Tendências do Comércio Exterior para 2026: especialista indica o que as empresas precisam antecipar

Reconfiguração das rotas globais, avanço do protecionismo e novas exigências de compliance obrigam exportadores e importadores a rever estratégias já no início do ano

Da Redação

Brasília – O recrudescimento das tarifas americanas e europeias, aliado ao redesenho das principais rotas logísticas internacionais, coloca 2026 no centro de um dos maiores desafios do comércio exterior desde a pandemia. A combinação de protecionismo, custos operacionais crescentes e novas barreiras regulatórias pressionam empresas brasileiras a anteciparem ajustes estruturais para continuar competitivas.

Segundo Thiago Oliveira, CEO da Saygo e especialista em operações internacionais, o movimento exige preparação imediata. “As empresas que entrarem em 2026 com a mesma lógica de operação de 2024 e 2025 vão perder margem e previsibilidade. A mudança de rota e de exigências não é tendência, é realidade”, destaca.

Grandes players do comercio internacional reforçam suas estratégias para 2026

As projeções de consultorias de risco e comércio global apontam que Estados Unidos e União Europeia devem ampliar mecanismos de defesa comercial no início de 2026, enquanto Ásia e Oriente Médio reforçam acordos bilaterais para escoar produção e contornar tarifas cruzadas. O Brasil, que depende do fluxo com ambos os blocos, passa a operar em um ambiente mais rígido, no qual eficiência logística, compliance e gestão cambial se tornam fatores críticos.

Oliveira, que atua há mais de duas décadas no comércio exterior e lidera uma holding especializada em câmbio, tecnologia e operações internacionais, destaca que o impacto será sentido especialmente nas empresas que ainda operam com baixa previsibilidade. “Hoje, o erro custa caro. Em um cenário de tarifas adicionais, revisões contratuais e exigências mais técnicas, quem não trabalha com dados, automação e controle de riscos tende a ficar para trás.”

A reorganização das rotas marítimas, intensificada pelos conflitos na região do Mar Vermelho e por gargalos estruturais no Canal do Panamá, deve continuar pressionando fretes e prazos no próximo ano. Relatórios recentes de armadores globais indicam que desvios de rota aumentaram o tempo médio de trânsito em até 23% em 2024 e 2025, tendência que se mantém para 2026.

Essa instabilidade reforça a adoção de plataformas integradas de gestão e análise preditiva, essenciais para reduzir riscos de atraso e evitar multas contratuais. O especialista explica que a previsibilidade operacional se tornou diferencial competitivo. “As empresas que conseguem antecipar gargalos e simular cenários conseguem negociar melhor com fornecedores, ajustar contratos e proteger margem. Isso é impossível sem dados e automação.”

A ampliação das tarifas americanas, que atingem setores como siderurgia, agroindústria e manufaturados deve provocar revisões de contratos, renegociações de preços e redirecionamento de operações para mercados alternativos. Tendências similares ocorrem na Europa, com bloqueios relacionados à rastreabilidade, sustentabilidade e governança.

A diversificação de destinos, já apontada por especialistas como caminho obrigatório, impulsiona a América do Norte (especialmente Canadá), Sudeste Asiático e Oriente Médio como destinos estratégicos para exportadores brasileiros. Empresas que dependem de um único mercado devem ampliar riscos caso não se reposicionem até o primeiro semestre de 2026.

A combinação de protecionismo e exigências ambientais faz com que a conformidade regulatória seja, pela primeira vez, um vetor tão importante quanto preço ou logística. Regras de origem, rastreamento de insumos e histórico fiscal passam a integrar critérios de acesso a mercados, especialmente na União Europeia, movimento que tende a se expandir para outros blocos.

Thiago Oliveira reforça que esse ponto é subestimado por empresas de médio porte. “A maior parte das operações que travam não travam por tarifa, mas por documentação. Uma classificação fiscal errada ou um laudo incompleto pode custar o embarque inteiro. E isso deve se intensificar em 2026.”

Com a expectativa de volatilidade contínua do dólar em 2026, empresas terão de operar com mecanismos de hedge, contratos a termo e projeções integradas ao fluxo de caixa. O objetivo passa a ser estabilidade operacional, não apenas redução pontual de custos.

O especialista defende três movimentos imediatos para enfrentar 2026:

  1. Reestruturar contratos internacionais com cláusulas de flexibilidade cambial e logística.
  2. Mapear mercados alternativos para reduzir exposição a tarifas e riscos geopolíticos.
  3. Digitalizar processos operacionais para diminuir erros, agilizar compliance e aumentar previsibilidade.

Thiago Oliveira sintetiza: “2026 será o ano em que sobreviverá quem se antecipar. Os movimentos globais estão claros. O desafio é tirar da gaveta o planejamento e transformar em execução.”

 

 

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Brasil bate recorde de importação de produtos estrangeiros em 20 anos e China é o principal fornecedor, indica estudo da CNI

Mesmo com a desvalorização do real, em 2024 a participação de produtos estrangeiros no consumo nacional atingiu o maior nível desde 2003; China foi o principal vetor do avanço das importações

Da Redação (*)

Brasília – Mesmo em um ambiente que favoreceria a produção nacional, a presença de produtos importados no consumo interno atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em 2003, segundo a última edição do estudo Coeficientes de Abertura Comercial (CAC), produzido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O estudo é feito em parceria com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) e foi divulgado nesta quinta-feira (18). O aumento do indicador foi puxado pela presença de produtos chineses no consumo dos brasileiros.

