Missão da ApexBrasil na África visa aprofundar cooperação e ampliar comércio bilateral com o continente

Iniciativa visa aprofundar a cooperação econômica, ampliar o comércio bilateral e aproximar empresas brasileiras de mercados estratégicos

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou, nesta segunda-feira (2), em Nairóbi, a estruturação de um programa de apoio às exportações brasileiras para o continente africano. O anúncio foi feito pelo presidente da Agência, Jorge Viana, durante a etapa queniana da Missão África 2026, iniciativa organizada pela ApexBrasil e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com o objetivo de aprofundar a cooperação econômica, ampliar o comércio bilateral e aproximar empresas brasileiras de mercados estratégicos da África.

A missão em Nairóbi reuniu 26 empresas brasileiras e cooperativas, além de instituições parceiras como Sebrae, Anvisa e Embrapa, e promoveu 230 reuniões de negócios. O foco desta etapa está na segurança alimentar, no desenvolvimento da cadeia agroindustrial queniana, no fortalecimento do complexo industrial da saúde e na transferência de tecnologia – áreas consideradas prioritárias para a cooperação entre Brasil e Quênia.

Ao anunciar a iniciativa, Jorge Viana destacou que a ação se alinha à retomada da cooperação econômica do Brasil com o continente africano, uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Viana ressaltou ainda a necessidade de unir forças para impulsionar o comércio com a região. “Algo que precisamos também, é retomar o financiamento para exportações. Já tivemos e foi um erro ter acabado, é uma iniciativa que traz benefícios para o Brasil e também aos países africanos”, comentou.

O programa contará com aporte de recursos, colaboração de parceiros como a Embrapa, Sebrae e Fiocruz e atuação regionalizada da Agência, apoiando-se nas representações nas diferentes regiões da África para compreender as especificidades de cada mercado, gerar melhores resultados para as empresas brasileiras e estreitar os laços com parceiros locais e institucionais.

Atuação estratégica 

Durante a abertura do encontro, Jorge Viana ressaltou que o continente africano ocupa posição estratégica na política externa e comercial brasileira, tanto pelo potencial de crescimento quanto pelas afinidades históricas, culturais e produtivas. O presidente da ApexBrasil destacou que a atuação da Agência na África é organizada de forma regionalizada, abrangendo Norte da África, África Ocidental, África Oriental e Sul da África e que, nos últimos três anos, a Agência realizou sete missões empresariais em 16 países africanos, além de participar de feiras e ações no Quênia, Angola, Moçambique, África do Sul e Egito.

Durante o seminário, a diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Repezza, destacou que as áreas de saúde e segurança alimentar seriam prioritárias nos debates no Quênia. “Temos aqui um debate qualificado das duas partes e áreas com grande potencial de estabelecimento de parcerias, principalmente na transferência de tecnologia no setor agropecuário e no compartilhamento de experiências em toda a cadeia de valor de insumos farmacêuticos, desde a matéria prima ao produto finalizado”, afirmou.

A CEO da KEPROBA (Kenya Export Promotion and Branding Agency), Floyce Mukabana, ressaltou os fortes laços diplomáticos entre as duas nações. “O Brasil se destaca no cenário internacional na agricultura, energia e manufatura e podemos explorar essa parceria em prol de ambos os países”, disse Floyce.

A cerimônia de abertura contou ainda com a participação da encarregada de negócios da Embaixada do Brasil em Nairóbi, Daniella Araujo; do diretor do Departamento de Promoção Comercial, Investimentos e Agricultura do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Alex Giacomelli; do diretor de investimentos em infraestrutura da Invest Kenya, Rogers Amisi; da CEO da KEPROBA, Floice Mukabana; e do secretário principal para Promoção de Investimentos do Ministério de Investimentos, Comércio e Indústria do Quênia, Abubakar Hassan Abubakar.

Na sequência, foram realizadas apresentações sobre as conexões Brasil-Quênia, com contribuições de representantes do setor privado e institucional dos dois países, reforçando oportunidades de cooperação e investimento bilateral.

Programação 

A programação incluiu ainda dois painéis temáticos centrais. O painel sobre Saúde, Mobilidade e Tecnologia foi moderado pela diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, e reuniu Felipe Carvilhe, gerente de unidade de negócios da Fundação Butantan; Brenno Alves, diretor da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFIR); Moses Nderitu, diretor-geral da BasiGo; e o Dr. Eric Musau, presidente da Associação de Hospitais Privados do Quênia. O debate destacou o potencial de cooperação em inovação, mobilidade sustentável, equipamentos médicos e fortalecimento dos sistemas de saúde.

Já o painel sobre Segurança Alimentar foi moderado por Laudemir Muller, gerente de Agronegócios da ApexBrasil, e contou com a participação de Juan Lebrón, diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu; Rayane Alvarenga, coordenadora da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq); José Ednilson Miranda, representante da Embrapa para a África Subsaariana; Marcos Brandalise, CEO da BrazAfric; e Tim Chesire, CEO da Makongi Agri Limited. O painel abordou soluções para o desenvolvimento agroindustrial, aumento da produtividade, mecanização agrícola e cooperação tecnológica para garantir segurança alimentar e crescimento sustentável.

A agenda em Nairóbi incluiu ainda sessões de networking, 230 reuniões de negócios e encontros institucionais, reforçando o papel da missão como plataforma concreta para geração de negócios e parcerias de longo prazo entre empresas brasileiras e africanas. Para as próximas etapas, a missão segue para Kigali, em Ruanda e em seguida Adis Abeba, na Etiópia.

Quênia – maior economia da África Oriental

O Quênia consolida-se como a maior economia da África Oriental, com crescimento projetado de 5,4% a partir de 2026, sustentado por reformas estruturais, maior integração regional e fortalecimento do setor de serviços. Em 2025, o Brasil exportou US$ 122,7 milhões para o Quênia, com crescimento médio anual de 19,7% entre 2021 e 2025.

