Mais de 6 milhões de investidores brasileiros desconhecem onde está o dinheiro deles

Tiago Piassum (*)

A B3 fechou junho de 2026 com 6,45 milhões de contas de investidor pessoa física em renda variável, o maior patamar em cinco anos. Repare na palavra: contas. Quem mantém cadastro em mais de uma corretora entra mais de uma vez na estatística, porque o que a Bolsa contabiliza são os relacionamentos com intermediários. A distinção parece burocrática, mas ela abre um mal-entendido bem maior.

Pergunte a um investidor onde estão as ações dele. Quase sempre a resposta traz o nome de uma corretora ou de um banco. E quase sempre está errada. Os ativos negociados em bolsa no Brasil ficam depositados na central depositária da B3. A corretora executa a ordem, cobra a corretagem e exibe a posição no aplicativo. Guardar as ações, ela não guarda. Quem quiser conferir não precisa pedir autorização a ninguém: a Área do Investidor da B3 é gratuita, o acesso é feito com CPF e a tela mostra a posição em custódia detalhada por instituição, com extrato mensal e informe de rendimentos para a declaração.

Muita gente imagina que trocar de corretora significa mudar os papéis de lugar. Não significa. A plataforma pela qual se comprou é uma camada de serviço, relevante para preço, produto e atendimento, mas não é ela que detém o ativo. É um detalhe de infraestrutura que o mercado brasileiro nunca fez questão de explicar, e que importa por um motivo nada técnico: saber quem guarda organiza tudo o que vem depois. É o que define para onde vai o dinheiro se o intermediário quebrar, de quem o investidor pode cobrar e quanto controle ele tem, de fato, sobre o próprio patrimônio.

O investidor brasileiro aprendeu a comparar taxas de administração, rentabilidade e corretagem, mas não aprendeu a perguntar quem guarda o seu dinheiro. E é essa pergunta que reaparece agora, em outro terreno. Em ativo digital, ela é o centro de tudo, só que sem uma infraestrutura central respondendo por todo mundo.

Existem dois arranjos. No primeiro, a conta é custodiada: a instituição detém as chaves criptográficas, o cliente faz o pedido e ela executa. É o modelo mais próximo do bancário, com uma diferença que precisa ser dita sem rodeios: conta em plataforma de ativo digital não tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que alcança depósitos em instituições financeiras brasileiras associadas, dentro de limites por CPF. Normalmente tem seguro contratado contra invasão hacker, que cobre eventos específicos, mas não é a mesma coisa que garantia de depósito.

No segundo arranjo, a chave é do próprio titular. Quem assina é ele, e nenhuma instituição consegue mover o saldo. A contrapartida é simétrica: ninguém bloqueia, ninguém empresta e ninguém resgata o acesso perdido. Se o titular perde todos os meios de autenticação sem ter deixado um caminho de recuperação, o ativo continua visível no registro público e inacessível para sempre. Nenhum dos dois arranjos é melhor que o outro em abstrato. São riscos de natureza diferente, e o investidor precisa saber qual deles está comprando.

O Fisco, aliás, já respondeu essa pergunta por conta própria. Pela Instrução Normativa RFB 2.312, a declaração pré-preenchida do Imposto de Renda de 2026 passou a trazer automaticamente as operações realizadas em exchanges brasileiras. Em julho entrou em vigor a DeCripto, criada pela IN RFB 2.291/2025, dentro da adesão do país ao padrão da OCDE para troca internacional de informações sobre criptoativos. Quem opera em plataforma nacional já tem o próprio extrato do lado da Receita Federal.

Sobra daí uma assimetria que diz muito sobre o momento do mercado brasileiro. Na Bolsa, a resposta está a um login de distância, e o investidor não vai buscá-la. Em plataforma nacional de ativo digital, o Estado montou a resposta antes dele. Em autocustódia, não existe resposta pronta em lugar nenhum: existe o titular, e só.

São milhões de contas de um lado, e um país que ocupa a décima posição entre os 151 países avaliados no Índice Global de Adoção de Criptomoedas da Chainalysis, do outro. O brasileiro entrou nos dois mercados com velocidade. Aprendeu a comparar rentabilidade em planilha e a negociar taxa no atendimento. Custódia é a única variável dessa conta que não se descobre depois. A pergunta que resolve isso cabe em uma linha e vale igual para a ação e para o dólar digital: se eu quiser mover esse dinheiro amanhã, quem precisa concordar?

(*) Tiago Piassum é especialista em ativos digitais e CEO da Rivool

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Prêmio Eco 2026: Amcham Brasil recebe até 31 de agosto inscrições para prêmio de sustentabilidade 

Prêmio Eco reconhece projetos empresariais e, na categoria Lideranças Eco, CEOs e executivos à frente da agenda de sustentabilidade nas organizações

Da Redação (*)

Brasília – A Amcham Brasil recebe até 31 de agosto inscrições de empresas de todo o país para o Prêmio Eco 2026, iniciativa da entidade que reconhece projetos, empresas e lideranças que vêm incorporando a sustentabilidade à estratégia e às decisões de negócio.

A poucos dias do encerramento do prazo, empresas de todos os portes e setores, associadas ou não à Amcham, ainda podem inscrever iniciativas relacionadas à sustentabilidade em processos, produtos e serviços.

A edição deste ano também contempla a categoria Lideranças Eco, voltada ao reconhecimento de CEOs e executivos que exercem papel de liderança na agenda de sustentabilidade dentro das organizações, mobilizando suas empresas e conectando compromissos socioambientais à estratégia, aos investimentos e à geração de valor.

