Fórum Empresarial Brasil-Rússia marca um novo patamar nas relações entre os dois países, diz ApexBrasil

Em evento organizado pela ApexBrasil e MRE, vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin e o 1º ministro Russo, Mikhail Mishustin, falam do interesse mútuo de fortalecer o comércio bilateral

Da Redação (*)

Brasília – Na ocasião do Fórum Empresarial Brasil-Rússia, realizado nesta quinta-feira (5), em Brasília-DF, Brasil e Rússia consolidaram o interesse mútuo de fortalecer as relações comerciais e econômicas entre os dois países. O evento reuniu autoridades e empresários de ambas as nações para discutir e encontrar oportunidades de aprimorar a cooperação bilateral.

“Esse Fórum foi elaborado para que possamos ampliar as exportações de bens industrializados e de maior valor agregado entre nossos países e incentivar parcerias em áreas como indústria, tecnologia, energia, saúde e serviços especializados”, disse o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, durante a abertura do encontro.

O primeiro-ministro da Federação Russa, Mikhail Mishustin, também destacou o interesse de ambos os países em fortalecer as relações comerciais. “Esse Fórum mostra a intenção do presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, de ampliar nossa cooperação bilateral. Estamos abertos a um parceiro estratégico como o Brasil”, afirmou.

“Temos tudo para aumentar ainda mais nossas parcerias em áreas como o setor industrial, agronegócio, além de farmacêutica – e contamos com a abordagem positiva do regulador brasileiro, com transferência de tecnologia, soluções informacionais, tecnologias modernas de digitalização e gestão pública, sistemas mais modernos de cybersegurança e inteligência digital, levando em conta a soberania digital. Estamos abertos ao diálogo. Sejam bem-vindos à Rússia”, reforçou.

Relação comercial em outro patamar é a meta

Representando a ApexBrasil, a chefe do Escritório da Agência em São Paulo (EA São Paulo), Márcia Nejaim, também destacou a importância do evento. “Esse encontro é um passo essencial para a ampliação do patamar comercial entre nossos países”, disse Márcia, que reforçou o importante papel da ApexBrasil na consolidação dessa relação. “A ApexBrasil atribui grande importância às relações comerciais do Brasil com a Rússia, onde temos um escritório há 16 anos ativo e estratégico em Moscou”, pontuou.

Segundo Márcia, o Brasil tem contribuído ativamente na garantia da segurança alimentar da Rússia como fornecedor de proteínas, carnes e outros produtos fundamentais. Por sua vez, a Rússia, segundo ela, desempenha papel essencial ao promover insumos estratégicos como fertilizantes e combustíveis, que são fundamentais para o dinamismo da agricultura e da economia do Brasil.

“E queremos avançar ainda mais no desenvolvimento de negócios entre nossas empresas em setores diversos. Há ampla espaço para ampliar fluxos, diversificar pautas e agregar valor ao nosso comércio bilateral”, reforçou a representante da ApexBrasil.

Oportunidades

As relações comerciais entre Rússia e Brasil são positivas e seguem em avanço. Em 2025, o comércio bilateral alcançou US$ 10,9 bilhões. O Brasil exportou para a Rússia US$ 1,5 bilhão, representando 0,4% do total exportado pelo Brasil – um aumento de 5% em relação a 2024, quando o valor foi de US$ 1,4 bilhão.

No mesmo período, as importações brasileiras com origem na Rússia foram de US$ 9,4 bilhões (5º principal fornecedor), mas com a pauta bastante concentrada em óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos e adubos ou fertilizantes químicos. O número foi cerca de 14,2% inferior a 2024, quando foram registrados US$ 10,9 bilhões.

O desafio maior está na diversificação da pauta exportadora. Pelo que indica o mais recente estudo Perfil de Comércio e Investimentos da Brasil-Rússia da ApexBrasil, há 217 oportunidades para isso. Segundo a publicação, os cinco principais grupos de produtos com oportunidades para o Brasil na Rússia são: alumina (óxido de alumínio); veículos automóveis para transporte de mercadorias e usos especiais; soja; cacau em pó; manteiga ou pasta de cacau; e frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas.

Entre 2024 e 2025, segundo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Rússia abriu mercado para diversos produtos agropecuários brasileiros – o que revela o interesse em ampliar a pauta exportadora. Entre eles estão: feijão (2025); banana (2024); erva mate (2024); amêndoas de cacau (2024); e noz-pecã (2024).

Segundo a ApexBrasil, a demanda russa de alimentos converge com a oferta brasileira em setores estratégicos e amplia o potencial de crescimento na relação comercial.

Áreas estratégicas

Ao longo da tarde, o Fórum contou com três painéis focados em discutir oportunidades de avanço na cooperação entre os dois países em áreas estratégicas. Sustentabilidade, segurança alimentar e desenvolvimento no campo das Tecnologias Industriais e da Informação foram os temas em destaque.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Como as cidades inteligentes moldam um futuro mais seguro para nossas crianças

Thomas Law  (*)

Garantir uma vida segura para as crianças sempre foi uma prioridade para famílias e gestores públicos. Com o crescimento acelerado das metrópoles e a presença constante da tecnologia no dia a dia, proteger os mais jovens passou a exigir estratégias inovadoras. Nesse contexto, as cidades inteligentes — que combinam tecnologia e planejamento integrado para promover proteção, sustentabilidade e melhor qualidade de vida — surgem como a solução para tornar os espaços urbanos mais seguros e acolhedores para as próximas gerações.