De acordo com estudo da ApexBrasil, foram identificadas oportunidades para 179 produtos brasileiros no mercado queniano, com destaque para máquinas e equipamentos de transporte, artigos manufaturados, produtos alimentícios e animais vivos, além de produtos químicos. Com uma população em forte crescimento e jovem, com mais de 70% das pessoas com menos de 30 anos, o país apresenta um ambiente próspero e diverso para estabelecimento de negócios e parcerias.

(*) Com informações da ApexBrasil

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ApexBrasil visita empresa de torrefação de cafés especiais que vende o produto brasileiro nos Emirados Árabes

Empresa de Dubai esteve no Brasil em 2025 durante edição do programa Exporta Mais Brasil de Cafés Especiais que gerou R$ 134 milhões em negócios

Da Redação (*)

Brasília – Além de coordenar a delegação brasileira com 192 empresas na Gulfood 2026 – a maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio -, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) está com agenda intensa de prospecção e promoção da imagem do país na região.

Na sexta-feira (30), foi a vez de dar atenção ao setor de cafés especiais. O presidente da Agência, Jorge Viana, acompanhado do gerente de Agronegócio, Laudemir Muller, e da gerente geral do Escritório da ApexBrasil em Dubai (EA Dubai), Tatiana Riera, realizou visita técnica à Cypher Urban Roastery, empresa de cafés especiais fundada em Dubai em 2016. A Cypher conheceu os cafés especiais do Brasil em 2025, durante rodada do programa Exporta Mais Brasil voltado para o produto, e hoje vende cafés brasileiros especiais na região.

“Com a criação do Exporta Mais Brasil, focado em levar compradores do mundo inteiro para o Brasil, colocamos esses compradores de frente com o que temos para oferecer ao mundo, em diferentes regiões. Fizemos 25 eventos desses e temos uma programação para mais 40”, explicou Jorge Viana, destacando o importante papel dos escritórios internacionais da Agência que fazem a arregimentação desses compradores ao redor do mundo.

“Os escritórios da ApexBrasil pelo mundo estão cumprindo um papel extraordinário. Nos Emirados Árabes, nosso escritório viabilizou a ida de empresas que são hoje uma referência no mundo árabe, trabalham com foco em cafés especiais e tem um potencial enorme da vender os cafés do Brasil pra o mercado árabe”, destacou.

Tatiana Riera, gerente geral do EA Dubai, destacou o importante papel da ApexBrasil para o relacionamento do país com outros mercados e os exportadores brasileiros. “Esse é nosso principal papel, conectar o comprador internacional com o mercado local.

Somos essa ponte entre o Brasil e o mercado internacional – como fazemos aqui em Dubai”, afirmou. “Nossa parceria com os Emirados Árabes começou quando os convidamos para participar do Exporta Mais, esse projeto comprador o qual levamos todos ao Brasil para conhecer os produtos. Nesse caso da Cypher fomos às fazendas de café especial. Esse é um projeto muito especial”, reforçou.

Jommalyn Angeles foi a representante da Cypher Urban Roastery que participou das rodadas de negócios e visitas técnicas do Exporta Mais Brasil de Cafés Especiais no ano passado. O programa passou pelo Acre, Minas Gerais e Espírito Santo. Ao longo do percurso, cerca de 80 produtores brasileiros apresentaram seus produtos para 24 compradores internacionais de diferentes países, entre eles, Jommalyn. .

Ao longo da edição, eles participaram de degustações (cupping), visitas técnicas e rodadas de negócios com os produtores brasileiros, reforçando a conexão direta entre origem, qualidade e mercado. “Minha experiência no Brasil não tem paralelo. Foi incrível. Desde as pessoas, o solo, até a xícara. As histórias poderosas que os produtores brasileiros compartilharam com a gente foi incrível. A equipe da Apex é muito prestativa, têm muita paciência, pois receber um grupo grande não é fácil”, afirmou Jommalyn, parabenizando a Agência.

Na visita à Cypher, em Dubai, Jorge Viana e equipe da ApexBrasil foram recebidos pelo fundador e CEO da empresa, Mohamad Merhi, que apresentou toda a área de trabalho da empresa e reforçou o potencial do produto brasileiro na região. “O que vocês estão fazendo com esse programa é fantástico”, disse Mohamed. “Convidar as empresas de fora para conhecer e conversar diretamente com os produtores de café do seu país sobre o potencial deles, a história deles, é fantástico”, reforçou. “Aqui fazemos um blending de cafés de El Salvador, de Honduras, do Brasil, e assim termos um mix de diferentes países. Então essa é a vantagem que nós temos. A gente traz esses cafés para cá, prepara e vende”, explicou.

Expectativa de faturamento de US$ 3,5 bilhões na Gulfood

Enquanto isso, desde o dia 26 de janeiro, a delegação brasileira de empresas de diferentes segmentos, inclusive cafés especiais, seguem fazendo sucesso na Gulfood. Neste ano, a feira ocorre simultaneamente em dois locais: no Dubai World Trade Centre (DWTC) e no Dubai Exhibition Centre (DEC), na Expo City. A feira está dividida por setores, com carnes, proteínas e bebidas concentradas no DWTC, enquanto no DEC estão grãos, pulses, ‘world food’ e segmentos emergentes de alto valor agregado, como inovação alimentar, sustentabilidade, tecnologia para a indústria e startups.

Com cerca de 8,5 mil expositores de 130 países, esta edição do evento deve receber mais de 150 mil visitantes. A expectativa da ApexBrasil é que os negócios gerados pelo Brasil no evento ultrapassem US$ 3,5 bilhões.

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Exportações do Nordeste somam US$ 24,8 bilhões em 2025, cifra recorde nos últimos 3 anos, mostra Data Nordeste

Montante é o maior valor em três anos. Produtos de origem vegetal, minerais e alimentos são os itens mais vendidos no mercado internacional. Informações estão disponíveis no Data Nordeste, que passa a exibir dois novos painéis sobre comércio exterior.

