Fórum Empresarial Brasil–África do Sul tem foco no fortalecimento do comércio bilateral e ações de exportação

Encontro de empresários brasileiros e sul-africanos teve como objetivo aproximar comercialmente ambos os países e discutir estratégias de exportação

Da Redação (*)

Brasília – Nesta segunda-feira (9), foi realizado o Fórum Empresarial Brasil–África do Sul no Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF). O evento, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), é uma iniciativa que objetiva fortalecer a relação comercial bilateral firmada entre os países. Ao todo, a delegação brasileira contou com 30 autoridades, entre empresários, investidores e representantes governamentais, enquanto a delegação sul-africana reuniu 21 participantes.

Com fala de abertura do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, o fórum empresarial foi iniciado com a presença do vice-presidente do Brasil e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, e do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. “Nas últimas décadas, a relação bilateral entre Brasil e África do Sul ganhou nova dimensão a partir de nossas parcerias no Sul Global. Atuamos de forma coordenada em fóruns internacionais, defendendo maior representatividade do mundo no desenvolvimento em instituições globais. Cooperamos no âmbito do BRICS, um dos mais importantes agrupamentos internacionais, e no mecanismo IBAS (Fórum de Diálogo entre Índia, Brasil e África do Sul), com sua inovadora estratégia de cooperação”, destacou o ministro Mauro Vieira.

Na sequência, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ressaltou as respectivas semelhanças comerciais e oportunidades entre os dois países, tendo em vista que Brasil e África do Sul são os países mais industrializados da América Latina e do continente africano, respectivamente. “A maior economia da África com a maior economia da América Latina interagem muito bem na política, mas no comércio temos um grande potencial para crescer”, afirmou Viana, que expressou o desejo de realizar até o fim do ano um fórum de empresários na África do Sul.

Alckmin destaca possibilidades de aumentar comércio bilateral

Para ilustrar as muitas oportunidades comerciais entre Brasil e África do Sul, o vice-presidente Geraldo Alckimin comentou sobre as possibilidades de aumentar o comércio entre as duas nações. “Primeiramente, queremos ampliar as linhas tarifárias. Segundo, queremos promover investimentos e integrar cadeias produtivas em setores estratégicos. Estamos em negociações avançadas para um acordo de cooperação e facilitação de investimentos”, disse o vice-presidente.

Finalizando a solenidade de abertura, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa chamou atenção para setores de destaque, apreciados tanto pela indústria brasileira como pela indústria sul-africana, com destaque para os setores de agricultura e aviação. “Precisamos trabalhar em reduzir a fricção comercial, ao fortalecer a cooperação para o comércio. Existe um enorme escopo para avançar a indústria em setores de impacto identificados entre os dois países, pois existem importantes setores de importância onde a cooperação pode ser elevada a um nível muito maior”, observou Ramaphosa.

Além das falas institucionais da abertura, empresários e representantes de instituições dos dois países se manifestaram em um painel dedicado às oportunidades de cooperação econômica e investimentos. Entre os representantes estiveram a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá; o vice-presidente da Embraer, José Serrador; o vice-presidente de Sustentabilidade e Relações Institucionais da WEG, Daniel Godinho; o diretor da Vale, Kennedy Alencar; o diretor do BNDES, Nelson Barbosa. Este foi o 27º fórum empresarial promovido pela ApexBrasil, de janeiro de 2023 e março de 2026, a ApexBrasil promoveu 27 fóruns empresariais, sendo 21 com a presença do presidente Luís Inácio Lula da Silva e 6 com o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Atualmente, a África do Sul configura como um dos principais parceiros comerciais do Brasil no continente africano, além de compartilhar semelhanças únicas que fazem dela um dos principais destinos para as exportações brasileiras no Sul Global. Em 2025, o comércio bilateral entre os dois países alcançou US$ 2,4 bilhões, dos quais US$ 1,5 bilhão corresponderam a exportações brasileiras, um crescimento de 6,4% em relação a 2024. Considerando apenas os países do continente africano, a África do Sul ocupou a 3ª posição entre os principais parceiros comerciais do Brasil.

