Logcomex promove a Semana DUIMP 2025 e reúne autoridades e especialistas para discutir o futuro das importações

Evento online e gratuito reunirá autoridades do MAPA e especialistas do setor privado para explicar as mudanças do novo processo de importação

Da Redação –

Brasília –  A Logcomex, empresa líder em tecnologia para o comércio exterior, realizará, nos dias 9, 10 e 11 de dezembro, a Semana DUIMP 2025, evento online e gratuito criado para ajudar o mercado a entender, de forma prática e objetiva, as mudanças trazidas pela Declaração Única de Importação (DUIMP) e pelo Novo Processo de Importação (NPI).

Voltado para importadores, despachantes aduaneiros, agentes de carga e profissionais que atuam diretamente nas operações de comércio exterior, o encontro acontece em um momento decisivo, marcado pelo avanço da modernização aduaneira e pelo calendário de desligamento da LI e da DI.

A edição deste ano reunirá representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) — entre eles Graciane Castro, diretora do Departamento de Serviços Técnicos, e o auditor fiscal Rafael Otoni — além de especialistas do setor privado, como Amanda Pires, head of energy da Interfreight, e o perito em classificação fiscal Roberto Raya. Juntos, os convidados abordarão, com linguagem operacional e foco no dia a dia das empresas, os impactos das novas regras sobre processos, sistemas, responsabilidades e rotinas logísticas.

Eficiência, previsibilidade e competitividade nas importações

“Estamos entrando em uma nova lógica operacional baseada em integração, rastreabilidade e inteligência de dados. O timing é decisivo: quem se preparar agora terá mais eficiência, previsibilidade e competitividade em 2026. Mas as mudanças são complexas, e o mercado ainda tem dúvidas práticas sobre o que muda, quando muda e como se adaptar.” afirma Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex.

Pensando na necessidade de traduzir o novo modelo para a realidade das operações, a programação foi estruturada em três blocos temáticos, cada um dedicado a esclarecer, na prática, o que muda e como transformar a DUIMP em vantagem competitiva.

No primeiro dia, o evento contextualizará o Novo Processo de Importação, explicando o que entra em vigor em 2025, quais etapas deixam de existir e como a DUIMP reorganiza responsabilidades, cruzamento de dados e fluxo documental.

No segundo dia, as atenções se voltam ao tema mais aguardado pelo setor: o calendário de desligamento definitivo da DI e da LI. O encontro abordará impactos diretos nas rotinas de trade compliance, prazos de adaptação, mudanças de sistemas e os riscos operacionais para operações complexas.

No terceiro dia, o foco será estratégico. A programação discutirá como despachantes, consultorias e operadores logísticos podem reposicionar seus serviços diante das novas exigências, ampliando eficiência, segurança e percepção de valor para seus clientes.

Hofstatter destaca que a iniciativa reforça o compromisso da Logcomex com a educação do mercado e com a construção de um ecossistema de comércio exterior mais moderno, conectado e preparado para a nova fase da importação no Brasil. Segundo ele, o propósito central da Semana DUIMP é democratizar o acesso à informação técnica e garantir que profissionais de todos os perfis tenham clareza e segurança para se adaptar às mudanças.

“Ao reunir governo, especialistas e operadores em um único espaço, criamos um ambiente confiável para orientar quem está na linha de frente das operações. É uma oportunidade rara para tirar dúvidas, entender impactos reais e antecipar como será a logística em 2026.” completa.

SERVIÇO — Semana DUIMP 2025

Data: 09, 10 e 11 de dezembro de 2025
Formato: Online, às 14h
Valor: gratuito
Público: Importadores, despachantes, agentes de carga, operadores logísticos, consultores e profissionais ligados ao comércio exterior
Inscrições: Link 

 

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Comércio Exterior: Comissão do Senado propõe estratégia integrada para ampliar presença global do Brasil

Da Redação (*)

Brasília – A Comissão de Relações Exteriores (CRE) apresentou nesta quinta-feira (4) relatório que propõe uma estratégia integrada para fortalecer a inserção internacional do Brasil. O documento reúne recomendações legislativas e administrativas de ações voltadas a ampliar o comércio exterior, modernizar a política industrial e tornar mais competitivo o ambiente regulatório do país.

O relatório foi elaborado pelo Grupo de Trabalho de Comércio Exterior do colegiado, que conta com a colaboração de consultores do Senado e técnicos dos Ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O grupo foi criado por iniciativa do presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), e começou os trabalhos em julho deste ano.

De acordo com Nelsinho Trad, essa foi a primeira vez em que se conseguiu, a partir do Senado, reunir de forma orgânica, estruturada e transversal todos os “fios que compõem esse complexo ecossistema” das relações internacionais. O grupo fez 36 reuniões e recebeu inúmeros estudos, documentos e contribuições de órgãos como Tribunal de Contas da União (TCU), academia e entidades ligadas à iniciativa privada. O objetivo, segundo ele, é ajudar a consolidar no país um ambiente propício à competitividade.

— Faltava um fio condutor único, faltava uma visão integradora que articulasse política comercial, política industrial, logística, inovação, sustentabilidade, regulação e diplomacia econômica. No fundo, faltava uma estratégia nacional coerente capaz de orientar decisões públicas e privadas, rumo à maior competitividade, produtividade e inserção internacional.

Principais eixos

O trabalho estabeleceu três eixos principais: política comercial e industrial; estratégia internacional e acordos comerciais; e logística e infraestrutura para competitividade.

