Exportações aos EUA atingem menor participação histórica no trimestre e respondem por apenas 9,5% das vendas externas brasileiras

Da Redação (*)

Brasília – As exportações somaram US$ 7,8 bilhões no período, redução de 18,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Com isso, os Estados Unidos passaram a responder por 9,5% das exportações brasileiras — o menor nível da série histórica iniciada em 1997

“A mínima histórica da participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira neste primeiro trimestre reforça a importância de avançar no diálogo bilateral. Há espaço para reverter essa tendência, como indica a desaceleração da queda das exportações em março, mas isso dependerá de entendimentos que evitem novas restrições ao comércio entre os dois países”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Desempenho contrasta com outros mercados

O resultado no trimestre contrasta com o crescimento das exportações brasileiras para o mundo (+3,5%) e para parceiros relevantes, como China e União Europeia. A corrente de comércio bilateral somou US$ 17 bilhões, queda de 14,8%, refletindo a retração tanto das exportações quanto das importações. Apesar do recuo, os EUA seguem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil.

Queda disseminada das exportações

A retração foi disseminada entre os setores, com os seguintes impactos:

  • Indústria de transformação: -14,2%
  • Indústria extrativa: -39,1%
  • Agropecuária: -34,4%

As exportações industriais totalizaram US$ 6,6 bilhões, pressionadas sobretudo pelas tarifas que incidem sobre produtos de maior valor agregado.

Março traz sinais de desaceleração

Apesar do desempenho negativo no trimestre, os dados de março indicam desaceleração da queda. As exportações recuaram 9,1% no mês (vs. -18,7% no trimestre), sendo que 7 dos 10 principais produtos exportados registraram crescimento, com destaque para petróleo bruto (+321%), aeronaves (+85,8%) e máquinas elétricas (+73,4%).

Além disso, as exportações de produtos sem sobretaxas cresceram 15,1% no mês. A melhora está associada, ainda que parcialmente, à redução das tarifas após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no final de fevereiro.

Tarifas seguem no centro da atenção

As sobretaxas continuam sendo fator determinante para o desempenho das exportações, especialmente bens industriais. Atualmente, cerca de 45% das exportações brasileiras ingressam no mercado americano sem sobretaxas, enquanto o restante ainda enfrenta tarifas adicionais.

Levantamento da Amcham indica que 86% das empresas seguem apreensivas sobre o risco de novas restrições comerciais, indicando nível considerável de incerteza nos negócios bilaterais

Importações recuam, com concentração em poucos itensAs importações brasileiras provenientes dos EUA somaram US$ 9,2 bilhões no trimestre, queda de 11,1%, concentrada principalmente em máquinas e petróleo. Excluindo esses itens, o fluxo de importações permanece resiliente.

Perspectivas: incerteza no curto prazo e espaço para recuperação

O cenário para os próximos meses permanece incerto, diante da possibilidade de novas medidas tarifárias nos EUA, bem como da imprevisibilidade na conjuntura internacional. Por outro lado, a moderação na queda das vendas observada em março, combinada com o aumento na participação de produtos sem sobretaxas na pauta exportadora brasileira e à demanda americana consistente, indica a possibilidade de recuperação gradual ao longo de 2026.

(*) Com informações da Amcham Brasil

 

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Já vi esse filme da NASA antes…

Daniel Guimarães Tedesco (*)

Todo mundo feliz vendo a Artemis II, que decolou no famoso dia da mentira levando quatro astronautas rumo à Lua, ou melhor, perto da Lua. Mas qualquer pessoa que conhece a história da NASA, agência espacial americana, vai notar um fato que a cobertura festiva preferiu não enfatizar, pois iria estragar a festa, com certeza. O escudo térmico da cápsula Orion é feito de um material projetado para se consumir de forma controlada na reentrada, quando a superfície externa ultrapassa 2.700 °C. No único teste em velocidade real em voo não tripulado de 2022, mais de cem pedaços racharam e se soltaram inteiros, arrancados pela pressão de gases presos no material porque a estrutura era densa demais para deixá-los escapar.

A NASA investigou durante dois anos, identificou o mecanismo, e em vez de trocar o escudo, que já estava integrado à nave, decidiu mudar a trajetória de reentrada para evitar as condições que produziram a falha. Até que é engenhoso, mas nunca foi testado em voo. O que preocupa não é a decisão técnica, mas o quanto ela se parece com decisões anteriores que terminaram em tragédia.

O ex-astronauta Charles Camarda, com 45 anos de NASA e 22 de pesquisa em proteção térmica, afirmou publicamente que a agência está repetindo o mesmo tipo de raciocínio que resultou na destruição da Challenger em 1986 e da Columbia em 2003. A socióloga Diane Vaughan viu esse padrão nos anos 1990: um problema é detectado e documentado, mas como os voos seguintes não terminam em catástrofe, a percepção de risco vai se ajustando, o inaceitável vira manejável, o manejável vira rotina, e a margem de segurança encolhe em silêncio até o dia em que não existe mais.

