Há muito o Mercosul veio para ficar!

Leo Braga (*)

Em um sistema internacional marcado por tensões geoeconômicas e políticas protecionistas, a coesão regional tornou-se o principal instrumento de soberania e autonomia estratégica nacional. Os países da União Europeia e do Mercosul não estão alheios a isso. Outrora com sua valorização um tanto deslocada dos interesses brasileiros, a questão da relevância estratégica do Mercosul no cenário contemporâneo reafirma-se através de marcos históricos alcançados no primeiro trimestre de 2026.

O bloco sul-americano consolidou-se como um dos pilares centrais da política externa brasileira, funcionando simultaneamente como um mercado preferencial para bens manufaturados, uma plataforma de negociação coletiva e um laboratório para a integração energética. O papel do Mercosul foi fundamental para sustentar a indústria de transformação, que registrou montante recorde de US$ 189 bilhões em exportações globais (alta de 3,8% em valor).

Especificamente dentro do bloco, as exportações para a Argentina cresceram 31,4% em 2025, impulsionadas fortemente pelo setor automotivo, demonstrando que a integração regional atua como um motor de crescimento para produtos de alto valor agregado. Então, desde já, podemos dizer com segurança: “o Mercosul importa!”.

Em relação à União Europeia, o acordo cria a maior zona de livre comércio do mundo, integrando 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22,4 trilhões. Para o Brasil, o acesso preferencial saltará de 8% para 36% do comércio global de bens. No primeiro ano de vigência, 39% dos produtos do agronegócio exportados para a UE já terão tarifa zero.

O acordo Mercosul-União Europeia prevê a eliminação de tarifas para 91% dos bens europeus pelo Mercosul (em até 15 anos) e 95% dos bens do Mercosul pela UE (em até 12 anos). Setores sensíveis como o automotivo terão prazos de adaptação de até 15 anos, podendo chegar a 30 anos para novas tecnologias, preservando a capacidade de industrialização nacional.

Para mitigar riscos, o Brasil regulamentou salvaguardas que permitem a suspensão temporária de preferências caso as importações causem prejuízo grave à indústria doméstica ou ao setor agrícola, com gatilhos automáticos baseados em volume e preço, o que também vale para o lado europeu em produtos agrícolas, especialmente.

O início de 2026 marcou a conclusão de um ciclo diplomático de 26 anos na relação Mercosul-União Europeia. Após a assinatura em Assunção em 17 de janeiro de 2026, o processo de ratificação do acordo avançou com velocidade sem precedentes, especialmente, no Mercosul:
1. Aprovação Legislativa: no Brasil, o Senado Federal aprovou por unanimidade o acordo em 4 de março de 2026, sendo o terceiro país do bloco a completar esta etapa, após Uruguai e Argentina.
2. Promulgação: A sessão solene para a promulgação brasileira do decreto legislativo (PDL 41/2026) foi realizada em 17 de março de 2026.
3. Vigência Provisória: A expectativa do governo é que a aplicação provisória e os primeiros cortes tarifários comecem em 1º de maio de 2026.

Haverá impactos muito positivos na queda dos preços dos produtos vinda da União Europeia como vinhos, queijos, chocolates, ou seja, itens de consumo ligeiro. Haverá também queda gradativa em bens de maior valor agregado, como automóveis, cujas tarifas de importação cairão a zero em intervalos de 7 e 15 anos. Para automóveis elétricos e híbridos, a tarifa será zerada após apenas 18 anos. Isso significa ampliação do mercado consumidor de carros no Mercosul e no Brasil, o maior mercado do bloco.

Outro ponto a dar destaque é que o Mercosul de 2026 é um bloco em expansão. A incorporação da Bolívia como membro pleno adiciona um mercado de 11 milhões de consumidores e posiciona o bloco como um player estratégico no mercado global de lítio, essencial para a transição energética.

Na área de energia, embora a Bolívia continue sendo um fornecedor vital, o Brasil tem investido em infraestrutura própria de gás natural e na conexão com a jazida de Vaca Muerta (Argentina) para reduzir vulnerabilidades externas e baixar o custo industrial.

Ao olhar para além da América do Sul e da União Europeia, outros avanços na agenda externa do Mercosul incluem o acordo de livre comércio com Singapura, que já entrou em vigor para Paraguai (fevereiro/2026) e Uruguai (março/2026), ampliando o acesso ao mercado asiático. Resta o Brasil ratificar aqui no Congresso Nacional para também se beneficiar do acordo.

Outros dois acordos com o Mercosul estão em andamento. Com os Emirados Árabes Unidos as negociações estavam em estágio avançado com expectativa de conclusão no primeiro semestre de 2026. Contudo será necessário aguardar os desdobramentos e impactos do conflito no Oriente Médio.

