Voo Shanghai-Buenos Aires,  rota mais longa do mundo, celebra primeira semana com alta taxa de ocupação

A rota “Shanghai-Auckland-Buenos Aires”, operada pela China Eastern Airlines, não só estabeleceu um recorde como a rota aérea comercial mais longa do mundo, mas também, como uma ponte aérea que liga o Hemisfério Sul e o Leste Asiático, está abrindo um grande potencial para o intercâmbio de pessoas, comércio e cultura.

Da Redação (*)

Brasília – Nas primeiras horas da sexta-feira (12), o terceiro voo direto de ida e volta ligando a China à Argentina partiu de Buenos Aires, capital argentina, com destino ao Aeroporto Internacional de Shanghai Pudong, marcando a conclusão bem-sucedida da primeira semana de operações desta “rota sul” que atravessa três continentes e cobre aproximadamente 20.000 quilômetros.

O terceiro voo reflete a execução impecável da nova rota e a demonstração inicial do seu potencial de mercado. A rota “Shanghai-Auckland-Buenos Aires”, operada pela China Eastern Airlines, não só estabeleceu um recorde como a rota aérea comercial mais longa do mundo, mas também, como uma ponte aérea que liga o Hemisfério Sul ao Leste Asiático, está abrindo um grande potencial para o intercâmbio de pessoas, comércio e cultura.

DA NOVIDADE À NORMALIDADE

Nas primeiras horas de 4 de dezembro, uma aeronave da China Eastern Airlines partiu do Aeroporto Internacional de Pudong, em Shanghai, e, após uma escala em Auckland, na Nova Zelândia, seguiu viagem para Buenos Aires, marcando o lançamento oficial da rota direta. Isso preencheu a lacuna histórica de voos diretos entre Shanghai e as principais cidades da América do Sul, inaugurando um “corredor sul” através do Oceano Pacífico.

Devido à distância extremamente longa e às limitações de desempenho das aeronaves, era praticamente impossível voar diretamente da China para a América do Sul, o que exigia múltiplas escalas. A nova rota encurta significativamente a viagem, que antes levava quase 30 horas, reduzindo o tempo total de deslocamento e minimizando o impacto do jet lag causado pelas repetidas conexões.

A alta taxa de ocupação de 96% do voo inaugural mostrou um forte entusiasmo do mercado. No terceiro voo, esse entusiasmo começou a mudar de “novidade” para um planejamento mais pragmático de viagens e negócios.

Liu Yanan, assistente do gerente-geral de receita de rede do Departamento de Marketing da China Eastern Airlines, observou que houve recentemente um aumento notável nas consultas de empresários sul-americanos que buscam viajar para a China por meio dessa rota para estudar o mercado ou participar de feiras comerciais.

A nova conexão não apenas encurta a distância geográfica, mas também reduz a distância psicológica e os custos de oportunidade, promovendo intercâmbios interpessoais e interações comerciais entre os dois países e entre a China e toda a região da América do Sul.

DO PRESENTE INAUGURAL AO FLUXO CONSTANTE

Fu Damao, vice-gerente-geral da divisão de cadeia de frio da China Eastern Airlines Logistics, disse que o primeiro voo de retorno transportou 2,1 toneladas de cerejas argentinas e 10,5 toneladas de salmão fresco chileno no compartimento de carga da aeronave de passageiros. Esses produtos sul-americanos de alta qualidade foram recebidos com empolgação pelos internautas chineses como um “presente inaugural” trazido pelo voo direto.

Os dados operacionais mais recentes mostram que o volume de carga do segundo voo de ida aumentou 76,6% em comparação com o voo inaugural, com crescimento significativo em produtos de comércio eletrônico e instrumentos de precisão. O segundo e o terceiro voos de retorno continuaram transportando de forma constante produtos frescos de alta qualidade da América do Sul.

Para Hernan De Bellis, CEO da Extraberries, o estabelecimento de uma rota aérea direta é uma mudança fundamental para as cerejas, cujo valor depende muito do frescor e do acesso adequado a mercados altamente competitivos como a China.

“Isso é muito positivo, principalmente porque nosso principal atributo é o frescor da fruta, e ter um voo direto que preserve da melhor forma a qualidade, o sabor e a aparência das cerejas são diferenciais que a Extraberries busca constantemente para oferecer um produto melhor ao consumidor”, disse De Bellis à Xinhua em entrevista.

Com a rota direta Shanghai-Buenos Aires operando, a Extraberries identificou novas oportunidades de crescimento ao planejar novos modelos de distribuição para varejo, plataformas de e-commerce e clientes que exigem entregas rápidas e entregas finais precisas.

“Para a Extraberries, a oportunidade se abre para o fornecimento a varejistas, comércio eletrônico e diversos clientes que precisam ter a logística de entrega final garantida em termos de prazos, além de manter o frescor das frutas”, disse De Bellis.

De Bellis acrescentou que, graças aos novos voos, muitas empresas argentinas veem Shanghai como um centro logístico para entrar em todo o mercado asiático, facilitando assim a expansão para mercados que antes eram quase inacessíveis para as empresas argentinas.

Fu disse que a drástica redução no tempo de voo e o modelo “um avião para todo o trajeto” reduzem efetivamente o risco de danos à carga e melhoram a confiabilidade da cadeia de suprimentos. Ele acredita que a importância da nova rota está em fornecer uma solução logística estável, eficiente e com bom custo-benefício.

Espera-se que essa rota transporte com segurança entre 80 e 100 toneladas de produtos sul-americanos de qualidade para a China mensalmente, disse Fu.

DA CONECTIVIDADE À SINERGIA MULTISSETORIAL

A abertura da rota não é o objetivo final, mas o ponto de partida para uma cooperação mais abrangente. A China Eastern Airlines assinou um acordo com a Argentine Airlines para cooperar em mais de 50 rotas por meio de compartilhamento de códigos e outras modalidades, expandindo ainda mais sua rede global.

