Estive na China e entendi por que os ciclos de inovação lá são medidos em meses — e não em anos como no Brasil

 

Gabriel Henrique (*)

Quando pisei na China, não encontrei um país tentando “alcançar” o Ocidente em inteligência artificial; encontrei um ecossistema que já decidiu não depender dele.

Estamos falando de um país que já contribuiu com mais de 1.500 grandes modelos de linguagem (LLMs) lançados globalmente, superando qualquer outro país e demonstrando a escala do seu desenvolvimento local de inteligência artificial, representando uma parte significativa do total de cerca de 3.755 modelos públicos no mundo.

O país concentra mais de 5.000 empresas dedicadas exclusivamente à inteligência artificial e, para sustentar esse ecossistema, projeta alcançar uma capacidade computacional superior a 1.460 EFLOPS (unidade que mede a capacidade de processamento) em 2026, impulsionando desde grandes centros de dados até aplicações industriais de alta complexidade. A China construiu algo que poucas nações no mundo têm: a autossuficiência tecnológica real.

Essa constatação muda tudo, especialmente para quem, como eu, vive de tecnologia, dados, automação e comunicação entre empresas e clientes.

Participei da última Missão China realizada pelo Programa Madurar Internacional, uma iniciativa do Hub Goiás (CEEI) em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás (SECTI-GO), para inserir startups brasileiras já maduras, em tração ou scale-up, dentro de um dos ecossistemas de inovação mais sofisticados e agressivos do planeta.

Tive a oportunidade de apresentar a Poli Digital no HICOOL, um dos maiores eventos de inovação da Ásia. O ambiente não se parece com feiras de tecnologia no Ocidente. Lá, não se fala de “provas de conceito”. Fala-se de aplicações em produção e velocidade de crescimento.

Enquanto no Brasil ainda discutimos se a IA vai substituir pessoas, na China ela já substituiu processos inteiros e abriu espaço para novos modelos de negócios.

E o que encontrei foi um mercado onde a mensageria deixou de ser apenas comunicação para se tornar infraestrutura econômica, conectando vendas, pagamentos, atendimento e dados em um único fluxo.

Nesse ambiente, a informação é tratada como ativo estratégico, alimentando modelos que aprendem e se ajustam em tempo real, enquanto empresas e plataformas operam em ciclos de inovação medidos em semanas, não em anos, criando uma velocidade competitiva.

Talvez o maior choque cultural tenha sido entender que, por lá, inteligência artificial não é vista como uma “ferramenta”. É vista como infraestrutura, como energia elétrica, como telecomunicações. As empresas não perguntam: “Isso usa IA?”, elas perguntam: “Isso escala? Isso reduz custo? Isso aumenta conversão?”

Foi exatamente esse tipo de conversa que tivemos ao apresentar a Poli Digital. A nossa plataforma, que automatiza interações, entende contexto, aprende com dados e melhora a performance comercial das empresas, não foi vista como “inovação”. Foi vista como uma engrenagem essencial de um modelo de negócios moderno.

Sim, a China é gigantesca em infraestrutura, chips, data centers, superapps e modelos de linguagem. Mas o que realmente a diferencia é o modo de pensar.

Existe ali uma lógica de longo prazo, sustentada por uma execução disciplinada que transforma estratégia em resultado concreto, combinada a uma colaboração quase orgânica entre governo, startups e grandes empresas, todos alinhados a um mesmo projeto de desenvolvimento. Tudo isso é atravessado por uma obsessão cultural por eficiência, onde tempo, recursos e dados são tratados como ativos preciosos, e cada decisão é pensada para maximizar impacto, escala e competitividade global.

Essa imersão na cultura chinesa me fez repensar muitas certezas sobre inovação, crescimento e competitividade global. A sensação não é de ameaça; vejo como um chamado à realidade.

Estar na China, apresentar nossa solução em um palco asiático e ver o interesse genuíno do mercado reforça que estamos construindo algo global desde o Brasil para ajudar empresas a usar tecnologia, dados, mensageria e IA para criar relacionamentos mais eficientes, escaláveis e inteligentes entre marcas e pessoas. E isso é, talvez, o maior aprendizado dessa jornada.

(*) Gabriel Henrique, CPO e co-founder da Poli

 

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Mercosul-UE: Alckmin destaca potencial do acordo para economia, agropecuária, indústria e serviços

Em reunião com senadores, Vice-presidente e ministro do MDIC garante que o governo federal irá colaborar com o Grupo de Trabalho do Senado sobre o Mercosul – UE

Da Redação (*)

Brasília – Reforçar a articulação entre Executivo e Legislativo para acelerar a tramitação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia no Congresso Nacional foi o objetivo da reunião realizada nesta quarta-feira (11) pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, com os senadores Nelsinho Trad (PSD/MS) e Tereza Cristina (PP/MS).

Durante o encontro, foram alinhadas as estratégias do Grupo de Trabalho da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado Federal para acompanhamento da implementação. A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, também esteve no encontro.

