Força, Ucrânia

Quatro anos de agressão: o custo do terror russo e a resiliência de uma nação

Márcio Coimbra (*)

Neste 24 de fevereiro a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia completa quatro anos de horror e desafio à ordem global. O que o Kremlin planejou como uma “operação relâmpago” transformou-se na maior prova de resiliência democrática do século XXI. Sob o fogo de uma autocracia imperialista, a Ucrânia não apenas defende seu solo, atua como o último baluarte dos valores ocidentais e da integridade territorial na Europa.

O rastro deixado pela agressão russa é uma mancha indelével na história recente. Estima-se que as baixas totais — entre mortos e feridos — já superem a marca de 2 milhões de pessoas, com um custo humano civil dilacerante. Mais de 100 mil crimes de guerra foram documentados, incluindo as execuções sumárias em Bucha, o cerco medieval a Mariupol e o sequestro sistemático de milhares de crianças ucranianas — um ato de genocídio tipificado pelo Direito Internacional.

Apesar do terror, a resiliência ucraniana é absoluta. O país converteu cada cidadão em um bastião de resistência. No entanto, o preço social é imenso: 6,5 milhões de ucranianos permanecem refugiados, compondo o maior êxodo europeu desde 1945. É uma nação que luta enquanto sangra, mantendo sua identidade viva sob bombardeios deliberados a escolas e hospitais.

A economia ucraniana foi alvo de uma estratégia de terra arrasada. Com a perda de cerca de 30% do PIB e a destruição de infraestruturas vitais, o custo estimado para a reconstrução ultrapassa os US$ 524 bilhões. Especialistas são enfáticos: mesmo com apoio internacional massivo, a Ucrânia precisará de pelo menos duas décadas para recuperar seus níveis de desenvolvimento pré-guerra. A reconstrução não será meramente física, mas uma reestruturação total para desvincular-se de vez da órbita de um vizinho agressor.

Neste cenário de clareza moral, a postura do Brasil nos últimos governos revela uma preocupante erosão de princípios. Sob o pretexto de uma “neutralidade” que beira a conivência, Brasília tem evitado condenar a Rússia de forma enfática e pública. Essa ambiguidade é uma afronta direta aos Direitos Humanos e ao Direito Internacional, pilares que o Brasil outrora defendeu com brio.

Tal posicionamento é, acima de tudo, um desrespeito à vibrante comunidade ucraniana no Brasil, composta por mais de 600 mil descendentes, concentrados majoritariamente no Paraná. Ignorar a agressão russa em fóruns internacionais, como o BRICS, em troca de pragmatismo comercial ou alinhamento ideológico, diminui a estatura diplomática brasileira e ignora o sofrimento de famílias que veem a terra de seus antepassados ser massacrada.

Ao longo desses 1.460 dias, a Ucrânia não apenas sobreviveu, o país se tornou o escudo da Europa, resistindo com sangue de seus filhos nos campos de batalha. A Ucrânia ensina ao mundo que a liberdade não se negocia. Para o Brasil, resta a urgência de realinhar sua política externa com a ética e a justiça. Não há equidistância possível entre agressor e vítima. Reconhecer a soberania ucraniana e condenar o imperialismo russo não é uma escolha política, é um imperativo moral. Por isso, quatro anos depois seguimos com a mesma mensagem: Força, Ucrânia.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Ano Novo Chinês pressiona cadeias globais e exige estratégia antecipada das empresas brasileiras

Com China respondendo por 25,3% das importações do Brasil paralisação sazonal em fevereiro impacta estoques contratos e fluxo de caixa

Da Redação

Brasília -A China respondeu por 25,3% de todas as importações brasileiras em 2025, somando cerca de US$ 70,9 bilhões em mercadorias, segundo dados consolidados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Principal fornecedora de insumos industriais, componentes eletrônicos e bens intermediários ao Brasil, o país asiático reduz drasticamente o ritmo de produção e embarques durante o Ano Novo Chinês, celebrado entre janeiro e fevereiro.

A paralisação parcial de fábricas, portos e transportadoras pressiona cadeias produtivas globais e impõe riscos diretos a empresas brasileiras dependentes desse fluxo.