E pela primeira vez, o governo brasileiro sinalizou abertura para negociar um acordo comercial parcial com a China, visando equilibrar a relação e responder às mudanças no comércio global. A China já é a maior parceira comercial do Brasil.

Como se não bastasse a relevância do Mercosul por si só, o papel do bloco tornou-se ainda mais importante diante da instabilidade nas relações com os Estados Unidos. Em 2025, o “tarifaço” imposto pelo governo norte-americano causou uma queda de 6,6% nas exportações brasileiras para os EUA, perda que foi compensada pelo crescimento das vendas para a China (+6%) e para o próprio Mercosul.

Embora a Suprema Corte dos EUA tenha derrubado parte dessas tarifas em fevereiro de 2026, a incerteza gerada reforçou a necessidade de o Brasil utilizar o bloco regional como um “colchão de proteção” contra guerras comerciais externas.

E o cenário de março de 2026 mostra que o Mercosul superou a fase de estagnação. Com a ratificação do acordo com a União Europeia, a entrada da Bolívia, o bloco deixou de ser apenas um fórum político para se tornar uma plataforma de competitividade industrial e logística.

Para o Brasil, o Mercosul é indispensável não apenas para garantir mercados de exportação, mas para assegurar uma inserção qualificada e soberana em uma ordem mundial cada vez mais fragmentada.

E isso é muito diferente da posição do Brasil no BRICS, por exemplo, que acaba sendo uma plataforma de reivindicação de transformação da ordem global em linhas pouco prováveis, com alinhamentos ou inusitados ou pouco instigantes na “revisão” desta mesma ordem internacional. Bem, isso fica para outro papo.

O que importa é que há muito que o Mercosul veio para ficar! Avante, Mercosul!

(*) Leo Braga, docente do curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio (FPM Rio)

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Crédito de R$ 25 bilhões e  Acordo Mercosul-União Europeia marcam novo momento para indústria, diz Alckmin

Linhas do BNDES financiam indústria 4.0 e bens de capital verde, com juros de 6,5% ao ano e ampliação do uso do FAT para inovação

Da Redação (*)

Brasília – Em seminário realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira (27), em São Paulo, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, celebrou os novos investimentos do governo federal na indústria brasileira, além daqueles que já fazem parte dos programas ligados à Nova Indústria Brasil (NIB).

“Uma grande notícia: R$ 25 bilhões de crédito para substituição de máquinas, modernização, competitividade, produtividade e eficiência energética. Isso vai fazer toda a diferença para a indústria ser mais competitiva, modernizada e ter mais produtividade”, disse Alckmin.

Do total mencionado pelo vice-presidente, R$ 10 bilhões foram anunciados nesta sexta-feira pelo BNDES durante o seminário. Outros R$ 15 bi integram o Plano Brasil Soberano, anunciados na última terça-feira (24).

Além do crédito para inovação, digitalização e economia verde, Alckmin também destacou o Acordo Mercosul-União Europeia, como instrumento de ampliação de oportunidades para as empresas exportadoras e o comércio exterior brasileiro.

O seminário reuniu cerca de 200 representantes do setor produtivo, exportadores e entidades de classe, e discutiu as perspectivas de comércio para as empresas brasileiras no cenário de maior abertura comercial propiciado pelo acordo.

“Fizemos, em três anos, Mercosul-Singapura, Mercosul-EFTA e o maior acordo entre blocos do mundo, Mercosul-União Europeia, que já entra em vigência agora. As oportunidades que nós teremos são extraordinárias”, ressaltou.

Em homenagem à atuação do vice-presidente à frente do MDIC, o presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a importância de o país ter a NIB para fortalecer o desenvolvimento nacional. “Voltamos a ter, graças ao nosso ministro Alckmin e à política do presidente Lula, uma política industrial”, afirmou Alban, reforçando a necessidade de que a política seja perene e passe por aprimoramentos periódicos.

Indústria 4.0

O crédito de R$ 10 bilhões anunciado hoje integra o programa BNDES Mais Inovação e financia a difusão de máquinas e equipamentos da indústria 4.0, além de apoiar bens de capital voltados a projetos sustentáveis.

O presidente do banco, Aloizio Mercadante, destacou o alcance das medidas. “São linhas de crédito fundamentais para modernizar o parque fabril, elevar a produtividade e ampliar a competitividade da indústria. O Brasil precisa avançar na agenda de inovação e tecnologia para gerar empregos qualificados e crescer com sustentabilidade”, afirmou.

Do total, R$ 7 bi serão destinados à linha de Indústria 4.0, com taxa média de 6,5% ao ano, combinando recursos da Taxa Referencial com funding de mercado. Outros R$ 3 bi serão direcionados à linha de bens de capital verde, também com taxa de 6,5%, a partir da integração de recursos do FAT com o Fundo Clima.

