Reforma tributária muda lógica da importação e mantém janela estratégica com ICMS até 2029

Transição para o IVA dual altera crédito e formação de preço, mas regimes estaduais ainda oferecem vantagem competitiva no curto prazo

Da Redação

Brasília – O Brasil importou US$ 280,4 bilhões em mercadorias em 2025, segundo dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Parte relevante desse volume corresponde a bens intermediários utilizados pela indústria nacional, o que amplia o alcance das mudanças introduzidas pela Emenda Constitucional 132/2023, que instituiu a reforma tributária sobre o consumo.

Embora o novo modelo de IVA dual, composto pela CBS federal e pelo IBS estadual e municipal, tenha início gradual a partir de 2026, o ICMS permanece vigente até 2029, preservando espaço para estratégias fiscais regionais no curto prazo.

Murillo Oliveira, Head of Treasury da Saygo, holding brasileira especializada em comércio exterior, câmbio e estruturação financeira internacional, afirma que o impacto da reforma ultrapassa o campo jurídico. “A reforma altera a lógica de creditamento e a forma como o imposto se distribui ao longo da cadeia. Quem não revisar sua formação de preço pode perder margem sem perceber. O custo invisível tende a aparecer primeiro na importação”, diz.

Durante o período de transição, empresas terão de conviver com o regime atual e o modelo futuro. Isso amplia a complexidade operacional, sobretudo para importadores que operam com múltiplos estados e cadeias longas de suprimento. A incidência por destino e a ampliação do princípio da não cumulatividade exigem controle mais rigoroso de créditos, contratos e fluxo financeiro.

Regimes especiais seguem válidos até 2029

Ao mesmo tempo, a permanência do ICMS até 2029 mantém válidos regimes especiais estaduais que podem gerar ganhos relevantes de competitividade. Estados como Alagoas e Santa Catarina oferecem incentivos estruturados para importadores, com redução de carga efetiva e diferimentos que impactam diretamente o capital de giro. “Enquanto o ICMS estiver em vigor, há uma janela estratégica para utilizar regimes estaduais com ótimo custo benefício. Ignorar isso é abrir mão de eficiência fiscal em um momento de transição”, afirma.

Segundo o executivo, a discussão sobre reforma tributária precisa ser tratada de forma integrada ao câmbio e à tesouraria. A carga tributária influencia diretamente a necessidade de capital de giro, a exposição cambial e a precificação internacional. “A empresa que importa paga tributo, fecha câmbio e estrutura caixa ao mesmo tempo. Se essas áreas não conversarem, o risco é assumir custo maior ou descasamento financeiro”, explica.

Setores como autopeças, tecnologia, farmacêutico e bens de capital, intensivos em insumos importados, estão entre os mais sensíveis às mudanças. A revisão contratual com fornecedores estrangeiros, a reestruturação de cláusulas de precificação e a análise da cadeia de crédito tornam se etapas prioritárias.

Murillo recomenda cinco frentes imediatas para importadores.

  1. Mapear toda a cadeia de importação e identificar pontos de incidência tributária.
  2. Revisar o aproveitamento de créditos à luz do novo modelo não cumulativo.
  3. Recalcular a formação de preço considerando incidência por destino e impacto cambial.
  4. Avaliar o uso de regimes especiais estaduais enquanto o ICMS estiver vigente.
  5. Integrar gestão tributária, cambial e de tesouraria para evitar distorções no fluxo de caixa.

Apesar da complexidade inicial, a reforma pode gerar ganhos estruturais no médio prazo, com maior transparência e redução de litígios, caso a regulamentação mantenha coerência com o texto constitucional. O benefício, no entanto, não é automático. “A simplificação prometida só vira vantagem competitiva para quem se organiza antes. Reforma tributária não é apenas tema fiscal. É tema de estratégia financeira e posicionamento internacional”, conclui.

Em um ambiente global ainda marcado por volatilidade cambial, tensões comerciais e revisão de cadeias produtivas, a reforma adiciona uma camada doméstica de reorganização. Para importadores, o desafio está em transformar o período de transição em vantagem competitiva, aproveitando incentivos vigentes e estruturando a operação para o novo modelo tributário que se consolida a partir de 2026.

