Acordo Mercosul-União Europeia deve impulsionar negócios na BFSHOW, destaca Abicalçados

Da Redação (*)

Brasília – Com a entrada em vigor a partir de 1º de maio, de forma provisória (englobando a parte comercial), o acordo comercial Mercosul e União Europeia traz otimismo para a realização da 6ª edição da BFSHOW. A maior feira calçadista da América Latina, que acontece no Distrito Anhembi, em São Paulo/SP, contará com mais de 350 marcas brasileiras de calçados que representam mais de 75% da produção nacional do setor. A mostra, realizada pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e organizada pela NürnbergMesse Brasil, ocorre entre os dias 18 e 20 de maio.

Segundo a gerente de Relacionamento e Negócios da Abicalçados, Letícia Sperb Masselli, apesar do mercado desafiador no cenário internacional, a entrada em vigor do acordo comercial, discutido por mais de 26 anos, traz otimismo para a indústria calçadista brasileira.

“No ano passado, o bloco europeu importou mais de 3,2 bilhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 63,7 bilhões, mais de 40% do total das importações mundiais de calçados. Existe um grande potencial para o calçado brasileiro a partir da desgravação tarifária”, projeta Letícia, ressaltando que os calçados de couro, que respondem por 45% dos valores exportados pelo Brasil à União Europeia, devem alcançar a desgravação tarifária total em até sete anos. Atualmente, a tarifa de importação de calçados na União Europeia situa-se entre 3,5% e 17%, a depender do produto.

Projeção de compradores internacionais

Conforme o head da BFSHOW na NürnbergMesse Brasil, Felipe Marchioni, a 6ª edição da feira deve ter presença internacional recorde. “Para maio, devemos receber mais de 1,5 mil compradores internacionais, boa parte deles da Europa”, projeta. O número contabiliza importadores convidados pelo Projeto Comprador da BFSHOW e que vêm por conta própria, devido ao destaque internacional do evento. “Temos a maior indústria do Ocidente e é natural a procura crescente, em especial para importadores que buscam fornecimento alternativo a calçados da Ásia. Prevemos que, do total de compradores esperados na mostra, mais de 12% sejam internacionais”, acrescenta.

Um dos compradores europeus confirmados na BFSHOW de maio é Maciej Pelka, diretor executivo da Kondor, distribuidora de calçados da Polônia. Pela primeira vez na feira, o comprador nutre boas expectativas de negócios. “Já trabalhamos com calçados brasileiros de marcas femininas, que são muito apreciados no mercado polonês. No evento, vamos dar start para uma compra que contabiliza mais de 20 mil pares de calçados de couro todos os anos”, prevê Pelka, que revela interesse em expandir negócios com novas fábricas brasileiras.

Pela segunda vez participando da BFSHOW, o comprador Kevin Plaku, CEO da Kevin Class, rede de 11 lojas da Albânia, avalia que os calçados brasileiros apresentados no evento unem qualidade e variedade de modelos, o que gera boas expectativas de negociações. “Se os preços estiverem de acordo com as nossas expectativas, consideramos comprar mais de 20 mil pares no evento e ao longo do ano”, projeta.

A feira

Com menos de três anos de existência, a BFSHOW já é a maior feira calçadista da América Latina. Ocorrendo em um espaço de mais de 33 mil metros quadrados, no coração financeiro do continente, a mostra deve receber, ao longo dos seus três dias de realização, mais de 12 mil compradores de todo o Brasil e de mais de 40 países.

O credenciamento para a feira está aberto no site www.bfshow.com.br.

(*) Com informações da Abicalçados

 

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Ações do setor de cafés especiais na China podem render US$ 110 milhões ao Brasil, diz BSCA

Empresários brasileiros participaram de missão comercial e Hotelex Shanghai 2026, fechando US$ 1,34 mi presencialmente; para os próximos 12 meses, há previsão de mais US$ 108,55 mi em negócios

Da Redação (*)

Brasília – A participação de 19 empresários do setor de cafés especiais do Brasil em uma missão comercial em Qingdao e na Hotelex Shanghai 2026, na China, possibilitou 436 contatos comerciais com importadores locais, que podem render US$ 109,89 milhões em negócios, com US$ 1,34 milhão já fechados presencialmente e a projeção para a realização de mais US$ 108,55 milhões em negócios ao longo dos próximos 12 meses.

Essa iniciativa, viabilizada pelo projeto setorial “Brazil. The Coffee Nation”, desenvolvido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), contribui para fortalecer o avanço dos cafés especiais nacionais no mercado chinês e a consolidação de uma estratégia estruturada para a Ásia, ampliando oportunidades comerciais ao setor do país.

Em Qingdao, a agenda teve foco institucional, técnico e de relacionamento, com a realização de visitas a cafeterias, torrefações e estruturas logísticas, permitindo uma leitura aprofundada do estágio atual do mercado. A cidade tem papel estratégico do ponto de vista logístico e a missão evidenciou o potencial da região como plataforma para importação e distribuição de café, especialmente pela presença de uma zona de livre comércio estruturada e altamente conectada a mercados asiáticos.

“Observou-se um ambiente em desenvolvimento, mas com sinais claros de sofisticação, abertura para experimentação e crescente interesse por cafés de maior qualidade. Também ficou evidente a importância da experiência, do posicionamento de marca e da apresentação do produto para o consumidor local”, revela Vinicius Estrela, diretor executivo da BSCA.

