Gastos de turistas estrangeiros no Brasil totalizam R$ 20,2 bilhões no primeiro quadrimestre do ano

Resultado de abril também foi maior: R$ 4,19 bilhões, crescimento de 1,2% na comparação com o mesmo mês de 2025

Da Redação (*)

Brasília – Os gastos de turistas estrangeiros no Brasil aumentaram no primeiro quadrimestre de 2026 e atingiram R$ 20,2 bilhões, o que representa um aumento de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as despesas, de janeiro a abril, atingiram R$ 18,5 bilhões, segundo dados do Banco Central.

Analisando apenas o mês de abril, os turistas internacionais injetaram R$ 4,19 bilhões na economia brasileira, um crescimento de 1,2% na comparação com abril de 2025, quando os valores alcançaram R$ 4,14 bilhões.

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, celebrou os bons números. “O turismo brasileiro vive um momento especial, com estatísticas positivas em todos os segmentos. Nossa atuação na busca por turistas de outros países tem sido intensa. Mais do que movimentar aeroportos, hotéis e restaurantes, o turismo brasileiro transforma a realidade de milhares de brasileiros e brasileiras”, afirmou.

A divulgação do aumento dos gastos de turistas estrangeiros coincide com uma série de agendas do ministro na China, onde tem promovido ações em busca de atrair turistas chineses para o Brasil.

Aérea chinesa anuncia novas rotas para o Brasil

Nesta segunda-feira (25), em Xangai, Feliciano iniciou negociações com a China Eastern, uma das três maiores companhias aéreas estatais do país, para a abertura de rotas entre as duas nações. Durante o encontro, ele também apresentou propostas de cooperação para ampliar a presença do Brasil nas plataformas da companhia, incluindo a exibição de filmes nacionais nos voos da empresa.

O ministro avançou ainda nas tratativas com a CTrip, uma das maiores plataformas digitais de viagem do mundo, durante encontro com representantes da empresa, em Xangai. A proposta é que os destinos brasileiros sejam divulgados na plataforma da empresa, com foco em atrair mais turistas chineses ao Brasil, principalmente após as oportunidades decorrentes da isenção recíproca de visto entre os dois países.

Ele também se reuniu com a Associação das Agências de Viagem da China, entidade que conta com mais de 3 mil empresas. O objetivo do Ministério do Turismo é ampliar a visibilidade dos destinos brasileiros e facilitar a conexão com operadores capazes de promover o Brasil para o público chinês.

(*) Com informações do MTur

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Petróleo, fertilizantes e carros lideram o ranking dos produtos mais importados em abril; confira o top 10 segundo a B2Gether

Pesquisa realizada pela B2Gether, por meio da plataforma Comex Stat, revela quais são os produtos mais importados pelo Brasil no mês passado

Da Redação (*)

Brasília – Os óleos combustíveis de petróleo formam a categoria de produtos com o maior volume de importações do Brasil no último mês. A compra desses materiais — que também envolve óleos de minerais betuminosos e não inclui os óleos brutos — registrou mais de US$ 1,5 bilhão (Valor FOB) em abril, representando 6,46% do total importado pelo país.

Outra categoria que se destacou no mês anterior foi a dos adubos ou fertilizantes químicos, com exceção dos fertilizantes brutos. A importação desses produtos envolveu um volume de US$ 1,26 bilhão, sendo responsável por 5,3% de todas as importações brasileiras no mês e ficando no segundo lugar do ranking.

Na terceira posição dos mais importados aparecem os veículos automóveis de passageiros, cuja compra do exterior movimentou US$ 1,24 bilhão com uma participação de 5,29% em relação ao total importado no período.

Os dados foram extraídos da pesquisa da empresa de câmbio B2Gether sobre os produtos mais importados no ano, realizada por meio da plataforma Comex Stat, do Governo Federal.

