O crepúsculo dos aiatolás: Reconfiguração impulsiona Acordos de Abraão

Márcio Coimbra (*)

O dia 28 de fevereiro de 2026 consolida-se como um divisor de águas na história contemporânea do Oriente Médio. A confirmação da morte de Ali Khamenei — o Líder Supremo que personificou a República Islâmica com inabalável rigidez desde 1989 — em decorrência de uma operação cirúrgica e coordenada entre Estados Unidos e Israel, transcende o êxito tático-militar.

Trata-se do colapso do pilar central de uma teocracia que, por quase meio século, fundamentou sua política externa na exportação da instabilidade e sua política interna na opressão sistemática. A vacância deste centro de gravidade impõe à comunidade internacional a necessidade de gerir um vácuo de poder com rara clareza moral e pragmatismo analítico.

A decisão por um ataque de “decapitação” contra o complexo de Khamenei em Teerã não foi um evento isolado, mas o desfecho inevitável do esgotamento da paciência estratégica ocidental. Durante décadas, o regime iraniano operou sob a égide da defesa avançada, terceirizando conflitos através de proxies como Hezbollah, Hamas e Houthis, mantendo o ônus da guerra longe de suas fronteiras.

Ao atingir o ápice da hierarquia, Washington e Jerusalém alteraram a gramática do conflito, atingindo diretamente os arquitetos da desestabilização. Diante de um ator que interpreta o diálogo como oportunidade de rearmamento, a ação direta revelou-se como o único recurso capaz de prevenir uma catástrofe nuclear e a hegemonia de um Estado pária no Golfo Pérsico.

Embora o objetivo imediato fosse a neutralização de capacidades nucleares, a inteligência aliada compreendeu que a destruição física de centrífugas é insuficiente se o “software” ideológico do regime permanecer operante. A eliminação de Khamenei ataca esta frente, ou seja, a vontade política que alimentava o programa.

Sem seu principal fiador teológico, o projeto atômico perde a aura de missão divina e torna-se um ativo oneroso para uma estrutura focada agora apenas na própria sobrevivência. Os espasmos finais do sistema, como as tentativas de bloqueio ao Estreito de Ormuz, apenas solidificaram a percepção de que a República Islâmica era uma ameaça existencial à estabilidade econômica global, disposta a qualquer jogada no xadrez global.

Com a eliminação de Ali Khamenei, a Guarda Revolucionária (IRGC) entra em fase de cálculo pragmático, onde a oferta de imunidade por parte dos EUA visa transformar um exército ideológico em uma força preocupada com a própria preservação. Ao mesmo tempo, os aiatolás, acuados, perdem força no tabuleiro de poder enquanto o país ainda tenta se manter funcional. A queda final do regime, entretanto, exige convergência de pressão externa esmagadora, deserção das forças de segurança e uma alternativa política organizada.

Regionalmente, o colapso redesenha o mapa de forma sísmica. Proxies ficam órfãs de financiamento, permitindo uma limpeza de enclaves terroristas, enquanto os Acordos de Abraão tendem a uma expansão sem precedentes alcançando a Arábia Saudita. Para evitar erros do passado, a intervenção priorizou a decapitação seletiva em detrimento de ocupações terrestres massivas, preservando burocracias essenciais e removendo apenas a asfixia ideológica. A queda da teocracia permite que o Irã retorne ao concerto das nações, abrindo espaço para que a luz da soberania popular enfim emerja sobre o planalto iraniano como o maior dividendo de paz do século XXI.

 (*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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O peso da História no atual conflito entre EUA e Irã

Victor Missiato (*)

Por volta do século V a.C., uma guerra no Mediterrâneo Oriental alteraria profundamente aquilo que, mais tarde, viríamos a chamar de Ocidente e Oriente. Categorias não apenas geográficas, mas sobretudo políticas e culturais, essas divisões foram consolidadas pelo lado vencedor do conflito. Quando os gregos impediram o avanço de Dario I e, posteriormente, derrotaram Xerxes, seu filho, estabeleceram um paradigma civilizacional: de um lado, o racionalismo e a liberdade política atribuídos à cultura grega — até então fragmentada em cidades-estados —; de outro, um Oriente descrito como exótico, despótico e movido por interesses arbitrários.

