Os números impressionantes que fazem da China, com ampla margem de folga, o maior parceiro comercial do Brasil

Semestre foi marcado por recordes no comércio de petróleo, minério de ferro, carne bovina e carros eletrificados. Em diversos casos, as exportações de um único produto para a China superaram as vendas totais do Brasil para importantes parceiros comerciais

Da Redação (*)

Brasília – Desde o início da série histórica do comércio exterior brasileiro, em 1997, o intercâmbio entre o Brasil e um de seus parceiros comerciais jamais apresentou números tão expressivos quanto aqueles ligados às trocas comerciais com a China. De janeiro a junho deste ano, as exportações brasileiras para o gigante asiático cresceram 22% e somaram US$ 58,3 bilhões, enquanto as importações aumentaram 8% para US$ 38,5 bilhões.

No período, as trocas comerciais com os chineses geraram para o Brasil um superávit de US$ 19,8 bilhões, correspondentes a 47% do saldo positivo de todas as vendas externas do país nos seis primeiros meses do ano.

Segundo dados do Comex Vis, a plataforma de estatísticas do comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações para a China seguem trajetória sem paralelo entre os outros grandes parceiros comerciais do Brasil.  De janeiro a junho, as exportações para os Estados Unidos tiveram uma retração e 16%; para a União Europeia, a queda foi de 4,5% e, em relação à Argentina, os embarques brasileiros despencaram 17%.

CCBC aponta os destaques no comércio com a China

•  As exportações do Brasil para a China no primeiro semestre atingiram recorde de US$ 58,3 bilhões para o período, assim como as importações, que chegaram à máxima histórica de US$ 38,5 bilhões.

•  A China foi o principal destino das exportações brasileiras, com participação de 31,6%, quase o triplo do valor exportado para os Estados Unidos, que ficaram em segundo lugar. O país asiático também liderou as importações do Brasil com fatia de 27%, praticamente o dobro da participação americana.

•  O Brasil teve saldo positivo de US$ 19,8 bilhões com a China no primeiro semestre. O superávit com o país asiático respondeu por 47% do saldo positivo de todas as transações do Brasil com o mundo, que chegou a US$ 42,4 bilhões.

•  As exportações de petróleo do Brasil para a China no primeiro semestre chegaram ao recorde de US$ 15,1 bilhões, o equivalente a mais que o dobro das exportações gerais do Brasil para a Argentina (US$ 7,3 bilhões). As tensões no Oriente Médio, de onde tradicionalmente vem a maior parte do petróleo importado pela China, favoreceram a posição do Brasil como uma alternativa estável e confiável no fornecimento do produto. Nesse contexto, março, abril e junho de 2026 registraram os maiores faturamentos mensais das exportações de petróleo do Brasil para a China na série histórica iniciada em 1997.

•  As exportações de soja para a China aumentaram 7% no semestre, atingindo US$ 20,2 bilhões – valor que supera as vendas gerais do Brasil para os EUA (US$ 17,4 bilhões).

•  As exportações brasileiras de carne bovina para a China atingiram US$ 4,8 bilhões no primeiro semestre, um recorde para o período, superando as vendas gerais do Brasil para a Espanha (US$ 4,6 bilhões). A salvaguarda às importações de carne bovina imposta por Pequim no início do ano fez disparar os embarques dos produtores brasileiros para o país até o atingimento da cota, que foi praticamente preenchida em junho.

•  As exportações de minério de ferro para a China alcançaram US$ 9,2 bilhões, alta de 9,4% em relação ao primeiro semestre de 2025. A cifra é mais do que o triplo do valor das exportações gerais do Brasil para o Japão no mesmo período (US$ 2,9 bilhões).

•  As importações de veículos eletrificados chineses, incluindo elétricos, híbridos e híbridos plug-in, somaram US$ 5,35 bilhões no primeiro semestre – mais que o dobro das importações gerais do Brasil vindas da França (US$ 2,6 bilhões). As compras foram impulsionadas pela antecipação de embarques antes da elevação da tarifa de importação para 35%, em vigor desde o início de julho. As compras de carros eletrificados avançaram de forma ininterrupta mês a mês desde março.

(*) Com informações do CCBC

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Tarifas adicionais de 25% devem ser impostas pelos EUA contra o Brasil nesta quarta-feira, projetam especialistas

Da Redação (*)

Brasília – Sem previsão de acordo à vista, vence nesta quarta-feira (15) o prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para definir sobre a aplicação, ou não, da tarifa adicional de 25% sobre a importação de parte dos produtos brasileiros.

Contribuem para dificultar o acordo tanto a negativa do Brasil de negociar mudanças no Pix quanto a oposição dos Estados Unidos (EUA) em aceitar a redução da sobretaxa que o país impõe ao açúcar brasileiro em troca de mudanças na tarifa do etanol que entra no Brasil.

