Brasil bate recorde histórico com 900 mil t de embalagens vazias de defensivos agrícolas destinadas corretamente

Sistema Campo Limpo, o programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias, registra o maior volume anual da história e amplia impactos positivos para o meio ambiente

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil acaba de atingir um novo e expressivo marco ambiental. Em 2025, o país ultrapassou a marca de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas destinadas corretamente, resultado do trabalho contínuo do Sistema Campo Limpo, uma das maiores e mais bem-sucedidas iniciativas de logística reversa do mundo.  A destinação ambientalmente adequada das embalagens vazias promove a economia circular e evita que esses materiais tenham impacto negativo sobre o meio ambiente.

Somente no último ano, 75.996 toneladas de embalagens vazias tiveram destinação ambientalmente correta, o maior volume anual já registrado na história do Sistema. O resultado representa um crescimento de aproximadamente 11% em relação a 2024, evidenciando a evolução consistente do modelo e o engajamento crescente dos elos da cadeia agrícola.

Esse desempenho é fruto da atuação integrada de agricultores, canais de distribuição, cooperativas, indústria e poder público. Os agricultores têm grande importância nesse processo, ao realizarem a devolução correta das embalagens vazias após o uso responsável no campo.

“As boas práticas agrícolas são parte essencial de uma agricultura moderna, segura e sustentável. O recorde histórico alcançado em 2025 consolida o Sistema Campo Limpo como referência mundial em logística reversa de embalagens agrícolas, baseada na responsabilidade compartilhada entre todos os elos da cadeia, demonstrando que é possível aliar produtividade, competitividade e proteção ambiental, com uma operação capilarizada que chega a todas as regiões do país. Em apoio, a CropLife Brasil promove treinamentos aos produtores e mantém uma campanha permanente de orientações e combate às irregularidades no campo, incluindo às relacionadas a destinação ambientalmente correta de embalagens agrícolas”, complementou o gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides.

Atualmente, 100% das embalagens recebidas pelo Sistema têm destinação correta, com 92% sendo recicladas e o restante encaminhado para coprocessamento e incineração, garantindo segurança ambiental.

“Os números mostram que a sustentabilidade no Brasil pode ser construída de forma prática e eficiente. O Sistema Campo Limpo prova que, quando todos assumem sua parte, é possível gerar resultados concretos para o meio ambiente e para a sociedade. Isso nos enche de orgulho porque, além de mostrar que o agronegócio brasileiro também está comprometido com o futuro do planeta, indica um caminho onde a cooperação entre diversos elos de uma cadeia é a base para todo sucesso”, afirma Marcelo Okamura, diretor-presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), entidade que representa a indústria dentro do Sistema.

A destinação correta das embalagens acompanha de perto a dinâmica da produção agrícola nacional. Estados com forte atividade no campo concentram os maiores volumes destinados, com destaque para Mato Grosso, responsável por 30% do total nacional, seguido por Paraná (11%), Rio Grande do Sul (9%), São Paulo (9%), Goiás (8%), Bahia (8%), Mato Grosso do Sul (7%) e Minas Gerais (6%). Juntos, esses estados refletem a relação direta entre produtividade agrícola, conscientização no campo e adesão às boas práticas ambientais.

Solidez e eficácia do Sistema

Para Eliane Kay, diretora-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), o marco de 900 mil toneladas de embalagens vazias com destinação ambientalmente correta evidencia a solidez e a efetividade do Sistema Campo Limpo. ‘Resultado de uma construção coletiva ao longo de mais de duas décadas.  O uso correto e seguro de defensivos é uma agenda constante do setor, sustentada pelos diversos elos da cadeia que, quando integrados à destinação adequada das embalagens, evidenciam uma produção de alimentos, fibras e energia eficiente, segura e sustentável. Essa atuação conjunta é determinante para garantir produtividade no campo, proteção ambiental e segurança alimentar para a sociedade”.

Para garantir presença em todas as regiões do país, o Sistema Campo Limpo opera uma ampla e capilarizada rede formada por unidades de recebimento, e ações de recebimentos itinerantes, que levam orientação, estrutura e acesso aos agricultores, inclusive em áreas mais remotas. Essa capilaridade é um dos diferenciais do modelo brasileiro e contribui para a consolidação dos resultados alcançados ano após ano.

Segundo Luis Carlos Ribeiro, diretor executivo da Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (AENDA), o resultado merece os parabéns por todo trabalho desenvolvido. “Ser referência internacional quando falamos de gestão de embalagens de defensivos agrícolas, mostra que com gestão competente é possível entregar resultados cada vez mais promissores a cada ano. O meio ambiente com certeza fica muito agradecido por ter um Sistema como este trabalhando e avançando cada vez mais na sustentabilidade do agro nacional”.

