Aeronaves, petróleo, minério de ferro, suco de laranja, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA

Setores estão entre os principais da pauta de exportações para o país

Da Redação (*)

Brasília – Nesta quarta-feira (15), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) impôs uma sobretaxa de 25% sobre vários produtos provenientes do Brasil. Bens como aeronaves, petróleo, café, carne, celulose, minério de ferro, ferro-gusa e suco de laranja, entre outros, não figuram na relação dos produtos taxados pelo governo americano.

Por outro lado, alguns setores não conseguiram se livrar da taxação, como ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.

As isenções foram estabelecidas pelos Estados Unidos para aqueles produtos brasileiros que não são produzidos internamente por lá em quantidade suficiente ou a preços razoáveis, evitando assim escassez de determinados produtos no mercado consumidor e perturbações na economia daquele país.

Tarifaço é considerado ilegítimo pelo governo brasileiro

As tarifas de 25% foram anunciadas nesta quarta-feira (15) e devem entrar em vigor no próximo dia 22, depois de uma investigação do USTR.

O USTR justificou suas taxas dizendo que certas práticas adotadas pelo Brasil eram descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Já o governo brasileiro repudiou as novas tarifas, disse que não reconhece a legitimidade da investigação do USTR e acrescentou que não há justificativa para essas medidas.

O Brasil informou ainda que “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC [Organização Mundial do Comércio]”.

(*) Com informações da Agência Brasil

 

O post Aeronaves, petróleo, minério de ferro, suco de laranja, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Indústria brasileira repudia taxação dos EUA e denuncia perda de competitividade no mercado americano

Da Redação (*)

Brasília – O governo dos Estados Unidos anunciou na madrugada (horário de Brasília) desta quinta-feira (16) a nova taxação de 25% sobre produtos brasileiros e as entidades que representam vários setores da indústria brasileira reagiram fortemente à medida determinada pelo presidente Donald Trump.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgou comunicado no qual “lamenta com profunda preocupação a aplicação de uma sobretaxa às exportações de produtos brasileiros ao mercado americano”.

“A decisão é especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais”, diz a Fiesp.

A entidade reafirmou também o “seu compromisso com a diplomacia empresarial e seguirá trabalhando de forma construtiva junto a parceiros nos EUA para que as tarifas sejam revertidas ou parcialmente mitigadas na ampliação da lista de isenções”.

Fiemg

Quem também se manifestou sobre a taxação norte-americana sobre a economia brasileira foi a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

“A Fiemg manifesta profunda preocupação com o recente aumento das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros”.

Em sua manifestação, a Fiemg reforçou a “importância do diálogo e da cooperação entre os países, especialmente em um momento em que se exige serenidade e responsabilidade nas relações comerciais internacionais”.

A entidade a indústria mineira declarou ainda que os Estados Unidos são um parceiro estratégico para o país, “em especial para a indústria manufatureira nacional”.

CNI

Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), também criticou a aplicação de taxas contra o Brasil, determinada pelo governo dos EUA.

“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro trimestre”, afirmou Alban.

“Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que o Brasil e Estados Unidos construíram”, acrescentou.

Tarifaço

O governo dos Estados Unidos anunciou uma sobretaxa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil para aquele país, na madrugada de hoje, horário de Brasília. A decisão entra em vigor a partir de 22 de julho. Ela vai incidir sobre produtos que não estão na lista de exceção.

Ficaram de fora produtos como café, suco de laranja, carne bovina, aeronaves, entre outros. A lista de produtos isentos chega a mais de 2 mil itens. Eles não são sobretaxados por terem muita importância dentro do mercado norte-americano e por não serem produzidos em larga escala pela indústria do país.

(*) Com informações da Agência Brasil

O post Indústria brasileira repudia taxação dos EUA e denuncia perda de competitividade no mercado americano apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Novas tarifas colocam o Brasil com as condições mais restritivas de acesso ao mercado dos EUA, avalia Amcham

Da Redação (*)

Brasília – A Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil) classificou como um “resultado muito negativo” para a relação entre os Estados Unidos e o Brasil a decisão divulgada ontem à noite (15) pelo governo americano de aplicar sobretaxas de 25% sobre cerca de 3.000 produtos que o Brasil exporta, como conclusão da investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais do Brasil, consiste em um resultado muito negativo para a relação bilateral.

