A Inteligência Artificial na implementação e avanços em ESG

Alcione Pereira (*)

Num primeiro momento, é possível que muitos não percebam bem a relação e se perguntem o que a Inteligência Artificial tem a ver com ESG. Quando pensamos na infinidade de dados gerados por qualquer operação, sabemos que o trabalho de análise desses dados pode perfeitamente ser feito por uma pessoa. Porém, o recurso humano também pode ser perfeitamente mais bem aproveitado para desenhar estratégias a partir das análises feitas pela IA, que, diga-se de passagem, faria isso em muito menos tempo. Portanto, a questão aqui é muito mais de otimização de recursos.

Como acontece com tudo na vida, existem prós e contras no uso da IA, claro. E não é de hoje que os grandes empresários, os mais inovadores e, principalmente, os que permanecem por mais tempo num mercado altamente volátil, já se deram conta de que não vale a pena nem resistir às mudanças nem focar no lado negativo, nas ameaças. Conhecê-las é uma questão de sobrevivência, mas colocar atenção em criar oportunidades é ainda mais vital.

Trazendo essa visão para os negócios de impacto, o cenário não é diferente. Para ser sustentável de maneira abrangente, e não apenas para o próprio negócio, uma empresa precisa ter disponíveis as informações mais precisas possíveis sobre cada área que afeta o seu resultado. Em especial, os indicadores que mostram, de maneira objetiva, o seu impacto positivo em cada letra da sigla ESG.

Para o Meio Ambiente, a IA pode trazer benefícios para o monitoramento ambiental. Isto é, a tecnologia pode ser usada para acompanhar, em tempo real, a qualidade do ar, da água e do solo, permitindo que as empresas identifiquem e solucionem problemas de forma mais rápida e eficiente. Na gestão de recursos, a IA pode otimizar o uso de eletricidade e água, por exemplo, reduzindo o consumo e as emissões de gases de efeito estufa. E também pode ser um importante aliado para desenvolver e aprimorar tecnologias de energia renovável, agricultura sustentável e outros campos relacionados ao meio ambiente.

No que diz respeito ao âmbito Social, a IA pode contribuir para a gestão da cadeia de suprimentos, ajudando as empresas a identificar e eliminar violações de direitos humanos e práticas trabalhistas abusivas em suas cadeias de suprimentos. Além disso, pode ser usada para promover a diversidade e a inclusão no local de trabalho, por exemplo, através de ferramentas de recrutamento e seleção imparciais, assim como para identificar e prevenir riscos à saúde e segurança dos trabalhadores.

Para a Governança, a tecnologia pode auxiliar as organizações a identificar e gerenciar riscos climáticos, regulatórios e de corrupção. Também pode fornecer insights para auxiliar na tomada de decisões estratégicas relacionadas aos critérios ESG. Por meio da IA, é possível melhorar a comunicação, e promover e aumentar a transparência das empresas em relação ao seu desempenho em todas as áreas, por exemplo, através da geração de relatórios automatizados.

Agora pensando na cadeia de alimentos e em como reduzir o desperdício, a Inteligência Artificial pode: ajudar a criar e monitorar uma efetiva estratégia ESG que contemple, entre outros pontos, dar maior visibilidade de onde surgem as perdas e o desperdício, para que seja possível eliminar essas fontes ou, ao menos, reduzi-las; fornecer a informação necessária para a geração de treinamentos específicos para os colaboradores direta e indiretamente envolvidos no fluxo das perdas e do desperdício; e mapear os impactos ambientais dos excedentes antes e depois de serem transformados em alimento bom para ser doado.

Tudo isso tem o potencial de gerar cada vez mais inovação de maneira realmente sustentável. Por isso, nunca é demais lembrar que é muito importante que a matriz de materialidade das empresas de toda a cadeia de produção alimentícia, considere seus excedentes como alimentos, e não como resíduos. Afinal, esses artigos que, por qualquer motivo, deixam de poder ser comercializados não têm mais vida econômica, mas ainda têm uma vida social.

(*) Alcione Pereira, fundadora da Connecting Food

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Comércio internacional se mantém firme apesar do conflito no Oriente Médio e dos altos preços da energia, diz  OMC

Da Redação (*)

Brasília – O comércio global de bens se manteve resiliente no primeiro semestre de 2026, apesar dos obstáculos decorrentes do conflito em curso no Oriente Médio, que parecem ter sido parcialmente compensados ​​pelo aumento da demanda por componentes eletrônicos relacionados a investimentos em inteligência artificial, de acordo com o último Barômetro do Comércio de Mercadorias da OMC.

O Barômetro do Comércio de Mercadorias é um indicador composto que antecipa a trajetória do comércio mundial em relação às tendências recentes. Valores do barômetro superiores a 100 estão associados a volumes de comércio acima da tendência, enquanto valores inferiores a 100 indicam que o volume de comércio está abaixo da tendência.

A leitura atual de 101,7 para o índice barômetro está ligeiramente abaixo do valor de janeiro, de 102,3, sugerindo que o crescimento do comércio de mercadorias pode estar começando a desacelerar. O índice barômetro também está acima de seu valor de referência de 100, indicando que o volume de comércio permanece acima da tendência. Os volumes reais de comércio trimestrais estão acima da tendência desde o início de 2025.

