Recuo no tarifaço de Trump expõe necessidade de diplomacia para defesa de setores que não foram beneficiados, diz especialista

Especialista em comércio exterior, Jackson Campos afirma que fator central na retirada da taxa de 40% foi a pressão do mercado interno americano e que Brasil ainda tem muito a negociar

Da Redação (*)

Brasília – A retirada das tarifas de 40% sobre produtos como carne, café e frutas pelos Estados Unidos animou o mercado exportador brasileiro. Sem distorção dos preços e recuperando a competitividade, diversos produtos já estão retomando o fluxo normal de exportação e reconquistando o mercado americano.

Entretanto, ainda há muito para ser discutido entre os presidentes Lula e Trump, já que outros setores continuam sendo impactados. O prejuízo no mercado interno chegou aos US$3 bilhões segundo um estudo da BMJ Consultoria para o CNI. Os produtos industrializados foram os mais impactados, respondendo a mais de 27% de todas as perdas com o tarifaço.

“Os setores de bens manufaturados e produtos industriais, especialmente partes e peças, componentes, máquinas e itens de maior valor agregado que competem em margens estreitas sofreram muito. Qualquer tarifa compromete a viabilidade econômica da exportação. As relações comerciais que foram afetadas não se restabelecem imediatamente, porque compradores nos EUA podem ter buscado outros fornecedores durante o período de sobretaxa, dificultando essa retomada”, afirma o especialista.

Por mais que o recuo americano tenha ocorrido em um momento onde os países negociam e que a diplomacia brasileira esteja conseguindo abertura para negociar diretamente com Trump, o especialista em comércio exterior, Jackson Campos, explica que o ponto central nessa movimentação foi a pressão interna nos EUA.

“A inflação é um tema central na política dos americanos e ver os preços do café e da carne subirem vertiginosamente não agradou ninguém. Os empresários, público onde boa maioria apoia o republicano, viram essa jogada como um gol contra, porque passou a prejudicar a produção de suas empresas. Claro que a diplomacia brasileira tem sido muito importante, mas a pressão de grupos apoiadores do presidente americano contra essas medidas causou mais impacto imediato para que houvesse mudanças”, explica Campos.

Cautela

Olhando para o mercado nacional, os empresários respiraram aliviados, mas ainda é muito cedo para uma comemoração grande. Sem seguir o padrão de uma negociação comum, o presidente Trump cria uma sensação de bomba-relógio no mercado, podendo anunciar taxas e decisões controversas a qualquer instante.

Campos afirma que não é possível cravar que as tarifas não retornem ou que exista uma nova incerteza na parceria comercial entre EUA e Brasil por conta do comportamento do governo republicano.“

O histórico recente da política comercial americana mostra que decisões tarifárias podem ser revistas com rapidez, dependendo de pressões domésticas e estratégias geopolíticas. Por isso, operadores logísticos, exportadores e indústrias continuam monitorando cada sinal de mudança. O mercado recebe o movimento atual como positivo, mas mantém uma postura de prudência, dado que as negociações ainda estão em andamento e o ambiente não está totalmente estabilizado”, diz.

Ele também afirma que as negociações ainda devem continuar pois outros setores estão sendo sufocados com a perda deste mercado. “A diplomacia brasileira ainda tem muito a fazer, setores como o madeireiro e moveleiro ainda dependem do desenrolar desses encontros e se vem contra a parede. É preciso continuar buscando soluções para os nossos produtos sem permitir que os EUA influenciem a política e o mercado interno brasileiro”, conclui.

 

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Suspensão de tarifas traz alívio ao café, mas estoques baixos mantêm suporte aos preços, diz especialista da Hedgepoint

Relatório da Hedgepoint Global Markets que que, apesar da retirada das tarifas sobre grãos brasileiros, estoques reduzidos e atrasos na colheita do Vietnã podem limitar correções no curto prazo

Da Redação (*)

Brasília – O mercado global de café vive um momento de transição após a suspensão das tarifas adicionais de 40% sobre os grãos brasileiros (exceto café solúvel) anunciada em 20 de novembro. Embora a medida tenha trazido alívio imediato, os baixos estoques certificados e nos destinos, somados a desafios climáticos em importantes origens, indicam que os preços podem manter suporte no curto prazo.