Para especialistas consultados pela Agência Brasil, o tarifaço tem motivação política, e não estritamente econômica. Nesse contexto, serviria como mecanismo de pressão para enquadrar o Brasil na nova doutrina do governo Donald Trump para América Latina.

Apelidada de corolário Trump à Doutrina Monroe, a nova política de segurança dos EUA busca reafirmar a proeminência de Washington no continente frente à ascensão econômica da China.

O professor de direito internacional Paulo Borba Casella, da Universidade de São Paulo (USP), afirmou à Agência Brasil que os EUA “não disfarçam” que a medida tem motivação política, dificultando o fechamento de um acordo.

Casella relembrou que Trump chamou o Brasil de país “desagradável” e que o tarifaço proposto é uma forma de “interferir na política interna”.

“Qualquer negociação e possível acordo dependem de interesse e boa vontade recíprocas. Na medida em que isso não seja encontrado por parte deles, ficaria difícil de alcançar algum entendimento”, concluiu.

Usando a Seção 301 da legislação estadunidense, o USTR alega “prática desleal” do Brasil em relação ao Pix, etanol, desmatamento ilegal, entre outros pontos.

Realinhamento da América Latina

O professor de relações internacionais do Ibmec-SP Alexandre Pires destacou que o governo Trump tem “endurecido” a postura com países que não estão alinhados às políticas de Washington, o que incluiria o Brasil.

“A Casa Branca busca realinhar o Hemisfério Ocidental aos EUA e afastá-lo da influência econômica e tecnológica chinesa. O Brasil nos últimos 20 anos fortaleceu seus laços com a China, diante de um fechamento cada vez maior dos parceiros tradicionais, Europa e América do Norte”, disse.

Para Alexandre Pires, apesar de o Brasil também praticar o protecionismo comercial em algumas áreas, o contexto internacional está mais politizado e tenso, colocando as práticas brasileiras “sob escrutínio”.

“O desejo dos EUA é a eliminação das barreiras comerciais brasileiras em relação às empresas americanas, mas não é algo factível no curtíssimo prazo”, completou o professor.

Em resposta às acusações dos EUA de prática comercial “desleal” por parte do Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rebateu cada uma das alegações do USTR.

“Isso [o tarifaço] oneraria uma relação bilateral de comércio e investimento que é claramente importante para ambos os lados, ao mesmo tempo que reduziria o espaço para o diálogo mais capaz de produzir resultados práticos”, afirmou Vieira.

Etanol e açúcar

Uma das exigências dos EUA é que o Brasil elimine tarifas de importação para o etanol produzido no país norte-americano, o que poderia prejudicar os produtores brasileiros.

O governo vem pedindo para manter o etanol fora das negociações, apesar de sugerir que os EUA retirem, em troca, as tarifas sobre o açúcar produzido no Brasil.

“O governo vem defendendo que o etanol não seja tratado nessa discussão. É uma pena que outras pessoas pensem diferente para que o etanol americano possa entrar no mercado brasileiro com facilidade”, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Rosa destacou que o setor é estratégico, principalmente para o Nordeste, e lembrou que o açúcar brasileiro enfrenta fortes barreiras para entrar no mercado americano.

“Nosso açúcar tem sobretaxa nos Estados Unidos de quase 100%. Não dá para dissociar as duas cadeias”, disse a jornalistas dias atrás. A posição do governo é defendida pelas associações de produtores de cana brasileiros.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a União Nacional do Etanol de Milho e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) argumentam que a queda das importações de etanol americano não decorre apenas de tarifas, mas principalmente da expansão da produção nacional.

Para o professor da USP Paulo Borba Casella, o debate em torno do etanol nas negociações com os EUA reforça a tese de que o objetivo é criar problemas políticos para o Brasil.

“Tem razão de não negociar a questão do etanol, a menos que tirassem a sobretaxa do açúcar brasileiro. Afinal de contas, é uma situação equivalente, tendo como base o mesmo produto”, comentou o professor, que também é presidente do Instituto de Direito Internacional e Relações Internacionais de São Paulo (IDIRI).

(*) Com informações da Agência Brasil

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Brasil movimentou US$ 11,4 bilhões com exportações da cadeia de nove minerais críticos em 2025, indica estudo

Novo estudo da ApexBrasil indica que a União Europeia foi o destino de mais de um terço do volume financeiro gerado pelo setor

Da Redação (*)

Brasília – A versão em português do estudo técnico da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), divulgado nesta terça-feira (14), analisou um conjunto de nove minerais que são estratégicos tanto para o Brasil quanto para a União Europeia, com o objetivo de indicar áreas de possível complementaridade. Cobre, nióbio, silício, níquel, lítio, grafite, terras raras, fosfato e potássio foram o foco da análise.

