Tarifas estão redesenhando as regras do comércio global, aponta relatório da Infios

Nova pesquisa mostra que tarifas estão se tornando uma variável de execução em tempo real, levando líderes a experimentar novas rotas, mudar modais de transporte e transformar a conformidade em vantagem competitiva

Da Redação (*)

Brasíoia – A Infios, líder global em execução inteligente de cadeias de suprimentos, publicou hoje um novo relatório de pesquisa proprietária, “The Rise of the Tariff-Optimized Supply Chain: Inside the New Rules of Global Trade”, que demonstra como a política tarifária dos EUA em 2025 provocou uma ruptura estrutural no comércio global e mudou permanentemente a forma como as empresas executam suas cadeias de suprimentos.

Com base em análise ano a ano¹ de mais de um milhão de registros de importação americanos, o relatório conclui que as tarifas deixaram de ser uma linha de custo previsível. Elas são uma variável de execução ativa, gerenciada pelas empresas por meio de classificação, seleção de modal, roteamento, armazenagem e sequenciamento financeiro.

“Na Infios, um dos nossos princípios norteadores é o Thinking Ahead — ajudar os clientes a antecipar mudanças em vez de reagir a elas após o fato”, afirmou Ed Auriemma, CEO da Infios. “Esta pesquisa evidencia como os padrões do comércio global estão evoluindo e onde as empresas estão ajustando rotas, modais de transporte e estratégias de execução em resposta a esse cenário. As organizações que identificarem essas mudanças cedo e responderem com agilidade estarão mais bem posicionadas para garantir uma execução sem interrupções.”

O relatório identifica duas fases distintas de resposta. No período de choque inicial, os importadores experimentaram o chamado “panic routing” — mudanças emergenciais de modal e surtos temporários de uso do United States-Mexico-Canada Agreement (USMCA). A faixa de alíquotas acima de 50%, praticamente inexistente antes de 2025, disparou antes de se estabilizar em um patamar menor, porém ainda elevado.

Com a urgência sobrepondo-se à disciplina de custos, as participações do frete aéreo e do frete rodoviário aumentaram, tornando a velocidade a prioridade central. Com o tempo, os comportamentos que se consolidaram resultaram em um redesenho estrutural e deliberado da execução do comércio global.

“O que estamos observando não é apenas uma mudança nas fontes de fornecimento ou no mix de fornecedores. É uma transformação fundamental na forma como o comércio é executado”, disse Don Mabry, SVP, Global Trade Solutions da Infios. “As tarifas introduziram um nível de volatilidade que as empresas não conseguem mais gerenciar com ajustes periódicos ou processos manuais. As organizações capazes de perceber mudanças cedo, avaliar opções rapidamente e reconfigurar seus caminhos de execução vão superar aquelas que operam em sistemas rígidos e de caminho único, projetados para um mundo mais estável. As organizações que tratam a execução comercial como uma disciplina dinâmica — e não como uma função de retaguarda — são as que estão conquistando vantagem competitiva duradoura.”

Entre os principais achados, destacam-se:

  • As alíquotas efetivas chegaram a ser de 20% a 80% mais altas em algumas categorias devido ao acúmulo de tarifas (tariff stacking).
  • O frete aéreo aumentou aproximadamente 12 pontos percentuais e permaneceu elevado, enquanto o frete marítimo caiu cerca de 10 a 12 pontos sem recuperação, sinalizando que a escolha do modal passou a funcionar como seguro contra riscos de política comercial, não apenas como otimização de custos.
  • O frete rodoviário cresceu aproximadamente 8 pontos, refletindo o movimento sustentado de nearshoring e a demanda por cadeias de suprimentos mais estáveis e de menor distância.
  • O uso de armazéns alfandegados (bonded warehouses) saltou de aproximadamente 10% para 16–18% dos registros e continuou crescendo, sinalizando que o diferimento de tributos aduaneiros se tornou prática corrente.
  • A complexidade de classificação na Harmonized Tariff Schedule (HTS) praticamente dobrou, passando de cerca de 6 para 11,6 sequências por registro — levando muitas organizações para além do que os fluxos manuais de conformidade conseguem suportar.
  • O valor dos embarques cresceu aproximadamente 78%, enquanto o número de registros caiu cerca de 7%, indicando consolidação e um “frete mais inteligente”, não um recuo no comércio.

Cadeia de suprimentos em movimento

Nem toda a redistribuição de fontes de fornecimento ocorreu da mesma forma. Bens de consumo e manufatura leve diversificaram-se em relação à China; produtos químicos de especialidade e componentes industriais permaneceram dependentes de suas origens habituais, independentemente da exposição tarifária. Ao mesmo tempo, corredores comerciais inteiramente novos surgiram, enquanto outros entraram em colapso sob a pressão das políticas adotadas.