Veja, a seguir, o ranking dos 10 produtos mais importados pelo Brasil no mês de abril:

1 – Óleos combustíveis (refinados) | Valor FOB: US$ 1,5 bilhão

2 – Adubos ou fertilizantes químicos | Valor FOB: US$ 1,26 bilhão

3 – Veículos automóveis de passageiros | Valor FOB: US$ 1,24 bilhão

4 – Partes e acessórios dos veículos automotivos | Valor FOB: US$ 855 milhões

5 – Válvulas e componentes eletrônicos (diodos, transistores) | Valor FOB: US$ 812 milhões

6 – Outros medicamentos (incluindo veterinários) | Valor FOB: US$ 751 milhões

7 – Compostos químicos avançados | Valor FOB: US$ 733 milhões

8 – Medicamentos e produtos farmacêuticos | Valor FOB: US$ 692 milhões

9 – Óleos brutos de petróleo | Valor FOB: US$ 663 milhões

10 – Equipamentos de telecomunicações | Valor FOB: US$ 554 milhões

(*) Com informações da B2Gether

 

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Superávit comercial ultrapassa US$ 30 bilhões até a 3ª. semana de abril com alta nas exportações e importações

 

No mês, as exportações somam US$ 23,5 bi e as importações, US$ 17,8 bi, com saldo positivo de US$ 5,7 bi e corrente de comércio de US$ 41,3 bi

Da Redação (*)

Brasília – Na 3ª semana de maio de 2026, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,5 bilhão e corrente de comércio de US$ 13,5 bilhões, resultado de exportações no valor de US$ 7,5 bilhões e importações de US$ 6 bilhões.

No mês, as exportações somam US$ 23,5 bilhões e as importações, US$ 17,8 bilhões, com saldo positivo de US$ 5,7 bilhões e corrente de comércio de US$ 41,3 bilhões.

No ano, as exportações totalizam US$ 140 bilhões e as importações, US$ 109,6 bilhões, com saldo positivo de US$ 30,4 bilhões e corrente de comércio de US$ 249,6 bilhões. Esses e outros resultados foram divulgados nesta segunda-feira (25/5), pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Nas exportações, comparadas as médias até a 3ª semana de maio/2026 (US$ 1,565 bilhões) com a de maio/2025 (US$ 1,424 bilhões), houve crescimento de 9,9%. Em relação às importações houve crescimento de 9,2% na comparação entre as médias até a 3ª semana de maio/2026 (US$ 1,188 bilhões) com a do mês de maio/2025 (US$ 1,088 bilhões).

Assim, até a 3ª semana de maio/2026, a média diária da corrente de comércio totalizou US$ 2.754,6 milhões e o saldo, também por média diária, foi de US$ 376,79 milhões. Comparando-se este período com a média de maio/2025, houve crescimento de 9,6% na corrente de comércio.

Exportações importações por Setor

No acumulado até a 3ª semana do mês de maio/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores exportadores pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 65,17 milhões (18,5%) em Agropecuária e de US$ 111,89 milhões (15,4%) em produtos da Indústria de Transformação; houve queda de US$ 37,56 milhões (11,1%) em Indústria Extrativa.

No acumulado até a 3ª semana do mês de maio/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores importadores pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 1,37 milhões (3,0%) em Indústria Extrativa e de US$ 98,79 milhões (9,8%) em produtos da Indústria de Transformação; houve queda de US$ 1,31 milhões (5,5%) em Agropecuária.

(*) Com informações da Secex/MDIC

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Pirataria marítima registra 137 casos em 2025 e acende alerta no comércio global, diz ICC

Ataques contra navios e mudanças de rota ampliam custos logísticos em um setor que movimenta mais de 80% do comércio mundial 

Da Redação (*)

Brasília – A pirataria moderna deixou de ser um problema restrito à segurança naval e passou a afetar diretamente a logística internacional, os custos de transporte e a previsibilidade das cadeias de suprimentos. O International Maritime Bureau, da International Chamber of Commerce (ICC), registrou 137 incidentes contra navios em 2025. Do total de ocorrências, 121 embarcações foram abordadas, quatro foram sequestradas e dez foram alvo de tentativas de ataque.

Os dados dimensionam o problema, já que foram reportados 116 casos em 2024 e 120 em 2023, indicando aumento progressivo. Os ataques em alto-mar geram prejuízos milionários, elevam custos de seguro e frete e obrigam empresas a rever rotas para proteger cargas, navios e tripulações.

