EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros e eleva total do tarifaço a 37,5%

Da Redação (*)

Brasília – Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida entra em vigor na madrugada desta sexta-feira (24).

A nova tarifa substitui a taxa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro e se soma à sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, em vigor desde o último dia 22. Com isso, parte das exportações do Brasil para o mercado estadunidense poderá enfrentar tributação de até 37,5%.

A decisão foi tomada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Motivação

Segundo o governo americano, o Brasil integra o grupo de 54 países que não proíbem nem fiscalizam de forma efetiva a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em seus mercados internos.

Na avaliação do USTR, essa falha cria uma vantagem competitiva indevida, ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos menores.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a prática prejudica empresas e trabalhadores estadunidenses.

“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual”, destacou Greer em comunicado.

Produtos 

O relatório afirma que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos associados ao trabalho forçado em cinco segmentos:

  1. alumínio;
  2. algodão;
  3. eletrônicos;
  4. baterias de lítio;
  5. tabaco.

Segundo o USTR, esses produtos poderiam entrar no mercado brasileiro com preços artificialmente reduzidos e, posteriormente, influenciar a competitividade das exportações nacionais.

O documento também menciona que, embora o Brasil participe de acordos internacionais de combate ao trabalho escravo e mantenha a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, o país não detém, na avaliação dos Estados Unidos, mecanismos considerados suficientes para impedir a importação desses bens.

Países

A investigação alcançou 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos.

Além do Brasil, outros 53 países receberam a sobretaxa de 12,5%, entre eles China, Argentina, Austrália, Japão, Índia, Reino Unido e África do Sul.

Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e a União Europeia foram enquadrados em outra categoria e terão tarifa adicional de 10%, por já manterem mecanismos legais de controle, embora considerados insuficientes pelos EUA.

Tarifa 

A nova medida se soma à tarifa de 25% aplicada nesta semana sobre parte das exportações brasileiras, resultado de outra investigação conduzida pelo USTR.

Nesse processo, o governo estadunidense acusou o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas desleais, citando questões como acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e políticas comerciais preferenciais.

Com a nova decisão, empresas brasileiras poderão enfrentar uma carga tarifária total de até 37,5% em parte das exportações destinadas aos Estados Unidos.

As novas tarifas anunciadas nesta quinta substituem a taxa global de 10% anunciada por Trump em fevereiro deste ano. Na ocasião, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as “tarifas recíprocas” impostas pelo presidente estadunidense no ano passado.

Reação brasileira

Em nota, o governo brasileiro criticou a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos e classificou a medida como “arbitrária” e “injustificada”. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Brasil apresentou ao governo norte-americano informações sobre sua legislação e os mecanismos de fiscalização para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado, além de destacar o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo.

O texto também informa que o governo pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo brasileiro já havia contestado as conclusões da investigação. Em manifestação anterior, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que eventuais sanções seriam desproporcionais e defendeu que o país mantém legislação e acordos internacionais voltados ao combate ao trabalho forçado.

Segundo o chanceler, o Brasil dispõe de mecanismos de fiscalização e cooperação internacional para impedir a circulação de produtos produzidos em condições análogas à escravidão.

Enquanto avalia uma resposta diplomática, o governo mantém medidas de apoio às empresas exportadoras afetadas pelas tarifas americanas por meio do Plano Brasil Soberano, que prevê linhas de crédito e incentivo à abertura de novos mercados.

(*) Com informações da Agência Brasil

O post EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros e eleva total do tarifaço a 37,5% apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Tarifaço dos EUA sobre o Brasil tem motivação política e pode elevar risco-país, avalia gestor

Para Marcelo Cabral, gestor de investimentos e fundador da Stratton Capital, em Nova York, medida tem relação com a disputa geopolítica entre Estados Unidos e China. Segundo o especialista, o anúncio às vésperas das eleições também não é coincidência

Da Redação

Basília – A nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil tem, na avaliação de Marcelo Cabral, gestor de investimentos e fundador da Stratton Capital, sediada em Nova York, uma motivação muito mais política e geopolítica do que econômica. Para ele, os investidores americanos compreendem que as medidas tarifárias são utilizadas como instrumento de pressão e estão relacionadas à crescente aproximação econômica do Brasil com a China.

“Os investidores americanos sabem perfeitamente que as tarifas que estão sendo impostas sobre o Brasil são um instrumento de pressão política que tem pouco a ver com o racional econômico, até porque os Estados Unidos têm um superavit comercial significativo com o Brasil“, afirma o gestor.

Segundo Cabral, embora a narrativa oficial dos Estados Unidos apresente justificativas técnicas para as tarifas, o movimento está inserido em um contexto mais amplo de disputa pela influência econômica e geopolítica global. “Não há dúvidas que é evidente que as tarifas são parte da resposta americana à crescente integração econômica do Brasil com a China e à retórica do governo brasileiro sobre a necessidade de reduzir o papel do dólar no comércio internacional”.

Alerta contra alinhamento com a China

Para o fundador da Stratton Capital, a estratégia do governo de Donald Trump também tem como objetivo enviar um sinal a outros países sobre os possíveis custos econômicos de um alinhamento mais próximo com a China. “A visão de Trump é clara. A China e seus países alinhados, dentre os quais, na perspectiva de Washington, figura o Brasil, representam uma ameaça à posição dos EUA com potência econômica hegemônica global e uma possível ameaça à segurança nacional americana”, opina o gestor.

