Plataforma do MDIC amplia painéis e moderniza acesso a dados de comércio exterior

Plataforma consolida informações estratégicas, fortalece a transparência e permite acompanhar mecanismos e pleitos do setor privado com mais eficiência

Da Redação (*)

Brasília – A plataforma Camex360, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), acaba de avançar no compromisso de ampliar a transparência e qualificar o acesso a dados estratégicos de comércio exterior. A ferramenta, que já reúne informações sobre tarifas de importação e investimentos, passa a contar com dois novos painéis que fortalecem a inteligência e a eficiência na análise de políticas comerciais.

“Com a atualização, usuários passam a ter acesso mais ágil, organizado e intuitivo a informações sobre mecanismos de alteração tarifária temporária e sobre o andamento de pleitos apresentados pelo setor privado. Antes dispersos em diferentes canais, esses dados agora estão integrados em um único ambiente, facilitando a consulta e a tomada de decisão por empresas, analistas e formuladores de políticas públicas”, afirma a secretária-executiva da Camex, Juliana Volpi.

A iniciativa reforça a transparência das ações governamentais e contribui para aperfeiçoar a governança no comércio exterior brasileiro, ao mesmo tempo em que reduz custos de busca de informação – especialmente para micro, pequenas e médias empresas.

Listas de exceção

No Mercosul, os produtos seguem uma tarifa comum de importação, chamada TEC (Tarifa Externa Comum). Ainda assim, o bloco prevê mecanismos que permitem ajustes temporários nessas tarifas, dentro de limites definidos, como a Lista de Exceções (Letec), a Lista de Desabastecimento e a de Desequilíbrios Comerciais (DCC).

Com os novos painéis do Camex360, é possível visualizar de forma simples como esses mecanismos estão sendo utilizados atualmente e acompanhar os pedidos feitos pelo setor privado para incluir produtos nessas listas.

Conheça abaixo as ferramentas do Camex360:

  • Painel tarifário: apresenta, de maneira intuitiva e acessível, uma visão consolidada a nível de produto das tarifas aplicadas, listas de exceção, regimes de ex-tarifários e acordos comerciais, contribuindo para maior transparência e eficiência na análise tarifária.
  • Painel de Mecanismos de Alteração Tarifária (NOVO): oferece estatísticas atualizadas sobre o número de NCMs incluídas em cada instrumento; informações sobre efeitos tarifários (redução, elevação ou retorno ao nível TEC); distribuição setorial dos produtos afetados; classificação dos itens segundo o tipo de bem (capital, intermediário, consumo); e indicadores complementares, como valores importados associados às NCMs vigentes.
  • Painel de Pleitos de Alteração Tarifária (NOVO): apresenta informações sobre os pedidos encaminhados pelo setor privado para inclusão de produtos nos instrumentos de alteração tarifária. Também, permite o acompanhamento das solicitações submetidas à Secretaria-Executiva da Camex, com estatísticas de pleitos apresentados para cada lista de exceção; tempo médio de análise; distribuição setorial e por tipo de bem; e status do pleito.
  • Rastreador NCM: rastreia o histórico dos códigos NCM e NALADI, com o objetivo de facilitar o acesso às correlações desses códigos a partir de um diagrama visual. O aplicativo é especialmente útil para negociadores comerciais e para analistas de comércio. Com a ferramenta é possível identificar qual é a NCM correspondente de um acordo anterior ou verificar se a análise comercial para determinado período faz sentido.
  • InvestVis: plataforma de visualização de dados de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que oferece uma perspectiva abrangente e acessível sobre os fluxos e estoques desse importante tipo de investimento. Também, consolida informações de fontes primárias diversas, organizando os dados coletados e os apresentando de forma acessível, simplificando a compreensão para usuários de diferentes perfis.
  • GECEX deliberações: – acesso rápido e intuitivo às deliberações do Gecex e às notas técnicas públicas que serviram de base para as decisões.

(*) Com informações do MDIC

O post Plataforma do MDIC amplia painéis e moderniza acesso a dados de comércio exterior apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Plataforma do MDIC amplia painéis e moderniza acesso a dados de comércio exterior

Plataforma consolida informações estratégicas, fortalece a transparência e permite acompanhar mecanismos e pleitos do setor privado com mais eficiência

Da Redação (*)

Brasília – A plataforma Camex360, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), acaba de avançar no compromisso de ampliar a transparência e qualificar o acesso a dados estratégicos de comércio exterior. A ferramenta, que já reúne informações sobre tarifas de importação e investimentos, passa a contar com dois novos painéis que fortalecem a inteligência e a eficiência na análise de políticas comerciais.

“Com a atualização, usuários passam a ter acesso mais ágil, organizado e intuitivo a informações sobre mecanismos de alteração tarifária temporária e sobre o andamento de pleitos apresentados pelo setor privado. Antes dispersos em diferentes canais, esses dados agora estão integrados em um único ambiente, facilitando a consulta e a tomada de decisão por empresas, analistas e formuladores de políticas públicas”, afirma a secretária-executiva da Camex, Juliana Volpi.

A iniciativa reforça a transparência das ações governamentais e contribui para aperfeiçoar a governança no comércio exterior brasileiro, ao mesmo tempo em que reduz custos de busca de informação – especialmente para micro, pequenas e médias empresas.

Listas de exceção

No Mercosul, os produtos seguem uma tarifa comum de importação, chamada TEC (Tarifa Externa Comum). Ainda assim, o bloco prevê mecanismos que permitem ajustes temporários nessas tarifas, dentro de limites definidos, como a Lista de Exceções (Letec), a Lista de Desabastecimento e a de Desequilíbrios Comerciais (DCC).

Com os novos painéis do Camex360, é possível visualizar de forma simples como esses mecanismos estão sendo utilizados atualmente e acompanhar os pedidos feitos pelo setor privado para incluir produtos nessas listas.

