Aumento das exportações para a China compensa queda nas vendas para os EUA, destaca boletim Icomex da FGV/IBRE

Da Redação (*)

Brasília – A imposição das tarifas recíprocas em abril e, depois, o tarifaço de 40% sobre as importações brasileiras, a partir de agosto, pelo governo Trump levaram a um cenário de incertezas e expectativas pessimistas em relação ao desempenho da balança comercial. Mas a queda das exportações para os Estados Unidos foi compensada com o aumento para outros destinos, em especial a China. Além disso, em novembro foi iniciado o degelo das relações entre o Brasil e os Estados Unidos, o que levou a movimentos favoráveis para o Brasil.´ É o que destaca o boletim Icomex, divulgado hoje (18) pela FGV/IBRE.

O informativo destaca que no dia 14 de novembro, o governo dos Estados Unidos anunciou a isenção das tarifas recíprocas de 10% sobre 238 produtos agrícolas, o que beneficiava todos os países. Em 20 de novembro foi anunciada a remoção do tarifaço de 40% de 269 produtos, sendo 249 do setor da agropecuária. Os efeitos dessa remoção só ficarão visíveis a partir de dezembro/janeiro.

De acordo com o Icomex, o tarifaço de Trump afetou o desempenho exportador do Brasil para os Estados Unidos, mas as exportações registraram crescimento positivo em termos globais. Para a queda no saldo da balança comercial contribuiu, principalmente, o aumento das importações, que foi generalizado em todos os mercados, destacando-se o aumento do déficit com os Estados Unidos que superou a redução do superávit com a China.

A Balança Comercial de novembro

A balança comercial de novembro registrou um superávit de US$ 5,8 bilhões. As exportações aumentaram em valor +2,4% e as importações em +7,4%. Na comparação do acumulado do ano até novembro, o saldo foi de US$ 57,8 bilhões, um recuo de US$ 11,7 bilhões em relação a igual período de 2024. As exportações cresceram em valor +1,8% e as importações +7,2%, na comparação dos acumulados do ano. Com esses resultados, a balança comercial de 2025 deverá acumular um superávit entre US$ 61 e US$ 65 bilhões.

A principal contribuição para a queda no saldo da balança comercial no acumulado do ano até novembro, em comparação ao de 2024, foi o aumento do déficit com os Estados Unidos, que passou de US$ 800 milhões para US$ 7,9 bilhões, um aumento de US$ 7,1 bilhões. O superávit da China caiu, mas a redução foi de US$ 3,3 bilhões (passou de US$ 30,7 bilhões para US$ 27,4 bilhões) e, na direção oposta, aumentou o superávit da Argentina em US$ 5,1 bilhões, sendo de US$ 5,2 bilhões, em 2025. Para explicar o recuo de US$ 11,7 bilhões no saldo total, outros países/blocos também registraram piora nos saldos comerciais, como a União Europeia.

Ressalta-se outra mudança na estrutura da balança comercial. No acumulado até novembro de 2024, o superávit da conta de petróleo e derivados foi de US$ 26,8 bilhões e em 2025 de US$ 27 bilhões. A contribuição dessa conta para o saldo positivo da balança foi de 38,6%, em 2024, e passou para 46,7%, em 2025. Nos anos de 2022 e 2023, a contribuição foi de 25%.

Em novembro, a China liderou as exportações (+42,8%) e para os Estados Unidos, a queda foi de -28,0%. Na comparação do acumulado, a liderança foi da Argentina (+38,0%), mas a partir do segundo semestre foi observada uma desaceleração nas exportações, que na comparação de novembro foi de -2,3%. Resultado inverso ao da China, que acelerou as exportações no segundo semestre e, no acumulado, a variação foi de +10,4%. Para a União Europeia, as exportações recuaram em -16,4%, em novembro, e no acumulado do ano, em -1,4%. E para os Estados Unidos, na comparação do acumulado, a queda foi de -7,0%.

Nas importações, a liderança em novembro foi dos Estados Unidos (+19,2%), seguida da União Europeia (+8,1%) e da China (+6,0%). No acumulado do ano, a liderança é da China (+17,2%) seguida dos Estados Unidos (12,6%).

Uma característica do ano de 2025 tem sido o melhor desempenho das não commodities, aumento de 6,8%, na comparação dos acumulados do ano até novembro e em relação ao das commodities, aumento de 3,1%. Com a aceleração do aumento das exportações para a China, a partir de meados do ano, cresceram as vendas das commodities. Em novembro, as commodities aumentam em volume, 8,1% e as não commodities, recuaram em 2,9%. Os preços das commodities registraram recuo nas duas bases de comparação: -4,2% (mensal) e -4,6% (acumulado no ano) (Gráfico 5).

O efeito Trump e o papel da China

O comportamento dos três principais mercados de destino das exportações brasileiras mudou ao longo do ano. A Argentina liderou o aumento do volume das exportações associado ao setor automotivo, mas a partir de julho, os aumentos tenderam a desacelerar e, em novembro houve queda de 2,3%. A participação do país no total exportado pelo Brasil ficou abaixo de 6,3% e, em novembro foi 4,8%. Não é suficiente para assegurar um aumento das exportações totais do Brasil que compensem a queda das vendas para os Estados Unidos.

