Pela primeira vez na história, Brasil registra 17 milhões de passageiros em janeiro e fevereiro

Resultado foi impulsionado, principalmente, pelo Carnaval, um dos principais motores do turismo nacional

Da Redação (*)

Brasília – Nunca se voou tanto no Brasil. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) revelam que a aviação doméstica bateu recorde de movimentação no primeiro bimestre. Pela primeira vez na história, o número de passageiros transportados dentro do país ultrapassou a marca dos 17 milhões. Em relação ao ano passado, o crescimento foi de 8%. O resultado foi impulsionado, sobretudo, pelo Carnaval, um dos principais motores do turismo nacional, que mobiliza milhões de brasileiros em viagens de lazer por todo o país.

A combinação de maior oferta de voos e o fortalecimento de destinos domésticos também contribui para o cenário positivo, consolidando o turismo como vetor estratégico de crescimento econômico, geração de emprego e renda. Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, os números refletem o momento favorável do setor.

“O crescimento consistente da aviação doméstica demonstra que o brasileiro voltou a viajar pelo país. Isso é resultado de um conjunto de esforços para ampliar a conectividade aérea, incentivar o turismo interno e fortalecer toda a cadeia produtiva do setor. Seguiremos trabalhando para tornar o Brasil cada vez mais acessível e atrativo para os próprios brasileiros”, destacou.

Os dados do primeiro semestre superaram o recorde anterior, contabilizado em 2020, quando 16,9 milhões de passageiros voaram pelo Brasil. Os dados constam no Relatório de Demanda e Oferta da ANAC, que registram dados desde 2000.

(*) Com informações do MTur

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Bonito nas quatro estações: quando viajar para a capital brasileira do ecoturismo

Da Redação –

Brasília – Quando o assunto é natureza, Bonito (MS) é uma cidade privilegiada, onde não faltam cenários que surpreendem mesmo os turistas mais experientes. No momento de definir em que época do ano conhecer esse destino, já vale adiantar que cada estação guarda características e vantagens únicas. Ou seja, é uma cidade que pode ser visitada o ano todo. Assim, confira abaixo as belezas de Bonito em diferentes períodos e descubra qual estação combina mais com o seu perfil:

Verão

Como no restante do Brasil, o verão em Bonito é um período de calor intenso, com temperaturas acima dos 30ºC. Porém, na capital brasileira do ecoturismo, não faltam lugares para se refrescar, como a Nascente Azul, que oferece flutuação em uma nascente cristalina e ao longo de um rio repleto de peixes, além de um balneário com muitas opções de lazer na água. Bonito tem ainda diversas cachoeiras, que atingem o volume máximo no verão, praias de água doce, piscinas naturais e até cavernas alagadas.

O verão também é a estação das chuvas no destino. Mas não é preciso cancelar a viagem por causa do tempo, já que a maioria dos atrativos costuma funcionar normalmente mesmo em dias chuvosos (exceto com chuvas intensas). Além disso, na Nascente Azul, por exemplo, o turista tem a certeza de sempre encontrar águas cristalinas em seu passeio. Isso porque a água da chuva, mais turva, chega ao rio e à nascente já purificada pela própria vegetação e pelo solo bem cuidado ao redor, sem detritos ou impurezas, mantendo sua qualidade tão característica.

Outono

No outono, o clima em Bonito fica mais ameno, com noites mais frescas. É uma época de transição e, por isso, chuvas são eventuais. A vegetação muda de cor aos poucos, assim como o pôr do sol, que passa a ser cada vez mais colorido. Com o fim do verão, a cidade também fica mais tranquila.

Essa estação marca o início da baixa temporada no destino. Os atrativos de Bonito possuem preços tabelados, que variam entre a alta (férias escolares e feriados) e a baixa temporada (restante do ano). Na baixa, os valores dos passeios ficam mais baratos, assim como os das hospedagens. Para quem tem flexibilidade, vale viajar na baixa temporada.

Inverno

Por ter tantas atrações aquáticas, Bonito é um lugar muito associado ao verão. Mas o inverno reserva boas surpresas. Por ser a estação da seca, é neste período que as águas atingem o grau máximo de limpidez e visibilidade, ficando ainda mais cristalinas. As noites costumam ser bem frias, mas muitos dias são ensolarados, com temperaturas agradáveis.

Atrativos como a Nascente Azul oferecem trajes de neoprene para passeios como a flutuação, material que ajuda a manter o calor corporal. Aliás, essa atividade pode ser feita de forma confortável mesmo no frio, já que as águas que brotam das nascentes em Bonito se mantém em torno de 24ºC o ano todo. Nos dias de frio mais intenso, o rio da Nascente Azul chega a ficar coberto por uma névoa, um visual mágico criado graças à diferença entre a temperatura do meio externo (mais baixa) e a da água (mais alta).

Bonito também conta com uma série de passeios que podem ser feitos fora da água, como visitas a grutas e cavernas, entre outros. Neste sentido, o complexo da Nascente Azul oferece um conjunto de trilhas autoguiadas, uma tirolesa de 450 metros de extensão e o pêndulo humano, que leva o participante a desafiar os limites da gravidade.

