Aos 40 anos, eComex amplia investimentos em IA e projeta nova transformação no comex

Com crescimento médio de 30% ao ano, empresa aposta em automação inteligente, expansão regional e novas soluções para impulsionar os negócios

Da Redação (*)

Brasília –  A eComex, empresa especializada em soluções para gestão de comércio exterior, completa 40 anos em 2026 mantendo uma trajetória de expansão sustentada e inovação. Com crescimento médio de 30% ao ano, a companhia investe em soluções baseadas em inteligência artificial, amplia sua atuação na América Latina e prepara uma nova etapa de desenvolvimento dos negócios.

“A companhia vem crescendo muito, é uma empresa lucrativa e pagadora de dividendos. Nos próximos anos, vamos continuar focando no crescimento, na conquista de novos clientes e na ampliação da nossa atuação. Essas mudanças tecnológicas abrem possibilidades para o desenvolvimento de novos negócios e para apoiar os clientes com soluções cada vez mais modernas”, afirma André Barros, CEO da eComex.

Um dos movimentos recentes que reforçam essa estratégia foi a aquisição da D2P, startup de tecnologia voltada à digitalização de processos de comércio exterior, concluída em 2024 por R$20 milhões. A operação ampliou o mercado endereçável da eComex, permitindo que a empresa expandisse sua atuação para além das áreas tradicionais de importação e exportação.

“Se antes nosso foco estava concentrado principalmente no importador, hoje conseguimos atender outros stakeholders envolvidos na cadeia, como planejamento, compras e trade compliance, além de novos segmentos e prestadores de serviço”, explica Barros.

A companhia também prepara sua expansão regional, iniciando uma operação estruturada na Argentina, um dos principais mercados da América Latina.

Inteligência artificial no centro da estratégia

Para a eComex, a inteligência artificial representa a maior transformação tecnológica das últimas décadas. A empresa vem desenvolvendo soluções baseadas em IAagêntica, capazes de executar atividades operacionais, processar informações e apoiar a tomada de decisão de forma autônoma.

“Não será mais o colaborador executando todas as tarefas que fazia anteriormente. O agente de inteligência artificial realizará grande parte dessas atividades e o profissional passará a aprovar, supervisionar e orquestrar os processos. É o conceito do human in the loop. Com isso, devolvemos às pessoas o tempo consumido por tarefas repetitivas e ampliamos seu papel estratégico dentro das organizações”, afirma.

Quatro décadas acompanhando a evolução do comércio exterior

Fundada em junho de 1986 por Roberto Garcia, a eComex surgiu em uma época em que as operações de comércio exterior eram conduzidas majoritariamente por documentos físicos, formulários, telefonemas e processos manuais.

Desde então, a empresa acompanhou as principais transformações tecnológicas do mercado, da digitalização dos processos e popularização da internet à computação em nuvem e, mais recentemente, à inteligência artificial. Entre os principais marcos da trajetória estão as parcerias com Oracle e SAP nos anos 1990, o lançamento da primeira plataforma corporativa de comércio exterior baseada na internet nos anos 2000 e a entrada no Grupo Cassis, em 2014, ampliando sua capacidade de investimento e inovação.

“Nascemos com o propósito de automatizar o que era burocrático. A visão continua a mesma, mas a tecnologia evoluiu de forma extraordinária. Hoje conseguimos criar soluções que não apenas organizam informações, mas também interpretam dados, geram insights e apoiam decisões”, destaca Barros.

Os desafios do futuro

Apesar dos avanços tecnológicos, Barros avalia que muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para incorporar inovação em meio à rotina intensa das operações de comércio exterior.

“O comércio exterior é uma atividade crítica. As empresas precisam manter as operações funcionando enquanto implementam novas tecnologias. Ter que escolher entre as atividades do presente e a inovação, que representa o futuro, nem sempre é uma escolha óbvia. Em muitas ocasiões, deixamos a inovação de lado, pois, as demandas do presente sempre têm prioridade”, afirma.

Outro desafio é integrar as novas gerações aos processos de transformação digital. Segundo o executivo, esses profissionais chegam ao mercado com uma visão menos condicionada pelos modelos tradicionais e tendem a acelerar a inovação dentro das organizações.

Ao completar quatro décadas de atuação, a eComex vê o comércio exterior diante de uma das maiores transformações de sua história, impulsionada pela inteligência artificial, pela modernização dos processos governamentais e pela entrada de novas gerações no mercado de trabalho.

“Estamos entrando em uma era sem precedentes. A tecnologia deixará de ser apenas uma ferramenta de apoio para assumir um papel ativo nas operações, permitindo que as pessoas se concentrem em decisões, estratégia e inovação”, conclui Barros.

(*) Com informações da eComex

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Exportações de frutas crescem 8% em receita no terceiro trimestre; volume recua 7,5%

Faturamento alcança US$ 354,2 milhões entre julho e setembro de 2026, enquanto o volume exportado recua 7,5%.

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras de frutas registraram crescimento de 8% em faturamento no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. De acordo com os dados divulgados pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), a receita passou de US$ 328,1 milhões para US$ 354,2 milhões. No mesmo intervalo, o volume embarcado caiu 7,5%, de 290,6 mil para 268,8 mil toneladas.

O resultado evidencia um cenário de desempenho desigual entre receita e quantidade exportada. Embora o setor tenha movimentado menos toneladas, o valor médio por tonelada aumentou aproximadamente 16,8%, passando de US$ 1.129 para US$ 1.318. O indicador sugere uma valorização média das exportações, que pode refletir mudanças na composição dos produtos vendidos, nos preços praticados e nos mercados atendidos.

O balanço reforça a importância de analisar o comércio exterior da fruticultura para além do volume físico. A receita obtida, a composição das vendas e a capacidade de atender às exigências dos compradores internacionais também ajudam a compreender a evolução do setor.

Manga, uva e abacate se destacam entre as altas

Entre as principais frutas exportadas, a manga apresentou um dos resultados positivos mais expressivos. O faturamento cresceu 35%, passando de US$ 97,3 milhões para US$ 131,4 milhões. Em volume, os embarques aumentaram 14,1%, de 83,3 mil para 95 mil toneladas.

A uva também registrou avanço nos dois indicadores. A receita passou de US$ 16,8 milhões para US$ 19,7 milhões, alta de 17,4%, enquanto o volume exportado cresceu 6,3%, de 6,8 mil para 7,3 mil toneladas.

O abacate teve crescimento expressivo em relação à base de comparação. O faturamento aumentou 81,8%, de US$ 7 milhões para US$ 12,6 milhões, enquanto o volume avançou 140,9%, de 3,8 mil para 9,2 mil toneladas. Os números mostram uma ampliação significativa dos embarques da fruta no período. Outros produtos também apresentaram resultados positivos.

