Brasil, potência em ascensão no Sul Global, dará salto transformador com Acordo Mercosul-União Europeia, diz Multimedia

Brasília – O Brasil encontra-se em um momento de notável transformação para 2026. À medida que os mercados globais se reorganizam, as alianças se transformam e os fluxos de investimento buscam destinos estáveis e de alto potencial, o Brasil emerge não apenas como uma oportunidade, mas como uma âncora estratégica para crescimento. Com sólidas instituições democráticas, uma economia diversificada e recursos naturais e humanos excepcionais, o país é cada vez mais visto como um líder do próximo ciclo de crescimento no Sul Global.

A afirmação é parte do recorte econômico de 2026 elaborado pela Multimedia Inc, sobre as perspectivas da economia brasileira, com vista à publicidade internacional. O documento foi encaminhado hoje (12) para 8.200 contatos da Multimedia Inc em todo o mundo, entre agências e clientes dos mais diversos padrões e segmentos. Sediada em Orlando (Flórida), a empresa é presidida pelo brasileiro Fernando Mariano.

O documento destaca a importância da assinatura do Acordo Mercosul-União Europeia, em fase final de aprovação, representa um salto transformador para o Brasil. Ao conectar mais de 700 milhões de consumidores, com um PIB total de US$ 22 trilhões, o tratado cria a maior zona de livre comércio do planeta e integra firmemente o Brasil às cadeias de valor globais.

As oportunidades de publicidade se expandem em escala, oferecendo às agências e às grandes marcas um alcance incomparável, públicos de alto nível e um forte retorno sobre o investimento em um mercado em rápido crescimento.

Como o segundo maior país das Américas, o Brasil tende a se beneficiar da nova política anunciada em dezembro passado pelos Estados Unidos, que prioriza o Hemisfério Ocidental em sua estratégia de negócios internacionais e liderança global. O Brasil mantém há mais de 200 anos sólidas relações sociais e comerciais com os Estados Unidos e, recentemente, teve uma parcela significativa de suas tarifas de importação removidas.

Segundo o documento, em uma era em que governança e previsibilidade importam tanto quanto a expansão, o Brasil oferece uma proposta convincente. Suas instituições democráticas demonstraram resiliência e continuidade, proporcionando segurança jurídica e estabilidade a longo prazo para os investidores. Em meio à volatilidade global, o Brasil se destaca como um ambiente confiável para projetos que exigem segurança, escala e duração.

A transformação econômica reforça essa base. O agronegócio — um dos pontos fortes tradicionais do Brasil —evoluiu para um setor de alta tecnologia, alavancando agricultura de precisão, monitoramento por satélite e inteligência artificial para aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, promover a sustentabilidade. Em paralelo, o Brasil construiu um dos ecossistemas de energia renovável mais competitivos do mundo. Seus vastos recursos solares, eólicos, hídricos e de biomassa posicionam o país como líder global em energia limpa, em um momento em que soluções de baixo carbono se tornam essenciais.

Como resultado, o Brasil não é mais visto apenas como um fornecedor de commodities. Ele é cada vez mais reconhecido como um parceiro para inovação, sustentabilidade e diversificação de mercado.

Líder Estratégico no Sul Global

A crescente influência do Brasil no Sul Global é um dos sinais mais claros de sua relevância global cada vez maior. À medida que as economias tradicionais buscam crescimento e colaboração nos mercados emergentes, o Brasil se destaca como líder político e econômico nesse espaço dinâmico. A China continua sendo o maior parceiro comercial do Brasil, mas a relação amadureceu muito além das commodities. A cooperação agora abrange educação, finanças, infraestrutura, energia verde e soluções digitais, ressaltando o papel crescente do Brasil como parceiro industrial e tecnológico.

Os laços com a Índia também estão se intensificando. Os dois países compartilham fortes complementaridades em tecnologia da informação, produtos farmacêuticos, agrotecnologia e energias renováveis. Parcerias, intercâmbios acadêmicos e iniciativas de inovação estão posicionando o Brasil e a Índia como atores centrais na cooperação Sul-Sul.

O recorte da Multimedia sublinha que o engajamento do Brasil com a África está se expandindo rapidamente, transformando laços históricos e culturais em parcerias concretas na agricultura, saúde, energia e infraestrutura. Muitas nações africanas veem o Brasil como um exemplo bem-sucedido de uma democracia emergente que combina crescimento com desenvolvimento social, criando um terreno fértil para a colaboração a longo prazo.

No Sudeste Asiático, a Malásia emergiu como uma porta de entrada estratégica para os mercados da ASEAN. A cooperação em commodities, biotecnologia, produção halal e eletrônica permite que empresas brasileiras acessem uma das regiões de crescimento mais rápido do mundo por meio de um polo regional consolidado. Juntas, essas parcerias confirmam o papel do Brasil não apenas como participante, mas como líder na construção do futuro do Sul Global.