 

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ApexBrasil celebra três anos do Programa Mulheres e Negócios Internacionais com anúncio de Plano de Ação 2026–2031

Da Redação (*)

Brasília – A ApexBrasil convida empresárias, lideranças institucionais e parceiros estratégicos para o Encontro Mulheres e Negócios Internacionais: inserção, empoderamento e impacto, que será realizado nos dias 19 e 20 de março, na sede da Agência, em Brasília (DF). O evento marca a celebração dos três anos do Programa Mulheres e Negócios Internacionais e reforça o compromisso da Agência com a ampliação da participação feminina no comércio exterior.

Inscreva-se

Criado com o objetivo de promover a internacionalização de empresas lideradas por mulheres, o programa alcançou resultados expressivos em apenas três anos. O número de empresas mobilizadas saltou de 1.000 para mais de 5.200, demonstrando que políticas estruturadas de inclusão e acesso a mercados geram impacto concreto para os negócios, para a economia e para o desenvolvimento sustentável do país.

O Encontro será um momento de celebração, mas, sobretudo, de projeção para o futuro. A programação inclui oficinas práticas, apresentação dos principais resultados do Programa, painéis temáticos com especialistas e lideranças empresariais, além da divulgação do Plano de Ação 2026–2031, que estabelecerá as diretrizes estratégicas para a próxima fase da iniciativa. Também estão previstos lançamentos de novas ações da ApexBrasil e de seus parceiros institucionais.

Ao fortalecer a inserção internacional de empresas lideradas por mulheres, a ApexBrasil contribui para a diversificação da pauta exportadora brasileira, o aumento da competitividade e a geração de emprego e renda. A iniciativa integra os esforços da Agência para ampliar a presença do Brasil no comércio internacional com foco em inovação, sustentabilidade e inclusão.

Serviço
Celebração de três anos do Programa Mulheres e Negócios Internacionais
Data: 19 e 20 de março
Local: Sede da ApexBrasil – SGAS 903, Brasília (DF)

A inscrição será realizada em duas etapas. Após informar o e-mail na página inicial, o participante receberá uma mensagem automática para concluir o preenchimento.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Força, Ucrânia

Quatro anos de agressão: o custo do terror russo e a resiliência de uma nação

Márcio Coimbra (*)

Neste 24 de fevereiro a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia completa quatro anos de horror e desafio à ordem global. O que o Kremlin planejou como uma “operação relâmpago” transformou-se na maior prova de resiliência democrática do século XXI. Sob o fogo de uma autocracia imperialista, a Ucrânia não apenas defende seu solo, atua como o último baluarte dos valores ocidentais e da integridade territorial na Europa.

O rastro deixado pela agressão russa é uma mancha indelével na história recente. Estima-se que as baixas totais — entre mortos e feridos — já superem a marca de 2 milhões de pessoas, com um custo humano civil dilacerante. Mais de 100 mil crimes de guerra foram documentados, incluindo as execuções sumárias em Bucha, o cerco medieval a Mariupol e o sequestro sistemático de milhares de crianças ucranianas — um ato de genocídio tipificado pelo Direito Internacional.

Apesar do terror, a resiliência ucraniana é absoluta. O país converteu cada cidadão em um bastião de resistência. No entanto, o preço social é imenso: 6,5 milhões de ucranianos permanecem refugiados, compondo o maior êxodo europeu desde 1945. É uma nação que luta enquanto sangra, mantendo sua identidade viva sob bombardeios deliberados a escolas e hospitais.

A economia ucraniana foi alvo de uma estratégia de terra arrasada. Com a perda de cerca de 30% do PIB e a destruição de infraestruturas vitais, o custo estimado para a reconstrução ultrapassa os US$ 524 bilhões. Especialistas são enfáticos: mesmo com apoio internacional massivo, a Ucrânia precisará de pelo menos duas décadas para recuperar seus níveis de desenvolvimento pré-guerra. A reconstrução não será meramente física, mas uma reestruturação total para desvincular-se de vez da órbita de um vizinho agressor.

