Como a renda define o que o Brasil assiste e escuta na internet

Renato Dolci (*)

Em um país em que o salário mínimo é de R$ 1.412, pagar por múltiplos serviços de streaming não é uma escolha óbvia. Essa realidade molda a forma como os brasileiros consomem cultura e, no digital, isso não teria como ser diferente, apesar da pretensa ideia de que a internet é “democrática”.

O YouTube, gratuito e onipresente, tornou-se o centro de entretenimento das classes populares. Segundo pesquisa da Opinion Box, 81% dos brasileiros acessam a plataforma todos os dias, em smartphones, computadores e, cada vez mais, nas televisões.

O peso da economia no consumo cultural

A lógica é econômica antes de ser cultural. Em 2024, o mercado de streaming musical no Brasil movimentou R$ 3,06 bilhões, dos quais R$ 2,08 bilhões vieram de assinaturas pagas, de acordo com a Mobile Time.

É um mercado em expansão, mas concentrado: grande parte dos brasileiros não paga por esses serviços. Por isso, 63% afirmam usar o YouTube para ouvir música. É gratuito, funciona em qualquer aparelho e oferece tudo — de playlists a shows ao vivo. Para quem ganha pouco, a conta fecha na gratuidade, não no catálogo premium.

YouTube como nova TV aberta

Essa escolha se estende para o vídeo. O Brasil tem 32% dos acessos ao YouTube feitos diretamente por smart TVs, e o país já soma mais de 144 milhões de usuários na plataforma.

Muitas emissoras disponibilizam programas completos, novelas e trechos diários. Para quem não assina TV paga, o YouTube virou a “nova TV aberta”, só que personalizada, com algoritmos no lugar da grade de programação.

O resultado é que a televisão nas periferias brasileiras muitas vezes abre direto no aplicativo do YouTube, não no sinal digital tradicional. Em pesquisa recente, 38% dos usuários disseram assistir YouTube no “modo TV”, enquanto 80% ainda o acessam pelo celular.

Hub multimídia para entretenimento e aprendizado

Essa convergência coloca a plataforma como um hub multimídia: ela substitui rádio, canais abertos, serviços de streaming e até cursos online.

Na mesma pesquisa, 61% afirmaram usar o YouTube para “aprender coisas do dia a dia”, como tutoriais, receitas ou dicas financeiras.

O tempo de tela confirma essa centralidade. Um quarto dos usuários brasileiros passa mais de duas horas por semana na plataforma, com forte predominância de conteúdos de entretenimento e música.

A gratuidade como modelo de negócio

Em 2024, os vídeos musicais financiados por publicidade geraram R$ 499 milhões em receita, mostrando como o modelo gratuito se sustenta economicamente mesmo sem cobrar do público.

O YouTube virou o grande “tudo-em-um” digital, lembrando os antigos aparelhos de som dos anos 90 que juntavam rádio, fita, CD e vídeo — só que agora na nuvem e sem custo direto.

Economia define cultura digital

Essa dinâmica revela uma verdade incômoda: a economia define a cultura digital.

Podemos até cair nos papos de que agora a cultura digital é para todos, de que todo mundo corre ouvindo Spotify ou passa os finais de semana na Netflix. Mas, enquanto a classe média urbana escolhe entre Netflix, Spotify ou Amazon Prime, milhões de brasileiros optam pelo YouTube não por preferência estética, mas por necessidade.

É a plataforma que cabe no bolso e na TV da sala de uma parcela expressiva de brasileiros. Entender esse fenômeno é entender o Brasil: um país onde o acesso à informação e ao entretenimento ainda é determinado pelo preço de uma assinatura, pelo limite baixo de cartão de crédito e por uma cidade sem luz ou sinal estável de internet.

(*) Renato Dolci é cientista político (PUC-SP) e mestre em Economia (Sorbonne). Atua há mais de 15 anos com marketing digital, análise de dados e pesquisas públicas e privadas de comportamento digital. Já desenvolveu trabalhos em diversos ambientes públicos e privados, como Presidência da República, Ministério da Justiça, FIESP, Banco do Brasil, Mercedes, CNN Brasil, Disney entre outros. Foi sócio do BTG Pactual e atualmente é diretor de Dados e Analytics na Timelens, CRO na Hike e CEO na Ineo.

 

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Isenção do IR até R$ 5 mil: um espetáculo eleitoral que esqueceu a matemática das faixas

Murillo Torelli (*)

A Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o projeto que zera o Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5.000 por mês e cria mecanismos de compensação como um “imposto mínimo” progressivo sobre altas rendas e retenção sobre dividendos para tentar equilibrar as contas públicas. A votação foi aplaudida em plenário e vai agora para o Senado.

