Internacionalização: acordos comerciais abrem portas, mas empresas brasileiras estão preparadas para atravessá-las?

Da Redação

Brasília – Os acordos comerciais envolvendo o Mercosul e parceiros como União Europeia, Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura estão ampliando as oportunidades para empresas brasileiras conquistarem mercados internacionais. Entretanto, a redução de tarifas e a criação de condições comerciais mais favoráveis não garantem, por si só, o crescimento das exportações.

Para Cristiane Fais, CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional e coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior do CIESP na região de Ribeirão Preto e Franca, o principal desafio é transformar essas oportunidades em negócios concretos.

“Um acordo comercial pode abrir as portas de um mercado, mas não significa que os compradores internacionais estarão esperando pelos produtos brasileiros. É preciso planejamento, prospecção e conhecimento das exigências de cada país. A oportunidade é criada pelos acordos, mas o negócio precisa ser conquistado pelas empresas”, explica.

Segundo a especialista, que também é a nova embaixadora do Mulheres no Comex (MoC) no interior de São Paulo, além da redução de tarifas, os exportadores precisam considerar fatores como formação de preços, câmbio, logística, certificações e regras de origem, que determinam se uma mercadoria pode usufruir dos benefícios previstos nos acordos.

Acordos abrem novas perspectivas para PMEs

“Uma empresa pode ter acesso a tarifas reduzidas e, ainda assim, não conseguir vender. Se o preço não for competitivo, se o frete for elevado ou se o produto não atender às exigências do comprador, a vantagem comercial pode desaparecer”, alerta.

Cristiane destaca que os novos acordos também representam oportunidades para pequenas e médias empresas, desde que estejam preparadas para atuar internacionalmente.

“Exportar não é uma atividade exclusiva das grandes empresas. Pequenos negócios também podem conquistar mercados, mas precisam conhecer seus custos, identificar compradores e estruturar suas operações. Não basta ter um bom produto, é necessário saber como vendê-lo internacionalmente”, afirma.

A logística é outro fator decisivo. Atrasos nos embarques, custos de transporte e problemas documentais podem comprometer a rentabilidade e a confiança dos clientes estrangeiros, mesmo diante de condições tarifárias favoráveis.

Para a CEO da Accrom, o avanço dos acordos comerciais deve servir de estímulo para que as empresas brasileiras comecem a se preparar desde já.

“O Brasil tem capacidade produtiva e produtos competitivos. Mas precisamos transformar essas vantagens em negócios. Os acordos comerciais representam conquistas importantes, porém o verdadeiro resultado será medido pela capacidade das nossas empresas de aproveitar essas oportunidades, gerar empregos e ampliar sua presença no mercado internacional”, conclui Cristiane Fais.

 

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Importação de relógios cresce 42% no Brasil em 2026 e Suíça domina mercado com participação de 56%

Brasil importou US$ 103,7 milhões em relógios de pulso entre janeiro e agosto de 2026, avanço de 41,9% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Comex Stat. A Suíça, conhecida por suas marcas de luxo, respondeu por 56% desse valor e movimentou US$ 58,5 milhões. Por trás de peças pequenas e de alto valor agregado está uma operação que exige segurança, rastreabilidade e agilidade dos agentes de carga envolvidos. Especialistas explicam os bastidores dessas operações de comércio exterior.

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil aumentou em 41,9% o valor gasto com a importação de relógios de pulso nos primeiros oito meses de 2026. Foram US$ 103,7 milhões entre janeiro e agosto, contra US$ 73,1 milhões no mesmo período de 2025, segundo dados do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A Suíça, que concentra algumas das principais grifes globais, lidera esse mercado com ampla vantagem: respondeu por US$ 58,5 milhões, ou 56,4% de todo o valor importado. Entre os automáticos, segmento que inclui modelos de luxo e movimentou US$ 38,5 milhões no período, alta de 33,7% em um ano, a participação suíça chegou a 89%.

A alta movimenta uma cadeia logística com características pouco usuais no comércio exterior. Diferentemente de operações em que toneladas e metros cúbicos determinam a complexidade do transporte, relógios de alto padrão podem concentrar milhões de reais em poucos quilos e volumes. A Cronos Logistics, um dos 50 maiores agentes de carga do Brasil, que atua na importação de relógios de luxo suíços, movimentou em média US$ 2,5 milhões (aproximadamente R$ 11,5 milhões) nos processos realizados nos últimos anos. Essas operações geralmente envolvem transporte aéreo e levam, em média, um dia entre a origem e o destino.

Eficiência nas operações de comércio exterior

“Quando se transporta uma mercadoria que concentra um valor muito alto, a lógica da operação muda. Segurança, rastreabilidade e cumprimento dos prazos ganham ainda mais peso, porque qualquer atraso ou falha pode representar uma exposição financeira relevante. É um trabalho que começa muito antes do embarque, com planejamento da rota, avaliação dos pontos críticos e acompanhamento da carga até a entrega”, afirma Matheus F. Bernardes, CEO da Cronos Logistics. Segundo ele, um único relógio de luxo pode ultrapassar os R$ 100 mil.

Para Fábio Rengel, COO da Cronos Logistics, cargas de alto valor também mostram como a eficiência no comércio exterior depende cada vez mais da capacidade de adaptar a operação ao perfil de cada mercadoria. “Não existe uma única lógica para transportar cargas internacionais. Uma mercadoria pode ocupar poucos volumes e, ainda assim, exigir uma operação altamente controlada. Nesse tipo de embarque, é preciso coordenar transporte, seguro, documentação, desembaraço aduaneiro e entrega para reduzir o tempo de exposição e manter a previsibilidade em todas as etapas”, explica.