Em nota divulgada hoje, a Amcham destaca que a medida, que entra em vigor a partir de 22 de julho, coloca o Brasil entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado norte-americano, afetando duramente mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio. Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil — de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025 — e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos norte-americanos.

O documento sublinha que além de prejudicar exportadores e produtores brasileiros, a aplicação de sobretaxas tende a elevar custos para as empresas e consumidores dos Estados Unidos, reduzir a competitividade de suas indústrias que utilizam insumos brasileiros, bem como ampliar a sua dependência de fornecedores asiáticos, com potencial para agravar o déficit comercial norte-americano com países daquela região. Além disso, ela limita as oportunidades de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual.

O aumento das tarifas também tende a aprofundar a retração do comércio bilateral, que já registra queda de 13% no ano e levou a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor patamar histórico. Também poderá afetar negativamente os investimentos bilaterais, que mantêm estreita relação com o dinamismo das trocas entre os dois países.

Amcham destaca importância da manutenção do diálogo

“Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

A Amcham Brasil considera positiva a definição de uma lista expressiva de produtos excluídos das sobretaxas, o que contribui para mitigar parte dos seus impactos. Ao mesmo tempo, solicita a criação de um mecanismo para avaliar novas exclusões para produtos cujas sobretaxas possam gerar impactos econômicos desproporcionais para empresas e consumidores ou que não contribuam de forma efetiva para resolver as preocupações comerciais apontadas pelos Estados Unidos.

De acordo com o documento, a Amcham Brasil seguirá atuando para aproximar os setores público e privado dos dois países e apoiar oportunidades de crescimento, investimentos e geração de empregos em ambas as economias.

(*) Com informações da Amcham Brasil

O post Novas tarifas colocam o Brasil com as condições mais restritivas de acesso ao mercado dos EUA, avalia Amcham apareceu primeiro em Comex do Brasil.

EUA anunciam tarifa de 25% sobre exportações brasileiras; governo admite aplicar dispositivos da Lei de Reciprocidade

Da Redação

Brasília – O governo dos Estados Unidos anunciou na madrugada desta quinta-feira a decisão de aplicar, a partir do próximo dia 22 de julho, uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções que abrange produtos importantes da pauta de exportações brasileiras para o mercado americano, entre outros, laranja, suco de laranja, carne, café, petróleo e gás, além de peças e componentes aeroespaciais, produtos importantes na pauta exportadora para os Estados Unidos.

A reação do governo brasileiro à decisão do governo americano foi imediata e na noite de ontem (15) o Palácio do Planalto divulgou nota de repúdio à taxa e admitiu a possibilidade de utilização dos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, destacando ainda que o dia 15 de julho de 2026 será um “marco lastimável” na história das relações entre Brasil e EUA.

Segundo informações do governo americano, a decisão foi tomada após a investigação da Seção 301 pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). A investigação tratava de acusações sobre supostas práticas desleais de comércio e apurava se ações do Brasil, como o uso do Pix, o desmatamento ilegal e a dificuldade dos EUA em ter acesso ao mercado de etanol brasileiro, prejudicariam as empresas brasileiras.

Na percepção do governo brasileiro, não há justificativa para a adoção dessas medidas unilaterais contra o Brasil, lembrando ainda que nos últimos 15 anos os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit no comércio bilateral de bens e serviços.

Segundo a nota, “o Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais”.

Ao justificar a imposição de tarifas adicionais ao Brasil, o governo americano critica o Pix, o tratamento dado pelo governo brasileiro às big techs, o desmatamento, as barreiras ao etanol americano e até a Rua 25 de Março, em São Paulo.