Os anéis de vedação do ônibus espacial se desgastavam havia nove anos quando a Challenger explodiu; pedaços de espuma atingiam o revestimento térmico em voo após voo quando a Columbia se desintegrou.

Infelizmente, o escudo da Artemis II se encaixa nesse molde. O defeito é conhecido, a correção foi na trajetória e não no escudo, e as simulações usadas para validar a nova rota pertencem à mesma família de modelos que não previu o problema. E o escudo sob os quatro astronautas foi fabricado com estrutura ainda mais densa que a do anterior, para facilitar uma inspeção de fábrica, o que significa que a característica responsável pela falha foi piorada, mas não corrigida.

Tudo isso em uma NASA que perdeu mais de 20% da força de trabalho, ficou quase um ano sem administrador confirmado, enfrenta um corte orçamentário de 24% e opera sob pressão para chegar à Lua antes da China. O detalhe mais chato de tudo isso é que a missão poderia ter voado sem tripulação, já que desde fevereiro existe uma Artemis III em órbita baixa para 2027, eliminando a necessidade de sobrevoo tripulado antes do pouso. Um voo não tripulado teria testado tudo sem risco, mas a NASA decidiu que não era necessário.

A missão provavelmente vai dar certo, e espero sinceramente que dê. Mas Danny Olivas, ex-astronauta que integrou a equipe de revisão e que apoia a decisão de voar, disse algo que não me sai da cabeça: “às vezes temos sorte, e quando temos sorte, trocamos isso por competência, e nos convencemos de que somos melhores do que somos”. É o tipo de frase que aparece nos relatórios pós-acidente da NASA. Espero que desta vez fique restrita a uma coluna de jornal.

(*) Daniel Guimarães Tedesco é Doutor em Física pela UERJ, Professor da Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas e do Programa de Pós-Graduação em Educação e Novas Tecnologias no Centro Universitário Internacional UNINTER.

 

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Maior feira de logística da América Latina, Intermodal chega à 30ª. edição com inovações e programação ampliada

A feira ocorrerá entre a próxima terça (14) e quinta-feira (16), com inovações no formato, presença internacional e novas tecnologias

Foto: Reprodução/Freepik

Da Redação (*)

Brasília – A Intermodal South America 2026, maior feira de logística da América Latina e segundo maior evento do mundo nos setores de transporte de carga, logística, intralogística e comércio exterior será realizada entre a próxima terça (14) e quinta-feira (16), no Distrito Anhembi, em São Paulo. Com o tema “Conexões que movem o Brasil: logística e infraestrutura rumo ao protagonismo global”, a edição deste ano terá programação ampliada, reforço do conteúdo técnico e maior presença internacional.

O evento chegará à 30ª edição com uma agenda voltada aos principais gargalos e transformações da cadeia logística. Entre os temas confirmados estão a integração de corredores logísticos, multimodalidade, avanço da cabotagem e da rodocabotagem, transformação dos portos em hubs mais digitais e sustentáveis, além dos desafios da intralogística diante da volatilidade dos e-commerces.

Interlog Summit: dois congressos em um

Um dos maiores destaques da programação é o Interlog Summit, congresso estratégico da feira que engloba dois congressos em um, o Congresso Intermodal e a Conferência Nacional de Logística, realizada pela Associação Brasileira de Logística, em estrutura com cinco trilhas de conteúdo. A proposta é discutir os três eixos que hoje sustentam a competitividade do setor: infraestrutura e multimodalidade, inovação e automação, geopolítica e neoindustrialização.

Neste ano, o formato será diferente com a mudança para outro período, das 11 às 16 horas, com tradução simultânea em todos os painéis e atividades distribuídas ao longo dos três dias de evento. A mudança busca liberar a parte final do dia para a circulação dos congressistas pela feira e ampliar as oportunidades de networking e negócios.

A Intermodal 2026 também ganhará força com a presença de keynotes ligados a áreas estratégicas da economia e infraestrutura. Entre os nomes anunciados estão Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Luciana Costa, Diretora de Infraestrutura, Transição e Mudança Climática do BNDES, Anderson Pomini, diretor-presidente da Autoridade Portuária de Santos, Juliana Michelin, do Mercado Livre, Cláudio Pena, da Mondelez Brasil, além de executivos ligados aos portos de Barcelona e Antuérpia-Bruges.

As discussões previstas envolvem inovação, sustentabilidade, eficiência operacional e impactos da geopolítica sobre cadeias de suprimentos. Além disso, o evento deste ano ampliará as atrações aos visitantes. A Arena Intermodal retorna com programação gratuita de palestras e painéis, enquanto a Arena TI Innovations reunirá empresas e soluções tecnológicas para toda a cadeia logística.