“A decisão dos Estados Unidos de remover as tarifas adicionais inicialmente pressionou os futuros do arábica, que atingiram a menor cotação em dois meses. No entanto, os preços se recuperaram parcialmente nos dias seguintes, sustentados pela escassez de estoques e pela postura cautelosa dos cafeicultores brasileiros, que seguem relutantes em vender volumes significativos da safra 25/26. “Esse comportamento reforça a percepção de que, mesmo com o alívio tarifário, a oferta disponível para exportação continua limitada”, avalia Laleska Moda, analista de café da Hedgepoint.

Estoques de arábica e robusta em queda

De acordo com a analista, “os estoques certificados de arábica permanecem historicamente baixos, fechando a última semana em 406,9 mil sacas, uma queda de 54,96% no acumulado do ano. Os estoques de robusta também caíram, atingindo 755 mil sacas, enquanto a colheita no Vietnã segue atrasada devido às chuvas intensas e tempestades relacionadas ao fenômeno La Niña. Nos destinos, a situação não é diferente: os estoques da União Europeia recuaram para 7,8 milhões de sacas, o menor nível desde maio, e os estoques no Japão também estão abaixo da média histórica”.

Apesar da escassez, a demanda mostra sinais de recuperação. O consumo aparente na UE encerrou a safra 24/25 acima da média de 10 anos e iniciou a temporada 25/26 com força, impulsionado pelo inverno no Hemisfério Norte. Esse cenário, aliado aos baixos estoques, deve sustentar os preços no curto prazo, com suporte para o contrato de março/26 em torno de 350 c/lb. No entanto, 2026 pode trazer correções, à medida que a safra 26/27 do Brasil se desenvolve bem e novos suprimentos do Vietnã e da América Central entram no mercado.

Segundo a analista, a suspensão das tarifas foi um fator positivo para o mercado, mas não resolve o principal desafio. “Os estoques continuam em níveis historicamente baixos. Além disso, atrasos na colheita do Vietnã e a postura cautelosa dos produtores brasileiros devem manter suporte aos preços no curto prazo”, diz Laleska Moda.

(*) Com informações da Hedgepoint Global Markets

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 A indústria 5.0 e o ser humano no centro da tecnologia

Marcos A. do Amaral  (*)

Em um mundo cada vez mais tecnológico, nos vemos em uma situação peculiar onde as soluções que criamos podem eliminar a nossa necessidade de executar tarefas. Em especial na indústria, quanto maior a evolução, mais evidente é a possibilidade de retirarmos o trabalho dos operários humanos. Contudo, apesar deste horizonte parecer algo catastrófico para empregos, uma nova abordagem pode transformar o futuro da indústria para algo novo e colaborativo. Esta iniciativa é a indústria 5.0.

No passado distante, cada produto era feito por um artesão. Este precisava ser generalista e conhecer todos os aspectos de uma manufatura. Se por um ponto de vista isto é bom pela visão holística sobre o produto, torna-se ineficiente pela afinidade com diversas tarefas. Apesar de um bom artesão poder ser bom em todas as etapas, ainda assim ele não seria o mais eficiente em todas elas.

Foi então que Henry Ford trouxe a produção seriada. A partir deste momento, pessoas pararam de ser generalistas no processo para se tornarem especialistas. Cada pessoa era focada em sua etapa do processo e isso se acentuou com os anos. Em paralelo, a revolução industrial mostrou que é possível retirar tarefas do trabalhador.

A partir da primeira revolução industrial, as etapas foram lentamente retiradas dos trabalhadores. Quando nos deparamos com a 4ª revolução industrial, a culminação de todas as tecnologias traz a possibilidade da fabricação se tornar um fenômeno autônomo, sem operários e totalmente baseada em inteligência artificial e máquinas com conexão de rede.

Contudo, mesmo na indústria 4.0, o processo não é completamente retirado dos seres humanos. Ainda existem funções que possuem vantagens em manter pessoas produzindo. Um bom exemplo é a gestão e manutenção do polo produtivo.