A pirataria contemporânea envolve grupos organizados, com uso de embarcações rápidas, armamentos e tecnologia de rastreamento, de acordo com o portal especializado Modal Connection. Além do roubo de mercadorias, combustíveis e cargas de alto valor, há casos em que o próprio navio e a tripulação passam a ser usados como instrumentos de extorsão.

Embora a maior parte dos casos de 2025 tenha sido classificada como de baixo nível, a violência contra tripulantes é um ponto de atenção. De acordo com o ICC, 46 tripulantes foram mantidos reféns, 25 foram sequestrados, dez foram ameaçados, quatro ficaram feridos e três foram agredidos. O relatório também indica aumento no uso de armas de fogo, registradas em 42 incidentes no ano passado.

As áreas de risco também explicam por que o tema preocupa operadores logísticos, seguradoras e empresas de comércio exterior, com impacto direto nos custos. Os Estreitos de Singapura concentraram o maior número de ocorrências, com 80 incidentes, representando 58% dos casos do ano passado, segundo o ICC.

Transporte marítimo responde por 80% do comércio mundial

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) aponta que o transporte marítimo movimenta mais de 80% do comércio mundial de mercadorias. Os redirecionamentos de longa distância provocados por tensões geopolíticas mantiveram os navios por mais tempo em operação, com crescimento de quase 6% em toneladas-milha em 2024. Os fretes também ficaram mais voláteis, de acordo com a UNCTAD, especialmente após a crise do Mar Vermelho em 2024.

Com isso, a proteção de carga deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a fazer parte da estratégia de competitividade da logística internacional, já que existe grande dependência do modal marítimo.

No Brasil, isso deve ser visto com atenção. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) mostram que o setor aquaviário movimentou 1,4 bilhão de toneladas de cargas em 2025, crescimento de 6,1% sobre o ano anterior. A navegação de longo curso, diretamente ligada ao comércio internacional, respondeu por 1,01 bilhão de toneladas no período.

(*) Com informações da ICC

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Porto de Santos segue sua rotina e bate novo recorde de movimentação de cargas: 59,3 milhões de toneladas no 1º. quadrimestre

Nos primeiros quatro meses do ano, houve crescimento de 6,6% ante o mesmo período do ano passado

Da Redação (*)

Brasília – O Porto de Santos não para de registrar recordes. Em abril de 2026, a movimentação de cargas atingiu 16,5 milhões de toneladas, recorde para esse mês, com aumento de 11,5% em relação a abril de 2025. No acumulado do ano, foi registrado um crescimento de 6,6%, com 59,3 milhões de toneladas, a melhor marca para um primeiro quadrimestre da série histórica.

No último mês de abril, a movimentação de contêineres chegou a 508,7 mil TEU, aumento de 10,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, também a melhor marca histórica para abril. No acumulado do quadrimestre, os 1,91 milhões de TEU representam um crescimento de 5,4% na comparação com 2025. TEU é a medida padrão para contêineres.

A movimentação de granéis líquidos acumulou 6,6 milhões de toneladas nos quatro primeiros meses – um aumento de 10,1% comparado ao mesmo período de 2025 e novo recorde para um primeiro quadrimestre. Em abril, foi movimentado 1,7 milhão de toneladas. Os destaques do primeiro quadrimestre foram os aumentos do embarque de diesel, óleo combustível e gasolina: +27,9%, +23,9% e +15,8%, respectivamente.

Os granéis sólidos chegaram ao acumulado de 29,2 milhões de toneladas no primeiro quadrimestre de 2026 (+8,2% sobre 2025), outro recorde para o período. Soja em grãos (54,8%), açúcar (+16%) e soja peletizada (12%) apresentaram os maiores crescimentos. No mês de abril, a movimentação de granéis sólidos avançou 16,2% ante abril de 2025.