Da Redação (*)

Brasília – O Nordeste alcançou, em 2025, o maior volume de exportações dos últimos três anos. A região vendeu ao mercado internacional US$ 24,8 bilhões em produtos, equivalente a 7% de tudo o que o Brasil exportou no período. O resultado representa um avanço em relação a 2024, indicando redução da dependência do mercado externo, com queda nas importações. Além do crescimento das exportações, as importações nordestinas recuaram cerca de 5%, passando de US$ 28,7 bilhões em 2024 para US$ 27,2 bilhões em 2025. Os dados fazem parte dos novos painéis de comércio exterior do Data Nordeste, plataforma pública de informações econômicas desenvolvida pela Sudene, que reúne e organiza estatísticas estratégicas sobre a região.

Os produtos do reino vegetal lideraram as vendas externas do Nordeste, com US$ 6,9 bilhões. Em seguida aparecem os minerais, com US$ 4,6 bilhões, e os produtos das indústrias alimentares, que somaram US$ 2,1 bilhões. A China foi o principal destino das exportações nordestinas, (US$ 6,22 bilhões), seguida por Estados Unidos (US$ 2,89 bilhões) e Canadá (US$ 2,72 bilhões). Na América do Sul, a Argentina foi o principal parceiro comercial (US$ 1,62 bilhão). Na Europa, os Países Baixos concentraram o maior volume de compras (US$ 1,19 bilhão).

No mesmo período, o estado da Bahia liderou as exportações, com US$ 11,52 bilhões, seguido do Maranhão (US$ 5,49 bilhões) e Pernambuco, com US$ 2,36 bi. Ceará (US$ 2,30), Rio Grande do Norte (US$ 1,14 bi), Piauí (US$ 850 milhões), Alagoas (US$ 580 milhões), Sergipe (US$ 510 milhões) e Paraíba (US$ 140 milhões), completam a relação.

EUA lideram ranking das importações nordestinas

No panorama das importações nordestinas, produtos minerais lideram a pauta, com US$ 10,98 bilhões, valor que corresponde a quase 40% do total importado pela região. Em seguida aparecem os produtos químicos, que somaram US$ 4,56 bilhões, e o grupo formado por máquinas e aparelhos, material elétrico, aparelhos de gravação e reprodução de som e imagem e seus acessórios, com US$ 3,34 bilhões. Quanto à origem das compras externas, os principais parceiros comerciais do Nordeste foram Estados Unidos (US$ 7,71 bilhões) e China (US$ 5,19 bilhões), seguidos por Rússia (US$ 1,55 bilhão) e Argentina (US$ 1,42 bilhão).

Ainda do lado das importações, a Bahia concentrou o maior volume de importações, com US$ 12,83 bilhões, seguida por Maranhão (US$ 10,50 bilhões), Pernambuco (US$ 7,10 bilhões) e Ceará (US$ 6,50 bilhões). Na sequência aparecem Paraíba, com US$ 1,47 bilhão, e Alagoas, com US$ 1,31 bilhão. Sergipe (US$ 842 milhões), Rio Grande do Norte (US$ 658,49 milhões) e Piauí (US$ 362,41 milhões) completam o cenário. Para o economista e coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da Sudene, José Farias, o desempenho reforça o papel das exportações como vetor de desenvolvimento. O comércio internacional é um fator importante para o desenvolvimento do Nordeste. Por um lado, as exportações são um canal comercial relevante. Por outro, a partir do cenário das importações, é possível identificar oportunidades e estruturar estratégias de abertura de novos negócios internacionais, agregação de valor aos produtos e geração de emprego, renda e melhoria de produtividade. A competitividade do cenário internacional não é simples, mas, neste contexto, o Nordeste tem potenciais interessantes que despertam cada vez mais o interesse internacional, a exemplo dos produtos que fazem parte da cadeia produtiva da bioeconomia. É um conjunto de fatores: identificar novas demandas e desenvolver estratégias para aumentar o valor agregado dos itens”, analisou o especialista.

A base de dados dos produtos exportados e importados pelo Nordeste exibidos no Data Nordeste utiliza o Sistema Harmonizado (SH), nomenclatura adotada internacionalmente desde 1988, sendo atualizado pela Organização Mundial das Aduanas. Os novos painéis do Data Nordeste permitem acompanhar a evolução histórica das exportações e importações desde 2010, com dados por estado e município, origem e destino dos produtos e valores agregados. As informações seguem padrões internacionais e estão disponíveis para consulta pública, ampliando a transparência e apoiando decisões de gestores, pesquisadores, investidores e da sociedade em geral.

(*) Com informações da Ascom/Sudene

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Exportações de serviços batem recorde, somam US$ 51,8 bilhões em 2025 mas setor acumula déficit de US$ 52,94 bilhões

MDIC lançou painel com estatísticas do setor

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras de serviços alcançaram o valor recorde de US$ 51,83 bilhões em 2025, dos quais 65% referentes a serviços digitais. O valor consta no Painel Comércio Exterior Brasileiro de Serviços em Números (ComexVis Serviços), lançado na última quarta-feira (28) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A ferramenta reúne dados estatísticos inéditos e interativos sobre as transações internacionais de serviços do Brasil e do mundo. Diferentemente da balança comercial, que reflete as exportações e as importações de mercadorias, o comércio de serviços não tinha estatísticas detalhadas no país.

Embora as transações de serviços componham as contas externas do Banco Central (BC), divulgadas todos os meses, a autoridade monetária compila os dados de forma agregada, sem o destrinchamento dos números.

Os dados apresentados no painel têm como base as informações primárias do Banco Central e passam a integrar o conjunto de estatísticas oficiais divulgadas pela Secex. O ComexVis Serviços também se soma ao ecossistema digital do ministério, que inclui ferramentas como o Comex Stat e o Comex Vis, com gráficos, indicadores e análises interativas.

