O futuro do Comex será construído por tecnologia. Mas será liderado por pessoas.

Helenice Sá Silva Lima (*)

Durante muito tempo, o acesso à informação foi um dos principais diferenciais competitivos dos profissionais. Quem tinha mais conhecimento técnico ou acesso às melhores fontes conseguia tomar decisões melhores e ocupar posições estratégicas dentro das organizações.

A internet mudou essa lógica ao democratizar a distribuição da informação. Agora, a Inteligência Artificial acelera uma nova transformação ao democratizar também a produção de conteúdo. Nunca foi tão fácil produzir textos, análises, apresentações ou responder perguntas técnicas.

Nesse novo cenário, conhecimento continuará sendo indispensável, mas deixará de ser suficiente.

Na minha visão, os profissionais que mais gerarão valor nos próximos anos serão aqueles capazes de interpretar cenários, conectar pessoas, construir soluções coletivamente e liderar processos de transformação. Essa mudança é especialmente relevante para o Comércio Exterior, que vive uma das maiores transições de sua história.

A implantação do Portal Único, da DUIMP, da DUE, a digitalização dos processos e o avanço da Inteligência Artificial estão redesenhando a forma como as empresas operam. Não estamos diante apenas de uma mudança tecnológica. Estamos diante de uma mudança de papel dos profissionais que atuam na área.

O especialista em Comércio Exterior deixa de ser apenas um executor de processos para assumir uma posição mais estratégica dentro das empresas.

Foi justamente dessa reflexão que nasceu a Comex Pulse Comm.

Há aproximadamente um ano e meio, a eComex decidiu transformar uma característica que sempre fez parte da sua história em um projeto permanente para o mercado: criar um ambiente de colaboração, relacionamento e desenvolvimento profissional para quem acredita que o futuro do Comércio Exterior será construído de forma coletiva.

Hoje, a comunidade reúne mais de 800 profissionais ativos de Comércio Exterior e áreas correlatas.

Seu objetivo nunca foi apenas compartilhar conteúdo.

A Comex Pulse Comm nasceu para conectar pessoas que desejam elevar suas ideias a um patamar estratégico e assumir um papel protagonista na construção e no fortalecimento do Comércio Exterior brasileiro.

Essa iniciativa reflete uma cultura presente na própria trajetória da eComex. Ao longo de mais de quatro décadas, a empresa evoluiu ouvindo clientes, parceiros, especialistas e profissionais do mercado. Muitas soluções surgiram da troca constante de experiências e da construção conjunta de respostas para desafios reais das operações.

A comunidade representa a continuidade dessa forma de pensar.

Seu propósito é proporcionar um ecossistema colaborativo capaz de promover o crescimento e o sucesso de pessoas e empresas no cenário global do Comércio Exterior.

Sua causa também está diretamente ligada ao momento que vivemos. Reunimos profissionais que buscam compreender essa transformação, encontrar seu espaço nesse novo contexto e desenvolver as competências necessárias para assumir posições de protagonismo em suas organizações.

Isso significa desenvolver muito mais do que conhecimento técnico.

Dominar legislação, processos, acordos internacionais ou tecnologia continuará sendo importante. Mas liderança, comunicação, relacionamento, colaboração, influência e capacidade de mobilizar pessoas passam a ter um peso igualmente relevante.

É justamente o equilíbrio entre essas competências técnicas e humanas que tende a formar os novos líderes do Comércio Exterior.

Para apoiar esse desenvolvimento, a Comex Pulse Comm estruturou diferentes iniciativas ao longo de sua trajetória.

O Beyond Borders promove encontros de mentoria online dedicados às discussões sobre gestão, liderança e desafios do Comércio Exterior. O “Experience Beyond Comex” aproxima profissionais em encontros presenciais que fortalecem relacionamento, networking e confiança entre os participantes por meio de experiências inusitadas. Já o “Ideias que Importam” reúne executivos para discutir problemas concretos do setor e construir soluções de forma colaborativa.

Cada programa possui um formato diferente, mas todos compartilham a mesma essência: criar um ambiente onde pessoas aprendem juntas, compartilham experiências e ampliam sua capacidade de gerar impacto dentro das empresas.

Tenho convicção de que a tecnologia continuará acelerando a transformação do Comércio Exterior. Porém, quanto mais digital se torna o nosso mercado, maior será a importância dos espaços onde as pessoas possam trocar experiências reais, desenvolver repertório, construir relacionamentos e aprender umas com as outras.

Nenhuma Inteligência Artificial substitui a confiança construída entre profissionais, a experiência acumulada ao longo dos anos ou a capacidade de liderar pessoas diante de cenários complexos.

Talvez esse seja o verdadeiro diferencial competitivo da próxima década.

Se você acredita que o futuro do Comércio Exterior será construído por profissionais preparados para colaborar, aprender continuamente e liderar essa transformação, convido você a fazer parte da Comex Pulse Comm.