Nesta visão, entramos na concepção da indústria 5.0. O conceito então se dá em uma troca de paradigma. Ao invés de lutar para minimizar a ação humana no processo, buscamos uma inversão de valores. Realçar as qualidades da tecnologia enquanto potencializa as qualidades humanas.

Isto se torna possível por uma mudança na abordagem. Os seres humanos têm uma maior capacidade de lidar com imprevistos, com criatividade e com outros seres humanos. Já a tecnologia tem melhor rapidez, repetibilidade e precisão.

A possibilidade de integração nasce da evolução tecnológica que faz com que o ser humano seja inserido em um contexto da produção, com auxílio de inteligência artificial. Exemplos de IAs que interagem com seres humanos e conversam já são comuns e estão nos celulares das pessoas.

Expandindo essa aplicação, empresas têm buscado soluções colaborativas entre humanos e máquinas. Robôs que operam com segurança com seres humanos, IAs que auxiliam em tarefas. O foco passa a ser a experiência humana, tanto do funcionário como da empresa.

Apesar do panorama futuro ser interessante do ponto de vista humano, com interação entre seres humanos e máquinas, ainda existem desafios relativos à utilização de energia e relação com o meio ambiente. Grandes servidores de inteligência artificial possuem um consumo que ainda precisa ser solucionado.

Assim, ao invés de empresas totalmente digitais e sem pessoas, migramos para um ambiente colaborativo baseado em experiência, onde seres humanos utilizarão máquinas para construir uma indústria tecnológica, inclusiva e ao mesmo tempo voltada para o bem-estar.

(*) Prof. Me. Marcos A. do Amaral é docente no curso de Engenharia de Produção da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Atuou na área de certificação e avaliação de produtos, tanto de telecomunicações como de bens de consumo.

 

 

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ABIMAD, feira de móveis e acessórios de alta decoração, terá edição marcante em janeiro de 2026

De 27 a 30 de janeiro, a ABIMAD’41 reúne mais de 130 marcas e abre oficialmente a agenda de negócios e tendências do setor de alta decoração no Brasil

Da Redação (*)

Brasília – De 27 a 30 de janeiro de 2026, São Paulo recebe a 41ª edição da ABIMAD, a principal feira de móveis e acessórios de alta decoração da América Latina. Reconhecida por abrir oficialmente o calendário do setor, a feira contará com a participação de mais de 130 marcas nacionais e uma programação que reforça sua posição como plataforma de negócios, tendências e design autoral.

Marcando o início do ano para fabricantes, lojistas, arquitetos e designers, a ABIMAD’41 chega consolidada como referência em mobiliário de alto padrão, promovendo conexões comerciais estratégicas e antecipando lançamentos que irão pautar o mercado ao longo de 2026.

A edição de janeiro será dedicada a experiências enriquecidas por conteúdo, espaços assinados e projetos especiais que destacam a força do design brasileiro. O público encontrará lançamentos exclusivos, ambientes autorais e uma curadoria pensada para valorizar a criatividade, a inovação e a identidade do mobiliário contemporâneo.

A ABIMAD também mantém seu compromisso com a internacionalização do setor. Por meio do ABIMAD Export, iniciativa que completa mais de 20 anos, a feira seguirá promovendo o design brasileiro no mercado global, com rodadas de negócios e ações voltadas para compradores estrangeiros.

Com menos de dois meses para sua realização, a expectativa é que a ABIMAD’41 inaugure o ano com uma edição memorável — reforçando seu papel como vitrine do melhor do mobiliário brasileiro, espaço de diálogo entre mercado e criatividade e ponto de encontro obrigatório para profissionais e marcas do setor.

Serviço

Feira ABIMAD – Feira Brasileira de Móveis e Acessórios de Alta Decoração

Data: 27 a 30 de janeiro de 2026

Horário: terça a quinta-feira, das 10h às 19h; sexta-feira, das 10h às 17h

Local: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, s/n – Vila Água Funda, São Paulo – SP

Credenciamento: Credenciamento online aberto

Mais informações: www.abimad.com.br

(*) Com informações da ABIMAD

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Por que o futuro do nearshore fala português?