As soluções oferecidas por uma cidade inteligente vão muito além da conectividade. Elas envolvem planejamento sustentável, integração de dados, uso estratégico de inteligência artificial e participação cidadã. Quando aplicadas com foco na infância, essas ferramentas têm o potencial de transformar radicalmente a forma como cuidamos de nossas crianças no espaço público.

O uso de dados é um dos pilares centrais para garantir a proteção da população atualmente. Câmeras equipadas com recursos de análise e sensores conectados não apenas monitoram áreas de lazer e escolas, mas, com o apoio da IA, também podem detectar situações de risco, como quando uma criança se afasta do grupo ou é abordada por uma pessoa desconhecida. Essa análise preditiva permite respostas imediatas das autoridades. A UNICEF, por meio da iniciativa “Child-Friendly Cities”, destaca que a coleta e o uso de dados para mapear áreas de risco e incidentes são cruciais para o planejamento urbano centrado na infância.

A mobilidade também é fundamental. Municípios que investem em transporte público monitorado, com aplicativos que fornecem informações em tempo real, oferecem mais tranquilidade às famílias. Um relatório da McKinsey & Company de 2024 sobre o futuro da mobilidade urbana aponta que a adoção de tecnologias de análise de tráfego e infraestrutura inovadora pode reduzir significativamente acidentes com pedestres e ciclistas, tornando as ruas mais seguras para as crianças que caminham para a escola ou brincam no bairro.

O desenvolvimento de cidades inteligentes também exige a participação ativa da comunidade. Plataformas digitais que permitem denunciar situações de risco, reportar falhas em equipamentos coletivos ou sugerir melhorias no entorno escolar fortalecem a rede de proteção e aproximam cidadãos do poder público.

Diversos locais ao redor do mundo já têm adotado soluções tecnológicas voltadas à segurança e ao bem-estar infantil.

Copenhague, na Dinamarca, utiliza sensores de tráfego para monitorar fluxo de ciclistas em tempo real. As vias foram projetadas com ciclovias que conectam bairros residenciais a escolas e área comerciais. Já Barcelona, na Espanha, implementou o projeto Superilles, que transforma conjuntos de quarteirões em zona de baixa circulação para carros. São dois casos que mostram como os espaços coletivos podem ser projetados para permitir que os mais jovens se desloquem com mais autonomia e confiança.

Os exemplos não param aí. Singapura integrou câmeras de vigilância com análise de dados para identificar comportamentos suspeitos e aumentar a resposta a incidentes em tempo real. Em Oslo, na Noruega, um aplicativo permite que crianças reportem problemas que encontram nas ruas, como buracos ou falta de sinalização. Já Gurgaon, na Índia, desenvolveu um sistema de detecção de ameaças baseado em IA que utiliza câmeras para identificar comportamentos suspeitos em espaços públicos.

No Brasil, o número de municípios que estão adotando tecnologias para criar ambientes mais seguros é cada vez maior. Em São Paulo e Salvador, por exemplo os sistemas de videomonitoramento têm se tornado aliados importantes na segurança urbana. Na capital paulista, o programa Smart Sampa integra câmeras de vigilância, inclusive em ônibus e metrôs, com dados de trânsito e da guarda municipal, agilizando a resposta a incidentes em locais de grande circulação. Já em Salvador, a expansão do monitoramento com reconhecimento facial para praças e parques reforça a proteção de crianças e famílias nos espaços públicos.

Outras capitais, como Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS), têm apostado na modernização da iluminação pública para aumentar a confiança dos cidadãos nos espaços de uso comum. Em Curitiba, a instalação de luzes automatizadas em áreas de lazer, como o Parque Barigui, melhora a visibilidade e estimula a presença de famílias após o anoitecer. Já em Porto Alegre, a iluminação eficiente integra-se ao planejamento urbano, contribuindo para rotas escolares mais seguras e ambientes coletivos mais bem frequentados.

Esses exemplos mostram que o cuidado não se constrói com ações isoladas, mas sim com uma rede de soluções integradas que, ao fortalecerem o ambiente das comunidades como um todo, protegem seus cidadãos mais vulneráveis.

A segurança dos mais jovens é, em última instância, o melhor indicador da qualidade de vida em qualquer sociedade. Se nossas cidades conseguem protegê-las, elas estão preparadas para oferecer bem-estar a todos. Investir em soluções inteligentes não significa apenas modernizar a infraestrutura urbana, mas, acima de tudo, construir um futuro mais humano, solidário e seguro. Cidades verdadeiramente inteligentes devem nascer com o olhar voltado para as crianças, porque são elas que, amanhã, vão herdar o espaço que estamos desenhando hoje.

(*) Thomas Law –  Advogado, Doutor em Direito Comercial pela PUC-SP, presidente do Ibrachina, do IBCJ e fundador do Ibrawork, hub de Open Innovation especializado em Smart Cites

 

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Brasil quer ampliar, diversificar e qualificar comércio e investimentos com a Rússia, diz Alckmin

Em declaração conjunta da VIII CAN Brasil-Rússia, o vice-presidente e o primeiro-ministro russo confirmaram compromisso de ampliação dos projetos de cooperação

Da Redação (*)

Brasília – A agenda bilateral de comércio, investimentos e cooperação econômica entre Brasil e Rússia foi tema da VIII Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação (CAN), realizada, nesta quinta-feira (5) em Brasília. O encontro foi copresidido pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e pelo primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin.