Hoje já somos mais de 800 profissionais conectados por um mesmo propósito. Será um prazer receber você nessa construção.

Participe da Comex Pulse Comm.

Clique aqui e inscreva-se gratuitamente.

(*) Helenice Sá Silva Lima – Chief Marketing Officer da eComex e idealizadora da Comex Pulse Comm.

 

 

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Manutenção da certificação OEA impulsiona adoção de tecnologia para compliance aduaneiro

Empresas recorrem à auditoria contínua para reduzir riscos, evitar multas e preservar benefícios estratégicos no comércio exterior

Da Redação (*)

Brasília – Conquistar a certificação de Operador Econômico Autorizado (OEA) é um passo estratégico para empresas que atuam no comércio exterior, mas manter esse status tem se tornado um desafio crescente. Com o aumento do volume documental, operações mais complexas e exigências permanentes de conformidade, companhias têm buscado tecnologias capazes de acompanhar suas rotinas aduaneiras em tempo real e reduzir a exposição a riscos regulatórios.

Criado pela Receita Federal, o programa OEA reconhece empresas com alto grau de confiabilidade em seus processos e oferece benefícios como maior agilidade no desembaraço aduaneiro, redução de inspeções físicas e mais previsibilidade logística. Na prática, a certificação permite que cargas tenham prioridade na liberação alfandegária, reduzindo custos e atrasos operacionais. Em contrapartida, exige que as empresas mantenham controles internos rigorosos, documentação consistente e capacidade de demonstrar conformidade contínua.

“Uma empresa certificada pelo OEA precisa comprovar constantemente que mantém processos confiáveis, rastreáveis e em conformidade com a legislação. O desafio é que, à medida que a operação cresce, aumenta também o volume de documentos, fornecedores e processos que precisam ser monitorados”, afirma André Barros, CEO da eComex.

Além da complexidade operacional, o cenário regulatório exige atenção constante. O processo de reavaliação das empresas certificadas tem se tornado mais frequente, ampliando a necessidade de auditoria contínua. Segundo Barros, muitas empresas ainda realizam esse controle por amostragem, o que pode deixar falhas importantes sem identificação. “Pequenas inconsistências entre documentos podem gerar autuações relevantes. Muitas vezes não se trata de fraude, mas de erro operacional. Ainda assim, o impacto para a empresa pode ser significativo, com multas e até a perda da certificação”, diz.

Acompanhamento contínuo

Para responder a esse cenário, a eComex desenvolveu o Veritas, solução baseada em inteligência artificial voltada à auditoria documental em operações de importação e exportação. A ferramenta realiza três níveis de validação: verifica a consistência entre documentos, a aderência à legislação vigente e o cumprimento de regras internas definidas pela própria empresa. O processo é feito em tempo real e cobre 100% da operação.

“O principal diferencial está em substituir a lógica de auditoria por amostragem por um acompanhamento contínuo. O Veritas permite identificar falhas antes que elas se transformem em risco regulatório ou impacto financeiro, fortalecendo o compliance aduaneiro de forma prática e escalável”, afirma Barros.

Embora o tema seja especialmente relevante para empresas certificadas no programa OEA, a necessidade de controle documental rigoroso se estende a todo o setor. Para companhias que buscam crescer com mais segurança e previsibilidade em suas operações internacionais, o uso de tecnologia para validar documentos e acompanhar a conformidade tem se consolidado como parte da estratégia de negócio.

 

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Comércio entre Brasil e EUA atinge o patamar mais baixo da história, mostra o Monitor de Comércio da Amcham

Da Redação (*)

Brasília – O comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 36,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, uma queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano no período recuaram 13,0%, para US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações caíram 12,5%, totalizando US$ 19,0 bilhões, segundo a edição de janeiro a junho do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil.

O desempenho levou a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras para 9,4%, o menor percentual da série histórica para um primeiro semestre desde 1997. Na corrente de comércio brasileira, a participação americana também atingiu o menor nível da série, com 11,1%. Apesar da retração, os Estados Unidos permanecem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil em bens e maior destino das exportações industriais.

O desempenho contrasta com o crescimento das exportações brasileiras para o mundo (+11,5%) e para parceiros relevantes, como China (+21,9%) e União Europeia (+12,8%) no primeiro semestre de 2026.

“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301. Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

A análise da Amcham mostra que os bens submetidos às sobretaxas responderam pela maior parte da retração das exportações brasileiras no semestre. Enquanto as vendas de produtos sobretaxados caíram 16,6%, as exportações de bens sem sobretaxa recuaram 8,7%.

Entre os produtos sujeitos às tarifas adicionais, os itens enquadrados na tarifa de 10% registraram queda de 25,9%, enquanto os produtos abrangidos pela Seção 232 recuaram 6,7%. Os maiores impactos ocorreram em produtos como semiacabados de ferro e aço (-21,7%), caminhões (-46,7%), madeira (-40,5%) e cobre (-37,4%).

