Exportação de café registra em novembro queda de 26,7% em volume com alta de 8,9% na receita

Volume representa queda de 21% ante 2024, movimento esperado após o recorde no ano passado, a menor disponibilidade do produto e os impactos do tarifaço dos EUA e da defasagem da infraestrutura portuária no país

Da Redação (*)

Brasília – Segundo o mais recente relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país exportou 3,582 milhões de sacas de 60 kg do produto em novembro, volume que representa queda de 26,7% em relação aos 4,889 milhões aferidos no mesmo mês em 2024. Em receita cambial, contudo, registra-se um incremento de 8,9% no mesmo intervalo comparativo, com os rendimentos saltando de US$ 1,409 bilhão para US$ 1,535 bilhão.

Com essa performance, o Brasil chega à exportação de 17,435 milhões de sacas nos cinco primeiros meses do ano safra 2025/26, o que gerou ingressos de US$ 6,723 bilhões. Na comparação com o intervalo entre julho e novembro de 2024, registra-se declínio de 21,7% em volume, mas crescimento de 11,6% em receita.

ANO CIVIL
No acumulado dos 11 primeiros meses de 2025, o Brasil exportou 36,868 milhões de sacas de todos os tipos de café, montante que implica queda de 21% frente aos 46,658 milhões de sacas em idêntico período do ano passado. A receita cambial, entretanto, cresce 25,3% no mesmo intervalo comparativo, avançando de US$ 11,377 bilhões para os atuais US$ 14,253 bilhões.“

A maior entrada de dólares com os embarques de café do Brasil em novembro, na safra e no acumulado de 2025 reflete as cotações mais elevadas no mercado, com preços médios cerca de 50% superiores aos mesmos períodos antecedentes. Já o recuo no volume era esperado após números recordes em 2024 e menor disponibilidade do produto neste ano”, analisa o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira. Ele completa que o impacto gerado pelos quase quatro meses de tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre a importação dos cafés do Brasil

e a dificuldade para embarcar devido à defasagem da infraestrutura portuária no país foram fatores que também afetaram o desempenho do setor.

De agosto a novembro deste ano, período de vigência das taxas impostas pelos EUA — 6 de agosto a 21 de novembro, com retroatividade ao dia 13 —, as exportações dos cafés brasileiros aos norte-americanos despencaram 54,9% na comparação com os mesmos quatro meses de 2024, saindo de 2,917 milhões de sacas para 1,315 milhão de sacas.

“Após a retirada do tarifaço sobre os cafés arábica, conilon, robusta, torrado e torrado e moído, observamos a retomada dos negócios entre Brasil e EUA, o que implica que deveremos observar melhoras nos números a partir deste mês de dezembro. Contudo, é preciso recordar que o café solúvel, que representa 10% de nossas exportações aos americanos, ainda segue tarifado em 50%, por isso continuaremos trabalhando para que esse produto também seja isento da taxação”, comenta Ferreira.

Já a defasagem na infraestrutura dos portos brasileiros e os gargalos logísticos seguem gerando prejuízos milionários aos exportadores de café. De acordo com o levantamento mais recente realizado pelo Cecafé, os associados da entidade tiveram prejuízo de R$ 8,719 milhões com armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions, somente em outubro de 2025, devido à impossibilidade de embarque de 2.065 contêineres — 681.590 sacas – do produto.

Isso se deu porque 52% dos navios, ou 204 de um total de 393 embarcações, tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil, conforme o Boletim DTZ, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Conselho.

Somente no Porto de Santos, principal porta de saída dos cafés do Brasil ao exterior, com representatividade de 79% dos embarques no acumulado do ano, o índice de atraso ou alteração de escalas de navios foi de 73% no mês retrasado, o que envolveu 148 do total de 203 porta-contêineres, sendo registrado tempo de espera de até 61 dias.

PRINCIPAIS DESTINOS
Apesar do declínio motivado pela taxação, os Estados Unidos permanecem como o principal importador dos cafés do Brasil no acumulado de janeiro ao fim de novembro de 2025, com a importação de 5,042 milhões de sacas, aferindo queda de 32,2% na comparação com os 11 primeiros meses de 2024. Esse volume corresponde a 13,7% dos embarques totais no agregado deste ano.

Fechando a lista dos cinco principais destinos dos cafés do Brasil até novembro, aparecem Alemanha, com a importação de 5,003 milhões de sacas e queda de 31% em relação ao mesmo período do ano passado; Itália, com 2,912 milhões de sacas (-21,7%); Japão, com 2,413 milhões de sacas (+17,5%); e Bélgica, com 2,146 milhões de sacas (-47,5%).

TIPOS DE CAFÉ
Nos primeiros 11 meses de 2025, o café arábica permanece como a espécie mais exportada pelo Brasil, com o envio de 29,630 milhões de sacas ao exterior. Esse volume equivale a 80,4% do total, ainda que signifique queda de 13,1% em relação a idêntico intervalo antecedente.

A espécie canéfora (conilon + robusta) vem na sequência, com o embarque de 3,773 milhões de sacas (10,2% do total), seguida pelo segmento do café solúvel, com 3,411 milhões de sacas (9,3%), e pelo setor industrial de café torrado e torrado e moído, com 53.832 sacas (0,1%).

CAFÉS DIFERENCIADOS
Os cafés que têm certificados de práticas sustentáveis, qualidade superior ou especiais respondem por 19,6% das exportações totais brasileiras entre janeiro e novembro de 2025, com a remessa de 7,221 milhões de sacas ao exterior. Esse volume é 11% inferior ao registrado no acumulado dos mesmos 11 meses do ano passado.