Na abertura do encontro, Alckmin enfatizou o potencial estrutural da relação bilateral.

“Brasil e Rússia são economias de grande escala, dotadas de ampla base produtiva, recursos naturais estratégicos, capacidade tecnológica e mercados internos relevantes. Essa combinação cria oportunidades concretas para ampliar, diversificar e qualificar nossa cooperação econômica e comercial”, afirmou.

Em sua fala, Alckmin indicou as frentes estratégicas para o avanço conjunto.

“A agenda da CAN reflete prioridades claras: cooperação industrial, fortalecimento do agronegócio, energia, ciência, tecnologia e inovação, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável. Em todas essas áreas, buscamos promover integração produtiva, parcerias empresariais e cooperação tecnológica”.

Ele também posicionou a parceria no contexto da política de modernização produtiva brasileira.

“O governo brasileiro tem adotado uma política consistente de neoindustrialização, baseada em inovação, sustentabilidade e inclusão. Queremos uma indústria mais verde, mais digital e mais integrada às cadeias globais de valor”, garantiu Alckimin.

Principal instância de coordenação intergovernamental entre os dois países, a comissão orienta iniciativas para ampliar negócios, estimular investimentos produtivos e fortalecer parcerias estratégicas. Em 2025, a corrente comercial Brasil–Rússia alcançou US$ 10,9 bilhões, com US$ 1,5 bilhão em exportações brasileiras e US$ 9,4 bilhões em importações.

Rússia destaca importância do Brasil como parceiro comercial

O primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, contextualizou a cooperação no plano geopolítico e avaliou que a relação econômica vem ganhando força com novos projetos conjuntos.

“A cooperação entre Brasil e Rússia está se desenvolvendo positivamente e, o mais importante, está se preenchendo com novos projetos benéficos para diferentes áreas, e estamos interagindo ativamente na área comercial e econômica”.

O primeiro-ministro também reconheceu a importância do Brasil para o comércio exterior russo e o intercâmbio bilateral.

“O Brasil, para nós, é o principal parceiro econômico na América Latina e concentra metade de todo o volume comercial, além de manter posições de liderança entre os fornecedores de produtos alimentares, principalmente de carne e café. A cooperação permite contribuir conjuntamente para garantir a segurança alimentar.”

(*) Com informações do MDIC

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Geopolítica, tecnologia e a agenda inadiável para o setor têxtil e de confecção brasileiro

Fernando Valente Pimentel (*)

O mundo caminha para 2030 sob uma lógica muito diferente daquela que predominou nas últimas décadas. A globalização, baseada exclusivamente em eficiência e baixo custo, vem sendo substituída por um ambiente marcado por tensões geopolíticas, políticas industriais nacionais e competição tecnológica. Nesse novo cenário, o futuro dos setores produtivos será definido não só por preço fundamentalmente, mas também por resiliência, tecnologia e posicionamento estratégico.

Relatório recente do World Economic Forum aponta que a economia global será moldada pela interação entre geoeconomia — isto é, o impacto da política e da geopolítica sobre o comércio — e tecnologia, com destaque para a digitalização e a inteligência artificial. Não existe um único futuro possível, mas diferentes cenários que variam por país e por setor. Para o setor têxtil e de confecção brasileiro, essa transformação traz desafios relevantes, mas também uma janela estratégica rara.

Do lado dos desafios, a fragmentação do comércio internacional tende a se intensificar. Barreiras técnicas, exigências ambientais, regras digitais e políticas industriais ganham peso crescente. O setor têxtil e de confecção brasileiro, que já convive com um elevado custo estrutural de produção, enfrenta concorrência de países que operam sob regras trabalhistas, ambientais, previdenciárias e financeiras muito menos exigentes. O problema central não é a competição, mas a falta de isonomia competitiva.

É nesse ponto que se impõe uma agenda doméstica clara. Não haverá competitividade sustentável sem redução efetiva do Custo Brasil e melhoria do ambiente de negócios. Isso passa por uma reforma administrativa que aumente a eficiência do Estado, reduza desperdícios e libere recursos para investimento, bem como por uma nova rodada de ajustes na previdência, capaz de garantir previsibilidade fiscal e reduzir pressões estruturais sobre a economia.

A competitividade industrial também exige redução do custo do trabalho formal, hoje excessivamente onerado por encargos e insegurança jurídica. Em um país que precisa gerar empregos de qualidade e combater a informalidade, tornar o trabalho formal mais acessível é condição indispensável para o crescimento sustentado.

Outro vetor crítico é o combate ao comércio ilegal e à concorrência desleal, que distorcem o mercado, destroem empregos e penalizam empresas que cumprem a legislação. A defesa da legalidade e da concorrência justa não é protecionismo, é pré-requisito para um mercado saudável.

Some-se a isso a necessidade de juros em padrão internacional. Taxas de juros reais persistentemente elevadas encarecem investimentos e inibem inovação. Sem um custo de capital compatível com o resto do mundo, falar em produtividade torna-se exercício retórico.

No plano externo, é igualmente fundamental fortalecer os instrumentos de legítima defesa comercial, garantindo que práticas desleais sejam enfrentadas com rapidez e rigor, em linha com as regras internacionais. Defender a indústria nacional de dumping e subsídios ilegais não significa fechar a economia, mas assegurar concorrência equilibrada.

