Itamaraty e MTur divulgam nota conjunta sobre Isenção recíproca de vistos entre Brasil e China

Medida abarca viagens para fins de turismo, negócios, atividades artísticas, culturais, recreativas e desportivas, além de visita a familiares, participação de conferências, congressos ou reuniões

Da Redação (*)

Brasília – Os Ministérios das Relações Exteriores (MRE) e do Turismo (MTur) divlgaram hoje (11) nota informando que os governos do Brasil e da China chegaram a entendimento para a isenção recíproca de vistos a seus cidadãos para viagens de até 30 dias. A partir de hoje, 11 de maio de 2026, cidadãos chineses poderão viajar ao Brasil sem visto; cidadãos brasileiros já podem visitar a China sem visto desde maio de 2025. As isenções recíprocas têm validade até 31 de dezembro de 2026.

Segundo os Ministérios, a medida abarca viagens para fins de turismo, negócios, atividades artísticas, culturais, recreativas e desportivas, além de visita a familiares, participação de conferências, congressos ou reuniões.

Com a isenção, espera-se incremento significativo no número de turistas chineses no País. Em 2025, o Brasil registrou recorde histórico no número de turistas estrangeiros, com o ingresso no País de 9.287.196 viajantes estrangeiros.

A isenção contribuirá para o aprofundamento do intercâmbio e das relações entre os dois países, potencializando áreas como turismo, negócios, entretenimento, eventos artísticos e desportivos. Também reforçará a amizade e as trocas culturais, no momento em que se celebra o “Ano Cultural Brasil-China”.

(*) Com informações do MTur

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A reunião de Lula e Trump e as relações Brasil-EUA

Fernanda Brandão (*)

Na tarde da última quinta-feira, dia 7, o Presidente Lula foi recebido pelo Presidente Trump na Casa Branca. A expectativa em torno do encontro entre os dois presidentes era grande diante do cenário de relações diplomáticas recentes marcadas por tensionamento e aplicação de tarifas comerciais pelos Estados Unidos. A reunião aconteceu após um longo período de esforço diplomático brasileiro em reestabelecer canais de comunicação com o governo americano. Apesar da tensão que permeia a relação entre os dois países, as declarações feitas pela Casa Branca e pelo governo brasileiro sinalizaram que o encontro entre os dois chefes de estado foi considerado bem-sucedido por ambos os lados.

Havia expectativa da conversa entre os dois presidentes tratasse de temas como acesso a minerais críticos, combate ao crime organizado e o fim das tarifas de importação impostas pelo governo americano sobre produtos brasileiros. Havia também a expectativa de que os presidentes falassem em conjunto com a imprensa, o que foi cancelado sob a justificativa de que o encontro se estendeu para além da expectativa. O encontro durou cerca de três horas e as fotos divulgadas revelaram um clima amistoso entre os dois presidentes.

Em declaração à imprensa feita na Embaixada brasileira em Washington, o presidente Lula afirmou que os temas discutidos envolveram a remoção das tarifas de exportação, minerais críticos e terras raras e a formação de uma coalização para o combate ao crime organizado na região. Temas como o pix e a classificação de grupos de crime organizado brasileiros como o CV e o PCC como terroristas, considerados mais sensíveis, não fizeram parte da discussão. Foi anunciado também que os corpos diplomáticos dos dois países dariam continuidade a negociações com o objetivo de remover plenamente as tarifas sobre exportações brasileiras e dar continuidade à cooperação em outros temas abordados por ambos os presidentes.

Sobre minerais críticos e terras raras, o presidente Lula reafirmou a soberania nacional sobre o tema e a disposição do país de cooperar com parceiros que queiram investir na exploração e refinamento desses minerais em solo nacional, contribuindo para o desenvolvimento econômico do Brasil. O governo americano tem utilizado a imposição de tarifas sobre importações desproporcionais com o objetivo de forçar parceiros a renegociarem os termos de comércio entre os dois países e nesses acordos têm incluídos cláusulas de facilitação de investimento americano para exploração, mineração, extração, refinamento, processamento, transporte, distribuição e exportação de minerais críticos e terras raras.

Assegurar acesso a esses recursos tem sido uma das prioridades da política externa americana sob o governo Trump em um cenário em que a China domina a exploração desses minerais e tem praticamente o monopólio do processamento desses minerais. O Brasil tem as segundas maiores reservas conhecidas de minerais críticos e pode se tornar um importante parceiro para os Estados Unidos a fim de reduzir sua dependência da China nesse setor.

Além disso, a disposição em dar continuidade às negociações para eliminação das tarifas sobre os produtos brasileiros é reflexo também da crescente pressão interna que o presidente americano tem sofrido pelo aumento do preço dos alimentos e do custo de vida por causa das tarifas, agravado pelo conflito no Irã e o aumento dos preços dos combustíveis. A renegociação das tarifas sobre produtos alimentícios brasileiros pode contribuir para a redução de preços domesticamente, mas seu impacto será limitado diante da tendência inflacionária global por conta do aumento do preço dos combustíveis. Ainda assim, a remoção dessas tarifas terá impacto positivo sobre os exportadores brasileiros.

O encontro entre os dois presidentes deixou a percepção de que há um bom diálogo entre os dois países e boas perspectivas para o avanço da cooperação econômica entre os dois países. Trump parece ter adotado um tom menos agressivo em relação ao presidente brasileiro, apesar das divergências ideológicas entre os dois e sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, fazendo inclusive declarações sobre como admira a disposição e ânimo do presidente brasileiro. Os Estados Unidos continuam sendo o segundo parceiro comercial do Brasil, o que torna importante a manutenção de boas relações diplomáticas entre os dois países, principalmente em um cenário de crescente competição e fragmentação na economia internacional.

