Comércio Exterior de Uberlândia cresce 77,2% no semestre e exportações se aproximam do valor alcançado em todo o ano de 2025

Da Redação

Brasília – No primeiro semestre deste ano, a corrente de comércio (exportação+importação) de Uberlândia se aproximou do valor registrado em todo o ano de 2025, com destaque para o forte aumento das exportações, que cresceram 77,2% comparativamente com igual período do ano passado.

De janeiro a junho, as vendas externas do município totalizaram US$ 782 milhões, contra US$ 857 milhões em produtos embarcados para o exterior em 2025, a melhor marca alcançada pelas exportações uberlandenses desde 1997, ano de início da série histórica computada pelo Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Na opinião do prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio, o retorno ao crescimento acentuado do superávit comercial uberlandense tem sido auxiliado pela nova diretriz estabelecida pela gestão municipal: “desde 2025, a Prefeitura vem intensificando um trabalho estratégico de prospecção {de mercados} no exterior, como forma de não apenas atrair novos investimentos para o município, mas também proporcionar a ampliação dos negócios das empresas locais junto a outros países. Portanto, esses recordes recentes tendem a refletir a consolidação de Uberlândia como um porto seguro para negócios”, declarou.

Em contrapartida, as importações recuaram 22,0% para US$ 100 milhões, o que fez com que a corrente de comércio do município somasse US$ 882 milhões, proporcionando ao município um superávit de US$ 682 milhões, recorde para os seis primeiros meses de um ano.

Com os embarques em forte expansão, Uberlândia figurou na quarta posição no ranking dos municípios mineiros que mais exportaram e o 38º. posto entre os maiores exportadores de todo o país. No tocante às importações, Uberlândia ocupou, respectivamente, a 5ª. e 179ª. posições.

China, e soja principais destino e produto das exportações

A exemplo do que acontece em relação ao Brasil como um todo, a China segue ocupando, com ampla margem, o posto de principal destino das exportações uberlandenses. Com um total de US$ 587 milhões (alta de 106,30% e em valores de US$ 302 milhões), a China absorveu 75% de todo o volume embarcado pelas empresas de Uberlândia para o exterior.

Além do gigante asiático, o Top 10 dos países de destino das exportações do município é integrado pelo Vietnã (US$ 40 milhões); Irã (US$ 16 milhões); Tailândia (US$ 13 milhões); Taiwan (US$ 12 milhões); Colômbia (US$ 11 milhões); Bangladesh (US$ 8 milhões); Emirados Árabes Unidos (US$ 7 milhões); Estados Unidos (US$ 6 milhões) e Países Baixos (US$ 5 milhões).

Nesse contexto é de se destacar o aumento de expressivos 176.773,20% nas exportações para os Países Baixos (Holanda), o que fez com que as exportações para o país, que é uma espécie de hub de entrada para a União Europeia, totalizassem US$ 5 milhões. Com a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, as exportações uberlandenses para o bloco europeu devem registrar crescimento expressivo nos próximos anos, avaliam especialistas do MDIC.

A soja é o carro-chefe das exportações uberlandenses e em seis meses as vendas da oleaginosa cresceram 88,2% para US$ 663 milhões, tendo a China como principal país de destino. Também se destacaram as exportações de carnes de aves (US$ 26 milhões); peles, couros, artigos de viagem, bolsas etc. (US$ 18 milhões); produtos das indústrias de alimentação (US$ 7 milhões); e charutos, cigarrilhas e cigarros (US$6 milhões).

Liderança chinesa também nas importações

Com números bem mais modestos que aqueles relativos às exportações, a China foi também o principal parceiro de Uberlândia nas importações.  A maior potência exportadora do planeta embarcou para o município mineiro produtos no total de US$ 28 milhões, equivalentes a uma participação de 28,0% no total importado pelas empresas uberlandenses no período.

A relação dos principais parceiros comerciais de Uberlândia no primeiro semestre do ano teve, além dos chineses, a participação dos Estados Unidos (US$ 19 milhões); Paraguai (US$ 9 milhões); Alemanha (US$ 3,5 milhões); Índia (US$ 3,1 milhões); Israel (US$ 3 milhões); Itália (US$ 2,9 milhões); Turquia (US$ 2,9 milhões); França (US$ 2,8 milhões); e Chile (US$ 2,5 milhões).

O arroz foi o principal produto importado por Uberlândia no semestre passado, com um total de US$ 9 milhões. A seguir, vieram misturas de substâncias odoríferas (US$ 8,3 milhões); pneumáticos novos (US$ 6,4 milhões); reagentes diagnósticos (US$ 5,5 milhões); aparelhos mecânicos (US$ 3,1 milhões); quadros, painéis, consoles e outros suportes (US$ 3 milhões); tabaco (US$ 2,8 milhões); plásticos (US$ 2,6 milhões); outras chapas, folhas, películas etc. (US$ 2,6 milhões); e malte, mesmo torrado (US$ 2,4 milhões).

 

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Tática guarani – país vizinho avança enquanto o Brasil perde competitividade

Márcio Coimbra (*)

O som do apito final e a explosão de alegria na cobrança do último pênalti contra a Alemanha coroaram uma das campanhas mais heroicas da história da Copa do Mundo. Mesmo depois de cair para a França, o Paraguai mostrou que determinação tática e pragmatismo estratégico conseguem derrubar gigantes. Curiosamente, a resiliência paraguaia em campo não foi construída de forma isolada: o time contou com o talento providencial de jogadores “importados”.

Fora das quatro linhas, no tablado do desenvolvimento industrial, o Paraguai repete a jogada ensaiada. O país opera um milagre econômico silencioso, atraindo um fluxo massivo de cérebros, capitais e fábricas brasileiras que cruzam a fronteira em busca de um ecossistema mais saudável, estável e livre para prosperar.

