Turismo no Rio: do improviso à gestão sistêmica

Gerir o Rio de Janeiro exige coragem política para planejar a cidade além do próximo feriado

Wagner Siqueira (*)

O Rio de Janeiro vive hoje um paradoxo. Enquanto a cidade atrai fluxos massivos de turistas, a estrutura de gestão pública parece atônita diante da exploração criminosa que ocorre à luz do dia. Para o Administrador profissional, o problema não é a sazonalidade do “verão” ou o volume de “turistas”, mas a crônica ausência de um projeto específico, técnico e permanente para o setor.

A proposta de tabelar preços para conter a extorsão é uma medida paliativa que ataca a consequência, não a causa. O tabelamento é uma ferramenta limitada, pois os comerciantes ilegais — os verdadeiros autores das extorsões — simplesmente ignoram normas escritas. Por isso, a gestão municipal deve priorizar o fortalecimento de quem atua na legalidade e a repressão severa ao clandestino, com uma ação governamental forte e ativa fiscalização. A Guarda Municipal e a Secretaria de Ordem Pública não podem ser apenas espectadores da desordem.

A gestão eficaz exige indicadores de desempenho e presença ostensiva para garantir o direito de ir e vir, sem os quais o turismo se torna uma “armadilha” que destrói a imagem da cidade a longo prazo, pois, mais uma vez, o Rio é “surpreendido” pelo verão e, mais uma vez, não estamos preparados.

Esse fluxo contínuo de turistas, que muito bem faz à nossa economia e deve ser explorado, requer que a gestão pública dimensione serviços públicos (limpeza, segurança, transporte) para o pico da demanda, e não para a média anual; e, é claro, entender que o turista explorado hoje é o detrator da cidade amanhã, o que afeta diretamente o futuro e a arrecadação pública.

A exploração denunciada, gravada e postada — como por exemplo cadeiras de praia e vagas de carros a 100 reais, caipirinhas a 150 reais, camarões a 500 reais e por aí vai — é o resultado da omissão gerencial. Gerir o Rio de Janeiro exige coragem política para enfrentar o ilegalismo e competência técnica para planejar a cidade além do próximo feriado. Não basta o bom humor do carioca; é preciso o rigor do Administrador.

(*) Wagner Siqueira – Presidente do CRA-RJ e do Fórum de Conselhos e Ordens Profissionais do RJ, ex-secretário de Administração da Cidade do Rio de Janeiro, Vogal da Junta Comercial do Rio de Janeiro, membro acadêmico da Academia Brasileira de Ciência da Administração (ABCA) e da Academia Nacional de Economia (ANE), além de ser autor de livros sobre gestão. 

 

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Abertura de mercados foi decisiva para o Brasil bater recordes de exportação e de corrente de comércio, afirma Alckmin

Em entrevista nesta quinta-feira (15/1) no programa Bom Dia, Ministro, vice-presidente e titular da pasta do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços frisou a força das exportações brasileiras e falou sobre os impactos positivos que a Reforma Tributária e a isenção do Imposto de Renda trarão para o país

Da Redação (*)

Breasília – O ano de 2025 foi histórico para as exportações brasileiras, apesar de um cenário global marcado pela taxação a produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos e pela instabilidade na geopolítica internacional. O Brasil encerrou o ano passado com exportações da ordem de US$ 348,7 bilhões, superando em US$ 9 bilhões o recorde anterior, que era de 2023.

Entrevistado nesta quinta-feira (15) no programa Bom Dia, Ministro, o vice-presidente e titular da pasta do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o recorde nas exportações não foi atingido por acaso, mas gerado por força de um trabalho muito articulado do Governo do Brasil.

“Como é que nós batemos recorde de exportação exatamente no ano que teve o tarifaço nos Estados Unidos? O Brasil bateu recorde de exportação, com US$ 348,7 bilhões, e de corrente de comércio, que é exportação e importação, com US$ 629 bilhões, porque abriu e conquistou novos mercados”, ressaltou Alckmin.

Desde o início de 2023, o Brasil abriu, segundo o levantamento mais recente, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, 525 novos mercados, em 82 destinos (países, blocos ou territórios). “Você conquistar novos mercados te dá mais segurança. Você não tem todos numa cesta só, você distribui melhor. Então, a abertura de novos mercados foi essencial”, reforçou Alckmin.

ACREDITA EXPORTAÇÃO

Segundo o vice-presidente, o Governo do Brasil trabalha agora para permitir que as micro e pequenas empresas brasileiras possam aproveitar a abertura desses novos mercados e passem a exportar seus produtos. “Nós temos a exportação brasileira concentrada em grandes empresas. Nós queremos que as micro e pequenas empresas também exportem. A Itália é um bom exemplo de micro e pequena empresa que exporta muito. A China também, muita pequena empresa exporta. Então, fizemos um programa chamado Acredita Exportação. A micro e pequena empresa, na hora que ela exporta, o governo deposita 3,1% do valor exportado de crédito tributário. Isso vai dar muita competitividade às micro e pequenas empresas”, explicou.

Ele lembrou que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) tem um importante papel neste sentido. “A Apex está apoiando as pequenas empresas, através do Peiex (Programa de Qualificação para Exportação), que capacita as pequenas empresas para que elas possam exportar mais”.