Ao longo de mais de duas décadas, o Sistema Campo Limpo se firmou como um exemplo de política ambiental que funciona, posicionando o Brasil entre os países mais avançados do mundo na destinação correta de embalagens agrícolas. Com resultados consistentes e recordes sucessivos, o Sistema segue ampliando seu impacto e reafirmando o compromisso com um destino melhor para as embalagens, para o meio ambiente e para a sociedade.

(*) Com informações do Sistema Campo Limpo

 

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Quando o CEO vira voz da marca, o marketing se torna mais humano

Beatriz Ambrosio (*)

À medida que o marketing digital avança para um cenário cada vez mais automatizado, uma prática ganha força e deve se consolidar como tendência em 2026: o Founder-Led Marketing. Nos últimos anos, esse movimento tem se destacado especialmente entre startups e negócios digitais, ao propor que o fundador ou CEO assuma um papel estratégico na comunicação da empresa. Na prática, trata-se de tornar a liderança o principal porta-voz da marca, compartilhando ideias, valores, aprendizados e visões de mercado de forma direta e pessoal com o público.

Essa abordagem surge como resposta à saturação do marketing tradicional e à crescente demanda por mensagens mais autênticas em um ambiente dominado por conteúdos genéricos, produzidos em larga escala. Na era digital, marcada pela automação e pela expansão da inteligência artificial, cresce a demanda por conexões reais: as pessoas querem ver quem está por trás das empresas e entender as histórias que deram origem às marcas.

O porta-voz passa a ser a expressão mais legítima dos valores, missão e visão da empresa. Para setores que dependem fortemente de confiança, como fintechshealthtechs, empresas de SaaS e plataformas B2B, essa atuação contribui diretamente para fortalecer a credibilidade e aproximar a marca do seu público.

Quando líderes assumem protagonismo na comunicação e utilizam suas próprias trajetórias para gerar conteúdo, acabam tornando suas marcas mais humanas. Essa escolha traz benefícios claros: campanhas mais acessíveis, mais eficientes e, sobretudo, mais coerentes com as expectativas do público atual. Ao substituir discursos impessoais por relatos genuínos, esse modelo de comunicação entrega uma profundidade que campanhas tradicionais dificilmente alcançam. Além disso, a presença constante do CEO nos canais digitais amplia a visibilidade da empresa e, ao mesmo tempo, fortalece a reputação pessoal do executivo, criando uma relação direta entre liderança e marca.

Segundo a Dipity Digital, publicações de CEOs no LinkedIn podem gerar até cinco vezes mais engajamento e até sete vezes mais conversão de leads do que posts de perfis institucionais. Isso ocorre porque os algoritmos das redes sociais tendem a priorizar interações humanas e narrativas pessoais, em detrimento da comunicação corporativa tradicional. Num mercado em que a criação de conteúdo por IA se tornou fácil e, por isso, menos valiosa, o relato pessoal de um fundador se transforma em um ativo único e impossível de replicar. Experiências reais, desafios enfrentados e aprendizados da jornada empreendedora geram identificação e engajamento por refletirem vivências autênticas.

Consumidores buscam relações mais humanas com as marcas, e a voz de quem construiu o negócio desde o início tem um papel central nesse processo. De acordo com um relatório da Sprout Social, 70% dos consumidores afirmam se sentir mais próximos de uma empresa quando o porta-voz é ativo nas redes sociais. O dado reforça que essa exposição não está ligada a vaidade, mas à construção de relações mais transparentes e confiáveis. Em vez de depender exclusivamente de campanhas publicitárias de alto custo, fundadores podem usar seus próprios canais para produzir conteúdos que dialoguem de forma direta e relevante com seu público-alvo.

Além de ser mais acessível e eficiente, esse modelo também se traduz em resultados consistentes. Histórias reais conseguem se destacar e criar vínculos mais profundos com o público, e já se reflete em cases conhecidos, como Brian Chesky, da Airbnb, Melanie Perkins, do Canva, e Daniel Ek, do Spotify, que transformaram suas trajetórias pessoais em narrativas capazes de atrair investidores e engajar milhões de usuários. Mais do que promover produtos, esses líderes comunicam propósito e visão.

No Brasil, o avanço da inteligência artificial no marketing tende a intensificar ainda mais essa tendência. Com a facilidade de produzir conteúdo genérico, empresas que apostarem em uma comunicação mais próxima e personalizada terão vantagem competitiva. Para startups e negócios digitais, dar protagonismo ao seu CEO na comunicação representa uma evolução natural da forma de se posicionar no mercado. Em 2026, essa prática deve se consolidar como um diferencial estratégico, e organizações que ignorarem esse movimento podem perder relevância em um cenário onde pessoas se conectam com pessoas.

