Redução das tarifas a produtos brasileiros deve evitar perdas de US$ 6 bilhões nas exportações em 2026, aponta Allianz Trade

Estudo indica abrandamento no tom tarifário dos EUA, revisão positiva para o comércio global e impactos diretos sobre Brasil e América Latina

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil deve encerrar 2025 com um superávit comercial equivalente a 2,8% do PIB, segundo novo relatório do time de economistas da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito. De acordo com o estudo What to watch: Fed preview, AI bubble risks for US households and a softening tone on tariffs – for now, o resultado permanece positivo mesmo com o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que seguem no nível mais alto em décadas.

O estudo mostra que as tarifas americanas ficaram entre 11% e 12% em outubro, podendo chegar a 14% até o fim do ano. Apesar disso, os analistas explicam que o ritmo de aumento desacelerou e que o governo dos EUA tem dado sinais de suavização, especialmente ao reduzir tarifas sobre diversos alimentos nos últimos meses. A medida ocorre em um momento em que o consumidor americano já sente o peso dos preços mais altos.

Brasil: adaptação positiva às tarifas

Segundo o relatório, a América Latina tem conseguido se adaptar melhor a esse cenário, pois muitos países ampliaram suas vendas para mercados que estavam com falta de oferta, principalmente na Ásia. O Brasil aparece entre os destaques, já que a redução das tarifas aplicadas aos produtos brasileiros em novembro, que caíram em média de 40% para 25%, deve evitar perdas estimadas de US$ 6 bilhões no próximo ano. As exportações de soja permanecem essenciais para o desempenho nacional, com cerca de três quartos das vendas externas destinadas à China.

Os economistas observam que alguns produtos brasileiros, como insumos agroquímicos e bens processados, continuam sujeitos às tarifas dos EUA. Isso pode gerar incertezas para setores que dependem de investimentos de longo prazo e para cadeias de produção que envolvem diversos fornecedores.

Na Argentina, o relatório aponta que a ampliação da cota de carne que pode ser exportada para os Estados Unidos deve aumentar a participação do produto argentino no mercado americano de 3% para 11%, mesmo com a manutenção da tarifa de 10%. Ainda assim, a maior parte da carne argentina continua indo para a China.

O estudo também mostra que o tom da política comercial americana se afrouxou, especialmente em relação a países asiáticos nos últimos meses. O monitor desenvolvido pelos economistas, que analisa a relação dos EUA com seus principais parceiros comerciais, registrou em novembro o nível mais alto desde 2016. A melhora foi concentrada em países como China, Índia, Japão, Coreia do Sul e membros da ASEAN.

Em contrapartida, as relações com países europeus pioraram, segundo os economistas. De acordo com o relatório, esse movimento se explica em parte pela possibilidade de que o governo Trump evite elevar tarifas sobre semicondutores, medida que reduziria custos internos e evitaria riscos para setores ligados à inteligência artificial.

Crescimento no comércio global

Diante desse cenário, os economistas revisaram para cima a previsão de crescimento do comércio global. Em 2025, a expectativa é de expansão de 3,5%. Para 2026, o crescimento projetado é de 1,3%, com chance de melhora caso tendências recentes se mantenham. A revisão positiva foi influenciada pelo abrandamento da política tarifária americana e pela capacidade das empresas em reorganizar rotas e fornecedores para lidar com custos maiores.

O relatório também observa que 2026 deve registrar uma desaceleração das exportações de países asiáticos, como Taiwan, Tailândia, Indonésia, Vietnã e China. Mesmo assim, acordos de livre-comércio em negociação ou prestes a entrar em vigor, incluindo o acordo entre União Europeia e Mercosul, podem abrir espaço para um crescimento mais forte e alterar o mapa global do comércio no longo prazo.

Os economistas destacam que ainda há pontos de incerteza. Uma decisão aguardada da Suprema Corte americana pode mudar as regras usadas para impor tarifas, o que levaria o governo a buscar outras bases legais para mantê-las. Investigações em curso também podem resultar em tarifas sobre novos produtos.

Para acessar o relatório completo em inglês, clique aqui

(*) Com informações da Allianz Trade

 

 

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Setor de autopeças trava crescimento ao ignorar tecnologia

Rafael Calixto (*)

O setor de autopeças brasileiro, um dos mais robustos e complexos da economia nacional, enfrenta um paradoxo, pois, enquanto movimenta bilhões de reais anualmente, ainda opera com ferramentas e processos que travam sua produtividade e limitam seu potencial de crescimento. A digitalização, que já transformou radicalmente outros segmentos, avança de forma tímida e desordenada nas distribuidoras e atacadistas de autopeças, criando um desafio operacional que impacta toda a cadeia, do fabricante ao mecânico, passando pelo varejista.

Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), o setor projeta para 2025 um faturamento de R$ 272 bilhões, alta de 4% em relação aos R$ 261,5 bilhões registrados em 2024. Os investimentos também devem crescer, chegando a R$ 6,6 bilhões, avanço de 3,1% frente ao ano anterior. Apesar desse cenário positivo, o mercado independente de reposição automotiva, que responde por uma parcela relevante desse faturamento, ainda sofre com a baixa adoção de soluções tecnológicas adequadas, o que compromete tanto a eficiência comercial quanto a experiência do cliente.

O cenário é marcado por catálogos confusos, sistemas lentos, links externos que fragmentam a operação e chats que não acompanham o volume de atendimento. Vendedores, que deveriam atuar como consultores e aceleradores de negócios, acabam presos em tarefas manuais, retrabalho e perda de ligações, enquanto oportunidades de venda recorrente e fidelização se esvaem. A complexidade do segmento é inegável, já que existem milhares de unidades de manutenção de estoque, cada um com variações por marca, modelo, ano, motor e até região de aplicação.

A necessidade de referência cruzada entre fabricantes é constante, e a precisão na identificação da peça correta é vital para evitar erros de aplicação que geram devoluções, insatisfação e prejuízo. No entanto, a maioria das plataformas utilizadas pelo setor são genéricas, pensadas para e-commerces de varejo, sem considerar as particularidades do B2B automotivo. Isso resulta em processos engessados, catálogos desorganizados e uma experiência de compra que mais afasta do que aproxima o cliente.

Essa deficiência tecnológica tem um custo alto, em que empresas que operam no improviso, tentando adaptar ferramentas inadequadas à sua realidade, acabam elevando o custo de aquisição de clientes, reduzindo margens e perdendo competitividade. O tempo gasto em buscas manuais, consultas externas e correções de erro poderia ser revertido em atendimento consultivo, vendas adicionais e construção de relacionamento. Em um mercado cada vez mais pressionado por prazos, preços e qualidade, a ineficiência operacional se torna um risco estratégico.

A solução para esse impasse passa pela adoção de plataformas especializadas, desenvolvidas para respeitar as regras de negócio do setor de autopeças. Ferramentas que oferecem filtros inteligentes para catálogos complexos, referência cruzada nativa, integração com ERP, tabelas de preço personalizadas por cliente ou região e resposta instantânea via portal ou WhatsApp integrado. Com esse tipo de tecnologia, é possível reduzir drasticamente o retrabalho, diminuir erros de aplicação, acelerar vendas repetidas e aumentar a satisfação dos mecânicos e varejistas atendidos.

Com a digitalização correta não sendo apenas uma questão de modernização, mas de sobrevivência e crescimento sustentável, empresas que investem em eficiência comercial conseguem transformar o vendedor em um agente estratégico, capaz de atender com precisão, agilidade e consultoria. Ganham escala sem perder qualidade, fidelizam clientes pela experiência e não apenas pelo preço, e se posicionam de forma competitiva em um mercado que exige cada vez mais velocidade e assertividade.

Portanto, o setor de autopeças precisa reconhecer que a tecnologia deixou de ser um diferencial e se tornou uma necessidade básica para quem deseja crescer com eficiência. Persistir em processos manuais, sistemas lentos e catálogos confusos é escolher operar abaixo do próprio potencial e abrir espaço para concorrentes mais ágeis. A conta da ineficiência já está chegando, e só quem investir em digitalização especializada conseguirá pagá-la sem comprometer o futuro do negócio.

(*) Rafael Calixto é especialista em vendas B2B, com vasta experiência em modernização de processos comerciais, integração de tecnologia nas vendas, idealizador de soluções com Agentes Inteligentes de Pedidos (AIP) para vendas B2B em escala e CEO da Zydon

 

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Amcham destaca queda nas exportações para os EUA pelo 4º. mês consecutivo e se preocupa com desequilíbrio no comércio bilateral

Da Redação (*)

Brasília – A Amcham Brasil, por meio da edição de novembro do Monitor do Comércio Brasil–EUA, aponta que as exportações do Brasil aos Estados Unidos totalizaram US$ 2,7 bilhões no mês, registrando queda significativa de 28,1% na comparação com o mesmo mês de 2024.

Embora este seja o quarto mês consecutivo de retração nas vendas externas para o mercado norte-americano, a recuperação em relação à queda recorde de outubro, de -37,8%, indica que a retirada dos 40% e 50% adicionais sobre produtos brasileiros em meados de novembro, sobretudo agrícolas, teve efeito positivo. No acumulado do ano, a queda foi a maior já registrada em 2025, de -6,7%.

Em contrapartida, as importações brasileiras dos EUA seguem em ritmo de forte crescimento, de 24,5% em relação a novembro de 2025 – recorde mensal do ano – totalizando US$ 3,8 bilhões.

As tendências de compras e vendas em sentidos opostos fizeram com que o déficit acumulado no ano (de janeiro a novembro) fosse o segundo maior da última década para o período, atingindo aproximadamente US$ 8 bilhões, um crescimento de quase dez vezes. O desempenho reforça os efeitos das recentes distorções provocadas pelas tarifas sobre o comércio bilateral, com impactos diretos sobre a competitividade das exportações brasileiras e sobre o equilíbrio da corrente de comércio entre os dois países.