O CAC é uma publicação anual que mede o grau de integração da indústria brasileira com o comércio exterior, por meio de quatro coeficientes – dois que avaliam as exportações e dois que medem a participação das importações no mercado brasileiro.

Em destaque no estudo, a participação de bens estrangeiros no dia a dia dos brasileiros é medida pelo coeficiente de penetração das importações, que avançou 2,2 pontos percentuais (p.p.) e passou de 24,5% em 2023 para 26,7% em 2024. O resultado chama atenção porque a forte desvalorização do real tende a encarecer produtos importados, mas ainda assim as importações cresceram 17,3% em 2024, em real e a preços constantes, impulsionadas pela expansão da produção industrial e pelo aquecimento da demanda interna.

Para a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, os dados de 2024 chamam atenção para os desafios de competitividade que a indústria brasileira continua enfrentando. “Os coeficientes funcionam como um sinal de alerta. Na nossa avaliação, esses indicadores mostram que persistem uma série de desafios estruturais para melhorar a competitividade e a qualidade da integração da indústria brasileira no comércio internacional. São desafios que afetam a capacidade da indústria de competir no próprio mercado brasileiro e, ao mesmo tempo, de ganhar escala e espaço nos mercados externos”, afirma.

China amplia presença e tem participação recorde no consumo brasileiro

De acordo com o estudo da CNI, a China foi o principal vetor do avanço das importações brasileiras. A participação de produtos chineses no consumo do Brasil subiu de 7,1% para 9,2% em 2024, um aumento de 2,1 p.p. a preços constantes, atingindo o maior nível da série histórica. O crescimento foi puxado principalmente por setores de maior valor agregado e intensidade tecnológica, como máquinas e equipamentos, máquinas e materiais elétricos e equipamentos de informática e ópticos. O levantamento também destaca a alta presença de produtos têxteis chineses no consumo brasileiro do setor.

Em conjunto, China, União Europeia, Estados Unidos e outros países europeus responderam por 18,7% do consumo aparente da indústria de transformação em 2024, acima dos 16,9% registrados em 2023. Entre as 17 regiões analisadas no estudo, apenas a China ampliou participação, enquanto a UE teve leve retração, influenciada pela menor presença de produtos químicos, farmacêuticos e elétricos.

Dependência de insumos industriais estrangeiros cresce

A dependência externa da indústria brasileira não se limita aos bens finais. O uso de insumos industriais importados também atingiu nível recorde: em 2024, o coeficiente de insumos importados passou de 23% para 25%, o maior da série. As importações de insumos estrangeiros cresceram 16%, em reais a preços constantes, enquanto o consumo de insumos nacionais avançou apenas 4%, evidenciando uma dependência estrutural que persiste mesmo com o câmbio desvalorizado.

Os 20 setores analisados no levantamento registraram aumento no uso de insumos importados. Os maiores avanços ocorreram em máquinas e equipamentos, outros equipamentos de transporte, vestuário e acessórios têxteis.

Produção industrial destinada ao exterior recua

Enquanto as importações ganharam espaço, a importância do mercado externo para a indústria brasileira diminuiu. O coeficiente de exportação, que mede a parcela da produção destinada ao exterior, caiu de 19,3% em 2023 para 18,9% em 2024.

Embora as exportações da indústria de transformação tenham crescido 2,6%, em reais a preços constantes, o avanço foi menor do que a produção, diminuindo o peso relativo das vendas externas. Os EUA permaneceram como principal destino, seguidos pela UE, pela China e pelo Sudeste Asiático, que ultrapassou a Argentina no ranking de destinos da produção industrial do Brasil.

Receita com exportações ainda supera despesa com importação de insumos

Apesar do avanço das importações, o coeficiente de exportações líquidas da indústria de transformação, medido a preços correntes, permaneceu positivo em 2024, com aumento de 9,3% para 9,6%. O indicador mostra que, no agregado, a receita com exportações superou os gastos com insumos industriais importados.

Metade dos setores analisados apresentou resultado positivo, com destaque para celulose e papel, madeira e outros equipamentos de transporte. Por outro lado, setores como equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos e têxteis registraram coeficientes negativos.

(*) Com informações da CNI

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Lula dá ultimato  à UE: dia 20 é a última chance de assinatura do acordo com o Mercosul em sua presidência

Da Redação (*)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta (17), que o acordo entre Mercosul e União Europeia tem uma última chance, no mandato dele, de ser consolidado no próximo sábado (20), em Foz do Iguaçu (PR), durante a Cúpula de Líderes do Mercosul.

“Se não fizer agora, o Brasil não fará mais enquanto eu for presidente”, disse. Lula realizou a última reunião ministerial de 2025, na residência oficial da Granja do Torto, em Brasília.

O presidente afirmou que tem expectativas ainda de uma aprovação do acordo.