O voo MU745 da China Eastern Airlines, a primeira rota aérea direta entre a China e a Argentina, passa por jatos de água no Aeroporto Internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, Argentina, em 4 de dezembro de 2025. (Xinhua/Zhang Duo)

Profissionais dos setores de turismo chinês e argentino disseram que a nova rota proporcionará um suporte mais eficiente para intercâmbios relacionados a eventos esportivos, fóruns acadêmicos e promoções turísticas, o que poderá gerar um “efeito combinado”. A cooperação em diversas áreas, como comércio, turismo, cultura, esportes e exposições, deverá gerar esse efeito.

Celeste Toricez e Feng Ziqian, especialistas em turismo China-Argentina, colaboram com agências locais para oferecer viagens e experiências diferenciadas, como jantares com apresentações de tango e passeios alternativos além dos circuitos tradicionais da Argentina, um segmento fortalecido pela nova conectividade.

“A baixa temporada no Hemisfério Norte é uma vantagem para atrair turistas chineses com alto poder aquisitivo que buscam destinos únicos; a Argentina, por ser um destino longe, vira um local atraente para esses viajantes, e nós fornecemos informações essenciais para que a experiência deles seja segura e enriquecedora”, disseram à Xinhua.

Da empolgação em torno do voo inaugural à chegada tranquila do terceiro, a rota comercial mais longa do mundo agora faz parte da rede global de aviação e do sistema de comércio internacional.

Liu disse que a rota não é só um atalho que economiza algumas horas de voo, mas uma ponte que promove o intercâmbio interpessoal, a cooperação comercial e o aprendizado mútuo. Conforme a frequência de voos aumenta e a cooperação se aprofunda, espera-se que essa “ponte aérea” que atravessa o Sul Global continue abrindo seu potencial de interconectividade.

(*) Com informações da Agência Xinhua

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Lula destaca abertura de 500 mercados internacionais para agropecuária e destaca exportações de US$ 3,4 bilhões

Segundo o presidente, negócios resultaram em US$ 3,4 bi em exportações

Da Redação (*)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (15), que o trabalho coletivo do governo e a qualidade da produção nacional são os responsáveis pela abertura de mais de 500 mercados internacionais para produtos agropecuários brasileiros entre 2023 e 2025. “O acerto das coisas que estão acontecendo no Brasil se deve ao aprendizado que nós tivemos ao longo de muitos anos”, disse.

Lula participou, em Brasília, da inauguração da sede própria da ApexBrasil, a agência de promoção comercial do país no exterior. O evento também celebra a abertura dos 500 novos mercados fora do Brasil, que já resultam em US$ 3,4 bilhões em exportações.

Esse trabalho de expansão comercial é liderado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com participação da ApexBrasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e em articulação com o setor privado.

“O que acontece no Brasil hoje: a gente produz para atender o mercado interno e a gente produz tão bem que a gente consegue atender as necessidades do mercado externo. Essa é a coisa mais perfeita que poderia acontecer”, destacou Lula.

O presidente elogiou o trabalho dos ministros e de autoridades envolvidas na internacionalização do Brasil e contou que quer expandir mais. No próximo ano, por exemplo, ele participa da Feira de Hannover, na Alemanha, um dos principais eventos de inovação e tecnologia industrial do mundo. Para Lula, a indústria nacional já é competitiva e tem identidade própria.

“Nós já não precisamos do que eles precisam. Agora, quem tem que falar isso somos nós. Então, nessa feira, a gente vai ver se leva a maior quantidade de empresário que nós já levamos, porque chega do Brasil se apresentar como se fosse um coitadinho”, afirmou.

Lula ainda viaja para a Coreia do Sul, onde quer explorar parcerias no setor de cosméticos, e para a Índia, onde, segundo ele, há potencial nas áreas de defesa, de fármacos e de tecnologias agrícolas.

Abertura de 500 novos mercados: feito histórico da diplomacia

Os 500 mercados abertos em mais de 80 países têm potencial de exportação de mais de US$ 37,5 bilhões por ano, de acordo com estimativas do Mapa. Cada país pode ter vários mercados para diferentes tipos de produtos. Entre os itens habilitados nesses novos mercados, os destaques são carnes, algodão, frutas e pescados.

Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o “feito histórico” de expansão comercial é resultado da boa diplomacia brasileira e da capacidade de produção do país. Ele ainda lembrou que, em 2025, o Brasil recebeu a certificação de país livre de febre aftosa.

“Por 72 anos, o Brasil lutou contra essa doença. E o mundo agora reconhece a sanidade dos produtos brasileiros, capacidade de produzir cada vez mais com garantia das qualidades. Para isso, para ganhar força de trabalho, saímos de 29 adidos [representante do país no exterior] para 40 novos adidos percorrendo os países, interagindo com os empresários. Enfim, uma força tarefa sempre precedente”, afirmou.

Segundo Fávaro, os 500 novos mercados, gradativamente, se transformarão em novos negócios. “O empresário do outro lado compra um produto, faz o primeiro container, vê que o produto é bom, vê que chega na hora certa, que tem demanda e o Brasil aguenta suprir essa demanda, ele vai ampliar. O fruto desses 500 mercados, o Brasil vai entender nos próximos anos, a odisseia e a grande oportunidade”, acrescentou.

Promoção comercial

De acordo com a ApexBrasil, entre 2023 e 2025, o esforço conjunto entre a agência, o  Mapa e MRE resultou em mais de 170 ações internacionais em 42 países, alcançando US$ 18 bilhões em negócios projetados e atendendo mais de três mil empresas brasileiras. Neste período, foram realizadas 19 missões oficiais presidenciais e 5 vice-presidenciais.