Essa transformação ganhou tração inédita com o governo de Santiago Peña. Sob uma firme postura de liberdade econômica, desregulamentação e desburocratização, o Paraguai posicionou-se como o porto seguro do capital privado na América do Sul. O segredo reside na simplicidade e estabilidade das regras. Enquanto o Brasil patina, o país vizinho oferece o modelo “Triplo 10”: 10% de Imposto de Renda Empresarial, 10% de Imposto de Renda Pessoal e 10% de IVA.

Além disso, a Lei de Maquila garante segurança fiscal por até vinte anos e permite que indústrias importem componentes com imposto suspenso, processem no país e reexportem pagando apenas 1% sobre o valor agregado. Simulações mostram que essa engenharia tributária permite obter um lucro até 150% maior no Paraguai em comparação ao complexo ambiente brasileiro.

Além disso, a aliança estratégica com Taiwan converteu fidelidade geopolítica em investimentos tecnológicos, trazendo parques de semicondutores e ônibus elétricos. Na energia, a gestão da cota excedente de Itaipu garante eletricidade até 60% mais barata ao setor manufatureiro.

No quesito mão de obra, a flexibilidade regulatória esmaga o engessamento da legislação brasileira. O custo de um funcionário formalizado é de 30% a 40% menor do que sob a CLT. A jornada padrão paraguaia é de 48 horas semanais, gerando 416 horas adicionais por ano — cerca de 52 dias úteis de vantagem competitiva anual por trabalhador.

Diante desse ecossistema, o Brasil assiste a um êxodo industrial sem precedentes. Desde 2007, 232 empresas brasileiras migraram para lá via maquila, representando 70% do parque multinacional instalado e transferindo mais de 25.000 empregos diretos. As dez maiores maquiladoras brasileiras geraram US$ 1,3 bilhão em exportações e aportes que superam US$ 182 milhões. No setor têxtil, 89 indústrias já operam além-fronteira, pois produzir no Brasil, onde a burocracia consome até 90% do custo, tornou-se inviável. Até multinacionais transferiram centros administrativos de São Paulo para Assunção.

O diagnóstico é claro e doloroso: enquanto o Paraguai abraça a liberdade econômica com inteligência rumo ao futuro, o Brasil insiste em fórmulas arcaicas, assistindo suas empresas marcarem gols na concorrência, mas vestindo o fardamento do nosso vizinho.

 (*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal. 

 

 

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Da coleta à decisão: como os dados estão redefinindo a experiência do cliente

* Aline Pupim (*)

Durante muito tempo, os dados foram tratados como um subproduto das operações, com um grande volume de informações subutilizadas, com registros gerados a partir de transações, armazenados em diferentes sistemas e ferramentas, e pouco explorados de forma estratégica.

Hoje os dados deixaram de ser apenas históricos para se tornarem uma das principais alavancas na construção de experiências relevantes e duradouras, e a base para estratégias que antecipam necessidades e potencializam resultados. Nesse contexto, além de entender o que aconteceu, as companhias passaram a buscar respostas para o que está acontecendo no presente, e principalmente, o que ainda irá acontecer.

Segundo estudo da McKinsey & Company, empresas que utilizam dados de forma avançada para a personalização podem gerar até 40% mais receita nessas iniciativas, além de melhorar significativamente a satisfação dos clientes. Esse movimento reflete uma mudança mais profunda: a transição de um modelo orientado à conversão e volume, para uma abordagem centrada na jornada do cliente, em que cada interação deixa de ser um evento isolado e passa a compor uma relação contínua, fortalecendo a reputação e acelerando o sucesso do negócio. E é justamente aqui que os dados ganham protagonismo.

No mercado brasileiro, essa evolução tem sido impulsionada pelo avanço tecnológico e pelo aumento da expectativa (ou nível de exigência) dos consumidores. Um estudo da Salesforce mostra que 73% dos consumidores esperam que as empresas compreendam suas necessidades e expectativas, mas apenas pouco mais da metade acredita que isso realmente acontece, evidenciando uma lacuna clara entre intenção e entrega, ou expectativa e realidade.

Empresas que antes operavam com dados fragmentados hoje buscam consolidar informações, conectar canais e construir uma visão mais completa do cliente, não apenas para analisar, mas para agir.

Essa transformação, no entanto, não acontece de forma espontânea, e se sustenta em três pilares fundamentais.

O primeiro deles é a integração de dados. Unificar informações de diferentes pontos de contato é um grande desafio, mas deixa de ser um diferencial e passa a ser uma condição básica para garantir consistência na experiência. Sem isso, o cliente continua sendo tratado de forma fragmentada, e percebe isso rapidamente.

Já o segundo pilar é a inteligência aplicada à personalização. Dados só geram valor quando são convertidos em decisões. É necessário sair da análise descritiva e avançar para uma atuação contextual, onde as comunicações, ofertas e jornadas se adaptam ao comportamento e ao momento de cada cliente. De acordo com estudo da Epsilon, 80% dos consumidores têm maior propensão a comprar de marcas que oferecem experiências personalizadas, reforçando que a personalização deixou de ser diferencial e passou a ser expectativa do consumidor.

E o terceiro pilar é a tecnologia como viabilizadora da experiência. Ferramentas de análise em tempo real, automação de jornadas e uso de inteligência artificial permitem escalar personalização sem perder eficiência, desde que aplicadas com critério.

Mas como toda mudança de comportamento é sempre desafiadora, as organizações encontram barreiras relevantes quando decidem atuar de maneira orientada por dados. Qualidade e governança de dados são pontos críticos. Afinal, não existe experiência consistente construída sobre bases inconsistentes. Um levantamento da Gartner indica que a má qualidade de dados custa, em média, US$ 12,9 milhões por ano, um impacto direto que vai além da operação e afeta decisões, eficiência e a própria experiência do cliente.