“Se disserem não, vamos ser duros daqui pra frente. Nós cedemos a tudo que era possível”, acrescentou o presidente.

O presidente disse que alterou a data da reunião para 20 de dezembro a pedido da União Europeia e que foi informado sobre a dificuldade de aprovar o acordo com o Mercosul em função das pressões internas na França e na Itália.

A União Europeia e o Mercosul completaram as negociações sobre o acordo em dezembro passado, cerca de 25 anos após o início das conversações. Os parlamentos dos países dos dois blocos precisam aprovar o texto, o que pode ter resistências de países como a França, que questionam termos do acordo, especialmente nos termos que tratam de produção agrícola.

Tensão na Venezuela

Na reunião ministerial, sobre o ambiente externo, Lula manifestou preocupação com a elevação das tensões entre Estados Unidos e Venezuela.

“Estou preocupado com as atitudes do presidente (Donald) Trump com relação à América Latina. Nós vamos ter que ficar muito atentos com essa questão”.

Lula reafirmou a necessidade de o Brasil e o continente terem uma “política de paz”, em vista de não haver armas nucleares. “Aqui (no Brasil), nós não temos há 200 anos o hábito da guerra. E é por isso que eu falei com o Presidente Trump: o poder da palavra pode valer mais do que o poder da arma”, considerou.

Ele relatou que conversou com o presidente Trump sobre a disposição em contribuir com uma conversa entre ele e Maduro. “É preciso ter vontade de conversar e paciência”, disse Lula.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Wagner Balera (*)

A propósito do recente e trágico ataque ocorrido na Austrália, que vitimou diversas pessoas — algumas delas fatalmente —, durante a pacífica celebração do Hanukkah, a Festa das Luzes da comunidade judaica, impõem-se algumas reflexões sobre os motivos e as consequências de tal ato.

À falta de definição mais apropriada, e sem entenderem bem o que teria motivado os ataques, aparentemente praticados por pessoas isoladas, os analistas chamaram a atenção para a facilidade com que se adquirem armamentos hoje em dia, fenômeno que ocorre também em nosso país.

É simbólico que a Festa das Luzes seja muito próxima dos festejos de Natal. Também no tempo do Advento as luzes da coroa vão sendo acesas num crescendo até que a Luz do Mundo venha a nascer na noite tão esperada pelos cristãos.

Jesus Cristo não selecionava ninguém. Qualquer pessoa seria bem acolhida por Ele, bastando que professasse o único mandamento propriamente cristão: ama o próximo como a ti mesmo. Aliás, o Cristo ia além e dizia: amai vossos inimigos, o que revela, igualmente, o modelo mais aberto de compreensão da pessoa do próximo.

Na verdade, o fundamentalismo dos terroristas — de todos os matizes — é antissemita, anticristão e antihislamista, porque se vale da inimizade aos valores religiosos para disseminar o ódio, a cultura de morte a que já se referia São João Paulo II.

Trata-se, portanto, do mesmo tipo de fundamentalismo que outros grupos de terroristas praticam para excluir as minorias de todo o tipo, mesmo as que não professem nenhuma crença.

É simbólico que tenha sido Ahmed, o sírio, a desarmar um dos terroristas, o que lhe custou dois ferimentos.

Esses terroristas disparam, inclusive pelos meios de comunicação virtual, contra todos aqueles que não pensam como eles. Eis quem são, em certo sentido, os verdadeiros fundamentalistas do ódio.

Por que teriam escolhido a reunião do Hanukkah, tão plena de simbolismos?

Não nos prendamos  a esse vetor. Basta atentar para os recentes ataques a uma mesquita e a uma feira natalina para que se ponha foco na essência do que está em jogo.

A enorme confusão ideológica e doutrinal do terrorismo revela, antes de tudo, mentes perturbadas, incapazes de discernir entre o bem e o mal. Ou, se quisermos embaralhar ainda mais as cartas, incapazes de discernir a esquerda da direita.

A confusão ideológica, aliás, não é apenas um sintoma de desordem mental, mas a estratégia consciente de aniquilar a pluralidade inerente à condição humana. O extremismo, ao se apropriar de símbolos sagrados e transformá-los em bandeiras de exclusão, trai a própria essência de qualquer fé que pregue a transcendência e o amor ao Criador, pois desumaniza a criatura feita à sua imagem.

Desta forma, o verdadeiro combate ao terrorismo não se limita à repressão policial ou militar, mas passa necessariamente pela defesa intransigente da educação e do diálogo inter-religioso. É a luz da razão e da tolerância que deve ser acesa para dissipar a escuridão do fanatismo, provando que a diferença de crença jamais pode ser motivo para a guerra, mas sim o motor para um enriquecimento mútuo da civilização.

Urge que os homens de boa vontade se ergam, em uníssono, em favor de uma cultura de paz e de liberdade religiosa, e que todas as luzes se acendam em alerta contra toda e qualquer manifestação terrorista.

(*) Wagner Balera é professor titular de Direitos Humanos e integra o corpo editorial da Revista de Direitos Humanos da PUC-SP.