De acordo com o estudo da OMC, o impacto negativo do conflito no Oriente Médio pode ter sido parcialmente compensado pelo aumento da demanda por componentes eletrônicos relacionados a investimentos em IA.

Os índices componentes do barômetro estão todos próximos de seu valor base comum de 100, com exceção do índice de componentes eletrônicos (105,5), que subiu firmemente acima da tendência. O índice de matérias-primas agrícolas (98,9) e o índice de produtos automotivos (99,8) estão ambos ligeiramente abaixo da tendência, enquanto o índice de encomendas de exportação (100,5), altamente preditivo, está ligeiramente acima.

Outros sinais indicativos de expansão do comércio

Os índices relacionados ao transporte de mercadorias, incluindo frete aéreo (102,2) e transporte marítimo de contêineres (102,4), continuam a sinalizar expansão, embora em ritmo mais lento do que há alguns meses. No geral, os índices mostram sinais de resiliência, indicando um crescimento relativamente estável do comércio global de mercadorias.

O relatório mais recente da Secretaria da OMC sobre Perspectivas e Estatísticas do Comércio Global (GTOS), de 19 de março, previu um crescimento do comércio de mercadorias de 1,9% em 2026, em um cenário base, ou de 1,4% em um cenário de preços elevados de energia, refletindo os impactos negativos do conflito no Oriente Médio, enquanto o investimento contínuo em IA poderia adicionar 0,5 ponto percentual à taxa de crescimento. A próxima previsão comercial da OMC está prevista para outubro de 2026.

O volume do comércio mundial de mercadorias cresceu acentuadamente no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, à medida que os importadores aceleraram as compras antecipando os aumentos tarifários previstos. O crescimento desacelerou no restante do ano, mas ainda assim superou as expectativas, impulsionado pela demanda por produtos que utilizam inteligência artificial.

(*) Com informações da OMC

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Veículos chineses invadem o mercado brasileiro e já são o principal item na pauta exportadora do gigante asiático para o Brasil

Da Redação

Brasília – Pelo segundo mês consecutivo, os veículos automotivos de passageiros ocuparam no mês de maio o primeiro lugar no ranking dos principais produtos exportados pela China ao Brasil, graças a uma alta de 240,1% sobre a marca recorde registrada em abril. No mês passado, as importações totalizaram US$ 3,7 bilhões, correspondentes a 12,1% de todas as vendas chinesas para o Brasil. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Para se ter uma ideia da magnitude desses números e do impressionante avanço dos veículos de passageiros chineses no mercado brasileiro, vale destacar que em apenas cinco meses de 2026 as importações superaram o valor registrado em todo o ano de 2025, que somaram US$ 3,3 bilhões, correspondentes a apenas 4,6% de todo o volume de bens embarcados pela indústria chinesa para o mercado brasileiro.

Esses números incluem também as exportações de carros a combustão, que apesar de serem menos representativos, praticamente dobraram as vendas ao Brasil, numa prova de que o apetite chinês pelo mercado brasileiro não se restringe aos modelos eletrificados.

Brasil, um dos mercados mais promissores para os elétricos chineses

Outro dado relevante: com os números já registrados entre os meses de janeiro e maio, o Brasil passou do sétimo para o terceiro principal destino dos veículos chineses em todo o mundo, atrás apenas da Rússia e do Reino Unido, e à frente de países como a Alemanha, França e muitos outros.

Em relação aos carros eletrificados, o Brasil passou do quinto para o terceiro lugar, após Bélgica e Reino Unido. Entre os modelos a combustão, o Brasil subiu da décima-sexta posição para o sétimo lugar com a alta das importações no primeiro semestre deste ano. Os dados são da Alfândega chinesa.

Segundo Túlio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), esse aumento expressivo nas importações de veículos chineses deve ser visto como uma antecipação em relação ao que será o último aumento estabelecido pelo governo brasileiro no cronograma de aumento das taxas para importação de veículos elétricos ou híbridos. Essas alíquotas devem passar de 28% para 35% no mês de julho para os veículos híbridos e plug-in e 25% os modelos eletrificados.

Cariello destaca ainda que a China é, de longe, o principal fornecedor de carros elétricos ao Brasil, com uma participação de 97% no mercado nacional nos primeiros meses deste ano. No tocante aos híbridos plug-in, a China responde por 89% das importações brasileiras. No ano passado, os fabricantes chineses responderam por 74,1% das vendas de eletrificados no Brasil, lideradas pela BYD, que ficou com uma fatia de 50,4% do mercado nacional no segmento.

BYD avança com produção no Brasil

O aumento impressionante nas exportações é acompanhado pelo crescimento igualmente expressivo na produção pela BYD na fábrica instalada em Camaçari, na Bahia. Mês passado, a montadora registrou mais um recorde histórico no Brasil ao ultrapassar a marca de 21 mil veículos emplacados em um único mês, alcançando pela primeira vez a quarta posição entre as montadoras que mais veículos emplacaram no país, com 8,5% do market share no mercado automotivo nacional.

Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil e Head de Marketing e Comercial da BYD Auto, “em maio de 2023, a BYD vendeu 390 carros no país. Em apenas três anos, as vendas mensais da marca cresceram aproximadamente 5.500%, um aumento de quase 56 vezes e um salto de menos de 400 veículos para quase 22 mil modelos comercializados no último mês de maio”.