Ao mesmo tempo, cresce a responsabilidade das empresas em garantir privacidade, transparência e uso ético das informações dos seus clientes. Segundo a PwC, 85% dos consumidores afirmam que não farão negócios com empresas nas quais não confiam em relação ao uso de seus dados, reforçando que privacidade e transparência deixaram de ser exigências regulatórias e passaram a ser fatores de decisão do cliente.

Talvez o maior desafio do dia a dia esteja na capacidade de transformar dados em ação. Muitas organizações evoluíram na coleta e armazenamento de dados, mas ainda encontram dificuldade em utilizar essas informações na construção de interações que sejam coerentes, eficientes e mensuráveis, e principalmente rentáveis.

E, em um cenário cada vez mais orientado por inteligência artificial, quando se trata de experiência do cliente, existe uma linha muito tênue entre o bom e o ruim: o uso excessivo de automações que podem comprometer a humanização da experiência. Personalizar não é apenas automatizar, é, sobretudo, encontrar o melhor momento para intervir de forma relevante e transformar a experiência em valor real.

No fim, a diferença não está em ter mais dados, mas em fazer o melhor uso deles. Afinal, empresas que ainda tratam dados como registro estão, na prática, tomando decisões às cegas.

As empresas que conseguem transformar dados em valor real são aquelas que deixam de enxergar o cliente como um número ou um ponto de contato isolado, e passam a atuar com uma mentalidade organizacional centrada no cliente, buscando a construção de relações contínuas, baseadas em contexto, relevância e confiança.

O próximo passo dessa evolução já começa a se desenhar. A tendência é que a experiência do cliente se torne cada vez mais preditiva, integrada e, quem sabe até invisível, com os dados atuando nos bastidores para antecipar necessidades, reduzir fricções e tornar a jornada mais fluida. Nesse cenário, o desafio deixa de ser apenas coletar informações e passa a ser orquestrar experiências que façam sentido, no tempo certo e da forma certa.

Porque, no fim, não é sobre dados.

É sobre decisões que conectam e geram valor de longo prazo.

(*) Aline Pupim é Chief Experience & Engagement Officer (CXO) da Idea Maker, onde lidera a área de Experience & Engagement (EXE), integrando Customer Experience, CRM, UX, Inteligência Estratégica de Clientes e Marketing Institucional. Com trajetória construída entre os setores financeiro e de tecnologia, é especialista em Customer Experience, estratégia e inovação. Atua na construção de negócios centrados no cliente, conectando dados, tecnologia e relacionamento para transformar experiências em valor, fortalecer vínculos de longo prazo e impulsionar resultados sustentáveis.

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Ele embarcou US$ 80 mil. O dinheiro nunca chegou. E não havia nada a fazer

A história que todo exportador precisa ler antes de fechar o próximo negócio internacional


 

Felipe tinha levado três anos para chegar até aquele contrato.

Três anos prospectando importadores nos Emirados Árabes. Três anos aperfeiçoando o produto, obtendo certificações, ajustando a embalagem para o mercado árabe. Três anos de feiras, e-mails e videochamadas até encontrar o parceiro certo.

Quando o importador disse que queria 2.000 unidades, Felipe comemorou como nunca tinha comemorado nada no negócio. Fez as contas. Eram US$ 80 mil. A maior venda da história da empresa.

A negociação foi por e-mail. O importador era simpático, respondia rápido, parecia sólido. Pediram que o pagamento fosse feito após a chegada da mercadoria — “é como trabalhamos com todos os nossos fornecedores”, disseram.

Felipe aceitou.

Embarcou a mercadoria. Enviou os documentos. E esperou.

O pagamento não chegou na data combinada. Felipe mandou e-mail. O importador respondeu que havia um problema com o desembaraço local — em breve resolveriam. Mais uma semana. Mais um e-mail. Desta vez, sem resposta.

Quando Felipe procurou um advogado para entender o que poderia fazer, a resposta foi direta e devastadora:

“Sem contrato escrito, sem cláusula de lei aplicável, sem foro definido — não há o que acionar. Você teria que processar nos Emirados, com advogado local, sem garantia nenhuma de resultado.”

O dinheiro nunca chegou. O produto também não voltou.

 

Um e-mail não é um contrato. E essa diferença pode custar tudo.

A história de Felipe não é exceção. Ela se repete com frequência no comércio exterior brasileiro — especialmente entre micro e pequenas empresas que constroem relacionamentos de confiança com importadores e tratam a formalização jurídica como burocracia desnecessária.

O contrato internacional não é desconfiança. É profissionalismo. É o documento que define as regras do jogo antes que qualquer coisa dê errado — e que dá a ambas as partes a segurança de saber exatamente o que esperar uma da outra.

O que um contrato bem feito protege

A cláusula de pagamento define não apenas quando e como o importador paga, mas o que acontece se ele não pagar juros, multa, consequências. Sem ela, o exportador que não recebe não tem base jurídica para cobrar além do valor principal.

A cláusula de conformidade define os padrões de qualidade do produto e o prazo para o importador reclamar. Sem ela, o importador pode rejeitar a mercadoria semanas ou meses depois da chegada, alegando qualquer problema — e você não tem como provar que o produto estava conforme quando embarcou.

A cláusula de lei aplicável define qual legislação rege o contrato em caso de disputa. Sem ela, cada parte assume que a sua lei nacional prevalece e resolver isso antes de discutir o mérito da disputa pode levar anos.

A cláusula de arbitragem define como e onde as disputas serão resolvidas. Sentenças arbitrais são reconhecidas em mais de 170 países pela Convenção de Nova York. Uma sentença judicial brasileira contra um importador nos Emirados Árabes, sem cláusula de foro, vale praticamente nada na prática.

