente sobre a soberania e economia de outros países. Se o BRICS criasse uma moeda própria para negociações entre seus membros, boa parte dessas operações poderia ocorrer fora do alcance do sistema dolarizado, enfraquecendo a eficácia das sanções e diminuindo o poder dos EUA de influenciar comportamentos políticos e econômicos de outros países. Trump sabe muito bem o que está defendendo e não vai hesitar em tomar medidas mais protetivas se necessário”, avalia o especialista.

Entretanto, o grande problema para os americanos seria a desvalorização do dólar e a dificuldade que a Casa Branca encontraria para financiar a dívida do país, que já ultrapassa aproximadamente US$ 36,56 trilhões em abril de 2025, representando cerca de 120% do PIB do país, segundo o Tesouro Americano.

Sem a força da moeda no mercado internacional, com empréstimos para outros países e seu uso em negociações comerciais, os juros internos começariam a subir e a economia doméstica seria atingida em cheio. “Esse é o ponto mais crucial. O aumento dos preços internamente sinalizaria como um fracasso para o governo republicano e dificultaria muito o cenário para Trump e seus aliados nas próximas eleições. Os americanos não abrem mão do consumo e o presidente sabe da importância da manutenção do poder de compra”, afirma Campos.

E para o Brasil?

Se para os americanos não seria nada interessante a criação de uma nova moeda internacional, para o Brasil, integrante dos Brics, seria uma alternativa de escapar das decisões do FED, ganhando mais autonomia monetária e diplomática. “Seria bom para o Brasil porque diminuiria custos cambiais e volatilidade nas trocas com parceiros como China e Índia, reforçando o comércio no sul global”, diz o especialista.

Entretanto, Campos afirma que é necessário cautela para que o país não fique dependente de Pequim, já que o país asiático é a maior economia dentro do bloco econômico e, possivelmente, tomaria a dianteira na hora da criação das regras do uso dessa moeda.

“Surgiriam desafios de governança e risco de assimetria de poder, especialmente se o protagonismo chinês não for equilibrado por mecanismos de decisão mais democráticos dentro do bloco. O Brasil teria que tentar se proteger e, ao mesmo tempo, conquistar espaço diplomático para conseguir defender seus interesses sem causar atritos com a China e os outros países do bloco. É necessário cautela e muita diplomacia, algo que o governo brasileiro é reconhecido mundialmente”, finaliza o especialista em comex.

 

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Natal deve impulsionar importações de eletrônicos, brinquedos e bebidas, projeta especialista

Com varejo aquecido e câmbio ainda instável, importadores reforçam compras para o fim do ano; eletrônicos e brinquedos ganham tração e bebidas premium voltam ao radar. Hedging e planejamento tributário entram na rotina para preservar margens

Da Redação (*)

O aquecimento do consumo para o Natal volta a estimular a importação de itens sensíveis ao dólar como eletrônicos, brinquedos e bebidas. Em 2024, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) estimou R$ 69,75 bilhões em vendas natalinas, alta real de 1,3% ante 2023, referência que baliza o varejo às vésperas do último trimestre de 2025 e sugere demanda firme no fim do ano, embora ainda abaixo do pré-pandemia (R$ 73,74 bilhões em 2019). 

No lado da oferta, os sinais de recomposição de estoques aparecem primeiro na indústria eletroeletrônica: as importações do setor cresceram 13,6% no acumulado de janeiro e fevereiro de 2025, somando US$ 8,6 bilhões, segundo a Abinee , movimento coerente com a sazonalidade que antecipa Black Friday e Natal. 

No eixo infantil, a compra externa de brinquedos acelera historicamente de julho a outubro; em 2024, o Brasil importou mais de US$ 640 milhões no ano até outubro, com 80% do volume vindo da China uma proxy útil para a curva de 2025. Nas bebidas, relatórios do mercado de vinhos apontam retomada das importações no 1º semestre de 2025, apesar da oscilação cambial, reforçando a tendência de sortimento premium para as festas. 