A um preço médio de US$ 432,41 por saca, a receita cambial com os embarques do produto diferenciado foi de US$ 3,122 bilhões, o que corresponde a 21,9% do total obtido com os embarques de janeiro a novembro deste ano. Na comparação com o mesmo intervalo de 2024, o valor é 42,9% superior.

Os EUA lideram o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 1,192 milhão de sacas no acumulado de 2025, o equivalente a 16,5% do total desse tipo de produto exportado. Fechando o top 5, aparecem Alemanha, com 1,111 milhão de sacas e representatividade de 15,4%; Bélgica, com 729.675 sacas (10,1%); Holanda (Países Baixos), com 691.008 sacas (9,6%); e Itália, com 416.948 sacas (5,8%).

(*) Com informações do Cecafé

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Acordo Mercosul-Emirados deverá ampliar acesso de produtos do agro aos países árabes, projeta CNA

Negociações para livre comércio estão em curso. Para a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, isenção de tarifas pode ampliar acesso dos produtos do agronegócio brasileiro ao mercado árabe.

Da Redação (*)

Brasília – A diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Mori, afirmou que, se assinado, o acordo de livre comércio entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos deverá beneficiar as exportações do agronegócio brasileiro não apenas ao país do Golfo, mas para diversas nações árabes. A CNA realizou nesta terça-feira (9), uma entrevista coletiva online para apresentar os resultados do setor neste ano e expectativas para 2026.

Mori afirmou que o agronegócio brasileiro tem um “relacionamento estável” com os países do Oriente Médio e do Norte da África. Disse que uma possível conclusão do acordo que está em negociação tem potencial para ampliar o comércio do Brasil com nações árabes porque os Emirados são um polo de distribuição e reexportação.

“Tarifa, especificamente, não é uma grande barreira, mas tem outras questões, e um acordo comercial acaba elevando a relação [entre os países] e facilitando outras questões para aumentar o acesso dos produtos e ampliar a relação comercial. É uma região que depende muito da importação de alimentos, e nós, como maior exportador líquido de alimentos do mundo, temos um interesse muito grande de acessar mais o mercado. A diversificação de mercados e produtos é uma pauta prioritária do Brasil e da CNA, então temos expectativa positiva”, disse.

Mori destacou que a pauta de negociações do Mercosul com outros países está sendo ampliada. “A entrada da negociação com os Emirados traz expectativa muito positiva”, afirmou. A executiva da CNA alertou, porém, que 2026 pode ser um ano desafiador para o setor caso os Estados Unidos mantenham a taxação de 40% a produtos brasileiros do agronegócio. Esse impacto poderá atingir US$ 2,7 bilhões no decorrer do ano. Até novembro, contudo, o setor conseguiu registrar alta de 1,7% nas exportações, mesmo em meio ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

CNA avalia desempenho do setor no Brasil

O presidente da CNA, João Martins, afirmou que neste ano o Brasil atingiu recorde na produção de grãos e que deverá buscar ampliar sua produção e capacidade exportadora. “Conseguimos, com restrição de crédito e problemas climáticos, registrar novo recorde de produção”, afirmou, sobre a safra de 354,8 milhões de toneladas.

Diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi destacou como desafios para o setor a elevada taxa de juros Selic, dívida pública do Brasil elevada, insegurança jurídica no agronegócio, eleições e clima, com fenômenos climáticos como o La Niña, já em curso, e El Niño, esperado para o decorrer de 2026. “Para o ano que vem, dificilmente o governo cortará gastos em período de eleição. Há risco de a inflação subir e ser prejudicial aos produtores do setor e para a redução da Selic”, disse Lucchi.

A Selic é a taxa básica de juros do Banco Central, atualmente em 15% ao ano. A perspectiva da CNA é que encerre 2026 em 12,25%, um patamar ainda elevado na avaliação da instituição. A CNA acusou também um elevado aumento na inadimplência do produtor rural. Lucchi observou que tem aumentado a quantidade de uso de capital dos próprios produtores para os investimentos no setor.

(*) Com informações da ANBA

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Brasil se destaca como principal fronteira de crescimento das  viagens de luxo na América Latina

Relatório da Hyatt Inclusive Collection revela um forte crescimento do setor, mudanças nas preferências dos viajantes e a ampliação das oportunidades de investimento

Da Redação

Brasília – Um novo relatório sobre o panorama do turismo de luxo em cinco importantes mercados latino-americanos — Brasil, Colômbia, Costa Rica, México e República Dominicana (Latin America’s Luxury Tourism Landscape Research Report), realizado pela Hyatt Inclusive Collection — revela um forte crescimento do setor, mudanças nas preferências dos viajantes e a ampliação das oportunidades de investimento, especialmente no segmento de luxo em desenvolvimento no Brasil.

O setor de turismo de luxo continua a evoluir no Brasil, com o viajante típico de alto padrão sendo identificado como uma mulher entre 30 e 49 anos que prioriza bem-estar, cultura e gastronomia. Esse público prefere acomodações 4–5 estrelas que ofereçam atendimento personalizado, conexão emocional e experiências exclusivas baseadas em narrativas.

A maturidade do mercado varia pela Região

México, Costa Rica e República Dominicana se destacam por seus mercados de luxo maduros, padronizados e integrados internacionalmente. Em contraste, Brasil e Colômbia apresentam ambientes menos consolidados, porém de alto potencial — especialmente para marcas internacionais dispostas a investir em parcerias locais e experiências culturalmente relevantes. Nesses mercados emergentes, a vantagem de pioneirismo ainda é possível, sobretudo em destinos secundários com fortes atrativos ecológicos e culturais.