Negociar em mercados diferentes exige mais do que um bom produto

Um contrato assinado na China é o começo da negociação, não o fim. Importadores chineses renegociam termos após a assinatura com frequência e se o contrato não tiver cláusulas claras de penalidade e conformidade, o exportador não tem onde se apoiar.

No Oriente Médio, o negócio é feito entre pessoas antes de ser feito entre empresas. A relação pessoal tem peso enorme, mas a formalização jurídica é o que garante que essa relação não se torne uma armadilha quando os interesses divergem.

Nos Estados Unidos, contratos são longos, detalhados e revisados por advogados. Se você chegar numa negociação com americanos sem um contrato estruturado, a percepção sobre a sua empresa muda imediatamente.

Conhecer as nuances culturais de cada mercado não é apenas uma questão de etiqueta. É uma questão de resultado.

Felipe hoje exporta com contrato. Sempre.

Dois anos depois da experiência com os Emirados, Felipe fechou uma nova parceria com um importador na Alemanha. Desta vez, com contrato. Com cláusula de pagamento antecipado de 50%. Com prazo de reclamação de 15 dias. Com arbitragem ICC como foro de resolução de disputas.

A operação foi impecável. O importador alemão elogiou a profissionalidade da proposta contratual.

“O contrato não assustou ninguém”, Felipe me disse. “Pelo contrário. O importador ficou mais confiante porque viu que eu sabia o que estava fazendo.”

É isso que um contrato bem feito comunica: seriedade, preparo e respeito pelo negócio do outro lado.

 


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Amcham, CNI e US Chamber of Commerce conclamam governos do Brasil e dos EUA a buscarem acordo para evitar novas tarifas

Da Redação (*)

Brasília – A Amcham Brasil, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce enviaram hoje (9) uma carta aos governos do Brasil e dos Estados Unidos defendendo a construção de um acordo de curto prazo que contribua para uma solução negociada no âmbito da investigação da Seção 301 envolvendo o Brasil e evite a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.

Na carta, as entidades ressaltam que uma solução negociada representa o caminho mais eficaz para fortalecer a competitividade, ampliar oportunidades econômicas e gerar resultados duradouros para a relação bilateral, evitando efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países. Também defendem que esse entendimento seja o primeiro passo de uma agenda incremental, estruturada em duas etapas, que permita aprofundar a cooperação econômica entre Brasil e Estados Unidos.

Como prioridade imediata, a carta propõe que as negociações concentrem esforços nos seguintes temas:

  • Ampliar o acesso a mercados para determinados produtos, incluindo insumos industriais, bens de capital e produtos voltados à segurança energética, ao desenvolvimento de data centers e à infraestrutura de inteligência artificial;
  • Aprofundar a cooperação regulatória para facilitar o acesso a mercados em setores como automotivo, produtos para saúde e equipamentos médicos;
  • Apoiar uma extensão de longo prazo da moratória da OMC sobre a não incidência de direitos aduaneiros sobre transmissões eletrônicas;
  • Acelerar o exame de patentes e reduzir o estoque (backlog) de pedidos de patente no Brasil, especialmente nos setores de saúde e biofarmacêutico, bem como fortalecer o combate à pirataria e à contrafação;
  • Avançar em uma cooperação sobre minerais críticos, envolvendo mapeamento geológico conjunto, pesquisa e desenvolvimento, investimentos para processamento e agregação de valor, bem como o desenvolvimento de cadeias bilaterais de fornecimento seguras e resilientes; e
  • Implementar integralmente o Protocolo Anticorrupção do ATEC.

Defesa de uma agenda bilateral ampliada

Em uma segunda etapa, as entidades sugerem que a agenda bilateral seja ampliada para incluir outras áreas de interesse mútuo, como resiliência de cadeias produtivas, segurança energética, economia digital, comércio eletrônico, facilitação de comércio, inovação, descarbonização industrial, transportes, agricultura, produtos farmacêuticos, equipamentos médicos e outras prioridades capazes de aprofundar o comércio e os investimentos bilaterais.

A carta foi encaminhada, no Brasil, ao Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ao Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos Estados Unidos, foi dirigida ao United States Trade Representative (USTR), Jamieson Greer, e ao Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

“Às vésperas do prazo final da investigação, é essencial um esforço concentrado dos governos do Brasil e dos Estados Unidos para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e abra espaço para uma agenda mais ampla de fortalecimento da relação econômica bilateral”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Em conjunto, a Amcham Brasil, a CNI e a U.S. Chamber of Commerce representam milhares de empresas dos dois países e reafirmam seu compromisso com o fortalecimento da parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos por meio do diálogo, da negociação e da cooperação entre os setores público e privado.

(*) Com informações da Amcham Brasil

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A parceria econômica Brasil-China e seus novos desdobramentos

Fernanda Brandão (*)

Uma comitiva liderada pelo Ministério da Fazenda brasileiro esteve na China entre os dias 24 e 26 de junho com o objetivo de fortalecer a cooperação macroeconômica entre os dois países. O principal objetivo do Ministério com a visita foi entregar às autoridades chinesas a Carta de Apresentação do governo brasileiro, a fim de dar início ao processo de emissão de títulos da dívida pública brasileira em renminbi, a moeda chinesa, no mercado financeiro chinês. O governo busca aumentar a participação do país na economia internacional e diversificar as fontes de financiamento da dívida pública nacional.

A visita também teve como objetivo fortalecer iniciativas de financiamento climático, como o Programa Eco Invest Brasil, a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP) e o desenvolvimento do mercado regulado de carbono. Para tanto, foram realizadas reuniões com o NDB, o banco de desenvolvimento dos BRICS, e com o AIIB (Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura). O país busca atrair investimentos produtivos, fortalecer a descarbonização da economia brasileira e ampliar sua inserção em cadeias globais de valor.