Desde a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em fevereiro, que revogou as tarifas adicionais aplicadas com base no IEEPA, o universo de produtos brasileiros isentos de sobretaxas aumentou de 382 para 1.488 itens. Ainda assim, permanecem em vigor tarifas adicionais de 10% (Seção 122) e de até 50% para produtos enquadrados na Seção 232, mantendo elevada a pressão sobre parte relevante da pauta exportadora brasileira.

Queda das exportações é interrompida em junho

Apesar do resultado negativo do semestre, junho apresentou um sinal de melhora. As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 3,7% em valor na comparação com junho de 2025, interrompendo uma sequência de dez meses consecutivos de queda. O avanço foi sustentado principalmente pelos produtos sem sobretaxa, que cresceram 35,8%, impulsionados por aeronaves (+299,4%) e óleos combustíveis de petróleo (+89,3%). Já os bens sobretaxados continuaram em retração, com queda de 17,0% no mês.

Exportações industriais caem US$ 1,4 bi

O impacto foi particularmente intenso sobre os produtos industriais. Na comparação entre os primeiros semestres de 2026 e 2025, as exportações do setor para os Estados Unidos caíram de US$ 16,0 bilhões para US$ 14,6 bilhões, US$ 1,4 bilhão a menos.

Mesmo com a retração, a indústria de transformação permaneceu como o principal componente das exportações brasileiras para os Estados Unidos, respondendo por 83,9% das vendas ao mercado americano. Alguns dos principais produtos exportados no semestre no setor com alta nas vendas estão aeronaves (+32,9%), equipamentos de engenharia civil (+23,8%) e máquinas de energia elétrica (+16,0%).

Em contrapartida, produtos como petróleo bruto (-30,4%), café não torrado (-34,8%), produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%) e celulose (-9,4%) registraram quedas expressivas.

Audiência da Seção 301

A divulgação do Monitor ocorre em meio às discussões sobre possíveis desdobramentos da investigação conduzida pelos Estados Unidos no âmbito da investigação Seção 301. Na audiência pública realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), na última segunda-feira (6), a Amcham defendeu (link para nota) que o diálogo e a negociação bilateral representam o caminho mais eficaz para tratar das preocupações levantadas pelo governo americano e destacou as consequências negativas das tarifas para a economia dos Estados Unidos.

Confira a integra do Monitor de Comércio – edição do 1º semestre de 2026

(*) Com informações da Amcham Brasil

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Amcham defende negociação para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros em audiência pública nos EUA

Entidade destacou impactos negativos para a economia dos Estados Unidos em caso de aplicação de tarifas sobre o Brasil

Da Redação (*)

Brasília – A Amcham Brasil participou nesta segunda-feira (6), em Washington, D.C., da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da investigação conduzida pela Seção 301 sobre determinadas políticas e práticas comerciais do Brasil.

Durante a audiência, a entidade argumentou que a proposta de aplicar sobretaxas de até 25% sobre determinados produtos brasileiros tende a elevar custos para a indústria e os consumidores norte-americanos, causar desvio de comércio em favor de concorrentes asiáticos, ampliar o déficit comercial dos Estados Unidos com esses países e enfraquecer a influência econômica e comercial americana no Brasil.

A Amcham reforçou a importância de uma solução negociada entre os dois governos que evite a adoção dessas tarifas, indicando caminhos concretos para o avanço das negociações bilaterais. Entre eles, foram sugeridas a ampliação do acesso a mercados em determinados setores, a cooperação em minerais críticos, a extensão da moratória da OMC sobre transmissões eletrônicas e a agilização do exame de patentes no Brasil.

Tempo para busca de solução negociada

“Embora a investigação esteja na reta final e as negociações sejam complexas, ainda há espaço para que os dois governos intensifiquem esforços em busca de uma solução negociada. A aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

A audiência pública representa a etapa final da investigação conduzida pelo USTR. A decisão do governo americano sobre a eventual implementação das medidas está prevista para 15 de julho.

A Amcham Brasil continuará acompanhando a evolução da investigação e das negociações entre os dois governos, de forma a contribuir para a construção de soluções que fortaleçam a relação econômica bilateral.

Acesse a integra da Manifestação da Amcham

(*) Com informações da Amcham

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Painel de Tarifas dos EUA: ferramenta digital da ApexBrasil gera estratégias de diversificação comercial para exportadores

Nova ferramenta digital auxilia empresas a monitorar barreiras comerciais e calcular riscos aduaneiros; em duas décadas, dependência brasileira do mercado americano recuou de 19,1% para 10,8% com avanço rumo ao Sul Global e à União Europeia.