(*) Fernanda Brandão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

 

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Mercosul e União Europeia: Firjan apresenta ampla radiografia do acordo e seus reflexos na indústria brasileira

Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro esclarece os principais pilares dessa abertura comercial e fornece assessoria aos empresários

Da Redação (*)

Brasília – Desde o dia 1º de maio está em vigor o Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), que representa marco histórico para a economia global. A ação, resultado de mais de 26 anos de negociações, cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, unindo mais de 700 milhões de pessoas no mundo e um PIB mundial de US$ 22 trilhões.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que sempre acompanhou os processos ao longo desses anos em prol do desenvolvimento das indústrias fluminenses, está pronta para apoiar os empresários neste momento de adaptações. Como na emissão dos novos Certificados de Origem para as exportações voltadas ao mercado europeu, fortalecendo assim as oportunidades de negócios decorrentes desse marco. Para solicitar o Certificado de Origem ou obter outras informações, basta entrar em contato pelo e-mail certificadodeorigem@firjan.com.br ou pelo telefone (21) 2563-4225.

A parceria representa uma oportunidade para a inserção competitiva das indústrias fluminenses nos mercados europeus, aliada a mecanismos que garantam prazos para adaptação e a justa concorrência presentes no texto do Acordo. Para a Firjan, em um cenário atual com instabilidades internacionais e geopolíticas, o acordo provisório de comércio entre Mercosul e UE amplia o acesso a mercados internacionais para as empresas fluminenses, como também pode promover ambiente mais fértil para negócios com os mercados europeus.

A Federação acredita também que a aproximação entre os blocos significa um potencial aumento da corrente de comércio, ao criar oportunidades de novos investimentos produtivos e crescimento do PIB industrial brasileiro.

Para orientar o setor industrial, a Firjan esclarece os principais pilares dessa abertura comercial:

O que é um acordo de livre comércio?

Os acordos de livre comércio são tratados bilaterais firmados entre países para facilitar os negócios entre as partes. Este acordo representa mais amplitude, porque dá abertura ao comércio de bens em menor expressividade, sem estabelecer limites mínimos ou máximos de comércio.

Qual é a importância do acordo Mercosul-UE e sua potencialidade?

De acordo com a última edição do Diagnóstico do Comércio Exterior do Estado do Rio de Janeiro, elaborado pela Firjan, 63% das empresas fluminenses respondentes eram favoráveis a uma maior abertura comercial por meio de novos acordos, sendo o acordo com a União Europeia um dos principais mencionados. Segundo levantamento do Governo Federal, estima-se um impacto positivo de R$ 37 bilhões sobre o PIB nacional até 2044. No mesmo período, é esperado o crescimento de cerca de 2,5% tanto das importações brasileiras (R$ 42,1 bilhões) quanto das exportações (R$ 52,1 bilhões).

O acordo impactará a geração de empregos?

Espera-se também um impacto na economia nacional e na criação de empregos no Brasil. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 21,8 mil empregos foram criados a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a União Europeia em 2024.

E abrange quais setores?

São eles: comércio de bens, regras de origem, facilitação de comércio, barreiras técnicas, medidas sanitárias e fitossanitárias, defesa comercial e salvaguardas, PMEs, propriedade intelectual/indicações geográficas, compras governamentais, ESG, cooperação, entre outros.

Em números, como se mostra o cenário do comércio internacional em contexto com o Brasil?

Em conjunto, os blocos representam aproximadamente um quinto da economia global, somando cerca de US$ 22 trilhões. Em 2025, o comércio internacional entre o Brasil e o mercado europeu superou US$ 100 bilhões, com destaque para a participação dos setores de petróleo e gás, farmacêutico, automotivo, metalmecânico, siderúrgico, aeronáutico, entre outros. No mesmo período, o bloco europeu foi o segundo maior parceiro comercial do estado do Rio de Janeiro, somando uma corrente de comércio de US$ 17 bilhões.

Como ficará a questão das linhas tarifárias das exportações e alíquotas?

Cerca de 95% das linhas tarifárias das exportações do Mercosul para a UE terão suas alíquotas zeradas por meio de desgravação imediata ou linear ao longo de prazos que variam entre quatro e 12 anos. Em paralelo, 91% das linhas tarifárias impostas pelo Mercosul serão liberalizadas de forma mais gradual para as importações com origem no bloco europeu, com cestas de produtos submetidos à desgravação imediata ou linear ao longo de prazos que variam entre 4 e 30 anos, este último caso para produtos sensíveis, como veículos automotivos baseados em novas tecnologias.

Em relação à importação e à exportação de petróleo, o que o acordo significa para o Brasil?

Observando o cenário do estado do Rio, percebe-se que mais de 90% da pauta exportadora fluminense para a UE é composta pela cadeia de petróleo e seus derivados, que atualmente já possuem alíquota zero para o mercado europeu. Considerando a baixa participação dos setores, além do petróleo, entende-se haver potencial ampliação de mercado proveniente do acordo.

Pelo lado da importação, a maior diversificação da pauta traz uma presença relevante de máquinas e equipamentos. Esse cenário favorece a redução de custos na aquisição de maquinário e promove uma maior integração das indústrias fluminenses às cadeias globais de valor, embora também sinalize um possível aumento de concorrência com bens equivalentes produzidos localmente.

Como o acordo impactará o PIB nacional?