 

DNA brasileiro é um diferencial para escala, talento e inovação

Wagner Jesus (*)

Imagine uma empresa global tentando acelerar sua transformação digital, mas travada por escassez de talentos, barreiras regulatórias e custos altos. Agora imagine essa mesma empresa encontrando no Brasil não apenas uma alternativa, mas uma vantagem competitiva real.

O conceito não é novo, mas o contexto mudou. A pressão por inovação contínua, a escassez de talentos nos mercados centrais e a busca por soberania digital tornaram o Nearshore peça-chave na estratégia global de tecnologia. E o Brasil está mais preparado do que nunca para assumir esse protagonismo.

A ideia de que “o local da solução importa menos do que sua capacidade de gerar valor” tem ganhado força no mundo corporativo. No entanto, quando se olha com atenção para o mercado brasileiro, percebe-se que o país reúne um conjunto único de atributos que o colocam em vantagem competitiva: fuso horário compatível com os Estados Unidos e Europa, um dos maiores mercados de TI do mundo, ecossistema de inovação robusto e uma crescente maturidade regulatória e digital.

O Brasil sai do banco de reserva e busca protagonismo no jogo

O Nearshore deixou de ser apenas uma estratégia de redução de custos e passou a focar no valor agregado às operações globais. O Brasil destaca-se como destino nearshore pela escala e profundidade do seu pool de talentos: em 2023, foram quase 90 mil formados em cursos superiores de TIC, mais de 73 mil certificados em cursos de formação inicial e continuada e 16 mil em cursos técnicos. Esse volume expressivo posiciona o país como um dos maiores polos de talentos em Computação e TIC da América Latina, atendendo à crescente demanda do setor e impulsionando operações globais de tecnologia.

A força do ecossistema de tecnologia brasileiro é tamanha que a demanda por novos talentos deve gerar cerca de 800 mil novas oportunidades até 2025, segundo a Brasscom. Esse cenário dinâmico fomenta um ciclo contínuo de formação e especialização, garantindo um fluxo constante de profissionais qualificados para o mercado. Essa força de trabalho já é reconhecida por sua qualificação técnica e adaptabilidade, características essenciais para projetos de alta complexidade.

Ao mesmo tempo, o interesse e capacitação em Inteligência Artificial generativa vem crescendo de maneira intensa. O relatório “Global Skills Report 2025”, da Coursera, apontou um aumento de 282% nas matrículas em cursos de IA generativa ano-a-ano para o Brasil, enquanto o aumento global foi de apenas 195%.

Outro diferencial é a infraestrutura consolidada. A presença de grandes players globais de nuvem pública, como AWS, Google Cloud e Microsoft Azure, aliada à capilaridade das telecomunicações e hubs regionais de tecnologia, permite que o Brasil ofereça níveis de serviço compatíveis com exigências corporativas de alta criticidade, desde bancos globais até plataformas digitais que operam 24/7.

A diversidade cultural e o crescente domínio do inglês facilitam a colaboração internacional. A nova geração de profissionais brasileiros demonstra uma proficiência em inglês significativamente superior à das gerações anteriores. Estudos indicam que o percentual de falantes de inglês na faixa etária de 18 a 24 anos é o dobro da média nacional, facilitando a integração com equipes globais e projetos internacionais. A cultura organizacional brasileira é flexível e criativa, alinhando-se naturalmente a metodologias ágeis e ambientes de co-inovação demandados pelas maiores empresas do mundo.

E na prática? Hoje o Brasil já é um motor da entrega global

O Brasil já consolidou-se como um pólo estratégico de operações nearshore, com hubs de inovação atendendo demandas nacionais e internacionais com a mesma qualidade, segurança e compliance das operações offshore, somando os diferenciais de fuso horário, proximidade cultural e aderência regulatória. Assim, o Brasil tem mostrado que pode se tornar uma vitrine global para nossos talentos, possibilitando oportunidades de crescimento internacional em projetos de alto impacto e contato direto com especialistas globais e com diversas tecnologias.