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Terrorismo e religiosidade

Wagner Balera (*)

A propósito do recente e trágico ataque ocorrido na Austrália, que vitimou diversas pessoas — algumas delas fatalmente —, durante a pacífica celebração do Hanukkah, a Festa das Luzes da comunidade judaica, impõem-se algumas reflexões sobre os motivos e as consequências de tal ato.

À falta de definição mais apropriada, e sem entenderem bem o que teria motivado os ataques, aparentemente praticados por pessoas isoladas, os analistas chamaram a atenção para a facilidade com que se adquirem armamentos hoje em dia, fenômeno que ocorre também em nosso país.

É simbólico que a Festa das Luzes seja muito próxima dos festejos de Natal. Também no tempo do Advento as luzes da coroa vão sendo acesas num crescendo até que a Luz do Mundo venha a nascer na noite tão esperada pelos cristãos.

Jesus Cristo não selecionava ninguém. Qualquer pessoa seria bem acolhida por Ele, bastando que professasse o único mandamento propriamente cristão: ama o próximo como a ti mesmo. Aliás, o Cristo ia além e dizia: amai vossos inimigos, o que revela, igualmente, o modelo mais aberto de compreensão da pessoa do próximo.

Na verdade, o fundamentalismo dos terroristas — de todos os matizes — é antissemita, anticristão e antihislamista, porque se vale da inimizade aos valores religiosos para disseminar o ódio, a cultura de morte a que já se referia São João Paulo II.

Trata-se, portanto, do mesmo tipo de fundamentalismo que outros grupos de terroristas praticam para excluir as minorias de todo o tipo, mesmo as que não professem nenhuma crença.

É simbólico que tenha sido Ahmed, o sírio, a desarmar um dos terroristas, o que lhe custou dois ferimentos.

Esses terroristas disparam, inclusive pelos meios de comunicação virtual, contra todos aqueles que não pensam como eles. Eis quem são, em certo sentido, os verdadeiros fundamentalistas do ódio.

Por que teriam escolhido a reunião do Hanukkah, tão plena de simbolismos?

Não nos prendamos  a esse vetor. Basta atentar para os recentes ataques a uma mesquita e a uma feira natalina para que se ponha foco na essência do que está em jogo.
A enorme confusão ideológica e doutrinal do terrorismo revela, antes de tudo, mentes perturbadas, incapazes de discernir entre o bem e o mal. Ou, se quisermos embaralhar ainda mais as cartas, incapazes de discernir a esquerda da direita.

A confusão ideológica, aliás, não é apenas um sintoma de desordem mental, mas a estratégia consciente de aniquilar a pluralidade inerente à condição humana. O extremismo, ao se apropriar de símbolos sagrados e transformá-los em bandeiras de exclusão, trai a própria essência de qualquer fé que pregue a transcendência e o amor ao Criador, pois desumaniza a criatura feita à sua imagem.Desta forma, o verdadeiro combate ao terrorismo não se limita à repressão policial ou militar, mas passa necessariamente pela defesa intransigente da educação

e do diálogo inter-religioso. É a luz da razão e da tolerância que deve ser acesa para dissipar a escuridão do fanatismo, provando que a diferença de crença jamais pode ser motivo para a guerra, mas sim o motor para um enriquecimento mútuo da civilização.

Urge que os homens de boa vontade se ergam, em uníssono, em favor de uma cultura de paz e de liberdade religiosa, e que todas as luzes se acendam em alerta contra toda e qualquer manifestação terrorista.

(*) Wagner Balera é professor titular de Direitos Humanos e integra o corpo editorial da Revista de Direitos Humanos da PUC-SP.

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O futuro da manufatura em 2026: entre a hiperautomação e a responsabilidade

Angela Gheller (*)

O ano de 2026 desponta no horizonte como um marco para a manufatura brasileira. O que antes víamos como tendências da indústria, agora se consolidam como pilares estratégicos para a competitividade e a resiliência do setor. A transformação digital, antes vista como meta, hoje é a base indispensável da nova indústria, agora impulsionada por inteligência artificial, novos modelos de negócio e uma consciência socioambiental cada vez mais presente.

Na minha visão, o primeiro ponto a ser observado é a maturidade da digitalização. Dados recentes, como os apresentados pelo Índice de Produtividade Tecnológica (IPT) de Manufatura, mostram que, embora muitas empresas tenham iniciado sua jornada, ainda existe um abismo entre a automação básica e uma operação verdadeiramente inteligente e conectada. Em 2026, a pressão competitiva não permitirá mais que as indústrias permaneçam nos estágios iniciais.

A meta será alcançar uma maturidade que integre o chão de fábrica (MES) ao sistema de gestão (ERP) de forma fluida, gerando dados que não apenas informem, mas que alimentem sistemas de decisão autônomos. A lição de casa de organizar e digitalizar processos será pré-requisito para qualquer avanço.

É aqui que a inteligência artificial, com destaque para os Agentes autônomos, entram em cena de forma disruptiva. Se até agora falamos muito sobre IA para análise preditiva, usando dados para antecipar cenários, no próximo ano a conversa será sobre execução efetiva de tarefas. Agentes de IA integrados aos sistemas de gestão ajudarão gestores a otimizar a produção em tempo real, não apenas sugerindo ajustes de máquina ou remanejamento de insumos, mas executando atividades de forma autônoma, a partir de parâmetros pré-estabelecidos: um Agente poderá, por exemplo, renegociar uma entrega com um fornecedor ao prever um possível atraso, ou ajustar dinamicamente o preço de um produto em um portal B2B com base na demanda e no estoque, tudo de maneira independente.