Podem ser esperados aumentos tanto na balança comercial brasileira como no PIB. O governo brasileiro estima que, até 2044, o PIB do país poderá crescer aproximadamente R$ 37 bilhões. Por sua vez, os ganhos na balança comercial seriam de cerca de R$ 52 bilhões nas exportações e R$ 42 bilhões nas importações. Estima-se que o acordo aumentaria os investimentos estrangeiros diretos no Brasil em 0,8%, segundo dados divulgados pelo Governo Federal.

Como funcionará a desgravação tarifária?

No que diz respeito ao comércio entre os blocos, o acordo prevê a eliminação de tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo Mercosul para a União Europeia. Esse processo de desoneração ocorrerá de forma imediata para determinados itens ou será escalonado em períodos que variam de quatro a 12 anos, sendo que produtos de setores agrícolas específicos ficarão sujeitos a cotas e aumentos lineares de quantidade.

Em contrapartida, haverá a extinção de tarifas sobre 91% dos produtos exportados pela União Europeia para o Mercosul. O cronograma para essa abertura de mercado também contempla a isenção imediata em casos selecionados ou prazos de transição mais longos, estendendo-se por períodos de quatro até 30 anos.

E o que é Certificado de Origem para as exportações voltadas ao mercado europeu?

Trata-se de um documento necessário para comprovar que os produtos exportados foram produzidos ou processados no país. Com ele, os exportadores brasileiros ficam protegidos e também recebem tratamento especial em operações com nações que tenham acordos comerciais com o Brasil. Entre os benefícios estão a redução ou até mesmo a isenção do imposto de importação no destino.

A Firjan orienta os empresários na emissão do Certificado de Origem?

Sim. Há uma equipe técnica que oferece suporte em todo processo de emissão do documento, com atendimento ágil e personalizado. Em 2022, as federações de indústrias foram reconhecidas como entidades acreditadas para emissão de certificado de origem com a chancela da International Chamber of Commerce (ICC). Desde então, a Firjan tem emitido o documento com o selo de qualidade ICC, assegurando uma operação de alta integridade e credibilidade, reconhecida internacionalmente em todas as etapas do processo. Para solicitar o Certificado de Origem ou obter outras informações, basta entrar em contato com a equipe técnica pelo e-mail certificadodeorigem@firjan.com.br ou pelo telefone (21) 2563-4225.

Confira alguns pontos de atenção

  • Todos os países membros do Mercosul já concluíram os procedimentos legais de adesão ao acordo. Segundo fontes europeias, o acordo ainda está sujeito a questionamentos legais em cortes europeias.
  • O acordo cria um mecanismo para solução de controvérsias entre as partes, estabelecendo um rito de consultas, mediação ou a formação de um painel arbitral para avaliação do mérito da questão. Será preciso monitorar a implementação do mecanismo e seu funcionamento.
  • O Mercosul, por meio do acordo, reconhece 358 Indicações Geográficas (IG) de produtos europeus. Em paralelo, 37 indicações geográficas brasileiras serão reconhecidas pelo bloco europeu. Novas IGs poderão ser acrescentadas e protegidas em ambos os mercados após rito de consulta pública e aprovação pelo subcomitê de proteção intelectual.
  • Criação de figura para implementação e cooperação para o desenvolvimento de pequenas e médias empresas no âmbito do acordo.

(*) Com informações da Firjan

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Amcham  vê avanços importantes nas relações Brasil-EUA com encontro entre presidentes Lula e Trump

Da Redação (*)

Brasília – A Amcham Brasil avalia como positivo o encontro realizado, nesta quinta-feira (7/maio), entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, em Washington, D.C. A reunião reforça o diálogo no mais alto nível entre os dois governos e cria condições favoráveis para avanços em temas estratégicos para as duas economias.

“O encontro de hoje é um passo importante. A expectativa do setor empresarial é que ele abra caminho para resultados concretos em áreas como tarifas, minerais críticos, economia digital e energia, entre outras. Para isso, será fundamental avançar com pragmatismo e celeridade nas reuniões de trabalho acordadas entre os dois presidentes. Esperamos que esse esforço leve a uma solução para a investigação da Seção 301, evitando novas restrições comerciais, e impulsione uma agenda mais ampla de cooperação bilateral”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

A Amcham destaca a importância de que os dois governos estabeleçam com brevidade um cronograma de reuniões para os próximos 30 dias, com uma agenda de trabalho orientada a resultados concretos e com possibilidade de participação do setor empresarial ao longo do processo.

A relação econômica entre Brasil e Estados Unidos movimenta mais de US$ 100 bilhões por ano em comércio de bens e serviços, com elevada integração produtiva e presença relevante de investimentos mútuos nas duas economias. Os Estados Unidos são o principal investidor estrangeiro no Brasil e um dos principais destinos para investimentos produtivos brasileiros.

Pesquisa conduzida pela Amcham, em abril de 2026, mostra que 86% das empresas participantes estão preocupadas com novos aumentos tarifários para acesso ao mercado dos Estados Unidos, reforçando a importância de avanços que contribuam para maior previsibilidade na relação econômica bilateral.

A Amcham Brasil permanece à disposição para contribuir com esse processo e apoiar o aprofundamento da relação econômica entre Brasil e Estados Unidos.

(*) Com informações da Amcham Brasil

Sobre a Amcham Brasil

 

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Brasil lidera atração de investimentos chineses no mundo em 2025: US$ 6,1 bilhões, aponta estudo do CEBC

Pesquisa inédita analisa a configuração dos investimentos chineses no Brasil no último ano, com destaque para setores estratégicos da transição energética

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil foi o país que mais recebeu investimentos chineses no mundo em 2025, com aportes que chegaram a US$ 6,1 bilhões em projetos distribuídos por 20 estados brasileiros. É o que mostra estudo inédito divulgado hoje pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Intitulado “Investimentos Chineses no Brasil – 2025: Mineração, Mobilidade Elétrica e Renováveis”, o levantamento foi apresentado em evento online transmitido ao vivo pelo Zoom e pelo YouTube. A programação contou com abertura do Embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, Presidente do CEBC, e de José Leandro Borges, Diretor do Bradesco, seguida da apresentação do estudo por Tulio Cariello, Diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC e autor da publicação.