Para Murillo Oliveira, especialista em investimentos e Head of Treasury da Saygo, holding brasileira de comércio exterior e câmbio, o impacto vai além do calendário cultural. “O Ano Novo Chinês é previsível, mas o efeito financeiro costuma ser subestimado. Quando a empresa não antecipa compras nem estrutura capital de giro, o atraso no embarque vira ruptura de estoque e pressão sobre contratos locais”, afirma.

O feriado oficial dura cerca de uma semana, mas o efeito operacional pode se estender por até três semanas, considerando a retomada gradual das atividades e o acúmulo de pedidos.

Indústrias que trabalham com estoques enxutos ou produção sob demanda tendem a sentir o impacto com mais intensidade, especialmente em um cenário de fretes ainda elevados e maior disputa por espaço em navios e portos. “Não é só a fábrica que fecha. A cadeia inteira desacelera, do fornecedor de matéria-prima ao operador logístico”, diz.

Planejamento transforma risco em vantagem

Segundo o executivo, empresas mais organizadas utilizam o período como instrumento estratégico. “Quem entende o ciclo chinês negocia volumes antes do feriado, diversifica fornecedores e trava câmbio com antecedência. Isso reduz volatilidade e transforma risco em vantagem competitiva”, explica.

Ele destaca que a gestão de tesouraria precisa estar alinhada ao calendário internacional. “Se a companhia sabe que haverá interrupção em fevereiro, precisa revisar projeções de caixa ainda no último trimestre do ano anterior. É uma decisão estratégica, não apenas operacional”, pontua.

O especialista mostra cinco medidas estratégicas para proteger margens e evitar rupturas no Ano Novo Chinês

Antes de listar as recomendações, Murillo reforça que o erro mais comum é tratar o evento como imprevisto. Para ele, a integração entre compras, logística e finanças é o que define o nível de exposição ao risco.

  1. Antecipação de pedidos e revisão de estoques
    Ao programar compras com antecedência, a empresa reduz o risco de ruptura e evita contratações emergenciais de frete, que tendem a custar mais caro após o feriado.
  2. Diversificação de fornecedores internacionais
    Buscar alternativas em outros países asiáticos ou até em fornecedores regionais diminui a dependência exclusiva da China e amplia poder de negociação.
  3. Proteção cambial estruturada
    Oscilações do dólar em períodos de incerteza podem corroer margens. Instrumentos como hedge e contratos a termo ajudam a manter previsibilidade financeira.
  4. Revisão de cláusulas contratuais
    Inserir previsões sobre atrasos logísticos e prazos de embarque reduz risco jurídico e facilita renegociações quando há impacto no cronograma.
  5. Contratação de assessoria especializada
    Empresas de comércio exterior e consultorias financeiras conseguem mapear riscos, organizar documentação e alinhar estratégia cambial à operação logística.

“Contratar uma empresa especializada não é custo, é seguro operacional. Ela ajuda a prever gargalos, organizar capital de giro e evitar que o calendário internacional comprometa resultados”, afirma.

Murillo lembra que o ambiente internacional segue marcado por tensões geopolíticas, políticas protecionistas e reconfiguração de rotas comerciais. Nesse contexto, qualquer interrupção sazonal amplia seus efeitos. “Em um cenário de disputa por espaço logístico e volatilidade cambial, o empresário que depende da China precisa enxergar o Ano Novo como parte do planejamento anual”, diz.

Ele acrescenta que o período também pode gerar oportunidade. Empresas que se antecipam conseguem negociar melhores condições antes do pico de demanda global. “Planejamento é o que separa quem sofre impacto de quem ganha mercado”, conclui.

Com a China concentrando mais de um quarto das importações brasileiras, o Ano Novo Chinês deixa de ser apenas uma data cultural e passa a integrar a agenda estratégica das companhias.

Em um comércio internacional sensível a prazos, custos e previsibilidade financeira, antecipação e inteligência na gestão tornam-se ativos decisivos para preservar competitividade e proteger margens.

 

 

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Trump sem tarifas: e agora?