Neste cenário de clareza moral, a postura do Brasil nos últimos governos revela uma preocupante erosão de princípios. Sob o pretexto de uma “neutralidade” que beira a conivência, Brasília tem evitado condenar a Rússia de forma enfática e pública. Essa ambiguidade é uma afronta direta aos Direitos Humanos e ao Direito Internacional, pilares que o Brasil outrora defendeu com brio.

Tal posicionamento é, acima de tudo, um desrespeito à vibrante comunidade ucraniana no Brasil, composta por mais de 600 mil descendentes, concentrados majoritariamente no Paraná. Ignorar a agressão russa em fóruns internacionais, como o BRICS, em troca de pragmatismo comercial ou alinhamento ideológico, diminui a estatura diplomática brasileira e ignora o sofrimento de famílias que veem a terra de seus antepassados ser massacrada.

Ao longo desses 1.460 dias, a Ucrânia não apenas sobreviveu, o país se tornou o escudo da Europa, resistindo com sangue de seus filhos nos campos de batalha. A Ucrânia ensina ao mundo que a liberdade não se negocia. Para o Brasil, resta a urgência de realinhar sua política externa com a ética e a justiça. Não há equidistância possível entre agressor e vítima. Reconhecer a soberania ucraniana e condenar o imperialismo russo não é uma escolha política, é um imperativo moral. Por isso, quatro anos depois seguimos com a mesma mensagem: Força, Ucrânia.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Ano Novo Chinês pressiona cadeias globais e exige estratégia antecipada das empresas brasileiras

Com China respondendo por 25,3% das importações do Brasil paralisação sazonal em fevereiro impacta estoques contratos e fluxo de caixa

Da Redação

Brasília -A China respondeu por 25,3% de todas as importações brasileiras em 2025, somando cerca de US$ 70,9 bilhões em mercadorias, segundo dados consolidados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Principal fornecedora de insumos industriais, componentes eletrônicos e bens intermediários ao Brasil, o país asiático reduz drasticamente o ritmo de produção e embarques durante o Ano Novo Chinês, celebrado entre janeiro e fevereiro.

A paralisação parcial de fábricas, portos e transportadoras pressiona cadeias produtivas globais e impõe riscos diretos a empresas brasileiras dependentes desse fluxo.

Para Murillo Oliveira, especialista em investimentos e Head of Treasury da Saygo, holding brasileira de comércio exterior e câmbio, o impacto vai além do calendário cultural. “O Ano Novo Chinês é previsível, mas o efeito financeiro costuma ser subestimado. Quando a empresa não antecipa compras nem estrutura capital de giro, o atraso no embarque vira ruptura de estoque e pressão sobre contratos locais”, afirma.

O feriado oficial dura cerca de uma semana, mas o efeito operacional pode se estender por até três semanas, considerando a retomada gradual das atividades e o acúmulo de pedidos.

Indústrias que trabalham com estoques enxutos ou produção sob demanda tendem a sentir o impacto com mais intensidade, especialmente em um cenário de fretes ainda elevados e maior disputa por espaço em navios e portos. “Não é só a fábrica que fecha. A cadeia inteira desacelera, do fornecedor de matéria-prima ao operador logístico”, diz.

Planejamento transforma risco em vantagem

Segundo o executivo, empresas mais organizadas utilizam o período como instrumento estratégico. “Quem entende o ciclo chinês negocia volumes antes do feriado, diversifica fornecedores e trava câmbio com antecedência. Isso reduz volatilidade e transforma risco em vantagem competitiva”, explica.

Ele destaca que a gestão de tesouraria precisa estar alinhada ao calendário internacional. “Se a companhia sabe que haverá interrupção em fevereiro, precisa revisar projeções de caixa ainda no último trimestre do ano anterior. É uma decisão estratégica, não apenas operacional”, pontua.