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Convencer EUA de que acordo seria melhor que taxar em 25%, a difícil missão do governo brasileiro

Por outro lado, governo avalia improvável acordo para tarifa de 12,5%

Da Redação (*)

Brasília – O governo brasileiro está buscando um acordo tarifário com os Estados Unidos (EUA) que seja capaz de evitar que a Casa Branca adote a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que sugeriu a imposição de tarifa adicional de 25% sobre parte das importações oriundas do Brasil.

O governo avalia que é possível, apesar de difícil, chegar a um acordo tarifário que seja mais vantajoso, para ambos os países, do que a sobretaxa de 25% sugerida pelo USTR. Isso porque, entre outros motivos, os EUA têm superávit comercial com o Brasil.

A recomendação da USTR, tornada pública na última semana, é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento usado é que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, o que incluiu ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento estadunidenses.

O Brasil rebateu que os argumentos não são legítimos e que a decisão parte de uma tentativa de ingerência em assuntos internos, além de expressar o protecionismo comercial unilateral de Washington.

O governo vem questionando as tarifas adicionais dos EUA com o argumento de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que não justificaria o argumento de que as empresas norte-americanas seriam prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.

Novo prazo

O Brasil agora trabalha com o prazo de 15 de julho para fechar um acordo tarifário. Essa foi a data fixada pela USTR para uma definição sobre o tema. Tal prazo ainda poderia, em tese, ser prorrogado.

Com isso, os negociadores brasileiros esperam ter mais tempo para um acordo, uma vez que o prazo inicial estipulado após a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, no mês passado, foi de 30 dias que terminam neste domingo (7).

Dificuldades das negociações

Entre as dificuldades da negociação, está o fato de os EUA estarem envolvidos em várias outras negociações tarifárias ao redor do mundo, além do conflito bélico que lidera no Oriente Médio contra o Irã.Enquanto isso, o governo brasileiro avalia a conveniência de um novo encontro de Trump e Lula. Existe a possibilidade de os dois se encontrarem no G7, na França, entre os dias 15 a 17 de junho. Porém, não há ainda confirmação de um encontro bilateral.

Outra dificuldade para negociar com os EUA é que os norte-americanos costumam ter demandas muito amplas, o que abarcaria diversas reinvindicações em diferentes áreas.

Porém, por enquanto, o Brasil busca um acordo especificamente sobre questões tarifárias e comerciais, sem outras pautas que poderiam interessar os norte-americanos, como terras raras. Ao mesmo tempo, o governo afirma que o Pix não entra em qualquer negociação com Washington.

A tarifa de 12,5%

Por outro lado, a taxação adicional de 10% ou 12,5% imposta a 60 países sob o argumento de que essas nações não combateriam, de forma eficiente, o trabalho análogo à escravidão é vista pelo governo brasileira como feita para não ser negociada.

Como é uma taxação imposta a boa parte do planeta, ela teria mais o objetivo de recompor, sob novas bases legais e argumentativas, o tarifaço anterior derrubado pela Suprema Corte de Justiça dos EUA.

A nova taxa afeta, além do Brasil, os aliados históricos de Washington, como Japão, União Europeia, Canadá e Índia, além da Argentina, presidida por Javier Milei, que tem se posicionado sempre ao lado de Donald Trump nas questões internacionais.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Comex do Brasil e Remessa Online lançam parceria e reduzem custo de transações globais

Iniciativa inédita garante até 30% de desconto na taxa administrativa de operações de câmbio no primeiro mês para impulsionar a margem de importadores e exportadores.

Da Redação (*)

Brasília – O mercado de comércio exterior exige, cada vez mais, agilidade e previsibilidade financeira. Diante de um cenário global dinâmico e de margens competitivas apertadas, o Comex do Brasil anunciou oficialmente uma parceria estratégica com a Remessa Online, uma das principais plataformas de transferências internacionais do país. A cooperação surge com o objetivo de conectar a inteligência aduaneira à eficiência cambial, oferecendo soluções desburocratizadas tanto para Pessoas Físicas quanto para Pessoas Jurídicas (PJ).

A aliança foca diretamente em resolver uma das maiores dores de quem opera no mercado internacional: as taxas operacionais elevadas e a lentidão dos bancos tradicionais. Através da tecnologia da Remessa Online, os leitores e parceiros do portal passam a contar com transações seguras, agilidade de liquidação e total transparência.

O que a parceria acrescenta ao mercado e como funciona o desconto?

Mais do que uma facilidade operacional, a união entre as duas marcas representa uma entrega de inteligência de negócios. Para as empresas que importam ou recebem do exterior (exportadoras), o impacto é direto no custo operacional.

Para evitar distorções de mercado, a diretoria do portal ressalta um importante detalhe técnico: as condições especiais da parceria incidem diretamente sobre o custo da transferência internacional (a taxa administrativa/spread) praticado pela plataforma, e não sobre a cotação bruta ou taxa fixa da moeda estrangeira. Trata-se de uma redução real no preço do serviço de envio e recebimento de recursos.