Portanto, o Founder-Led Marketing se consolida como uma evolução necessária para empresas que desejam se destacar nos próximos anos. Ao assumir um papel ativo na comunicação, fundadores fortalecem a relação emocional com seus públicos e contribuem para uma nova lógica de marketing: mais próxima, mais eficiente e mais humana. A tendência é clara, marcas que valorizam a presença executiva e narrativas reais estarão melhor preparadas para prosperar em um mercado cada vez mais atento à autenticidade e à transparência.

(*) Beatriz Ambrosio é CEO e fundadora da Mention, a primeira e maior plataforma SaaS de Relações Públicas do Brasil. Com uma carreira focada em Relações Públicas e tecnologia, além de um mestrado e doutorado em Comunicação Corporativa, ela tem como objetivo transformar o mercado de RP, tornando-o acessível, mensurável e eficaz. Beatriz busca ampliar as fronteiras da comunicação corporativa, mostrando que é possível alcançar alto impacto e baixo custo, especialmente para startups, PME e profissionais autônomos que sabem que investir em reputação é essencial para o crescimento.

 

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Migração do processo de importação para a DUIMP requer cuidado com o registro antecipado, alerta a Multilog

Recomendação é que o registro não aconteça de forma antecipada, caso contrário o importador não poderá mover a carga para a zona secundária e usufruir de condições comerciais acordadas antecipadamente

Da Redação

Brasília – A implantação da DUIMP (Declaração Única de Importação) está ocorrendo de forma gradual, com fases de obrigatoriedade por modal de transporte e com fundamento legal. Começou em novembro uma importante e complexa etapa da implementação do Novo Processo de Importação (NPI), que instituiu a DUIMP (Declaração Única de Importação) em substituição à Declaração de Importação (DI) e a Declaração Simplificada de Importação (DSI).

Agora, a migração para o novo sistema já está disponível para as operações com anuência, ou seja, aquelas que, além da fiscalização fiscal e tributária, exigem autorização específica de outro órgão governamental, como o Mapa e Anvisa, por exemplo, para ingressar no País. Embora o registro da DUIMP possa ser feito de forma antecipada ou na chegada da mercadoria, os impactos dessa escolha devem ser avaliados com atenção pelo importador, segundo alerta da Multilog, uma das maiores operadoras de logística integrada do País.

“Se o importador optar pelo registro antecipado da Declaração Única de Importação, ele deve ter em mente o pagamento das taxas cobradas pelo porto ou aeroporto, que em geral não são negociadas, e deve pagar as despesas com armazenagem diretamente à zona primaria de atracação”, explica Taynara Amaral, Consultora de Negócios da Multilog. “Sem contar que o registro antecipado da DUIMP impossibilita que o importador opte por remover a mercadoria para uma zona secundária, que, em muitos casos, oferece uma negociação comercial mais vantajosa.”

Cuidados no registro da DUIMP

Como o processo ainda é novo, a consultora da Multilog destaca que muitos importadores têm dúvida sobre como proceder. “Exceto para casos muito específicos, como aqueles nos quais a própria legislação obriga a nacionalização das mercadorias integralmente na zona primária a recomendação para todos os demais casos é que os clientes façam o registro da DUIMP somente quando a mercadoria chegar ao local de desembaraço”, afirma Taynara.

Além de não impactar seu fluxo de caixa, a escolha da zona secundária permite que ela seja usada como estratégia para utilizar outros regimes aduaneiros, como por exemplo o Entreposto Aduaneiro. “Nesse caso, o importador tem até três anos para nacionalizar as mercadorias – um ano inicialmente, que pode ser estendido por mais dois mediante solicitação, sendo que as despesas aduaneiras são pagas na proporção do que for nacionalizado”, detalha a consultora.

 

Criado para eliminar redundâncias na prestação de informações por parte dos importadores e facilitar o desembaraço aduaneiro, o novo sistema vem sendo implementado de forma escalonada. Em outubro deste ano, as operações do modal aéreo em zona secundária passaram a integrar o novo sistema e, agora, é a vez das operações com anuência, considerada a fase mais complexa do processo. Com isso, o sistema antigo começa a ser bloqueado para novas operações, forçando as empresas a migrarem para o DUIMP. O cronograma do governo prevê a desativação completa do sistema DI/DSI no final de 2026.

 

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Colapso Teocrático: cenário global em alerta com risco de isolamento

Márcio Coimbra*

Em janeiro de 2026, o Irã vive um momento de ruptura definitiva. As ruas de Teerã e das principais províncias não clamam mais por reformas graduais, mas pelo fim de um sistema que se tornou anacrônico. O regime, que por décadas utilizou o fervor religioso e o nacionalismo para se sustentar, enfrenta hoje uma combinação letal: o colapso econômico interno e a sucessão de derrotas no cenário externo. O que vemos hoje é o esgotamento de um modelo que nasceu em 1979 e que vive seu epílogo.