A China começou o ano com recuos na variação mensal e só começou a registrar aumentos de dois dígitos a partir de agosto. O desempenho dos Estados Unidos contrasta com o da China, com resultados melhores nos sete primeiros meses do ano e, depois, variações mensais negativas, desde o início do tarifaço em agosto. A participação da China ao redor de 30% nas exportações brasileiras contribuiu para compensar a queda das vendas para os Estados Unidos.

De janeiro a agosto, as exportações para a China recuaram em -6,7%, para igual período de 2024, as dos Estados Unidos aumentaram em +4,6% e as exportações globais do Brasil em +0,1%. No período de agosto a novembro, as exportações para os Estados Unidos registraram queda de -25,1%, para a China, aumento de +28,6% e o total cresceu +5,0%. No acumulado do ano, queda para os Estados Unidos (-6,7%), aumento de +4,2% para a China e 1,8% para o total.
Na avaliação dos especialistas da FGV/Ibre, o presidente Trump superestimou a capacidade dos Estados Unidos em provocar danos gerais às exportações brasileiras. Além disso, como alguns dos produtos tarifados com 50% fazem parte da cesta de consumo da população do país, teve que recuar e fazer algumas reduções tarifárias. Os resultados de novembro ainda não espelham essa medida.

Com a suspensão do tarifaço sobre grande parte dos produtos agropecuários, a negociação não termina. O desafio agora é conseguir tirar o tarifaço das manufaturas que não foram isentas. Lembramos que os Estados e a Argentina constituem os principais mercados desses produtos para o Brasil, sendo o dos EUA mais diversificado. Por fim ainda não se tem notícia que concessões o presidente Trump deseja do Brasil. A imprevisibilidade e incertezas continuam.

(*) Com informações da FGV/IBRE

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A nova liderança na Era da IA: autonomia e decisão além da gestão

A autonomia técnica migrou para cada profissional e quem não domina o uso crítico das ferramentas se torna refém delas e compromete resultados estratégicos

Diego Nogare (*)

Até pouco tempo, a hierarquia corporativa definia processos de trabalho de forma rígida e top-down, mas a Inteligência Artificial Generativa rompeu a barreira que separava a liderança estratégica da execução técnica. Agora, cada desenvolvedor júnior, ou analista de dados possui um “exército” de assistentes virtuais ao seu dispor.

Essa mudança transfere a liderança operacional do gestor para o executor da tarefa, afinal, decidir se um algoritmo deve ser otimizado manualmente ou via sugestão de IA é uma escolha de liderança técnica. A competência central deixa de ser apenas a execução braçal e passa a ser a estratégia de uso da ferramenta.

Segundo o relatório MIT Technology Review Brasil em parceria com a Peers Consulting + Technology recém-divulgado, 73.5% das empresas ainda consideram ter dificuldades plenas de estarem preparadas para os projetos de IA. Isso mostra uma dissonância entre o uso de ferramentas de IA Generativas para fins pessoais, que são mais direcionadas para tarefas de lazer e entretenimento, e o uso corporativo, com regras de privacidade, governança e ética mais duras.

O copiloto e o ceticismo necessário

A relação com a IA deve ser a de um piloto com seu copiloto. A ferramenta auxilia, sugere e agiliza, mas o comando final permanece humano. Confiar cegamente na tecnologia é um erro grave que pode comprometer projetos inteiros.

A IA Generativa é propensa a alucinações, inventando fatos ou códigos que parecem plausíveis, mas são incorretos. O profissional deve atuar como um curador implacável, validando cada linha de código ou parágrafo gerado. Essa postura cética é, em essência, uma característica de liderança e responsabilidade.

Desta forma, a revisão técnica torna-se mais importante do que a criação inicial. O profissional precisa ter o conhecimento fundamental sólido para identificar erros sutis que a IA possa cometer. Sem essa base, o copiloto assume o controle, o que representa um potencial risco para a qualidade do produto final.

Escolher a ferramenta certa é decisão estratégica

A liderança individual manifesta-se claramente na seleção da ferramenta adequada para cada contexto específico. O mercado oferece soluções distintas para gerar código, criar imagens, resumir textos ou analisar documentos extensos. Saber qual utilizar é uma decisão de negócio que impacta a eficiência.

Utilizar um modelo de linguagem genérico para refatorar um código crítico de segurança pode ser inadequado, por exemplo. Ferramentas especializadas em desenvolvimento seguro seriam a escolha de um líder técnico consciente. A criação de ativos visuais exige plataformas específicas que respeitem os direitos autorais.

Assim como a análise de documentos sensíveis requer ferramentas que garantam a privacidade dos dados. Enviar um relatório financeiro confidencial para uma IA pública é uma falha de liderança grave. O discernimento sobre a adequação da ferramenta é uma competência diária e indispensável.

Governança não é burocracia, é sobrevivência

A autonomia traz consigo a responsabilidade de aderir às normas de governança corporativa. As empresas estabelecem políticas de uso de IA para proteger a propriedade intelectual e evitar vazamento de dados. Seguir essas regras é um ato de liderança, ética e profissionalismo.