(*) Com informações da ApexBrasil

 

 

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Análise de inteligência marítima da Datamar revela novo risco logístico global após escalada no Oriente Médio

Estudo aponta impacto potencial em fretes, rotas e cadeias globais de suprimentos

Da Redação (*)

Brasílis – A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã inaugurou uma nova fase de incerteza para o comércio exterior, com reflexos diretos sobre a logística marítima, responsável por cerca de 80% do comércio mundial em volume. A combinação entre risco geopolítico, volatilidade energética e ambiente comercial mais protecionista tende a elevar custos e aumentar a imprevisibilidade das cadeias globais de suprimentos, pressionando empresas e governos a rever estratégias.

A nova instabilidade no Oriente Médio marca uma transição relevante no funcionamento do comércio global. Se nas últimas décadas a eficiência operacional guiava as decisões logísticas, o cenário atual indica uma mudança estrutural: o risco geopolítico passa a ocupar posição central no planejamento das cadeias internacionais.

Segundo Marcos Silva, CIO da Datamar e especialista em tecnologia para logística marinha, a própria dinâmica já reflete essa virada. “A logística marítima deixou de apenas reagir à economia global e passou a antecipar seus movimentos. Antes que os indicadores macroeconômicos reajam, o transporte marítimo já sinaliza mudanças estruturais”, afirma.

Hormuz no radar

No centro das preocupações está o Estreito de Hormuz, por onde transita parcela significativa do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente. Qualquer ameaça à estabilidade da região costuma provocar reação imediata nos mercados energéticos – com efeito direto sobre o custo do bunker fuel, combustível dos navios.

Além da energia, a tensão na região influencia decisões operacionais de armadores, que já consideram:

  • Redefinição de rotas
  • Aumento do seguro marítimo (war risk premium)
  • Revisão de escalas portuárias
  • Ampliação do tempo de trânsito

Dados da Datamar mostram que, apenas em janeiro de 2026, aproximadamente 71 navios porta-contêineres partiram do Brasil com destino a países direta ou indiretamente envolvidos nas atuais tensões, evidenciando a exposição do comércio brasileiro ao cenário geopolítico.

Arco de risco marítimo

O impacto não se limita ao Golfo Pérsico. Analistas apontam a formação de um “arco de risco” que inclui pontos sensíveis do tráfego global, como o Canal de Suez e o Estreito de Bab el-Mandeb.

O Egito, altamente dependente das receitas de Suez, pode ser afetado caso armadores evitem o Mar Vermelho diante da ameaça de ataques — especialmente ligados ao grupo Houthi, no Iêmen. Já Omã funciona como termômetro da estabilidade no próprio Hormuz.

A leitura no setor é clara: em cadeias altamente interdependentes, a instabilidade em um único ponto pode gerar efeitos em cascata sobre todo o sistema logístico.

Reflexos iniciais no frete

Historicamente, crises no Oriente Médio impactam primeiro a percepção de risco e só depois as operações físicas. Entre os sinais já monitorados pelo mercado estão:

  • Alta dos prêmios de seguro
  • Maior volatilidade dos fretes
  • Ajustes preventivos de rotas
  • Alongamento dos transit times

A experiência recente indica que o custo logístico reage não apenas a interrupções efetivas, mas também à expectativa de risco.

Exposição do Brasil

Embora distante do epicentro do conflito, o Brasil não está imune. A pauta de importações mostra dependência relevante de insumos petroquímicos da região: plásticos respondem por 74,14% das compras conteinerizadas provenientes de países envolvidos direta ou indiretamente nas tensões (jan/2025 a jan/2026).

Já nas exportações brasileiras para esses mercados, predominam:

  • Carne (67,67%)
  • Madeira (12,21%)
  • Açúcar (2,94%)

O perfil indica que eventuais aumentos nos fretes podem afetar diretamente a competitividade das commodities brasileiras.

Tarifaço e fragmentação

O ambiente geopolítico mais tenso se soma a outro vetor de pressão: o aumento de medidas tarifárias, especialmente dos Estados Unidos. A combinação de protecionismo com risco logístico tende a acelerar movimentos como:

  • nearshoring
  • diversificação de fornecedores
  • revisão de rotas críticas

Na avaliação de especialistas, decisões empresariais passam a considerar simultaneamente custo comercial e risco geopolítico, ou seja, um afastamento da lógica tradicional da globalização baseada apenas em eficiência.

Três cenários à frente

A análise prospectiva do setor trabalha hoje com três trajetórias principais:

  • Desescalada controlada: normalização parcial dos custos logísticos.
  • Conflito prolongado (base): volatilidade elevada e fretes estruturalmente mais altos.
  • Escalada ampliada: possível choque energético global e reorganização das rotas.