Edição de 2025 contou com público recorde

A última edição reuniu mais de 500 expositores e ultrapassou a marca de 49 mil visitantes, consolidando o evento como uma das principais vitrines da logística multimodal, segundo o portal especializado Modal Connection.

O balanço destaca a entrada de 53 novas empresas, a presença de agentes de carga da América Latina, Sudeste Asiático, Europa e Estados Unidos e o fortalecimento de debates sobre inteligência artificial, ESG, automação, eletrificação, portos, terminais e infraestrutura ferroviária.

 

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Embraer e a CIAC assinam memorando de entendimento para alavancar a indústria aeroespacial da Colômbia

Da Redação (*)

Brasília – A Embraer e a Corporação da Indústria Aeronáutica Colombiana (CIAC) assinaram hoje na FIDAE um Memorando de Entendimento (MoU, em inglês), para uma possível ampliação na cooperação industrial e técnica visando impulsionar a indústria aeroespacial da Colômbia.

“A assinatura deste MoU fortalece o relacionamento construído ao longo de anos com a CIAC e abre caminho para uma possível ampliação da cooperação técnica e industrial de todo o portfólio da Embraer, o que inclui o A-29 Super Tucano e o KC-390 Millennium”, afirma Fabio Caparica, Vice-Presidente de Contratos da Embraer Defesa & Segurança. “Nosso objetivo é fortalecer ainda mais a indústria aeroespacial colombiana e avaliar oportunidades para integrar a CIAC às cadeias produtivas globais da Embraer”.

“A assinatura deste Memorando de Entendimento com a Embraer representa um passo estratégico para fortalecer a indústria aeroespacial colombiana e consolidar a CIAC como um ator relevante em cenários internacionais. Esse acordo nos permite avançar na transferência de conhecimento, no desenvolvimento de capacidades técnicas e na integração às cadeias globais, contribuindo para o crescimento do setor e para o posicionamento da Colômbia como referência regional em manutenção, inovação e desenvolvimento aeronáutico”, afirma o Coronel Oscar Francisco Zúñiga Martin, Presidente da CIAC (E).

A Colômbia representa um importante mercado para a Embraer em todos os segmentos. Atualmente, a empresa possui uma frota de 50 aeronaves operando no país, atendendo clientes nas áreas de Defesa & Segurança, Aviação Comercial e Executiva. Isso inclui 24 A-29 Super Tucanos operados pela Força Aeroespacial Colombiana (FAC), entre outras.

(*) Com informações da Embraer

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China sinaliza novo impulso para um comércio exterior equilibrado entre exportações e importações

Da Redação (*)

Brasília – A China enviou novos sinais da promoção de um desenvolvimento mais equilibrado de importações e exportações para otimizar sua estrutura comercial e buscar um crescimento de alta qualidade.

Um artigo de opinião publicado recentemente na Revista Qiushi, uma publicação emblemática do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh), pediu medidas concretas para equilibrar o crescimento das importações e das exportações.

“Isso não é apenas uma exigência inevitável para expandir a abertura de alto padrão, mas também uma medida importante para alcançar um desenvolvimento de alta qualidade e atender à aspiração do povo por uma vida melhor”, diz o artigo.

Promover um desenvolvimento equilibrado entre importações e exportações é uma prioridade política chave para os próximos cinco anos, segundo o esboço do 15º Plano Quinquenal (2026-2030).

Nos últimos anos, os formuladores de políticas elaboraram importantes iniciativas para expandir as importações e promover o comércio equilibrado. Essas incluem a redução da taxa tarifária média da China para 7,3%, próxima aos níveis dos países desenvolvidos, e o uso de grandes exposições, como a Exposição Internacional de Importação da China (CIIE), para criar plataformas importantes para a abertura bidirecional.

Em 2025, as importações da China atingiram 18,48 trilhões de yuans (US$ 2,68 trilhões), tornando o país o segundo maior importador do mundo pelo 17º ano consecutivo.

Ainda assim, alguns políticos ocidentais insistem em focar no superávit comercial de bens da China, frequentemente retratando isso como uma ação deliberada e usando-o como uma desculpa para atritos comerciais. O artigo da Qiushi enfatizou que o superávit comercial não é movido por políticas.

O aumento do superávit comercial nos últimos anos é resultado de múltiplos fatores, incluindo cadeias de suprimentos mais fortes, maior competitividade na manufatura e inovação vigorosa, indica o texto.

“Promover o desenvolvimento equilibrado do comércio é um ajuste estratégico feito proativamente pelo Comitê Central do PCCh em resposta às mudanças no cenário do desenvolvimento econômico da China”, diz o artigo.