Nesse cenário, Cabral avalia que uma eventual reação brasileira, como a ativação da Lei de Reciprocidade e a possibilidade de suspensão de obrigações relacionadas à propriedade intelectual, ainda não está totalmente incorporada aos preços dos ativos brasileiros negociados no exterior.

“Na minha leitura, é uma questão de tempo. Ao longo do último ano, houve mudanças na posição dos EUA e aconteceram idas e vindas entre os dois países. À medida que a situação for se delineando de forma mais clara, o aumento do risco-Brasil será refletido no mercado,”, diz.

Apesar dos potenciais efeitos das tarifas sobre setores americanos que dependem de produtos brasileiros, Cabral avalia que o custo político doméstico da medida tende a ser limitado. “O principal custo político interno vem do impacto das tarifas na inflação americana. Para minimizar esse impacto, os Estados Unidos isentaram estrategicamente produtos cuja substituição por produção doméstica é mais difícil, como café, carne bovina, petróleo bruto e componentes aeroespaciais (Embraer). Neste cenário, o custo político deve ser pequeno”, comenta.

O gestor também chama atenção para a diferença entre os fluxos comerciais dos Estados Unidos com Brasil e China. Segundo ele, os americanos importam cerca de US$ 290 bilhões da China, contra aproximadamente US$ 45 bilhões do Brasil. Mesmo diante de uma relação comercial muito maior com os chineses, Trump elevou a tarifa média dos produtos chineses de 10,9% para 29,6%.

Impacto nas eleições presidenciais brasileiras

Outro ponto é o momento escolhido para o anúncio das tarifas, realizado às vésperas do ciclo eleitoral brasileiro de 2026. Para Cabral, o calendário não é uma coincidência e reforça a percepção de que a medida também funciona como instrumento de pressão política sobre o governo brasileiro: “O timing expõe a lógica estrutural por trás da medida. A tarifa foi anunciada em 15 de julho com prazo limite para a decisão a menos de três meses do primeiro turno, o que reforça a interpretação de que as tarifas estão sendo usadas como alavanca de pressão em um momento de vulnerabilidade eleitoral do governo brasileiro”.

Diante desse cenário, uma eventual intensificação da aproximação brasileira com países asiáticos não necessariamente representaria um aumento imediato do risco político para os investidores americanos. Cabral ressalta que países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan são aliados dos Estados Unidos. Para ele, o principal fator de atenção está relacionado especificamente à possibilidade de aumento da influência econômica e política da China sobre o Brasil.

Para o gestor, portanto, o principal impacto do tarifaço sobre a percepção dos investidores globais não está necessariamente no efeito direto sobre o comércio bilateral. “O risco mais relevante não é o impacto comercial direto das tarifas, mas o sinal de que o risco-país brasileiro pode incorporar, de forma permanente, uma

 

O post Tarifaço dos EUA sobre o Brasil tem motivação política e pode elevar risco-país, avalia gestor apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Tarifas reforçam necessidade de diversificar mercados e ampliar acordos comerciais, diz especialista

Para Marcelo Vitali, diretor da How2Go, empresas brasileiras com exportações de maior valor agregado são as mais expostas ao aumento de barreiras comerciais e precisam reduzir a dependência de poucos mercados

Da Redação

Brasília – O aumento de tarifas comerciais por parte de diferentes países voltou a colocar em evidência os desafios do Brasil para ampliar sua inserção no comércio internacional. Na avaliação de Marcelo Vitali, diretor da How2Go, além dos impactos imediatos sobre as exportações, o cenário reforça a necessidade de acelerar a diversificação de mercados e avançar em novos acordos comerciais para reduzir a dependência de poucos parceiros.

Segundo o executivo, embora tarifas sejam tradicionalmente justificadas pela proteção de setores estratégicos, pela redução de déficits comerciais ou pelo combate a práticas consideradas desleais, seus efeitos costumam se espalhar por toda a cadeia produtiva, afetando a competitividade das empresas e elevando custos.

No caso das tarifas impostas pelos Estados Unidos, Vitali destaca que o maior impacto recai sobre a indústria de maior valor agregado.

“Estamos falando de máquinas, equipamentos e outros bens industriais que fazem parte de cadeias específicas de produção. Diferentemente de muitas commodities, esses produtos não encontram novos compradores com facilidade nem podem ser redirecionados rapidamente para outros mercados. Por isso, a indústria de transformação tende a ser a mais afetada”, afirma.

Diversificação de parceiros comerciais

Para o diretor da How2Go, o atual cenário evidencia uma fragilidade histórica do comércio exterior brasileiro. “O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada quando comparado a outros países com perfil semelhante. Nos últimos anos, houve avanços importantes, como o acordo entre Mercosul e União Europeia e as negociações com Canadá e Japão, mas ainda estamos atrasados na diversificação de parceiros comerciais. Ampliar o acesso a novos mercados é fundamental para reduzir a exposição a decisões tomadas por um único comprador.”

Vitali ressalta que o aumento das barreiras comerciais também pode comprometer o crescimento do comércio internacional ao reduzir a previsibilidade para empresas e investidores. Nesse contexto, diversificar mercados deixa de ser apenas uma estratégia de expansão e passa a ser uma medida de mitigação de riscos.

Ao analisar especificamente as tarifas adotadas pelos Estados Unidos, o executivo avalia que a decisão vai além da lógica econômica tradicional.