Ignorar as diretrizes de segurança ao usar ferramentas não homologadas, conhecido como Shadow AI, coloca a organização em risco. O próprio relatório do MIT aponta que mesmo com apenas 40% das empresas possuindo assinaturas corporativas de modelos de linguagem, mais de 90% dos funcionários admitem usar ferramentas pessoais de IA em suas rotinas de trabalho, porém sem governança formal na maioria dos casos.

Importante: o profissional deve alinhar suas escolhas individuais às estratégias de compliance da empresa. A inovação não pode custar a segurança jurídica ou técnica da organização!

Portanto, a verdadeira liderança na era da IA envolve saber quando não usar a tecnologia. Se uma ferramenta viola uma política interna, o profissional deve buscar alternativas ou reportar a necessidade aos gestores. Essa postura proativa demonstra maturidade e alinhamento com os objetivos macro do negócio.

O novo perfil sênior do mercado

A descentralização da liderança operacional altera profundamente o perfil esperado dos profissionais de tecnologia. Não basta mais ser um exímio codificador ou redator. É preciso ser um gestor de eficiência pessoal. Essa tendência valoriza o pensamento crítico acima da execução mecânica, redefinindo o que significa ser sênior no mercado.

Para as empresas, isso representa um ganho potencial de produtividade, mas também um aumento na superfície de risco. A qualidade do software ou do conteúdo passa a depender diretamente da capacidade de curadoria de cada indivíduo. O gargalo da produção se desloca da criação para a revisão e validação.

Socialmente, isso empodera o trabalhador, permitindo que ele foque em tarefas de maior valor agregado e criatividade. Entretanto, cria uma barreira de entrada maior para quem não domina essas ferramentas ou não possui o senso crítico necessário. A lacuna entre profissionais que lideram suas IAs e aqueles que são liderados por elas aumentará significativamente.

A liderança na era da IA não elimina a necessidade de gestão corporativa, mas redefine as responsabilidades individuais. Enquanto os gestores continuam essenciais para definir a direção estratégica e os objetivos de negócio, a liderança tática migrou para as mãos de cada colaborador.

No cenário atual aprontado pelo MIT, no qual 27,7% dos 322 executivos e lideranças de tecnologia de empresas brasileiras ouvidos afirmam ainda não ter resultados mensuráveis com IA Generativa, enquanto apenas 15,2% apontam ROI positivo, conclui-se que o problema não é a falta de ferramentas, mas a falta de critério no uso delas. E este fato pode gerar ineficiência e riscos de segurança.

Assumir essa liderança pessoal não é opcional. É a única forma de garantir relevância e segurança na carreira moderna.

(*) Diego Nogare tem 25 anos de experiência na área de Dados, com foco em Inteligência Artificial e Machine Learning desde 2013 e já passou por grandes empresas como Microsoft, Deloitte, Bayer e Itaú.

 

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Tendências do Comércio Exterior para 2026: especialista indica o que as empresas precisam antecipar

Reconfiguração das rotas globais, avanço do protecionismo e novas exigências de compliance obrigam exportadores e importadores a rever estratégias já no início do ano

Da Redação

Brasília – O recrudescimento das tarifas americanas e europeias, aliado ao redesenho das principais rotas logísticas internacionais, coloca 2026 no centro de um dos maiores desafios do comércio exterior desde a pandemia. A combinação de protecionismo, custos operacionais crescentes e novas barreiras regulatórias pressionam empresas brasileiras a anteciparem ajustes estruturais para continuar competitivas.

Segundo Thiago Oliveira, CEO da Saygo e especialista em operações internacionais, o movimento exige preparação imediata. “As empresas que entrarem em 2026 com a mesma lógica de operação de 2024 e 2025 vão perder margem e previsibilidade. A mudança de rota e de exigências não é tendência, é realidade”, destaca.

Grandes players do comercio internacional reforçam suas estratégias para 2026

As projeções de consultorias de risco e comércio global apontam que Estados Unidos e União Europeia devem ampliar mecanismos de defesa comercial no início de 2026, enquanto Ásia e Oriente Médio reforçam acordos bilaterais para escoar produção e contornar tarifas cruzadas. O Brasil, que depende do fluxo com ambos os blocos, passa a operar em um ambiente mais rígido, no qual eficiência logística, compliance e gestão cambial se tornam fatores críticos.

Oliveira, que atua há mais de duas décadas no comércio exterior e lidera uma holding especializada em câmbio, tecnologia e operações internacionais, destaca que o impacto será sentido especialmente nas empresas que ainda operam com baixa previsibilidade. “Hoje, o erro custa caro. Em um cenário de tarifas adicionais, revisões contratuais e exigências mais técnicas, quem não trabalha com dados, automação e controle de riscos tende a ficar para trás.”

A reorganização das rotas marítimas, intensificada pelos conflitos na região do Mar Vermelho e por gargalos estruturais no Canal do Panamá, deve continuar pressionando fretes e prazos no próximo ano. Relatórios recentes de armadores globais indicam que desvios de rota aumentaram o tempo médio de trânsito em até 23% em 2024 e 2025, tendência que se mantém para 2026.