Integração plena da China ao comércio internacional

Desde que ingressou na Organização Mundial do Comércio, a China tem se integrado profundamente ao sistema de comércio multilateral e às cadeias globais de valor, expandindo constantemente as exportações e emergindo como o maior exportador mundial. Isso não apenas impulsionou a modernização industrial e o crescimento econômico, mas também proporcionou ao mundo uma vasta gama de produtos de qualidade e baixo custo.

No entanto, uma escala de exportação maior nem sempre é melhor. “Perseguir cegamente a expansão das exportações e os superávits comerciais traz riscos potenciais ao desenvolvimento econômico que não podem ser ignorados”, segundo o artigo.

As características inerentes da grande economia chinesa significam que o país não pode mais contar com o modelo orientado à exportação de sua fase anterior de recuperação, diz o artigo. O equilíbrio comercial é uma inevitabilidade, não uma escolha.

No âmbito doméstico, a alocação excessiva de recursos e fatores de produção para o setor exportador irá, em certa medida, afastar o desenvolvimento industrial relacionado à demanda interna. Internacionalmente, quanto maior a participação das exportações em uma economia, mais exposta ela fica às flutuações nos mercados globais. Um superávit comercial prolongado também pode tornar a economia um alvo de medidas protecionistas.

Comércio equilibrado

O artigo da Qiushi esclarece ainda que promover o desenvolvimento equilibrado de importações e exportações não significa buscar um equilíbrio estatístico, mas sim focar no aumento da capacidade.

Isso não significa desistir de “vender globalmente”, mas sim fomentar sinergia entre comprar e vender. Nem significa cortar exportações; em vez disso, significa reduzir moderadamente o superávit comercial expandindo as importações e otimizando a estrutura.

O artigo também sugeriu movimentos concretos para promover o equilíbrio do comércio, incluindo a otimização da estrutura exportadora do país enquanto se expandem as importações de tecnologia avançada, equipamentos-chave, energia e recursos, e bens de consumo de qualidade. Também pediu esforços para melhor conectar os mercados nacionais e estrangeiros e ampliar gradualmente a abertura institucional para se alinhar a regras internacionais de alto padrão.

Em Yiwu, Província de Zhejiang, no leste da China, uma cidade apelidada de supermercado mundial por sua excepcional capacidade de manufatura, a tendência de um comércio mais equilibrado já é evidente.

De acordo com os dados mais recentes da alfândega local, as exportações de Yiwu cresceram 52,9% nos dois primeiros meses de 2026, enquanto as importações saltaram 52,6%, sinalizando um forte impulso bidirecional.

Dados oficiais mostraram que o comércio exterior da China teve um início forte nos dois primeiros meses deste ano, com o comércio total de mercadorias subindo 18,3% ano a ano, para 7,73 trilhões de yuans. Tanto o crescimento das exportações quanto o das importações se recuperaram fortemente em relação ao ano anterior, com a aceleração do crescimento das importações ainda mais forte do que a das exportações.

“A China é a segunda maior economia do mundo e o segundo maior mercado de importação. À medida que a atualização industrial e o padrão de vida continuam a melhorar, a nova demanda do mercado está sendo lançada de forma constante, deixando um enorme potencial para importações”, disse He Yongqian, porta-voz do Ministério do Comércio.

O potencial do mercado chinês ainda não foi explorado, disse o ministro do Comércio, Wang Wentao, acrescentando que o país trará mais produtos agrícolas, produtos de consumo de qualidade, equipamentos de tecnologia avançada e componentes-chave. Enquanto isso, plataformas como a CIIE serão totalmente utilizadas para expandir os canais de importação, disse ele.

“Exportações e importações são como duas rodas de um veículo. Quanto mais equilibradas estiverem, mais suavemente e mais longe ele avançará”, disse Wang.

(*) Com informações da Agência Xinhua

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Oriente Médio sob Tensão e o Impacto na Logística e E-commerce Global

Luciano Furtado C. Francisco (*)

O conflito entre Estados Unidos e Irã tem resultado em grandes restrições na passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Esse ambiente de segurança instável no Golfo Pérsico já aparece no preço do barril e, por tabela, no custo de mover mercadorias em navios, aviões e caminhões. Em operações globais, o efeito raramente fica contido no setor de energia. Acaba se espalhando pelo frete, pelo seguro, pelo prazo e, no fim das contas, no preço ao consumidor.

Desde quando o conflito entrou em uma fase mais aguda, as cotações internacionais do petróleo avançaram de forma brusca e analistas passaram a revisar projeções. Uma pesquisa da Reuters elevou a estimativa média do barril de petróleo do tipo Brent para 2026, e o próprio noticiário aponta uma alta de cerca de 60% nos benchmarks desde o início da guerra.

Para a logística, o petróleo é o primeiro empurrão, mas não é o único. O segundo é o seguro, que costuma ser invisível até ficar caro demais para ser ignorado. Com ataques e ameaças no entorno, o seguro de risco de guerra encareceu de maneira expressiva. A Euronews descreve um salto de prêmios que antes eram medidos em centésimos do valor do navio para patamares muito superiores, o que muda a conta de cada viagem e torna comum a decisão de adiar travessias, redesenhar rotas ou suspender escalas.