Em 2026, a leitura que o “Ocidente” faz do “Oriente” não se alterou substancialmente. O Irã — herdeiro histórico da antiga Pérsia — ainda é frequentemente enquadrado como parte de um suposto “Eixo do Mal”, embora, em diferentes momentos do século XX, tenha sido aliado estratégico de potências ocidentais. Estruturado sob um regime teocrático xiita e marcado por forte retórica antiamericana e anti-israelense, o governo iraniano também reforça essa clivagem simbólica ao sustentar tensões regionais e apoiar grupos armados no Oriente Médio.

Evidentemente, o atual conflito envolvendo Israel, Estados Unidos, Irã e países árabes não pode ser analisado apenas à luz do passado clássico. O componente religioso — judaísmo, cristianismo e islamismo — exerce influência significativa na formação das identidades e das animosidades contemporâneas. Além disso, fatores geopolíticos são decisivos: a aproximação do Irã com China e Rússia, a disputa por zonas de influência e a centralidade estratégica do petróleo ajudam a explicar por que cada movimento militar é cuidadosamente calibrado de acordo com interesses políticos e econômicos de longo alcance.

Diante desse cenário, o peso da História torna-se incontornável. A questão central reside em saber se o “Ocidente” conseguirá reaproximar o Irã de sua esfera de influência — hoje enfraquecida — ou se prevalecerá a manutenção de um regime firmemente antiocidental, liderado pelos aiatolás e sustentado por parcelas significativas da população, além do aparato da poderosa Guarda Revolucionária.O Irã não é a Venezuela, país com menor densidade estratégica e capacidade de projeção regional. Tampouco é o Iraque ou o Afeganistão,

marcados por intervenções externas e fragmentações políticas duradouras. O Irã ocupa posição singular na história da civilização: foi protagonista das Guerras Médicas e elemento constitutivo da própria divisão simbólica entre Oriente e Ocidente. Compreender a trajetória persa e a centralidade do xiismo na cultura político-religiosa iraniana implica reconhecer que a simples derrubada de uma liderança não produz, necessariamente, transformação ideológica profunda no longo prazo.

Após derrotarem os persas, os gregos mergulharam em conflitos internos que contribuíram para sua própria decadência histórica. Resta indagar se uma eventual vitória ocidental no atual embate não poderia assumir contornos de “vitória de Pirro”, revelando novas fraturas e acelerando um processo de fragmentação diante da ascensão de potências orientais, em especial a China.

A História não se repete em círculos, tampouco desaparece. Ela impõe seu peso sobre o presente e impacta nos horizontes do futuro.

(*) Victor Missiato, professor de História do Colégio Presbiteriano Mackenzie, Tamboré. Dr. em História e analista político

 

 

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Embratur abre edital de chamamento para empresas interessadas em participar da ITB China 2026

Com alta de 75% no fluxo de turistas chineses para o Brasil em janeiro de 2026, Agência seleciona parceiros para a maior feira de turismo B2B do país asiático, que acontece em maio; inscrições vão até 11 de março

Da Redação (*)

Brasília – A Embratur abriu inscrições para empresas e instituições interessadas em integrar o estande brasileiro na ITB China 2026, em Xangai. O edital de chamamento vai selecionar coexpositores para a principal feira de negócios B2B do mercado de viagens chinês, que acontece entre 26 e 28 de maio. O período para submeter propostas termina em 11 de março, com resultado previsto para 20 de março. As inscrições devem ser realizadas por meio do Sistema de Inscrição de Eventos Internacionais (SIEI).