A China é um importante parceiro econômico do Brasil. Desde 2009, o país é o principal parceiro comercial brasileiro. Entre os principais produtos exportados pelo Brasil para a China destacam-se soja, petróleo e minério de ferro, enquanto o Brasil importa, principalmente, bens manufaturados chineses. Em 2025, o Brasil foi o principal destino dos investimentos chineses no mundo, o que representou um aumento de 45% em comparação com o ano anterior. Contudo, os Estados Unidos ainda são a principal fonte de Investimento Externo Direto (IED) para o Brasil.

A China tem se consolidado como um importante parceiro econômico do Brasil em meio a um cenário de competição geopolítica com os Estados Unidos pela preponderância econômica global. A influência chinesa na América Latina tem crescido em detrimento da influência americana, principalmente pelo fortalecimento de parcerias econômicas com os países da região, incluindo acordos bilaterais de investimento e a posição da China como importante destino das exportações de produtos primários latino-americanos.

Esse movimento tem levado os Estados Unidos a adotar uma postura voltada ao restabelecimento da preeminência de sua influência na região. Em novembro de 2025, o governo Trump deixou claro, em sua Estratégia de Segurança Nacional, que a América Latina é vista como estratégica e fundamental para a segurança nacional dos Estados Unidos.

O esforço americano de reafirmar sua influência na região tem sido marcado pela imposição de tarifas comerciais elevadas aos países latino-americanos, sob o argumento de práticas comerciais desleais que prejudicariam as exportações americanas. Países como Guiana, Guiana Equatorial, Nicarágua e Venezuela receberam tarifas recíprocas superiores aos 10% impostos aos demais países, anunciadas em abril de 2025.

Apesar de inicialmente ter recebido apenas a tarifa geral de 10%, o Brasil passou a enfrentar tarifas adicionais de 40%, sob justificativas diversas envolvendo a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, a regulação das mídias sociais e a alegada ameaça que o Pix representa aos serviços financeiros americanos.

Apesar da elaboração de uma extensa lista de exclusões de produtos brasileiros afetados pelas tarifas e da posterior suspensão, pela Suprema Corte dos Estados Unidos, das tarifas recíprocas, em junho deste ano foram anunciadas tarifas de 25%, após investigação comercial conduzida com base na Seção 301, que deverão entrar em vigor em 15 de julho próximo.

Os Estados Unidos têm aplicado tarifas comerciais elevadas a diversos parceiros com o objetivo de forçá-los a negociar acordos que privilegiem os interesses americanos e reduzam o nível tarifário, embora essas medidas não eliminem as barreiras comerciais impostas ao comércio internacional. Para países que têm os Estados Unidos como um de seus principais parceiros comerciais, essas tarifas podem gerar impactos econômicos significativos.

Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, mas, desde 2025, as exportações brasileiras para o país vêm diminuindo. Em contrapartida, as exportações para a China continuam crescendo e, em 2026, já registraram aumento de 21% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O fortalecimento da parceria entre China e Brasil não ocorre apenas no comércio e nos investimentos, mas também na crescente presença da moeda chinesa nos ativos de reserva do país e nas transações financeiras. Desde 2023, o renminbi tornou-se a segunda principal moeda presente nas reservas internacionais do Banco Central, superando o euro, embora ainda esteja bastante aquém do dólar.

Entre 2024 e 2025, o volume de importações brasileiras provenientes da China pagas em moeda chinesa aumentou de US$ 1,80 bilhão para US$ 3,81 bilhões, embora isso ainda represente apenas 1,36% das importações brasileiras.

Além disso, o país já conta com instituições financeiras habilitadas a realizar transações em renminbi, como o BOCOM BBM e a filial brasileira do Banco Comercial da China. O BOCOM BBM foi a primeira instituição ligada diretamente ao CIPS, sistema de pagamentos chinês alternativo ao SWIFT, e a primeira a concluir uma operação de crédito em renminbi com uma empresa brasileira.

Neste ano, a XTransfer, plataforma chinesa de pagamentos entre empresas voltada ao comércio exterior, instalou-se no Brasil com o objetivo de facilitar a participação de pequenas e médias empresas no comércio internacional, contribuindo também para ampliar o uso da moeda chinesa nessas transações.

No contexto em que os Estados Unidos se apresentam como um parceiro econômico menos confiável, a diversificação de parceiros torna-se fundamental para fortalecer a resiliência e garantir a continuidade do crescimento econômico nacional. A China tem se consolidado como um importante parceiro em termos de comércio e investimentos, demonstrando disposição para expandir a cooperação econômica com o Brasil, considerado estratégico na região.

As iniciativas promovidas durante a viagem da comitiva do Ministério da Fazenda visam fortalecer as relações entre os dois países. Contudo, uma aproximação cada vez maior com a China certamente continuará a gerar incômodo nos Estados Unidos, que tendem a buscar mecanismos para reafirmar sua preponderância em sua área de influência.

(*) Fernanda Brandão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana  Mackenzie Rio

 

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Um apelo ao STF

Ives Gandra (*)

Sou advogado há 68 anos e professor universitário há 62. Considerando tantas décadas de atuação, é evidente que convivi e convivo com ministros da Suprema Corte desde a minha primeira sustentação oral, em 1962, quando, inclusive, fui recebido na residência do então ministro Hahnemann Guimarães.

De lá para cá, sempre mantive contato com todos eles — uma proximidade prazerosa que não ocorre atualmente porque, infelizmente, já não consigo mais viajar. Escrevi obras em coautoria com vários ministros e partilho cadeiras em diversas academias literárias e jurídicas com vários deles. Somente com o ministro Moreira Alves, foram 32 livros que publicamos juntos.