Ele comenta que a missão avançou “significativamente” na articulação institucional, com destaque para a aproximação com a Free Trade Zone da cidade e com a associação local de café.

“Um dos marcos dessa agenda foi a inauguração da ‘Base de Promoção do Café Especial do Brasil’ em Qingdao, consolidando uma plataforma para ações contínuas de visibilidade do produto brasileiro e relacionamento com os atores do mercado chinês”, afirma.

A agenda também contou com a realização de um fórum com representantes do governo local, entidades setoriais e empresas, no qual foram discutidas oportunidades de cooperação entre Brasil e China. Foram apresentados os diferenciais dos cafés especiais brasileiros e realizadas sessões de cupping com cafés certificados pela BSCA, reforçando atributos como qualidade, rastreabilidade e consistência.

“A missão também evidenciou oportunidades estratégicas de médio e longo prazos, incluindo o potencial de utilização de Qingdao como hub logístico e, futuramente, como base para agregação de valor, ampliando a presença do café especial brasileiro na Ásia”, completa Estrela.

HOTELEX SHANGHAI 2026

Em Xangai, durante uma das principais feiras de hospitalidade da Ásia, a delegação brasileira realizou contato direto com compradores, importadores, torrefações e cafeterias. O estande do país teve forte presença de público qualificado e permitiu a continuidade de negociações iniciadas na missão comercial, demonstrando a efetividade da estratégia integrada dessas ações.

“A diversidade de perfis sensoriais dos cafés especiais brasileiros apresentados na Hotelex Shanghai 2026 teve alta aceitação, com destaque para a reação positiva do público às bebidas com notas mais frutadas e cítricas, indicando uma ampliação da percepção sobre o Brasil como origem e abrindo espaço para um posicionamento mais sofisticado no mercado”, revela o diretor executivo da BSCA.

De acordo com ele, também foi identificado um interesse crescente por cafés de maior valor agregado e maior complexidade sensorial, inclusive na forma de espresso, evidenciando a evolução do mercado chinês e sua abertura a novos perfis.

Todos os cafés apresentados nas sessões de degustação e no brew bar do estande possuíam certificação da BSCA, o que reforçou a proposta de valor do Brasil baseada em qualidade, rastreabilidade, padronização e confiabilidade.

Uma análise com os empresários participantes demonstra que a missão e a participação na feira consolidaram avanços importantes em três frentes: o fortalecimento de relações institucionais, a ampliação das conexões comerciais e a validação do potencial do café especial brasileiro em um mercado em expansão.

Estrela comenta que a iniciativa estabeleceu uma base sólida para a continuidade das ações na China e ao aprofundamento da presença brasileira na Ásia como um todo.

“O feeling após as iniciativas nesse gigante asiático evidencia que estamos avançando de forma consistente em um mercado promissor e em plena evolução. Mais do que validar a qualidade e a diversidade dos cafés brasileiros, estruturamos relações institucionais e abrimos novas frentes estratégicas, especialmente no campo logístico e de posicionamento na Ásia. Isso nos permite ampliar a presença do Brasil de forma mais competitiva e conectada aos principais centros consumidores do mundo”, conclui.

(*) Com informações da BSCA

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EUA e Irã: tensão no Estreito de Hormuz mantém petróleo, dólar e Bolsa em alerta; entenda os efeitos no bolso do brasileiro

 

Após o anúncio de cessar-fogo, mercados seguem atentos aos efeitos do conflito sobre energia, câmbio e inflação; especialista explica como atravessar o cenário sem agir no impulso

Da Redação

Brasília – O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã foi estendido, mas a tensão no Estreito de Hormuz, principal rota global do petróleo, mantém os mercados em alerta, com reflexos sobre petróleo, dólar e Bolsa. O cenário já começa a impactar o bolso do brasileiro, com pressão sobre combustíveis, câmbio e inflação.

Segundo Fellipe Rabelo, especialista em investimentos e sócio cofundador da V2R Investimentos, o principal efeito desse tipo de tensão sobre os mercados é a volatilidade. “Quando há uma incerteza global, o mercado reage antes mesmo de os efeitos aparecerem. Petróleo, dólar e Bolsa funcionam como um termômetro do medo”, afirma.

O peso do Estreito de Hormuz ajuda a explicar essa reação. De acordo com a U.S. Energy Information Administration (EIA), a rota respondeu por cerca de 20,9 milhões de barris por dia no primeiro semestre de 2025, o equivalente a aproximadamente 20% do consumo global de líquidos de petróleo. Na projeção mais recente da agência, divulgada nesta semana, a possibilidade de interrupções relacionadas ao conflito sustenta um prêmio de risco sobre os preços do petróleo e mantém projeções mais altas para o Brent nos próximos meses.

O mercado brasileiro também reagiu a esse ambiente de incerteza. Segundo a B3, o Ibovespa renovou recorde de fechamento, acima dos 195 mil pontos, enquanto o dólar comercial caiu para R$ 5,06. O movimento refletiu, ao mesmo tempo, a reação inicial ao cessar-fogo e a cautela dos investidores diante da instabilidade no cenário externo.

Por que petróleo, dólar e Bolsa reagem primeiro

Na leitura de Fellipe, petróleo, dólar e Bolsa costumam responder antes porque concentram a percepção inicial de risco. O petróleo reage quando há ameaça sobre a oferta global. O dólar tende a ganhar força em momentos de busca por proteção. Já a Bolsa costuma refletir o aumento da aversão ao risco, com impacto sobre expectativas de crescimento e lucro.