Conheça abaixo as ferramentas do Camex360:

  • Painel tarifário: apresenta, de maneira intuitiva e acessível, uma visão consolidada a nível de produto das tarifas aplicadas, listas de exceção, regimes de ex-tarifários e acordos comerciais, contribuindo para maior transparência e eficiência na análise tarifária.
  • Painel de Mecanismos de Alteração Tarifária (NOVO): oferece estatísticas atualizadas sobre o número de NCMs incluídas em cada instrumento; informações sobre efeitos tarifários (redução, elevação ou retorno ao nível TEC); distribuição setorial dos produtos afetados; classificação dos itens segundo o tipo de bem (capital, intermediário, consumo); e indicadores complementares, como valores importados associados às NCMs vigentes.
  • Painel de Pleitos de Alteração Tarifária (NOVO): apresenta informações sobre os pedidos encaminhados pelo setor privado para inclusão de produtos nos instrumentos de alteração tarifária. Também, permite o acompanhamento das solicitações submetidas à Secretaria-Executiva da Camex, com estatísticas de pleitos apresentados para cada lista de exceção; tempo médio de análise; distribuição setorial e por tipo de bem; e status do pleito.
  • Rastreador NCM: rastreia o histórico dos códigos NCM e NALADI, com o objetivo de facilitar o acesso às correlações desses códigos a partir de um diagrama visual. O aplicativo é especialmente útil para negociadores comerciais e para analistas de comércio. Com a ferramenta é possível identificar qual é a NCM correspondente de um acordo anterior ou verificar se a análise comercial para determinado período faz sentido.
  • InvestVis: plataforma de visualização de dados de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que oferece uma perspectiva abrangente e acessível sobre os fluxos e estoques desse importante tipo de investimento. Também, consolida informações de fontes primárias diversas, organizando os dados coletados e os apresentando de forma acessível, simplificando a compreensão para usuários de diferentes perfis.
  • GECEX deliberações: – acesso rápido e intuitivo às deliberações do Gecex e às notas técnicas públicas que serviram de base para as decisões.

(*) Com informações do MDIC

O post Plataforma do MDIC amplia painéis e moderniza acesso a dados de comércio exterior apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Seminário em São Paulo debaterá adaptação regulatória de empresas no contexto do Acordo Mercosul-UE

Da Redação (*)

Brasília – Representantes do setor produtivo, especialistas em comércio exterior e autoridades federais participarão, no próximo dia 18 de junho, em São Paulo, do seminário “Mercosul União Europeia: Caminhos Práticos para a Competitividade Internacional”, voltado à discussão dos impactos do acordo comercial entre os blocos e dos desafios de adaptação das empresas brasileiras ao novo ambiente regulatório internacional.

O encontro será realizado das 9h às 17h30, no auditório do Sebrae-SP, na Rua Vergueiro, 1.117, no bairro do Paraíso, e contará com participação de representantes da Receita Federal, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da ApexBrasil.

Debate sobre impactos práticos do Acordo

Promovido por FecomercioSP, Sebrae e Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (Sindasp), o evento pretende aproximar empresas, operadores do comércio exterior e especialistas de temas considerados centrais para o avanço da competitividade internacional brasileira, entre eles origem preferencial, certificação, conformidade aduaneira, sustentabilidade, segurança operacional e acesso a mercados.

Após mais de duas décadas de negociações entre Mercosul e União Europeia, empresas brasileiras já começam a discutir os impactos práticos do Acordo, especialmente diante do aumento das exigências internacionais relacionadas à rastreabilidade, critérios ambientais, governança e conformidade nas operações globais.

A programação inclui palestra magna do economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos Brics, além de painéis técnicos sobre modernização aduaneira e adequação das empresas brasileiras às exigências previstas no acordo.

“O acordo entre Mercosul e União Europeia cria uma nova camada de exigências técnicas, regulatórias e operacionais para as empresas brasileiras. O desafio agora não é apenas comercial, mas também de adaptação à lógica internacional de conformidade, rastreabilidade e competitividade. O objetivo do seminário é justamente aproximar o setor produtivo dessas discussões de forma prática e acessível, especialmente pequenas e médias empresas que precisarão se preparar para esse novo ambiente de negócios”, afirma Marcelo de Castro Ferreira, diretor secretário-adjunto do Sindasp.

“O Sindasp tem buscado ampliar sua atuação técnica e institucional nos debates relacionados à modernização aduaneira e à facilitação do comércio exterior, contribuindo para aproximar operadores, empresas e poder público em temas estratégicos para a economia brasileira”, completa.

Também participará do encontro Elson Ferreira Isayama, presidente reeleito do Sindasp para a gestão 2026-2029.

Segundo os organizadores, o seminário terá foco prático e deve abordar mecanismos para ampliar a inserção internacional de pequenas e médias empresas paulistas em um cenário de aumento das exigências técnicas, ambientais e regulatórias no comércio exterior.

O evento será gratuito, presencial e com vagas limitadas. As inscrições devem ser feitas previamente pelo link:
https://lnkd.in/d_JksMGh

A programação completa será divulgada em breve nos canais oficiais das entidades organizadoras.

Serviço

Seminário: Mercosul União Europeia: Caminhos Práticos para a Competitividade Internacional
Data: 18 de junho de 2026
Horário: das 9h às 17h30
Local: Auditório Sebrae-SP — Rua Vergueiro, 1.117, Paraíso, São Paulo/SP
Realização: FecomercioSP, SINDASP e Sebrae
Participação institucional: MDIC, Receita Federal e ApexBrasil
Evento gratuito e presencial
Inscrições: https://lnkd.in/d_JksMGh

(*) Com informações do Sindasp

 

O post Seminário em São Paulo debaterá adaptação regulatória de empresas no contexto do Acordo Mercosul-UE apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Seminário em São Paulo debaterá adaptação regulatória de empresas no contexto do Acordo Mercosul-UE

Da Redação (*)

Brasília – Representantes do setor produtivo, especialistas em comércio exterior e autoridades federais participarão, no próximo dia 18 de junho, em São Paulo, do seminário “Mercosul União Europeia: Caminhos Práticos para a Competitividade Internacional”, voltado à discussão dos impactos do acordo comercial entre os blocos e dos desafios de adaptação das empresas brasileiras ao novo ambiente regulatório internacional.