O Acordo Mercosul-União Europeia: Um Ponto de Virada

O acordo comercial Mercosul-União Europeia, em fase final de aprovação, representa um salto transformador para o Brasil. Ao conectar mais de 700 milhões de consumidores, com um PIB total de 22 trilhões de dólares, ele cria a maior zona de livre comércio já negociada pela UE e integra firmemente o Brasil às cadeias de valor globais.

O acordo ampliará o acesso ao mercado para produtos agrícolas e industriais, aprimorará a cooperação regulatória, estimulará o investimento estrangeiro direto e aprofundará as parcerias tecnológicas e científicas. Setores como indústria verde, farmacêutico, aeroespacial, robótica e tecnologias digitais estão prestes a se beneficiar significativamente.

Empresas europeias já estão aumentando seu foco no Brasil, enquanto exportadores brasileiros obtêm acesso sem precedentes a mercados de alto valor agregado. Este acordo vai elevar o Brasil de uma potência regional a um parceiro estratégico global.

Outros importantes acordos comerciais com o Mercosul estão em andamento, como os acordos com os Emirados Árabes Unidos, Canadá, Índia, Japão e Reino Unido.

Uma economia moderna pronta para liderar

Fatores internos fortalecem ainda mais as perspectivas do Brasil para 2026. Investimentos em infraestrutura de transporte, logística e conectividade digital estão reduzindo custos e aumentando a eficiência, tornando o país atraente para estratégias de nearshoring e friend-shoring.

A matriz energética limpa do Brasil — uma das mais verdes entre as principais economias — tornou-se uma grande vantagem competitiva. Oportunidades em hidrogênio verde, biocombustíveis e mercados de carbono estão atraindo crescente interesse internacional.

Igualmente importante é o capital humano do Brasil. Uma força de trabalho jovem e cada vez mais qualificada, aliada a vibrantes polos de inovação em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Florianópolis, está impulsionando o crescimento em fintech, healthtech, agrotech e inteligência artificial.

Um Futuro Definido pela Confiança

Estabilidade política, parcerias globais, infraestrutura, energia limpa e inovação estão convergindo para moldara trajetória do Brasil. Para investidores, empresas e governos que buscam parceiros confiáveis com vasto potencial, o Brasil oferece uma combinação única de escala, estabilidade e ambição. O Brasil não está apenas pronto para 2026 — o Brasil está pronto para ajudar a liderar a próxima era da economia global.

(*) Com informações da Multimedia Inc.

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Inovação será a categoria de destaque no Prêmio Embratur Visit Brasil

Prêmio Embratur Visit Brasil terá Inovação como destaque entre as categorias

Premiação celebra e reconhece as melhores práticas do trade turístico que impulsionam a imagem do país no exterior

Da Redação (*)

Brasília –  O Prêmio Embratur Visit Brasil segue com as inscrições abertas, até 25 de janeiro, e uma das categorias de destaque é a de Solução Tecnológica para turismo internacional. Com foco permanente na agenda da Agência, a Inovação, pauta desta premiação, incentiva iniciativas inovadoras que utilizam a tecnologia para aprimorar a experiência dos turistas estrangeiros no Brasil.

O Prêmio Embratur Visit Brasil, realizado em parceria com a Revista Exame, é uma iniciativa inédita da Agência criada para valorizar e homenagear empresas, destinos, organizações e lideranças que se destacam na promoção internacional do turismo brasileiro.

O presidente da Agência, Marcelo Freixo, ressalta a importância da categoria Solução Tecnológica no prêmio. Para ele, é um importante passo no reconhecimento das iniciativas tecnológicas para o turismo no país.

“A inclusão dessa categoria demonstra o olhar da Embratur para a transformação digital e a inovação como pilares estratégicos de promoção turística. Em um mundo cada vez mais conectado, soluções tecnológicas se tornaram essenciais não apenas para facilitar a jornada do viajante, mas também para posicionar o Brasil de maneira competitiva nos mercados prioritários, com ofertas que refletem modernidade, acessibilidade e excelência em experiência internacional”, ressalta Freixo.

Inovação 

Na categoria Solução Tecnológica para turismo internacional serão valorizadas plataformas, ferramentas digitais e soluções tecnológicas que contribuam significativamente para aprimorar a experiência do turista estrangeiro, seja em processos de informação, planejamento, serviços multilíngues, conectividade com o destino ou integração com o ecossistema turístico internacional.

Inovação na Embratur 

A Embratur tem fortalecido sua atuação com ferramentas inovadoras e ações que combinam inteligência de mercado, dados e tecnologia. A Agência oferece um ecossistema robusto de projetos, parcerias e ferramentas tecnológicas para impulsionar um turismo mais competitivo, sustentável, diverso e centrado na experiência autêntica do turista.