“O argumento técnico perde força porque, historicamente, os Estados Unidos mantêm superávit na relação comercial com o Brasil, ao contrário do que ocorre com diversos outros países. Isso enfraquece a justificativa econômica para a adoção das tarifas e reforça a percepção de que a medida está inserida em um contexto político mais amplo”, conclui

O post Tarifas reforçam necessidade de diversificar mercados e ampliar acordos comerciais, diz especialista apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Nova tarifa provoca forte queda nas exportações de uvas brasileiras para os Estados Unidos

Desde o tarifaço do ano passado, produto já vinha perdendo mercado no país; no primeiro semestre de 2025 os Estados Unidos compraram 15% da uva do Brasil e no mesmo período deste ano o índice caiu para 5%

Da Redação (*)

Brasília – A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros a partir desta semana, 22 de julho, coloca ainda mais pressão sobre um já combalido comércio entre os dois países. A uva brasileira é um dos itens do agronegócio que está na lista de sobretaxa e a tributação total sobre a fruta será de 35%. Desde o tarifaço do ano passado, o produto já vinha perdendo mercado no país norte-americano. No primeiro semestre de 2025, os EUA compraram 15% da uva exportada pelo Brasil. No mesmo período deste ano, o índice caiu para 5%.

Em 2024, os Estados Unidos consumiram 23% das uvas exportadas pelo Brasil, que somaram 58,9 mil toneladas, e em 2023 compraram 27% da fruta enviada ao exterior, total de 72,2 mil toneladas. Os dados são do Comex, plataforma de exportações do governo federal.

A retração vem ocorrendo desde o segundo semestre do ano passado, quando os EUA decretaram o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, em agosto. Mesmo após a revogação dessa sobretaxa, em novembro, a venda de uvas para o país norte-americano ainda não havia sido estabilizada, como mostram os números do primeiro semestre deste ano, quando o Brasil embarcou 415,4 toneladas da fruta para o país, ante 1,6 mil toneladas enviadas no mesmo período do ano anterior.

O cenário de queda deve se manter com a nova medida dos Estados Unidos de sobretaxa de 25% sobre os 10% já em vigor. “A nova tarifa evidencia que o mercado americano vive um ambiente de elevada volatilidade regulatória. Para o exportador, isso reforça a importância de diversificar mercados e manter padrões de rastreabilidade e competitividade para reduzir riscos comerciais futuros”, afirma o head da Ascenza Brasil, Hugo Centurion.

O melão e a melancia são outras frutas sobretaxadas pelos EUA em 25%, mas o país não está entre os maiores compradores delas, que têm na Europa o maior mercado. Em 2025, o país norte-americano comprou 0,8% do melão exportado pelo Brasil e 1% da melancia. Os principais compradores do melão brasileiro são Países Baixos (Holanda), Espanha, Reino Unido e Canadá. No caso da melancia, os maiores mercados estão no Reino Unido, Países Baixos, Espanha e Argentina.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a nova tarifa adicional de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos vai afetar cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro, enquanto 63,5% do agro entraram na lista de exceções, sem tarifa. Itens importantes da pauta de exportação, como açúcar, arroz, madeira e ovos também estão sujeitos à alíquota de 25%.

CNA defende diálogo na busca de solução para tarifaço

A entidade aponta que a medida causa perda de competitividade e sugere a continuidade do diálogo para fortalecer as relações comerciais entre os dois países. A Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) avalia que a sobretaxa reduz significativamente a competitividade da fruta brasileira nos EUA e traz desafios para a cadeia produtiva.

A decisão dos Estados Unidos de sobretaxar produtos importados não é exclusiva para o Brasil. Nesta semana, o país criou tarifa de 50% sobre o vizinho Canadá, com previsão de entrar em vigor no dia 19 de agosto. A justificativa apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e pela Casa Branca foi a “retaliação e discriminação” generalizada do Canadá contra o comércio e produtos dos Estados Unidos.

Produtos Isentos da nova tarifa

Entre os produtos do agronegócio brasileiro isentos da tarifa de 25% dos EUA estão café, carne bovina, suco de laranja, laranja in natura, outras frutas e itens considerados estratégicos para o abastecimento e para a indústria dos Estados Unidos. Segundo o USTR, a exclusão ocorreu porque esses produtos têm grande importância para a cadeia produtiva e para os consumidores americanos, e não existem em oferta suficiente no mercado interno dos EUA.

O governo americano argumenta que o novo tarifário responde a práticas desfavoráveis ao comércio dos Estados Unidos, como acesso ao mercado, propriedade intelectual, comércio digital, combate à corrupção e desmatamento ilegal. O tarifaço, portanto, não é generalizado, afeta em maior parte as exportações industriais brasileiras e preserva produtos agropecuários e matérias-primas considerados essenciais para a economia americana.

A sobretaxa de 25% será cobrada no momento da entrada dos produtos brasileiros nos Estados Unidos, elevando o custo de importação para compradores norte-americanos. Na prática, a medida reduz a competitividade dos itens tarifados em relação aos produtos fabricados nos EUA ou importados de outros países que não têm a mesma tarifa.

Mesmo sem ser o principal destino das exportações agropecuárias brasileiras, os Estados Unidos ocupam posição estratégica para diversas cadeias produtivas. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, em 2025, o agronegócio brasileiro exportou US$ 11,4 bilhões para o mercado norte-americano, com destaque para café, produtos florestais, carnes, suco de laranja, açúcar, frutas e tabaco. Os EUA estão entre os três maiores compradores do agro brasileiro, com China e União Europeia.