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, contou ainda a importância da parceria com o setor privado.

“A ApexBrasil tem 52 convênios com 52 setores da economia do Brasil [para participação em eventos no exterior]. Convênios meio a meio, a Apex põe a metade do dinheiro e as organizações põe a metade do dinheiro. Para quê? Para o Brasil estar presente no mundo inteiro. São mil eventos por ano”, disse.

Criada oficialmente em 2003, no primeiro mandato do presidente Lula, até outubro de 2025, a ApexBrasil registrou 20.754 empresas apoiadas no ano, sendo 66% delas de micro, pequenas e médias, com foco especial nas regiões Norte e Nordeste, dentro de uma estratégia de descentralização das ações de promoção comercial.

O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, contou que o Brasil deve bater o recorde de exportação neste ano. “Mesmo com o mundo crescendo menos e preço menor, nós devemos bater um recorde de US$ 345 bilhões de exportação, e US$ 629 bilhões de corrente de comércio. Até o panetone aumentou a exportação, aumentou 4% da exportação de panetone esse ano”, disse.

“Não há país do mundo que tenha um crescimento mais forte e sustentável que não se abriu ao mundo, que não priorizou o comércio exterior, que não conquistou o mercado”, acrescentou Alckmin.

(*) Com informações da Agência Brasil

 

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Governo brasileiro projeta assinatura do Acordo Mercosul-UE no sábado apesar de preocupação com salvaguardas europeias

Da Redação (*)

Brasília – O governo brasileiro trabalha com a expectativa de que o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) seja assinado no próximo dia 20, durante a 67ª Cúpula do Mercosul e Estados Associados. De acordo com o Itamaraty, há, no entanto, preocupações com relação às salvaguardas que deverão ser apresentadas pelo bloco europeu.

“Nossa expectativa é de assinar o acordo no sábado, mas, de fato, as salvaguardas são motivo de preocupação”, disse, nesta segunda-feira (15), a secretária de América Latina e Caribe, Gisela Padovan, do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

A afirmação foi durante coletiva de imprensa para detalhar a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula de chefes de Estado, no dia 20 em Foz do Iguaçu (PR). O encontro deverá contar com a participação da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Mercosul

No dia 19, um dia antes do encontro de chefes de Estado, está prevista uma reunião prévia do bloco, entre ministros das áreas econômicas.

As reuniões de autoridades abordarão temas como a entrada de novos membros no bloco, além de questões de interesse comum, como os problemas causados por conta das mudanças climáticas.

Segundo Gisela Padovan, o Brasil trabalha para incluir a Bolívia como Estado Parte do Mercosul. “Diversas reuniões têm sido feitas com esse objetivo, para que [a Bolívia] entre rápido [no bloco]”, disse a secretária, ao ponderar que, para isso, é necessário checar se alguns pré-requisitos já foram cumpridos por aquele país.

Há também movimentos buscando aproximar o Mercosul de países da América Central e do Caribe. “As conversas com a República Dominicana estão avançando”, antecipou a secretária.

Padovan reiterou que o Brasil sempre lutou para integrar os setores automotivo e açucareiro na Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, saindo das atuais exceções e acordos bilaterais (como Brasil-Argentina), para criar uma política comum gradual.

A secretária lembrou que, nesta edição, o encontro contará também com uma cúpula social. “Será uma oportunidade para que entidades da sociedade civil manifestem suas questões diretamente com os chefes de Estado”, disse Padovan.

Salvaguardas

As salvaguardas, citadas em tom de preocupação pela secretária, estão sendo criadas pelo parlamento europeu como forma de proteger o mercado europeu dos produtos agropecuários do Mercosul – em muitos casos com melhores condições de concorrência do que os produtos do velho continente.

A França, maior produtor de carne bovina da União Europeia, é o país que mais tem criado dificuldades para o acordo entre os dois blocos. Em algumas oportunidades, representantes franceses classificaram o acordo como “inaceitável”, sob o argumento de que não leva em consideração exigências ambientais na produção agrícola e industrial.

Agricultores europeus já protestaram diversas vezes, dizendo que o acordo levaria a importações baratas de commodities sul-americanas, principalmente carne bovina, que não atendem aos padrões de segurança alimentar e ecológicos do bloco europeu.

Da parte brasileira, há também preocupações com relação a práticas sustentáveis que podem ser usada pelo bloco europeu como desculpa para aplicar medidas de proteção de seu mercado contra produtos de países de fora do bloco.

Mercosul e União Europeia negociam esse acordo de livre comércio há 26 anos. Durante o encontro com a imprensa, a secretária do Itamaraty lembrou que a União Europeia é um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas, com um PIB de US$ 22 trilhões.

Histórico

A União Europeia e o bloco formado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai completaram as negociações sobre o acordo em dezembro passado, cerca de 25 anos após o início das conversações. Serão firmados dois textos: o primeiro de natureza econômica-comercial, que é de vigência provisória, e um acordo completo.

Em setembro, eles foram submetidos formalmente pela Comissão Europeia ao Parlamento Europeu e aos estados-membros do bloco europeu. O Parlamento Europeu precisa aprovar com votos favoráveis de 50% dos deputados mais um, o que pode ter resistências de países como a França, que questionam termos do acordo.

Além disso, pelo menos 15 dos 27 países precisam ratificar o texto, representando pelo menos 65% da população total da União Europeia, o que pode levar vários anos. Quando o acordo completo entrar em vigor, ele substituirá o acordo comercial provisório.

Os países do Mercosul precisam fazer o mesmo e submeter o documento final aos seus parlamentares, mas a entrada em vigor é individual, ou seja, não é preciso esperar a aprovação dos parlamentos dos quatro estados-membros.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Lições do primeiro superávit comercial de US$ 1trilhão da China: a percepção da Trade Data Monitor

John Miller (*)

Após uma queda anual em outubro, as exportações da China se recuperaram em novembro a ponto de ser quase certo que, em 2025, o país que estava mergulhado na pobreza quando você e eu nascemos se tornará a primeira nação a registrar um superávit comercial de US$ 1 trilhão.