A China é um mercado estratégico e ocupa o topo do ranking global de emissão de turistas, com previsão de enviar 200 milhões de viajantes ao mundo até 2028. No Brasil, o fluxo de visitantes chineses cresceu 74,8% em janeiro de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, passando de 5 mil para quase 9 mil visitantes. No consolidado do ano passado em relação ao período anterior, o aumento foi de 34,7%. O país asiático figura entre os 20 maiores emissores para os destinos brasileiros desde 2023.

Atualmente, a conectividade aérea entre os dois países conta com a rota Pequim-Guarulhos, além de opções de conexão como Emirados Árabes Unidos, Catar, França, Espanha, Alemanha e Reino Unido. A presença estratégica em Xangai faz parte do Plano Brasis – Plano Internacional de Marketing Turístico 2025–2027 – e aproveita o aumento na oferta de voos e o interesse crescente pelo Brasil.

Conforme destaca o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, ao participar da feira, coexpositores têm a oportunidade de fechar novos negócios, criar redes de contato e fortalecer a presença de turistas asiáticos no Brasil. “Participar da ITB China fortalece nossa presença em um mercado de alto potencial e extrema competitividade. Trabalhamos em conjunto com estados, municípios e o setor privado para mostrar que o Brasil está pronto para receber o turista chinês com infraestrutura e produtos qualificados”, disse.

“O resultado final é o aumento no número de turistas chineses no Brasil e mais dinheiro rondando na economia dos municípios para gerar novos negócios e ampliar a entrada de divisas em nosso país”, acrescentou Freixo.

Mas, atenção…

Podem participar instituições públicas, associações e o setor privado, como meios de hospedagem e companhias aéreas. Para empresas privadas, é exigido registro regular no Cadastur e credenciamento no Programa ADS China, do Ministério do Turismo. A iniciativa oferece participação isenta de taxas no espaço brasileiro, permitindo que destinos e operadores nacionais se conectem com os principais compradores da China.

O edital valoriza candidatos que apresentem experiências focadas em sustentabilidade, ações climáticas e afroturismo. Os participantes também assumem o compromisso de cumprir ao menos 70% da agenda de reuniões durante o evento.

ITB China

O Brasil retornou à ITB China em maio de 2025. Para marcar o retorno estratégico, a Embratur preparou diversas ações de reaproximação do mercado chinês, reinserindo os destinos nacionais nas prateleiras turísticas do país e fortalecendo a Marca Brasil e o desejo dos chineses em conhecerem a nossa diversidade.

A ITB China é reconhecida como um dos principais eventos B2B (Business to Business) do setor, reunindo fornecedores globais e compradores chineses em um ambiente de negócios altamente qualificado. Focada exclusivamente para o mercado chinês, a feira é uma das principais plataformas para conectar fornecedores globais de turismo com compradores do país, promovendo parcerias estratégicas e oportunidades de negócios.

Inscreva-se neste link.

(*) Com informações da Embratur

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Guerra EUA-Israel x Irã se reflete nos custos dos fretes internacionais e impacta comércio exterior brasileiro

Da Redação

Brasília – A expansão do conflito iniciado com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã terá efeitos sobre o comércio exterior brasileiro e a dimensão desses eventos vai depender da duração e intensidade do conflito. De imediato, a guerra já se reflete nos preços dos fretes marítimos e aéreos e pode se agravar caso o Irã concretize a ameaça de fechar o  Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural consumidos no planeta.

Segundo o especialista em comércio exterior, Jackson Campos, “o desvio de navios para o Cabo da Boa Esperança e a suspensão de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez têm impacto direto e quase imediato no custo do frete internacional. Quando os armadores deixam de utilizar as rotas mais curtas e passam a contornar a África, o tempo de trânsito aumenta significativamente, o consumo de combustível sobe e isso é repassado ao valor final do frete. Além disso, começam a ser aplicadas sobretaxas de risco de guerra e adicionais emergenciais, o que eleva ainda mais os custos logísticos em escala global”.