Essa instabilidade reforça a adoção de plataformas integradas de gestão e análise preditiva, essenciais para reduzir riscos de atraso e evitar multas contratuais. O especialista explica que a previsibilidade operacional se tornou diferencial competitivo. “As empresas que conseguem antecipar gargalos e simular cenários conseguem negociar melhor com fornecedores, ajustar contratos e proteger margem. Isso é impossível sem dados e automação.”

A ampliação das tarifas americanas, que atingem setores como siderurgia, agroindústria e manufaturados deve provocar revisões de contratos, renegociações de preços e redirecionamento de operações para mercados alternativos. Tendências similares ocorrem na Europa, com bloqueios relacionados à rastreabilidade, sustentabilidade e governança.

A diversificação de destinos, já apontada por especialistas como caminho obrigatório, impulsiona a América do Norte (especialmente Canadá), Sudeste Asiático e Oriente Médio como destinos estratégicos para exportadores brasileiros. Empresas que dependem de um único mercado devem ampliar riscos caso não se reposicionem até o primeiro semestre de 2026.

A combinação de protecionismo e exigências ambientais faz com que a conformidade regulatória seja, pela primeira vez, um vetor tão importante quanto preço ou logística. Regras de origem, rastreamento de insumos e histórico fiscal passam a integrar critérios de acesso a mercados, especialmente na União Europeia, movimento que tende a se expandir para outros blocos.

Thiago Oliveira reforça que esse ponto é subestimado por empresas de médio porte. “A maior parte das operações que travam não travam por tarifa, mas por documentação. Uma classificação fiscal errada ou um laudo incompleto pode custar o embarque inteiro. E isso deve se intensificar em 2026.”

Com a expectativa de volatilidade contínua do dólar em 2026, empresas terão de operar com mecanismos de hedge, contratos a termo e projeções integradas ao fluxo de caixa. O objetivo passa a ser estabilidade operacional, não apenas redução pontual de custos.

O especialista defende três movimentos imediatos para enfrentar 2026:

  1. Reestruturar contratos internacionais com cláusulas de flexibilidade cambial e logística.
  2. Mapear mercados alternativos para reduzir exposição a tarifas e riscos geopolíticos.
  3. Digitalizar processos operacionais para diminuir erros, agilizar compliance e aumentar previsibilidade.

Thiago Oliveira sintetiza: “2026 será o ano em que sobreviverá quem se antecipar. Os movimentos globais estão claros. O desafio é tirar da gaveta o planejamento e transformar em execução.”

 

 

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Brasil bate recorde de importação de produtos estrangeiros em 20 anos e China é o principal fornecedor, indica estudo da CNI

Mesmo com a desvalorização do real, em 2024 a participação de produtos estrangeiros no consumo nacional atingiu o maior nível desde 2003; China foi o principal vetor do avanço das importações

Da Redação (*)

Brasília – Mesmo em um ambiente que favoreceria a produção nacional, a presença de produtos importados no consumo interno atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em 2003, segundo a última edição do estudo Coeficientes de Abertura Comercial (CAC), produzido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O estudo é feito em parceria com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) e foi divulgado nesta quinta-feira (18). O aumento do indicador foi puxado pela presença de produtos chineses no consumo dos brasileiros.

O CAC é uma publicação anual que mede o grau de integração da indústria brasileira com o comércio exterior, por meio de quatro coeficientes – dois que avaliam as exportações e dois que medem a participação das importações no mercado brasileiro.

Em destaque no estudo, a participação de bens estrangeiros no dia a dia dos brasileiros é medida pelo coeficiente de penetração das importações, que avançou 2,2 pontos percentuais (p.p.) e passou de 24,5% em 2023 para 26,7% em 2024. O resultado chama atenção porque a forte desvalorização do real tende a encarecer produtos importados, mas ainda assim as importações cresceram 17,3% em 2024, em real e a preços constantes, impulsionadas pela expansão da produção industrial e pelo aquecimento da demanda interna.

Para a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, os dados de 2024 chamam atenção para os desafios de competitividade que a indústria brasileira continua enfrentando. “Os coeficientes funcionam como um sinal de alerta. Na nossa avaliação, esses indicadores mostram que persistem uma série de desafios estruturais para melhorar a competitividade e a qualidade da integração da indústria brasileira no comércio internacional. São desafios que afetam a capacidade da indústria de competir no próprio mercado brasileiro e, ao mesmo tempo, de ganhar escala e espaço nos mercados externos”, afirma.

China amplia presença e tem participação recorde no consumo brasileiro

De acordo com o estudo da CNI, a China foi o principal vetor do avanço das importações brasileiras. A participação de produtos chineses no consumo do Brasil subiu de 7,1% para 9,2% em 2024, um aumento de 2,1 p.p. a preços constantes, atingindo o maior nível da série histórica. O crescimento foi puxado principalmente por setores de maior valor agregado e intensidade tecnológica, como máquinas e equipamentos, máquinas e materiais elétricos e equipamentos de informática e ópticos. O levantamento também destaca a alta presença de produtos têxteis chineses no consumo brasileiro do setor.

Em conjunto, China, União Europeia, Estados Unidos e outros países europeus responderam por 18,7% do consumo aparente da indústria de transformação em 2024, acima dos 16,9% registrados em 2023. Entre as 17 regiões analisadas no estudo, apenas a China ampliou participação, enquanto a UE teve leve retração, influenciada pela menor presença de produtos químicos, farmacêuticos e elétricos.