AUMENTO NAS EXPORTAÇÕES

Geraldo Alckmin afirmou que a Reforma Tributária vai, também, impulsionar as exportações. “Queria destacar a importância da Reforma Tributária para a exportação. O Brasil não tributa a exportação. Quando exporto um automóvel, eu não pago imposto. Mas quando eu exporto um automóvel, eu já paguei imposto quando eu comprei o aço para fazer o carro, quando eu comprei o vidro, quando eu comprei o pneu. Então, o governo tem que devolver esse imposto. Isso se chama crédito tributário. O ICMS, por exemplo, os estados demoram muito para devolver. Isso tira a nossa competitividade. Com a reforma tributária, acaba. Ela desonera totalmente o investimento”, detalhou.

“Há um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que mostra que as exportações brasileiras, em 15 anos, depois da Reforma Tributária, devem aumentar 17%, e 14% nos investimentos, porque ela desonera totalmente o investimento. Hoje, quem investe no Brasil paga imposto. Isso vai ser totalmente desonerado com a Reforma Tributária. Desonera o investimento e desonera a exportação”, prosseguiu.

(*) Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

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Exportações de carne bovina para países árabes avançam 2%, têm segundo recorde consecutivo e receita soma US$ 1,79 bilhão

Receitas de exportação do produto avançam 2% em 2025, em segundo crescimento consecutivo

Da Redação (*)

Brasília – As vendas brasileiras de carne bovina para os países árabes fecharam 2025 com alta de 1,91% sobre o ano anterior, para US$ 1,79 bilhão, resultado que foi o segundo recorde consecutivo de receitas com o bloco, informou a Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, que acompanha o comércio com a região de 22 nações.

As vendas do derivado bovino cresceram em mercados tradicionais, como Egito (US$ 375,35 mi, + 24,53%) e Arábia Saudita (US$ 333,10 mi, +29,90%), os dois maiores compradores do produto, mas também nas frentes recém-abertas pela indústria frigorífica, especialmente na Argélia, que, desde 2024, vem intensificando as compras do Brasil, só no ano passado avançou 40,56% nas aquisições e gerou receitas de US$ 286,58 milhões.

Na avaliação da entidade, o resultado decorre tanto da atuação mais intensa dos frigoríficos brasileiros, como da disposição dos países árabes em reforçar estoques, especialmente os de gêneros alimentícios, temendo desabastecimentos decorrentes de desorganização de cadeias de suprimentos por conta do tarifaço americano imposto a diferentes fornecedores, entre eles o Brasil, que fornece metade dos alimentos adquiridos no exterior pelos árabes.

“Os árabes intensificaram as aquisições, e o Brasil foi particularmente beneficiado na carne bovina porque tinha maior disponibilidade do produto. O reforço dos estoques, no entanto, limitou o espaço para outros alimentos e produziu um recuo no total das exportações. Mesmo assim, o resultado foi muito positivo. Tivemos o segundo melhor ano da série histórica em exportações e superávit comercial. Os árabes seguem extremamente relevantes para os exportadores”, destacou Mohamad Mourad, secretário-geral da entidade.

Considerando toda a pauta, as exportações brasileiras para os países árabes recuaram 9,81% em 2025, para US$ 21,34 bilhões, em comparação com as receitas de 2024, quando as vendas cresceram 22% sobre 2023. Além da ação para reforçar estoques, o recuo de 2025 é creditado à desvalorização das commodities e ao foco de gripe aviária no Rio Grande do Sul no primeiro trimestre do ano, que impactaram as vendas de frango, embora todos os produtos tenham sido adquiridos em volumes expressivos.

A pauta foi liderada por açúcar (US$ 4,63 bi, -29,89%), frango (US$ 3,34 bi, -6,40%), milho (US$ 3,07 bi, +24,94%), minério de ferro (US$ 2,65 bi, -12,70%) e carne bovina (US$ 1,79 bi, +1,91%). Emirados Árabes Unidos (US$ 3,78 bi, -16,90%), Egito (US$ 3,73 bi, -6,20%), Arábia Saudita (US$ 3,13 bi, -0,10%), Argélia (US$ 2,33, -9,20%) e Iraque (US$ 1,49 bi, -21,3%) foram os principais parceiros.

Agronegócio

As exportações do agro tiveram recuo de 11,19%, para US$ 15,91 bilhões, resultado que ainda, sim, foi 72,51% do total exportado pelo Brasil. Os produtos do setor encontraram seus melhores clientes no Egito (US$ 2,93 bi, -6,61%), Arábia Saudita (US$ 2,73 bi, +2,61%), Emirados Árabes Unidos (US$ 2,44 bi, -21,65%), Argélia (US$ 2,00 bi, +11,91%) e Iraque (US$ 1,35 bi, – 24,30%).

Chama atenção nas estatísticas o desempenho dos insumos usados para produzir proteínas animais, alimento que os países árabes têm se esforçado para disponibilizar localmente com incentivos produtivos. As vendas de gado vivo para abate, por exemplo, avançaram 18,10% no ano, para US$ 695,09 milhões. As de milho destinado à criação de aves subiram 24,93%, para US$ 3,07 bilhões.

Mourad também destaca que, mesmo com os incentivos à produção local, a proteína brasileira, ainda sim, encontrou espaço na região. A Arábia Saudita, onde foram anunciados os principais investimentos produtivos, e que vinha buscando reduzir compras brasileiras, foi o mercado que mais adquiriu frango do Brasil, ampliando aquisições em 15,14%, para o total de US$ 942,39 milhões.