Gostaria, entretanto, de tratar de algo que os recentes editoriais e matérias jornalísticas têm criticado duramente, ou seja, o debate público entre os ministros da Suprema Corte. Trata-se tanto de divergências sobre o Código de Ética, que uns Ministros querem e outros não, quanto de ataques públicos entre colegas, prática expressamente proibida pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

No momento em que tais divergências são levadas a público, fica demonstrado que esses embates estão afetando a política, a estabilidade institucional e a segurança jurídica. Um exemplo disso é o que a mídia e os jornais comentaram sobre a recente entrevista do ministro Gilmar Mendes no programa Roda Viva da TV Cultura, que acabou gerando inúmeras especulações, a ponto de o povo brasileiro estar tomando partido nesta ou naquela linha de pensamento.

Sou inteiramente favorável que a Suprema Corte recupere o prestígio e a respeitabilidade que possuía no passado e, por isso, faço o apelo, como um velho advogado, para que os senhores ministros do STF voltem a ter uma conduta semelhante àquela que conferiu à Instituição a grande respeitabilidade que possuía. As divergências devem ser internas e não é adequado que sejam levadas a público.

Ora, cultura e valores todos os ministros têm. Posso divergir — e tenho divergido — de várias decisões, mas os debates que estão ocorrendo deveriam se restringir estritamente ao plano jurídico, para não serem explorados pelos jornais como se representassem posições políticas de A, B ou C.

A proposta do ministro Edson Fachin de que se institua um código de ética é, a meu ver, de grande utilidade para todos os integrantes da Suprema Corte. Os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia também defendem a necessidade dessa normatização. Creio que um código de ética seria de grande utilidade para todos os ministros, atuais e futuros, pois auxiliaria efetivamente os magistrados a se conduzirem perante a opinião pública.

Divergências conceituais e jurídicas devem continuar sendo apresentadas publicamente nas sessões de julgamento, mas os conflitos de comportamento e as discordâncias sobre a forma de agir deveriam, evidentemente, ser tratados de maneira reservada. Mesmo que haja críticas mútuas a fazer, que estas ocorram nas sessões internas e administrativas, permitindo que o perfil do Supremo Tribunal Federal volte a emergir como o da instituição que, no passado, era a mais respeitada do Brasil.

A democracia não existe em função de palavras. Dizer “eu sou democrático”, “eu defendo a democracia” ou “sou contra a crítica àqueles que não querem a democracia” resume-se apenas a palavras. A democracia faz-se com ações, com exemplos. Dizia São Josemaria Escrivá que “frei exemplo é o melhor pregador”.

A melhor defesa da democracia é a estabilidade das instituições e a respeitabilidade que elas possuem perante o povo.

Não estou, evidentemente, pretendendo dar conselhos ou dizer aos ministros o que fazer, mas peço que reflitam, para que o Supremo volte a ser o que era no passado. Afinal, hoje, o povo brasileiro em geral e toda a imprensa apresentam críticas e posições favoráveis ou contrárias, tratando o Supremo Tribunal Federal como se fosse um poder político, e não o guardião da Constituição Federal, que garante a segurança jurídica por ser um poder imparcial e acima de qualquer suspeita.

É exatamente por sempre ter defendido o Supremo Tribunal Federal, desde os meus bancos acadêmicos, que faço esse apelo. Os professores que tive e que pertenceram à Suprema Corte sempre me ensinaram a lutar por ela, pois a garantia dos direitos no país depende de seu tribunal máximo. Se a Suprema Corte perde a respeitabilidade perante o povo, automaticamente a democracia corre risco.

Evidentemente, respeito os meus amigos da Suprema Corte tanto que em meus artigos e nas redes sociais, nunca falo mal de nenhum dos ministros. Posso criticar suas posições, mas nunca critico as pessoas ou a cultura de cada um deles. A Excelsa Corte, contudo, precisa voltar a ser o que era no passado. Só assim teremos, realmente, a defesa do Estado Democrático de Direito e a salvaguarda da democracia.

É, pois, com esse propósito que venho, mais uma vez — respaldado pelos meus 91 anos de idade, 68 de advocacia e 62 de magistério universitário, com livros publicados em 21 países, além do privilégio de pertencer a 42 academias e somar 45 títulos acadêmicos —, demonstrar, sem nenhuma vaidade pessoal, que a minha vida sempre foi inteiramente dedicada ao Direito, razão pela qual dirijo este apelo ao STF em prol de um resgate institucional.

Esse resgate institucional, contudo, não depende de reformas estruturais ou de medidas judiciais complexas, mas sim de um esforço estritamente moral e de conduta. O apelo que aqui se faz é um pedido prático para que se iniciem os debates institucionais, inclusive com a urgente adoção de um código de ética — como bem sugerido pelo ministro Edson Fachin —, de modo que as naturais e salutares divergências jurídicas — bem como os eventuais conflitos pessoais — permaneçam restritas ao ambiente reservado das sessões internas, preservando a imagem da Corte perante a opinião pública.

Dirijo, portanto, este clamor àqueles que são os guardiões máximos da justiça no Brasil para que conduzam o Supremo Tribunal Federal, o Pretório Excelso do nosso País, de volta ao patamar de respeito e admiração que possuía na época do ministro Moreira Alves.

(*) Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

 

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O futuro do Comex será construído por tecnologia. Mas será liderado por pessoas.

Helenice Sá Silva Lima (*)

Durante muito tempo, o acesso à informação foi um dos principais diferenciais competitivos dos profissionais. Quem tinha mais conhecimento técnico ou acesso às melhores fontes conseguia tomar decisões melhores e ocupar posições estratégicas dentro das organizações.

A internet mudou essa lógica ao democratizar a distribuição da informação. Agora, a Inteligência Artificial acelera uma nova transformação ao democratizar também a produção de conteúdo. Nunca foi tão fácil produzir textos, análises, apresentações ou responder perguntas técnicas.