Os benefícios integrados para a comunidade do Comex do Brasil incluem:

  • Condição Exclusiva de Lançamento (Mês #1): Para marcar o início da cooperação, durante o primeiro mês, as operações realizadas através do link do portal terão um voucher especial de 30% de desconto sobre a taxa de transferência.
  • Benefício Contínuo (15% OFF): Após o período de lançamento, o portal disponibilizará um voucher permanente de 15% de desconto na taxa administrativa, válido tanto para transações de Pessoa Física (PF) quanto de Pessoa Jurídica (PJ).
  • Velocidade e Isenção de Tarifas Ocultas: Processos de envio e recebimento 100% digitais e regulamentados pelo Banco Central (BACEN), eliminando custos burocráticos dos grandes bancos.

Construindo resultados passo a passo

Embora o mercado global muitas vezes busque soluções imediatas, a parceria é encarada pelas lideranças como um movimento estrutural de médio e longo prazo.

“O resultado no comércio exterior se constrói na constância. É um trabalho de conta-gotas onde cada pequena economia de taxa e cada minuto ganho no compliance documental se somam para gerar uma grande vantagem competitiva lá na frente”, destaca a equipe estratégica do Comex do Brasil.

A iniciativa reforça o posicionamento do Comex do Brasil não apenas como um canal líder em informação, mas como um ecossistema de soluções que apoia o empresário brasileiro do início ao fim da sua jornada de internacionalização.

Os links rastreáveis e os cupons exclusivos para garantir o desconto de lançamento de 30%estarão disponíveis no portal a partir da próxima semana.

(*) Com informações da Remessa Online

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Superávit comercial cresce 10,8% e soma US$ 7,823 bilhões em maio com fortes altas nas exportações de soja e cobre

Exportações superaram importações em US$ 7,823 bilhões

Da Redação (*)

Brasília – O aumento nas exportações de soja e de cobre fez o superávit da balança comercial crescer em maio, divulgou nesta quinta-feira (3) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 7,823 bilhões.

O resultado representa alta de 10,8% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o superávit ficou em US$ 7,059 bilhões. Desde o início da série histórica, em 1989, o superávit é o quarto maior para o mês, só perdendo para maio de 2023 (US$ 10,978 bilhões), de 2021 (US$ 8,536 bilhões) e de 2024 (US$ 8,302 bilhões).

O valor das exportações e das importações ficou o seguinte:

  • Exportações: US$ 31,904 bilhões, alta de 6,6% em relação a maio do ano passado;
  • Importações: US$ 24,081 bilhões, alta de 5,3% na mesma comparação.

Tanto no caso das exportações como das importações, os valores são o segundo maior para meses de maio desde o início da série histórica. Em relação às exportações, só perde para o mesmo mês de 2023. Em relação às importações, para maio de 2022.

Acumulado do ano

Nos cinco primeiros meses do ano, a balança comercial registra superávit de US$ 32,662 bilhões, valor 34,2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Além da recuperação das commodities (bens primários com cotação internacional), o crescimento deve-se à importação de uma plataforma de petróleo em fevereiro de 2025, operação que não se repetiu em 2026.

A composição ficou a seguinte:

  • Exportações: US$ 148,571 bilhões, alta de 8,7% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado;
  • Importações: US$ 115,908 bilhões, alta de 3,2% na mesma comparação.

O superávit acumulado é o terceiro maior da série histórica, só perdendo para os cinco primeiros meses de 2024 (US$ 35,227 bilhões) e de 2023 (US$ 34,540 bilhões).

Exportações por setores

Na distribuição por setores da economia, as exportações em maio variaram da seguinte forma em relação ao mesmo mês do ano passado:

  • Agropecuária: +9,8%, com alta de 6,1% no volume e de 2,8% no preço médio;
  • Indústria extrativa: -1,9%, puxada pelo petróleo, com queda de 26,6% no volume e crescimento de 33,8% no preço médio;
  • Indústria de transformação: +9%, com alta de 1% no volume e de 7,4% no preço médio.

Principais produtos exportados

Os principais produtos responsáveis pela alta das exportações em maio foram os seguintes:

  • Agropecuária: soja (+14,6%); algodão bruto (+45,3%); e milho não moído, exceto milho doce (+267,2%);
  • Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (-9,3%); minério de ferro (-15,2%) compensados pelo crescimento das vendas de minério de cobre (+149,4%);
  • Indústria de transformação: carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (+50,2%); combustíveis (+75,2%); e ouro não monetário (+56,7%).

Em valores absolutos, os dois itens que mais puxaram o crescimento mensal foi a soja, com alta de US$ 804,1 milhões nas exportações em relação a maio do ano passado, motivada pela safra e pela alta nos preços. Em seguida, vem o minério de cobre, com alta de US$ 617,9 milhões.

No caso do petróleo bruto, as exportações recuaram US$ 390,8 milhões, com o volume recuando 42,1%, apesar da alta de 56,7% no preço médio, provocada pela guerra no Oriente Médio. A queda no volume está parcialmente relacionada à alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação de petróleo, imposta em meados de março como medida para segurar a alta dos combustíveis após o início do conflito.

Apesar do crescimento das exportações agropecuárias, as vendas de café despencaram em maio. No mês passado, o Brasil vendeu US$ 297,6 milhões a menos do que em maio de 2025 (-24,5%). A queda deveu-se à redução de 8,6% no volume e de 13,4% no preço médio.

