Tarifas pressionam setores, mas não comprometem a balança comercial brasileira, afirmam analistas da Mapfre

Da Redação (*)

Brasília – A nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros adiciona incerteza ao cenário externo, mas não muda, neste momento, a leitura ainda favorável para a balança comercial. A medida prevê uma tarifa adicional de 25% sobre parte da pauta exportadora do Brasil, com entrada em vigor em 22 de julho. A lista final, no entanto, preservou produtos importantes, como carne bovina, café, energia, aeronaves e partes aeronáuticas, o que reduz o impacto direto sobre o saldo comercial agregado.

O efeito mais provável deve ficar concentrado em setores específicos. Produtos como móveis, etanol, máquinas, calçados e açúcar tendem a enfrentar maior perda de competitividade no mercado americano, especialmente nos casos em que há menor capacidade de repasse de preços ou de redirecionamento das vendas para outros destinos.

EUA perdem liderança para a China no comércio exterior brasileiro

De acordo com os especialistas da Mapfre Investimentos, essa leitura fica mais clara quando observamos a mudança estrutural da pauta comercial do país. Na última década, os Estados Unidos perderam participação relativa no comércio exterior brasileiro, enquanto a China ganhou peso de forma consistente, tanto como destino das exportações quanto como origem das importações. Essa mudança reduz a sensibilidade da balança comercial brasileira a choques concentrados no mercado americano, embora não elimine os efeitos sobre os segmentos diretamente afetados pelas tarifas.

Do ponto de vista da balança comercial, o Brasil parte de uma posição confortável. Em junho, o superávit foi de US$ 9,8 bilhões e, no acumulado do primeiro semestre de 2026, o saldo já supera US$ 42 bilhões. A Secex revisou recentemente sua projeção de superávit para este ano de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões, refletindo uma pauta ainda sustentada pelas commodities, preços favoráveis em itens relevantes e maior diversificação dos destinos de exportação.

Na percepção dos especialistas, daqui para frente, o principal risco não está em uma deterioração imediata do saldo comercial, mas em uma eventual escalada das tensões. Novas tarifas, retaliações ou uma piora nas negociações poderiam afetar confiança, o câmbio e as decisões de investimento. Com a configuração atual das medidas, o impacto tende a seguir concentrado em setores específicos. O setor externo brasileiro está mais diversificado e menos dependente do mercado americano, o que ajuda a amortecer o choque tarifário.

(*) Com informações da Mapfre Investimentos

 

O post Tarifas pressionam setores, mas não comprometem a balança comercial brasileira, afirmam analistas da Mapfre apareceu primeiro em Comex do Brasil.

As (novas) tarifas de Trump sobre o Brasil e a reafirmação da influência americana na América Latina

Fernanda Brandão (*)

Foi anunciado, no dia 15 de julho, que os Estados Unidos darão continuidade à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, após o período de consultas públicas. Essas tarifas são resultado de uma investigação no âmbito da seção 301 da Lei de comércio de 1974, que permite ao United States Trade Representative (USTR), autoridade americana responsável pelas negociações comerciais do país, a fazer investigações acerca das práticas comerciais dos parceiros estrangeiros dos Estados Unidos.

A investigação sob a seção 301 foi iniciada após a suspensão das tarifas recíprocas pela Suprema Corte americana sob o IEEPA (International Emergency Economic Powers Act), uma Lei Federal que dá poder para que o executivo regule sobre o comércio internacional sob a justificativa de emergência de segurança nacional.

O USTR recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, além dos 10% já vigentes, sob a justificativa de que o Brasil adota práticas desleais de comércio como o desmatamento ilegal, a pirataria, falhas na aplicação de lei anticorrupção, tarifas às exportações de etanol dos EUA, tarifas preferenciais resultantes de acordos com México e Índia e o pix.

O documento, porém, afirmava que o Brasil possuía um superávit com os Estados Unidos em termos de comércio por conta dessas supostas práticas desleais. Contudo, o Brasil possui um déficit comercial com os Estados Unidos desde 2009, o que significa que o país importa mais do que exporta para os Estados Unidos.

Além disso, algumas das questões levantadas pelo governo americano, como a questão do desmatamento utilizavam dados do período entre 2018-2022. Um dos principais temas, contudo, foi a questão do pix da concorrência supostamente desleal em relação a outros mecanismos de pagamento digitais das Big Techs americanas com o ApplePay, GooglePay e WhatsAppPay e mecanismos de crédito como Visa e Martercard. Cabe ressaltar que o pix é um serviço oferecido de forma gratuita pelo Banco Central brasileiro que não impede a existência nem o funcionamento de outros mecanismos de pagamento no país.

Nas audiências públicas que antecederam o anúncio final da aplicação da tarifa, o governo brasileiro não inscreveu nenhum representante oficial, mas importantes representantes de setores produtivos foram representados como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a FIESP, a AMCHAM (Câmara de Comércio Americana), além de representantes de exportadores de café, arroz, máquinas e equipamentos industriais, vestuário e calçados, agricultura e agropecuária.