Dependência de insumos industriais estrangeiros cresce

A dependência externa da indústria brasileira não se limita aos bens finais. O uso de insumos industriais importados também atingiu nível recorde: em 2024, o coeficiente de insumos importados passou de 23% para 25%, o maior da série. As importações de insumos estrangeiros cresceram 16%, em reais a preços constantes, enquanto o consumo de insumos nacionais avançou apenas 4%, evidenciando uma dependência estrutural que persiste mesmo com o câmbio desvalorizado.

Os 20 setores analisados no levantamento registraram aumento no uso de insumos importados. Os maiores avanços ocorreram em máquinas e equipamentos, outros equipamentos de transporte, vestuário e acessórios têxteis.

Produção industrial destinada ao exterior recua

Enquanto as importações ganharam espaço, a importância do mercado externo para a indústria brasileira diminuiu. O coeficiente de exportação, que mede a parcela da produção destinada ao exterior, caiu de 19,3% em 2023 para 18,9% em 2024.

Embora as exportações da indústria de transformação tenham crescido 2,6%, em reais a preços constantes, o avanço foi menor do que a produção, diminuindo o peso relativo das vendas externas. Os EUA permaneceram como principal destino, seguidos pela UE, pela China e pelo Sudeste Asiático, que ultrapassou a Argentina no ranking de destinos da produção industrial do Brasil.

Receita com exportações ainda supera despesa com importação de insumos

Apesar do avanço das importações, o coeficiente de exportações líquidas da indústria de transformação, medido a preços correntes, permaneceu positivo em 2024, com aumento de 9,3% para 9,6%. O indicador mostra que, no agregado, a receita com exportações superou os gastos com insumos industriais importados.

Metade dos setores analisados apresentou resultado positivo, com destaque para celulose e papel, madeira e outros equipamentos de transporte. Por outro lado, setores como equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos e têxteis registraram coeficientes negativos.

(*) Com informações da CNI

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Lula dá ultimato  à UE: dia 20 é a última chance de assinatura do acordo com o Mercosul em sua presidência

Da Redação (*)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta (17), que o acordo entre Mercosul e União Europeia tem uma última chance, no mandato dele, de ser consolidado no próximo sábado (20), em Foz do Iguaçu (PR), durante a Cúpula de Líderes do Mercosul.

“Se não fizer agora, o Brasil não fará mais enquanto eu for presidente”, disse. Lula realizou a última reunião ministerial de 2025, na residência oficial da Granja do Torto, em Brasília.

O presidente afirmou que tem expectativas ainda de uma aprovação do acordo.

“Se disserem não, vamos ser duros daqui pra frente. Nós cedemos a tudo que era possível”, acrescentou o presidente.

O presidente disse que alterou a data da reunião para 20 de dezembro a pedido da União Europeia e que foi informado sobre a dificuldade de aprovar o acordo com o Mercosul em função das pressões internas na França e na Itália.

A União Europeia e o Mercosul completaram as negociações sobre o acordo em dezembro passado, cerca de 25 anos após o início das conversações. Os parlamentos dos países dos dois blocos precisam aprovar o texto, o que pode ter resistências de países como a França, que questionam termos do acordo, especialmente nos termos que tratam de produção agrícola.

Tensão na Venezuela

Na reunião ministerial, sobre o ambiente externo, Lula manifestou preocupação com a elevação das tensões entre Estados Unidos e Venezuela.

“Estou preocupado com as atitudes do presidente (Donald) Trump com relação à América Latina. Nós vamos ter que ficar muito atentos com essa questão”.

Lula reafirmou a necessidade de o Brasil e o continente terem uma “política de paz”, em vista de não haver armas nucleares. “Aqui (no Brasil), nós não temos há 200 anos o hábito da guerra. E é por isso que eu falei com o Presidente Trump: o poder da palavra pode valer mais do que o poder da arma”, considerou.

Ele relatou que conversou com o presidente Trump sobre a disposição em contribuir com uma conversa entre ele e Maduro. “É preciso ter vontade de conversar e paciência”, disse Lula.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Wagner Balera (*)

A propósito do recente e trágico ataque ocorrido na Austrália, que vitimou diversas pessoas — algumas delas fatalmente —, durante a pacífica celebração do Hanukkah, a Festa das Luzes da comunidade judaica, impõem-se algumas reflexões sobre os motivos e as consequências de tal ato.

À falta de definição mais apropriada, e sem entenderem bem o que teria motivado os ataques, aparentemente praticados por pessoas isoladas, os analistas chamaram a atenção para a facilidade com que se adquirem armamentos hoje em dia, fenômeno que ocorre também em nosso país.

É simbólico que a Festa das Luzes seja muito próxima dos festejos de Natal. Também no tempo do Advento as luzes da coroa vão sendo acesas num crescendo até que a Luz do Mundo venha a nascer na noite tão esperada pelos cristãos.

Jesus Cristo não selecionava ninguém. Qualquer pessoa seria bem acolhida por Ele, bastando que professasse o único mandamento propriamente cristão: ama o próximo como a ti mesmo. Aliás, o Cristo ia além e dizia: amai vossos inimigos, o que revela, igualmente, o modelo mais aberto de compreensão da pessoa do próximo.