Essa evolução tecnológica pavimenta o caminho para a consolidação definitiva do e-commerce B2B (business to business) e B2C (business to consumer) na manufatura. O modelo de vendas tradicional, com representantes comerciais e catálogos físicos, cada vez mais dá lugar a plataformas digitais que oferecem uma experiência de compra personalizada e sem fricção para os compradores. Para a indústria, isso significa não apenas um novo canal de vendas, mas uma fonte riquíssima de dados sobre o comportamento do cliente lá na ponta, permitindo uma previsão de demanda mais precisa e uma produção mais alinhada às necessidades do mercado.

Paralelamente a esses avanços, o ambiente de negócios no Brasil trará um desafio estrutural: a Reforma Tributária. Em 2026, com a transição para o novo sistema de IVA dual (IBS e CBS) em andamento, a conformidade fiscal será mais complexa do que nunca. A grande virada de chave para a manufatura será entender que a gestão tributária não se limita mais às suas próprias operações.

Será mandatório ter uma visão completa e sistêmica da cadeia de suprimentos, garantindo que todos os seus fornecedores também estejam em conformidade. A tecnologia, especialmente um ERP robusto e atualizado, será a única forma de gerenciar o volume de dados e as novas obrigações, evitando perdas de crédito e garantindo a saúde financeira do negócio.

Por fim, a agenda ESG tende cada vez mais a ser uma prática mensurável e auditável. A pressão do mercado externo, de investidores e de consumidores colocará a sustentabilidade no centro da estratégia. Ferramentas que permitem a gestão e o reporte de indicadores ESG, que auxiliam no cálculo da pegada de carbono ou no diagnóstico de práticas de diversidade e inclusão, serão cada vez mais essenciais e presentes no dia a dia da indústria. A manufatura de sucesso será aquela que não apenas produz com eficiência, mas que também demonstra, com dados, seu impacto positivo na cadeia, na sociedade e no meio ambiente.

Em suma, o futuro da manufatura será das empresas que conseguirem orquestrar essas cinco tendências da indústria de forma harmoniosa, construindo uma operação que seja, ao mesmo tempo, inteligente, automatizada, centrada no cliente, fiscalmente responsável e genuinamente sustentável. O desafio é grande, mas as oportunidades são ainda maiores.

(*) Angela Gheller, diretora de produtos para Manufatura da TOTVS

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Empresas brasileiras projetam expansão dos negócios nos EUA em 2026 com previsão de flexibilização tarifária

Debates bilaterais reacendem análises sobre custos logísticos, regras fiscais estaduais e modelos de expansão para negócios que buscam receita em dólar

Da Redação (*)

Brasília – As negociações retomadas entre Brasil e Estados Unidos sobre possíveis ajustes tarifários voltaram a movimentar empresários que observam o mercado americano como destino estratégico para 2026. Relatórios recentes da OCDE mostram que Estados Unidos, Brasil e Reino Unido lideraram o fluxo global de investimento estrangeiro direto no primeiro semestre de 2025, consolidando o peso da economia americana no cenário internacional de negócios.

No recorte bilateral, dados do SelectUSA registram estoque aproximado de US$ 31,8 bilhões em investimentos brasileiros nos Estados Unidos em 2023, volume impulsionado sobretudo por pequenas e médias empresas.

Para Fernanda Spanner, International Business Advisor e CEO da Spanner Consulting Group, o tema exige planejamento técnico e visão preventiva. Fernanda acumula mais de duas décadas de experiência em contabilidade internacional e planejamento tributário, lidera cinco escritórios nos Estados Unidos e possui credencial de Enrolled Agent licenciada pelo Internal Revenue Service, que permite atuação fiscal federal em todo o território americano.

A expectativa de flexibilização tarifária reacende discussões sobre custos operacionais, formação de preços, competitividade e modelos societários adequados para empresas brasileiras que exportam, prestam serviços transnacionais ou pretendem abrir unidades no exterior.

Segundo a especialista, eventuais mudanças tarifárias podem influenciar tanto as margens quanto a forma de estruturar empresas e operar internacionalmente. Ela afirma que a redução de tarifas não se limita ao impacto imediato no preço final, pois afeta a cadeia de custos, a necessidade de revisar contratos internacionais e a escolha da melhor estrutura jurídica diante das diferenças regulatórias entre os estados americanos.

Força das pequenas empresas na economia americana

Levantamentos do Census Bureau e da Small Business Administration mostram que os Estados Unidos contam com cerca de 33,3 milhões de pequenos negócios que empregam parcela significativa da força de trabalho formal. O ambiente competitivo e a presença crescente de empresas estrangeiras exigem que negócios brasileiros considerem não apenas tributação, mas também seguros obrigatórios, regras de licenciamento, exigências de compliance e adequação documental.

