Cadeias de suprimentos sem chips: impacto da crise do Oriente Médio na saúde

Steve Blough (*)

A escalada de tensão no Oriente Médio é frequentemente analisada pela ótica dos mercados de energia. Mas, por baixo das manchetes, um tipo diferente de disrupção está se desenvolvendo: menos visível, mas potencialmente mais abrangente. Cadeias de suprimentos críticas ligadas a produtos farmacêuticos, fertilizantes e hélio estão sob pressão crescente, evidenciando o quanto os sistemas globais de produção se tornaram interconectados.

Para as empresas americanas, isso não é apenas mais uma ruptura regional. É um lembrete de que a resiliência não se trata mais de gerenciar riscos isolados, mas de compreender como os choques se propagam entre materiais, indústrias e geografias em tempo real.

Comecemos pelos fertilizantes. O Oriente Médio desempenha um papel significativo na produção e exportação de amônia e outros insumos à base de nitrogênio. Qualquer interrupção prolongada gera consequências imediatas para a produção agrícola global. Para os EUA, isso pode se traduzir em custos de insumos mais elevados para os agricultores, margens mais apertadas e, em última instância, pressão de alta sobre os preços dos alimentos.

E esse impacto não se resume apenas à fazenda. A disponibilidade de fertilizantes influencia diretamente a produtividade das lavouras, incluindo itens básicos como a batata. Quando os custos de insumos sobem ou o abastecimento se reduz, os efeitos se propagam até processadores de alimentos e varejistas. Até algo tão comum quanto um pacote de batatas fritas se torna mais caro ou mais difícil de produzir em escala. É um lembrete de que as interrupções na cadeia de suprimentos não são abstratas, elas aparecem em produtos cotidianos nas prateleiras dos supermercados.

As cadeias de suprimentos farmacêuticas enfrentam um desafio diferente, mas igualmente complexo. Muitos ingredientes farmacêuticos ativos (IFAs) e precursores químicos dependem de redes de produção globalmente distribuídas, com nós críticos em regiões agora expostas a riscos geopolíticos. Mesmo uma instabilidade de curto prazo pode atrasar embarques, comprometer cronogramas de produção e criar gargalos que se propagam por todo o sistema de saúde. Em um setor onde a continuidade é fundamental, até pequenos atrasos podem ter consequências desproporcionais.

Em seguida, há o hélio — indiscutivelmente o material menos abordado, mas um dos mais estrategicamente importantes sob pressão no momento. Como uma parcela significativa do fornecimento global está vinculada ao Qatar, qualquer preocupação na região retira uma força estabilizadora fundamental do mercado. Para os EUA, que ainda dependem de importações apesar de serem um grande produtor, isso cria uma vulnerabilidade imediata.

O hélio é essencial em múltiplos setores de alto valor, desde sistemas de ressonância magnética e o setor aeroespacial, até a fabricação de semicondutores. E é nos semicondutores que um impacto mais amplo se torna mais visível. Os chips são a base da economia da inteligência artificial, e a demanda por semicondutores avançados já supera a oferta. Restrinja o hélio e terminará restringindo a produção de chips. Restrinja os chips, e setores inteiros sentirão o impacto.

Nesse sentido, hoje o desafio da cadeia de suprimentos não diz respeito apenas aos microchips. Diz respeito aos chips do dia a dia que os consumidores consideram garantidos. Desde as batatas fritas que são moldadas pelos insumos de fertilizantes até os chips de silício dependentes de hélio, as interrupções na origem se propagam de maneiras complexas e surpreendentemente tangíveis.

O que une tudo isso é um tema comum: a fragmentação. Muitas cadeias de suprimentos ainda operam com visibilidade limitada além de seus fornecedores imediatos, dificultando a antecipação de interrupções ou a resposta dinâmica quando elas ocorrem.

É aqui que uma abordagem mais conectada e inteligente na execução se torna fundamental. As empresas precisam ter a capacidade de enxergar além das redes de suprimentos de múltiplos níveis, compreendendo como as interrupções em uma região ou material afetam as operações downstream e tomando decisões embasadas em tempo real. Não basta reagir após o fato, as organizações precisam ser capazes de criar cenários, reequilibrar o fornecimento e priorizar recursos antes que os problemas escalem.