O encontro será realizado das 9h às 17h30, no auditório do Sebrae-SP, na Rua Vergueiro, 1.117, no bairro do Paraíso, e contará com participação de representantes da Receita Federal, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da ApexBrasil.

Debate sobre impactos práticos do Acordo

Promovido por FecomercioSP, Sebrae e Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (Sindasp), o evento pretende aproximar empresas, operadores do comércio exterior e especialistas de temas considerados centrais para o avanço da competitividade internacional brasileira, entre eles origem preferencial, certificação, conformidade aduaneira, sustentabilidade, segurança operacional e acesso a mercados.

Após mais de duas décadas de negociações entre Mercosul e União Europeia, empresas brasileiras já começam a discutir os impactos práticos do Acordo, especialmente diante do aumento das exigências internacionais relacionadas à rastreabilidade, critérios ambientais, governança e conformidade nas operações globais.

A programação inclui palestra magna do economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos Brics, além de painéis técnicos sobre modernização aduaneira e adequação das empresas brasileiras às exigências previstas no acordo.

“O acordo entre Mercosul e União Europeia cria uma nova camada de exigências técnicas, regulatórias e operacionais para as empresas brasileiras. O desafio agora não é apenas comercial, mas também de adaptação à lógica internacional de conformidade, rastreabilidade e competitividade. O objetivo do seminário é justamente aproximar o setor produtivo dessas discussões de forma prática e acessível, especialmente pequenas e médias empresas que precisarão se preparar para esse novo ambiente de negócios”, afirma Marcelo de Castro Ferreira, diretor secretário-adjunto do Sindasp.

“O Sindasp tem buscado ampliar sua atuação técnica e institucional nos debates relacionados à modernização aduaneira e à facilitação do comércio exterior, contribuindo para aproximar operadores, empresas e poder público em temas estratégicos para a economia brasileira”, completa.

Também participará do encontro Elson Ferreira Isayama, presidente reeleito do Sindasp para a gestão 2026-2029.

Segundo os organizadores, o seminário terá foco prático e deve abordar mecanismos para ampliar a inserção internacional de pequenas e médias empresas paulistas em um cenário de aumento das exigências técnicas, ambientais e regulatórias no comércio exterior.

O evento será gratuito, presencial e com vagas limitadas. As inscrições devem ser feitas previamente pelo link:
https://lnkd.in/d_JksMGh

A programação completa será divulgada em breve nos canais oficiais das entidades organizadoras.

Serviço

Seminário: Mercosul União Europeia: Caminhos Práticos para a Competitividade Internacional
Data: 18 de junho de 2026
Horário: das 9h às 17h30
Local: Auditório Sebrae-SP — Rua Vergueiro, 1.117, Paraíso, São Paulo/SP
Realização: FecomercioSP, SINDASP e Sebrae
Participação institucional: MDIC, Receita Federal e ApexBrasil
Evento gratuito e presencial
Inscrições: https://lnkd.in/d_JksMGh

(*) Com informações do Sindasp

 

O post Seminário em São Paulo debaterá adaptação regulatória de empresas no contexto do Acordo Mercosul-UE apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Rastreabilidade amplia transparência no comércio global do agronegócio, da indústria e logística

Exigências regulatórias, segurança da cadeia produtiva e demanda por informações impulsionam o avanço dos sistemas de monitoramento de produtos

Da Redação (*)

Brasília – A rastreabilidade vem assumindo papel cada vez mais relevante no comércio internacional. Em um cenário marcado pela ampliação das cadeias globais de suprimentos, pela adoção de normas rigorosas e pela busca por transparência, empresas e consumidores passaram a demandar informações mais detalhadas sobre a origem e o percurso dos produtos.

O movimento é observado em diversos setores, como alimentos, agronegócio, indústria e logística. Mercados importadores têm fortalecido exigências relacionadas à procedência de mercadorias, ao cumprimento de requisitos sanitários, ambientais e trabalhistas e à capacidade de identificar rapidamente possíveis falhas ao longo da cadeia produtiva.

Uma exigência cada vez mais presente

A rastreabilidade permite acompanhar o histórico de um produto desde sua fabricação ou produção até a chegada ao consumidor final. Esse monitoramento facilita a identificação de etapas do processo produtivo, fornecedores envolvidos, condições de transporte e movimentação da carga.

No comércio exterior, a prática contribui para reduzir riscos operacionais, aumentar a confiabilidade das informações e agilizar respostas em situações que exigem ações corretivas. Em casos de inconformidades, por exemplo, a localização precisa de lotes específicos evita impactos mais amplos sobre a cadeia de distribuição.

Além disso, a rastreabilidade fortalece a competitividade das empresas em mercados que valorizam padrões elevados de controle e governança. Em muitos segmentos, a capacidade de comprovar a origem e o histórico de um produto já integra os critérios de avaliação de compradores internacionais.

Tecnologia impulsiona monitoramento

O avanço das ferramentas digitais ampliou a capacidade de rastreamento de produtos ao longo da cadeia logística. Sistemas integrados de gestão, sensores conectados e etiquetas inteligentes permitem acompanhar a movimentação de mercadorias em tempo real, desde a produção até a entrega ao consumidor.

Além de aumentar a visibilidade das operações, essas tecnologias contribuem para a padronização dos registros e facilitam a troca de informações entre fabricantes, distribuidores, operadores logísticos e órgãos reguladores. Com isso, o controle se torna mais ágil e preciso, reduzindo erros e melhorando a eficiência dos processos.