O número é apenas um número, mas é um número grande, e está causando ondas de choque em salas de reuniões e gabinetes de lideranças nacionais em todo o mundo. O presidente francês, Emmanuel Macron, alertou que a Europa pode ter que seguir os EUA na implementação de medidas protecionistas.

Um bom novembro (para a China)

Em novembro, as exportações chinesas aumentaram 5,9% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 330,4 bilhões. Isso elevou o total das exportações do ano para US$ 3,41 trilhões. Com as importações totais em US$ 2,34 trilhões, o superávit geral é de US$ 1,07 trilhão. É improvável que a China registre déficit comercial em dezembro, o que significa que o superávit se manterá ao longo de todo o ano de 2025. Em 2024, o superávit comercial da China ficou pouco abaixo de US$ 1 trilhão.

No geral, as importações aumentaram 1,9% em novembro, atingindo US$ 218,7 bilhões. As importações dos EUA caíram 19%, para US$ 10,1 bilhões. As importações da UE registraram um leve aumento de 1,7%, para US$ 22 bilhões. Já as importações do Vietnã cresceram 9,8%, para US$ 8,8 bilhões.

Como tudo começou

A trajetória da China até este ponto é uma história bem documentada. Nas décadas de 1980 e 1990, as políticas de incentivo à exportação da liderança do Partido Comunista Chinês e os vastos recursos disponíveis, incluindo uma força de trabalho doméstica excepcional e um enorme mercado interno, atraíram capital de todo o mundo e levaram os aliados a apoiar a adesão da China à Organização Mundial do Comércio em 2001.

Nesta década, houve uma reação protecionista liderada pelos EUA que buscou prejudicar as exportações chinesas. Em alguns aspectos, obteve sucesso. As exportações chinesas para os EUA caíram 28,5% em novembro em comparação com o ano anterior, totalizando US$ 33,8 bilhões. Para alguns produtos, a China parece estar perdendo espaço como fornecedora dominante mundial. Em novembro, as exportações de vestuário, calçados e brinquedos caíram mais de 10% em relação ao ano anterior. Até mesmo as remessas de telefones celulares, um pilar do milagre industrial chinês, caíram 12,5%, para US$ 14,8 bilhões.

Como está indo

Mas o que os formuladores de políticas agora são forçados a levar em consideração é que a máquina de exportação da China é tão versátil e abrangente, com tantos mercados estrangeiros, que pode facilmente se adaptar à maior economia do mundo, que tenta excluí-la.

Enquanto as exportações para os EUA desaceleraram, as para a Europa se recuperaram em 2025. Os embarques para a União Europeia aumentaram 14,9% em novembro, atingindo US$ 47,1 bilhões. As exportações para os países da ASEAN cresceram 8,4%, para US$ 58,1 bilhões. As vendas para o Vietnã saltaram 25,8%, para US$ 18,3 bilhões. As exportações para a África aumentaram 27,7%, para US$ 20,9 bilhões.

A China também encontrou novos setores para dominar. As exportações de veículos automotores em novembro aumentaram 52,9%, atingindo US$ 13,9 bilhões. As exportações de navios cresceram 46,5%, para US$ 5,1 bilhões. À medida que expande sua capacidade de produção industrial, a China também dificulta a penetração em seu próprio mercado. As importações de automóveis caíram 41% em novembro, para US$ 1,9 bilhão. As vendas de produtos agrícolas aumentaram 2,4%, para US$ 10 bilhões. Os embarques de fertilizantes cresceram 40,2%, para US$ 1,4 bilhão.

Como termina 

Com a expectativa de que o protecionismo aumente ainda mais, os líderes chineses sabem que precisarão se adaptar com ainda mais habilidade. A liderança do partido se reuniu na segunda-feira, e o presidente Xi Jinping recomendou o estímulo da demanda interna como “o principal motor” para um “mercado interno forte”.

Em nota, o Morgan Stanley afirmou esperar uma onda de excedentes: “Dada a sua posição dominante em setores emergentes de alto crescimento, como veículos elétricos, baterias e robótica, acreditamos que a China continuará a fortalecer sua posição na manufatura e no comércio globais.”

Já é vantajoso ser fornecedor de commodities para a China. As importações de cobre, minério de ferro, petróleo e gás natural aumentaram, enquanto as compras de carvão continuaram a diminuir. As importações de gás quase dobraram, subindo 95,6%, para 11,9 milhões de toneladas. Uma exceção são as terras raras, onde as importações caíram 53,9%, para 5.221 toneladas, e as exportações aumentaram 24,4%, para 5.494 toneladas.

(*) John W. Miller – John W. Miller é o Analista Econômico Chefe da Trade Data Monitor (TDM), responsável pela redação do TDM Insights, um boletim informativo que analisa questões-chave por meio de estatísticas comerciais. John é um jornalista premiado que já fez reportagens em mais de 40 países e 6 continentes. Como repórter do Wall Street Journal , ele cobriu todos os aspectos do comércio global, incluindo a Organização Mundial do Comércio, a Rodada Doha, negociações tarifárias, contrabando, alfândega, produtos falsificados, commodities globais, aço e mineração, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a Comissão Europeia, negociações bilaterais e multilaterais, disputas importantes como a Airbus-Boeing e questões regulatórias em todo o espectro.