Com escritórios em seis estados brasileiros e nos Estados Unidos, a Cronos atua na gestão de cargas internacionais e acompanha operações com diferentes níveis de complexidade. No segmento de relógios de alto padrão, a carga é rastreada em tempo real, com acompanhamento 24h, desde a coleta na origem até a entrega no Brasil, além de seguro compatível com o valor das mercadorias e coordenação antecipada da documentação aduaneira. O objetivo é reduzir conexões e o tempo de permanência da carga em terminais.

(*) Com informações da Cronos Logistics

 

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Brasil exporta tecnologia mas esbarra na conta da expansão, aponta especialista

De equipes comerciais a data centers, crescer fora exige recursos para conquistar clientes e continuar atendendo após o primeiro contrato

Da Redação

Brasília – Em estudo divulgado em setembro, a Softex informou que 108 das 353 empresas atendidas pelo programa Brasil IT + realizaram entre 2024 e 2026 exportações totais de US$1,18 bilhão. O levantamento registra vendas ao exterior, mas não indica quantas dessas companhias estabeleceram operações permanentes em outros países.

Segundo Henrique Reis, CEO da Wascer, plataforma de infraestrutura para coleta de dados e rastreamento server side, a primeira venda costuma trazer exigências que não aparecem enquanto o produto é desenvolvido apenas para o Brasil. O comprador estrangeiro pode precisar de ajustes técnicos, atendimento em outros horários e condições contratuais diferentes. “É nesse momento que a empresa descobre se está preparada para atuar fora ou se conseguiu fechar uma negociação isolada”, afirma.

A expansão começa antes do contrato

Decidir para onde ir exige conhecer os potenciais compradores e os concorrentes locais. Um produto que funciona no Brasil pode precisar de outra forma de apresentação, preço e suporte para ser adotado em um novo país. Na missão ao Chile e à Colômbia, promovida recentemente pela ApexBrasil, a programação incluiu preparação sobre os mercados, visitas técnicas e reuniões com possíveis parceiros. 

O custo dessa preparação chega antes das receitas recorrentes. Empresas precisam investir em pessoas capazes de vender, implantar a solução e acompanhar o cliente depois da assinatura. Para Reis, captar recursos ajuda a bancar essa estrutura, mas não resolve uma expansão sem prioridades definidas. “Entrar em vários países ao mesmo tempo pode parecer crescimento. Se a equipe não consegue atender bem os primeiros clientes, a empresa perde força antes de consolidar a operação”, ressalta.

O custo da tecnologia também pesa. Sócio do primeiro data center do Sul de Minas Gerais, instalado em Varginha, o executivo acompanha de perto as exigências de infraestrutura dos serviços digitais. No estudo TICs 2026, o Observatório Softex identificou o custo da tecnologia, citado por 78,6%, e a escassez de profissionais, mencionada por 54,2%, entre as barreiras à inovação no setor. Os dados não medem obstáculos à exportação, mas ajudam a mostrar as pressões enfrentadas por empresas que precisam desenvolver e manter seus produtos. 

De fornecedora a empresa internacional

Nem toda companhia que vende software ao exterior precisa manter uma unidade física no país do cliente. A necessidade de uma estrutura local depende do tipo de serviço, dos contratos e do suporte exigido. Da mesma forma, a demanda por processamento de dados pode influenciar onde uma operação será hospedada e como garantirá sua disponibilidade. Data centers entram nessa discussão para negócios que dependem dessa infraestrutura, sem serem uma condição para toda exportação de tecnologia.

Conhecer cada destino reduz o risco de reproduzir uma estratégia que deu certo apenas no mercado brasileiro. Em 2026, o programa Brasil IT + lançou um guia para empresas interessadas na Espanha, com informações sobre regras, possíveis parceiros e barreiras de entrada. A iniciativa reforça a necessidade de estudar o mercado antes de comprometer recursos com a expansão. 

Na avaliação de Reis, o teste decisivo vem depois da novidade da primeira negociação. “Para crescer no exterior, a empresa precisa entender o problema do cliente, entregar o que prometeu e continuar presente quando ele precisar. É essa sequência que transforma uma venda em um negócio duradouro”, aponta.

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Empresas brasileiras aumentam investimentos no Paraguai; especialista mostra o que esperar com Flávio ou Lula

Apesar das diferenças entre as propostas econômicas dos candidatos, vantagens tributárias, trabalhistas e energéticas do país vizinho devem continuar atraindo investimentos. Para fundadora da Frontexa, integração produtiva pode ajudar empresas brasileiras a enfrentar a concorrência chinesa e fortalecer o Mercosul

Da Redação

Brasília – A combinação de incentivos fiscais, mão de obra e energia mais baratas, além de menos burocracia, tem levado empresas brasileiras a expandir suas operações para o Paraguai. O movimento reflete uma estratégia de busca de maior competitividade, favorecida também pela participação do país vizinho no Mercosul, que oferece vantagens comerciais para empresas que têm o Brasil como principal mercado consumidor. Para Suelen Raizer, fundadora da Frontexa, essa expansão deve continuar independentemente de quem vencer a disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Embora os dois candidatos apresentem propostas econômicas distintas, a especialista avalia como pouco provável que até mesmo uma redução de impostos e custos de produção no Brasil elimine as vantagens competitivas oferecidas pelo Paraguai e os benefícios de expandir a produção para o país vizinho.