Da Redação (*)

Brasília – As medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos exercem impacto sobre o comércio internacional e exigem atenção dos exportadores brasileiros. Para apoiar o empresariado nacional no diagnóstico de sua exposição comercial e na identificação de riscos, a ApexBrasil lançou o Painel de Medidas Tarifárias dos EUA. A plataforma, interativa e gratuita, organiza informações técnicas em uma interface simples, permitindo que as empresas descubram com rapidez se seus produtos são alvo de sobretaxas ou se contam com isenções no mercado norte-americano.

Diante dos aumentos tarifários aplicados por Washington, as frentes de promoção comercial e de defesa de interesses têm acelerado uma diversificação mercadológica no comércio exterior brasileiro.

Inteligência comercial

O principal objetivo da ferramenta é servir como um instrumento de inteligência comercial para apoiar as análises empresariais, o planejamento estratégico e a avaliação de riscos. A interface permite realizar consultas dinâmicas informando o código SH6 (numeração de seis dígitos criado pela Organização Mundial das Alfândegas para classificar mercadorias no comércio global) ou a descrição detalhada do produto.

A plataforma foi desenhada para responder de forma direta a perguntas essenciais do cotidiano exportador, como se o produto selecionado foi exportado pelo Brasil para os EUA no período recente, o nível de relevância atual do mercado norte-americano para esse setor, se o item consta nas listas analisadas das medidas tarifárias acompanhadas, e quais outros mercados globais importam esse mesmo produto, servindo de alternativa para o negócio.

Além do mapeamento tarifário, o painel detalha a evolução das exportações bilaterais, disponibiliza notas metodológicas e oferece uma seção de perguntas frequentes para guiar o usuário na correta interpretação dos dados.

Medidas tarifárias monitoradas

O painel centraliza o acompanhamento de quatro grandes frentes regulatórias implementadas ou avaliadas pelas autoridades norte-americanas:

Medida Tarifária Status Atual Escopo e Impacto Principal
Seção 232 – Tarifas Setoriais Vigente Aplicada sob justificativa de segurança nacional; afeta diretamente os setores de ferro, aço, cobre, alumínio, automóveis e autopeças.
Seção 122 – Medida Temporária Global Vigente por prazo determinado Tarifa global adicional de 10% de aplicação ampla sobre as importações, com previsão de encerramento para 24 de julho de 2026.
Seção 301 – Investigação Comercial contra o Brasil Em investigação Avalia práticas comerciais brasileiras alegadas como injustificáveis ou discriminatórias; ainda não se converteu em tarifa final.
Seção 301b – Investigação sobre Trabalho Forçado Em investigação Conduzida de forma ampla contra todos os países; a exemplo da Seção 301, ainda não está em vigor e prevê listas de isenção.

 

(*) Com informações da ApexBrasil

 

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China cria mecanismos financeiros na África para não depender de dólar mas desdolarização segue distante

Da Redação (*)

Brasília – A China vem ampliando a infraestrutura financeira na África para não depender do dólar, o que permite comercializar bens e serviços por meio das moedas africanas e da chinesa, o yuan.

Apesar das mudanças, o uso yuan (ou renminbi) ainda é minoritário no continente e a chamada desdolarização segue fora do horizonte, mesmo para as autoridades de Pequim.

No fim de junho, o Banco Central da China autorizou o pagamento com yuan diretamente no banco Standard Bank, maior grupo bancário do continente com sede na África do Sul, em uma parceria com o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC).

“[A parceria] nos coloca em uma posição única para lidar com renminbi chinês (RMB), permitindo que as empresas façam e recebam pagamentos em RMB para liquidações comerciais, viabilizando o comércio entre a África e a China”, diz comunicado do Standard Bank, presente em 21 países africanos.

Atualmente, a China é a principal parceira comercial da África. Entre 2000 e 2024, o crescimento médio do comércio entre o continente e a China foi de 14%, ao ano, segundo a Administração Geral de Alfândegas (GAC) da China.

Em 1º de maio, a China decidiu isentar taxas de importações de produtos africanos, o que deve reforçar o comércio entre o gigante asiático e a África.

Yuan ainda é minoritário

O analista geopolítico Marco Fernandes, do Conselho Popular do Brics, disse que o avanço do yuan na África ainda é tímido, mas destacou que a China vem construindo uma infraestrutura capaz de comercializar no continente sem precisar usar o dólar.

“Isso é um começo. A China tem feito uma série de iniciativas, como essas, no mundo inteiro para poder comercializar sem o dólar. Mas o montante negociado em yuan é ainda irrelevante considerando o tamanho da economia global. É como se eles estivessem construindo os trilhos para o trem bala chinês passar no futuro”, comentou.

O analista do portal Brasil de Fato acrescentou que as commodities de energia e alimentos, em sua maioria, ainda são negociadas em dólares no mundo todo.