O EmbraturLAB, centro de inovação da Agência, traz um espaço de experimentação, desenvolvimento e testes de soluções que conectam turismo, tecnologia, economia criativa, e sustentabilidade. A área já desenvolveu 11 programas de inovação aberta, investiu em mais de 40 soluções tecnológicas e impulsionou a digitalização de micro e pequenos empreendedores por meio de parcerias com bigtechs, entre outras ações.

Inscrições abertas

Empresas, startups, instituições públicas ou privadas, organizações do setor de turismo, associações, universidades e entidades de pesquisa que tenham desenvolvido e implementado soluções tecnológicas aplicadas à promoção internacional do turismo brasileiro poderão inscrever suas soluções diretamente no portal do prêmio até 25 de janeiro de 2026.

(*) Com informações da Embratur

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Tarifaço e petróleo fazem exportações para os EUA desabarem no pior resultado em 5 anos, destaca Monitor da Amcham

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram, em 2025, a maior queda dos últimos cinco anos, interrompendo o dinamismo do comércio bilateral observado desde a recuperação pós-pandemia. De acordo com a edição anual do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em estatísticas oficiais do governo brasileiro, as vendas ao mercado americano totalizaram US$ 37,7 bilhões, uma retração de 6,6% em relação a 2024.

“A queda das exportações brasileiras aos Estados Unidos em 2025 interrompe uma trajetória saudável no comércio bilateral observada nos últimos anos. Para restabelecer esse dinamismo e retomar o crescimento das exportações brasileiras — especialmente de bens industriais — será fundamental avançar nas negociações para a redução ou eliminação das sobretaxas atualmente em vigor”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

O resultado contrasta com o desempenho positivo das exportações brasileiras para outros parceiros relevantes, como China, União Europeia e Mercosul, e levou à redução da participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira, que passou de 12,0% para 10,8%. Trata-se da participação mais baixa desde 2020.

Tarifas e petróleo explicam a retração

A Amcham aponta dois fatores principais para a queda das exportações em 2025.
O primeiro é o impacto das sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros. As exportações de bens sujeitos a tarifas de 40% ou 50% recuaram 9,5% (–US$ 1,5 bilhão) no ano. Já os produtos afetados pelas medidas da Seção 232, como o setor siderúrgico, registraram queda de 4,1% (–US$ 353 milhões).

Os efeitos das sobretaxas tornam-se ainda mais evidentes quando se observa o período a partir de agosto de 2025, quando as medidas mais elevadas entraram em vigor. Entre agosto e dezembro, as exportações de produtos atualmente sujeitos a sobretaxas caíram de US$ 11,2 bilhões em 2024 para US$ 8,8 bilhões em 2025, uma redução de 21,6%.

O segundo fator foi a queda nas vendas de petróleo bruto e combustíveis, que somaram retração de US$ 1,2 bilhão, influenciada pela maior produção interna nos Estados Unidos e, portanto, sem relação com tarifas.

Além de petróleo e combustíveis, destacaram-se quedas relevantes nas exportações de celulose (–US$ 352,8 milhões), semimanufaturados de ferro e aço (–US$ 179,8 milhões), madeira (–US$ 127,8 milhões), motores de pistão (–US$ 93,8 milhões), minério de ferro (–US$ 89,1 milhões) e equipamentos de engenharia civil (–US$ 85,6 milhões)

Indústria registra primeira queda desde 2020

A indústria de transformação, responsável por mais de 80% das exportações brasileiras aos Estados Unidos e que vinha registrando sucessivos recordes de vendas, apresentou em 2025 sua primeira retração desde 2020. O recuo foi de 4,2%, totalizando US$ 30,2 bilhões.
Apesar da queda, os EUA permaneceram como o principal destino das exportações industriais brasileiras, respondendo por 16% do total, à frente da União Europeia (US$ 23,6 bilhões) e do Mercosul (US$ 23,5 bilhões).

Importações em alta e déficit comercial se aprofunda

Em sentido oposto às exportações, as importações brasileiras de produtos americanos cresceram pelo terceiro ano consecutivo, com alta de 11,3% em relação a 2024, alcançando US$ 45,2 bilhões — o segundo maior valor da série histórica. O avanço foi puxado por produtos como motores e máquinas não elétricas, óleos combustíveis, aeronaves e medicamentos.

A combinação entre o aumento das importações e a queda das exportações resultou em um déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil em 2025. Trata-se de um salto expressivo frente a 2024, quando o saldo negativo foi de apenas US$ 300 milhões, uma variação superior a 2.500%. O déficit com os Estados Unidos foi o terceiro maior do Brasil em 2025, atrás apenas de Rússia e Alemanha.

2026: janela estratégica para destravar o comércio bilateral

Na avaliação da Amcham Brasil, o início de 2026 representa uma janela estratégica para o avanço das negociações bilaterais, com foco na redução de barreiras que hoje limitam o comércio entre os dois países.