“Os resultados do terceiro trimestre mostram que a fruticultura brasileira mantém capacidade de gerar receita no mercado internacional, mesmo diante de desafios que afetam determinadas culturas. O setor precisa continuar investindo em competitividade, qualidade, abertura de mercados e diversificação dos destinos para ampliar as oportunidades de exportação e reduzir a exposição a oscilações comerciais”, afirma Waldyr Promicia, presidente da Abrafrutas.

Apesar do crescimento na receita total das exportações brasileiras de frutas no terceiro trimestre de 2026, algumas culturas registraram retração. O melão apresentou queda de 22,5% no faturamento e de 25,3% no volume embarcado. A melancia recuou 20,8% em receita e 26,1% em volume. Já os limões tiveram redução de 8,7% no faturamento e de 18,3% na quantidade exportada. A banana registrou as maiores retrações entre essas frutas, com queda de 55,5% na receita e de 59% no volume.

(*) Com informações da Abrafrutas

 

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Internacionalização: seu produto funciona no Brasil. Isso não significa que sua empresa esteja pronta para exportar

“Internacionalizar não é pegar uma operação que deu certo, mudar o idioma e replicar em outro país. Em muitos aspectos, a empresa precisa aprender a vender de novo”, afirma Daniel Dabés, CRO e cofundador do Ouvidor Digital

Da Redação (*)

Brasília – Disponibilizar um software em outro país pode ser simples. Construir um negócio naquele mercado exige entender como os clientes compram, adaptar a oferta e conquistar confiança. Foi esse percurso que Daniel Dabés encontrou ao levar o Ouvidor Digital para Portugal, onde a empresa atua com a marca WhistleOn.

Daniel é CRO e cofundador do Ouvidor Digital e CEO e cofundador da WhistleOn. Com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de produtos, passou por empresas como Oi, GVT/Vivo, NET/Claro, TIM e BliP antes de empreender. Hoje, acompanha a expansão de uma empresa brasileira de tecnologia que atende mais de 5 mil organizações em mais de 30 países. Para ele, uma das primeiras armadilhas está em confundir a capacidade de entregar um produto internacionalmente com a capacidade de construir mercado fora do Brasil.

“Internacionalizar não é pegar uma operação que deu certo, mudar o idioma e replicar em outro país. Em muitos aspectos, a empresa precisa aprender a vender de novo. Você continua conhecendo profundamente o seu produto, mas passa a conversar com um cliente que pode perceber o problema de outra maneira, ter outras referências e tomar decisões seguindo uma lógica diferente daquela com a qual você estava acostumado.”

A jornada em Portugal começou em 2021, com a participação no StartOut Brasil, da ApexBrasil, em uma missão a Lisboa. As conexões com empresários e potenciais clientes, apoiadas pela Atlantic Hub, ajudaram a avaliar a aderência da solução e a oportunidade de atender à nova demanda por canais de denúncias na Europa. Daniel mudou-se para Portugal para conduzir a expansão.

Validar o mercado exige colocar o repertório em dúvida

Quando uma companhia cresce no mercado de origem, aprende como os clientes compram, quais argumentos funcionam e quais objeções costumam aparecer. Ao entrar em outro país, parte desse repertório continua útil. Outra parte precisa ser testada. Na experiência de Daniel, a proximidade da língua não eliminou as diferenças: os materiais precisaram ser adaptados ao português europeu, o ciclo comercial se mostrou mais longo e a reputação conquistada no Brasil precisou ser construída também no novo mercado.

“Talvez uma das coisas mais difíceis para quem já construiu uma empresa seja voltar a não saber. Você passou anos entendendo o seu mercado e, de repente, precisa fazer perguntas que já não fazia no Brasil. Se chegar acreditando que conhece todas as respostas porque conhece muito bem o seu produto, provavelmente vai demorar mais para entender o novo mercado.”

A própria marca foi uma dessas adaptações. O nome Ouvidor Digital não comunicava a proposta da empresa em Portugal. A escolha de WhistleOn buscou facilitar essa compreensão e o uso da marca em outros países. O aprendizado também levou a uma oferta mais simples, voltada às necessidades dos compradores locais, além de ajustes em contratos, onboarding e infraestrutura, com servidor na União Europeia. A decisão exige distinguir o que precisa mudar no produto do que depende de posicionamento ou do processo de venda.

“Nem todo ‘não’ de um potencial cliente significa que falta alguma coisa no produto. Pode significar que você ainda não conseguiu demonstrar valor da forma certa para aquele mercado. Antes de adaptar a tecnologia, é preciso entender se o problema está realmente nela ou na maneira como estamos apresentando, vendendo e construindo a relação”, explica Dabés.

Ter clientes fora não significa ter um mercado internacional

Empresas de tecnologia podem conquistar contratos internacionais antes mesmo de estruturar uma operação fora do Brasil. Isso comprova a capacidade de atendimento, mas não significa que exista uma estratégia replicável para crescer naquele mercado. A WhistleOn também fez tentativas de entrada na França. O aprendizado foi que a estratégia de vendas em Portugal é diferente da necessária para o mercado francês: cada país exige uma abordagem comercial adequada à sua cultura e à maneira como seus clientes compram.

“Fechar uma venda fora é importante, mas uma venda não constrói um mercado. Internacionalização começa a ganhar consistência quando você entende como gerar novas oportunidades, construir relacionamento, atender bem e repetir esse processo. Se cada novo cliente depende de uma circunstância completamente diferente, você ainda está descobrindo o caminho.”

A experiência reforçou a necessidade de escolher onde concentrar investimento e relacionamento. Atender organizações em diferentes países e construir uma operação comercial em cada um deles são movimentos distintos. Para Daniel, a Europa reúne mercados com línguas, culturas empresariais e canais de venda diferentes. Cada nova frente exige validar a aderência da oferta e a capacidade de gerar negócios de forma consistente.

“Existe uma sedução no número de países. Parece que quanto mais bandeiras você consegue colocar numa apresentação, mais internacional a empresa se tornou. Só que presença não é profundidade. É preciso escolher onde realmente faz sentido investir tempo, estrutura e relacionamento.”
Confiança local também faz parte da estratégia comercial

Para fortalecer a área comercial, Daniel apostou na contratação de uma profissional experiente em vendas, com conhecimento dos mercados português e francês e fluência em diferentes idiomas. A familiaridade com a cultura empresarial local contribuiu para adaptar a abordagem comercial e construir relações de confiança com potenciais clientes. A presença do fundador, as conexões com parceiros e a participação em eventos também fizeram parte desse processo de aproximação.