Na verdade, o fundamentalismo dos terroristas — de todos os matizes — é antissemita, anticristão e antihislamista, porque se vale da inimizade aos valores religiosos para disseminar o ódio, a cultura de morte a que já se referia São João Paulo II.

Trata-se, portanto, do mesmo tipo de fundamentalismo que outros grupos de terroristas praticam para excluir as minorias de todo o tipo, mesmo as que não professem nenhuma crença.

É simbólico que tenha sido Ahmed, o sírio, a desarmar um dos terroristas, o que lhe custou dois ferimentos.

Esses terroristas disparam, inclusive pelos meios de comunicação virtual, contra todos aqueles que não pensam como eles. Eis quem são, em certo sentido, os verdadeiros fundamentalistas do ódio.

Por que teriam escolhido a reunião do Hanukkah, tão plena de simbolismos?

Não nos prendamos  a esse vetor. Basta atentar para os recentes ataques a uma mesquita e a uma feira natalina para que se ponha foco na essência do que está em jogo.

A enorme confusão ideológica e doutrinal do terrorismo revela, antes de tudo, mentes perturbadas, incapazes de discernir entre o bem e o mal. Ou, se quisermos embaralhar ainda mais as cartas, incapazes de discernir a esquerda da direita.

A confusão ideológica, aliás, não é apenas um sintoma de desordem mental, mas a estratégia consciente de aniquilar a pluralidade inerente à condição humana. O extremismo, ao se apropriar de símbolos sagrados e transformá-los em bandeiras de exclusão, trai a própria essência de qualquer fé que pregue a transcendência e o amor ao Criador, pois desumaniza a criatura feita à sua imagem.

Desta forma, o verdadeiro combate ao terrorismo não se limita à repressão policial ou militar, mas passa necessariamente pela defesa intransigente da educação e do diálogo inter-religioso. É a luz da razão e da tolerância que deve ser acesa para dissipar a escuridão do fanatismo, provando que a diferença de crença jamais pode ser motivo para a guerra, mas sim o motor para um enriquecimento mútuo da civilização.

Urge que os homens de boa vontade se ergam, em uníssono, em favor de uma cultura de paz e de liberdade religiosa, e que todas as luzes se acendam em alerta contra toda e qualquer manifestação terrorista.

(*) Wagner Balera é professor titular de Direitos Humanos e integra o corpo editorial da Revista de Direitos Humanos da PUC-SP.

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Terrorismo e religiosidade

Wagner Balera (*)

A propósito do recente e trágico ataque ocorrido na Austrália, que vitimou diversas pessoas — algumas delas fatalmente —, durante a pacífica celebração do Hanukkah, a Festa das Luzes da comunidade judaica, impõem-se algumas reflexões sobre os motivos e as consequências de tal ato.

À falta de definição mais apropriada, e sem entenderem bem o que teria motivado os ataques, aparentemente praticados por pessoas isoladas, os analistas chamaram a atenção para a facilidade com que se adquirem armamentos hoje em dia, fenômeno que ocorre também em nosso país.

É simbólico que a Festa das Luzes seja muito próxima dos festejos de Natal. Também no tempo do Advento as luzes da coroa vão sendo acesas num crescendo até que a Luz do Mundo venha a nascer na noite tão esperada pelos cristãos.

Jesus Cristo não selecionava ninguém. Qualquer pessoa seria bem acolhida por Ele, bastando que professasse o único mandamento propriamente cristão: ama o próximo como a ti mesmo. Aliás, o Cristo ia além e dizia: amai vossos inimigos, o que revela, igualmente, o modelo mais aberto de compreensão da pessoa do próximo.

Na verdade, o fundamentalismo dos terroristas — de todos os matizes — é antissemita, anticristão e antihislamista, porque se vale da inimizade aos valores religiosos para disseminar o ódio, a cultura de morte a que já se referia São João Paulo II.

Trata-se, portanto, do mesmo tipo de fundamentalismo que outros grupos de terroristas praticam para excluir as minorias de todo o tipo, mesmo as que não professem nenhuma crença.

É simbólico que tenha sido Ahmed, o sírio, a desarmar um dos terroristas, o que lhe custou dois ferimentos.

Esses terroristas disparam, inclusive pelos meios de comunicação virtual, contra todos aqueles que não pensam como eles. Eis quem são, em certo sentido, os verdadeiros fundamentalistas do ódio.

Por que teriam escolhido a reunião do Hanukkah, tão plena de simbolismos?

Não nos prendamos  a esse vetor. Basta atentar para os recentes ataques a uma mesquita e a uma feira natalina para que se ponha foco na essência do que está em jogo.
A enorme confusão ideológica e doutrinal do terrorismo revela, antes de tudo, mentes perturbadas, incapazes de discernir entre o bem e o mal. Ou, se quisermos embaralhar ainda mais as cartas, incapazes de discernir a esquerda da direita.