No caso do café, os Estados Unidos permanecem como relevante destino do produto brasileiro. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a exclusão do café, inclusive solúvel, evita impactos sobre um mercado que movimenta entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano para a cadeia cafeeira nacional.

Reação à nova sobretaxa

Diante das tarifas impostas no ano passado pelos EUA contra o Brasil, o setor exportador respondeu intensificando negociações comerciais, diversificando mercados e antecipando embarques e reforçando a atuação conjunta entre entidades brasileiras e associações importadoras norte-americanas. Essas articulações contribuíram para a ampliação das listas de exceção e para a manutenção dos principais produtos agropecuários brasileiros fora da nova rodada de tarifas.

Analistas observam que a nova sobretaxa reforça um cenário internacional de crescente uso de instrumentos comerciais como ferramenta de política econômica. “Para os exportadores brasileiros, a medida evidencia a necessidade de acompanhar continuamente as mudanças regulatórias e ampliar a diversificação dos destinos das exportações”, afirma o head da Ascenza.

Centurion comenta que os produtores de uva e outros produtos sobretaxados devem continuar seguindo as medidas que adotaram no tarifaço do ano passado, como diversificação dos destinos, ampliação de vendas para Europa e Canadá, prospecção de novos mercados sul-americanos e negociação com redes varejistas internacionais. Apesar da tarifa de 50% de 2025, não houve colapso das exportações, porque parte dos embarques foi redirecionada para outros destinos.

O head da Ascenza diz ainda que os exportadores podem investir na produção para buscar mercados premium, aumentar certificações internacionais, negociar contratos de longo prazo, concentrar embarques em períodos de menor oferta mundial e investir em mercados como Ásia e Oriente Médio.

(*) Com informações da Ascenza Brasil

O post Nova tarifa provoca forte queda nas exportações de uvas brasileiras para os Estados Unidos apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Tarifaço de 25% dos EUA sobre exportações brasileiras começa a valer e Brasil busca diversificar mercados

Brasil aposta em diversificar mercados para contornar restrições

Da Redação (*)

Brasília – Começou a vigorar nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros. O tarifaço atinge 19% das exportações do Brasil para os Estados Unidos.

A estimativa do valor total das exportações afetadas varia entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões, segundo cálculos da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Armcham Brasil).

Entre os 2,3 mil produtos afetados, a maioria integra os setores de eletroeletrônicos; máquinas e equipamentos; autopeças e calçados. Praticamente, 700 produtos estão isentos da tarifa, número superior aos 615 previstos durante as negociações.

Segundo o governo, o mercado estadunidense é o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos. O país responde por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.

Os estados de São Paulo (SP) e Santa Catarina (SC) concentram 52% do impacto do tarifaço dos EUA, com o estado economicamente mais forte do país concentrando, sozinho, 41,6% do total do valor das exportações afetadas. Santa Catarina, porém, tem situação mais crítica, com 68% das exportações aos EUA atingidas pela medida da Casa Branca, segundo dados da Apex-Brasil.

Políticas brasileiras

O tarifaço adotado pelo governo Trump baseou-se em um processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que alega que o Brasil adota práticas “desleais” no comércio com os Estados Unidos.

Os estadunidenses elencaram seis temas para decidir sobre a taxação:

  1. pagamentos eletrônicos (pix) e regulação de redes sociais;
  2. desmatamento ilegal;
  3. acesso ao mercado de etanol;
  4. combate à corrupção;
  5. proteção da propriedade intelectual;
  6. acordos preferenciais com México e Índia.

O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para a taxação e argumenta que elas têm motivação política e não condizem com a realidade. Segundo o ministro das relações exteriores, Mauro Vieira, os negociadores dos EUA pediam a abertura total de mercados sem contrapartida.

Busca de novos mercados

Em resposta ao tarifaço, o governo brasileiro anunciou que retomará o programa de apoio aos setores afetados com linha de crédito para capital de giro, investimentos e com apoio para escoamento de produtos a outros clientes e países. Avalia também flexibilizar temporariamente regras do regime de isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos usados na produção de mercadorias para exportação.

Já a Apex-Brasil prevê a divulgação, em agosto, de um plano de R$ 130 milhões para diversificar as exportações do Brasil, principalmente, para União Europeia, países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, além de nações da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão.

(*) Com informações da Agência Brasil

O post Tarifaço de 25% dos EUA sobre exportações brasileiras começa a valer e Brasil busca diversificar mercados apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Brasil é o segundo país mais buscado das Américas para viagens internacionais aponta Estudo da Amadeus

Estudo da Amadeus, em parceria com a ONU Turismo, aponta crescimento de 29% nas buscas pelo Brasil e destaca o país entre os mercados mais dinâmicos da América do Sul

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil consolidou sua posição entre os principais destinos turísticos do continente. Estudo da Amadeus, desenvolvido em parceria com a ONU Turismo, aponta o país como o segundo destino mais pesquisado das Américas para viagens internacionais, atrás apenas dos Estados Unidos. O levantamento mostra ainda que, na América do Sul, o Brasil registrou o primeiro lugar em volume de buscas. Quanto ao crescimento, o país ocupa o segundo lugar, com alta de 29% entre maio de 2025 e abril de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os dados, reunidos no relatório Amadeus Travel Insights 2026: Focus on the Americas, também mostram que o Brasil figura entre os principais destinos efetivamente reservados no continente, ocupando a quarta posição nas Américas e registrando crescimento de 6% nas reservas realizadas por meio dos Sistemas Globais de Distribuição (GDS), utilizados pelo mercado internacional de viagens.
Segundo o presidente da Embratur, Bruno Reis, o desempenho demonstra que o Brasil segue ampliando sua presença entre os principais mercados emissores de turistas. “O aumento das buscas pelo Brasil confirma que o país não só permanece, mas amplia sua relevância no radar dos viajantes internacionais. O desafio é transformar esse interesse em viagens concretas, ampliando a conectividade aérea, fortalecendo a promoção internacional e diversificando a oferta turística brasileira para alcançar diferentes perfis de visitantes.”