A estratégia comercial mudou conforme a WhistleOn passou a buscar grandes empresas. Além da aquisição digital, ganharam espaço os eventos e os encontros com potenciais clientes. A conquista da TAP contribuiu para o posicionamento e a reputação da empresa em Portugal. O caso ilustra como uma referência reconhecida no mercado local pode ajudar a abrir novas conversas comerciais.

Manter a equipe de tecnologia no Brasil trouxe uma vantagem para a operação, com receitas em euros e parte dos custos em reais. Mas essa estrutura também exigiu adaptação das equipes brasileiras e investimento local em profissionais, parceiros e presença comercial. Para Daniel, começar pequeno, ouvir o mercado e respeitar o ritmo e a cultura empresarial são orientações centrais para quem pretende expandir.

“Você não precisa esquecer o que aprendeu no Brasil. Precisa entender o que continua valendo e o que aquele novo mercado vai obrigá-lo a aprender de novo. Internacionalizar começa muito antes da primeira venda e não termina quando o contrato é assinado”, conclui Daniel Dabés, CRO e cofundador do Ouvidor Digital e CEO e cofundador da WhistleOn.

(*) Com informações do Ouvidor Digital

 

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eComex e Mackenzie unem forças para preparar profissionais de Comex para o futuro

Parceria busca aproximar conhecimento acadêmico das demandas do mercado e ampliar oportunidades de formação diante das transformações provocadas pela inteligência artificial

Da Redação (*)

Brasília – A eComex, empresa de tecnologia especializada em comércio exterior, e a Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Campinas, firmaram uma parceria para   aproximar academia e indústria e contribuir para a formação continuada de profissionais de Comércio Exterior. A iniciativa conecta o conhecimento produzido no ambiente acadêmico às demandas e transformações do mercado de trabalho, em um cenário marcado pela evolução acelerada da inteligência artificial e pela necessidade de atualização constante das competências profissionais.

A parceria contempla membros da comunidade eComex Pulse Comm, iniciativa da eComex voltada a profissionais de Comércio Exterior e logística, que poderão acessar condições especiais em cursos de pós-graduação e MBA do Mackenzie. A proposta, no entanto, vai além da capacitação formal: as instituições buscam ampliar o diálogo entre universidade e mercado, criar uma troca de conhecimento que permita à academia compreender desafios concretos da indústria e às empresas acompanhar novas perspectivas e conhecimentos produzidos no ambiente acadêmico.

Interação entre empresas e universidade

Para André Barros, CEO da eComex, a aproximação é necessária diante da velocidade com que as demandas do mercado vêm mudando. “Existe uma distância histórica entre aquilo que a universidade ensina e o que as empresas de fato precisam. A indústria está em contato diário com as necessidades do mercado de trabalho e pode levar para a academia uma visão mais atualizada sobre tecnologia, inteligência artificial e as competências que estão sendo demandadas. Ao mesmo tempo, encontramos nas universidades profissionais e conhecimento que são importantes para a nossa própria estratégia. É uma troca necessária para os dois lados”, afirma.

A transformação provocada pela inteligência artificial reforça a importância desse diálogo. Segundo André, a tecnologia não deve ser vista apenas pela perspectiva da substituição de postos de trabalho, mas também como uma oportunidade para liberar profissionais de atividades burocráticas e abrir espaço para novas funções e competências. Nesse contexto, a formação continuada passa a ter papel central para preparar profissionais para um mercado em constante transformação.

Esse cenário também amplia a importância de combinar hard skills e soft skills. Para a eComex, além do conhecimento técnico específico, profissionais de Comércio Exterior precisam desenvolver competências como liderança, comunicação, gestão de projetos, capacidade de adaptação e protagonismo. A própria comunidade eComex Pulse Comm tem trabalhado essa perspectiva ao promover conteúdos técnicos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento profissional e comportamental.

Universidade vê evolução com parceria

Na visão de Leopoldo Soares, Diretor Acadêmico do Centro de Ciências e Tecnologia do Mackenzie, a parceria também representa uma evolução no papel da universidade diante da sociedade. “A universidade contemporânea entendeu que é necessário romper com a distância que historicamente existia entre a produção do conhecimento e a sociedade. A aproximação com o ambiente profissional permite que o conhecimento produzido tenha significado e dialogue melhor com as necessidades reais das pessoas e das organizações”, explica.

O professor destaca ainda a importância de uma formação que combine especialização e conhecimentos transversais. “O profissional precisa ter profundidade na sua área de atuação, mas também desenvolver conhecimentos que ampliem sua capacidade de atuação. Essa combinação entre verticalidade e transversalidade pode alavancar uma carreira, seja para aumentar a eficiência naquilo que o profissional já faz, seja para prepará-lo para novos caminhos”, afirma.

Segundo Leopoldo, a relação também beneficia o ambiente acadêmico ao levar problemas concretos para dentro da universidade. “O objetivo não é simplesmente oferecer um serviço de educação, mas estabelecer uma relação dialógica entre a teoria e a necessidade prática da sociedade. Essa interação dá aos professores ferramentas para contribuir de maneira mais adequada com problemas sociais e profissionais relevantes e, ao mesmo tempo, oferece às pessoas uma formação mais concreta e conectada à realidade”, complementa.

Aprendizado contínuo

A iniciativa também está alinhada ao conceito de lifelong learning, ou aprendizado contínuo, que ganha relevância à medida que novas tecnologias transformam funções e competências. Para a eComex e o Mackenzie, a formação profissional passa a ser um processo permanente, que combina educação formal, troca de experiências e contato com desafios reais do mercado.

Nesse sentido, a parceria também pode abrir espaço para iniciativas que aproximem estudantes e empresas de problemas concretos da indústria, como hackathons e outras atividades de inovação. Ao levar desafios reais para o ambiente acadêmico, essas iniciativas permitem que estudantes explorem novas perspectivas e soluções com maior liberdade, aproveitando seu repertório e criatividade para contribuir com questões enfrentadas pelas empresas.

Como parte da parceria, membros da eComex Pulse Comm terão 40% de desconto em cursos selecionados do Mackenzie: MBA em Gestão de Negócios com IA, MBA em Gestão de Projetos, MBA em Logística, Processos e Tecnologia para Inovação e Pós-graduação em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Os cursos são oferecidos na modalidade EAD, com aulas ao vivo e on-line, permitindo a participação de profissionais de diferentes localidades. As matrículas podem ser realizadas até 29 de janeiro de 2027, conforme as condições da parceria.