Compreender a crise contemporânea exige revisitar o colapso de Mohammad Reza Pahlavi. Ao tentar converter o país em uma potência ocidentalizada, o Xá negligenciou as bases tradicionais e o clero xiita, enquanto a repressão da Savak, sua polícia política, alienava a elite intelectual. Esse cenário culminou na Revolução de 1979 — uma coalizão heterogênea onde emergiu a liderança de Ruhollah Khomeini, que ascendeu após a queda da monarquia. O vácuo de poder foi preenchido pela Velayat-e Faqih, doutrina que submeteu a nação à tutela política e espiritual de um clérigo supremo, consolidando a teocracia moderna.

Quase meio século depois, o contrato social da República Islâmica ruiu. O sistema que prometia justiça social entregou uma economia de espoliação, controlada por fundações opacas e pelo braço empresarial da Guarda Revolucionária, que opera em moldes mais cruéis que a antiga Savak. A crise atual é o ápice de uma década de má gestão e expansionismo baseado no terror, agravada pelas sanções e pelo impacto da “Guerra dos 12 Dias” em 2025, que degradou a infraestrutura nuclear e militar do país.

Diferente de 2022, as manifestações atuais têm caráter existencial. O coração do levante bate no Bazar, o termômetro da estabilidade política persa. Quando mercadores fecham as portas e se unem aos jovens e às minorias étnicas, o regime perde sua última âncora de legitimidade. Ao mesmo tempo, a repressão mostra sinais de fadiga, com relatos de deserções e a incapacidade de conter focos simultâneos em todas as 31 províncias.

A análise de risco político nos obriga a desenhar caminhos para este desenlace. O Irã de amanhã não será o mesmo de ontem, e sua transição é um debate com reflexos globais. Um cenário provável é a solução pretoriana: diante da queda iminente, a Guarda Revolucionária poderia desferir um golpe interno, afastando os aiatolás em troca de uma abertura econômica nacionalista e pragmática, aos moldes do Egito.

Outro caminho é a restauração de uma democracia parlamentarista laica, com Reza Pahlavi como símbolo de unidade transicional, assemelhando-se ao modelo espanhol pós-Franco. Contudo, não se deve subestimar a resiliência ideológica de uma teocracia acuada e o recrudescimento do regime ainda é uma opção, o que poderia transformar o país em uma “Coreia do Norte do Oriente Médio”, mantendo o poder pelo terror e isolamento absoluto. Por fim, existe o risco latente da fragmentação e “balcanização”, onde o colapso fomentaria movimentos separatistas e uma guerra civil devastadora.

Os sinais são de que o experimento teocrático chega ao seu epílogo. A questão não é mais se o regime mudará, mas quem estará no controle quando a poeira baixar. O mundo deve estar preparado para o que emergirá das cinzas da teocracia.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

 

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Brasil acessará 36% do comércio global com acordo UE-Mercosul aponta levantamento da CNI

Tratado comercial foi assinado neste sábado em cerimônia no Paraguai

Da Redação (*)

Brasília – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou um levantamento que aponta que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), quando entrar em vigor, vai aumentar de 8% para 36% o acesso brasileiro ao mercado de importações mundiais de bens. Isso porque a União Europeia, sozinha, respondeu por 28% do comércio global em 2024.

A análise foi divulgada neste sábado (17), após a assinatura do tratado pelos representantes do bloco europeu e dos países integrantes do Mercosul, em cerimônia em Assunção, no Paraguai. A entidade industrial brasileira avalia a formalização do acordo é uma virada estratégica para a indústria brasileira.

O levantamento indica também que 54,3% dos produtos negociados, que correspondem a mais de cinco mil itens, terão imposto zerado na União Europeia assim que o acordo Mercosul-UE entrar em vigor. Já do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos (4,4 mil itens), assegurando uma transição gradual e previsível.

“Com base nos dados de 2024, 82,7% das exportações do Brasil para a UE passarão a ingressar no bloco sem tarifa de importação desde o início da vigência. Por outro lado, o Brasil se comprometeu a zerar imediatamente tarifas de apenas 15,1% das importações com origem na União Europeia, reforçando a diferença favorável ao país”, avalia a CNI.

Após a assinatura, o texto ainda será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial do acordo depende da aprovação legislativa, com previsão de implementação gradual ao longo dos próximos anos.