Também se manifestaram na audiência representantes de produtores americanos favoráveis à aplicação das tarifas, mas também representantes de setores industriais dependentes de recursos e insumos oriundos do Brasil que seriam prejudicados pela imposição dessas tarifas.

A audiência pública teve como objetivo escutar argumentos técnicos que justificassem a imposição ou não das tarifas recomendadas pelo USTR. Contudo, o resultado anunciado nesta semana confirmou a expectativa de que as tarifas seriam impostas, uma vez que as justificativas para a imposição delas estão mais relacionadas a argumentos políticos do que comerciais.

A imposição das tarifas sobre o Brasil não pode ser compreendida fora do contexto internacional global e da competição por influência, sobretudo econômica, entre a China e os Estados Unidos na América Latina. Hoje, a China é a principal parceira comercial de diversos países da região, incluindo o Brasil, e uma das principais fontes de investimentos. Na Estratégia de Defesa Nacional dos Estados Unidos, a América Latina é apontada como uma zona de influência, considerada importante para a manutenção da segurança nacional.

Esse entendimento significa que o governo Trump buscará formas de fortalecer sua influência sobre a região e o Brasil é uma das principais economias e forças militares regionais, de forma que o exercício efetivo do controle americano sob o continente envolve o alinhamento do país com os interesses dos Estados Unidos.

Além disso, o Brasil é um país rico em reservas de minerais críticos que poderiam contribuir para reduzir a dependência americana desses recursos oriundos da China. A classificação de grupos do crime organizado como o PCC e o Comando Vermelho como terroristas também se encaixa nos esforços americanos de aumentarem seu controle e influência sobre a região, pois criam meios de justificar uma eventual intervenção militar em solo brasileiro, mesmo que no contexto atual seja improvável.

Nesse cenário, as tarifas despontam como um mecanismo que tem sido utilizado de forma ampla pelo governo americano com o objetivo de sujeitar parceiros comerciais aos interesses dos EUA. Grande parte das tarifas impostas pelo governo Trump não têm fundamento no argumento comercial, como no caso brasileiro. Essas tarifas têm sido utilizadas como forma de constranger outros estados a se sujeitarem aos termos de parceria que os Estados Unidos buscam e que sirvam aos interesses nacionais americanos como entendidos pelo governo Trump. O objetivo do governo Trump é forçar os países alvos dessas tarifas a negociarem acordos com os EUA.

Os termos dos acordos negociados pelos Estados Unidos possuem termos assimétricos que beneficiam os interesses americanos em detrimento dos demais parceiros, mantendo níveis tarifários mais elevados sobre os bens desses países, além de incluir dispositivos sobre a liberação de investimentos americanos em setores estratégicos como minerais críticos e energia, e estabelecer uma série de demandas técnicas e regulatórias que dificultam o acesso a bens oriundos desses países ao mercado americano. O Brasil, porém, não aceitou negociar nos termos dos Estados Unidos e passou a buscar canais de negociação diretos com a Casa Branca.

A imposição dessas novas tarifas tem como objetivo pressionar o governo brasileiro a aceitar os termos determinados pelos Estados Unidos. Caso não aconteça, a possibilidade de uma troca de governo no Brasil nas eleições de outubro para um governo que esteja alinhado aos interesses americanos também seria do interesse de Trump. O principal efeito, contudo, será sobre os setores produtivos brasileiros afetados por essas tarifas. Segmentos como calçados e vestuário, etanol, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, papel e açúcar orgânico terão a tarifa aplicada sobre as exportações para os EUA.

Porém, há uma longa lista de exceções de envolver bens alimentícios como café e carnes, aeronaves, máquinas e equipamentos. A inclusão desses produtos na lista de inclusão tem como objetivo reduzir os impactos negativos para a economia americana como o encarecimento de produtos de consumo básico da população como bens alimentícios ou porque representam importantes insumos e recursos para setores produtivos norte-americanos.

O governo brasileiro deve continuar buscando canais de comunicação e negociação com o governo americano, pois o país ainda é o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Contudo, espera-se que a aplicação dessas tarifas contribua para a continuidade da redução do comércio bilateral entre os dois países, que já retrocedeu 13% esse ano. O Brasil também deve continuar buscando a negociação de novos acordos de comércio como o acordo Mercosul-União Europeia e Mercosul-EFTA e os acordos a serem negociados já anunciados, como o acordo Mercosul- Japão e Mercosul-Canadá.

A diversificação dos parceiros comerciais do Brasil será de grande importância para aumentar a resiliência da economia nacional à medida que a disputa geopolítica entre China e Estados Unidos se acirra e os EUA buscam fortalecer sua influência e controle sobre a América Latina.

(*) Fernanda Brandão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da  Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

 

 

O post As (novas) tarifas de Trump sobre o Brasil e a reafirmação da influência americana na América Latina apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Proteger as florestas é investir no agronegócio

Hugo Ricardo (*)

No mês em que lembramos da importância da ação coletiva para a conservação dos biomas brasileiros, culminando com o Dia Nacional de Proteção às Florestas, celebrado na última sexta-feira, 17, devemos reconhecer, de uma vez por todas, que a estabilidade econômica do país depende diretamente dos serviços ambientais proporcionados por esses ecossistemas. Em um mundo marcado pela emergência climática, proteger as florestas significa proteger a capacidade de o Brasil continuar produzindo, exportando e liderando a agricultura tropical nas próximas décadas.