Para Abrão Neto, Presidente da Amcham Brasil, o telefonema recente entre os presidentes Lula e Trump mostrou que há espaço político para reaproximar os dois países. “É uma janela de oportunidade que se abriu e que precisa ser aproveitada da melhor forma para que os países celebrem um acordo comercial mutuamente benéfico e que se corrija as distorções que as tarifas de 40% e 50% estão atualmente causando”.

Petróleo puxando a queda

Mais uma vez, os óleos brutos de petróleo foram o principal fator de pressão negativa sobre as exportações. Em novembro, o produto apresentou queda de 65,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, refletindo a menor demanda das refinarias dos EUA. A diminuição das vendas do setor justifica a queda acentuada de -53,2% nas exportações de bens isentos de taxação em novembro.

Bens tarifados: tarifas mais elevadas puxaram a queda

No universo de produtos sujeitos à tarifação adicional, por outro lado, as exportações recuaram 18,3% em novembro de 2025 na comparação com novembro de 2024. Este é o quarto mês desde o início da aplicação das sobretaxas e, até o momento, o mês com a menor retração. Apesar disso, os bens ainda sujeitos à sobretaxa de 40% e 50%, majoritariamente produtos industriais, apresentaram queda ainda mais acentuada: retração de 27,8% em relação a novembro de 2024. O mesmo padrão pode ser observado nos dados do acumulado do ano, período no qual os bens sobretaxados em 40% e 50% caíram 4,5% e foram a queda mais elevada.

(*) Com informações da Amcham Brasil

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Pix sem Fronteiras: por que a abertura aos estrangeiros fortalece o Brasil no cenário global

Marlon Tseng (*)

A decisão do Brasil de permitir que estrangeiros utilizem o Pix representa um avanço estratégico para a economia nacional e um marco na evolução dos meios de pagamento instantâneos. Mais do que ampliar o acesso de visitantes ao ecossistema financeiro brasileiro, essa medida projeta o país na vanguarda da integração internacional, consolidando o Pix como referência global de eficiência, segurança e inclusão digital.

Lançado pelo Banco Central em 2020, o Pix já havia transformado o mercado doméstico ao democratizar transferências instantâneas, gratuitas e disponíveis 24 horas por dia. Agora, com sua abertura a estrangeiros, ele passa a estimular um fluxo econômico ainda mais dinâmico: amplia oportunidades para empresas brasileiras venderem para consumidores internacionais, facilita o turismo e aproxima o Brasil de um comércio eletrônico verdadeiramente global.

Essa ousadia reforça o pioneirismo brasileiro. Poucos países possuem um sistema tão completo e com adoção massiva. Índia, Estados Unidos e países europeus avançaram com sistemas semelhantes, como o UPI, o Zelle e o FedNow, mas nenhuma combina simplicidade, escalabilidade e capilaridade na mesma proporção que o Pix alcançou em tão pouco tempo. Permitir o acesso internacional fortalece a posição do Brasil como protagonista entre os modelos de pagamentos instantâneos no mundo.

Para a economia real, os benefícios são significativos. Pagamentos internacionais ainda enfrentam custos elevados, prazos longos e barreiras regulatórias que desestimulam consumidores e empresas. Com o Pix habilitado para estrangeiros, reduzimos intermediários, encurtamos processos e criamos uma experiência de compra fluida,  algo essencial para o e-commerce, para marketplaces globais e para negócios que desejam ampliar suas exportações. Ao mesmo tempo, o turismo se fortalece: visitantes passam a pagar com rapidez e previsibilidade, sem depender de cartões internacionais ou taxas cambiais imprevisíveis.

O movimento também abre portas para o fortalecimento das fintechs brasileiras, que passam a competir globalmente oferecendo soluções de pagamento mais modernas do que muitas disponíveis nos países desenvolvidos. Essa integração promove inovação, gera competitividade e impulsiona a imagem do Brasil como hub de tecnologia financeira.

É claro que a ampliação do Pix traz desafios. A interoperabilidade com sistemas estrangeiros, a prevenção a fraudes e os ajustes regulatórios exigem atenção contínua. Mas, se conduzida com responsabilidade,  como tem sido a trajetória do Banco Central, a internacionalização do Pix pode se tornar um dos mais relevantes legados da infraestrutura financeira brasileira.

Ao abrir o Pix para o mundo, o Brasil envia um recado claro: estamos preparados para competir globalmente com tecnologia própria, eficiente e capaz de impulsionar a economia digital. Trata-se de uma oportunidade histórica de conectar o país ao comércio internacional, fortalecer empresas nacionais e liderar a próxima fase dos pagamentos instantâneos.