No Short-Term Energy Outlook mais recente, a agência destacou que o fechamento de Ormuz e as paralisações associadas ao conflito são fatores centrais para sua nova projeção do petróleo. O Brent fechou março em média a US$ 103 e pode atingir US$ 115 no segundo trimestre, caso as disrupções persistam.

Como isso chega ao bolso do brasileiro

Para Fellipe, os efeitos chegam ao dia a dia do brasileiro por três canais principais:

  • Combustível, câmbio e inflação. O petróleo mais caro pressiona gasolina e diesel;
  • O dólar encarece importados, eletrônicos, alimentos e insumos industriais;
  •     A inflação em cadeia pode afetar transporte, alimentação e juros.

Para ele, isso significa que mesmo quem não investe diretamente no exterior pode sentir os efeitos de uma escalada geopolítica no custo de vida.

Os erros mais comuns do investidor em momentos de guerra

Na avaliação do especialista, o erro mais comum é agir no emocional. Entre os movimentos que ele considera mais prejudiciais estão vender tudo no pânico, correr atrás do ativo que já disparou e tentar prever o curto prazo como se fosse possível antecipar o desfecho da crise.

Segundo Fellipe, o que faz mais sentido em momentos assim é voltar ao básico: diversificação, disciplina, liquidez e visão de longo prazo.

Rabelo avalia que a carteira que tende a atravessar melhor esse tipo de turbulência é a que combina proteção e crescimento. Isso inclui exposição ao dólar e a ativos internacionais como proteção cambial, renda fixa de alta qualidade, ações globais bem selecionadas para o longo prazo e alguma exposição a commodities como ouro, petróleo e prata, que costumam funcionar como proteção em momentos de crise.

A orientação, segundo ele, é manter a liquidez, evitar movimentos bruscos e não deixar a emoção conduzir a tomada de decisão.

 

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As armadilhas de Orbán: os desafios da Hungria

Márcio Coimbra*

A queda de Viktor Orbán em Budapeste não sinaliza apenas uma alternância de poder, mas o início de uma complexa e exaustiva limpeza institucional. Péter Magyar herda um Estado capturado, onde o triunfo nas urnas revela-se a etapa mais simples diante de um “despotismo velado” que remodelou as bases do país ao longo de anos. Como alguém que acompanhou o cotidiano político do Leste Europeu, noto que o verdadeiro desafio é governar uma nação onde o Fidesz não apenas ocupou cargos, mas privatizou a própria estrutura estatal em benefício de uma oligarquia leal. Desmantelar esse aparato sem provocar um colapso administrativo exigirá uma destreza incomum na história política moderna.

O obstáculo mais urgente é a armadilha das fundações públicas de interesse comum. Este mecanismo transferiu ativos vitais — de universidades a parques industriais — para conselhos curadores com mandatos vitalícios compostos por ideólogos do antigo regime. Mesmo com maioria parlamentar, Magyar enfrentará uma guerrilha burocrática capaz de congelar investimentos e obstruir pautas essenciais. Para o novo primeiro-ministro, a limpeza institucional não é apenas uma promessa de campanha, mas uma questão de sobrevivência fiscal: sem recuperar o controle sobre esses ativos, o governo corre o risco real de deter o comando formal, mas não o leme da nação.

No cenário externo, o divórcio com a Rússia deixa de ser uma divergência diplomática para se tornar uma frente de guerra híbrida. A Hungria é perigosamente dependente da infraestrutura russa, simbolizada pela expansão da usina nuclear de Paks II e pelos contratos com a Gazprom. Para o Kremlin, a perda de seu “veto amigo” no Conselho Europeu é um prejuízo geopolítico inaceitável. A inteligência russa possui capacidade para instigar o caos através de ataques cibernéticos a serviços essenciais ou pela manipulação dos preços de energia para inflamar a opinião pública contra Magyar.

Simultaneamente, a relação com a China de Xi Jinping apresenta uma armadilha distinta. Sob Orbán, a Hungria tornou-se o hub europeu para gigantes como BYD e CATL, pilares do emprego e do PIB atual. Se Magyar alinhar-se às diretrizes de de-risking de Bruxelas, enfrentará o risco de uma retirada súbita de capital chinês, o que mergulharia o país em recessão. O desafio será renegociar contratos opacos, como a ferrovia Budapeste-Belgrado, assegurando à União Europeia que a Hungria deixou de ser um “Cavalo de Tróia”, sem alienar o investimento que sustenta a estabilidade macroeconômica.

Por fim, a variável mais sensível será a gestão das expectativas de uma população doutrinada por 16 anos em uma retórica de cerco e vitimização nacionalista. A armadilha de Orbán foi criar uma dependência psicológica entre sua imagem e a segurança nacional. Se Magyar falhar em entregar resultados econômicos rápidos ou se a reintegração à UE parecer uma submissão, o Fidesz — ainda poderoso e financiado — capitalizará o ressentimento. O sucesso desta era dependerá da capacidade de Magyar de oferecer um orgulho nacional que não precise de inimigos externos para existir. A Hungria de 2026 é o grande campo de provas da democracia: se Magyar triunfar, Budapeste voltará a ser o farol de liberdade de 1989, mas se falhar, provará a tese de Orbán de que o sistema liberal é incapaz de gerir as complexidades do século XXI.

*Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

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Lula celebra entrada em vigor do Acordo Mercosul-UE: nossas regiões disseram sim à integração para uma zona de livre comércio

Em declaração à imprensa após visita oficial a Hanôver, presidente destacou o início de uma nova etapa na parceria entre Mercosul e União Europeia e reforçou a cooperação com a Alemanha em áreas estratégicas como energia limpa, inovação e climaDa Redação (*)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (20/4), em Hannover, na Alemanha, que a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, marcada para 1º de maio, inaugura uma nova etapa na integração econômica entre os dois blocos e fortalece a cooperação estratégica entre Brasil e Alemanha em áreas como transição energética, inovação tecnológica e ação climática.

Em declaração à imprensa após reunião com o chanceler federal Friedrich Merz, Lula defendeu o acordo como símbolo da aposta conjunta no multilateralismo, na prosperidade compartilhada e em regras comerciais equilibradas.

Segundo Lula, “a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, no dia 1º de maio, abre espaço para uma parceria abrangente, que vai muito além do livre comércio. Estamos falando de um modelo de cooperação que valoriza e protege os trabalhadores, os direitos humanos e o meio ambiente.”

Durante a visita oficial à Alemanha, Lula participou da Feira Industrial de Hannover, do Encontro Econômico Brasil-Alemanha e da Reunião de Consultas Intergovernamentais de Alto Nível, agendas que consolidaram avanços em áreas estratégicas para os dois países. Os entendimentos firmados reforçam a parceria bilateral em setores como defesa, inteligência artificial, economia circular, infraestrutura sustentável e energias renováveis, além de ampliar a coordenação entre Brasil e Alemanha em defesa do multilateralismo e da transição ecológica.

ACORDO HISTÓRICO

Lula destacou que a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia é um passo decisivo para a diversificação das relações comerciais e o fortalecimento da resiliência econômica. “Por isso o Acordo Mercosul-União Europeia é tão importante e foi tão defendido por Brasil e Alemanha. Depois de 25 anos de negociações, nossas regiões disseram sim à integração para criar uma zona de livre comércio que reúne 720 milhões de pessoas e que soma um PIB de 22 trilhões de dólares”, explicou Lula.

Para o presidente, o acordo representa um modelo de integração que valoriza trabalhadores, direitos humanos e o meio ambiente. “Estamos mostrando ao mundo que ainda é possível trilhar o caminho da prosperidade comum […]. A entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, no dia 1º de maio, abre espaço para uma parceria abrangente, que vai muito além do livre comércio. Estamos falando de um modelo de cooperação que valoriza e protege os trabalhadores, os direitos humanos e o meio ambiente”, afirmou o presidente.

DEFENSORES DA INTEGRAÇÃO

O chanceler alemão, Friedrich Merz, também comemorou a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, classificando o Brasil e a Alemanha como defensores dessa integração. Ele afirmou ainda que a implementação do acordo deve impulsionar a colaboração em diversas áreas, como tecnologia e agricultura. “Fizemos parte daquele grupo que realmente insistiu que o acordo entrasse em vigor, então foi um êxito em comum. Entrando em vigor, vai fomentar cada vez mais a nossa cooperação na área de tecnologia, inteligência artificial, economia circular, agricultura, energia”, disse.

O chefe de governo alemão mencionou medidas para fortalecer os vínculos econômicos entre os países. “Para isso, definimos um catálogo de medidas e decidimos retomar as negociações em prol de um acordo para evitar tributação dupla e fortalecemos as nossas relações econômicas. Nós fortalecemos também a resiliência e diversificação econômica e essa é uma prioridade máxima nesse momento tão imprevisível no mundo”, afirmou o chanceler.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Brasil projeta ampliar comércio com a ASEAN e defende inclusão de bens manufaturados na pauta exportadora

Da Redação

Brasília – O governo dos Estados Unidos poderá divulgar nos próximos dias os resultados de duas investigações abertas contra o Brasil pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR , na sigla em inglês) sob a acusação de práticas desleais de comércio e de suposto uso de trabalho forçado na produção de itens exportados pelo Brasil. Caso o USTR julgue que há irregularidades, os Estados Unidos terão aval para ampliar sua retaliação ao Brasil, com imposição de tarifas extras, restrições à importação, suspensão de benefícios comerciais, entre outras medidas.

Nesse contexto desafiador, o governo brasileiro procura se antecipar a novas sanções americanas e busca reforçar as relações com tradicionais parceiros comerciais do Brasil, ao mesmo tempo em que procura explorar importantes oportunidades de parcerias comerciais com blocos de países como a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Uma maior aproximação com o bloco integrado por Singapura, Vietnã, Indonésia, Tailândia, Malásia, Filipinas, Mianmar, Camboja, Brunei e Laos é defendida pelo alto escalão do governo brasileiro e também pelas grandes companhias responsáveis pelo fluxo das exportações para os países do bloco. A ASEAN é hoje o quarto maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, União Europeia (com seus 27 estados-membros) e Estados Unidos.

Para o Brasil, é importante ampliar as relações comerciais e também a atração de investimentos com o bloco, explorando as complementaridades das suas economias e, também, deve-se buscar uma maior diversificação da pauta exportadora brasileira, fortemente concentrada em commodities agrícolas e minerais.