Cariello destacou que o desempenho brasileiro foi puxado principalmente pelos setores de eletricidade e mineração, que praticamente empataram na liderança. “Os aportes em eletricidade, incluindo energias solar e eólica, têm crescido de forma contínua e chegaram a US$ 1,79 bilhão em 2025. Já os investimentos em mineração mais que triplicaram na comparação com o ano anterior, somando US$ 1,76 bilhão, com aquisições feitas por empresas chinesas em segmentos como níquel e cobre, que são essenciais para cadeias produtivas associadas à transição energética”, afirmou.

Os investimentos de empresas chinesas no setor automotivo também chegaram a um novo patamar. “A inauguração das fábricas da GWM e da BYD no país e o início da produção local demonstram o amadurecimento dos projetos voltados para mobilidade elétrica no Brasil”, ressaltou Cariello. Segundo o estudo, o valor aportado por empresas chinesas no setor automotivo alcançou ao menos US$ 965 milhões em 2025, alta de 66% em relação ao ano anterior.

Após a apresentação do estudo, o evento contou com debate moderado por Cláudia Trevisan, Diretora Executiva do CEBC, com participação de Danilo Goulart, Chief Representative Officer do Bradesco em Hong Kong; Ricardo Bastos, Presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e Diretor de Assuntos Institucionais da GWM Brasil; e Adriana Waltrick, CEO da SPIC Brasil.

Investimentos chineses já chegam a 20 estados brasileiros

Para Goulart, o crescimento dos investimentos chineses no Brasil combina fatores conjunturais e estruturais. Ele mencionou o cenário internacional mais fragmentado, as restrições enfrentadas por empresas chinesas em alguns mercados e o interesse crescente por setores estratégicos, como mineração e cadeias produtivas ligadas à transição energética. Ao mesmo tempo, ressaltou que o Brasil tem uma relevância de longo prazo para a China e que a relação bilateral vem amadurecendo com a diversificação dos investimentos.

“O relacionamento comercial entre China e Brasil vem amadurecendo ao longo do tempo. Estamos trazendo mais setores, e o estudo mostra investimentos em 20 estados brasileiros. Isso exige conhecimento do país, da cadeia produtiva e das condições locais”, afirmou Goulart. Segundo ele, a nova onda de aportes representa uma oportunidade importante, mas exige preparo institucional e empresarial para que os projetos se consolidem de forma sustentável.

Ricardo Bastos destacou o avanço da mobilidade elétrica no Brasil e o papel das empresas chinesas nesse processo. Segundo ele, as vendas de veículos eletrificados representam parcela crescente do mercado nacional, enquanto a China segue como referência tecnológica global no setor. Para Bastos, a chegada de montadoras chinesas ao Brasil marca uma nova etapa, mas também exige adaptação à realidade local.

“O modelo chinês deu muito certo, mas ele não é simplesmente exportável. Para operar e fabricar no Brasil, é preciso entender as condições locais e adaptar esse modelo à realidade brasileira”, afirmou. Bastos também ressaltou que o Brasil tem uma cadeia automotiva relevante, historicamente vinculada à indústria tradicional, e que o desafio agora é promover a migração e a incorporação de novas tecnologias ligadas à eletrificação.

Adriana Waltrick, por sua vez, destacou a atratividade do Brasil para investimentos em energia renovável, não apenas pela disponibilidade de recursos naturais, mas também pela estrutura regulatória, pelos contratos de longo prazo e pela presença de instrumentos de financiamento. Segundo ela, o país reúne condições importantes para atrair empresas chinesas do setor, especialmente em um contexto global de aumento da demanda por energia limpa.

“O Brasil tem uma matriz elétrica renovável que o mundo inteiro gostaria de ter. Estamos onde o mundo quer estar em 2050”, afirmou Waltrick. A CEO da SPIC Brasil também chamou atenção para desafios regulatórios e operacionais, como a necessidade de expansão da transmissão, maior digitalização do sistema elétrico, avanço em armazenamento, hidrogênio verde e integração de diferentes fontes de energia.

Patrocinado pelo Bradesco Corporate, o estudo atualiza o fluxo e o estoque dos investimentos chineses no Brasil entre 2007 e 2025, analisando valores, número de projetos, distribuição setorial e geográfica e modalidades de entrada do capital. Entre 2007 e 2025, os investimentos chineses no Brasil acumularam US$ 85,5 bilhões por meio de 355 projetos.

A pesquisa completa está disponível AQUI.
Assista ao evento de lançamento na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=SuyhvKn45d4

(*) Com informações do CEBC

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Exportadores chilenos participarão da APAS 2026 com vinhos, frutas, lácteos, pisco e cerveja

  • ProChile lidera grupo com 22 empresas de alimentos e bebidas que representam a diversidade da oferta chilena para o mercado brasileiro
  • Exportações para o Brasil cresceram cerca de 53% ao longo dos últimos seis anos e consolida o País como um dos principais destinos
  • Autoridades chilenas confirmam presença na cerimônia de abertura

 Da Redação (*)

Brasília – O ProChile, instituição do Ministério das Relações Exteriores do Chile responsável pela promoção no exterior, participa da APAS Show 2026, que acontece de 18 a 21 de maio (segunda a quinta-feira), no Expo Center Norte, em São Paulo. A cerimônia de abertura, em 18 de maio, às 12h, contará com presença de autoridades chilenas como o cônsul, Juan Alonso Gutiérrez, lideranças comerciais como

Lorena Sepúlveda Villa, diretora nacional de ProChile e Hugo Corales, diretor do ProChile no Brasil e representantes das 22 empresas chilenas dos setores de alimentos e bebidas.