Hugo Garbe (*)

A Suprema Corte dos Estados Unidos declarou ilegais as tarifas emergenciais impostas por Donald Trump. A decisão expõe uma fragilidade recorrente de sua estratégia econômica: a substituição de política pública estruturada por voluntarismo executivo.

Trump, ao tentar utilizar uma legislação concebida para situações excepcionais como atalho para impor tarifas amplas, tensionou os limites institucionais da política comercial americana.

Ao restabelecer a prerrogativa do Congresso sobre matéria tributária e comercial, a Corte não apenas corrigiu uma distorção jurídica, mas também reforçou um princípio central da economia política moderna: decisões que alteram preços relativos, cadeias produtivas e relações internacionais não podem ser fruto de discricionariedade individual.

Do ponto de vista econômico, as tarifas emergenciais representaram um choque artificial nos termos de troca, elevando custos para empresas e consumidores sob a justificativa simplista de “proteção nacional”. A literatura empírica é clara ao demonstrar que tarifas amplas tendem a gerar perda líquida de bem-estar, aumento de preços domésticos e ineficiências alocativas.

A tentativa de concentrar no Executivo a capacidade de impor tais medidas amplia o risco de políticas erráticas, guiadas por ciclos eleitorais ou disputas geopolíticas conjunturais. Ao recolocar o Congresso no centro do processo decisório, a decisão judicial fortalece a deliberação democrática, amplia a transparência e reduz a probabilidade de choques unilaterais que desorganizem expectativas empresariais.

Mais do que um embate jurídico, trata-se de um episódio emblemático sobre governança econômica. O Congresso, como instância representativa e deliberativa, oferece maior previsibilidade e responsabilidade na formulação de política comercial.

A centralização tarifária no Executivo, como a ensaiada por Trump, cria incentivos à volatilidade normativa e à instrumentalização política do comércio exterior. Economias complexas exigem instituições que limitem impulsos personalistas e preservem regras estáveis. Ao reafirmar o papel do Legislativo, a Suprema Corte contribui para restaurar racionalidade institucional em um tema que impacta diretamente investimento, inflação e inserção internacional dos Estados Unidos.

(*) Hugo Garbe, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM)

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Decisão da Corte Suprema dos EUA sobre tarifas não deve ser vista como retorno à normalidade, adverte especialista

Da Redação –

Brasília – A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos derrubando o tarifaço aplicado pelo presidente Donald Trump às exportações de uma série de países, entre eles o Brasil “dá um pouco de fôlego aos exportadores brasileiros” mas “não deve ser vista por ninguém no comércio exterior como um retorno à normalidade”.

A opinião é do especialista em Comercio Exterior, Jackson Campos, para quem “o que muda, na verdade, é o humor do comprador, que volta a falar sobre isso, fecha novos contratos” e sublinhou que a decisão abre novamente espaços para o Brasil em categorias de produtos onde somos competitivos, especialmente alimentos e produtos agroindustriais. Segundo Campos, “não há confiança no mercado de que novas tarifas não venham após essa derrota do presidente republicano”.

Para o especialista, “o risco não desaparece completamente, mas apenas se desloca para outro lugar. A questão é que as tarifas se tornaram uma ferramenta política e podem retornar sob outra justificativa legal a qualquer momento, de modo que os exportadores precisam, na verdade, trabalhar com o que pode acontecer. No que diz respeito à agenda, isso traz oportunidades ou carrega perigo. Isso criou uma oportunidade, pois com nossa estratégia de negócios em vigor, durante as tensões entre os EUA e outros parceiros, o Brasil pode ser um fornecedor alternativo e confiável em todas as linhas de comércio onde temos o escopo e a capacidade de entrega para fornecer. Risco porque um dos desempenhos recentes do Brasil é derivado da diversificação do comércio, e a diversificação pode ser reduzida se os EUA estabilizarem as regras em certos segmentos”.