As florestas regulam o regime de chuvas, armazenam carbono, protegem nascentes, mantêm a fertilidade dos solos, reduzem temperaturas extremas e sustentam uma biodiversidade essencial para a produtividade no campo. Mais do que patrimônio ambiental, constituem parte da infraestrutura produtiva do país.

O Brasil abriga a maior floresta tropical do planeta, concentra uma das maiores biodiversidades do mundo e mantém cerca de dois terços do território cobertos por vegetação nativa. É justamente essa riqueza natural que garante a resiliência dos sistemas produtivos e faz do país uma potência agropecuária e ambiental.

Durante décadas, produção e conservação foram tratadas como objetivos incompatíveis. Hoje, essa visão perdeu espaço. Economias competitivas serão aquelas capazes de seguir produzindo ao mesmo tempo em preservam os ecossistemas dos quais dependem. No entanto, o desafio permanece.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o planeta perdeu cerca de 420 milhões de hectares de florestas desde 1990 e, ainda hoje, aproximadamente 10 milhões de hectares são desmatados anualmente, principalmente em regiões tropicais. No Brasil, dados do MapBiomas mostram que a conversão da vegetação nativa segue concentrada no Cerrado e na Amazônia, evidenciando que o problema continua representando um risco ambiental e econômico.

Ao mesmo tempo, mercados consumidores, investidores e instituições financeiras adotam critérios ambientais cada vez mais rigorosos. A rastreabilidade das cadeias produtivas, a comprovação da origem das matérias-primas e o combate ao desmatamento deixaram de ser diferenciais para se tornarem requisitos de acesso aos mercados internacionais. Transparência e responsabilidade passaram a integrar a lógica da competitividade.

Nesse contexto, combater o desmatamento deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar uma estratégia de negócios. Empresas que incorporam conservação ambiental, rastreabilidade e produtividade ampliam sua competitividade, fortalecem sua posição perante investidores e aumentam a resiliência de suas operações. O Brasil reúne condições únicas para liderar essa transformação, combinando uma agropecuária altamente produtiva, matriz energética majoritariamente renovável e o maior patrimônio de florestas tropicais do planeta.

O setor empresarial exerce papel decisivo nesse processo. Decisões sobre investimentos, crédito, compras e gestão das cadeias de suprimentos influenciam diretamente a conservação dos ecossistemas. Mais do que atender a exigências regulatórias, as empresas têm a oportunidade de impulsionar soluções como agricultura regenerativa, restauração florestal, bioeconomia, rastreabilidade e soluções baseadas na natureza.

É nesse cenário que se destacam iniciativas de impacto positivo no setor corporativo, como é o caso do Movimento Impacto Biomas, do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, que mobiliza empresas para acelerar ações de conservação, restauração e desenvolvimento sustentável nos biomas brasileiros.

Ao promover a colaboração entre empresas, ciência, organizações da sociedade civil e setor público, o Movimento fortalece a incorporação da agenda da natureza às estratégias de negócios e reforça um dos principais aprendizados da agenda climática internacional: enfrentar o desmatamento exige alianças. Nenhum governo, empresa ou organização conseguirá responder sozinho a esse desafio sistêmico.

Neste Mês de Proteção às Florestas, a principal mensagem que gostaria de deixar é esta: as florestas constituem parte essencial do patrimônio do agronegócio brasileiro, elas que regulam o clima, garantem a disponibilidade de água e sustentam a produtividade no campo. Proteger esse patrimônio natural não significa impor limites ao desenvolvimento, mas assegurar que ele continue sendo possível. Afinal, o futuro da economia dependerá cada vez mais da nossa capacidade de produzir regenerando.

(*) Hugo Ricardo é Gerente de Agricultura e Florestas Pacto Global da ONU – Rede Brasil

 

O post Proteger as florestas é investir no agronegócio apareceu primeiro em Comex do Brasil.

 Lições das tarifas: como o Brasil perdeu influência comercial

Márcio Coimbra (*)

O tabuleiro comercial sofreu um realinhamento profundo, e o Brasil moveu-se tarde e mal. A confirmação de que o USTR concluiu a investigação sob a Seção 301, oficializando a sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, é um revés severo. Mas, acima de tudo, é um diagnóstico implacável sobre o amadorismo e a saturação ideológica que paralisam nossa diplomacia governamental.

Diferentemente do tarifaço de 2025 — derrubado por seu vício político —, a investida atual possui blindagem técnica por ser um processo administrativo da Seção 301, de difícil reversão. O USTR apontou “práticas injustas”, misturando assimetrias reais (etanol, propriedade intelectual e tarifas) com pautas sobre soberania, como o escrutínio sobre decisões do STF contra big techs, combate à corrupção e desmatamento.