Atualmente, produtos sujeitos a sobretaxas de 40% ou 50% representam cerca de um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos, evidenciando seu peso na pauta exportadora. Um eventual avanço nas negociações para a redução ou eliminação dessas tarifas será decisivo para impulsionar a retomada do crescimento das exportações brasileiras, especialmente de bens industriais.

(*) Com informações da Amcham Brasil

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Mercosul-União Europeia: o maior acordo de livre comércio do planeta em seus 13 pontos principais

Tratado cria maior área de livre comércio do mundo; veja o que muda

Da Redação (*)

Brasília – Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) foi aprovado na últma sexta-feira (9) pelo Conselho da EU. Com a previsão de ser assinado no dia 17 em Assunção, Paraguai, o tratado estabelece as bases da maior zona de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 700 milhões de pessoas.

Embora celebrado por governos e setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência de agricultores europeus e ambientalistas, que criticam possíveis impactos sobre o clima e a concorrência agrícola. A implementação será gradual e os efeitos práticos devem ser sentidos ao longo de vários anos.

Após a assinatura formal, o acordo ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu. Partes que extrapolam a política comercial, como acordos técnicos, exigirão ratificação nos parlamentos nacionais da UE, o que pode alongar o cronograma e abrir espaço para disputas.

Confira os principais pontos do acordo:

  1. Eliminação de tarifas alfandegárias
  • Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;
  • Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;
  • União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.
  1. Ganhos imediatos para a indústria
  • Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.

>>Setores beneficiados:

  • Máquinas e equipamentos;
  • Automóveis e autopeças;
  • Produtos químicos;
  • Aeronaves e equipamentos de transporte.
  1. Acesso ampliado ao mercado europeu
  • Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;
  • UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;
  • Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.
  1. Cotas para produtos agrícolas sensíveis
  • Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;
  • Acima dessas cotas, é cobrada tarifa;
  • Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições;
  • Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;
  • Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;
  • No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.
  1. Salvaguardas agrícolas

>>UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:

  • Importações crescerem acima de limites definidos;
  • Preços ficarem muito abaixo do mercado europeu;
  • Medida vale para cadeias consideradas sensíveis.
  1. Compromissos ambientais obrigatórios
  • Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;
  • Cláusulas ambientais são vinculantes;
  • Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.
  1. Regras sanitárias continuam rigorosas
  • UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários.
  • Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.
  1. Comércio de serviços e investimentos

>>Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.

>>Avanços em setores como:

  • Serviços financeiros;
  • Telecomunicações;
  • Transporte;
  • Serviços empresariais.
  1. Compras públicas
  • Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE;
  • Regras mais transparentes e previsíveis.
  1. Proteção à propriedade intelectual
  • Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;
  • Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.
  1. Pequenas e médias empresas (PMEs)
  • Capítulo específico para PMEs;
  • Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;
  • Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.
  1. Impacto para o Brasil
  • Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria;
  • Maior integração a cadeias globais de valor;
  • Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.
  1. Próximos passos
  • Assinatura prevista para 17 de janeiro, no Paraguai;
  • Aprovação pelo Parlamento Europeu;
  • Ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai;
  • Entrada em vigor apenas após conclusão de todos os trâmites;
  • Acordos que extrapolam política comercial precisam ser aprovados pelos parlamentos de cada país.

(*) Com informações da Agência Brasil

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O enigma Delcy: transformando o regime em um parceiro previsível

Márcio Coimbra (*)

Delcy Eloína Rodríguez Gómez não é uma figura acidental, mas a herdeira da “aristocracia civil” bolivariana. Filha do mártir Jorge Antonio Rodríguez, ela combina capital simbólico revolucionário com uma formação europeia que a distingue da elite militar. Agora, como presidente interina sob a chancela do TSJ após a captura de Maduro, Delcy emerge como o pivô de uma transição de alto risco, operando na interseção entre a retórica anti-imperialista e o pragmatismo da diplomacia financeira internacional.

No tabuleiro de Caracas, ela governa em simbiose absoluta com seu irmão, Jorge Rodríguez, formando um bloco tecnocrata que se contrapõe à ala radical e ideológica de Diosdado Cabello. Sem comando direto de tropas, sua sobrevivência política depende do “pêndulo” de Vladimir Padrino López, o Ministro da Defesa atua como o fiador dos militares chavistas. Enquanto Cabello personifica a brutalidade do Cartel de los Soles, os Rodríguez preferem a cooptação cirúrgica e a inteligência burocrática, sob a pressão asfixiante das sanções que pesam sobre Delcy desde 2018.