Se você lê a manchete pensando “boa notícia para quem ganha pouco”, é compreensível, mas a política fiscal não é (ou não deveria ser) um jingle de campanha. O que chegou ao plenário é, na prática, uma operação de marketing tributário: promete dinheiro no bolso de milhões já amanhã, mas evita tocar no ponto mais sensato e estrutural que precisava ser enfrentado desde que a inflação corroeu as faixas do IR: a atualização das tabelas. Em outras palavras, mexer nas alíquotas e nas bases (as faixas), que é onde se corrige o efeito inflacionário sobre quem cai em faixas mais altas, ficou de lado e isso é o cerne do problema.

Os números ajudam a explicar porque a pressa cheira a política: a expansão da isenção até R$ 5 mil custa, segundo projeções oficiais, R$ 25,8 bilhões, já em 2026, e pode somar R$ 100,67 bilhões em renúncias até 2028. É esse buraco que a Câmara tentou tapar com um conjunto de remendos: imposto mínimo progressivo para quem aufere mais de R$ 50 mil por mês (alcançando até 10% para rendimentos acima de R$ 100 mil/mês) e retenção de 10% na fonte sobre dividendos superiores a R$ 50 mil mensais, medidas justificadas como “tributar os super-ricos”.

No curto prazo, a conta bate no bolso médio com um efeito colateral pouco comentado. Para um assalariado que recebe R$ 5.000 por mês a economia mensal é estimada em R$ 312,89 (algo em torno de R$ 4.000 a R$ 4.3 mil no ano, incluindo 13º).

Muitos desses contribuintes estavam recebendo restituição anual (ou seja, pagando mais na fonte durante o ano e recebendo parte de volta na declaração). Com a isenção, a restituição desaparece, o que significa que o “ganho” é, em grande parte, apenas uma antecipação do que já era deles. Em outras palavras: se antes você recebia R$ 1.000 de volta no ajuste anual, agora você terá R$ 312,89 a menos de desconto mensal, mas nada à vista no ano seguinte e a sensação de ganho imediato pode ser ilusória.

Há, portanto, uma diferença crucial entre política pública bem desenhada e política populista bem embalada: transparência sobre quem paga, por quanto tempo e com que impacto econômico. A alternativa do relator de tributar dividendos e criar um piso para os super-ricos é razoável no debate teórico; porém, na prática parlamentar, essas medidas viram “válvulas de escape” para justificar a renúncia fiscal em massa sem enfrentar o problema estrutural das faixas. Além disso, a tributação sobre dividendos e remessas ao exterior enfrenta riscos de planejamento fiscal agressivo, mudanças de comportamento e contestações legais que podem reduzir a arrecadação esperada.

A outra armadilha é que a compensação proposta já tem destino definido no relatório: priorizar repasses a Estados e municípios e, em seguida, usar eventual sobra para reduzir alíquotas da nova CBS. Em linguagem prática: parte da vantagem fiscal (ou o freio de mão) será usada para manter equilíbrio político entre entes federativos e para arrumar o desenho de outras contribuições, não necessariamente para políticas sociais permanentes ou para uma reforma tributária profunda que torne o sistema menos regressivo. Ou seja, a “sobra” não será automaticamente investimento em saúde, educação ou infraestrutura.

Sou a favor de aliviar a carga sobre trabalhadores de baixa e média renda, mas não de trocá-los por remendos cujo sucesso depende de execução complexa e de combate à engenharia tributária. A política fiscal é técnica e simbólica: técnica porque afeta decisões econômicas; simbólica porque diz que tipo de país queremos. Se a prioridade foi conquistar manchetes e votos, ficou faltando coragem para consertar o que realmente corrói o bolso do contribuinte médio: faixas que envelheceram e um sistema que privilegia renda de capital em vez de renda do trabalho.

No fim, a isenção até R$ 5 mil deve ser avaliada por três perguntas simples que os parlamentares deveriam ter respondido com mais clareza: Quem paga? Quem ganha? Por quanto tempo?

(*) Murillo Torelli, professor de Ciências Contábeis da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM)

 

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Abertas inscrições para participação na missão empresarial na Indonésia e Malásia com presença de Lula

Missão ocorrerá na oportunidade da visita oficial do presidente da República aos respectivos países, no período de 23 a 26 de outubro, quando haverá também encontro da Cúpula da ASEAN

 Da Redação (*)

Brasília – Estão abertas as inscrições para empresas brasileiras de todos os setores interessadas em compor a delegação brasileira da missão empresarial ao Sudeste Asiático, que acontecerá nos dias 23 e 24 de outubro, em Jakarta, na Indonésia, e nos dias 25 e 26 de outubro, em Kuala Lumpur, na Malásia. A programação incluirá a realização de Fóruns Econômicos em cada uma das cidades, com o objetivo de explorar as relações comerciais e identificar oportunidades de cooperação comercial e econômica.