Ao mesmo tempo, a tecnologia deixa de ser opcional. Inteligência artificial, automação e análise de dados já impactam ganhos de produtividade, gestão de estoques, eficiência energética e leitura de demanda. Empresas que não avançarem nessa agenda perderão espaço, inclusive no mercado interno. O maior risco hoje não é errar ao investir em tecnologia, mas não investir.

Há, contudo, uma dimensão positiva nesse novo contexto. A regionalização das cadeias produtivas, o nearshoring, favorece países com mercado interno relevante, base industrial diversificada e capacidade de atender padrões ambientais e sociais mais rigorosos. O Brasil reúne esses atributos.

Além disso, o país dispõe de uma das poucas cadeias têxteis completas do mundo, com produção relevante de fibras naturais, bem como de algumas fibras sintéticas importantes para o setor, o que amplia significativamente o seu potencial de atração de novos investimentos nacionais e internacionais. Essa diversidade confere flexibilidade produtiva, capacidade de inovação e maior aderência às exigências de mercados cada vez mais segmentados e regulados.

A sustentabilidade, por sua vez, deixa de ser apenas discurso reputacional e passa a ser fator econômico concreto. Circularidade, rastreabilidade e descarbonização tornam-se exigências de mercado e critérios de acesso a financiamento. Nesse campo, o setor têxtil brasileiro conta com ativos importantes, como uma cadeia produtiva estruturada e uma das agriculturas de algodão mais sustentáveis do mundo capazes de gerar vantagem competitiva real.

Nesse contexto, a conclusão de acordos comerciais, em especial entre Mercosul e União Europeia, assume papel estratégico. A ampliação do acesso a mercados, com regras claras e previsíveis, fortalece a integração do Brasil às cadeias globais de maior valor agregado e amplia o retorno de investimentos em tecnologia, sustentabilidade e produtividade.

O futuro do setor têxtil e de confecção não está dado. Ele dependerá das escolhas feitas agora. Investir em tecnologia, elevar a produtividade, qualificar pessoas e, sobretudo, avançar em reformas estruturais que reduzam o Custo Brasil e ampliem a inserção internacional do país são condições indispensáveis para que o setor não apenas sobreviva, mas se fortaleça.

Num mundo mais fragmentado e tecnológico, a indústria têxtil e de confecção brasileira tem, se tiver os elementos adequados e um ambiente concorrencial isonômico, plena condição se consolidar como um ativo ainda mais estratégico para o desenvolvimento econômico e social do país.

(*) Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

 

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Caiado busca nos EUA acordos para exploração de minerais críticos de Goiás com garantia de transferência de tecnologia

Ideia é incentivar a industrialização em Goiás; Estado de Goiás concentra os projetos mais avançados do país nesse setor

Da Redação (*)

Brasília – O governador Ronaldo Caiado participou, em Washington, nos Estados Unidos (EUA), nesta terça e quarta-feira (03 e 04/02), de reuniões sobre a exploração de minerais críticos em Goiás. A convite da Casa Branca, Caiado esteve no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) e da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC), onde apresentou o potencial de Goiás a autoridades governamentais e do setor privado.

Na ocasião, Caiado defendeu a celebração de acordo, com futuras parcerias que assegurem a transferência de tecnologia para a indústria local. “Entendemos que há oportunidades para o crescimento do setor. Não queremos que Goiás seja apenas exportador de matéria-prima, mas avance na separação e no processamento dos materiais”, afirmou o governador sobre os interesses do Estado em ampliar a cadeia produtiva ligada aos minerais críticos.

O convite para as agendas em solo americano surge em um momento em que minerais críticos – como elementos de terras raras, essenciais para a indústria de alta tecnologia – estão ganhando cada vez mais importância econômica. Na reunião principal, realizada no DFC, Caiado foi recebido por representantes do governo dos EUA e do setor de financiamento para o desenvolvimento, incluindo o Diretor Executivo de Política de Energia e Minerais Críticos da instituição, Thomas Haslett.

Durante a reunião, Thomas Haslett destacou as oportunidades para a DFC no setor de minerais críticos do Brasil, incluindo no estado de Goiás, bem como a importância de uma visão de longo prazo e do investimento em toda a cadeia de valor.

O interesse no diálogo com Goiás, segundo Caiado, reflete a posição estratégica do estado no setor. Hoje, a única mina privada de elementos de terras raras em atividade comercial no Brasil está localizada no município de Minaçu. Além disso, um outro grande projeto no valor de R$ 2,8 bilhões está em implantação nos municípios de Nova Roma e Aparecida de Goiânia.

Goiás na vanguarda nacional em legislação mineral

“Goiás é um estado com subsolo muito rico. Nós temos vários minerais sendo explorados no estado”, destacou o governador. “É o único estado no Brasil que tem uma legislação de autoridade mineral, com um fundo específico para que a gente possa, em parceria, instalar um laboratório para que possamos desenvolver o que é o objetivo do Estado”, completou Caiado.

O CEO da Aclara Resources, Ramón Gino Barúa Costa, também participou do encontro e apresentou os avanços da atuação da empresa em Goiás, que está desenvolvendo o Projeto Carina em Nova Roma, com investimento de cerca de R$ 2,8 bilhões para extrair terras raras pesadas. A multinacional iniciou a operação em planta piloto, em Aparecida de Goiânia.

Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), de janeiro deste ano, apontam 515 processos minerários ativos relacionados a esse tipo de minério no estado. A maioria está concentrada nas fases iniciais: 411 autorizações de pesquisa e 94 requerimentos de pesquisa, o que indica um cenário de intensa prospecção. Em fases mais avançadas destacam-se sete processos de concessão de lavra, sendo que Goiás é a única região produtora fora da China.

Durante a missão oficial aos Estados Unidos, o governador Ronaldo Caiado também cumpriu agenda no Center for Strategic and International Studies (CSIS), o centro de referência do governo norte-americano para análises e debates sobre política internacional, segurança e estratégia global. O governador foi acompanhado pelo secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima.

Contexto internacional

O presidente Donald Trump anunciou, recentemente, um plano para a criação de um estoque de minerais críticos, estimado em US$ 12 bilhões, para abastecer a indústria norte-americana. Batizada de Projeto Vault, a proposta prevê US$ 1,67 bilhão em capital privado e um empréstimo de US$ 10 bilhões do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos. Assim como a articulação sobre terras raras, o objetivo é reduzir a dependência da China em insumos.

(*) Com informações da Secretaria de Comunicação – Governo de Goiás

 

 

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Inteligência Artificial, governança e competitividade: lições europeias para o Brasil

Victoria Luz (*)

Participar do The International AI Summit 2025, na Bélgica, em dezembro passado, foi menos sobre conhecer novas ferramentas de Inteligência Artificial e mais sobre entender como a IA se tornou um tema central de estratégia econômica e política. Em Bruxelas, a discussão já não gira em torno de experimentação, mas de escala, governança e competitividade sistêmica.

Esse contraste ajuda a iluminar um ponto sensível para o Brasil: enquanto a Europa discute como estruturar a próxima década com IA, nós ainda debatemos se devemos regular, investir ou simplesmente “esperar o mercado”.

Inteligência artificial como política de desenvolvimento

Um dos aprendizados mais claros do evento foi o enquadramento da IA como política de Estado. Representantes da Comissão Europeia reforçaram que a adoção em larga escala só acontece quando há confiança. Essa visão está no centro do AI Act, o marco regulatório europeu.

Segundo a Comissão Europeia, no documento oficial do EU Artificial Intelligence Act (2024), o objetivo da regulação não é frear inovação, mas criar previsibilidade jurídica, classificar riscos e permitir que empresas saibam exatamente o que podem e o que não podem fazer ao desenvolver e usar sistemas de IA.

Para o Brasil, esse ponto é crucial. O debate em torno do Projeto de Lei 2338/2023, que cria o Marco Legal da IA, muitas vezes se perde entre o medo da burocratização e a defesa de uma autorregulação vaga. O que a Europa mostra é que regulação bem desenhada pode ser um catalisador de adoção, especialmente em setores tradicionais da economia.

Infraestrutura deixou de ser detalhe técnico

Outro eixo central da conferência foi infraestrutura. Não se falou apenas de modelos ou aplicações, mas de data centers, energia, chips e capacidade computacional. Segundo a International Energy Agency, no relatório Electricity 2024 Analysis and Forecast, os data centers já representam cerca de 1,5% do consumo global de eletricidade e podem dobrar esse percentual até 2030, impulsionados principalmente pela demanda de inteligência artificial. Esse dado apareceu repetidamente nos painéis como justificativa para tratar IA como tema estratégico de soberania.

Na prática, a União Europeia está investindo em AI Factories e Giga Factories, centros públicos de supercomputação voltados à pesquisa, inovação e uso industrial de IA. A lógica é simples: quem não controla minimamente sua infraestrutura não controla sua capacidade de inovar.

Para o Brasil, a analogia é direta. Hoje, somos quase totalmente dependentes de infraestrutura estrangeira para treinar modelos, rodar sistemas críticos e escalar aplicações. Isso não é um problema imediato, mas é um risco estrutural para setores como finanças, agronegócio, saúde e governo.

O maior gargalo não é tecnologia, é gente

Um ponto que apareceu de forma quase unânime nos debates foi o fracasso de projetos de IA por razões organizacionais, não técnicas. De acordo com a OCDE, no relatório AI in the Workplace (2024), mais de 70% dos projetos de inteligência artificial em grandes organizações europeias não avançam para produção por falta de capacitação, governança clara e integração com processos de negócio. A tecnologia existe, mas as pessoas e as estruturas não acompanham.

Esse diagnóstico conversa diretamente com a realidade brasileira. Vemos empresas pressionando times a “usar IA”, sem oferecer formação prática, diretrizes de uso ou clareza sobre objetivos. O resultado é uma profusão de pilotos que nunca viram resultado real.

Na Europa, a resposta tem sido investimento pesado em capacitação, desde programas de requalificação profissional até a inclusão de competências digitais e de IA nos sistemas educacionais. O aprendizado para o Brasil é direto: alfabetização em IA não pode ser restrita a desenvolvedores ou áreas técnicas. Ela precisa chegar à liderança, ao setor público e às pequenas empresas.

Pequenas e médias empresas no centro da estratégia

Outro aspecto relevante observado na conferência foi o foco explícito em pequenas e médias empresas. Diferente do discurso comum de que IA é território exclusivo de big techs, a Europa vem desenhando políticas para democratizar o acesso.