A digitalização também ampliou o acesso a consultas e mecanismos de validação. Ferramentas que permitem verificar código de barras online, por exemplo, ajudam a confirmar informações sobre produtos, reforçando a transparência e a confiabilidade das relações comerciais.

Transparência como diferencial estratégico

A crescente valorização da origem dos produtos acompanha mudanças no comportamento do mercado global. Questões relacionadas a sustentabilidade, segurança, responsabilidade social e conformidade regulatória ganharam espaço nas decisões de compra e nas estratégias empresariais.

Nesse contexto, a rastreabilidade funciona como um mecanismo capaz de gerar evidências sobre práticas adotadas ao longo da cadeia produtiva. A disponibilidade dessas informações facilita auditorias, certificações e processos de exportação, além de ampliar a confiança entre os diferentes agentes envolvidos nas operações.

À medida que as exigências evoluem, a capacidade de rastrear produtos e compartilhar dados confiáveis tende a ocupar posição cada vez mais estratégica. Mais do que atender a requisitos regulatórios, a rastreabilidade se consolida como um elemento associado à transparência, à eficiência operacional e à credibilidade no comércio global.

(*) Com informações da Conversion

O post Rastreabilidade amplia transparência no comércio global do agronegócio, da indústria e logística apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Rastreabilidade amplia transparência no comércio global do agronegócio, da indústria e logística

Exigências regulatórias, segurança da cadeia produtiva e demanda por informações impulsionam o avanço dos sistemas de monitoramento de produtos

Da Redação (*)

Brasília – A rastreabilidade vem assumindo papel cada vez mais relevante no comércio internacional. Em um cenário marcado pela ampliação das cadeias globais de suprimentos, pela adoção de normas rigorosas e pela busca por transparência, empresas e consumidores passaram a demandar informações mais detalhadas sobre a origem e o percurso dos produtos.

O movimento é observado em diversos setores, como alimentos, agronegócio, indústria e logística. Mercados importadores têm fortalecido exigências relacionadas à procedência de mercadorias, ao cumprimento de requisitos sanitários, ambientais e trabalhistas e à capacidade de identificar rapidamente possíveis falhas ao longo da cadeia produtiva.

Uma exigência cada vez mais presente

A rastreabilidade permite acompanhar o histórico de um produto desde sua fabricação ou produção até a chegada ao consumidor final. Esse monitoramento facilita a identificação de etapas do processo produtivo, fornecedores envolvidos, condições de transporte e movimentação da carga.

No comércio exterior, a prática contribui para reduzir riscos operacionais, aumentar a confiabilidade das informações e agilizar respostas em situações que exigem ações corretivas. Em casos de inconformidades, por exemplo, a localização precisa de lotes específicos evita impactos mais amplos sobre a cadeia de distribuição.

Além disso, a rastreabilidade fortalece a competitividade das empresas em mercados que valorizam padrões elevados de controle e governança. Em muitos segmentos, a capacidade de comprovar a origem e o histórico de um produto já integra os critérios de avaliação de compradores internacionais.

Tecnologia impulsiona monitoramento

O avanço das ferramentas digitais ampliou a capacidade de rastreamento de produtos ao longo da cadeia logística. Sistemas integrados de gestão, sensores conectados e etiquetas inteligentes permitem acompanhar a movimentação de mercadorias em tempo real, desde a produção até a entrega ao consumidor.

Além de aumentar a visibilidade das operações, essas tecnologias contribuem para a padronização dos registros e facilitam a troca de informações entre fabricantes, distribuidores, operadores logísticos e órgãos reguladores. Com isso, o controle se torna mais ágil e preciso, reduzindo erros e melhorando a eficiência dos processos.

A digitalização também ampliou o acesso a consultas e mecanismos de validação. Ferramentas que permitem verificar código de barras online, por exemplo, ajudam a confirmar informações sobre produtos, reforçando a transparência e a confiabilidade das relações comerciais.

Transparência como diferencial estratégico

A crescente valorização da origem dos produtos acompanha mudanças no comportamento do mercado global. Questões relacionadas a sustentabilidade, segurança, responsabilidade social e conformidade regulatória ganharam espaço nas decisões de compra e nas estratégias empresariais.

Nesse contexto, a rastreabilidade funciona como um mecanismo capaz de gerar evidências sobre práticas adotadas ao longo da cadeia produtiva. A disponibilidade dessas informações facilita auditorias, certificações e processos de exportação, além de ampliar a confiança entre os diferentes agentes envolvidos nas operações.

À medida que as exigências evoluem, a capacidade de rastrear produtos e compartilhar dados confiáveis tende a ocupar posição cada vez mais estratégica. Mais do que atender a requisitos regulatórios, a rastreabilidade se consolida como um elemento associado à transparência, à eficiência operacional e à credibilidade no comércio global.

(*) Com informações da Conversion

O post Rastreabilidade amplia transparência no comércio global do agronegócio, da indústria e logística apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Calçados asiáticos a preço de dumping: importações em forte alta são ameaça e desafio para a indústria brasileira

 

 

Da Redação (*)

Brasília Diferentemente das exportações, as importações de calçados seguem em elevação e atingiram o recorde da série histórica – iniciada em 1997 – para os primeiros cinco meses do ano. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em maio entraram no Brasil 3,28 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 43,78 milhões, elevações tanto em volume (+14,6%) quanto em receita (+14,7%) em relação ao mesmo mês do ano passado.

Destacam-se as principais origens asiáticas do mês: China (991,3 mil pares e US$ 3,62 milhões, incrementos de 22,8% em volume e queda de 0,5% em receita ante maio de 2025); Vietnã (958,97 mil pares e US$ 19,96 milhões, queda de 4% em volume e aumento de 4,9% em receita); e Indonésia (459,3 mil pares e US$ 9,18 milhões, queda de 9,1% em volume e incremento de 20,3% em receita).