O encontro integrou a articulação entre Executivo e Legislativo para assegurar acompanhamento técnico da implementação do acordo, considerado estratégico para ampliar o acesso do Brasil a um dos maiores mercados consumidores do mundo. O vice-presidente manifestou otimismo quanto à aprovação do acordo pela Câmara dos Deputados até o fim de fevereiro.

Alckmin destaca dimensão e oportunidades do acordo

Durante a reunião, Alckmin contextualizou a dimensão econômica do acordo:

“Estamos falando do maior acordo entre blocos do mundo, com um mercado de US$ 22 trilhões e 720 milhões de pessoas. É uma enorme oportunidade de vender produtos brasileiros, agregar valor e atrair investimento. Comércio exterior é emprego e renda”, destacou.

O vice-presidente também explicou que o acordo prevê cronogramas graduais de desgravação tarifária, permitindo adaptação dos setores produtivos nacionais às novas condições de mercado e garantindo mecanismos de salvaguarda, que podem ser acionados caso necessário.

“A desgravação é lenta, não é imediata. Na maior parte dos casos, a eliminação do imposto de importação ocorrerá ao longo de dez anos, podendo ir a 18 anos, como no caso de veículos eletrificados. Estamos trabalhando juntos para assegurar todas as salvaguardas necessárias”, garantiu.

De acordo com a Secex, os instrumentos previstos para lidar com eventuais desafios associados à implementação incluem o capítulo de salvaguardas bilaterais, as salvaguardas de investimentos para o setor automotivo, as regras de defesa comercial, como antidumping e medidas compensatórias, o mecanismo de reequilíbrio das concessões comerciais e o capítulo de solução de controvérsias.

O longo prazo de transição até a implementação completa foi negociado considerando as sensibilidades de setores produtivos brasileiros, tanto do agro quanto da indústria.

A senadora Tereza Cristina avaliou que, embora o acordo represente avanço estrutural para o Brasil e amplie a inserção internacional do agronegócio, alguns segmentos exigem atenção específica.

“O acordo eleva a régua e será bom para o Brasil no médio prazo. Precisamos trabalhar para que segmentos que possam vir a ter problemas não sejam fortemente atingidos”, disse.

Já o senador Nelsinho Trad ressaltou que o texto encaminhado ao Congresso Nacional não comporta emendas, cabendo ao Parlamento aprová-lo ou rejeitá-lo. Diante disso, explicou que foi estruturado um grupo de trabalho técnico para acompanhar a fase de implementação.

“O que se tem que fazer é votar sim ou votar não. Não dá mais para emendar. Por isso criamos um grupo de trabalho envolvendo técnicos legislativos e consultores para mitigar qualquer situação sensível que possa surgir durante a implementação”, afirmou.

Segundo o senador, a iniciativa busca oferecer suporte técnico ao Parlamento durante a tramitação e garantir que o processo ocorra com segurança jurídica e equilíbrio institucional.

Os participantes destacaram que a coordenação entre governo federal e Congresso Nacional será determinante para assegurar que o acordo avance com responsabilidade, proteção aos setores estratégicos e pleno aproveitamento das oportunidades de mercado para o Brasil.

Grupo de Trabalho na CRE

No Senado, o acordo vem sendo acompanhado por um Grupo de Trabalho no âmbito da Comissão de Relações Exteriores (CRE), presidida pelo senador Nelsinho Trad. O GT analisa os 23 capítulos e anexos do tratado, avaliando impactos regulatórios, prazos de desgravação e cláusulas que ampliam a segurança jurídica, como a cláusula de “standstill”, que impede aumento de tarifas acima da alíquota-base.

(*) Com informações do MDIC

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Mercosul e União Europeia: o impacto real do acordo sobre margens, custos e rotas logísticas

André Barros (*)

A aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia representa um avanço relevante na agenda de integração comercial do Brasil com um dos mercados mais importantes e exigentes do mundo. Ainda assim, é fundamental alinhar expectativas: os efeitos deste acordo não serão imediatos nem automáticos. Embora aprovado, o texto ainda passa por processos de ratificação e ajustes, e sua implementação ocorrerá de forma gradual, ao longo de alguns anos.

Esse intervalo entre a decisão política e a entrada em vigor prática é justamente o período mais estratégico para as empresas brasileiras. O impacto real do acordo dependerá menos do que está escrito no papel e mais da capacidade das organizações de se prepararem para atender às exigências que ele impõe.

Do ponto de vista do Comércio Exterior, o principal benefício está no ganho tarifário. A redução ou eliminação de alíquotas e a ampliação de cotas para determinados produtos tendem a tornar as exportações brasileiras mais competitivas e a ampliar o acesso ao mercado europeu. Isso cria espaço para aumento de volume, diversificação de mercados e fortalecimento da indústria nacional.

No entanto, esse benefício potencial só se materializa para quem consegue executar. O mercado europeu é rigoroso em compliance, qualidade, regras de origem, classificação fiscal, rastreabilidade e gestão de dados. Empresas que não conseguem comprovar a origem de seus produtos, manter documentação consistente ou atender às exigências regulatórias correm o risco de não acessar o benefício tarifário ou, em casos mais graves, de não conseguir exportar.