Implementação do Acordo

Com entrada em vigor prevista para 1º de maio de 2026, o Acordo Mercosul-União Europeia passa a contar com uma agenda estruturada de implementação. O MDIC apresentou, nesta sexta-feira, ações de divulgação, capacitação e instrumentos técnicos voltados ao setor produtivo.
Na página oficial do acordo, estão disponíveis textos consolidados, dados estatísticos e informações gerais.

Também foi lançado nesta sexta o Manual de Desgravação Tarifária, elaborado pela equipe técnica da Secretaria de Comércio Exterior e disponível na mesma página. O documento orienta sobre a aplicação prática dos cronogramas de redução do Imposto de Importação, além de uma tabela interativa de preferências tarifárias, que permite a identificação dos produtos por descrição ou código tarifário.

(*) Com informações do MDIC

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Turismo de negócios segue em alta e volta a superar a marca de R$ 1 bilhão de faturamento em fevereiro

Resultado foi puxado, principalmente, pelos serviços aéreos; valor é 4,12% maior que o registrado no mesmo mês de 2025

Da Redação (*) – O turismo corporativo no Brasil segue em alta. Em fevereiro, o faturamento do setor foi de R$ 1,05 bilhão — uma alta de 4,12% em relação a fevereiro de 2025, quando o total faturado chegou a R$ 1,01 bilhão.

É o segundo mês consecutivo que o segmento supera a casa de R$ 1 bilhão em receita. Os dados são da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp).

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destacou os resultados do setor.

“O crescimento consistente do turismo corporativo, que já supera R$ 2 bilhões em faturamento neste ano, evidencia seu papel estratégico para o Brasil: além de impulsionar a economia, o setor fortalece cadeias produtivas como aviação, hotelaria e serviços, gerando empregos, renda e oportunidades em diversas regiões do país”, disse.

O faturamento de fevereiro foi puxado principalmente pelos serviços aéreos, que seguem como principal motor econômico do setor, com participação de 58,9% do volume total. O segmento movimentou R$ 621 milhões, uma alta de 5,41% frente ao mesmo mês do ano passado, indicando maior volume de vendas.

Na sequência está o segmento de hotéis, com 30,5% de participação no total e um volume de R$ 321 milhões.

Outros destaques positivos de fevereiro foram: o segmento de seguro-viagem, que registrou crescimento de 123,3% em comparação com fevereiro de 2025, ao faturar R$ 4 milhões; e o serviço de transfer, que saltou de R$ 3,5 milhões no ano passado para R$ 5,7 milhões neste ano, um crescimento de 62,17%.

O diretor executivo da Abracorp, Douglas Fernandes de Camargo, destacou as possíveis oportunidades que se apresentam para o Brasil.

“Os conflitos internacionais nos colocam numa posição de muita cautela, após dois primeiros meses muito positivos, e estamos monitorando a situação internacional. O Brasil, pelas condições que apresenta, pode ser um bom destino para abrigar eventos antes programados para outros países”, afirmou.

(*) Com informações do MTur

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ApexBrasil renova convênio com ABIMDE para impulsionar exportações do setor de defesa e segurança

Parceria prevê ações conjuntas como feiras internacionais e projetos compradores

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) realizará, na próxima segunda-feira (30), às 11h, a assinatura de convênio com a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), em Brasília (DF), com a presença do ministro da defesa José Múcio; do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana; e do presidente da ABIMDE, Luiz Teixeira.

O convênio, no valor total de R$19,6 milhões, visa apoiar 74 empresas durante o biênio, cerca de 40% delas, exportadoras.  Com o objetivo promover as exportações das empresas brasileiras do setor de defesa e segurança, o apoio se dará por meio de realização de feiras internacionais e da organização de projetos compradores, ampliando a inserção internacional das companhias nacionais.

O convênio será executado em articulação com o Ministério da Defesa, responsável pela estratégia de longo prazo do setor, e com o Ministério das Relações Exteriores, que atua na aproximação com governos de países potenciais compradores. A ação busca fortalecer a competitividade das empresas brasileiras e ampliar sua presença em mercados estratégicos.

“A área de defesa no Brasil gera 2,9 milhões de empregos e foi responsável por recordes nas exportações, foram US$ 3,1 bilhões em autorizações para exportações de produtos e serviços em 2025, crescimento de 74% em relação a 2024 (US$ 1,78 bilhão). No governo passado, a prioridade era a venda de armas, de uso pessoal. No atual governo, a prioridade é o comércio de equipamentos e produtos da defesa clássica, que é sinônimo de soberania. É nisso que o Brasil tem sido exemplo. É um país de paz, com o mundo inteiro, e que sempre está buscando ser parte da pacificação e da solução de problemas”, destaca o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.

O setor de defesa e segurança tem relevância crescente na economia brasileira, reunindo empresas com alto nível de inovação e capacidade produtiva. A cooperação entre as instituições busca consolidar uma atuação coordenada para impulsionar exportações e atrair investimentos.