Dependência da China e busca de novos mercados

Na avaliação de Jackson Campos, “isso tem um impacto direto na relação com a China. A China continua sendo uma âncora porque compra em volume e fornece a distribuição, mas a dependência excessiva é um ponto fraco. Se a geopolítica mudar para o lado negativo, ou a demanda diminuir, ou surgirem novas políticas, isso afeta o Brasil instantaneamente. O caminho a seguir é manter a força da China, mas abrir mais mercados e ampliar a agenda. E então a pressão sobre a política comercial brasileira. Este episódio reforça a ideia de que um acordo não é um debate teórico, mas sim um instrumento de competitividade e proteção. O Mercosul-União Europeia é imperativo porque desbloqueia o acesso preferencial, diminui barreiras e cria previsibilidade justamente quando o mundo está se tornando mais imprevisível”.

Jackson Campos considera de grande relevância que o Brasil procure seguir avançando na conquista de outros mercados na Ásia e no Oriente Médio.  Segundo ele, “as pessoas que têm mais portas abertas pagarão menos por tarifas, retaliações e mudanças de regras. O Brasil deve intensificar essa agenda e fazer sua lição de casa internamente, porque as oportunidades no comércio exterior não são descobertas em um discurso, elas ocorrem para aqueles que estão preparados para vender com conformidade, rastreabilidade e logística ágil. Mas é importante manter os pés no chão. A política comercial dos EUA continuará sendo usada como instrumento de pressão. O empresário brasileiro precisa trabalhar com cenário, diversificar mercados e reforçar a gestão de risco. O mundo está mais volátil e isso não vai mudar tão cedo”, analisa Campos.

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Fim das tarifas recíprocas nos EUA redesenha o cenário para commodities e comércio; StoneX considera decisão histórica

Decisão histórica limita uso de poderes emergenciais pelo Executivo e pode gerar ressarcimentos bilionários

Da Redação (*)

Brasília – A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que as chamadas “tarifas recíprocas”, impostas de forma unilateral pela administração do presidente Donald Trump, são ilegais. Por seis votos a três, a mais alta instância do Judiciário americano entendeu que o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para justificar a medida extrapolou as atribuições constitucionais do presidente.

Segundo análise divulgada pela a StoneX, empresa global de serviços financeiros, a declaração de ilegalidade das chamadas “tarifas recíprocas” nos Estados Unidos tende a provocar uma reprecificação imediata no mercado internacional de commodities, reduzir distorções competitivas e trazer maior previsibilidade ao comércio global.

Conforme contextualiza Raphael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado, as tarifas haviam sido anunciadas em abril do ano passado com base na IEEPA, legislação que concede ao chefe do Executivo poderes ampliados em situações classificadas como emergenciais. Governadores e empresas afetadas recorreram à Justiça, argumentando que a lei não autoriza a criação de tarifas comerciais e contestando a caracterização do chamado “estado de emergência” invocado pelo governo.

Revés significativo para Donald Trump

Antes de chegar à Suprema Corte, o caso foi analisado por três instâncias judiciais, todas contrárias à aplicação da IEEPA para fins tarifários. A decisão final do Supremo confirma esse entendimento e determina a interrupção imediata da cobrança das tarifas.

“O julgamento era acompanhado com expectativa pelo mercado e por analistas políticos, uma vez que a composição atual da Suprema Corte tem maioria conservadora, o que alimentava a possibilidade de uma decisão favorável à administração Trump. O resultado, no entanto, representa um revés significativo para o presidente e reforça os limites institucionais do poder Executivo em matéria comercial”, apontou o analista.

Repercussões no comércio internacional e nas commodities

A suspensão das tarifas tende a reduzir o poder de barganha dos Estados Unidos frente a parceiros comerciais estratégicos, como a China. Segundo a analista de planejamento e suporte, Julia Viana, ainda assim, especialistas não esperam movimentos abruptos no curto prazo. “Pequim tem adotado um discurso mais conciliador e se comprometeu recentemente a ampliar de 12 para 20 milhões de toneladas a compra de soja americana na atual safra”, afirmou.

Bulascoschi complementa, pontuando que “a Índia, outro ator relevante nas negociações comerciais com Washington, também dificilmente revisará acordos recém-anunciados em razão da decisão judicial”.