O especialista mostra cinco medidas estratégicas para proteger margens e evitar rupturas no Ano Novo Chinês

Antes de listar as recomendações, Murillo reforça que o erro mais comum é tratar o evento como imprevisto. Para ele, a integração entre compras, logística e finanças é o que define o nível de exposição ao risco.

  1. Antecipação de pedidos e revisão de estoques
    Ao programar compras com antecedência, a empresa reduz o risco de ruptura e evita contratações emergenciais de frete, que tendem a custar mais caro após o feriado.
  2. Diversificação de fornecedores internacionais
    Buscar alternativas em outros países asiáticos ou até em fornecedores regionais diminui a dependência exclusiva da China e amplia poder de negociação.
  3. Proteção cambial estruturada
    Oscilações do dólar em períodos de incerteza podem corroer margens. Instrumentos como hedge e contratos a termo ajudam a manter previsibilidade financeira.
  4. Revisão de cláusulas contratuais
    Inserir previsões sobre atrasos logísticos e prazos de embarque reduz risco jurídico e facilita renegociações quando há impacto no cronograma.
  5. Contratação de assessoria especializada
    Empresas de comércio exterior e consultorias financeiras conseguem mapear riscos, organizar documentação e alinhar estratégia cambial à operação logística.

“Contratar uma empresa especializada não é custo, é seguro operacional. Ela ajuda a prever gargalos, organizar capital de giro e evitar que o calendário internacional comprometa resultados”, afirma.

Murillo lembra que o ambiente internacional segue marcado por tensões geopolíticas, políticas protecionistas e reconfiguração de rotas comerciais. Nesse contexto, qualquer interrupção sazonal amplia seus efeitos. “Em um cenário de disputa por espaço logístico e volatilidade cambial, o empresário que depende da China precisa enxergar o Ano Novo como parte do planejamento anual”, diz.

Ele acrescenta que o período também pode gerar oportunidade. Empresas que se antecipam conseguem negociar melhores condições antes do pico de demanda global. “Planejamento é o que separa quem sofre impacto de quem ganha mercado”, conclui.

Com a China concentrando mais de um quarto das importações brasileiras, o Ano Novo Chinês deixa de ser apenas uma data cultural e passa a integrar a agenda estratégica das companhias.

Em um comércio internacional sensível a prazos, custos e previsibilidade financeira, antecipação e inteligência na gestão tornam-se ativos decisivos para preservar competitividade e proteger margens.

 

 

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Trump sem tarifas: e agora?

Hugo Garbe (*)

A Suprema Corte dos Estados Unidos declarou ilegais as tarifas emergenciais impostas por Donald Trump. A decisão expõe uma fragilidade recorrente de sua estratégia econômica: a substituição de política pública estruturada por voluntarismo executivo.

Trump, ao tentar utilizar uma legislação concebida para situações excepcionais como atalho para impor tarifas amplas, tensionou os limites institucionais da política comercial americana.

Ao restabelecer a prerrogativa do Congresso sobre matéria tributária e comercial, a Corte não apenas corrigiu uma distorção jurídica, mas também reforçou um princípio central da economia política moderna: decisões que alteram preços relativos, cadeias produtivas e relações internacionais não podem ser fruto de discricionariedade individual.

Do ponto de vista econômico, as tarifas emergenciais representaram um choque artificial nos termos de troca, elevando custos para empresas e consumidores sob a justificativa simplista de “proteção nacional”. A literatura empírica é clara ao demonstrar que tarifas amplas tendem a gerar perda líquida de bem-estar, aumento de preços domésticos e ineficiências alocativas.

A tentativa de concentrar no Executivo a capacidade de impor tais medidas amplia o risco de políticas erráticas, guiadas por ciclos eleitorais ou disputas geopolíticas conjunturais. Ao recolocar o Congresso no centro do processo decisório, a decisão judicial fortalece a deliberação democrática, amplia a transparência e reduz a probabilidade de choques unilaterais que desorganizem expectativas empresariais.