Por exemplo, em um mercado de hélio restrito, isso pode significar alocar dinamicamente o fornecimento para as linhas de produção mais críticas. No setor farmacêutico, pode envolver o redirecionamento das estratégias de sourcing ou o ajuste dos cronogramas de produção para manter a continuidade. Na agricultura, pode exigir uma coordenação mais estreita entre fornecedores, distribuidores e usuários finais para mitigar o impacto da escassez de fertilizantes.

As empresas que navegarem com mais eficácia nesse ambiente serão aquelas que tratam a execução da cadeia de suprimentos como uma capacidade coordenada e orientada por inteligência, e não como um conjunto de processos desorganizados. Ao conectar dados, decisões e ações nas funções de pedidos, armazenagem e transporte, as organizações podem agir com mais rapidez, se adaptar com antecedência e manter o controle mesmo com a mudança das condições.

A crise no Oriente Médio é um lembrete contundente de que as cadeias de suprimentos não se rompem de forma isolada, elas se desdobram em setores inteiros. Saúde, fertilizantes e hélio podem parecer áreas sem relação à primeira vista, mas estão profundamente conectados pelos sistemas globais que produzem, movimentam e transformam materiais críticos.

Em um mundo onde as interrupções não são mais eventos raros, mas variáveis constantes, a resiliência se resume a uma coisa: a capacidade de permanecer conectado, informado e responsivo no momento que mais importa.

Porque quando as cadeias de suprimentos perdem seus chips — sejam eles de batata ou de silício — as consequências são sentidas em todos os lugares.

(*)  Steve Blough é Chief Supply Chain Strategist na Infios.

 

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A reforma tributária avança; a incerteza se agrava

(*) Ives Gandra da Silva Martins

Sob a promessa de modernização, o Ministério da Fazenda e o Comitê Gestor, recentemente, detalharam as diretrizes da implementação da CBS e do IBS. No entanto, por trás das regras unificadas, o que se vê é a arquitetura de um novo e complexo sistema de tributação sobre o consumo. O governo aposta todas as suas fichas no polêmico split payment — um mecanismo de recolhimento automático que, na prática, transfere a “mordida” do fisco para o exato instante da transação.

Embora o discurso oficial venda a ideia de “simplificação”, a reforma se limita a trocar quatro tributos conhecidos por um sistema dual: a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal). A proposta de separar o imposto no ato da compra visa garantir o caixa do Estado de forma imediata, retirando das empresas a gestão do fluxo de caixa e centralizando ainda mais o controle financeiro nas mãos do governo.

Hoje, o vendedor ainda detém o valor antes do repasse; amanhã, o Estado se servirá primeiro. No papel, a eficiência é garantida; na realidade do contribuinte, o cenário é de um experimento fiscal sem precedentes. Tudo parece simples… mas o tempo (e o bolso do brasileiro) dirá o verdadeiro preço dessa “facilitação”.

Ao abrir mais uma reunião do Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP, que debateu o tema “Soberania fiscal em xeque? Tensões e novos paradigmas tributários”, compartilhei algumas reflexões sobre o assunto que agora trago aos amigos leitores.

Estamos vivendo um momento extremamente complicado no Brasil, em que os Poderes se confundem. Trata-se de um momento de máxima insegurança jurídica, em que escândalos vêm à tona e os Poderes envolvidos se autoprotegem, numa tentativa de ocultar tanto aquilo que se busca conhecer quanto aquilo que está errado.

Tudo isso acompanhado de um novo sistema tributário que já teve sua implementação iniciada com a CBS e, em 2029, terá com o IBS. Trata-se de uma tributação de consumo que amplia o número de artigos referentes ao tema constantes no Código Tributário Nacional (CTN). Na legislação aprovada, estamos com dez vezes mais artigos sobre a tributação do consumo do que aqueles que constam no CTN, além de três vezes mais artigos para a tributação do consumo do que todo o sistema tributário que conseguimos aprovar na Constituição de 1988.

Essa inflação normativa não é apenas um detalhe estatístico; ela representa um aumento real no custo de conformidade para o contribuinte. Durante o longo período de transição, as empresas serão obrigadas a conviver com dois sistemas tributários distintos e paralelos, gerando uma sobrecarga administrativa sem precedentes. Em vez de eliminarmos a burocracia, corremos o risco de institucionalizar um “monstro de duas cabeças” que exigirá investimentos massivos em tecnologia e assessoria jurídica apenas para que o setor produtivo consiga cumprir suas obrigações básicas.