Um modelo que responde às pressões do presente e abre caminhos para o futuro

O Nearshore responde a uma dor real do mercado: a necessidade de escalar rápido, com segurança e proximidade. E o Brasil entrega isso com flexibilidade, governança e talento. Empresas podem começar com uma célula dedicada, escalar para um centro de excelência e, em muitos casos, integrar completamente suas operações globais. Tudo isso com KPIs claros e foco na geração de valor.

Para empresas que estão repensando sua estratégia de TI global, o Brasil deve ser mais do que uma opção: deve ser considerado um diferencial competitivo. Ao concentrar investimentos em um modelo de nearshore centrado no país, é possível reduzir riscos, acelerar resultados e construir uma operação preparada para os desafios da próxima década. O que vemos hoje é apenas o começo. E o Brasil, com toda sua complexidade e potencial, tem cada vez mais se mostrado não apenas parte da solução, mas o melhor lugar onde ela pode começar.

E você, está pronto para repensar sua estratégia global?

(*) Wagner Jesus tem mais de 26 anos de experiência na indústria de TI e ingressou na Wipro há 5 anos, liderando indústrias de bens de consumo, comunicações, energia e recursos naturais, bancos e serviços financeiros, e consolidando a empresa no país. Durante sua gestão, ele desempenhou um papel fundamental nas contas locais e globais e estabeleceu relacionamentos com sucesso na região. Tem um perfil de liderança influente, trabalhando como facilitador para aquisições mais recentes da empresa, potencializando o crescimento da companhia no Brasil.

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Setor calçadista sofre com efeitos do tarifaço de Trump e tem o pior mês de outubro em uma década

Da Redação (*)

Brasília – Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números divulgados pelo MTE, apontam que o setor perdeu 1,65 mil postos de trabalho apenas em outubro, pior resultado para esse mês em uma década. Com o resultado, o estoque total de emprego fechou o mês de outubro em 294,22 mil empregos diretos na atividade, retração de 0,6% em comparação ao mesmo período do ano passado. Pela primeira vez em 2025, o estoque total de emprego situa-se abaixo do patamar do ano anterior, revertendo um cenário de crescimento.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o dado eleva a preocupação quanto aos efeitos da política tarifária dos Estados Unidos, uma vez que a tarifa adicional de 50% segue vigente sobre os calçados brasileiros embarcados ao destino. “Entre os estados que mais perderam postos de trabalho estão o Rio Grande do Sul e São Paulo, os dois principais exportadores de calçados para os Estados Unidos, de onde originam-se cerca de 80% dos envios àquele país”, conta.

“A manutenção da vigência da medida ao final deste ano já compromete os embarques da próxima temporada. Não ocorrendo a retirada do calçado da lista de produtos sobretaxados pelos Estados Unidos ainda em 2025, a Abicalçados estima um risco de perda de 8 mil postos de trabalho diretos na indústria calçadista em 2026”, alerta o dirigente, que está em constante interlocução com o Governo Federal enfatizando a necessidade de célere conclusão das negociações bilaterais.

Estados mais impactados

O estado que mais emprega no setor calçadista brasileiro é o Rio Grande do Sul, que perdeu 910 postos de trabalho somente em outubro. Dois terços das perdas estão concentradas nos polos do Vale do Rio dos Sinos e do Vale do Paranhana-Encosta da Serra, principais localidades empregadoras do setor no estado. Nos últimos três meses, período de vigência da medida tarifária dos Estados Unidos, o estado perdeu 1,83 mil postos, encerrando outubro com estoque de 80,63 mil empregos diretos na atividade, patamar 4,8% inferior ao mesmo período do ano passado.

São Paulo fechou 152 postos de trabalho no mês de outubro, quase 80% destes localizados no polo de Franca, onde o setor é o principal segmento empregador e tem nos Estados Unidos seu principal destino. O estado encerrou outubro com estoque de 33,53 mil empregos diretos na indústria calçadista, patamar 1,6% inferior ao mesmo período de 2024.