Desenvolvido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o painel tem como objetivo ampliar a transparência, qualificar o debate público e fortalecer a formulação de políticas voltadas à competitividade do setor de serviços na inserção internacional do país. A plataforma permite consultar valores atualizados de exportações e importações, acompanhar a evolução histórica dos fluxos e analisar a distribuição por setores e parceiros comerciais.

Importância do segmento para o comércio exterior brasileiro

Segundo o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, a iniciativa responde a uma demanda crescente por informações estruturadas sobre o setor. Ele ressaltou que os serviços constituem uma fronteira cada vez mais relevante do comércio exterior e destaca que cerca de 40% do valor adicionado nas exportações de manufaturados brasileiros corresponde a serviços embutidos, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico,

“A plataforma atende à demanda por dados comparáveis e acessíveis sobre o comércio internacional”, afirmou Alckmin em nota.

De acordo com a Secex, a iniciativa contribui para ampliar o conhecimento sobre o setor e apoiar o setor produtivo. Segundo a secretaria, ao disponibilizar as informações de maneira simples e visual, o painel permite que governo, empresários e associações identifiquem oportunidades de negócios, fortalecendo a promoção do comércio de serviços.

Dependência de capitais externos

Apesar das exportações recordes de serviços em 2025, o Brasil tem um déficit crônico na balança do setor. No ano passado, o país importou US$ 104,77 bilhões em serviços, com o saldo ficando negativo em US$ 52,94 bilhões. Somado ao alto volume de remessas de lucros para o exterior em 2025, o país fechou o ano passado com déficit de US$ 68,791 bilhões nas contas externas.

O déficit nas contas externas poderia ser o dobro não fosse o superávit de US$ 68,293 bilhões na balança comercial no ano passado. Na prática, rombos nas contas externas indicam dependência de recursos financeiros, como o da bolsa de valores, e de investimentos diretos de empresas estrangeiras no Brasil para o país fechar o balanço de pagamentos, aumentar as reservas internacionais e impedir a desvalorização do real.

No ano passado, o déficit das contas externas foi compensado, com sobra, pelo investimento estrangeiro direto, que somou US$ 77,676 bilhões, o melhor resultado desde 2014. O aumento das exportações de serviços ajudaria a reduzir a dependência de capitais externos do Brasil.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Acordo UE-Mercosul pode acarretar cinco mudanças para o agronegócio brasileiro segundo especialista

Da Redação

Brasília -A entrada em vigor provisória do acordo entre União Europeia e Mercosul, prevista para 2026, marca uma nova etapa nas relações comerciais do Brasil com um dos maiores mercados consumidores do mundo. Após mais de duas décadas de negociações, o tratado promete ampliar o acesso de produtos agrícolas brasileiros ao mercado europeu, ao mesmo tempo em que impõe desafios regulatórios, ambientais e concorrenciais ao setor do agronegócio nacional.

De acordo com Igor Fernandez de Moraes, sócio do Silva Nunes Advogados e especialista em Direito do Agronegócio, o acordo deve ser interpretado como um divisor de águas. “Estamos diante de uma reconfiguração das regras do jogo para exportadores brasileiros. O agronegócio ganha oportunidades concretas de expansão, mas precisará lidar com um nível de exigência jurídica e sanitária muito mais elevado”, avalia.

Entre os impactos imediatos está a ampliação de cotas para produtos como carne bovina, aves, açúcar, arroz e mel, que poderão entrar na União Europeia com tarifas reduzidas. Contudo, essas concessões vêm acompanhadas de mecanismos de proteção aos produtores europeus, como cláusulas de salvaguarda. “Isso significa que, diante de um aumento brusco de exportações brasileiras, a UE poderá suspender benefícios tarifários, o que gera insegurança comercial para produtores”, explica o advogado.

Outro ponto sensível diz respeito às exigências ambientais e sanitárias, que não serão flexibilizadas com o acordo. A União Europeia mantém padrões rigorosos sobre rastreabilidade, uso de defensivos agrícolas e sustentabilidade da produção. “Quem não se adaptar a essas exigências ficará fora do mercado europeu, enquanto quem investir em conformidade jurídica e ambiental terá vantagem competitiva relevante”, alerta Fernandez.

O acordo também tende a estimular mudanças estruturais no campo brasileiro, com maior profissionalização da cadeia produtiva. “O produtor deixa de ser apenas agricultor e passa a ser também gestor de risco jurídico, regulatório e comercial”, afirma o especialista. Esse movimento pode impulsionar investimentos em tecnologia, certificações internacionais e governança corporativa no setor rural.

Apesar dos desafios, a avaliação é que o tratado abre espaço para diversificação de mercados e redução da dependência comercial de poucos parceiros. “O Brasil pode se posicionar como fornecedor estratégico de alimentos para a Europa, desde que esteja preparado juridicamente para cumprir os compromissos assumidos”, conclui o advogado.

Conheça 5 impactos do acordo UE-Mercosul para o agronegócio brasileiro:

  1. Ampliação de cotas agrícolas com tarifas reduzidas
    Produtos como carne e açúcar ganham acesso facilitado ao mercado europeu, mas dentro de limites quantitativos rigorosos, o que exige planejamento exportador.
  2. Aumento das exigências sanitárias e ambientais
    O acordo não flexibiliza regras da UE. Pelo contrário, reforça a necessidade de rastreabilidade e sustentabilidade jurídica da produção brasileira.
  3. Cláusulas de salvaguarda comercial
    A União Europeia poderá suspender benefícios se considerar que suas cadeias produtivas foram prejudicadas, reforçando a necessidade de planejamento e análise mercadológica internacional para manter competitividade e longevidade internacional para exportadores brasileiros, para que tenham maior previsibilidade e invistam com mais segurança.
  4. Maior concorrência interna e externa
    Produtores brasileiros enfrentarão tanto a competição europeia quanto a pressão por preços e qualidade superiores.
  5. Valorização da governança e da segurança jurídica no campo
    O produtor que investir em compliance, certificações e assessoria jurídica terá mais chances de se manter no mercado internacional.