Primavera

Na primavera, a vegetação em Bonito volta a ficar exuberante e colorida. É uma ótima época para quem quer aproveitar a cidade mais tranquila. Os dias costumam ser quentes, porém com um calor não tão forte quanto no verão e com menor incidência de chuvas.

A primavera combina muito bem tanto com atrações aquáticas quanto com as secas, uma variedade que os visitantes encontram na Nascente Azul. Paraíso de águas cristalinas, a Nascente Azul liderou em 2025 o ranking de atrativos mais visitados de Bonito pelo sexto ano consecutivo. Mais de 800 mil pessoas já vivenciaram as atrações do parque, reconhecido como símbolo de recuperação ambiental, sustentabilidade, acessibilidade e inovação. Em qualquer período do ano, quem visita Bonito pode ficar tranquilo, com a certeza de realizar o passeio na Nascente Azul com total qualidade e segurança, tendo uma flutuação inesquecível.

 

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UE-Mercosul antecipa efeitos e testa acordo antes da ratificação final, diz executivo

Da Redação (*)

Brasília – O acordo UE-Mercosul terá uma prévia a partir do dia 1º de maio de 2026, quando parte de seus termos começa a produzir efeitos, exigindo das empresas uma rápida adaptação a novas exigências regulatórias, padrões técnicos e dinâmicas comerciais que devem impactar desde a operação até o planejamento estratégico no curto prazo. A avaliação foi feita por Marcelo Vitali, diretor da How2Go no Brasil.

Para o executivo, “a aplicação provisória do acordo marca um avanço concreto após anos de negociação, ao permitir que parte dos compromissos comerciais comece a produzir efeitos antes da ratificação completa, antecipando ganhos como redução de tarifas, ampliação de acesso a mercados e maior previsibilidade para empresas dos dois blocos; ao mesmo tempo, esse período funciona como um teste relevante para medir impactos reais sobre competitividade, cadeias produtivas e fluxo de investimentos, o que pode reduzir resistências políticas e acelerar a aprovação definitiva ao transformar o acordo em resultados econômicos concretos”, afirma o executivo.

 

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Frigoríficos da Amazônia Legal que exportam para China têm baixo controle de desmatamento segundo critérios do setor chinês

Levantamento do Radar Verde indica que nenhuma planta frigorífica avaliada demonstra controle completo da cadeia, o que pode afetar critérios de compra no principal mercado da carne bovina brasileira.

Da Redação (*)

Brasília – Nenhuma das plantas frigoríficas da Amazônia Legal habilitadas a exportar carne bovina para a China e Hong Kong demonstrou, com base em evidências públicas, atender plenamente às especificações estabelecidas pela Associação Chinesa de Carnes (CMA, na sigla em inglês) para o comércio verde, segundo análise feita pelo Radar Verde, indicador público e independente que avalia a transparência e o controle socioambiental de frigoríficos e supermercados na cadeia da carne bovina. A pesquisa avaliou o desempenho de unidades exportadoras à luz da Specification for Meat Industry Green Trade, norma da associação chinesa que define critérios de rastreabilidade, transparência e compromisso com desmatamento zero nas cadeias de suprimento.

O estudo identificou 151 empresas na Amazônia Legal detentoras de 194 plantas frigoríficas, responsáveis por cerca de 96% dos abates em 2024. Dessas, 31 são habilitadas a exportar para a China e 71 para Hong Kong. Segundo dados do Departamento de Indústria e Comércio de Hong Kong (TID), grande parte das exportações destinadas ao território é posteriormente reexportada para a China continental. Juntas, essas unidades têm capacidade para abater 48.540 cabeças de gado por dia, o equivalente a 57% de toda a capacidade de abate da Amazônia Legal.

Entre as 31 plantas frigoríficas habilitadas a exportar diretamente para a China, 21 apresentam baixo nível de controle socioambiental e 10 têm nível muito baixo. Apenas 20 delas demonstram algum nível de monitoramento das fazendas fornecedoras diretas, enquanto nenhuma apresentou evidências de mecanismos efetivos para controlar as fazendas fornecedoras indiretas, etapa prevista nos critérios da própria CMA para rastreabilidade da cadeia até a origem e transparência das informações. Já no caso das plantas habilitadas a exportar para Hong Kong, 61% apresentam políticas com baixo nível de controle socioambiental, e 55% monitoram apenas fazendas fornecedoras diretas.

Regiões de compra apresentam alta exposição ao desmatamento

O levantamento também mapeou as zonas potenciais de compra de gado dessas plantas frigoríficas na Amazônia Legal. De acordo com a análise, essas regiões apresentam exposição ao desmatamento que varia de cerca de 31 mil a quase 3,8 milhões de hectares, dependendo da área de abastecimento de cada unidade frigorífica. Mapas do estudo mostram que essas plantas operam em regiões com diferentes níveis de risco de desmatamento.

Apesar de nenhuma companhia demonstrar controle completo da cadeia de fornecimento, apenas uma empresa, a Plena Alimentos, respondeu ao questionário da pesquisa Radar Verde 2025, que permite às empresas apresentar evidências e informações adicionais sobre suas políticas e práticas socioambientais.