Na resposta aos EUA, o governo afirma ainda que seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros. Citou a necessidade continuar a diversificar parcerias comerciais e a abrir novos mercados para os produtos brasileiros e afirmou que o Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

 

 

O post EUA anunciam tarifa de 25% sobre exportações brasileiras; governo admite aplicar dispositivos da Lei de Reciprocidade apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Brasil recebe 5,2 milhões de turistas estrangeiros no semestre; mais de 3,5 milhões chegaram ao país por via aérea

Da Redação (*)

Brasília – O transporte aéreo respondeu pela maior parte das chegadas de turistas internacionais ao Brasil no primeiro semestre de 2026, correspondendo a 67% do fluxo. De acordo com dados divulgados pela Embratur, pelo Ministério do Turismo e pela Polícia Federal, nesta quarta-feira (15), 3.531.233 visitantes estrangeiros desembarcaram no país por via aérea entre janeiro e junho, resultado 13,3% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e o maior volume da série histórica para um primeiro semestre.

De janeiro a junho, o Brasil contabilizou 5.261.733 chegadas de turistas internacionais, segundo melhor desempenho para o período. Em junho, foram registradas 442.048 entradas de visitantes estrangeiros. Somenteno modal aéreo, o mês contabilizou 360.496 desembarques, crescimento de 1% em relação a junho do ano passado.

“O crescimento das chegadas por via aérea demonstra a importância da conectividade internacional do Brasil para o fluxo de visitantes estrangeiros. A ampliação da oferta de voos e a diversificação dos mercados emissores contribuem para fortalecer esse movimento em 2026”, afirma o presidente da Embratur, Bruno Reis.

Turistas internacionais

Argentina (1.979.365), Chile (471.590), Estados Unidos (395.929), Uruguai (322.951) e Paraguai (303.880) são os principais emissores de turistas internacionais para o Brasil nos primeiros seis meses deste ano. Os dados do primeiro semestre mostram que países como China (73.311), Colômbia (112.140), Peru (101.590), Canadá (65.111), México (68.521), Chile (471.590) e Uruguai

(322.951) registraram os maiores volumes de chegadas já observados para o período de janeiro a junho.

Destaques de junho

Em junho, a China registrou o maior volume já observado para esse mercado em qualquer mês da série histórica. No mesmo período, Colômbia, Canadá e Austrália apresentaram o segundo maior resultado para um mês de junho, atrás apenas dos números registrados em 2014.

(*) Com informações do MTur

O post Brasil recebe 5,2 milhões de turistas estrangeiros no semestre; mais de 3,5 milhões chegaram ao país por via aérea apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Os números impressionantes que fazem da China, com ampla margem de folga, o maior parceiro comercial do Brasil

Semestre foi marcado por recordes no comércio de petróleo, minério de ferro, carne bovina e carros eletrificados. Em diversos casos, as exportações de um único produto para a China superaram as vendas totais do Brasil para importantes parceiros comerciais

Da Redação (*)

Brasília – Desde o início da série histórica do comércio exterior brasileiro, em 1997, o intercâmbio entre o Brasil e um de seus parceiros comerciais jamais apresentou números tão expressivos quanto aqueles ligados às trocas comerciais com a China. De janeiro a junho deste ano, as exportações brasileiras para o gigante asiático cresceram 22% e somaram US$ 58,3 bilhões, enquanto as importações aumentaram 8% para US$ 38,5 bilhões.

No período, as trocas comerciais com os chineses geraram para o Brasil um superávit de US$ 19,8 bilhões, correspondentes a 47% do saldo positivo de todas as vendas externas do país nos seis primeiros meses do ano.

Segundo dados do Comex Vis, a plataforma de estatísticas do comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações para a China seguem trajetória sem paralelo entre os outros grandes parceiros comerciais do Brasil.  De janeiro a junho, as exportações para os Estados Unidos tiveram uma retração e 16%; para a União Europeia, a queda foi de 4,5% e, em relação à Argentina, os embarques brasileiros despencaram 17%.

CCBC aponta os destaques no comércio com a China

•  As exportações do Brasil para a China no primeiro semestre atingiram recorde de US$ 58,3 bilhões para o período, assim como as importações, que chegaram à máxima histórica de US$ 38,5 bilhões.