Na visão de Nelsinho Trad, a inserção internacional do Brasil não pode ser tratada como uma política setorial, mas precisa ser parte de uma estratégia nacional integrada que possibilite a abertura comercial gradual, reformas microeconômicas e fortalecimento institucional. Além disso, ele defendeu a modernização logística com inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e previsibilidade regulatória. Essa é uma agenda de Estado, não de governo, frisou.

No entendimento do senador e do grupo de trabalho, o Brasil enfrenta limitações estruturais que minam sua competitividade. A baixa produtividade, a excessiva complexidade regulatória, os custos logísticos e a concentração do transporte em rodovias criam gargalos, reduzem margens de lucro e afastam investimentos, avalia:

— Por isso propomos mecanismos que tornem o ambiente regulatório mais estável, transparente e previsível. Com procedimentos mais ágeis de resolução de conflitos e governança menos vulnerável a ciclos políticos.

O documento ainda insere como medida essencial para a ampliação das relações econômicas e comerciais do Brasil no exterior investimentos para tornar o país, cada vez mais, referência no desenvolvimento sustentável com inclusão social. Entre esses investimentos, estariam atividades como as fontes de energia limpa e a capacidade de produção agrícola “sem paralelos” no resto do mundo. Para ele, falta transformar esse potencial em estratégia.

— O país tem condições de se tornar protagonista global na economia verde, atraindo investimentos, agregando valor a produtos sustentáveis e explorando de forma responsável sua biodiversidade.

Maturidade institucional 

O secretário de Assuntos Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, Philip Fox-Drummond, destacou o esforço coletivo no sentido de contribuir com sugestões que possam alçar o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento e de relações internacionais.

De acordo com ele, o trabalho contou também com contribuições do setor privado e da academia e foi fundamental para o avanço de novos acordos comerciais como o que foi assinado recentemente entre o Mercosul e Singapura e as tratativas adiantas em relação ao acordo do Mercosul com a União Europeia.

— Trata-se de uma iniciativa que reafirma a maturidade institucional do Estado brasileiro ao promover um diálogo estruturado, transparente e produtivo entre o poder Executivo e Legislativo em temas centrais para o desenvolvimento do país.

Para a secretária-adjunta do Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Daniela Ferreira de Matos, as tensões geopolíticas, o aumento crescente de políticas unilaterais, o descuido com regras acordadas multilateralmente e a crise do sistema multilateral exigem que o Brasil esteja cada vez mais preparado para lidar com esses desafios.

Ela reforçou o compromisso do ministério em seguir contribuindo com o Senado no avanço de entendimentos e na construção de soluções para essa pauta.

— Avançamos nas frentes de negociações internacionais, diversificando interlocutores e ampliando o diálogo com parceiros estratégicos na Ásia, Europa, América Latina e outras regiões. Reforçamos nossa participação na Organização Mundial do Comércio [OMC]. Consolidamos avanços importantes na facilitação do comércio: expansão e amadurecimento do Portal Único de Comércio Exterior, com expectativa de entrega desse programa em 2026. A revisão e digitalização dos processos, a integração dos órgãos anuentes, aliados a esforços de coordenação e articulação, além do investimento em tecnologia reduziram prazos, custos e incertas, beneficiando de forma significativa os exportadores brasileiros.

Problemas crônicos

O consultor do Senado Túlio Leal observou que o grupo se formou motivado com a crise tarifária entre Brasil e Estados Unidos, mas que passou a olhar além dessa questão específica e a identificar problemas crônicos que impedem uma maior inserção do Brasil no Comércio Exterior.

— A ideia do GT parte dessa premissa de que o comércio pode ser um indutor de desenvolvimento, um indutor de aperfeiçoamento da nossa economia. Que por meio da integração das cadeias globais de valor, a gente pode trazer mais desenvolvimento, emprego e renda para o nosso país.

De acordo com Artur Lascala, também consultor do Senado, o Brasil está desde a década de 90 estagnado em relação à produtividade. Uma exceção, segundo ele, seria somente os números crescentes na produção agrícola. O que, no seu entendimento, evidencia um país que ainda apresenta um mercado fechado e precisa vencer barreiras para melhorar sua produtividade como melhor formação profissional, harmonização regulamentatória, desoneração de importação de serviços progressivamente e aumentar limites de exportações para as micro e pequenas empresas.

— Isso [mercado fechado, baixa previsibilidade e dificuldades em infraestrutura logística] implica aumento no custo Brasil e prejuízos para a competitividade do Brasil. Então, de certa forma, ampliação de acordos comerciais e diminuição progressiva de barreiras de toda natureza acabam sendo componentes importantes de estratégia de desenvolvimento do Brasil.

(*) Com informações da Agência Senado

 

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Cartel de Caracas: a engrenagem criminosa que sustenta o poder em Caracas

Márcio Coimbra (*)

Sob a perspectiva técnica da inteligência corporativa e da análise de riscos geopolíticos, classificar a Venezuela de Maduro apenas como uma ditadura é um erro de categoria. O que observamos hoje não é uma crise política convencional, mas a consolidação de um “narco-estado de exceção”. A Venezuela deixou de operar sob a lógica de um Estado-nação para funcionar como uma organização criminosa transnacional que representa uma ameaça existencial à segurança hemisférica.

Os indicadores macroeconômicos e sociais descrevem um país em processo de extermínio deliberado. Com uma retração do PIB superior a 80% na última década e a destruição completa do poder de compra pela hiperinflação, o regime instrumentalizou a miséria. A fome não é um acidente de gestão, é uma política de Estado para o controle social. Contudo, o que mantém Maduro no Palácio de Miraflores não é a ideologia, é o terror.