Soma-se a isso a contaminação de agendas, a chamada linkage diplomacy. A recente classificação de facções brasileiras como organizações terroristas por Washington fundiu governança econômica e segurança nacional. O comércio virou moeda de troca geopolítica de alta complexidade — tabuleiro em que nossa diplomacia estatal demonstrou pouca agilidade de manobra.

Diante desse cerco previsível, Brasília respondeu com passividade técnica e retórica inflamada para consumo interno. O Planalto preferiu a inércia para explorar o desgaste eleitoralmente. Essa postura gerou forte reação da FIESP, que criticou o governo por alimentar “ruídos desnecessários” e priorizar conflitos personalistas em vez da economia. Estão certíssimos.

A ameaça da Fazenda de retaliar via “Lei de Reciprocidade” expõe um desconhecimento preocupante de mercado. Como ex-diretor da Apex-Brasil, sei que barreiras de vingança encarecem insumos, asfixiam importadores e destroem empregos logísticos. A obsessão por superávits ignora que potências modernas usam importações estrategicamente para criar dependência mútua, e não guerras emocionais.

Enquanto Brasília flerta com o confronto, os EUA dão uma aula de realpolitik. Junto aos 25%, o USTR aplicou 2.100 exceções, poupando setores como aeroespacial (Embraer), café e carnes. Onde o Brasil tem indispensabilidade estrutural, a tarifa caiu para blindar o americano da inflação e, onde somos substituíveis, fomos atingidos sem hesitação.

Esta assimetria ficou clara nos bastidores. Diante da omissão oficial, canais de representação setorial agiram. A articulação privada levou a Washington dados técnicos que provaram o impacto das tarifas nas próprias indústrias americanas, mitigando as sanções — esforço do qual participo ativamente nos EUA desde as primeiras medidas. A Casa Branca responde a dados e à articulação direta, não a notas de repúdio.

A lição é urgente: a inserção internacional do país não pode ser refém de voluntarismos. O protecionismo não se combate com indignação, mas com inteligência comercial. Para reaver a confiança, o Brasil precisa devolver o protagonismo à diplomacia corporativa privada. Sem eficiência interna e interlocução técnica despida de ideologia, assistiremos passivos à erosão de mercados que levamos décadas para conquistar.

 (*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

O post  Lições das tarifas: como o Brasil perdeu influência comercial apareceu primeiro em Comex do Brasil.

“Empresas internacionais precisam controlar operações em dólar, e não serem reféns das oscilações”, afirma especialista

Para negócios de tecnologia e serviços, gestão cambial deve integrar receitas, custos, contratos, tributação, compliance e pagamentos internacionais para preservar margens e previsibilidade

Da Redação

Brasília – Decisões de política monetária, tensões geopolíticas, eleições, indicadores econômicos e mudanças no cenário global continuarão influenciando a cotação do dólar. Para empresas que atuam internacionalmente, porém, o principal desafio não está em tentar reagir a cada oscilação da moeda, mas em estruturar uma operação capaz de conviver com a volatilidade cambial sem comprometer margem, caixa e previsibilidade.

A percepção de que dólar alto beneficia automaticamente empresas exportadoras ainda é comum, mas, na prática, a análise é mais complexa. Especialmente no setor de tecnologia e serviços, poucas companhias recebem em moeda estrangeira, mas muitas possuem despesas dolarizadas com cloud, inteligência artificial (crescendo exponencialmente), cibersegurança, bancos de dados, APIs, ferramentas de desenvolvimento, licenças, softwares corporativos e plataformas globais. A maioria vende apenas em reais no Brasil, mas depende de fornecedores internacionais para sustentar sua operação.

Nesse contexto, o câmbio deixa de ser apenas uma variável financeira e passa a fazer parte da arquitetura da operação internacional. Segundo Lisandro Vieira, Founder & CEO da WTM International, empresa especializada na nacionalização de operações internacionais de tecnologia, empresas com atuação global precisam analisar o dólar de forma estratégica, considerando receitas, custos, contratos, prazos, tributação, documentação e pagamentos internacionais.

“Câmbio não é apenas cotação. É gestão de operação internacional. A empresa precisa entender onde está a receita, onde está a despesa, em qual moeda assume compromissos, em que momento precisa liquidar cada obrigação e qual o melhor corredor de pagamentos. Quando esse fluxo não está desenhado, ela pode ganhar em uma ponta e perder na outra”, afirma Vieira.

Um dos erros mais recorrentes, segundo o especialista, é tratar recebimentos e pagamentos internacionais como decisões pontuais. Empresas que convertem imediatamente toda a receita recebida do exterior para reais podem, posteriormente, precisar recomprar dólares para pagar fornecedores, assinaturas, contratos internacionais ou plataformas essenciais. Se a cotação se mover contra a empresa nesse intervalo, parte relevante da rentabilidade pode desaparecer.

“Não é porque entrou dólar que a empresa deve converter automaticamente, nem porque existe um fornecedor estrangeiro que ela deve comprar somente no dia do vencimento. O ponto é casar fluxos, evitar conversões desnecessárias e definir com antecedência o que será mantido em moeda estrangeira, o que será convertido e o que precisa de proteção cambial”, explica.