De janeiro a março deste ano, as exportações para a ASEAN somaram US$ 5,3 bilhões (queda de 1,8% comparativamente com o mesmo período de 2025) e corresponderam a 6,4% das vendas externas brasileiras. Por outro lado, as importações dos países asiáticos foram da ordem de US$ 3,0 bilhões (alta de 6,9%). A corrente de comércio (exportação+importação) totalizou US$ 8,3 bilhões e o intercâmbio gerou para o Brasil um superávit de US$ 2,3 bilhões.

Desequilíbrio nas pautas exportadoras

Além de aumentar o fluxo do comércio bilateral, aproveitando as complementaridades das economias brasileira e asiática, o governo brasileiro defende uma maior diversificação dos produtos embarcados para o bloco asiático. Produtos como aviões da Embraer e outros bens fabricados pelos setores mais avançados da indústria brasileira deveriam, na perspectiva de especialistas do MDIC, ser incorporados à pauta exportadora para esses países.

Enquanto essa mudança sequer é esboçada, as vendas para o bloco nos três primeiros meses deste ano se restringiram a produtos de baixo valor agregado. São eles: óleos combustíveis: US$ 882 milhões (participação de 15,8% no total embarcado); farelo de soja e outros alimentos para animais: US$ 792 milhões (participação de 15,0%); milho não moído: US$ 399 milhões (participação de 7,0%); minério de ferro: US$ 347 milhões (participação de 6,6%); e carne suína: US$ 352 milhões (participação de 6,1%).

Por outro lado, as exportações dos países da ASEAN para o Brasil envolvem apenas bens industrializados, de alto valor agregado e fundamentais para o desenvolvimento de uma economia como a brasileira. Os cinco principais produtos embarcados pelo bloco asiático para o Brasil foram equipamentos de telecomunicações (US$ 298 milhões); válvulas e tubos termiônicas (US$ 297 milhões); pneus de borracha (US$ 203 milhões); gorduras e óleos vegetais (US$ 150 milhões); e calçados (US$ 129 milhões).

Exportação e importação por países

Dados da Secex/MDIC mostram o Vietnã como principal parceiro comercial do Brasil na ASEAN, consideradas exportações e importações. Sob o prisma das exportações brasileiras, os valores e participação nas vendas do Brasil são os seguintes: Singapura: US$ 1,5 bilhão e participação de 28,0%; Vietnã: US$ 1,1 bilhão e participação de 20,0%; Indonésia: US$ 789 milhões e participação de 14,9%; Tailândia: US$ 708 milhões e participação de 13,4%; Malásia: US$ 622 milhões e participação de 11,8%; Filipinas: US$ 554 milhões e participação de  10,5%; Mianmar: US$ 68 milhões e participação de 1,3%; Camboja: US$ 9 milhões e participação de 0,2%; e Laos: US$ 4 milhões e participação de 0,1%.

Com exportações no total de US$ 1,1 bilhão, correspondentes a 34,8% dos embarques totais pelos países da ASEAN para o Brasil, o Vietnã foi o país que mais exportou para o Brasil nos três primeiros meses do ano. A seguir vieram a Tailândia (617 milhões); Indonésia (US$ 581 milhões); Malásia US$ 413 milhões; Singapura US$ 216 milhões; Filipinas US$ 81 milhões; Camboja US$ 65 milhões; Laos US$ 3,5 milhões e Mianmar US$ 3 milhões.

 

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Bruno Reis assume presidência da Embratur prometendo escuta, diálogo e parceria com o trade

A nomeação do novo presidente foi publicada nessa sexta-feira (17) em edição extraordinária do Diário Oficial da União, que também oficializa o ex-gerente de Gabinete, Bruno Villa, na função de diretor de Marketing, Negócios e Sustentabilidade da AgênciaDa Redação (*)

Da Redação (*) Brasília – O ex-diretor de Marketing Internacional, Negócios e Sustentabilidade da Embratur, Bruno Reis, foi oficializado, nesta sexta-feira (17), como novo presidente da Agência. A nomeação foi formalizada em decreto publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União (DOU) e confirma Reis como substituto de Marcelo Freixo, cuja exoneração do cargo havia sido publicada na edição do DOU de 31 de março.

A publicação trouxe, também, a nomeação de Bruno Villa, então gerente de Gestão de Gabinete de Freixo, como novo diretor de Marketing, Negócios e Sustentabilidade da Embratur. Agora presidente da Embratur, Bruno Reis define o momento como uma “oportunidade de dar continuidade a um trabalho coletivo” e ressalta o tamanho do desafio de manter o turismo internacional do Brasil em alta – o ano de 2025 quebrou todos os recordes, com 9,3 milhões de visitantes internacionais e injeção de US$ 7,9 bilhões na economia do país.

Confiança absoluta na indústria do Turismo

“Como bacharel em Turismo, entendo o tamanho da representação e da responsabilidade que temos aqui. Pretendo liderar com escuta, com diálogo e em parceria com o trade, para que consigamos continuar colaborando com a promoção internacional do Brasil de uma maneira muito profissional e assertiva. O Brasil inteiro está à disposição para que a Embratur possa atuar em conjunto”, afirmou Reis, que recordou sua trajetória até assumir a presidência.