O avanço das indústrias brasileiras no Paraguai também ganhou espaço no debate político e nas redes sociais, frequentemente associado a críticas à política econômica do governo Lula. Algumas publicações chegaram a atribuir ao atual governo a saída de centenas de empresas do Brasil, embora verificações independentes tenham mostrado que os números incluem operações instaladas no Paraguai ao longo de diferentes governos, muitas delas sem o fechamento de fábricas brasileiras.

Para Suelen, o Paraguai não deve ser visto como um problema, mas como uma oportunidade para fortalecer o Mercosul e ajudar as empresas brasileiras a enfrentar a concorrência chinesa e competir em outros mercados.

“É menos uma história de substituição de um país pelo outro e mais de reorganização das cadeias produtivas e expansão produtiva”, afirma a especialista, citando como exemplo a Lupo, que inaugurou uma fábrica em Ciudad del Este, no ano passado, mas não fechou nenhuma unidade no Brasil.

Produto fica até 60% mais barato se feito no Paraguai

Suelen explica que a economia no custo operacional ao produzir no Paraguai fica, em média, entre 17% e 27%, mas que, em determinados projetos, o preço final chega a ser 60% menor. Entre os setores que têm ampliado atividades no país estão o têxtil, o alimentício, o de plásticos e o de autopeças.

Um dos grandes atrativos é a Lei de Maquila, criada para atrair indústrias voltadas à exportação e à geração de empregos. O regime permite importar insumos e maquinário com suspensão de tributos, além de prever tributação específica de 1% sobre a operação, conforme as regras aplicáveis.

Segundo a Câmara de Empresas Maquiladoras do Paraguai (Cemap), o país possui 339 maquiladoras e aproximadamente 70% do capital instalado no regime é de origem brasileira. Entre janeiro e agosto deste ano, as exportações pelo regime cresceram 26% na comparação com o mesmo período de 2025.

Com o impulso da indústria, o Paraguai tem vivido um “boom” econômico e registrado um crescimento econômico bem acima do Brasil e dos outros países da região. O Banco Mundial elevou para 4,7% a previsão de avanço do PIB (Produto Interno Bruto) do Paraguai em 2026, enquanto projeta que a economia brasileira deve avançar 2,1% no mesmo período.

O que pode mudar com Lula ou Flávio Bolsonaro

Uma pesquisa do FGV Ibre, divulgada em outubro, mostra que 54,2% das empresas brasileiras consultadas apontam a tributação como principal prioridade a ser enfrentada pelo próximo governo. O levantamento evidencia que a competitividade empresarial permanece no centro das preocupações do setor produtivo.

A redução dos custos de produção está entre os temas que diferenciam as propostas econômicas dos candidatos à Presidência.

No plano econômico apresentado por Flávio Bolsonaro, estão previstas medidas como a revisão da reforma tributária, a redução da carga sobre produção e consumo, a diminuição de encargos sobre a energia e iniciativas para reduzir custos trabalhistas e regulatórios.

Já Lula defende a continuidade da Nova Indústria Brasil, política de reindustrialização baseada em financiamento, inovação e modernização produtiva, além de investimentos em infraestrutura e ganhos de produtividade com a consolidação da reforma tributária do consumo.

Raizer avalia que a atratividade da transferência de parte da produção da indústria brasileira para o país vizinho continuará independentemente do resultado das eleições.

“Uma indústria não decide onde produzir apenas olhando quem ocupa a Presidência. Ela compara custos, produtividade, segurança jurídica, logística e acesso a mercados. A política econômica brasileira pode mudar, mas as decisões de investimento precisam considerar condições estruturais e horizontes de longo prazo”, diz a especialista, acrescentando que a decisão de investir no país não é baseada apenas em impostos, mas envolve também mão de obra, logística, custos operacionais e acesso a mercados. 

Principais diferenças nas propostas de Lula e Flávio

Importante destacar que o movimento de instalação de empresas brasileiras no Paraguai vem desde o início dos anos 2000 e que, além da parceria comercial, Brasil e Paraguai compartilham outros interesses estratégicos como o tratado da usina hidrelétrica de Itaipu, Mercosul e segurança de fronteira.

“Mesmo que o Brasil reduza sua carga tributária, isso não significa que a equação econômica das indústrias será imediatamente alterada. A competitividade não depende de uma única variável. Enquanto houver vantagens econômicas relevantes na integração das duas estruturas produtivas, o Paraguai continuará sendo considerado nas estratégias de expansão”, diz.

Enquanto o Brasil discute os rumos de sua política tributária e industrial para o próximo mandato, o Paraguai já promoveu uma atualização de seu regime de maquila. A legislação de 2025 manteve incentivos relevantes às operações de exportação e estabeleceu regras específicas para a tributação das atividades enquadradas.

“Nossa leitura é que 2026–2030 pode representar uma das janelas mais relevantes desse processo, antes de uma fase de maior consolidação industrial”, diz.

Parceria com Paraguai ajuda a enfrentar concorrência da China

Segundo Raizer, as indústrias brasileira e paraguaia podem atuar de forma complementar para fortalecer o Mercosul, aumentar a competitividade e reduzir a dependência da Ásia, sobretudo de fornecedores chineses.