 

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2026 será um ano estratégico no mercado de câmbio internacional

Luciano Carvalho (*)

O ano de 2026 se apresenta como um período de elevada complexidade no cenário internacional. A combinação entre tensões geopolíticas persistentes, revisões nas políticas monetárias globais, conflitos prolongados e reconfiguração das cadeias de comércio internacional impõe um ambiente de rápidas transformações. A realocação de capitais e o surgimento de novas rotas comerciais reforçam a volatilidade e ampliam a imprevisibilidade dos mercados cambiais.

Nesse contexto, a informação circula em ritmo acelerado, mas nem sempre acompanhada da necessária análise técnica e contextualização. Para a pessoa física que realiza operações internacionais, seja para pagamentos no exterior, manutenção de despesas globais ou investimentos fora do país, o desafio central passa a ser a adoção de método, disciplina e planejamento estratégico.

Em um mercado cada vez mais integrado, decisões cambiais deixaram de ser simples conversões de moeda e passaram a demandar leitura aprofundada de cenário. A exposição a riscos cambiais, regulatórios e fiscais exige maior sofisticação na tomada de decisão, especialmente em momentos de elevada volatilidade e sensibilidade aos movimentos globais.

No caso brasileiro, os desafios são ainda mais evidentes. A volatilidade do real permanece elevada, influenciada por ajustes fiscais, mudanças regulatórias e pela rápida evolução do ecossistema financeiro e tecnológico. A proximidade da eleição presidencial adiciona um componente adicional de incerteza, estimulando movimentos antecipados do mercado e aumentando a atenção aos riscos políticos e macroeconômicos.

Do ponto de vista regulatório, observa-se um reforço nos mecanismos de controle, ampliação das obrigações de reporte e maior exigência de transparência nas operações de câmbio. Nesse ambiente, o acesso a informações confiáveis deixa de ser diferencial competitivo e se torna requisito básico para operar com segurança. A falta de acompanhamento adequado do cenário pode levar a decisões desalinhadas com o perfil do investidor ou com seus objetivos financeiros.

Além disso, operações cambiais que antes eram consideradas simples passaram a envolver múltiplas camadas de análise. Variáveis como inflação, crédito, incidência de IOF, exigências documentais, prazos de liquidação, custos totais e eventuais mudanças normativas impactam diretamente quem movimenta recursos internacionais. Ignorar esses fatores pode resultar em perdas financeiras, inconsistências fiscais ou dificuldades de regularização futura.

Outro desafio relevante em 2026 é o excesso de informações disponíveis. A produção de conteúdo sobre economia e câmbio nunca foi tão intensa, porém marcada por grande disparidade de qualidade. Projeções conflitantes, análises superficiais e conteúdos baseados em opinião ou apelo viral criam um ambiente de ruído informacional. A ausência de curadoria adequada pode levar à interpretação equivocada da volatilidade natural do mercado ou à tomada de decisões em momentos desfavoráveis. Mais do que acompanhar cotações, torna-se essencial compreender o contexto e transformar dados em estratégia.

Apesar dos desafios, 2026 também se configura como um ano de oportunidades. A consolidação de plataformas digitais, o aumento da competitividade nas taxas de câmbio e o uso de tecnologia para automatização de processos ampliam a eficiência das operações internacionais. No entanto, esses ganhos só se concretizam quando acompanhados de planejamento técnico e governança adequada.

Despesas recorrentes em moeda estrangeira demandam políticas cambiais contínuas; investimentos internacionais exigem alinhamento entre estratégia, veículo de investimento e regime fiscal; e o ambiente tributário requer organização documental e acompanhamento especializado. Nesse cenário, o papel do especialista torna-se fundamental, integrando macroeconomia, compliance, gestão de riscos, tributação e estratégia patrimonial.

Em um ano marcado por elevada movimentação e transformações rápidas no comércio e no mercado internacional, o diferencial não está apenas em evitar erros, mas em identificar e aproveitar as janelas corretas. A combinação entre análise qualificada, disciplina e governança permite que a pessoa física navegue com mais segurança e eficiência no mercado de câmbio internacional ao longo de 2026.

(*) Luciano Carvalho, CEO do banco de câmbio Moneycorp

 

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Abicalçados leva a Alckmin apreensão com alta das importações, impactos de tarifas dos EUA e barreiras na Índia

Da Redação (*)

Brasília – A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), representada pelo seu presidente-executivo e pela economista e coordenadora de Inteligência de Mercado, Haroldo Ferreira e Priscila Linck, reuniu-se ontem, dia 29, com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, para atualizar as pautas do setor frente aos impactos da política tarifária dos Estados Unidos na indústria nacional.

Entre os temas, estavam a elevação das importações predatórias de calçados asiáticos, impulsionadas pela reorganização do comércio mundial após o tarifaço norte-americano; e as barreiras impostas pela Índia ao produto nacional. O encontro, que teve ainda as participações de Uallace Moreira (secretário do MDIC) e Tatiana Prazeres (secretária de Comércio Exterior da Secex), aconteceu em Brasília.

Alta das importações gera apreensão

Principal pauta do encontro, o aumento das importações de calçados, que tiveram incremento de 22,5% (em dólares) em 2025, alcançando o maior patamar de toda a série histórica – iniciada em 1997 – foi relatada para Alckmin. Segundo Ferreira, a concorrência desleal com esses produtos, cuja origem é predominantemente asiática, vem impactando diretamente a produção nacional e o nível de emprego na indústria de calçados.

“O crescimento das importações no setor, em 2025, mostra-se significativamente superior ao observado na indústria de transformação como um todo (8,6%, em dólares) e nas importações totais do País (6,7%), indicando que a indústria calçadista vem sendo impactada de maneira mais intensa do que a média da economia brasileira”, explicou Ferreira, acrescentando que o movimento deve ser acentuado em 2026.