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Em nova conversa com Trump, Lula defende “avanço rápido” nas negociações para o fim das tarifas

 

Da Redação (*)

Brasilia – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou, nesta terça-feira (2), para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que deseja “avançar rápido” nas negociações para retirada da sobretaxa de 40% imposta pelo governo americano, que ainda vigora sobre alguns produtos brasileiros.

Lula e Trump também conversaram sobre cooperação para o combate ao crime organizadoEm comunicado, o Palácio do Planalto informou que a conversa entre os líderes foi “muito produtiva” e durou 40 minutos.

No dia 20 de novembro, a Casa Branca anunciou a retirada de 238 produtos da lista do tarifaço, entre eles, café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau e especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina.

De acordo com o governo, 22% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ainda permanecem sujeitas às sobretaxas. No início da imposição das tarifas, 36% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano estavam submetidas a alíquotas adicionais.

Na conversa com Trump, Lula indicou ter sido muito positiva a decisão do governo estadunidense, mas destacou que “ainda há outros produtos tarifados que precisam ser discutidos entre os dois países e que o Brasil deseja avançar rápido nessas negociações”.

tarifaço imposto ao Brasil faz parte da nova política da Casa Branca, inaugurada pelo presidente Donald Trump, de elevar as tarifas contra parceiros comerciais na tentativa de reverter a relativa perda de competitividade da economia dos Estados Unidos para a China nas últimas décadas.

No dia 2 de abril, Trump impôs barreiras alfandegárias a países de acordo com o tamanho do déficit que os Estados Unidos têm com cada nação. Como os EUA têm superávit com o Brasil, na ocasião, foi imposta a taxa mais baixa, de 10%. Mas, em 14 de novembro, o país norte-americano também isentou determinados produtos agrícolas brasileiros dessas tarifas recíprocas.

Já em 6 de agosto, entrou em vigor uma tarifa adicional de 40% contra o Brasil em retaliação a decisões que, segundo Trump, prejudicariam as big techs estadunidenses e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado.

As decisões dos EUA, de revogar parte das tarifas, foi influenciada pelo diálogo recente entre Trump e o presidente Lula, durante encontro na Malásia, em outubro, e outros contatos telefônicos que foram seguidos de negociações entre as equipes dos dois países.

O Brasil busca avançar nas tratativas para retirar novos produtos da lista de itens tarifados. Após algum alívio para o agronegócio, o governo avalia que os produtos industriais permanecem como foco de preocupação. Parte desses segmentos, especialmente bens de maior valor agregado ou fabricados sob encomenda, têm mais dificuldade para redirecionar exportações para outros mercados.

Temas não tarifários também seguem na pauta de discussão, incluindo áreas como terras rarasbig techs, energia renovável e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata).

Crime organizado

Durante a conversa com Trump nesta terça-feira, o presidente Lula ainda falou sobre “a urgência” em reforçar a cooperação com os EUA para combater o crime organizado internacional. O brasileiro destacou as recentes operações realizadas no Brasil pelo governo federal para “asfixiar financeiramente” o crime organizado e identificou ramificações que operam a partir do exterior.

Recentemente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também afirmou a importância de um diálogo direto para coibir crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Segundo ele, os criminosos usam o estado de Delaware, nos Estados Unidos, como paraíso fiscal para tirar ilegalmente dinheiro do Brasil e depois trazê-lo de volta “lavado”. A última operação foi de R$ 1,2 bilhão de envio para esses fundos em Delaware.

“O presidente Trump ressaltou total disposição em trabalhar junto com o Brasil e que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países para enfrentar essas organizações criminosas”, diz o comunicado do Palácio do Planalto.

“Os dois presidentes concordaram em voltar a conversar em breve sobre o andamento dessas iniciativas”, acrescenta.

(*) Com informações a Agência Brasil

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“Prêmio ApexBrasil–Exame Melhores dos Negócios Internacionais 2025”: a grande premiação do comércio exterior brasileiro

Evento ocorre em São Paulo na noite desta quarta-feira, dia 3

Da Redação (*)

Brasília – Nesta quarta-feira, dia 3 de dezembro, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com a revista Exame, realiza em São Paulo, a cerimônia de entrega do Prêmio ApexBrasil–Exame: Melhores dos Negócios Internacionais 2025. O evento acontece a partir das 18 horas, no Teatro B32, com a presença do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, autoridades, empresários e empresárias.