Para mais informações, acesse a página da comunidade.

(*) Com informações da eComex

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Comércio global acelera com a IA, mas competitividade ainda depende da logística, afirma especialista

OMC eleva previsão de crescimento para 3,9% em 2026, impulsionada pela demanda por semicondutores e servidores

Da Redação

Brasília – A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade para se tornar um dos principais motores do comércio internacional. A Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou de 1,9% para 3,9% sua projeção de crescimento do volume global de mercadorias em 2026, impulsionada principalmente pela expansão dos investimentos em infraestrutura de IA. No primeiro semestre, produtos associados à tecnologia, como semicondutores e servidores, responderam por 47% do crescimento do comércio mundial em valor, com avanço de 67% nas transações desses bens em relação ao mesmo período de 2025. O movimento revela uma transformação estrutural: a IA não está apenas modificando a maneira como as empresas trabalham, mas também o que o mundo produz, transporta, importa e exporta.

Para Luiz Policarpo, fundador e CEO da Einship, logtech brasileira especializada em inteligência de dados e gestão de operações de comércio exterior, o novo cenário evidencia uma mudança na própria dinâmica da competitividade internacional. À medida que os investimentos em tecnologia ampliam a circulação de equipamentos, componentes e insumos entre diferentes países, cresce também a necessidade de coordenar cadeias de suprimentos mais complexas. Nesse ambiente, o acesso à informação deixa de ser suficiente: a vantagem competitiva passa a depender da capacidade de interpretar dados, antecipar riscos e tomar decisões logísticas e comerciais com maior precisão.

“O crescimento do comércio mundial impulsionado pela inteligência artificial revela dois movimentos simultâneos. De um lado, a IA está criando demanda por novos produtos e movimentando cadeias produtivas inteiras. Do outro, ela está transformando a maneira como essas cadeias precisam ser administradas. Não basta existir uma oportunidade de importação ou exportação. As empresas precisam identificar onde estão os melhores fornecedores, quais rotas oferecem maior confiabilidade, como os custos estão se comportando e quais riscos podem comprometer a operação. A inteligência passa a ser tão estratégica quanto a própria capacidade de transportar mercadorias”, analisa Policarpo.

Forte concentração no comércio de bens associados à IA

O relatório da OMC também evidencia que os benefícios dessa expansão estão distribuídos de maneira desigual. O comércio de bens associados à IA permanece fortemente concentrado em determinadas economias, especialmente na Ásia, enquanto a demanda por infraestrutura tecnológica impulsiona importações em grandes mercados consumidores. Em 2025, os dez maiores participantes desse segmento concentraram aproximadamente 85% das exportações e 80% das importações mundiais desses produtos. Para países como o Brasil, o desafio não se limita a participar diretamente da produção de componentes tecnológicos, mas também a desenvolver condições comerciais e logísticas para integrar cadeias internacionais de maior valor agregado.

Na avaliação do executivo, esse movimento exige uma mudança de postura das empresas brasileiras. Importadores precisam compreender como a concentração da produção tecnológica pode afetar disponibilidade, preços e prazos de fornecimento. Exportadores, por sua vez, devem acompanhar a reorganização da demanda internacional e identificar oportunidades em mercados que ampliam investimentos produtivos e tecnológicos. Em ambos os casos, decisões baseadas exclusivamente em cotações pontuais ou históricos de fornecedores tendem a ser insuficientes diante da velocidade das transformações.

“O Brasil não precisa necessariamente ser um grande fabricante de semicondutores para sentir os efeitos desse ciclo. Quando investimentos bilionários alteram a demanda global por equipamentos e componentes, eles também modificam fluxos comerciais, disponibilidade de transporte e estratégias de abastecimento. Isso exige que importadores e exportadores brasileiros tenham uma leitura mais ampla do mercado internacional. Quem conseguir interpretar essas mudanças antes terá melhores condições de negociar, diversificar fornecedores e proteger suas margens”, explica.

Da digitalização à inteligência nas decisões

A transformação ocorre em um momento em que o comércio exterior ainda enfrenta dificuldades relacionadas à fragmentação das informações. Dados sobre fornecedores, preços internacionais, fretes, rotas e andamento de embarques frequentemente permanecem distribuídos entre diferentes sistemas, planilhas e prestadores de serviços. Essa dispersão limita a capacidade das empresas de avaliar o custo total de suas operações e reagir rapidamente a mudanças nas condições de mercado.

É justamente nessa lacuna que Policarpo identifica uma das principais aplicações da inteligência artificial. À frente da Einship, empresa que desenvolve uma plataforma AI-native para integrar inteligência de mercado, análise de dados e gestão operacional, o executivo defende que a próxima etapa da modernização do comércio exterior não será caracterizada apenas pela automação de processos, mas pela capacidade de conectar informações comerciais e logísticas para orientar decisões estratégicas.

Na prática, a análise integrada de dados pode permitir que empresas comparem fornecedores considerando não apenas preços, mas também riscos de fornecimento, condições de transporte, histórico operacional e custos adicionais. A tecnologia também pode apoiar a identificação de padrões de variação dos fretes, a avaliação de alternativas logísticas e o planejamento de compras e embarques diante de cenários de instabilidade.

“Durante muito tempo, digitalizar o comércio exterior significou substituir processos manuais por sistemas. Esse avanço foi importante, mas não resolveu um problema central: as informações continuam fragmentadas e muitas decisões são tomadas sem uma visão completa da operação. A inteligência artificial permite avançar para outro estágio, no qual os dados deixam de servir apenas para registrar o que aconteceu e passam a apoiar decisões sobre o que fazer a seguir. O objetivo não é retirar o controle das pessoas, mas dar a elas melhores condições de decidir”, afirma o CEO.

A necessidade de maior capacidade de adaptação também aparece no relatório da OMC. Apesar das interrupções provocadas pelo conflito no Oriente Médio, o comércio internacional demonstrou resiliência no primeiro semestre de 2026, com redirecionamento de fluxos e utilização de fornecedores alternativos. A movimentação global de contêineres cresceu 3,9% no acumulado até julho, indicando que a capacidade de reorganização das cadeias logísticas tem sido determinante para sustentar as trocas internacionais.

Para Policarpo, o episódio reforça que a eficiência logística não pode mais ser avaliada exclusivamente pelo menor custo imediato. A possibilidade de identificar antecipadamente gargalos, comparar alternativas e responder a mudanças externas ganha importância em um ambiente no qual decisões comerciais dependem de variáveis cada vez mais interligadas.