Em relação ao transporte aéreo, Campos destaca que “a suspensão de voos e o fechamento de espaços aéreos no Oriente Médio geram um efeito em cadeia. Há acúmulo de cargas, redução de oferta de espaço e aumento das tarifas, não apenas para a região afetada, mas também em outras rotas internacionais, já que a malha aérea é interligada. Esse tipo de interrupção costuma levar semanas para ser totalmente normalizado”.

Na percepção do especialista, para o Brasil, o reflexo serão fretes mais caros tanto na exportação quanto na importação. Segundo ele, “o exportador perde competitividade porque o custo logístico encarece o produto final. O importador, por sua vez, enfrenta aumento de preços e maior risco de atrasos no recebimento de insumos, componentes e mercadorias acabadas. Setores que trabalham com estoques reduzidos podem sentir dificuldade de abastecimento ou necessidade de repassar custos ao consumidor. Mesmo distante geograficamente do conflito, o comércio exterior brasileiro passa a operar com prazos mais longos, maior volatilidade e pressão sobre margens”.

 

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Tensão no Golfo Pérsico com ataque ao Irã pressiona fluxo de carne halal, soja e açúcar do Brasil

Da Redação

Brasília – A decisão de fechar o Estreito de Ormuz, tomada em 28 de fevereiro em meio à escalada do conflito com o Irã, colocou em risco a segurança jurídica e econômica do Brasil, que lidera a produção global de carne halal — abatida e preparada segundo os princípios da lei islâmica — e depende da rota para escoar mais de 28 mil toneladas mensais do produto.

Frederico Favacho, sócio do Santos Neto Advogados e especialista em contratos internacionais do agronegócio, avalia que o momento exige atenção. “Os contratos não ficam imediatamente suspensos por conta de força maior ou outra condição, na medida em que os exportadores brasileiros possam ter outras rotas, como, por exemplo, o Mediterrâneo. Só que são rotas mais caras e mais complicadas”, afirma.

Segundo o especialista, os portos da região permanecem em alerta devido ao cenário de conflito entre os países. “A expectativa é que o Brasil tenha impacto não só nas carnes, mas também na soja que exportamos para a região e no açúcar. Precisaremos observar como os fatos vão se desenvolver nos próximos dias para desenhar decisões estratégicas”, diz Favacho.

O alerta se justifica: as exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes fecharam 2025 com alta de 1,91% em relação ao ano anterior, somando US$ 1,79 bilhão, segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, que acompanha o comércio com as 22 nações da Liga dos Estados Árabes, abrangendo o Norte da África e o Oriente Médio. Com o resultado, o Brasil registrou o segundo recorde consecutivo de receitas com o bloco.

Mercado importante para o agro brasileiro

“O Irã é um destino importante das commodities agrícolas brasileiras, principalmente o milho — foi o produto que mais exportamos para o país em 2025, seguido pela soja e, em terceiro lugar, o açúcar. São quase US$ 3 bilhões em exportações apenas para o Irã. Além disso, há os demais países do Golfo Pérsico e do Norte da África. Se considerarmos Emirados Árabes, Arábia Saudita e Egito — embora este último seja mais atendido pelo Canal de Suez —, todos abastecidos com carne, soja, milho e açúcar brasileiros, o impacto no mercado local é significativo, já que esse conjunto representa cerca de US$ 21 bilhões em exportações”, explica Frederico Favacho.

Favacho lembra ainda que o Brasil sempre manteve posição privilegiada no fornecimento de commodities agrícolas ao Irã, mesmo sendo um país sob embargo. “Como exportamos alimentos, ficamos fora das restrições comerciais, o que nos colocou em vantagem no mercado internacional. Então, de fato, poderemos sofrer algum impacto nos contratos de exportação, mas é importante observar que este não é o nosso maior mercado. O principal continua sendo a China, seguida pela União Europeia”, conclui o especialista.