No Brasil, setores que não haviam sido beneficiados pela derrubada parcial de tarifas ocorrida em novembro do ano passado podem ser favorecidos pelo novo cenário, especialmente em mercados nos quais as tarifas recíprocas afetavam a competitividade dos exportadores.

Ambos especialistas da StoneX destacam que a decisão da Suprema Corte marca um precedente importante sobre os limites do uso de poderes emergenciais e deve influenciar o desenho da política comercial americana nos próximos meses.

Impactos fiscais e possibilidade de ressarcimento

Com a declaração de ilegalidade das tarifas, empresas e demais agentes econômicos afetados poderão buscar o ressarcimento dos valores pagos junto à alfândega americana, conforme explica Bulascoschi. Estimativas preliminares indicam que o montante a ser devolvido pode ultrapassar US$ 130 bilhões, o que representaria uma pressão adicional sobre o orçamento federal dos Estados Unidos.

“O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo ainda avalia a possibilidade de novos recursos judiciais, o que pode postergar definições sobre os ressarcimentos. Caso a devolução se confirme, o impacto fiscal pode trazer implicações relevantes para as contas públicas do país”, destacou.

(*) Com informações da StoneX

 

 

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Decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos reduzirá sobretaxas às exportações brasileiras, avalia Amcham Brasil

Da Redação (*)

Brasília – Em nota divulgada hoje (20), a Amcham Brasil avalia que a decisão anunciada, pela Suprema Corte dos Estados Unidos — que considerou inadequado o uso de tarifas com base na legislação americana de emergência econômica (International Emergency Economic Powers Act – IEEPA) — reduzirá parcela relevante das sobretaxas atualmente aplicadas às exportações brasileiras.

Embora o alcance e os efeitos práticos da decisão ainda estejam em análise, ela tem potencial de melhorar as condições de competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano e ampliar a previsibilidade nas relações comerciais entre os dois países.

No documento, a Amcham Brasil ressalta que permanece a possibilidade de adoção de novas medidas tarifárias pelos Estados Unidos com base em instrumentos jurídicos distintos da legislação de emergência econômica. Seguem em vigor tarifas aplicadas às exportações brasileiras com fundamento em segurança nacional (Seção 232), incluindo setores como aço e alumínio. Também permanece em curso a investigação amparada na Seção 301, relativa a políticas e práticas comerciais brasileiras, que poderá resultar na adoção de novas medidas comerciais.

Diante desse cenário, a Amcham Brasil reforça que o momento exige intensificação do diálogo bilateral e avanço em negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, com foco na redução de barreiras e na ampliação do comércio e dos investimentos entre as duas economias. Para a Amcham, o anúncio de um encontro próximo entre os presidentes dos dois países representa uma janela estratégica para avançar nesse objetivo.

(*) Com informações da Amcham

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Inteligência de dados amplia eficiência em logística marítima para viabilizar previsibilidade e competitividade no comércio exterior

Da Redação (*)

Brasília – Responsável por cerca de 80% do volume do comércio mundial, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o transporte marítimo opera em um ambiente de alta complexidade e é sensível a oscilações geopolíticas e econômicas. Nesse contexto, a inteligência de dados tornou-se um diferencial competitivo.

A aplicação de bases estruturadas, análises preditivas e inteligência artificial permite antecipar movimentos de mercado, otimizar rotas, reduzir custos logísticos – que podem representar até 20% do valor da mercadoria, de acordo com o Banco Mundial – e mitigar riscos operacionais. No setor de shipping, a informação deixou de ser apenas registro histórico para se consolidar como ferramenta estratégica de decisão.

Foi a partir deste cenário que Marcos Silva, CIO da Datamar, liderou a transformação da empresa em uma plataforma internacional de inteligência de mercado para o comércio exterior.

Com 20 anos de experiência, o especialista, que é formado em administração e possui especializações em tecnologia e gestão, consolidou-se como um dos executivos responsáveis por integrar dados históricos de navegação, automação de processos e inteligência artificial aplicada ao setor de shipping – um mercado tradicionalmente marcado por baixa digitalização e forte dependência de informações fragmentadas.