Relatórios da Missão Internacional da ONU documentam, com precisão forense, a arquitetura da repressão: o uso sistemático de tortura, violência e desaparecimentos forçados executados pelo SEBIN e pela DGCIM. O Helicoide, em Caracas, tornou-se o monumento de um sistema onde a dissidência é tratada com choques elétricos e asfixia.

Caracas representa a fusão entre Estado e crime organizado. A Venezuela tornou-se o principal hub logístico para o escoamento de drogas nas Américas. O denominado Cartel de los Soles não é uma máfia que corrompeu o governo, ele é

governo. Altas patentes militares utilizam a infraestrutura estatal — portos, aeroportos e radares — para exportar drogas para os EUA e Europa.

Ainda mais alarmante é a cessão de soberania territorial a grupos terroristas. A presença ativa do ELN, de dissidentes das FARC e de células operacionais ligadas ao Hezbollah e ao Irã transforma a Venezuela em um porto seguro para o terrorismo global e inteligência hostil no continente.

Diante desse cenário, a tese da “solução interna” tornou-se uma ilusão. A sociedade civil está desarmada e desnutrida, a oposição política, encarcerada ou exilada. Uma intervenção externa coordenada deixa de ser uma opção radical e passa a ser a única via pragmática para estancar a sangria. Tratar Maduro não como um chefe de Estado, mas como o líder de uma organização criminosa, é vital. O relaxamento dessa pressão seria um erro de cálculo catastrófico, validando a impunidade de um regime que zomba da diplomacia.

Para além disso, é preciso lembrar que a mera troca de comando, preservando a estrutura militar corrompida, perpetuaria um narco-estado sob fachada democrática. A mudança exige o desmantelamento total do aparelhamento chavista, sob pena de criar uma soberania tutelada pelo crime.

Para o Brasil, a neutralidade diplomática é negligência estratégica. O risco de contágio é iminente. A organização criminosa venezuelana Tren de Aragua já infiltrou suas operações em Roraima e outros estados, estabelecendo alianças táticas com facções locais como o PCC e o CV. Nossas fronteiras são permeáveis ao fluxo de fuzis e drogas que o regime vizinho fomenta. Apoiar uma intervenção internacional robusta e a refundação institucional em Caracas não é ingerência, é uma medida urgente de legítima defesa da soberania e da segurança pública brasileira.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Novembro registra 4ª queda seguida nas exportações aos EUA e Amcham defende necessidade de acordo bilateral

Da Redação (*)

Brasília – O mês de novembro registrou o quarto recuo consecutivo das exportações brasileiras para os Estados Unidos, com queda de 28,1%. Desde a aplicação das tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, em agosto, o desempenho das vendas externas tem sido negativo.

A retração tem sido generalizada, atingindo tanto itens submetidos a sobretaxas quanto produtos não tarifados, como petróleo e celulose. Observa-se, entretanto, que a redução registrada em novembro foi menor do que a de outubro, o que pode sinalizar um início de recuperação após as recentes isenções concedidas a itens relevantes da pauta exportadora agroindustrial.

Ainda assim, sobretaxas de até 50% seguem incidindo sobre mais de 1/3 das exportações brasileiras aos Estados Unidos, contribuindo de forma significativa para o resultado negativo do fluxo bilateral.

“Brasil e Estados Unidos têm intensificado o diálogo em alto nível — um caminho que deve ser aprofundado, com vistas a um acordo bilateral capaz de reduzir as sobretaxas, normalizar as condições de acesso ao mercado americano e aprofundar a cooperação em temas de interesse comum”, avalia Abrão Neto, Presidente da Amcham Brasil.

A Amcham Brasil reforça seu compromisso em colaborar com governos e setor privado na busca de soluções estruturais que fortaleçam a parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos.

(*) Com informações da Amcham Brasil

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Na contramão de Donald Trump, BRICS avançam liquidações em moedas locais, sem intermediação do dólar

Países emergentes fazem câmbio sem ter o dólar como intermediário, uma evolução notável da infraestrutura de pagamentos globais

Da Redação

Brasília – Com sanções econômicas, instabilidade cambial e busca por diversificação financeira, a evolução da infraestrutura de pagamentos transfronteiriços ganha urgência. Países do bloco BRICS estão acelerando a criação de liquidações diretas em moedas locais, ou seja, sem passar pelo dólar como intermediário, movimento apontado no relatório “BRICS Economic Bulletin 2025”, coordenado pelo Banco Central do Brasil.

Essa mudança exige atenção estratégica das organizações que operam no comércio internacional, especialmente em tecnologia, compliance e modelos operacionais. Segundo Ticiana Amorim, fundadora da Aarin Tech‑fin, assistimos a uma virada estrutural. “Quando as liquidações começam a acontecer em moedas locais, o que muda não é só o meio de pagamento, é a lógica de poder nas transações”, afirma.

Ao considerar esse movimento, três vetores ganham evidência:

Eficiência e custo: operar em moedas locais pode reduzir taxas de câmbio, intermediários e tempo de liquidação;

Risco cambial e dependência: empresas que dependem do dólar enfrentam menos flexibilidade e mais vulnerabilidade, e a liquidação em moeda local oferece alternativa;

Infraestrutura e regulação: a interoperabilidade entre sistemas nacionais, adoção de novos mecanismos de mensagens financeiras e alinhamento regulatório são desafios centrais.