No acumulado dos cinco meses, as importações somaram 22,9 milhões de pares e US$ 258,93 milhões, elevações de 18,2% e 14%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado. As principais origens foram: China (9,28 milhões de pares e US$ 22,35 milhões, incrementos de 28,8% e 11,6% ante o mesmo período de 2025); Vietnã (5,6 milhões de pares e US$ 124,55 milhões, crescimentos de 5,4% e 19,7%, respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado); e Indonésia (3,27 milhões de pares e US$ 61,96 milhões, queda de 10% em volume e incremento de 5,1% em receita no comparativo com o intervalo correspondente de 2025).

Exportações em queda
Em maio, a indústria calçadista brasileira embarcou 6,42 milhões de pares por US$ 64,53 milhões – quedas de 5,2% e 17,4%, respectivamente, ante o mesmo mês de 2025. Já no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações somaram 40,9 milhões de pares e US$ 349 milhões, quedas tanto em volume (-10,7%) quanto em receita (-18,3%) em relação ao mesmo ínterim do ano passado.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, explica que os dados seguem refletindo os impactos da política tarifária estadunidense e do contexto macroeconômico e concorrencial na Argentina.

“Mesmo os Estados Unidos, principal destino internacional do calçado brasileiro, tendo retirado a tarifa adicional de 40% para importações do Brasil em fevereiro, não tivemos retorno imediato aos patamares pré 2025”, explica o executivo, destacando que existe uma “defasagem” entre pedido, produção, embarque e registro da exportação. “Parte das exportações brasileiras de março a maio de 2026 ainda reflete decisões comerciais tomadas quando o mercado estava sob tarifa de 40%”, acrescenta.

Além disso, o dirigente ressalta que a queda registrada para os Estados Unidos no último mês, foi influenciada pela elevada base de comparação do mês de maio de 2025 – mês atípico em razão do anúncio, à época, das tarifas recíprocas globais, que reforçaram a busca por fornecedores alternativos à Ásia. “Quando maio de 2026 é comparado com o mesmo mês de 2024, cenário em que não haviam tarifas adicionais, as exportações superaram em 7,5% o volume exportado aos Estados Unidos”, frisa, concluindo que os dados mais recentes indicam tendência de normalização dos embarques em relação a um cenário pré-tarifas.

Ferreira manifesta preocupação, ainda, com a manutenção da incerteza regulatória no mercado norte-americano, inclusive em função das investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio e a orientação de aplicação de tarifas adicionais que podem alcançar 37,5% – 25% com base nas investigações relacionadas ao Brasil e 12,5% com base nas investigações gerais relativas à trabalho forçado – sobre importações brasileiras.

Estados Unidos, o principal mercado

Em maio, o principal destino do calçado brasileiro no exterior foram os Estados Unidos, para onde foram exportados 984,5 mil pares que geraram US$ 13,65 milhões, quedas de 21,8% e 42,3%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado, as exportações para os Estados Unidos somaram 4,8 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, incremento de 0,1% em volume e queda de 25% em divisas em relação ao mesmo intervalo de 2025.

O segundo destino do calçado brasileiro no exterior segue sendo a Argentina, que em maio importou 402,73 mil pares verde-amarelos por US$ 6,48 milhões, quedas de 63,2% e 57,7%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado dos cinco meses, as exportações brasileiras para a Argentina somaram 2,42 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, quedas de 57,8% e 59,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Fecha o ranking dos três principais destinos de 2026 o Paraguai, que em maio importou 900,87 mil pares de calçados brasileiros por US$ 4,3 milhões, altas de 59,2% e 19,2%, respectivamente, ante o mês cinco do ano passado. No acumulado dos cinco meses, foram embarcados para lá 3,6 milhões de pares por US$ 20,2 milhões, queda de 8,2% em volume e incremento de 14,3% em receita na relação com intervalo correspondente de 2025.

RS: maior exportador do Brasil

O Rio Grande do Sul segue sendo o principal exportador de calçados do Brasil. Entre janeiro e maio, as fábricas gaúchas embarcaram 12,9 milhões de pares, que geraram US$ 172,1 milhões, quedas de 6,2% e 14,1%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado. Na sequência, aparecem os estados do Ceará – com a exportação de 12,58 milhões de pares por US$ 67,14 milhões, quedas de 18,1% e 25,4%, respectivamente -, e São Paulo – que embarcou 2,5 milhões por US$ 35,68 milhões, quedas de 19,3% e 19,4% ante o ano passado.

Projeções indicam quedas em volume e receita

Diante das incertezas regulatórias e dos impactos decorrentes das tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos, bem como da possibilidade de novas sobretaxas, somadas às quedas registradas no mercado argentino, as exportações brasileiras de calçados devem encerrar 2026 com retração entre 4,1% e 8,9%, conforme a Inteligência de Mercado da Abicalçados. Apesar do crescimento acumulado dos embarques para a América Central e Caribe e para parte relevante dos países da América do Sul, esses mercados têm funcionado apenas como vetor de compensação parcial.

(*) Com informações da Abicalçados

O post Calçados asiáticos a preço de dumping: importações em forte alta são ameaça e desafio para a indústria brasileira apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Calçados asiáticos a preço de dumping: importações em forte alta são ameaça e desafio para a indústria brasileira

 

 

Da Redação (*)

Brasília Diferentemente das exportações, as importações de calçados seguem em elevação e atingiram o recorde da série histórica – iniciada em 1997 – para os primeiros cinco meses do ano. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em maio entraram no Brasil 3,28 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 43,78 milhões, elevações tanto em volume (+14,6%) quanto em receita (+14,7%) em relação ao mesmo mês do ano passado.