“O maior risco para a indústria brasileira não é a produção no Paraguai. É perder competitividade e assistir ao mercado ser ocupado por produtos importados. Em vez de disputar onde uma fábrica deve estar, deveríamos discutir como tornar a indústria sul-americana capaz de competir com as grandes potências industriais”, afirma.

Segundo a fundadora da Frontexa, a melhor estratégia é combinar as capacidades dos países: manter no Brasil atividades e empregos que dependam de competências e mão de obra mais qualificada e realizar no Paraguai as etapas que se beneficiem de custos ou condições locais.

Ela destaca também os ganhos potenciais da futura Rota Bioceânica, prevista para 2028 e que ligará o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. “Quando ela estiver plenamente operacional, poderá encurtar em até 17 dias o transporte de insumos vindos da China, reduzindo os custos logísticos da produção e exportação do Mercosul”, afirma.

Na avaliação da especialista, a discussão sobre competitividade industrial precisa ir além da tentativa de impedir que empresas brasileiras invistam no exterior. “Paraguai e Brasil podem trabalhar juntos, e os dois tendem a ganhar. Não é uma questão partidária, é oportunidade para as marcas brasileiras ganharem competitividade. A gente só tende a ganhar crescendo os nossos vizinhos”, conclui.

 

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Comércio Brasil–Canadá dispara e atinge recorde histórico em 9 meses de 2026

Saldo positivo de US$ 3 bilhões reflete exportações brasileiras de US$ 5,7 bilhões e importações de US$ 2,7 bilhões; corrente de comércio cresceu 13% em relação ao mesmo período de 2025

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras ao Canadá bateram recorde histórico entre janeiro e setembro de 2026. As vendas somaram US$ 5,69 bilhões, alta de 12,1% em relação ao mesmo período de 2025, que, até então, já detinham a maior marca da série. As importações de produtos canadenses também cresceram 14,9%, sinal de que o comércio bilateral entre os países segue aquecido. Os dados são do Quick Trade Facts (QTF), levantamento trimestral da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).

O valor das exportações supera em US$ 614 milhões o recorde anterior, de 2025, quando estas somaram US$ 5,08 bilhões, e confirma trajetória de alta. Isso significa que em dois anos, as vendas brasileiras ao mercado canadense cresceram cerca de 28%. Nas importações, o ritmo de crescimento também merece destaque. As compras mais que dobraram em relação a janeiro e setembro do ano passado, quando a alta já havia sido de 7%.

A corrente de comércio entre Brasil e Canadá movimentou US$ 8,41 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. As importações brasileiras de produtos canadenses alcançaram US$ 2,72 bilhões. Com isso, o Brasil manteve saldo comercial positivo de US$ 2,97 bilhões no intercâmbio bilateral.

Este último estudo da CCBC aponta também que o ouro bruto continuou como principal destaque das vendas brasileiras ao mercado canadense. As exportações de bulhão dourado alcançaram US$ 3,06 bilhões no acumulado até setembro, crescimento de 47% em relação a 2025. O produto respondeu por 53,8% de toda a pauta exportadora brasileira para o Canadá, ante 41,1% um ano antes, em um cenário internacional marcado por incertezas econômicas e geopolíticas e pela procura por ativos considerados seguros.

“O desempenho do comércio entre Brasil e Canadá evidencia a relevância da parceria bilateral em um cenário internacional de incertezas. Ao mesmo tempo que a demanda por ouro impulsiona as exportações brasileiras, a expansão das compras de fertilizantes e de outros produtos canadenses demonstra a complementaridade entre as duas economias e as oportunidades para aprofundar essa relação”, afirma Hilton Nascimento, diretor-presidente da CCBC.

Carne bovina se destaca nas exportações brasileiras

Além do ouro, o crescimento das vendas de carne bovina, máquinas carregadoras e querosene de aviação contribuiu para o resultado das exportações brasileiras. A carne bovina desossada e congelada registrou o avanço mais expressivo entre os principais produtos da pauta, com alta de 828% em relação ao mesmo período de 2025, para US$ 76,5 milhões. O dado é ainda mais relevante porque as vendas brasileiras de carne bovina para a China, grande compradora do produto recuou em 2026, e o Canadá esteve entre os países que ampliaram significativamente as compras, o que ajudou a compensar parcialmente a menor demanda chinesa.

O desempenho contrasta com a retração de produtos tradicionalmente relevantes no comércio bilateral. As exportações de alumina calcinada recuaram 28%, para US$ 858,8 milhões, enquanto as vendas de açúcar de cana diminuíram 25%, para US$ 251,5 milhões. O café verde apresentou queda de 20% e somou US$ 172,8 milhões.

A expansão de outros itens ajudou a compensar parte dessas retrações. As vendas de máquinas carregadoras cresceram 80%, para US$ 55,8 milhões, e as de querosene de aviação avançaram 83% e chegaram a US$ 39,4 milhões. O resultado também foi acompanhado pelo aumento das exportações de equipamentos industriais, como partes de turborreatores e centros de usinagem.

Fertilizantes lideram importações brasileiras

Nas importações brasileiras provenientes do Canadá, os fertilizantes mantiveram a posição de destaque. As compras de cloreto de potássio somaram US$ 1,41 bilhão até setembro, crescimento de 14,5% em comparação com o mesmo período de 2025. O produto respondeu por 51,9% do valor total importado pelo Brasil do mercado canadense.