•  A China foi o principal destino das exportações brasileiras, com participação de 31,6%, quase o triplo do valor exportado para os Estados Unidos, que ficaram em segundo lugar. O país asiático também liderou as importações do Brasil com fatia de 27%, praticamente o dobro da participação americana.

•  O Brasil teve saldo positivo de US$ 19,8 bilhões com a China no primeiro semestre. O superávit com o país asiático respondeu por 47% do saldo positivo de todas as transações do Brasil com o mundo, que chegou a US$ 42,4 bilhões.

•  As exportações de petróleo do Brasil para a China no primeiro semestre chegaram ao recorde de US$ 15,1 bilhões, o equivalente a mais que o dobro das exportações gerais do Brasil para a Argentina (US$ 7,3 bilhões). As tensões no Oriente Médio, de onde tradicionalmente vem a maior parte do petróleo importado pela China, favoreceram a posição do Brasil como uma alternativa estável e confiável no fornecimento do produto. Nesse contexto, março, abril e junho de 2026 registraram os maiores faturamentos mensais das exportações de petróleo do Brasil para a China na série histórica iniciada em 1997.

•  As exportações de soja para a China aumentaram 7% no semestre, atingindo US$ 20,2 bilhões – valor que supera as vendas gerais do Brasil para os EUA (US$ 17,4 bilhões).

•  As exportações brasileiras de carne bovina para a China atingiram US$ 4,8 bilhões no primeiro semestre, um recorde para o período, superando as vendas gerais do Brasil para a Espanha (US$ 4,6 bilhões). A salvaguarda às importações de carne bovina imposta por Pequim no início do ano fez disparar os embarques dos produtores brasileiros para o país até o atingimento da cota, que foi praticamente preenchida em junho.

•  As exportações de minério de ferro para a China alcançaram US$ 9,2 bilhões, alta de 9,4% em relação ao primeiro semestre de 2025. A cifra é mais do que o triplo do valor das exportações gerais do Brasil para o Japão no mesmo período (US$ 2,9 bilhões).

•  As importações de veículos eletrificados chineses, incluindo elétricos, híbridos e híbridos plug-in, somaram US$ 5,35 bilhões no primeiro semestre – mais que o dobro das importações gerais do Brasil vindas da França (US$ 2,6 bilhões). As compras foram impulsionadas pela antecipação de embarques antes da elevação da tarifa de importação para 35%, em vigor desde o início de julho. As compras de carros eletrificados avançaram de forma ininterrupta mês a mês desde março.

(*) Com informações do CCBC

O post Os números impressionantes que fazem da China, com ampla margem de folga, o maior parceiro comercial do Brasil apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Tarifas adicionais de 25% devem ser impostas pelos EUA contra o Brasil nesta quarta-feira, projetam especialistas

Da Redação (*)

Brasília – Sem previsão de acordo à vista, vence nesta quarta-feira (15) o prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para definir sobre a aplicação, ou não, da tarifa adicional de 25% sobre a importação de parte dos produtos brasileiros.

Contribuem para dificultar o acordo tanto a negativa do Brasil de negociar mudanças no Pix quanto a oposição dos Estados Unidos (EUA) em aceitar a redução da sobretaxa que o país impõe ao açúcar brasileiro em troca de mudanças na tarifa do etanol que entra no Brasil.

Para especialistas consultados pela Agência Brasil, o tarifaço tem motivação política, e não estritamente econômica. Nesse contexto, serviria como mecanismo de pressão para enquadrar o Brasil na nova doutrina do governo Donald Trump para América Latina.

Apelidada de corolário Trump à Doutrina Monroe, a nova política de segurança dos EUA busca reafirmar a proeminência de Washington no continente frente à ascensão econômica da China.

O professor de direito internacional Paulo Borba Casella, da Universidade de São Paulo (USP), afirmou à Agência Brasil que os EUA “não disfarçam” que a medida tem motivação política, dificultando o fechamento de um acordo.

Casella relembrou que Trump chamou o Brasil de país “desagradável” e que o tarifaço proposto é uma forma de “interferir na política interna”.