Importância do Porto de Santos para o Brasil

A participação acumulada do Porto de Santos na corrente comercial brasileira foi de 28,5% no acumulado dos primeiros quatro meses do ano. No período, a China ampliou a sua condição de principal parceiro comercial: cerca de 31,9% das transações comerciais nacionais com o exterior que passaram pelo Porto de Santos tiveram o país asiático como origem ou destino – o valor movimentado no primeiro quadrimestre chegou a US$ 18,98 bilhões (ante US$ 6,27 bilhões transacionados com os EUA, o segundo maior parceiro).

São Paulo foi o estado com maior participação nas transações comerciais com o exterior por meio do Porto de Santos no primeiro trimestre de 2026. Foram US$ 30,3 bilhões, correspondentes a 50,9% do total.

(*) Com informações da Autoridade Portuária de Santos

 

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Brasil amplia presença no mercado latino-americano com inscrições abertas para a ExpoCruz 2026

 

Brasil amplia presença no mercado latino-americano com inscrições abertas para a ExpoCruz 2026

Empresas brasileiras interessadas em expandir negócios no mercado internacional poderão participar da maior feira multissetorial da América Latina com apoio financeiro, consultorias e espaço no pavilhão brasileiro

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) está com inscrições abertas para a participação de empresas brasileiras na ExpoCruz, a maior feira multissetorial da América Latina.O evento será realizado entre os dias 18 e 27 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, reunindo milhares de marcas e setores produtivos para rodadas de negócios e exposição de produtos.

A iniciativa pretende ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado internacional, principalmente latino-americano, promovendo oportunidades de negócios, networking e visibilidade para marcas nacionais de setores como: alimentos, bebidas e agronegócio; indústria e serviços; máquinas e equipamentos; artigos para o lar, casa e construção; têxtil; artigos para mercado pet; beleza, higiene e cuidados pessoais; insumos agrícolas e setor varejista supermercadista. Para essa edição, empresas selecionadas pela ApexBrasil farão parte do pavilhão brasileiro com espaços para networking e geração de negócios, e vão participar de webinars de preparação e consultoria individual antes e depois da feira.

Além disso, micro e pequenas empresas contarão com apoio financeiro, que inclui passagem aérea e hospedagem. Serão contempladas até 10 micro, pequenas e médias empresas brasileiras com reembolso de até 20 mil reais, conforme categorias de despesas especificadas no regulamento. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser realizadas neste link, até o dia 14 de junho. Outros serviços e condições de participação podem ser consultados no Regulamento.

Com o objetivo de aumentar a participação feminina no mercado internacional e promover o reconhecimento de empresas lideradas por mulheres na base exportadora brasileira, a seleção de participantes contará com critérios que incentivam a diversidade e a inclusão, por meio de pontuação extra.

Resultados ExpoCruz 2025

Na edição anterior da ExpoCruz, a participação brasileira apresentou resultados expressivos, reforçando o potencial da feira como plataforma estratégica no contato das empresas com o mercado latino. Ao todo, 23 empresas participaram da iniciativa, gerando 1.198 contatos comerciais e uma estimativa de negócios de US$ 5,14 milhões. Os resultados evidenciam o alto nível de interesse dos compradores por produtos brasileiros e a efetividade das ações de promoção comercial conduzidas no âmbito evento.

Serviço – ExpoCruz 2026 
Local: Santa Cruz de la Sierra – Bolívia
Data da feira: 18 a 27 de setembro de 2026
Prazo de inscrição: até 14 de junho de 2026
Público-alvo: micro, pequenas e médias empresas brasileiras dos setores elegíveis
Benefício: reembolso de até R$ 20 mil, conforme regulamento
Mais informações: Regulamento

IInscrições: clique aqui.

(*) Com informações da ApexBrasil

 

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Da operação à estratégia: como a tecnologia redefiniu o supply chain

Alexandra Fuzari (*)

Como o Supply Chain deixou de ser apenas execução para virar o motor estratégico das empresas? Conheça o papel da tecnologia, os impactos do nearshoring e o novo baseline de decisão em tempo real.

Ao longo da minha carreira, vi o Supply Chain evoluir de uma função operacional para um diferencial competitivo estratégico. Nos últimos 30 anos, o comércio exterior deixou de ser apenas uma engrenagem de execução e se tornou um dos principais motores de vantagem nas organizações globais. A tecnologia não apenas acompanhou essa transformação, ela foi a protagonista.