Serviço
Assinatura de Convênio ApexBrasil–ABIMDE
Data: 30/03/2026 (segunda-feira)
Horário: 11h
Local: Sala Brasil, Sede da ApexBrasil – SGAS 903, Lote 80, Asa Sul, Brasília (DF)

Credenciamento de Imprensa: Renovação de convênio ApexBrasil-ABIMDE – Preencher o formulário

(*) Com informações da ApexBrasil

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Defesa comercial: MDIC abre tomada de subsídios para regulamentar salvaguardas bilaterais no Brasil

Contribuições à norma que irá reger o instrumento de defesa comercial podem ser enviadas até 28 de abril

Da Redação (*)

Brasília – O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) abre, nesta sexta-feira (27), tomada de subsídios para definir as regras das salvaguardas bilaterais no Brasil, instrumento de defesa comercial utilizado para proteger a indústria nacional em caso de surto de importações que cause ou ameace causar dano.

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) conduzirá a tomada de subsídios e ficará responsável pela elaboração da portaria, que vai disciplinar os procedimentos administrativos das investigações, incluindo fases processuais, prazos, análise de dano e aplicação de medidas provisórias e definitivas.

“O Brasil avança na agenda de comércio exterior com regras claras, previsibilidade e ouvindo a sociedade. Ao mesmo tempo em que estamos ampliando a rede de acordos comerciais do país, queremos aprimorar o marco regulatório para que, com clareza, se possa recorrer aos instrumentos de defesa comercial quando necessário”, afirma a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres.

Mais previsibilidade e segurança jurídica

A tomada de subsídios decorre do Decreto nº 12.866, de 4 de março de 2026, que estabeleceu princípios, competências institucionais e regras gerais para a investigação e aplicação dessas medidas no país.

“As salvaguardas bilaterais terão regras claras, garantindo proteção ao setor produtivo em cenários de aumento significativo das importações que cause ou ameace causar dano ou prejuízo grave”, diz o diretor do Departamento de Defesa Comercial da Secretaria de Comércio Exterior, Márcio Hissa.

A consulta vai recolher contribuições de representantes da indústria doméstica, importadores, exportadores, entidades de classe, especialistas e demais interessados. Entre os temas, estão requisitos para apresentação de petições, fases e prazos processuais, tratamento de informações confidenciais, metodologias de análise, aplicação de medidas provisórias, pedidos de prorrogação e compatibilização com acordos comerciais.

As contribuições poderão ser enviadas até o próximo dia 28 de abril, por meio da plataforma Brasil Participativo. As manifestações não terão caráter vinculante, mas serão analisadas pela equipe técnica da Secretaria e consideradas na elaboração da proposta normativa.

(*) Com informações do MDIC

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I Fórum Halal Anuga Select Brazil debaterá oportunidades de negócios em um dos mercados que mais crescem no mundo

Com o tema “Aumento da conscientização do consumidor, multiculturalismo e globalização”, Fórum abordará temas como tendências e oportunidades do mercado Halal, qualidade, sustentabilidade e segurança alimentar e oferecerá quatro minicursos. A participação é gratuita

Da Redação

Brasília – A International Halal Academy (IHA), instituto privado de formação, treinamento, qualificação e capacitação continuada com especialização no segmento Halal, promoverá, durante a Anuga Select Brazil, a maior feira de alimentos e bebidas das Américas, o I Fórum Halal Anuga Select Brazil.

Com o tema “Aumento da conscientização do consumidor, multiculturalismo e globalização”, a IHA reunirá especialistas para discutir tendências, oportunidades e inovação e oferecerá, ainda, quatro minicursos.

O I Fórum Halal Anuga Select Brazil terá atividades ao longo da Anuga Brazil de 7 a 9 de abril, no Distrito Anhembi, em São Paulo. É gratuito e faz parte da programação oficial da feira. Conta com o apoio estratégico da FAMBRAS Halal Certificadora, pioneira em certificação Halal no Brasil e a maior da América Latina, e do Sebrae.

O mercado Halal

“O crescimento do mercado Halal, impulsionado por uma população muçulmana global de quase 2 bilhões de pessoas, é sinônimo de qualidade e segurança, ainda mais em se tratando de alimentos e bebidas”, explica Delduque Martins, diretor executivo e secretário-geral da International Halal Academy. “A compreensão desta realidade, somada ao protagonismo do Brasil neste cenário, fez com que a Anuga inserisse essa temática em sua programação. Vamos oferecer um conteúdo atual e indispensável para quem deseja saber mais sobre o assunto”, adianta

A realização do Fórum ocorre em um momento em que o Brasil consolida sua posição entre os principais fornecedores de alimentos para países da Organização da Cooperação Islâmica (OIC), composta por 57 estados-membros sendo 48 de maioria muçulmana. O país ocupa atualmente a terceira posição entre os maiores exportadores para esses mercados, movimentando cerca de US$ 26,9 bilhões, com destaque para proteínas Halal, açúcar, grãos e café.