Ainda de acordo com a análise da entidade, o Brasil terá, em média, oito anos adicionais para se adaptar à redução tarifária, se comparado ao prazo do bloco europeu e considerando o comércio bilateral e o cronograma previsto no Acordo Mercosul-UE.

“A assinatura do acordo é um marco histórico para o fortalecimento da indústria brasileira, a diversificação da pauta exportadora e a integração internacional do país ao comércio global”, diz a CNI.

“Em negociação há mais de 25 anos, trata-se do tratado mais moderno e abrangente já negociado pelo Mercosul e vai além da redução de tarifas ao incorporar disciplinas que aumentam a previsibilidade regulatória, reduzem custos e criam um ambiente mais favorável aos investimentos, à inovação e à criação de empregos”, avalia a entidade.

Geração de empregos

Em 2024, segundo a CNI, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE foram criados 21,8 mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

Em relação ao setor agroindustrial, o acordo também traz resultados positivos, uma vez que cotas negociadas favorecem setores-chave e, no caso da carne bovina, são mais do que o dobro das concedidas pela União Europeia a parceiros como o Canadá e mais de quatro vezes superiores às destinadas ao México. As cotas de arroz superam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco, ampliando o potencial de acesso ao mercado europeu.

Cooperação tecnológica

A assinatura do tratado cria ainda um ambiente favorável para ampliar projetos pesquisa e desenvolvimento voltados à sustentabilidade e à inovação tecnológica, aponta a CNI.

“As novas exigências regulatórias e de mercado impulsionam oportunidades em tecnologias de descarbonização industrial – como captura, uso e armazenamento de carbono, uso e mineralização de CO₂, eletrificação com hidrogênio de baixa emissão, motores híbrido-flex e reciclagem de baterias e minerais críticos –, e no desenvolvimento de bioinsumos para uma agricultura mais resiliente. A articulação dessas frentes fortalece a cooperação tecnológica, acelera a transição para uma economia de baixo carbono e amplia a competitividade do Brasil no mercado europeu”, aponta a entidade.

Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total exportado pelo país, e permanece como o segundo principal mercado externo do Brasil, atrás da China. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, 17,9% do total.

A quase totalidade (98,4%) das importações brasileiras provenientes da Europa corresponderam a produtos da indústria de transformação, enquanto 46,3% das exportações brasileiras à UE foram de bens industriais. Considerando os insumos industriais, a participação no comércio em 2024 foi de 56,6% das importações originárias do bloco e de 34,2% das exportações do Brasil para a União Europeia, segundo a CNI.

“Essa complementaridade contribui para a modernização do parque industrial brasileiro aumentando a competitividade da indústria. A UE também é destaque como o principal investidor no Brasil. Em 2023, o bloco respondeu por 31,6% do estoque de investimento produtivo estrangeiro no país, somando US$ 321,4 bilhões. O Brasil foi o maior investidor latino-americano na União Europeia: o bloco foi destino de 63,9% dos investimentos brasileiros no exterior”.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Acordo Mercosul-União Europeia trará benefícios para ambos os blocos, dizem Lula e von der Leyen

Da Redação (*)

Brasília – A implementação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia terá como horizonte a redução de desigualdades e a prosperidade. Essa expectativa foi compartilhada nesta sexta-feira (16) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro.

Os dois se reuniram na sede do Ministério das Relações Exteriores na capital fluminense para tratar do acordo entre os blocos, que criará uma das maiores áreas de comércio do mundo, onde vivem aproximadamente 720 milhões de pessoas.

Lula destacou que “liberalização e abertura comerciais só fazem sentido se forem capazes de promover o desenvolvimento sustentável e reduzir as desigualdades”, disse ele, ao lembrar que comércio e investimento resultam em novos empregos e oportunidades.

“Diálogo político e cooperação vão garantir padrões elevados de respeito aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente”, disse Lula.

O presidente brasileiro reiterou também compromissos com meio ambiente, no enfrentamento à mudança do clima, com a igualdade de gênero e com os direitos dos povos indígenas e dos trabalhadores.

Valor agregado

Lula acrescentou que, diferentemente do passado, o Brasil não se restringirá ao fornecimento de commodities – em especial, produtos agropecuários – para a União Europeia.

“Não nos limitaremos ao eterno papel de exportador de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado”, disse ele, que destacou que o acordo prevê incentivos para investimentos de empresas europeias no Mercosul, o que inclui cadeias de valor estratégicas para transição energética e transmissão digital.

“O melhor está por vir”

Chefe do poder executivo da União Europeia, Ursula von der Leyen disse que todos integrantes dos blocos deverão se beneficiar com novos empregos, e que surgirão muitas oportunidades para o setor empresarial dos dois lados.