Destacam-se as principais origens asiáticas do mês: China (991,3 mil pares e US$ 3,62 milhões, incrementos de 22,8% em volume e queda de 0,5% em receita ante maio de 2025); Vietnã (958,97 mil pares e US$ 19,96 milhões, queda de 4% em volume e aumento de 4,9% em receita); e Indonésia (459,3 mil pares e US$ 9,18 milhões, queda de 9,1% em volume e incremento de 20,3% em receita).

No acumulado dos cinco meses, as importações somaram 22,9 milhões de pares e US$ 258,93 milhões, elevações de 18,2% e 14%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado. As principais origens foram: China (9,28 milhões de pares e US$ 22,35 milhões, incrementos de 28,8% e 11,6% ante o mesmo período de 2025); Vietnã (5,6 milhões de pares e US$ 124,55 milhões, crescimentos de 5,4% e 19,7%, respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado); e Indonésia (3,27 milhões de pares e US$ 61,96 milhões, queda de 10% em volume e incremento de 5,1% em receita no comparativo com o intervalo correspondente de 2025).

Exportações em queda
Em maio, a indústria calçadista brasileira embarcou 6,42 milhões de pares por US$ 64,53 milhões – quedas de 5,2% e 17,4%, respectivamente, ante o mesmo mês de 2025. Já no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações somaram 40,9 milhões de pares e US$ 349 milhões, quedas tanto em volume (-10,7%) quanto em receita (-18,3%) em relação ao mesmo ínterim do ano passado.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, explica que os dados seguem refletindo os impactos da política tarifária estadunidense e do contexto macroeconômico e concorrencial na Argentina.

“Mesmo os Estados Unidos, principal destino internacional do calçado brasileiro, tendo retirado a tarifa adicional de 40% para importações do Brasil em fevereiro, não tivemos retorno imediato aos patamares pré 2025”, explica o executivo, destacando que existe uma “defasagem” entre pedido, produção, embarque e registro da exportação. “Parte das exportações brasileiras de março a maio de 2026 ainda reflete decisões comerciais tomadas quando o mercado estava sob tarifa de 40%”, acrescenta.

Além disso, o dirigente ressalta que a queda registrada para os Estados Unidos no último mês, foi influenciada pela elevada base de comparação do mês de maio de 2025 – mês atípico em razão do anúncio, à época, das tarifas recíprocas globais, que reforçaram a busca por fornecedores alternativos à Ásia. “Quando maio de 2026 é comparado com o mesmo mês de 2024, cenário em que não haviam tarifas adicionais, as exportações superaram em 7,5% o volume exportado aos Estados Unidos”, frisa, concluindo que os dados mais recentes indicam tendência de normalização dos embarques em relação a um cenário pré-tarifas.

Ferreira manifesta preocupação, ainda, com a manutenção da incerteza regulatória no mercado norte-americano, inclusive em função das investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio e a orientação de aplicação de tarifas adicionais que podem alcançar 37,5% – 25% com base nas investigações relacionadas ao Brasil e 12,5% com base nas investigações gerais relativas à trabalho forçado – sobre importações brasileiras.

Estados Unidos, o principal mercado

Em maio, o principal destino do calçado brasileiro no exterior foram os Estados Unidos, para onde foram exportados 984,5 mil pares que geraram US$ 13,65 milhões, quedas de 21,8% e 42,3%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado, as exportações para os Estados Unidos somaram 4,8 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, incremento de 0,1% em volume e queda de 25% em divisas em relação ao mesmo intervalo de 2025.

O segundo destino do calçado brasileiro no exterior segue sendo a Argentina, que em maio importou 402,73 mil pares verde-amarelos por US$ 6,48 milhões, quedas de 63,2% e 57,7%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado dos cinco meses, as exportações brasileiras para a Argentina somaram 2,42 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, quedas de 57,8% e 59,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Fecha o ranking dos três principais destinos de 2026 o Paraguai, que em maio importou 900,87 mil pares de calçados brasileiros por US$ 4,3 milhões, altas de 59,2% e 19,2%, respectivamente, ante o mês cinco do ano passado. No acumulado dos cinco meses, foram embarcados para lá 3,6 milhões de pares por US$ 20,2 milhões, queda de 8,2% em volume e incremento de 14,3% em receita na relação com intervalo correspondente de 2025.

RS: maior exportador do Brasil

O Rio Grande do Sul segue sendo o principal exportador de calçados do Brasil. Entre janeiro e maio, as fábricas gaúchas embarcaram 12,9 milhões de pares, que geraram US$ 172,1 milhões, quedas de 6,2% e 14,1%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado. Na sequência, aparecem os estados do Ceará – com a exportação de 12,58 milhões de pares por US$ 67,14 milhões, quedas de 18,1% e 25,4%, respectivamente -, e São Paulo – que embarcou 2,5 milhões por US$ 35,68 milhões, quedas de 19,3% e 19,4% ante o ano passado.

Projeções indicam quedas em volume e receita

Diante das incertezas regulatórias e dos impactos decorrentes das tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos, bem como da possibilidade de novas sobretaxas, somadas às quedas registradas no mercado argentino, as exportações brasileiras de calçados devem encerrar 2026 com retração entre 4,1% e 8,9%, conforme a Inteligência de Mercado da Abicalçados. Apesar do crescimento acumulado dos embarques para a América Central e Caribe e para parte relevante dos países da América do Sul, esses mercados têm funcionado apenas como vetor de compensação parcial.

(*) Com informações da Abicalçados

O post Calçados asiáticos a preço de dumping: importações em forte alta são ameaça e desafio para a indústria brasileira apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Cooperação Sul-Sul: O Papel de Malásia, Brasil e ASEAN

Embaixador Mohammad Ali bin Selamat (*)

Em um mundo cada vez mais interconectado, porém fragmentado, no qual tensões geopolíticas, interrupções nas cadeias de suprimentos e a competição tecnológica estão remodelando o comércio global, a Malásia, o Brasil e a ASEAN têm a oportunidade de demonstrar o valor de parcerias resilientes, mercados abertos e uma cooperação Sul-Sul pragmática.