Para organizações brasileiras que fazem parte de cadeias globais ou que importam/exportam para países do BRICS, o convite é claro: preparar-se agora. Isso significa revisar sistemas internos de liquidação, avaliar parceiros internacionais em moedas locais, ajustar compliance para novas redes de pagamento e alinhar governança financeira com esse futuro em construção.

“Esse movimento dos BRICS abre espaço para empresas repensarem seus modelos operacionais. Não é uma decisão técnica isolada: envolve governança, relacionamento com parceiros internacionais e novas competências financeiras”, finaliza Ticiana.

 

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“Oscar do comércio exterior brasileiro”: ApexBrasil e Revista Exame reconhecem talento e atuação dos “Melhores dos Negócios Internacionais em 2025

Premiação recebeu 71% a mais de inscrições e reconheceu 19 iniciativas que contribuíram para fortalecer a presença brasileira no mercado global em 18 categorias. Evento ocorreu nesta quarta-feira (3), em São Paulo

Da Redação (*)

Brasília – Numa noite de celebração em São Paulo, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com a Revista Exame, promoveu a cerimônia de entrega do Prêmio ApexBrasil-Revista Exame: Melhores dos Negócios Internacionais 2025. O presidente da Agência, Jorge Viana, recebeu convidados, autoridades, representantes de empresas públicas e privadas no Teatro B32 para o reconhecimento do talento e atuação de iniciativas inovadoras e transformadoras que contribuíram para fortalecer a presença brasileira no mercado global.

Hoje nós vivemos aqui em São Paulo uma espécie do “Oscar” do comércio exterior brasileiro. É o nosso “Oscar” de quem trabalha para exportar e conquistar mercados internacionais. É a segunda edição do Prêmio ApexBrasil – Revista Exame. É um reconhecimento e nós temos de fato, neste momento de festas de final de ano, muito o que celebrar. Jorge Viana, presidente da ApexBrasil

Durante sua fala na abertura, Viana anunciou que a ApexBrasil terá uma sede própria em Brasília-DF, que será inaugurada oficialmente no próximo dia 15 de dezembro. Na ocasião, será celebrada também a marca de 500 novos mercados abertos para os produtos brasileiros entre 2023 e 2025. Viana destacou ainda o aumento do número de empresas atendidas pela Agência em 2025. No ano passado a ApexBrasil atendeu pouco mais de 20 mil empresas e, antes mesmo deste ano terminar, já passou de 21 mil empresas atendidas. “Divido com vocês o sentimento de celebração e meu otimismo diante destes números e dos resultados de todo este trabalho que tem sido feito com a volta da diplomacia presidencial“.

Por sua vez, a diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, destacou que a iniciativa de premiar as empresas que se destacaram ao longo do ano no mercado internacional é um incentivo e uma inspiração para empreendedores e empreendedoras que sonham em atuar no comércio global.

É uma premiação que reconhece as empresas que, ao longo do ano, mais se destacaram no comércio exterior, tanto nas exportações quanto na atração de investimentos. A gente busca os melhores cases justamente para inspirar outras empresas e mostrar que é possível alcançar o mercado internacional, crescer com as exportações e fazer realmente com que a nossa economia se desenvolva. Temos aqui empresas que representam todos os estados brasileiros, diversos setores da economia e em diversos estágios de maturidade da exportação“, afirmou.

Nesta edição do prêmio, o número de inscritos foi 71% maior do que o registrado no ano passado. Para o diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil, Floriano Pesaro, esse aumento mostra o potencial das empresas brasileiras de todos os portes no comércio global e que a tendência é aumentar o número de participantes.  “Foram 352 empresas inscritas e 19 empresas premiadas pela sua capacidade, pela sua diversidade e pela ampliação dos seus mercados“, ressaltou.

De acordo com o diretor de redação da Exame, Lucas Amorim, a revista, hoje multiplataforma, promove o empreendedorismo há mais de 50 anos, quando já abria espaço para empreendedores tirarem dúvidas com especialistas. “É um privilégio ser parceiro da ApexBrasil neste projeto. Espero que seja o segundo ano de muitos que virão pela frente“, disse. Ele lembrou que o empreendedor brasileiro tem a capacidade de abrir caminhos, especialmente em ambientes e momentos complexos. “O empreendedor brasileiro está acostumado a superar desafios com criatividade e levar um jeito brasileiro de se posicionar perante o mundo“, afirmou.

 

Inovação, liderança, diversidade e promoção da sociobiodiversidade em destaque

As 18 categorias contemplaram áreas como inovação, liderança e diversidade, promoção da sociobiodiversidade, entre outras. O troféu entregue aos vencedores foi uma verdadeira obra de arte criada pela artista plástica e escultora Christina Motta, responsável, entre outras obras, pela escultura de bronze da atriz francesa Brigitte Bardot, em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro.

A premiação reconheceu empresas, cooperativas, startups, comerciais exportadoras, entidades setoriais, fundos de participação e sociedades de investimentos que se destacaram em 2025. Além dos prêmios, também foram concedidas duas menções honrosas pela promoção da diversidade racial nos negócios internacionais e pela excelência de concepção e implementação do projeto Lotus 903, premiado pelo Iconis Awards 2025 e German Deisng Awards 2025.

Entre as premiadas está a 100% Amazônia, que conquistou o prêmio de Melhor Exportadora do Ano entre as micro, pequenas e médias empresas. A CEO, Fernanda Carvalho Stefani, disse que esse reconhecimento valida a aposta da empresa na região amazônica não apenas como fontes de matérias-primas, mas como símbolo de um modelo econômico regenerativo e responsável.