Sua liderança, contudo, é assombrada pelas delações de Hugo “El Pollo” Carvajal e pela iminente colaboração de Maduro em solo americano. Tais testemunhos são venenos de ação lenta que podem expor redes de financiamento ilícito, comprometendo sua viabilidade como interlocutora. Ela caminha sobre uma corda bamba geopolítica: depende do aparato de inteligência cubano (G2) para monitorar conspirações militares internas, mas qualquer transição que mantenha o cordão umbilical com a ditadura cubana será vista como uma “mudança cosmética” por Washington. Ela precisa projetar-se perante Trump como uma “Murillo venezuelana” — uma interlocutora técnica e moderada capaz de pacificar o país e garantir a estabilidade energética via PDVSA.

Para os interlocutores internacionais, incluindo Washington, Delcy apresenta-se como uma gestora capaz de operacionalizar a retomada do setor petrolífero e a renegociação de ativos estratégicos. Mesmo sob o peso de investigações externas e da histórica influência de Cuba, ela aposta em uma política de “distensão”, por enquanto, sem transição — uma reforma que torne o regime funcional e aceitável para o mercado global. O sucesso de sua gestão reside na capacidade de transformar o Estado venezuelano em um parceiro previsível, garantindo a permanência da elite civil antes de uma possível transição política definitiva.

Para os Estados Unidos, Delcy não é uma aliada confiável, mas uma ferramenta de conveniência transacional. Sua sobrevivência dependerá de movimentos táticos milimétricos: ela poderá libertar presos políticos para sinalizar boa vontade, mas dificilmente desmantelará o aparato repressivo, sob risco de sofrer um golpe militar por traição à casta armada. Sua missão é tentar converter o regime em uma estrutura de distensão rumo a uma possível transição — uma autocracia mais palatável e funcional.

A volta da democracia dependerá do sucesso deste processo, no entanto, serão passos lentos e graduais, evitando uma guerra civil que poderia eclodir com o retorno abrupto da oposição ao poder em conflito com um aparato repressor e armado, alimentado por práticas, recursos e cooptação de grupos terroristas, narcotraficantes e de aparatos de inteligência estrangeiros presentes na Venezuela.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal. 

 

 

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Acordo Mercosul-UE está alinhado a objetivos ambientais e ao enfrentamento das mudanças climáticas, diz Marina Silva

Da Redação (*)

Brasília – A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, comemorou a aprovação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) pela Comissão da UE e avaliou de forma positiva os termos celebrados entre os países que irão compor a maior zona de livre comércio do mundo.

“As negociações resultaram em um texto equilibrado e alinhado aos desafios ambientais, sociais e econômicos contemporâneos”, destaca nota oficial divulgada pelo ministério.

Na avaliação da ministra, o texto do acordo está alinhado a agenda ambiental brasileira, capaz de promover o desenvolvimento ao mesmo tempo em que protege a natureza e enfrenta a mudança do clima.

“Em três anos, conseguimos reduzir o desmatamento na Amazônia em 50% e em 32,3% no Cerrado e, ao mesmo tempo, abrir mais de 500 novos mercados para o agronegócio do país”, reforça.

Para Marina Silva, a condução dessa agenda pelo governo brasileiro e os compromissos ambientais assumidos pelos países do Mercosul foram definitivos para que o conselho do bloco europeu finalizasse as negociações de forma favorável. “Depois de 25 anos, a aprovação deste acordo está ancorada na confiança de que o governo do presidente Lula conduz uma agenda ambiental séria, consistente e comprometida com resultados”, diz.

Compromisso com a sustentabilidade

Entre os pontos fortes do acordo comercial destacados na nota do MMA estão a reafirmação de compromissos pela sustentabilidade ambiental e climática dos países envolvidos. A exemplo da adoção do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas e do reforço à soberania na definição dos padrões ambientais de cada país.

O documento também avança ao considerar instrumentos financeiros das agendas de clima e biodiversidade, como a possibilidade de valoração dos serviços prestados pela natureza e o financiamento ambiental.

A promoção de produtos da bioeconomia e bens sustentáveis também entraram no acordo de comércio entre os blocos, que prevê ainda o fornecimento de informações sobre desmatamento e o cumprimento da legislação ambiental pelos países exportadores.

As salvaguardas estabelecidas pelo texto, de acordo com o comunicado do MMA, previnem impactos ambientais negativos e asseguram que a ampliação do comércio contribua para a promoção da sustentabilidade.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Cenário cambial: como o dólar se comportou em 2025 e quais os desafios para 2026

 

 Marcos Weig (*)

O dólar iniciou 2025 em patamar elevado frente ao real, superando R$ 6,15 logo em janeiro. O movimento refletiu, em parte, a manutenção de juros altos nos Estados Unidos e, em parte, a percepção de aumento do risco doméstico, influenciada por dúvidas sobre a trajetória fiscal e incertezas no ambiente político-econômico. Nesse contexto, o diferencial de juros entre Brasil e EUA foi insuficiente para conter a pressão compradora sobre a moeda americana nos primeiros meses do ano.