Os setores mais sensíveis às tarifas incluem tecnologia, manufatura especializada, alimentos premium, cosméticos e serviços profissionais que participam de cadeias globais de valor. Nos cenários analisados por especialistas, alterações tarifárias podem aumentar a viabilidade de produtos brasileiros nos Estados Unidos, mas também reforçam a necessidade de simular impactos fiscais federais e estaduais, revisar a estrutura societária e avaliar riscos jurídicos antes da expansão.

Para empresas que planejam internacionalizar em 2026, o conjunto de recomendações inclui iniciar ainda em 2025 um diagnóstico detalhado das operações, exportações, estrutura de custos e exposição cambial, além de revisar modelos contratuais e mapear exigências específicas do setor e do estado americano de interesse. A partir dessas informações, é possível construir projeções mais sólidas de investimento, margens e viabilidade.

Na avaliação de Fernanda, as oportunidades tendem a beneficiar negócios que chegam ao mercado americano com governança e planejamento tributário organizados. Ela afirma que gerar receita em dólar amplia a escala e a previsibilidade financeira, mas depende de uma preparação técnica consistente. Para a especialista, um eventual ambiente tarifário mais favorável não substitui a necessidade de planejamento antecipado, e 2026 tende a ser mais positivo para empresas que iniciarem a reorganização estrutural ainda em 2025.

(*) Com informações da Spanner Consulting Group

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Em reunião no Itamaraty, presidente da CNI debate sobre novas isenções no tarifaço imposto aos produtos brasileiros

Da Redação (*)

Brasília – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para discutir os próximos passos da negociação em torno do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. No encontro, na tarde de segunda-feira (15), a indústria reforçou o apoio à nova fase de negociações e defendeu a ampliação da lista de bens atualmente exportados ao mercado americano com isenção da tarifa adicional de 40%, além da inclusão de outros setores que ainda não foram contemplados.

Para o presidente da CNI, o encontro foi produtivo e enfatizou o compromisso do governo brasileiro em avançar nas negociações com os EUA. O diálogo, segundo ele, tem sido conduzido sem a priorização de setores específicos, com foco no fortalecimento do setor produtivo como um todo e na preservação da competitividade da indústria nacional no mercado internacional. “Estão otimistas de que possamos concluir isso num processo de tempo razoável”, disse Alban.

“A CNI tem construído, ao longo desse período, vários documentos técnicos para o MDIC e para o Ministério das Relações Exteriores. Temos conversado com nossas consultorias nos Estados Unidos e com as empresas brasileiras que ainda sofrem no caso de bens de capital, no caso de máquinas de equipamento, de calçados e tantos outros que começam a se preocupar”, afirmou o presidente.

(*) Com informações da CNI

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Voo Shanghai-Buenos Aires,  rota mais longa do mundo, celebra primeira semana com alta taxa de ocupação

A rota “Shanghai-Auckland-Buenos Aires”, operada pela China Eastern Airlines, não só estabeleceu um recorde como a rota aérea comercial mais longa do mundo, mas também, como uma ponte aérea que liga o Hemisfério Sul e o Leste Asiático, está abrindo um grande potencial para o intercâmbio de pessoas, comércio e cultura.

Da Redação (*)

Brasília – Nas primeiras horas da sexta-feira (12), o terceiro voo direto de ida e volta ligando a China à Argentina partiu de Buenos Aires, capital argentina, com destino ao Aeroporto Internacional de Shanghai Pudong, marcando a conclusão bem-sucedida da primeira semana de operações desta “rota sul” que atravessa três continentes e cobre aproximadamente 20.000 quilômetros.

O terceiro voo reflete a execução impecável da nova rota e a demonstração inicial do seu potencial de mercado. A rota “Shanghai-Auckland-Buenos Aires”, operada pela China Eastern Airlines, não só estabeleceu um recorde como a rota aérea comercial mais longa do mundo, mas também, como uma ponte aérea que liga o Hemisfério Sul ao Leste Asiático, está abrindo um grande potencial para o intercâmbio de pessoas, comércio e cultura.

DA NOVIDADE À NORMALIDADE

Nas primeiras horas de 4 de dezembro, uma aeronave da China Eastern Airlines partiu do Aeroporto Internacional de Pudong, em Shanghai, e, após uma escala em Auckland, na Nova Zelândia, seguiu viagem para Buenos Aires, marcando o lançamento oficial da rota direta. Isso preencheu a lacuna histórica de voos diretos entre Shanghai e as principais cidades da América do Sul, inaugurando um “corredor sul” através do Oceano Pacífico.

Devido à distância extremamente longa e às limitações de desempenho das aeronaves, era praticamente impossível voar diretamente da China para a América do Sul, o que exigia múltiplas escalas. A nova rota encurta significativamente a viagem, que antes levava quase 30 horas, reduzindo o tempo total de deslocamento e minimizando o impacto do jet lag causado pelas repetidas conexões.

A alta taxa de ocupação de 96% do voo inaugural mostrou um forte entusiasmo do mercado. No terceiro voo, esse entusiasmo começou a mudar de “novidade” para um planejamento mais pragmático de viagens e negócios.