Programação

O Fórum terá início no dia 7 de abril, no auditório principal, das 13h às 17h. Na programação, a sustentabilidade e a segurança alimentar terão espaço na palestra que estará sob responsabilidade do keynote speaker Cléber Sabonaro, especialista em Inteligência Competitiva e Comércio Exterior da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). O tema é “O papel da indústria brasileira de alimentos e bebidas na garantia da segurança alimentar no Brasil e no mundo, com uma produção eficiente, respeito ambiental e justiça social”.

Em seguida, haverá três painéis com as seguintes temáticas: “O mercado Halal Global – tendências e oportunidades”, “Alimentos e bebidas Halal, os principais dados econômicos, tendências e desafios” e “A infraestrutura de qualidade nos alimentos e bebidas”. Entre os nomes já confirmados estão Ali Zoghbi, vice-presidente da FAMBRAS Halal Certificadora e presidente da International Halal Academy; William Adib Dib Junior, presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira; Fernanda Baltazar, diretora de Relações Internacionais da Câmara de Comércio Árabe-brasileira; Arthur Martinho, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Relações Empresariais Internacionais (IBREI) e Marcos Guerson, Superintendente do Instituto de Pesos e Medidas de São Paulo, entre outros.

A programação inicial do I Fórum Halal Anuga Select Brazil se encerra com uma palestra da presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá. Pesquisadora com longa trajetória na instituição, é a primeira mulher a liderar a empresa em mais de 50 anos de história, com foco em inteligência artificial, agricultura digital e sustentabilidade.

Para participar do Fórum ou saber mais sobre o evento, basta acessar o site https://www.academyhalal.com/forum-halal . A inscrição possibilita a visita à Anuga.

Minicursos com certificado

Ainda dentro da programação do Fórum, durante a Anuga Select Brazil, a International Halal Academy também realizará, no auditório Food Trends, quatro minicursos gratuitos.

“O mercado Halal deixou de ser apenas um nicho religioso e passou a representar um sistema de qualidade, rastreabilidade e confiança que dialoga com as exigências do consumidor contemporâneo. Tanto o Fórum como os minicursos vêm ampliar o conhecimento sobre esse universo a fim de preparar empresas e profissionais para atuar de forma competitiva em um mercado global em franca expansão”, afirma Delduque Martins. “A qualificação é um dos pilares para o fortalecimento do setor”.

 No dia 7 de abril, das 17h às 18h, o tema será “Alimentos Halal: o que é e como acontece a certificação”. No dia 8 de abril, “O Halal, a alimentação saudável e o bem-estar holístico”, das 15h às 17h. No último dia da Anuga, 9 de abril, serão dois minicursos: “A globalização da informação e da comunicação no consumo consciente de produtos Halal”, das 16h às 17h, e “A preocupação com ética e qualidade no contexto de alimentos e bebidas Halal”, das 17h às 18h.

Inscrições para o Fórum, minicursos ou para saber mais sobre o evento e a programação, basta acessar o site https://www.academyhalal.com/forum-halal

 

Sobre a International Halal Academy

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O que empresas brasileiras ganham com a entrada em vigor do Acordo de Comércio Provisório Mercosul-UE

 Nailia Aguado Ribeiro Franco (*)

A partir de 1º de maio, entra em vigor provisoriamente o Acordo de Comércio Provisório (Interim Trade Agreement – ITA), que faz parte do acordo mais amplo firmado entre União Europeia e Mercosul. Vale destacar que esse acordo entre os blocos é estruturado em dois instrumentos complementares: o próprio ITA, voltado principalmente a temas tarifários e comerciais, e o Acordo de Parceria (European Union–Mercosur Partnership Agreement – EMPA), que possui escopo mais abrangente, incluindo também aspectos políticos, de desenvolvimento e de cooperação.

Esta última, com capítulos específicos, como o de gênero, e que ainda depende de etapas adicionais de ratificação, especialmente no âmbito da União Europeia. No âmbito do Mercosul, Brasil, Argentina e Uruguai já concluíram os procedimentos internos e formalizaram suas notificações, de modo que a aplicação provisória passa a produzir efeitos de forma coordenada no bloco, enquanto o Paraguai deve formalizar sua notificação em breve. Na prática, o que veremos neste primeiro momento é uma abertura progressiva de mercado.

A chamada ‘desgravação tarifária’, ou seja, a redução dos impostos de importação ao longo do tempo, ocorrerá de forma escalonada em ambos os blocos, permitindo que as empresas se adaptem ao novo ambiente competitivo. Para o setor privado, há oportunidades relevantes tanto para exportadores quanto para importadores.