“A sustentabilidade já deixou de ser uma agenda paralela para fazer parte das decisões centrais das empresas. Queremos reconhecer tanto as iniciativas que estão produzindo resultados concretos quanto as lideranças que têm papel decisivo para colocar essa agenda no centro da estratégia dos negócios”, afirma Daniela Aiach, Diretora de Sustentabilidade e Business Center da Amcham Brasil.

Uma das mais tradicionais premiações de sustentabilidade empresarial do país

Criado pela Amcham Brasil, o Prêmio Eco consolidou-se como uma das mais tradicionais iniciativas de reconhecimento da sustentabilidade empresarial no país, dando visibilidade a práticas que contribuem para transformar a atuação das empresas e disseminar referências para o setor privado.

Ao longo de sua trajetória, a premiação já reconheceu iniciativas de empresas como Telefônica Brasil, Banco do Brasil, C&A, Gerdau, Banco Votorantim, Hyundai Motor Brasil, Mercado Livre, BASF e Faber-Castell, entre outras.

O Prêmio Eco também se tornou um espaço de encontro entre lideranças empresariais e referências nacionais e internacionais em sustentabilidade. Sua trajetória inclui nomes como Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos; Gro Harlem Brundtland, ex-primeira-ministra da Noruega e referência internacional em desenvolvimento sustentável.

 Empresas podem concorrer em três categorias

Em 2026, o Prêmio Eco contempla três frentes de reconhecimento:

  • Sustentabilidade em Processos: iniciativas que incorporam práticas sustentáveis às políticas, aos indicadores, à gestão e às operações das empresas;
  • Sustentabilidade em Produtos & Serviços: projetos que integram atributos de sustentabilidade ao desenvolvimento e ao ciclo de vida de produtos e serviços;
  • Lideranças Eco: reconhecimento a CEOs e executivos que exercem papel relevante na condução da agenda de sustentabilidade, influenciando a estratégia e a tomada de decisão de suas organizações.

Para a Amcham, dar visibilidade a essas experiências também é uma forma de acelerar a evolução da agenda no setor empresarial.

“Mais do que reconhecer boas práticas, queremos identificar experiências que possam inspirar outras empresas e mostrar como a sustentabilidade pode estar conectada à competitividade, à inovação e à geração de valor. O Prêmio Eco cria uma plataforma para dar visibilidade a quem já está liderando esse movimento”, afirma Aiach.

 Inscrições terminam em 31 de agosto

Prêmio Eco 2026 é aberto a empresas de todos os portes, associadas ou não à Amcham Brasil. As inscrições terminam em 31 de agosto de 2026.

(*) Com informações da Amcham

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Na mesa ou no cardápio: por que geopolítica virou pauta de conselho de administração

Frederico Lamego e Antonio Carlos Lessa (*)

“Ou você está na mesa, ou está no cardápio.” Mark Carney recuperou a frase em Davos, em janeiro, e falava de potências médias: países sem status de superpotência que, somados, movem a maior parte do comércio mundial. A frase não é dele. Circula desde os anos 1990, sem autor conhecido, e serviu sempre para descrever Estados. Agora descreve empresas.

A ONU, o FMI e a OMC continuam existindo, e continuam produzindo relatórios. O que a OMC já não produz é decisão executável. Desde dezembro de 2019, o Órgão de Apelação está paralisado porque os Estados Unidos bloqueiam a indicação de novos árbitros, e quem perde um painel apela para uma instância que não existe.

Vinte e sete membros, o Brasil entre eles, montaram um arranjo provisório de arbitragem para contornar o impasse; ele vale só entre quem aderiu, e os Estados Unidos não aderiram. Foi assim que o Brasil venceu painéis contra a Índia e a Indonésia, no açúcar e na carne de frango, e ficou sem poder executar nenhuma das duas decisões. Rompida uma regra, não há a quem recorrer. Resta negociar.

Tarifaço americano, transição energética, reindustrialização puxada pela defesa, corrida da inteligência artificial. Alguém ainda acha que isso é assunto de departamento de estudos? Geopolítica virou competência de gestão. Em poucas companhias brasileiras, porém, essa capacidade gerencial tem dono no organograma.

A pergunta que costumamos ouvir é sempre a mesma: qual o efeito desta crise sobre o câmbio do próximo trimestre, ou sobre determinada linha de produção? É pergunta legítima, e chega tarde. O risco político já foi precificado bem antes, no spread que a empresa paga para captar lá fora, no prêmio do seguro de crédito à exportação, na garantia adicional que o parceiro estrangeiro passa a exigir sem explicar o porquê.

A manchete não espera nada disso. A pergunta mais útil é também a mais incômoda, e não pede profecia: se determinada rota se fechar, quais decisões desta diretoria mudam? E quantas delas já foram tomadas de forma irreversível?

Desde 1º de maio, a parte comercial do acordo entre o Mercosul e a União Europeia está em vigor provisoriamente. Vinte e seis anos de negociação, assinatura em janeiro, tarifas já caindo, cotas regulamentadas por portaria da Secex. O acordo definitivo, esse, continua indefinido. O Parlamento Europeu pediu ao Tribunal de Justiça da União Europeia parecer sobre a compatibilidade do texto com os tratados do bloco, e a análise pode levar dois anos.

A empresa que hoje monta sua planilha de exportação sob as novas cotas depende, portanto, de uma corte em Luxemburgo e da ratificação por 27 parlamentos nacionais. A França já votou contra. Minerais críticos, semicondutores, energia limpa, defesa: quanto mais o Brasil se conecta a essas cadeias, mais o que se decide fora daqui aparece no balanço de companhias que nunca exportaram um contêiner.