Com o passar do tempo, porém, parte das expectativas que haviam impulsionado o dólar se mostrou mais intensa do que os fundamentos sugeriam. A hipótese de uma guinada tarifária imediata nos EUA, que havia influenciado projeções no fim de 2024, foi substituída por uma postura mais pragmática da nova administração americana. Esse reposicionamento contribuiu para reduzir a tensão nos mercados. A taxa Selic, em níveis elevados, também atuou como fator de equilíbrio, permitindo alguma recomposição do real. Não se tratou de uma solução definitiva para os desafios locais, mas de uma correção de parte dos excessos observados no início do ano.

O segundo trimestre marcou o início de um ambiente externo mais favorável às moedas emergentes. O dólar se enfraqueceu globalmente, o índice DXY recuou e discussões sobre diversificação cambial ganharam visibilidade. O Brasil acompanhou esse movimento como parte de um ajuste mais amplo. Nesse cenário, o câmbio encontrou um ponto de maior estabilidade, distante das tensões que caracterizaram o começo de 2025.

Desafios para 2026

Se 2025 foi um período de recomposição após meses de forte volatilidade, 2026 tende a exigir maior atenção aos fatores que influenciam o câmbio. No início do ano, o foco permanecerá nos EUA: indicadores de atividade, emprego e inflação deverão orientar as expectativas em torno do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve. Caso esse processo avance, é possível que o dólar siga perdendo força globalmente, o que também poderia favorecer o real no curto prazo.

A partir do segundo trimestre, entretanto, o câmbio brasileiro deve responder mais diretamente aos elementos internos. A evolução do ambiente político, a percepção sobre a sustentabilidade das contas públicas e a capacidade de execução de políticas econômicas serão fatores relevantes para o prêmio de risco e, consequentemente, para a trajetória da taxa de câmbio. Em um contexto de menor proteção garantida pelo cenário internacional, sinais consistentes de previsibilidade e responsabilidade fiscal tendem a ganhar importância.

Assim, 2026 se apresenta como um ano em que oportunidades e riscos coexistem. Um ambiente externo mais benigno pode abrir espaço para um real mais valorizado, especialmente se acompanhado de avanços na agenda doméstica. Por outro lado, a ausência de clareza na condução das políticas públicas pode limitar esse potencial, reforçando a volatilidade e preservando parte das incertezas vistas nos últimos anos.

(*) Marcos Weigt, diretor de Tesouraria do Banco Travelex

 

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Empresariado brasileiro comemora avanço no acordo com União Europeia e considera tratado um “marco estratégico”

Industriais veem oportunidade para ampliar mercados e PIB

Da Redação (*)

Brasília – Entidades empresariais brasileiras comemoraram a aprovação, após 25 anos de negociações, do acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia. A proposta conseguiu, nesta sexta-feira (9), o aval do bloco europeu, onde era necessária a chancela de 15 dos 27 Estados-membros, que, além disso, precisavam representar ao menos 65% da população total do bloco.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou o acordo como um passo significativo para avançar na inserção internacional do Brasil e para o fortalecimento da indústria nacional. Segundo a CNI, em 2024, quando o bloco europeu foi o destino de 14,3% das exportações do país, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE foram criados 21,8 mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

“A aprovação do acordo é um passo decisivo e cria as condições políticas necessárias para avançarmos rumo à assinatura. Esperamos que esse processo seja concluído o quanto antes, para que possamos transformar esse avanço institucional em oportunidades concretas de comércio, investimentos e aumento da competitividade do país”, avalia o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A CNI também vê potencial de intensificação das relações comerciais e produtivas com países do Leste Europeu, como República Tcheca, Polônia e Romênia, “que possuem fluxos comerciais modestos com o Brasil, que podem ser ampliados de forma consistente, com destaque para indústria, tecnologia e consumo interno”.

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) ressalta que o acordo é um marco estratégico para a indústria química brasileira, ao ampliar o acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo, estimular investimentos, fortalecer a inovação e impulsionar uma agenda de sustentabilidade alinhada aos princípios ESG.

“O acordo representa uma oportunidade concreta de reposicionar a indústria química brasileira em cadeias globais de maior valor agregado”, afirma o presidente-executivo da Abiquim André Passos Cordeiro.

Cordeiro acrescenta que o acordo cria um ambiente mais previsível e moderno para investimentos, especialmente em áreas como bioeconomia, química de base renovável e energia limpa.

Para a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a assinatura representa um marco essencial para o comércio internacional, em tempos marcados por turbulência geopolítica e inúmeras crises, criando a maior zona de livre comércio do mundo.

O tratado, na projeção da associação, pode propiciar o aumento das exportações do setor eletroeletrônico para a União Europeia entre 25 e 30% no médio prazo, assim como permitirá uma diversificação dos fornecedores de insumos para a produção industrial.