“Sei que, entre nossas regiões e nossos povos, o melhor ainda está por vir”, disse ela ao iniciar o discurso.

“É assim que a gente cria a prosperidade verdadeira, que é a prosperidade compartilhada. Nós concordamos que o comércio internacional não é um jogo de zero a zero”, argumentou.

Ursula disse que a assinatura do acordo, que será oficializada no sábado (17), no Paraguai, é apenas o primeiro passo de algo muito positivo que está por vir.

“Toda história só será contada com êxito quando as empresas começarem a sentir os benefícios de nosso acordo. Algo que deve ocorrer rapidamente”, disse.

Ela afirmou que o acordo vai multiplicar oportunidades, com regras claras e previsíveis; e com padrões e cadeias de abastecimentos que, segundo ela, “servirão de rodovias para o investimento”.

Agradecimento e elogios

“Este acordo agora concluído é a conquista de uma geração inteira”, acrescentou a chefe europeia em meio a agradecimentos ao empenho de Lula para a consolidação do acordo.

“A liderança política, o compromisso pessoal e a paixão que o senhor mostrou nas últimas semanas e meses, meu caro presidente Lula, foram realmente enormes”, acrescentou ao elogiar o direcionamento do presidente brasileiro durante as negociações.

(*) Com informações da Agência Brasil

 

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Eve Air Mobility recebe financiamento do Private Export Funding Corporation e Export–Import Bank dos Estados Unidos

O valor agregado do empréstimo garantido pode chegar a até US$ 15 milhões, que serão utilizados para o pagamento de serviços de engenharia e componentes do eVTOL fornecidos por um fornecedor americano

Da Redação (*)

Brasília – A Eve Air Mobility (“Eve”) avançou em sua missão de revolucionar a mobilidade a urbana ao anunciar um acordo com o Export-Import Bank dos Estados Unidos (EXIM Bank, na sigla em inglês) e a Private Export Funding Corporation (PEFCO, na sigla em inglês) para viabilizar o financiamento de despesas junto a fornecedores americanos envolvidos no programa de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL) da companhia.

Os recursos serão utilizados para a aquisição de baterias e serviços de engenharia do fornecedor norte-americano BAE Systems durante as fases de desenvolvimento e testes do eVTOL da Eve.

O acordo com o EXIM Bank representa um passo fundamental no processo de mitigação de riscos do programa da Eve, ao trazer novas fontes de financiamento com o apoio da agência oficial de crédito à exportação dos Estados Unidos. A iniciativa permitirá financiar despesas junto a fornecedores estratégicos dos EUA, oferecendo suporte adicional nas fases de desenvolvimento e testes e assegurando maior participação da cadeia de suprimentos norte-americana no programa do eVTOL da empresa.

Financiamento inovador

“Temos muito orgulho de firmar essa parceria com o EXIM Bank para oferecer uma solução de financiamento inovadora”, afirma Eduardo Couto, CFO da Eve Air Mobility. “Este acordo reforça a confiança do EXIM Bank no modelo de negócios da Eve e no futuro promissor da mobilidade aérea urbana. Além disso, fortalece nossa cadeia de suprimentos nos Estados Unidos ao proporcionar a flexibilidade financeira essencial, acelerando a adoção global de um transporte aéreo mais sustentável.”

A BAE Systems será responsável pelo fornecimento dos sistemas de baterias do eVTOL da Eve, garantindo soluções de armazenamento de energia de alto desempenho, aliando confiabilidade e segurança, elementos fundamentais para operações eficientes e sustentáveis de mobilidade aérea urbana.

A inclusão das baterias da BAE Systems como parte integrante do pacote de venda e exportação do eVTOL da Eve simplifica o processo de aquisição para compradores internacionais, ao oferecer uma solução completa e integrada.

Eve na liderança da mobilidade aérea

A Eve Air Mobility segue fortalecendo sua posição como uma das líderes do ecossistema de Mobilidade Aérea Urbana (UAM) nos Estados Unidos. Com um ecossistema crescente de fornecedores, clientes e parceiros estratégicos, a companhia não apenas entrega soluções inovadoras, como também contribui ativamente para moldar o futuro da mobilidade aérea urbana. Como uma das principais fabricantes do setor, a abordagem colaborativa da Eve garante que suas tecnologias e serviços estejam integrados ao mercado norte-americano, criando uma base sólida para o crescimento sustentável e a prontidão operacional ao longo de toda a cadeia de valor da UAM.