Mais do que um embate jurídico, trata-se de um episódio emblemático sobre governança econômica. O Congresso, como instância representativa e deliberativa, oferece maior previsibilidade e responsabilidade na formulação de política comercial.

A centralização tarifária no Executivo, como a ensaiada por Trump, cria incentivos à volatilidade normativa e à instrumentalização política do comércio exterior. Economias complexas exigem instituições que limitem impulsos personalistas e preservem regras estáveis. Ao reafirmar o papel do Legislativo, a Suprema Corte contribui para restaurar racionalidade institucional em um tema que impacta diretamente investimento, inflação e inserção internacional dos Estados Unidos.

(*) Hugo Garbe, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM)

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Decisão da Corte Suprema dos EUA sobre tarifas não deve ser vista como retorno à normalidade, adverte especialista

Da Redação –

Brasília – A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos derrubando o tarifaço aplicado pelo presidente Donald Trump às exportações de uma série de países, entre eles o Brasil “dá um pouco de fôlego aos exportadores brasileiros” mas “não deve ser vista por ninguém no comércio exterior como um retorno à normalidade”.

A opinião é do especialista em Comercio Exterior, Jackson Campos, para quem “o que muda, na verdade, é o humor do comprador, que volta a falar sobre isso, fecha novos contratos” e sublinhou que a decisão abre novamente espaços para o Brasil em categorias de produtos onde somos competitivos, especialmente alimentos e produtos agroindustriais. Segundo Campos, “não há confiança no mercado de que novas tarifas não venham após essa derrota do presidente republicano”.

Para o especialista, “o risco não desaparece completamente, mas apenas se desloca para outro lugar. A questão é que as tarifas se tornaram uma ferramenta política e podem retornar sob outra justificativa legal a qualquer momento, de modo que os exportadores precisam, na verdade, trabalhar com o que pode acontecer. No que diz respeito à agenda, isso traz oportunidades ou carrega perigo. Isso criou uma oportunidade, pois com nossa estratégia de negócios em vigor, durante as tensões entre os EUA e outros parceiros, o Brasil pode ser um fornecedor alternativo e confiável em todas as linhas de comércio onde temos o escopo e a capacidade de entrega para fornecer. Risco porque um dos desempenhos recentes do Brasil é derivado da diversificação do comércio, e a diversificação pode ser reduzida se os EUA estabilizarem as regras em certos segmentos”.

Dependência da China e busca de novos mercados

Na avaliação de Jackson Campos, “isso tem um impacto direto na relação com a China. A China continua sendo uma âncora porque compra em volume e fornece a distribuição, mas a dependência excessiva é um ponto fraco. Se a geopolítica mudar para o lado negativo, ou a demanda diminuir, ou surgirem novas políticas, isso afeta o Brasil instantaneamente. O caminho a seguir é manter a força da China, mas abrir mais mercados e ampliar a agenda. E então a pressão sobre a política comercial brasileira. Este episódio reforça a ideia de que um acordo não é um debate teórico, mas sim um instrumento de competitividade e proteção. O Mercosul-União Europeia é imperativo porque desbloqueia o acesso preferencial, diminui barreiras e cria previsibilidade justamente quando o mundo está se tornando mais imprevisível”.

Jackson Campos considera de grande relevância que o Brasil procure seguir avançando na conquista de outros mercados na Ásia e no Oriente Médio.  Segundo ele, “as pessoas que têm mais portas abertas pagarão menos por tarifas, retaliações e mudanças de regras. O Brasil deve intensificar essa agenda e fazer sua lição de casa internamente, porque as oportunidades no comércio exterior não são descobertas em um discurso, elas ocorrem para aqueles que estão preparados para vender com conformidade, rastreabilidade e logística ágil. Mas é importante manter os pés no chão. A política comercial dos EUA continuará sendo usada como instrumento de pressão. O empresário brasileiro precisa trabalhar com cenário, diversificar mercados e reforçar a gestão de risco. O mundo está mais volátil e isso não vai mudar tão cedo”, analisa Campos.