“Somos uma empresa de impacto. Agradeço profundamente a Apex por acreditar no nosso propósito e nos apoiar em nossa jornada de internacionalização. Dedico esse prêmio às mulheres que fazem parte da nossa empresa, que construíram a nossa trajetória nas lideranças operatórias”, disse Fernanda, ao receber o troféu.  “Este prêmio é um testemunho do poder da socio biodiversidade amazônica e da bioeconomia do Brasil”, concluiu.

Dona de marcas como Sadia, Perdigão, Qualy, Margarina e entre outras, a BRF Marfrig foi a premiada na categoria de Melhor Exportadora do Ano entre as grandes empresas. Para o fundador da empresa, Marcos Molina, a exportação ajuda o Brasil a ser um grande produtor e a melhorar o seu mercado interno.

Somos cerca de 200 mil colaboradores, 200 mil famílias e exportamos para o mundo inteiro.  É uma honra ser dono de marcas icônicas do Brasil e receber esse prêmio. Quanto mais o Brasil produz, mais mercados se abrem e mais competitivos nós ficamos”, disse ao receber o prêmio.

Além de empresárias e empresários finalistas, o evento também reuniu gestores públicos, especialistas em comércio internacional, investidores e formadores de opinião. Antes da cerimônia de entrega do prêmio, os convidados assistiram ao espetáculo de dança da Companhia de Ballet de Cegos da Associação Fernanda Bianchini. Iniciado em 1995, o projeto ensina ballet e danças a deficientes visuais, como forma de inclusão, socialização e transformação de vidas. A apresentação delicada com jogo de luz e sombras emocionou os convidados.

Veja fotos do evento

Veja as categorias e os premiados

  1. Empresa Exportadora do Ano (Micro, Pequenas ou Médias Empresas) – 100% Amazonia
  2. Empresa Exportadora do Ano (Grandes Empresas) – Marfrig
  3. Promoção da Sociobiodiversidade – Ybyrá Biodesign da Amazônia
  4. Desenvolvimento Regional–  Cooperativa Mista dos Apicultores da Microrregião de Simplício Mendes (Comapi)
  5. Liderança e Diversidade – Plot Kids
  6. Cooperativismo de Pequeno e Médio Porte – Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre)
  7. Cooperativismo de Grande Porte – Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé
  8. Indústria(Micro, Pequenas ou Médias Empresas) – Vasap Design
  9. Indústria (Grandes Empresas)– Intelbras
  10. Comerciais Exportadoras– MasterInt Group
  11. Serviços (Micro, Pequenas ou Médias Empresas) – Capyba
  12. Serviços (Grandes Empresas) – Stefanini Group
  13. Agro (Micro, Pequenas ou Médias Empresas)– Zebuembryo
  14. Agro (Grandes Empresas) – Grupo 3Corações
  15. Promoção Digital– Diagnext
  16. Startup – Twiggy
  17. Investimento Estrangeiro– Engie
  18. Projeto Setorial Agro –União Nacional do Etanol de Milho (Unem)
  19. Projeto Setorial Indústria e Serviços– Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados)
  • Menção honrosa pela promoção da diversidade racial nos negócios internacionais –  InputPost
  • Menção honrosa pela excelência de concepção e implementação do projeto Lotus 903 premiado pelo Iconis Awards 2025 e German Deisng Awards 2025 – Lotus

(*) Com informações da ApexBrasil

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Turismo de compras exige atenção aos limites. Veja os cuidados para não ter problemas com a Receita na volta ao Brasil

Brasileiros gastaram US$ 14,8 bilhões em viagens ao exterior em 2024; saiba como evitar problemas com a Receita Federal ao trazer compras na bagagem

Brasileiros desembolsaram US$ 14,8 bilhões em viagens internacionais durante 2024, o maior volume desde 2019, quando o total atingiu US$ 17,6 bilhões. Os dados foram divulgados pelo Banco Central em janeiro de 2025. Portugal concentra 6,7% da preferência dos viajantes brasileiros no exterior.

Em segundo, terceiro e quarto lugar estão Argentina (5,7%), Paraguai (4,5%) e Estados Unidos (4,3%). Itália, França e Espanha também aparecem entre os dez destinos mais procurados. Os dados são da pesquisa da YouGov divulgada em dezembro de 2024.

Turistas que pesquisam onde ficar em Milão devem considerar, além dos custos de hospedagem, os limites para compras estabelecidos pela Receita Federal. A cidade italiana integra o circuito das principais capitais da moda, sendo um polo de consumo global que atrai muitas pessoas.

A Via Monte Napoleone de Milão ultrapassou Nova York e Londres como a rua de compras mais cara do mundo em 2024. Os aluguéis atingem 20 mil euros por metro quadrado ao ano, segundo a Cushman & Wakefield. A cidade italiana concentra grifes como Prada, Gucci, Armani e Versace no Quadrilátero da Moda, enquanto a Via Torino oferece lojas como Zara e H&M.

A legislação vigente define limites específicos de isenção e estabelece tributação sobre excedentes. Por isso, os viajantes precisam ficar de olho no quanto podem gastar e na quantidade de produtos que irão trazer na mala.