A Missão se insere à visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos dois países, que na Malásia participará ainda da reunião de cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) – bloco econômico integrado por Brunei, Camboja, Singapura, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Tailândia e Vietnã, além dos países observadores Papua-Nova Guiné e Timor Leste. Ao lado de Lula estará o presidente da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e outras autoridades.

“Essa Missão Empresarial à Malásia e à Indonésia, que estamos organizando a pedido do presidente Lula, é uma oportunidade única para aproximar o Brasil de dois mercados estratégicos do Sudeste Asiático, principalmente neste momento em que as relações econômicas globais estão em plena transformação. Estamos levando a força e a diversidade do nosso setor produtivo para dialogar com governos e empresários locais, identificar parcerias e abrir portas para os nossos produtos. Convido as empresas brasileiras a se juntarem a nós nessa iniciativa, que pode representar novos negócios, investimentos e a consolidação da presença do Brasil em uma das regiões mais dinâmicas do mundo”, destaca Jorge Viana, presidente da ApexBrasil.

Organizada pela ApexBrasil e pelo Ministério de Relações Exteriores (MRE), a Missão Empresarial Indonésia e Malásia reunirá empresários e autoridades para mapear oportunidades e desafios para produtos brasileiros na região, assim como discutir potenciais parcerias e investimentos entre o Brasil e os países membros da ASEAN.

Veja o mais recente estudo da ApexBrasil sobre o perfil de Comércio e Investimentos da ASEAN.

Oportunidades de negócios

 Segundo o estudo Perfil de Comércio e Investimentos – Indonésia da ApexBrasil, publicado em novembro de 2024, o comércio bilateral entre Brasil e Indonésia alcançou US$ 5,6 bilhões em 2023, com destaque para exportações brasileiras de farelos de soja, açúcares e melaços, que juntos representaram mais de 66% das vendas, além do crescimento expressivo de produtos como celulose e minério de ferro. Ao mesmo tempo, o estudo identificou 315 oportunidades para exportação do Brasil ao país asiático, como produtos alimentícios e animais vivos, máquinas e equipamentos de transporte, produtos industriais e matérias primas não comestíveis.

“Temos oportunidade para crescer dentro da Indonésia e por isso o país agora é um dos nossos mercados alvo”, comenta Viana. “Em 2024, a participação da Ásia na produção mundial de calçados subiu para 88%. A Indonésia, por exemplo, é o 5º maior produtor mundial de calçados, onde o setor de couros do Brasil pode ter grandes oportunidades. A Malásia também oferece muitas oportunidades para o setor de couros brasileiro”, explica o presidente da ApexBrasil.

Nesse contexto, a Missão Empresarial organizada pela ApexBrasil durante a visita do presidente Lula ao país ganha especial relevância, ao reforçar a inserção de empresas brasileiras em um mercado de 274 milhões de consumidores e fortalecer a cooperação econômica bilateral.

(*) Com informações da ApexBrasil

 

 

 

 

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Integra Comex, plataforma lançada pelo Serpro, ganha API para consulta massiva de DU-Es

Inovação desenvolvida pelo Serpro para a RFB amplia agilidade, segurança e transparência no compartilhamento de informações estratégicas do comércio exterior

Da Redação (*)

Brasília – O Serpro disponibilizou uma nova funcionalidade no Integra Comex, plataforma de APIs voltada para o acesso a dados de comércio exterior. Desde o dia 22 de setembro, os clientes já podem utilizar a Consulta Lista de DUEs integrada ao eCAC-Compartilha RFB, uma solução que reforça a segurança, a transparência e a agilidade no compartilhamento de informações.
“Esse avanço reforça o compromisso do Serpro em apoiar o comércio exterior brasileiro com soluções inovadoras, seguras e eficientes, que ampliam a competitividade do país no cenário internacional”, destacou a diretora de Negócios Econômico Fazendários do Serpro, Ariadne Fonseca.

Como funciona a novidade

A nova funcionalidade consiste em uma API que, a partir do CNPJ do contratante do serviço e do token gerado no eCAC, retorna uma lista contendo o número da DU-E (Declaração Única de Exportação), a chave de acesso e a data da última atualização da declaração. Para a utilização do serviço, é necessário que o titular da informação realize previamente o consentimento de compartilhamento de dados no eCAC, por meio do Compartilha RFB. Esse procedimento garante a integridade e a proteção das informações do contribuinte.