(*) Marlon Tseng – CEO da Pagsmile

 

 

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Exportação de café registra em novembro queda de 26,7% em volume com alta de 8,9% na receita

Volume representa queda de 21% ante 2024, movimento esperado após o recorde no ano passado, a menor disponibilidade do produto e os impactos do tarifaço dos EUA e da defasagem da infraestrutura portuária no país

Da Redação (*)

Brasília – Segundo o mais recente relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país exportou 3,582 milhões de sacas de 60 kg do produto em novembro, volume que representa queda de 26,7% em relação aos 4,889 milhões aferidos no mesmo mês em 2024. Em receita cambial, contudo, registra-se um incremento de 8,9% no mesmo intervalo comparativo, com os rendimentos saltando de US$ 1,409 bilhão para US$ 1,535 bilhão.

Com essa performance, o Brasil chega à exportação de 17,435 milhões de sacas nos cinco primeiros meses do ano safra 2025/26, o que gerou ingressos de US$ 6,723 bilhões. Na comparação com o intervalo entre julho e novembro de 2024, registra-se declínio de 21,7% em volume, mas crescimento de 11,6% em receita.

ANO CIVIL
No acumulado dos 11 primeiros meses de 2025, o Brasil exportou 36,868 milhões de sacas de todos os tipos de café, montante que implica queda de 21% frente aos 46,658 milhões de sacas em idêntico período do ano passado. A receita cambial, entretanto, cresce 25,3% no mesmo intervalo comparativo, avançando de US$ 11,377 bilhões para os atuais US$ 14,253 bilhões.“

A maior entrada de dólares com os embarques de café do Brasil em novembro, na safra e no acumulado de 2025 reflete as cotações mais elevadas no mercado, com preços médios cerca de 50% superiores aos mesmos períodos antecedentes. Já o recuo no volume era esperado após números recordes em 2024 e menor disponibilidade do produto neste ano”, analisa o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira. Ele completa que o impacto gerado pelos quase quatro meses de tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre a importação dos cafés do Brasil

e a dificuldade para embarcar devido à defasagem da infraestrutura portuária no país foram fatores que também afetaram o desempenho do setor.

De agosto a novembro deste ano, período de vigência das taxas impostas pelos EUA — 6 de agosto a 21 de novembro, com retroatividade ao dia 13 —, as exportações dos cafés brasileiros aos norte-americanos despencaram 54,9% na comparação com os mesmos quatro meses de 2024, saindo de 2,917 milhões de sacas para 1,315 milhão de sacas.

“Após a retirada do tarifaço sobre os cafés arábica, conilon, robusta, torrado e torrado e moído, observamos a retomada dos negócios entre Brasil e EUA, o que implica que deveremos observar melhoras nos números a partir deste mês de dezembro. Contudo, é preciso recordar que o café solúvel, que representa 10% de nossas exportações aos americanos, ainda segue tarifado em 50%, por isso continuaremos trabalhando para que esse produto também seja isento da taxação”, comenta Ferreira.

Já a defasagem na infraestrutura dos portos brasileiros e os gargalos logísticos seguem gerando prejuízos milionários aos exportadores de café. De acordo com o levantamento mais recente realizado pelo Cecafé, os associados da entidade tiveram prejuízo de R$ 8,719 milhões com armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions, somente em outubro de 2025, devido à impossibilidade de embarque de 2.065 contêineres — 681.590 sacas – do produto.

Isso se deu porque 52% dos navios, ou 204 de um total de 393 embarcações, tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil, conforme o Boletim DTZ, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Conselho.

Somente no Porto de Santos, principal porta de saída dos cafés do Brasil ao exterior, com representatividade de 79% dos embarques no acumulado do ano, o índice de atraso ou alteração de escalas de navios foi de 73% no mês retrasado, o que envolveu 148 do total de 203 porta-contêineres, sendo registrado tempo de espera de até 61 dias.

PRINCIPAIS DESTINOS
Apesar do declínio motivado pela taxação, os Estados Unidos permanecem como o principal importador dos cafés do Brasil no acumulado de janeiro ao fim de novembro de 2025, com a importação de 5,042 milhões de sacas, aferindo queda de 32,2% na comparação com os 11 primeiros meses de 2024. Esse volume corresponde a 13,7% dos embarques totais no agregado deste ano.

Fechando a lista dos cinco principais destinos dos cafés do Brasil até novembro, aparecem Alemanha, com a importação de 5,003 milhões de sacas e queda de 31% em relação ao mesmo período do ano passado; Itália, com 2,912 milhões de sacas (-21,7%); Japão, com 2,413 milhões de sacas (+17,5%); e Bélgica, com 2,146 milhões de sacas (-47,5%).

TIPOS DE CAFÉ
Nos primeiros 11 meses de 2025, o café arábica permanece como a espécie mais exportada pelo Brasil, com o envio de 29,630 milhões de sacas ao exterior. Esse volume equivale a 80,4% do total, ainda que signifique queda de 13,1% em relação a idêntico intervalo antecedente.