O terceiro empurrão é operacional. O Irã passou a formalizar um controle de passagem com exigências adicionais e, em alguns casos, cobrança para trânsito, o que reduz a previsibilidade e amplia o tempo de decisão de armadores e embarcadores.

Resultado que aparece nas redes de transporte como um todo. No marítimo, companhias têm sinalizado disrupção de rotas e custos mais altos, com reflexo em prazos e capacidade. A guerra vem transformando as redes de navegação, forçando desvios e ajustes que pressionam a eficiência do setor. No aéreo, o choque é ainda mais imediato, porque o combustível é um componente enorme do custo. O querosene de aviação praticamente dobrou desde o início do conflito, com reação na forma de sobretaxas de combustível e revisão de planos de capacidade.

Há ainda um detalhe pouco glamouroso, mas decisivo, que é o efeito do petróleo sobre insumos e embalagens. O Estreito de Ormuz não é corredor apenas de petróleo, mas também de produtos e matérias-primas ligadas à indústria petroquímica, e o encarecimento combinado de energia e transporte costuma impactar em plásticos, filmes, resinas e uma série de itens de apoio que a indústria consome o tempo todo.

A questão essencial, para quem opera logística e comércio online, é que crises no Golfo raramente são apenas sobre petróleo. Elas são sobre risco, e risco é preço. Quando o risco entra na tarifa do navio, no seguro, no combustível do avião e no caixa do varejista, o resultado é uma cadeia menos fluida e mais cara. E, enquanto o Estreito de Ormuz permanecer nesse regime de tensão, a logística global vai continuar trabalhando com um novo patamar de incerteza.
Vamos torcer  para que o conflito logo termine.

(*) Luciano Furtado C. Francisco é analista de sistemas, administrador e especialista em plataformas de e-commerce. É professor do Centro Universitário Internacional – Uninter, onde é tutor no curso de Gestão do E-Commerce e Sistemas Logísticos e no curso de Logística.

 

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Exportações para o Oriente Médio caem 26% desde início da guerra com retração nas vendas do agronegócio

Carnes e soja lideram recuo nas vendas para a região

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras para o Oriente Médio caíram 26% em março, primeiro mês da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.  Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o valor exportado para os 15 países da região recuou de US$ 1,2 bilhão em março de 2025 para US$ 882 milhões neste ano.

A queda atingiu principalmente produtos do agronegócio. A exportação de carne suína recuou 59%. As vendas de frango, principal item vendido ao Oriente Médio, caíram cerca de 22%. As vendas de soja para a região diminuíram 25%.

Segundo o diretor de Estatísticas da pasta, Herlon Brandão, ainda é cedo para medir todos os efeitos do conflito sobre o comércio internacional.

“Para fazer uma afirmação de que o conflito está afetando o fluxo [comercial], é necessário esperar um pouco mais”, disse Brandão.

No fim de março, o Brasil fechou um acordo com a Turquia para a passagem e o armazenamento temporário de mercadorias do agronegócio exportadas para o Oriente Médio e a Ásia Central. Os efeitos, no entanto, só começarão a aparecer na balança comercial de abril.

Petróleo

O destaque positivo das exportações brasileiras foi o petróleo. As exportações de óleo bruto avançaram 70,4% em valor, alcançando US$ 4,7 bilhões. Em volume, o crescimento foi de 75,9%.

Segundo o governo, ainda não é possível afirmar que a alta esteja diretamente ligada ao conflito, embora a guerra já tenha afetado cerca de 20% do comércio global de petróleo e elevado significativamente o preço do barril no mercado internacional.

Para os próximos meses, a expectativa é de queda nas vendas do produto. Para compensar parte dos subsídios ao diesel, o governo introduziu, em meados de março, uma alíquota de 12% sobre as exportações brasileiras de petróleo.

Impacto global

Além do Oriente Médio, outros mercados importantes também reduziram compras de produtos brasileiros em março na comparação com o mesmo mês do ano passado.

As exportações para os Estados Unidos caíram 9,1%, enquanto houve recuos de 10% para o Canadá e de 5,9% para a Argentina.

No entanto, as vendas para a China cresceram 17,8% no mês, reforçando o papel do país asiático como principal parceiro comercial do Brasil.

Resultados

Em relação aos Estados Unidos, o Brasil registrou déficit comercial em março, com exportações de US$ 2,8 bilhões e importações de US$ 3,3 bilhões. Já com a China, houve superávit de US$ 3,8 bilhões no período.

As exportações para a União Europeia cresceram 7,3%, enquanto para a Argentina houve queda nas vendas, mas manutenção de saldo positivo na balança.