Importações

Em relação às importações, a alta está vinculada principalmente a veículos, cujas compras do exterior subiram US$ 833,5 milhões em maio na comparação com o mesmo mês de 2025. Na divisão por categorias, os principais produtos são os seguintes:

  • Agropecuária: pescados (+38,1%); produtos hortícolas (+26,6%); e soja (+24,4%);
  • Indústria extrativa: fertilizantes brutos (exceto adubos) (+68,4%); carvão não aglomerado (+59,8%); e linhita e turfa (+115,1%);
  • Indústria de transformação: combustíveis (+45,2%); válvulas e tubos termiônicos (+49%); e automóveis de passageiros (+80,1%).

Projeções de superávit comercial

Para este ano, o MDIC projeta superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, alta de 5,9% em relação ao resultado positivo de US$ 68,1 bilhões em 2025.

Segundo o MDIC, as exportações deverão encerrar o ano em US$ 364,2 bilhões, alta de 4,6% em relação a 2025. As importações deverão chegar a US$ 280,2 bilhões em 2026, aumento de 4,2% na comparação com o ano passado.

As projeções oficiais para a balança comercial são atualizadas trimestralmente. Segundo o Ministério, novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em julho. O recorde de superávit foi registrado em 2023, quando o resultado positivo ficou em US$ 98,9 bilhões.

As estimativas do Mdic estão menos otimistas que a das instituições financeiras. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, a balança comercial encerrará o ano com superávit de US$ 76,2 bilhões, projeção que subiu após o início da guerra no Oriente Médio.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Lula diz que Brasil vai buscar novos parceiros para diminuir impactos comerciais com taxação de 25% imposta pelos EUA

Da Redação (*)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.

“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Importância da negociação

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.

“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Por que o CFO virou o maior comprador de tecnologia do Comex

Anna Valle (*)

Historicamente, o Diretor Financeiro (CFO) era visto como o “freio de mão” dos investimentos em tecnologia, uma figura cuja atuação tradicional focava puramente na redução de custos imediatos e na contenção de despesas de capital. No cenário atual do comércio exterior brasileiro — marcado por oscilações violentas de frete, gargalos logísticos crônicos e severa complexidade cambial —, essa postura tornou-se insustentável. A migração das planilhas manuais para plataformas automatizadas transforma profundamente o CFO: de um mero controlador de despesas retroativo, ele assume o papel de motor de eficiência operacional e previsibilidade financeira da organização.

A transformação começa na natureza fundamental da informação disponível. Nas planilhas, o CFO opera predominantemente com dados do passado. Ele descobre o que aconteceu, mas raramente consegue antecipar o que vai acontecer. Em um ambiente de Comex de alta volatilidade, essa defasagem tem custo real: decisões tomadas com dados atrasados, provisões de custo subestimadas e surpresas desagradáveis no fechamento do mês.

Essa falta de visibilidade em tempo real é o terreno fértil para o “efeito chicote”, um dos fenômenos mais custosos e menos discutidos nas operações de comércio exterior. Quando cada elo da cadeia toma decisões com base em informações defasadas ou parciais, pequenas variações na demanda real se amplificam progressivamente ao longo da cadeia de suprimentos.

O importador pede um pouco mais por precaução; o exportador produz ou reserva mais espaço do que o necessário; o operador logístico superdimensiona a capacidade. O resultado são estoques inflados em vários pontos simultaneamente, gerando capital imobilizado, custos de armazenagem desnecessários e, eventualmente, a necessidade de liquidar posições a preços desfavoráveis. O problema central não reside na má gestão individual de nenhum elo, mas sim na ausência crônica de informação compartilhada e sincronizada entre eles.

As plataformas integradas de Comex atacam exatamente essa raiz. Ao consolidar em tempo real as variáveis críticas — como cotações de frete, posição cambial, status documental, prazos alfandegários e a performance dos fornecedores de transporte —, elas reduzem drasticamente a assimetria de informação. Cada elo passa a decidir com base na demanda real, e não em projeções infladas pela incerteza. O resultado direto é a racionalização dos estoques: menos capital imobilizado em posições defensivas, maior giro e melhor alinhamento entre o que se compra, o que se produz e o que o mercado efetivamente absorve.

Além disso, há uma mudança profunda na previsibilidade do capital de giro. Operações internacionais imobilizam recursos por semanas ou meses em cartas de crédito, adiantamentos cambiais e tributos antecipados. Com visibilidade automatizada sobre o ciclo financeiro de cada embarque e estoques dimensionados com precisão, o CFO consegue orquestrar melhor o fluxo de caixa, reduzir o custo de carregamento e liberar capital para investimentos estratégicos.

Os Riscos Invisíveis do Excel em Operações Bilionárias

Muitas empresas ainda resistem à digitalização porque “as planilhas sempre funcionaram”. O fato é que elas funcionaram durante anos para organizar informações estanques, mas nunca foram criadas para gerenciar cadeias globais dinâmicas e complexas. O maior risco corporativo é justamente aquele que a liderança não enxerga.