Os idealizadores da pretendida reforma afirmam que essa decuplicação de artigos sobre consumo e a triplicação de artigos constitucionais têm o objetivo de simplificar o sistema tributário. Confesso que minha inteligência é limitada demais para compreender uma simplificação tão complexa quanto a que vem sendo implementada.

É fundamental, porém, que continuemos a fazer o que sempre fizemos no Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP desde sua fundação: debater, refletir e sugerir.

Atualmente, contamos com um grupo de estudiosos integrado por renomados colegas, como os economistas Marcos Cintra e Paulo Rabello de Castro, além de Felipe Silva, diretor da Faculdade Brasileira de Tributação — a única instituição de ensino superior dedicada exclusivamente ao Direito Tributário no Brasil. Sob nossa coordenação, estamos elaborando um livro a respeito da reforma da tributação do consumo, no qual analisaremos as dificuldades que já se manifestam neste início de implementação.

Essas análises, que estamos consolidando em nossa obra, não se limitam a meras críticas teóricas; configuram-se como alertas práticos sobre os gargalos que o texto atual ignora e que, inevitavelmente, uma correção de rumo legislativa. O rigor técnico de renomados especialistas serve aqui como subsídio fundamental para que as falhas de implementação sejam mitigadas antes que se tornem entraves permanentes ao desenvolvimento econômico.

Em todas as nossas ações, devemos observar que, a partir de 2027, teremos um novo Legislativo capaz de promover mudanças significativas no cenário atual, haja vista a renovação de dois terços do Senado Federal. É evidente a percepção de que haverá uma maioria conservadora no Congresso, o que deve favorecer uma reflexão profunda sobre o modo adequado de simplificação do nosso sistema tributário.

Quanto mais nos aprofundamos no estudo da Reforma Tributária — como ocorreu durante a elaboração do livro que lancei em parceria com o advogado e professor Daniel Moretti —, mais as incertezas se multiplicam. Ao dialogar com tributaristas de alto nível e docentes das principais universidades do País, percebo que as dúvidas são inúmeras.

Essa atmosfera de hesitação não é apenas um debate entre acadêmicos; ela se traduz em um impacto severo sobre o investimento produtivo. A incerteza tributária atua como um freio invisível, gerando um ambiente de “esperar para ver” que afasta o capital e adia projetos estratégicos. Sem regras do jogo claras e previsíveis a médio prazo, o investidor retrai-se, o que compromete o crescimento econômico imediato do País e a própria geração de empregos.

Por essa razão, tenho encerrado minhas palestras sobre o novo sistema com uma postura de cautela: quando questionado sobre minha opinião, não respondo “sim” nem “não”; eu respondo “talvez”.

(*) Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

 

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Embraer assina um dos maiores contratos de sua história e vende dez aeronaves C-390 Millennium para os Emirados Árabes Unidos

Objetivo é fortalecer a capacidade operacional de transporte militar

Da Redação (*)

Brasília – A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) assinou contrato com o Tawazun Council for Defence Enablement para a aquisição de dez aeronaves C-390 Millennium e dez opções de compra. O Tawazun Council for Defence Enablement é a entidade nacional responsável por fomentar e regular o ecossistema industrial de defesa e segurança dos Emirados Árabes Unidos (EAU). O objetivo é fortalecer a capacidade operacional de transporte militar do país em colaboração com uma empresa de defesa local

Até o momento, esse marco histórico representa o maior pedido internacional de um único país para o C-390 Millennium e consolida o primeiro sucesso da aeronave no Oriente Médio, ressaltando seu forte alinhamento com os exigentes requisitos das forças aéreas modernas que operam em ambientes complexos”, diz a Embraer.

Contrato abre grandes perspectivas de acesso aos mercados árabes

Segundo a empresa, o contrato foi assinado após extenso processo de análise e avaliação, incluindo abrangente campanha de testes no ambiente operacional dos EAU.

“A Força Aérea e Defesa Aérea selecionou o C-390 Millennium como a aeronave mais adequada para atender aos seus rigorosos requisitos de missão, otimizando, ao mesmo tempo, a eficiência operacional e os custos do ciclo de vida”, diz a empresa em nota.

A Embraer informou ainda que os serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO), juntamente com os de suporte pós-venda para a frota de C-390 Millennium, serão desenvolvidos em colaboração com uma empresa nacional.

“O C-390 Millennium permitirá às Forças Armadas realizar ampla gama de missões, incluindo transporte de carga e tropas, operações de lançamento aéreo, assistência humanitária, evacuação aeromédica, operações em pistas não pavimentadas e total interoperabilidade com as forças nacionais, aliadas e parceiras”, afirma a Embraer.