O cenário reflete os impactos iniciais da guerra sobre o comércio global, com efeitos variados entre regiões e produtos, especialmente nas cadeias ligadas a energia e alimentos.

Apesar das quedas pontuais, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 6,4 bilhões em março. As exportações totais somaram US$ 31,7 bilhões, alta de 10%, enquanto as importações cresceram 20,1%, chegando a US$ 25,2 bilhões.

(*) Com informações da Agência Brasil

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WTM Latin America: Embratur fortalece laços com operadores internacionais e incentiva geração de negócios

Agência aposta na qualificação de compradores de outros países para promover destinos nacionais no exterior e ampliar a presença do país no mercado global

Da Redação (*)

Brasília –  Embratur fará uma série de rodadas de negócios com compradores internacionais (hosted buyers) durante a WTM Latin America 2026, uma das principais feiras de turismo do continente. Tratam-se de profissionais que compram e organizam pacotes turísticos em um determinado destino e os vendem para viajantes internacionais. O evento acontece de 14 a 16 de abril, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP).

Com foco na geração de negócios e em preparar esses compradores para venderem os destinos brasileiros lá fora, a Agência aposta na conexão direta e na ampliação da participação de micro e pequenas empresas brasileiras no mercado internacional, gerando novos negócios e posicionando o Brasil como um destino turístico competitivo e diversificado.

A WTM Latin America reúne anualmente cerca de 30 mil profissionais do setor e mais de 800 empresas expositoras de aproximadamente 49 países, consolidando-se como um dos principais hubs de negócios do turismo na América Latina. Em 2025, o evento bateu recorde de público, com 32.026 participantes e crescimento no número de reuniões e leads gerados, reforçando sua relevância estratégica para o setor.

Para o presidente e ex-diretor de Marketing Internacional, Negócios e Sustentabilidade da Embratur, Bruno Reis, “a participação da Embratur na WTM Latin America com o Programa de Hosted Buyers é estratégica porque permite dialogar diretamente com quem decide a venda do Brasil no exterior”. “Estamos mostrando a esses operadores internacionais para que conheçam melhor a diversidade dos nossos destinos e transformem isso em mais turistas internacionais chegando ao país”, afirmou.

Negócios

A Embratur atua ativamente na seleção desses compradores, obedecendo a critérios como o volume de vendas e a relevância das operadoras nos mercados de origem, além do alinhamento com os países definidos no planejamento da Embratur para os próximos anos. Os selecionados recebem uma capacitação exclusiva voltada à apresentação do Brasil como destino turístico diversificado e competitivo. Na ocasião, a Embratur promoverá aos operadores internacionais seu programa Brasil Specialist Rewards, que oferece incentivos aos agentes de viagem que vendem Brasil.

Para essa capacitação, a Agência contará com uma sala dedicada a treinamentos e apresentações de mercado, com capacidade para até 150 participantes. O trabalho de promoção do país inclui ações de comunicação e promoção dentro da feira, com aplicação da marca em espaços estratégicos, promovendo destinos, experiências e produtos turísticos brasileiros, e distribuindo materiais promocionais e estabelecendo conexões com operadores internacionais. A iniciativa amplia a visibilidade do Brasil junto a públicos estratégicos e potencializa a geração de negócios.

Histórico

A Embratur também se reuniu com compradores internacionais na edição de 2025. As ações da Agência à época incluíram, ainda, assinatura de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com entidades do setor, o lançamento do projeto Feel Brasil, em parceria com o SEBRAE e promoção de segmentos como turismo de natureza, com destaque para observação de aves e MICE (Reuniões, Incentivos, Conferências e Exposições/Eventos).

Conforme Reis, “a continuidade dessas ações em 2026 reforça o compromisso da Embratur com a promoção sustentável e inovadora do turismo brasileiro, alinhada às tendências globais e às demandas do mercado internacional”.​

WTM Latin Amer

A WTM Latin America é um dos principais eventos mundiais da indústria de viagens e turismo da América Latina. A iniciativa é voltada para profissionais de agências de turismo, operadoras de viagens, acomodações, companhias aéreas, cruzeiros, produtos de luxo e tecnologia, entre outros, e reúne mais de 27 mil profissionais do setor a cada edição.

(*) Com informações da Embratur

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Estudo da ApexBrasil destaca complementaridade econômica e identifica oportunidades no comércio Brasil-México

Publicação destaca complementaridade econômica e oportunidades para diversificação das exportações brasileiras

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atualizou o estudo Perfil de Comércio e Investimentos – México, com um panorama das relações comerciais entre os dois países até o ano de 2025. O levantamento mostra que o México se consolida como um dos principais parceiros do Brasil na América Latina, com uma corrente de comércio dinâmica e marcada pela forte presença de produtos industrializados.