Nos anos 90, com a abertura econômica e a expansão dos acordos comerciais, o comércio internacional cresceu aceleradamente. Foi o início da digitalização, onde os ERPs integraram compras, estoque e finanças, enquanto os documentos físicos começaram a ser substituídos por transmissões eletrônicas. Os ganhos de velocidade e controle foram claros, mas, naquele momento, o foco ainda era otimizar a execução e não a estratégia.

Na década de 2000, a globalização ganhou escala. As cadeias produtivas cruzaram continentes e ferramentas como MRP e APS passaram a orquestrar operações complexas. Pela primeira vez, era possível tomar decisões quase em tempo real, como programar a produção na Ásia com base na demanda da América do Norte. O efeito colateral foi a criação de cadeias eficientes, porém extremamente dependentes.

A complexidade aumentou com a multiplicação de fornecedores e lead times voláteis. Softwares como WMS e TMS surgiram para trazer controle logístico e rastreabilidade, mas a maioria das operações ainda trabalhava de forma reativa, sem conseguir se antecipar aos problemas.

Nos anos 2010, o avanço do e-commerce elevou o nível de exigência. Volume, velocidade e previsibilidade passaram a ser obrigações básicas. A rastreabilidade em tempo real se tornou essencial e as APIs permitiram integrar clientes, fornecedores e operadores, possibilitando a visibilidade de ponta a ponta. No entanto, visibilidade sem capacidade de decisão ainda não gera vantagem competitiva real.

Então veio 2020. A pandemia não criou fragilidades, ela apenas expôs as que já existiam. Em uma das operações que liderei, sofremos uma ruptura de planejamento por falta de um único componente eletrônico vindo da China. Um único item parou toda a cadeia.

Cadeias muito otimizadas colapsaram e a dependência de regiões específicas resultou em escassez e custos logísticos explosivos. Empresas focadas exclusivamente em eficiência pagaram um preço alto. Ficou claro que o sucesso não dependia de quem tinha o melhor plano, mas de quem conseguia se adaptar com mais agilidade. Analytics, simulação de cenários e dados em tempo real deixaram de ser diferenciais para virarem itens de sobrevivência. A lição foi direta: eficiência sem resiliência não se sustenta.

Embora vivamos uma clara reconfiguração das cadeias globais com a regionalização, o nearshoring e a diversificação de fornecedores, o maior desafio atual do Supply Chain não é a rede física, mas a qualidade e a velocidade da decisão baseada em dados. Equilibrar custo, risco e nível de serviço virou uma constante para os executivos da área, que não podem mais se guiar por intuição ou histórico, mas pela precisão de dados atualizados.

Nesse cenário, a automação deixou de ser apenas uma alavanca de produtividade para se tornar um mecanismo de inteligência. Hoje, automatizar significa:

  • prever rupturas antes que aconteçam
  • simular múltiplos cenários em minutos
  • tomar decisões com mínima intervenção humana
  • reagir à disrupção em escala global

Enquanto muitas empresas ainda operam com a mentalidade dos anos 2000, o mercado atual exige decisões no ritmo dos anos 2020, gerando uma perda de competitividade silenciosa que corre o risco de se tornar irreversível. A realidade é que a tecnologia deixou de ser um diferencial para virar o ponto de partida, mudando o valor real para a velocidade com que as organizações utilizam essas ferramentas para decidir melhor.

Não estamos mais competindo apenas por custo. Estamos competindo por velocidade de adaptação, qualidade da decisão e capacidade de antecipação.

É isso que define o novo papel do Supply Chain.

Fica a reflexão: sua operação está estruturada para executar com eficiência ou para decidir com inteligência em um ambiente de constante disrupção?

(*) Alexandra Fuzari – Embaixadora da Comunidade  Comex Pulse Comum

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O que mantém China e Rússia tão próximas?