Empresas brasileiras tendem a ganhar competitividade no mercado europeu, especialmente considerando a vantagem comparativa do Brasil em energia limpa, tanto na exportação de soluções e tecnologias associadas (como equipamentos e projetos ligados à transição energética) quanto no fato de contar com uma matriz energética mais sustentável, o que se reflete diretamente nos processos produtivos e na prestação de serviços, um diferencial relevante diante das rigorosas exigências ambientais e de ESG adotadas pela União Europeia.

Ao mesmo tempo, a redução de custos de insumos e matérias-primas importadas pode fortalecer cadeias produtivas locais brasileiras. No setor agro, os impactos tendem a ser especialmente relevantes. O acordo amplia o acesso a um mercado exigente e de alto valor agregado, o que pode impulsionar as exportações de produtos centrais da pauta brasileira, especialmente em regiões em que o agro tem papel estratégico, como o Sul do país.

Ao mesmo tempo, a maior inserção no mercado europeu tende a reforçar a competitividade do setor e a integração do Brasil às cadeias globais de valor. Por outro lado, será essencial atenção aos requisitos sanitários, fitossanitários, ambientais e de rastreabilidade, que passam a ser ainda mais determinantes nesse tipo de operação.

Nesse contexto, é importante destacar que o próprio governo brasileiro já vem promovendo iniciativas de capacitação para preparar as empresas, com foco justamente em temas como cronograma de desgravação, regras e certificação de origem e adequação às exigências do acordo. Aproveitar esse movimento pode ser um diferencial importante.

Mais do que uma mudança imediata, trata-se de um processo de médio e longo prazo, que exige preparação. As empresas devem revisar práticas comerciais e contratuais, compreender as regras aplicáveis e, principalmente, adotar uma postura ativa na busca por novos mercados e parcerias, agora com maior segurança jurídica e previsibilidade.

Por fim, o acordo ganha ainda mais relevância em um cenário internacional marcado por instabilidades geopolíticas. Conflitos recentes, especialmente no Oriente Médio, têm impacto direto sobre preços de energia, logística internacional e custos de produção, afetando cadeias globais de valor. Para o Brasil, embora possam surgir efeitos pontuais positivos em exportações de líquido de petróleo, há também aumento de custos, especialmente pela dependência de insumos importados, como fertilizantes e derivados de petróleo.

Nesse contexto, iniciativas que fortalecem o comércio multilateral e ampliam a previsibilidade nas relações econômicas tornam-se ainda mais estratégicas para mitigar riscos e garantir maior estabilidade para as empresas

(*) Nailia Aguado Ribeiro Franco é advogada da Andersen Ballão Advocacia.

 

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Firjan defende prioridade na internalização de acordos comerciais e reforço nas negociações internacionais

Levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro demonstra que a média atual de validação de um tratado comercial internacional está em 2.339 dia

Da Redação (*)

Brasília – Na iminência da promulgação do Acordo Mercosul-União Europeia (UE) pelo governo brasileiro, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) destaca que há uma dezena de outros tratados comerciais internacionais aguardando validação para serem efetivados. Nesse sentido, por meio da Agenda Firjan Propostas Brasil 4.0 defende maior urgência na aceleração da internalização desses acordos, de maneira a possibilitar ganhos de comércio e abertura de novos mercados às empresas brasileiras.

De acordo com a Federação, mesmo diante de uma discreta melhora, o atual cenário demonstra que a média atual de validação de um tratado comercial internacional está em 2.339 dias ou 6 anos e 4 meses. Há aqueles que possuem mais celeridade na tramitação interna, mas há aqueles que levam muitos anos para serem promulgados.

“A Firjan acompanha os esforços brasileiros para ampliar o acesso aos mercados internacionais, principalmente diante do cenário geopolítico complexo atual. É notável a celeridade do processo de internalização do acordo Mercosul-UE, esperamos observar o mesmo dinamismo para outros acordos prioritários para a indústria como o Mercosul-EFTA, além de um maior esforço para avançar nas negociações com Canadá e Japão”, aponta o gerente da Firjan Internacional, Giorgio Luigi Rossi.

O longo período envolve não somente a tramitação no governo federal, mas também o que decorre na Câmara dos Deputados e no Senado, por onde os processos de internalização devem ser aprovados antes de partirem para a promulgação pela Presidência da República. Considera-se também o tempo pela espera para a ratificação pela contraparte, momento necessário para que o Acordo seja efetivado e promulgado.

Atualmente, 7 dos 12 acordos em processo de internalização estão aguardando esta etapa. Dois outros aguardando a promulgação presidencial.