Câmbio segue determinante nos preços ao consumidor

A taxa de câmbio alivia desde o pico do início do ano, mas continua volátil. A PTAX fechou agosto de 2025 em R$ 5,426 e setembro em R$ 5,319, abaixo das máximas de 2024, mas ainda em patamar que pressiona cadeias com alto conteúdo importado. Estudos acadêmicos lembram que, no Brasil, a depreciação do real eleva o custo de bens importados e de produtos com componentes externos, com repasses mais intensos em eletrônicos e fármacos e efeitos indiretos sobre outros segmentos. 

O que tende a liderar as compras externas

  • Eletrônicos e gadgets (smartphones, wearables, áudio e consoles): cadeia global dolarizada e forte elasticidade à renda nas datas de promoção. Importações do setor já mostram tração em 2025.
  • Brinquedos (linha licenciada e interativa): sazonalidade marcada e dependência da Ásia; a referência de 2024 indica concentração de compras no 3º tri.
  • Bebidas importadas (vinhos, espumantes e destilados): sortimento premium cresce na virada do ano; relatórios do 1º semestre apontam retomada do apetite por rótulos internacionais.

Como blindar margem em um fim de ano volátil

Para Thiago Oliveira, CEO da Saygo, a previsibilidade do caixa começa na gestão de risco.“Em datas de pico, quem chega ao Natal sem proteção cambial transforma câmbio em loteria. Termos e NDFs para travar taxa, contas em moeda estrangeira para casar fluxos e plataformas digitais de câmbio para escalonar compras são hoje práticas de sobrevivência no varejo.”

Oliveira acrescenta que, além do hedge, o planejamento tributário e aduaneiro faz diferença. “Benefícios fiscais como os concedidos por estados, a classificação fiscal correta e cronogramas de nacionalização reduzem o custo efetivo por unidade. Regimes como o drawback também contribuem para otimizar operações voltadas à exportação. O ganho não está só na taxa do dia, mas no custo total da importação, do frete ao desembaraço”, finaliza.

(*) Com informações da Saygo

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Como o Brasil se tornou uma potência agrícola mundial?

Valter Casarin (*)

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de produtos agrícolas, apesar de uma desvantagem significativa: seu solo exige a aplicação de produtos e insumos para atingir os níveis ideais de nutrientes para o crescimento das plantas. Solo tropical significa altas temperaturas médias e chuvas intensas, uma característica que existe desde os tempos pré-históricos. As reações químicas induzidas por essas condições reduziram a quantidade de nutrientes nas terras agrícolas e, portanto, na sua fertilidade.

No Brasil, a escassez de terras naturalmente férteis para alimentar uma população crescente levou à expansão da atividade agrícola para o Cerrado. Nas últimas décadas, investimentos públicos maciços têm apoiado a pesquisa agrícola e incentivado o setor agropecuário nessa região. Esse fato proporcionou ao Cerrado se tornar um dos principais polos de produção agrícola, pecuária e plantio de florestas. O sucesso desse esforço de desenvolvimento abre novas possibilidades para a expansão agrícola sustentável e de alta produtividade.

A expansão da agricultura nessa região foi possibilitada por condições naturais favoráveis, incluindo chuvas abundantes, temperaturas amenas, topografia adequada à mecanização e boa drenagem do solo. Ainda assim, a produtividade é limitada por características desfavoráveis ​​do solo, como alta acidez e teor de alumínio, baixa fertilidade e má retenção de água. A adoção de novas tecnologias, como correção da acidez do solo, adubação adaptada e a agricultura de precisão, permitiu que a agricultura se estabelecesse com sucesso na região.

Mesmo com essas condições desfavoráveis, o país continua produzindo cada vez mais alimentos, às vezes com duas ou três safras por ano, ao contrário da maioria dos outros países, que conta com uma safra anual somente.