(*) Com informações da Eve Air Mobility

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Plataforma digital lançada pelo MDIC identifica oportunidades de exportação no acordo Mercosul–União Europeia

Ferramenta aponta possibilidades de ganho no comércio com a União Europeia, a partir de recortes por produto, mercados e Unidade da Federação

Da Redação (*)

Brasília – O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lançou nesta quinta-feira (15) o Painel de Oportunidades Mercosul–União Europeia, plataforma digital que reúne dados do comércio entre os dois blocos e permite identificar as oportunidades criadas pelo acordo comercial firmado entre Mercosul e União Europeia.

A ferramenta consolida informações sobre países compradores, produtos exportados pelo Brasil, distribuição regional das exportações, tarifas aplicadas e o cronograma de redução tarifária previsto no acordo, com o objetivo de apoiar a atuação de exportadores brasileiros e orientar políticas públicas de comércio exterior.

“O acordo com a União Europeia é o mais relevante já firmado pelo Mercosul. Para que ele alcance todo o seu potencial, é necessário transformar os compromissos assumidos em oportunidades concretas. O Painel representa uma primeira contribuição em um esforço contínuo de implementação do acordo a partir de sua assinatura. Ele organiza informações estratégicas e as coloca à disposição de quem decide, produz e exporta”, afirmou a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres.

Desenvolvido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o painel funciona como instrumento de política pública para democratizar o acesso à informação, reduzir assimetrias e apoiar decisões de empresas, estados e entidades setoriais.

Inserção dos estados no mercado europeu

A visualização por Unidade da Federação, por exemplo, permite identificar como cada estado já se insere no mercado europeu e onde estão as novas possibilidades de expansão, alinhando a política comercial ao desenvolvimento regional.

“Ao dar transparência aos ganhos tarifários, aos prazos de eliminação das tarifas e aos fluxos comerciais, a ferramenta fortalece a implementação do acordo e orienta políticas públicas de apoio às exportações”, destacou a secretária.

Com filtros que cruzam estado e produto, o painel apoia o planejamento estratégico e contribui para decisões baseadas em dados.

🔗 Acesse: https://balanca.economia.gov.br/balanca/acordo_msc_ue/painel_mcs_ue.html

(*) Com informações do MDIC

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186,4 milhões de toneladas de cargas movimentadas, novo recorde batido pelo Porto de Santos em 2025

Crescimento foi de 3,6% em relação ao ano anterior; movimentação de contêineres também atinge marca histórica com 5,9 milhões de TEU

Da Redação (*)

Brasília – Conforme indicavam as estatísticas prévias, o Porto de Santos encerrou o ano de 2025 com o melhor resultado da sua história. A movimentação de cargas atingiu a marca de 186,4 milhões de toneladas, um crescimento de 3,6% sobre o recorde anterior, estabelecido em 2024 (179,8 milhões de toneladas).

O desempenho foi consolidado por um mês de dezembro robusto, que registou 14,7 milhões de toneladas; aumento de 16,0% em comparação com o mesmo mês do ano passado (12,7 milhões).

Para o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, os números refletem a eficiência operacional e a capacidade do complexo de atender a demanda crescente da logística nacional.

“O ano de 2025 registrou recordes na movimentação de contêineres em todos os meses, e de carga geral na maioria dos meses. O resultado demonstra a resiliência do Porto de Santos e a assertividade dos investimentos em infraestrutura, além de atestar o crescimento do Brasil no comércio global”, avalia Pomini.

Destaques

A carga geral conteinerizada foi um dos principais motores do crescimento. O Porto superou a barreira dos 5,9 milhões de TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), uma alta de 7,7% em relação a 2024. Em peso, a modalidade somou 62,3 milhões de toneladas (+3,9%).

Nos granéis sólidos, o acumulado do ano somou 94,5 milhões de toneladas, um aumento de 4,2%. O destaque foi o complexo soja, que movimentou 44,9 milhões de toneladas, registrando um crescimento de 18,9%. A celulose também teve um desempenho notável, com alta de 21,5%, atingindo 9,9 milhões de toneladas.

Em contrapartida, algumas cargas apresentaram recuo no acumulado anual, como o açúcar (-10,8%), o milho (-4,6%) e os granéis líquidos (-6,3%). Contudo, é importante notar a recuperação destas cargas no mês de dezembro, quando os granéis sólidos cresceram 36,7% e o milho disparou 44,9% em relação a dezembro de 2024.

Fluxo Comercial

As operações de embarque (exportação) totalizaram 137,4 milhões de toneladas no ano, um crescimento de 4,6%. Já os desembarques (importação) mantiveram-se estáveis com um leve aumento de 1%, somando 49 milhões de toneladas.

A participação do Porto de Santos na corrente comercial brasileira segue em expansão. Até dezembro de 2025, o complexo foi responsável por 29,6% de todas as transações comerciais do Brasil com o exterior (em valor US$ FOB), um aumento face aos 29,0% registados no mesmo período do ano anterior.