“É gratificante quando a gente acredita, de fato, em uma realidade e em um propósito de que podemos mudar vidas. Eu sempre acreditei na indústria do Turismo, desde quando entrei na Embratur em 2005, há 21 anos, como estagiário. Muita gente me ajudou a chegar até aqui; as portas foram abertas por pessoas que acreditaram em mim e me ajudaram nesse processo, colaborando com meu desenvolvimento profissional. Espero que muitos estagiários pelo país inteiro possam se inspirar para também chegarem a posições de liderança”, completou o novo presidente.

Freixo destaca trabalho em equipe

Em sua despedida do cargo de presidente da Embratur, Marcelo Freixo agradeceu aos colaboradores e às parcerias pelo trabalho realizado durante os três anos e três meses de sua gestão. Ele também desejou sucesso ao sucessor Bruno Reis.

“Todo o trabalho que realizamos até aqui, que reposicionou o Brasil no mercado global do turismo e nos levou à conquista dos recordes históricos, precisa ter continuidade. A transição aponta nesse sentido, para que a Embratur siga avançando na missão de consolidar o crescimento do turismo internacional em nosso país. É motivo de orgulho que alguém que começou como estagiário na Embratur assuma agora a presidência da Agência”, disse Freixo.

“Bruno [Reis] tem amplo reconhecimento do mercado do turismo e capacidade de diálogo e construção coletiva. Conhece os desafios do turismo no Brasil e vai contribuir para aprimorar projetos estratégicos à frente da Agência”.

O novo diretor de Marketing Internacional, Negócios e Sustentabilidade, Bruno Villa, por sua vez, apontou para a importância de prosseguir com os projetos encabeçados nos últimos anos. “A nossa gestão à frente da DMINS será de continuidade, time que está ganhando não se muda. Nossa estratégia internacional tem sido extremamente bem sucedida, com uma sequência de recordes históricos que se traduzem em mais emprego, renda e oportunidades para os brasileiros”, disse Villa.

“Esses bons resultados fazem parte de uma estratégia ampla do governo Lula, que deu todas as condições para que o turismo seja um dos motores centrais da nossa economia, contribuindo inclusive para o desenvolvimento regional de todo país. Seguiremos trabalhando com base em inteligência de mercado, muito diálogo com o trade brasileiro e internacional e em permanente articulação com os gestores públicos dos municípios, estados e União”, completou.

Bruno Reis

O novo presidente da Embratur é bacharel em Turismo e tem mais de 20 anos de experiência em planejamento e implementação de projetos e programas para o desenvolvimento do setor nos segmentos nacional e internacional. Na Embratur, já desempenhou as funções de assistente, analista, coordenador de mercados e gerente de Mercados e Eventos Internacionais, antes de assumir a DMINS.

Com especialização em Administração e Marketing na Austrália, e também um curso de inovação e pensamento de futuro em Barcelona, o então diretor foi eleito como um dos 100 mais poderosos do turismo em 2020, 2021, 2022 (PANROTAS/ELO) e 2024 e, em 2018 recebeu o primeiro lugar do Prêmio Nacional do Turismo na categoria Marketing.

Bruno Reis já atuou no Ministério do Turismo (MTur), no Aeroporto RIOgaleão, além de ter presidido a Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur) e assumido a vice-presidência do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur).

Novo DMINS

Bruno Villa chegou à Agência no início da gestão de Freixo como gerente de Comunicação, em 2023, e, atualmente, atuava como gerente de Gestão de Gabinete do ex-presidente. Jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (2011), ele possui sólida trajetória nas áreas de comunicação institucional e gestão pública, com experiência acumulada em órgãos do Poder Legislativo e na administração federal.

Antes de assumir cargos de liderança na Embratur, Bruno Villa foi coordenador de Comunicação Institucional na Câmara dos Deputados (2019–2022) e na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (2013–2018), com atuação destacada na gestão de comunicação pública e relacionamento institucional.

(*) Com informações da Embratur

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MTur já habilitou 227 agências para receber turistas chineses; prazo final termina nesta sexta (17)

Iniciativa do Ministério do Turismo busca qualificar a oferta turística nacional para atender mercado estratégico

Da Redação (*)

Brasília – Termina nesta sexta-feira (17) o prazo para agências de turismo interessadas em atuar no planejamento e na recepção de turistas chineses no Brasil. Até esta quinta (16), 227 empresas haviam feito o cadastramento no chamamento público extraordinário aberto pelo Ministério do Turismo no final do mês passado.

A iniciativa acontece no momento em que o Brasil estuda adotar a política de reciprocidade de exigência de visto. Desde o ano passado, a China não exige o visto de turistas brasileiros.

A medida busca qualificar a oferta turística nacional de olho nesse mercado estratégico. As inscrições podem ser feitas apenas de forma online, neste link.

O resultado da seleção está previsto para ser divulgado no dia 27 de abril, tanto no Diário Oficial da União (DOU) quanto no portal do Ministério do Turismo na internet.

As empresas habilitadas terão validade de um ano para atuação, enquanto aquelas já aprovadas em chamamento anterior recente estarão dispensadas de nova inscrição.

“O fortalecimento das relações turísticas entre Brasil e China ganha mais um impulso com a abertura dessa nova frente de atuação para o setor privado”, afirmou o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, que ressaltou a celebração do Ano Cultural Brasil-China em 2026.

“A iniciativa representa mais um passo na estratégia de internacionalização do turismo brasileiro, ao criar condições para ampliar a presença de visitantes chineses no país e fortalecer a cooperação bilateral. Ao incentivar a qualificação e a organização do setor, o Ministério do Turismo contribui para tornar o Brasil ainda mais preparado para receber turistas de diferentes partes do mundo”, complementou.