Apesar de ser a maior economia da região, o Brasil continua sendo o mercado de hospitalidade de luxo menos consolidado, com hotéis independentes representando 60% da oferta total e com investimentos fortemente concentrados nas regiões Sudeste e Sul. O modelo all-inclusive, amplamente adotado em outras partes da região, é relativamente pouco desenvolvido no país.

No entanto, o clima de investimento no Brasil está cada vez mais favorável. O país ficou em segundo lugar entre os maiores destinos de IDE global no primeiro semestre de 2024, atraindo US$ 32 bilhões, segundo dados da OCDE. O investimento estrangeiro relacionado ao turismo alcançou US$ 360 milhões em 2024, superando significativamente os números de 2023, de acordo com o Ministério do Turismo.

A chegada de visitantes internacionais também está acelerando. O Brasil recebeu mais de seis milhões de turistas estrangeiros em 2024, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Janeiro de 2025 estabeleceu um novo recorde mensal, com quase 1,5 milhão de visitantes internacionais — alta de 55% em comparação a janeiro de 2024. A Argentina foi o principal mercado emissor (1,9 milhão de turistas), seguida pelos Estados Unidos (728 mil), Chile (653 mil) e pelos vizinhos Paraguai e Uruguai (mais de 853 mil somados). Mais de 1,2 milhão de europeus visitaram o país entre janeiro e outubro de 2024, representando um aumento de 21%.

Segundo o Ministério do Turismo, o setor de turismo brasileiro gerou um recorde de R$ 207 bilhões (~US$ 37 bilhões) em 2024, com os viajantes internacionais respondendo por um quinto desse total — o maior nível em 15 anos. Apesar desse crescimento, o turismo doméstico continua dominante, representando 80% da receita total.

O segmento de luxo permanece particularmente promissor. Avaliado em R$ 80 bilhões (~US$ 14,4 bilhões) em 2023, ele deve atingir R$ 130 bilhões (~US$ 23,4 bilhões) até 2030, segundo a Bain & Company.

A tendência atual indica que o turismo de luxo na América Latina vai além da infraestrutura, priorizando a capacidade dos destinos de atender às expectativas dos viajantes em termos de bem-estar, sustentabilidade e autenticidade.

“Hoje, os viajantes de alto padrão buscam mais do que conforto material; eles querem um valor emocional mais profundo baseado em bem-estar, conexão cultural e sustentabilidade. Preferem destinos que combinem exclusividade e sofisticação sem perder autenticidade ou conexão humana”, afirmou Antonio Fungairino, head de Desenvolvimento para a América Latina e Caribe.

Oportunidades de Investimento em Hospitalidade de Alto Padrão

A paisagem brasileira de hotéis de luxo abrange marcas internacionais, redes nacionais e propriedades independentes distintas. Destinos voltados para a natureza são particularmente fortes: segundo a Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), hotéis em áreas rurais e naturais registram taxas anuais de ocupação superiores às de seus equivalentes litorâneos ou urbanos.

Os principais destinos de luxo incluem Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Manaus, o Pantanal e o Maranhão, com hotspots já consolidados, como Fernando de Noronha, o Pantanal e Gramado, continuando a demonstrar potencial estratégico. Os períodos de maior demanda incluem Réveillon, Carnaval, casamentos e eventos corporativos.

A sustentabilidade também está moldando o comportamento do mercado: 64% dos hotéis de luxo e 80% dos operadores turísticos apoiam iniciativas comunitárias. As regiões Norte e Nordeste do Brasil apresentam fortes oportunidades para projetos de turismo climático e regenerativo — áreas com grande potencial, mas que exigem planejamento de longo prazo, relações governamentais sólidas e forte expertise jurídica.

Apoio Governamental e Desenvolvimento de Infraestrutura

Mecanismos governamentais como o Fungetur, juntamente com parcerias com o BID, a OMT e secretarias estaduais de turismo, estão ampliando o acesso ao financiamento e promovendo o desenvolvimento sustentável. A nova iniciativa de branding nacional destaca a diversidade e a responsabilidade ambiental do país.

No entanto, persistem desafios. Investidores continuam a enfrentar burocracia excessiva, tributação complexa e incerteza jurídica — especialmente no que diz respeito aos procedimentos de licenciamento ambiental.

Apesar dessas barreiras, a posição do Brasil está se fortalecendo. Entre 2015 e outubro de 2024, o país ficou em terceiro lugar na América Latina e no Caribe em projetos greenfield anunciados para o turismo, totalizando USD 1,49 bilhão em 50 empreendimentos. O turismo agora representa 8% do PIB nacional, sinalizando forte potencial de médio prazo para o desenvolvimento de luxo e alto padrão.

A análise destaca Brasil e Colômbia como mercados emergentes no setor, com grande potencial devido à sua localização e ofertas culturalmente atrativas — um aspecto altamente valorizado pelos viajantes globais atualmente. Esse cenário tem se mostrado ideal para atrair investidores e empresários interessados em construir novos empreendimentos no país. A Hyatt Inclusive Collection é uma das marcas que planeja fazê-lo na região Nordeste nos próximos anos.

 

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Remessa Online mira em expansão estratégica no comércio exterior e projeta crescimento de mais de 400% em 2026

A fintech, parte do grupo EBANX desde 2011, vem realizando uma série de otimizações em sua plataforma para realizar transações em apenas cinco minutos

Da Redação (*)

Brasília – A Remessa Online, maior plataforma independente de transferências internacionais do Brasil, anuncia a expansão de sua atuação no segmento de comércio exterior e a evolução de seu portfólio de soluções para importadores e exportadores, consolidando o comércio exterior como um eixo prioritário para 2026.