“O comércio internacional está entrando em uma fase na qual crescimento e imprevisibilidade caminham juntos. A IA pode ampliar a demanda global, mas isso não significa que todas as empresas conseguirão capturar essas oportunidades. A diferença estará na capacidade de transformar informação em planejamento e planejamento em execução. O importador ou exportador mais competitivo não será necessariamente aquele que encontrar o frete mais barato, mas aquele que conseguir tomar a melhor decisão considerando custo, prazo, risco e impacto sobre o negócio”, conclui.

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SIAL Paris 2026: Brasil busca ampliar e diversificar exportações de alimentos para o mercado europeu

Produtos brasileiros fazem sucesso em uma das maiores e mais importantes feiras do setor e conquistam espaço no comércio global com apoio da ApexBrasil

Da Redação (*)

Brasília – Do campo brasileiro direto para as prateleiras do mundo. O Brasil amplia suas fronteiras comerciais e avança na disputa pela liderança global na exportação de alimentos. O país chegou à edição da SIAL Paris 2026 (Salon International de l’ Alimentation), que teve início oficialmente neste sábado dia 17, nos arredores da capital francesa, com produtos de excelência de 156 empresas, apresentados a compradores de dezenas de mercados.

Ao inaugurar o Pavilhão Brasil, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, reforçou a importância da diversificação de mercados. “Do total das empresas que estão aqui, 74 foram afetadas, de alguma forma, pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos (EUA).

A ApexBrasil tem ajudado estes empreendedores na busca de outros mercados, com condições diferenciadas de apoio”, afirmou. Ele destacou a importância do agronegócio no avanço das exportações. “Apesar desse contexto de grandes desafios globais, o Brasil tem resultados muito positivos nas exportações e deve se tornar a oitava maior economia do mundo, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), além de avançar para se consolidar como o maior exportador de alimentos do mundo. O fato de o Brasil poder se tornar a oitava maior economia do mundo no próximo ano tem muito a ver com as exportações, que contribuem diretamente para a nossa política monetária e estão fortemente ligadas à participação expressiva do agronegócio na economia e no comércio exterior brasileiro”, ressaltou.

A presença do país ocorreu após um ano de forte desempenho comercial. Em 2025, as exportações do agronegócio alcançaram US$ 169,2 bilhões, alta de 3% em relação a 2024 e equivalente a 48,5% das vendas externas brasileiras, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Esta é a primeira edição da feira após o início da aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio de 2026. A delegação reuniu grandes cadeias exportadoras, pequenas e médias empresas e cooperativas da agricultura familiar, com produtos que foram das proteínas animais a alimentos associados à sociobiodiversidade brasileira. Os números da participação brasileira mostram a pujança da produção nacional.

Nesta edição, o Brasil ocupou um espaço mais de dois mil metros quadrados em quatro pavilhões, distribuídos pelos halls 4, 5, 6 e 8 dos 12 halls do centro de exposições Paris Nord Villepinte. Até o próximo dia 21, compradores internacionais podem conhecer e provar produtos das 156 empresas nacionais participantes, incluindo os de 14 cooperativas da agricultura familiar.

A organização da feira, considerada uma das maiores e mais importantes do segmento de agroalimentação, estima um total de cerca de 8 mil expositores de 130 países, 650 startups e mais de 400 mil produtos em exposição, além de 295 mil profissionais de aproximadamente 194 países. Com 280 mil metros quadrados de área de exposição, o evento reúne compradores, importadores, distribuidores, redes de supermercados e representantes da indústria mundial de alimentos.

Entre os destaques comerciais estão cinco mil grandes compradores, com poder de compra estimado em aproximadamente € 60 bilhões de euros. Segundo a organização, em média, 83% dos compradores realizam transações durante o evento ou nos meses subsequentes.

Abertura de mercados amplia oportunidades para empresas brasileiras

 O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, lembrou que esta edição acontece no momento em que o Brasil alcançou a marca de 700 mercados abertos para produtos agropecuários, distribuídos por 99 destinos. Ele destacou a importância da parceria entre governo e iniciativa privada para ampliar as vendas externas e superar barreiras comerciais.

“Temos conseguido alcançar Esta é a primeira edição da feira após o início da aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio de 2026. A delegação reuniu grandes cadeias exportadoras, pequenas e médias empresas e cooperativas da agricultura familiar, com produtos que foram das proteínas animais a alimentos associados à sociobiodiversidade brasileira. Os números da participação brasileira mostram a pujança da produção nacional. Nesta edição, o Brasil ocupou um espaço mais de dois mil metros quadrados em quatro pavilhões, distribuídos pelos halls 4, 5, 6 e 8 dos 12 halls do centro de exposições Paris Nord Villepinte. Até o próximo dia 21, compradores internacionais podem conhecer e provar produtos das 156 empresas nacionais participantes, incluindo os de 14 cooperativas da agricultura familiar”.

A organização da feira, considerada uma das maiores e mais importantes do segmento de agroalimentação, estima um total de cerca de 8 mil expositores de 130 países, 650 startups e mais de 400 mil produtos em exposição, além de 295 mil profissionais de aproximadamente 194 países. Com 280 mil metros quadrados de área de exposição, o evento reúne compradores, importadores, distribuidores, redes de supermercados e representantes da indústria mundial de alimentos. Entre os destaques comerciais estão cinco mil grandes compradores, com poder de compra estimado em aproximadamente € 60 bilhões de euros. Segundo a organização, em média, 83% dos compradores realizam transações durante o evento ou nos meses subsequentes.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, reforçou que apesar dos desafios enfrentados pelo setor de carnes no mercado europeu, há expectativa de negociações que gerem bons negócios não apenas durante a feira. “A carne bovina brasileira tem uma presença muito importante no mercado internacional. A parceria entre a ABIEC e a ApexBrasil, com mais de 20 anos, tem contribuído para a promoção da carne bovina brasileira em diferentes países. Durante a feira, representantes do setor têm mantido diálogo e encontrado alternativas para superar as restrições comerciais impostas à proteína animal brasileira na Europa e buscar oportunidades em outros destinos”, destacou.

O presidente da ABPA, Ricardo Santin, está otimista com os resultados do trabalho conjunto com a ApexBrasil. “Esta parceria de anos tem sido fundamental para levar os produtos brasileiros a mercados internacionais. Esse trabalho fortaleceu a promoção de marcas como Brazilian Chicken, Brazilian Egg e Brazilian Breeds, projetos setoriais em conjunto com a ApexBrasl, e contribuiu para divulgar a qualidade sanitária e a capacidade produtiva do setor, além de apoiar a busca por soluções para a retomada de fluxos comerciais afetados por restrições sanitárias”, ressaltou.