Desse conjunto de minerais, incluindo suas cadeias produtivas, foram US$ 11,4 bilhões em exportações do Brasil, das quais US$ 4,3 bilhões foram destinadas ao mercado europeu. Isso significa dizer que a União Europeia absorveu 37,6% das exportações brasileiras desses nove minerais críticos, em 2025.

O documento mapeia, ainda, os fluxos de comércio ao longo das respectivas cadeias, instrumentos de incentivo governamental e projetos relacionados a minerais críticos em prontidão para receber investimentos estrangeiros.

Em razão das vastas reservas em diversos desses minerais, o Brasil figura como fornecedor estratégico para atender à expansão global da demanda gerada pelos processos de transição energética, digitalização e segurança das cadeias globais de valor.

Nesse contexto, e tendo em vista a busca da União Europeia por diversificação de fornecedores, o estudo indica haver espaço para parcerias mutuamente benéficas. Marcos regulatórios e programas de financiamento específicos da União Europeia, como o Critical Raw Materials Act (CRMA), a iniciativa Global Gateway e a European Raw Materials Alliance (ERMA) podem servir de base para esse fim. Além disso, a recente conclusão do Acordo Mercosul-União Europeia e a matriz energética brasileira — predominantemente renovável — atuam como fatores que reforçam a posição do Brasil como receptor de  investimentos de longo prazo em cadeias de minerais críticos.

Agregação de Valor e Investimentos

O relatório técnico aponta que as perspectivas de cooperação econômica não se restringem à atividade extrativa primária. Existe potencial mapeado para a ampliação das etapas de processamento, refino, transformação industrial e fabricação de produtos de maior valor agregado em território brasileiro.

Para dar suporte ao desenvolvimento de projetos nestas fases da cadeia, o mercado nacional dispõe de mecanismos de financiamento institucional que incluem linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), debêntures incentivadas e programas vinculados à Nova Indústria Brasil (NIB) e ao Novo PAC.

O portfólio de oportunidades estruturado pela ApexBrasil, em parceria com o IBRAM, para investidores internacionais abrange projetos em diferentes estágios de maturação, desde a pesquisa e exploração mineral inicial até o beneficiamento químico e industrial. Os segmentos de terras raras, grafita, cobre, níquel, cobalto e potássio são listados como os principais eixos para a captação de recursos e transferência de tecnologia nos próximos anos.

(*) Com informações da ApexBrasil

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ApexBrasil identifica mais de 300 oportunidades de exportações para o Ceará com o Acordo Mercosul-União Europeia

Painel interativo e gratuito da ApexBrasil, apresentado durante o Conexões Produtivas em Fortaleza, aponta oportunidades para produtos cearenses como calçados, castanha de caju, frutas, siderurgia e máquinas ampliarem exportações para um mercado de cerca de 720 milhões de consumidores

Da Redação (*)

Brasília – O Acordo Mercosul-União Europeia deve inaugurar uma nova fase para as exportações do Ceará. O painel interativo e gratuito desenvolvido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), apresentado durante a quarta edição do “Conexões Produtivas – Oportunidades para o Desenvolvimento da Indústria Brasileira”, realizada nesta segunda-feira (13), em Fortaleza, apontou 303 oportunidades de exportação para produtos cearenses em setores como calçados, castanha de caju, frutas, siderurgia, máquinas e equipamentos, entre outros.

Esta edição, realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), reuniu representantes do governo federal, setor industrial e instituições de apoio ao comércio exterior para debater perspectivas geradas com o Acordo e estratégias para ampliar a competitividade da indústria brasileira.

“O Ceará é porta de entrada para grandes investimentos e grandes projetos”, ressaltou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. “Hoje visitei o Complexo Industrial e Portuário do Pecém e vi a dimensão que ele está ganhando, com investimentos em diversos setores, como gás, hidrogênio verde, data centers, além da perspectiva de geração de pelo menos 80 mil empregos diretos e indiretos. Esse é um exemplo do potencial de desenvolvimento econômico do Estado. O desafio é continuar crescendo em todos os setores”, alertou.

Na avaliação do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, o acordo cria um momento histórico para ampliar a presença dos produtos brasileiros no mercado europeu.

Temos essa grande oportunidade do Acordo Mercosul-União Europeia, que abre um horizonte muito promissor para as empresas brasileiras. O Brasil exporta atualmente algo entre US$ 47 bilhões e US$ 50 bilhões por ano para a Europa, mas estamos falando de um mercado que importa cerca de US$ 3 trilhões de países de fora do bloco. Esse é o tamanho da oportunidade que temos. Existe um enorme espaço para ampliar nossa participação.

Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil

Explicou acrescentando que este é um Estado que reúne condições para aproveitar esse novo cenário. “O Ceará é um estado diferenciado, com infraestrutura logística estratégica, capacidade industrial, agronegócio competitivo e vocação exportadora. As empresas cearenses podem e devem aproveitar essas possibilidades para transformar potencial em negócios, gerando mais divisas, renda, empregos e desenvolvimento para o Estado”, afirmou.

O presidente da ApexBrasil também reforçou que a internacionalização está ao alcance de empresas de todos os portes. “A exportação é possível para todo mundo: para o pequeno, o médio e o grande empreendedor”, acrescentando que ferramenta da ApexBrasil está disponível para apoiar empresas de todos os portes na identificação de mercados e produtos com maior potencial de inserção nos países europeus. Juntos, os países da União Europeia e do Mercosul somam um mercado consumidor de mais de 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões.

Para o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto, o Ceará reúne condições para aproveitar a janela de oportunidades aberta. Ele lembrou que há uma união de esforços para apoiar esta inserção no mercado europeu e apontou o Portal Investe Indústria Brasil como uma das ferramentas importantes neste processo.

“Este Portal amplia as oportunidades para o setor produtivo ao reunir, em um único ambiente, o acesso ao sistema público de fomento. Com isso, as empresas podem cadastrar suas demandas e agilizar a obtenção de crédito para novos investimentos. Apresentar essa iniciativa no Conexões Produtivas, em Fortaleza, reforça o compromisso da ABDI com o desenvolvimento da indústria em todas as regiões do Brasil”, destacou reforçando a importância de transformar potencial em capacidade produtiva.

O vice-presidente da Fiec, Carlos Prado, está otimista com os futuros negócios que podem ser gerados com o Acordo. “O Ceará reúne as condições necessárias para viver um novo ciclo de desenvolvimento”, comemorou.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Comércio exterior da China tem crescimento vigoroso de 16,9% no primeiro semestre e totaliza US$ 3,75 trilhões

Da Redação (*)

Brasília – O comércio exterior da China em termos denominados em yuan cresceu 16,9% ano a ano no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas (AGA) nesta terça-feira (14).

De janeiro a junho, o valor total das importações e exportações de bens atingiu US$ 3,75 trilhões (25,47 trilhões de yuans), ultrapassando 25 trilhões de yuans pela primeira vez nesse período, segundo os dados.

Desse total, as exportações somaram 14,73 trilhões de yuans, um aumento de 13,4% em relação ao mesmo período do ano passado, mantendo o crescimento por 11 trimestres consecutivos, enquanto as importações totalizaram 10,74 trilhões de yuans, com alta de 22,1% em termos anuais, apresentando uma taxa de crescimento 8,7 pontos percentuais superior à das exportações, contribuindo para o desenvolvimento equilibrado do comércio.

Em meio a um ambiente externo complexo e em constante mudança, o comércio exterior da China manteve uma tendência operacional positiva, alcançando um forte impulso de crescimento e um desempenho estável, de acordo com a AGA.

(*) Com informações da Agência Xinhua

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Reforma Tributária pode tornar exportação de serviços mais vantajosa do que atuar apenas no mercado interno, diz WTM

Entenda como mudanças tributárias, investimento em capital humano e uma cultura organizacional voltada ao mercado global podem ampliar a competitividade das empresas brasileiras no exterior

Da Redação (*)

Brasília – A Reforma Tributária pode provocar uma mudança significativa na estratégia de crescimento das empresas brasileiras. Com a implementação do novo sistema, a prestação de serviços no mercado interno deverá ser tributada pela alíquota padrão do IVA, estimada entre 26% e 28%, enquanto a exportação de serviços permanecerá com alíquota zero.

Para Lisandro Vieira, CEO da WTM, empresa especializada em operações de importação e exportação de serviços e tecnologia, esse novo cenário tende a tornar o mercado externo muito mais atrativo para empresas de tecnologia, engenharia, consultoria, software, inteligência artificial e outros segmentos intensivos em conhecimento.

“Como a exportação de serviços terá alíquota zero de IVA, vender para o exterior se tornará mais vantajoso, levando o empresário a desejar o mercado externo para manter a competitividade”, resume Vieira.

Mas ele ressalta que, apesar da mudança tributária representar um importante estímulo econômico à internacionalização, benefícios fiscais, isoladamente, não transformam empresas em exportadoras. Eles precisam ser acompanhados por investimentos em capacitação, inteligência de mercado, inovação e desenvolvimento de competências internacionais.

Apesar de os serviços representarem grande parte da economia brasileira, a participação do país no comércio internacional do setor ainda é limitada. “Hoje, os serviços respondem por apenas cerca de 5% do fluxo internacional de pagamentos, tornando o Brasil deficitário na balança de serviços e evidenciando um espaço importante para crescimento”, ressalta o executivo.