Diante desse ambiente de maior imprevisibilidade, cresce a importância de ferramentas capazes de antecipar mudanças no comportamento do comércio internacional. Portanto, compreender sinais precoces de alteração nas rotas marítimas tornou-se parte central da gestão de risco para operadores logísticos, exportadores e governos.

Dados ganham protagonismo

Diante da incerteza, cresce o papel da inteligência de dados na gestão logística. Plataformas analíticas passam a funcionar como sensores antecipados da economia global, captando sinais em alterações de rotas, escalas e fretes.

Para Marcos Silva, esse movimento redefine inclusive o papel da liderança em tecnologia. “Hoje, entender as rotas marítimas é, em grande medida, entender o futuro da economia global”, diz.

Ele acrescenta que a vantagem competitiva não está apenas em adotar novas ferramentas, mas em integrar métodos analíticos consolidados com tecnologias emergentes. “O avanço tecnológico não substitui as soluções que há décadas apoiam decisões corporativas; ele as fortalece. O verdadeiro valor está em integrar novas tecnologias a métodos que já provaram sua eficácia ao longo do tempo”, afirma.

(*) Com informações da Datamar

 

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Petróleo acima de US$ 100 muda dinâmica do mercado e coloca Copom sob pressão, avalia economista

Com escalada no Oriente Médio e risco à oferta global de energia, Raíssa Florence, economista e sócia da Oz Câmbio, alerta para o impacto direto sobre Ibovespa, dólar e expectativas de inflação no Brasil

Da Redação

Brasília – A escalada das tensões no Oriente Médio, com ameaças à navegação no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, levou o barril a superar os US$ 100 nos últimos dias e reacendeu a aversão global ao risco. Bolsas internacionais operaram sob pressão, o dólar voltou a se fortalecer e investidores passaram a monitorar possíveis impactos logísticos na cadeia global de energia.

Para Raíssa Florence, economista e sócia da Oz Câmbio, o mercado entrou em uma nova fase de sensibilidade extrema ao noticiário geopolítico. “O petróleo acima de US$ 100 não é apenas um movimento de preço, é uma reprecificação de risco inflacionário global. Isso muda a dinâmica de juros e fortalece o dólar no curto prazo”, afirma.

No Brasil, segundo a economista, o efeito é misto. De um lado, Petrobras e empresas ligadas a óleo e gás tendem a sustentar parte do Ibovespa, já que o barril mais alto melhora perspectivas de receita e geração de caixa. De outro, setores intensivos em energia, como aviação, transporte, logística e varejo, devem sofrer com pressão de custos e compressão de margens.

“Além disso, petróleo mais caro contamina expectativas de inflação aqui dentro e pode reduzir o espaço para cortes mais agressivos na próxima reunião do Copom. Com o dólar pressionado pela aversão ao risco, o real tende a permanecer volátil, beneficiando exportadoras, mas ampliando incertezas no curto prazo. A trajetória do barril e a duração do conflito serão determinantes para definir o tom do mercado nesta semana”, conclui a economista Raissa Florence.

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Exportações em queda e alta expressiva nas importações de países asiáticos geram apreensão no setor calçadista

 

 

Da Redação (*)

Brasília – Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), apontam que as exportações de calçados caíram em fevereiro. No mês, foram embarcados 7,67 milhões de pares, que geraram US$ 63,85 milhões, quedas tanto em volume (-20,3%) quanto em receita (-25,7%) em relação a fevereiro do ano passado. Já no acumulado do bimestre, as exportações somaram 17 milhões de pares e US$ 135,34 milhões, quedas de 18,9% e 22,2%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que a queda reflete a instabilidade do mercado internacional, em especial nos Estados Unidos. Outro motivador da queda é a Argentina. “Há um processo de desaceleração do consumo no mercado argentino iniciado no segundo semestre do ano passado, associado ao acirramento da concorrência internacional para os calçados brasileiros naquele mercado, especialmente com países asiáticos.”, explica, ressaltando que além da menor dinâmica da economia, a flexibilização das condições de importação no país têm beneficiado fornecedores asiáticos, que têm direcionado volumes crescentes para a América Latina diante das tarifas adicionais aplicadas no mercado norte-americano.