A confusão ideológica, aliás, não é apenas um sintoma de desordem mental, mas a estratégia consciente de aniquilar a pluralidade inerente à condição humana. O extremismo, ao se apropriar de símbolos sagrados e transformá-los em bandeiras de exclusão, trai a própria essência de qualquer fé que pregue a transcendência e o amor ao Criador, pois desumaniza a criatura feita à sua imagem.Desta forma, o verdadeiro combate ao terrorismo não se limita à repressão policial ou militar, mas passa necessariamente pela defesa intransigente da educação

e do diálogo inter-religioso. É a luz da razão e da tolerância que deve ser acesa para dissipar a escuridão do fanatismo, provando que a diferença de crença jamais pode ser motivo para a guerra, mas sim o motor para um enriquecimento mútuo da civilização.

Urge que os homens de boa vontade se ergam, em uníssono, em favor de uma cultura de paz e de liberdade religiosa, e que todas as luzes se acendam em alerta contra toda e qualquer manifestação terrorista.

(*) Wagner Balera é professor titular de Direitos Humanos e integra o corpo editorial da Revista de Direitos Humanos da PUC-SP.

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O futuro da manufatura em 2026: entre a hiperautomação e a responsabilidade

Angela Gheller (*)

O ano de 2026 desponta no horizonte como um marco para a manufatura brasileira. O que antes víamos como tendências da indústria, agora se consolidam como pilares estratégicos para a competitividade e a resiliência do setor. A transformação digital, antes vista como meta, hoje é a base indispensável da nova indústria, agora impulsionada por inteligência artificial, novos modelos de negócio e uma consciência socioambiental cada vez mais presente.

Na minha visão, o primeiro ponto a ser observado é a maturidade da digitalização. Dados recentes, como os apresentados pelo Índice de Produtividade Tecnológica (IPT) de Manufatura, mostram que, embora muitas empresas tenham iniciado sua jornada, ainda existe um abismo entre a automação básica e uma operação verdadeiramente inteligente e conectada. Em 2026, a pressão competitiva não permitirá mais que as indústrias permaneçam nos estágios iniciais.

A meta será alcançar uma maturidade que integre o chão de fábrica (MES) ao sistema de gestão (ERP) de forma fluida, gerando dados que não apenas informem, mas que alimentem sistemas de decisão autônomos. A lição de casa de organizar e digitalizar processos será pré-requisito para qualquer avanço.

É aqui que a inteligência artificial, com destaque para os Agentes autônomos, entram em cena de forma disruptiva. Se até agora falamos muito sobre IA para análise preditiva, usando dados para antecipar cenários, no próximo ano a conversa será sobre execução efetiva de tarefas. Agentes de IA integrados aos sistemas de gestão ajudarão gestores a otimizar a produção em tempo real, não apenas sugerindo ajustes de máquina ou remanejamento de insumos, mas executando atividades de forma autônoma, a partir de parâmetros pré-estabelecidos: um Agente poderá, por exemplo, renegociar uma entrega com um fornecedor ao prever um possível atraso, ou ajustar dinamicamente o preço de um produto em um portal B2B com base na demanda e no estoque, tudo de maneira independente.

Essa evolução tecnológica pavimenta o caminho para a consolidação definitiva do e-commerce B2B (business to business) e B2C (business to consumer) na manufatura. O modelo de vendas tradicional, com representantes comerciais e catálogos físicos, cada vez mais dá lugar a plataformas digitais que oferecem uma experiência de compra personalizada e sem fricção para os compradores. Para a indústria, isso significa não apenas um novo canal de vendas, mas uma fonte riquíssima de dados sobre o comportamento do cliente lá na ponta, permitindo uma previsão de demanda mais precisa e uma produção mais alinhada às necessidades do mercado.

Paralelamente a esses avanços, o ambiente de negócios no Brasil trará um desafio estrutural: a Reforma Tributária. Em 2026, com a transição para o novo sistema de IVA dual (IBS e CBS) em andamento, a conformidade fiscal será mais complexa do que nunca. A grande virada de chave para a manufatura será entender que a gestão tributária não se limita mais às suas próprias operações.

Será mandatório ter uma visão completa e sistêmica da cadeia de suprimentos, garantindo que todos os seus fornecedores também estejam em conformidade. A tecnologia, especialmente um ERP robusto e atualizado, será a única forma de gerenciar o volume de dados e as novas obrigações, evitando perdas de crédito e garantindo a saúde financeira do negócio.

Por fim, a agenda ESG tende cada vez mais a ser uma prática mensurável e auditável. A pressão do mercado externo, de investidores e de consumidores colocará a sustentabilidade no centro da estratégia. Ferramentas que permitem a gestão e o reporte de indicadores ESG, que auxiliam no cálculo da pegada de carbono ou no diagnóstico de práticas de diversidade e inclusão, serão cada vez mais essenciais e presentes no dia a dia da indústria. A manufatura de sucesso será aquela que não apenas produz com eficiência, mas que também demonstra, com dados, seu impacto positivo na cadeia, na sociedade e no meio ambiente.

Em suma, o futuro da manufatura será das empresas que conseguirem orquestrar essas cinco tendências da indústria de forma harmoniosa, construindo uma operação que seja, ao mesmo tempo, inteligente, automatizada, centrada no cliente, fiscalmente responsável e genuinamente sustentável. O desafio é grande, mas as oportunidades são ainda maiores.