A espécie canéfora (conilon + robusta) vem na sequência, com o embarque de 3,773 milhões de sacas (10,2% do total), seguida pelo segmento do café solúvel, com 3,411 milhões de sacas (9,3%), e pelo setor industrial de café torrado e torrado e moído, com 53.832 sacas (0,1%).

CAFÉS DIFERENCIADOS
Os cafés que têm certificados de práticas sustentáveis, qualidade superior ou especiais respondem por 19,6% das exportações totais brasileiras entre janeiro e novembro de 2025, com a remessa de 7,221 milhões de sacas ao exterior. Esse volume é 11% inferior ao registrado no acumulado dos mesmos 11 meses do ano passado.

A um preço médio de US$ 432,41 por saca, a receita cambial com os embarques do produto diferenciado foi de US$ 3,122 bilhões, o que corresponde a 21,9% do total obtido com os embarques de janeiro a novembro deste ano. Na comparação com o mesmo intervalo de 2024, o valor é 42,9% superior.

Os EUA lideram o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 1,192 milhão de sacas no acumulado de 2025, o equivalente a 16,5% do total desse tipo de produto exportado. Fechando o top 5, aparecem Alemanha, com 1,111 milhão de sacas e representatividade de 15,4%; Bélgica, com 729.675 sacas (10,1%); Holanda (Países Baixos), com 691.008 sacas (9,6%); e Itália, com 416.948 sacas (5,8%).

(*) Com informações do Cecafé

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Acordo Mercosul-Emirados deverá ampliar acesso de produtos do agro aos países árabes, projeta CNA

Negociações para livre comércio estão em curso. Para a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, isenção de tarifas pode ampliar acesso dos produtos do agronegócio brasileiro ao mercado árabe.

Da Redação (*)

Brasília – A diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Mori, afirmou que, se assinado, o acordo de livre comércio entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos deverá beneficiar as exportações do agronegócio brasileiro não apenas ao país do Golfo, mas para diversas nações árabes. A CNA realizou nesta terça-feira (9), uma entrevista coletiva online para apresentar os resultados do setor neste ano e expectativas para 2026.

Mori afirmou que o agronegócio brasileiro tem um “relacionamento estável” com os países do Oriente Médio e do Norte da África. Disse que uma possível conclusão do acordo que está em negociação tem potencial para ampliar o comércio do Brasil com nações árabes porque os Emirados são um polo de distribuição e reexportação.

“Tarifa, especificamente, não é uma grande barreira, mas tem outras questões, e um acordo comercial acaba elevando a relação [entre os países] e facilitando outras questões para aumentar o acesso dos produtos e ampliar a relação comercial. É uma região que depende muito da importação de alimentos, e nós, como maior exportador líquido de alimentos do mundo, temos um interesse muito grande de acessar mais o mercado. A diversificação de mercados e produtos é uma pauta prioritária do Brasil e da CNA, então temos expectativa positiva”, disse.

Mori destacou que a pauta de negociações do Mercosul com outros países está sendo ampliada. “A entrada da negociação com os Emirados traz expectativa muito positiva”, afirmou. A executiva da CNA alertou, porém, que 2026 pode ser um ano desafiador para o setor caso os Estados Unidos mantenham a taxação de 40% a produtos brasileiros do agronegócio. Esse impacto poderá atingir US$ 2,7 bilhões no decorrer do ano. Até novembro, contudo, o setor conseguiu registrar alta de 1,7% nas exportações, mesmo em meio ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

CNA avalia desempenho do setor no Brasil

O presidente da CNA, João Martins, afirmou que neste ano o Brasil atingiu recorde na produção de grãos e que deverá buscar ampliar sua produção e capacidade exportadora. “Conseguimos, com restrição de crédito e problemas climáticos, registrar novo recorde de produção”, afirmou, sobre a safra de 354,8 milhões de toneladas.

Diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi destacou como desafios para o setor a elevada taxa de juros Selic, dívida pública do Brasil elevada, insegurança jurídica no agronegócio, eleições e clima, com fenômenos climáticos como o La Niña, já em curso, e El Niño, esperado para o decorrer de 2026. “Para o ano que vem, dificilmente o governo cortará gastos em período de eleição. Há risco de a inflação subir e ser prejudicial aos produtores do setor e para a redução da Selic”, disse Lucchi.

A Selic é a taxa básica de juros do Banco Central, atualmente em 15% ao ano. A perspectiva da CNA é que encerre 2026 em 12,25%, um patamar ainda elevado na avaliação da instituição. A CNA acusou também um elevado aumento na inadimplência do produtor rural. Lucchi observou que tem aumentado a quantidade de uso de capital dos próprios produtores para os investimentos no setor.