Destinos

Principal destino do calçado brasileiro no exterior, os Estados Unidos importaram, no primeiro bimestre, 2,18 milhões de pares brasileiros por US$ 27,5 milhões, incremento de 13,2% em volume e queda de 65% em receita na relação com o mesmo período do ano passado.

O segundo destino das exportações de calçados no bimestre foi a Argentina, para onde foram embarcados 760,68 mil pares por US$ 11,4 milhões, quedas de 59,5% e 65%, respectivamente, ante o mesmo ínterim de 2025.

Estados

O principal exportador do setor no Brasil segue sendo o Rio Grande do Sul, que no primeiro bimestre embarcou 5,33 milhões de pares por US$ 68,23 milhões, quedas de 4,8% e 16,7%, respectivamente, ante o período correspondente do ano passado.

Na sequência, aparece o Ceará, de onde partiram, no bimestre, 6,15 milhões de pares por US$ 30,82 milhões, quedas de 24,1% e 27,5%, respectivamente, em relação ao mesmo intervalo de 2025.

São Paulo aparece na terceira posição entre os exportadores de calçados. No bimestre, as fábricas paulistas embarcaram 697,7 mil pares, que geraram US$ 11 milhões, quedas de 30,9% e 26,3%, respectivamente.

Importações

As importações brasileiras de calçados seguem em crescimento, movimento observado nos últimos anos e que se mantém mesmo diante da menor dinâmica do mercado doméstico, fato que impacta na produção nacional.

No primeiro bimestre de 2026, as importações de calçados somaram 9,7 milhões de pares e US$ 109,27 milhões, incrementos tanto em volume (+23%) quanto em receita (+12,1%) em relação ao mesmo período do ano passado. As principais origens seguem sendo os países asiáticos: China (3,16 milhões de pares e US$ 8 milhões, incremento de 18,2% em volume e queda de 12,9% em receita ante o mesmo intervalo de 2025); Vietnã (2,53 milhões de pares e US$ 55,25 milhões, incrementos de 1% e 15,3%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado); e Indonésia (1,55 milhão de pares e US$ 27,3 milhões, incrementos de 4,7% e 16,2% em relação ao mesmo período de 2025).

Em partes – cabedais, saltos, solados, palmilhas etc -, as importações do bimestre somaram US$ 10,63 milhões, 10,2% mais do que no mesmo intervalo do ano passado. As principais origens foram China, Paraguai e Vietnã.

(*) Com informações da Abicalçados

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Política de tributação no Comércio Exterior: entre proteção e competitividade

Bruno Perottoni (*)

A tributação sobre importação e exportação sempre foi um tema sensível no Brasil e com razão. Tributos como Imposto de Importação, IPI, PIS/COFINS e ICMS compõem um arcabouço complexo que incide diretamente sobre os custos de empresas que operam no comércio exterior. Esses impostos não apenas financiam funções essenciais do Estado, como também influenciam de maneira decisiva a competitividade brasileira no mercado global.

No plano normativo, os tributos incidentes sobre as importações cumprem funções bem definidas: arrecadar receita e proteger a indústria nacional da concorrência externa que, sem barreiras, tende a pressionar setores produtivos locais. O Imposto de Importação, por exemplo, é aplicado sempre que uma mercadoria ingressa no território nacional, justamente com objetivo de “nivelar” a competição entre produtos estrangeiros e aqueles fabricados internamente.

Além disso, tributos como IPI e PIS/COFINS incidem sobre produtos já importados para financiar políticas sociais ou compensar efeitos tributários domésticos. O ICMS, por sua vez, cobrado pelos estados, apresenta variações conforme a unidade federativa e pode representar uma parcela significativa do custo final das mercadorias.

O custo tributário e a competitividade brasileira

Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que o Brasil mantém um regime tarifário médio relativamente elevado, com uma proporção expressiva de tarifas acima de 15% sobre importações, tanto em bens agrícolas quanto não agrícolas. Esse cenário revela uma postura ainda fortemente protetiva quando comparada a economia mais abertas.

No entanto, esse custo tributário elevado tem efeitos práticos no mercado. Se, por um lado, contribui para a proteção de determinados setores industriais, por outro, encarece insumos importados essenciais à produção, reduzindo a competitividade dos produtos brasileiros tanto no mercado externo quanto no mercado interno, onde concorrem com bens importados. Essa tensão torna-se ainda mais evidente em cadeias produtivas globalizadas, nas quais eficiência e custos são fatores determinantes para inserção e permanência nos mercados internacionais.