Impulsionada pelo aumento da demanda de pequenas e médias empresas por operações internacionais mais ágeis e previsíveis, a companhia projeta um crescimento de 470% em seu produto de COMEX no próximo ano. Entre as melhorias implementadas recentemente está o novo fluxo de cadastro empresarial, online e simplificado, além da aceleração significativa do processamento de pagamentos de importação, que passou de seis horas para apenas cinco minutos para clientes já cadastrados na plataforma.

Para novos usuários, o processo completo — do cadastro à finalização do pagamento — pode ser concluído em cerca de 1h30, um desempenho bastante superior ao dos modelos tradicionais de mercado. Segundo parâmetros públicos do Banco Central, Febraban e manuais de câmbio de grandes bancos, o fluxo bancário costuma exigir de 2 a 5 horas apenas para análise documental, podendo chegar a 1 a 3 dias úteis para a liquidação completa.

A expectativa da Remessa Online é que, com a digitalização crescente e a ampliação de ofertas para PMEs, mais empresas consigam acessar o mercado internacional com eficiência operacional e menor barreira de entrada. Ao simplificar o acesso ao câmbio internacional e reduzir o tempo de processamento para apenas alguns minutos, reforçamos nosso compromisso em apoiar o crescimento das PMEs no mercado global”, afirma Márcio William, CEO da Remessa Online.

PMEs ganham protagonismo no comércio exterior brasileiro

As pequenas e médias empresas (PMEs) têm ampliado sua relevância no comércio exterior, especialmente no abastecimento de cadeias produtivas essenciais. Dados analisados pela Remessa Online indicam que esse segmento movimentou US$ 4,74 bilhões em importações em 2024, representando 27.491 empresas ativas — quase metade do total de importadoras do país. Entre os setores mais relevantes estão a Indústria da Transformação (50%), Agropecuária (30%) e Indústria Extrativa (18%), que dependem de insumos internacionais para manter sua competitividade.

A Ásia permanece como a principal origem das compras, concentrando 64,1% das importações das PMEs, com destaque para máquinas, equipamentos, componentes eletrônicos, metais, produtos químicos e insumos agrícolas. O mercado evidencia a oportunidade para novas empresas ingressarem no comércio exterior e para as operações já existentes ganharem maior profissionalização.

(*)Com informações da Remessa Online

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A inteligência emocional é o novo diferencial na era da IA

Eduardo Schuler (*)

A era digital transformou o conhecimento em um bem perecível. Em um cenário em que a inteligência artificial dobra de capacidade a cada poucos meses, segundo o AI Index 2024, da Stanford University, o que se sabe hoje pode se tornar obsoleto em questão de semanas. Esse ritmo acelerado de inovação criou um paradoxo inquietante. Enquanto a tecnologia promete libertar o tempo humano, as pessoas se sentem cada vez mais pressionadas a aprender, atualizar-se e produzir mais, tudo ao mesmo tempo. É a promessa da eficiência colidindo com a realidade emocional das pessoas e, até agora, a tecnologia está vencendo.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial (2023), mais de 78% das empresas já utilizam algum tipo de inteligência artificial. Em tese, isso deveria liberar o profissional de tarefas repetitivas para atividades mais criativas. Na prática, porém, o que se vê é o oposto. O aumento da ansiedade e da sensação de inadequação diante de ferramentas que mudam mais rápido do que conseguimos dominá-las. O ciclo de validade do conhecimento encolheu, e com ele, o conforto da estabilidade profissional. É um cenário que expõe uma verdade incômoda, uma vez que não estamos diante de um “déficit de habilidade técnica”, mas de um déficit emocional para lidar com mudança constante.

Esse cenário exige um novo tipo de inteligência, não a lógica dos algoritmos, mas a emocional dos humanos. A capacidade de lidar com o desconforto, acolher a incerteza e cultivar a curiosidade se tornou estratégica. Segundo estudo da Harvard Business Review (2024), profissionais com maior inteligência emocional se adaptam até 30% mais rápido a novas tecnologias, justamente porque transformam o medo em motor de aprendizado. Em outras palavras, não é quem sabe mais que avança, é quem tolera melhor o desconforto de não saber.

Mas como fazer isso na prática? O primeiro passo é aceitar que aprender é um processo emocional, não apenas cognitivo. É natural sentir insegurança diante do desconhecido, o erro é negar isso. Práticas simples, como reservar blocos semanais para “aprendizado sem meta”, participar de comunidades de troca e encarar a curiosidade como parte do trabalho, ajudam a reduzir a ansiedade. Empresas que compreendem isso criam culturas de aprendizagem contínua, onde o erro não é punido, mas explorado como fonte de melhoria. As que ignoram isso, por outro lado, acabam produzindo times rápidos na operação, mas lentos na adaptação.

A consultoria McKinsey estima que até 30% das horas de trabalho globais poderão ser automatizadas por IA até 2030. Não é o fim dos empregos, mas o fim da forma antiga de executá-los. Em um estudo conjunto entre a Harvard Business School e o Boston Consulting Group (2024), consultores que usaram IA produziram resultados 40% melhores, não por saberem mais, mas por aprenderem a usar a tecnologia como parceira, não competidora. Esse dado escancara uma diferença crucial. Quem reage à IA com resistência perde, quem reage com abertura emocional multiplica resultados.