Os Emirados Árabes Unidos, outro mercado que historicamente compra bastante frango do Brasil, principalmente para operações de reexportação para nações com comunidades muçulmanas na África e na Ásia, fez aquisições no ano passado em níveis equiparáveis às de 2024: US$ 937,43 milhões, apenas 0,97% menos, e com avanço nos volumes.

Para Mourad, num ano em que teve sua resiliência testada, o comércio Brasil-Países Árabes conseguiu registrar desempenho satisfatório e deve ter recuperação em 2026. Segundo ele, no último trimestre do ano, as vendas ganharam tração, superando em 8,2% o resultado do mesmo trimestre de 2024, indicando reaquecimento.

“Em 2026, teremos Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, que é um feriado flutuante, iniciando em 17 de fevereiro. A intensificação de embarques vista no fim de 2025 é um esforço de formação de estoques para a data festiva, mas também acreditamos que seja reflexo da normalização do comércio neste momento pós-tarifaço”, destaca.

(*) Com informações da CCAB

 

 

 

 

 

 

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Acordo Mercosul-UE significa integração possível, mas desenvolvimento incerto

Nailia Aguado Ribeiro Franco (*)

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia representa um dos movimentos mais relevantes do comércio internacional atual, não apenas por sua dimensão econômica, mas por seu significado político e geopolítico. Após mais de 25 anos de negociações, o avanço recente do tratado ocorre em contexto global marcado pela fragmentação de cadeias produtivas, aumento de medidas protecionistas, mediante a retomada de práticas unilaterais no comércio internacional. Em conjunto, os dois blocos abrangem 31 países, mais de 700 milhões de pessoas e correspondem a quase 25% do Produto Interno Bruto global.

De forma simplificada, o acordo prevê redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação de produtos nos quais cada um dos blocos possui maior especialização, seja por questões tecnológicas ou vantagens comparativas associadas à região de cada bloco, além do estabelecimento de regras comuns em temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Na prática, o Mercosul vai zerar tarifas sobre cerca de 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia vai eliminar tarifas sobre aproximadamente 95% dos bens originários do Mercosul em até 12 anos. Indicação de elevado grau de liberalização comercial entre as partes.

Em 9 de janeiro, a Comissão Europeia aprovou o texto, com o apoio de 21 dos 27 Estados-membros,  número suficiente para alcançar o quórum exigido, tanto em quantidade de países quanto em representatividade populacional, que deve ser de, no mínimo, 65% da população europeia. Com isso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está autorizada a assinar o acordo, que deve ocorrer ainda em janeiro.

O processo, no entanto, ainda está longe de concluído. De um lado, o Parlamento Europeu precisa aprová-lo, etapa prevista para os próximos meses, com expectativa entre abril e maio. Já no âmbito do Mercosul, o acordo somente entrará em vigor após aprovação pelos Congressos nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o que adiciona um componente político interno relevante e potencialmente heterogêneo. Atualmente, a Bolívia ainda não é membro pleno, mas se encontra em processo de adesão, e a Venezuela está suspensa do bloco desde 2016 por questões democráticas.

Embora o acordo vá além do agronegócio, esse setor foi, ao longo de toda a negociação, o ponto sensível. O texto prevê eliminação de tarifas de importação sobre 77% dos produtos agropecuários exportados pelo Mercosul à União Europeia, com prazos de transição entre quatro e dez anos. Alimentos considerados sensíveis pelos europeus, como aves, suínos, açúcar, etanol, arroz, mel e milho, estarão sujeitos a cotas de exportação, justamente por competirem diretamente com a produção local. Essas cotas operam como mecanismo de liberalização controlada, mantendo tarifas aplicáveis acima dos volumes estabelecidos, evitando abertura irrestrita e imediata do mercado europeu. Ao todo, cerca de 82% das exportações agrícolas dos países do Mercosul serão beneficiadas pela redução.

O acordo também reconhece cerca de 350 indicações geográficas para impedir a imitação de certos alimentos tradicionais da UE. Assim, por exemplo, o termo “Parmigiano Reggiano” (Queijo Parmesão), “Prosciutto di Parma” (Presunto de Parma), Champagne, vinhos de Bordeaux, queijos franceses (Roquefort, Camembert), ficam reservados exclusivamente para os produtos específicos produzidos nas regiões correspondentes.

Além disso, o acordo incorpora mecanismos de salvaguarda que permitem à União Europeia suspender temporariamente benefícios tarifários em caso de impacto relevante sobre seu mercado interno. Na prática, se importações de determinado produto agrícola sensível aumentarem mais de 5% na média de três anos, a UE poderá abrir investigação e avaliar a suspensão desses benefícios. Para países do Mercosul, essas cláusulas representam ponto de atenção, pois introduzem grau adicional de incerteza quanto à previsibilidade do acesso ao mercado europeu e reforçam, além de evidenciar, a assimetria de poder regulatório entre os blocos.

Do ponto de vista sul-americano, a crítica recorrente e relevante é que o acordo ainda reflete uma lógica estrutural de “Norte x Sul Global”. O Mercosul permanece majoritariamente posicionado como exportador de commodities agrícolas, como soja, café e carnes, enquanto a UE amplia o acesso para produtos industriais, ou seja, de maior valor agregado, como automóveis, medicamentos, máquinas, produtos químicos, chocolates, queijos e vinhos. Soma-se a isso a preocupação com exigências ambientais e regulatórias rigorosas, que podem impor custos adicionais de adaptação aos produtores do Mercosul, especialmente às pequenas e médias empresas.