Allan Gallo (*)

A relação entre China e Rússia costuma ser tratada como uma aliança improvisada contra o Ocidente, e, embora essa seja uma leitura confortável, ela é insuficiente. O que existe entre Pequim e Moscou é uma convergência estratégica em que a Rússia funciona, cada vez mais, como retaguarda continental, diplomática e energética da ascensão chinesa.

Fato é que, em 2026, a China não precisa da Rússia para se tornar uma potência, mas continua precisando de um ambiente internacional menos hostil para sustentar sua ascensão. É nesse ponto que Moscou se torna útil, oferecendo a Pequim profundidade geopolítica, apoio em temas sensíveis, como Taiwan, e coordenação regional na Ásia Central. Para um país cercado por disputas marítimas no Indo-Pacífico, não ter a Rússia como inimiga já representa um ativo estratégico relevante.

Outro ponto importante é que Moscou aceita a visão chinesa de soberania, na qual estabilidade interna e não intervenção externa prevalecem sobre agendas ocidentais de democratização e direitos humanos. Para Pequim, isso tem enorme valor estratégico, sobretudo porque a Rússia oferece respaldo político e uma linguagem comum baseada em ordem, estabilidade e resistência à hegemonia americana.

Existe também uma complementaridade econômica bastante interessante, pois a China compra energia, matérias-primas e segurança de abastecimento da Rússia. O Petróleo, o gás e o carvão russos reduzem significativamente a vulnerabilidade chinesa diante de eventuais crises marítimas, sobretudo porque, em um cenário de tensão prolongada no Pacífico, possuir um grande fornecedor continental de energia deixa de ser mera questão logística para se tornar elemento central de segurança estratégica.

Do lado russo, a dependência cresce de maneira evidente, já que, isolada do Ocidente e pressionada por sanções, Moscou passou a precisar de Pequim muito mais do que Pequim necessita de Moscou. A Rússia ainda preserva peso diplomático e recursos naturais, mas a China concentra escala econômica, indústria e horizonte estratégico de longo prazo.

Por isso, chamar essa relação simplesmente de “aliança antiamericana” é empobrecer o fenômeno. A Rússia ajuda a China a ampliar seu alcance global sem que Pequim precise assumir todos os custos da confrontação direta. Moscou tensiona, bloqueia, provoca e desgasta. Pequim observa, negocia, compra e avança. É uma divisão de tarefas bastante conveniente.

O erro do Ocidente é imaginar que essa aproximação seja passageira ou mero produto da guerra na Ucrânia, quando, na realidade, ela nasce de interesses estruturais bastante claros, já que a China vê na Rússia uma peça útil para acelerar a transição para uma ordem menos centrada nos Estados Unidos, enquanto Moscou enxerga em Pequim uma forma de evitar a própria irrelevância.

(*) Allan Gallo, professor de Economia e Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (MackLiber)

 

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Empresas revisam custos financeiros no comércio exterior e mudam relação com bancos

Da Redação (*)

Brasília – Com margens mais apertadas no comércio exterior, empresas brasileiras passaram a olhar com mais atenção para custos financeiros que antes ficavam diluídos na rotina de importação e exportação. Diferenças entre a cotação informada e o valor efetivamente pago, tarifas cobradas durante transferências internacionais e atrasos em pagamentos estão entre os pontos que passaram a pesar mais no caixa de importadores e exportadores.

Em muitos casos, os custos aparecem de forma fragmentada e acabam passando despercebidos ao longo do processo. Empresas que realizam pagamentos frequentes ao exterior passaram a acompanhar mais de perto tarifas bancárias, prazos de liquidação e valores recebidos por fornecedores internacionais.

Empresas passam a questionar custos das transferências internacionais

Esse cenário também mudou a relação das empresas com os serviços financeiros usados no comércio exterior. Nos últimos anos, fintechs especializadas em pagamentos internacionais passaram a crescer entre importadores e exportadores ao oferecer processos mais digitais e maior visibilidade sobre valores cobrados nas transferências.

A procura por esse tipo de serviço aumentou principalmente entre empresas que passaram a questionar cobranças consideradas pouco transparentes em modelos bancários tradicionais, como tarifas aplicadas em diferentes etapas do envio internacional e custos que nem sempre aparecem de forma clara no início da transação.