O dilema é claro: quanto mais produtivos nos tornamos, menos tempo sentimos ter para aprender. É um ciclo que só se rompe quando entendemos que a produtividade sem propósito leva à exaustão, enquanto o aprendizado gera energia e renovação. Continuar correndo sem tempo para aprender é a receita perfeita para a obsolescência emocional e profissional. A verdadeira competência do futuro, portanto, não está em acumular conhecimento, mas em manter viva a curiosidade. Em um mundo onde tudo envelhece rápido, a mente curiosa é a única que não envelhece. A inteligência emocional é o que nos permite continuar humanos em meio às máquinas, e talvez seja exatamente isso que nos manterá relevantes.

(*) Eduardo Schuler é CEO da Smart Consultoria, multiempresário e especialista em Growth e escala de negócios. Ao longo de sua trajetória, contribuiu estrategicamente para o crescimento exponencial de grandes marcas brasileiras, como Melissa e O Boticário.

 

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Crescimento nas buscas por pacotes de viagem no próximo ano consolida retomada do setor turístico

O termo “pacote de viagem 2026” aumentou em 817% no último ano, segundo levantamento da Comparar Seguro de Viagem

Da Redação (*)

Brasília – Com o fim de 2025, cresce também a lista de desejos dos brasileiros para o próximo ano. Viajar para fora do país segue entre as prioridades e a busca pelo termo “pacote de viagem 2026” cresceu em 817% no último ano, segundo levantamento da Comparar Seguro de Viagem.

O ano de 2026 se desenha como um ano repleto de oportunidades para que os sonhos de explorar o mundo saiam do papel e a movimentação nos aeroportos confirma a retomada do setor turístico.

De janeiro a agosto de 2025, os aeroportos brasileiros registraram a movimentação de 84,9 milhões de passageiros entre pousos e decolagens de voos nacionais e internacionais. O resultado representa um aumento de aproximadamente 10% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Já o movimento internacional segue em aceleração com 2,3 milhões de passageiros em outubro, um crescimento de 9,3% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, 23,5 milhões de viajantes realizaram voos internacionais.

O estudo realizado pela seguradora de viagem indicou preferência por pacotes completos, que reúnem assistência, transporte e hospedagem. A lista de destinos mais buscados é liderada por Chile, Punta Cana e Disney, seguidos por Cancún, Argentina, Bariloche, Itália, Machu Picchu, Maldivas, Paris e Tailândia.

(*) Com informações do MTur

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Exportações em queda e recuo nas vendas no mercado interno impactam produção do setor automotivo em novembro

Alta nos emplacamentos desacelera para 1,4% no acumulado do ano

Da Redação (*)

Brasília – Os indicadores de desempenho do setor automotivo em novembro apresentaram uma série de recuos em relação ao mês anterior, que teve quatro dias úteis a mais, e a novembro do ano passado, de acordo com o balanço mensal apresentado pela Anfavea. Houve desaceleração no mercado interno e nos embarques para outros países, o que foi acompanhado por uma queda na produção. Embora a média diária de vendas de 12,6 mil autoveículos em novembro tenha sido a mais alta do ano, ela ficou abaixo de 2024 pelo quarto mês consecutivo.

Assim, o crescimento acumulado de janeiro a novembro de 2025 segue acima do registrado no mesmo período do ano passado, mas por uma margem bem pequena. No total, foram emplacadas 2,410 milhões de unidades, alta de apenas 1,4% em relação a janeiro-novembro de 2024.

Na prática, essa alta é sustentada por modelos importados, já que os emplacamentos de nacionais neste período subiram apenas 0,1%. Em novembro, foram vendidas 238,6 mil unidades, um recuo de 8,5% em relação a outubro e de 5,9% em relação ao mesmo mês de 2024. A situação mais preocupante segue sendo a dos caminhões, com queda acumulada de 8,7% no ano. Até mesmo os autoveículos importados, que vinham em alta, verificaram retração de 10% no mês.

Esse fenômeno, associado à chegada de novos lotes de fora do país, fez com que os estoques de importados subissem de 130 para 153 dias. Se o fluxo de importações subiu, o de exportações caiu em novembro. Apenas 35,7 mil veículos nacionais seguiram para outros mercados, o que representou o segundo pior mês do ano.

Alta nas vendas para a Argentina não se sustenta em novembro

A retração nas vendas da Argentina, o principal destino dos veículos fabricados no Brasil, explica o resultado. Apesar disso, devido especialmente aos bons resultados primeiro semestre, os embarques para o país vizinho ainda registram alta de 37,9% no acumulado deste ano.

O cenário de desaceleração levou a uma queda relevante na produção do mês de novembro. As 219 mil unidades fabricadas representaram volume 11,6% inferior ao de outubro, com a ressalva dos 4 dias úteis a menos do mês passado. Na comparação com novembro de 2024, no entanto, quando houve o mesmo número de dias, a redução foi de 8,2%.

“Ainda estamos com uma produção acumulada 4,1% mais alta do que nos primeiros onze meses de 2024, mas esse crescimento está muito abaixo do havíamos projetado para 2025, o que vem nos colocando em estado de alerta nos últimos meses”, afirmou Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

“Esperamos que dezembro traga um alento às vendas de automóveis e comerciais leves, após o sucesso estrondoso do Salão do Automóvel. Já o segmento de pesados, o mais impactado pelos juros elevados, precisa de um olhar mais atento para que retorne a patamares normais e o setor possa garantir a manutenção de empregos”, disse Calvet.

(*) Com informações da Anfavea

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Tendências 2026 na visão da eComex: comércio exterior brasileiro avança rumo à era da aduana inteligente

Tecnologia, dados e sustentabilidade redefinem o futuro do setor

Da Redação (*)

Brasília – O comércio exterior brasileiro vive um momento de virada histórica. Impulsionado por avanços tecnológicos, mudanças regulatórias e novas exigências de sustentabilidade, o setor se aproxima de um modelo mais integrado, inteligente e orientado por dados — movimento que deve reposicionar o Brasil no cenário global até o fim da década.