Os dados revelam um cenário de cadeia de suprimentos em movimento: novos corredores se abrindo, rotas inviáveis sendo abandonadas e sinais incipientes de relocalização industrial — fazendo da inteligência de rotas um ativo estratégico, e não um detalhe logístico secundário.

A análise da Infios conclui que esta não é uma história de fornecimento, mas de execução. Em um ambiente de política comercial volátil, a flexibilidade supera a eficiência, e a precisão na execução é determinante. As empresas que prosperam serão aquelas capazes de perceber mudanças cedo, avaliar opções rapidamente e reconfigurar caminhos de execução antes que as condições as forcem a agir.

O relatório apresenta uma definição consistente para este novo modelo operacional: a tariff-optimized supply chain — cadeia de suprimentos otimizada para tarifas —, que trata as alíquotas como uma variável de execução ativa, gerenciada por meio de classificação, seleção de modal, roteamento, armazenagem e sequenciamento financeiro, em vez de tratá-las como um custo fixo a ser absorvido. Em um ambiente onde a volatilidade é estrutural, essas capacidades serão o que diferenciará os líderes no comércio global.

Para ler o relatório, acesse www.infios.com

¹Períodos de maio a dezembro e de julho a dezembro de 2024 e 2025 foram comparados entre si.

(*) Com informações da Infios

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Porto de Santos se expande: o que muda para o comércio exterior brasileiro?

Murilo Freymuller (*)

O Porto de Santos voltou ao centro das discussões estratégicas do comércio exterior brasileiro. Em fevereiro de 2026, o governo federal autorizou a ampliação da área terrestre do maior porto da América Latina em 56%, uma medida que redesenha o futuro logístico do país e abre espaço para novos investimentos privados, expansão operacional e aumento da competitividade exportadora brasileira.

Por onde circula cerca de 30% de toda a corrente comercial nacional, Santos funciona como um verdadeiro termômetro da economia. Soja, minério, café, automóveis, combustíveis, produtos industrializados e bens de consumo passam diariamente pelo complexo portuário, movimentando bilhões de dólares em operações internacionais. A nova portaria do Ministério de Portos e Aeroportos amplia a chamada poligonal do porto de 9,3 para 14,5 quilômetros quadrados em área terrestre, incorporando ao complexo aproximadamente 17,2 milhões de metros quadrados entre áreas terrestres e aquáticas.

Na prática, a decisão cria a base regulatória necessária para que novos terminais, retroportos e estruturas logísticas sejam instalados ao longo dos próximos anos. Embora a expansão não represente obras imediatas, ela sinaliza ao mercado que Santos continuará sendo prioridade estratégica para o crescimento do comércio exterior brasileiro.

A ampliação incorpora regiões consideradas fundamentais para o futuro operacional do porto. Entre elas está o Largo do Caneu, uma extensa área greenfield com cerca de 5 quilômetros quadrados e potencial para receber grandes terminais e até uma futura Zona de Processamento de Exportação (ZPE). Também passam a integrar oficialmente o complexo a região da Alemoa, voltada para granéis líquidos, e Monte Cabrão, destinado a atividades retroportuárias e logísticas.

A possibilidade de implementação de uma ZPE dentro do perímetro portuário é um dos pontos mais relevantes da expansão. O modelo permitiria que indústrias processassem matérias-primas próximas ao cais e exportassem produtos acabados com benefícios tributários e menor custo logístico, reduzindo etapas operacionais e aumentando eficiência na cadeia exportadora.

Apesar do potencial transformador, é importante separar a expectativa de realidade operacional. A ampliação da poligonal não significa que novos terminais entrarão em funcionamento no curto prazo. As licitações estão previstas apenas para 2027, seguidas por negociações com operadores privados, captação de investimentos e execução das obras. O impacto concreto sobre capacidade operacional e redução de custos deve ocorrer apenas no médio e longo prazo.

Hoje, Santos ocupa uma posição paradoxal no sistema logístico nacional. Ao mesmo tempo em que é o principal hub portuário do país, também é um dos mais caros para operar. Estudos do setor apontam que o custo de movimentação de contêineres no porto supera em média 21,5% os valores

praticados em outros terminais brasileiros. Ainda assim, para grande parte das empresas, abandonar Santos não é economicamente viável.

A explicação está na geografia industrial brasileira. Aproximadamente 90% do parque industrial paulista está localizado a menos de 200 quilômetros do porto. Além disso, estados como Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul integram diretamente sua área de influência logística. Em muitos casos, trocar Santos por outro porto significaria aumentar distâncias rodoviárias, elevar custos internos e reduzir eficiência operacional.

Nesse contexto, a expectativa do mercado é que a entrada de novos operadores privados aumente a concorrência e pressione tarifas para baixo ao longo do tempo. Mais terminais disputando cargas tendem a gerar maior equilíbrio competitivo, embora esse movimento dependa também de regulação adequada e eficiência operacional futura.