Além do custo final, fatores como prazo de pagamento, acompanhamento das transferências e facilidade na rotina financeira passaram a influenciar mais a escolha de parceiros financeiros.

Financeiro internacional ganha mais espaço nas decisões das empresas

O tema também deixou de ficar restrito às áreas financeiras. Em empresas com atuação internacional, pagamentos ao exterior, recebimentos internacionais e organização financeira passaram a fazer parte das decisões ligadas ao próprio planejamento do negócio.
Ao mesmo tempo, aumentou a procura por serviços ligados à conformidade regulatória. Com mais empresas atuando fora do país, cresceram também as demandas relacionadas a declarações obrigatórias, capital mantido no exterior e organização patrimonial.

Contas internacionais e sourcing avançam entre importadores

Outro movimento observado no setor é o aumento da procura por contas bancárias internacionais, principalmente nos Estados Unidos e em Portugal. A estrutura vem sendo usada para facilitar recebimentos, agilizar pagamentos a fornecedores e reduzir etapas intermediárias nas negociações internacionais.

Na cadeia de suprimentos, importadores também passaram a recorrer mais a serviços de intermediários.

No segmento logístico, a consolidação de cargas continua sendo uma alternativa para empresas sem volume suficiente para ocupar contêineres completos. O compartilhamento de espaço e a centralização de armazenagem e conferência têm permitido reduzir custos e melhorar a previsibilidade dos embarques.

Remessa Online amplia atuação no comércio exterior

O avanço das fintechs no comércio exterior também abriu espaço para empresas brasileiras ampliarem sua atuação além das transferências internacionais. É o caso da Remessa Online, fintech especializada em pagamentos internacionais para pessoas físicas e empresas, que passou a incorporar novos serviços voltados à rotina de importadores e exportadores.

Além do envio e recebimento de recursos do exterior, a empresa passou a oferecer abertura de contas bancárias nos Estados Unidos e em Portugal, assessoria para conformidade regulatória, suporte para sourcing na China e soluções de consolidação de cargas.

A ampliação acompanha uma demanda crescente de clientes que passaram a buscar menos burocracia, mais controle sobre pagamentos internacionais e maior centralização de serviços ligados ao comércio exterior.

(*) Com informações da Remessa Online

 

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eComex lança Veritas, IA para reforçar compliance e reduzir riscos no comércio exterior

Tecnologia nasce de iniciativa colaborativa e automatiza a auditoria de documentos, identificando inconsistências e evitando autuações

Da Redação (*)

Brasília – A eComex anuncia o lançamento do Veritas, solução baseada em inteligência artificial desenvolvida em conjunto com profissionais que atuam diretamente nas áreas de Comércio Exterior, Trade Compliance, Supply Chain, Sourcing e Logística Internacional. A tecnologia automatiza a auditoria de documentos de Comex, identificando inconsistências, desvios e não conformidades e apontando correções necessárias, com geração de dashboards de compliance em segundos.

Criado a partir de demandas reais da operação, o Veritas lê documentos como fatura comercial, packing list e conhecimento de embarque, cruza dados com regras de negócio e legislação aduaneira e realiza validações contínuas ao longo de todo o processo. Com isso, reduz riscos, aumenta a confiabilidade das informações e contribui para evitar autuações futuras.

O Veritas é uma solução desenvolvida para apoiar operações de comércio exterior em escala global, ampliando a capacidade de auditoria e compliance em diferentes mercados.

A solução nasceu dentro da comunidade de comércio exterior da eComex, a partir da iniciativa “Ideias que Importam”, que reuniu cerca de 15 executivos de diferentes setores da economia, com atuação direta nas rotinas operacionais e estratégicas do Comex. O grupo discutiu desafios práticos da área, com foco em validação documental, gestão de risco e escalabilidade das operações.

Foi nesse contexto que surgiu a proposta do Veritas, a partir da necessidade de ampliar a capacidade de auditoria com mais consistência e inteligência.

“O Veritas é resultado de uma construção feita dentro da operação, a partir de quem vive os desafios do dia a dia. A gente mergulhou nesses processos para entender onde estavam as vulnerabilidades e desenvolveu uma solução capaz de atuar diretamente nesses pontos críticos”, afirma André Barros, CEO da eComex.