O desafio de internacionalizar vai além da venda

Para o especialista, internacionalizar serviços envolve muito mais do que vender para outro país. A decisão de exportar serviços deve ser precedida por um processo estruturado de preparação da empresa.

“Diagnóstico de maturidade internacional, adequação de processos internos, análise de mercados-alvo, definição da estratégia de entrada e preparação das equipes são etapas fundamentais para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso no mercado externo”, relata Vieira.

Essa preparação torna-se ainda mais relevante diante das transformações do mercado global de serviços, que cresce em ritmo superior ao de bens físicos, impulsionado pela economia do conhecimento. “Em uma economia baseada em ativos intangíveis, conhecimento e inovação, a capacidade de comercializar serviços internacionalmente torna-se uma vantagem competitiva, especialmente para pequenas e médias empresas”, explica.

Apesar desse cenário favorável, Vieira ressalta que muitas organizações ainda encontram dificuldades para dar os primeiros passos rumo à internacionalização.

“O tamanho do mercado interno historicamente levou muitas empresas a concentrarem seus esforços na expansão doméstica, deixando o mercado externo em segundo plano. No entanto, esse comportamento pode reduzir a competitividade dos negócios brasileiros, à medida que empresas estrangeiras disputam clientes e profissionais qualificados, muitas vezes oferecendo remuneração em moedas mais fortes”, diz o especialista.

Cultura organizacional também deve ser internacionalizada

Além dos aspectos comerciais e tributários, Lisandro Vieira destaca que para construir uma empresa global é preciso internacionalizar a cultura organizacional do negócio. Segundo ele, investir em idiomas, experiências internacionais, equipes multiculturais e formação contínua contribui para preparar profissionais e organizações para competir em diferentes mercados.

Na WTM, por exemplo, mais de 80% dos colaboradores já fizeram viagens internacionais pagas pela companhia e contam com aulas de inglês diárias no horário de expediente. A companhia também aposta em múltiplas nacionalidades no quadro de funcionários e em programas de intercâmbio de colaboradores para hubs como Canadá e Dubai. “Como resultado desse investimento registramos um crescimento de 60% ao ano em receita”, destaca o CEO.

“Empresas brasileiras de tecnologia, software, inteligência artificial, engenharia e soluções digitais já competem internacionalmente a partir de modelos de negócios altamente escaláveis. O elemento comum entre elas não é apenas a tecnologia, mas uma estratégia consistente de gestão voltada para mercados globais”, afirma Vieira.

Para o especialista, a internacionalização deve ser encarada como uma estratégia de crescimento e sustentabilidade, especialmente em um cenário em que a servitização e a economia do conhecimento ganham cada vez mais relevância.

“Mais do que uma oportunidade de ampliar mercados, a exportação de serviços é uma estratégia para aumentar a competitividade das empresas brasileiras em uma economia cada vez mais baseada no conhecimento”, comenta.

“O futuro das organizações dependerá da capacidade de transformar inovação e conhecimento em negócios globais. Isso exige gestores preparados para atuar em ambientes multiculturais, compreender diferentes mercados e desenvolver estratégias internacionais. Internacionalizar serviços é, acima de tudo, ampliar horizontes para os negócios, para os profissionais e para o Brasil”, conclui Lisandro Vieira.

(*) Com informações da WTM

 

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FIEMG vê com apreensão nova escalada do conflito no Estreito de Ormuz com pressão sobre fretes, seguros, combustíveis e insumos

Retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã aumenta incertezas

Da Redação (*)

Brasília – A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) vê com preocupação a retomada do confronto entre Estados Unidos e Irã e as novas declarações proferidas nesta segunda-feira (13) pelo presidente americano, Donald Trump. Para a entidade, a escalada das tensões no Estreito de Ormuz amplia a imprevisibilidade das operações internacionais e acende um novo alerta para os setores produtivos brasileiro e mineiro.

Trump anunciou o restabelecimento do bloqueio naval a embarcações iranianas e afirmou que os Estados Unidos pretendem cobrar uma tarifa de 20% sobre as cargas transportadas pelo estreito, como forma de ressarcimento pelos custos das operações de segurança conduzidas pelo governo americano na região. Em resposta, o governo iraniano rejeitou qualquer interferência dos EUA no controle da passagem marítima e ameaçou retaliar embarcações e países do Golfo que colaborarem com Washington.

A nova escalada do conflito interrompe a expectativa de normalização criada pelo entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã em 17 de junho, que previa uma trégua de 60 dias para negociações e a retomada gradual do tráfego marítimo. O agravamento das tensões tem potencial para gerar efeitos em cadeia sobre os preços de combustíveis, energia e insumos estratégicos, além de pressionar fretes e seguros marítimos.