Outro ponto decisivo será a capacidade de modernização da infraestrutura de acesso ao porto. Atualmente, corredores logísticos como a Via Anchieta já operam sob forte pressão, com congestionamentos frequentes que impactam diretamente o escoamento de cargas. Sem investimentos consistentes em rodovias, ferrovias e acessos urbanos, a expansão portuária corre o risco de criar novos gargalos em vez de solucioná-los. Obras no entorno de Santos já avançam com recursos do Novo PAC, mas o ritmo de execução será determinante para o sucesso da expansão.

Do ponto de vista cambial, a ampliação do Porto de Santos reforça uma tendência estrutural importante: o crescimento gradual da participação brasileira no comércio internacional. Uma infraestrutura portuária mais robusta tende a ampliar o fluxo de exportações e importações, aumentando também a circulação de divisas, contratos de câmbio e operações financeiras ligadas ao comércio exterior.

No entanto, no curto prazo, os fatores que mais impactam empresas exportadoras e importadoras continuam sendo a volatilidade do dólar, as tarifas comerciais internacionais e a eficiência na contratação de operações cambiais. A expansão de Santos não elimina esses desafios imediatos, mas fortalece a percepção de que o Brasil continua apostando no aumento de sua capacidade exportadora e logística.

Para empresas que atuam no comércio exterior, o momento atual exige planejamento estratégico. A transformação do Porto de Santos não acontecerá da noite para o dia, mas os movimentos regulatórios já indicam uma mudança estrutural relevante no horizonte logístico brasileiro. E, em cenários de expansão gradual acompanhados de volatilidade cambial, as empresas que antecipam seu planejamento tendem a capturar melhores oportunidades e reduzir riscos operacionais no longo prazo.

(*) Murilo Freymuller, Head Comercial Corporate do Banco Moneycorp.

 

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A Copa mostra que o futuro do dinheiro não passa mais pelo cartão e nem pelas fronteiras

Taísa Bilecki Dias (*)

A Copa do Mundo sempre foi um espetáculo esportivo, mas também se consolidou como um laboratório global de comportamento, inclusive financeiro. Em um ambiente de consumo intenso, multicultural e em tempo real, uma coisa fica evidente: o futuro do dinheiro não passa mais pelo cartão, e tampouco respeita fronteiras. O que antes era uma tendência local, como o sucesso do Pix no Brasil, rapidamente se tornou referência global. A combinação entre pagamentos instantâneos e moedas digitais aponta para uma transformação profunda no sistema financeiro.

Durante décadas, o cartão simbolizou inovação em pagamentos. Hoje, porém, a velocidade e a fluidez deixaram de ser diferenciais, são exigências. Sistemas como o Pix mostram que é possível transferir dinheiro em segundos, 24 horas por dia, com menos intermediários, reduzindo custos e simplificando a experiência do usuário. No Brasil, esse modelo já representa uma parcela relevante das transações e vem diminuindo o uso de dinheiro físico. Para se ter uma ideia, segundo dados do Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas utilizam o sistema, equivalente a 80% da população.

Esse movimento se replica no mundo. Infraestruturas como o FedNow, nos Estados Unidos, e o SEPA Instant, na Europa, consolidam um novo padrão: pagamentos em tempo real como base do sistema financeiro. O próprio mercado americano, historicamente centrado no cartão, acelera agora para acompanhar essa mudança.

Mais do que adoção tecnológica, trata-se de uma nova arquitetura, sair de um modelo dependente de múltiplos intermediários para outro baseado na conexão direta entre contas. O resultado é menor custo para empresas, melhor fluxo de caixa e menos fricção para o consumidor, algo essencial em contextos como a Copa do Mundo, em que pagar precisa ser tão rápido quanto consumir.

Se os pagamentos instantâneos redefinem a infraestrutura, as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) prometem ir além, transformando o próprio conceito de dinheiro. Com liquidação imediata, menor custo e maior rastreabilidade, essas iniciativas podem viabilizar transações internacionais em tempo real e ampliar a inclusão financeira. Integradas a dispositivos e plataformas digitais, tornam o dinheiro cada vez mais invisível e até programável.

A Copa como termômetro do futuro

Em eventos como a Copa, todas essas tendências se encontram: múltiplas moedas, alto volume de transações e necessidade de agilidade extrema. Sem contar que empresas, restaurantes e lojas de departamento de grande porte e presentes nos EUA já estão garantindo o seu espaço e acoplando o Pix no negócio, como é o caso do Boteco do Manolo, Summit Visa, Boteco Restaurant, Yes Mega Store e MCA Transportation.