O acordo não favorece um porte específico de empresa. Ele favorece quem tem capacidade de execução com precisão. Grandes grupos e multinacionais normalmente partem com alguma vantagem, pois já possuem estruturas de governança, compliance e dados mais organizados. Por outro lado, empresas médias, já estruturadas em Comércio Exterior, tendem a ser mais ágeis na tomada de decisão e na priorização de portfólio, o que pode permitir que capturem oportunidades relevantes em menos tempo. No fim, o fator decisivo não é tamanho, mas maturidade operacional.

Hoje, muitos dos gargalos que podem impedir empresas brasileiras de transformar o acordo em exportações efetivas estão no dia a dia da operação. Dados mal estruturados ainda são comuns: classificações fiscais inconsistentes, descrições genéricas de produtos, falta de controle sobre insumos importados e ausência de trilhas de auditoria são alguns exemplos. Soma-se a isso a fragmentação dos processos, com excesso de planilhas, e-mails e múltiplos intervenientes desconectados, o que afeta a previsibilidade logística, formação de custos e competitividade.

As exigências ambientais e de rastreabilidade ampliam ainda mais esse desafio. O mercado europeu já demanda comprovação de conformidade ambiental, e mecanismos como o controle de carbono na fronteira tendem a impactar diretamente os exportadores brasileiros. Essas exigências não podem ser tratadas como projetos paralelos ou pontuais. Elas precisam ser incorporadas à rotina operacional, com controle por lote, vínculo com documentos de exportação e processos internos capazes de demonstrar conformidade de forma contínua.

É nesse ponto que a tecnologia passa a ser um fator decisivo ao apoiar empresas em operações complexas de Comércio Exterior, maximizando a capacidade de orquestrar processos, estruturar dados mestres, automatizar a gestão de classificação fiscal, regras de origem e documentação, além de manter rastreabilidade e integração com sistemas corporativos e governamentais. Condições essas fundamentais para que o acordo gere resultados concretos. Sem essa base operacional, o ganho tarifário tende a ficar apenas no potencial.

Iniciativas públicas, como painéis governamentais de dados e inteligência comercial, cumprem um papel importante ao oferecer uma visão macro do comércio entre Brasil, Mercosul e União Europeia. Elas ajudam a identificar produtos mais transacionados, países compradores e o cronograma de redução tarifária. No entanto, essa visão precisa ser traduzida para a realidade de cada empresa. É no nível do produto, do SKU (sigla em inglês para Unidade de Manutenção de Estoque) e da operação específica que se entende o impacto real do acordo sobre margens, custos e rotas logísticas.

Também é importante considerar que o acordo é bilateral. A redução de tarifas não afeta apenas as exportações brasileiras, mas também aumenta a competitividade de produtos europeus no mercado nacional. Setores como alimentos e bebidas, automotivo, máquinas, equipamentos e farmacêutico podem sentir maior pressão. Nesse cenário, dados e tecnologia tornam-se fundamentais para entender onde se perde e onde se ganha competitividade, ajustar estratégias e buscar compensações por meio de eficiência operacional, melhoria de qualidade e expansão das exportações.

O acordo Mercosul–União Europeia deve ser visto como um processo de transformação, e não como um evento isolado. O tempo entre a aprovação e a plena vigência precisa ser usado para estruturar dados, revisar processos, fortalecer compliance e preparar as empresas para um mercado mais exigente e competitivo. Quem agir agora estará mais bem posicionado para transformar uma vantagem potencial em resultado concreto. No Comércio Exterior, oportunidades não se concretizam apenas com boas notícias, mas com preparo, consistência e execução.

(*) André Barros, CEO da eComex e D2P, empresa brasileira especializada em soluções de alta tecnologia para gestão, otimização e automatização de operações de comércio exterior e logística internacional

 

 

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Exportações caem pelo sexto mês consecutivo e Brasil tem déficit de US$ 700 milhões no comércio com os EUA em janeiro

Monitor do Comércio Brasil–EUA aponta retração nas vendas brasileiras ao mercado americano, pressionadas por tarifas e queda do petróleo

Brasília – Da Redação (*)

O início de 2026 trouxe um cenário mais desafiador para o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos. A nova edição do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborada pela Amcham Brasil, mostra que as exportações brasileiras ao mercado americano atingiram US$ 2,4 bilhões em janeiro, com queda de 25,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, marcando o sexto recuo consecutivo.

No mesmo período, as importações brasileiras provenientes dos Estados Unidos também registraram retração, recuando 10,9%. Como a queda nas exportações foi mais intensa, o déficit mensal do Brasil na balança bilateral se aprofundou para cerca de US$ 0,7 bilhão, mais que o triplo do observado em janeiro de 2025.

Tarifas e commodities puxam o desempenho negativo

Os dados indicam que a queda nas exportações foi fortemente influenciada pelo desempenho dos óleos brutos de petróleo, que registraram retração de 39,1% na comparação anual. Além disso, produtos sujeitos a tarifas adicionais tiveram queda média de 26,7%, com destaque para bens impactados pela Seção 232, que recuaram 38,3%. Entre os produtos com maior impacto negativo no mês estão os semiacabados de ferro ou aço, sucos, elementos químicos inorgânicos e combustíveis derivados de petróleo.