A discussão sobre tributação no comércio exterior ganhou nova dimensão com a adoção de medidas tarifárias externas que afetam diretamente o Brasil. Um exemplo recente são as tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros como café, aço e carne. Essas medidas pressionaram exportadores nacionais e exigiram respostas governamentais, que variam desde pacotes de crédito até incentivos fiscais voltados à mitigação dos impactos setoriais.

Esses episódios evidenciam que a política tributária não atua de forma isolada. Pelo contrário, ela é fortemente influenciada por relações comerciais internacionais, tensões geopolíticas e decisões de grandes mercados. Os efeitos imediatos refletem-se no volume e na direção do comércio, como a crescente exportação brasileira de carne para mercados asiáticos, ressaltando uma realocação estratégica diante de barreiras tarifárias.

Reforma tributária e oportunidades de modernização

Internamente, há sinais de mudanças que podem alterar a dinâmica tributária do comércio exterior. A recente reforma tributária propõe a redução de encargos sobre insumos importados e a ampliação de benefícios fiscais às exportações, como o aprimoramento do regime drawback, que desonera insumos utilizados em bens exportados, e a imunidade tributária para serviços associados ao comércio exterior.

Caso sejam efetivamente implementadas, essas medidas têm potencial para elevar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional, reduzir custos operacionais e facilitar a inserção de pequenas e médias empresas no comércio global, um passo importante para diversificar exportadores e equilibrar a balança comercial.

O debate sobre a tributação das importações e exportações no Brasil não deve ser tratado apenas sob a ótica fiscal, mas como um componente estratégico da política industrial e comercial. Enquanto os tributos ajudam a proteger setores mais frágeis da concorrência de outros países, tarifas altas podem acabar dificultando investimentos, aumentando os custos ao longo das cadeias produtivas e prejudicando a atividade do país no cenário internacional.

A chave, portanto, está na construção de um sistema de tributação do comércio exterior mais transparente, eficiente e alinhado às dinâmicas do mercado global, que equilibre proteção legítima e estímulo à integração competitiva. Com ajustes orientados por dados e diálogo entre setor público e privado, o Brasil pode transformar sua tributação de comércio exterior em um obstáculo em uma vantagem estratégica.

(*) Bruno Perottoni é Diretor de Tesouraria do Braza Bank.

 

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ApexBrasil destaca importância para a economia brasileira das exportações recordes de US$ 26 bilhões em fevereiro

 

Para Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, os resultados reforçam o papel das exportações para o crescimento econômico e para a geração de oportunidades no país.

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil registrou, em fevereiro de 2026, o maior valor de exportações já alcançado para o mês na série histórica, US$ 26,3 bilhões, valor 15,6% superior que em relação a fevereiro de 2025. O desempenho foi impulsionado principalmente pela indústria extrativa, que registrou aumento de 55,5%, totalizando US$ 6,63 bilhões em exportações, mas contou também com resultados positivos tanto da indústria de transformação que avançou 6,3%, com US$ 14,37 bilhões, quanto da agropecuária que cresceu 6,1%, somando US$ 5,14 bilhões.

Entre os produtos com maior destaque, estão os óleos brutos de petróleo, que cresceram 76,5% e alcançaram US$ 3,7 bilhões em exportações; o ouro, com alta de 71,9% e vendas de US$ 700 milhões; o minério de ferro, que avançou 20,9%, totalizando US$ 2 bilhões; e a carne bovina, com crescimento de 41,8% e US$ 1,3 bilhão exportados. Já nos principais destinos, se destacam a China com alta de 38,7%, totalizando US$ 7,22 bilhões, e a União Europeia que registrou aumento de 34,7%, com US$ 4,23 bilhões.

Crescimento histórico das exportações

Para o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, os resultados refletem o esforço conjunto do setor produtivo e das instituições que atuam na promoção do comércio exterior brasileiro. “O Brasil conseguiu ter um crescimento histórico nas exportações em fevereiro, com US$ 26 bilhões vendidos ao exterior. Esse resultado é fruto do trabalho dos exportadores brasileiros, do governo e das instituições que apoiam o comércio exterior, como a ApexBrasil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o Ministério da Agricultura”, afirmou.