Nesse cenário, o cartão expõe suas limitações: taxas elevadas, liquidação não imediata e dependência de múltiplos intermediários. Já os pagamentos instantâneos e, futuramente, as moedas digitais oferecem exatamente o oposto: simplicidade, velocidade e eficiência. Mais do que uma evolução tecnológica, estamos diante de uma mudança cultural. O consumidor não quer mais escolher “como pagar”, ele quer que o pagamento simplesmente aconteça.

A Copa escancara essa transformação: o dinheiro deixa de ser físico, deixa de ser cartão e passa a ser fluxo. Um sistema invisível, integrado e em tempo real, que conecta pessoas, empresas e países O cartão não desaparece, mas perde protagonismo, torna-se apenas mais uma interface em um ecossistema muito maior. Nesse novo jogo, quem ainda depende do “passar o cartão” já está jogando o campeonato errado.

(*) Taísa Bilecki Dias – Head de câmbio do Braza Bank

 

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Podemos esperar uma nova revolução cubana?

Leo Braga (*)

A vida em Cuba não está nada fácil. O exercício de sufocamento a que está submetido o regime cubano e, pior ainda, o povo cubano, ganhou em 20 de maio mais um impulso. Marco Rubio, o Secretário de Estado dos EUA (cargo equivalente ao de Ministro de Relações Exteriores, no Brasil), fez um discurso em espanhol, um recado direto aos moradores da ilha. Sua fala tratou da aposta numa “nova Cuba”, em que a soberania residiria (ou residirá) no próprio povo cubano e não na oligarquia militar do país. Para incentivar, a proposta de enviar aos cubanos USD 100 milhões. É quase, ou é mesmo, uma fala de coragem e de esperança. Mas, cabe reflexão. Sempre.

A fala de Rubio foi em tom sereno, manifestando importar-se com o povo cubano. Falar em espanhol, imputar a situação de penúria em que se encontra Cuba e exortar o povo cubano a tomar as rédeas de sua vida civil e política é mais do que discurso normativo e voltado a um mundo de liberdade, de escolha e de autodeterminação. É tudo isso, sem dúvida. Mas, é também a parte razoável da gestão Trump nessas constantes demonstrações de morde e assopra. O difícil é saber a ordem dos movimentos: por último, Trump vai morder ou assoprar?

Se é fácil compreender que o governo norte-americano morde e que assopra, difícil é saber o que se fará no final. No caso da Groenlândia, após ameaças de tomar o território ou de comprá-lo, Trump assoprou – dada a resistência dos europeus. No caso da Venezuela, quando fez a extração do presidente Maduro, mordeu. Com o Irã e a situação no Estreito de Ormuz, o movimento é mais complexo, porém, definitivamente, não mordeu: não mobilizou tropas no terreno em conflito aberto com o Irã. Com a China, na última semana, também foi mais sossegado e otimista: assoprou.

Mas, Cuba é diferente. Como disse uma vez Porfirio Díaz, então presidente e ditador mexicano no final do século XIX, “Pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos EUA”. Cuba está muito perto dos EUA. Situada no chamado Triângulo de Mahan ou Triângulo do Caribe, Cuba constituiu ameaça existencial aos EUA por aproximadamente 40 anos, quando o mundo estava ainda na guerra fria, e americanos e soviéticos disputavam o poder mundial. Essa é a primeira consideração: os EUA estão mais propensos a morder que assoprar.

No já avançado fim da guerra fria, três décadas atrás, ocorreram duas coisas, talvez uma em função da outra. Um desinteresse dos EUA pela América Latina e Caribe, talvez em função do “desencantamento do mundo” e de uma política americana de smart power (estar presente onde importa e não em todo o mundo) nas primeiras duas décadas dos anos 2000. Isso, curiosamente ou não, foi acompanhado pelo movimento de onda rosa e seus governos progressistas na região, que favoreceu narrativas e posicionamentos políticos contra-hegemônicos. Essa é a segunda consideração: a famosa “negligência salutar” dos EUA em relação à América Latina e Caribe.

Por sua vez, a aproximação da China com a região incentivou que a posição política, de afastamento também da região em relação aos EUA, fosse complementada pela aproximação político-ideológica (comunista) e econômica (liberal) chinesa. Agora, a maior parte dos países da região tem na China o seu maior parceiro comercial naquilo que foi a ampliação da Nova Rota da Seda chinesa, agora, chegando até aqui sob o olhar pouco atento dos EUA. Mas, num mundo de recursos escassos, de pandemia, de cadeias globais de valor de reestruturando em movimento de re-shoring, near-shoring e friend-shoring, o Tio Sam “colocou suas barbas de molho”. Essa é a terceira consideração: com a complicada e sensível logística global, “o império contra-ataca” e os EUA se voltam à América Latina e Caribe.