A avaliação é de Tiago Barbosa, um dos idealizadores do PUCOMEX enquanto atuava em tempo integral no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) como Gerente do Portal Único do Comércio Exterior e Coordenador-Geral de Facilitação do Comércio, e de André Barros, CEO da eComex. Para ambos, a combinação entre inovação, governança e colaboração institucional marca o início de uma nova fase.

“O comércio exterior está entrando em uma nova arquitetura. Saímos da lógica documental para a lógica orientada por dados, interoperabilidade e inteligência artificial”, afirma Barbosa. “Setor público e privado estão, finalmente, alinhados, e esse alinhamento muda tudo”, complementa Barros.

Crescimento da corrente de comércio reforça maturidade do setor

Mesmo diante de um ambiente internacional desafiador, o Brasil deve manter superávits expressivos. Projeção mais recente para 2025, divulgada pelo Banco Central, é de cerca de US$62,9 bilhões, com estimativa de alta para US$65,7 bilhões em 2026. Em 2024, a corrente de comércio do país registrou um crescimento de 3,3%, ampliando também sua participação nas exportações globais.

Para Barbosa, o resultado reflete o efeito acumulado das iniciativas de facilitação do comércio: “A maturidade do setor privado e o ganho de eficiência trazido pelo Portal Único tornaram o processo com menos atrito e mais previsível. Isso se traduz diretamente em competitividade.”

Portal Único e DUIMP consolidam um dos maiores projetos de Estado do país

A consolidação da DUIMP representa o ponto alto de um ciclo iniciado em 2013 com o lançamento do Portal Único de Comércio Exterior. Barbosa destaca que o projeto, concebido como iniciativa de Estado, manteve continuidade, governança e orçamento ao longo de cinco governos, algo incomum na administração pública.

Segundo o especialista, o maior impacto vai além da tecnologia: “A DUIMP é a expressão de uma mudança estrutural. O país revisou processos, atualizou marcos normativos e adotou um modelo de risco compatível com as melhores práticas internacionais. E, principalmente, consolidou um ambiente de colaboração entre governo e setor privado.”

Barros reforça: “Hoje existe diálogo real. Mudanças regulatórias são discutidas, planejadas e implementadas com previsibilidade. Esse nível de integração era impensável dez anos atrás.”

Reforma tributária inaugura novo paradigma para o fluxo financeiro das importações

A partir de 2027, a nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) será recolhida na entrega da carga — e não mais no registro da operação. A mudança aproxima o Brasil de modelos internacionais e reduz significativamente a exposição financeira das empresas.

“Desvincular tributo do registro dá liquidez ao processo e incentiva o despacho antecipado. É uma alteração silenciosa, mas estrutural”, afirma Barbosa.

Outro ponto transformador é o PL 215, que permitirá que empresas certificadas como OEA paguem tributos até o dia 20 do mês subsequente.

“É um ganho de caixa relevante, que premia conformidade com vantagem competitiva”, explica o especialista.

Aduana inteligente: IA eleva precisão e reduz burocracia

O avanço da inteligência artificial na Receita Federal já demonstra resultados. Entre 2016 e 2022, a taxa de seleção de cargas caiu de 8% para 2,8%, enquanto a arrecadação adicional subiu de R$170 milhões para R$370 milhões, reflexo de sistemas de análise de risco cada vez mais sofisticados.

“A aduana deixa de funcionar a partir de documentos e passa a operar a partir de dados. A capacidade de predição aumenta e a intervenção se torna mais precisa”, afirma Barbosa.

No setor privado, a automação segue o mesmo caminho. A eComex utiliza agentes digitais capazes de extrair dados, interpretar documentos e registrar informações em sistemas governamentais. “Isso libera o profissional para atividades estratégicas, diminui erros e aumenta a velocidade operacional”, explica Barros.

ESG ganha força regulatória e redefine cadeias exportadoras

A partir de 2027, empresas de capital aberto deverão reportar riscos climáticos com base nas normas IFRS S1 e S2, e a responsabilidade pelas informações passará a ser do CFO. Apesar de 95% das grandes empresas brasileiras publicarem relatórios de sustentabilidade, apenas 10% integram de fato os critérios às estratégias corporativas.

Para Barbosa, essa mudança encerrará definitivamente o greenwashing. “ESG passa a ser medido, auditado e comparável. Sem rastrear carbono — sobretudo o escopo 3 — será impossível competir em mercados exigentes como a União Europeia.”

“Não se trata apenas de divulgar dados, mas de rastrear toda a cadeia: fornecedor, modal, logística internacional, armazenagem. Exige tecnologia e planejamento de longo prazo”, ressalta Barros.

Tendências tecnológicas aceleram a transição para cadeias altamente automatizadas

Barbosa destaca que a próxima década será marcada pela incorporação de tecnologias que já começam a despontar em aduanas avançadas. Ele cita a interoperabilidade internacional de dados, que tende a reduzir ou substituir declarações tradicionais; a evolução da IA agêntica, capaz de executar operações ponta a ponta; e o uso crescente de robôs polifuncionais em portos e centros logísticos. O decision intelligence deve tornar decisões críticas mais rápidas e fundamentadas, enquanto a chamada “inteligência ambiental invisível” permitirá rastrear eventos logísticos em tempo real, sem intervenção humana.