Pelo segundo ano consecutivo, a premiação destacará iniciativas inovadoras e transformadoras que contribuíram para fortalecer a presença brasileira no mercado global. Nesta edição, foram registradas 352 inscrições distribuídas em 18 categorias (um crescimento de 71% em relação ao ano anterior).

Serviço:

*Data*: Quarta-feira, dia 3 de dezembro de 2025 —- *Horário*: 18 horas

*Local*: Teatro B32 — Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3732, São Paulo – SP

*Jornalistas interessados devem fazer o credenciamento no Link* :

https://forms.office.com/pages/responsepage.aspx?id=CEWR5Xs–Ea5jlHiOyklhowF2i1QhJNAmx6goWfQKPtUNlBOOUU2RFFRUzNJNzBZWUpEWlkwREo1Ny4u&route=shorturl

(*) Com informações da ApexBrasil

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Calendário de Eventos do Turismo para dezembro tem celebrações do fim do ano e chegada do verão

O último mês do calendário chega com o espírito natalino, o início do estação mais quente do ano e as celebrações de Ano Novo. O Brasil oferece eventos de Norte a Sul para quem vai viajar neste período.

Da Redação (*)

Brasília – Com a chegada das festas de fim de ano, das férias escolares e o início do verão, o turismo brasileiro ganha força total. É tempo de reunir a família, viajar para visitar parentes distantes ou curtir as confraternizações com os amigos.

​Neste mês, o Brasil conta com uma programação diversificada que vai de feiras de artesanato e corridas de rua a espetáculos de luzes e grandes festas da virada, movimentando a economia e a cultura nas cinco regiões do país.

​Para o ministro do Turismo, Celso Sabino, o período é estratégico para o setor. “Dezembro é o mês em que o brasileiro se reencontra com suas raízes e com as belezas do nosso país. Seja para apreciar a iluminação de Natal no interior, participar de eventos esportivos ou celebrar a chegada de 2026 em nossas praias e rios, o turismo se consolida como um grande gerador de emprego e alegria neste fechamento de ciclo”, afirma.

​Confira a seleção de eventos para curtir em dezembro:

​REGIÃO NORTE

A região aposta na cultura local e nas celebrações de fim de ano integradas à natureza amazônica.
​Rota das Pedras (Marabá/PA): Evento artístico e cultural que movimenta a cidade durante todo o mês, de 1º a 30 de dezembro.
​Festival das Pastorinhas (Parintins/AM): A ilha, mundialmente famosa pelos bois-bumbás, celebra a tradição natalina e folclórica das pastorinhas no dia 21 de dezembro.
​Réveillon do Parque Anauá (Boa Vista/RR): A capital de Roraima prepara uma grande festa para a virada do ano, entre 31 de dezembro e 1º de janeiro.

​REGIÃO NORDESTE

O Nordeste mistura a fé, o esporte e o orgulho da diversidade em sua programação de dezembro.
​Picos Run (Picos/PI): Para quem gosta de unir turismo e esporte, a cidade piauiense promove sua tradicional corrida no dia 12 de dezembro.
​Salvador Orgulho (Salvador/BA): Um evento vibrante que celebra a diversidade e a cultura na capital baiana, marcado para o dia 14 de dezembro.
​Natal da Esperança (Delmiro Gouveia/AL): O sertão alagoano se ilumina para celebrar o ciclo natalino de 16 a 22 de dezembro.

​REGIÃO CENTRO-OESTE

No coração do Brasil, as águas e as luzes de Natal são os grandes atrativos para os visitantes.
​Encontro Náutico Amigos do Sucuriú (Três Lagoas/MS): O turismo náutico ganha destaque neste encontro que movimenta as águas de Mato Grosso do Sul no dia 13 de dezembro.
​Natal Luz (Rio Verde/GO): A cidade goiana se transforma com decorações e apresentações culturais, de 15 de dezembro a 05 de janeiro.
​Natal Encantado e Réveillon (Paranaitá/MT): O município mato-grossense une as celebrações de Natal e a festa da virada em uma programação que vai de 05 a 31 de dezembro.