Ainda, cabe considerar a imagem que nos passa o líder norte-americano: ousado, vaidoso, feroz e audaz; muito corajoso, um tanto inconsequente (será?); no mínimo, polêmico, senão, incompreendido. Cabem muitos adjetivos a Trump. Cabe também o senso de oportunidade a ele e à sua equipe. Talvez seja a hora de haver entendido a distribuição do poder mundial ou sua redistribuição em curso para cuidar da questão cubana – já se cuidou da venezuelana. Neutralizar ou dificultar a presença chinesa na região é objetivo estratégico maior dos EUA. É menos sobre Cuba, mas aquilo que Cuba pode significar de projeção de poder chinês. Essa é a quarta consideração: “China, go home!”. Para os EUA, é necessário afastar a China.

Mas, por que fazer isso mordendo se é possível fazer assoprando? A tentativa fracassou, até agora, no Irã, quando os EUA tentaram encorajar o povo iraniano contra um regime democrático-ditatorial-militar. Não deu certo. Mas, será que não pode dar certo com Cuba? Afinal, quem se importa com Cuba? China, Irã, Rússia, Coreia do Norte? Venezuela está cooptada e não é mais um apoio político e econômico ao país. México foi convencido a cortar seu apoio de petróleo à Cuba. E aqueles que estão fora da região têm muito pouco a ganhar ou têm outras prioridades. Cuba importa aos EUA, isso, sim!

Mas, Cuba também importa aos cubanos! E é isso o que Marco Rubio está tentando dizer com tom emocional, quase cativante e, também, pragmático: que ao povo cubano, cabe seu próprio destino. Isso pode aproximar Cuba dos EUA e, ao invés de uma invasão e ocupação americana na ilha cubana, acabar se transformando numa arriscada e desastrosa aventura. Trump não está mordendo Cuba, ainda. E isso é a janela de oportunidade ou para o regime cubano entender o movimento norte-americano e se proteger – mas, como se não dispõe de recursos suficientes? – ou para o povo cubano fazer uma nova revolução e fazer surgir uma nova Cuba.

(*) Leo Braga, Professor de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

 

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Brasil é o terceiro principal destino mundial dos investimentos estrangeiros, segundo levantamento da OCDE

País registrou ingresso de US$ 77 bilhões em capital produtivo e ficou atrás apenas de Estados Unidos e China; missões internacionais impulsionaram R$ 250 bilhões em anúncios de investimentos

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil consolidou posição de destaque no cenário macroeconômico global ao se tornar o terceiro maior destino de Investimento Estrangeiro Direto (IED) do mundo em 2025. De acordo com dados preliminares de fluxo comparado divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país atraiu o montante expressivo de US$ 77 bilhões em capital produtivo ao longo do último ano.

O resultado representa avanço histórico para o mercado nacional, que tradicionalmente oscila entre a quinta e a sexta colocação no ranking mundial de recepção de investimentos. Na nova listagem, o Brasil foi superado apenas pelas duas maiores potências econômicas do planeta: os Estados Unidos e a China.

Para garantir a precisão analítica do fluxo de economia real, o levantamento da OCDE desconsidera os dados de jurisdições financeiras que funcionam majoritariamente como trânsito de capital, como Hong Kong e Singapura. Sob esse critério, o desempenho brasileiro superou economias maduras da Europa, como a Alemanha e o Reino Unido.

Missões internacionais alavancam R$ 250 bilhões em investimentos

Esse posicionamento de destaque é reflexo direto de uma estratégia assertiva e coordenada de diplomacia presidencial e promoção comercial. Nos últimos três anos, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), liderou uma sólida agenda de reaproximação com os mercados globais.

Ao todo, foram realizadas 22 missões empresariais de alto nível acompanhando o presidente Lula e outras cinco missões com o vice-presidente Geraldo Alckmin. Esses encontros estratégicos contaram com a participação ativa de ministros de Estado e mobilizaram mais de 10 mil empresários, tanto brasileiros quanto investidores estrangeiros.

Essas comitivas atuaram como plataformas cruciais para a abertura de novos mercados e consolidação de parcerias de longo prazo, resultando no anúncio histórico de R$ 250 bilhões em novos investimentos planejados para o Brasil durante as agendas.

Liderança entre os países em desenvolvimento

O reposicionamento do Brasil ganha relevância ainda maior quando comparado a mercados emergentes de perfil semelhante. Economistas apontam que a real base de comparação para o teto de investimentos produtivos na América Latina deve ser feita com parceiros regionais e concorrentes diretos, como o México e a Colômbia.

Neste recorte, o país mais próximo do Brasil em 2025 foi o México, que ocupou a sétima posição global. O distanciamento nominal e a vantagem na posição relativa demonstram a forte atratividade e a confiança que o ambiente de negócios brasileiro reconquistou perante o investidor internacional.

Retomada global e o papel dos investimentos chineses

O relatório da OCDE também revelou uma reativação expressiva na circulação de capital internacional, com os fluxos globais registrando uma expansão de 15% em 2025 na comparação com o ano anterior. Entre os principais emissores (exportadores) de capital para o mundo, destacaram-se os Estados Unidos, o Japão e a própria China.