Terras raras servem de teste, e o teste é recente. O Brasil aparece nas estatísticas do USGS com cerca de 21 milhões de toneladas de óxidos, ou 23% das reservas mundiais, atrás só da China. O número pede cautela: a Agência Nacional de Mineração revisou o estoque para 11,4 milhões de toneladas no Sumário Mineral de 2025, ao adotar critério internacional mais estrito. O país segue em segundo lugar de qualquer forma. E extrai menos de 1% do volume mundial. Uma só mina opera em escala comercial, a Serra Verde, em Minaçu, Goiás, que começou a produzir em janeiro de 2024 e vende concentrado misto de óxidos. Separação, metalurgia e ímãs continuam do outro lado do mundo.

Em 2026, a Serra Verde foi comprada pela americana USA Rare Earth, em operação avaliada em US$ 2,8 bilhões e amparada por financiamento da agência de desenvolvimento do governo dos Estados Unidos, enquanto o marco legal brasileiro para minerais críticos ainda se discutia. Está aqui o limite do argumento que defendemos, e convém reconhecê-lo. Nenhuma leitura geopolítica, por refinada que seja, ergue uma unidade de separação nem financia a década de maturação que um projeto desses exige. Mas responde a uma pergunta que ficou sem resposta em Minaçu: quem sabia, e há quanto tempo?

Compreender geopolítica não é erudição a ser terceirizada. É competência a ser internalizada por quem decide nas empresas brasileiras, do conselho de administração ao planejamento de médio prazo. Alguém precisa ter autoridade para travar um cronograma enquanto ainda dá tempo. Só assim a turbulência da nova ordem internacional vira vantagem competitiva. Do contrário, continuaremos no cardápio, e não na mesa.

Frederico Lamego é assessor especial da Presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Antonio Carlos Lessa é professor Titular do Instituto de Relações Internacionais da UnB (*)

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Uma cidade além dos negócios

Alessandra Andrade (*)

São Paulo, desde sempre denominada como “a cidade que não para”, hoje, mais do que nunca, é definida pela dimensão do mercado, diversidade econômica, capacidade de atrair capital e concentração de talentos. São atributos relevantes, mas insuficientes para explicar o que torna uma cidade competitiva. A vitalidade de uma metrópole depende das condições que oferece para que as empresas permaneçam, cresçam e se conectem à vida urbana.

Transformar investimentos em desenvolvimento exige continuidade, coordenação e visão de longo prazo. Infraestrutura, mobilidade, serviços, sustentabilidade, segurança, tecnologia e planejamento integram o ambiente em que decisões empresariais são tomadas e oportunidades se convertem em prosperidade compartilhada.

Ao participar dos debates do São Paulo Beyond Business (SP2B), uma convicção atravessou temas distintos. Uma cidade boa para investir precisa também funcionar para quem vive, trabalha e empreende nela. Crescimento econômico e qualidade urbana avançam juntos. A conexão entre poder público, iniciativa privada, academia e sociedade civil ajuda a reduzir barreiras e transformar potencial em projetos concretos.

Essa visão alcança o papel da inovação. Tecnologia, dados e inteligência artificial ampliam a capacidade de planejar e melhorar serviços. Ganham relevância quando solucionam problemas reais, reduzem o tempo perdido nos deslocamentos, simplificam a relação entre cidadãos e governo e ampliam o acesso a oportunidades.

O Centro de São Paulo resume os desafios. Sua requalificação depende de habitação, segurança, recuperação do patrimônio, atividade econômica e convivência. É preciso atrair moradores, empresas e investimentos, preservando a diversidade. Um centro vivo reúne diferentes usos e permanece ativo ao longo do dia, muitas vezes até à noite.

A mesma lógica vale para o empreendedorismo. Abrir uma empresa é apenas o início. A qualidade do ambiente para criar novos negócios se revela nas condições oferecidas para que eles sobrevivam, ganhem produtividade e alcancem novos mercados. Isso exige conhecimento, tecnologia, crédito, conexões, oportunidades comerciais e menos barreiras.

Também muda a forma como empresas se relacionam com seus públicos. As fronteiras entre B2B e B2C estão menos rígidas, pois toda relação econômica envolve pessoas tomando decisões. Algumas delas flexíveis. Produto, preço e canal continuam importantes, mas compreender comportamentos, culturas e necessidades humanas tornou-se um significativo diferencial competitivo.

A diversidade paulistana é uma vantagem difícil de reproduzir. A cidade funciona como um laboratório vivo de hábitos, demandas e modelos de negócio. Empresas podem identificar tendências, testar soluções e aprender com diferentes públicos. Essa potência se realiza quando a diversidade é reconhecida como fonte de conhecimento, inovação e inclusão econômica.

Pensar São Paulo muito além dos negócios é reconhecer tudo o que permite que eles prosperem. Quanto mais a cidade integrar desenvolvimento, qualidade urbana e oportunidades, maior será sua competitividade. Essa combinação fortalece São Paulo como gateway, a porta de entrada do Brasil para o mundo, conectando empresas, talentos, investimentos e inovação aos mercados.

(*) *Alessandra Andrade é presidente da São Paulo Negócios.

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Exportações de café solúvel sobem 20% em julho e EUA são o principal mercado, diz Abics

Setor vive momento positivo com a isenção das tarifas norte-americanas e a entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia; Abics projeta um segundo semestre ainda mais favorável

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras de café solúvel somaram 8,161 mil toneladas em julho de 2026 – equivalentes a 353.761 sacas de 60 kg em café verde –, volume 20% superior ao embarcado no mesmo mês do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O resultado consolida a retomada do produto no mercado internacional e vem acompanhado de um avanço igualmente expressivo no consumo doméstico.