(*) Com informações do MTur

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Macfrut 2026: fruticultura brasileira busca expandir as exportações nos mercados da Itália e Canadá

Da Redação (*)

Brasília – Produtores brasileiros participarão da Macfrut 2026, uma das principais feiras internacionais do setor frutícola, que acontecerá de 21 a 23 de abril, no Rimini ExpoCentre, na Itália. Na 43ª edição, o evento será ainda maior, mais internacional e inovador.

A participação brasileira integra as ações de promoção do projeto Frutas do Brasil, iniciativa de internacionalização da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Na Macfrut, os exportadores brasileiros terão a oportunidade de melhorar o entendimento do mercado de frutas e aumentar a rede de contato com os países do leste europeu e dos Balcãns, alinhados assim com a estratégia de diversificação dos destinos de exportação das frutas brasileiras.

Abacate e manga serão os grandes destaques do evento, razão pela qual será fundamental a presença da fruticultura brasileira que tem grande competitividade com essas espécies de frutas. A programação inclui iniciativas como o Avocado Day e o Mango Day, com rodadas de negócios, degustações e encontros estratégicos, oferecendo uma oportunidade qualificada de conexão com compradores internacionais e alinhamento às tendências globais do setor. Está planejada também uma série de visitas a cooperativas de produtores de frutas na região de Rimini-Itália onde os produtores-exportadores terão contato com novas tecnologias de produção e gestão da atividade frutícola.

Um olhar especial sobre o mercado do Canadá

Dando continuidade à estratégia de internacionalização, será realizada, na sequência, a missão Frutas do Brasil – Canadá 2026, que levará produtores e representantes do setor para uma agenda de promoção comercial, prospecção de mercado e fortalecimento de parcerias naquele país. A ação, que ocorrerá de 26 de abril a 01 de maio, tem como objetivo estreitar relações diretamente com importadores, distribuidores e redes varejistas canadenses.

A agenda inclui visitas técnicas a centros de distribuição e supermercados em Toronto, participação na CPMA Convention and Trade Show e presença na SIAL Canada, uma das principais feiras internacionais do setor de alimentos. O Canadá já se destaca como um mercado relevante para a fruticultura brasileira. Em 2025, o país importou 31,8 mil toneladas de frutas do Brasil, movimentando cerca de US$ 39,1 milhões.

Entre os principais produtos exportados estão manga, melão, melancia e uva, que se destacam pela qualidade, regularidade de oferta e aceitação no mercado internacional. Os números evidenciam uma relação comercial já consolidada, mas com potencial de expansão considerando a demanda crescente por frutas tropicais brasileiras em um país que somente produz frutas de clima temperado.

A missão tem também o objetivo de validar as tendências de consumo, demandas específicas e oportunidades de ampliação das exportações brasileiras identificadas nos estudos de inteligência comercial. Para o gerente técnico da Abrafrutas, Jorge de Souza, o aumento das exportações diretas para o Canadá contribui significativamente para a estratégia do setor de aumentar as exportações brasileiras de frutas frescas na América do Norte.

“Essa missão nos permite entender com mais profundidade as demandas e particularidades do mercado canadense. Será uma oportunidade importante para aumentar e consolidar os relacionamentos comerciais com os importadores daquele país”.

Para o gerente comercial da empresa Dom Vicente, Welligton Pathric, a iniciativa representa uma oportunidade concreta de expansão de mercado. “A proposta é estabelecer novas conexões com o mercado canadense, com foco na expansão e descentralização da operação de limão, aproveitando de forma estratégica essa janela de mercado, ainda que curta, na América do Norte”, afirma.

(*) Com informações da Abrafrutas

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Comércio Brasil-Canadá inicia 2026 em forte expansão e exportações brasileiras atingem o maior valor da série histórica

Resultado do primeiro trimestre reflete demanda global por ouro e reconfiguração das cadeias de suprimento de fertilizantes

Da Redação (*)

Brasília – O comércio Brasil e Canadá começou 2026 em expansão, com destaque para o desempenho das exportações brasileiras, que atingiram US$ 1,83 bilhão no primeiro trimestre. É o maior valor já registrado na história para o período. Os dados são do Quick Trade Facts (QTF), levantamento da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).

O resultado confirma a continuidade da trajetória de crescimento do intercâmbio bilateral, mesmo em um ambiente internacional marcado por instabilidade geopolítica e ajustes nas cadeias globais de suprimento por conta de conflitos mundiais. No período, a corrente de comércio avançou 10%, impulsionada principalmente pela forte alta das importações brasileiras, que cresceram 37% e somaram US$ 755 milhões. O saldo comercial permaneceu favorável ao Brasil, em US$ 1,08 bilhão.

A participação do Canadá em relação a todas as exportações brasileiras ficou em 2,2%, percentual estável em relação ao mesmo período do ano anterior. Nas importações houve ganho de relevância, subindo para 1,11%, indicando maior presença de produtos do país norte-americano no mercado brasileiro.

Demanda por ouro sustenta desempenho das exportações

O principal vetor das exportações brasileiras no trimestre foi novamente o ouro, cuja demanda internacional se intensificou diante de um cenário de maior aversão ao risco. A busca por ativos considerados seguros tem favorecido produtores globais, entre eles o Brasil, que mantém posição relevante no fornecimento do metal ao mercado canadense.