A especificação da Associação Chinesa de Carnes para o Comércio Verde (T/CMA 014-2021) estabelece, entre outros pontos, que as empresas evitem comprar produtos provenientes de áreas com alto risco de desmatamento, como a Amazônia e o Cerrado. A norma também prevê requisitos de rastreabilidade da cadeia produtiva até a origem dos materiais e incentiva a transparência pública sobre o cumprimento dos compromissos socioambientais.

Mudanças no comércio entre Brasil e China

O estudo também chama atenção para um contexto recente de mudanças no comércio entre Brasil e China. Em dezembro de 2025, o governo chinês anunciou a criação de cotas tarifárias por país fornecedor, com tarifas adicionais de 55% sobre importações acima dos limites estabelecidos, regime que passou a valer em janeiro de 2026 por três anos. Para o Brasil, a cota fixada para 2026 foi de 1,106 milhão de toneladas.

Esse novo cenário aumenta o valor estratégico das compras realizadas dentro das cotas e pode incentivar importadores a selecionar fornecedores com melhor desempenho socioambiental e maior transparência nas cadeias de fornecimento. O relatório destaca ainda que, em outubro de 2025, uma associação chinesa de importadores anunciou a intenção de comprar carne bovina brasileira livre de desmatamento, sinalizando uma transição de compromissos gerais de sustentabilidade para iniciativas com implementação mensurável no comércio de carne.

Recomendações do estudo

Com base nos resultados, o Radar Verde recomenda que importadores chineses utilizem as pontuações do índice para selecionar fornecedores, priorizando empresas com evidências verificáveis de controle sobre fazendas fornecedoras diretas e indiretas e com menor exposição ao risco de desmatamento. Empresas com desempenho intermediário poderiam receber volumes condicionados a melhorias verificáveis, enquanto fornecedores com baixo desempenho podem ter seu fornecimento suspenso até que avanços sejam comprovados de forma independente, em linha com os critérios de transparência e rastreabilidade estabelecidos pela própria CMA.

O estudo também aponta que investidores do setor de carne bovina voltado para a China podem utilizar o Radar Verde como ferramenta de triagem para direcionar capital e engajamento a empresas com melhores práticas socioambientais.

A análise completa está disponível em Are Brazilian beef companies in accordance with the China Meat Association specification for the meat industry green trade?

(*) Com informações do Radar Verde

 

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MDIC e ApexBrasil lançam 2ª edição do Prêmio de Inclusão Racial no Comércio Exterior

Iniciativa do MDIC e da ApexBrasil estará com inscrições até 27 de abril

Da Redação (*)

Brasília – Estão abertas as inscrições para a segunda edição do Prêmio de Inclusão e Diversidade Racial no Comércio Exterior, lançado na sexta-feira (20/3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pela ApexBrasil, no âmbito do Programa Raízes Comex.

O prêmio reconhece empresas que promovem equidade racial e avançam na ocupação de posições estratégicas por profissionais negros nas organizações. As inscrições vão até 27 de abril. Com apoio do Ministério da Igualdade Racial (MIR), a ação integra a agenda de inclusão produtiva e fortalecimento da inserção internacional do país.

“A segunda edição do prêmio consolida essa agenda como prioridade. O próximo passo é ampliar seu alcance, incentivando mais empresas a incorporar a diversidade como vetor de crescimento”, afirma a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres. “Dessa forma, os benefícios do comércio exterior poderão atingir um número cada vez maior de pessoas e contribuir para ambientes empresariais mais inclusivos e representativos”.

Apoio à internacionalização de empresas

Na primeira edição, em 2025, 20 empresas foram reconhecidas por práticas de inclusão racial, evidenciando o interesse e o avanço da pauta no ambiente empresarial. Daquelas, 19 foram contempladas com certificado de reconhecimento e jornada de capacitação para internacionalização, e a empresa Input Post Production foi premiada com uma agenda internacional customizada, que incluiu a participação na South by Southwest – SXSW 2026, em Austin e Texas.

Nesta 2ª edição serão selecionadas até dez empresas brasileiras para agenda de negócios personalizada em mercado internacional ou participação em ação de promoção comercial organizada pela ApexBrasil.

“O prêmio ajuda a reforçar a atuação internacional de empresas lideradas por pessoas negras e comprometidas com a agenda de equidade. Com o apoio governamental, as empresas que já exportam podem ter acesso a canais para alavancar sua presença internacional”, destacou a diretora do Departamento de Promoção das Exportações do MDIC, Janaína Silva.

O Programa Raízes Comex atua para ampliar o acesso de pessoas negras às oportunidades do comércio exterior, com ações de capacitação, promoção da cultura exportadora e estímulo à inserção profissional no setor.

>> Edital Completo AQUI.

>> Inscrições AQUI.

(*) Com informações do MDIC

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OMC abre inscrições para o Programa de Jovens Líderes do Comércio de 2026

Da Redação (*)

Brasília – A Organização Mundial do Comércio (OMC) está recebendo inscrições para o Programa de Jovens Líderes do Comércio de 2026, uma iniciativa que visa promover uma melhor compreensão do trabalho da OMC e do comércio internacional entre os jovens e criar uma rede de Jovens Líderes do Comércio em todo o mundo.