Outros fatores também se mostraram necessários para tornar a expansão agrícola economicamente viável. Foi necessário desenvolver fontes locais de calcário e fertilizantes, e estudar as taxas de aplicação economicamente vantajosas para culturas anuais e perenes. A fertilização equilibrada, baseada nas necessidades nutricionais das plantas, levou a maiores rendimentos.

O uso de calcário e fertilizantes minerais foi decisivo para corrigir a acidez, repor nutrientes essenciais (como fósforo, nitrogênio e potássio) e permitir o desenvolvimento de cultivos de alto rendimento. Sem a adubação correta, o salto de produtividade seria impensável. A soja, que hoje rende mais de 3,5 toneladas por hectare, produziria menos de um terço disso. O milho, que alcança 10 a 12 toneladas por hectare nas regiões mais tecnificadas, cairia para menos de 3 toneladas sem reposição de nutrientes. Em outras palavras, fertilizantes não apenas aumentam a produção, mas viabilizam a agricultura tropical.

Os fertilizantes não são apenas instrumentos de produtividade, mas também de eficiência e sustentabilidade, pois aumentam o uso racional da terra, reduzindo a necessidade de abrir novas áreas agrícolas, como também melhoram o balanço de carbono e o uso eficiente da água ao promover plantas mais vigorosas.

Com o crescimento populacional e o papel do Brasil como grande exportador de alimentos, os fertilizantes são essenciais para garantir segurança alimentar global. A experiência brasileira mostra que fertilidade construída é produtividade garantida.

O uso correto de fertilizantes, aliado ao manejo do solo, rotação de culturas e boas práticas agrícolas, é o caminho para uma agricultura produtiva, sustentável e competitiva.
Mais do que insumos, os fertilizantes são instrumentos de transformação de solos pobres em terras férteis e produtivas.

Mas o papel dos fertilizantes vai além da produtividade. Eles são também aliados da sustentabilidade. Ao elevar a eficiência do uso da terra e da água, reduzem a pressão sobre novas áreas de cultivo e contribuem para o equilíbrio ambiental. O uso racional e planejado desses insumos, combinado com boas práticas agrícolas, é uma das formas mais eficazes de conciliar produção e conservação.

Nos últimos anos, a tecnologia dos fertilizantes evoluiu rapidamente. O desenvolvimento de fontes adaptadas aos solos tropicais, capazes de liberar nutrientes de forma mais eficiente e reduzir perdas, tornou-se uma prioridade. Fertilizantes fosfatados especiais, produtos com liberação controlada, adubos organominerais e soluções que incorporam bioinsumos são exemplos de uma nova geração de tecnologias que unem produtividade, economia e sustentabilidade. A agricultura brasileira é, antes de tudo, uma história de superação dos limites da natureza.

Boa parte do território nacional é formada por solos tropicais altamente intemperizados, ácidos e pobres em nutrientes, condições que, à primeira vista, pareciam incompatíveis com uma agricultura de alta produtividade. Mas foi justamente nesse cenário desafiador que o Brasil construiu uma das mais impressionantes trajetórias agrícolas do mundo.

Essa intensificação sustentável é uma das grandes conquistas da agricultura moderna. Produzir mais, em menos espaço, com eficiência e responsabilidade ambiental.
Cada hectare bem nutrido representa não apenas maior produção de alimentos, mas também menos pressão sobre novas áreas, ajudando a preservar florestas e ecossistemas nativos. Fertilizantes não são apenas insumos: são instrumentos de transformação, ciência aplicada à terra, energia que alimenta o ciclo da vida e sustenta o alimento que chega ao nosso prato.

Em solos pobres, a tecnologia fez brotar abundância. E é essa combinação entre conhecimento, manejo e nutrição que continuará guiando o Brasil pelo caminho das altas produtividades com sustentabilidade, produzindo mais, em menos área, e com respeito à natureza.