Segundo a FIEMG, a ameaça de cobrança sobre as cargas, somado ao bloqueio de embarcações ligadas ao Irã e ao risco de novos confrontos, aumenta a insegurança nas cadeias globais de suprimentos. Embora as medidas americanas ainda não tenham sido oficializadas pela Casa Branca e dependam de definições operacionais, a maior percepção de risco tende a ser rapidamente incorporada aos custos logísticos e aos contratos de transporte e seguro.

Efeitos no comércio do Brasil com países do Oriente Médio

Os efeitos das restrições na região já foram identificados em levantamento do Centro Internacional de Negócios da FIEMG, elaborado com base em dados do Comex Stat. Em maio de 2026, o comércio do Brasil com oito países do Oriente Médio recuou para US$ 1,04 bilhão, o menor valor mensal registrado desde janeiro de 2021.

Em Minas Gerais, no acumulado entre março e maio deste ano, as exportações para esses mercados caíram 44% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as importações registraram retração de 71%. Entre os produtos mais afetados estão o minério de ferro e o enxofre, insumo estratégico para a fabricação de fertilizantes. O preço médio das importações mineiras de enxofre aumentou aproximadamente 185% em maio, na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

A FIEMG monitora com atenção as medidas e reforça que as empresas devem acompanhar permanentemente as condições de transporte, os contratos de seguro, os prazos de entrega e os preços dos insumos importados. A entidade também destaca a importância da adoção de estratégias de diversificação de mercados, fornecedores e rotas logísticas, especialmente para produtos essenciais à indústria e ao agronegócio.

A continuidade das tensões no Estreito de Ormuz pode comprometer a recuperação dos fluxos comerciais observada após o anúncio da trégua, em junho. Além dos impactos diretos sobre as relações comerciais com o Oriente Médio, a eventual manutenção dos preços do petróleo em patamares elevados pode aumentar os custos de transporte e produção em diferentes cadeias industriais, afetando a competitividade das empresas mineiras e brasileiras.

(*) Com informações da FIEMG

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Investimento em ESG desacelera no Brasil e 26% dos executivos projetam redução nos próximos 12 meses

Dados acendem alerta sobre desaceleração da agenda ESG no ambiente corporativo brasileiro

Da Redação (*)

Brasília – A agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) passa por um momento de desaceleração no ambiente corporativo brasileiro. Dados da pesquisa “Líderes de Negócios & ESG 2026”, realizada pela Data-Makers, mostram que 26% dos executivos preveem reduzir os investimentos na área nos próximos 12 meses, enquanto 21% das empresas já cancelaram iniciativas relacionadas ao tema e outras 35% decidiram suspender temporariamente projetos em andamento.

Para a Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (ABRIQ), os números representam um sinal de alerta. Embora 58% das organizações afirmem que manterão seus investimentos estáveis, o crescimento do ceticismo em torno do ESG pode comprometer avanços em eficiência, inovação, gestão de riscos e competitividade, justamente em um cenário no qual consumidores, investidores e mercados internacionais exigem cada vez mais transparência e responsabilidade corporativa.

“Os dados mostram uma desaceleração preocupante. Quando bem estruturadas, as práticas ESG deixam de ser um centro de custo e passam a gerar valor para as empresas e para a sociedade. Elas reduzem riscos, fortalecem a governança, aumentam a eficiência operacional e contribuem para o desenvolvimento econômico e social”, afirma Alexandre Xavier, vice-presidente de ESG da ABRIQ.

Segundo a entidade, um dos fatores que contribui para a percepção equivocada sobre a agenda ESG é a ausência de processos estruturados capazes de transformar compromissos em resultados mensuráveis. Nesse contexto, as normas técnicas e os sistemas de gestão desempenham papel estratégico ao estabelecer critérios objetivos, metodologias reconhecidas internacionalmente e mecanismos de melhoria contínua.

Implementação de práticas consistentes

Normas como a ISO 14001 (gestão ambiental), a ISO 9001 (gestão da qualidade), a ISO 45001 (saúde e segurança ocupacional), a ISO 37001 (sistema de gestão antissuborno) e a ABNT NBR 16001 (responsabilidade social) permitem que as organizações implementem práticas consistentes, monitorem indicadores, avaliem o desempenho e demonstrem, de forma transparente e auditável, seus resultados nas dimensões ambiental, social e de governança.

A adoção desses referenciais também pode promover ganhos econômicos concretos, como redução de desperdícios, maior eficiência dos processos, melhor gestão de riscos e aumento da produtividade, além de contribuir para a credibilidade das organizações e facilitar o acesso a mercados nacionais e internacionais.