Jovens entre 18 e 28 anos com forte interesse em comércio internacional são encorajados a se candidatar.

Sobre o Programa Jovens Líderes Comerciais

O Programa Jovens Líderes do Comércio foi criado em 2024 para estreitar os laços entre os jovens e a OMC. Os candidatos selecionados para o programa “Jovens Líderes do Comércio” serão jovens excepcionais que demonstram uma clara compreensão de como o comércio pode beneficiar as pessoas e o planeta. Eles trarão novas perspectivas e ideias sobre o papel do comércio e da OMC, além de terem a oportunidade de aprender sobre o trabalho da organização e desempenhar um papel no avanço de sua missão.

Como se inscrever

Os Jovens Líderes Comerciais são selecionados para um período de um ano. Para mais detalhes sobre o programa de 2026 e informações sobre como se candidatar, consulte a nota informativa .

O prazo para apresentação de candidaturas termina em 1 de maio de 2026 (23h59 CET).

Os candidatos pré-selecionados serão convidados a participar de uma entrevista em maio de 2026.

A data de início para os candidatos aprovados é 1 de julho de 2026.

Benefícios

Os Jovens Líderes Comerciais selecionados têm a oportunidade de:

  • Adquirir uma melhor compreensão do funcionamento da OMC e do comércio internacional.
  • Publicar artigos, blogs, podcasts e conteúdo para redes sociais sobre temas relacionados ao comércio.
  • Participar de um programa de treinamento presencial de um dia na OMC em Genebra.
  • coordenar uma sessão durante o Fórum Público anual da OMC
  • aproveitar os programas de treinamento existentes da OMC
  • Aproveite os conselhos e a mentoria do Secretariado da OMC.
  • receber apoio ao organizar atividades relacionadas à OMC em seus países de origem

 Os líderes selecionados terão a oportunidade de participar de cursos de treinamento organizados pela OMC, beneficiar-se do aconselhamento e da mentoria do Secretariado da OMC e receber apoio na organização de atividades relacionadas à OMC em seus países de origem.

Eles não receberão remuneração, mas serão convidados a viajar para Genebra para participar do Fórum Público da OMC de 2026, em setembro.

Informações adicionais sobre o Programa estão disponíveis aqui .

(*) Com informações da OMC

 

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DataSmart Shipping 2026 destaca dados, ciência e decisões como pilares da descarbonização no setor marítimo

Da Redação (*)

Brasília – O segundo dia da DataSmart Shipping Conference 2026 aprofundou o debate sobre descarbonização no transporte marítimo, colocando os dados e a ciência no centro das decisões estratégicas do setor. A programação, liderada pelo DatamarLab, foi estruturada em dois grandes momentos — uma sessão técnica e uma discussão de mercado — que, juntas, mostraram como a inteligência aplicada pode transformar a forma como o comércio exterior mede, gerencia e responde à sua pegada ambiental.

Painel DatamarLab: Pegada Ambiental no Comércio Exterior

A primeira sessão trouxe uma abordagem técnica e inovadora sobre o uso de dados operacionais reais para medir e modelar emissões no transporte marítimo. O professor Walter Teixeira Lima Junior, Ph.d, Professor e Pesquisador da UNIFESP e Cientista Chefe – DatamarLab apresentou uma visão provocadora ao afirmar que o grande desafio atual não está na falta de dados, mas na capacidade de identificar os “vetores estruturantes” dentro de um volume massivo de informações.

Durante sua apresentação, Walter destacou o desenvolvimento de um aplicativo baseado na base de dados da Datamar, que integra algoritmos de cálculo de distâncias marítimas, motores de emissões e metodologias científicas. A evolução desse trabalho — que começou com provas de conceito em um único navio — já avança para modelos preditivos com machine learning e para a construção de um “digital twin”, capaz de simular cenários operacionais com maior precisão, reduzir margens de erro e até individualizar a alocação de emissões por carga.

Complementando essa visão, Thiago Nobre Mascarenhas, Chefe de Dados e Arquitetura que atua no  DatamarLab e na Engineering Brasil apresentou a necessidade de substituir modelos tradicionais, baseados em estimativas agregadas, por uma abordagem bottom-up, construída a partir de dados reais e granulares. Ao considerar variáveis como tipo de motor, velocidade, condição do casco e características da carga, essa metodologia permite uma medição muito mais precisa das emissões, além de viabilizar modelos preditivos mais robustos. Para ele, o avanço da descarbonização depende diretamente da aproximação entre academia e indústria, garantindo que o conhecimento produzido seja efetivamente aplicado no setor.

A sessão contou também com a participação de Marcos Silva, M.Sc, CIO da Datamar, reforçando a importância de conectar o conhecimento técnico à aplicação prática no ambiente corporativo e de transformar pesquisa em soluções reais para o setor.

Painel DatamarLab: Discussão de Mercado sobre a Pegada Ambiental

Na segunda sessão, o foco saiu do campo técnico e avançou para a aplicação prática, reunindo executivos e especialistas para discutir como essas soluções podem ser implementadas no dia a dia da cadeia logística.