Cooperativas da agricultura familiar conquistam espaço ino comércio global

A estreia de 14 cooperativas da agricultura familiar com estandes próprios foi um dos destaques brasileiros na SIAL Paris 2026. A iniciativa, que integrou o programa Cooperar para Exportar, da ApexBrasil, abriu espaço para pequenos produtores em uma das principais feiras mundiais de alimentos. A delegação pode mostrar a potenciais compradores estrangeiros produtos de diferentes biomas, como castanhas-do-Brasil, castanhas de caju, baru, derivados do Cerrado, mel e outros alimentos associados à biodiversidade e à bioeconomia.

A presidente da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), Fátima Torres, destacou o alcance econômico e social da iniciativa. “O mundo quer consumir os produtos da sociobiodiversidade. Cada contrato que nossas cooperativas firmam com um país da União Europeia significa mais renda e mais segurança alimentar no campo brasileiro”, afirmou.

Inovação brasileira recebe reconhecimento internacional

A inovação brasileira também ganhou destaque na SIAL Paris 2026 com a conquista do Beverages Award, na categoria Bebidas, do SIAL Innovation Awards pela AMZ Tropical. Fundada na Amazônia, a empresa foi a única brasileira entre as 28 vencedoras da premiação, que avaliou mais de 2,7 mil produtos. O CEO, Leandro Daher, recebeu o prêmio pelas quatro bebidas prontas inspiradas na biodiversidade amazônica: Amazônico Negroni, Limoncello Amazônico, Fitzgerald Amazônico e gin de jambu em versão associada à COP30. “

Estamos muito orgulhosos de poder ganhar este prêmio com estas bebidas que representam muito a Amazônia e nossas raízes. Trazer este prêmio para o Brasil e para a Amazônia tem um sabor incrível. Obrigada à ApexBrasil por sempre apoiar a nossa empresa e nossos projetos”, agradeceu Daher.

A inauguração do Pavilhão Brasil contou também com as presenças do chefe do Setor de Promoção Comercial e Investimentos (Secom) da Embaixada do Brasil na França, ministro Caio Renault; vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza; diretor global da ABPA, Luis Rua; da União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), Fátima Torres; e dos gerentes de Relações Institucionais e Governamentais da ApexBrasl, Carla Duarte; de Agronegócio da ApexBrasil, Pedro Netto; de Eventos da ApexBrasil, Pablo Lira; compradores e visitantes.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Internacionalização: acordos comerciais abrem portas, mas empresas brasileiras estão preparadas para atravessá-las?

Da Redação

Brasília – Os acordos comerciais envolvendo o Mercosul e parceiros como União Europeia, Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura estão ampliando as oportunidades para empresas brasileiras conquistarem mercados internacionais. Entretanto, a redução de tarifas e a criação de condições comerciais mais favoráveis não garantem, por si só, o crescimento das exportações.

Para Cristiane Fais, CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional e coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior do CIESP na região de Ribeirão Preto e Franca, o principal desafio é transformar essas oportunidades em negócios concretos.

“Um acordo comercial pode abrir as portas de um mercado, mas não significa que os compradores internacionais estarão esperando pelos produtos brasileiros. É preciso planejamento, prospecção e conhecimento das exigências de cada país. A oportunidade é criada pelos acordos, mas o negócio precisa ser conquistado pelas empresas”, explica.

Segundo a especialista, que também é a nova embaixadora do Mulheres no Comex (MoC) no interior de São Paulo, além da redução de tarifas, os exportadores precisam considerar fatores como formação de preços, câmbio, logística, certificações e regras de origem, que determinam se uma mercadoria pode usufruir dos benefícios previstos nos acordos.

Acordos abrem novas perspectivas para PMEs

“Uma empresa pode ter acesso a tarifas reduzidas e, ainda assim, não conseguir vender. Se o preço não for competitivo, se o frete for elevado ou se o produto não atender às exigências do comprador, a vantagem comercial pode desaparecer”, alerta.

Cristiane destaca que os novos acordos também representam oportunidades para pequenas e médias empresas, desde que estejam preparadas para atuar internacionalmente.

“Exportar não é uma atividade exclusiva das grandes empresas. Pequenos negócios também podem conquistar mercados, mas precisam conhecer seus custos, identificar compradores e estruturar suas operações. Não basta ter um bom produto, é necessário saber como vendê-lo internacionalmente”, afirma.

A logística é outro fator decisivo. Atrasos nos embarques, custos de transporte e problemas documentais podem comprometer a rentabilidade e a confiança dos clientes estrangeiros, mesmo diante de condições tarifárias favoráveis.

Para a CEO da Accrom, o avanço dos acordos comerciais deve servir de estímulo para que as empresas brasileiras comecem a se preparar desde já.

“O Brasil tem capacidade produtiva e produtos competitivos. Mas precisamos transformar essas vantagens em negócios. Os acordos comerciais representam conquistas importantes, porém o verdadeiro resultado será medido pela capacidade das nossas empresas de aproveitar essas oportunidades, gerar empregos e ampliar sua presença no mercado internacional”, conclui Cristiane Fais.

 

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Importação de relógios cresce 42% no Brasil em 2026 e Suíça domina mercado com participação de 56%

Brasil importou US$ 103,7 milhões em relógios de pulso entre janeiro e agosto de 2026, avanço de 41,9% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Comex Stat. A Suíça, conhecida por suas marcas de luxo, respondeu por 56% desse valor e movimentou US$ 58,5 milhões. Por trás de peças pequenas e de alto valor agregado está uma operação que exige segurança, rastreabilidade e agilidade dos agentes de carga envolvidos. Especialistas explicam os bastidores dessas operações de comércio exterior.

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil aumentou em 41,9% o valor gasto com a importação de relógios de pulso nos primeiros oito meses de 2026. Foram US$ 103,7 milhões entre janeiro e agosto, contra US$ 73,1 milhões no mesmo período de 2025, segundo dados do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A Suíça, que concentra algumas das principais grifes globais, lidera esse mercado com ampla vantagem: respondeu por US$ 58,5 milhões, ou 56,4% de todo o valor importado. Entre os automáticos, segmento que inclui modelos de luxo e movimentou US$ 38,5 milhões no período, alta de 33,7% em um ano, a participação suíça chegou a 89%.

A alta movimenta uma cadeia logística com características pouco usuais no comércio exterior. Diferentemente de operações em que toneladas e metros cúbicos determinam a complexidade do transporte, relógios de alto padrão podem concentrar milhões de reais em poucos quilos e volumes. A Cronos Logistics, um dos 50 maiores agentes de carga do Brasil, que atua na importação de relógios de luxo suíços, movimentou em média US$ 2,5 milhões (aproximadamente R$ 11,5 milhões) nos processos realizados nos últimos anos. Essas operações geralmente envolvem transporte aéreo e levam, em média, um dia entre a origem e o destino.