A expectativa da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) é de que o acordo abrirá várias janelas de oportunidades para a economia brasileira. Para o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, o acordo é uma combinação em que todos os países ganham e se fortalecem para enfrentar os desafios do cada vez mais competitivo do comércio internacional.

“O acordo é uma vitória da diplomacia e do setor produtivo. Os próximos passos até chegar à implementação exigirão diálogo entre os países para o benefício de toda a sociedade”, destaca.

A CACB prevê a atração de investimentos dos países europeus no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com benefícios para todo o continente. “O cenário favorece não só o bloco, mas toda a América do Sul”.

Fiesp, Firjan e Fiemg

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) demonstrou entusiasmo com o acordo, mesmo avaliando que o texto não é perfeito.

“Foi o acordo possível para conciliar interesses de 31 países, em um cenário de transformação do comércio internacional. A Fiesp participou ativamente das negociações nas últimas décadas, com o objetivo principal de que o entendimento trouxesse valor real para as pessoas e para a indústria brasileira”.

Para a Fiesp, o acordo é abrangente e mudará substancialmente a forma com que as empresas do Mercosul e da UE fazem negócios, importam, exportam e investem entre si.

O presidente da entidade, Paulo Skaf, disse que o real trabalho começa agora, porque será necessário a todos inovar, melhorar a produtividade e buscar incessantemente a excelência da porta para dentro das fábricas, que já têm condições de competir com os europeus.

“E trabalharemos para assegurar a isonomia competitiva que permita ao empreendedor nacional prosperar e tirar o máximo proveito das oportunidades que o acordo oferece”, afirmou.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) também comemorou que a aproximação entre Mercosul e UE promoverá um significativo aumento da corrente de comércio, novos investimentos e crescimento do PIB industrial brasileiro, diversificando e ampliando parcerias em um cenário geopolítico marcado por tensões.

Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), ainda que avalie o acordo de forma positiva, ressalta que o acordo deve ser analisado com cautela e atenção aos seus impactos sobre a indústria.

“Minas Gerais mantém relação comercial sólida e superavitária com o bloco europeu, o que reforça a importância estratégica do acordo para o estado. Entre 2021 e 2025, as exportações mineiras para a União Europeia somaram cerca de US$ 31,0 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 13,38 bilhões, resultando em saldo positivo de US$ 17,62 bilhões”.

A federação acredita que os benefícios serão principalmente para setores como café, mineração, siderurgia, celulose e cadeias industriais integradas, como a automotiva e de autopeças. “Ao mesmo tempo, a FIEMG destaca a necessidade de atenção à implementação do acordo, especialmente para segmentos mais sensíveis à concorrência externa, além de atividades que dependem do cumprimento de exigências sanitárias e regulatórias específicas”.

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, a aprovação do acordo bilateral é um avanço importante, após mais de duas décadas de discussões e ajustes.

Meirelles ressaltou que o tarifaço imposto pelo governo americano reforçou a importância de acordos bilaterais que permitam uma maior capilaridade do comércio internacional brasileiro.

O presidente da Faesp avaliou também que as salvaguardas impostas por países como Itália e França não estão erradas, pois pretendem proteger as cadeias produtivas locais. Na visão do presidente da Faesp, o governo brasileiro também deve ter essa preocupação com o produtor.

“No caso do leite em pó, há mais de um ano estamos denunciando a importação desenfreada, comprometendo a cadeia do leite, sem que nenhuma posição tenha sid

(*) Com informações da Agência Brasil

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Alckmin: governo espera que acordo com UE entre em vigor ainda em 2026 para gerar empregos e atrair investimentos

Da Redação (*)

Brasília – O vice-presidente Geraldo Alckmin disse, nesta sexta-feira (9), que o acordo entre Mercosul e União Europeia deve ser assinado nos “próximos dias” e que o governo brasileiro espera que entre em vigência ainda no ano de 2026.

Para isso ocorrer, Alckmin explicou em entrevista à imprensa que é necessário “internalizar”. Isso quer dizer que é preciso que o Parlamento Europeu e os Congressos de cada país do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) aprovem o pacto comercial. Alckmin destacou que a sociedade vai ganhar com produtos mais baratos e de melhor qualidade.

“Se o Congresso Brasileiro votar no primeiro semestre, nós não dependemos da Argentina, Paraguai e Uruguai, para já entrar em vigência”, afirmou Alckmin.

Emprego e investimentos

Geraldo Alckmin destacou que o acordo tem potencial de gerar emprego e investimentos para o Brasil.

“Nós deveremos ter mais investimentos europeus na região do Mercosul e no Brasil, e mais investimentos brasileiros nos 27 países da Europa”, acrescentou Alckmin.