O acordo também avança sobre comércio de serviços e investimentos, ao reduzir discriminações regulatórias contra investidores estrangeiros e ampliar compromissos em setores como serviços financeiros, telecomunicações, transporte e serviços empresariais. Embora esse capítulo tenha potencial de ampliar a integração produtiva e aumentar a previsibilidade regulatória, seus efeitos concretos dependerão da capacidade dos países do Mercosul de transformar abertura formal em inserção competitiva efetiva.

Outro ponto relevante é a abertura de compras públicas, permitindo que empresas do Mercosul participem de licitações na UE sob regras mais transparentes e previsíveis. Trata-se de um avanço institucional relevante, mas cujo aproveitamento prático exigirá elevada capacitação técnica e organizacional das empresas sul-americanas.

No campo ambiental, as cláusulas assumem caráter vinculante, condicionando benefícios tarifários ao cumprimento de compromissos ambientais, incluindo vedação à comercialização de produtos associados a desmatamento ilegal, e suspender o acordo em caso de violação do Acordo de Paris. Embora esse desenho responda a demandas legítimas de sustentabilidade, ele também reforça o uso de exigências ambientais como instrumento de política comercial.

Regras sanitárias e fitossanitárias permanecem rigorosas, sem flexibilização por parte da UE, preservando barreiras técnicas relevantes. Isso exige investimentos contínuos em adequação regulatória por parte dos exportadores do Mercosul.

O avanço do acordo ocorre, ainda, em um momento de tensão no comércio internacional. O recente aumento de tarifas adotado pelos Estados Unidos, conhecido como “tarifaço”, também afetou a União Europeia e foi fator relevante para que países como Alemanha e Espanha passassem a defender o tratado, apesar da oposição liderada pela França. No caso francês, a resistência está fortemente ligada à pressão do setor agrícola e à fragilidade política do governo minoritário.

Para destravar as negociações, a UE impôs o reforço de salvaguardas ao seu setor agrícola e sinalizou redução de tarifas sobre fertilizantes, diminuindo custos de produção a agricultores locais. Para ambos os lados, o acordo oferece a oportunidade de diversificar parceiros comerciais, ampliar exportações industriais e reduzir a dependência da China em cadeias estratégicas, especialmente no setor de minerais.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e tende a gerar impactos que vão além do agronegócio, alcançando segmentos relevantes da indústria e estimulando investimentos bilaterais.

Em um cenário global cada vez mais fragmentado, o acordo sinaliza uma aposta no multilateralismo e na integração econômica como instrumentos de estabilidade e crescimento. Do ponto de vista analítico, embora os ganhos econômicos potenciais sejam relevantes para ambos os blocos, a efetiva distribuição desses benefícios dependerá da capacidade dos países do Mercosul de formular políticas públicas não protecionistas, em especial do Brasil, industriais e comerciais capazes de evitar a perpetuação de assimetrias, reduzir a dependência de commodities e promover maior agregação de valor no longo prazo.

(*) Nailia Aguado Ribeiro Franco é advogada corporativa da Andersen Ballão Advocacia.

 

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Embratur e Ministério do Turismo alinham estratégia para ampliar conexão do Brasil com o mundo em 2026

Integração institucional, inteligência de dados, presença em feiras e conectividade aérea foram temas de encontro entre ministro Gustavo Feliciano e presidente da Agência, Marcelo Freixo

Da Redação (*)

Brasília – O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, realizou nesta terça-feira (13) uma visita ao ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. O encontro deu início ao alinhamento para ampliar a presença do Brasil internacionalmente ao longo de 2026 e para debater ações conjuntas com foco no planejamento, na inteligência de dados, na conectividade aérea e também na participação em feiras internacionais.

A reunião ocorre em momento histórico para o turismo internacional brasileiro. Em 2025, o país recebeu 9,3 milhões de visitantes estrangeiros, resultado que, segundo Freixo, reflete um trabalho consistente de planejamento e posicionamento internacional. Durante o encontro, o presidente da Embratur apresentou os principais eixos do Plano Brasis, o Plano de Marketing Internacional da Agência, lançado em 2025.

“Temos atuado de forma direcionada na articulação com os mercados emissores, na valorização da diversidade dos destinos brasileiros e na construção de uma imagem internacional do Brasil associada à sustentabilidade, à cultura, à natureza e à economia criativa”, explicou.

Entre os pilares da estratégia, ele destacou a participação do Brasil em feiras internacionais, com ações adaptadas ao perfil de cada mercado emissor, e o uso da inteligência de dados como base para a formulação das políticas de promoção turística.

MTur e Embratur em perfeita sintonia

O ministro Gustavo Feliciano, que tem experiência prévia como secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba, destacou a importância da atuação conjunta entre MTur e Embratur para potencializar resultados, atrair investimentos e ampliar o impacto do turismo no desenvolvimento regional. “A aproximação institucional fortalece a capacidade do país de competir internacionalmente e quem ganha é o brasileiro”.