(*) Com informações da ANBA

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Brasil se destaca como principal fronteira de crescimento das  viagens de luxo na América Latina

Relatório da Hyatt Inclusive Collection revela um forte crescimento do setor, mudanças nas preferências dos viajantes e a ampliação das oportunidades de investimento

Da Redação

Brasília – Um novo relatório sobre o panorama do turismo de luxo em cinco importantes mercados latino-americanos — Brasil, Colômbia, Costa Rica, México e República Dominicana (Latin America’s Luxury Tourism Landscape Research Report), realizado pela Hyatt Inclusive Collection — revela um forte crescimento do setor, mudanças nas preferências dos viajantes e a ampliação das oportunidades de investimento, especialmente no segmento de luxo em desenvolvimento no Brasil.

O setor de turismo de luxo continua a evoluir no Brasil, com o viajante típico de alto padrão sendo identificado como uma mulher entre 30 e 49 anos que prioriza bem-estar, cultura e gastronomia. Esse público prefere acomodações 4–5 estrelas que ofereçam atendimento personalizado, conexão emocional e experiências exclusivas baseadas em narrativas.

A maturidade do mercado varia pela Região

México, Costa Rica e República Dominicana se destacam por seus mercados de luxo maduros, padronizados e integrados internacionalmente. Em contraste, Brasil e Colômbia apresentam ambientes menos consolidados, porém de alto potencial — especialmente para marcas internacionais dispostas a investir em parcerias locais e experiências culturalmente relevantes. Nesses mercados emergentes, a vantagem de pioneirismo ainda é possível, sobretudo em destinos secundários com fortes atrativos ecológicos e culturais.

Apesar de ser a maior economia da região, o Brasil continua sendo o mercado de hospitalidade de luxo menos consolidado, com hotéis independentes representando 60% da oferta total e com investimentos fortemente concentrados nas regiões Sudeste e Sul. O modelo all-inclusive, amplamente adotado em outras partes da região, é relativamente pouco desenvolvido no país.

No entanto, o clima de investimento no Brasil está cada vez mais favorável. O país ficou em segundo lugar entre os maiores destinos de IDE global no primeiro semestre de 2024, atraindo US$ 32 bilhões, segundo dados da OCDE. O investimento estrangeiro relacionado ao turismo alcançou US$ 360 milhões em 2024, superando significativamente os números de 2023, de acordo com o Ministério do Turismo.

A chegada de visitantes internacionais também está acelerando. O Brasil recebeu mais de seis milhões de turistas estrangeiros em 2024, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Janeiro de 2025 estabeleceu um novo recorde mensal, com quase 1,5 milhão de visitantes internacionais — alta de 55% em comparação a janeiro de 2024. A Argentina foi o principal mercado emissor (1,9 milhão de turistas), seguida pelos Estados Unidos (728 mil), Chile (653 mil) e pelos vizinhos Paraguai e Uruguai (mais de 853 mil somados). Mais de 1,2 milhão de europeus visitaram o país entre janeiro e outubro de 2024, representando um aumento de 21%.

Segundo o Ministério do Turismo, o setor de turismo brasileiro gerou um recorde de R$ 207 bilhões (~US$ 37 bilhões) em 2024, com os viajantes internacionais respondendo por um quinto desse total — o maior nível em 15 anos. Apesar desse crescimento, o turismo doméstico continua dominante, representando 80% da receita total.

O segmento de luxo permanece particularmente promissor. Avaliado em R$ 80 bilhões (~US$ 14,4 bilhões) em 2023, ele deve atingir R$ 130 bilhões (~US$ 23,4 bilhões) até 2030, segundo a Bain & Company.

A tendência atual indica que o turismo de luxo na América Latina vai além da infraestrutura, priorizando a capacidade dos destinos de atender às expectativas dos viajantes em termos de bem-estar, sustentabilidade e autenticidade.

“Hoje, os viajantes de alto padrão buscam mais do que conforto material; eles querem um valor emocional mais profundo baseado em bem-estar, conexão cultural e sustentabilidade. Preferem destinos que combinem exclusividade e sofisticação sem perder autenticidade ou conexão humana”, afirmou Antonio Fungairino, head de Desenvolvimento para a América Latina e Caribe.

Oportunidades de Investimento em Hospitalidade de Alto Padrão

A paisagem brasileira de hotéis de luxo abrange marcas internacionais, redes nacionais e propriedades independentes distintas. Destinos voltados para a natureza são particularmente fortes: segundo a Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), hotéis em áreas rurais e naturais registram taxas anuais de ocupação superiores às de seus equivalentes litorâneos ou urbanos.

Os principais destinos de luxo incluem Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Manaus, o Pantanal e o Maranhão, com hotspots já consolidados, como Fernando de Noronha, o Pantanal e Gramado, continuando a demonstrar potencial estratégico. Os períodos de maior demanda incluem Réveillon, Carnaval, casamentos e eventos corporativos.

A sustentabilidade também está moldando o comportamento do mercado: 64% dos hotéis de luxo e 80% dos operadores turísticos apoiam iniciativas comunitárias. As regiões Norte e Nordeste do Brasil apresentam fortes oportunidades para projetos de turismo climático e regenerativo — áreas com grande potencial, mas que exigem planejamento de longo prazo, relações governamentais sólidas e forte expertise jurídica.