Importância de se ter um desenho completo da operação

Para Lisandro, a gestão cambial moderna precisa ir além da busca pela melhor taxa do dia. Ela deve considerar o desenho completo da operação: moeda de faturamento, moeda de pagamento, periodicidade das faturas, prazos contratuais, natureza da operação, responsabilidade tributária, documentação de suporte, disponibilidade de caixa e liquidez internacional e, principalmente, qual é o país do outro lado, para definir e planejar o custo tributário da operação.

Em empresas de tecnologia, esse cuidado se torna ainda mais relevante porque muitos custos globais são recorrentes e essenciais para o funcionamento do negócio. Plataformas em nuvem, ferramentas de inteligência artificial, soluções de segurança, softwares corporativos e serviços digitais internacionais não são despesas acessórias: em muitos casos, são parte da infraestrutura operacional da empresa.

“A empresa internacional madura não tenta adivinhar o dólar. Ela estrutura sua exposição. Em alguns casos, a melhor decisão será manter recursos na mesma moeda dos pagamentos futuros. Em outros, será antecipar contratos, negociar periodicidade e país de faturamento, usar instrumentos de proteção cambial ou redesenhar a forma de pagamento”, complementa Vieira.

Entre as alternativas para reduzir a exposição estão o mapeamento de receitas e despesas por moeda, a manutenção de recursos na moeda utilizada em pagamentos futuros, a negociação de contratos com regras claras de câmbio, a antecipação de pagamentos anuais, quando houver vantagem econômica, o uso de mecanismos de proteção cambial em operações previsíveis e a construção de políticas internas para definir quando converter, quando manter saldo e quando travar posições.

O executivo também destaca que a simplificação dos meios de pagamento internacionais não elimina a necessidade de controle. Com novas tecnologias, fintechs, contas internacionais e soluções digitais, pagar e receber no exterior se tornou mais simples. Mas isso não significa que as responsabilidades cambiais, fiscais, documentais e contratuais deixaram de existir.

Quanto mais fácil fica pagar, maior precisa ser a disciplina de controle. A empresa não pode olhar apenas para a conversão do dólar. Ela precisa saber se a operação está corretamente documentada, tributada, contratada e integrada à sua estratégia financeira e contábil”, afirma.

Para Vieira, o tema é especialmente relevante para empresas brasileiras que desejam crescer no mercado global ou que dependem de tecnologia internacional para operar no Brasil. Nesses casos, a volatilidade cambial não deve ser tratada como um evento isolado, mas como uma variável permanente de gestão.

“Empresas que querem crescer internacionalmente precisam tratar o câmbio como parte da estratégia, não como um problema do financeiro no fim do mês. Quem integra tesouraria, contratos, compliance e operação tem mais previsibilidade, protege melhor suas margens e cresce com menos surpresa no mercado global”, conclui.

 

O post “Empresas internacionais precisam controlar operações em dólar, e não serem reféns das oscilações”, afirma especialista apareceu primeiro em Comex do Brasil.

IA impulsiona eficiência e compliance no comex do setor de óleo e gás, avalia eComex

Empresa especializada aponta como automação de Hyperscale, auditoria integral via IA e o conceito de ‘reimaginar processos’ ajudam o setor a mitigar riscos bilionários em cenário de forte expansão

Da Redação (*)

Brasília – Responsável por cerca de 17% do PIB industrial brasileiro, o setor de óleo e gás atravessa um ciclo de forte expansão no país. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção nacional de petróleo e gás natural alcançou 5,597 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em maio de 2026, mantendo-se em um dos maiores patamares já registrados no país.

No entanto, para sustentar esse crescimento, as empresas precisam navegar por uma das cadeias de comércio exterior mais complexas do mundo. Isso por ser exposta tanto a uma severa burocracia regulatória quanto à volatilidade geopolítica global, marcada pela retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelos novos episódios de instabilidade no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores do comércio mundial de petróleo.

Nesse cenário de alta sensibilidade e capital intensivo, a eComex, empresa referência em tecnologia para gestão de comércio exterior, aponta que a Inteligência Artificial (IA) e a automação de alta performance deixaram de ser diferenciais para se tornarem imperativos de sobrevivência.

Segundo André Barros, CEO da eComex, as operações do segmento envolvem montantes bilionários e cadeias de suprimentos globais críticas, onde qualquer erro aduaneiro ou atraso logístico gera prejuízos severos. “A tecnologia especializada entra para dar previsibilidade e segurança jurídica. O setor depende crucialmente de regimes aduaneiros especiais, como o Repetro e o Repex. Sem um controle sistêmico milimétrico dessas concessões fiscais, a própria viabilidade financeira de explorar uma plataforma de petróleo é colocada em risco”, explica o executivo.

Auditoria integral e qualidade de vida no trabalho

Uma das principais dores do setor mapeadas pela eComex é a eficiência no back-office do comex e a mitigação de riscos fiscais. Tradicionalmente, devido ao volume transacional gigantesco, as companhias auditam seus processos aduaneiros por amostragem, ficando vulneráveis a penalidades da Receita Federal.