Segundo o World Bank, no relatório AI and Productivity Growth (2024), os maiores ganhos econômicos da IA não vêm apenas de inovações disruptivas, mas do aumento de produtividade média em pequenas e médias empresas. Por isso, países que conseguem levar IA para esse segmento tendem a capturar mais valor no longo prazo.

Na prática, isso se traduz em sandboxes regulatórios, hubs de inovação, acesso subsidiado à infraestrutura e apoio técnico. Para o Brasil, onde mais de 90% das empresas são PMEs, essa é talvez a lição mais importante: se a IA não chegar a esse grupo, o impacto macroeconômico será limitado.

O Brasil ainda tem tempo, mas não muito

O sentimento que fica após acompanhar as discussões na Bélgica é que o Brasil não está atrasado de forma irreversível, mas está em uma encruzilhada. Ainda temos a chance de aprender com a experiência europeia e adaptar essas lições à nossa realidade.

Segundo a OCDE, no estudo Global AI Policy Observatory (2024), países que conseguem alinhar regulação, infraestrutura e capacitação nos primeiros estágios da adoção de IA tendem a reduzir desigualdades e acelerar ganhos de produtividade de forma mais sustentável.

A AI International Conference 2025 deixou uma mensagem clara: a próxima década não será definida por quem tem o modelo mais avançado, mas por quem cria as melhores condições para que a inteligência artificial gere valor real para a economia e para a sociedade.

E isso, definitivamente, não é apenas uma decisão tecnológica. É uma escolha estratégica de país.

(*) Victoria Luz é especialista em Inteligência Artificial aplicada aos negócios e autora do best-seller “Além do Hype: Implementando IA com Propósito e Impacto”

 

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Em sua 7ª. Edição, Anuga Brazil promove a maior rodada de negócios já realizada em uma feira na América Latina

Evento de alimentos e bebidas tem a expectativa de movimentar R$ 200 milhões em três dias de reuniões entre compradores e expositores

Da Redação (*)

Brasília – Com expectativa de promover a maior rodada de negócios já realizada em uma feira na América Latina, a Anuga Select Brazil chega à sua 7ª edição como uma das principais plataformas de geração de oportunidades para a indústria de alimentos e bebidas no país. O evento será no Distrito Anhembi, entre os dias 7 e 9 de abril. Para bater a meta, cerca de cinco mil reuniões serão agendadas com mais de 300 expositores, o que representa 60% das marcas participantes do evento.

Foi confirmada pela organização a presença de 120 grandes compradores dos mercados nacional e internacional, que devem movimentar R$ 200 milhões. “O evento é construído com base em conexão, conteúdo e oportunidades comerciais. Quando reunimos um número significativo de expositores e promovemos a maior rodada de negócios da América Latina, estamos demonstrando a força do setor e impulsionando a economia deste segmento”, explica Polliana Claudino, gerente de Projetos da Anuga Brazil, promovida pela Koelnmesse Brasil.

A participação expressiva de empresas brasileiras e de mais de 38 nacionalidades na exposição somada à presença qualificada de compradores, com representação de diversos países da América Latina, reforça o espaço como um ambiente estratégico para o desenvolvimento do mercado. Nesse cenário, a rodada de negócios foi estruturada para acelerar negociações, expandir o mercado, encurtar o ciclo de fechamento de contratos e ampliar as chances de parcerias efetivas, conectando fornecedores preparados a compradores com intenção real de aquisição.

Na última edição, a rodada contou com mais de 60 hosted buyers trazidos pelo evento, com compradores internacionais convidados pela Apex-Brasil e com representantes de redes hoteleiras ligadas ao Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB). Ao todo, foram realizadas 2654 reuniões. Em 2026, ambos mantêm a parceria com o evento, que ainda vai contar com compradores indicados pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (ABAD) e pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi).

Além do impacto econômico, o evento também se destaca pelo compromisso com a responsabilidade social. A parceria com o Sesc Mesa Brasil amplia novamente o alcance social da iniciativa e contribui diretamente para o combate ao desperdício de alimentos e o apoio a instituições sociais, alinhando o crescimento do setor a práticas sustentáveis e de impacto positivo.

Novas Atrações

Nesta edição, a programação traz novidades que ampliam a experiência dos visitantes e fortalecem a conexão entre conteúdo, negócios e tendências de mercado. Um dos destaques é a Private Label Brazil, evento dedicado ao mercado de Marcas Próprias e Terceirização Industrial, que passa a ser realizado junto à Anuga Brazil a partir de 2026. Ele tem foco no desenvolvimento da estratégia de Marcas Próprias em categorias variadas no varejo e no estímulo à terceirização e comanufatura nas indústrias.

Outra estreia na agenda é o Cooking Show sob o comando da Casa Flora, que contará com demonstrações ao vivo, receitas exclusivas e a participação de chefs renomados apostando em produtos importados e experiências gastronômicas diferenciadas. Além disso, o evento contará ainda com o espaço Burger Trends, criado em parceria com a Speed Burger, que além do podcast Burger no Papo com convidados de destaque do setor, promoverá uma competição inédita entre os maiores hamburgueiros do Brasil, apresentando inovações e lançamentos do segmento.

“O Brasil reúne todos os atributos para ampliar sua relevância no mercado global de alimentos e bebidas. O país tem uma base produtiva sólida, com diversidade agrícola e capacidade de inovação, o que torna a indústria cada vez mais preparada, inclusive para competir internacionalmente”, destaca Polliana.