(*) Cm informações da Embraer

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Brasil e Reino Unido avançam na cooperação em minerais críticos em evento promovido pela ApexBrasil

Evento realizado na sede da ApexBrasil reuniu especialistas, diplomatas e representantes dos dois governos para debater parcerias estratégicas no setor
O Brasil tem ampliado sua atuação no debate global sobre minerais críticos, insumos essenciais para a transição energética e o desenvolvimento de novas tecnologias. Nesse contexto, o país avança na construção de uma política nacional para o setor e busca fortalecer parcerias internacionais.
Foi com esse objetivo que a ApexBrasil sediou, nesta quarta-feira (29), a Mesa Redonda de Especialistas em Minerais Críticos Reino Unido–Brasil, encontro de alto nível que reuniu representantes de governos, setor produtivo, instituições financeiras e centros de pesquisa dos dois países. O evento foi organizado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), em parceria com a Embaixada do Reino Unido, com a ApexBrasil como anfitriã.
Realizado em momento estratégico, o encontro ocorre enquanto o governo brasileiro avança na elaboração da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Em formato reservado e orientado à ação, a iniciativa buscou contribuir tecnicamente para esse processo, promovendo um espaço qualificado de diálogo entre formuladores de políticas públicas e parceiros internacionais.
A mesa-redonda teve como foco o aprofundamento das relações entre Brasil e Reino Unido em temas ligados aos minerais críticos, insumos essenciais para a transição energética global, a segurança energética e a competitividade industrial. O encontro também visou alinhar prioridades e identificar oportunidades de cooperação ao longo de 2026, com ênfase no fortalecimento de cadeias de suprimentos resilientes, sustentáveis e socialmente responsáveis.
Participaram do evento lideranças governamentais, especialistas e representantes do setor privado e financeiro, refletindo o caráter transversal da agenda de minerais críticos. Entre os temas discutidos, destacaram-se as capacidades do Brasil como reservas minerais, processamento, ambiente regulatório e instrumentos de financiamento e as expertises do Reino Unido em áreas como geologia, tecnologias de baterias, inovação e finanças verdes.
Além disso, o encontro buscou mapear desafios e prioridades brasileiras, identificar áreas concretas de colaboração e explorar oportunidades de investimentos e cooperação técnica entre instituições públicas e privadas dos dois países.
Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, a cooperação internacional é fundamental para posicionar o Brasil como protagonista nesse setor. “Este é um assunto relevante que o Brasil está se posicionando como um país que tem soluções e queremos trazer essa indústria para o Brasil para transformar nossos minerais e agregue valor. Fizemos uma discussão com vários especialistas junto com a Cebri e a Embaixada do Reino Unido, colocando a ApexBrasil nesse assunto tão relevante que é minerais críticos, relacionado com energia e o futuro, posicionando a Agência nesse tema tão estratégico.”
A gerente de Investimentos da ApexBrasil, Helena Brandão, destacou que o tema integra uma das agendas prioritárias da Agência na atração de investimentos estrangeiros. “A pauta dos minerais críticos é um dos 24 programas que a ApexBrasil tem de atração de investimentos estrangeiros. Temos avançado no tema com alguns mercados, como o Canadá e União Europeia. Temos muito interesse em progredir mais com o Reino Unido e entender quem são os principais atores, e quais agendas dos nossos gargalos podemos atuar mais fortemente”.
Representando a Embaixada do Reino Unido, a ministra conselheira Sarah Clegg ressaltou o potencial de cooperação bilateral. “Seria ótimo olhar onde temos experiência, onde podemos colaborar em algumas áreas específicas, para realmente levar adiante nossa parceria e ajudar a alcançar nossos objetivos em comum. Assinamos um memorando de entendimento em 2024 entre os Serviços Geológicos do Brasil e do Reino Unido e temos feito um trabalho de mapeamento juntos.”
Com discussões técnicas organizadas em sessões temáticas que abordaram desde geologia e exploração mineral até cadeias produtivas, inovação e economia circular o encontro também teve como objetivo identificar projetos prioritários conjuntos a serem desenvolvidos nos próximos anos.
A iniciativa reforça o papel da ApexBrasil como articuladora de parcerias internacionais estratégicas, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da cadeia de minerais críticos no Brasil e para o avanço da transição energética global.
(*) Com informações da ApexBrasil

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