Ao final da reunião, ficou reforçado o compromisso das duas instituições em atuar de forma integrada para consolidar o Brasil como um destino competitivo, diverso, capaz de ampliar a sua presença em mercados internacionais, gerar emprego e renda e promover o desenvolvimento dos destinos em todas as regiões do país.

(*) Com informações da Embratur

 

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Mercosul e UE: maior acordo do mundo pode dobrar movimentação de cargas no Porto de Santos, projeta APS

Da Redação (*)

Brasília -.  aprovação do acordo dos países da União Europeia (UE) com o Mercosul, previsto pelo vice-presidente Geraldo Alckmin para ser assinado dia 17 deste mês (no próximo sábado), provocará aumento da movimentação de cargas no Porto de Santos, pelos setores beneficiados pelo incremento das exportações e das importações. Trata-se de um dos maiores acordos de livre comércio do mundo, envolvendo 27 países, um mercado com 718 milhões de pessoas e um PIB somado de 22,4 trilhões de dólares.

Consequentemente, o Porto de Santos, que é o maior do hemisfério Sul, será utilizado para viabilizar este novo crescimento da corrente comercial. Para o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, o Porto já se prepara para este aumento de demanda, com obras de infraestrutura logística, como o aprofundamento do canal de navegação, a melhoria dos acessos às duas margens, o túnel Santos-Guarujá, entre outros:

“Importante também será desatar os nós que retardam a implantação do Tecon Santos 10; o aumento da Poligonal do Porto; a implantação de condomínios logísticos para caminhões e outras medidas, já em andamento, que preparam o Porto de Santos para os próximos 20 anos”, afirmou Pomini.

O agronegócio brasileiro, o setor de máquinas e veículos, a Embraer, entre outros, aumentarão os seus negócios com os países da UE. Alguns dos produtos que podem se beneficiar incluem:

– Carnes: carne bovina, suína e de aves terão cotas preferenciais e redução de tarifas;

– Frutas frescas: abacate, melão e uva de mesa entrarão na Europa sem tarifas em até 7 anos;

– Café: café verde e solúvel terão redução de tarifas;

– Etanol: terá cota preferencial e redução de tarifas;

– Açúcar: terá cota preferencial e redução de tarifas;

– Suco de laranja: terá eliminação de tarifas;

– Peixes e crustáceos: terão eliminação de tarifas;

– Óleos vegetais: terão eliminação de tarifas.

“O Porto de Santos tem crescido, em média, 5% ao ano em volume de cargas movimentadas. Este crescimento tem agora a possibilidade de dobrar e temos que agir rápido para dar conta desta nova realidade que se aproxima”, avaliou Pomini.

O gestor do Porto de Santos vê também que o Mercosul pode ir além da União Europeia: “A repercussão deste acordo negociado com intensidade, durante 26 anos, repleto de detalhes, pode despertar o interesse de grandes países da Ásia, como a Índia, ou do Oriente Médio, por novos acordos com o Mercosul, promovendo ganhos ainda imensuráveis”, conclui o presidente da APS.

(*) Com informações da Autoridade Portuária de Santos (APS)

 

 

 

 

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Comércio Brasil-China é mais que o dobro das trocas Brasil-EUA, mostra estudo do CEBC

Da Redação (*)

Brasília – Em franca expansão nos últimos anos, a corrente de comércio (exportação+importação) entre o Brasil e a China totalizou em 2025 US$ 171 bilhões, com uma alta de 8,2% comparativamente com o ano de 2024. O número representa mais que o dobro das transações entre Brasil e Estados Unidos, segundo principal parceiro comercial brasileiro, com um total de US$ 83 bilhões.

O aumento das exportações para a China foi puxado pelo setor agropecuário, enquanto o avanço das importações refletiu a compra bilionária de um navio-plataforma para exploração de petróleo e o aumento das compras de veículos eletrificados e produtos químicos.

O aumento expressivo da corrente de comércio não foi o único destaque nas relações comerciais entre o Brasil e o gigante asiático. Pelo décimo-sétimo ano consecutivo, o Brasil registrou em 2025 um expressivo superávit comercial com a China, no montante de US$ 29,1 bilhões, correspondentes a 43% do saldo positivo de US$ 68,3 bilhões alcançado pelo Brasil no ano passado.

Esses números constam da última edição do relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), elaborado por Túlio Cariello, Diretor de Conteúdo do CEBC.

No estudo, Cariello elencou uma série de destaques que marcaram as trocas comerciais entre o Brasil e a China em 2025, conforme abaixo.

DESTAQUES

•  A corrente de comércio entre o Brasil e a China chegou ao recorde de US$ 171 bilhões em 2025, registrando crescimento de 8,2% em relação a 2024. As trocas com os EUA, segundo principal parceiro comercial do país, atingiram US$ 83 bilhões — menos da metade das transações sino-brasileiras.

•  O Brasil vem registrando superávits comerciais com a China há 17 anos consecutivos, chegando a US$ 29,1 bilhões em 2025 — o equivalente a 43% do saldo positivo de US$ 68,3 bilhões do Brasil com o mundo.

•  A China foi o principal destino das exportações brasileiras, com participação de 28,7%. Também foi a origem mais relevante das importações do Brasil, com fatia de 25,3%.

•  As exportações para a China em 2025 cresceram 6%, chegando a US$ 100 bilhões — o segundo maior valor registrado até hoje. As importações do Brasil com origem na China chegaram ao recorde de US$ 70,9 bilhões em 2025, um aumento de 11,5% em relação a 2024.