Com o desempenho do mês passado, o Brasil acumula 57,4 mil toneladas (2,488 milhões de sacas) exportadas entre janeiro e julho deste ano, alta de 10,9% sobre as 51,7 mil toneladas (2,243 milhões de sacas) registradas nos mesmos sete meses de 2025.

Abics destaca importância da reação do setor

Para o diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, os números chegam em um momento de virada no ambiente comercial do setor. Em 1º de maio, entrou em vigor o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Na segunda quinzena de julho, os Estados Unidos incluíram o café solúvel na lista de isenções da nova tarifa aplicada a produtos brasileiros, encerrando o período de quase um ano em que o produto foi o único elo da cadeia cafeeira nacional a permanecer sobretaxado.

“São conquistas, contudo, recentes demais para explicar os volumes já embarcados. Nenhuma das duas medidas teve tempo de se refletir integralmente nos números de julho, mas o que já se enxerga é a reação desses mercados. Os embarques para a UE cresceram 51,4% entre maio e o fim de julho, somando 5,2 mil toneladas e as remessas aos EUA voltaram a crescer no mês passado, 9,5% acima de julho de 2025, com 1,3 mil toneladas. O efeito pleno das duas conquistas deve aparecer a partir do segundo semestre”, projeta Lima.

A receita cambial acumulada nos sete primeiros meses de 2026 somou US$ 663,5 milhões, recuo de 2,5% ante o mesmo intervalo do ano passado, variação modesta diante do salto em volume, conforme o executivo da Abics.

“É um descolamento explicado pelos preços: o mercado global opera, atualmente, abaixo das cotações excepcionais registradas em 2025. Embarcamos bastante mais café e faturamos praticamente o mesmo”, observa.

Principais importadores

Os Estados Unidos seguem como principal destino do café solúvel brasileiro, com 8,4 mil toneladas adquiridas entre janeiro e julho, montante 12% inferior ao do mesmo período de 2025.

Lima comenta que essa comparação pede contexto, já que todo o intervalo de 2026 transcorreu sob a sobretaxa americana, em vigor desde agosto de 2025, enquanto os sete primeiros meses do ano passado ainda foram anteriores à aplicação da medida.

“É justamente por isso que o dado de julho ganha peso. Mesmo comparado a uma base ainda livre de tarifas, o mês registrou 1,3 mil toneladas embarcadas aos EUA, alta de 9,5%, sendo o primeiro sinal claro de recuperação do fluxo, anterior à própria isenção, que passou a valer apenas nos últimos dias do mês passado”, analisa.

Na sequência aparecem a Argentina, com 4,6 mil toneladas e queda de 9,6% na comparação anual, e a Rússia, também com 4,6 mil toneladas, mas alta de 21,9%.

Chama atenção, entre os principais destinos do produto brasileiro em 2026, a presença de países que são grandes e tradicionais fabricantes de café solúvel e que, ainda assim, ampliaram fortemente as compras do Brasil.

A Colômbia ocupa o 4º lugar, com 3,4 mil toneladas (+145,7% ante 2025); a Indonésia vem imediatamente na sequência, com 3,2 mil toneladas (+49,6%); o México, com 2,3 mil toneladas (+33,2%), é o 9º no ranking; e o Vietnã fecha o top 10, com 2,2 mil toneladas (+67,2%).

“Esse movimento reforça a competitividade da indústria brasileira de café solúvel, que abastece, inclusive, seus concorrentes diretos”, anota o diretor executivo da Abics.

Lima aponta que o bloco europeu também marca presença no topo da lista, com a Polônia na sexta posição e um crescimento de 40,6%, a Estônia na sétima, com evolução de 103,4% e os Países Baixos em oitavo lugar, apresentando um avanço de 36,9%.

“Esses países estão entre os dez maiores compradores, todos registrando uma expansão expressiva na comparação com 2025. Essa é uma leitura que converge com o salto de 51,4% nos embarques à União Europeia, como um todo, desde maio”, comenta.

Consumo interno

O desempenho positivo não se restringe ao comércio exterior. No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o consumo de café solúvel pelos brasileiros alcançou 17,3 mil toneladas (751 mil sacas), incremento de 14,4% frente ao apurado entre janeiro e o fim de julho do ano passado.

Para a consultora de Mercado Interno da Abics, Eliana Relvas, o avanço tem uma explicação direta: a variedade de produtos que a indústria nacional passou a colocar nas prateleiras, ampliando a oferta ao consumidor.

“Hoje nós temos um sortimento muito amplo de café solúvel, desde cafés orgânicos, descafeinados, cafés premium e de excelência, enfim, variedade de oferta para diferentes momentos de consumo. Assim, a percepção de produtos de qualidade também aumentou”, explica.

Ela acrescenta que, para além da bebida, o café solúvel vem ganhando espaço como ingrediente em vários produtos, como em bebidas prontas para beber e em produtos em pó.

“Esses produtos vêm registrando um aumento importante no consumo, principalmente com proteína. Dessa forma, o café solúvel entra como um importante ingrediente nessa mescla de produtos voltados à reposição e à suplementação de proteína”, conta.

Outro fator, completa a consultora, é a queda de um antigo preconceito com a categoria.

“A quantidade de produtos ofertados no mercado faz com que o consumidor brasileiro consuma mais o café solúvel, tendo uma melhor percepção sobre ele, o que é bom porque entendem melhor a diversidade e a qualidade. Isso, aliado à praticidade de preparo e aos constantes investimentos das nossas indústrias, contribui para que o consumo permaneça evoluindo gradualmente”, conclui.