Entre as principais vantagens para os clientes estão o recebimento da lista das DU-Es de forma massiva, a maior segurança no tratamento e compartilhamento de dados, a garantia de consentimento prévio do titular, a integridade das informações e a agilidade nos processos de comércio exterior.

“Com essa novidade, os clientes não precisam mais aguardar o envio individual de cada declaração de exportação pelo titular. Agora, basta que o próprio contribuinte acesse o eCAC e dê o consentimento, liberando de uma só vez as informações de todas as declarações que possui em um determinado período”, explica Igor Neves, gestor do produto no Serpro.

(*) Com informações do Serpro

 

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Bradesco estrutura operações ESG para mobilidade limpa e construção sustentável 

Banco reforça sua capacidade de oferecer soluções personalizadas por setor ao direcionar recursos para negócios sustentáveis 

Da Redação (*)

Brasília Dentro da estratégia de apoiar setores-chave da economia na transição para modelos mais sustentáveis, o Bradesco estruturou recentemente duas operações com rotulagem ESG em parceria com empresas dos setores de logística e construção. As soluções atendem às especificidades de cada setor, com impacto socioambiental positivo, inovação e geração de valor para clientes e sociedade.

Os setores e seus desafios

Na construção civil, o banco estruturou empréstimo verde de R$ 236 milhões, na linha Plano Empresário, para a Azo Inc, primeira emissão verde da companhia, voltada para a construção de empreendimentos com certificação EDGE. O selo atesta ganhos significativos em eficiência energética, hídrica e redução de carbono nos materiais utilizados. A operação foi desenhada de forma a apoiar a estratégia da empresa em expandir sua atuação em construção sustentável e gerar maior valor agregado aos futuros moradores.

Já no setor de logística, o Bradesco viabilizou um empréstimo verde de R$ 85 milhões, na modalidade CCE (Cédula de Crédito à Exportação), para a Reiter Log, destinado à aquisição de caminhões elétricos e movidos a biometano. A iniciativa integra o programa Logística Verde, que prevê alcançar 100% da frota movida a combustíveis alternativos até 2035. A solução financeira foi moldada ao contexto da empresa, que busca reduzir a pegada de carbono das cadeias logísticas dos clientes.

Os recursos provenientes das duas operações serão aplicados em iniciativas de impacto ambiental positivo, como ampliação de uma frota de transporte limpo e a construção de edificações com certificação sustentável. Essas operações fazem parte da estratégia do banco de mobilizar capital para iniciativas que geram valor de longo prazo e apoiam a transição para uma economia de baixo carbono.

“Cada setor tem seus desafios e oportunidades. Por isso, estruturamos soluções financeiras que dialogam diretamente com a realidade de cada cliente. Ao apoiar iniciativas como essas, reafirmamos nosso compromisso com a agenda de negócios sustentáveis, atuando lado a lado com nossos clientes”, afirma Fabiana Costa, Head de Sustentabilidade do Bradesco.

(*) Com informações do Bradesco

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Agricultura regenerativa: muito além da modinha

O que garante a permanência desse modelo não é apenas a consciência ambiental, mas a lógica econômica

Aline Locks (*)

Na história da agricultura, e de qualquer atividade humana, os movimentos ocorrem em ondas. Algumas delas morrem na praia dos modismos. Outras, geram marés de mudanças.

O que vai diferenciar uma das outras é seu real impacto de longo prazo, capaz de transformar de forma permanente o modo de produzir, consumir e se relacionar com o mundo.

Vivemos uma era de hypes, de sucessos instantâneos, que são infinitos na sua curta duração. Desaparecem de forma tão espetacular quanto surgiram. O risco desses tempos é confundirmos com modinha aquilo que realmente veio para nos levar a um lugar melhor e que, por isso, precisa ser entendido e preservado.

Falemos, então, de agricultura regenerativa. O uso recorrente (às vezes indiscriminado) desse termo pode dar a muitos a sensação de que estamos diante de mais um fogo de palha, que vai queimar recursos de muita gente, mas, que, ao final, pode entregar não mais que cinzas. Na essência, o modelo regenerativo reúne práticas de manejo que restauram a fertilidade do solo, aumentam a biodiversidade, melhoraram o ciclo da água e reduzem emissões. Vai além da “sustentabilidade” no sentido de preservar: ela busca regenerar sistemas produtivos, tornando-os mais resilientes e rentáveis.