Ao longo dos quatro dias de evento, os exportadores apresentarão ao público brasileiro a diversidade, a cultura, e a ampla oferta de produtos premium que carregam a forte identidade regional do Chile como frutas frescas e secas, vinhos, cervejas, pisco, azeite, e queijos consumidos em todo o mundo.

Chile traz para a APAS vinhos, cervejas, pisco, lácteos e cesta com as melhores frutas do mundo

Neste ano, 13 dos principais exportadores de vinho marcam presença na Apas Show e apresentarão a ampla oferta de blends, espumantes que combinam a forte tradição e produção familiar com inovação e sustentabilidade que só a geografia chilena pode proporcionar. Um exemplo é a Viña Siegel, localizada em Valle de Colchagua, aos pés da Cordilheira dos Andes.

A presença da vinícola em solos de origem vulcânica e aluvial, permite drenagem e grande amplitude térmica entre dia e noite — condições ideais para uma maturação lenta e equilibrada das uvas que resulta no cultivo de uma grande variedade possibilitando a produção de vinhos com diferentes perfis e grande expressão de terroir.

Ainda no segmento de bebidas, destaque para Cervejaria Austral, a mais antiga do Chile. Considerada como “a cerveja do fim do mundo”, usa água de degelo da Patagônia e engarrafa a essência pura e selvagem do território mais remoto do continente. Já a cervejaria Valdiviana combina águas macias (com baixa concentração de sais minerais), tradição e cultura para elaborar a cerveja Craft de primeiro nível.

O Pisco é considerado patrimônio nacional e tem presença no evento por meio da Companhia Pisqueira do Chile — dedicada à produção e distribuição da bebida de diferentes produtores, além de outros destilados como Gin, Rum e Vodka. Reconhecida como líder no mercado doméstico de bebidas alcoólicas, a empresa também exporta para mercados da América do Norte, América Latina, Europa e Ásia.

No segmento lácteo, destaque para a COLUN (Cooperativa Agrícola y Lechera de La Unión Ltda), a maior cooperativa de laticínios do Chile e líder na exportação de produtos do setor responsável pelo processamento de mais de 33% do leite fresco do país e possui um portfólio com mais de 250 itens, incluindo leite em pó, manteiga, doce de leite e queijos como Gouda, Parmesão e Mantecoso.

Com foco nas frutas, destaque para os cranberries considerada “super fruta” por conta dos nutrientes e benefícios à saúde. A empresa Ocean Spray reúne mais de 700 produtores. Já o Chile Food representa a exportação de nozes, conservas e frutas secas como amêndoas, ameixas e uvas. Já Chile Food confirma presença como uma das principais exportadoras de nozes, conservas e frutas secas que asseguram alto padrão de qualidade reconhecidos internacionalmente.

O Brasil é mercado estratégico para Chile para pequenas e médias empresas chilenas, devido à sua proximidade geográfica, eficiência logística e comercial. Atualmente, o Brasil é o quarto maior destino das exportações globais do Chile e principal parceiro comercial na América Latina.

“Os consumidores brasileiros estão cada vez mais atentos a experiências diferenciadas e dispostos a explorar novas categorias de bebidas e acessar novos sabores. Com isso, o Chile não apenas amplia sua presença no mercado brasileiro, mas também fortalece seu papel como protagonista na América do Sul e no comércio internacional”, diz afirma Hugo Corales, diretor do ProChile no Brasil.

SERVIÇO 

Feira: Festival APAS Show 2025

Data: de 18 a 21 de maio (segunda a quinta), das 12h às 20h

Local: Expo Center Norte – Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme, São Paulo – SP, 02055-000

Credenciamento de imprensa: https://apas.easyexpo.com.br/apasshow/26/imprensa

Informações: https://apasshow.com/

(*) Com informações do ProChile

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Corrente de comércio do Brasil cresce 10,8% e totaliza US$ 208 bilhões no ano com alta nas exportações e importações

No ano, as exportações totalizam US$ 116,6 bi e as importações, US$ 91,77 bi, com saldo positivo de US$ 24,8 bi e corrente de comércio de US$ 208,3 bi

Da Redação (*)

Brasília – No mês de abril de 2026 as exportações somaram US$ 34,1 bilhões, batendo recorde histórico, e as importações, US$ 23,6 bilhões, com saldo positivo de US$ 10,5 bilhões e corrente de comércio de US$ 57,8 bilhões.

No ano, as exportações totalizam US$ 116,6 bilhões e as importações, US$ 91,77 bilhões, com saldo positivo de US$ 24,8 bilhões e corrente de comércio de US$ 208,3 bilhões. Esses, e outros dados, foram divulgados nesta quinta-feira (7/5), pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Nas exportações, comparados o mês de abril / 2026 (US$ 34,15 bilhões) com abril / 2025 (US$ 29,89 bilhões), houve crescimento de 14,3%. Em relação às importações houve crescimento de 6,2% na comparação entre o mês de abril / 2026 (US$ 23,61 bilhões) com o mês de abril / 2025 (US$ 22,22 bilhões).