“Qualquer negociação e possível acordo dependem de interesse e boa vontade recíprocas. Na medida em que isso não seja encontrado por parte deles, ficaria difícil de alcançar algum entendimento”, concluiu.

Usando a Seção 301 da legislação estadunidense, o USTR alega “prática desleal” do Brasil em relação ao Pix, etanol, desmatamento ilegal, entre outros pontos.

Realinhamento da América Latina

O professor de relações internacionais do Ibmec-SP Alexandre Pires destacou que o governo Trump tem “endurecido” a postura com países que não estão alinhados às políticas de Washington, o que incluiria o Brasil.

“A Casa Branca busca realinhar o Hemisfério Ocidental aos EUA e afastá-lo da influência econômica e tecnológica chinesa. O Brasil nos últimos 20 anos fortaleceu seus laços com a China, diante de um fechamento cada vez maior dos parceiros tradicionais, Europa e América do Norte”, disse.

Para Alexandre Pires, apesar de o Brasil também praticar o protecionismo comercial em algumas áreas, o contexto internacional está mais politizado e tenso, colocando as práticas brasileiras “sob escrutínio”.

“O desejo dos EUA é a eliminação das barreiras comerciais brasileiras em relação às empresas americanas, mas não é algo factível no curtíssimo prazo”, completou o professor.

Em resposta às acusações dos EUA de prática comercial “desleal” por parte do Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rebateu cada uma das alegações do USTR.

“Isso [o tarifaço] oneraria uma relação bilateral de comércio e investimento que é claramente importante para ambos os lados, ao mesmo tempo que reduziria o espaço para o diálogo mais capaz de produzir resultados práticos”, afirmou Vieira.

Etanol e açúcar

Uma das exigências dos EUA é que o Brasil elimine tarifas de importação para o etanol produzido no país norte-americano, o que poderia prejudicar os produtores brasileiros.

O governo vem pedindo para manter o etanol fora das negociações, apesar de sugerir que os EUA retirem, em troca, as tarifas sobre o açúcar produzido no Brasil.

“O governo vem defendendo que o etanol não seja tratado nessa discussão. É uma pena que outras pessoas pensem diferente para que o etanol americano possa entrar no mercado brasileiro com facilidade”, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Rosa destacou que o setor é estratégico, principalmente para o Nordeste, e lembrou que o açúcar brasileiro enfrenta fortes barreiras para entrar no mercado americano.

“Nosso açúcar tem sobretaxa nos Estados Unidos de quase 100%. Não dá para dissociar as duas cadeias”, disse a jornalistas dias atrás. A posição do governo é defendida pelas associações de produtores de cana brasileiros.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a União Nacional do Etanol de Milho e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) argumentam que a queda das importações de etanol americano não decorre apenas de tarifas, mas principalmente da expansão da produção nacional.

Para o professor da USP Paulo Borba Casella, o debate em torno do etanol nas negociações com os EUA reforça a tese de que o objetivo é criar problemas políticos para o Brasil.

“Tem razão de não negociar a questão do etanol, a menos que tirassem a sobretaxa do açúcar brasileiro. Afinal de contas, é uma situação equivalente, tendo como base o mesmo produto”, comentou o professor, que também é presidente do Instituto de Direito Internacional e Relações Internacionais de São Paulo (IDIRI).

(*) Com informações da Agência Brasil

O post Tarifas adicionais de 25% devem ser impostas pelos EUA contra o Brasil nesta quarta-feira, projetam especialistas apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Brasil movimentou US$ 11,4 bilhões com exportações da cadeia de nove minerais críticos em 2025, indica estudo

Novo estudo da ApexBrasil indica que a União Europeia foi o destino de mais de um terço do volume financeiro gerado pelo setor

Da Redação (*)

Brasília – A versão em português do estudo técnico da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), divulgado nesta terça-feira (14), analisou um conjunto de nove minerais que são estratégicos tanto para o Brasil quanto para a União Europeia, com o objetivo de indicar áreas de possível complementaridade. Cobre, nióbio, silício, níquel, lítio, grafite, terras raras, fosfato e potássio foram o foco da análise.