As importações somaram US$ 22 bilhões, queda de cerca de 4%, resultando em um fluxo de comércio de US$ 48 bilhões e saldo comercial de aproximadamente US$ 4 bilhões. No acumulado do primeiro bimestre de 2026, o Brasil alcançou US$ 50,9 bilhões em exportações, crescimento de 5,8% em relação ao mesmo período de 2025. O fluxo de comércio totalizou US$ 93 bilhões.

Geração de emprego e fortalecimento das reservas internacionais

Segundo Viana, os resultados reforçam o papel das exportações para o crescimento econômico e para a geração de oportunidades no país. “Esse desempenho ajuda a gerar emprego e renda e contribui para fortalecer a economia brasileira. As reservas internacionais do país também seguem em nível elevado, já superando US$ 363 bilhões, o que demonstra a solidez do Brasil no cenário global”, disse.

O gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, destacou que os resultados representam uma sequência de recordes para o comércio exterior brasileiro. “Os números são impressionantes. Fevereiro registrou recorde para o mês e, quando olhamos o acumulado de janeiro e fevereiro, também temos o maior valor já registrado para um primeiro bimestre”, explicou.

Ribeiro ressaltou ainda que o saldo comercial do bimestre, próximo de US$ 8 bilhões, é o segundo maior da série histórica, ficando atrás apenas do registrado no mesmo período de 2024. Na análise setorial, ele destacou o peso da indústria extrativa no resultado recente da balança comercial. “A indústria extrativa teve papel importante nesse crescimento e representa quase um quarto da pauta exportadora brasileira. Produtos como petróleo bruto e minério de ferro contribuíram de forma significativa para esse desempenho”, afirmou.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Banco do Brasil lança Pix para compras na Argentina com pagamentos utilizando QR Code

Função permite pagar produtos fora do país com Código QR

Da Redação (*)

Brasília – Os correntistas do Banco do Brasil (BB) podem fazer pagamentos em lojas físicas na Argentina pelo Pix. Em parceria com o Banco Patagonia, o BB lançou o Pix no Exterior.

A solução estreia na Argentina e poderá ser usada por qualquer usuário do Pix, mesmo que não seja correntista do banco.

O pagamento funciona por meio da leitura de um Código QR exibido pelo comerciante, que pode estar em uma maquininha ou outro dispositivo. O cliente acessa o aplicativo da instituição financeira brasileira, escaneia o código, confere os dados e confirma a transação, sem necessidade de cadastro ou habilitação prévia.

Câmbio e IOF

Por trás da operação, há uma conversão automática de moeda realizada pelo banco. O valor da compra é pago em reais pelo cliente, enquanto o comerciante recebe na moeda local. Esse processo ocorre por meio de uma operação de câmbio integrada à transação.

Na prática, o débito sai diretamente da conta corrente ou da poupança do usuário no Brasil e aparece no extrato como um Pix comum. Sobre a transação incide o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tributo federal cobrado em operações de câmbio e crédito.

Segundo o banco, a conversão é viabilizada por meio de APIs, interfaces tecnológicas que conectam diferentes sistemas financeiros e permitem que a operação seja processada automaticamente em poucos segundos.

A solução foi desenvolvida em parceria com o Banco Patagonia, instituição financeira argentina que integra o conglomerado do Banco do Brasil. O sistema utiliza ainda a solução de cobranças Wapa e a infraestrutura tecnológica da Coelsa, empresa que atua no mercado de meios de pagamento na América Latina.

“O lançamento do Pix no exterior reforça a atuação internacional do Banco do Brasil e nosso compromisso com a inovação em meios de pagamentos voltada ao bem-estar das pessoas”, afirmou em nota Felipe Prince, conselheiro de administração do Banco Patagonia e vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Risco do Banco do Brasil.

O BB estuda a expansão do Pix no Exterior para outros países da América, Europa e Ásia, especialmente em regiões com grande presença de brasileiros. Segundo a instituição, a iniciativa faz parte da estratégia de ampliar a oferta de serviços financeiros digitais e simplificar pagamentos internacionais.