 

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País dos privilégios: quem paga a conta da elite estatal é o Brasil que trabalha

Márcio Coimbra (*)

Frédéric Bastiat foi categórico ao descrever a espoliação legal: o uso da lei para pilhar o contribuinte. No Brasil, essa pilhagem atingiu níveis de obscenidade fiscal. A máquina pública, que deveria ser servidora da nação, transformou-se em oligarquia financiada compulsoriamente pelo setor produtivo. A inação diante da urgência de reforma não é um erro gerencial, mas uma escolha deliberada de manutenção de poder e privilégio.

Os números não admitem eufemismos. Levantamento do Movimento Pessoas à Frente e da República.org revelou que 53 mil servidores públicos recebem acima do teto constitucional. O custo anual dessa farra é de R$ 20 bilhões. Este montante não representa apenas um rombo, mas uma transferência regressiva de renda, onde trabalhador e empresário, que geram a riqueza, são espoliados para financiar o luxo governamental.

A disparidade salarial é o indicador mais contundente da falência do modelo. Enquanto a maioria dos brasileiros luta contra a estagnação econômica, estudos do Banco Mundial indicam que o salário do servidor federal atinge uma média 96% maior em comparação com pares do setor privado. Uma distorção que desincentiva os mais capazes talentos de gerar riqueza no setor privado para se acomodar no setor público, refugiados na estabilidade de seus vultosos proventos.

O Judiciário, em particular, lidera esse festim fiscal. O custo do sistema de justiça brasileiro atinge alarmantes 1,6% do Produto Interno Bruto, um patamar que é quatro vezes maior do que a média dos países da OCDE. Pagamos um dos Judiciários mais caros do planeta para, ironicamente, termos um dos processos mais lentos e uma segurança jurídica questionável, com seus mais altos membros viajando de carona em jatinhos de investigados, ao mesmo tempo que enterram as mais importantes operações que miram combater a corrupção. Um escárnio.

O aspecto mais nefasto dessa crise é a covardia política que a sustenta. O governo Lula e sua base aliada demonstram uma inércia estratégica. A ausência de movimento pela Reforma Administrativa não se deve à complexidade técnica, mas à captura corporativista. Enfrentar os supersalários e a estabilidade desmedida significa confrontar sindicatos e corporações estatais que são bases de sustentação do governo. A prioridade é clara: aumentar a receita via impostos para acomodar a despesa e colher votos, em vez de racionalizar o gasto e confrontar os privilégios.

Vale lembrar que a manutenção de uma máquina pública extrativista e ineficiente não é apenas uma questão de números fiscais, é um atentado à equidade social. Os bilhões que irrigam os supersalários são subtraídos do investimento em saúde básica, educação de qualidade e infraestrutura. Urge, portanto, reposicionar o debate.

A reforma administrativa não deve ser encarada meramente como um corte de gastos, mas como um imperativo moral e econômico para desarmar as armadilhas que fazem do Brasil um país subdesenvolvido. Enquanto bilhões forem drenados anualmente para sustentar excessos de uma elite burocrática, o país continuará a operar muito aquém de seu potencial, preso a um modelo onde alguns privilegiados servem-se do trabalho duro de uma legião de brasileiros que carregam a nação nas costas.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e presidente-executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Bebês por encomenda: o preço da perfeição e o risco de uma sociedade massificada

Aline Mara Gumz Eberspacher (*)

A empresa Nucleus Genomics chamou atenção em Nova York ao espalhar anúncios no metrô prometendo ajudar pais a terem o melhor bebê possível. A promessa, vendida quase como um produto de prateleira, inclui comparar embriões por mais de duas mil previsões genéticas e escolher características como altura, cor dos olhos, QI e até probabilidade de desenvolver transtornos, como o do espectro autista.

O serviço custa cerca de 700 dólares e, apesar de não ser um valor exorbitante, ainda está distante da realidade da maioria da população. O mais preocupante não é o valor, mas o que essa tecnologia anuncia: o nascimento de um mercado de seleção humana.

Para além da barreira financeira, reside uma profunda inquietação ética. Historicamente, a concepção da vida é vista como um evento de acaso, complexidade e, para muitos, como um “presente divino” que resulta em seres singulares, portadores de uma ancestralidade irrepetível. Transformar a formação de um filho em uma decisão de consumo, quase um produto de prateleira, desvaloriza essa singularidade e aproxima a vida humana de um item de fast-food.

No Brasil, a legislação impede que pais escolham embriões por traços estéticos ou cognitivos, a lei é regida principalmente por normas éticas do Conselho Federal de Medicina (CFM), resolução CFM nº 2.320/2022. O processo de fertilização in vitro é regulamentado para garantir que apenas aspectos de saúde sejam considerados. E ainda bem. Afinal, a lógica de “encomendar” um bebê ao gosto do cliente não é apenas uma questão ética; é um projeto social que pode reforçar padrões estéticos, capacitistas e excludentes.

Transformar a concepção de um filho em uma decisão de consumo aproxima a vida humana de um produto de fast-food: basta escolher o pedido e esperar o que sai do outro lado. E o que isso diz sobre nós? Sobre a ideia de imperfeição, diversidade e singularidade? Por que parece tão difícil aceitar que seres humanos são únicos, imprevisíveis e, sobretudo, não moldáveis?

Práticas como as anunciadas pela Nucleus Genomics empurram a sociedade para um perigoso processo de massificação — um mundo em que todos tendem a ser moldados a partir de um ideal de perfeição criado, vendido e controlado pelo mercado.

Essa inquietação já foi retratada inúmeras vezes na cultura contemporânea: em Admirável Mundo Novo, onde seres humanos são produzidos em série; em O Doador de Memórias, onde a diferença é apagada; em Feios, que transforma o corpo em objeto de correção; e, claro, em Gattaca – A Experiência Genética, que imagina um futuro distópico em que o valor de uma pessoa é medido pelo seu código genético.