Desse conjunto de minerais, incluindo suas cadeias produtivas, foram US$ 11,4 bilhões em exportações do Brasil, das quais US$ 4,3 bilhões foram destinadas ao mercado europeu. Isso significa dizer que a União Europeia absorveu 37,6% das exportações brasileiras desses nove minerais críticos, em 2025.

O documento mapeia, ainda, os fluxos de comércio ao longo das respectivas cadeias, instrumentos de incentivo governamental e projetos relacionados a minerais críticos em prontidão para receber investimentos estrangeiros.

Em razão das vastas reservas em diversos desses minerais, o Brasil figura como fornecedor estratégico para atender à expansão global da demanda gerada pelos processos de transição energética, digitalização e segurança das cadeias globais de valor.

Nesse contexto, e tendo em vista a busca da União Europeia por diversificação de fornecedores, o estudo indica haver espaço para parcerias mutuamente benéficas. Marcos regulatórios e programas de financiamento específicos da União Europeia, como o Critical Raw Materials Act (CRMA), a iniciativa Global Gateway e a European Raw Materials Alliance (ERMA) podem servir de base para esse fim. Além disso, a recente conclusão do Acordo Mercosul-União Europeia e a matriz energética brasileira — predominantemente renovável — atuam como fatores que reforçam a posição do Brasil como receptor de  investimentos de longo prazo em cadeias de minerais críticos.

Agregação de Valor e Investimentos

O relatório técnico aponta que as perspectivas de cooperação econômica não se restringem à atividade extrativa primária. Existe potencial mapeado para a ampliação das etapas de processamento, refino, transformação industrial e fabricação de produtos de maior valor agregado em território brasileiro.

Para dar suporte ao desenvolvimento de projetos nestas fases da cadeia, o mercado nacional dispõe de mecanismos de financiamento institucional que incluem linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), debêntures incentivadas e programas vinculados à Nova Indústria Brasil (NIB) e ao Novo PAC.

portfólio de oportunidades estruturado pela ApexBrasil, em parceria com o IBRAM, para investidores internacionais abrange projetos em diferentes estágios de maturação, desde a pesquisa e exploração mineral inicial até o beneficiamento químico e industrial. Os segmentos de terras raras, grafita, cobre, níquel, cobalto e potássio são listados como os principais eixos para a captação de recursos e transferência de tecnologia nos próximos anos.

(*) Com informações da ApexBrasil

O post Brasil movimentou US$ 11,4 bilhões com exportações da cadeia de nove minerais críticos em 2025, indica estudo apareceu primeiro em Comex do Brasil.

ApexBrasil identifica mais de 300 oportunidades de exportações para o Ceará com o Acordo Mercosul-União Europeia

Painel interativo e gratuito da ApexBrasil, apresentado durante o Conexões Produtivas em Fortaleza, aponta oportunidades para produtos cearenses como calçados, castanha de caju, frutas, siderurgia e máquinas ampliarem exportações para um mercado de cerca de 720 milhões de consumidores

Da Redação (*)

Brasília – O Acordo Mercosul-União Europeia deve inaugurar uma nova fase para as exportações do Ceará. O painel interativo e gratuito desenvolvido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), apresentado durante a quarta edição do “Conexões Produtivas – Oportunidades para o Desenvolvimento da Indústria Brasileira”, realizada nesta segunda-feira (13), em Fortaleza, apontou 303 oportunidades de exportação para produtos cearenses em setores como calçados, castanha de caju, frutas, siderurgia, máquinas e equipamentos, entre outros.

Esta edição, realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), reuniu representantes do governo federal, setor industrial e instituições de apoio ao comércio exterior para debater perspectivas geradas com o Acordo e estratégias para ampliar a competitividade da indústria brasileira.

“O Ceará é porta de entrada para grandes investimentos e grandes projetos”, ressaltou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. “Hoje visitei o Complexo Industrial e Portuário do Pecém e vi a dimensão que ele está ganhando, com investimentos em diversos setores, como gás, hidrogênio verde, data centers, além da perspectiva de geração de pelo menos 80 mil empregos diretos e indiretos. Esse é um exemplo do potencial de desenvolvimento econômico do Estado. O desafio é continuar crescendo em todos os setores”, alertou.