“Os dados de janeiro confirmam que o início de 2026 segue marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral. A combinação entre a queda das exportações brasileiras e a manutenção de tarifas elevadas, especialmente sobre bens industriais, tem aprofundado o desequilíbrio na balança comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Produtos sobretaxados ampliam retração do comércio

A análise do universo de bens afetados por tarifas adicionais mostra que as exportações desses produtos caíram acima da média geral em janeiro. Itens sujeitos às sobretaxas de 40% e 50% registraram retração expressiva, assim como produtos vinculados à Seção 232, com destaque para cobre e produtos siderúrgicos.

O desempenho reforça a tendência já observada nos meses anteriores, indicando que a manutenção de barreiras tarifárias segue pressionando o fluxo comercial bilateral.

Desempenho setorial mostra resiliência em parte da pauta exportadora

Apesar do cenário desafiador, parte da pauta exportadora brasileira manteve desempenho relativamente mais forte. Entre os dez produtos mais exportados para os Estados Unidos em janeiro, seis apresentaram performance melhor do que as vendas brasileiras ao resto do mundo, incluindo café não torrado, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia.

Por outro lado, os produtos com maior queda nas exportações ao mercado americano mostraram desempenho superior quando direcionados a outros destinos, evidenciando uma mudança na dinâmica geográfica das vendas externas brasileiras.

Contexto internacional e perspectiva

Mesmo com o aumento do déficit dos Estados Unidos no comércio global de bens, o Brasil permanece entre os poucos países com os quais os americanos mantêm superávit comercial relevante, posição que se fortaleceu recentemente. “O comércio entre Brasil e Estados Unidos é sustentado por cadeias produtivas integradas, investimentos cruzados e geração de empregos nos dois países. Avançar no diálogo econômico de alto nível é essencial para restaurar previsibilidade, reduzir barreiras e criar condições para a retomada do fluxo comercial ao longo de 2026”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

(*) Com informações da Amcham

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Ações do setor de cafés especiais em Dubai podem gerar US$ 254 milhões em receita, diz BSCA

Projeto “Brazil. The Coffee Nation” levou 24 empresários à World of Coffee 2026, que realizaram 702 contatos comerciais, fecharam US$ 58 mi presencialmente e prognosticam mais US$ 196 mi aos próximos 12 meses

Da Redação (*)

Brasília – Levantamento da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) revela que a participação de 24 empresários nacionais do setor em ações comerciais entre os dias 16 e 22 de janeiro e na World of Coffee 2026, de 18 a 20 do mesmo mês, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, pode render US$ 254,4 milhões ao país.

As iniciativas, incluindo a presença na principal feira de cafés especiais do Oriente Médio, ocorreram através do projeto “Brazil. The Coffee Nation”, desenvolvido pela entidade em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

A ação envolveu a presença de 24 empresários do país na feira e na missão comercial, que rendeu US$ 58,151 milhões presencialmente e a projeção para mais US$ 196,272 milhões ao longo dos próximos 12 meses. Se confirmado, o total da iniciativa representará um crescimento de 33% na comparação com os US$ 191,689 milhões obtidos com a participação de 23 empresários em 2025.

Emirados Árabes, mercado especial para os cafés brasileiros

De acordo com o diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, o Oriente Médio, em especial Dubai, há alguns anos, apresentou-se com um potencial incrível para cafés especiais e isso vem se concretizando com o tempo.

“Os Emirados são um dos mercados-alvo do nosso projeto. Intensificar a presença dos cafés especiais do Brasil na região é crucial, pois possibilita contato direto com compradores relevantes e entender a cena local, conhecendo dificuldades e aproveitando oportunidades para consolidar nosso setor como importante fornecedor a esse mercado”, explica.

Ele completa que a BSCA, enquanto representante da comunidade dos cafés especiais do Brasil, tem sido uma ponte direta entre os participantes do “Brazil. The Coffe Nation” e compradores internacionais.

“Isso tem ampliado o acesso não apenas aos Emirados, mas também aos mercados do Golfo Pérsico e, inclusive, do Leste Europeu, além de fortalecer a leitura estratégica sobre Marrocos e Egito, que também apresentam um crescimento representativo no setor de cafés especiais”, comenta.

Na World of Coffee, o Brasil marcou presença com estande posicionado como um hub gerador de oportunidades e de promoção dos cafés especiais brasileiros. A estrutura contou com salas de degustação e reuniões, brew bar e bancadas para os integrantes do projeto realizarem ações comerciais, institucionais e promoverem os cafés especiais.

Durante o evento, foram realizadas sessões de cupping de cafés especiais “Destaques BSCA”, certificados pela entidade com pontuação acima de 86 pontos (escala de zero a 100); cafés dos participantes do projeto, também certificados e com pontuação mínima de 84 pontos; e o top 5 das três categorias do Cup of Excellence (CoE), principal concurso de qualidade do mundo para cafés especiais.