“O segmento de food service, por exemplo, é um dos motores desse crescimento, com um mercado em constante expansão, que movimenta centenas de bilhões de reais por ano e, consequentemente, demanda renovação constante, desenvolvimento de novos conceitos e soluções cada vez mais eficientes. Justamente por esse potencial e pela força do segmento, a Anuga Select Brazil tem investido na criação de espaços dedicados a empresas que atuam com o modelo de negócio”, finaliza.

Serviço

ANUGA SELECT BRAZIL

Dias: 7,8 e 9 de abril de 2026

Horário: 10 às 19h

Local: Distrito Anhembi

Endereço: Av. Olavo Fontoura, 1209 – Santana, São Paulo – SP, 02001-900

Mais informações: https://anuga-brazil.com.br/

(*) Com informações da Koelnmesse Brasil

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Parque Nacional do Iguaçu recebeu 252 mil visitantes no melhor mês de janeiro da história

Da Redação (*)

Brasília – O Parque Nacional do Iguaçu iniciou o ano de 2026 quebrando recordes e posicionando-se entre os atrativos mais buscados por turistas em todo o mundo. Em janeiro, a casa das Cataratas do Iguaçu recebeu 252.803 visitantes, estabelecendo um novo marco para o mês e superando em 2,79% o maior número até então (245.934), conquistado em janeiro de 2020, período anterior à pandemia. O aumento é 7.86% superior se comparado com o do mesmo período do ano passado, quando 234 mil visitantes passaram pelo parque.

“O crescimento nesse período reflete a busca por experiências em contato com a natureza, a ampliação das atividades no Parque Nacional do Iguaçu e as melhorias no atendimento ao visitante. Mais que resultados pontuais, esse avanço traduz a visão de futuro da Urbia+Cataratas, ampliando o contato responsável das pessoas com a natureza. Os esforços conjuntos de todo o trade turístico da região têm sido fundamentais para o desempenho”, destaca o CEO Mario Macedo Junior.

Destaque para os brasileiros

Os cidadãos do Brasil corresponderam a 64% dos visitantes no mês, com 163.648 pessoas, vindos principalmente dos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Do quadro geral, os estrangeiros correspondem a 36%, com 89.155 visitantes. Os principais turistas de outros países são os vizinhos argentinos e paraguaios, seguidos dos estadunidenses, alemães, chineses, chilenos, peruanos e franceses.

Expectativas superadas

Pensando no aumento de público durante a alta temporada de final de ano e férias escolares, a Urbia+Cataratas ampliou em uma hora o atendimento entre os 20 de dezembro de 2025 e 31 de janeiro de 2026, esperando receber cerca de 340 mil visitantes. Nesse período, 349.886 pessoas visitaram a unidade, superando em 2,91% as expectativas.

Carnaval nas Cataratas

Para uma melhor experiência do visitante, o Parque Nacional do Iguaçu abrirá uma hora mais cedo durante os dias 14, 15, 16 e 17 de fevereiro, período em que a visitação deve aumentar devido ao feriado de Carnaval. Além disso, uma programação especial com atividades interativas, músicas e feirinha vão marcar o período comemorativo. A experiência exclusiva com café da manhã, Amanhecer nas Cataratas, será realizada em datas extras durante os quatro dias.

Para visitar o Parque Nacional do Iguaçu, é recomendado adquirir o ingresso antecipadamente pelo site oficial cataratasdoiguacu.com.br. Para uma visita mais tranquila, a gestão da Urbia+Cataratas aconselha a chegada também antecipada com relação ao horário do bilhete, garantindo um embarque mais rápido.

(*) Com informações do Parque Nacional do Iguaçu

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Região Sudeste domina os céus do Brasil com 47% dos passageiros do mercado doméstico em 2025

De pontes aéreas lotadas a rotas internacionais estratégicas, região concentra passageiros, cargas e os aeroportos mais movimentados do país

Da Redação (*)

Brasília – O transporte aéreo brasileiro em 2025 teve um protagonista absoluto: a Região Sudeste. Sozinha, ela concentrou aproximadamente 47% dos passageiros do mercado doméstico, reafirmando seu papel como principal eixo da aviação nacional. Os dados foram compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) a partir de relatório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Ao todo, 101 milhões de pessoas circularam pelos aeroportos da região ao longo de 2025. Entre os terminais da região dois clássicos continuam no topo do movimento doméstico: Guarulhos/SP respondeu por 14,7% do total, enquanto Congonhas/SP ficou logo atrás, com 11,8%. Juntos, ajudam a explicar por que São Paulo segue sendo o grande coração aéreo do país.

No mercado internacional, a concentração é ainda mais expressiva. Os aeroportos de Guarulhos (SP) e do Galeão (RJ) somaram 38,7% de todo o mercado internacional brasileiro, processando mais de 22 milhões de passageiros que cruzaram as fronteiras em 2025. Em outras palavras, a cada dez viajantes internacionais no Brasil, quase quatro passaram por esses dois aeroportos.

Congonhas-Santos Dumont, rota de destaque

Dentro da região, algumas rotas se destacam como verdadeiros corredores aéreos. A mais movimentada do ano foi a clássica ponte aérea Congonhas/SP–Santos Dumont/RJ, que transportou 3,9 milhões de passageiros e somou 36 mil voos. Um fluxo diário que reflete a intensa ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro. Logo atrás aparece a rota Congonhas/SP–Brasília/DF, com 2,3 milhões de passageiros e mais de 17 mil voos, reforçando a conexão entre o centro político do país e seu principal polo econômico.