“O yuan é hoje a quinta moeda de comércio mundial com cerca de 8,5% das transações globais, ou seja, muito pouco ainda. Mas está crescendo se você comparar com três, cinco ou dez anos atrás”, disse Marco Fernandes.

A hegemonia do dólar

Uma das agendas do Brics, grupos de países do Sul Global que inclui Brasil, China, Índia, África do Sul, entre outros, tem sido a “desdolarização” da economia mundial uma vez que o uso do dólar como moeda do mercado internacional concede vantagens econômicas e políticas aos Estados Unidos (EUA).

A agenda de “desdolarização” da economia mundial é, por sua vez, atacada pelo presidente Donald Trump, que promete lutar para manter a hegemonia da moeda dos EUA no mundo.

China hesita em impulsionar yuan

O também editor da revista Wenhua Zongheng International, Marco Fernandes, destaca, por outro lado, que a China não tem interesse em uma desdolarização imediata, entre outros motivos, por ter muitas reservas ainda em dólar. Além disso, Pequim tenta manter o valor da sua moeda para preservar a competitividade das exportações chinesas.

Outro problema é que a China evita abrir sua conta de capitais, medida apontada como necessária para internacionalização do yuan, a fim de não expor o sistema financeiro chinês às turbulências da especulação global. A conta de capitais representa a movimentação de recursos que entram e saem do país.

“Uma rápida desvalorização do dólar significaria um prejuízo muito grande, tanto para o Estado chinês, quanto para as empresas chinesas. É preciso que esse processo de desdolarização seja lento, gradual e seguro”, afirmou Marco Fernandes.

Alternativa ao dólar

O economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do banco do Brics, publicou, em junho deste ano, artigo com proposta para uma nova moeda de reserva para o comércio internacional.

Nogueira reconhece que a rede de pagamentos do Banco Popular da China (PBOC), que envolve mais de 40 bancos centrais, amplia o papel da moeda chinesa nas operações de liquidação do comércio internacional.

Porém, o especialista destaca que a substituição do dólar pelo yuan ainda não interessa à economia chinesa e propõe, no lugar, a criação de uma moeda própria para o comércio global formada por uma “cesta” de moedas dos países do Sul Global.

“A criação de uma nova unidade de conta por um grupo de países do Brics (não necessariamente todos) e outras nações do Sul Global. Em determinado momento, a unidade de conta seria convertida em uma nova moeda, preservando os mesmos pesos”, escreveu Paulo Nogueira no Valdai Discussion Club, centro de estudos sediado em Moscou.

Para o analista geopolítico Marco Fernandes, a desdolarização da economia é importante para trazer mais justiça para economia mundial, além de servir para reduzir o poder político e econômico dos EUA que, por meio de sanções e embargos financeiros, conseguem submeter outras nações aos interesses de Washington.

“Por causa da hegemonia do dólar, toda vez que o Banco Central dos EUA sobe os juros, há uma desvalorização das moedas dos países pobres. Isso significa que as importações ficam mais caras. Trigo, arroz, milho e outros alimentos ficam mais caros. Uma pequena variação pode significar a fome, ou mesmo a morte, de milhares de pessoas”, concluiu.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Mais de 4 mil produtos brasileiros exportados aos EUA podem ter tarifa elevada a 37,5%, indica projeção da CNI

Audiências públicas sobre as propostas de tarifas adicionais ocorrem nesta semana em Washington; medidas podem atingir US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras

Da Redação (*)

Brasília -Uma projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que, caso o governo dos Estados Unidos adote as novas propostas de taxação contra o Brasil – de 25% e 12,5% – cerca de 4.187 produtos exportados pelo Brasil serão afetados, o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações.

Todos esses produtos estão hoje submetidos à tarifa adicional temporária de 10% prevista na Seção 122 da legislação comercial americana, vigente até dia 24 de julho. Nesta semana acontecem as audiências públicas para tratar de possíveis duas novas tarifas que produtos brasileiros podem sofrer: uma investigação especificamente sobre o Brasil que sugere sobretaxa de 25% e outra investigação sobre trabalho forçado onde o Brasil também está incluído e pode sofrer uma taxa de 12,5%.

Se as duas novas propostas forem adotadas, haverá um acréscimo de 27,5 pontos percentuais sobre esses bens, dos quais 62% são bens intermediários, utilizados como insumos em processos produtivos. Neste caso, a taxação contra o Brasil chegaria em 37,5%.

Prejuízo bilateral

Entre os principais produtos que o Brasil exporta para os Estados Unidos que podem ser afetados pela tarifa acumulada de 37,5%, o Brasil atua como o principal fornecedor ao mercado norte-americano em 11.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, novas tarifas contra o Brasil também vão elevar custos para empresas, consumidores e cadeias produtivas dos Estados Unidos. “O aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana”, explica.