“Essas sessões apresentaram a diversidade e a qualidade sensorial da produção dos cafés especiais produzidos no Brasil, que foram conhecidas pelo público da feira. Isso ajuda a enaltecer a heterogeneidade de nossos cafés, a excelência produtiva e os processos de certificação, reforçando a rastreabilidade e a transparência inatas do setor brasileiro de cafés especiais”, aponta Estrela.

Já as iniciativas nos quatro dias das missões comerciais envolveram visitas técnicas a torrefações e cafeterias locais para aprofundar a leitura do mercado do Oriente Médio, além de sessões de cupping a compradores estratégicos para posicionar os cafés especiais brasileiros de forma alinhada ao objetivo da BSCA, com foco em qualidade, diversidade sensorial, sustentabilidade, rastreabilidade e complexidade de sabores.

(*) Com informações da BSCA

 

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Importações em recorde histórico e queda nas exportações geram “tempestade perfeita” para o setor calçadista brasileiro

 

 

Da Redação (*)

Brasília – Depois de um ano de recorde, as importações seguiram em elevação no primeiro mês de 2026. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos registros da Secex, janeiro registrou um novo recorde para o mês, alcançando o maior volume da histórica, iniciada em 1997. No mês, as importações somaram 4,46 milhões de pares e US$ 62,9 milhões, incrementos tanto em volume (+34,3%) quanto em valores (+31,2%) em relação a janeiro de 2025.

O movimento mantém o ritmo sustentado de crescimento das importações – com contínuas taxas expressivas – há cinco anos. O destaque, mais uma vez, foram os países asiáticos Vietnã, China e Indonésia, que juntos responderam por 84% das importações de janeiro – em dólares e pares.

Segundo o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o resultado preocupa a indústria calçadista nacional, pois acontece em um contexto de desaquecimento da demanda doméstica – que caiu 2,3% em 2025.

“O aumento da entrada de calçados no Brasil, em especial a preços muito baixos, incita grande preocupação na medida em que se dá em detrimento do produto nacional, que ano passado perdeu 2,2% de sua produção”, avalia o dirigente, ressaltando que a entidade vem trabalhando o tema junto ao governo federal.

Origens

A principal origem dos calçados importados em janeiro foi o Vietnã, de onde vieram 1,5 milhão de pares por US$ 32,57 milhões, altas de 34,3% e 31,2%, respectivamente, ante o mesmo mês de 2025.

A segunda origem foi a China, de onde foram importados 1,26 milhão de pares por US$ 3,44 milhões, incremento de 75,7% em volume e queda de 31,4% em receita, o que é explicado pelo preço médio extremamente baixo do produto chinês embarcado ao Brasil (US$ 2,73).

A terceira origem das importações de janeiro foi a Indonésia. No mês, foram importados do país asiático 996 mil pares de calçados por US$ 17 milhões, incrementos de 34,2% e 41,1%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025.

Exportações: queda esperada

Já do lado das exportações, nada de novo para o setor calçadista. Em janeiro, os embarques alcançaram 9,4 milhões de pares e US$ 71,5 milhões, quedas tanto em volume (-17,7%) quanto em receita (-18,8%) em relação ao mesmo mês do ano passado.

O principal destino foram os Estados Unidos, para onde as exportações somaram 832,9 mil pares e US$ 10,23 milhões, quedas de 26,8% e 45,7%, respectivamente, ante janeiro de 2025.

“O tarifaço segue tendo impactos importantes para o setor, neste que é o nosso principal destino internacional”, comenta Ferreira. Outro mercado que contribuiu para a queda das exportações do setor foi a Argentina, segundo destino no ano passado, que registrou queda nas suas importações de calçados brasileiros. Em janeiro, os argentinoimportaram 286,96 mil pares por US$ 4,42 milhões, quedas de 54,9% e 57,4%, respectivamente, em relação ao intervalo correspondente do ano passado. “Na Argentina, além da desaceleração do consumo, ocorre um acirramento da concorrência internacional com produtores asiáticos”, explica o executivo.

Estados

O principal exportador de calçados do Brasil segue sendo o Rio Grande do Sul. Em janeiro, partiram das fábricas gaúchas 3 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 36,17 milhões, incremento de 16% em volume e queda de 3,3% em receita no comparativo com o primeiro mês de 2025. Na sequência, apareceram os estados do Ceará (3,7 milhões de pares e US$ 17,6 milhões, quedas de 26,4% e 35,7%, respectivamente, ante janeiro de 2025) e São Paulo (1,62 milhão de pares e US$ 5,52 milhões, queda de 25% em volume e incremento de 14,1% em receita em relação a janeiro do ano passado).

(*) Com informações da Abicalçados

 

 

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Wine South America amplia ações de ESG e reforça compromisso com a sustentabilidade do setor vitivinícola

Com ações como compensação de carbono, gestão de resíduos e inclusão social, feira avança no desenvolvimento responsável do mercado

Da Redação (*)

Brasília – Considerada uma das principais feiras de negócios do setor vitivinícola na América Latina, a Wine South America vem ampliando de forma consistente suas iniciativas de ESG (Environmental, Social and Governance). Práticas sustentáveis e ações de impacto social estão sendo incorporadas no planejamento e na execução do evento que ocorre em Bento Gonçalves (RS), no coração da Serra Gaúcha. Dessa forma, a feira se consolida não apenas como uma plataforma de negócios e conteúdo, mas também como um ambiente comprometido com o desenvolvimento responsável do setor.