(*) Com informações da Agência Brasil

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MTur estrutura Programa de Segurança Turística e fixa metas anuais para ampliar a cultura de prevenção e proteção no setor

Portaria publicada detalha a iniciativa prevista no Plano Nacional de Turismo 2024-2027, que busca promover um ambiente turístico mais seguro, responsável e inclusivo no país

Da Redação (*)

Brasília – O Ministério do Turismo publicou a portaria que regulamenta o Programa de Segurança Turística, previsto no Plano Nacional de Turismo (PNT) 2024-2027. A iniciativa tem como objetivo promover um ambiente turístico mais seguro, responsável e inclusivo em todo o país, contribuindo para o ordenamento, a estruturação e a competitividade sustentável dos destinos e produtos turísticos, com foco também na acessibilidade.

A norma estabelece objetivos, metas e ações estratégicas, além de definir diretrizes para a implementação e o monitoramento do programa. “Fortalecer a segurança é um passo essencial para o desenvolvimento do turismo no Brasil. Com esse programa, avançamos na proteção de viajantes, profissionais e destinos, garantindo experiências mais seguras, responsáveis e acolhedoras em todo o país”, afirma o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

Entre as ações previstas está a implementação anual de novas iniciativas de sensibilização, conscientização e divulgação de diretrizes, normas e protocolos de segurança turística, direcionadas a prestadores de serviços, gestores públicos, profissionais do setor, órgãos estaduais e municipais de turismo e turistas.

Entregas previstas

Até 2027, o Programa de Segurança Turística prevê a execução de um conjunto de ações voltadas à promoção do turismo responsável e sustentável. Entre os produtos a serem entregues estão iniciativas de sensibilização e capacitação para divulgação de normas e protocolos, com foco especial na proteção de mulheres viajantes e de turistas de aventura.

Uma das entregas é o Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, que reúne dados, análises e orientações práticas para fomentar um turismo mais seguro, responsável e inclusivo. A publicação já está disponível no site do Ministério.

Também estão previstas a ampliação das ações de divulgação do Código de Conduta Brasil e do Movimento Turismo que Protege, além do mapeamento e da disseminação de novas boas práticas no Mapa do Turismo Responsável até 2027.

Resultados esperados

Entre os resultados projetados estão a ampliação da difusão de boas práticas por meio do Mapa do Turismo Responsável, a consolidação da articulação interinstitucional no âmbito da Câmara Temática de Segurança Turística do Conselho Nacional de Turismo e a sensibilização e capacitação de 2,7 mil integrantes do público-alvo na temática de segurança turística.

A iniciativa também prevê apoio a projetos voltados à segurança em atividades como ecoturismo e turismo de aventura, com estímulo ao cumprimento de normas técnicas.

(*) Com informações do MTur

 

 

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Minidocumentário revela como o mar molda identidades, gera renda e posiciona o país como destino regenerativo e diverso

Da Redação (*)

Brasília – Som que embala cidades, sal que tempera histórias e horizonte que ensina sobre liberdade. No Brasil, o mar nunca foi apenas paisagem. Ele sustenta comunidades, inspira fé, movimenta economias e desenha futuros. Para celebrar essa conexão profunda, a Embratur lança o novo episódio da série audiovisual Turismo Transforma: A Magia do Oceano. O documentário mergulha em histórias reais de brasileiros que têm suas vidas esculpidas pelas marés e mostra como o Atlântico é vetor de transformação social, cultural e econômica.

Percorrendo os cenários icônicos de Salvador (BA) e Florianópolis (SC), a produção destaca o conceito de Brasil Azul. O vídeo explora como a conservação ambiental e a economia azul, um modelo de desenvolvimento baseado no uso sustentável dos recursos marinhos, se fundem para criar um destino turístico que vai além da contemplação, oferecendo cura, renovação e consciência ambiental aos visitantes.

Galeria Visit Brasil

Como parte da estratégia de promoção do Brasil no exterior, a primeira exibição pública do episódio ocorreu durante a Galeria Visit Brasil, em Lisboa, Portugal, quando a capital sediava a Bolsa de Turismo de Lisboa, feira internacional lusitana. O espaço, que serviu como uma vitrine imersiva da cultura e dos destinos brasileiros na Europa, proporcionou aos visitantes internacionais um mergulho sensorial na nossa economia azul.

Para o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, “o Brasil Azul mostra que nossas praias não são apenas espaços de lazer”. “São territórios de conservação, de fé e de sobrevivência. Quando promovemos o mar brasileiro, estamos promovendo a nossa história e a nossa capacidade de inovar com sustentabilidade. É o turismo na prática, aquele que deixa legado para quem recebe e memórias transformadoras para quem visita,” afirmou.