A dupla dinâmica da China — que atua simultaneamente como um dos maiores receptores e um dos principais emissores de investimentos do planeta — reflete-se diretamente na balança brasileira. O aporte de capital chinês tem sido um dos grandes motores para a neoindustrialização e infraestrutura nacional, com aportes maciços direcionados à transição energética. Exemplos claros dessa movimentação estão na expansão do mercado de veículos elétricos e na consolidação de grandes projetos nos setores de energia eólica e solar em solo brasileiro, setores que têm sido amplamente promovidos pelas rodadas de negócios da ApexBrasil.

Os dados de fluxo global comparado são compilados e divulgados periodicamente por organizações internacionais como a OCDE e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), complementando as publicações do Banco Central do Brasil, que se restringem aos indicadores internos e não realizam o ranqueamento entre as nações.

(*) Com informações a ApexBrasil

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Entre custo e retorno: a conta (ainda incompleta) da IA corporativa

Gabriela Camano (*)

Estamos vivendo um momento de “déjà vu” corporativo em 2026. Assim como na grande migração para a nuvem, em 2020, o mercado hoje corre para abraçar a Inteligência Artificial (IA) com o mesmo fôlego e, por vezes, a mesma falta de planejamento. O “hype” é inegável: 77% das empresas brasileiras declaram familiaridade com agentes de IA, segundo um estudo. Entretanto, o abismo entre o saber e o fazer é profundo.

Enquanto o vocabulário dos gestores está em dia, a execução prática ainda patina em experimentações que nem sempre encontram o caminho do balanço financeiro. Para que a IA gere negócios de fato, precisamos transitar da fase da curiosidade para a fase da métrica.

Os números ajudam a dimensionar esse descompasso. Um levantamento com cerca de 300 implementações corporativas apontou que aproximadamente 95% dos pilotos de IA não geram impacto mensurável em P&L. Em paralelo, outros dados indicam que 29% das empresas da Fortune 500 já possuem algum produto de IA em produção.

As duas estatísticas não se contradizem: elas medem coisas diferentes. Estar em produção significa uso ativo; gerar negócio implica impacto financeiro verificável. Entre um e outro, há um intervalo que ainda não foi plenamente resolvido pelas organizações.

Esse intervalo também aparece nos dados brasileiros. Embora 77% das empresas declarem familiaridade com agentes de IA, apenas uma fração implementa casos reais – como geração de dashboards (43% conhecem, 14% usam) ou automação de relatórios (35% conhecem, 8% usam). A familiaridade avançou mais rápido do que a execução. E, sem execução consistente, não há geração de receita ou ganho operacional relevante.

Ao mesmo tempo, onde a IA funciona, os resultados podem ser expressivos, ainda que menos frequentes do que a narrativa sugere. Um importante estudo dos EUA analisou 51 implementações bem-sucedidas e identificou padrões importantes: 61% tiveram tentativas fracassadas anteriores, e 77% enfrentaram desafios ligados a custos invisíveis, como mudança de processos, qualidade de dados e governança. Ou seja, o valor existe, mas ele é caro, iterativo e depende menos da tecnologia em si do que da capacidade organizacional de absorvê-la.

Assim como ocorreu na migração para a nuvem, a IA está criando uma camada de consumo – de dados, processamento e, principalmente, custo. O uso de modelos de linguagem em larga escala (LLMs) implica despesas recorrentes, muitas vezes em dólar, que nem sempre estão sob controle ou governança clara. Em um cenário em que “cada área vira tecnologia”, o risco de um novo “shadow IT”, agora alimentado por IA, cresce, pressionando budgets e dificultando a mensuração de retorno.

A própria economia da IA ajuda a explicar essa tensão. Diferentemente do software tradicional, em que o custo marginal por usuário tende a zero, a IA tem custo direto por uso. Cada interação consome infraestrutura – tokens, energia, processamento. Isso transforma o usuário em carga computacional (“workload”) e desafia modelos clássicos de monetização.

Não por acaso, pesquisas indicam que empresas já gastam, em média, mais de US$ 60 mil por mês com IA, com dificuldade de mensurar ROI em quase metade dos casos. O crescimento do uso, especialmente com agentes que executam tarefas contínuas, tende a ampliar essa complexidade.

Ainda assim, há sinais concretos de geração de valor. Avaliações apontam que funções mais expostas à IA já apresentam prêmio salarial médio de 56%, refletindo ganho de produtividade e escassez de talento qualificado. No nível organizacional, casos específicos mostram reduções significativas de custo e ganho de eficiência, como automações que substituem processos inteiros. Mas esses exemplos ainda são mais exceção do que regra e, muitas vezes, não capturam o custo total envolvido na transformação.