 

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Prorrogadas inscrições para o programa Mulheres Globais, voltado para inserção de empresárias no mercado internacional

Da Redação (*)

Brasília – Empresas brasileiras lideradas por mulheres ganharam mais tempo para registrar a participação no programa Mulheres Globais, que teve as inscrições prorrogadas até o dia 8 de março. A iniciativa, realizada em parceria entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), tem o objetivo de apoiar a internacionalização de negócios femininos por meio do comércio eletrônico, oferecendo capacitação e consultorias técnicas voltadas à superação de desafios reais do e-commerce global.

De acordo com a gerente de Promoção Comercial da CNI, Tatiana Farah, ao incentivar a participação da liderança feminina no mercado estrangeiro, o Mulheres Globais contribui para reduzir barreiras históricas no comércio exterior e ampliar a presença feminina em mercados estratégicos. “Mais do que capacitar, o programa cria condições reais para que empresárias brasileiras avancem no comércio internacional de forma estratégica e segura, usando o e-commerce como alavanca de crescimento”, afirma.

Relançado em 2025, o Mulheres Globais passou a adotar um formato renovado, alinhado às diretrizes e indicadores do Programa Mulheres e Negócios Internacionais (MNI). “A proposta é oferecer um percurso de desenvolvimento estruturado, com foco prático em planejamento, inteligência de mercado e tomada de decisão para atuação internacional via e-commerce”, afirma a Gerente de Competitividade da ApexBrasil, Clarissa Furtado.

As interessadas poderão se inscrever tanto pela página do programa Mulheres Globais como presencialmente, durante o Women Entrepreneur Forum (WeForum), fórum internacional voltado ao fortalecimento do empreendedorismo feminino que acontece durante o Movimente 2026, nos dias 3 e 4 de março, em Brasília. O evento terá um espaço na programação destinado ao Mulheres Globais, com apresentação de mais informações sobre a iniciativa.

Acompanhamento é personalizado de acordo com perfil da empresa 

Com 30 vagas, esta etapa do programa – que acontece de janeiro a junho de 2026 – é o segundo ciclo de dois que são realizados ao longo de 2025 e deste ano. Cada ciclo conta com workshop virtual, consultorias individuais, elaboração de plano de ação e participação em ação de negócios, proporcionando um acompanhamento personalizado para cada empresa.

As ações de inteligência e orientação comercial terão como foco mercados da América Latina e Caribe, BRICS, África e Ásia. Como novidade, as empresas participantes poderão solicitar cadastro na vitrine Buy Brazil, iniciativa da ApexBrasil que conecta exportadores brasileiros a compradores internacionais em um ambiente digital gratuito, ampliando a visibilidade dos produtos no exterior. 

Quem pode participar

O programa é voltado a empresas brasileiras lideradas por mulheres, de diferentes portes, com interesse em internacionalizar seus negócios por meio do e-commerce. São priorizadas empresas da indústria dos setores de moda (confecções, calçados e joias), cosméticos e alimentos e bebidas. Para participar, as interessadas devem comprovar liderança feminina e ter a internacionalização como parte da estratégia de crescimento.

Resultados que mostram o impacto da iniciativa

Entre 2023 e 2024, o programa promoveu dois ciclos de mentoria voltados aos setores de moda, cosméticos, alimentos e bebidas. Nesse período, 40 empresas participaram de 92 sessões de mentoria, somando 136 horas de atividades entre encontros individuais e coletivos. A experiência serviu de base para o redesenho da nova edição, que agora prioriza consultorias técnicas com soluções aplicáveis ao dia a dia das empresas.