Sob sua liderança, a Datamar estruturou um modelo robusto de coleta, tratamento e análise de dados de navegação, com bases consolidadas desde 1996. A empresa atende armadores globais, terminais portuários, tradings, indústrias exportadoras e instituições financeiras, fornecendo relatórios analíticos, plataformas proprietárias e APIs que permitem integração direta com sistemas corporativos.

Ambiente de alta complexidade

“O nosso papel é transformar dado bruto em inteligência estratégica. Não entregamos informação isolada, entregamos contexto, previsibilidade e apoio real à tomada de decisão”, explica Marcos, que complementa: “O comércio exterior é um ambiente de alta complexidade. Quem opera nesse mercado precisa de dados confiáveis, atualizados e estruturados. Nosso trabalho é garantir que essas informações gerem eficiência operacional e vantagem competitiva”, diz.

A estratégia inclui o uso de inteligência artificial, incluindo modelos generativos e ferramentas de apoio à decisão, aplicados à análise de fluxos de importação e exportação, movimentação portuária e dinâmica de mercado. A proposta é migrar de uma visão retrospectiva para uma abordagem cada vez mais preditiva. “A tecnologia só é relevante quando impacta no resultado. Aplicamos IA para reduzir incertezas, antecipar movimentos e apoiar decisões estratégicas em um setor altamente sensível a variáveis geopolíticas e econômicas”, afirma.

Além da frente tecnológica, Marcos Silva também lidera iniciativas voltadas à consolidação da Datamar como hub de conhecimento do setor, como o DatamarLab, que conecta tecnologia, logística e academia, e o Datamar Smart Shipping, conferência que reúne executivos e especialistas para discutir tendências e desafios da logística marítima.

“Existe um gap na integração de sistemas e na utilização estratégica de dados. O potencial de ganho em eficiência é enorme. Nosso compromisso é acelerar essa evolução com soluções práticas e escaláveis”, finaliza.

(*) Com informações da Datamar

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Carnaval Além da Folia: A Outra Face do Trabalho Informal no Brasil

Ricardo Dias (*)

Quando o Carnaval chega, o imaginário coletivo brasileiro se enche de cores, música, alegria e debates sobre turismo e movimentação econômica. Mas para além dos blocos, trios elétricos e abadás, existe um universo invisível de trabalhadores e trabalhadoras que não desfrutam da festa, mas dependem para sobreviver. Camarins vazios de reconhecimento formal, jornadas exaustivas sem direitos e remunerações muitas vezes abaixo da merecida, este é o retrato atual da informalidade no mercado de eventos.

A Realidade da Informalidade no Setor de Eventos

A demanda sazonal deve gerar um impacto relevante no mercado de trabalho, com a abertura de 39,2 mil vagas temporárias, número apresenta crescimento em relação a 2025, porém, mesmo com a expansão das admissões no período, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta uma tendência de menor retenção desses trabalhadores. Para 2026, a taxa de efetivação é estimada em 11%, abaixo dos 16% registrados no ano anterior. O movimento indica uma acomodação do setor após o processo de recomposição de vagas eliminadas no auge da crise sanitária, quando os índices de efetivação chegaram a 24% em 2021 e 2022.

Essa realidade reflete um problema estrutural mais amplo: um setor complexo, como o de eventos, que é altamente dependente de trabalho temporário e sazonal, resistente à formalização por meio da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e que, por isso, reproduz relações precárias mesmo em momentos de forte geração de renda.

Informalidade e Carnaval: Número e Condições de Trabalho

O próprio Carnaval evidencia, e até expõe, a precariedade dessas relações laborais. Fiscalizações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) durante o Carnaval de 2025 em Salvador resgataram mais de 300 vendedores ambulantes em condições análogas à escravidão, submetidos a jornadas extensas, falta de infraestrutura básica, alojamento improvisado e ausência de descanso adequado.

Embora este seja um caso extremo e esteja ligado a trabalho degradante, ele denuncia uma realidade comum no Carnaval: muitos ambulantes e operadores trabalham sem contrato formal, sem acesso a direitos básicos como descanso remunerado, alimentação decente e proteção social, configurações que se enquadram claramente na definição de trabalho informal ou precário.