Nesse novo cenário, conhecimento continuará sendo indispensável, mas deixará de ser suficiente.

Na minha visão, os profissionais que mais gerarão valor nos próximos anos serão aqueles capazes de interpretar cenários, conectar pessoas, construir soluções coletivamente e liderar processos de transformação. Essa mudança é especialmente relevante para o Comércio Exterior, que vive uma das maiores transições de sua história.

A implantação do Portal Único, da DUIMP, da DUE, a digitalização dos processos e o avanço da Inteligência Artificial estão redesenhando a forma como as empresas operam. Não estamos diante apenas de uma mudança tecnológica. Estamos diante de uma mudança de papel dos profissionais que atuam na área.

O especialista em Comércio Exterior deixa de ser apenas um executor de processos para assumir uma posição mais estratégica dentro das empresas.

Foi justamente dessa reflexão que nasceu a Comex Pulse Comm.

Há aproximadamente um ano e meio, a eComex decidiu transformar uma característica que sempre fez parte da sua história em um projeto permanente para o mercado: criar um ambiente de colaboração, relacionamento e desenvolvimento profissional para quem acredita que o futuro do Comércio Exterior será construído de forma coletiva.

Hoje, a comunidade reúne mais de 800 profissionais ativos de Comércio Exterior e áreas correlatas.

Seu objetivo nunca foi apenas compartilhar conteúdo.

A Comex Pulse Comm nasceu para conectar pessoas que desejam elevar suas ideias a um patamar estratégico e assumir um papel protagonista na construção e no fortalecimento do Comércio Exterior brasileiro.

Essa iniciativa reflete uma cultura presente na própria trajetória da eComex. Ao longo de mais de quatro décadas, a empresa evoluiu ouvindo clientes, parceiros, especialistas e profissionais do mercado. Muitas soluções surgiram da troca constante de experiências e da construção conjunta de respostas para desafios reais das operações.

A comunidade representa a continuidade dessa forma de pensar.

Seu propósito é proporcionar um ecossistema colaborativo capaz de promover o crescimento e o sucesso de pessoas e empresas no cenário global do Comércio Exterior.

Sua causa também está diretamente ligada ao momento que vivemos. Reunimos profissionais que buscam compreender essa transformação, encontrar seu espaço nesse novo contexto e desenvolver as competências necessárias para assumir posições de protagonismo em suas organizações.

Isso significa desenvolver muito mais do que conhecimento técnico.

Dominar legislação, processos, acordos internacionais ou tecnologia continuará sendo importante. Mas liderança, comunicação, relacionamento, colaboração, influência e capacidade de mobilizar pessoas passam a ter um peso igualmente relevante.

É justamente o equilíbrio entre essas competências técnicas e humanas que tende a formar os novos líderes do Comércio Exterior.

Para apoiar esse desenvolvimento, a Comex Pulse Comm estruturou diferentes iniciativas ao longo de sua trajetória.

O Beyond Borders promove encontros de mentoria online dedicados às discussões sobre gestão, liderança e desafios do Comércio Exterior. O “Experience Beyond Comex” aproxima profissionais em encontros presenciais que fortalecem relacionamento, networking e confiança entre os participantes por meio de experiências inusitadas. Já o “Ideias que Importam” reúne executivos para discutir problemas concretos do setor e construir soluções de forma colaborativa.

Cada programa possui um formato diferente, mas todos compartilham a mesma essência: criar um ambiente onde pessoas aprendem juntas, compartilham experiências e ampliam sua capacidade de gerar impacto dentro das empresas.

Tenho convicção de que a tecnologia continuará acelerando a transformação do Comércio Exterior. Porém, quanto mais digital se torna o nosso mercado, maior será a importância dos espaços onde as pessoas possam trocar experiências reais, desenvolver repertório, construir relacionamentos e aprender umas com as outras.

Nenhuma Inteligência Artificial substitui a confiança construída entre profissionais, a experiência acumulada ao longo dos anos ou a capacidade de liderar pessoas diante de cenários complexos.

Talvez esse seja o verdadeiro diferencial competitivo da próxima década.

Se você acredita que o futuro do Comércio Exterior será construído por profissionais preparados para colaborar, aprender continuamente e liderar essa transformação, convido você a fazer parte da Comex Pulse Comm.

Hoje já somos mais de 800 profissionais conectados por um mesmo propósito. Será um prazer receber você nessa construção.

Participe da Comex Pulse Comm.

Clique aqui e inscreva-se gratuitamente.

(*) Helenice Sá Silva Lima – Chief Marketing Officer da eComex e idealizadora da Comex Pulse Comm.

 

 

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Manutenção da certificação OEA impulsiona adoção de tecnologia para compliance aduaneiro

Empresas recorrem à auditoria contínua para reduzir riscos, evitar multas e preservar benefícios estratégicos no comércio exterior

Da Redação (*)

Brasília – Conquistar a certificação de Operador Econômico Autorizado (OEA) é um passo estratégico para empresas que atuam no comércio exterior, mas manter esse status tem se tornado um desafio crescente. Com o aumento do volume documental, operações mais complexas e exigências permanentes de conformidade, companhias têm buscado tecnologias capazes de acompanhar suas rotinas aduaneiras em tempo real e reduzir a exposição a riscos regulatórios.

Criado pela Receita Federal, o programa OEA reconhece empresas com alto grau de confiabilidade em seus processos e oferece benefícios como maior agilidade no desembaraço aduaneiro, redução de inspeções físicas e mais previsibilidade logística. Na prática, a certificação permite que cargas tenham prioridade na liberação alfandegária, reduzindo custos e atrasos operacionais. Em contrapartida, exige que as empresas mantenham controles internos rigorosos, documentação consistente e capacidade de demonstrar conformidade contínua.