Na avaliação do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, o acordo cria um momento histórico para ampliar a presença dos produtos brasileiros no mercado europeu.

Temos essa grande oportunidade do Acordo Mercosul-União Europeia, que abre um horizonte muito promissor para as empresas brasileiras. O Brasil exporta atualmente algo entre US$ 47 bilhões e US$ 50 bilhões por ano para a Europa, mas estamos falando de um mercado que importa cerca de US$ 3 trilhões de países de fora do bloco. Esse é o tamanho da oportunidade que temos. Existe um enorme espaço para ampliar nossa participação.

Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil

Explicou acrescentando que este é um Estado que reúne condições para aproveitar esse novo cenário. “O Ceará é um estado diferenciado, com infraestrutura logística estratégica, capacidade industrial, agronegócio competitivo e vocação exportadora. As empresas cearenses podem e devem aproveitar essas possibilidades para transformar potencial em negócios, gerando mais divisas, renda, empregos e desenvolvimento para o Estado”, afirmou.

O presidente da ApexBrasil também reforçou que a internacionalização está ao alcance de empresas de todos os portes. “A exportação é possível para todo mundo: para o pequeno, o médio e o grande empreendedor”, acrescentando que ferramenta da ApexBrasil está disponível para apoiar empresas de todos os portes na identificação de mercados e produtos com maior potencial de inserção nos países europeus. Juntos, os países da União Europeia e do Mercosul somam um mercado consumidor de mais de 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões.

Para o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto, o Ceará reúne condições para aproveitar a janela de oportunidades aberta. Ele lembrou que há uma união de esforços para apoiar esta inserção no mercado europeu e apontou o Portal Investe Indústria Brasil como uma das ferramentas importantes neste processo.

“Este Portal amplia as oportunidades para o setor produtivo ao reunir, em um único ambiente, o acesso ao sistema público de fomento. Com isso, as empresas podem cadastrar suas demandas e agilizar a obtenção de crédito para novos investimentos. Apresentar essa iniciativa no Conexões Produtivas, em Fortaleza, reforça o compromisso da ABDI com o desenvolvimento da indústria em todas as regiões do Brasil”, destacou reforçando a importância de transformar potencial em capacidade produtiva.

O vice-presidente da Fiec, Carlos Prado, está otimista com os futuros negócios que podem ser gerados com o Acordo. “O Ceará reúne as condições necessárias para viver um novo ciclo de desenvolvimento”, comemorou.

(*) Com informações da ApexBrasil

O post ApexBrasil identifica mais de 300 oportunidades de exportações para o Ceará com o Acordo Mercosul-União Europeia apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Comércio exterior da China tem crescimento vigoroso de 16,9% no primeiro semestre e totaliza US$ 3,75 trilhões

Da Redação (*)

Brasília – O comércio exterior da China em termos denominados em yuan cresceu 16,9% ano a ano no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas (AGA) nesta terça-feira (14).

De janeiro a junho, o valor total das importações e exportações de bens atingiu US$ 3,75 trilhões (25,47 trilhões de yuans), ultrapassando 25 trilhões de yuans pela primeira vez nesse período, segundo os dados.

Desse total, as exportações somaram 14,73 trilhões de yuans, um aumento de 13,4% em relação ao mesmo período do ano passado, mantendo o crescimento por 11 trimestres consecutivos, enquanto as importações totalizaram 10,74 trilhões de yuans, com alta de 22,1% em termos anuais, apresentando uma taxa de crescimento 8,7 pontos percentuais superior à das exportações, contribuindo para o desenvolvimento equilibrado do comércio.

Em meio a um ambiente externo complexo e em constante mudança, o comércio exterior da China manteve uma tendência operacional positiva, alcançando um forte impulso de crescimento e um desempenho estável, de acordo com a AGA.

(*) Com informações da Agência Xinhua

O post Comércio exterior da China tem crescimento vigoroso de 16,9% no primeiro semestre e totaliza US$ 3,75 trilhões apareceu primeiro em Comex do Brasil.