Novos desafios operacionais

O comércio exterior opera hoje em um cenário de alta complexidade, com grande volume de documentos, múltiplas exigências regulatórias e pressão por eficiência. Nesse contexto, inconsistências ao longo da cadeia são recorrentes, desde a origem das informações até o envio ao governo, especialmente em operações que ainda dependem de validações manuais ou amostrais.

“O principal gargalo sempre foi a falta de capacidade para dar conta do volume de análises. São muitos detalhes e pontos de validação”, afirma Regiane Joazeiro, Head of Customs da Siemens. “Com o Veritas, passamos a ter mais controle sobre a auditoria e mais segurança na gestão de risco, incluindo programas como o OEA. ”

“A gente não tinha estrutura para validar 100% dos processos, e trabalhar por amostragem já não era suficiente para o nível de risco da operação”, afirma Daniela Killner, Head de Customs & Excise LAC da Diageo. “O Veritas traz escala e consistência para a auditoria, mas o principal ganho está na inteligência gerada: os dados passam a retroalimentar a operação e ajudam a identificar oportunidades de melhoria contínua.”

Fiscalização mais automatizada exige novos níveis de controle

Com o avanço da digitalização, a fiscalização governamental tem se tornado cada vez mais orientada por dados e automatizada, com uso de sistemas que realizam cruzamentos e análises de risco em larga escala.

Nesse cenário, garantir a qualidade, consistência e rastreabilidade das informações deixa de ser apenas uma exigência operacional e passa a ser um fator crítico de gestão de risco.

“O que muda não é só o volume, mas o nível de exigência sobre os dados. O risco deixa de estar em eventos isolados e passa a estar na estrutura da informação. O Veritas permite que as empresas atuem preventivamente, validando seus dados antes que eles gerem impactos”, explica Barros.

Inteligência aplicada à auditoria

O Veritas transforma a auditoria em um processo contínuo, completo e rastreável. Com apoio de inteligência artificial, a solução interpreta, estrutura e cruza dados automaticamente, aplicando regras parametrizáveis definidas de acordo com os critérios de cada operação.

“A auditoria precisa acontecer em diferentes momentos do processo, antes e depois das etapas críticas, para garantir consistência das informações. O desafio sempre foi conseguir fazer isso de forma completa”, afirma Jaquelyne Abrahim, cofundadora da D2P (startup de comércio exterior adquirida pela eComex em 2024) e executiva de inovação da eComex.

A tecnologia prioriza inconsistências com base em impacto e criticidade, permitindo uma atuação direcionada sobre os riscos mais relevantes. Os resultados são consolidados em dashboards e relatórios de compliance, oferecendo visibilidade clara da operação e suporte à tomada de decisão.

“Com o volume que temos, a auditoria manual acaba sendo limitada e, muitas vezes, amostral. A necessidade era conseguir analisar 100% das operações, tanto no pré quanto no pós-registro”, afirma Cristina Simões, Gerente de Importação da Mondial. “Na prática, isso traz mais controle e previsibilidade, além de liberar o time de atividades operacionais para atuar de forma mais estratégica. Também passamos a ter indicadores mais claros sobre fornecedores e processos, o que ajuda a direcionar melhor a gestão.”

Mais previsibilidade e conformidade

A solução atua ao longo de toda a jornada operacional, com auditoria pré e pós-registro, gestão de alertas e suporte à manutenção de programas estratégicos como o Operador Econômico Autorizado (OEA).

Altamente parametrizável, o Veritas se adapta às regras de negócio e aos critérios de compliance de cada operação, promovendo maior controle, transparência e consistência dos dados.

“O governo está cada vez mais eficiente no uso de dados. O que estamos fazendo é dar às empresas o mesmo nível de sofisticação, para que operem com mais segurança, previsibilidade e controle”, conclui Barros.

A solução foi apresentada oficialmente no dia 29 de abril, durante evento da eComex que reuniu profissionais e especialistas do setor.

(*) Com informações da eComex

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