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Fim das tarifas recíprocas nos EUA redesenha o cenário para commodities e comércio; StoneX considera decisão histórica

Decisão histórica limita uso de poderes emergenciais pelo Executivo e pode gerar ressarcimentos bilionários

Da Redação (*)

Brasília – A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que as chamadas “tarifas recíprocas”, impostas de forma unilateral pela administração do presidente Donald Trump, são ilegais. Por seis votos a três, a mais alta instância do Judiciário americano entendeu que o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para justificar a medida extrapolou as atribuições constitucionais do presidente.

Segundo análise divulgada pela a StoneX, empresa global de serviços financeiros, a declaração de ilegalidade das chamadas “tarifas recíprocas” nos Estados Unidos tende a provocar uma reprecificação imediata no mercado internacional de commodities, reduzir distorções competitivas e trazer maior previsibilidade ao comércio global.

Conforme contextualiza Raphael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado, as tarifas haviam sido anunciadas em abril do ano passado com base na IEEPA, legislação que concede ao chefe do Executivo poderes ampliados em situações classificadas como emergenciais. Governadores e empresas afetadas recorreram à Justiça, argumentando que a lei não autoriza a criação de tarifas comerciais e contestando a caracterização do chamado “estado de emergência” invocado pelo governo.

Revés significativo para Donald Trump

Antes de chegar à Suprema Corte, o caso foi analisado por três instâncias judiciais, todas contrárias à aplicação da IEEPA para fins tarifários. A decisão final do Supremo confirma esse entendimento e determina a interrupção imediata da cobrança das tarifas.

“O julgamento era acompanhado com expectativa pelo mercado e por analistas políticos, uma vez que a composição atual da Suprema Corte tem maioria conservadora, o que alimentava a possibilidade de uma decisão favorável à administração Trump. O resultado, no entanto, representa um revés significativo para o presidente e reforça os limites institucionais do poder Executivo em matéria comercial”, apontou o analista.

Repercussões no comércio internacional e nas commodities

A suspensão das tarifas tende a reduzir o poder de barganha dos Estados Unidos frente a parceiros comerciais estratégicos, como a China. Segundo a analista de planejamento e suporte, Julia Viana, ainda assim, especialistas não esperam movimentos abruptos no curto prazo. “Pequim tem adotado um discurso mais conciliador e se comprometeu recentemente a ampliar de 12 para 20 milhões de toneladas a compra de soja americana na atual safra”, afirmou.

Bulascoschi complementa, pontuando que “a Índia, outro ator relevante nas negociações comerciais com Washington, também dificilmente revisará acordos recém-anunciados em razão da decisão judicial”.

No Brasil, setores que não haviam sido beneficiados pela derrubada parcial de tarifas ocorrida em novembro do ano passado podem ser favorecidos pelo novo cenário, especialmente em mercados nos quais as tarifas recíprocas afetavam a competitividade dos exportadores.

Ambos especialistas da StoneX destacam que a decisão da Suprema Corte marca um precedente importante sobre os limites do uso de poderes emergenciais e deve influenciar o desenho da política comercial americana nos próximos meses.

Impactos fiscais e possibilidade de ressarcimento

Com a declaração de ilegalidade das tarifas, empresas e demais agentes econômicos afetados poderão buscar o ressarcimento dos valores pagos junto à alfândega americana, conforme explica Bulascoschi. Estimativas preliminares indicam que o montante a ser devolvido pode ultrapassar US$ 130 bilhões, o que representaria uma pressão adicional sobre o orçamento federal dos Estados Unidos.

“O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo ainda avalia a possibilidade de novos recursos judiciais, o que pode postergar definições sobre os ressarcimentos. Caso a devolução se confirme, o impacto fiscal pode trazer implicações relevantes para as contas públicas do país”, destacou.

(*) Com informações da StoneX

 

 

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Decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos reduzirá sobretaxas às exportações brasileiras, avalia Amcham Brasil

Da Redação (*)

Brasília – Em nota divulgada hoje (20), a Amcham Brasil avalia que a decisão anunciada, pela Suprema Corte dos Estados Unidos — que considerou inadequado o uso de tarifas com base na legislação americana de emergência econômica (International Emergency Economic Powers Act – IEEPA) — reduzirá parcela relevante das sobretaxas atualmente aplicadas às exportações brasileiras.