Não apenas União Europeia: Mercosul-EFTA – um mercado de 290 milhões de consumidores

Após a promulgação do Acordo Mercosul-União Europeia, a Firjan espera também agilidade na internalização do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul-EFTA, cujo processo aguarda envio para o Congresso Nacional brasileiro. Assinado em julho de 2025, o tratado criará um mercado de aproximadamente 290 milhões de consumidores e um PIB de cerca de US$ 4,4 trilhões (dados de 2024). Em conjunto com o acordo com a UE, o Brasil passará a ter acesso preferencial aos principais mercados do continente europeu.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil liberalizará aproximadamente 97% do comércio com a EFTA. As desgravações ocorrerão no momento da entrada em vigor do acordo ou em 4, 8, 10 e 15 anos.

Já o acesso em livre comércio das mercadorias brasileiras ao EFTA representará praticamente 99% do valor exportado. Estima-se que o Acordo tenha um impacto de R$ 2,6 bilhões em crescimento do PIB Brasil até 2044. No mesmo período, espera-se um crescimento R$ 3,3 bi nas exportações, além de R$ 660 milhões em investimentos.

(*) Com informações da Firjan

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Plataforma Brasil Exportação ultrapassa 1.000 serviços cadastrados de apoio às empresas brasileiras

Iniciativa da ApexBrasil revolucionou o acesso de empresários a serviços de comércio exterior 

Da Redação (*)

Brasília – A Plataforma Brasil Exportação alcançou, no último dia 13 de março, a marca de mais de 1.000 serviços de apoio à exportação cadastrados, consolidando-se como um dos principais pontos de acesso para empresas brasileiras que desejam iniciar ou ampliar sua presença no comércio internacional. Desde seu lançamento, em 2023, a plataforma já reúne 3.485 empresas cadastradas, 7.813 usuários registrados e mais de 205.332 acessos únicos.

Acesse agora

Lançada em 2023, a iniciativa é liderada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

A plataforma foi criada com o objetivo de reunir em um único ambiente digital os instrumentos de apoio à exportação das empresas brasileiras no país, facilitando o acesso das mesmas em qualquer região a programas, serviços e oportunidades voltadas ao comércio exterior.

Desde seu lançamento, a plataforma vem ampliando continuamente seu escopo e funcionalidades, acompanhando a evolução das políticas públicas de promoção comercial e de apoio às exportações.

Entre os principais marcos dessa trajetória está a disponibilização do Calendário Consolidado de Eventos de Promoção Comercial, ferramenta que reúne em um único ambiente as principais feiras, missões e ações de promoção organizadas por diferentes instituições, permitindo às empresas planejar sua participação em iniciativas estratégicas de inserção internacional.

Outro avanço importante foi o lançamento do mapa digital de escritórios no exterior, que reúne as representações da ApexBrasil, os Setores de Promoção Comercial (SECOMs) do Ministério das Relações Exteriores e os adidos agrícolas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A funcionalidade facilita a identificação de pontos de apoio do governo brasileiro em mercados internacionais, ampliando o acesso das empresas a informações e suporte no exterior.

Megatrilha da Exportação

A plataforma também passou a integrar iniciativas voltadas à capacitação e orientação de empresas ao longo da jornada exportadora, como a Megatrilha da Exportação, que organiza de forma totalmente digital os conteúdos, os programas e os instrumentos de apoio desde as etapas iniciais de preparação até a consolidação da presença em mercados internacionais.

Mais um passo relevante foi a inclusão de prestadores privados de serviços especializados, ampliando o ecossistema de apoio à exportação e oferecendo às empresas acesso a soluções complementares em áreas como logística, armazenagem, despacho aduaneiro, certificações, e-commerce, consultorias especializados e serviços financeiros para exportação.

Para o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, o marco reforça a importância da integração entre instituições públicas e privadas para ampliar as oportunidades das empresas brasileiras no comércio exterior.

Segundo Jorge Viana, “alcançar mais de mil serviços cadastrados mostra que estamos avançando na construção de um ambiente mais integrado e acessível para quem quer exportar. A Plataforma Brasil Exportação reúne, em um único lugar, instrumentos que ajudam as empresas a se preparar, encontrar oportunidades e acessar mercados internacionais, fortalecendo a competitividade do Brasil”.

Com a marca de 1.000 serviços cadastrados, a Plataforma Brasil Exportação reforça seu papel como o maior hub de serviços de exportação no país para empresas brasileiras, reunindo em um único ambiente ferramentas que antes estavam dispersas entre diferentes instituições e ampliando o acesso das empresas brasileiras às oportunidades do comércio exterior.

(*) Com informações da ApexBrasil

 

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Estudo da ApexBrasil identifica grande potencial de expansão das exportações brasileiras para a Noruega

Estudo aponta potencial de expansão das exportações brasileiras e destaca oportunidades em sustentabilidade, inovação e investimentos com mercado de alto valor agregado

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lançou o estudo Perfil de Comércio e Investimentos – Noruega, com um panorama detalhado das relações comerciais e de investimentos entre os dois países. O levantamento evidencia que a Noruega, embora seja um mercado de menor escala em termos absolutos, apresenta elevado poder aquisitivo, estabilidade econômica e forte demanda por produtos sustentáveis e de alto valor agregado, características que ampliam seu potencial estratégico para o Brasil.