Na prática, isso significa rotação diversificada de culturas, integração lavoura-pecuária-floresta, redução do uso de agroquímicos, plantio direto com cultura de cobertura, recuperação de pastagens degradadas e incremento de matéria orgânica no solo.

Assim como, no passado, passamos por revoluções tecnológicas que ampliaram a produtividade da nossa agricultura, agora vivemos uma transformação orientada pela resiliência e pelo equilíbrio ecológico. O que garante a permanência desse modelo não é apenas a consciência ambiental, mas a lógica econômica. A agricultura regenerativa nos proporciona solos mais férteis, menor dependência de insumos externos e sistemas de produção mais estáveis frente às mudanças climáticas.

São ganhos estruturais que não desaparecem. Ao contrário, eles se acumulam — e é isso torna a regeneração uma estratégia de longo prazo.

Valorização ao longo da cadeia e oportunidades

É justamente a percepção de que há algo realmente valioso por trás da agricultura regenerativa que a torna, paradoxalmente, tão suscetível ao rótulo de modinha. Primeiro, instala-se uma corrida do ouro, com muito garimpo e promessas vazias. Somente chegará ao filão quem for mais fundo, além dos selos e narrativas. A valorização da agricultura regenerativa acontecerá para aqueles que souberem integrar métricas de impacto às transações econômicas que ocorrem ao longo da cadeia.

Hoje já temos ferramentas para precificar carbono, mensurar biodiversidade e associar crédito rural a critérios socioambientais. Oportunidades concretas surgem quando esses indicadores passam a influenciar preços, condições de financiamento, apólices de seguro, contratos de fornecimento e outras relações envolvendo produtores, indústria e mercado financeiro.

De acordo com a Markets and Markets, o mercado global de práticas regenerativas foi estimado em cerca de USD 8,7 bihões em 2022, com projeção de atingir USD 16,8 bihões em 2027. Entre os principais fatores que impulsionam esse crescimento estão: a maior conscientização sobre os impactos da agricultura convencional, a demanda de consumidores por alimentos com menor pegada ambiental, os avanços tecnológicos — especialmente no uso de insumos biológicos, como micro-organismos para fixação de carbono — e o compromisso assumido por grandes empresas globais, como Cargill, Nestlé, General Mills e Unilever.

O momento atual abre a chance de o Brasil se posicionar como protagonista global. Com seu potencial produtivo e biodiversidade, o país pode transformar a regeneração em marca registrada da sua agricultura. Mais do que uma exigência, é uma oportunidade única de liderar o mundo em alimentos de baixo carbono e impacto positivo. Quem investir hoje estará definindo o padrão de amanhã.

(*) Aline Locks é engenheira ambiental, cofundadora e atual CEO da Produzindo Certo, solução que já apoiou a maneira como mais de 6 milhões de hectares de terras são gerenciados, através da integração de boas práticas produtivas, respeito às pessoas e aos recursos naturais. Liderou projetos com foco em inovação e tecnologia, como o ‘Conectar para Transformar’, um dos vencedores do Google Impact Challenge Brazil. Recentemente foi selecionada pela Época Negócios como um dos nomes inovadores pelo clima, é uma das 100 Mulheres Poderosas da revista Forbes e uma das líderes do agronegócio 2021/2022 pela revista Dinheiro Rural.
 

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Internacionalização de empresas: ApexBrasil e Sebrae lançam websérie “Destino Exportação” com foco em acesso ao mercado externo

O programa, que estreia em 7 de outubro no canal do YouTube da Agência, terá sete episódios que abordarão temas essenciais para quem deseja entrar no universo da exportação_

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), lança, no dia 7 de outubro, a websérie Destino Exportação, criada para apoiar empresários brasileiros que desejam iniciar sua jornada no mercado internacional.

Com linguagem leve e acessível, a produção foi pensada como um convite para embarcar em uma viagem rumo à internacionalização. Em cada episódio, o espectador será transportado para uma Sala VIP de aeroporto, recebendo orientações práticas para que sua empresa “decole” direto para os mais diversos destinos do mundo.

A série, que terá dois episódios por semana, é apresentada pela atriz e influenciadora Luana Xavier, conhecida por sua atuação em televisão, teatro e cinema, além de sua forte presença digital.  Luana receberá, em cada episódio, convidados especialistas em comércio internacional que responderão às principais dúvidas que geralmente empresas interessadas em começar a exportar buscam encontrar.