Estar atento às regras permite não só o planejamento financeiro, mas também a definição de um roteiro turístico para aproveitar o tempo de estadia da melhor forma. Para quem procura onde se hospedar em Amsterdam, cidade cosmopolita reconhecida pela herança cultural e a ampla oferta de lazer e entretenimento, estar bem informado ajuda a equilibrar os gastos diante das muitas opções disponíveis.

Limite varia conforme meio de transporte e inclui cota extra para free shop

A Receita Federal fixa em US$ 1 mil a cota de isenção por pessoa para chegadas por via aérea ou marítima. O limite vale desde janeiro de 2022, quando a Portaria ME 15.224/2021 dobrou o valor anterior de US$ 500. Quem entra no país por terra, rio ou lago tem direito a cota de US$ 500.

Turistas podem aproveitar o dinheiro extra em produtos nas lojas free shop: é possível adquirir mais US$ 1 mil em produtos nas lojas duty free do primeiro aeroporto de desembarque no Brasil. Já em free shops de fronteiras terrestres, a cota adicional cai para US$ 500 a cada período de 30 dias.

As isenções têm caráter individual e intransferível. Não se pode somar cotas entre familiares, mesmo entre pais e filhos menores, segundo a Receita Federal. Menores de 18 anos não podem incluir bebidas alcoólicas ou produtos de tabacaria em suas cotas.

A legislação estabelece limites quantitativos que independem da cota financeira. Cada viajante (exceto menores de idade) pode trazer no máximo 12 litros de bebidas alcoólicas, 10 maços de cigarros estrangeiros (200 unidades), 25 charutos ou cigarrilhas e 250 gramas de fumo para cachimbo.

Volumes acima desses limites podem ser aceitos como bagagem se houver comprovação de uso pessoal, sem finalidade comercial, mas não há isenção de tributos sobre as mercadorias excedentes, mesmo que o valor total permaneça dentro da cota de US$ 1 mil.

Produtos alimentícios industrializados e embalados são permitidos, incluindo queijos curados, carnes curadas, embutidos e bacalhau seco em quantidades moderadas, desde que acompanhados de documentação sanitária. A ausência de documentação correta pode resultar em apreensão dos itens e aplicação de multas. Em caso de dúvidas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disponibiliza orientações em seu site.

Ultrapassar limite gera imposto de 50% sobre o excedente

Compras que ultrapassam os limites de isenção ficam sujeitas ao Imposto de Importação. A alíquota atinge 50% sobre o valor que excede a cota permitida. Se o viajante mentir ou esconder informações na declaração, paga uma multa extra de 50% em cima do valor que ultrapassou o limite.

Bens que ultrapassam a cota ficam retidos pela fiscalização até o pagamento do imposto e da multa. O viajante tem prazo de 45 dias para quitar os valores através do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) e retirar os produtos.

A declaração é feita pela internet, no site da Declaração Eletrônica de Bens do Viajante (e-DBV). A Receita Federal anunciou em dezembro de 2024 mudanças que permitem acesso pelo celular e preenchimento antecipado durante o voo de retorno. O sistema aceita login pela conta Gov.br, o que facilita o preenchimento automático de dados pessoais. O preenchimento com informação sobre produtos agropecuários e alimentos é obrigatório.

Turistas ainda devem declarar dinheiro em espécie, nacional ou estrangeiro, acima de R$ 10 mil. Itens fiscalizados pela Vigilância Sanitária, Vigilância Agropecuária e Exército também requerem declaração.

Especialista recomenda controle de gastos e atenção ao câmbio

A fundadora da plataforma Viaja que Passa, Maria Fernanda Moro, defende o planejamento prévio. “Guardar notas fiscais e acompanhar o valor real das compras (incluindo impostos e conversão cambial) ajuda a evitar dores de cabeça no retorno ao Brasil.”

A empresária sugere divisão do orçamento entre espécie para gastos menores e cartão para compras maiores, com atenção às taxas de IOF e câmbio. Sobre o tax free, recomenda guardar todos os comprovantes e reservar tempo extra no aeroporto para procedimentos burocráticos.

Tax free devolve até 17,5% do valor pago em compras na Europa

O sistema de tax free permite a recuperação de até 17,5% dos impostos pagos em compras feitas por turistas na Europa. Os percentuais variam conforme o país: França reembolsa até 12%, Itália até 15%, Espanha até 15,3% e Holanda até 15%.

O processo exige solicitação do formulário na loja no momento da compra, com apresentação do passaporte. No aeroporto, antes do embarque, o viajante valida os documentos na alfândega e procura o guichê de reembolso. O valor retorna em dinheiro na moeda local ou por crédito no cartão.

Janeiro e julho são melhores meses para compras com desconto na Europa

Janeiro e fevereiro concentram liquidações de roupas de outono e inverno na Europa, enquanto julho e agosto marcam o fim da coleção primavera-verão. Produtos de maquiagem de marcas de luxo também entram em promoção nesses períodos.

Lojas de fast fashion como Zara, H&M, Mango, Pull & Bear e Bershka praticam preços mais baixos que no Brasil durante o ano todo. Na Primark, calças jeans custam a partir de 10 euros, tênis até 20 euros e vestidos até 15 euros.

Capitais europeias concentram outlets e brechós com peças de luxo

Outlets europeus oferecem descontos de até 70% em marcas internacionais, reunindo desde grifes de luxo até marcas esportivas em diferentes países do continente.

França e Reino Unido lideram o mercado de outlets. O La Vallée Village, próximo a Paris, reúne mais de cem lojas com marcas como Chanel, Dior, Gucci e Louis Vuitton. No Reino Unido, o Bicester Village, perto de Londres, disponibiliza produtos de Prada, Burberry, Gucci Armani com descontos.