Será a vida imitando a arte, ou é apenas ficção? A sensação é que essas obras, antes tão distantes, estão cada vez mais próximas da realidade. E isso deveria nos fazer refletir profundamente sobre o tipo de sociedade que estamos, consciente ou inconscientemente, construindo.

Além disso, trata-se de uma tecnologia elitizada. Por enquanto, somente quem pode pagar tem acesso à promessa do “bebê perfeito”. Assim, as desigualdades sociais se amplificam: alguns terão filhos projetados para o sucesso, enquanto outros continuarão a depender do acaso, ou seja, do próprio valor da diversidade humana.

Mas talvez o aspecto mais simbólico dessa história seja a naturalidade com que tudo isso vem sendo apresentado. Anúncios no metrô, lado a lado com propagandas de fast-food e aplicativos. Como se gerar uma vida fosse tão trivial quanto pedir comida pelo celular. Como se ter um filho fosse apenas mais uma decisão de consumo.

Entre promessas de avanço científico e riscos éticos profundos, fica uma pergunta essencial: o que perdemos quando abrimos mão da imperfeição? Porque talvez seja justamente nela, na diferença, no inesperado, no que não se escolhe, que reside a nossa humanidade.

(*) Aline Mara Gumz Eberspacher é Doutora em Sociologia pela Université Paul Valéry (Montpellier III – França) e Coordenadora dos cursos de Pós-graduação do Centro Universitário Internacional Uninter.

 

 

 

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Exportações do agronegócio totalizam US$ 155 bilhões em onze meses e correspondem a quase 50% das vendas externas do país

 

Exportações crescem 6,2% na comparação com novembro de 2024; acumulado do ano bate recorde de US$ 155,25 bilhões, crescimento de 1,7%

Da Redação (*)

Brasília – Novembro trouxe mais um resultado sólido para o agronegócio brasileiro. As exportações alcançaram US$ 13,4 bilhões, um crescimento de 6,2% em relação ao mesmo mês de 2024, impulsionado pelo aumento do volume embarcado (+6,5%), mesmo em um cenário de preços internacionais mais moderados. O mês consolidou-se como o segundo melhor novembro da série histórica.

De janeiro a novembro de 2025, as exportações do agronegócio somaram US$ 155,25 bilhões, o maior valor já registrado para o período e 1,7% acima do mesmo período do ano passado. As vendas externas seguem cumprindo seu papel complementar ao mercado interno: ampliam escala, fortalecem cadeias produtivas, geram empregos e renda e estimulam investimentos em todas as regiões do país.

China (US$ 52,02 bilhões, +10,0%), União Europeia (US$ 22,89 bilhões, +5,4%) e Estados Unidos (US$ 10,48 bilhões, –4,0%) seguem entre os principais destinos do agro brasileiro no acumulado de janeiro a novembro. Outros mercados relevantes também ampliaram suas compras no período, como Índia (US$ 3,02 bilhões, +11,0%) e México (US$ 3,0 bilhões, +8,5%), movimento que aponta para uma expansão geográfica gradual e consistente, com ganhos distribuídos em diferentes regiões.

Em novembro, a soja em grãos somou US$ 1,83 bilhão (+64,6%), a carne bovina atingiu US$ 1,75 bilhão (+51,8%) e o café verde chegou a US$ 1,5 bilhão (+9,1%). Tanto a carne bovina quanto o café registraram recordes em valor, enquanto o volume exportado de carne bovina ultrapassou 318 mil toneladas, o maior já registrado para um mês de novembro.

No acumulado de janeiro a novembro, o Brasil exportou 3,15 milhões de toneladas de carne bovina, alta de 18,3% em relação ao mesmo período de 2024. A receita atingiu US$ 16,18 bilhões (+37,5%). Já em novembro, as exportações de miudezas bovinas também bateram recorde, somando 27,1 mil toneladas. Esse avanço se refletiu diretamente em mercados que tiveram novos acessos em 2025.

Abertura de novos mercados impacta resultados

A Indonésia, por exemplo, habilitou 17 novas plantas frigoríficas e passou a importar carne bovina com osso e miúdos, aumentando as compras em 579%. As Filipinas, que também abriram o mercado para esses produtos, elevaram as importações em 35%. Esses resultados mostram como aberturas e novas habilitações fortalecem a presença do produto brasileiro no mundo.

Tanto a celulose quanto o algodão não cardado nem penteado registraram recordes de valor e volume em novembro. A celulose alcançou US$ 939,2 milhões (+8,6%) e 1,85 milhão de toneladas (+14,3%), enquanto o algodão somou US$ 640,1 milhões (+18,6%) e 402,5 mil toneladas exportadas (+34,4%).

As exportações de feijões e pulses seguem em crescimento, apoiadas nas aberturas de mercado conquistadas desde 2023, como Rússia, Líbano, Costa Rica e Peru para feijões, e China, Coreia do Sul, Malásia e África do Sul para gergelim. Em novembro, o gergelim registrou recorde histórico, com US$ 70,9 milhões (+20%) exportados e 72,3 mil toneladas embarcadas (+47,7%). Os feijões também atingiram recorde em quantidade exportada (48,3 mil toneladas, +6,8%).

Desde 2023, foram abertos 500 novos mercados para produtos do agronegócio. Além disso, ferramentas como o AgroInsight e a Caravana do Agro Exportador têm aproximado produtores e cooperativas de oportunidades em novos mercados, levando informação qualificada que estimula e apoia a entrada de pequenos e médios exportadores no mercado internacional. Somente o AgroInsight já identificou mais de 800 oportunidades em 38 países. Os resultados positivos de novembro refletem o esforço contínuo do Governo Federal em ampliar as oportunidades de negócios nos diversos segmentos do setor agropecuário.