Na última edição, em 2025, a WSA recebeu mais de 7 mil compradores e gerou mais de R$ 100 milhões em negócios. Ao todo, a feira conta com marcas expositoras de mais de 20 países de todo o mundo, como Portugal, Itália, Espanha, Grécia, Argentina, Chile, Uruguai e Nova Zelândia. A próxima edição da WSA acontece de 12 a 14 de maio de 2026.

Entre as principais ações ambientais da feira, a Wine South America adota uma política estruturada de gestão de resíduos e logística sustentável, com a destinação correta de materiais como vidro, papelão, plástico, madeira, alumínio e isopor. Na edição de 2025, todos os resíduos gerados no evento foram reciclados ou reutilizados, evitando a emissão de aproximadamente 26 toneladas de CO₂.

Além disso, materiais gráficos e lonas utilizadas na feira passaram por processos de logística reversa, sendo doados para reaproveitamento em projetos sociais, reduzindo o descarte e prolongando o ciclo de vida dos insumos.

A feira também conta com iniciativas de compensação de carbono, incluindo ações de conscientização ambiental e doação de mudas de árvores, reforçando a integração do evento com práticas sustentáveis e educativas.

“A sustentabilidade precisa fazer parte da estratégia de eventos de negócios, especialmente em setores que dependem diretamente do equilíbrio ambiental, como o vitivinícola. Nosso compromisso é evoluir continuamente, assumindo responsabilidades que vão além da realização da feira”, afirma Marcos Milanez, diretor da Wine South America.

No campo social, a Wine South America promove ações voltadas ao impacto positivo na comunidade local. Em 2025, o valor arrecadado com a bilheteria de um workshop realizado durante o evento foi destinado ao Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC), por meio da ONG Parceiros Voluntários.

A feira também avançou em políticas de inclusão, com a contratação de profissionais com deficiência para atuarem durante o evento, fortalecendo o compromisso com diversidade, equidade e representatividade.

Sustentabilidade como estratégia: o compromisso ESG também nos expositores da WSA

O compromisso da Wine South America com a agenda ESG encontra ressonância em expositores que fazem da sustentabilidade um pilar estratégico de seus negócios. Um exemplo é a Vinícola Aurora, uma das maiores e mais tradicionais cooperativas do país, que integra práticas ESG à sua governança e operação.

Segundo Cassandra Marcon Giacomazzi, gerente de sustentabilidade da cooperativa, a agenda ESG da Aurora está diretamente conectada à estratégia e à governança da organização. “Desde 2023, consolidamos iniciativas de sustentabilidade, com foco na integridade da cadeia produtiva, boas práticas agrícolas, direitos humanos e gestão ambiental. O ESG é um critério indispensável em todas as fases do nosso negócio”, destaca.

Entre as iniciativas da Aurora estão o fortalecimento do Programa de Integridade e Compliance, a atualização do Código de Conduta, a implantação de um Canal de Denúncias com possibilidade de anonimato, a avaliação de governança de cerca de 1.300 fornecedores e a capacitação contínua de colaboradores, cooperados e parceiros. Na área social, a cooperativa mantém o Programa de Boas Práticas Agrícolas (PBPA), alinhado às normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que orienta e fiscaliza as propriedades dos cooperados.

Em 2025, a Aurora publicou seu primeiro Relatório de Sustentabilidade, alinhado às diretrizes internacionais da GRI 2021, e assumiu compromissos ESG conectados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Para a Aurora, a adoção de práticas ESG por eventos setoriais é fundamental para o avanço do mercado.

“Feiras como a Wine South America exercem um papel estratégico ao reunir toda a cadeia produtiva. Quando incorporam iniciativas como compensação de carbono e gestão de resíduos, sinalizam que sustentabilidade e profissionalização caminham juntas e elevam o padrão do setor como um todo”, afirma Cassandra.

O credenciamento para a WSA 2026 está disponível no site da feira – winesa.com.br.

(*) Com informações da Wine South America

 

 

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ApexBrasil e Itamaraty promovem etapa da Missão à África na Etiópia com mais de 300 reuniões de negócios

Fórum de Cooperação Econômica Brasil–Etiópia reuniu empresários, autoridades e especialistas e marcou a inauguração do escritório da Embrapa na capital etíope_

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) realizaram, no dia 6 de fevereiro, a etapa de Adis Abeba da Missão à África, com a promoção do Fórum de Cooperação Econômica Brasil–Etiópia. Ao todo, foram realizadas 303 reuniões de negócios entre empresários brasileiros e etíopes, reforçando o interesse mútuo em ampliar o comércio bilateral, os investimentos e a cooperação econômica entre os países.

A programação teve início com o Seminário Empresarial Brasil-Etiópia, com ampla agenda institucional, painéis temáticos e rodadas de negócios. A cerimônia de abertura reuniu autoridades dos dois países, entre elas o Ministro de Comércio e Integração Regional da Etiópia, Kassahun Gofe Balami e Zeleke Temesgen, Comissário da Ethiopian Investment Commission (EIC).