A Itália conta com The Mall próximo à Florença, oferecendo marcas como Gucci, Prada, Valentino e Dolce & Gabbana. Na Espanha, o La Roca Village, perto de Barcelona, comercializa produtos de Adidas, Lacoste, Chanel e Salvatore Ferragamo.

Holanda e Alemanha também se destacam no segmento. O Designer Outlet Roermond, na fronteira entre os dois países, conta com mais de 150 lojas incluindo Prada e Gucci. Na Holanda, o Batavia Stad Fashion Outlet, localizado a 45 minutos de Amsterdam, oferece a mesma faixa de descontos em marcas internacionais.

Além dos outlets, os brechós europeus são uma alternativa para conseguir peças de luxo por um preço acessível. Paris, Londres, Berlim, Milão, Barcelona e Amsterdam concentram lojas de segunda mão com peças vintage e de marcas de luxo.

 

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Recuo no tarifaço de Trump expõe necessidade de diplomacia para defesa de setores que não foram beneficiados, diz especialista

Especialista em comércio exterior, Jackson Campos afirma que fator central na retirada da taxa de 40% foi a pressão do mercado interno americano e que Brasil ainda tem muito a negociar

Da Redação (*)

Brasília – A retirada das tarifas de 40% sobre produtos como carne, café e frutas pelos Estados Unidos animou o mercado exportador brasileiro. Sem distorção dos preços e recuperando a competitividade, diversos produtos já estão retomando o fluxo normal de exportação e reconquistando o mercado americano.

Entretanto, ainda há muito para ser discutido entre os presidentes Lula e Trump, já que outros setores continuam sendo impactados. O prejuízo no mercado interno chegou aos US$3 bilhões segundo um estudo da BMJ Consultoria para o CNI. Os produtos industrializados foram os mais impactados, respondendo a mais de 27% de todas as perdas com o tarifaço.

“Os setores de bens manufaturados e produtos industriais, especialmente partes e peças, componentes, máquinas e itens de maior valor agregado que competem em margens estreitas sofreram muito. Qualquer tarifa compromete a viabilidade econômica da exportação. As relações comerciais que foram afetadas não se restabelecem imediatamente, porque compradores nos EUA podem ter buscado outros fornecedores durante o período de sobretaxa, dificultando essa retomada”, afirma o especialista.

Por mais que o recuo americano tenha ocorrido em um momento onde os países negociam e que a diplomacia brasileira esteja conseguindo abertura para negociar diretamente com Trump, o especialista em comércio exterior, Jackson Campos, explica que o ponto central nessa movimentação foi a pressão interna nos EUA.

“A inflação é um tema central na política dos americanos e ver os preços do café e da carne subirem vertiginosamente não agradou ninguém. Os empresários, público onde boa maioria apoia o republicano, viram essa jogada como um gol contra, porque passou a prejudicar a produção de suas empresas. Claro que a diplomacia brasileira tem sido muito importante, mas a pressão de grupos apoiadores do presidente americano contra essas medidas causou mais impacto imediato para que houvesse mudanças”, explica Campos.

Cautela

Olhando para o mercado nacional, os empresários respiraram aliviados, mas ainda é muito cedo para uma comemoração grande. Sem seguir o padrão de uma negociação comum, o presidente Trump cria uma sensação de bomba-relógio no mercado, podendo anunciar taxas e decisões controversas a qualquer instante.

Campos afirma que não é possível cravar que as tarifas não retornem ou que exista uma nova incerteza na parceria comercial entre EUA e Brasil por conta do comportamento do governo republicano.“

O histórico recente da política comercial americana mostra que decisões tarifárias podem ser revistas com rapidez, dependendo de pressões domésticas e estratégias geopolíticas. Por isso, operadores logísticos, exportadores e indústrias continuam monitorando cada sinal de mudança. O mercado recebe o movimento atual como positivo, mas mantém uma postura de prudência, dado que as negociações ainda estão em andamento e o ambiente não está totalmente estabilizado”, diz.

Ele também afirma que as negociações ainda devem continuar pois outros setores estão sendo sufocados com a perda deste mercado. “A diplomacia brasileira ainda tem muito a fazer, setores como o madeireiro e moveleiro ainda dependem do desenrolar desses encontros e se vem contra a parede. É preciso continuar buscando soluções para os nossos produtos sem permitir que os EUA influenciem a política e o mercado interno brasileiro”, conclui.

 

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Suspensão de tarifas traz alívio ao café, mas estoques baixos mantêm suporte aos preços, diz especialista da Hedgepoint

Relatório da Hedgepoint Global Markets que que, apesar da retirada das tarifas sobre grãos brasileiros, estoques reduzidos e atrasos na colheita do Vietnã podem limitar correções no curto prazo

Da Redação (*)

Brasília – O mercado global de café vive um momento de transição após a suspensão das tarifas adicionais de 40% sobre os grãos brasileiros (exceto café solúvel) anunciada em 20 de novembro. Embora a medida tenha trazido alívio imediato, os baixos estoques certificados e nos destinos, somados a desafios climáticos em importantes origens, indicam que os preços podem manter suporte no curto prazo.