•  A China foi o principal destino das exportações da indústria extrativa e da agropecuária do Brasil, com participações de, respectivamente, 51,5% e 47%. As exportações da indústria de transformação tiveram como principal destino os EUA (16%), enquanto a China apareceu em segundo lugar (11,7%).

•  Em 2025, as exportações de petróleo para a China atingiram recordes em volume (44 milhões de toneladas) e em valor (US$ 20 bilhões). A China absorveu 45% de todo o petróleo exportado pelo Brasil — 4,5 vezes mais do que os EUA, que ficaram em segundo lugar.

•  O valor das exportações de café não torrado do Brasil para a China em 2025 mais que dobrou, saltando de US$ 213 milhões para US$ 459 milhões, com aumento de 21% no volume embarcado. Entre 2024 e 2025, o país asiático subiu da 14.ª para a nona posição, tornando-se o segundo principal mercado do café brasileiro na Ásia, ultrapassando a Coreia do Sul e ficando atrás apenas do Japão.

•  As exportações de carne bovina para a China cresceram 47,9%, chegando à máxima histórica de US$ 8,8 bilhões. Em sentido oposto, as vendas de frango caíram 53%, e a China deixou de ser o principal mercado do produto brasileiro no exterior, caindo para o quinto lugar, enquanto a Arábia Saudita assumiu a liderança. O valor das exportações de carne suína recuou 36%.

•  O Rio de Janeiro foi o estado que mais exportou para a China em 2025 pelo terceiro ano consecutivo, com participação de 18% e vendas que chegaram a US$ 18 bilhões. Desse valor, 94% vieram das exportações de petróleo.

•  A China foi o principal fornecedor do Brasil de bens da indústria de transformação, com participação de 27%, seguida por EUA (16%) e Alemanha (5,5%).

•  A compra bilionária de uma plataforma de petróleo em fevereiro manteve o equipamento no topo da pauta de importações do Brasil com origem na China. A aquisição chegou a US$ 2,66 bilhões.

•  As importações de produtos farmacêuticos chineses pelo Brasil cresceram 39% em 2025, somando pouco mais de US$ 1 bilhão. Medicamentos contendo insulina lideraram a pauta, com aumento de 64 vezes no valor das compras, que chegaram a US$ 135 milhões. Entre 2024 e 2025, a China subiu do sétimo para o quarto lugar entre os principais fornecedores de fármacos do Brasil, com participação de 6,3%. O país ficou atrás apenas dos EUA (18%), Alemanha (14%) e Suíça (7%).

•  As importações de carros híbridos chineses em 2025 chegaram a US$ 1,87 bilhão — 25% a mais do que no ano anterior, sendo o segundo produto mais importado da China. Em sentido oposto, as importações de carros totalmente elétricos caíram 37%, despencando do terceiro para o 11.º lugar na pauta de importações vindas do país asiático.

(*) Com informações do CEBC

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Estudo da LLYC destaca oportunidades criadas pelo Acordo União Europeia-Mercosul para empresas dos dois blocos

O acordo abre um mercado de 780 milhões de pessoas, que reúne 25% do PIB mundial

  • Até 90% das tarifas bilaterais serão eliminadas ou reduzidas: as empresas europeias poderão economizar cerca de 4 bilhões de euros por ano
  • As previsões indicam que as relações comerciais entre os dois blocos podem crescer quase 40%
  • As empresas terão grandes oportunidades, mas precisarão se adaptar aos desafios trazidos pelo acordo

Da Redação (*)

Brasília – O acordo de associação entre a União Europeia e o Mercosul inaugura uma etapa histórica para a integração entre os dois blocos. A aliança, que reúne 25% do PIB mundial, abre um mercado de 780 milhões de pessoas e promete transformar as relações birregionais. Ainda assim, sua implementação final enfrenta um cenário complexo de ratificação e adaptação técnica.

Essa avaliação consta do relatório “Entre a abertura e a competitividade: perspectivas comerciais do Acordo UE–Mercosul”, elaborado pela LLYC, analisa o contexto político e jurídico, as oportunidades e os riscos que esse marco representa para as empresas dos dois lados do Atlântico, além das adaptações necessárias para aproveitar todo o seu potencial.

As previsões indicam que o acordo implicará um aumento do comércio entre as duas regiões próximo de 40%. Atualmente, o intercâmbio entre a UE e o Mercosul já é relevante. Em 2024, as transações de bens entre os dois blocos superaram 111 bilhões de euros. As exportações da UE para o Mercosul alcançaram 55,2 bilhões de euros, enquanto as importações somaram 56 bilhões de euros. A Europa compra produtos agrícolas (42,7%), minerais (30,5%) e celulose/papel (6,8%). Já suas exportações concentram-se em máquinas e equipamentos (28,1%), produtos químicos e farmacêuticos (25%) e equipamentos de transporte (12,1%).