O que precisa evoluir para que os dados sobre geração de negócios sejam mais robustos? Três frentes se destacam. A primeira é governança – especialmente de dados e consumo de IA, com práticas equivalentes ao FinOps, agora aplicadas a modelos e tokens.

A segunda é clareza de propósito: projetos que começam pelo problema de negócio, e não pela tecnologia, tendem a gerar mais valor, como mostram estudos sobre modelos baseados em habilidades. A terceira é maturidade cultural, que envolve desde a capacitação das equipes até a redução do medo e o redesenho de processos.

Há uma mudança estrutural em curso: a transição da IA como ferramenta para a IA como infraestrutura de execução. Isso muda a forma de medir valor. Não se trata apenas de quantos usuários utilizam IA, mas de quanto trabalho ela executa, e com que impacto econômico. Enquanto essa métrica não se consolida, o mercado continuará convivendo com uma dualidade: uma tecnologia amplamente adotada, porém ainda em busca de sua tradução mais consistente em geração de negócios.

(*) Gabriela Camano é Business Director no Brasil da GFT Technologies

 

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Programa Raízes Negras inicia nova etapa de qualificação em comércio exterior com vagas gratuitas em SP, RJ e MG

Ação do programa Raízes Comex amplia oportunidades de formação profissional

Da Redação (*)

Brasília – Pessoas negras terão novas oportunidades de formação em comércio exterior em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais por meio de uma nova etapa do Programa Raízes Comex, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em parceria com o Senac. As primeiras turmas começam no próximo dia 25 de maio em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Ao todo, serão ofertadas 160 vagas gratuitas para o curso de Assistente de Serviços de Comércio Exterior nas cidades de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Uberlândia.

As primeiras turmas começam em Campinas (SP). Na sequência, novos cursos terão início em São Paulo (capital) e no Rio de Janeiro. Outras turmas estão previstas para o final de maio nas três cidades, enquanto Uberlândia (MG) terá início em junho.

Os cursos são voltados prioritariamente para pessoas negras (pretas e pardas), jovens a partir de 16 anos e e estudantes cursando no mínimo o 2º ano do Ensino Médio. A ação integra a estratégia do governo federal de ampliar oportunidades de qualificação e inserção profissional em áreas ligadas ao comércio internacional.

“O crescimento do comércio exterior brasileiro precisa ser acompanhado pela ampliação de oportunidades, inclusão e diversidade. O Raízes Comex é uma política pública voltada à formação de novos profissionais para atuar em um setor estratégico para o desenvolvimento do país. Ao promover maior diversidade no comércio exterior, a iniciativa também contribui para tornar as empresas mais inovadoras e resilientes”, afirmou a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres.

As inscrições estão abertas.

Raízes Comex amplia inclusão e diversidade

Criado pelo MDIC para ampliar oportunidades no comércio exterior e promover maior diversidade no setor, o Programa Raízes Comex conecta qualificação profissional, inclusão produtiva e geração de emprego em uma das áreas mais estratégicas da economia brasileira.

A iniciativa prioriza a formação de pessoas negras (pretas e pardas), jovens e estudantes da rede pública, buscando ampliar o acesso de novos talentos ao comércio exterior.

Além da capacitação gratuita, o programa fortalece a presença de novos profissionais em áreas ligadas à exportação, logística, negócios internacionais e serviços de comércio exterior.

(*) Com informações do MDIC

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O Brasil entre Washington e Pequim

Allan Augusto Gallo Antonio (*)

A presença econômica chinesa no Brasil deixou de ser periférica para ocupar posição estratégica em setores como energia, petróleo, portos, logística e infraestrutura. Em muitos casos, esses investimentos são vistos apenas como sinais positivos de crescimento, mas quando áreas essenciais passam a depender fortemente de capital, tecnologia ou infraestrutura controlados por agentes estrangeiros, surge uma discussão inevitável sobre soberania nacional.

O setor energético ilustra essa transformação. A estatal chinesa State Grid, maior concessionária de energia do mundo, controla a CPFL Energia desde 2017 e opera ativos ligados à Usina de Belo Monte. Recentemente, a empresa declarou interesse em ampliar investimentos no Brasil em redes inteligentes, energias renováveis e infraestrutura para veículos elétricos.

De modo semelhante, a China Merchants Port Holdings adquiriu 90% do Terminal de Contêineres de Paranaguá, estratégico para o escoamento do agronegócio brasileiro. No comunicado oficial da operação, a companhia afirmou que a entrada no Brasil era “crucial para a expansão global” de sua rede logística.

A aproximação também avançou no setor energético e financeiro quando a Petrobras assinou memorandos de entendimento com empresas chinesas para cooperação em petróleo, gás, refino, hidrogênio e infraestrutura, com participação do Bank of China e do China Development Bank.