“A websérie Destino Exportação foi desenvolvida a partir das perguntas mais frequentes que a ApexBrasil recebeu ao longo do ano pelas redes sociais e pela Central de Atendimento ao Cliente, de empresários interessados em exportar, mas que ainda não sabem por onde começar. Reunimos essas dúvidas e transformamos as respostas nessa série de conteúdos práticos e acessíveis, que conversam diretamente com empreendedores que desejam iniciar sua jornada rumo ao mercado internacional”, explica a coordenadora de Comunicação da ApexBrasil, Fernanda Cornils.

“O Brasil tem mais de 21 milhões de pequenos negócios, que representam 97% do total de empresas. Porém, apenas 11.400 dessas micro e pequenas empresas já exportaram. Há muito potencial de crescimento no mercado exterior. Essa websérie é um bom ponto de partida para tirar dúvidas e começar a se preparar para esse desafio. Em 2025, cerca de 1.500 empresas já foram atendidas no âmbito do programa de internacionalização do Sebrae e atuamos para que o número de pequenos negócios exportadores siga crescendo”, afirma Roberta Aviz, coordenadora de negócios internacionais do Sebrae Nacional.

Primeira temporada: do planejamento à conquista de mercados

Ao longo da primeira temporada, os episódios da websérie vão abordar desde técnicas para identificar mercados promissores até estratégias para adaptar comunicação e embalagens, passando por orientações sobre como superar barreiras culturais, aproveitar oportunidades no comércio eletrônico e se preparar para participar de eventos internacionais. Também estão incluídas dicas sobre planejamento financeiro e formas de lidar com a burocracia, garantindo que as empresas estejam mais seguras para dar seus primeiros passos no comércio exterior. Cada episódio tem de 15 a 20 minutos de duração.

Entre os convidados desta primeira temporada estão: Igor Celeste, gerente Regional da ApexBrasil; Pedro Trevisan, confundador da GlobalD; Marcos Stahl, consultor do Sebrae de São Paulo; Vanessa Queiroz, designer e cofundadora do Estúdio Colletivo Brasileiro de Design e Comunicação; Angelina Brejgrowicz, estrategista de negócios globais e especialista em barreiras culturais; Vinícius Lages, gerente da Assessoria Internacional do Sebrae e ex-ministro do Turismo;  Neusa Nunes, doutora em administração com foco em gestão internacional e especialização em Marketing, professora da ESPM; e Jacy Braga, especialista da ApexBrasil.

Além dos episódios em vídeo, cada tema contará com materiais complementares em formato de resumo, garantindo que nada importante passe despercebido.

E a jornada não para por aí: o programa já nasce com uma segunda temporada em vista, ampliando ainda mais os conteúdos e oportunidades para empreendedores brasileiros que querem conquistar o mercado internacional.

Serviço

Lançamento da websérie Destino Exportação: 7 de outubro de 2025

Onde assistir: Destino Exportação (https://apexbrasil.com.br/destinoexportacao) pelos canais digitais da ApexBrasil e do Sebrae

Acesso gratuito

(*) Com informações da ApexBrasil

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Após invadir o Brasil com seus carros elétricos, a China agora mira oficinas mecânicas e lojas de autopeças brasileiras

 

  • Metade dos 200 expositores da sexta edição da Rioparts é de empresas chinesas, boa parte trazendo novidades para veículos elétricos e híbridos
  • Evento traz as principais tendências da transformação automotiva no Brasil em quatro dias de negócios, inovação e conhecimento
  • Aberta nesta quarta (1), com entrada gratuita, Rioparts 2025 espera atrair mais de 15 mil pessoas até sábado (4)

Da Redação (*)

Brasília – Carros antigos, scooters elétricas e até o protótipo de um veículo, desenvolvido por estudantes de Engenharia da Baixada Fluminense, são alguns dos atrativos da  Rioparts 2025 – Feira da Indústria e Comércio de Autopeças e Reparação do Rio de Janeiro. Mas o que mais chama atenção é a forte presença da China: quase metade dos cerca de 200 expositores é de empresas chinesas especializadas no setor automotivo. Aberto nesta quarta-feira (1º de outubro), o evento deve receber mais de 15 mil pessoas até sábado (4) no ExpoRio Cidade Nova.

De acordo com os organizadores, as empresas chinesas vêm reforçar o perfil internacional e inovador da Rioparts, trazendo soluções que combinam tecnologia, qualidade e custo-benefício e ampliando as oportunidades para o setor de reparação e reposição automotiva no Brasil. Os expositores apresentam novidades e tendências em componentes elétricos, eletrônicos e equipamentos mecânicos e automotivos.