De acordo com o estudo, a pauta exportadora brasileira para a Noruega é concentrada em produtos como minério de ferro, alumínio, soja e café, além de itens ligados à indústria de base. Ao mesmo tempo, o país europeu se destaca como fornecedor relevante de produtos ligados à indústria naval, petróleo e gás, fertilizantes e tecnologias voltadas à transição energética, indicando uma relação comercial complementar entre as economias.

Segundo a Inteligência de Mercado da ApexBrasil, há oportunidades concretas para ampliar e diversificar as exportações brasileiras para o mercado norueguês, especialmente em segmentos como alimentos e bebidas, produtos sustentáveis, tecnologia ambiental e bens industriais. O Mapa de Oportunidades da Agência identifica nichos promissores que podem favorecer a inserção de empresas brasileiras em cadeias globais de maior valor agregado, com destaque para produtos com certificação ambiental e rastreabilidade.

Para Gustavo Ribeiro, gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, a Noruega se apresenta como um parceiro estratégico não apenas pelo comércio, mas também pelo perfil de investimentos. “O país é reconhecido globalmente por seu compromisso com a sustentabilidade e inovação, o que abre espaço para parcerias em áreas como energia limpa, bioeconomia e tecnologia ambiental. Nesse contexto, o Brasil pode se posicionar como fornecedor competitivo de soluções sustentáveis e produtos alinhados às exigências do mercado europeu” comentou.

Investimentos e cooperação bilateral

Se no comércio a Noruega é um parceiro ainda tímido, quando se trata de investimentos estrangeiros, o cenário não se repete. O país figura entre os principais investidores estrangeiros no Brasil, o estoque de IED da Noruega no Brasil atingiu US$12,7 bilhões em 2024. Dessa forma, a Noruega ficou na 11ª posição entre os países da Europa com investimentos no Brasil, com presença relevante em setores como energia, óleo e gás, navegação e indústria marítima. Empresas norueguesas têm participação expressiva em projetos estratégicos no país, especialmente no segmento offshore, evidenciando uma relação consolidada e de longo prazo.

Além disso, o Fundo Soberano da Noruega — um dos maiores do mundo — possui investimentos significativos em empresas brasileiras, reforçando a importância do país como parceiro financeiro e institucional. Outro destaque é a cooperação bilateral na área ambiental, com iniciativas voltadas à preservação florestal e ao desenvolvimento sustentável, que fortalecem a agenda comum entre os dois países.

Oportunidades e desafios

Apesar do potencial identificado, o estudo aponta desafios importantes para a ampliação do comércio bilateral. Entre eles estão as exigências regulatórias rigorosas do mercado norueguês, especialmente em relação a padrões ambientais e sanitários, além da necessidade de adaptação a um mercado altamente competitivo e sofisticado.

Por outro lado, essas mesmas exigências representam uma oportunidade para empresas brasileiras que investem em inovação, qualidade e sustentabilidade. Produtos com certificações internacionais, rastreabilidade e menor impacto ambiental tendem a ganhar maior espaço no mercado norueguês, alinhando-se às tendências globais de consumo responsável.

Acordo Mercosul–EFTA pode impulsionar comércio entre Brasil e Noruega

A entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), assinado em 16 de setembro de 2025, tende a ampliar significativamente as oportunidades de comércio entre o Brasil e países como a Noruega. De acordo com o Perfil de Comércio e Investimentos – EFTA 2025, o bloco europeu — formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça — reúne mercados de alto poder aquisitivo e crescente demanda por produtos sustentáveis e de maior valor agregado, características que favorecem a inserção de empresas brasileiras.

O acordo prevê a criação de uma zona de livre comércio com cerca de 300 milhões de pessoas e um PIB agregado superior a US$ 4,4 trilhões, abrangendo não apenas o comércio de bens, mas também serviços, investimentos, compras governamentais e regulatórios. A iniciativa deve facilitar o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, com concessões relevantes para itens do agronegócio — como carnes, café, frutas e sucos — e para bens industrializados, incluindo máquinas, calçados, móveis e equipamentos médicos.

A expectativa é que a redução de barreiras tarifárias e a harmonização de regras aumentem a competitividade dos produtos brasileiros e estimule a diversificação da pauta exportadora. Além do comércio, o acordo também deve fortalecer os fluxos de investimento entre as economias. Os países da EFTA já figuram entre importantes investidores no Brasil, com destaque para setores como energia, indústria e tecnologia. Com o novo marco regulatório, a expectativa é de aprofundamento das parcerias econômicas e ampliação da presença brasileira em mercados estratégicos da Europa.

(*) Com informações da ApexBrasil

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