À medida que os países buscam diversificar suas relações econômicas e fortalecer sua resiliência diante de choques externos, a crescente parceria entre a Malásia e o Brasil oferece um ótimo exemplo de como potências médias podem trabalhar juntas para criar novas oportunidades entre diferentes regiões.

Uma Parceria Bilateral Resiliente

O Brasil é o segundo maior parceiro comercial da Malásia na América Latina e responde por mais de 66% do comércio total da Malásia com o MERCOSUL. O comércio bilateral cresceu 16,6% em 2024, alcançando US$ 4,46 bilhões (R$ 24,53 bilhões). Mesmo com a moderação da atividade econômica global em 2025, o intercâmbio comercial permaneceu resiliente, atingindo US$ 3,97 bilhões (R$ 21,84 bilhões), evidenciando a profundidade estrutural da relação.

A Malásia exporta para o Brasil produtos manufaturados de alto valor agregado, especialmente bens elétricos e eletrônicos (E&E), máquinas, componentes automotivos, equipamentos ópticos e científicos, além de oleoquímicos avançados. O Brasil, por sua vez, desempenha um papel fundamental no apoio à segurança alimentar e de recursos da Malásia.

A próxima fase dessa cooperação concentra-se cada vez mais em tecnologia verde, diversificação das cadeias de suprimentos de semicondutores, energia renovável, manufatura avançada e na conexão do setor do agronegócio brasileiro com o ecossistema halal da Malásia, reconhecido mundialmente.

O que começou como uma relação comercial complementar está evoluindo para uma parceria mais ampla, baseada em inovação, sustentabilidade e resiliência econômica de longo prazo.

A Economia da Malásia Ganha Impulso

A economia da Malásia expandiu-se 5,4% no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pela forte demanda doméstica, gastos das famílias, condições favoráveis do mercado de trabalho e crescimento contínuo dos investimentos.

O Índice Global de Oportunidades 2026 do Milken Institute classificou a Malásia como o principal destino emergente de investimentos do Sudeste Asiático e o 23º do mundo, destacando instituições sólidas, um setor financeiro bem desenvolvido e fundamentos macroeconômicos consistentes.

O setor manufatureiro do país continua se beneficiando do aumento da demanda global por produtos elétricos e eletrônicos relacionados à inteligência artificial, semicondutores, eletrônicos automotivos e infraestrutura de data centers. O Banco Central da Malásia (Bank Negara Malaysia) projeta crescimento entre 4% e 5% para o ano, enquanto o Fundo Monetário Internacional revisou recentemente para cima a previsão de crescimento do país em 2026, para 4,7%.

O setor externo da Malásia também alcançou níveis históricos em abril de 2026. O comércio total cresceu 28,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo RM 336,73 bilhões (R$ 7,75 bilhões), o maior valor mensal já registrado. As exportações aumentaram 36,9%, alcançando RM 182,74 bilhões (R$ 237,56 bilhões), marcando dez meses consecutivos de crescimento.

As exportações de produtos elétricos e eletrônicos cresceram 46,4%, chegando a RM 88,16 bilhões (R$ 114,61 bilhões), representando quase metade das exportações totais. O superávit comercial acumulado da Malásia entre janeiro e abril de 2026 dobrou em relação ao ano anterior, atingindo RM 91,92 bilhões (R$ 119,50 bilhões), enquanto o comércio total ultrapassou RM 1 trilhão (R$ 1,30 trilhão) nos primeiros quatro meses do ano.

Esses resultados refletem não apenas um forte desempenho econômico, mas também a contínua integração da Malásia às cadeias globais de valor, especialmente nos setores de alta tecnologia.

Brasil e ASEAN: Uma Relação Estratégica

O comércio entre o Brasil e a ASEAN expandiu-se mais de dezesseis vezes nos últimos vinte e cinco anos, ultrapassando US$ 37 bilhões (R$ 203,50 bilhões) em 2024 e tornando a ASEAN um dos mais importantes parceiros comerciais do Brasil no mundo.

Um marco importante ocorreu em 2022, quando o Brasil tornou-se oficialmente Parceiro de Diálogo Setorial da ASEAN, reforçando seu engajamento estratégico com o Sudeste Asiático.

Com uma população combinada superior a 670 milhões de pessoas e algumas das economias mais dinâmicas do mundo, a ASEAN oferece oportunidades significativas de cooperação em segurança alimentar, desenvolvimento sustentável, transformação digital, transição energética e indústrias relacionadas ao clima.

Os dados comerciais da Malásia de abril de 2026 demonstraram ainda mais o dinamismo econômico da ASEAN. As exportações para todos os Estados-membros registraram crescimento de dois dígitos, incluindo Vietnã (+65%), Camboja (+73,1%) e Brunei (+52,7%).

Além da economia, Malásia e Brasil compartilham outra característica importante. Ambos são potências médias influentes, com visão global e forte compromisso com o multilateralismo, o diálogo e a cooperação internacional. À medida que o sistema internacional se torna mais fragmentado, a cooperação entre países que valorizam a abertura, a resiliência e o engajamento construtivo torna-se cada vez mais relevante.

A distância entre Kuala Lumpur e Brasília pode ser considerável, mas os interesses estratégicos da Malásia, do Brasil e da ASEAN nunca estiveram tão próximos.

Turismo, Economia Halal e Soft Power

O turismo continua sendo um importante pilar do engajamento internacional da Malásia. O país recebeu aproximadamente 25 milhões de visitantes internacionais em 2024 e atualmente promove a campanha Visit Malaysia 2026.