Segundo a análise da CCBC, a continuidade das disrupções nas cadeias globais de fertilizantes pode favorecer fornecedores com grande capacidade produtiva e menor dependência de insumos externos, como o Canadá. Além dos fertilizantes, o Brasil ampliou as compras de turborreatores, helicópteros, medicamentos, hulha betuminosa e máquinas agrícolas, o que reflete a presença de produtos industriais, químicos e aeronáuticos na pauta importadora.

As importações de turborreatores de empuxo superior a 25 kN cresceram 61,4%, para US$ 195,4 milhões, enquanto as compras de helicópteros de até 2.000 kg avançaram 83% e alcançaram US$ 68,3 milhões. No setor farmacêutico, as importações de uma das principais categorias de medicamentos registraram alta de 35,7%, para US$ 63 milhões.

Outro fator que pode contribuir para o avanço das compras brasileiras é o comportamento cambial. A valorização do real frente ao dólar e ao dólar canadense ao longo de 2026 amplia o poder de compra brasileiro e tende a tornar os produtos importados mais competitivos no mercado nacional.

(*) Com informações da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC)

 

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eComex realiza webinar sobre auditoria de documentos de Comex com inteligência artificial

Da Redação (*)

Brasília – A eComex realiza, no dia 21 de outubro, às 11h, o webinar gratuito “Descubra como auditar 100% dos seus documentos de Comex em minutos com IA”. O encontro será conduzido por André Barros, CEO da eComex e D2P, e Thulio Pereira, CPO da D2P.

O evento vai mostrar, na prática, como a inteligência artificial pode automatizar a auditoria documental no Comércio Exterior, cruzando informações entre documentos, aplicando regras de negócio e verificando a conformidade com a legislação.

O encontro também abordará os desafios da conferência manual, que demanda tempo e pode limitar a análise a uma amostragem dos processos.

Com a automação, as empresas podem identificar divergências com mais agilidade, reduzir retrabalho e prevenir problemas que podem resultar em atrasos, multas e custos adicionais.

Gratuito e online, o webinar é voltado a profissionais e empresas que buscam mais eficiência, controle e conformidade em suas operações de comércio exterior.

Clique aqui e se inscreva

(*) Com informações da eComex

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Comprar ou alugar um contêiner no Brasil: como comparar o custo total

A decisão de comprar ou alugar um contêiner reúne necessidades de suprimentos e de logística. Para empresas que precisam de espaço de apoio, armazenamento de equipamentos ou uma unidade para um projeto específico, o valor anunciado é apenas um dos critérios. A proposta também precisa esclarecer o estado do equipamento, a origem do transporte e o que será entregue no endereço de destino.

Comece pela necessidade da operação

Antes de solicitar preços, registre a finalidade do contêiner, o período previsto de uso e os itens que precisam caber nele. Defina formato, altura, tipo de abertura, quantidade e condição desejada. Um equipamento para apoio a uma operação industrial pode ter exigências diferentes de uma unidade destinada ao transporte de mercadorias.

O CompareContainer reúne guias e informações públicas de fornecedores para ajudar a preparar essa pesquisa no mercado brasileiro. O serviço permite descrever um projeto de compra ou locação e solicitar orçamento com transporte e descarga, sujeito à confirmação dos profissionais consultados.

Ao avaliar o espaço interno, considere também embalagens, equipamentos de movimentação, prateleiras e corredores de acesso. Para unidades adaptadas, detalhe os serviços necessários e confirme as dimensões úteis depois da instalação dos componentes. A identificação do formato, por si só, não descreve todo o projeto.

Verifique a unidade que está sendo oferecida

As descrições “usado”, “de primeira viagem” e “reformado” não são suficientes para decidir uma compra. Peça fotografias atuais e informações sobre portas, vedação, piso, teto, corrosão e reparos. Quando a oferta envolver uma unidade ainda a ser selecionada, esclareça os critérios de fornecimento e as condições de aceitação.

Se o equipamento for vendido no estado em que se encontra, registre os defeitos conhecidos e peça uma avaliação dos trabalhos necessários para o uso pretendido. Uma pintura recente não substitui a análise da estrutura e das partes que influenciam a operação.

No comércio exterior, o uso de um contêiner próprio exige uma verificação específica com o armador. Confirme a documentação, a identificação, a condição da unidade e os requisitos de aceitação antes de contratar o embarque. A escolha de um equipamento para armazenamento não equivale à aprovação para transporte internacional; as condições do serviço marítimo também precisam ser acordadas.

Compare propostas para o mesmo endereço e escopo

Para comparar opções de contêineres no Brasil, forneça aos profissionais a mesma descrição do projeto e o CEP de entrega. Informe o endereço final, o acesso ao local e a posição prevista para a unidade. Assim, as dúvidas sobre transporte e descarga podem ser tratadas durante a preparação do orçamento.

Solicite valores discriminados em reais para o contêiner, os tributos aplicáveis, o frete, o descarregamento e o posicionamento. Adaptações e preparação do local também devem ter seu escopo definido. Identifique quais etapas estão incluídas, quais dependem de terceiros e quais ainda precisam ser cotadas.

Duas ofertas com o mesmo preço de equipamento podem incluir serviços diferentes. Uma pode contemplar descarga, enquanto outra exige que o comprador providencie os meios necessários. A comparação deve considerar essas diferenças e manter os custos não informados em aberto, em vez de tratá-los como inexistentes.

Avalie compra e locação ao longo do período de uso

A compra e a locação precisam ser analisadas para a mesma necessidade e duração. No aluguel, confirme a mensalidade, o período mínimo, a entrega, a retirada e as condições de devolução. Pergunte como são tratados manutenção, avarias e eventual prorrogação do contrato.