Apoio Governamental e Desenvolvimento de Infraestrutura

Mecanismos governamentais como o Fungetur, juntamente com parcerias com o BID, a OMT e secretarias estaduais de turismo, estão ampliando o acesso ao financiamento e promovendo o desenvolvimento sustentável. A nova iniciativa de branding nacional destaca a diversidade e a responsabilidade ambiental do país.

No entanto, persistem desafios. Investidores continuam a enfrentar burocracia excessiva, tributação complexa e incerteza jurídica — especialmente no que diz respeito aos procedimentos de licenciamento ambiental.

Apesar dessas barreiras, a posição do Brasil está se fortalecendo. Entre 2015 e outubro de 2024, o país ficou em terceiro lugar na América Latina e no Caribe em projetos greenfield anunciados para o turismo, totalizando USD 1,49 bilhão em 50 empreendimentos. O turismo agora representa 8% do PIB nacional, sinalizando forte potencial de médio prazo para o desenvolvimento de luxo e alto padrão.

A análise destaca Brasil e Colômbia como mercados emergentes no setor, com grande potencial devido à sua localização e ofertas culturalmente atrativas — um aspecto altamente valorizado pelos viajantes globais atualmente. Esse cenário tem se mostrado ideal para atrair investidores e empresários interessados em construir novos empreendimentos no país. A Hyatt Inclusive Collection é uma das marcas que planeja fazê-lo na região Nordeste nos próximos anos.

 

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Remessa Online mira em expansão estratégica no comércio exterior e projeta crescimento de mais de 400% em 2026

A fintech, parte do grupo EBANX desde 2011, vem realizando uma série de otimizações em sua plataforma para realizar transações em apenas cinco minutos

Da Redação (*)

Brasília – A Remessa Online, maior plataforma independente de transferências internacionais do Brasil, anuncia a expansão de sua atuação no segmento de comércio exterior e a evolução de seu portfólio de soluções para importadores e exportadores, consolidando o comércio exterior como um eixo prioritário para 2026.

Impulsionada pelo aumento da demanda de pequenas e médias empresas por operações internacionais mais ágeis e previsíveis, a companhia projeta um crescimento de 470% em seu produto de COMEX no próximo ano. Entre as melhorias implementadas recentemente está o novo fluxo de cadastro empresarial, online e simplificado, além da aceleração significativa do processamento de pagamentos de importação, que passou de seis horas para apenas cinco minutos para clientes já cadastrados na plataforma.

Para novos usuários, o processo completo — do cadastro à finalização do pagamento — pode ser concluído em cerca de 1h30, um desempenho bastante superior ao dos modelos tradicionais de mercado. Segundo parâmetros públicos do Banco Central, Febraban e manuais de câmbio de grandes bancos, o fluxo bancário costuma exigir de 2 a 5 horas apenas para análise documental, podendo chegar a 1 a 3 dias úteis para a liquidação completa.

A expectativa da Remessa Online é que, com a digitalização crescente e a ampliação de ofertas para PMEs, mais empresas consigam acessar o mercado internacional com eficiência operacional e menor barreira de entrada. Ao simplificar o acesso ao câmbio internacional e reduzir o tempo de processamento para apenas alguns minutos, reforçamos nosso compromisso em apoiar o crescimento das PMEs no mercado global”, afirma Márcio William, CEO da Remessa Online.

PMEs ganham protagonismo no comércio exterior brasileiro

As pequenas e médias empresas (PMEs) têm ampliado sua relevância no comércio exterior, especialmente no abastecimento de cadeias produtivas essenciais. Dados analisados pela Remessa Online indicam que esse segmento movimentou US$ 4,74 bilhões em importações em 2024, representando 27.491 empresas ativas — quase metade do total de importadoras do país. Entre os setores mais relevantes estão a Indústria da Transformação (50%), Agropecuária (30%) e Indústria Extrativa (18%), que dependem de insumos internacionais para manter sua competitividade.

A Ásia permanece como a principal origem das compras, concentrando 64,1% das importações das PMEs, com destaque para máquinas, equipamentos, componentes eletrônicos, metais, produtos químicos e insumos agrícolas. O mercado evidencia a oportunidade para novas empresas ingressarem no comércio exterior e para as operações já existentes ganharem maior profissionalização.