O domínio da região não se limita ao transporte de pessoas. No segmento de cargas aéreas, o Sudeste também lidera. Guarulhos concentrou 27% de todo o mercado, seguido por Viracopos, com 10,8%. A rota de carga mais representativa de 2025 foi Guarulhos/SP–Miami/EUA, responsável pelo transporte de mais de 77 mil quilos de produtos, evidenciando a força da ligação logística entre o Brasil e os Estados Unidos.

Com tamanha concentração de passageiros, cargas e rotas estratégicas, o Sudeste consolida sua posição não apenas como o maior centro operacional do país, mas como um elemento vital para a conectividade aérea brasileira.

(*) Com informações da ANAC

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Caso Banco Master revela como crises nascem antes da manchete

Lucas Mantovani (*)

Durante anos, crises corporativas obedeceram a uma lógica relativamente estável. Eram desencadeadas por reportagens, investigações formais ou disputas judiciais visíveis, o que concedia às empresas algum grau de previsibilidade e tempo de reação. Essa lógica não apenas se esgotou como passou a induzir respostas equivocadas. Insistir nesse modelo revela uma leitura ultrapassada de como o poder reputacional opera no ambiente digital.

Atualmente, crises não surgem de fatos tornados públicos, mas de narrativas em formação. Elas se iniciam em grupos fechados de mensagens, interações fragmentadas nas redes sociais, fóruns privados e canais informais de circulação de informação. Quando alcançam a esfera pública, já não são potenciais crises, e sim crises consolidadas, sustentadas por percepções, emoções e julgamentos prévios. Tratar esse momento como ponto de partida é ignorar que o processo decisivo já ocorreu fora do alcance institucional.

O episódio envolvendo o Banco Master evidencia com clareza essa dinâmica. A investigação sobre a suposta contratação de influenciadores para atacar o Banco Central, independentemente de seu desfecho jurídico, demonstra como versões passam a circular, ganhar adesão emocional e se solidificar antes de qualquer manifestação institucional. É a narrativa que se organiza em torno do fato, em um ambiente descentralizado e acelerado, que efetivamente estabelece a crise.

Esse deslocamento expõe um problema estrutural, em que instituições continuam operando com tempos de resposta incompatíveis com a velocidade do digital. Dados da Social Rails indicam que 90% das crises se espalham primeiro pelas redes sociais antes de alcançarem a imprensa tradicional, e empresas com planos estruturados de gestão de crise sofrem até 67% menos danos reputacionais e apresentam até 89% mais retenção de clientes quando as crises são tratadas de forma profissional.

A diferença não está na comunicação posterior, e sim na capacidade de antecipação e leitura do ambiente. Isso significa que, quando a resposta formal ocorre, ela costuma ser tardia, reativa e desconectada do debate real que já está em curso. O ponto mais crítico dessa transformação está na origem das crises. Elas deixaram de nascer em ambientes regulados, mediados por critérios jornalísticos, jurídicos ou institucionais. Formam-se em espaços que escapam às ferramentas tradicionais de compliance, gestão de risco e comunicação corporativa.

É nesses ambientes que percepções são moldadas, culpabilidades são atribuídas e reputações começam a ser corroídas, frequentemente sem contraditório, contexto ou verificação. No Brasil, esse cenário é agravado por uma fragilidade estrutural de governança. Segundo a pesquisa “O Panorama da Gestão de Reputação Empresarial no Brasil em 2025”, da Knewin, 88% das empresas afirmam não estar preparadas para lidar com crises reputacionais. O dado expõe uma compreensão limitada do que efetivamente constitui risco no ecossistema digital contemporâneo.

Persistir na ideia de que crises são eventos excepcionais é um erro estratégico. Crises, hoje, são processos contínuos, silenciosos e cumulativos. Acionar áreas jurídicas e de comunicação apenas quando o problema se torna público equivale a reagir ao efeito e ignorar deliberadamente a causa. Em um ambiente descentralizado, essa postura não reduz danos, tende a amplificá-los.

Ignorar a gestão de riscos reputacionais como eixo da governança corporativa já não é uma opção viável, o que exige a integração entre jurídico, comunicação, tecnologia e liderança estratégica em processos permanentes de monitoramento, análise de narrativas e tomada de decisão ágil. Não se trata de vigilância excessiva, mas de inteligência institucional voltada à compreensão do ambiente antes que ele imponha suas próprias conclusões.

Diante disso, crises que nascem no digital não são falhas pontuais de comunicação. São sintomas claros de governança incapaz de se adaptar à lógica contemporânea da informação. Em um cenário hiperconectado, governança deixa de ser apenas cumprimento de normas e passa a exigir leitura estratégica de contexto, capacidade de antecipação e respostas coerentes com a complexidade do ambiente. Desconsiderar essa mudança equivale a aceitar que riscos silenciosos se transformem em crises públicas, previsíveis, evitáveis e cada vez mais frequentes.

(*) Lucas Mantovani é sócio cofundador da SAFIE Consultoria, especialista em Direito Empresarial e da Tecnologia pela PUC/MG. Com vasta experiência na implementação de programas de conformidade e governança corporativa, Mantovani destaca-se por sua abordagem prática e solução-orientada, ajudando empresas a transformar obrigações legais em alavancas estratégicas para o crescimento sustentável

 

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