CNI acompanha audiência nos Estados Unidos

O embaixador brasileiro Roberto Azevêdo representará a CNI na audiência pública de  amanhã (07), em Washington (EUA), sobre a proposta de tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros. Dos 80 inscritos para falar na audiência, 66 devem se posicionar contra a medida.

A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O USTR concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio dos Estados Unidos. A expectativa é que haja uma decisão final até 15 de julho.

“A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os dois países”, reforça Alban.

(*) Com informações da CNI

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Presidente Lula defende acordo Mercosul-China; especialistas descartam tratado nos curto e médio prazos

Da Redação

Brasília – Em plena campanha política visando as eleições presidenciais de outubro próximo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou no último dia 30 em Assunção, que o Mercosul quer negociar um acordo comercial com a China. A declaração foi dada durante a cúpula do bloco, realizada na capital paraguaia. No mundo real, especialistas em comércio exterior consultados pelo Comexdobrasil.com divergem do presidente e veem grandes entraves a serem superados antes de o Mercosul, e o Brasil em especial, poder vir a cogitar da assinatura de um acordo de livre comércio com a segunda maior potência econômica do planeta.

O presidente Lula da Silva tem defendido uma aproximação com a China, sobretudo em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos. Na cúpula do G7, realizada no início de junho na França, o mandatário brasileiro disse que o país asiático ocupou um espaço que estava vazio e que “os Estados Unidos não podem se queixar que a China está ocupando um espaço {no mercado brasileiro e do Mercosul} se ele estava vazio”.

Na opinião de José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) é praticamente inviável, ou mesmo impossível o Brasil cogitar a assinatura de um acordo entre o Mercosul e a China nos curto e médio prazos.

O executivo da AEB destaca que “todos sabemos que temos um custo Brasil bastante elevado, com esse custo, vamos seguir exportando basicamente commodities e não produtos manufaturados para o exigente e disputado mercado chinês”. Castro afirma ainda que “se fizer o dever de casa, reduzindo os custos de produção, implementando reformas como a tributária e outras mais, futuramente poderá vir a pensar num acordo dessa magnitude. Por enquanto não existem condições para isso”.

Especialista vê acordo apenas no longo prazo

Por sua vez, Jackson Campos, especialista em Comércio Exterior, afirma que um acordo dessa magnitude envolve riscos importantes: “a elevada competitividade da indústria chinesa pode aumentar a pressão sobre alguns setores industriais do Mercosul, exigindo negociações cuidadosas, cronogramas graduais de abertura e mecanismos de proteção para segmentos mais sensíveis”.

Campos reforça que “esse é um acordo factível, mas apenas no longo prazo”. E reforça: “um tratado comercial entre Mercosul e China envolve negociações complexas e exige consenso entre todos os países do bloco, então dificilmente seria concluído rapidamente. Ainda assim, faz sentido dentro do atual cenário de reorganização do comércio global, em que os países buscam diversificar mercados e reduzir vulnerabilidades”.

Ao mesmo tempo em que aponta grandes obstáculos no caminho das negociações e de uma hipotética assinatura de um acordo comercial com os chineses, Jackson Campos vislumbra ganhos para o Brasil quando e se esse tratado vier a ser firmado: “os principais ganhos para o Brasil estariam na ampliação do acesso ao mercado chinês, na atração de investimentos em infraestrutura, logística e tecnologia e na criação de um ambiente mais previsível para o comércio. Também existe potencial para ampliar a exportação de produtos de maior valor agregado, mas isso dependerá da competitividade da indústria brasileira. O acordo abriria portas, mas não muda sozinho a composição da pauta exportadora, hoje concentrada em commodities”.

Castro critica ausência de uma política comercial

Com uma postura crítica e fundamentada, José Augusto de Castro lembra que “cada vez que o presidente vai ao exterior, ele lança uma proposta de acordo comercial com um componente político. E dessa vez não foi diferente”.

Castro destaca que “nós não temos uma política comercial. Temos uma política segmentada por países. Cada país recebe {do Brasil} uma proposta de acordo comercial e é claro que esse acordo não vai poder funcionar porque não foi feito para o mundo, mas para um país especificamente, e nós queremos que esse acordo se aplique. O Brasil tem muitas dificuldades em firmar e viabilizar acordos. Acordos nós sabemos firmar, viabilizá-los é outra coisa, porque temos muitas dificuldades em fazer com que os detalhes colocados nos acordos sejam de fato aplicados”.

Ao contrário do Chile e do México, que já firmaram mais de 40 acordos comerciais, Castro afirma que “o Brasil tem pouquíssimos desses acordos. Pouquíssimos em quantidade e em qualidade. Temos um acordo com a Palestina, que é contabilizado como acordo comercial, mas é um acordo político. O que justifica um acordo com a Palestina? Chilenos e mexicanos têm acordos de fato, inseridos no dia a dia deles, diferentemente dos nossos acordos, desvinculados do nosso cotidiano”.