Planilhas de Comex acumulam camadas perigosas de complexidade ao longo do tempo: fórmulas herdadas de gestões anteriores, abas desatualizadas, versões paralelas circulando livremente por e-mail e controles que dependem do conhecimento exclusivo de poucas pessoas. Um único erro de digitação em uma Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), em uma alíquota de imposto ou em uma data de vencimento de licença pode desencadear consequências severas, desde o recolhimento incorreto de tributos até multas expressivas, perda de benefícios fiscais e atrasos operacionais gravíssimos.

No comércio exterior, a insistência no controle manual traduz-se em custos adicionais de armazenagem e demurrage, pagamentos incorretos de fretes, falhas gritantes de compliance regulatório e perda de prazos críticos. Do ponto de vista de governança, o cenário é igualmente alarmante: a planilha não possui rastreabilidade nativa. Ela não registra de forma estruturada quem alterou determinada informação, quando a alteração ocorreu ou qual foi a justificativa. Em uma fiscalização ou processo de auditoria, essa ausência de trilha de auditoria transforma-se em um passivo relevante para a organização.

Muitas vezes, o C-Level acredita que o processo está saudável porque os embarques continuam chegando. O que a diretoria não enxerga é o enorme esforço operacional, manual e frequentemente heroico da equipe que sustenta essa aparente normalidade. A automação não apenas reduz erros; ela torna os riscos visíveis, rastreáveis e mensuráveis. Esse é o primeiro passo para que a empresa passe a gerenciá-los de forma institucional, com governança e previsibilidade, em vez de depender da dedicação individual para manter a operação viva.

Retenção de Talentos e a Cultura Data-Driven

O perfil dos profissionais de finanças e comércio exterior mudou drasticamente. Hoje, os talentos mais qualificados do mercado buscam analisar cenários, mitigar riscos e gerar valor estratégico para o negócio. Eles não aceitam mais passar horas copiando dados, preenchendo controles paralelos e conferindo dados manualmente entre sistemas obsoletos. Manter profissionais seniores e altamente capacitados dedicados a tarefas puramente mecânicas gera profunda frustração e, consequentemente, alta rotatividade.

A modernização tecnológica do Comex atua diretamente como uma estratégia de atração e retenção de talentos. Ao automatizar o trabalho braçal, as empresas permitem que seus especialistas atuem onde são mais valiosos: na negociação estratégica, no planejamento financeiro e na resolução de problemas complexos. Além disso, a digitalização consolida uma cultura verdadeiramente data-driven, na qual as discussões executivas deixam de ser baseadas em percepções ou intuições e passam a ser sustentadas por dados confiáveis, unificados e atualizados em tempo real.

Construindo o Business Case para o Conselho

Para convencer o CEO e o Conselho de Administração a apoiar essa transição, o CFO deve traduzir a modernização tecnológica em indicadores financeiros tangíveis. O retorno sobre o investimento (ROI) na transição para plataformas integradas de Comex apoia-se firmemente em quatro pilares principais:

  1. Redução de perdas evitáveis: Mensuração clara de multas por atraso documental, custos de demurrage por falta de visibilidade antecipada e perda de benefícios fiscais importantes (como Drawback e Ex-Tarifário) por falhas de controle. São despesas frequentemente camufladas como “custo padrão da operação”, mas que são inteiramente elimináveis.
  2. Ganho de produtividade operacional: Horas de trabalho liberadas pela automação de tarefas repetitivas, redução do lead time documental e aceleração do desembaraço aduaneiro. O CFO pode facilmente converter esse ganho em FTE (equivalente de headcount) para justificar financeiramente a adoção da plataforma.
  3. Otimização e redução de estoques: Este é um dos vetores de ROI mais subestimados na conversa sobre tecnologia no Comex. Operações baseadas em incertezas acumulam estoques defensivos robustos para compensar os gargalos de prazo e variações de demanda. Com visibilidade em tempo real sobre toda a cadeia, a empresa passa a operar com estoques mais enxutos e precisos. Em operações de grande volume, a redução de apenas alguns dias no estoque médio libera dezenas de milhões de reais que estavam imobilizados de forma desnecessá
  4. Liberação de capital de giro: A maior previsibilidade sobre o ciclo financeiro de cada embarque diminui substancialmente o custo de carregamento e os dias de capital imobilizado em cartas de crédito, adiantamentos cambiais e tributos antecipados.

Apresentar esses quatro vetores simultaneamente, utilizando o histórico de perdas da própria empresa como linha de base, é a estratégia definitiva para transformar um debate orçamentário sobre “gasto com TI” em uma decisão corporativa inadiável sobre maximização de valor, blindagem financeira e governança no Comex.

*Anna Valle é engenheira, estrategista de operações e COO da Flowls, onde lidera a transformação da gestão no Comércio Exterior através da engenharia de processos e alta tecnologia. Reconhecida por sua capacidade de converter operações logísticas complexas em modelos de alta performance, Anna defende a substituição da burocracia tradicional por uma arquitetura de gestão baseada em dados, automação e densidade de talento.

(*) Anna Valle, COO da Flowls

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Geraldo Alckmin defende o diálogo para evitar nova tarifa dos EUA a produtos brasileiros

Em entrevista coletiva nesta terça-feira (2/6), vice-presidente e ministros Márcio Elias Rosa e Dario Durigan rebateram os argumentos dos Estados Unidos, ressaltaram que o PIX não está na mesa de negociação e criticaram a ação eleitoreira da oposição

Da Redação (*)

Brasília – Em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (2), o vice-presidente Geraldo Alckmin; o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmaram que o governo do Brasil considera injusta a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de taxar em 25% os produtos brasileiros.