(*) Valter Casarin, coordenador geral e científico da Nutrientes Para a Vida

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ApexBrasil e Sebrae lançam programa inédito de incubação de startups em Portugal

O lançamento aconteceu no Escritório da ApexBrasil na capital portuguesa durante o Web Summit Lisboa 2025, que reúne quase 400 empresas inovadoras brasileiras no maior evento de tecnologia e inovação_

Da Redação (*) A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), lançou oficialmente, nesta terça-feira (11), o Programa de Incubação de Startups em Portugal, uma iniciativa inédita. O anúncio foi feito pelo presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, e pelo presidente do Sebrae, Décio Lima, no Escritório da ApexBrasil em Lisboa, logo após a cerimônia de abertura do Pavilhão Brasil no Web Summit 2025.

O Programa vai abrir as portas do Escritório da ApexBrasil em Lisboa – inaugurado em 2025 dentro da estratégia de fortalecimento da presença brasileira na Europa -, localizado em região estratégica na capital portuguesa, para dez startups brasileiras desenvolverem, presencialmente, seus projetos de expansão internacional, promoção comercial e atração de investimentos em Portugal e em outros mercados europeus. A primeira turma será iniciada em 2026, com duração de até nove meses.

“Dez empresas vão passar nove meses aqui em Lisboa, no nosso escritório da Apex, buscando se internacionalizar, com uma agenda de trabalho intensa. Ano que vem virão outras dez. Essa é uma grande oportunidade, e nós estamos dando um passo à frente do Web Summit, mostrando que o Brasil é um parceiro global confiável e inovador”, afirmou Jorge Viana durante o lançamento.

As dez startups selecionadas foram escolhidas entre 108 empresas de alto potencial internacional, previamente identificadas pela curadoria do Web Summit e pela plataforma global de inovação Plug and Play, parceira da Agência na seleção. Desse grupo inicial, 30 empresas avançaram para a etapa final, da qual saíram as dez escolhidas para integrar o programa de incubação. O anúncio das selecionadas ocorreu durante a cerimônia de lançamento.

Confira as empresas selecionadas: AIPER, BioTech (SP); Beeviral, MarTech (RJ); Wood Chat, ClimaTech (AC); BioLinker, BioTech (SP); Just Travel, TravelTech (BA); Hope, AgriTech (SP); PixNow, FinTech (SP); SleepUp, HealthTech (SP); SST, DeepTech (SP); e 593iCAN, Indústria (SP).

Durante o lançamento, o presidente do Sebrae, Décio Lima, ressaltou a importância da parceria. “O Sebrae está aqui junto com a Apex porque esse é um mundo que não tem mais volta. Se nós não tivermos um mecanismo de indução, que é o papel do Sebrae, do espírito empreendedor e de preparação para o mercado globalizado, não estaremos cumprindo com responsabilidade a nossa tarefa”, disse.

Abertura do Pavilhão Brasil no Web Summit

O Pavilhão Brasil no Web Summit Lisboa 2025 foi inaugurado por Jorge Viana e Décio Lima no início da tarde. A cerimônia marcou o início das atividades da delegação brasileira no evento que é um dos maiores encontros globais de tecnologia e inovação da Europa. Organizada pela ApexBrasil, Sebrae e outras entidades parceiras, a presença do Brasil no Web Summit 2025 conta com quase 400 startups e empresas inovadoras de todas as regiões do país.

Dirigindo-se à plateia do Pavilhão Brasil, Jorge Viana destacou o papel do país na agenda global de inovação e sustentabilidade. “É muito bom ver o rosto de cada um de vocês aqui. Eu e o Décio viemos direto da COP, que está sendo um sucesso, o Brasil voltou a ser protagonista nesse tema. Cuidar do clima, enfrentar a crise climática e inovar são agendas que caminham juntas. Inovar também é uma forma de ajudar o planeta e a sociedade a viverem melhor, e muitos de vocês estão fazendo exatamente isso”, afirmou.