(*) Com informações do Mapa

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Uso da IA no comércio exterior: pesquisa empresarial da OMC-ICC lança luz sobre oportunidades e desafios

Da Redação (*)

Brasília – A Secretaria da OMC e a Câmara de Comércio Internacional (CCI) divulgaram nesta quinta-feira (11) os resultados de uma pesquisa conjunta sobre como as empresas estão adotando a inteligência artificial (IA) para apoiar atividades relacionadas ao comércio. A pesquisa — que coletou respostas de 158 empresas de diferentes portes, setores, regiões e níveis de desenvolvimento econômico — destaca o potencial da IA ​​para promover uma participação mais inclusiva no comércio global e ressalta a necessidade crucial de sanar as lacunas na adoção da IA.

A pesquisa, a primeira a se concentrar na adoção de IA para o comércio pelas empresas, revelou grandes disparidades na adoção de IA entre micro, pequenas e médias empresas e grandes corporações, bem como entre empresas em economias de alta renda e de baixa/média-baixa renda. Em economias de alta renda, 66% das empresas relataram ter adotado IA, em comparação com 27% das empresas em economias de baixa/média-baixa renda.

A pesquisa também revelou que as grandes empresas utilizam a IA principalmente para o cumprimento das normas comerciais, enquanto as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) se concentram em inteligência de mercado e comunicação. Além disso, empresas em economias de baixa e média-baixa renda afirmaram utilizar a IA para expandir seu comércio internacional. Isso destaca o potencial da IA ​​para promover a participação inclusiva no comércio global, melhorando o acesso à inteligência de mercado, às ferramentas de conformidade comercial e ao conhecimento de acordos comerciais preferenciais, ajudando a reduzir a lacuna na adoção da IA.

Entre as empresas que utilizam IA, a pesquisa constatou que quase 90% relataram benefícios em atividades relacionadas ao comércio. Especificamente, 22% observaram ganhos em eficiência e produtividade, 14% notaram uma melhoria na tomada de decisões, 10% desfrutaram de uma base de exportação expandida e 17% ampliaram sua gama de produtos de importação e exportação.

A pesquisa também mostra que a IA tem potencial para ajudar as empresas a navegar por regras comerciais complexas e a se beneficiarem mais de acordos comerciais. Três quartos das respostas indicaram que as empresas utilizavam IA para diversas aplicações relacionadas à alfândega, e 20% indicaram que utilizam IA para identificar riscos de conformidade comercial.

Barreiras limitam adoção da IA pelas empresas

A pesquisa também identificou as preocupações das empresas em relação à IA e as barreiras à sua adoção. As empresas relataram incertezas e fragmentação regulatória, particularmente das políticas de dados, como desafios principais.

Quase um quinto das respostas (19%) citou a incerteza regulatória como uma das principais preocupações. Enquanto isso, 12% destacaram os desafios regulatórios ou de conformidade como uma barreira fundamental. Além disso, 7% mencionaram a heterogeneidade regulatória como um desafio na adoção da IA, o que demonstra como a fragmentação regulatória pode criar obstáculos à adoção transfronteiriça da IA.

Um terço das respostas sobre os desafios regulatórios transfronteiriços relacionados à IA apontou a adaptação a diferentes requisitos de privacidade de dados como a questão mais significativa. Sessenta e quatro por cento das empresas que adotam IA, além disso, afirmaram esperar um impacto de pelo menos 5% em seus custos de conformidade devido às diferentes regulamentações de proteção de dados.

As empresas também citaram a prontidão técnica como uma preocupação: 14% das respostas relataram dificuldade em acessar dados de alta qualidade para treinar sistemas de IA, enquanto outros 14% citaram a experiência ou habilidades limitadas em IA como um desafio.

O relatório completo está disponível aqui . Algumas das primeiras conclusões foram divulgadas no Relatório de Comércio Mundial de 2025.

(*) Com informações da OMC

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ApexBrasil inaugura sede própria e celebra marco histórico da abertura de 500 novos mercados internacionais

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) realizará, no dia 15 de dezembro, às 10 horas, a cerimônia de inauguração de sua sede própria, em Brasília, com a presença do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O evento marcará um momento histórico para o comércio exterior brasileiro: a abertura de 500 novos mercados internacionais no período entre 2023 e 2025, sob a liderança do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e com a participação da ApexBrasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do e Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Estarão presentes também o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, bem como outras autoridades, ministros, parlamentares, representantes dos setores público e privado, convidados e colaboradores da ApexBrasil.

Desde sua criação oficial em 2003, a ApexBrasil sempre funcionou em imóveis alugados. Agora, pela primeira vez, a Agência contará com uma sede própria, concebida sob medida para atender às suas necessidades institucionais e estratégicas.

“Esta sede própria é mais que uma mudança física. Ela representa uma conquista de anos. Vai trazer uma economia estrutural, modernização institucional e a conexão da Apex com a população. Estamos muito felizes de abrir este espaço para as pessoas e reforçar o papel da ApexBrasil como agencia dissemina e impulsiona a imagem comercial do Brasil para o mundo”, destaca Jorge Viana.

Inovadora e sustentável, sede própria da ApexBrasil será aberta à população e terá espaço multiuso com atividades culturais e artísticas

O conceito da sede própria da ApexBrasil – que desde sua criação ocupa imóveis alugados – foi pensado para criar um espaço integrado à cidade, aberto a atividades artísticas, educativas, literárias, exposições e à divulgação dos produtos brasileiros para o mundo. O edifício Lotus 903, de arquitetura contemporânea e paisagismo de Burle Marx, foi construído seguindo padrões rigorosos de sustentabilidade e eficiência energética.

Com cerca de 17 mil metros quadrados, localização estratégica próxima ao Parque da Cidade Sarah Kubitschek e fácil acesso ao transporte público, o projeto traduz o compromisso da Agência com inovação, sustentabilidade e impacto social positivo.