​REGIÃO SUDESTE

A região mais populosa do país oferece desde a maior feira de artesanato do Brasil até o charme das cidades do interior e do litoral.
​Natal de Luz (Armação dos Búzios/RJ): O charmoso balneário fluminense ganha ainda mais brilho com sua decoração especial, de 1º a 31 de dezembro.
​36ª Feira Nacional de Artesanato (Belo Horizonte/MG): Um dos maiores eventos do gênero na América Latina, perfeito para compras de fim de ano. De 03 a 07 de dezembro.
​13º Guararema Cidade Natal (Guararema/SP): Conhecida por sua beleza e preocupação ecológica, a cidade paulista realiza seu tradicional evento natalino de 04 de dezembro a 04 de janeiro.

​REGIÃO SUL

O Sul do país mantém viva a tradição dos natais iluminados e das grandes festas de virada ao ar livre.
​Sinos de Natal (Flores da Cunha/RS): A Serra Gaúcha celebra a magia do Natal com cultura e tradição durante todo o mês, de 1º a 31 de dezembro.
​5º Fantástico Natal de Castro (Castro/PR): A cidade paranaense encanta moradores e turistas com sua programação festiva de 02 a 23 de dezembro.
​Virada no Lago 2026 (Fraiburgo/SC): A “Terra da Maçã” prepara um espetáculo especial para receber o ano novo, de 31 de dezembro a 1º de janeiro.
​Para conferir a lista completa e mais detalhes sobre cada atração, acesse o Calendário Nacional de Eventos do Ministério do Turismo clicando AQUI.

(*) Com informações do MTur

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Estudos da ApexBrasil destacam Argentina e Colômbia como parceiros  estratégicos do Brasil em comércio e investimentos

Confira os Perfis de Comércio e Investimentos Argentina e Colômbia para orientar novos negócios

Da Redação (*)

Brasília – A ApexBrasil lança os estudos Perfil de Comércio e Investimentos Argentina e Colômbia, que apresentam uma análise estratégica das relações econômicas do Brasil com dois dos principais parceiros comerciais na América Latina. Os perfis destacam oportunidades para exportações, além de informações sobre acesso a esses mercados e investimentos entre o o Brasil e os dois países vizinhos.

No que diz respeito ao mercado argentino, os principais pontos do estudo revelaram que o Brasil é o principal país exportador para a Argentina, respondendo por 23,6% do market share. Além disso, destaca-se que o Brasil lidera o mercado nos cinco principais produtos que exporta para o país, que é parceiro estratégico no Mercosul.

Somente no período janeiro-outubro de 2025, nossas exportações para a Argentina alcançaram US$ 15,8 bilhões, superando o total de 2024 e crescendo 41,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os principais produtos exportados estão automóveis, caminhões, tratores, insumos de ferro e aço, papel e cartão, pneus e cacau. Ao todo, foi mapeada uma variedade de mais de 2.000 produtos como oportunidades comerciais.

Em relação à Colômbia, as oportunidades se destacam por ser um mercado em expansão e diversificação. Assim como a Argentina, o país também é um importante parceiro comercial do Brasil, tanto que a ApexBrasil possui 26 projetos setoriais com foco no mercado colombiano. Além disso, a Agência tem um Escritório (EA) em Bogotá desde 2012, evidenciando a importância do mercado colombiano para as empresas atendidas pela Agência.

O Brasil é o terceiro maior fornecedor da Colômbia, atrás dos Estados Unidos e da China. A Colômbia também tem o Brasil como o seu maior provedor em setores como papel e cartão e açúcares e melaços.

Para mais detalhes sobre cada um dos estudos, acesse aqui os Perfis Argentina e Colômbia.

Perfil Argentina

Perfil Colômbia

(*) Com informações da ApexBrasil

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