(*) Com informações da CNI

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China, fábrica do mundo, atrai cada vez mais a atenção dos pequenos e médios importadores brasileiros

Da Redação

Brasília – A cada mês, a Ásia Source recebe entre 2.500 e 3.000 cadastros de brasileiros interessados em obter mais informações sobre como importar da China, um número que não para de crescer. Esse interesse identificado pela empresa que fornece consultoria e gestão de importação, é um forte indício de que a compra de bens chineses deve seguir em alta em 2026 e contribuir para o aumento da corrente de comércio entre o Brasil e a China e a redução do gigantesco superávit comercial que o Brasil acumula no intercâmbio comercial com os chineses nos últimos anos.

Na visão de Luis Muller, fundador e principal executivo da empresa, 2026 será um ano de crescimento das importações: “por ser um ano eleitoral, o governo vai injetar dinheiro na economia, baixar a taxa de juros, facilitar o consumo e dar mais crédito para as pessoas. Será um ano de consumo e nesse contexto acredito que teremos uma alta das importações”.

Fundada em 2019 por Luis Muller, com a proposta de estruturar a importação como um projeto técnico e acessível, a Ásia Source faz parte do Grupo 300 Franchising e atua conectando empresas brasileiras e fornecedores globais -da China em especial-, por meio de análise e gestão especializada. A empresa se baseia em um modelo de negócio hoje replicado em mais de 150 unidades, que têm como origem a vivência prática de seu fundador em logística, transporte e comércio internacional.

China, “fábrica do mundo”

Luis Muller é também um profundo conhecedor da China, país que visita regularmente há cerca de dez anos e nesse tempo, conforme ele destaca, “percebi que a China conseguiu montar um ecossistema que permitiu que o país se transformasse na fábrica do mundo. Isso se deve, entre outros aspectos, ao fato de a China ter uma mão de obra que se torna barata por ser abundante. Em segundo lugar, o país dispõe de muita tecnologia e a partir daí, consegue investir muito na produção de máquinas”.

Muller se mostra impressionado com a cultura empresarial chinesa e lembra que “quando se coloca os pés na China, parece que você está entrando em uma grande empresa. Uma empresa com um código de cultura muito forte, porque todos os chineses têm o mesmo pensamento”. E lembra que quando viajou à China pela primeira vez, há mais de dez anos, “os chineses não sabiam onde ficava o Brasil. Não conheciam o nosso idioma, a nossa capital. Não conheciam a nossa localização geográfica. Ao longo do tempo isso foi se transformando”.

Com as regulares e sucessivas viagens à China, ele percebeu que a proliferação de fábricas por todo o país é outro fator que explica a explosão da indústria chinesa de máquinas e equipamentos. Segundo Luis Muller, “a Alemanha era o grande destaque mundial nesse segmento, mas os chineses atropelaram os alemães há muito tempo. Com mão de obra abundante, tecnologia e equipamentos, eles montam uma fábrica, que pode ser uma fabriqueta de fundo de quintal e nela você encontra uma máquina de última geração, uma CNC (Controle Numérico Computadorizado, máquinas-ferramentas automatizadas, como tornos e fresadoras, operadas por comandos programados via computador. Essas máquinas utilizam softwares (CAM) para cortar, moldar ou furar materiais com alta precisão, repetibilidade e velocidade, sem intervenção manual contínua de um operador), uma sopradora (equipamento industrial utilizado para fabricar peças plásticas ocas (como garrafas, frascos e reservatórios) através do processo de moldagem por sopro). A China consegue produzir tudo isso em larga escala, e o país se especializou em fábricas, em fabricar coisas”.

Ambiente de negócios e infraestrutura invejável

O empresário vê no Estado chinês um forte indutor do processo produtivo do país: “na China, as empresas têm incentivo em relação a crédito, infraestrutura, benefícios fiscais e uma série de outros incentivos. Em contrapartida, elas têm que produzir muito, vender muito e pagar muitos impostos. É o oposto do que a gente vê aqui no Brasil, que não dispõe de um ambiente propício para produzir as manufaturas e vendê-las”.