Além da forte presença chinesa, o evento conta com grandes nomes brasileiros e internacionais, apresentando soluções em peças, componentes e tecnologias para o aftermarket automotivo. Entre os expositores nacionais, estão os fabricantes de peças Doutor IE, Flex Smart,  Click Parts, Holyman, DF  Diesel, Sintech do Brasil, MIC, Aec Arranques, Motorlub, Wisa do Brasil e Engates Bruck. Dentre os distribuidores, destaque para empresas do Rio, como Fuscão Preto, Suporte Um, Vem Que Tem e Riolub. No setor de reparação, destaque para Engecass, Paccini e Pinho Diesel, entre outros.

“Esta combinação de players nacionais e internacionais reflete a força do Rio
de Janeiro no setor de reparação e reposição automotiva. Nosso objetivo é gerar
conexões de negócios, apresentar soluções inovadoras e consolidar a feira como referência no Brasil”, destaca Cássio Dresch, diretor comercial da Diretriz Feiras e Eventos, empresa organizadora da Rioparts.

Veículos elétricos, sustentabilidade e conectividade

O setor automotivo passa por uma revolução sem precedentes e a Rioparts 2025 é
palco privilegiado para acompanhar essa transformação. A feira traz os principais players,
marcas e especialistas para debater os rumos do mercado, com foco em veículos
elétricos, conectividade, sustentabilidade e novas demandas de consumo.

Além de novidades em autopeças, lubrificantes, eletrônicos e equipamentos, a feira traz palestras e debates sobre temas estratégicos para a cadeia automotiva, como logística e eficiência, mobilidade elétrica, sustentabilidade e inovação tecnológica.

Além de cases de sucesso em eletrificação e debates sobre infraestrutura de recarga,
micromobilidade e o futuro do transporte urbano, o evento traz um olhar estratégico
para montadoras, startups e empresas de tecnologia, reforçando a sustentabilidade
como vetor de crescimento do setor.

Entre os grandes temas em pauta, estão:

● Veículos elétricos e híbridos, cada vez mais presentes no Brasil e no mundo;
● Conectividade inteligente, com automóveis se transformando em verdadeiros
computadores sobre rodas;
● Exigências ambientais e regulação verde, que apontam para um futuro com
restrições aos motores a combustão;
● O novo perfil de consumo automotivo, em que sustentabilidade, transparência e
eficiência pesam nas decisões de compra;
● Impactos no aftermarket automotivo, que desafiam oficinas e distribuidoras a se
adaptarem às novas tecnologias.

(*) Com informações da Rioparts

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MDIC intensifica combate a importações irregulares e fortalece a concorrência justa para a indústria nacional

A Secex, que identificou as irregularidades, seguirá monitorando as operações, buscando a correta aplicação das tarifas e preservando a concorrência justa para a indústria nacional

Da Redação (*)

Brasília – A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) concluiu, em setembro, cinco investigações sobre indícios de irregularidades em importações brasileiras. As apurações foram abertas após denúncias de práticas que poderiam afetar indevidamente a concorrência no mercado nacional, como subdeclaração de valores e classificação incorreta de produtos.

Os processos envolveram telas interativas, telas metálicas, fios texturizados de poliéster, poliol (usado na fabricação de móveis, colchões, bancos automotivos e na construção civil) e ácido hialurônico. Em quatro dos cinco casos, foram identificados indícios de irregularidades, levando à inclusão dos importadores no regime de licenciamento não automático, que permite uma apuração detalhada das operações. Nas importações de telas interativas, não foram constatadas práticas inadequadas.

A adoção do regime de licenciamento não automático, baseada em gestão de riscos, está prevista no artigo 43 da Portaria Secex nº 249, de 4 de julho de 2023. Esse mecanismo permite verificar a autenticidade, a veracidade e a exatidão das informações e documentos apresentados pelos importadores na fase prévia ao despacho aduaneiro, em casos de suspeita de infração à legislação de comércio exterior vinculados a condições comerciais declaradas no processo de importação.

Objetivo é coibir irregularidades sem aumentar a burocracia

De acordo com a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, a atuação da Secex busca coibir irregularidades sem aumentar a burocracia para as empresas que seguem corretamente a legislação. “Apenas as empresas monitoradas pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) estarão sujeitas ao licenciamento de importação e deverão apresentar documentos como fatura comercial e catálogo técnico do produto. Quem comprovar a regularidade das operações segue com suas importações normalmente”, afirmou Tatiana Prazeres.

Os resultados foram compartilhados com a Receita Federal, no âmbito do Grupo de Inteligência de Comércio Exterior (GI-CEX). No caso do ácido hialurônico, utilizado em cosméticos e procedimentos estéticos, a denúncia indicava classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), possivelmente para enquadrar o produto em um código com tarifa zero e evitar o pagamento da alíquota de 16,2% do Imposto de Importação. A Secex identificou indícios dessa prática e seguirá monitorando as operações, buscando a correta aplicação das tarifas e preservando a concorrência justa para a indústria nacional.