Na compra, inclua os serviços necessários para colocar o equipamento em uso e considere o que acontecerá ao final do projeto. Uma possível revenda depende de condições futuras e não deve ser tratada como receita garantida. A escolha depende do orçamento completo, do horizonte de uso e das responsabilidades assumidas em cada proposta.

Organize a entrega antes de confirmar a operação

O CEP localiza o projeto, mas não confirma que o caminhão conseguirá chegar ao ponto de instalação. Descreva portões, curvas, obstáculos aéreos, superfície e espaço de manobra. Compartilhe fotos quando solicitadas e peça ao prestador responsável que avalie as condições de acesso e descarga.

Combine o método de descarregamento, a orientação das portas, a preparação necessária e quem fornecerá equipamentos adicionais. Registre a data proposta, suas dependências e possíveis cobranças por espera ou alteração do plano. A disponibilidade da unidade e o agendamento precisam ser confirmados pelos responsáveis.

Use a solicitação para esclarecer o projeto

Quem deseja preparar uma solicitação de orçamento pode reunir formato, condição, quantidade, prazo e localização em um único pedido. No CompareContainer, a solicitação é gratuita e sem compromisso. A equipe recebe as informações, pode esclarecer a necessidade e buscar fornecedores para a localização indicada, com compartilhamento dos dados conforme o consentimento informado.

O número de propostas e o prazo de resposta não são garantidos. Cabe ao interessado confirmar a empresa, a unidade e os termos da oferta antes de fechar negócio. O contrato e o pagamento são tratados diretamente com o fornecedor escolhido; a presença de uma empresa no diretório não representa certificação ou parceria automática.

Para quem atua em suprimentos e logística, a utilidade da comparação está em tornar o escopo mais claro. Ao reunir especificação, condição, serviços e responsabilidades, o orçamento passa a descrever o que a operação realmente precisa receber. Esse conjunto oferece uma base mais consistente para negociar a compra ou a locação.

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Gestão cambial ganha peso nas decisões de empresas importadoras e exportadoras, diz Saygo Group

Oscilações da moeda, prazos de pagamento e necessidade de caixa exigem planejamento para reduzir riscos nas operações internacionais

Da Redação (*)

Brasília – Prever se o dólar vai subir ou cair costuma concentrar a atenção de empresas expostas ao exterior, mas a cotação representa apenas uma parte dessa equação. Para importadores e exportadores, datas de pagamento, necessidade de capital de giro, exposição em moeda estrangeira e planejamento de caixa também interferem no resultado financeiro.

Entre janeiro e agosto de 2026, o comércio exterior brasileiro movimentou US$ 446,39 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Para Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head of Treasury da Saygo Group, holding brasileira especializada em comércio exterior que integra câmbio, tecnologia e inteligência operacional, o risco começa antes do fechamento da moeda.

“O dólar é a parte mais visível da operação, mas uma boa gestão cambial começa antes da contratação da moeda. Quando a empresa conhece seus prazos, a necessidade de caixa, a margem esperada e o nível de exposição, consegue tomar decisões com mais previsibilidade e escolher o momento e a estratégia mais adequados para cada operação”, afirma.

Juros ajudam a definir o risco

A política monetária no Brasil e nos Estados Unidos é um dos fatores que ajudam a explicar os movimentos do câmbio. Em setembro, Brasil e Estados Unidos voltaram a tomar decisões opostas sobre os juros na chamada “Super Quarta”. No dia 16, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano, enquanto o Federal Reserve elevou a taxa básica norte-americana para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.

Diferenças entre juros, fluxo internacional de capital, percepção de risco e acontecimentos geopolíticos podem alterar a procura por ativos e moedas. Para a tesouraria de uma empresa, porém, acompanhar essas variáveis não significa tentar prever diariamente o próximo nível do dólar.

A proteção cambial, também conhecida como hedge, pode ser utilizada para limitar parte dessa exposição. A escolha depende do valor da obrigação ou do recebimento, do prazo, da moeda envolvida e da estrutura financeira de cada companhia. “Leitura macroeconômica serve para construir cenários e medir riscos, ela não substitui o planejamento financeiro. A empresa precisa saber quanto está exposta, por quanto tempo e qual movimento da moeda pode ser absorvido sem comprometer margem, caixa ou capital destinado à operação”, explica Murillo.

Operação pode ampliar o impacto cambial

Uma importadora que fecha hoje uma compra para pagar o fornecedor daqui a dois ou três meses já está exposta à variação cambial durante esse intervalo. No caso de uma exportadora, o movimento ocorre no sentido oposto: a empresa pode ter receita futura em dólar enquanto mantém despesas em reais.

Ronaldo Félix, especialista em comércio exterior e operações internacionais, sócio e diretor de operações da Saygo Group, explica que fechamento de câmbio, remessa, documentação, liquidação e pagamento não podem ser tratados como etapas isoladas.

“Uma pequena diferença na cotação pode ganhar relevância quando aplicada a valores maiores, mas o custo também aparece quando os processos não conversam entre si. Se o câmbio é fechado sem considerar a data do pagamento, a disponibilidade de caixa ou a documentação necessária, a empresa pode resolver uma parte da operação e criar outro problema logo adiante”, afirma.

Uma variação de R$ 0,10 em uma obrigação de US$ 500 mil representa diferença de R$ 50 mil na conversão. O exemplo ajuda a dimensionar como movimentos relativamente pequenos podem afetar operações de maior valor, principalmente quando o prazo reduz a possibilidade de escolha.