Uma visão pragmática do hipotético acordo

CEO do LIDE China, José Ricardo dos Santos Luz Júnior tem uma visão mais pragmática e menos apaixonada sobre esse acordo que por enquanto não passa de uma especulação. Para ele, “uma vez consentido e debatido entre os integrantes do Mercosul, esse acordo entre o Mercosul e a China tende, claro, a intensificar as relações desses países com a China. Por um lado, a gente tem os pontos de atenção ou de apreensão de alguns países, especialmente no caso da indústria e dos bens de consumo, se os integrantes do Mercosul vão ficar mais dependentes da China e como está esse processo de industrialização em cada país”

Profundo conhecedor das relações sino-brasileiras, o executivo vê uma identificação entre o processo de neoindustrialização brasileira, baseado na sustentabilidade e na inovação, com o megaprojeto chinês Nova Rota da Seda, em decorrência do incremento das relações bilaterais em inovação, especialmente em Inteligência Artificial, indústria 5.0, que é a IA mais a Inteligência das Coisas (IoT na sigla em inglês). Ele menciona especificamente a revolução ligada à inovação em saúde, materializada pelo acordo entre os governos brasileiro e chinês para a construção de dum hospital inteligente no estado de São Paulo.

O influente diretor do LIDE China destaca que no ano passado, a corrente de comércio (exportação+importação) Brasil-China totalizou a cifra recorde de US$ 171 bilhões e que a tendência é aumentar esses números: “não podemos nos esquecer de que o Brasil tem a segurança alimentar de que a China precisa. Segurança alimentar porque os nossos alimentos além de serem rastreáveis e frutos de um processo sustentável. Além disso, oferecemos à China segurança mineral, porque temos as terras raras, os minérios indispensáveis à produção dos chips, baterias e vos veículos elétricos chineses. Além disso, temos a segurança energética. Nossa matriz energética é uma matriz verde e por isso temos visto cada vez mais crescerem os investimentos chineses na área da energia solar e eólica no Brasil. Há um receio da indústria que eventuais integrantes do Mercosul fiquem mais dependentes da China, mas, por outro lado, é mais um leque {de opções} que se abre”.

Ele reforça a argumentação apresentada pelo presidente da AEB em relação à necessidade de o Brasil “fazer o dever de casa” e reitera que “se tivermos um discurso, se fizermos o dever de casa, nós e os demais integrantes do Mercosul em conjunto com o Brasil, conseguiremos apresentar à China quais são nossos interesses. A nossa grande dificuldade não é {de realizar acordos comerciais}, mas sim de provar quais são os nossos interesses na relação com a China e seguir adiante com essa aproximação”.

 

 

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Exportações aos EUA surpreendem e crescem pela primeira vez após tarifaço do presidente Donald Trump

Vendas ao país subiram 3,7% em junho; China e UE ampliam compras

Da Redação (*)

Brasília – O valor das exportações brasileiras aos Estados Unidos cresceu 3,7% em junho de 2026, marcando a primeira alta desde julho de 2025, quando o governo do presidente Donald Trump impôs uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (3) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do ministério, Herlon Brandão, o avanço foi impulsionado pelo aumento médio de 11% dos preços dos produtos exportados, já que o volume embarcado para o mercado norte-americano ainda caiu 6,6%.

Estados Unidos

Em junho, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos apresentou equilíbrio, com leve superávit brasileiro.

Principais números:

  • Exportações: US$ 3,472 bilhões (+3,7% ante junho de 2025);
  • Importações: US$ 3,471 bilhões (-12,3%);
  • Saldo comercial: superávit de US$ 1 milhão

Apesar da recuperação em junho, o acumulado do primeiro semestre ainda registra queda nas vendas brasileiras para os Estados Unidos.

De janeiro a junho:

  • Exportações: US$ 17,428 bilhões (-13% ante o primeiro semestre de 2025);
  • Importações: US$ 18,950 bilhões (-12,5%);
  • Saldo comercial: déficit de US$ 1,522 bilhão.

China amplia liderança

A China manteve a posição de principal parceiro comercial do Brasil e registrou forte crescimento nas compras de produtos brasileiros.

Em junho:

  • Exportações: US$ 12,291 bilhões (+24,4%);
  • Importações: US$ 7,801 bilhões (+27,1%);
  • Superávit: US$ 4,490 bilhões.

No primeiro semestre:

  • Exportações: US$ 58,322 bilhões (+21,9%);
  • Importações: US$ 38,545 bilhões (+8%);
  • Superávit: US$ 19,777 bilhões.

União Europeia

O comércio com a União Europeia também apresentou expansão em junho, embora o governo ainda considere prematuro medir os impactos do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu, que entrou em vigor provisoriamente em maio.

Em junho:

  • Exportações: US$ 4,888 bilhões (+32,4%);
  • Importações: US$ 4,708 bilhões (+13,9%);
  • Superávit: US$ 180 milhões.