O governo do presidente Lula vai trabalhar para que ela não se converta, para que ela não ocorra. É uma recomendação feita pelo USTR e o caminho é o caminho do diálogo, aliás, que já vinha ocorrendo. Mas sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores, prejudicam e colocam seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público. O caminho vai ser trabalhar, dialogar, para que elas não se convertam e mostrar todos os argumentos para a gente poder avançar mais”
– Geraldo Alckmin, vice-presidente da República

“O governo brasileiro recebe com indignação e entende ser extremamente injusta a recomendação, a proposta do USTR ao presidente Trump”, ressaltou Geraldo Alckmin, que criticou as manobras realizadas junto ao governo dos Estados Unidos por representantes da família Bolsonaro e classificou a recomendação como “descabida”.

“O governo do presidente Lula vai trabalhar para que ela não se converta, para que ela não ocorra. É uma recomendação feita pelo USTR e o caminho é o caminho do diálogo, aliás, que já vinha ocorrendo. Mas sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores, prejudicam e colocam seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público. O caminho vai ser trabalhar, dialogar, para que elas não se convertam e mostrar todos os argumentos para a gente poder avançar mais”, prosseguiu o vice-presidente.

Ao longo da entrevista, Geraldo Alckmin apresentou uma defesa do país em relação às outras justificativas do USTR para taxar em 25% os produtos brasileiros. O Escritório do Representante Comercial dos EUA cita o PIX, as “big techs”, acordos do Mercosul com a Índia e o México, o combate à corrupção, a questão da propriedade intelectual, o etanol e o desmatamento ilegal em sua conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil.

Pix

O vice-presidente afirmou que, das colocações feitas na Seção 301, a primeira delas se refere à questão do PIX. “O PIX é um patrimônio nacional. É uma conquista do povo brasileiro. A tecnologia a serviço da sociedade, da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população. O PIX não tem a menor lógica de entrar nisso, porque ele não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira”, continuou o vice-presidente.

A Seção 301 da legislação comercial norte-americana prevê a adoção, pelo Governo dos Estados Unidos, de medidas comerciais coercitivas como instrumento unilateral de pressão para a abertura de mercados às exportações e aos investimentos externos norte- americanos.

Fora da mesa de negociação

Ainda sobre a questão do PIX, Márcio Elias Rosa deixou claro que esse é um tema do qual o Brasil não abre mão. “Só não há o retrocesso efetivo porque o presidente Lula age com muita coerência, com muita clareza, com muita transparência, e não vai permitir jamais que qualquer tema caro à soberania nacional, como o PIX, por exemplo, fique na mesa de negociação. Ele não está na mesa de negociação, não há hipótese para isso. E nós vamos sempre que possível demonstrar, não apenas para o governo norte-americano, mas também para o povo brasileiro, qual a linha de esclarecimento e defesa do Brasil”.

Pix, símbolo da soberania financeira

Para o ministro da Fazenda, a importância do PIX para o Brasil vai além de questões tarifárias. “Mais uma vez, a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao PIX. O PIX é expresso nas investigações que foram abertas pelos Estados Unidos em relação à 301. É evidente que está fora de debate. O PIX é o maior símbolo da nossa soberania financeira. Há um orgulho do nosso país, há um orgulho do nosso povo em relação ao PIX, porque, de fato, a gente inovou e gerou uma tecnologia que hoje é cobiçada, é invejada por

outros países”, afirmou Dario Durigan.“O PIX, como esse símbolo maior da nossa soberania financeira, será protegido, será resguardado pelo governo do presidente Lula. Nós precisamos nos conscientizar todos, seja o Governo Federal, seja o Congresso Nacional, seja o Supremo Tribunal Federal, o Judiciário, todo brasileiro. Nós precisamos concentrar as nossas energias em proteger a nossa economia e proteger os nossos empregos. Esse é o momento de a gente focar no que é importante: mitigar o impacto da guerra, ajudar os empresários que estão sendo alvo de uma empreitada injusta da oposição que está botando interesse eleitoral na frente do interesse nacional. Nós não vamos admitir isso. A soberania nacional, o PIX e o interesse do povo brasileiro sempre vêm em primeiro lugar”, prosseguiu o ministro da Fazenda.

Big techs e Mercosul

Geraldo Alckmin explicou a posição do Brasil em relação às big techs e ao acordo do Mercosul com Índia e México. “O governo é aberto à questão das big techs. As empresas nacionais e as empresas estrangeiras têm o mesmo tratamento equitativo no Brasil. Em relação ao acordo Mercosul, Índia e México, isso não tem nenhuma implicação, não restringe as compras dos produtos americanos, nem das empresas americanas. Então, o que se tem são entendimentos sobre linhas tarifárias de preferência, que não implicam em nenhuma restrição a nenhum produto americano nem empresas e dentro da lei”, explicou Alckmin.