Viana destacou que a presença brasileira no Web Summit reflete a visão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de recolocar o país no centro das grandes agendas globais. “Essa presença nossa aqui no Web Summit traduz o sentimento que o presidente Lula tem nos pedido: o Brasil de volta ao mundo, se mostrando, dialogando, construindo boas parcerias. Só nós, da Apex, já realizamos 18 encontros empresariais com a participação dele, os últimos na Indonésia e na Malásia, do outro lado do planeta. Tudo isso com o propósito claro de reforçar o papel do Brasil nas agendas internacionais. O Brasil presidiu o G20, preside os BRICS e sedia a COP 30. É muita responsabilidade, mas também uma grande oportunidade para o nosso país”, destacou.

Ao lado de Viana, Décio Lima ressaltou o papel do Brasil como referência mundial em sustentabilidade e desenvolvimento equilibrado. “Vivemos um momento extraordinário. A economia, de forma cartesiana, nos mostra isso: temos deflação, pleno emprego, saímos do mapa da fome. Somos o único país do mundo com seis biomas e, portanto, um exemplo vivo do conceito de sustentabilidade. Somos também o único país com 87% de consumo de energia limpa. Hoje, o Brasil é uma verdadeira escola para salvar o planeta, não apenas pela Amazônia, mas pelo exemplo do que construímos historicamente, com amor e respeito às árvores, à natureza, aos rios e a tudo aquilo que, diferente de muitos lugares do planeta”, destacou.

Décio Lima também destacou o trabalho conjunto entre as instituições brasileiras e o espírito de união que marcou a presença do Brasil no evento. “Quero agradecer aqui toda essa produção que a gente aglutinou com os Sebraes de todo o Brasil, com a Apex, com as entidades empresariais, com as áreas de fomento, com tudo aquilo que nos permite dizer aqui, em Lisboa, uma expressão que é verdadeira: nós somos um abelheiro. Somos a produção da doçura, de um mundo melhor, de uma vida melhor, desse mel com o qual a gente vai tocar a vida, não no futuro, mas já no presente da humanidade”, afirmou.

“Eu estou vibrando com o sucesso de todas as empresas que estão aqui no Web Summit, porque o sucesso de vocês é o nosso sucesso, é o sucesso do nosso querido Brasil”, finalizou Jorge Viana.

Vitrine da inovação nacional

Instalado na MEO Arena, o Pavilhão Brasil é o principal espaço de visibilidade institucional e comercial das startups brasileiras no Web Summit Lisboa 2025. O ambiente reúne painéis, pitch sessions, encontros de negócios, mentorias e ações voltadas à promoção de soluções tecnológicas, à geração de parcerias estratégicas e ao fortalecimento da imagem do Brasil como polo global de inovação, criatividade e sustentabilidade.

Até o dia 13 de novembro, as startups participantes terão oportunidade de apresentar soluções escaláveis e sustentáveis, com alto potencial de internacionalização, em áreas como tecnologia verde, inteligência artificial, saúde digital, agritech, fintech, indústria criativa e sustentabilidade.

Videocast no Pavilhão Brasil

Para ampliar o alcance da participação brasileira no Web Summit Lisboa 2025, estão sendo gravados três episódios do ApexPod em Movimento, videocast da ApexBrasil. As conversas abordam temas como inovação nas diferentes regiões do país, o papel de Portugal como porta de entrada para o mercado europeu e os aprendizados gerados pela presença do Brasil no evento. Os episódios serão transmitidos no canal da ApexBrasil no YouTube.

Seminário de Internacionalização

Nesta segunda-feira (10), a delegação brasileira participou do Seminário de Internacionalização, promovido pela ApexBrasil em parceria com o Sebrae. O encontro antecedeu a abertura do Web Summit Lisboa 2025 e reuniu mais de 500 participantes. Apoios à expansão global, fundos e investimentos em startups, incentivos à inovação em Portugal e estratégias de soft landing para empresas inovadoras brasileiras estiveram entre os temas debatidos.

(*) Com informações da ApexBrasil

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