Em Salvador, o documentário captura a essência mística da relação entre o soteropolitano e o mar. Através do olhar de pescadores veteranos e devotos de Iemanjá, a obra ilustra como o oceano é um espaço de respeito e ancestralidade.

A narrativa destaca a tradicional Festa de Iemanjá como um epicentro de cultura que atrai turistas do mundo inteiro, transformando devoção em uma potente alavanca de negócios e turismo cultural. É na capital baiana que o mar é descrito como um lugar de acolhimento materno onde as energias renovam e a identidade se fortalece. O documentário mostra como o turismo fortalece patrimônios imateriais, combate invisibilidades históricas e transforma tradição em oportunidade.

Sustentabilidade

O episódio também desembarca em Florianópolis para apresentar a face moderna e produtiva da costa brasileira e revela que o nosso litoral é o escritório do futuro.

A gastronomia aparece como extensão. Histórias de chefs que cresceram entre mergulhos e pescarias reforçam que a qualidade do prato começa no oceano. Reconhecida como Cidade Criativa da Gastronomia pela UNESCO, Florianópolis se consolida como um destino onde cultura alimentar e território caminham juntos.

A capital catarinense também surge como símbolo das novas dinâmicas do turismo global. A combinação entre natureza conservada, infraestrutura urbana e segurança transformou a cidade em polo para nômades digitais. Hostels adaptados ao trabalho remoto, aulas de surf para estrangeiros e profissionais de tecnologia que trocam escritórios fechados pela vista do mar ilustram um novo perfil de visitante que busca qualidade de vida, conexão com a natureza e experiências autênticas.

Nesse contexto, o litoral brasileiro deixa de ser apenas destino de férias e passa a ser espaço de permanência, produtividade e bem-estar.

Bandeira Azul

O episódio incorpora ainda a perspectiva técnica da certificação Bandeira Azul, selo internacional concedido a praias e marinas que cumprem critérios rigorosos de qualidade ambiental, segurança e gestão sustentável. Ao apresentar essas iniciativas, o documentário reforça que o turismo pode ser ferramenta de adaptação e mitigação climática, em um turismo que protege o território.

(*) Com informações da Embratur

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Portal Único já responde pela metade das importações brasileiras e pode gerar economia anual superior a R$ 40 bilhões

Sistema do governo federal deve concentrar todas as operações até o fim do ano e pode gerar economia superior a R$ 40 bilhões anuais

Da Redação (*)

Brasília – O Portal Único de Comércio Exterior registrou, em fevereiro, participação diária acima de 50% das operações de importação realizadas no Brasil, o que representa um marco no processo de implementação da plataforma digital do governo federal.

“O Portal Único respondeu, em fevereiro, pela primeira vez, por mais da metade das importações do país. A expectativa é que o sistema esteja totalmente implementado até o fim do ano”, afirmou o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin.

Quando estiver operando integralmente, o sistema poderá gerar economia superior a R$ 40 bilhões por ano para empresas, resultado da simplificação de procedimentos, da integração de sistemas e da redução de prazos nas operações de comércio exterior.

Economia e agilidade no processo de importação

Segundo cálculo adotado internacionalmente e utilizado pelo MDIC, cada dia de carga parada representa custo equivalente a 0,8% do valor da mercadoria. A pasta calcula que já há redução de 19 horas na permanência média da carga na zona portuária para as operações realizadas por meio da Declaração Única de Importação (DUIMP), em comparação com a Declaração de Importação (DI). A mudança gera economia imediata para o operador de comércio exterior que opta pelo novo processo de importação, nos casos em que o uso do sistema ainda é facultativo.

A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, explica que o Portal Único é central na estratégia de comércio exterior brasileira e que alcançar os 50% de operações em fevereiro é um marco histórico porque consolida o novo modelo de importações.

“O Brasil avança na desburocratização do comércio exterior com a simplificação de processos e redução de tempo e custo. Nosso objetivo é tornar o comércio exterior, e seus benefícios, mais acessível a todos”, afirmou.

Coordenado pela Secretaria de Comércio Exterior do MDIC e pela Receita Federal, com a participação de quase 20 órgãos públicos, que atuam como anuentes nas operações de comércio exterior, o Portal Único já processa 100% das exportações brasileiras. A previsão é que todas as importações passem a ser realizadas pela plataforma até o final deste ano.

(*) Com informações do MDIC

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