Outro erro ocorre quando a empresa posterga a decisão esperando uma taxa mais favorável sem considerar o vencimento do compromisso assumido. À medida que a data do pagamento se aproxima, a flexibilidade diminui e o fechamento pode deixar de ser uma escolha para se tornar uma necessidade operacional.

Tecnologia ajuda a conectar etapas

A integração de informações operacionais e financeiras está entre os pontos trabalhados pela Saygo no desenvolvimento do Vision, plataforma voltada à centralização de dados ligados às operações internacionais. A ferramenta reúne informações como documentos, câmbio, prazos e custos, permitindo acompanhar diferentes etapas do processo em um mesmo ambiente.

Para Ronaldo Félix, especialista em comércio exterior e operações internacionais, sócio e diretor de operações da Saygo Group, a integração dessas informações ajuda a reduzir decisões tomadas de forma isolada. “Quando a empresa consegue visualizar documentação, pagamentos, prazos e movimentação da operação no mesmo fluxo, aumenta a capacidade de identificar onde um custo está surgindo e de agir antes que esse impacto avance para outras etapas”, aponta.

Dentro da estratégia da Saygo, o Vision também poderá servir como base para futuros levantamentos sobre custos, gargalos, rotas e comportamento das importações brasileiras, desde que essas informações sejam consolidadas, validadas e tratadas de forma apropriada antes da divulgação.

Previsibilidade reduz dependência da cotação

Para importadores, a moeda estrangeira interfere na formação do custo da mercadoria, no preço de venda e na necessidade de capital para concluir uma compra. Para exportadores, uma alteração antes do recebimento pode modificar o valor convertido para reais e afetar a rentabilidade prevista.

Por isso, o mesmo movimento do dólar pode produzir efeitos diferentes entre empresas. O impacto depende dos prazos, do fluxo de caixa, da moeda utilizada, do tamanho da exposição e da estrutura financeira de cada operação.

O objetivo da gestão, portanto, não é acertar o menor ou o maior ponto da moeda, mas reduzir a dependência de decisões tomadas sob pressão e aumentar a previsibilidade financeira. Ao integrar leitura macroeconômica, planejamento de caixa e execução operacional, empresas expostas ao exterior conseguem avaliar com mais clareza quanto risco podem assumir e quais medidas precisam ser tomadas antes do vencimento de seus compromissos.

(*) Com informações da Saygo Group

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O Mundo Novo do Comex precisa de protagonistas. E você, está preparado?

Helenice Lima (*)

Durante muitos anos, o profissional de Comércio Exterior foi reconhecido pela sua capacidade de fazer as coisas acontecerem. Resolver problemas, interpretar legislações, cumprir prazos, negociar fretes, desembaraçar mercadorias e garantir que as operações chegassem ao destino.

Quem vive o Comex sabe que essa rotina exige conhecimento, agilidade e uma enorme capacidade de lidar com imprevistos.

Mas o Comércio Exterior brasileiro está passando por uma transformação que vai muito além da modernização dos sistemas.

A Reforma Tributária, a implantação do Portal Único, o avanço da inteligência artificial e as mudanças nas cadeias globais estão redesenhando a forma como as empresas operam, competem e tomam decisões.

E tudo isso abre uma oportunidade importante: o Comex pode conquistar um espaço muito maior na estratégia das organizações.

De quem resolve problemas para quem antecipa decisões

Costumo pensar no Comex como uma torre de controle.

Durante muito tempo, sua principal responsabilidade foi garantir que os aviões pousassem e decolassem com segurança. Mas imagine o valor dessa torre quando ela começa a ajudar a definir as melhores rotas, antecipar turbulências e identificar oportunidades antes mesmo de uma aeronave sair do chão.

É exatamente esse o espaço que o profissional de Comércio Exterior pode ocupar.

Estamos falando de profissionais capazes de analisar o impacto de uma mudança tributária na rentabilidade de um produto, identificar riscos nas cadeias de fornecimento, contribuir para decisões de sourcing e apoiar estratégias de expansão internacional.

O conhecimento técnico continua sendo a base. A diferença está na capacidade de transformar esse conhecimento em inteligência para o negócio.

E aqui surge uma pergunta importante: as empresas estão dando espaço para esse protagonismo? E os profissionais estão se preparando para conquistá-lo?

A tecnologia está avançando. E as pessoas?

Vivemos uma evolução tecnológica impressionante no Comércio Exterior.

Atividades que antes consumiam horas de trabalho já podem ser automatizadas. A inteligência artificial começa a apoiar análises, simulações e decisões. Informações que estavam dispersas em diferentes sistemas podem ser conectadas e transformadas em indicadores.

Isso muda profundamente a rotina dos profissionais.

Se a tecnologia assume parte das atividades operacionais, abre-se espaço para que as pessoas dediquem mais tempo à análise, ao planejamento e à tomada de decisão.

Mas existe um ponto de atenção: ter acesso à tecnologia não significa, automaticamente, saber utilizar todo o seu potencial.

É preciso desenvolver uma visão mais ampla do negócio, compreender os impactos financeiros das operações, dialogar com outras áreas e, principalmente, ter disposição para questionar a maneira como sempre fizemos as coisas.

O futuro vai exigir profissionais tecnicamente preparados, mas também curiosos, colaborativos e capazes de enxergar além da própria operação.