Para solucionar essa lacuna, a tecnologia evoluiu para realizar auditorias completas. Com soluções inovadoras como o recém-lançado Veritas, uma inteligência artificial desenvolvida pela eComex para o cruzamento integral de documentos e relatórios contra as leis vigentes e regras próprias do negócio, passa a ser possível auditar 100% das operações em tempo real, eliminando o fator do “erro humano” e a auditoria por amostragem.

Além do compliance rigoroso, a automação de dados atua diretamente na retenção de talentos e na saúde organizacional. Barros relembra casos reais da indústria onde profissionais altamente qualificados, como engenheiros especializados, sofriam com quadros de burnout decorrentes da exaustiva tarefa de digitar faturas manualmente em sistemas de Comex e nos ERPs. “Ferramentas baseadas em IA, como o Titan, libertam esses profissionais técnicos para atuarem onde realmente geram valor: na engenharia de processos e na eficiência em campo, deixando a carga repetitiva e de alta responsabilidade para os robôs”, pontua.

Dados Organizáveis e a Robustez em ‘Hyperscale’

Embora a máxima “os dados são o novo petróleo” seja repetida há anos no mercado, o CEO da eComex faz uma ressalva pragmática: “O dado só é o novo petróleo se estiver estritamente organizado. O volume de dados gerado pelo comércio exterior é massivo. Extrair insights acionáveis que evitem gargalos fabris ou rupturas logísticas só é possível se houver algoritmos avançados processando bases estruturadas”.

Para suportar essa avalanche de dados de multinacionais e grandes estatais, o mercado exige plataformas robustas com arquitetura de Hyperscale, sistemas em nuvem capazes de escalar horizontal e verticalmente de forma virtualmente infinita em processamento e memória. “Grandes indústrias não podem apostar em soluções generalistas ou focadas apenas no operacional burocrático. Elas demandam parceiros com foco 100% em Comex e musculatura tecnológica para acompanhar e suportar o crescimento súbito de suas operações”, reforça Barros.

As Três Ondas da IA e o Futuro do Trabalho

Olhando para o futuro breve, o executivo destaca que a adoção da inteligência artificial pelas lideranças corporativas maduras segue três ondas distintas, inspiradas fortemente no ecossistema de inovação asiático:

  1. Primeira Onda: Focada na redução direta de custos e ganho de tempo em tarefas cotidianas.
  2. Segunda Onda: Voltada para o incremento substancial da qualidade e precisão das operações.
  3. Terceira Onda (O Grande Salto): Caracterizada por reimaginar os processos.

“O ápice da IA não está em automatizar o fluxo que já existe hoje, mas sim em redesenhar completamente a forma como o negócio opera. A ascensão da IA Agêntica, onde agentes autônomos tomam decisões e executam ponta a ponta, sob a supervisão estratégica do ser humano (human in the loop), ditará quem liderará o mercado. Subestimar essa virada tecnológica ou tentar gerir o amanhã com mentalidades presas ao passado é o primeiro erro de uma liderança”, finaliza Barros.

Além dos ganhos nítidos em competitividade e receita, a digitalização completa e inteligente das cadeias de suprimentos consolida a governança corporativa e apoia diretamente as agendas de ESG e descarbonização do setor de óleo e gás.

Sustentabilidade e Governança na Cadeia de Valor

Além dos nítidos ganhos em competitividade e eficiência operacional, o avanço tecnológico no comércio exterior traz um reflexo direto nas metas socioambientais das companhias. A eComex aponta que a digitalização completa da cadeia elimina o uso massivo de papelada física, reduz retrabalhos logísticos e mitiga emissões de carbono. Com processos rastreáveis e transparentes, a tecnologia se consolida como um pilar fundamental para dar suporte às rigorosas agendas de ESG e descarbonização do setor de óleo e gás.

(*) Com informações da eComex

O post IA impulsiona eficiência e compliance no comex do setor de óleo e gás, avalia eComex apareceu primeiro em Comex do Brasil.

EUA buscaram “capitulação” e abertura total do Brasil sem contrapartida em negociação, diz chanceler Mauro Vieira

Da Redação (*)

Brasília – O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou que os Estados Unidos (EUA) buscaram uma “capitulação” do governo brasileiro durante as negociações sobre o tarifaço por meio da exigência de abertura completa de mercados do país sem qualquer contrapartida.

Em declaração à imprensa, nesta quinta-feira (16), Viera afirmou que o governo dos EUA está incomodado com o fato de o Brasil “não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações”.

“Cito como exemplo demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos EUA de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros. Em outras palavras, exigiam a capitulação”, afirmou Vieira.

Ontem, os EUA anunciaram uma tarifa adicional de 25% em parte dos produtos brasileiros alegando práticas “desleais” no comércio por parte do Brasil. O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para o tarifaço.

Chanceler responde a grosseria e arrogância de Rubio

Ainda na declaração desta quinta, Vieira rebateu a postagem do secretário do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio, em uma rede social. Rubio disse que a falta de acordo entre Brasil e EUA teria sido devido ao “ego” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O que Rubio chama de ego nada mais é do que a convicção inabalável do presidente Lula na defesa da soberania brasileira e dos interesses das nossas empresas e de nossos trabalhadores”, rebateu o chanceler brasileiro.