“O Brasil vem realizando um trabalho extraordinário na promoção internacional, combinando inteligência de mercado, inovação, com programas como o PATI. É uma estratégia consistente, que tem fortalecido a imagem do país e consolidado o Brasil entre os destinos mais desejados e competitivos do mundo”, afirma o vice-presidente Regional da Amadeus para Destinos, Franz Müller.

Conectividade

Conforme o documento, as viagens dentro do continente americano continuam sustentando grande parte da demanda aérea regional. Ao mesmo tempo, mercados de longa distância apresentam crescimento expressivo nas buscas pelo Brasil e pela América do Sul.

Entre os destaques estão os Estados Unidos, com aumento de 39% nas pesquisas por viagens para a América do Sul, e o Canadá, com crescimento de 35%. O estudo também identifica expansão do interesse de mercados asiáticos, especialmente Japão e Filipinas.

Na comparação entre os países sul-americanos, o Brasil aparece entre os destinos que mais ampliaram o interesse dos viajantes internacionais. O relatório aponta crescimento de 29% nas buscas pelo país, ficando atrás apenas do Paraguai (30%). No volume de reservas, o Brasil registrou expansão de 6%, resultado que o coloca entre os três mercados com melhor

desempenho da região no período.

Tendência

O estudo também mostra que o tráfego aéreo de passageiros na América do Sul cresceu 5,5% entre maio de 2025 e abril de 2026, desempenho superior à média das Américas, que registrou alta de 0,8%.

Além disso, o comportamento dos consumidores indica maior flexibilidade nas viagens para destinos sul-americanos. Diferentemente de outras regiões do continente, onde predominam reservas realizadas com meses de antecedência, a América do Sul concentra uma parcela significativa das compras entre um e 14 dias antes da viagem, cenário que amplia as oportunidades para campanhas promocionais e ações de conversão de demanda.

(*) Com informações da Embratur

O post Brasil é o segundo país mais buscado das Américas para viagens internacionais aponta Estudo da Amadeus apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Exporta Mais Brasil conecta empresas brasileiras a marketplaces e compradores de 11 países em São Paulo

Edição dedicada ao e-commerce internacional será realizada paralelamente ao Fórum E-Commerce Brasil e reunirá 44 empresas nacionais em rodadas de negócios com plataformas e distribuidores de mercados estratégicos

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) realiza, entre os dias 27 e 30 de julho, em São Paulo, mais uma edição do Exporta Mais Brasil voltada ao comércio eletrônico internacional. A iniciativa ocorrerá paralelamente ao Fórum E-Commerce Brasil, maior evento do setor na América Latina, no Distrito Anhembi, que também sediará as rodadas de negócios entre empresas brasileiras e compradores internacionais. No ano passado, o projeto movimentou US$ 400 mil em 180 reuniões de negócios e conectou 67 empresas brasileiras a compradores de seis países.

A ação reunirá 44 empresas brasileiras dos setores de alimentos e bebidas e de cosméticos com 13 compradores internacionais de 11 países: Estados Unidos, Canadá, Colômbia, Uruguai, China, Índia, África do Sul, Portugal, Romênia, Singapura e Emirados Árabes Unidos. Os encontros têm como objetivo ampliar a presença de produtos brasileiros em plataformas digitais e canais internacionais de e-commerce, aproximando empresas nacionais de compradores com atuação consolidada em mercados estratégicos.

Os compradores serão divididos em dois grupos, um voltado para alimentos e bebidas, com foco no setor de doces, balas, confeitos e chocolates bean e tree to bar, e outro para cosméticos, com foco em produtos para cabelo e cuidados com a pele, permitindo agendas de negócios mais direcionadas às características de cada segmento. Além das reuniões comerciais, os participantes terão acesso à programação do Fórum E-Commerce Brasil e a um seminário de boas-vindas promovido pela ApexBrasil, voltado à preparação para as rodadas de negócios.

Imersão na indústria brasileira

Antes do início das rodadas de negócios, os compradores internacionais participarão de visitas técnicas a empresas e fábricas da região de São Paulo. A programação inclui indústrias brasileiras reconhecidas dos segmentos de chocolates e cosméticos, proporcionando contato direto com processos produtivos, inovação, qualidade e capacidade de atendimento ao mercado internacional. A iniciativa busca fortalecer a confiança dos compradores e ampliar seu conhecimento sobre o potencial da indústria brasileira, criando um ambiente favorável à geração de novos negócios.

Nos dias 29 e 30 de julho, o Espaço Mundo MPE, no Distrito Anhembi, receberá as rodadas de negócios do Exporta Mais Brasil, enquanto os compradores também poderão conhecer a feira e participar de visitas guiadas pelo Fórum E-Commerce Brasil, ampliando as oportunidades de conexão com o ecossistema internacional de comércio eletrônico.