Liu Yanan, assistente do gerente-geral de receita de rede do Departamento de Marketing da China Eastern Airlines, observou que houve recentemente um aumento notável nas consultas de empresários sul-americanos que buscam viajar para a China por meio dessa rota para estudar o mercado ou participar de feiras comerciais.

A nova conexão não apenas encurta a distância geográfica, mas também reduz a distância psicológica e os custos de oportunidade, promovendo intercâmbios interpessoais e interações comerciais entre os dois países e entre a China e toda a região da América do Sul.

DO PRESENTE INAUGURAL AO FLUXO CONSTANTE

Fu Damao, vice-gerente-geral da divisão de cadeia de frio da China Eastern Airlines Logistics, disse que o primeiro voo de retorno transportou 2,1 toneladas de cerejas argentinas e 10,5 toneladas de salmão fresco chileno no compartimento de carga da aeronave de passageiros. Esses produtos sul-americanos de alta qualidade foram recebidos com empolgação pelos internautas chineses como um “presente inaugural” trazido pelo voo direto.

Os dados operacionais mais recentes mostram que o volume de carga do segundo voo de ida aumentou 76,6% em comparação com o voo inaugural, com crescimento significativo em produtos de comércio eletrônico e instrumentos de precisão. O segundo e o terceiro voos de retorno continuaram transportando de forma constante produtos frescos de alta qualidade da América do Sul.

Para Hernan De Bellis, CEO da Extraberries, o estabelecimento de uma rota aérea direta é uma mudança fundamental para as cerejas, cujo valor depende muito do frescor e do acesso adequado a mercados altamente competitivos como a China.

“Isso é muito positivo, principalmente porque nosso principal atributo é o frescor da fruta, e ter um voo direto que preserve da melhor forma a qualidade, o sabor e a aparência das cerejas são diferenciais que a Extraberries busca constantemente para oferecer um produto melhor ao consumidor”, disse De Bellis à Xinhua em entrevista.

Com a rota direta Shanghai-Buenos Aires operando, a Extraberries identificou novas oportunidades de crescimento ao planejar novos modelos de distribuição para varejo, plataformas de e-commerce e clientes que exigem entregas rápidas e entregas finais precisas.

“Para a Extraberries, a oportunidade se abre para o fornecimento a varejistas, comércio eletrônico e diversos clientes que precisam ter a logística de entrega final garantida em termos de prazos, além de manter o frescor das frutas”, disse De Bellis.

De Bellis acrescentou que, graças aos novos voos, muitas empresas argentinas veem Shanghai como um centro logístico para entrar em todo o mercado asiático, facilitando assim a expansão para mercados que antes eram quase inacessíveis para as empresas argentinas.

Fu disse que a drástica redução no tempo de voo e o modelo “um avião para todo o trajeto” reduzem efetivamente o risco de danos à carga e melhoram a confiabilidade da cadeia de suprimentos. Ele acredita que a importância da nova rota está em fornecer uma solução logística estável, eficiente e com bom custo-benefício.

Espera-se que essa rota transporte com segurança entre 80 e 100 toneladas de produtos sul-americanos de qualidade para a China mensalmente, disse Fu.

DA CONECTIVIDADE À SINERGIA MULTISSETORIAL

A abertura da rota não é o objetivo final, mas o ponto de partida para uma cooperação mais abrangente. A China Eastern Airlines assinou um acordo com a Argentine Airlines para cooperar em mais de 50 rotas por meio de compartilhamento de códigos e outras modalidades, expandindo ainda mais sua rede global.

O voo MU745 da China Eastern Airlines, a primeira rota aérea direta entre a China e a Argentina, passa por jatos de água no Aeroporto Internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, Argentina, em 4 de dezembro de 2025. (Xinhua/Zhang Duo)

Profissionais dos setores de turismo chinês e argentino disseram que a nova rota proporcionará um suporte mais eficiente para intercâmbios relacionados a eventos esportivos, fóruns acadêmicos e promoções turísticas, o que poderá gerar um “efeito combinado”. A cooperação em diversas áreas, como comércio, turismo, cultura, esportes e exposições, deverá gerar esse efeito.

Celeste Toricez e Feng Ziqian, especialistas em turismo China-Argentina, colaboram com agências locais para oferecer viagens e experiências diferenciadas, como jantares com apresentações de tango e passeios alternativos além dos circuitos tradicionais da Argentina, um segmento fortalecido pela nova conectividade.

“A baixa temporada no Hemisfério Norte é uma vantagem para atrair turistas chineses com alto poder aquisitivo que buscam destinos únicos; a Argentina, por ser um destino longe, vira um local atraente para esses viajantes, e nós fornecemos informações essenciais para que a experiência deles seja segura e enriquecedora”, disseram à Xinhua.

Da empolgação em torno do voo inaugural à chegada tranquila do terceiro, a rota comercial mais longa do mundo agora faz parte da rede global de aviação e do sistema de comércio internacional.

Liu disse que a rota não é só um atalho que economiza algumas horas de voo, mas uma ponte que promove o intercâmbio interpessoal, a cooperação comercial e o aprendizado mútuo. Conforme a frequência de voos aumenta e a cooperação se aprofunda, espera-se que essa “ponte aérea” que atravessa o Sul Global continue abrindo seu potencial de interconectividade.