Esses trabalhadores, mesmo sendo parte integral da cadeia produtiva que movimenta bilhões de reais durante o Carnaval, muitas vezes não têm acesso a benefícios que outros trabalhadores formais recebem, como seguro-desemprego, férias remuneradas, vale-transporte ou FGTS. Essa disparidade adiciona uma camada de injustiça social a uma celebração nacional de enorme significado cultural.

Projeções para 2026 e o Desafio da Formalização

De acordo com estimativa da CNC, o Carnaval deve gerar R$ 14,48 bilhões em receitas em todo o Brasil, representando um aumento de 3,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar da ausência da consolidação de dados para o ano atual, a Abrafesta indica que a informalidade continuará sendo um desafio central. A própria entidade tem articulado propostas regulatórias e políticas públicas para reforçar a necessidade de estrutura que promova formalização e proteção social para os trabalhadores da cadeia de eventos, inclusive em momentos de alta demanda, como o Carnaval.

Esse debate aponta para 2026 um cenário em que, mesmo com a expectativa de crescimento econômico e de consumo no setor de eventos, a precariedade laboral pode persistir se não houver mudanças estruturais profundas nas relações de trabalho.

(*) Ricardo Dias, presidente da Abrafesta

 

 

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Porto de Santos tem o melhor mês de janeiro da história em movimentação geral de cargas e de contêineres

Da Redação (*)

Brasília – Janeiro é, historicamente, o mês do ano menor movimentação no Porto de Santos, devido a fatores climáticos e mercadológicos. Mas 2026 começa já com marcas históricas: é o melhor início de ano da história.

Em janeiro de 2026, foram movimentadas 12,7 milhões de toneladas de cargas no Porto de Santos. O número é 9,5% maior que o de 2025 (11,6 milhões) e 6,8% maior que o recorde anterior (2024, quando foram 11,9 milhões).

Em contêineres, o resultado é também histórico: foram 467 mil TEU, marca 1,4% maior que em janeiro de 2024 e melhor resultado para o mês.

“É mais uma boa notícia, que confirma que os bons resultados alcançados até o momento não foram sorte, mas planejamento”, afirma o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini. “Acabamos de receber do governo do presidente Lula a aprovação da ampliação da área do Porto de Santos, o que vai garantir que os recordes continuem sendo quebrados”, completa Pomini.

Agronegócio segue liderando movimentação

Os recordes de janeiro de 2026 foram puxados mais uma vez pelo agronegócio. Os destaques foram o açúcar, que reverte a tendência de queda observada em 2025 e registra no mês crescimento de 36,8% em relação ao ano anterior, com embarque de 1,57 milhão de toneladas. O complexo soja (grãos e farelo), com disponibilidade do produto e demanda externa aquecida, teve aumento de 79,6% em relação a 2025, com embarque de 1,56 milhão de toneladas.

A movimentação de contêineres cresceu de 460.786 TEU em janeiro de 2024 para 467.223 neste ano. O número de atracações foi de 446, aumento de 2,5% em relação a janeiro de 2025 (quando foram 435 atracações). A participação de Santos na corrente comercial brasileira teve leve recuo em relação ao fechamento do ano de 2025, de 29,6% para 29,5%.

(*) Com informações da Autoridade Portuária de Santos

 

 

 

 

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Caso Banco Master mostra como a nova era da manipulação digital é impulsionada pela IA

Rico Araujo (*)

Por muito tempo, campanhas digitais negativas eram vistas como ações artesanais, dependentes de esforço humano intenso, coordenação manual e alcance limitado. Atualmente, a combinação de inteligência artificial e automação transformou esse cenário. Narrativas negativas podem ser escaladas com velocidade, precisão e personalização, tornando disputas de reputação operações de grande escala, quase industriais.

O caso recente envolvendo o Banco Master, atualmente objeto de investigações conduzidas pela Polícia Federal, com autorização do Supremo Tribunal Federal, trouxe à tona discussões relevantes sobre o uso de tecnologia e automação em campanhas coordenadas de influência no ambiente digital.