“A decisão dos Estados Unidos de remover as tarifas adicionais inicialmente pressionou os futuros do arábica, que atingiram a menor cotação em dois meses. No entanto, os preços se recuperaram parcialmente nos dias seguintes, sustentados pela escassez de estoques e pela postura cautelosa dos cafeicultores brasileiros, que seguem relutantes em vender volumes significativos da safra 25/26. “Esse comportamento reforça a percepção de que, mesmo com o alívio tarifário, a oferta disponível para exportação continua limitada”, avalia Laleska Moda, analista de café da Hedgepoint.

Estoques de arábica e robusta em queda

De acordo com a analista, “os estoques certificados de arábica permanecem historicamente baixos, fechando a última semana em 406,9 mil sacas, uma queda de 54,96% no acumulado do ano. Os estoques de robusta também caíram, atingindo 755 mil sacas, enquanto a colheita no Vietnã segue atrasada devido às chuvas intensas e tempestades relacionadas ao fenômeno La Niña. Nos destinos, a situação não é diferente: os estoques da União Europeia recuaram para 7,8 milhões de sacas, o menor nível desde maio, e os estoques no Japão também estão abaixo da média histórica”.

Apesar da escassez, a demanda mostra sinais de recuperação. O consumo aparente na UE encerrou a safra 24/25 acima da média de 10 anos e iniciou a temporada 25/26 com força, impulsionado pelo inverno no Hemisfério Norte. Esse cenário, aliado aos baixos estoques, deve sustentar os preços no curto prazo, com suporte para o contrato de março/26 em torno de 350 c/lb. No entanto, 2026 pode trazer correções, à medida que a safra 26/27 do Brasil se desenvolve bem e novos suprimentos do Vietnã e da América Central entram no mercado.

Segundo a analista, a suspensão das tarifas foi um fator positivo para o mercado, mas não resolve o principal desafio. “Os estoques continuam em níveis historicamente baixos. Além disso, atrasos na colheita do Vietnã e a postura cautelosa dos produtores brasileiros devem manter suporte aos preços no curto prazo”, diz Laleska Moda.

(*) Com informações da Hedgepoint Global Markets

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 A indústria 5.0 e o ser humano no centro da tecnologia

Marcos A. do Amaral  (*)

Em um mundo cada vez mais tecnológico, nos vemos em uma situação peculiar onde as soluções que criamos podem eliminar a nossa necessidade de executar tarefas. Em especial na indústria, quanto maior a evolução, mais evidente é a possibilidade de retirarmos o trabalho dos operários humanos. Contudo, apesar deste horizonte parecer algo catastrófico para empregos, uma nova abordagem pode transformar o futuro da indústria para algo novo e colaborativo. Esta iniciativa é a indústria 5.0.

No passado distante, cada produto era feito por um artesão. Este precisava ser generalista e conhecer todos os aspectos de uma manufatura. Se por um ponto de vista isto é bom pela visão holística sobre o produto, torna-se ineficiente pela afinidade com diversas tarefas. Apesar de um bom artesão poder ser bom em todas as etapas, ainda assim ele não seria o mais eficiente em todas elas.

Foi então que Henry Ford trouxe a produção seriada. A partir deste momento, pessoas pararam de ser generalistas no processo para se tornarem especialistas. Cada pessoa era focada em sua etapa do processo e isso se acentuou com os anos. Em paralelo, a revolução industrial mostrou que é possível retirar tarefas do trabalhador.

A partir da primeira revolução industrial, as etapas foram lentamente retiradas dos trabalhadores. Quando nos deparamos com a 4ª revolução industrial, a culminação de todas as tecnologias traz a possibilidade da fabricação se tornar um fenômeno autônomo, sem operários e totalmente baseada em inteligência artificial e máquinas com conexão de rede.

Contudo, mesmo na indústria 4.0, o processo não é completamente retirado dos seres humanos. Ainda existem funções que possuem vantagens em manter pessoas produzindo. Um bom exemplo é a gestão e manutenção do polo produtivo.

Nesta visão, entramos na concepção da indústria 5.0. O conceito então se dá em uma troca de paradigma. Ao invés de lutar para minimizar a ação humana no processo, buscamos uma inversão de valores. Realçar as qualidades da tecnologia enquanto potencializa as qualidades humanas.

Isto se torna possível por uma mudança na abordagem. Os seres humanos têm uma maior capacidade de lidar com imprevistos, com criatividade e com outros seres humanos. Já a tecnologia tem melhor rapidez, repetibilidade e precisão.

A possibilidade de integração nasce da evolução tecnológica que faz com que o ser humano seja inserido em um contexto da produção, com auxílio de inteligência artificial. Exemplos de IAs que interagem com seres humanos e conversam já são comuns e estão nos celulares das pessoas.

Expandindo essa aplicação, empresas têm buscado soluções colaborativas entre humanos e máquinas. Robôs que operam com segurança com seres humanos, IAs que auxiliam em tarefas. O foco passa a ser a experiência humana, tanto do funcionário como da empresa.

Apesar do panorama futuro ser interessante do ponto de vista humano, com interação entre seres humanos e máquinas, ainda existem desafios relativos à utilização de energia e relação com o meio ambiente. Grandes servidores de inteligência artificial possuem um consumo que ainda precisa ser solucionado.

Assim, ao invés de empresas totalmente digitais e sem pessoas, migramos para um ambiente colaborativo baseado em experiência, onde seres humanos utilizarão máquinas para construir uma indústria tecnológica, inclusiva e ao mesmo tempo voltada para o bem-estar.

(*) Prof. Me. Marcos A. do Amaral é docente no curso de Engenharia de Produção da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Atuou na área de certificação e avaliação de produtos, tanto de telecomunicações como de bens de consumo.

 

 

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