Novidades desta edição

Durante os três dias do evento, a ApexBrasil coordenará uma Mesa de Mentorias com cerca de 25 especialistas da ApexBrasil, do PEIEX, do CECIEX e do INPI, oferecendo orientação individualizada sobre preparação para exportação, e-commerce internacional, inteligência comercial, propriedade intelectual e soluções da Agência para internacionalização.

Além disso, A ApexBrasil participa como parceira institucional da Categoria Internacional do Prêmio E-Commerce Brasil e indicou quatro empresas apoiadas pela Agência para votação aberta: https://eventos.ecommercebrasil.com.br/premio#Categorias.

As empresas foram indicadas com base em seu histórico de utilização das soluções ApexBrasil e resultados na internacionalização por canais digitais. As empresas indicadas se inscreveram no Prêmio Exame Apex 2025, na categoria Promoção Digital, criada para reconhecer organizações que utilizaram soluções digitais para incrementar seus negócios de exportação e fortalecer o posicionamento de suas marcas no exterior.

Plataforma para ampliar exportações

O Exporta Mais Brasil é um programa da ApexBrasil criado para conectar empresas brasileiras a compradores internacionais por meio de rodadas de negócios presenciais realizadas em diferentes regiões do país. Nesta edição, o foco é fortalecer a inserção de empresas preparadas para operar no comércio eletrônico internacional, promovendo conexões com marketplaces, distribuidores e importadores que atuam em canais digitais.

Na edição de 2025 do Exporta Mais Brasil dedicada ao e-commerce, a iniciativa gerou centenas de reuniões de negócios entre empresas brasileiras e compradores internacionais, fortalecendo a internacionalização de pequenas e médias empresas e ampliando as perspectivas de exportação por meio dos canais digitais. A expectativa é que a edição de 2026 amplie esses resultados, impulsionada pelo crescimento do comércio eletrônico global e pela presença de compradores de mercados cada vez mais diversificados.

(*) Com informações da ApexBrasil

O post Exporta Mais Brasil conecta empresas brasileiras a marketplaces e compradores de 11 países em São Paulo apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Tarifas pressionam setores, mas não comprometem a balança comercial brasileira, afirmam analistas da Mapfre

Da Redação (*)

Brasília – A nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros adiciona incerteza ao cenário externo, mas não muda, neste momento, a leitura ainda favorável para a balança comercial. A medida prevê uma tarifa adicional de 25% sobre parte da pauta exportadora do Brasil, com entrada em vigor em 22 de julho. A lista final, no entanto, preservou produtos importantes, como carne bovina, café, energia, aeronaves e partes aeronáuticas, o que reduz o impacto direto sobre o saldo comercial agregado.

O efeito mais provável deve ficar concentrado em setores específicos. Produtos como móveis, etanol, máquinas, calçados e açúcar tendem a enfrentar maior perda de competitividade no mercado americano, especialmente nos casos em que há menor capacidade de repasse de preços ou de redirecionamento das vendas para outros destinos.

EUA perdem liderança para a China no comércio exterior brasileiro

De acordo com os especialistas da Mapfre Investimentos, essa leitura fica mais clara quando observamos a mudança estrutural da pauta comercial do país. Na última década, os Estados Unidos perderam participação relativa no comércio exterior brasileiro, enquanto a China ganhou peso de forma consistente, tanto como destino das exportações quanto como origem das importações. Essa mudança reduz a sensibilidade da balança comercial brasileira a choques concentrados no mercado americano, embora não elimine os efeitos sobre os segmentos diretamente afetados pelas tarifas.

Do ponto de vista da balança comercial, o Brasil parte de uma posição confortável. Em junho, o superávit foi de US$ 9,8 bilhões e, no acumulado do primeiro semestre de 2026, o saldo já supera US$ 42 bilhões. A Secex revisou recentemente sua projeção de superávit para este ano de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões, refletindo uma pauta ainda sustentada pelas commodities, preços favoráveis em itens relevantes e maior diversificação dos destinos de exportação.

Na percepção dos especialistas, daqui para frente, o principal risco não está em uma deterioração imediata do saldo comercial, mas em uma eventual escalada das tensões. Novas tarifas, retaliações ou uma piora nas negociações poderiam afetar confiança, o câmbio e as decisões de investimento. Com a configuração atual das medidas, o impacto tende a seguir concentrado em setores específicos. O setor externo brasileiro está mais diversificado e menos dependente do mercado americano, o que ajuda a amortecer o choque tarifário.

(*) Com informações da Mapfre Investimentos

 

O post Tarifas pressionam setores, mas não comprometem a balança comercial brasileira, afirmam analistas da Mapfre apareceu primeiro em Comex do Brasil.

As (novas) tarifas de Trump sobre o Brasil e a reafirmação da influência americana na América Latina

Fernanda Brandão (*)

Foi anunciado, no dia 15 de julho, que os Estados Unidos darão continuidade à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, após o período de consultas públicas. Essas tarifas são resultado de uma investigação no âmbito da seção 301 da Lei de comércio de 1974, que permite ao United States Trade Representative (USTR), autoridade americana responsável pelas negociações comerciais do país, a fazer investigações acerca das práticas comerciais dos parceiros estrangeiros dos Estados Unidos.

A investigação sob a seção 301 foi iniciada após a suspensão das tarifas recíprocas pela Suprema Corte americana sob o IEEPA (International Emergency Economic Powers Act), uma Lei Federal que dá poder para que o executivo regule sobre o comércio internacional sob a justificativa de emergência de segurança nacional.