Assim, no mês de abril/2026 a corrente de comércio totalizou US$ 57,76 bilhões e o saldo foi de US$ 10,54 bilhões. Comparando-se este período com o de abril/2025, houve crescimento de 10,8% na corrente de comércio.

Nas exportações, comparado o valor de janeiro/abril 2026 (US$ 116,55 bilhões) com o de janeiro / abril – 2025 (US$ 106,76 bilhões) houve crescimento de 9,2%. Em relação às importações, houve crescimento de 2,5% entre o valor do período de janeiro/abril – 2026 (US$ 91,77 bilhões) com janeiro/abril – 2025 (US$ 89,49 bilhões). Por fim, o valor da corrente de comércio totalizou US$ 208,32 bilhões e apresentou crescimento de 6,1% na comparação entre estes períodos.

Exportações e importações por setor

No mês de abril/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores exportadores foi o seguinte: crescimento de US$ 1,28 bilhão (16,1%) em Agropecuária; de US$ 1,26 bilhões (17,9%) em Indústria Extrativa e de US$ 1,71 bilhões (11,6%) em produtos da Indústria de Transformação.

No acumulado do ano atual, comparando com igual período do ano anterior, o desempenho dos setores exportadores foi o seguinte: crescimento de US$ 1,64 bilhão (6,6%) em Agropecuária; de US$ 5,32 bilhões (22,2%) em Indústria Extrativa e de US$ 2,76 bilhões (4,8%) em produtos da Indústria de Transformação.

No mês de abril/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores importadores foi o seguinte: crescimento de US$ 4,3 milhões (0,4%) em Indústria Extrativa, e de US$ 1,51 bilhão (7,4%) em produtos da Indústria de Transformação; houve queda de US$ 0,15 bilhão (25,8%) em Agropecuária.

No acumulado do ano atual, comparando com igual período do ano anterior, o desempenho dos setores importadores foi o seguinte: crescimento de US$ 2,94 bilhões (3,6%) em produtos da Indústria de Transformação; queda de US$ 0,49 bilhões (21,4%) em Agropecuária, e de US$ 0,22 bilhões (5,3%) em Indústria Extrativa.

(*) Com informações da Secex/MDIC

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Eleições devem elevar incertezas e impactar decisões no comércio exterior, avalia eComex

Comex deve ser tratado como “missão crítica” para evitar paradas na indústria em cenário de cautela no segundo semestre

Da Redação (*)

Brasília – O ciclo eleitoral brasileiro deve aumentar a percepção de risco e influenciar diretamente o comércio exterior, especialmente na segunda metade do ano. A avaliação é de André Barros, CEO da eComex, que aponta maior atenção por parte de empresas e investidores diante de possíveis mudanças nas políticas econômicas, fiscais e cambiais.

Segundo o executivo, o contexto eleitoral leva empresas a adotar uma postura mais conservadora, com reflexos diretos no comércio exterior. “Esses períodos sempre trazem um aumento de sensibilidade e prudência no mercado, principalmente diante da possibilidade de mudanças nas políticas econômicas”, afirma.

Na prática, destaca o executivo, “esse movimento já começa a ser percebido antes mesmo da definição do resultado das eleições. A partir do segundo semestre, companhias passam a rever planos, projetar cenários e, em muitos casos, adiar investimentos e decisões estratégicas até que haja maior clareza sobre o ambiente político e econômico, embora os efeitos mais concretos tendam a se intensificar em época de transição de governo”.

Na percepção de André Barros, “esse comportamento também se reflete no relacionamento com parceiros internacionais e investidores estrangeiros, que tendem a adotar uma postura mais cautelosa diante das incertezas. Ao mesmo tempo, o comércio exterior, inserido na cadeia produtiva, passa a influenciar diretamente decisões industriais e de abastecimento, ampliando seu impacto sobre a operação das empresas”.

“Esse movimento está ligado à expectativa de mudanças em agendas como política fiscal, cambial, industrial e internacional, além de possíveis revisões de acordos e troca de equipes econômicas. Entre os principais efeitos está a volatilidade cambial, que impacta de formas distintas importadores e exportadores, elevando custos de mercadorias no primeiro caso e dificultando a previsibilidade e a estratégia de precificação no segundo”, afirma o especialista.

Importância da gestão rigorosa de riscos e informações

Diante desse cenário, Barros destaca que a preparação das empresas passa por uma gestão mais rigorosa de riscos e informações. O uso de tecnologia e automação em tempo real torna-se essencial para liberar o profissional da sobrecarga operacional, permitindo que ele respire e tome decisões inteligentes.

“O profissional precisa assumir um papel de accountability (responsabilidade extrema e protagonismo), dado que o comércio exterior é uma operação missão crítica para a grande indústria”, afirma. Nesse contexto, a área de comércio exterior ganha relevância estratégica dentro das empresas, por seu impacto direto no abastecimento e na competitividade dos negócios.

Além disso, Barros observa que projetos estruturais, como o Portal Único Siscomex, atravessam diferentes governos e mantêm continuidade técnica ao longo do tempo, reforçando seu caráter estratégico para o país.

Apesar do ambiente desafiador, o cenário também pode abrir oportunidades. O Brasil mantém relevância global em segmentos como agronegócio, mineração e energia limpa, e empresas mais preparadas tendem a se reposicionar com maior agilidade. “O Brasil está acostumado a essa ‘montanha-russa’ da política”, afirma. “Empresas que dominam dados e tecnologia conseguem crescer mesmo em momentos de incerteza”, conclui.