(*) Angela Gheller, diretora de produtos para Manufatura da TOTVS

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Empresas brasileiras projetam expansão dos negócios nos EUA em 2026 com previsão de flexibilização tarifária

Debates bilaterais reacendem análises sobre custos logísticos, regras fiscais estaduais e modelos de expansão para negócios que buscam receita em dólar

Da Redação (*)

Brasília – As negociações retomadas entre Brasil e Estados Unidos sobre possíveis ajustes tarifários voltaram a movimentar empresários que observam o mercado americano como destino estratégico para 2026. Relatórios recentes da OCDE mostram que Estados Unidos, Brasil e Reino Unido lideraram o fluxo global de investimento estrangeiro direto no primeiro semestre de 2025, consolidando o peso da economia americana no cenário internacional de negócios.

No recorte bilateral, dados do SelectUSA registram estoque aproximado de US$ 31,8 bilhões em investimentos brasileiros nos Estados Unidos em 2023, volume impulsionado sobretudo por pequenas e médias empresas.

Para Fernanda Spanner, International Business Advisor e CEO da Spanner Consulting Group, o tema exige planejamento técnico e visão preventiva. Fernanda acumula mais de duas décadas de experiência em contabilidade internacional e planejamento tributário, lidera cinco escritórios nos Estados Unidos e possui credencial de Enrolled Agent licenciada pelo Internal Revenue Service, que permite atuação fiscal federal em todo o território americano.

A expectativa de flexibilização tarifária reacende discussões sobre custos operacionais, formação de preços, competitividade e modelos societários adequados para empresas brasileiras que exportam, prestam serviços transnacionais ou pretendem abrir unidades no exterior.

Segundo a especialista, eventuais mudanças tarifárias podem influenciar tanto as margens quanto a forma de estruturar empresas e operar internacionalmente. Ela afirma que a redução de tarifas não se limita ao impacto imediato no preço final, pois afeta a cadeia de custos, a necessidade de revisar contratos internacionais e a escolha da melhor estrutura jurídica diante das diferenças regulatórias entre os estados americanos.

Força das pequenas empresas na economia americana

Levantamentos do Census Bureau e da Small Business Administration mostram que os Estados Unidos contam com cerca de 33,3 milhões de pequenos negócios que empregam parcela significativa da força de trabalho formal. O ambiente competitivo e a presença crescente de empresas estrangeiras exigem que negócios brasileiros considerem não apenas tributação, mas também seguros obrigatórios, regras de licenciamento, exigências de compliance e adequação documental.

Os setores mais sensíveis às tarifas incluem tecnologia, manufatura especializada, alimentos premium, cosméticos e serviços profissionais que participam de cadeias globais de valor. Nos cenários analisados por especialistas, alterações tarifárias podem aumentar a viabilidade de produtos brasileiros nos Estados Unidos, mas também reforçam a necessidade de simular impactos fiscais federais e estaduais, revisar a estrutura societária e avaliar riscos jurídicos antes da expansão.

Para empresas que planejam internacionalizar em 2026, o conjunto de recomendações inclui iniciar ainda em 2025 um diagnóstico detalhado das operações, exportações, estrutura de custos e exposição cambial, além de revisar modelos contratuais e mapear exigências específicas do setor e do estado americano de interesse. A partir dessas informações, é possível construir projeções mais sólidas de investimento, margens e viabilidade.

Na avaliação de Fernanda, as oportunidades tendem a beneficiar negócios que chegam ao mercado americano com governança e planejamento tributário organizados. Ela afirma que gerar receita em dólar amplia a escala e a previsibilidade financeira, mas depende de uma preparação técnica consistente. Para a especialista, um eventual ambiente tarifário mais favorável não substitui a necessidade de planejamento antecipado, e 2026 tende a ser mais positivo para empresas que iniciarem a reorganização estrutural ainda em 2025.

(*) Com informações da Spanner Consulting Group

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Em reunião no Itamaraty, presidente da CNI debate sobre novas isenções no tarifaço imposto aos produtos brasileiros

Da Redação (*)

Brasília – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para discutir os próximos passos da negociação em torno do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. No encontro, na tarde de segunda-feira (15), a indústria reforçou o apoio à nova fase de negociações e defendeu a ampliação da lista de bens atualmente exportados ao mercado americano com isenção da tarifa adicional de 40%, além da inclusão de outros setores que ainda não foram contemplados.

Para o presidente da CNI, o encontro foi produtivo e enfatizou o compromisso do governo brasileiro em avançar nas negociações com os EUA. O diálogo, segundo ele, tem sido conduzido sem a priorização de setores específicos, com foco no fortalecimento do setor produtivo como um todo e na preservação da competitividade da indústria nacional no mercado internacional. “Estão otimistas de que possamos concluir isso num processo de tempo razoável”, disse Alban.

“A CNI tem construído, ao longo desse período, vários documentos técnicos para o MDIC e para o Ministério das Relações Exteriores. Temos conversado com nossas consultorias nos Estados Unidos e com as empresas brasileiras que ainda sofrem no caso de bens de capital, no caso de máquinas de equipamento, de calçados e tantos outros que começam a se preocupar”, afirmou o presidente.

(*) Com informações da CNI

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