O USTR recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, além dos 10% já vigentes, sob a justificativa de que o Brasil adota práticas desleais de comércio como o desmatamento ilegal, a pirataria, falhas na aplicação de lei anticorrupção, tarifas às exportações de etanol dos EUA, tarifas preferenciais resultantes de acordos com México e Índia e o pix.

O documento, porém, afirmava que o Brasil possuía um superávit com os Estados Unidos em termos de comércio por conta dessas supostas práticas desleais. Contudo, o Brasil possui um déficit comercial com os Estados Unidos desde 2009, o que significa que o país importa mais do que exporta para os Estados Unidos.

Além disso, algumas das questões levantadas pelo governo americano, como a questão do desmatamento utilizavam dados do período entre 2018-2022. Um dos principais temas, contudo, foi a questão do pix da concorrência supostamente desleal em relação a outros mecanismos de pagamento digitais das Big Techs americanas com o ApplePay, GooglePay e WhatsAppPay e mecanismos de crédito como Visa e Martercard. Cabe ressaltar que o pix é um serviço oferecido de forma gratuita pelo Banco Central brasileiro que não impede a existência nem o funcionamento de outros mecanismos de pagamento no país.

Nas audiências públicas que antecederam o anúncio final da aplicação da tarifa, o governo brasileiro não inscreveu nenhum representante oficial, mas importantes representantes de setores produtivos foram representados como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a FIESP, a AMCHAM (Câmara de Comércio Americana), além de representantes de exportadores de café, arroz, máquinas e equipamentos industriais, vestuário e calçados, agricultura e agropecuária.

Também se manifestaram na audiência representantes de produtores americanos favoráveis à aplicação das tarifas, mas também representantes de setores industriais dependentes de recursos e insumos oriundos do Brasil que seriam prejudicados pela imposição dessas tarifas.

A audiência pública teve como objetivo escutar argumentos técnicos que justificassem a imposição ou não das tarifas recomendadas pelo USTR. Contudo, o resultado anunciado nesta semana confirmou a expectativa de que as tarifas seriam impostas, uma vez que as justificativas para a imposição delas estão mais relacionadas a argumentos políticos do que comerciais.

A imposição das tarifas sobre o Brasil não pode ser compreendida fora do contexto internacional global e da competição por influência, sobretudo econômica, entre a China e os Estados Unidos na América Latina. Hoje, a China é a principal parceira comercial de diversos países da região, incluindo o Brasil, e uma das principais fontes de investimentos. Na Estratégia de Defesa Nacional dos Estados Unidos, a América Latina é apontada como uma zona de influência, considerada importante para a manutenção da segurança nacional.

Esse entendimento significa que o governo Trump buscará formas de fortalecer sua influência sobre a região e o Brasil é uma das principais economias e forças militares regionais, de forma que o exercício efetivo do controle americano sob o continente envolve o alinhamento do país com os interesses dos Estados Unidos.

Além disso, o Brasil é um país rico em reservas de minerais críticos que poderiam contribuir para reduzir a dependência americana desses recursos oriundos da China. A classificação de grupos do crime organizado como o PCC e o Comando Vermelho como terroristas também se encaixa nos esforços americanos de aumentarem seu controle e influência sobre a região, pois criam meios de justificar uma eventual intervenção militar em solo brasileiro, mesmo que no contexto atual seja improvável.

Nesse cenário, as tarifas despontam como um mecanismo que tem sido utilizado de forma ampla pelo governo americano com o objetivo de sujeitar parceiros comerciais aos interesses dos EUA. Grande parte das tarifas impostas pelo governo Trump não têm fundamento no argumento comercial, como no caso brasileiro. Essas tarifas têm sido utilizadas como forma de constranger outros estados a se sujeitarem aos termos de parceria que os Estados Unidos buscam e que sirvam aos interesses nacionais americanos como entendidos pelo governo Trump. O objetivo do governo Trump é forçar os países alvos dessas tarifas a negociarem acordos com os EUA.

Os termos dos acordos negociados pelos Estados Unidos possuem termos assimétricos que beneficiam os interesses americanos em detrimento dos demais parceiros, mantendo níveis tarifários mais elevados sobre os bens desses países, além de incluir dispositivos sobre a liberação de investimentos americanos em setores estratégicos como minerais críticos e energia, e estabelecer uma série de demandas técnicas e regulatórias que dificultam o acesso a bens oriundos desses países ao mercado americano. O Brasil, porém, não aceitou negociar nos termos dos Estados Unidos e passou a buscar canais de negociação diretos com a Casa Branca.

A imposição dessas novas tarifas tem como objetivo pressionar o governo brasileiro a aceitar os termos determinados pelos Estados Unidos. Caso não aconteça, a possibilidade de uma troca de governo no Brasil nas eleições de outubro para um governo que esteja alinhado aos interesses americanos também seria do interesse de Trump. O principal efeito, contudo, será sobre os setores produtivos brasileiros afetados por essas tarifas. Segmentos como calçados e vestuário, etanol, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, papel e açúcar orgânico terão a tarifa aplicada sobre as exportações para os EUA.

Porém, há uma longa lista de exceções de envolver bens alimentícios como café e carnes, aeronaves, máquinas e equipamentos. A inclusão desses produtos na lista de inclusão tem como objetivo reduzir os impactos negativos para a economia americana como o encarecimento de produtos de consumo básico da população como bens alimentícios ou porque representam importantes insumos e recursos para setores produtivos norte-americanos.