(*) Com informações da Abics

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Mauro Vieira diz que comércio Brasil-Asean deve superar EUA e União Europeia “num futuro próximo”

Brasil estreita laços com países asiáticos em meio a tarifaço dos EUA

Da Redação (*)

Brasília – Ao receber o representante da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Brasília, nesta terça-feira (18), o ministro das relações exteriores, Mauro Vieira, projetou que o comércio do Brasil com o Sudeste Asiático deve superar os negócios com os Estados Unidos (EUA) e com a União Europeia (UE) “num futuro próximo”.

O chanceler lembrou que o comércio brasileiro com a Asean, bloco que reúne 11 países asiáticos, aumentou 10 vezes entre 2003 a 2025, passando de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões.

“Nesse ritmo, o intercâmbio comercial deverá ultrapassar aquele com parceiros tradicionais do Brasil, como os EUA ou a União Europeia, no futuro próximo. O Brasil já exporta mais para a Singapura do que para a Alemanha. Exporta mais para a Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia do que para a França”, disse.

A fala ocorreu após reunião com secretário geral da Asean, o cambojano Kao Kim Hourn, em uma agenda para aprofundar as relações com o sudeste asiático. Entre os Estados membros da associação estão Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste e Camboja.

O encontro do ministro Mauro Vieira com a Asean ocorre em meio ao recente tarifaço dos EUA contra parte das exportações brasileiras, em um contexto em que o Brasil tenta diversificar exportações para minimizar os impactos econômicos do tarifaço de Donald Trump.

Vieira manifestou ainda o interesse do Brasil se tornar um “parceiro de diálogo” da Asean, condição hoje restrita aos EUA, União Europeia, Japão, Índia, China, Canadá, Rússia, Austrália e Coréia do Sul.

“Nossas regiões partilham o interesse em promover o desenvolvimento sustentável, ampliar os fluxos de comércio e investimentos e em fortalecer o Sul Global”, disse Vieira.

Asean vê Brasil como parceiro especial

O representante da Asean Kao Kim Hourn visita o Brasil a convite do governo brasileiro com agendas que vão de hoje até a próxima sexta-feira (21) e previsão de encontros com ministros de Estado, empresários e acadêmicos.

Na reunião do Itamaraty, o secretário-geral Kao Kim Hourn destacou que espera estreitar as relações com o Brasil.

“A Asean atribui grande importância à parceria com o Brasil. Desenvolvemos uma das relações mais dinâmicas e sustentáveis ​​na América Latina”, disse o secretário-geral.

Para Kao Kim, o Brasil e a Asean podem desenvolver parcerias na área econômica, via comércio e investimentos, assim como nas áreas de inovação, desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, agricultura, energia renovável e ação climática.

“Ressalto ainda que a Asean e o Brasil compartilham um forte compromisso com o multilateralismo baseado em regras, o diálogo e a cooperação internacional. Esse é um ponto fundamental para que países desenvolvidos e emergentes enfrentem juntos seus desafios comuns”, completou o cambojano.

Nos últimos 10 anos, os países da Asean duplicaram seus Produto Interno Brutos (PIBs), passando de US$ 2,5 trilhões para US$ 4,5 trilhões, considerando todos os Estados-membros. Juntos, eles somam mais de 700 milhões de habitantes.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Domínio invisível chinês – A nova fronteira da soberania

Márcio Coimbra (*)

Existe uma transformação silenciosa na América Latina. Enquanto a diplomacia se hipnotiza com a rivalidade entre superpotências, a geopolítica é reescrita nos bastidores de prefeituras, editais de transporte e câmeras urbanas. Trata-se da expansão chinesa em sua versão mais sutil: um modelo que abandona os holofotes para se enraizar na infraestrutura básica que faz as cidades funcionarem.

A eficácia dessa abordagem reside no ponto cego criado para o Ocidente. Atento ao desgaste de obras como megaportos e usinas, Pequim recalibrou suas agulhas para priorizar a negociação capilar com governadores e prefeitos, oferecendo respostas imediatas a demandas locais. Ao fornecer ônibus elétricos, gerenciar redes de energia ou manter trens, corporações chinesas erguem uma dependência sistêmica. Cada contrato parece inofensivo, mas o efeito cumulativo é devastador: quando um estado percebe que seus serviços dependem exclusivamente de suporte chinês, sua margem de manobra política evapora.

Essa presença física serve de veículo para o motor do domínio contemporâneo: a Rota da Seda Digital. Em vez de erguer apenas concreto e aço, a China constrói os canais invisíveis da informação. Prefeituras sem diretrizes de segurança cibernética encontram em gigantes chinesas ofertas irrecusáveis de modernização. Redes 5G e a migração de dados para a nuvem fazem a máquina pública operar sob uma arquitetura mantida por Pequim. Consolida-se o aprisionamento tecnológico: governos locais tornam-se reféns de atualizações e suporte contínuo, transferindo sua soberania sem que a sociedade perceba.

O desdobramento mais sensível dessa arquitetura é o processamento de dados por Inteligência Artificial. Sob o conceito de “Cidades Seguras”, adquirem-se sistemas para mapear o tráfego, rastrear veículos e identificar rostos em tempo real, ocultando sob o combate ao crime uma colheita ininterrupta de dados biométricos. O perigo geopolítico vincula-se à Lei de Inteligência Nacional da China, que obriga empresas a cooperarem com o Estado. Assim, o acervo colhido na região fica exposto ao acesso direto de Pequim, estabelecendo uma vigilância preditiva sem precedentes.