Ninguém transforma um setor sozinho

É justamente nessa discussão que entra algo em que acredito profundamente: o poder das comunidades profissionais.

O conhecimento em Comércio Exterior é construído diariamente, dentro das empresas, nos desafios das operações, nas mudanças regulatórias e nas experiências de quem enfrenta problemas reais.

Imagine o quanto podemos evoluir quando esse conhecimento começa a circular.

Quando um profissional compartilha uma experiência, outro pode evitar um erro. Quando diferentes especialistas discutem um desafio, surgem caminhos que dificilmente seriam encontrados de maneira isolada.

Foi com essa visão que nasceu a Comex Pulse Comm, uma comunidade criada para estimular o conhecimento, as conexões, a colaboração e, principalmente, o protagonismo dos profissionais de Comércio Exterior.

Queremos incentivar uma participação mais ativa nas discussões que estão moldando o setor, aproximando profissionais, especialistas, lideranças e novas gerações.

Porque acredito que o desenvolvimento do Comex brasileiro também depende da nossa capacidade de aprender uns com os outros.

O Mundo Novo do Comex já começou

Quando falamos no Mundo Novo do Comex, estamos falando de mudanças concretas na forma de trabalhar, utilizar tecnologia, interpretar informações e participar das decisões empresariais.

E vejo uma oportunidade especialmente relevante nessa transformação: reposicionar o Comércio Exterior como uma área que influencia diretamente a competitividade das empresas.

Para isso, precisamos ampliar nosso repertório, desenvolver novas competências e fortalecer a interlocução do Comex com áreas como Finanças, Tecnologia, Compras, Logística e Planejamento Estratégico.

Também precisamos de lideranças dispostas a abrir espaço para esses profissionais participarem das decisões.

A Comex Pulse Comm nasceu para contribuir com essa evolução. Para conectar pessoas que acreditam no potencial do setor e querem participar ativamente da construção de seus próximos capítulos.

Afinal, uma comunidade ganha força quando seus integrantes deixam de ser espectadores e assumem a responsabilidade de contribuir.

O Mundo Novo do Comex está sendo construído agora. E o protagonismo que tanto buscamos depende também do espaço que estamos dispostos a ocupar.

Fica aqui meu convite: participe, compartilhe suas experiências, questione, proponha e ajude a desenvolver outros profissionais.

Seja você o movimento.

(*) Helenice Lima é Chief Marketing Officer da eComex, coautora do livro Protagonistas 2 e atua há mais de 28 anos nas áreas de Marketing, Tecnologia e desenvolvimento de comunidades profissionais.

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Missão em Bruxelas debate estratégias comerciais e industriais entre Brasil e União Europeia

Agenda “Planejamento Setorial Brasil-UE: do acordo ao mercado” ocorre de 12 a 16 de outubro de 2026 e reúne autoridades, empresários e lideranças europeias para debater integração produtiva e sustentabilidade.

Da Redação (*)

Brasília – A ApexBrasil promove, entre a última segunda-feira (12) até esta sexta-feira (16), a edição da agenda “Planejamento Setorial Brasil-UE: do acordo ao mercado” em Bruxelas. A programação busca aproximar as discussões sobre o Acordo da realidade dos mercados e das cadeias produtivas. O objetivo é ampliar as oportunidades comerciais e de investimento na região. O evento vai reunir representantes do Governo Federal, entidades setoriais, Setores de Promoção Comercial (SECOMS), adidos agrícolas, empresários, especialistas e interlocutores europeus.

Estratégias e setores focais

A agenda está organizada em três frentes complementares: workshops de planejamento setorial, um jantar de relacionamento institucional no Parlamento Europeu e o fórum “EU-Brazil Industrial Partnership”.

Os workshops acontecem no Radisson Collection Hotel, servindo como o núcleo técnico da semana com o intuito de desenvolver e validar estratégias para ampliar a presença brasileira no mercado europeu. As atividades focam em setores com potencial de geração de negócios no mercado europeu e beneficiados pelo desgravamento tarifário previsto no Acordo, priorizando os seguintes segmentos: móveis e madeira, máquinas e equipamentos, moda, café, rochas naturais, frutas frescas e processadas, sociobioeconomia e bioenergia. As sessões com plenárias e mesas setoriais para estes grupos se estendem ao longo da semana.

Diálogo e Fórum Industrial

No dia 13 de outubro de 2026, a agenda prevê o “Trusted Industrial Partnership for a Competitive and Sustainable Economy”, um jantar institucional realizado no Parlamento Europeu. O encontro é voltado ao diálogo com eurodeputados, executivos e assessores sobre oportunidades para ampliar a integração produtiva, fornecimento sustentável, energia limpa e cadeias de baixo carbono.

Já no dia 15 de outubro de 2026, das 9h às 13h, ocorre o “EU-Brazil Industrial Partnership Forum – Building Competitive, Resilient and Sustainable Value Chains”, realizado pela ApexBrasil e BusinessEurope (principal confederação empresarial da Europa), no Concert Noble. O fórum debaterá temas como a integração de cadeias de valor, inovação, tecnologia, matérias-primas críticas e soluções energéticas de baixo carbono. O encontro insere o debate sobre o Acordo a uma pauta mais ampla de competitividade e resiliência das cadeias produtivas globais.

SERVIÇO

O que: Planejamento Setorial Brasil-UE: do acordo ao mercado.

Quando: 12 a 16 de outubro de 2026.

Onde: Bruxelas, Bélgica.

(*) Com informações da ApexBrasil

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