“ESG não deve ser tratado como uma tendência passageira ou uma ação de marketing. Quando incorporado à estratégia e apoiado por instrumentos técnicos, torna-se uma ferramenta de geração de valor e de fortalecimento da gestão. Interromper essa jornada pode representar um risco à competitividade em um momento no qual a sustentabilidade se consolida como requisito de mercado”, destaca Xavier.

Infraestrutura da Qualidade

Para a ABRIQ, a Infraestrutura da Qualidade, formada por normalização, metrologia, acreditação, avaliação da conformidade, regulamentação técnica e vigilância de mercado, oferece suporte para que as estratégias ESG avancem de compromissos institucionais para resultados verificáveis. Esses instrumentos contribuem para a rastreabilidade das ações, a avaliação de desempenho e a demonstração objetiva dos resultados alcançados.

“O crescimento do número de empresas que reduzem ou suspendem iniciativas ESG deve servir como um alerta. O desafio não é abandonar essa agenda, mas aprimorar sua estruturação e sua integração à estratégia dos negócios. A Infraestrutura da Qualidade contribui para esse processo ao oferecer instrumentos que permitem estabelecer critérios, acompanhar o desempenho e demonstrar resultados de forma confiável”, conclui o vice-presidente de ESG da ABRIQ.

(*) Com informações da ABRIQ
 

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Forte alta nas importações de calçados asiáticos preocupa calçadistas e impõe desafios à geração de empregos no setor

 

 

Da Redação (*)

Brasília – Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), demonstram o avanço das importações de calçados, em especial provenientes da Ásia. No primeiro semestre, foram importados 25,9 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 307 milhões, incrementos de 15,9% e 13%, respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado. No recorte de junho, as importações somaram 3 milhões de pares e US$ 48,1 milhões, altas de 1% e 7,6%, respectivamente, no comparativo com o mesmo mês de 2025.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, ressalta que o avanço das importações vem preocupando a indústria nacional. “A indústria brasileira enfrenta simultaneamente um mercado interno pressionado, perda de receita externa e aumento da concorrência importada em detrimento do calçado brasileiro, muitas vezes sob práticas de comércio consideradas desleais pela Organização Mundial de Comércio (OMC).”, afirma, ressaltando que a entidade vem alertando o Governo Federal sobre os riscos da “importação predatória”.

Nesse contexto, o dirigente acrescenta que, “somente no primeiro semestre do ano, conforme estimativa da Abicalçados, o setor deixou de criar 7,8 mil postos de trabalho diretos em razão do aumento expressivo das importações”.

A pressão importadora segue concentrada na Ásia, que respondeu por 87,2% dos pares importados pelo Brasil no semestre. A principal origem dos calçados importados foi a China, de onde vieram 9,7 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 26,5 milhões, altas de 27,4% em volume e de 13,3% em valores no comparativo com o mesmo período do ano passado. No recorte de junho, as importações chinesas somaram 408,43 mil pares e US$ 4,14 milhões, altas de 2,3% e 22,9%, respectivamente, ante o mesmo ínterim de 2025

A segunda origem dos calçados importados pelo Brasil no período também é asiática. Entre janeiro e junho, o Vietnã embarcou para o País 6,83 milhões de pares por US$ 150,57 milhões, incrementos de 5,2% e 17,9%, respectivamente, no comparativo com o mesmo período do ano passado. No recorte de junho, as importações do Vietnã somaram 1,23 milhão de pares e US$ 26 milhões, elevações de 4,1% em volume e de 9,8% em receita em relação ao mesmo mês de 2025.

Fechando o ranking dos países que mais importaram para o Brasil no semestre, mais um país asiático. Na primeira parte do ano, a Indonésia exportou ao País 3,68 milhões de pares por US$ 69,24 milhões, incrementos de 14,2% em volume e de 1,9% em receita na relação com intervalo correspondente do ano passado. Já no recorte de junho, as importações da Indonésia somaram 413,24 mil pares e US$ 7,28 milhões, quedas de 37,4% e 18,8%, respectivamente, no comparativo com o mesmo mês de 2025.

Em partes – cabedais, solas, saltos, palmilhas etc.  as importações do semestre somaram US$ 26,48 milhões, 19,4% mais do que no mesmo período do ano passado. As principais origens foram China, Vietnã e Paraguai.

Exportações caem 17,9%
Se por um lado, as importações seguem tendência de elevação, as exportações de calçados assumem o caminho contrário. Combinação que resultou em uma queda de 55,1% na balança comercial do setor no primeiro semestre, o menor resultado para um primeiro semestre na série histórica da base, iniciada em 1997.

No primeiro semestre, as exportações de calçados somaram 49 milhões de pares e US$ 408,2 milhões, quedas tanto em volume (-7%) quanto em receita (-17,9%) em relação ao mesmo período do ano passado. No recorte de junho, foram embarcados 8,1 milhões de pares por US$ 59,16 milhões, incremento de 18,1% em volume e queda de 15,7% em receita.