Além do setor mineral, a pauta exportadora contou com contribuições importantes de segmentos tradicionais, como agronegócio e indústria. Produtos como café, açúcar, carne bovina e aeronaves continuaram presentes no fluxo comercial, ainda que parte deles tenha apresentado desempenho mais moderado em comparação ao observado ao longo de 2025.

Item Jan-Mar 2026 – Valor FOB US$ Variação Jan-Mar 2026/2025 – Valor FOB (US$) Valor FOB (US$) Jan-Mar 2025
Bulhão dourado (bullion doré), em formas brutas, para uso não monetário 1.060.339.268 70% 623.520.207
Alumina calcinada 294.883.716 -45% 535.166.345
Café não torrado, não descafeinado, em grão 56.691.314 -24% 74.642.987
Outros açúcares de cana 37.772.962 -59% 92.732.039
Outros aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 15.000kg, vazios 32.125.107 -49% 62.971.362
Minérios de níquel e seus concentrados 26.589.165 18% 22.558.650
Carnes desossadas de bovino congeladas 17.419.296 171% 6.417.916
Bauxita não calcinada (minério de alumínio) 17.067.321 22% 13.985.531
Café solúvel, mesmo descafeinado 13.505.712 49% 9.074.557
Querosenes de aviação 12.319.766 35% 9.156.608
Transformadores de dielétrico liquido, de potencia superior a 10.000 Kva 12.031.200 25% 9.639.902
Outros produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado, de seção transversal retangular, que contenham, em peso, menos de 0,25% de carbono 8.893.179 -58% 21.414.477
Outros carregadoras e pá carregadoras, de carregamento frontal 8.434.634 51% 5.587.919
Outros niveladores 8.356.363 -15% 9.832.933
Outras carnes de suíno, congeladas 7.489.101 36% 5.501.887

“O desempenho do trimestre foi fortemente concentrado no ouro, refletindo um contexto internacional de maior aversão ao risco”, afirma Beatriz Calegare, gerente executiva de Desenvolvimento de Negócios e de Inteligência de Mercado da CCBC. “Ao mesmo tempo, observa-se uma acomodação em outros produtos com vendas mais tradicionais que haviam se beneficiado de condições específicas no ano passado”, emendou.

Importações crescem com fertilizantes

Do lado das importações, o avanço expressivo no trimestre foi puxado sobretudo pelos fertilizantes, que representaram cerca de 44% do total adquirido pelo Brasil e registraram crescimento significativo no período.

A expansão está associada, em grande medida, às disrupções recentes no mercado global desses insumos. Tensões envolvendo Estados Unidos e Irã impactaram rotas logísticas relevantes para o escoamento de fertilizantes produzidos no Oriente Médio e na Ásia, redirecionando parte da demanda para fornecedores alternativos. Nesse contexto, o Canadá ganhou protagonismo por contar com uma estrutura produtiva menos dependente dessas regiões.

“O crescimento das importações no trimestre desta vez foi puxado principalmente pelos fertilizantes, em um contexto de restrições na oferta global e redirecionamento de fluxos comerciais”, ressalta Calegare.

Item Jan-Mar 2026 – Valor FOB US$ Variação Jan-Mar 2026/2025 – Valor FOB (US$) Valor FOB (US$) Jan-Mar 2025
Outros cloretos de potássio 356.754.837 78% 200.477.876
Turborreatores de empuxo superior a 25kN 43.818.309 5% 41.720.000
Helicópteros, de peso não superior a 2.000kg, vazios 24.809.516 37,% 18.013.563
Cloreto de potássio, com teor de óxido de potássio (K20) não superior a 60%, em peso 21.196.001 504,1% 3.508.915
Enxofre de qualquer espécie, exceto enxofre sublimado, o precipitado e o coloidal, a granel 20.606.463 204,7% 6.762.416
Outros medicamentos contendo compostos de heterocíclicos heteroátomos nitrogenados 20.066.077 52,1% 13.192.263
Cortadores de carvão ou de rocha, autopropulsados 19.283.931 246,4% 5.566.677
Helicópteros, de peso inferior ou igual a 3.500 kg 18.825.740
Aviões e outros veículo aéreos, a turbojato, 7000 kg < peso <+ 1500 kg, vazios 16.804.782
Hulha betuminosa, não aglomerada 11.824.903
Outros medicamentos com compostos heterocíclicos, etc, em doses 11.485.322 182,2% 4.069.443
Partes de turborreatores ou de turbopropulsores 11.454.705 -49,3% 22.604.637
Trens de aterrissagem e suas partes, para veículos aéreos, etc 6.777.773 85,9% 3.644.979
Outras máquinas e aparelhos para agricultura, horticultura, etc 5.777.153 67,9% 3.440.678
Outros aparelhos para filtrar ou depurar gases 5.064.724 5286,7% 94.022

Além dos fertilizantes, destacaram-se as compras de itens da indústria química e farmacêutica, máquinas e equipamentos industriais, bem como produtos do setor aeronáutico, segmentos diretamente ligados à atividade produtiva no Brasil.

Serviço:

Acesse dados completos e análises no estudo da CCBC: Quick Trade Facts.

(*) Com informações do CECB

O post Comércio Brasil-Canadá inicia 2026 em forte expansão e exportações brasileiras atingem o maior valor da série histórica apareceu primeiro em Comex do Brasil.