Marco Vieira acrescentou que Rubio usa falsas afirmações sobre o empenho brasileiro em negociar e “ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo, que se empenhou pessoalmente pela abertura de canais de negociação em várias ocasiões”.

O chefe do Itamaraty relembrou toda trajetória das negociações comerciais entre Brasil e EUA, destacando que foram mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone desde março de 2025.

“Somente com Jamieson Green [Representante Comercial dos EUA/USTR] e com Marco Rubio foram realizados 11 contatos, incluindo as reuniões entre os presidentes”, completou Vieira.

Motivação política

O governo brasileiro vinha defendendo que a ameaça de tarifaço usada pelo governo Trump contra o Brasil tem motivação política, mirando as eleições. Para analistas consultados pela Agência Brasil, a medida seria uma forma de enquadrar o país, que não teria adotado um alinhamento político com Washington como a Casa Branca gostaria.

No pronunciamento desta quinta, o ministro Mauro Vieira reforçou que não há qualquer justificativa para adoção das tarifas contra o Brasil.

O ministro lembrou do tarifaço de julho de 2025 de 50% contra o Brasil “por expressa motivação política em tentativa de interferência do poder judiciário brasileiro”, em função do julgamento por tentativa de golpe de Estado liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Vieira acrescentou que foi no contexto do julgamento do 8 de janeiro que Trump pediu ao Escritório do Representante Comercial (USTR) do país para abrir uma investigação contra o Brasil baseado na Seção 301 Lei do Comércio dos EUA.

“Não custa reiterar que os EUA acumularam US$ 424 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, incluindo oito dos dez principais produtos dos EUA importados pelo Brasil”, afirmou Vieira.

Para o chanceler, apesar da motivação política, o Brasil continuou ativo nas negociações tentando costurar um acordo que evitasse o tarifaço anunciando ontem. “Não houve, portanto, racionalidade na aplicação destas tarifas”, disse.

Pix e desmatamento

Sobre o Pix, que é um dos alvos da investigação dos EUA sobre o Brasil, o ministro disse que as acusações contra o mecanismo são “descabidas”.

“O PIX é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo PIX”, disse.

O ministro Mauro Vieira acrescentou ainda que as acusações contra o desmatamento ilegal no Brasil também não se sustentam.

“Desde 2022, reduzimos significativamente o desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Todas as rejeições dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade”, finalizou.

(*) Com informações da Agência Brasil

O post EUA buscaram “capitulação” e abertura total do Brasil sem contrapartida em negociação, diz chanceler Mauro Vieira apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Abimaq expressa preocupação com tarifas adicionais de 25% anunciada pelos EUA sobre produtos brasileiros

Da Redação (*)

Brasília – A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) manifesta profunda preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifa adicional de 25% sobre as importações de produtos brasileiros, no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 do Trade Act de 1974.

De acordo com a Abimaq, embora o ato final tenha preservado diversas exceções relevantes, inclusive para produtos sujeitos às medidas da Seção 232 e para determinados bens considerados estratégicos para a economia americana, a Abimaq avalia que a decisão representa um fator adicional de incerteza para o comércio bilateral e para as empresas inseridas nas cadeias produtivas entre Brasil e Estados Unidos.

Entre os produtos excluídos das novas tarifas encontram-se, por exemplo, artigos já submetidos à Seção 232, aeronaves civis e suas partes, produtos farmacêuticos, determinados produtos de madeira, veículos, semicondutores e outros insumos considerados essenciais pelo próprio governo dos Estados Unidos.

Para o setor de máquinas e equipamentos, os Estados Unidos representam o principal mercado de exportação. Trata-se de uma relação comercial caracterizada por elevada complementaridade industrial e pela intensa integração das cadeias produtivas, nas quais circulam máquinas, componentes, partes e bens intermediários utilizados pela própria indústria americana. Em 2025, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para os Estados Unidos alcançaram aproximadamente US$ 3,2 bilhões, enquanto as exportações americanas para o Brasil totalizaram cerca de US$ 4,8 bilhões, evidenciando uma relação de benefícios mútuos e forte interdependência produtiva.

A Abimaq ressalta que parcela significativa desse comércio ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico (intercompany), refletindo investimentos produtivos realizados por empresas americanas no Brasil e por empresas brasileiras nos Estados Unidos. Nesse contexto, a elevação de tarifas tende a aumentar custos, reduzir competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas instaladas nos dois países, produzindo efeitos que vão além da relação comercial bilateral.

Efeitos negativos sobre cadeias produtivas dos dois países

A entidade também observa que, durante a consulta pública conduzida pelo USTR, diversos representantes da indústria americana defenderam a exclusão de máquinas, equipamentos e outros bens industriais da medida, argumentando que esses produtos são essenciais para a competitividade da manufatura dos Estados Unidos, possuem limitada disponibilidade de fornecimento alternativo e que sua tributação produziria impactos negativos sobre investimentos, custos de produção e geração de empregos naquele país. O próprio relatório final reconhece que diversas exclusões foram concedidas justamente para evitar desorganização das cadeias produtivas e impactos econômicos mais amplos.