No primeiro semestre:

  • Exportações: US$ 26,906 bilhões (+12,8%);
  • Importações: US$ 24,263 bilhões (-0,4%);
  • Superávit: US$ 2,643 bilhões.

Segundo Herlon Brandão, já existem relatos de empresas que aproveitam os benefícios do acordo, mas ainda não há dados suficientes para medir seu impacto sobre o comércio exterior.

Argentina perde ritmo

As exportações para a Argentina recuaram em junho, reflexo da menor demanda do mercado vizinho por produtos brasileiros, segundo o Mdic.

Em junho:

  • Exportações: US$ 1,325 bilhão (-18,1%);
  • Importações: US$ 1,285 bilhão (+17,2%);
  • Superávit: US$ 40 milhões.

No primeiro semestre:

  • Exportações: US$ 7,352 bilhões (-19,4%);
  • Importações: US$ 6,401 bilhões (+3,8%);

(*) Com informações da Agência Brasil

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Empresárias do Rio de Janeiro vencem prêmio por inclusão racial no comércio exterior do MDIC e ApexBrasil

Acreditar na diversidade e na inclusão para o sucesso foi o que levou duas empresárias, no Rio de Janeiro, a vencer a 2ª edição do Prêmio de Inclusão e Diversidade Racial no Comércio Exterior.

Da Redação (*)

Brasília – A premiação é parceria entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Ministério da Igualdade Racial.

Sete empresas de diferentes regiões do país foram selecionadas pelo destaque na adoção de políticas e práticas voltadas para inclusão racial, diversidade e fortalecimento de profissionais negros em posições de liderança. No estado do Rio, duas empresas foram contempladas: a The Class Professional e a Dani Embalagens Plásticas.

“Quando decidimos trabalhar com cabelos crespos e cacheados, a gente não estava só falando de cabelo. Existia ali por trás a identidade, a representatividade, a autoestima, pertencimento. Então, por muitos anos, esse público recebeu pouca atenção da indústria”, diz a cosmetóloga e terapeuta capilar, Cátia Lins.

Diretora executiva da The Class Professional, marca de produtos e capacitação voltada para cabelos com curvatura, ela conta que o negócio nasceu em 2016, a partir da dificuldade que ela própria tinha com a manutenção do próprio cabelo e às vezes precisava recorrer ao alisamento. “Então, a The Class nasce com a proposta de reunir ciência, educação, e valorizar a beleza nacional.”

Danielle Caldas, que lidera a Dani Embalagens, conta que seu pai criou uma pequena fábrica de embalagens na cozinha da garagem da avó, e essa foi a sua grande inspiração profissional.

“Nós nunca enxergamos as pessoas pela cor da pele, gênero, idade ou origem. Sempre olhamos para o caráter, para a vontade de aprender e para o potencial de crescimento”, disse.

“Outro orgulho que eu tenho é dizer que todos os nossos líderes começaram de baixo. Nenhum deles foi contratado para ocupar cargo de liderança. Todos cresceram internamente, foram preparados, treinados e desenvolvidos dentro da empresa”.

Práticas 

Cátia Lins resssalta que um dos pilares do seu negócio é estimular o empreendedorismo e ajudar na criação de novas organizações.

“O nosso modelo de negócios é baseado em três pilares: desenvolvimento de produtos, a educação profissional e a geração de oportunidade. Então, nós desenvolvemos produtos voltados para um público que historicamente foi pouco representado, mas a gente também investe fortemente em capacitação, formando profissionais de beleza.”

Para Danielle Caldas, um ponto muito valorizado na sua empresa é a atenção às necessidades dos funcionários, e as oportunidades reais de crescimento.

“Hoje temos igualdade de oportunidades para contratação, promoção e crescimento profissional. Programas de capacitação, desenvolvimento de lideranças, canais confidenciais para denúncias, e tolerância zero ao assédio. Tudo isso está formalizado no nosso regulamento interno e faz parte da rotina da empresa”, afirmou.

Programa 

O resultado da premiação foi divulgado no último dia 12, e os vencedores puderam optar por uma das modalidades de premiação oferecidas pela ApexBrasil: uma agenda de negócios personalizada para o mercado internacional, ou a participação em uma promoção comercial organizada pela agência.

O Programa Raízes Comex nasceu a partir de estudo que identificou a baixa presença de pessoas negras e mulheres em cargos de liderança nas empresas de importação e exportação. A iniciativa tem como objetivo promover a inserção desses grupos no setor.

A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, destacou o empenho das esferas públicas no combate à desigualdade.

“É uma prioridade do Governo do Brasil essa atuação estruturante e transversal para um projeto de desenvolvimento econômico com justiça racial, que posicione o nosso país em melhores condições de desenvolvimento socioeconômico de forma mais justa e igualitária”, disse.

(*) Com informações do MEIC

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