Entre os motivos para o incremento vertiginoso das importações, segundo Ferreira, está o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos, não somente a produtos brasileiros, mas também asiáticos. “Dessa forma, os exportadores asiáticos acabam realocando maior parcela da sua produção para outros países que não os Estados Unidos, inclusive o Brasil, gerando um desequilíbrio concorrencial”, acrescentou o dirigente.

Dados compilados pela Abicalçados apontam que, após a aplicação das denominadas tarifas recíprocas, em abril passado – que abrangem, entre outros, a China, o Vietnã, a Indonésia e Bangladesh -, o crescimento das importações brasileiras originárias da Ásia foi intensificado. Entre abril e dezembro de 2025, o aumento das importações provenientes da Ásia foi de mais de 26%, mais que o dobro do observado anteriormente.

O dirigente calçadista destacou o duplo problema da nova política tarifária aplicada por Donald Trump. “Além da queda nas exportações, já que os Estados Unidos são nosso principal destino internacional, o setor é impactado pela invasão asiática no mercado doméstico brasileiro”.

Índia

Tendo em vista a possibilidade de fornecimento de subsídios à missão presidencial à Índia, prevista para o próximo mês, a Abicalçados também expôs as principais dificuldades que vêm inviabilizando o acesso da indústria calçadista brasileira ao mercado indiano, em um contexto internacional que se faz importante a abertura de mercados. O entrave se dá em razão da exigência da certificação BIS – certificação compulsória cuja complexidade operacional e custos do processo de certificação têm restringido as exportações brasileiras ao destino.

Segundo Ferreira, em 2025, os embarques para a Índia totalizaram apenas 160 mil pares, volume mais de 60% inferior ao registrado em 2022, período anterior à vigência da normativa BIS. “Apesar do elevado potencial consumidor do mercado, a barreira comercial tem limitado a inserção dos fabricantes e exportadores brasileiros na Índia. Como consequência, a balança comercial de calçados do Brasil com o país é desfavorável. No ano de 2024, as importações brasileiras originárias da Índia foram mais de vinte vezes superiores às exportações ao destino, resultando em um déficit de US$ 13,8 milhões”, acrescentou o executivo.

Proposta

Na oportunidade, a Abicalçados propôs que o Brasil avance em um Acordo de Reconhecimento Mútuo (MRA) com a Índia, permitindo o reconhecimento de laboratórios brasileiros homologados pelo Inmetro – iniciativa que pode encurtar prazos, reduzir custos e ampliar a previsibilidade para exportadores. “A certificação BIS tem sido um gargalo relevante para empresas brasileiras. Propusemos discutir um caminho técnico, com reconhecimento mútuo de laboratórios acreditados, para reduzir burocracia sem abrir mão dos requisitos de conformidade”, explicou Priscila.

(*) Com informações da Abicalçados

 

 

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Estados Unidos devem ser a principal prioridade da agenda externa do próximo governo brasileiro, aponta Pesquisa Amcham

Levantamento ouviu 732 líderes empresariais de diversos setores da economia

Da Redação (*)

Brasília – A relação com os Estados Unidos desponta como a principal prioridade da política externa do próximo governo brasileiro, na avaliação de líderes empresariais ouvidos pela Pesquisa Amcham, divulgada nesta sexta-feira (30), durante evento realizado na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo.

Quando questionados sobre as prioridades da política externa e comercial do próximo governo, os empresários apontam a relação com os Estados Unidos como o principal eixo estratégico, à frente de outros temas da agenda internacional.

As prioridades mais citadas foram:

  • Relação com os Estados Unidos (53%)
  • Atração de investimentos estrangeiros (46%)
  • Novos acordos de comércio (44%)
  • Acesso a mercados e redução de barreiras às exportações (35%)

“O empresariado associa cada vez mais a agenda externa à competitividade do país. A relação com os Estados Unidos aparece como prioridade por envolver a maior economia do mundo, a principal origem de investimentos estrangeiros no Brasil e um alto potencial em áreas como tecnologia, serviços e energia”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Apesar de estratégica, a relação com os Estados Unidos ainda é percebida como desafiadora por 44% dos empresários. Outros 38% avaliam o cenário como neutro, enquanto apenas 14% consideram o ambiente bilateral favorável.

Principais obstáculos para ampliar os negócios entre Brasil e Estados Unidos

As tarifas seguem sendo apontadas como o principal obstáculo para ampliar os negócios entre Brasil e Estados Unidos, citadas por 70% dos empresários. Trata-se de um fator que continua retirando competitividade dos produtos brasileiros e que reforça a necessidade de se avançar em um entendimento bilateral, especialmente em um momento de melhora no ambiente de diálogo e nas relações políticas entre os dois países.

Além disso, os empresários mencionam a taxa de câmbio (33%) e as barreiras não tarifárias (29%) como elementos que ampliam a complexidade do acesso ao mercado americano. Também aparecem desafios ligados à atuação das empresas, como escala e competitividade (25%), concorrência local (22%) e conhecimento do mercado dos Estados Unidos (20%).

Agenda Brasil–EUA: prioridades nas negociações

A pesquisa também identificou os temas que, na visão do setor privado, devem ser priorizados nas negociações atuais com os Estados Unidos:

  • Redução de barreiras comerciais (58%)
  • Redução de tarifas e ampliação do acesso a mercados (55%)
  • Combate ao crime organizado transnacional (42%)
  • Parcerias em investimentos (42%)
  • Minerais críticos e terras raras (36%)
  • Acordo para evitar a dupla tributação (35%)

Há uma agenda bem definida pelo setor empresarial. O desafio será transformar essas prioridades em avanços concretos, especialmente em um ano eleitoral no Brasil e diante da concorrência com outros temas no radar de prioridades do governo americano, destaca Abrão Neto.