A corrupção e o pragmatismo político funcionam como o lubrificante ideal para que gigantes chinesas contornem auditorias técnicas e éticas. O caso da Hikvision no Rio de Janeiro ilustra essa dinâmica: sob o pretexto da segurança pública, o estado firmou contratos milionários de reconhecimento facial em meio a denúncias de opacidade, direcionamento e superfaturamento. Enquanto a empresa sofria sanções por riscos de segurança e violações de direitos humanos, a administração no Rio aprofundava a parceria, entregando o controle do espaço público indiretamente para Pequim.

A Rota da Seda Digital reconfigura a soberania continental. A América Latina não está sendo submetida por doutrinação ideológica ou coerção militar, mas pela dependência operacional dos elementos básicos da sociedade moderna. À medida que prefeituras e estados entregam redes de energia, dados biométricos e trânsito ao ecossistema tecnológico de Pequim, a autonomia dilui-se de baixo para cima. O resultado é uma hegemonia algorítmica e invisível — erguida em cada servidor instalado, câmera ativada e licitação homologada —, que redesenha o mapa do poder global sem que o mundo perceba.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

 

 

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BD fortalece gestão de comércio exterior com plataforma da eComex e amplia governança sobre operação de importação

Solução integrada apoia uma operação distribuída em cinco estados brasileiros, reduz atividades manuais, fortalece a conformidade regulatória e aumenta a rastreabilidade dos processos

Da Redação (*)

Brasília – Operar uma cadeia de comércio exterior que envolve diferentes modais de transporte, parceiros logísticos, órgãos reguladores e milhares de produtos exige muito mais do que eficiência operacional. Para a BD, empresa global de tecnologia médica, manter controle, rastreabilidade e conformidade em todas as etapas do processo tornou-se um fator estratégico para garantir o abastecimento do mercado brasileiro e acompanhar a evolução das exigências regulatórias.

Foi nesse contexto que a companhia consolidou sua parceria com a eComex. Há quase dez anos, a plataforma passou a centralizar a gestão das operações de importação da empresa no Brasil, conectando processos, pessoas e sistemas em uma única plataforma.

“Hoje, a eComex está no coração da nossa operação. É por meio da plataforma que monitoramos todo o fluxo das importações e mantemos a comunicação com despachantes, órgãos reguladores e sistemas governamentais. Em uma operação desse porte, garantir controle, velocidade e rastreabilidade é fundamental”, afirma Hugo Aragão, especialista de Comércio Exterior da BD.

A operação da companhia contempla cargas aéreas, marítimas e rodoviárias, distribuídas entre unidades e centros logísticos localizados em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco  e Santa Catarina. Além de abastecer o mercado brasileiro, a empresa também exporta produtos fabricados no país para mais de 20 mercados internacionais.

Busca de uma solução robusta

Ao avaliar as alternativas disponíveis no mercado, a BD buscava uma solução que acompanhasse a complexidade de sua operação global e se integrasse ao ambiente tecnológico já existente, preservando a governança dos processos.

“Por sermos uma empresa global, precisávamos de uma solução robusta, que se integrasse ao nosso ecossistema sem causar impactos relevantes nas ferramentas internas. Além disso, era essencial contar com uma plataforma que garantisse o controle da operação e a conformidade dos processos”, explica Aragão.

Atualmente, a plataforma da eComex está integrada ao SAP e aos sistemas governamentais, como Siscomex e Portal Único de Comércio Exterior (PUCOMEX), reunindo em um único ambiente a gestão das importações, documentação, licenças, custos e demais processos regulatórios. A solução também ampliou a visibilidade sobre toda a operação e reduziu atividades manuais, tornando os fluxos mais ágeis e confiáveis.

“Hoje temos mais velocidade na operação e muito mais confiança nas informações. Quando os sistemas não são integrados, é preciso replicar dados diversas vezes, aumentando o risco de erros”, destaca.

Em um setor altamente regulado como o de saúde, manter a operação aderente às constantes mudanças na legislação e nos sistemas governamentais é um desafio permanente. Nesse cenário, a evolução contínua da plataforma tem permitido à companhia acompanhar essas transformações sem comprometer a continuidade dos processos.

“A operação evolui constantemente e o ecossistema de comércio exterior também. Manter os sistemas atualizados é indispensável para garantir que os processos continuem funcionando com segurança e conformidade. A eComex tem sido uma parceira importante nessa evolução”, afirma Aragão.

Soluções inteligentes e conectadas

Ao longo da parceria, esse processo de evolução também trouxe ganhos estruturais para a gestão do comércio exterior da companhia. Com maior padronização dos processos, rastreabilidade das operações e confiabilidade das informações, a BD ampliou sua capacidade de governança e passou a sustentar o crescimento da operação com mais previsibilidade.

Para André Barros, CEO da eComex, empresas inseridas em cadeias globais e altamente reguladas precisam de tecnologia capaz de transformar a gestão do comércio exterior em um processo cada vez mais estratégico.

“Nosso compromisso é apoiar empresas como a BD na construção de operações mais inteligentes, conectadas e preparadas para acompanhar a evolução tecnológica e regulatória. Quando informação, automação e conformidade caminham juntas, o comércio exterior deixa de ser apenas uma atividade operacional e passa a gerar valor para todo o negócio.”

Com uma operação de comércio exterior altamente complexa, a BD reforça sua capacidade de atuar com mais controle, rastreabilidade e previsibilidade, consolidando uma gestão preparada para acompanhar a evolução das demandas regulatórias e do mercado.