Oportunidades: liberalização massiva e segurança estratégica

O relatório destaca que o acordo eliminará ou reduzirá mais de 90% das tarifas bilaterais, gerando benefícios tangíveis para diversos setores em ambos os lados do Atlântico:

  • Para o Mercosul: acesso preferencial para sua agroindústria (carne, soja, cereais) e para minerais críticos, reduzindo a defasagem competitiva frente a mercados que já possuem acordos com a UE.
  • Para a UE: as empresas europeias poderão economizar até 4 bilhões de euros por ano em tarifas aduaneiras. Os setores mais beneficiados são automotivo, máquinas, produtos químicos e farmacêuticos.
  • Investimento e Estabilidade: o acordo oferece um marco regulatório mais previsível em propriedade intelectual e compras públicas. Estima-se que os fluxos de Investimento Estrangeiro Direto (IED) europeu na região possam dobrar após sua entrada em vigor.

Riscos e desafios: sustentabilidade e pressão competitiva

Apesar do potencial econômico, o documento identifica gargalos e riscos relevantes que podem impactar o sucesso do tratado:

  • Exigências ambientais e de conformidade: as empresas do Mercosul terão de se adaptar a padrões europeus extremamente rigorosos em temas como desmatamento, rastreabilidade e direitos trabalhistas, exigindo investimentos adicionais e mudanças profundas nos modelos produtivos.
  • Pressão sobre setores sensíveis: a abertura tarifária ampliará a concorrência para as indústrias manufatureiras do Mercosul (têxtil, calçados, metalmecânica) frente a produtos europeus de menor custo. Na Europa, o acordo aumenta a pressão sobre o setor agroalimentar com a entrada de produtos como carne, cereais e leguminosas, como a soja.
  • Incertezas na ratificação: na Europa, a oposição de países como França, Polônia e Áustria — impulsionada pelo receio de impactos em seus setores agrícolas — mantém dúvidas sobre a ratificação plena do acordo de associação.

Para evitar atrasos, foi proposta a adoção de um Acordo Interino (iTA), que permitiria aplicar imediatamente a parte comercial a partir de 2026, após aprovação do Parlamento Europeu e ratificação pelos países do Mercosul. No entanto, o relatório alerta que, no Mercosul, a ausência de uma institucionalidade supranacional exige que cada Estado ratifique individualmente o acordo, e a rejeição por apenas um membro pode impedir sua entrada em vigor para todo o bloco.

Recomendações para as empresas: o que fazer?

Para aproveitar as oportunidades do acordo UE–Mercosul, as empresas devem se adaptar ao novo cenário e considerar os seguintes passos:

  • Monitoramento do ambiente: é fundamental acompanhar de forma contínua as dinâmicas legislativas, os prazos de ratificação e as mudanças regulatórias em ambos os blocos para antecipar possíveis oscilações na entrada em vigor do acordo.
  • Análise competitiva: identificar setores com potencial de crescimento, novos nichos de mercado e possíveis alianças estratégicas que surjam do novo panorama comercial.
  • Adequação normativa e operacional: ajustar processos produtivos e logísticos para cumprir rigorosamente os padrões ambientais, sanitários e de rastreabilidade, incluindo certificações exigidas em ambos os mercados.
  • Modernização e sustentabilidade: planejar investimentos em tecnologia e integrar a sustentabilidade como eixo central, explorando opções de financiamento verde.
  • Estratégia de mercado: adaptar a proposta de valor às particularidades culturais de cada região e construir uma reputação sólida baseada em qualidade e conformidade para gerar demanda sustentável.

“O sucesso do acordo não será definido apenas nos Parlamentos, mas na resposta estratégica dos atores econômicos para transformar essa abertura em investimento e inovação”, afirma Marcelo Chubaci, Diretor Associado de Assuntos Públicos na LLYC.
Em síntese, para as empresas dos dois lados do Atlântico, o acordo representa uma oportunidade histórica de acesso preferencial a grandes mercados comerciais e de investimento, em um ambiente de regras mais claras e estáveis, porém exigente e sofisticado. Ao mesmo tempo, impõe uma agenda de adaptação profunda: competitividade industrial, sustentabilidade, rastreabilidade, logística e certificações serão variáveis críticas do novo contexto comercial. Isso exigirá uma estratégia proativa de adaptação e inovação para que todo o potencial do novo marco comercial seja plenamente aproveitado.

(*) Com informações da LLYC

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Abicalçados comemora Acordo Mercosul-União Europeia e prevê abertura de  oportunidades para o calçado brasileiro

 

Da Redação (*)

Brasília -Na semana passada, os países da União Europeia (UE) aprovaram provisoriamente, o acordo comercial com o Mercosul, quando a maioria dos 27 países do bloco europeu votou favorável ao texto em reunião realizada em Bruxelas. O próximo passo deve acontecer no próximo dia 17 de janeiro, no Paraguai, quando acontece a assinatura entre os dois blocos. Após a assinatura, o acordo segue para internalização e ratificação das partes.

Para a indústria calçadista brasileira, o acordo é motivo de celebração, pois estabelece uma estrutura estratégica em tempos de instabilidade na política internacional. “O acordo entre os blocos é um sinal em direção à cooperação internacional, sendo benéfico ao setor calçadista brasileiro”, avalia o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira. Ele destaca, ainda, que é esperado que o acordo fortaleça as cadeias de suprimentos, eleve o valor agregado e produza efeitos positivos sobre a indústria calçadista brasileira.

“Os calçados de couro, que respondem por 45% dos valores exportados pelo Brasil à União Europeia, devem alcançar a eliminação tarifária total em até sete anos. Além disso, o acordo comercial deve contribuir para uma maior diversificação da pauta exportadora brasileira, abrindo maior espaço nos demais segmentos, como calçados têxteis e sintéticos, cuja tarifa é de 17% nos países da União Europeia”, comenta.