Embora o alcance e os efeitos práticos da decisão ainda estejam em análise, ela tem potencial de melhorar as condições de competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano e ampliar a previsibilidade nas relações comerciais entre os dois países.

No documento, a Amcham Brasil ressalta que permanece a possibilidade de adoção de novas medidas tarifárias pelos Estados Unidos com base em instrumentos jurídicos distintos da legislação de emergência econômica. Seguem em vigor tarifas aplicadas às exportações brasileiras com fundamento em segurança nacional (Seção 232), incluindo setores como aço e alumínio. Também permanece em curso a investigação amparada na Seção 301, relativa a políticas e práticas comerciais brasileiras, que poderá resultar na adoção de novas medidas comerciais.

Diante desse cenário, a Amcham Brasil reforça que o momento exige intensificação do diálogo bilateral e avanço em negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, com foco na redução de barreiras e na ampliação do comércio e dos investimentos entre as duas economias. Para a Amcham, o anúncio de um encontro próximo entre os presidentes dos dois países representa uma janela estratégica para avançar nesse objetivo.

(*) Com informações da Amcham

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Inteligência de dados amplia eficiência em logística marítima para viabilizar previsibilidade e competitividade no comércio exterior

Da Redação (*)

Brasília – Responsável por cerca de 80% do volume do comércio mundial, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o transporte marítimo opera em um ambiente de alta complexidade e é sensível a oscilações geopolíticas e econômicas. Nesse contexto, a inteligência de dados tornou-se um diferencial competitivo.

A aplicação de bases estruturadas, análises preditivas e inteligência artificial permite antecipar movimentos de mercado, otimizar rotas, reduzir custos logísticos – que podem representar até 20% do valor da mercadoria, de acordo com o Banco Mundial – e mitigar riscos operacionais. No setor de shipping, a informação deixou de ser apenas registro histórico para se consolidar como ferramenta estratégica de decisão.

Foi a partir deste cenário que Marcos Silva, CIO da Datamar, liderou a transformação da empresa em uma plataforma internacional de inteligência de mercado para o comércio exterior.

Com 20 anos de experiência, o especialista, que é formado em administração e possui especializações em tecnologia e gestão, consolidou-se como um dos executivos responsáveis por integrar dados históricos de navegação, automação de processos e inteligência artificial aplicada ao setor de shipping – um mercado tradicionalmente marcado por baixa digitalização e forte dependência de informações fragmentadas.

Sob sua liderança, a Datamar estruturou um modelo robusto de coleta, tratamento e análise de dados de navegação, com bases consolidadas desde 1996. A empresa atende armadores globais, terminais portuários, tradings, indústrias exportadoras e instituições financeiras, fornecendo relatórios analíticos, plataformas proprietárias e APIs que permitem integração direta com sistemas corporativos.

Ambiente de alta complexidade

“O nosso papel é transformar dado bruto em inteligência estratégica. Não entregamos informação isolada, entregamos contexto, previsibilidade e apoio real à tomada de decisão”, explica Marcos, que complementa: “O comércio exterior é um ambiente de alta complexidade. Quem opera nesse mercado precisa de dados confiáveis, atualizados e estruturados. Nosso trabalho é garantir que essas informações gerem eficiência operacional e vantagem competitiva”, diz.

A estratégia inclui o uso de inteligência artificial, incluindo modelos generativos e ferramentas de apoio à decisão, aplicados à análise de fluxos de importação e exportação, movimentação portuária e dinâmica de mercado. A proposta é migrar de uma visão retrospectiva para uma abordagem cada vez mais preditiva. “A tecnologia só é relevante quando impacta no resultado. Aplicamos IA para reduzir incertezas, antecipar movimentos e apoiar decisões estratégicas em um setor altamente sensível a variáveis geopolíticas e econômicas”, afirma.