Segundo o especialista, a convergência dessas tecnologias deve acelerar a automação da cadeia global e permitir a redução drástica da burocracia, alinhando o Brasil à agenda internacional.

A transformação humana será o eixo central da nova fase

Apesar dos avanços tecnológicos, ambos os especialistas concordam que o maior desafio dessa nova etapa é humano.

“A transformação digital já aconteceu. Agora é a transformação humana. O profissional precisa desenvolver pensamento analítico, visão sistêmica e mentalidade sustentável para liderar esse processo”, afirma Barros.

Com esse objetivo, a empresa lançou a Comex Pulse Comm, comunidade voltada ao desenvolvimento de líderes capazes de atuar nesse ambiente de alta complexidade.

“A tecnologia é o meio. Quem sustenta o futuro do comércio exterior são as pessoas”, conclui o executivo.

(*) Com informações da eComex

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Comissão aprova plano permanente para reforçar relação Brasil–EUA e ampliar presença institucional do Brasil nos EUA

Da Redação (*)

Brasília – A Comissão Temporária para interlocução sobre as relações econômicas bilaterais com os Estados Unidos (CTEUA) aprovou na última quarta-feira (3) o relatório final da senadora Tereza Cristina (PP-MS). O documento defende uma estratégia ativa de diplomacia econômica para proteger as exportações brasileiras e fortalecer as relações bilaterais e multilaterais do país.

Entre as recomendações a serem encaminhadas aos Ministérios de Relações Exteriores e de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a relatora propõe ampliar a presença institucional do Brasil em Washington, intensificar o diálogo direto entre os dois Parlamentos, criar uma estrutura permanente para monitorar investigações tarifárias americanas e diversificar mercados internacionais para reduzir a vulnerabilidade externa.

O relatório lembra que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, com alíquotas de até 50% sobre uma ampla cesta de produtos brasileiros, representou uma mudança brusca na relação comercial entre os dois países. Para Tereza Cristina, o impacto imediato da medida revelou fragilidades na interlocução bilateral e exigiu resposta coordenada entre o governo, Congresso e o setor produtivo.

A comissão realizou missão oficial a Washington entre os dias 28 e 30 de julho, considerada o marco central de sua atuação. A articulação do Senado, segundo Tereza Cristina, complementou a atuação do Itamaraty e ajudou a abrir portas políticas nos EUA, reforçando a interlocução entre governos e setores produtivos dos dois países.

“O trabalho começou, de alguma forma, desacreditado por muitos, mas nós hoje temos certeza dos efeitos que causou quando chegamos aos Estados Unidos, quando fomos ao Congresso Americano conversar com senadores e d’eixamos lá boa impressão e abrimos um canal de conversação com o Parlamento americano” disse a senadora.

O presidente do grupo, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que o “movimento se mostrou como uma aposta acertada” ao colocar os interesses nacionais acima de posicionamentos ideológicos.

Coordenação entre poderes e a sociedade civil

“No âmbito parlamentar, conseguimos pavimentar o caminho para os esforços coordenados e complementares de todos, Executivo, Legislativo, sociedade civil, empresariado. A retomada da interlocução com os Estados Unidos em meio a talvez a maior crise dos últimos séculos de relacionamento bilateral comprovou que, sozinho, seja quem for, não se chega à superação de obstáculos que talvez pareçam intransponíveis”, afirmou Tereza Cristina.

No parecer, a relatora afirma que a resposta à conjuntura pode passar por três eixos principais: engajamento direto com a administração norte-americana, buscando flexibilizações, exceções ou ajustes nas tarifas impostas; fortalecimento de canais parlamentares e uma articulação sistemática com o setor privado brasileiro e norte-americano.

Ela destacou que o momento exige uma estratégia de longo prazo, voltada não apenas à reversão das tarifas, mas à correção de assimetrias e à ampliação da influência brasileira nos processos decisórios dos EUA.

— A conjuntura de 2025 evidencia que o relacionamento Brasil– EUA precisa ser conduzido para além dos instrumentos tradicionais da diplomacia estatal, não para substituí-los, mas para complementá-los e reforçá-los. A complexidade do ambiente regulatório norte-americano, a sobreposição de instrumentos tarifários e a crescente fragmentação política nos EUA tornam indispensável o fortalecimento da presença institucional brasileira nos múltiplos pontos do processo decisório daquele país — complementou.

Dimensão geopolítica

No plano geopolítico, Tereza Cristina observa que o tarifaço afeta não apenas a relação bilateral, mas também o posicionamento internacional do Brasil. A crise, segundo o texto, abre espaço para o país intensificar relações com parceiros estratégicos — como Ásia, União Europeia e Brics ampliado — ao mesmo tempo em que pressiona Washington a rever políticas unilaterais. A relatora ressalta que a previsibilidade e a estabilidade são pilares essenciais para preservar investimentos, cadeias produtivas e acordos internacionais.

Recomendações 

No documento a relatora propõe um plano de ação com mais de 20 recomendações. Entre elas, destacam-se:

  • Ampliar a presença institucional do Brasil em Washington, com reforço técnico capaz de acompanhar investigações tarifárias e legislações norte-americanas;
  • Criar um mecanismo permanente de monitoramento do comércio bilateral, integrando Congresso, Itamaraty e setor privado;
  • Aprofundar a diplomacia parlamentar, com canal direto entre os dois Senados;
  • Diversificar mercados internacionais, reduzindo dependência de poucos parceiros;
  • Fortalecer a atuação brasileira em organismos multilaterais, como OMC e G20, defendendo previsibilidade e regras claras no comércio internacional;
  • Priorizar negociações que garantam competitividade a setores mais atingidos pelas tarifas.