Foi assinado um Memorando de Entendimento (MoU) entre a ApexBrasil e a EIC com o objetivo de fortalecer a cooperação institucional e ampliar as oportunidades de comércio e investimentos entre Brasil e Etiópia. O acordo cria um marco formal para a troca de informações, a realização conjunta de missões empresariais e fóruns de investimento, além do apoio direto a empresas brasileiras interessadas em acessar ou expandir sua atuação no mercado etíope.

Para os empresários brasileiros, o MoU representa maior segurança institucional, facilitação de contatos, apoio na identificação de oportunidades e investimentos e a construção de um ambiente mais favorável à internacionalização.

Durante o fórum, foi inaugurado o escritório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Adis Abeba, que funcionará na Embaixada do Brasil, representada pelo pesquisador José Ednilson Miranda. A presidente da Embrapa, Sílvia Massruhá, destacou que a atuação internacional da instituição se baseia em três pilares: “conhecimento científico, capacitação e políticas públicas. Isso fez com que o Brasil se transformasse de importador de alimentos em um grande produtor e exportador. O Brasil não traz nada pronto; adaptamos modelos à realidade local e estamos aqui para cooperar e compartilhar, contribuindo para que a União Africana trace seu próprio caminho de sucesso”, afirmou.

Jorge Viana defende maior presença no continente africano

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ressaltou que a Agência irá ampliar sua presença no continente africano. “Estamos trabalhando para, em breve, firmar quatro espaços de referência da ApexBrasil na África, seguindo uma estratégia de divisão do continente em quatro regiões e de reaproximação, como defende o presidente Lula. Isso permitirá uma atuação mais eficiente, personalizada e próxima dos empresários, fortalecendo a promoção do comércio bilateral”, afirmou.

A programação do evento incluiu painéis temáticos que abordaram áreas estratégicas para a cooperação entre Brasil e Etiópia. O painel Brazil–Ethiopia Connections, moderado por Ana Paula Repezza, Diretora de Negócios da ApexBrasil, reuniu representantes do setor privado e do governo para discutir oportunidades de investimento e parcerias. Na sequência, o painel Sustainable Agricultural Production debateu produção agrícola sustentável, com foco em proteínas animais, café especial e investimentos no setor. Já o painel Logistics and Energy Transition tratou de temas como infraestrutura, logística, aviação, energia e transição energética, setores considerados essenciais para o fortalecimento das cadeias produtivas e do comércio entre os países.

Além das rodadas de negócios, a agenda conta com visitas técnicas a parques industriais e instalações supermercadistas, permitindo aos empresários brasileiros conhecer de perto o ambiente de negócios etíope.

Para o empresário Bruno da Silva, da SyrcSim Cosméticos, a participação no fórum foi decisiva. “Foi uma oportunidade única de conhecer o mercado e estabelecer contatos que, ao longo do tempo, vão gerar grandes resultados. Temos muita similaridade de mercados, produtos e cosméticos. Saímos daqui, inclusive, já com data para voltar”, afirmou.

A etapa de Adis Abeba integra a Missão à África promovida pela ApexBrasil e pelo Ministério das Relações Exteriores, que tem como objetivo aprofundar as relações econômicas do Brasil com países africanos, ampliar a presença de empresas brasileiras no continente e estimular parcerias sustentáveis de longo prazo.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Amigos da Rússia: aproximação expõe crise moral do Brasil

Márcio Coimbra (*)

A política externa brasileira atravessa hoje uma perigosa indefinição ética. Ao buscar um estreitamento de laços com a Rússia em meio à invasão da Ucrânia, o Brasil não apenas desafia o consenso das democracias ocidentais, mas flerta com a erosão de sua própria identidade. O regime de Moscou, uma autocracia que cerceia a liberdade e persegue opositores, utiliza a força militar como ferramenta sistemática de expansão.

Para um país que se orgulha de suas instituições, o silêncio — ou a cordialidade excessiva — configura uma dissonância cognitiva diplomática que compromete nossa credibilidade junto a parceiros que compartilham de nossa arquitetura de valores.

Essa aproximação torna-se ainda mais incompreensível quando se nota que o Brasil negligencia evidências graves de que sua própria soberania tem sido instrumentalizada pelo Kremlin. A descoberta de uma rede de espiões russos operando em solo nacional com identidades fraudulentas é um alerta que Brasília parece ignorar.

Agentes como Sergey Cherkasov (Victor Muller Ferreira), Mikhail Mikushin (José Assis Giammaria) e Artem Shmyrev (Gerhard Daniel Campos) revelam que Moscou enxerga o Brasil não como um parceiro de igual estatura, mas como uma “fábrica de identidades” para suas operações globais de infiltração.

Essa falta de respeito manifesta-se também na opacidade das movimentações de aeronaves estatais russas em aeroportos nacionais. Relatos sobre voos suspeitos em Brasília entre 2025 e 2026, envolvendo modelos como o Ilyushin Il-96 e o Tupolev Tu-204, levantam questionamentos profundos.