De acordo com o estudo, o México é o sexto principal destino das exportações brasileiras, com destaque para bens de maior valor agregado. Entre os principais produtos exportados estão automóveis, autopeças, máquinas e equipamentos, produtos químicos e siderúrgicos. Com cerca de US$ 7,7 bilhões em vendas brasileiras para o país, o México figura entre os grandes parceiros comerciais do Brasil e como um dos mercados mais relevantes da América Latina, pela complementaridade entre as duas economias, especialmente no setor industrial.

A Inteligência de Mercado da ApexBrasil aponta que há amplo espaço para expansão das exportações brasileiras. O Mapa de Oportunidades identifica 505 produtos com potencial de crescimento no mercado mexicano, especialmente nos segmentos de máquinas e equipamentos, químicos, alimentos e bebidas, além de bens manufaturados. A ferramenta também aponta oportunidades para diversificação da pauta exportadora, com inserção em nichos de maior valor agregado.

Além do comércio, o México também se destaca como parceiro relevante em investimentos. O fluxo bilateral tem crescido nos últimos anos, com empresas brasileiras ampliando sua presença no mercado mexicano, especialmente nos setores de indústria, energia e serviços. Ao mesmo tempo, empresas mexicanas mantêm investimentos no Brasil, reforçando a integração produtiva entre os países. Com estoque de Investimento Estrangeiro Direto de aproximadamente US$ 13,1 bilhões, concentrado em setores como telecomunicações, alimentos e bebidas, energia, logística e varejo, empresas mexicanas têm ampliado sua presença por meio de projetos greenfield e operações de fusões e aquisições.

Integração regional e desafios comerciais

O fluxo comercial entre Brasil e México é influenciado pelos Acordos de Complementação Econômica nº 53 e nº 54 (ACE-53 e ACE-55), que regulam parte do comércio bilateral e estabelecem preferências tarifárias para diversos produtos.

Dentro desse escopo, ainda há espaço para aprofundamento das relações, especialmente com a ampliação do ACE-53, aumentando a redução das barreiras tarifárias e não tarifárias. O ACE-53 rege produtos não automotivos, enquanto o ACE-55 estrutura o comércio de veículos e autopeças, sendo fundamental para a presença brasileira no setor automotivo mexicano. Em 2025, cerca de 40,8% das exportações brasileiras ao México estavam amparadas por esses acordos, somando aproximadamente US$ 3,15 bilhões.

Sendo uma das economias mais abertas do mundo, com ampla rede de acordos comerciais — incluindo o tratado com Estados Unidos e Canadá (USMCA) —, o México possui uma estrutura de importações fortemente influenciada por esses acordos, o que eleva a competitividade entre fornecedores no mercado. Esse cenário aumenta a competitividade no mercado mexicano, exigindo das empresas brasileiras maior adaptação a padrões técnicos, regulatórios e logísticos.

Mesmo diante desses desafios, o México se mantém como um mercado estratégico, com mais de 120 milhões de consumidores e forte integração às cadeias globais de valor. A proximidade cultural e econômica com o Brasil, aliada ao dinamismo industrial mexicano, cria condições favoráveis para a ampliação das exportações brasileiras.

Atuação da ApexBrasil no México

A ApexBrasil tem atuado no mercado mexicano de maneira estratégica e diversificada, combinando ações de promoção comercial, inteligência de mercado e articulação institucional para promover as empresas brasileiras no país. O México foi um dos poucos países a receber visitas oficiais tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto do vice-presidente Geraldo Alckmin. A Agência acompanhou as duas missões, realizando encontros entre empresários brasileiros e mexicanos que reforçam o diálogo de alto nível e a atração de investimentos.

A participação também se estendeu a feiras setoriais relevantes — como a Expotransporte, ANPIC, Expo Nacional Ferretera, Tecno Mueble Internacional, Expo ANTAD e Plastimagen —, evidenciando o esforço da Agência em ampliar a presença brasileira em segmentos-chave da economia local, como logística, couro e calçados, construção, varejo e indústria plástica.

Missões empresariais multissetoriais também contribuíram para qualificar a inserção internacional das empresas brasileiras, promover parcerias estratégicas e

ampliar o acesso a oportunidades em um dos mercados mais dinâmicos e abertos das Américas.

Clique aqui e acesse gratuitamente o estudo completo.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Mercosul volta ao radar de empresas brasileiras e contribui para internacionalização de indústrias do interior

Integração regional e busca por diversificação de mercados colocam países vizinhos como alternativa estratégica para pequenas e médias empresas brasileiras

Da Redação

Brasília – O Mercosul voltou a ganhar espaço nas estratégias de internacionalização de empresas brasileiras. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que o bloco respondeu por cerca de 7% a 8% das exportações do país em 2025, com corrente de comércio superior a US$ 40 bilhões anuais. A retomada ocorre em meio à busca por diversificação de mercados diante de tensões geopolíticas e disputas comerciais globais.