Walter Teixeira Lima Junior, Ph.d, Professor e Pesquisador da UNIFESP e Cientista Sênior – DatamarLab retomou a discussão trazendo uma reflexão crítica sobre o conceito de “inteligência artificial”, destacando que seu valor não está na tecnologia em si, mas na capacidade de gerar cognição e apoiar decisões. Ele também reforçou que a descarbonização é, acima de tudo, um desafio econômico e cultural, que exige mudanças estruturais na forma como o setor compartilha dados e colabora.

Thiago Nobre Mascarenhas, Chefe de Dados e Arquitetura, que atua no DatamarLab e na Engineering Brasil aprofundou o papel da IA como ferramenta essencial para lidar com decisões complexas e de alta carga cognitiva, como trade-offs entre velocidade, custo e emissões. Segundo ele, já existem dados extremamente granulares disponíveis — inclusive em nível de segundos nas operações portuárias — e a inteligência artificial é o que permite transformar esse volume massivo de informação em simulações, projeções e recomendações práticas para o negócio.

Do ponto de vista operacional, Jeferson Kalckmann Gilgen, Coordenador de Pricing e Planejamento Comercial do Porto Itapoá trouxe uma visão realista sobre a transição energética nos portos. Embora iniciativas como a eletrificação de equipamentos já representem avanços concretos, ele destacou que o setor ainda enfrenta desafios relevantes de custo e escala para a adoção de combustíveis alternativos. A evolução, segundo ele, dependerá de alinhamento econômico e pressão regulatória.

Cecílio Perez, Diretor Executivo do RCGI-USP Carbon Registry reforçou que a urgência da agenda ambiental já é impulsionada pelos impactos das mudanças climáticas, cada vez mais visíveis na sociedade. Ele destacou o papel crescente do escopo 3 — que envolve emissões indiretas ao longo da cadeia — e os desafios associados à sua mensuração, como a necessidade de dados confiáveis e o risco de distorções como o greenwashing. Nesse contexto, soluções baseadas em dados ganham relevância ao trazer transparência e rastreabilidade para o mercado.

Encerrando o painel, Marcos Silva, M.Sc, CIO da Datamar e Cristiano Kaehler, Gerente de Business Intelligence da Datamar destacaram o gap histórico entre academia e mercado e a necessidade de transformar conhecimento em aplicação prática. Cristiano chamou atenção para a jornada do próprio mercado diante da inovação — que passa do entusiasmo inicial à cautela e, por fim, ao desafio real de implementação — reforçando que o maior obstáculo atual não é tecnológico, mas de execução e gestão.

Painel Descarbonização no Shipping

O painel sobre descarbonização no shipping reuniu diferentes visões — acadêmica, regulatória e empresarial — para discutir os caminhos da transição energética no setor marítimo, evidenciando que o tema já se consolidou como uma das principais agendas estratégicas da indústria.

Na abertura, Andrew Lorimer, CEO da Datamar, destacou a relevância do debate ao lembrar que o transporte marítimo responde por cerca de 2,8% das emissões globais de gases de efeito estufa, reforçando a necessidade de avançar em transparência, mensuração e uso de dados para apoiar decisões mais sustentáveis. Ele também conectou o tema às iniciativas em inteligência artificial e ao crescente impacto do mercado de carbono, apontando que a complexidade técnica do assunto exige cada vez mais conhecimento aprofundado e integração entre diferentes áreas.

Momento de inflexão

Na sequência, Cristiane de Marsillac, CEO da Marsalgado Brasil, trouxe uma perspectiva histórica e estratégica, destacando que o setor vive um momento de inflexão semelhante a outras grandes transições tecnológicas, como a passagem da vela para o vapor. Segundo ela, a diferença agora é que a mudança é impulsionada não apenas por eficiência, mas também por pressões ambientais, regulatórias e sociais.

Cristiane enfatizou que a estratégia energética passa a ser um fator central de competitividade e que a regulação terá papel decisivo ao criar previsibilidade e viabilizar investimentos, especialmente em um contexto em que novas tecnologias ainda apresentam custos elevados. Nesse cenário, ela destacou o potencial do Brasil, com sua base consolidada de biocombustíveis, como uma vantagem competitiva relevante na nova economia de baixo carbono.

Complementando essa visão, o professor Tiago Lopes, Ph.D., cientista e professor do Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI) da USP, trouxe uma análise técnica e pragmática sobre a transição energética, ressaltando que o principal fator de decisão no setor continua sendo o custo ao longo da vida útil dos ativos. Para ele, a descarbonização não ocorrerá de forma espontânea, mas será impulsionada por regulações e pela pressão crescente da sociedade diante dos impactos das mudanças climáticas. Tiago destacou ainda que não haverá uma solução única: diferentes tecnologias deverão coexistir, com a eletrificação avançando em aplicações mais leves, enquanto alternativas como o hidrogênio e outros combustíveis de alta densidade energética ganham espaço no transporte pesado de longa distância.