A senadora ainda recomenda que a Comissão de Relações Exteriores (CRE) mantenha acompanhamento sistemático da crise e que o Senado continue atuando como ponte política entre os dois países. O objetivo é garantir que as negociações avancem e que o Brasil tenha posição de maior relevância em acordos, investigações e políticas tarifárias norte-americanas.

Impactos econômicos 

Segundo o relatório, os efeitos da tarifa de 50% foram imediatos e atingiram praticamente toda a pauta exportadora brasileira, com prejuízos estimados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em R$ 52 bilhões e risco de queda entre 0,2% e 0,6% do PIB. Setores como aeronáutica, máquinas, carne bovina, frutas, pescados e metalurgia enfrentam perda de competitividade, com estados como São Paulo, Ceará e Minas Gerais entre os mais afetados.

O relatório aponta ainda que a medida também deve gerar impactos negativos na economia norte-americana. A tarifa média ao consumidor quintuplicou nos últimos meses e pode acarretar retração de até 1,6% no PIB dos EUA nos próximos três anos, com desorganização de cadeias produtivas que dependem de fornecedores brasileiros.

Avanços 

O documento registra avanços recentes na agenda bilateral, incluindo: o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em evento da ONU, na Malásia e reuniões técnicas entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio. Além disso, a senadora cita o anúncio, em novembro, da redução de tarifas de 50% para 40% em diversos produtos brasileiros, além da retirada de sobretaxas de 40% sobre itens agrícolas, como cafés especiais, castanhas e algumas proteínas.

Início dos trabalhos 

A comissão temporária externa foi criada em julho, por iniciativa do senador Nelsinho Trad, e atuou por cinco meses. O grupo, de quatro senadores titulares e quatro suplentes, realizou, entre as atividades do colegiado, missão oficial a Washington entre 28 e 30 de julho, reunindo-se com oito senadores norte-americanos, membros da Câmara dos Representantes, think tanks (organizações que realizam pesquisas e análises para influenciar setores ou políticas), empresas e entidades como a U.S. Chamber of Commerce.

(*) Com informações da Agência Senado

 

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China, principal destino das exportações de 80 países e regiões, quer liderar comércio de produtos verdes e inteligentes

Da Redação (*)

Brasília –

Principal destino das exportações de quase 80 países e regiões em todo o mundo, entre eles o Brasil, que desde 2009 tem na China seu principal parceiro comercial, a China continuará a impulsionar vigorosamente o consumo e a ampliar sua abertura de alto padrão para sustentar o desenvolvimento de alta qualidade do país, e, dessa forma, contribuir para o fortalecimento do comércio mundial, disse o ministro do Comércio, Wang Wentao, em entrevista à Xinhua.

A iniciativa está alinhada às recomendações do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China para a formulação do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), que identifica um mercado interno forte como apoio estratégico para a modernização chinesa.

Wang observou que a China possui a vantagem de um mercado ultragrande, com uma população superior a 1,4 bilhão de pessoas. As necessidades diversificadas da população na busca por uma vida de alta qualidade continuam a crescer, refletindo um enorme potencial de consumo.

Ele destacou esforços para construir um ambiente de consumo internacionalizado e ampliar a oferta de bens e serviços de alta qualidade, o que fornecerá forte apoio à construção de um mercado interno robusto e à promoção do desenvolvimento de alta qualidade.

Quanto ao consumo de serviços, o país se concentrará em flexibilizar o acesso ao mercado e integrar diferentes formatos de negócio, além de direcionar recursos para novos motores de consumo, como viagens de cruzeiro e eventos esportivos, disse o ministro.

Reforço do comércio de produtos verdes e inteligentes

No que diz respeito ao consumo de bens, a China continuará realizando atividades bem-sucedidas de promoção do consumo, garantindo que a população desfrute de benefícios tangíveis. O país incentivará o consumo de grandes bens duráveis, expandirá o consumo de automóveis ao longo de toda a cadeia industrial e promoverá o consumo de eletrodomésticos atualizados, afirmou Wang.

A China também desbloqueará o potencial de consumo em áreas como produtos verdes e inteligentes, acrescentou.

O país permanece comprometido em aperfeiçoar seus sistemas e mecanismos para promover o consumo e em delinear planos para cultivar novos cenários de consumo, adotando medidas de gestão adequadas a formas e modelos de negócio inovadores, disse Wang.

A China desenvolverá cidades-centro de consumo internacional e reunirá recursos globais de consumo de alta qualidade. Também implementará de forma eficaz sua política de reembolso de impostos na saída do país para ampliar o consumo inbound e fomentará a chamada economia de estreias, segundo o ministro.

Ao longo do período do 14º Plano Quinquenal (2021-2025), a China manteve a segunda maior escala de consumo de bens do mundo, e o consumo de serviços registrou crescimento robusto. A contribuição média anual do consumo para o crescimento econômico ficou em torno de 60%, reforçando seu papel como principal motor da economia, afirmou Wang.

Para atrair investimento estrangeiro, a China promoverá um ambiente institucional transparente, estável e previsível, disse ele. Os esforços também incluirão a implementação abrangente da estratégia de fortalecimento das zonas-piloto de livre comércio, a expansão de sua rede de áreas de livre comércio de alto padrão e a construção, em alto padrão, do Porto de Livre Comércio de Hainan.

A China adotará medidas proativas para expandir sua abertura de forma voluntária, alinhar-se às regras internacionais de economia e comércio de alto padrão, ampliar o acesso ao mercado e abrir mais setores, com foco no setor de serviços, afirmou Wang.

(*) Com informações da Agência Xinhua

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