Eficiência nas operações de comércio exterior

“Quando se transporta uma mercadoria que concentra um valor muito alto, a lógica da operação muda. Segurança, rastreabilidade e cumprimento dos prazos ganham ainda mais peso, porque qualquer atraso ou falha pode representar uma exposição financeira relevante. É um trabalho que começa muito antes do embarque, com planejamento da rota, avaliação dos pontos críticos e acompanhamento da carga até a entrega”, afirma Matheus F. Bernardes, CEO da Cronos Logistics. Segundo ele, um único relógio de luxo pode ultrapassar os R$ 100 mil.

Para Fábio Rengel, COO da Cronos Logistics, cargas de alto valor também mostram como a eficiência no comércio exterior depende cada vez mais da capacidade de adaptar a operação ao perfil de cada mercadoria. “Não existe uma única lógica para transportar cargas internacionais. Uma mercadoria pode ocupar poucos volumes e, ainda assim, exigir uma operação altamente controlada. Nesse tipo de embarque, é preciso coordenar transporte, seguro, documentação, desembaraço aduaneiro e entrega para reduzir o tempo de exposição e manter a previsibilidade em todas as etapas”, explica.

Com escritórios em seis estados brasileiros e nos Estados Unidos, a Cronos atua na gestão de cargas internacionais e acompanha operações com diferentes níveis de complexidade. No segmento de relógios de alto padrão, a carga é rastreada em tempo real, com acompanhamento 24h, desde a coleta na origem até a entrega no Brasil, além de seguro compatível com o valor das mercadorias e coordenação antecipada da documentação aduaneira. O objetivo é reduzir conexões e o tempo de permanência da carga em terminais.

(*) Com informações da Cronos Logistics

 

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Brasil exporta tecnologia mas esbarra na conta da expansão, aponta especialista

De equipes comerciais a data centers, crescer fora exige recursos para conquistar clientes e continuar atendendo após o primeiro contrato

Da Redação

Brasília – Em estudo divulgado em setembro, a Softex informou que 108 das 353 empresas atendidas pelo programa Brasil IT + realizaram entre 2024 e 2026 exportações totais de US$1,18 bilhão. O levantamento registra vendas ao exterior, mas não indica quantas dessas companhias estabeleceram operações permanentes em outros países.

Segundo Henrique Reis, CEO da Wascer, plataforma de infraestrutura para coleta de dados e rastreamento server side, a primeira venda costuma trazer exigências que não aparecem enquanto o produto é desenvolvido apenas para o Brasil. O comprador estrangeiro pode precisar de ajustes técnicos, atendimento em outros horários e condições contratuais diferentes. “É nesse momento que a empresa descobre se está preparada para atuar fora ou se conseguiu fechar uma negociação isolada”, afirma.

A expansão começa antes do contrato

Decidir para onde ir exige conhecer os potenciais compradores e os concorrentes locais. Um produto que funciona no Brasil pode precisar de outra forma de apresentação, preço e suporte para ser adotado em um novo país. Na missão ao Chile e à Colômbia, promovida recentemente pela ApexBrasil, a programação incluiu preparação sobre os mercados, visitas técnicas e reuniões com possíveis parceiros. 

O custo dessa preparação chega antes das receitas recorrentes. Empresas precisam investir em pessoas capazes de vender, implantar a solução e acompanhar o cliente depois da assinatura. Para Reis, captar recursos ajuda a bancar essa estrutura, mas não resolve uma expansão sem prioridades definidas. “Entrar em vários países ao mesmo tempo pode parecer crescimento. Se a equipe não consegue atender bem os primeiros clientes, a empresa perde força antes de consolidar a operação”, ressalta.

O custo da tecnologia também pesa. Sócio do primeiro data center do Sul de Minas Gerais, instalado em Varginha, o executivo acompanha de perto as exigências de infraestrutura dos serviços digitais. No estudo TICs 2026, o Observatório Softex identificou o custo da tecnologia, citado por 78,6%, e a escassez de profissionais, mencionada por 54,2%, entre as barreiras à inovação no setor. Os dados não medem obstáculos à exportação, mas ajudam a mostrar as pressões enfrentadas por empresas que precisam desenvolver e manter seus produtos. 

De fornecedora a empresa internacional

Nem toda companhia que vende software ao exterior precisa manter uma unidade física no país do cliente. A necessidade de uma estrutura local depende do tipo de serviço, dos contratos e do suporte exigido. Da mesma forma, a demanda por processamento de dados pode influenciar onde uma operação será hospedada e como garantirá sua disponibilidade. Data centers entram nessa discussão para negócios que dependem dessa infraestrutura, sem serem uma condição para toda exportação de tecnologia.

Conhecer cada destino reduz o risco de reproduzir uma estratégia que deu certo apenas no mercado brasileiro. Em 2026, o programa Brasil IT + lançou um guia para empresas interessadas na Espanha, com informações sobre regras, possíveis parceiros e barreiras de entrada. A iniciativa reforça a necessidade de estudar o mercado antes de comprometer recursos com a expansão. 

Na avaliação de Reis, o teste decisivo vem depois da novidade da primeira negociação. “Para crescer no exterior, a empresa precisa entender o problema do cliente, entregar o que prometeu e continuar presente quando ele precisar. É essa sequência que transforma uma venda em um negócio duradouro”, aponta.

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Empresas brasileiras aumentam investimentos no Paraguai; especialista mostra o que esperar com Flávio ou Lula

Apesar das diferenças entre as propostas econômicas dos candidatos, vantagens tributárias, trabalhistas e energéticas do país vizinho devem continuar atraindo investimentos. Para fundadora da Frontexa, integração produtiva pode ajudar empresas brasileiras a enfrentar a concorrência chinesa e fortalecer o Mercosul

Da Redação

Brasília – A combinação de incentivos fiscais, mão de obra e energia mais baratas, além de menos burocracia, tem levado empresas brasileiras a expandir suas operações para o Paraguai. O movimento reflete uma estratégia de busca de maior competitividade, favorecida também pela participação do país vizinho no Mercosul, que oferece vantagens comerciais para empresas que têm o Brasil como principal mercado consumidor. Para Suelen Raizer, fundadora da Frontexa, essa expansão deve continuar independentemente de quem vencer a disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Embora os dois candidatos apresentem propostas econômicas distintas, a especialista avalia como pouco provável que até mesmo uma redução de impostos e custos de produção no Brasil elimine as vantagens competitivas oferecidas pelo Paraguai e os benefícios de expandir a produção para o país vizinho.