Portadores de passaporte brasileiro desfrutam de entrada sem necessidade de visto na Malásia e podem conhecer um país reconhecido por sua diversidade cultural, hospitalidade de classe mundial, infraestrutura moderna e ricas atrações naturais. De locais reconhecidos como Patrimônio Mundial da UNESCO a ilhas tropicais, cidades vibrantes e destinos de ecoturismo, a Malásia oferece uma experiência asiática única.

A economia halal representa outra importante via de cooperação

A Malaysia International Halal Showcase (MIHAS 2026), programada para ocorrer entre 23 e 26 de setembro de 2026, em Kuala Lumpur, continua sendo uma das principais feiras globais do setor halal.

A edição anterior gerou mais de US$ 1,3 bilhão (R$ 7,15 bilhões) em oportunidades de negócios, atraiu mais de 50 mil visitantes e contou com 2.400 estandes de 80 países. Além de alimentos e bebidas, a MIHAS abrange os setores farmacêutico, cosmético, finanças islâmicas, tecnologia verde, moda e logística halal.

Para empresas brasileiras dos setores de agronegócio, alimentos, farmacêutico e cosméticos, a MIHAS oferece acesso direto aos mercados da ASEAN, do Oriente Médio e de outras regiões em rápido crescimento, por meio de parcerias empresariais, certificações e redes globais de compradores.

O Brasil ajuda a alimentar o mundo, enquanto a Malásia ajuda a conectar produtos halal aos mercados globais. Juntos, os dois países formam uma parceria poderosa.

MATRADE São Paulo: Conectando Mercados

No centro dessa relação em expansão está a MATRADE São Paulo, o escritório comercial da Embaixada da Malásia no Brasil.

A MATRADE atua como ponte entre empresas brasileiras e malaias, facilitando acesso a mercados, encontros de negócios, promoção de investimentos e participação em grandes feiras comerciais e iniciativas empresariais.

À medida que as empresas buscam cada vez mais diversificar mercados e fortalecer a resiliência de suas cadeias de suprimentos, a MATRADE permanece comprometida em apoiar parcerias que gerem valor de longo prazo para ambas as economias.

Perspectivas Futuras

O panorama geral é claro: Malásia e Brasil já não estão conectados apenas pelos fluxos comerciais. Como portas de entrada estratégicas para a ASEAN e para a América do Sul, respectivamente, ambos os países estão cada vez mais posicionados para contribuir para uma maior conectividade inter-regional, cadeias de suprimentos mais resilientes, desenvolvimento sustentável e crescimento impulsionado pela inovação.

Em um mundo moldado pela incerteza estratégica, Malásia e Brasil têm a oportunidade de demonstrar como potências médias podem construir pontes entre regiões, fortalecer a resiliência econômica e criar parcerias práticas que gerem benefícios concretos para empresas e sociedades.

O futuro dessa relação não é apenas comercial — é cada vez mais estratégico.

(*) Dato’ Mohammad Ali bin Selamat é Embaixador da Malásia no Brasil

O post Cooperação Sul-Sul: O Papel de Malásia, Brasil e ASEAN apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Lula participa na Cúpula do G7 e gera expectativa por tarifa dos EUA e veto à carne brasileira pela UE

Da Redação (*)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou neste domingo (14) para a cidade de Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7, o fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta.

É a 10ª vez que Lula participa deste encontro, ao longo de seus três mandatos. São membros plenos do grupo: Canadá, Estados Unidos (EUA), Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A União Europeia (UE) também participa como membro institucional.

A ida de Lula acende a expectativa para possíveis interações com o presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento de novo tensionamento entre os dois países, duas semanas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras.

O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano pelo governo de Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA. Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o WhatsApp Pay.

Até o momento, não houve confirmação sobre uma possível reunião bilateral entre Lula e Trump. Se algum encontro entre os dois líderes ocorrer na França, será pouco mais de um mês da última reunião de ambos, na Casa Branca, em Washington, no início de maio.

Na ocasião, segundo Lula, equipes dos dois governos foram orientadas a apresentar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e da investigação comercial do USTR, o que efetivamente ainda não aconteceu.

“Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos os contatos seguem, por enquanto é o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo”, afirmou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (10).

Este também vai ser o primeiro contato entre Lula e Trump após o governo norte-americano passar a designar formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou para a aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

Veto à carne brasileira

Outro foco de atenção na viagem de Lula ao G7 passa pela relação com a União Europeia. Há uma semana, o bloco oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial do dia 5 de junho.

Também não há definição sobre um possível encontro de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

“Obviamente que eu acho que o recado principal que nós queremos passar aos europeus é que ficamos assim um pouco surpresos da maneira como foi. Nós estamos vendo algumas medidas da União Europeia que nos causam alguma preocupação. E o tom da discussão, se houver, ou em outros momentos, não necessariamente no G7, vai ser esse, com uma certa preocupação por esses últimos desdobramentos e ver o que a gente pode fazer para resolver as questões”, apontou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que acompanha diretamente as tratativas.

Brasil e Japão

Enquanto não se confirmam as reuniões bilaterais de Lula durante a cúpula do G7, um encontro que já está certo na agenda será com a primeira-ministra do Japão é Sanae Takaichi. Ela fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o principal cargo do Executivo no país asiático, tomando posse em outubro de 2025.

Este será o primeiro encontro oficial entre ambos e há uma expectativa de se abrir negociações em torno de um futuro acordo do Japão com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).

A cúpula do G7 deste ano, presidida pela França, ocorre de 15 a 17 de junho. Além do Brasil, o grupo convidou líderes de outros países importantes, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. Outra provável reunião bilateral de Lula deverá ser com o anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron.

(*) Com informações da Agência Brasil

O post Lula participa na Cúpula do G7 e gera expectativa por tarifa dos EUA e veto à carne brasileira pela UE apareceu primeiro em Comex do Brasil.