(*) Com informações da eComex

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MPMEs brasileiras: crédito difícil, burocracia, modelo exportador concentrado são obstáculos na busca pela internacionalização

Da Redação

Brasília – Em países como a China, Itália,  Espanha, Portugal e Estados Unidos a participação das Micros, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) nas exportações oscilam entre até 55-60%, Enquanto isso, no Brasil, essas empresas respondem por apenas 0,8% do valor total exportado pelo país, apesar de representarem a imensa maioria dos negócios brasileiros. Essa baixa participação nas vendas externas é justificada, entre outros motivos pelo fato de que as MPMEs enfrentam desafios importantes, como custos logísticos elevados, necessidade de adequação a normas e certificações internacionais e dificuldades de acesso ao crédito voltado para a exportação.

Nesse cenário, afirma Gustavo Reis, analista de Acesso a Mercados do Sebrae, “o grande desafio dos próximos anos não é apenas aumentar o número de MPMEs exportadoras, mas também elevar sua participação no valor exportado, agregando mais tecnologia, inovação, diferenciação e valor aos produtos brasileiros”.

Para o especialista, “nos próximos anos, será fundamental ampliar instrumentos financeiros específicos para exportação de pequenos negócios, com processos mais simples, maior capilaridade e custos compatíveis com a realidade das micro e pequenas empresas”.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as MPMEs respondem por apenas 0,8% das exportações brasileiras, enquanto em países como a China a participação dessas empresas no valor exportado oscila entre 55% e 60¨, com um crescente protagonismo das MPMEs no total embarcado para o exterior, impulsionadas pelo comércio eletrônico e uma forte integração com as cadeias globais. No caso da Itália, essa participação se situa entre 50% e 55%, graças a um modelo baseado em distritos industriais e empresas familiares.

Panorama idêntico se registra na Espanha, onde esse grupo de empresas contribui entre 45% e 50% do valor exportado com uma forte presença nas vendas externas de manufaturas, alimentos, modas e bens industriais. Em Portugal, as MPMEs respondem por até 50% do valor exportado envolvendo produtos como têxteis, calçados, móveis, vinhos e alimentos.

Gustavo Reis credita essa baixa participação das MPMEs à forte concentração das exportações brasileiras em commodities agrícolas, minerais e produtos industriais de grande escala, setores tradicionalmente liderados por grandes empresas, embora as micro e pequenas empresas representem a imensa maioria dos negócios brasileiros.

Importância das parcerias no processo de internacionalização

Na busca de transformar essa realidade, afirma Gustavo Reis, o Sebrae atua por meio de uma ampla rede de parcerias nacionais e internacionais voltadas ao fortalecimento da competitividade e da internacionalização dos pequenos negócios.

Essas iniciativas incluem cooperação técnica com organismos multilaterais, entidades de promoção de comércio exterior, instituições de apoio empresarial e ambientes de inovação em diversos países. O objetivo é compartilhar boas práticas, gerar conhecimento, promover capacitações e facilitar conexões comerciais para empresas brasileiras.

Além das parcerias internacionais, o Sebrae trabalha de forma integrada com o governo federal , por meio da PNCE – Política Nacional da Cultura Exportadora, Ministério do Desenvolvimento e Indústria e Comércio (MDIC), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e Apex Brasil, câmaras de comércio, federações empresariais e entidades setoriais, ampliando as oportunidades de inserção das pequenas empresas em mercados estratégicos como Estados Unidos, União Europeia, China e América Latina.

Ampliar a participação dos pequenos negócios brasileiros no comércio eletrônico internacional faz parte do esforço implementado pelo Sebrae visando contribuir para uma maior internacionalização dessas empresas. Segundo Gustavo Reis, “nos últimos anos, ganharam relevância iniciativas ligadas a esse segmento, permitindo que micro e pequenas empresas alcancem consumidores e compradores em diversos países por meio de plataformas digitais e marketplaces globais. O foco do Sebrae é reduzir as barreiras de entrada e criar condições para que mais empresas possam competir internacionalmente de forma sustentável”.

A importância do acesso ao crédito pelas MPMEs

Ao contrário do que acontece nos países em que os pequenos negócios são elemento fundamental no ambiente exportador e nos quais o crédito farto e desburocratizado é elemento essencial do processo, no Brasil, o acesso ao crédito continua sendo um dos maiores desafios para as pequenas e micro e pequenas empresas.

Na percepção do analista do Sebrae, “O acesso ao crédito continua sendo um dos maiores desafios para as micro e pequenas empresas brasileiras. Exportar pode exigir investimentos em adaptação de produtos, certificações, embalagens, promoção comercial, participação em feiras, adequação regulatória e capital de giro. Muitas empresas possuem potencial exportador, mas encontram dificuldades para financiar essa etapa de crescimento. O Sebrae atua em diversas frentes para reduzir esse obstáculo. Uma delas é a orientação financeira e a preparação empresarial, ajudando os empreendedores a estruturarem melhor seus projetos e aumentarem sua capacidade de acessar recursos financeiros”.

De acordo com Gustavo Reis, “também trabalhamos na articulação com instituições financeiras, fundos garantidores, agentes de crédito e programas públicos que possam apoiar investimentos necessários à internacionalização. Um dos exemplos é o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), do Sebrae, que funciona como um aval complementar às garantias pessoais do empreendedor de pequeno porte, permitindo que consigam crédito mais facilmente junto a instituições financeiras parceiras. Outro aspecto importante é a redução de riscos. Quanto mais preparada está a empresa, maior sua capacidade de acessar financiamentos e transformar oportunidades internacionais em negócios efetivos. Por isso, crédito e capacitação precisam caminhar juntos”.

Além das parcerias internacionais, o Sebrae trabalha de forma integrada com o governo federal , por meio da PNCE – Política Nacional da Cultura Exportadora, Ministério do Desenvolvimento e Indústria e Comércio (MDIC), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e Apex Brasil, câmaras de comércio, federações empresariais e entidades setoriais, ampliando as oportunidades de inserção das pequenas empresas em mercados estratégicos como Estados Unidos, União Europeia, China e América Latina.