A China mantém-se como o principal parceiro comercial, sendo destino ou origem de 29,6% das transações. O fluxo de navios também acompanhou o crescimento da movimentação. Em 2025, 5,7 mil embarcações atracaram no Porto de Santos, um crescimento de 2,7% em comparação com o ano de 2024.

Resumo dos Números:

  • Total de cargas:186,4 milhões de toneladas (+3,6%)
  • Contêineres:5,9 milhões de TEU (+7,7%)
  • Exportações:137,4 milhões de toneladas (+4,6%)
  • Importações:49,0 milhões de toneladas (+1,0%)
  • Movimentação em dezembro:14,7 milhões de toneladas (+16,0%)

(*) Com informações da Autoridade Portuária de Santos (APS)

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Agro em risco: o avanço chinês sobre terras brasileiras acende alerta vermelho

Paula Cristiane Oliveira Braz (*)

O recente episódio em que uma gigante estatal chinesa autorizou a busca por terras agrícolas no Brasil para iniciar o plantio de grãos como soja, milho e algodão acendeu um alerta que ultrapassa a mera discussão econômica: trata-se de uma questão de soberania nacional, segurança alimentar e proteção do agricultor brasileiro.

A estatal chinesa Hulunbuir State Farm Group formalizou essa intenção em 2025 após reunião com a Sociedade Nacional de Agricultura. Em um contexto de crescente dependência da China pelos grãos brasileiros, o Brasil exportou para o país asiático cerca de US$ 49,7 bilhões em produtos agropecuários em 2024, mais de 30% do total da pauta agro do Brasil.

A proposta chinesa tem, em tese, pontos atraentes: tecnologia agrícola avançada, irrigação moderna e manejo que, supostamente, aumentariam a produtividade. No entanto, os riscos são profundos e multifacetados. Permitir que uma potência externa conquiste parcelas significativas de terras brasileiras, mesmo em áreas degradadas, pode minar o protagonismo do agricultor nacional, que construiu sua posição no mercado com trabalho, capital e riscos inerentes ao setor.

A entrada de uma gigante estatal com forte respaldo econômico pode inevitavelmente deslocar produtores familiares e médios, reforçando a concentração fundiária e a financeirização da agricultura. Esse fenômeno já vem sendo estudado e mostra que o avanço de capital internacional sobre áreas estratégicas pode intensificar a concentração de terras no Brasil, prejudicando os pequenos produtores e alterando estruturas locais de produção.

Outro ponto crítico refere-se à soberania. Terras agrícolas não são meros ativos; são recursos estratégicos que garantem segurança alimentar e autonomia produtiva. Ao permitir que atores externos dominem grandes extensões de solo, abre-se espaço para que decisões sobre o que, como e em que quantidade produzir sejam influenciadas por interesses estrangeiros, e não pelo equilíbrio das necessidades internas brasileiras. Imagine se, em um momento de crise global, esses agentes priorizarem a exportação de sua produção para outras regiões, o Brasil poderia enfrentar escassez interna justamente de itens que sempre produziu com excelência.

A legislação brasileira já impõe restrições à compra de terras por estrangeiros, justamente para evitar tais riscos, mas há sempre o perigo de que estruturas societárias complexas barram esse controle legal e permitem a aquisição indireta por meio de empresas interpostas.  Essa manobra jurídica fragiliza ainda mais o controle das riquezas territoriais do país.

Além disso, a entrada massiva de capital externo pode cronificar dependências econômicas. Já hoje o agronegócio brasileiro exporta milhões de toneladas de soja para a China, e essa forte dependência comercial expõe o país a choques externos e à vulnerabilidade frente às decisões do parceiro comercial. Inserir um agente estrangeiro diretamente no processo produtivo pode aprofundar esse desequilíbrio, tornando o Brasil ainda mais dependente de quem já é seu maior comprador.

É preciso, portanto, uma discussão transparente, ampla e voltada ao longo prazo: qual o papel do agricultor brasileiro no futuro do país? Como proteger a soberania sobre nossas terras? Investimentos e tecnologia são bem-vindos, desde que apoiem e fortaleçam o produtor nacional, e não o suplantem.

Permitir que uma potência estrangeira se estabeleça como produtora de grãos em solo brasileiro sem garantias claras de reciprocidade, proteção legal e respeito ao setor interno é um risco que o Brasil não pode correr. O desenvolvimento deve estar atrelado à autonomia, à justiça econômica e à preservação da identidade produtiva que nos tornou um dos maiores líderes do agronegócio mundial.

(*) Paula Cristiane Oliveira Braz é administradora, especialista em Agronegócios e tutora dos cursos de pós-graduação na área de Agronegócios do Centro Universitário Internacional Uninter.

 

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