O levantamento reúne a percepção do empresariado brasileiro sobre as eleições presidenciais de 2026, o ambiente de negócios e as agendas estratégicas que devem orientar o próximo ciclo de governo, com destaque para política externa, comércio e investimentos.

Eleições 2026: cautela e foco em economia e segurança

No plano doméstico, os empresários indicam como prioridades para o próximo presidente da República o equilíbrio fiscal (83%), o combate à corrupção (43%), a segurança pública (40%) e a redução das taxas de juros (37%).

O cenário eleitoral é percebido com cautela: 39% dos empresários classificam o cenário como neutro, enquanto 31% se dizem pessimistas e 16% otimistas em relação às eleições de 2026. Além disso, 9% se declaram muito pessimistas, 2% muito otimistas e 3% não souberam avaliar. O dado reflete a combinação de incerteza política, preocupação com a governabilidade e expectativas quanto à condução da agenda econômica no próximo mandato.

Há uma agenda bem definida pelo setor empresarial. O desafio será transformar essas prioridades em avanços concretos, especialmente em um ano eleitoral no Brasil e diante da concorrência com outros temas no radar de prioridades do governo americano, destaca Abrão Neto.

Perspectivas empresariais

A Pesquisa Amcham mostra que o empresariado mantém uma expectativa de crescimento em 2026. 84% das empresas projetam aumento de faturamento, sendo que 45% trabalham com a perspectiva de expansão superior a 11%. Menos de 3% anteveem retração de receitas.

Na avaliação dos empresários, esse crescimento tende a ser resultado de decisões concretas de negócio. Ele deve vir principalmente do aumento de vendas no mercado interno (65%), da redução de custos e ganhos de eficiência (55%) e de investimentos em transformação digital e inteligência artificial (38%).

Em relação ao ambiente de negócios durante o próximo governo (2027-2030), as percepções estão relativamente equilibradas: 35% dos empresários acreditam em melhora da economia e do ambiente de negócios, 26% projetam estabilidade e 25% esperam piora. Outros 14% não souberam avaliar.

“O empresariado segue comprometido com o crescimento e com os investimentos no país. O desempenho de 2026 estará diretamente ligado à capacidade de execução das empresas, aos ganhos de produtividade e ao uso de tecnologia, além da importância de previsibilidade, equilíbrio fiscal e integração internacional”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

(*) Com informações da Amcham

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Davos 2026: a natureza ao lado da economia e do turismo

Jaqueline Gil (*)

“Quem não se senta à mesa, provavelmente é o cardápio” foi uma das muitas aclamadas afirmações do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, há poucos dias, em Davos. Enquanto chefes de Estado e de governo, ministros e CEOs das maiores corporações globais se encontravam sob o tema “Espírito de Diálogo”, na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial, preocupados principalmente com as rupturas e as incertezas na geopolítica, discussões aconteciam entre líderes convidados dos setores público e privado, cientistas e representantes da sociedade civil, em diversas arenas.

Neste ano, 3.000 profissionais de mais de 130 países priorizaram debates sobre investimentos em pessoas, novas formas de crescimento e prosperidade dentro dos limites planetários. O turismo não esteve alheio às discussões, e participei de seus principais debates. Nesse setor, apostas em oportunidades emergentes na economia da adaptação climática e da regeneração de ecossistemas, com riscos calibrados e caminhos a serem aprimorados, certamente farão a diferença para países, destinos e investidores, assim como definirão lucros e liderança, retirando os corajosos pioneiros do cardápio padronizado.

Estive em Davos pela primeira vez a convite do Basel Investor Forum, grupo suíço que conecta investidores globais a oportunidades de investimento a favor da saúde do planeta, em múltiplos setores. Participei de painéis e mesas-redondas científicas e econômicas e facilitei workshops sobre investimentos de impacto, da transição energética à economia regenerativa. A natureza e a biodiversidade estão, de forma crescente, no centro das análises, porque “sem natureza não há humanidade, não se fazem negócios, não há dividendos, não há investidores”, segundo André Hoffmann, do Fórum Econômico Mundial.

As temáticas econômicas aprofundaram-se, além da natureza e de maneira não excludente, na inteligência artificial a favor do bem-estar coletivo e na nova economia da regeneração dos ecossistemas. Como gerar e consolidar economias regenerativas lucrativas, a favor do planeta e do nosso futuro nele, foi a principal pergunta que investidores se faziam, em meio à neve dos Alpes suíços. Eles sabem, há longas décadas, que chegar primeiro e acertar nas apostas significa liderança econômica e poder de decisão à mesa, hoje e amanhã. Quem vai a Davos não quer ser cardápio — isso é certo.

Um debate coordenado pela Travalyst, organização sem fins lucrativos fundada pelo príncipe Harry, que reúne as maiores empresas de base tecnológica do mundo — como Google, Booking.com, Trip.com e Amadeus —, tratou do tema mais urgente no turismo atualmente: como crescer distribuindo fluxos e lucros, respeitando as pessoas e os ecossistemas, otimizando recursos e reduzindo as emissões de carbono. A resposta ainda está em construção, mas a percepção de que o Brasil deve sentar-se à mesa torna-se cada dia mais clara.

Ocupar a presidência da COP30 até novembro de 2026 nos torna responsáveis por liderar discussões, e há expectativas em relação a esse papel, ainda não plenamente realizadas. Vale destacar, também, nossas habilidades e históricos em múltiplos setores: a ampla capacidade de produção científica somada à valiosa biodiversidade — componentes da “fórmula” já conhecida na transformação da agricultura tropical (Embrapa, investimentos, natureza e empreendedores) — e as oportunidades para a geração de novas economias, como a dos combustíveis sustentáveis de aviação e a da regeneração, essenciais para o turismo do presente e do futuro.