O vice-presidente destacou que o acordo fortalece o multilateralismo, em detrimento do isolacionismo. Para valorizar o potencial do acordo, Alckmin enumerou que a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do País e fica atrás apenas da China. Inclusive a corrente comercial (somando exportações e importações) no ano passado foi de US$ 100 bilhões.

Um exemplo é que somente a indústria de transformação brasileira exportou US$ 23,6 bilhões para a União Europeia, o que representou um crescimento de 5,4% desse setor (para o mundo, essa elevação foi de 3,8%).

“A União Europeia foi o primeiro ou o segundo destino da exportação de 22 estados brasileiros [no ano passado]”, destacou o vice-presidente. Alckmin também observou que 30% dos exportadores brasileiros vendem produtos para aquele continente, o que representa mais de 9 mil empresas brasileiras. “Essas empresas exportadoras empregam mais de três milhões de trabalhadores”.

Sustentabilidade

Alckmin assinalou que o acordo possibilita um comércio com regras e também fortalece a sustentabilidade ao gerar compromissos dos países no combate às mudanças climáticas. “É um ganha-ganha. Quem for mais competitivo vende”.

O vice-presidente ponderou ainda que o acordo se torna ainda mais fundamental levando em conta o momento geopolítico “difícil, de instabilidade e de conflitos”.

“(O acordo) mostra que é possível construir caminho de comércio com regras, de abertura comercial e de fortalecimento não do isolacionismo, mas do multilateralismo”.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Acordo UE-Mercosul amplia competitividade de exportações brasileiras e beneficia consumidores dos dois blocos, diz especialista

Para especialista, redução tarifária, harmonização regulatória e abertura gradual de mercados criam oportunidades imediatas para frutas e ganhos estruturais para setores como agronegócio, químico e indústria

Da Redação

Brasília –  O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul representa uma das mais amplas iniciativas de integração econômica já firmadas entre os dois blocos e deve gerar impactos relevantes tanto para empresas quanto para consumidores. Além da liberalização tarifária, o tratado prevê harmonização de regras e procedimentos, um fator considerado decisivo para a intensificação do comércio internacional. A análise é de Marcelo Vitali, diretor da consultoria How2Go no Brasil.

O executivo ainda afirma que o acordo amplia a capacidade de competição das empresas brasileiras no mercado europeu, inclusive com novas linhas de produtos. “É um acordo muito abrangente, que não trata apenas de tarifas, mas também de harmonização regulatória, o que é extremamente relevante no comércio exterior”, afirma.

Um dos efeitos mais imediatos deve ocorrer no setor de frutas frescas. Hoje, produtos brasileiros como manga e uva enfrentam tarifas para entrar na União Europeia, enquanto concorrentes de outros países já operam com isenção. “Assim que o acordo for aprovado e sancionado pelos dois blocos, a redução tarifária para frutas frescas passa a valer, o que torna a fruta brasileira mais competitiva no mercado europeu”, explica Vitali.

Ganhos relevantes para os dois blocos

A How2Go conduziu recentemente um estudo para a Federação Espanhola de Alimentos com o objetivo de mapear os setores com maior impacto potencial do acordo. A análise aponta que o agronegócio brasileiro tende a ganhar espaço, não apenas em frutas, mas também em grãos, açúcar, café e alimentos industrializados. Do lado europeu, segmentos como vinhos e lácteos devem se beneficiar de uma abertura gradual do mercado do Mercosul, com redução progressiva das tarifas de importação.

Para o especialista, o acordo não favorece apenas empresas, mas também consumidores dos dois lados. “O consumidor brasileiro tende a ter maior acesso a produtos europeus hoje altamente taxados, como vestuário, eletrônicos e perfumes. Da mesma forma, o consumidor europeu se beneficia de produtos brasileiros mais competitivos”, afirma.

Setores menos visíveis ao consumidor final também aparecem como potenciais beneficiados. É o caso da indústria química, altamente integrada em cadeias globais. “A União Europeia importa volumes relevantes de insumos químicos, e o Brasil tem empresas relevantes nesse segmento. Além da redução tarifária, a harmonização de regras e certificações pode reduzir custos e facilitar o acesso ao mercado europeu”, destaca Vitali.

Apesar da resistência de parte do setor agrícola francês, o diretor da How2Go avalia que o peso econômico desse segmento é limitado dentro do conjunto da economia europeia. “Há interesses industriais e estratégicos muito maiores em jogo. Para a União Europeia, o acordo com o Mercosul é uma alternativa importante em um cenário de reconfiguração do comércio internacional”, diz.

Nesse contexto, Vitali aponta que o acordo também abre espaço para uma diversificação de mercados por parte do Brasil, inclusive como forma de mitigar impactos recentes sobre setores industriais afetados por barreiras comerciais em outros mercados. “São processos de médio e longo prazo, mas a parceria com a União Europeia cria uma nova rota de integração comercial para os dois blocos”, conclui.

 

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