PEIEX, parceria ApexBrasil e Sebrae

Outro elemento relevante nesse esforço destinado a aumentar a participação dos pequenos negócios nas exportações brasileiras são as iniciativas contidas no Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), uma iniciativa da Apex Brasil e que, em alguns estados, é executado pelo Sebrae e consolidou-se como uma das principais portas de entrada para empresas que desejam iniciar sua jornada internacional.

Gustavo Reis afirma que “a maior contribuição do programa é conscientizar e preparar os empreendimentos para exportar de forma estruturada. Muitas empresas possuem produtos ou serviços com potencial internacional, mas precisam desenvolver processos, planejamento, gestão comercial, adequação de produtos e conhecimento dos mercados externos antes de realizar suas primeiras operações. Ao longo de sua trajetória, o programa contribuiu para a formação de empresas em todas as regiões do país, fortalecendo a cultura exportadora e ampliando a base de negócios preparados para atuar no mercado internacional”.

Ao concluir, o analista do Sebrae ressalta que “mais do que medir apenas a primeira exportação realizada, é importante observar a construção de capacidades permanentes dentro das empresas. O processo de internacionalização é uma jornada que exige preparação, maturação e continuidade”.

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Conheça em Congonhas (MG), o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, obra-prima de Aleijadinho e Patrimônio Mundial da Unesco

Conheça em Congonhas (MG) A cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte, destino abriga o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, famoso pelos 12 Profetas em pedra-sabão e por um dos mais importantes conjuntos do barroco brasileiro

Da Redação (*)

Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1985, o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG), reúne um dos mais importantes conjuntos artísticos e religiosos do Brasil. O complexo preserva a basílica, seis capelas que retratam a Paixão de Cristo e as famosas esculturas dos 12 Profetas, consideradas a principal obra de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

A construção do santuário começou em 1757, após uma promessa feita pelo minerador português Feliciano Mendes, que atribuiu ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos  sua recuperação de uma grave doença. Ao longo dos séculos 18 e 19, o monumento recebeu a contribuição de importantes artistas do Período Colonial, como Aleijadinho e Mestre Ataíde, tornando-se uma das maiores referências da arte barroca na América Latina.

Reconhecimento

A Unesco reconheceu o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos por representar uma das mais importantes realizações da arte barroca na América Latina. O conjunto reúne a basílica, as esculturas dos 12 Profetas em pedra-sabão e as seis capelas dos Passos da Paixão, que preservam 66 esculturas em madeira policromada (pintada em várias cores) representando os últimos momentos da vida de Jesus Cristo.

Grande parte dessas obras foi produzida por Aleijadinho entre o fim do século 18 e o início do século 19. Consideradas o ponto mais alto de sua carreira, as esculturas tornaram-se um dos principais símbolos do barroco brasileiro e foram decisivas para o reconhecimento internacional do santuário.

O que fazer

Entre os principais atrativos estão:

  • Santuário do Bom Jesus de Matosinhos: principal cartão-postal da cidade, reúne a basílica e todo o conjunto reconhecido pela Unesco.
  • 12 Profetas: esculturas em pedra-sabão, produzidas por Aleijadinho entre 1800 e 1805, consideradas uma das maiores obras da arte barroca brasileira.
  • Capelas dos Passos da Paixão: seis capelas preservam 66 esculturas em madeira policromada, que retratam cenas da Paixão de Cristo.
  • Salão dos Ex-Votos: espaço que reúne objetos deixados por fiéis em agradecimento por graças alcançadas ao longo de mais de dois séculos de devoção.
  • Museu de Congonhas: apresenta exposições sobre a história do santuário, a obra de Aleijadinho e a formação da cidade.
  • Beco dos Canudos: preserva construções do Período Colonial, que hoje abrigam lojas de artesanato em pedra-sabão, madeira, cerâmica e outros produtos típicos.

Quem tiver mais tempo também pode visitar a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a antiga Estação Ferroviária, importantes marcos da história de Congonhas.

Quando visitar

O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos pode ser visitado durante todo o ano, mas algumas celebrações tornam a experiência mais especial:

  • Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos (setembro): principal festa religiosa da cidade, reúne milhares de romeiros de diferentes estados.
  • Semana Santa: procissões, celebrações religiosas e encenações da Paixão de Cristo movimentam o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos e as igrejas históricas da cidade.
  • Corpus Christi: fiéis confeccionam tapetes ornamentais, que cobrem as ruas próximas ao santuário; tradição que integra as celebrações religiosas da data.
  • Natal: missas, concertos e apresentações culturais integram a programação de fim de ano nas igrejas e espaços históricos da cidade.

Ao longo do ano, Congonhas também promove eventos culturais, exposições e atividades ligadas ao patrimônio histórico e ao barroco mineiro.

Como chegar

Congonhas está na região Central de Minas Gerais, a cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte. Quem chega de avião pode desembarcar no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (Confins) e seguir de carro, ônibus ou traslado até o município. Para quem viaja de carro, o principal acesso é pela BR-040, rodovia que liga Belo Horizonte à cidade. Também há linhas regulares de ônibus partindo da capital mineira.

Patrimônio Mundial

A Lista do Patrimônio Mundial reúne locais reconhecidos pela Unesco por sua importância cultural, natural ou histórica para a humanidade. Os bens inscritos são considerados de Valor Universal Excepcional e passam a integrar uma relação internacional de patrimônios cuja preservação é de interesse mundial.

O Brasil possui atualmente 26 bens inscritos na lista, distribuídos entre as categorias Cultural, Natural e Mista.

(*) Com informações do MTur

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