Já Luís Resano, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), trouxe a discussão para a realidade operacional da cabotagem brasileira, destacando que, na prática, a escolha de combustíveis ainda depende de fatores como custo, disponibilidade e infraestrutura. Ele reforçou que, apesar de ser o modal mais eficiente do ponto de vista ambiental, a cabotagem ainda tem baixa participação na matriz logística nacional, o que representa uma oportunidade imediata de redução de emissões por meio de sua expansão.

Resano apontou o biodiesel como uma solução viável no curto prazo, justamente por sua compatibilidade com a infraestrutura existente, mas alertou para a necessidade de políticas públicas claras e investimentos consistentes que garantam previsibilidade ao setor.

Descarbonização gradual e multifacetada

Na mesma linha, Luiza Bublitz, presidente da Aliança Navegação e Logística, reforçou que a descarbonização deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar uma decisão estratégica de negócio. Ela destacou os desafios de uma indústria intensiva em capital e baseada em decisões de longo prazo, ressaltando que a transição exige investimentos, inovação e coragem para avançar mesmo diante de incertezas.

Entre as iniciativas já em curso, citou o uso de tecnologias como o shore power (AMP), além de melhorias operacionais para aumentar a eficiência energética. Luiza também enfatizou o papel da cabotagem como solução sustentável, capaz de reduzir significativamente o número de caminhões nas estradas, mas destacou que sua expansão depende de avanços na multimodalidade e de uma mudança cultural no país.

De forma geral, o painel evidenciou que a descarbonização no shipping será um processo gradual, multifacetado e dependente de colaboração entre todos os elos da cadeia. Mais do que uma tendência, o tema se consolida como um elemento central para a competitividade do setor, exigindo integração entre tecnologia, regulação, infraestrutura e estratégia empresarial.

Ao final do segundo dia, ficou evidente que o setor marítimo já dispõe de dados, tecnologia e conhecimento suficientes para avançar na agenda de descarbonização. O grande desafio agora está em integrar esses elementos, promover colaboração entre os diferentes atores da cadeia e, principalmente, transformar informação em decisões concretas que gerem impacto real.

(*) Com informações da Datamar

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Soberania em Xeque – Classificação de narcoterrorismo pode salvar o Brasil

Márcio Coimbra (*)

A soberania de uma nação é tradicionalmente medida pela rigidez de suas fronteiras e pela solidez de suas instituições. No entanto, o cenário contemporâneo impôs ao Brasil um desafio peculiar: uma erosão silenciosa das estruturas de governança promovida pelo crime organizado. Grupos como PCC e Comando Vermelho atravessam uma profunda metamorfose, afastando-se da delinquência comum para consolidar um perigoso modelo de poder paraestatal que se infiltra nas veias do Estado e na economia formal, desafiando as ferramentas jurídicas tradicionais.

Observa-se hoje um processo de camuflagem institucional. Organizações criminosas utilizam a estrutura estatal para expandir seus domínios, gerindo serviços essenciais — como transporte público, coleta de resíduos e até unidades de saúde — para converter verbas públicas em capital de giro ilícito. Controlam municípios em sua totalidade e ampliaram sua atuação para os três poderes e esferas institucionais, infiltrados nos poderes executivo, legislativo e judiciário. Este fenômeno aponta para um risco iminente de “mexicanização”. Diante deste cenário, a integridade da democracia é posta em xeque, exigindo análise que transcenda a segurança pública e alcance a defesa nacional.

Essa complexidade agrava-se com a transformação do território nacional em um entreposto logístico global, atraindo redes criminosas internacionais. A convergência entre o narcotráfico doméstico e presença de células terroristas extrarregionais altera a percepção de risco sobre o país. Como confirmado pela Operação Carbono Oculto, grupos internacionais utilizam a capilaridade das facções brasileiras para operações de financiamento e suporte logístico, acredite, conectando o crime urbano às instabilidades do Oriente Médio.

Um pilar central dessa vulnerabilidade é a arquitetura financeira. O Brasil carece de uma lei robusta de triagem de investimentos estrangeiros, similar ao modelo de economias centrais. A inexistência de filtros que escrutinem “investimentos” mantém as portas abertas para ativos perigosos. Através de engenharias societárias em paraísos fiscais, o capital do crime e do terrorismo é reciclado na economia real, como na infraestrutura, agronegócio, portos, indústria, terras raras, atingindo nossa soberania ao financiar desestabilização institucional, expondo o sistema bancário a graves riscos reputacionais.

É neste vácuo jurídico que surge uma estratégia de defesa contemporânea: a convergência com a classificação de Organização Terrorista Estrangeira (FTO) proposta pelos EUA. Sob a ótica da Realpolitik, o apoio a essa medida não é submissão, mas a adoção de um multiplicador de forças indispensável. Ao integrar PCC e CV a este regime, o Brasil ganha acesso a um arsenal de sanções financeiras e inteligência de alta tecnologia que isoladamente levaria décadas para desenvolver. A classificação retira as facções da zona de conforto do direito penal comum, permitindo que o Estado promova higidez nos capitais empresarial e financeiro.