A Abimaq entende que divergências comerciais devem ser tratadas prioritariamente por meio do diálogo institucional e da negociação bilateral. Medidas unilaterais de natureza tarifária tendem a elevar a insegurança jurídica, aumentar custos para empresas e consumidores e enfraquecer cadeias globais de valor que vêm sendo construídas ao longo de décadas.

A Associação continuará acompanhando atentamente a implementação da medida, em especial a regulamentação operacional pelas autoridades aduaneiras norte-americanas e a definição do tratamento aplicável aos diferentes produtos do setor. Paralelamente, permanecerá atuando junto às autoridades brasileiras e aos interlocutores norte-americanos na defesa da ampliação das exclusões aplicáveis ao setor de máquinas e equipamentos e da construção de uma solução negociada que preserve a competitividade da indústria e o fortalecimento da relação econômica entre Brasil e Estados Unidos.

(*) Com informações da Abimaq

O post Abimaq expressa preocupação com tarifas adicionais de 25% anunciada pelos EUA sobre produtos brasileiros apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Aeronaves, petróleo, minério de ferro, suco de laranja, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA

Setores estão entre os principais da pauta de exportações para o país

Da Redação (*)

Brasília – Nesta quarta-feira (15), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) impôs uma sobretaxa de 25% sobre vários produtos provenientes do Brasil. Bens como aeronaves, petróleo, café, carne, celulose, minério de ferro, ferro-gusa e suco de laranja, entre outros, não figuram na relação dos produtos taxados pelo governo americano.

Por outro lado, alguns setores não conseguiram se livrar da taxação, como ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.

As isenções foram estabelecidas pelos Estados Unidos para aqueles produtos brasileiros que não são produzidos internamente por lá em quantidade suficiente ou a preços razoáveis, evitando assim escassez de determinados produtos no mercado consumidor e perturbações na economia daquele país.

Tarifaço é considerado ilegítimo pelo governo brasileiro

As tarifas de 25% foram anunciadas nesta quarta-feira (15) e devem entrar em vigor no próximo dia 22, depois de uma investigação do USTR.

O USTR justificou suas taxas dizendo que certas práticas adotadas pelo Brasil eram descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Já o governo brasileiro repudiou as novas tarifas, disse que não reconhece a legitimidade da investigação do USTR e acrescentou que não há justificativa para essas medidas.

O Brasil informou ainda que “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC [Organização Mundial do Comércio]”.

(*) Com informações da Agência Brasil

 

O post Aeronaves, petróleo, minério de ferro, suco de laranja, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Indústria brasileira repudia taxação dos EUA e denuncia perda de competitividade no mercado americano

Da Redação (*)

Brasília – O governo dos Estados Unidos anunciou na madrugada (horário de Brasília) desta quinta-feira (16) a nova taxação de 25% sobre produtos brasileiros e as entidades que representam vários setores da indústria brasileira reagiram fortemente à medida determinada pelo presidente Donald Trump.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgou comunicado no qual “lamenta com profunda preocupação a aplicação de uma sobretaxa às exportações de produtos brasileiros ao mercado americano”.

“A decisão é especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais”, diz a Fiesp.

A entidade reafirmou também o “seu compromisso com a diplomacia empresarial e seguirá trabalhando de forma construtiva junto a parceiros nos EUA para que as tarifas sejam revertidas ou parcialmente mitigadas na ampliação da lista de isenções”.

Fiemg

Quem também se manifestou sobre a taxação norte-americana sobre a economia brasileira foi a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

“A Fiemg manifesta profunda preocupação com o recente aumento das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros”.

Em sua manifestação, a Fiemg reforçou a “importância do diálogo e da cooperação entre os países, especialmente em um momento em que se exige serenidade e responsabilidade nas relações comerciais internacionais”.

A entidade a indústria mineira declarou ainda que os Estados Unidos são um parceiro estratégico para o país, “em especial para a indústria manufatureira nacional”.

CNI

Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), também criticou a aplicação de taxas contra o Brasil, determinada pelo governo dos EUA.

“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro trimestre”, afirmou Alban.

“Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que o Brasil e Estados Unidos construíram”, acrescentou.

Tarifaço

O governo dos Estados Unidos anunciou uma sobretaxa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil para aquele país, na madrugada de hoje, horário de Brasília. A decisão entra em vigor a partir de 22 de julho. Ela vai incidir sobre produtos que não estão na lista de exceção.

Ficaram de fora produtos como café, suco de laranja, carne bovina, aeronaves, entre outros. A lista de produtos isentos chega a mais de 2 mil itens. Eles não são sobretaxados por terem muita importância dentro do mercado norte-americano e por não serem produzidos em larga escala pela indústria do país.

(*) Com informações da Agência Brasil

O post Indústria brasileira repudia taxação dos EUA e denuncia perda de competitividade no mercado americano apareceu primeiro em Comex do Brasil.