“Uma empresa certificada pelo OEA precisa comprovar constantemente que mantém processos confiáveis, rastreáveis e em conformidade com a legislação. O desafio é que, à medida que a operação cresce, aumenta também o volume de documentos, fornecedores e processos que precisam ser monitorados”, afirma André Barros, CEO da eComex.

Além da complexidade operacional, o cenário regulatório exige atenção constante. O processo de reavaliação das empresas certificadas tem se tornado mais frequente, ampliando a necessidade de auditoria contínua. Segundo Barros, muitas empresas ainda realizam esse controle por amostragem, o que pode deixar falhas importantes sem identificação. “Pequenas inconsistências entre documentos podem gerar autuações relevantes. Muitas vezes não se trata de fraude, mas de erro operacional. Ainda assim, o impacto para a empresa pode ser significativo, com multas e até a perda da certificação”, diz.

Acompanhamento contínuo

Para responder a esse cenário, a eComex desenvolveu o Veritas, solução baseada em inteligência artificial voltada à auditoria documental em operações de importação e exportação. A ferramenta realiza três níveis de validação: verifica a consistência entre documentos, a aderência à legislação vigente e o cumprimento de regras internas definidas pela própria empresa. O processo é feito em tempo real e cobre 100% da operação.

“O principal diferencial está em substituir a lógica de auditoria por amostragem por um acompanhamento contínuo. O Veritas permite identificar falhas antes que elas se transformem em risco regulatório ou impacto financeiro, fortalecendo o compliance aduaneiro de forma prática e escalável”, afirma Barros.

Embora o tema seja especialmente relevante para empresas certificadas no programa OEA, a necessidade de controle documental rigoroso se estende a todo o setor. Para companhias que buscam crescer com mais segurança e previsibilidade em suas operações internacionais, o uso de tecnologia para validar documentos e acompanhar a conformidade tem se consolidado como parte da estratégia de negócio.

 

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Comércio entre Brasil e EUA atinge o patamar mais baixo da história, mostra o Monitor de Comércio da Amcham

Da Redação (*)

Brasília – O comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 36,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, uma queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano no período recuaram 13,0%, para US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações caíram 12,5%, totalizando US$ 19,0 bilhões, segundo a edição de janeiro a junho do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil.

O desempenho levou a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras para 9,4%, o menor percentual da série histórica para um primeiro semestre desde 1997. Na corrente de comércio brasileira, a participação americana também atingiu o menor nível da série, com 11,1%. Apesar da retração, os Estados Unidos permanecem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil em bens e maior destino das exportações industriais.

O desempenho contrasta com o crescimento das exportações brasileiras para o mundo (+11,5%) e para parceiros relevantes, como China (+21,9%) e União Europeia (+12,8%) no primeiro semestre de 2026.

“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301. Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

A análise da Amcham mostra que os bens submetidos às sobretaxas responderam pela maior parte da retração das exportações brasileiras no semestre. Enquanto as vendas de produtos sobretaxados caíram 16,6%, as exportações de bens sem sobretaxa recuaram 8,7%.

Entre os produtos sujeitos às tarifas adicionais, os itens enquadrados na tarifa de 10% registraram queda de 25,9%, enquanto os produtos abrangidos pela Seção 232 recuaram 6,7%. Os maiores impactos ocorreram em produtos como semiacabados de ferro e aço (-21,7%), caminhões (-46,7%), madeira (-40,5%) e cobre (-37,4%).

Desde a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em fevereiro, que revogou as tarifas adicionais aplicadas com base no IEEPA, o universo de produtos brasileiros isentos de sobretaxas aumentou de 382 para 1.488 itens. Ainda assim, permanecem em vigor tarifas adicionais de 10% (Seção 122) e de até 50% para produtos enquadrados na Seção 232, mantendo elevada a pressão sobre parte relevante da pauta exportadora brasileira.

Queda das exportações é interrompida em junho

Apesar do resultado negativo do semestre, junho apresentou um sinal de melhora. As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 3,7% em valor na comparação com junho de 2025, interrompendo uma sequência de dez meses consecutivos de queda. O avanço foi sustentado principalmente pelos produtos sem sobretaxa, que cresceram 35,8%, impulsionados por aeronaves (+299,4%) e óleos combustíveis de petróleo (+89,3%). Já os bens sobretaxados continuaram em retração, com queda de 17,0% no mês.

Exportações industriais caem US$ 1,4 bi

O impacto foi particularmente intenso sobre os produtos industriais. Na comparação entre os primeiros semestres de 2026 e 2025, as exportações do setor para os Estados Unidos caíram de US$ 16,0 bilhões para US$ 14,6 bilhões, US$ 1,4 bilhão a menos.

Mesmo com a retração, a indústria de transformação permaneceu como o principal componente das exportações brasileiras para os Estados Unidos, respondendo por 83,9% das vendas ao mercado americano. Alguns dos principais produtos exportados no semestre no setor com alta nas vendas estão aeronaves (+32,9%), equipamentos de engenharia civil (+23,8%) e máquinas de energia elétrica (+16,0%).

Em contrapartida, produtos como petróleo bruto (-30,4%), café não torrado (-34,8%), produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%) e celulose (-9,4%) registraram quedas expressivas.

Audiência da Seção 301

A divulgação do Monitor ocorre em meio às discussões sobre possíveis desdobramentos da investigação conduzida pelos Estados Unidos no âmbito da investigação Seção 301. Na audiência pública realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), na última segunda-feira (6), a Amcham defendeu (link para nota) que o diálogo e a negociação bilateral representam o caminho mais eficaz para tratar das preocupações levantadas pelo governo americano e destacou as consequências negativas das tarifas para a economia dos Estados Unidos.

Confira a integra do Monitor de Comércio – edição do 1º semestre de 2026

(*) Com informações da Amcham Brasil

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