Entre janeiro e junho, mesmo com toda a instabilidade provocada pelas tarifas de importação aplicadas ao produto brasileiro, o principal destino dos embarques foi os Estados Unidos. No período, foram embarcados para lá 5,6 milhões de pares, que geraram US$ 85,25 milhões, quedas tanto em volume (-3,6%) quanto em receita (-23,6%) em relação ao mesmo intervalo de 2025. No recorte de junho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 20,7% em volume (805,56 mil pares) e 17,9% em receita (US$ 17 milhões) em relação ao intervalo correspondente do ano passado, ainda refletindo a comparação com uma base elevada do mesmo mês do ano anterior.

Na sequência, entre os destinos, aparece a Argentina. No semestre, os hermanos importaram 2,72 milhões de pares verde-amarelos, pelos quais foram pagos US$ 43,5 milhões, quedas tanto em volume (-57,5%) quanto em receita (-58,1%) em relação ao mesmo período do ano passado. No recorte de junho, as exportações brasileiras para a Argentina registraram 303,5 mil pares e US$ 5,68 milhões, quedas de 54,4% em volume e 43,5% em receita no comparativo com o mesmo mês de 2025.

Apesar do quadro negativo, alguns mercados ajudaram a amortecer a queda. O Paraguai foi o terceiro destino das exportações brasileiras do primeiro semestre, com a soma de 4,18 milhões de pares e US$ 22,88 milhões. Apesar da queda de 3,8% em volume, houve aumento de 13,1% em receita na relação com o mesmo intervalo do ano passado. No recorte de junho, as importações paraguaias de calçados brasileiros somaram 582,55 mil pares e US$ 2,67 milhões, incrementos de 36,9% e 5,2%, respectivamente, no comparativo com o mesmo mês de 2025.

Estados
O maior exportador de calçados do Brasil no primeiro semestre foi o Rio Grande do Sul, que no período embarcou 17,65 milhões de pares, que geraram US$ 201,83 milhões, incremento de 10,6% em volume e queda de 13,2% em receita ante o mesmo ínterim do ano passado.

Na sequência aparece o Ceará. No primeiro semestre, partiram das fábricas cearenses 14 milhões de pares, que geraram US$ 76,86 milhões, quedas de 19,3% e 26,3%, respectivamente, no comparativo com o mesmo intervalo do ano passado.

Fechando o ranking de estados exportadores aparece São Paulo, de onde partiram, no semestre, 2,9 milhões de pares por US$ 41,83 milhões, quedas de 20,6% em volume e de 21% em receita em relação ao mesmo período de 2025.

(*) Com informações da Abicalçados

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A capital dos eventos e das oportunidades para empreender

Alessandra Andrade (*)

São Paulo consolidou-se como um dos maiores polos de eventos do mundo. Em apenas dez anos, a arrecadação do ISS proveniente do setor cresceu 672%, saltando de R$ 41,8 milhões em 2015 para mais de R$ 323,5 milhões em 2025. Festivais, feiras, congressos, encontros esportivos e culturais tornaram-se fortes vetores de desenvolvimento, geração de empregos e fortalecimento da arrecadação.

Iniciativas da Prefeitura, como o Calendário de Eventos Estratégicos, ampliado de 25 em 2022 para 75 atrações atualmente, ajudaram a posicionar nossa cidade como líder brasileira do segmento.

Aumentando a programação anual, teremos a primeira edição do São Paulo Beyond Business (SP2B), de 9 a 16 de agosto de 2026, no Parque Ibirapuera, cujo propósito é promover o empreendedorismo. Nossa expectativa é grande de que se transforme em plataforma permanente de geração de ideias, conexão de pessoas e oportunidades, como o SXSW, de Austin, que o inspirou.

Como paulistana, vejo nesse evento elementos que dialogam com a identidade da cidade de São Paulo. Afinal, a cidade prosperou justamente porque aprendeu a transformar diversidade em inovação e trabalho em progresso.

O SP2B terá mais de mil horas de programação, dois mil palestrantes e 750 painéis. Os pontos mais relevantes, a meu ver, são as conversas que darão origem a novos negócios, as parcerias que poderão surgir de encontros inesperados e os projetos que terão espaço para amadurecer. Sim, eventos disruptivos constroem legados!

Com a coprodução e o apoio institucional da São Paulo Negócios, em sua missão de promover o fomento econômico e a internacionalização da cidade, o SP2B soma-se ao significativo calendário que destaca São Paulo como um dos principais centros globais de eventos, negócios, inovação e cultura.

(*) Alessandra Andrade é presidente da São Paulo Negócios, agência de promoção de investimentos e exportações.

 

 

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