Além da frente tecnológica, Marcos Silva também lidera iniciativas voltadas à consolidação da Datamar como hub de conhecimento do setor, como o DatamarLab, que conecta tecnologia, logística e academia, e o Datamar Smart Shipping, conferência que reúne executivos e especialistas para discutir tendências e desafios da logística marítima.

“Existe um gap na integração de sistemas e na utilização estratégica de dados. O potencial de ganho em eficiência é enorme. Nosso compromisso é acelerar essa evolução com soluções práticas e escaláveis”, finaliza.

(*) Com informações da Datamar

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Carnaval Além da Folia: A Outra Face do Trabalho Informal no Brasil

Ricardo Dias (*)

Quando o Carnaval chega, o imaginário coletivo brasileiro se enche de cores, música, alegria e debates sobre turismo e movimentação econômica. Mas para além dos blocos, trios elétricos e abadás, existe um universo invisível de trabalhadores e trabalhadoras que não desfrutam da festa, mas dependem para sobreviver. Camarins vazios de reconhecimento formal, jornadas exaustivas sem direitos e remunerações muitas vezes abaixo da merecida, este é o retrato atual da informalidade no mercado de eventos.

A Realidade da Informalidade no Setor de Eventos

A demanda sazonal deve gerar um impacto relevante no mercado de trabalho, com a abertura de 39,2 mil vagas temporárias, número apresenta crescimento em relação a 2025, porém, mesmo com a expansão das admissões no período, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta uma tendência de menor retenção desses trabalhadores. Para 2026, a taxa de efetivação é estimada em 11%, abaixo dos 16% registrados no ano anterior. O movimento indica uma acomodação do setor após o processo de recomposição de vagas eliminadas no auge da crise sanitária, quando os índices de efetivação chegaram a 24% em 2021 e 2022.

Essa realidade reflete um problema estrutural mais amplo: um setor complexo, como o de eventos, que é altamente dependente de trabalho temporário e sazonal, resistente à formalização por meio da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e que, por isso, reproduz relações precárias mesmo em momentos de forte geração de renda.

Informalidade e Carnaval: Número e Condições de Trabalho

O próprio Carnaval evidencia, e até expõe, a precariedade dessas relações laborais. Fiscalizações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) durante o Carnaval de 2025 em Salvador resgataram mais de 300 vendedores ambulantes em condições análogas à escravidão, submetidos a jornadas extensas, falta de infraestrutura básica, alojamento improvisado e ausência de descanso adequado.

Embora este seja um caso extremo e esteja ligado a trabalho degradante, ele denuncia uma realidade comum no Carnaval: muitos ambulantes e operadores trabalham sem contrato formal, sem acesso a direitos básicos como descanso remunerado, alimentação decente e proteção social, configurações que se enquadram claramente na definição de trabalho informal ou precário.

Esses trabalhadores, mesmo sendo parte integral da cadeia produtiva que movimenta bilhões de reais durante o Carnaval, muitas vezes não têm acesso a benefícios que outros trabalhadores formais recebem, como seguro-desemprego, férias remuneradas, vale-transporte ou FGTS. Essa disparidade adiciona uma camada de injustiça social a uma celebração nacional de enorme significado cultural.

Projeções para 2026 e o Desafio da Formalização

De acordo com estimativa da CNC, o Carnaval deve gerar R$ 14,48 bilhões em receitas em todo o Brasil, representando um aumento de 3,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar da ausência da consolidação de dados para o ano atual, a Abrafesta indica que a informalidade continuará sendo um desafio central. A própria entidade tem articulado propostas regulatórias e políticas públicas para reforçar a necessidade de estrutura que promova formalização e proteção social para os trabalhadores da cadeia de eventos, inclusive em momentos de alta demanda, como o Carnaval.

Esse debate aponta para 2026 um cenário em que, mesmo com a expectativa de crescimento econômico e de consumo no setor de eventos, a precariedade laboral pode persistir se não houver mudanças estruturais profundas nas relações de trabalho.

(*) Ricardo Dias, presidente da Abrafesta

 

 

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