Além disso, Luis Muller destaca que a China dispõe de uma infraestrutura gigantesca em relação a portos, aeroportos, ferrovias e uma rede de trens de alta velocidade. Segundo ele, entre cinco e seis dos dez maiores portos do mundo estão na China. E, com tudo isso, sublinha, “o país tem uma velocidade muito grande em relação a conseguir lidar com grandes volumes. A isso se soma o fato de que o processo chinês de exportação ou de importação é totalmente digitalizado. Em contrapartida, aqui no Brasil, ainda que tenhamos uma Receita Federal bastante evoluída em relação a tecnologias e documentação, a nossa infraestrutura deixa bastante a desejar. Com isso, no Brasil, uma carga chega aos nossos portos e permanece parada por quatro a cinco dias aguardando pela liberação. Às vezes temos um único fiscal do Ministério da Agricultura para atender a uma região gigantesca. Por outro lado, o Brasil ainda é um país muito protecionista, e o governo busca proteger a indústria nacional, mas nossa indústria não tem capacidade produtiva. Acredito que infraestrutura e tecnologia são os dois principais fatores que fazem a China ser tão eficiente”.

“Custo Brasil” e Reforma Tributária

O executivo da Ásia Source vê no chamado “Custo Brasil” outro sério entrave ao desenvolvimento do Brasil e, por consequência, do comércio exterior brasileiro: “obviamente, isso é algo que não tem nada parecido na China” e lembra que, ao contrário do Brasil, “a China tem uma vasta e moderna rede ferroviária, enquanto o Brasil privilegia o transporte rodoviário. Nossa empresa é sediada em Santa Catarina, mas atendemos clientes do Brasil inteiro e em nossas operações evitamos utilizar os portos de Santos para cima, porque são muito difíceis de se operar. São burocráticos e caros. Temos um cliente em Rondônia que traz cargas para o Paraná ou Santa Catarina, de caminhão, com três, quatro e até cinco dias de viagem porque é mais barato que ir direto para Manaus”.

Luis Muller vê com ceticismo a Reforma Tributária em curso no país e que terá grandes implicações no comércio exterior brasileiro. Segundo ele, “hoje somos atendidos por três contabilistas. Uma delas é uma das maiores contabilistas tributárias de Santa Catarina. Tivemos que contratá-los para dar suporte aos nossos clientes pois 99% das empresas que atendemos nunca importaram na vida e seus contadores pouco ou nada conhecem do processo importador e às vezes tomam decisões equivocadas e atuamos para apoiá-los. A Reforma Tributária vem com o objetivo de simplificar as coisas. Mas ainda não estou conseguindo enxergar isso de uma maneira prática. A mesma coisa se passa com o Simples Nacional, que não tem nada de simples. Depende da atividade principal da empresa, do seu faturamento, se a empresa tem ou não colaboradores”.

Na percepção do executivo, a Reforma Tributária acaba com o diferencial competitivo de Santa Catarina, que passa principalmente pelas condições de desoneração tributária. Algumas empresas têm impostos reduzidos para 3% a 1%, dependendo do ramo de atuação. No geral, o desembaraço aduaneiro é isento do ICMS, permitindo que o pagamento ocorra apenas no momento da venda, o que preserva o caixa da empresa. As condições são tão impactantes que empresários de estados como São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso preferem operar em Santa Catarina, que oferece custos operacionais mais baixos que, por exemplo, os portos paulistas.

Ele destaca que “Santa Catarina se desenvolveu muito por conta disso, em relação à infraestrutura e a geração de empregos. O novo Imposto de Importação já está sendo cobrado e ele não gera crédito. Trata-se de um imposto federal e a gente não sabe onde ele é aplicado. É diferente do IPVA, do IPTU, dos impostos específicos. Não estou vendo como isso vai trazer benefícios para nós. Esperamos a evolução dos acontecimentos para ter um pouco mais de clareza e entender como as coisas vão se comportar daqui para a frente”.

 

 

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