Mais do que uma questão jurídica específica, o episódio evidencia um problema estrutural: a combinação entre dados, automação e inteligência artificial permite moldar percepções e influenciar a opinião pública de forma altamente orquestrada, enquanto sociedade, empresas e instituições ainda enfrentam dificuldades para compreender, monitorar e responder a esse novo tipo de dinâmica digital.

Ferramentas de IA generativa permitem criar grandes volumes de conteúdo em minutos, como textos, roteiros, comentários e até vídeos, ajustados para diferentes públicos, plataformas e contextos emocionais. Uma mesma mensagem pode ser reescrita dezenas de vezes, com variações de tom e vocabulário, atingindo audiências distintas sem revelar coordenação centralizada. O resultado é que a percepção de consenso ou de opinião espontânea se torna artificial, minando a confiança pública em informações legítimas.

A automação funciona como o motor dessas operações: sistemas programados distribuem conteúdo estrategicamente, respondem interações, amplificam temas e mantêm presença constante. Para observadores externos, a narrativa parece natural, mas na prática é uma operação cuidadosamente orquestrada. Esse efeito é potencializado por deepfakes, textos sintéticos e perfis digitais simulados. Criar identidades online com histórico e padrões de interação realistas tornou-se trivial, tornando quase impossível detectar campanhas coordenadas.

Segundo o Identity Fraud Report 2025–2026, ataques envolvendo deepfakes cresceram 126% no Brasil em 2025, com 39% dos casos detectados na América Latina concentrados no país, afetando fintechs, bancos e plataformas de apostas online. O crescimento explosivo desses ataques evidencia que a manipulação digital não é um risco futuro, mas uma realidade que já impacta diretamente setores estratégicos e a confiança do público.

Mais do que volume, automação e IA oferecem eficiência estratégica. Algoritmos identificam discursos que geram engajamento, gatilhos emocionais mais efetivos e formatos mais compartilháveis. Assim, a narrativa é otimizada em tempo real, como qualquer campanha de marketing orientada a performance, mas com foco em influência e reputação, e com consequências que podem ser desastrosas para empresas, reguladores e sociedade.

Sete em cada 10 brasileiros já viram alguma notícia falsa, de acordo com pesquisa realizada pelo DataSenado. Quando perguntados sobre o motivo para a disseminação de notícias falsas, 31% acreditam que quem compartilha esse tipo de notícia quer mudar a opinião dos outros, enquanto 30% apontam desconhecimento sobre a veracidade da informação. Esses números mostram que a desinformação não é apenas tecnológica: ela se alimenta de comportamentos humanos, crenças e hábitos de consumo de conteúdo digital, tornando o impacto ainda mais difícil de conter.

Diante disso, organizações que ignoram essa dinâmica estão cometendo um erro estratégico grave. Não se trata apenas de subestimar ataques isolados ou “fake news”, mas de falhar em compreender um ecossistema tecnológico que manipula percepções em escala. A mesma tecnologia usada para engajar consumidores pode ser usada para desgastar marcas e instituições, criando um campo de batalha digital em que apenas quem domina as ferramentas, entende os algoritmos e age de forma estratégica terá vantagem.

No ambiente digital contemporâneo, narrativa deixou de ser apenas comunicação: tornou-se infraestrutura crítica. Casos como o do Banco Master mostram que empresas e instituições que não investirem em monitoramento avançado, inteligência digital e capacidade de resposta estruturada estarão permanentemente atrás de operações automatizadas. A pergunta não é se a IA já atua nesse campo, mas quem está preparado para enfrentar essa realidade e assumir responsabilidade ética e estratégica pelo impacto de suas ações digitais. Ignorar esse cenário não é neutralidade tecnológica, é abdicar de responsabilidade estratégica

(*) Rico Araújo – Especialista no desenvolvimento de projetos que integram marketing e inovação estratégica para transformar marcas em negócios altamente competitivos, Rico Araujo é CEO da PX/Brasil, agência especializada em marketing estratégico, posicionamento competitivo e geração de negócios, e conselheiro de Inovação.

 

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