(*)Com informações da Remessa Online

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A inteligência emocional é o novo diferencial na era da IA

Eduardo Schuler (*)

A era digital transformou o conhecimento em um bem perecível. Em um cenário em que a inteligência artificial dobra de capacidade a cada poucos meses, segundo o AI Index 2024, da Stanford University, o que se sabe hoje pode se tornar obsoleto em questão de semanas. Esse ritmo acelerado de inovação criou um paradoxo inquietante. Enquanto a tecnologia promete libertar o tempo humano, as pessoas se sentem cada vez mais pressionadas a aprender, atualizar-se e produzir mais, tudo ao mesmo tempo. É a promessa da eficiência colidindo com a realidade emocional das pessoas e, até agora, a tecnologia está vencendo.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial (2023), mais de 78% das empresas já utilizam algum tipo de inteligência artificial. Em tese, isso deveria liberar o profissional de tarefas repetitivas para atividades mais criativas. Na prática, porém, o que se vê é o oposto. O aumento da ansiedade e da sensação de inadequação diante de ferramentas que mudam mais rápido do que conseguimos dominá-las. O ciclo de validade do conhecimento encolheu, e com ele, o conforto da estabilidade profissional. É um cenário que expõe uma verdade incômoda, uma vez que não estamos diante de um “déficit de habilidade técnica”, mas de um déficit emocional para lidar com mudança constante.

Esse cenário exige um novo tipo de inteligência, não a lógica dos algoritmos, mas a emocional dos humanos. A capacidade de lidar com o desconforto, acolher a incerteza e cultivar a curiosidade se tornou estratégica. Segundo estudo da Harvard Business Review (2024), profissionais com maior inteligência emocional se adaptam até 30% mais rápido a novas tecnologias, justamente porque transformam o medo em motor de aprendizado. Em outras palavras, não é quem sabe mais que avança, é quem tolera melhor o desconforto de não saber.

Mas como fazer isso na prática? O primeiro passo é aceitar que aprender é um processo emocional, não apenas cognitivo. É natural sentir insegurança diante do desconhecido, o erro é negar isso. Práticas simples, como reservar blocos semanais para “aprendizado sem meta”, participar de comunidades de troca e encarar a curiosidade como parte do trabalho, ajudam a reduzir a ansiedade. Empresas que compreendem isso criam culturas de aprendizagem contínua, onde o erro não é punido, mas explorado como fonte de melhoria. As que ignoram isso, por outro lado, acabam produzindo times rápidos na operação, mas lentos na adaptação.

A consultoria McKinsey estima que até 30% das horas de trabalho globais poderão ser automatizadas por IA até 2030. Não é o fim dos empregos, mas o fim da forma antiga de executá-los. Em um estudo conjunto entre a Harvard Business School e o Boston Consulting Group (2024), consultores que usaram IA produziram resultados 40% melhores, não por saberem mais, mas por aprenderem a usar a tecnologia como parceira, não competidora. Esse dado escancara uma diferença crucial. Quem reage à IA com resistência perde, quem reage com abertura emocional multiplica resultados.

O dilema é claro: quanto mais produtivos nos tornamos, menos tempo sentimos ter para aprender. É um ciclo que só se rompe quando entendemos que a produtividade sem propósito leva à exaustão, enquanto o aprendizado gera energia e renovação. Continuar correndo sem tempo para aprender é a receita perfeita para a obsolescência emocional e profissional. A verdadeira competência do futuro, portanto, não está em acumular conhecimento, mas em manter viva a curiosidade. Em um mundo onde tudo envelhece rápido, a mente curiosa é a única que não envelhece. A inteligência emocional é o que nos permite continuar humanos em meio às máquinas, e talvez seja exatamente isso que nos manterá relevantes.

(*) Eduardo Schuler é CEO da Smart Consultoria, multiempresário e especialista em Growth e escala de negócios. Ao longo de sua trajetória, contribuiu estrategicamente para o crescimento exponencial de grandes marcas brasileiras, como Melissa e O Boticário.

 

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Crescimento nas buscas por pacotes de viagem no próximo ano consolida retomada do setor turístico

O termo “pacote de viagem 2026” aumentou em 817% no último ano, segundo levantamento da Comparar Seguro de Viagem

Da Redação (*)

Brasília – Com o fim de 2025, cresce também a lista de desejos dos brasileiros para o próximo ano. Viajar para fora do país segue entre as prioridades e a busca pelo termo “pacote de viagem 2026” cresceu em 817% no último ano, segundo levantamento da Comparar Seguro de Viagem.

O ano de 2026 se desenha como um ano repleto de oportunidades para que os sonhos de explorar o mundo saiam do papel e a movimentação nos aeroportos confirma a retomada do setor turístico.

De janeiro a agosto de 2025, os aeroportos brasileiros registraram a movimentação de 84,9 milhões de passageiros entre pousos e decolagens de voos nacionais e internacionais. O resultado representa um aumento de aproximadamente 10% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Já o movimento internacional segue em aceleração com 2,3 milhões de passageiros em outubro, um crescimento de 9,3% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, 23,5 milhões de viajantes realizaram voos internacionais.

O estudo realizado pela seguradora de viagem indicou preferência por pacotes completos, que reúnem assistência, transporte e hospedagem. A lista de destinos mais buscados é liderada por Chile, Punta Cana e Disney, seguidos por Cancún, Argentina, Bariloche, Itália, Machu Picchu, Maldivas, Paris e Tailândia.

(*) Com informações do MTur

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