Tais aeronaves realizam rotas complexas para evitar o espaço aéreo europeu, fazendo escalas na África e no Cáucaso antes de pousar em Brasília e rumar para Havana e Caracas. A ausência de transparência sobre essas cargas sugere uma “diplomacia das sombras” que fragiliza nossa imagem perante o mundo civilizado.

Diante disso, causa perplexidade que o governo estenda o tapete vermelho para o primeiro-ministro Mikhail Mishustin. Tal recepção sugere que o compromisso brasileiro com o Direito Internacional é seletivo. O argumento da necessidade comercial não resiste aos números: as exportações para a Rússia representam ínfimos 0,6% do total nacional. Em contrapartida, a União Europeia, que lidera as sanções contra Putin, é destino de 15% de nossas vendas.

Trocar a possibilidade de acesso preferencial a um mercado de 450 milhões de consumidores pelo fornecimento de fertilizantes russos — insumo que poderia ser diversificado com Canadá ou Marrocos — é um isolacionismo ideológico que nos afasta das cadeias de valor mais sofisticadas do Ocidente.

Há ainda a dimensão humanitária: o sentimento de traição da comunidade ucraniana no Brasil. Com 600 mil descendentes, majoritariamente no Paraná, essa diáspora vê na postura de Brasília uma ofensa ao sofrimento de seus familiares. É doloroso ver o governo confraternizar com um regime cujo líder é alvo de mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra.

Ao incentivar laços com Moscou, o Brasil ignora os riscos reais de retaliação pelas nações livres. O “custo Rússia” é demasiadamente alto, logo é hora de decidir: ou o Brasil retoma sua liderança moral na ordem global ou mergulha em um isolamento histórico e vergonhoso.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Brasil deve buscar ampliação do Acordo Mercosul-Índia em visita de Lula a Nova Délhi, defende especialista

Da Redação

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará a Índia de 19 a 21 de fevereiro acompanhado por uma missão integrada por aproximadamente 200 empresários e na percepção do especialista em comércio exterior, Jackson Campos, o governo brasileiro deveria aproveitar a oportunidade avançar com as negociações visando ampliar a cobertura -hoje bastante limitada- do Acordo de Comércio Preferencial entre o Mercosul e a República da Índia, celebrado em Nova Delhi, em 25 de janeiro de 2004 e em vigor desde 2009.

Para Jackson Campos, da parte do Mercosul, cabe ao Brasil liderar o processo de aprofundamento desse acordo. E ele explica: “o volume das exportações da Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai para a Índia é praticamente inexistente e o Brasil só tem a ganhar”.

Campos identifica outro problema: a crescente importação pelo Uruguai de produtos indianos, em especial medicamentos para posterior exportação para o Brasil: “os uruguaios têm aumentado a importação de produtos indianos, que posteriormente passam por algum tipo de manufatura e são reexportados para o Brasil como se fosse um bem produzido em um país membro do Mercosul. Já visitei algumas unidades do setor farmacêutico no Uruguai que fazem esse tipo de operação”.

Brasil projeta um acordo muito mais abrangente

Atualmente, o acordo cobre cerca de 450 linhas tarifárias, num universo de cerca de 10 mil, e prevê reduções tarifárias modestas, entre 10% e 20%. A meta é ampliar substancialmente o escopo e incluir novas áreas de cooperação comercial. O governo brasileiro pretende negociar a inclusão de novos produtos, especialmente do agronegócio, negociar reduções tarifárias e buscar a retirada de barreiras comerciais.

Segundo Jackson Campos, “a Índia é considerada um país secundário para o Brasil. De lá, a gente importa muito produtos farmacêuticos, dos quais os indianos são um dos maiores exportadores do mundo, e eles têm também muitos têxteis, pneus, partes e peças de veículos. Mas em termos de exportação, o Brasil é um país pouco expressivo e um dos principais motivos é a proximidade da China com a Índia. Para eles é muito mais fácil, e barato, comprar da China que do Brasil. E quando falamos de frutas e outros produtos agrícolas, eles também são produtores e inclusive são exportadores de frutas para o mundo inteiro. Aí reside o grande desafio, que é convencer a Índia a importar do Brasil e não da China”.

Campos reforça que já esteve diversas vezes na Índia para prospectar mercados para empresas brasileiras no país asiático e destaca que “os indianos me perguntavam sempre: porque vamos importar do Brasil se podemos importar da China pela metade do preço e receber muito mais depressa?”

Preço e logística não são os únicos obstáculos no caminho do fortalecimento dos laços comerciais entre o Brasil e a Índia: “os dois países são muito protecionistas. Talvez um acordo econômico específico com a Índia seja um bom ponto de partida. Além disso, os dois países são extremamente burocráticos, principalmente no tocante ao aspecto aduaneiro. Tanto para a exportação quanto para a importação”.

O especialista assinala que “a Índia é tão difícil quanto o Brasil na importação. Quando se importa da Índia é muito simples, mas na exportação do Brasil é tudo muito complexo, da mesma forma que é com relação a nós. Assim como a Índia, nós também buscamos fazer importações de onde é mais barato e mais rápido”.

 

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