O governo brasileiro deve continuar buscando canais de comunicação e negociação com o governo americano, pois o país ainda é o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Contudo, espera-se que a aplicação dessas tarifas contribua para a continuidade da redução do comércio bilateral entre os dois países, que já retrocedeu 13% esse ano. O Brasil também deve continuar buscando a negociação de novos acordos de comércio como o acordo Mercosul-União Europeia e Mercosul-EFTA e os acordos a serem negociados já anunciados, como o acordo Mercosul- Japão e Mercosul-Canadá.

A diversificação dos parceiros comerciais do Brasil será de grande importância para aumentar a resiliência da economia nacional à medida que a disputa geopolítica entre China e Estados Unidos se acirra e os EUA buscam fortalecer sua influência e controle sobre a América Latina.

(*) Fernanda Brandão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da  Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

 

 

—

O post As (novas) tarifas de Trump sobre o Brasil e a reafirmação da influência americana na América Latina apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Proteger as florestas é investir no agronegócio

Hugo Ricardo (*)

No mês em que lembramos da importância da ação coletiva para a conservação dos biomas brasileiros, culminando com o Dia Nacional de Proteção às Florestas, celebrado na última sexta-feira, 17, devemos reconhecer, de uma vez por todas, que a estabilidade econômica do país depende diretamente dos serviços ambientais proporcionados por esses ecossistemas. Em um mundo marcado pela emergência climática, proteger as florestas significa proteger a capacidade de o Brasil continuar produzindo, exportando e liderando a agricultura tropical nas próximas décadas.

As florestas regulam o regime de chuvas, armazenam carbono, protegem nascentes, mantêm a fertilidade dos solos, reduzem temperaturas extremas e sustentam uma biodiversidade essencial para a produtividade no campo. Mais do que patrimônio ambiental, constituem parte da infraestrutura produtiva do país.

O Brasil abriga a maior floresta tropical do planeta, concentra uma das maiores biodiversidades do mundo e mantém cerca de dois terços do território cobertos por vegetação nativa. É justamente essa riqueza natural que garante a resiliência dos sistemas produtivos e faz do país uma potência agropecuária e ambiental.

Durante décadas, produção e conservação foram tratadas como objetivos incompatíveis. Hoje, essa visão perdeu espaço. Economias competitivas serão aquelas capazes de seguir produzindo ao mesmo tempo em preservam os ecossistemas dos quais dependem. No entanto, o desafio permanece.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o planeta perdeu cerca de 420 milhões de hectares de florestas desde 1990 e, ainda hoje, aproximadamente 10 milhões de hectares são desmatados anualmente, principalmente em regiões tropicais. No Brasil, dados do MapBiomas mostram que a conversão da vegetação nativa segue concentrada no Cerrado e na Amazônia, evidenciando que o problema continua representando um risco ambiental e econômico.

Ao mesmo tempo, mercados consumidores, investidores e instituições financeiras adotam critérios ambientais cada vez mais rigorosos. A rastreabilidade das cadeias produtivas, a comprovação da origem das matérias-primas e o combate ao desmatamento deixaram de ser diferenciais para se tornarem requisitos de acesso aos mercados internacionais. Transparência e responsabilidade passaram a integrar a lógica da competitividade.

Nesse contexto, combater o desmatamento deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar uma estratégia de negócios. Empresas que incorporam conservação ambiental, rastreabilidade e produtividade ampliam sua competitividade, fortalecem sua posição perante investidores e aumentam a resiliência de suas operações. O Brasil reúne condições únicas para liderar essa transformação, combinando uma agropecuária altamente produtiva, matriz energética majoritariamente renovável e o maior patrimônio de florestas tropicais do planeta.

O setor empresarial exerce papel decisivo nesse processo. Decisões sobre investimentos, crédito, compras e gestão das cadeias de suprimentos influenciam diretamente a conservação dos ecossistemas. Mais do que atender a exigências regulatórias, as empresas têm a oportunidade de impulsionar soluções como agricultura regenerativa, restauração florestal, bioeconomia, rastreabilidade e soluções baseadas na natureza.

É nesse cenário que se destacam iniciativas de impacto positivo no setor corporativo, como é o caso do Movimento Impacto Biomas, do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, que mobiliza empresas para acelerar ações de conservação, restauração e desenvolvimento sustentável nos biomas brasileiros.

Ao promover a colaboração entre empresas, ciência, organizações da sociedade civil e setor público, o Movimento fortalece a incorporação da agenda da natureza às estratégias de negócios e reforça um dos principais aprendizados da agenda climática internacional: enfrentar o desmatamento exige alianças. Nenhum governo, empresa ou organização conseguirá responder sozinho a esse desafio sistêmico.

Neste Mês de Proteção às Florestas, a principal mensagem que gostaria de deixar é esta: as florestas constituem parte essencial do patrimônio do agronegócio brasileiro, elas que regulam o clima, garantem a disponibilidade de água e sustentam a produtividade no campo. Proteger esse patrimônio natural não significa impor limites ao desenvolvimento, mas assegurar que ele continue sendo possível. Afinal, o futuro da economia dependerá cada vez mais da nossa capacidade de produzir regenerando.

(*) Hugo Ricardo é Gerente de Agricultura e Florestas Pacto Global da ONU – Rede Brasil

 

O post Proteger as florestas é investir no agronegócio apareceu primeiro em Comex do Brasil.