A verdadeira soberania manifesta-se na capacidade de reconhecer ameaças e buscar alianças que potencializem a autoridade estatal. O apoio à iniciativa americana e a implementação de leis rigorosas de triagem de investimentos são as faces de uma mesma moeda. O enfrentamento ao narcoterrorismo exige um pragmatismo soberano que infelizmente tem faltado ao nosso país.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Exporta Mais Brasil Frutas traz 17 compradores internacionais de 16 países para agenda de negócios em São Paulo

Iniciativa da ApexBrasil  em parceria com Abrafrutas, CNA e Sebrae, reúne 39 empresas brasileiras e reforça expectativa de ampliar exportações após resultados positivos da edição inaugural em 2025

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil atualmente se consolida como um dos principais exportadores mundiais de frutas frescas, com amplo crescimento nos últimos anos. Para potencializar esses resultados, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) realiza, de 23 a 27 de março, mais uma edição do programa Exporta Mais Brasil voltada ao setor de frutas frescas, em paralelo à Fruit Attraction São Paulo.

A iniciativa, feita em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), CNA e Sebrae, irá promover encontros estratégicos entre empresas brasileiras e compradores internacionais. O objetivo é reforçar o posicionamento do país como um dos principais fornecedores globais do segmento.

Nesta edição, o programa reúne 17 compradores internacionais, provenientes de 16 países, distribuídos por quatro continentes: África do Sul; Antigua e Barbuda; China; Eslováquia; Estados Unidos; Honduras; Índia; Israel; Itália; México; Omã; Países Baixos; Reino Unido; Romênia; Rússia; e Singapura. Esses participantes representam mercados relevantes e diversificados, com forte atuação na importação e distribuição de frutas frescas. Ao todo, 39 empresas brasileiras de diversas regiões participam das rodadas de negócios, incluindo cinco cooperativas, evidenciando a diversidade e a capilaridade da oferta exportadora nacional.

Programação inclui visitas técnicas e rodadas de negócios

A agenda do Exporta Mais Brasil Frutas inclui atividades voltadas à promoção comercial e ao fortalecimento de parcerias. Entre elas, estão o seminário de boas-vindas, participação na feira Fruit Attraction São Paulo e, principalmente, rodadas de negócios realizadas entre os dias 24 e 26. A abertura do evento terá a participação do gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Laudemir Müller.

A programação também contempla visitas técnicas a fazendas de frutas da região, proporcionando aos compradores internacionais a oportunidade de conhecer, de forma prática, a produção brasileira, seus padrões de qualidade e a diversidade do setor. Além disso, estão previstos momentos de networking, fóruns temáticos e encontros institucionais, criando um ambiente propício para a geração de negócios e a troca de conhecimento entre os participantes.

Resultados positivos de 2025 impulsionam nova edição

A expectativa para 2026 é impulsionada pelos resultados da primeira edição do Exporta Mais Brasil Frutas, realizada em agosto de 2025, em Mossoró (RN). Na ocasião, o programa contou com 13 compradores de 12 países e a participação de 28 empresas brasileiras, representando nove estados. Durante o evento, foram realizadas 274 reuniões de negócios, com expectativa de geração de US$ 6,05 milhões (cerca de R$ 33,2 milhões). Os números reforçam a efetividade da iniciativa como ferramenta de promoção comercial e abertura de mercados.

Expectativas para 2026

Para este ano, a ampliação do número de compradores e empresas participantes, aliada à realização do evento em São Paulo, principal hub de negócios do país, deve potencializar ainda mais os resultados. A diversidade dos mercados representados e o perfil qualificado dos compradores indicam oportunidades concretas de expansão das exportações brasileiras de frutas.

Além disso, a integração com a Fruit Attraction São Paulo, amplia a visibilidade internacional do setor e fortalece o networking entre os principais players da cadeia produtiva. O evento internacional é um dos principais do setor de frutas e hortaliças no Hemisfério Sul. Organizada pela IFEMA Madrid em parceria com a Fiera Milano Brasil, a feira reúne produtores, exportadores, compradores, distribuidores e especialistas de toda a cadeia produtiva.

Setor de frutas segue em crescimento

O desempenho do setor de frutas brasileiras reforça o cenário promissor para iniciativas como o Exporta Mais Brasil. Em 2025, o Brasil consolidou-se como o terceiro maior produtor mundial de frutas, atrás apenas de China e Índia. As exportações atingiram US$ 1,45 bilhão e 1,29 milhão de toneladas, estabelecendo um novo recorde. O crescimento foi expressivo em relação a 2024, com alta de 12,03% em valor e 19,63% em volume. Entre os principais produtos exportados, destacam-se manga, melão, limão/lima e melancia. Já os principais destinos incluem Países Baixos, Reino Unido, Estados Unidos, Espanha e Portugal.

O setor também se destaca pelo impacto socioeconômico, com cerca de 5 milhões de empregos diretos e uma área plantada de aproximadamente 2,5 milhões de hectares no país. Diante desse cenário, o Exporta Mais Brasil Frutas Frescas se consolida como uma plataforma estratégica para conectar produtores brasileiros a mercados internacionais ao impulsionar a competitividade e ampliar a presença global das frutas nacionais.