Aumento das exportações

O estudo de impacto do acordo Mercosul – União Europeia publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estima um efeito positivo no segmento de calçados e artefatos de couro. Segundo a estimativa, em 15 anos, o acordo deve elevar em mais de 62% as exportações de calçados para a União Europeia. Já na produção, o impacto positivo pode ser de 3,2% nesse mesmo período – o maior ganho entre os setores da indústria de transformação.

“Resumindo, o acordo comercial tende a elevar a inserção e competitividade dos calçados brasileiros no mercado europeu, hoje marcado, além do comércio intra-UE, por forte presença asiática – que representa mais de 50% dos valores importados – e por acordos já vigentes, como o firmado com o Vietnã em 2020”, prevê Ferreira.

Regras de origem

A Abicalçados ressalta que, durante os debates, foi levantado o risco de a União Europeia vir a ser utilizada como plataforma para exportações de produtores extra-bloco (triangulação), especialmente países asiáticos, que poderiam buscar aproveitar o benefício tarifário do acordo.

Para mitigar esse risco e, ao mesmo tempo, criar oportunidades às exportações brasileiras, foram pactuadas regras de origem que visam coibir a triangulação e estimular o uso do conteúdo regional. De forma simplificada, para calçados de menor valor, exige-se conteúdo regional mínimo de 60% (somando insumos nacionais e custos produtivos na área do acordo), sendo vedada a utilização de cabedais importados de países não participantes.

Mercado

O bloco europeu importou, em 2024, 3,2 bilhões de pares que geraram US$ 63,7 bilhões, sendo responsável por pouco mais de 40% das importações mundiais de calçados (ITC). As exportações brasileiras para o bloco registraram, em 2025, mais de 17,4 milhões de pares e US$ 105,2 milhões, incrementos tanto em pares (+5,2%) quanto em receita (+0,1%) em relação a 2024.

Desgravação em dez anos

A eliminação gradativa das tarifas sobre calçados importados pela União Europeia, após a entrada em vigor do acordo, ocorrerá em até dez anos, dependendo da linha tarifária de cada produto. Atualmente, a tarifa de importação de calçados na União Europeia situa-se entre 3,5% e 17%, a depender do produto. A desgravação tarifária e as decorrentes vantagens competitivas para o Brasil, contudo, começam já no momento em que o acordo entra em vigor e se ampliam de forma progressiva.

 

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BLTA anuncia participação em eventos de promoção da hospitalidade de excelência do Brasil

Da Redação (*)

Brasília – Desde a sua criação, em 2008, a Brazilian Luxury Travel Association tem atuado, institucionalmente, na promoção da hospitalidade brasileira de excelência tanto no país quanto no exterior, participando dos principais eventos do setor ao redor do mundo. E já está com a agenda definida de encontros com os principais players dos mercados nacional e internacional neste primeiro semestre.

De acordo com a CEO da associação, Camilla Barretto, é fundamental dar continuidade à divulgação dos atributos da indústria nacional de hospitalidade. “Para dar seguimento ao trabalho de promoção internacional e brasileira, a BLTA segue colaborando, apresentando o que há de melhor e de mais autêntico para que o número de turistas internacionais, que bateu recordes em 2025, prossiga crescendo”, afirma.

Entre os principais eventos dos quais os associados da BLTA irão participar, destacam-se: Remotes Goes to Brazil, em São Paulo, e Roadshow Nacional para agentes convidados em Brasília e Goiânia, em março; o 4º Encontro BLTA de ESG no Unique Garden e o Emotions Buenos Aires, em abril; ILTM Latin America, em São Paulo, e o Remote Immersion Panamá, em maio. Camilla também antecipa que ainda há uma série de outros eventos que estão em negociação e serão anunciados assim que confirmados.

Novos associados

Ainda neste mês de janeiro a CEO da BLTA viajará ao Nordeste para conhecer, in loco, hotéis que almejam ser incluídos no portfólio da BLTA. Nesse sentido, ela afirma que a associação, hoje com 66 hotéis, resorts e pousadas em seu portfólio, segue investigando novas propriedades e está atenta à evolução do mercado, analisando a candidatura de novos associados por meio de uma avaliação criteriosa que sofreu uma grande evolução em 2025, com a obrigatoriedade de atender aos critérios da metodologia do Cliente Oculto.

A BLTA, além de fazer uma análise criteriosa de documentação formal que inclui, mas não se limita a referências, comprovações de participação em eventos internacionais, práticas e certificações em sustentabilidade, exige que os candidatos passem por uma avaliação que analisa mais de 250 itens da jornada do cliente, realizada por um cliente oculto especialista da On You Cliente Oculto.

Esta empresa, especializada nesta modalidade de análise, além de fazer a avaliação de novos candidatos que desejam contar com a chancela BLTA, a partir deste ano avaliará todos os hotéis associados, para garantir que a qualidade do serviço e da experiência se mantenha nos mais altos índices. Quanto aos DMC’s, o processo não exige a avaliação de um cliente oculto, mas preserva todos os critérios de documentação mencionados. “Nosso objetivo é garantir que a BLTA não apenas reúna, mas que continue incrementando a qualidade das melhores opções de hospedagem e experiências no Brasil”, finaliza Camilla.

(*) Com informações da BLTA

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