Ao Brasil caberia liderar muitas discussões e propor encaminhamentos, inclusive em Davos, sobre a transição do turismo rumo à economia de baixo carbono. Sabe-se que, atualmente, as viagens são responsáveis por quase 9% das emissões totais de gases de efeito estufa e que não há sinais de redução sem programas intencionalmente desenhados para esse fim. As projeções indicam um robusto crescimento das viagens em todo o mundo e, paralelamente, sólidas oportunidades para a geração de uma nova economia de baixo carbono no turismo, até atingirmos a neutralidade dos gases.

O marco de 2050, quando as metas do Acordo de Paris determinam um mundo carbono neutro, indica que deveremos registrar mais de 4,7 bilhões de turistas internacionais — um volume preocupante, três vezes superior ao atual. Desde novembro de 2024, com a inserção do turismo na governança global do clima (COP29), crescer passou a ser o cardápio, e a despoluição sentou-se à mesa. O Brasil tem a oportunidade de consolidar-se como líder dessa transição, ocupando o assento da cabeceira: acelerar o combustível sustentável de aviação e as políticas para o turismo regenerativo pode ser o começo.

Sentar-se à mesa requer decisão, estratégia, investimento e contribuição — elementos que espero que ajustemos antes que nos consolidem como cardápio no turismo global pós-Acordo de Paris.

(*) Jaqueline Gil é CEO da Amplia Mundo, Doutoranda em Desenvolvimento Sustentável na Universidade de Brasília. Viajou a Davos a convite do Basel Investor Forum

 

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Exportações agressivas da China e tarifaço dos EUA geram “tempestade perfeita” para indústria brasileira de máquinas e equipamentos

Da Redação

Brasília – A China avança sobre o mercado brasileiro de máquinas e equipamentos, elevou para 32% sua participação no segmento, evidenciando um processo contínuo de perda de competitividade do produtor nacional, com impactos diretos sobre o nível de emprego qualificado e a capacidade do país de sustentar cadeias produtivas estratégicas no longo prazo.

Com a crescente e agressiva presença chinesa, as importações desses produtos cresceram 8,3% em 2025 sobre 2024 e somaram Us$ 32,2 bilhões, novo recorde histórico para o setor. Esse movimento ampliou o déficit da balança comercial da indústria, que ultrapassou US$ 18 bilhões no ano passado, mais de 120% acima da média registrada após as crises de 2015-2016 e da pandemia.

Esses dados compõem uma radiografia do setor divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) com ampla análise sobre o desempenho do setor no ano passado e uma projeção pouco animadora para o ano que acabou de se iniciar.

Segundo a Abimaq, “as importações de máquinas e equipamentos continuam exercendo forte pressão sobre a indústria nacional. As importações já representam 46% do consumo nacional, praticamente o dobro da participação observada antes de 2014”.

China e tarifaço dos EUA geram “tempestade perfeita” para o setor

Na percepção da Abimaq, a China é a grande responsável pelo desequilíbrio revelado pelo balanço do setor no ano passado. A Associação destaca com grave preocupação “a forte predominância da China como principal origem das máquinas importadas” e avalia que esse é um processo irreversível.

Aliado ao aumento descontrolado das importações oriundas da China, a Associação identifica outro fator igualmente relevante: a queda de mais de 9% nas exportações desses produtos para os Estados Unidos, principal destino das máquinas e equipamentos brasileiros no exterior.

Com isso, sublinha a entidade, “o ambiente externo tornou-se progressivamente mais desafiador ao longo de 2025. As medidas adotadas pelo governo Trump, com aumento de tarifas de importação sobre máquinas brasileiras, não só fizeram com que as vendas para o mercado recuassem, mas também contribuíram para a redução de sua participação no total exportado pelo setor. Esse cenário de maior protecionismo, combinado com a desaceleração do crescimento global, elevou a incerteza e limitou o potencial de expansão das vendas externas, exigindo das empresas brasileiras maior esforço de diversificação de mercados”.

O forte aumento das importações acabou minimizando os efeitos do aumento de 5% nas exportações no ano passado, após a retração observada em 2024, conforme destaca a Abimaq. De acordo com a Associação, o resultado foi sustentado pelo aumento do volume exportado e pela expansão das vendas para países da América Latina e da União Europeia, com destaque para máquinas destinadas à infraestrutura, agricultura e ao setor de petróleo. Esse movimento compensou a desaceleração do mercado norte-americano e a queda dos preços internacionais.

A entidade destaca ainda que a indústria brasileira de máquinas e equipamentos encerrou 2025 com sinais de perda de fôlego no segundo semestre, após um primeiro semestre mais dinâmico. Embora o resultado anual seja positivo, com crescimento disseminado na maioria dos segmentos o comportamento recente dos principais indicadores revela um movimento de desaceleração consistente, influenciado pela política monetária restritiva, pela maior concorrência de importados e por um ambiente internacional mais adverso.

Importância da diversificação de mercados

De acordo com o balanço da Abimaq, a receita líquida total da indústria de máquinas e equipamentos somou R$ 299 bilhões em 2025, crescimento de 7,3% frente ao ano anterior. Houve resultado positivo no acumulado do ano, mas o comportamento ao longo do segundo semestre foi marcado por desaceleração, com queda de 2,8% no último trimestre em comparação ao mesmo período de 2024. O mês de dezembro registrou o terceiro resultado negativo consecutivo na comparação interanual, refletindo o arrefecimento dos investimentos sobre impacto da política monetária restritiva

Para 2026, em relação às exportações, a Abimaq projeta uma certa estabilidade de desempenho, na medida em que o cenário externo segue marcado por elevada incerteza, com desaceleração do crescimento global, aumento de medidas protecionistas e aprofundamento da guerra tarifária, em especial a partir das novas tarifas adotadas pelos Estados Unidos.

Esse ambiente limita a expansão das vendas externas de máquinas e equipamentos brasileiros e reforça a importância de estratégias voltadas à diversificação de mercados e ao fortalecimento da indústria local como forma de mitigar riscos e sustentar o crescimento no médio e longo prazo, conclui a Associação.

 

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