Além da proximidade geográfica, o perfil da pauta exportadora ajuda a explicar o movimento. Diferentemente de mercados como China, que concentram compras em commodities, os países do Mercosul são importantes compradores de produtos industrializados brasileiros, como veículos, máquinas, equipamentos e bens de maior valor agregado.

Primeiro passo para a internacionalização de empresas

Fábio Nascimento, contador e CEO do Grupo FN, afirma que o bloco regional costuma ser um primeiro passo natural para empresas que pretendem iniciar operações no comércio exterior. “O Mercosul reúne condições que facilitam a entrada de empresas brasileiras no comércio internacional. Há acordos tarifários, proximidade logística e uma demanda relevante por produtos industrializados”, afirma.

Entre os destinos regionais, a Argentina segue como um dos principais parceiros industriais do Brasil. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que mais de 85% das exportações brasileiras para o país são produtos manufaturados, incluindo automóveis, autopeças, máquinas e equipamentos industriais. O fluxo comercial tem peso relevante para cadeias produtivas brasileiras ligadas à indústria automotiva, metalmecânica e de tecnologia.

Esse cenário também abre espaço para empresas localizadas fora dos grandes centros industriais. Regiões como o Vale do Paraíba, que reúne polos de manufatura avançada, tecnologia e indústria aeroespacial, têm potencial para ampliar presença no comércio regional. Empresas instaladas na região produzem componentes, equipamentos e soluções tecnológicas que podem encontrar demanda crescente em países vizinhos.

Mercosul, caminho mais acessível

Segundo o especialista, muitas companhias de médio porte ainda não exploram o mercado regional por acreditarem que exportar exige uma estrutura complexa. “A internacionalização costuma ser vista como algo distante da realidade de empresas médias, mas o Mercosul pode ser um caminho mais acessível para iniciar esse processo”, aponta.

O avanço do comércio exterior também tem ampliado a presença de pequenas e médias empresas brasileiras nas exportações. Levantamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do Ministério do Desenvolvimento mostra que mais de 40% das empresas exportadoras do país são pequenas ou médias, embora ainda representem uma parcela menor do valor total exportado.

Para o executivo, esse dado mostra que o comércio internacional deixou de ser exclusivo de grandes companhias. “Hoje existem programas de apoio, linhas de financiamento e estruturas de consultoria que ajudam pequenas e médias empresas a acessar mercados internacionais”, explica.

O especialista aponta cinco medidas para empresas se prepararem para exportar ao Mercosul

Especialistas apontam que a entrada em mercados regionais exige planejamento, organização e análise estratégica. Algumas medidas ajudam a reduzir riscos e aumentar a competitividade.

  • Mapear a demanda nos países do bloco
    Estudos de mercado ajudam a identificar quais produtos possuem maior potencial de venda em Argentina, Paraguai e Uruguai.
  • Adequar produtos e documentação
    Mesmo com integração regional, cada país possui normas técnicas e exigências regulatórias específicas.
  • Planejar logística e transporte
    A proximidade geográfica facilita rotas rodoviárias e reduz custos logísticos, mas planejamento é essencial para manter prazos e competitividade.
  • Estruturar planejamento tributário e cambial
    Operações internacionais exigem análise de regimes tributários, contratos de exportação e gestão de câmbio.
  • Buscar apoio especializado
    Consultorias de comércio exterior e despachantes aduaneiros ajudam a estruturar a operação e evitar erros comuns.

De acordo com o CEO do Grupo FN, empresas que se organizam antes de iniciar exportações aumentam as chances de sucesso. “Exportar exige planejamento financeiro, logístico e jurídico. Quando a empresa estrutura esses pilares, o processo tende a ser muito mais seguro”, destaca.

Vantagens e alertas para empresas que pretendem exportar

A expansão para mercados regionais pode trazer ganhos relevantes para companhias brasileiras. Entre os benefícios estão a ampliação de mercado consumidor, diversificação de receitas e possibilidade de ganho de escala na produção.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a internacionalização exige atenção a fatores como variações cambiais, diferenças regulatórias e gestão de contratos internacionais. Avaliar capacidade produtiva, logística e estrutura financeira antes de assumir novos compromissos comerciais é considerado essencial.

Segundo o executivo, empresas que adotam uma estratégia gradual de internacionalização tendem a consolidar presença regional e ampliar competitividade. “Começar pelo Mercosul permite que a empresa aprenda a operar no comércio exterior, desenvolva processos internos e construa experiência para acessar mercados mais distantes no futuro”, conclui.

Em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica e reorganização das cadeias produtivas, a integração regional volta a ganhar importância estratégica. Para indústrias instaladas fora dos grandes centros econômicos, o fortalecimento do comércio dentro do Mercosul pode representar uma oportunidade concreta de ampliar exportações e reduzir a dependência de poucos mercados internacionais.

 

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