(*) Com informações da Agência Xinhua

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Lula destaca abertura de 500 mercados internacionais para agropecuária e destaca exportações de US$ 3,4 bilhões

Segundo o presidente, negócios resultaram em US$ 3,4 bi em exportações

Da Redação (*)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (15), que o trabalho coletivo do governo e a qualidade da produção nacional são os responsáveis pela abertura de mais de 500 mercados internacionais para produtos agropecuários brasileiros entre 2023 e 2025. “O acerto das coisas que estão acontecendo no Brasil se deve ao aprendizado que nós tivemos ao longo de muitos anos”, disse.

Lula participou, em Brasília, da inauguração da sede própria da ApexBrasil, a agência de promoção comercial do país no exterior. O evento também celebra a abertura dos 500 novos mercados fora do Brasil, que já resultam em US$ 3,4 bilhões em exportações.

Esse trabalho de expansão comercial é liderado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com participação da ApexBrasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e em articulação com o setor privado.

“O que acontece no Brasil hoje: a gente produz para atender o mercado interno e a gente produz tão bem que a gente consegue atender as necessidades do mercado externo. Essa é a coisa mais perfeita que poderia acontecer”, destacou Lula.

O presidente elogiou o trabalho dos ministros e de autoridades envolvidas na internacionalização do Brasil e contou que quer expandir mais. No próximo ano, por exemplo, ele participa da Feira de Hannover, na Alemanha, um dos principais eventos de inovação e tecnologia industrial do mundo. Para Lula, a indústria nacional já é competitiva e tem identidade própria.

“Nós já não precisamos do que eles precisam. Agora, quem tem que falar isso somos nós. Então, nessa feira, a gente vai ver se leva a maior quantidade de empresário que nós já levamos, porque chega do Brasil se apresentar como se fosse um coitadinho”, afirmou.

Lula ainda viaja para a Coreia do Sul, onde quer explorar parcerias no setor de cosméticos, e para a Índia, onde, segundo ele, há potencial nas áreas de defesa, de fármacos e de tecnologias agrícolas.

Abertura de 500 novos mercados: feito histórico da diplomacia

Os 500 mercados abertos em mais de 80 países têm potencial de exportação de mais de US$ 37,5 bilhões por ano, de acordo com estimativas do Mapa. Cada país pode ter vários mercados para diferentes tipos de produtos. Entre os itens habilitados nesses novos mercados, os destaques são carnes, algodão, frutas e pescados.

Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o “feito histórico” de expansão comercial é resultado da boa diplomacia brasileira e da capacidade de produção do país. Ele ainda lembrou que, em 2025, o Brasil recebeu a certificação de país livre de febre aftosa.

“Por 72 anos, o Brasil lutou contra essa doença. E o mundo agora reconhece a sanidade dos produtos brasileiros, capacidade de produzir cada vez mais com garantia das qualidades. Para isso, para ganhar força de trabalho, saímos de 29 adidos [representante do país no exterior] para 40 novos adidos percorrendo os países, interagindo com os empresários. Enfim, uma força tarefa sempre precedente”, afirmou.

Segundo Fávaro, os 500 novos mercados, gradativamente, se transformarão em novos negócios. “O empresário do outro lado compra um produto, faz o primeiro container, vê que o produto é bom, vê que chega na hora certa, que tem demanda e o Brasil aguenta suprir essa demanda, ele vai ampliar. O fruto desses 500 mercados, o Brasil vai entender nos próximos anos, a odisseia e a grande oportunidade”, acrescentou.

Promoção comercial

De acordo com a ApexBrasil, entre 2023 e 2025, o esforço conjunto entre a agência, o  Mapa e MRE resultou em mais de 170 ações internacionais em 42 países, alcançando US$ 18 bilhões em negócios projetados e atendendo mais de três mil empresas brasileiras. Neste período, foram realizadas 19 missões oficiais presidenciais e 5 vice-presidenciais.

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, contou ainda a importância da parceria com o setor privado.

“A ApexBrasil tem 52 convênios com 52 setores da economia do Brasil [para participação em eventos no exterior]. Convênios meio a meio, a Apex põe a metade do dinheiro e as organizações põe a metade do dinheiro. Para quê? Para o Brasil estar presente no mundo inteiro. São mil eventos por ano”, disse.

Criada oficialmente em 2003, no primeiro mandato do presidente Lula, até outubro de 2025, a ApexBrasil registrou 20.754 empresas apoiadas no ano, sendo 66% delas de micro, pequenas e médias, com foco especial nas regiões Norte e Nordeste, dentro de uma estratégia de descentralização das ações de promoção comercial.

O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, contou que o Brasil deve bater o recorde de exportação neste ano. “Mesmo com o mundo crescendo menos e preço menor, nós devemos bater um recorde de US$ 345 bilhões de exportação, e US$ 629 bilhões de corrente de comércio. Até o panetone aumentou a exportação, aumentou 4% da exportação de panetone esse ano”, disse.

“Não há país do mundo que tenha um crescimento mais forte e sustentável que não se abriu ao mundo, que não priorizou o comércio exterior, que não conquistou o mercado”, acrescentou Alckmin.

(*) Com informações da Agência Brasil

 

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