(*) Com informações da eComex

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Enquanto as relações com os EUA se deterioram, o Canadá volta seu olhar para a União Europeia, diz GZERO DAILY

Da Redação (*)

Brasília – O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, participou neste fim de semana de uma reunião da Comunidade Política Europeia na Armênia, um feito inédito para um líder de um país não europeu. Ele foi convidado para discutir interesses comuns em comércio, energia e segurança. Em um discurso que ecoou sua apresentação no Fórum Econômico Mundial em Davos, dois meses antes, Carney fez um apelo às potências médias, incluindo o Canadá e as nações europeias, para que trabalhem juntas diante da ruptura da ordem mundial estabelecida — apontando implicitamente para os Estados Unidos. “É minha firme convicção pessoal que a ordem internacional será reconstruída”, disse ele à plateia em Yerevan, “mas será reconstruída a partir da Europa.”

A viagem de Carney — e seu tom um tanto mais otimista — surge na sequência de sugestões de políticos franceses e finlandeses de que o Canadá deveria considerar a adesão à União Europeia. A questão não é nova ; ela vem sendo debatida na mídia canadense desde que o presidente dos EUA , Donald Trump, impôs tarifas sobre as exportações canadenses e cogitou a possibilidade de o país se tornar o 51º estado americano. A Europa, por sua vez, também enfrenta o impacto de Trump, incluindo sua promessa de retirar as tropas americanas da Alemanha e as novas tarifas sobre as exportações de automóveis da UE. Em conjunto, esses acontecimentos estão aproximando o Canadá e a UE e, apesar da distância marítima entre eles, reforçam ainda mais os argumentos a favor da adesão à União.

Há muito em comum

O Canadá e a União Europeia compartilham laços culturais, históricos e demográficos profundos, enraizados principalmente nas tradições britânicas e francesas. O sistema jurídico canadense reconhece tanto o direito consuetudinário quanto o direito civil, derivado do Código Napoleônico francês. Politicamente, seu parlamento é modelado segundo o sistema de Westminster britânico e mantém o monarca britânico como chefe de Estado. O país é oficialmente bilíngue e mais da metade de sua população tem ascendência europeia.

Os sistemas político e social do Canadá também estão mais alinhados com a Europa do que com os Estados Unidos. O Canadá possui um sistema universal de saúde com financiamento público único, subsídios estatais para creches, medicamentos e assistência odontológica, e cobra impostos mais altos do que os EUA. Em setores como o bancário, o de telecomunicações e o agrícola, o Canadá espelha a abordagem mais regulamentada da Europa e limita a concorrência estrangeira com as empresas nacionais.

Uma crescente amizade com Bruxelas .

Em 2016, o Canadá assinou o Acordo Econômico e Comercial Abrangente (CETA), um acordo de livre comércio com a UE, eliminando 98% das tarifas e melhorando o acesso ao mercado de bens e serviços entre as duas partes . Desde então, as exportações canadenses para a UE aumentaram 57%, atingindo US$ 34 bilhões.

Desde o início do segundo mandato de Trump, esses laços se aprofundaram. Em 2025, Ottawa e Bruxelas assinaram a Nova Parceria Estratégica para o Futuro entre a União Europeia (UE) e o Canadá e uma Parceria de Segurança e Defesa para fortalecer a cooperação em comércio, economia digital e meio ambiente. Em fevereiro deste ano, o Canadá tornou-se o primeiro país não europeu a aderir à iniciativa Ação de Segurança para a Europa (SAFE) da UE , ampliando o acesso dos setores de defesa canadenses aos mercados europeus.

O Canadá também contribuiu com mais de 25 bilhões de dólares em assistência econômica, militar e humanitária à Ucrânia desde o início da guerra, além de uma contribuição de 270 milhões de dólares anunciada esta semana . Embora a assistência represente uma fração dos 223 bilhões de dólares que a UE disponibilizou desde 2022, ela continua sendo significativa e pode impulsionar as contribuições totais do bloco.

Caso o Canadá ingresse na UE, ambos os lados poderão sair ganhando. O Canadá poderá garantir um acesso ainda maior a uma das maiores economias do mundo e uma nova e sólida parceria num momento em que sua relação de longa data com o vizinho norte-americano está sob tensão. Para a Europa, o Canadá oferece acesso a commodities como gás natural e minerais essenciais, além de mais uma porta de entrada para a América do Norte num momento em que os laços com os EUA também parecem incertos.

Mas existem barreiras à adesão à UE – e desvantagens

O primeiro obstáculo para o Canadá é a geografia, embora este possa não ser intransponível. Embora o Artigo 49 da Constituição da UE afirme que apenas “Estados europeus” podem aderir, a Turquia foi considerada uma candidata elegível em 1997 (embora ainda não o tenha alcançado), apesar de estar parcialmente localizada na Ásia. O Parlamento Europeu declarou que o caso da Turquia “mostra que o termo ‘Estado europeu’ não precisa ser interpretado num sentido estritamente geográfico”, mas está “sujeito a avaliação política”. Ainda assim, todos os 27 Estados-membros devem concordar com essa avaliação para admitir um novo membro – um consenso que ainda escapa à Turquia, e até mesmo a nações europeias como a Ucrânia.

A adesão exigiria que o Canadá adotasse os termos da UE. O acervo comunitário, o conjunto de leis da UE desenvolvido desde 1957 – um processo que alguns especialistas estimam que possa levar 10 anos . O Canadá também teria que adotar as rigorosas regulamentações ambientais da UE, substituir seu sistema de gestão da oferta pela Política Agrícola Comum da UE, contribuir para o programa de comércio de emissões de carbono da UE e aplicar tarifas da UE a países não membros, incluindo os EUA, o que pode complicar os acordos comerciais com Washington.