Antes mesmo de sua inauguração, o projeto já recebeu duas premiações: o Iconic Awards 2025 – Innovative Architecture, na categoria “Arquitetura Visionária e Inacabada”, dedicada a conceitos e propostas que apontam caminhos inovadores para o futuro do design arquitetônico; e o German Design Award 2025, na categoria “Arquitetura Excelente – Arquitetura Conceitual”, que reconhece a excelência e a inovação em arquitetura e design.

Brasil celebra marco histórico: 500 novos mercados internacionais

Em um cenário mundial de incertezas, o Brasil encerra 2025 celebrando um avanço histórico: a abertura de 500 novos mercados internacionais para produtos nacionais. Sob a liderança do Presidente Lula, essa conquista é fruto de um intenso trabalho integrado do Mapa, com a participação da ApexBrasil, do MRE e do MDIC.

“Chegamos aos 500 novos mercados para os produtos brasileiros. Este marco representa mais de US$ 3,4 bilhões para as empresas brasileiras que estão exportando nessa nova política do governo do presidente Lula”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

São mercados abertos em mais de 80 países, com um potencial de exportação superior a US$ 37,5 bilhões por ano, segundo estimativas do Mapa. Cada país pode habilitar diversos tipos de produtos. Entre os itens incluídos nessa expansão, destacam-se carnes, algodão, frutas, pescados entre outros.

Entre 2023 e 2025, o esforço conjunto entre ApexBrasil, Mapa e MRE resultou em mais de 170 ações internacionais em 42 países, alcançando US$ 18 bilhões em negócios projetados e atendendo mais de três mil empresas brasileiras.

No período, foram realizadas 19 missões oficiais presidenciais e 5 vice-presidenciais, ampliando conexão com mercados prioritários. Segundo o presidente da Agência, a expansão demonstra o quanto o Brasil é competitivo e está pronto para aproveitar novas oportunidades em diferentes regiões do mundo.

Até outubro passado, a ApexBrasil registrou um recorde histórico de 20.754 empresas apoiadas, sendo 66% delas de micro, pequenas e médias, com foco ampliado nas regiões Norte e Nordeste, reforçando a descentralização das ações de promoção comercial.

Serviço

Inauguração sede própria da ApexBrasil

Data: Segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Horário: 10 horas

Local: Setor de Grandes Áreas Sul (SGAS) 903, Lote 80 – Asa Sul – Brasília-DF

Credenciamento para imprensa no link*: https://forms.office.com/r/DEtsbQ3vm4

(*) Com informações da ApexBrasil

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O Fantástico Mundo Novo do Comex

André Barros (*)

O comércio exterior brasileiro atravessa uma das transformações mais profundas de sua história. Trata-se de uma mudança que vai além da digitalização de processos ou da adoção de novas tecnologias. É uma transição estrutural que envolve governo, empresas, tecnologias e, principalmente, pessoas.

Nos últimos anos, acompanhamos o avanço do Portal Único de Comércio Exterior (PUCOMEX), iniciativa do governo federal que moderniza e desburocratiza as operações internacionais. Ao centralizar informações, integrar órgãos anuentes e simplificar etapas, o programa reduz custos e aumenta a previsibilidade das transações. Essa transformação é comparável, em escala e impacto, à Reforma Tributária no campo fiscal: um verdadeiro divisor de águas para o setor.

Simultaneamente, vivemos uma aceleração tecnológica sem precedentes. A popularização da inteligência artificial, automação, blockchain e computação em nuvem tornou o acesso à inovação mais democrático e eficiente. No comércio exterior, essas soluções eliminam tarefas repetitivas, evitam erros operacionais e oferecem aos profissionais mais tempo e clareza para decisões estratégicas.

Essas duas frentes – a modernização do governo e a força da tecnologia – agora convergem com uma terceira transformação: a mudança geracional nas empresas. Uma nova geração de profissionais, formada em um ambiente digital e conectada às tendências globais, assume posições de liderança. São gestores que enxergam o comércio exterior não apenas como área operacional, mas como elemento estratégico do negócio, essencial para a competitividade global das companhias.

Essa combinação cria um cenário de inovação e dinamismo. De um lado, o governo oferece um ambiente mais previsível e simplificado. De outro, a tecnologia entrega ferramentas para operar com velocidade e inteligência. E, no centro de tudo, surge uma mentalidade mais aberta, colaborativa e orientada a resultados.

Podemos afirmar que estamos entrando em uma nova era do comércio exterior, impulsionada por três forças: governo, tecnologia e pessoas. Essa convergência dá origem ao que chamamos de “O Fantástico Mundo Novo do Comex”, um conceito que reflete não apenas o avanço tecnológico, mas também a transformação humana que o acompanha.

Depois da transformação analógica da era industrial e da digital que marcou as últimas décadas, vivemos agora uma transformação humana. Ela exige profissionais adaptáveis, capazes de combinar conhecimento técnico com empatia, criatividade e visão analítica. Nesse novo contexto, a tecnologia não substitui, mas amplia as capacidades humanas. Robôs e agentes de IA assumem tarefas mecânicas, enquanto as pessoas se dedicam ao que realmente importa: pensar, criar e tomar decisões de valor.

O comércio exterior é, por essência, uma atividade meio, mas de importância crítica para o país. Sem ele, cadeias produtivas inteiras param. E é justamente nesse setor que vemos a síntese dessas transformações: menos fricção, mais eficiência, mais propósito.

Esse é o verdadeiro sentido do fantástico mundo novo que estamos construindo: um ecossistema mais integrado, colaborativo e humano, no qual tecnologia, governo e profissionais caminham juntos para impulsionar o Brasil a um novo patamar de competitividade global.

(*) André Barros, CEO da eComex, empresa brasileira especializada em soluções de alta tecnologia para gestão, otimização e automatização de operações de comércio exterior e logística internacional.

 

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