(*) Com informações da ApexBrasil

 

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Três sinais do atual momento político brasileiro

Ives Gandra da Silva Martins (*)

Quero trazer aos amigos leitores algumas considerações sobre o atual momento político brasileiro.

A primeira delas diz respeito ao Partido dos Trabalhadores, que sempre afirma não ter relação alguma com os escândalos divulgados diariamente na imprensa, mas que se opõe ou procura obstruir a instalação das Comissões Parlamentares de Inquérito conduzidas pelo Poder Legislativo, não querendo, por exemplo, a CPMI do INSS nem a do Master, seja votando contra, seja criticando incisivamente.

Ora, se o PT e seus correligionários — deputados, senadores e o próprio governo — não estão envolvidos nos escândalos, não precisam ter receio da instalação de nenhuma CPMI, nem de seus desdobramentos, investigações e convocações. É extremamente curioso que eles afirmem não estar vinculados aos vergonhosos fatos que vêm sendo divulgados, mas não queiram que as investigações sejam aprofundadas.

Um bom governo é aquele que procura saber tudo o que existe de irregular para corrigir. Este é, pois, o primeiro aspecto que quero trazer: a minha perplexidade diante do fato de o governo e seus apoiadores negarem qualquer envolvimento com os escândalos noticiados, mas, ao mesmo tempo, trabalharem e atuarem firmemente para evitar que as Casas Parlamentares convoquem, ouçam depoimentos, apurem e obtenham informações dos envolvidos, impedindo que o Poder Legislativo exerça sua função fiscalizadora.

A segunda reflexão que quero fazer é sobre a probabilidade de que tenhamos dois candidatos conservadores nas eleições à Presidência da República este ano: Flávio Bolsonaro e outro nome, sendo Ratinho Jr. o que apresenta mais chances no momento. Caso se confirmem duas candidaturas, será indispensável o estabelecimento de um pacto de não agressão entre ambos.

Um exemplo a ser seguido é o caso da eleição no Chile, onde quatro candidatos conservadores disputaram a presidência contra um único nome da esquerda, que acabou indo para o segundo turno. Naquela ocasião, os quatro conservadores firmaram um pacto: aquele que avançasse para o segundo turno receberia o apoio imediato dos demais.

Ora, no contexto brasileiro, este pacto de não agressão significa que, havendo dois candidatos conservadores, estes possuirão um único adversário comum: o presidente Lula.

Este pacto é fundamental para garantir que o candidato que avançar para o segundo turno conte não apenas com o apoio partidário e institucional do aliado, mas com a transferência da sua base de eleitores. Ao evitar a agressão mútua, preserva-se a imagem de ambos e impede-se a geração de ofensas e insultos que, no futuro, dificultariam uma aliança autêntica. Mais do que uma trégua, esse pacto assegura que as críticas permaneçam voltadas ao adversário comum, evitando que o eleitor se sinta confuso pela troca de ataques dentro do seu próprio espectro ideológico.

Diante do cenário de duas candidaturas de oposição ao presidente Lula, a estratégia mais eficaz seria a adoção desse modelo inspirado na experiência chilena em primeiro turno. O objetivo central é pavimentar o caminho para o segundo turno, garantindo que o candidato remanescente herde a totalidade do capital político e a confiança dos eleitores do outro candidato.

A terceira e última reflexão que gostaria de trazer aos amigos leitores é um dado extremamente relevante que circula no meio jornalístico: a informação de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão, no momento, decepcionados com o governo Lula. O movimento parece ser de autoproteção: os magistrados buscam se afastar de qualquer responsabilidade direta pelos rumos da gestão federal para preservar a imagem da Corte.

Essa percepção de distanciamento ganha força quando observamos que diversos dos escândalos divulgados estão sob o exame do STF, do Congresso Nacional e do ministro André Mendonça. A pressão se intensifica com a atuação da CPMI do INSS e as movimentações em torno do Banco Master. Não sou jornalista, mas a leitura que faço “nas entrelinhas” das colunas e painéis políticos é a de que o presidente Lula tenta se eximir de responsabilidades para não contaminar sua candidatura à reeleição.

Entretanto, há aqui uma contradição que não podemos ignorar. Em 2022, muitos analistas apontaram que o STF e o TSE garantiram o pleito que permitiu a eleição de Lula, inclusive restringindo a atuação de emissoras e veículos alinhados ao então presidente Bolsonaro — como a Gazeta do Povo, Brasil Paralelo, Rádio Jovem Pan e outros canais — que publicavam matérias críticas, baseadas em fatos, mas que foram proibidas de circular.

Naquela época, houve uma blindagem institucional; agora, nota-se uma tentativa de desvincular o Supremo de qualquer ligação com o Executivo.

Enfim, são três pontos a serem refletidos pelos protagonistas que formatarão o futuro das Instituições e do país.

Enfim, são três pontos a serem refletidos pelos protagonistas que formatarão o futuro das Instituições e do país. É imperativo que se compreenda a gravidade desse cenário, pois o equilíbrio entre os Poderes e a transparência das ações governamentais constituem os pilares de sustentação do Estado de Direito, sem os quais qualquer projeto de nação se torna frágil diante das crises.”

(*) Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

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