A adesão também pode se revelar dispendiosa. Com o quarto maior PIB do bloco, depois da Alemanha, França e Itália, o Canadá poderia se tornar um contribuinte líquido para o orçamento da UE, subsidiando programas em Estados-membros menos ricos. As regras de mobilidade laboral da UE também podem ser controversas, já que a adesão implicaria maior livre circulação de pessoas num momento em que o Canadá está restringindo os níveis de imigração para reduzir os custos da habitação e as taxas de desemprego.

Qual é a opinião pública?

Apesar dessas desvantagens — ou talvez porque não sejam amplamente compreendidas — os canadenses parecem apoiar, em geral, laços mais estreitos com a UE. Uma pesquisa com 4.000 pessoas, realizada em abril, revelou que um em cada quatro canadenses apoiava a ideia de adesão formal à UE, com 58% afirmando que valia a pena considerar a possibilidade.

Quanto aos europeus, um estudo recente da YouGov revelou que a maioria ou a pluralidade de adultos na França, Alemanha, Itália, Polônia e Espanha apoia a admissão do Canadá. O apoio é maior entre os alemães, com 55%, enquanto os italianos são os menos propensos, com 41%, mas esse grupo ainda supera em número aqueles que se opõem à ideia, com 24%.

Embora seja improvável que o Canadá troque definitivamente Washington por Bruxelas, uma parceria transatlântica mais profunda parece estar nos planos — e é uma opção popular em ambos os lados do Atlântico. O formato que essa parceria assumirá dependerá do destino do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) neste verão. Caso esse acordo comercial não seja renegociado até 1º de julho, o Canadá — e Carney — sentirão uma pressão ainda maior para diversificar o comércio e fortalecer alianças em outras áreas.

Diga-nos o que você pensa: o Canadá deveria tentar aderir à UE? Envie-nos uma mensagem com a sua opinião. aqui .

(*)  Com informações da GZERO DAILY

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MTur lança Guia que reúne orientações para mulheres que viajam sozinhas

Material traz planejamento e escolha de destinos na cadeia do turismo

Da Redação (*)

Brasília – Viajar sozinho pode ser uma experiência de liberdade e autoconhecimento, mas o receio de circular por lugares desconhecidos ainda limita o tipo de deslocamento, especialmente entre as mulheres. Diante dessa realidade, o governo federal disponibilizou um guia com orientações práticas para mulheres que viajam sozinhas.

Intitulado Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, a publicação, disponível no site do Ministério do Turismo, foi preparada com o objetivo de ampliar a segurança, a autonomia e o acesso à informação para o público feminino interessado em dar vazão ao sonho de ver com os próprios olhos as belezas turísticas do Brasil.

Segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o guia é uma das ações desenvolvidas no âmbito do Pacto Nacional contra o Feminicídio, lançado no início do ano pelo governo federal.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Gustavo Feliciano disse que pesquisas encomendadas pelo ministério mostraram que 60% das mulheres brasileiras já deixaram de viajar por preocupações relacionadas à segurança.

“Ao constatarmos isso, criamos, em parceria com a Unesco, esse guia”, disse o ministro.

Ele acrescentou que, “apesar de 60% de mulheres terem deixado de viajar sozinhas por algum motivo de segurança, 70% delas relataram que a experiência de viajar só é algo que traz plenitude turística”, uma vez que elas não precisam seguir o roteiro de marido, filhos ou de quem as acompanha.

“O guia serve para orientar as mulheres a viajarem sozinhas, mas também para que os empreendedores do turismo — como hotéis, bares e restaurantes — estejam preparados. Por exemplo: o guia orienta que, quando uma mulher viaja sozinha, o hotel a coloque em um quarto próximo ao elevador, em vez de no fim do corredor, porque, se acontecer alguma coisa, ela está mais perto de ajuda ou resgate”, acrescentou.

O Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas reúne dados, análises e orientações práticas para promover um turismo mais seguro, responsável e inclusivo.

O material apresenta resultados de uma pesquisa nacional realizada entre agosto e setembro de 2025 com 2.712 mulheres de todas as regiões do país.

De acordo com o levantamento, 41,8% das brasileiras já fizeram viagens solo; e 31,4% fazem esse tipo de deslocamento com frequência. Entre as que já viajaram sozinhas, 35,9% optaram por destinos dentro do Brasil.

Entre as que já viajaram sozinhas, 35,9% optaram por destinos dentro do Brasil.

Motivações e orientações práticas para viajar sozinha

O conteúdo destaca que o lazer é o principal motivo das viagens solo, seguido pela busca por autonomia, liberdade e autoconhecimento. Questões como trabalho, visitas a familiares e interesses específicos — como ecoturismo, bem‑estar e gastronomia — também aparecem com relevância.

O guia oferece recomendações acessíveis e aplicáveis ao longo de todas as etapas da viagem, como:

  • planejamento do roteiro;
  • escolha de destinos e meios de hospedagem;
  • cuidados com deslocamentos;
  • avaliação de ambientes e serviços;
  • estratégias adotadas pelas próprias mulheres para lidar com situações de risco.
  • As orientações partem de experiências reais das entrevistadas e reforçam a importância da informação como ferramenta de proteção e autonomia.

Responsabilidade da cadeia turística

Um dos eixos centrais do guia é o entendimento de que a segurança das mulheres não deve recair apenas sobre quem viaja.

O material traz diretrizes para que hotéis, bares, restaurantes, transportes e demais prestadores de serviços estejam preparados para acolher mulheres com respeito, atenção e protocolos adequados.

Entre as que já viajaram sozinhas, 35,9% optaram por destinos dentro do Brasil.

(*) Com informações do MTur

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