Combate à corrupção e propriedade intelectual

Sobre o combate à corrupção, o vice-presidente destacou que o Brasil, nos últimos 20 anos, aprovou 30 dispositivos entre alterações legislativas de combate à corrupção. Ele igualmente explicou que, no que diz respeito à propriedade intelectual, quem mais se beneficia do trabalho do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) são justamente os Estados Unidos. “O maior beneficiário de todo o trabalho de reconhecimento de patentes são as empresas americanas. 30% das patentes são americanas”, afirmou Geraldo Alckmin.

Etanol e desmatamento

Segundo Alckmin, já existem acordos entre os dois países relativos ao comércio de etanol. “Nós temos uma tarifa de 18% para entrada no Brasil do etanol. A dos Estados Unidos é de 12,5%. É muito próxima a nossa e a dos Estados Unidos. E no caso do açúcar, nós só temos uma cota de 150 mil toneladas. O que passar disso para entrar nos Estados Unidos você tem 340 dólares a mais por tonelada, o que representa 80% de tarifa de importação”.

“Então, há um desequilíbrio total em prejuízo do nosso país. E destacar também a questão do desmatamento. Nós estamos tendo a maior queda de desmatamento. Se a gente pegar os seis biomas brasileiros, é a maior queda nos últimos sete anos. Na Amazônia caiu mais de 50%. O Brasil tem compromisso em zerar o desmatamento até 2030”, lembrou Alckmin.

Balança comercial

O vice-presidente ressaltou ainda que a balança comercial com os Estados Unidos não é favorável ao Brasil. “Ela é amplamente favorável aos Estados Unidos. Nós tivemos no ano passado, somando balança de produtos e serviços, 40 bilhões de dólares de superávit para os Estados Unidos. Então, há um enorme favorecimento. Quando nós temos as importações dos Estados Unidos para o Brasil, quando eles vendem para nós, dos 10 produtos que os Estados Unidos mais exportam, para oito produtos dos mais exportados a tarifa é zero. É chamado ex-tarifário. E a tarifa média é 3,1%. Por tudo isso que entendemos que é totalmente descabida a recomendação”.

(*) Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

 

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“Quem tinha que aumentar a taxa seríamos nós”, diz Lula sobre novo tarifaço anunciado pelos EUA contra o Brasil

Presidente respondeu à nova taxação a produtos brasileiros

Da Redação (*)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, nesta terça-feira (2), o argumento do governo dos Estados Unidos de que o Brasil adota práticas “irrazoáveis” na relação entre os dois países. Lula voltou a lembrar que os norte-americanos têm superávit na relação comercial com o Brasil. E, se alguém deveria aplicar tarifas, deveria ser o Brasil.

“O superávit americano, nos últimos 15 anos, foi de US$ 415 bilhões. Então, quem tinha que aumentar a taxação seríamos nós, não eles”. Lula lembrou também que tanto ele quanto o presidente dos EUA, Donald Trump, haviam concordado em dar 30 dias de prazo para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

“Vocês viram que faz pouco tempo que fui aos Estados Unidos. Tive três horas de conversa com o presidente Trump. O secretário do Comércio dele começou a dizer que havia taxação e eu disse que havia divergência entre o ministro de Comércio dele e o meu ministro do Comércio”, relatou o presidente, contando que entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil.

“Então, eu disse a ele [Trump], nós dois vamos dar 30 dias para eles provarem quem está certo e quem está errado. Se eu estiver errado, eu aceito; se você estiver errado, você aceita. E demos 30 dias. Até agora já conversaram três vezes e não houve acordo”, completou.

conversa entre os dois, citada por Lula, ocorreu no início de maio, na Casa Branca. O presidente brasileiro foi recebido pelo seu homólogo estadunidense e teve como principal eixo a relação comercial entre os dois países, o combate ao crime organizado internacional e a exploração de minerais estratégicos.

Em um dia em que, mais uma vez, os Estados Unidos propõem taxas contra os produtos brasileiros alegando deslealde comercial, Lula afirmou que sua guerra é a “guerra da verdade”.

“Como eu não tenho navio para fazer as guerras que o Trump gosta de fazer e não tenho bomba atômica, a minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira.”

Desta vez, o governo estadunidense alegou que o Brasil políticas e práticas brasileiras são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio norte-americano.

relatório final da investigação prevê a imposição de “tarifas ou outras restrições à importação de produtos brasileiros. Tendo por base essa possibilidade, o representante de comércio dos EUA propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os bens do Brasil”.

Apoio da oposição ao tarifaço

Lula discursou em evento de inauguração novo campus do Instituto Federal Goiano, em Catalão (GO). Na ocasião, ele também lembrou o posicionamento dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro quando Trump aplicou tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos EUA. Sem dizer o nome, citou uma postagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que, à época, agradeceu a Donald Trump pelas tarifas contra produtos brasileiros.

“No dia que ele [Trump] taxou, vou dizer o que fez os meninos do Bolsonaro. Um deles, que é candidato à Presidência, tuitou no dia 9 de julho de 2025: ‘Obrigado, Trump, faça o Brasil livre de novo’”, lembrou. “O filho dele, que foi hoje à televisão dizer que não disse nada, agradeceu.”

Em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que pediu a Trump para não taxar os produtos brasileiros. Os dois se encontraram na Casa Branca no final de maio.

 

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