O avanço das indústrias brasileiras no Paraguai também ganhou espaço no debate político e nas redes sociais, frequentemente associado a críticas à política econômica do governo Lula. Algumas publicações chegaram a atribuir ao atual governo a saída de centenas de empresas do Brasil, embora verificações independentes tenham mostrado que os números incluem operações instaladas no Paraguai ao longo de diferentes governos, muitas delas sem o fechamento de fábricas brasileiras.

Para Suelen, o Paraguai não deve ser visto como um problema, mas como uma oportunidade para fortalecer o Mercosul e ajudar as empresas brasileiras a enfrentar a concorrência chinesa e competir em outros mercados.

“É menos uma história de substituição de um país pelo outro e mais de reorganização das cadeias produtivas e expansão produtiva”, afirma a especialista, citando como exemplo a Lupo, que inaugurou uma fábrica em Ciudad del Este, no ano passado, mas não fechou nenhuma unidade no Brasil.

Produto fica até 60% mais barato se feito no Paraguai

Suelen explica que a economia no custo operacional ao produzir no Paraguai fica, em média, entre 17% e 27%, mas que, em determinados projetos, o preço final chega a ser 60% menor. Entre os setores que têm ampliado atividades no país estão o têxtil, o alimentício, o de plásticos e o de autopeças.

Um dos grandes atrativos é a Lei de Maquila, criada para atrair indústrias voltadas à exportação e à geração de empregos. O regime permite importar insumos e maquinário com suspensão de tributos, além de prever tributação específica de 1% sobre a operação, conforme as regras aplicáveis.

Segundo a Câmara de Empresas Maquiladoras do Paraguai (Cemap), o país possui 339 maquiladoras e aproximadamente 70% do capital instalado no regime é de origem brasileira. Entre janeiro e agosto deste ano, as exportações pelo regime cresceram 26% na comparação com o mesmo período de 2025.

Com o impulso da indústria, o Paraguai tem vivido um “boom” econômico e registrado um crescimento econômico bem acima do Brasil e dos outros países da região. O Banco Mundial elevou para 4,7% a previsão de avanço do PIB (Produto Interno Bruto) do Paraguai em 2026, enquanto projeta que a economia brasileira deve avançar 2,1% no mesmo período.

O que pode mudar com Lula ou Flávio Bolsonaro

Uma pesquisa do FGV Ibre, divulgada em outubro, mostra que 54,2% das empresas brasileiras consultadas apontam a tributação como principal prioridade a ser enfrentada pelo próximo governo. O levantamento evidencia que a competitividade empresarial permanece no centro das preocupações do setor produtivo.

A redução dos custos de produção está entre os temas que diferenciam as propostas econômicas dos candidatos à Presidência.

No plano econômico apresentado por Flávio Bolsonaro, estão previstas medidas como a revisão da reforma tributária, a redução da carga sobre produção e consumo, a diminuição de encargos sobre a energia e iniciativas para reduzir custos trabalhistas e regulatórios.

Já Lula defende a continuidade da Nova Indústria Brasil, política de reindustrialização baseada em financiamento, inovação e modernização produtiva, além de investimentos em infraestrutura e ganhos de produtividade com a consolidação da reforma tributária do consumo.

Raizer avalia que a atratividade da transferência de parte da produção da indústria brasileira para o país vizinho continuará independentemente do resultado das eleições.

“Uma indústria não decide onde produzir apenas olhando quem ocupa a Presidência. Ela compara custos, produtividade, segurança jurídica, logística e acesso a mercados. A política econômica brasileira pode mudar, mas as decisões de investimento precisam considerar condições estruturais e horizontes de longo prazo”, diz a especialista, acrescentando que a decisão de investir no país não é baseada apenas em impostos, mas envolve também mão de obra, logística, custos operacionais e acesso a mercados. 

Principais diferenças nas propostas de Lula e Flávio

Importante destacar que o movimento de instalação de empresas brasileiras no Paraguai vem desde o início dos anos 2000 e que, além da parceria comercial, Brasil e Paraguai compartilham outros interesses estratégicos como o tratado da usina hidrelétrica de Itaipu, Mercosul e segurança de fronteira.

“Mesmo que o Brasil reduza sua carga tributária, isso não significa que a equação econômica das indústrias será imediatamente alterada. A competitividade não depende de uma única variável. Enquanto houver vantagens econômicas relevantes na integração das duas estruturas produtivas, o Paraguai continuará sendo considerado nas estratégias de expansão”, diz.

Enquanto o Brasil discute os rumos de sua política tributária e industrial para o próximo mandato, o Paraguai já promoveu uma atualização de seu regime de maquila. A legislação de 2025 manteve incentivos relevantes às operações de exportação e estabeleceu regras específicas para a tributação das atividades enquadradas.

“Nossa leitura é que 2026–2030 pode representar uma das janelas mais relevantes desse processo, antes de uma fase de maior consolidação industrial”, diz.

Parceria com Paraguai ajuda a enfrentar concorrência da China

Segundo Raizer, as indústrias brasileira e paraguaia podem atuar de forma complementar para fortalecer o Mercosul, aumentar a competitividade e reduzir a dependência da Ásia, sobretudo de fornecedores chineses.

“O maior risco para a indústria brasileira não é a produção no Paraguai. É perder competitividade e assistir ao mercado ser ocupado por produtos importados. Em vez de disputar onde uma fábrica deve estar, deveríamos discutir como tornar a indústria sul-americana capaz de competir com as grandes potências industriais”, afirma.

Segundo a fundadora da Frontexa, a melhor estratégia é combinar as capacidades dos países: manter no Brasil atividades e empregos que dependam de competências e mão de obra mais qualificada e realizar no Paraguai as etapas que se beneficiem de custos ou condições locais.

Ela destaca também os ganhos potenciais da futura Rota Bioceânica, prevista para 2028 e que ligará o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. “Quando ela estiver plenamente operacional, poderá encurtar em até 17 dias o transporte de insumos vindos da China, reduzindo os custos logísticos da produção e exportação do Mercosul”, afirma.

Na avaliação da especialista, a discussão sobre competitividade industrial precisa ir além da tentativa de impedir que empresas brasileiras invistam no exterior. “Paraguai e Brasil podem trabalhar juntos, e os dois tendem a ganhar. Não é uma questão partidária, é oportunidade para as marcas brasileiras ganharem competitividade. A gente só tende a ganhar crescendo os nossos vizinhos”, conclui.

 

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