Denúncias de práticas que violem a legislação de comércio exterior podem ser registradas no portal do governo, seguindo as orientações disponíveis em: gov.br/siscomex.

(*) Com informações da Secex/MDIC

 

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A ascensão da IA Generativa está abrindo as portas para um novo boom de startups 

Fabiano Nagamatsu (*)

A ascensão da IA generativa está realmente impulsionando um novo boom de startups, tornando o empreendedorismo mais acessível, ágil e técnico do que nunca. Ferramentas que antes exigiam grandes equipes e meses de desenvolvimento podem hoje ser construídas com poucos cliques, graças à automação inteligente e aos modelos generativos.

Esse novo cenário já se traduz em números expressivos. A Bessemer Venture Partners, em seu relatório State of AI 2025, introduziu o conceito de crescimento “Q2T3” (quadruple, quadruple, triple, triple, triple), superando os benchmarks tradicionais da era SaaS.

Startups de IA agora quadruplicam sua receita recorrente anual nos primeiros dois anos e triplicam nos três anos seguintes. Esse ritmo acelerado só é possível graças à diminuição do tempo de desenvolvimento e das barreiras para lançamento de produtos impulsionada pela IA generativa (Google for Startups, Business Insider).

Mais do que teoria, esses padrões de crescimento estão sendo observados na prática: startups “Shooting Stars” atingem margens robustas (~60%), enquanto os mais ousados “Supernovas” chegam a US$ 100 milhões em ARR em apenas 1,5 ano.

No Brasil, a onda também está forte. Uma sondagem revelou que 68% dos profissionais brasileiros já usam ferramentas de IA no dia a dia, enquanto 90% acreditam que a IA melhora sua eficácia no trabalho e 84% estão entusiasmados com o futuro em que a IA é ferramenta (read.ai). Isso demonstra uma base cultural e operacional aberta à inovação tecnológica.

Do ponto de vista de investimentos, o ritmo também impressiona. Nos Estados Unidos, a captação de recursos para startups de IA cresceu 75,6% no primeiro semestre de 2025, totalizando US$ 162,8 bilhões — o segundo maior volume já registrado. As rodadas de IA responderam por 64,1% do total investido nesse período, destacando o empuxo do setor e a confiança dos investidores (Reuters).

No cenário global, exemplos como a Synthesia, que alcançou valuation de US$ 2,1 bilhões criando vídeos realistas com IA generativa, ilustram a força dessa tendência. A empresa recebeu US$ 180 milhões de investidores como New Enterprise Associates, demonstrando o apetite de capital para soluções criativas e baseadas em IA.

E enquanto o suporte à infraestrutura cresce, outros players facilitam a adoção da IA. Startups especializadas em integrar modelos de IA com sistemas legados estão recebendo atenção e dinheiro: Distyl AI levantou US$ 20 milhões, Cohere US$ 500 milhões e Glean Technologies US$ 260 milhões, refletindo o movimento de tornar a IA generativa funcional e útil no mundo real.

Nesse contexto, empreender se tornou não apenas mais ágil, mas também mais inclusivo. Profissionais que não são da área de tecnologia, como designers, médicos ou profissionais de RH, estão criando soluções digitais e produtos em IA com autonomia, agilidade e menor complexidade técnica.

No entanto, esse cenário de euforia exige cautela. Como ressaltado pela Bessemer, metas tão ambiciosas quanto Q2T3 são possíveis, mas podem ser frágeis. A saturação de mercado, produtos commoditizados e baixa diferenciação ameaçam a sustentabilidade dessas empresas. Mais do que lançar algo rápido, é essencial construir com propósito, performance e diferencial — usando a IA certa para o problema do cliente, não apenas a IA disponível.

Dessa forma, a ascensão da IA generativa certamente abriu as portas para uma nova leva de startups: mais rápidas, acessíveis e orientadas por tecnologia. Mas a verdadeira diferença está em saber escolher e montar a IA certa para cada negócio, garantindo que o brilho da inovação se transforme em diferencial competitivo durável.

(*) Fabiano Nagamatsu é CEO da Osten Moove, empresa que faz parte da Osten Group, uma Aceleradora Venture Studio Capital focada no desenvolvimento de inovação e tecnologia. Conta com estratégias e planejamentos baseados no modelo de negócio de startups. – ostenmoove@nbpress.com.br

 

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