Parte do debate internacional interpreta esse avanço por meio da chamada “diplomacia da armadilha da dívida”, tese segundo a qual a China utilizaria investimentos para ampliar influência política. O tema, porém, costuma ser tratado com certo padrão duplo. Investimentos ocidentais normalmente são apresentados como globalização e integração econômica, enquanto a presença chinesa frequentemente é vista apenas sob a ótica da ameaça estratégica. Ainda assim, independentemente da origem do capital, dependência econômica prolongada inevitavelmente produz influência política.

O verdadeiro desafio brasileiro talvez não seja escolher entre Washington e Pequim, mas evitar dependência excessiva de ambos. No século da Realpolitik, soberania também significa controlar infraestrutura, logística e fluxos financeiros estratégicos.

Em um mundo marcado pela disputa entre grandes potências, países que não formulam estratégia acabam se tornando parte da estratégia dos outros.

(*) Allan Augusto Gallo Antonio, professor de Economia na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (MackLiber)

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A rejeição de Jorge Messias e o preço da rigidez institucional

Ives Gandra da Silva Martins (*)

Tenho a impressão de que a rejeição da indicação de Jorge Messias para a Suprema Corte, pelo Senado Federal, por 42 votos contrários a 34, ocorrida em 29 de abril, representou uma derrota do presidente Lula, e não do Advogado-Geral da União.

A meu ver, o ponto fraco de sua defesa ocorreu quando, ao ser questionado sobre os episódios de 8 de janeiro, ele afirmou ter sido o autor da acusação, tratando aquela desordem como um golpe de Estado. Na verdade, tratou-se de uma baderna, pois, sem o uso de armas, não haveria como configurar um golpe. Certamente, tal posicionamento enfraqueceu a sua apresentação.

Por outro lado, sabe-se que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, juntamente com o Centrão, não desejava essa indicação e decidiu demonstrar sua força perante o presidente Lula. No Supremo Tribunal Federal, havia aqueles que eram favoráveis à indicação e aqueles que eram contrários.

A insistência do Executivo em pautas que ignoram a independência técnica das instituições tem gerado um desgaste desnecessário. Ao priorizar critérios de proximidade pessoal e ideológica em detrimento de uma articulação institucional sólida, o governo acaba por tensionar a relação com o Legislativo, evidenciando uma dificuldade crônica de diálogo que transcende a simples composição de maiorias parlamentares.

Isso me recorda que, pela primeira vez in 132 anos, vivemos uma rejeição semelhante. O fato remonta ao governo do segundo presidente da República, cujo mandato foi marcado por uma forte tendência ditatorial e sucessivas revoltas, chegando-se a defender, inclusive, a pena de morte.

Do ponto de vista jurídico, a maior derrota que um presidente da República pode sofrer é a rejeição da indicação de um ministro para o Supremo, o que, nos últimos 132 anos, nunca havia ocorrido.

Poucas semanas após a votação histórica no Senado, os reflexos imediatos desse episódio demonstram que o Palácio do Planalto ainda tenta digerir o recado. A rejeição de Jorge Messias abriu uma crise aguda na articulação política do governo Lula, evidenciando uma postura de recuo e perplexidade diante de um Congresso Nacional fortalecido. Essa paralisia momentânea e a dificuldade de reação contaminam o debate sobre as pautas econômicas urgentes, provando que o erro estratégico na escolha do indicado trava a governabilidade no presente.

Isso também demonstra a fragilidade do governo Lula e comprova que a gestão vai muito mal sob diversos aspectos: na economia, nas contas públicas, nos juros e no aumento da carga tributária. Além disso, a constante aposta em projetos populistas pode dificultar severamente o cenário para o governo sucessor.

Creio que essa mensagem enviada ao presidente Lula deve levá-lo à reflexão. Vencer eleições por meio de manipulações ou com a defesa de projetos populistas — em um país com as riquezas e a potencialidade que o Brasil possui — impede um crescimento robusto, resultando em índices pífios como os vistos nas gestões do PT. Todo esse cenário culminou nesta monumental derrota.

Minha crítica não recai sobre o Advogado-Geral da União, o indicado, mas sim sobre o presidente Lula, por não ter sabido indicar alguém que fosse de consenso entre os Poderes e perante a sociedade brasileira, em vez de optar por seu advogado pessoal.

(*) Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal) , presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

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Corrente de comércio totaliza US$ 236 milhões até a 2° semana de maio com saldo de US$ 28,9 bilhões

No mês as exportações somam US$ 16 bi e as importações, US$ 11,9 bi, com saldo positivo de US$ 4,2 bi e corrente de comércio de US$ 27,9 bi

Da Redação (*)

Brasília – Na 2ª semana de maio de 2026, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,5 bilhão e corrente de comércio de US$ 12,5 bilhões, resultado de exportações no valor de US$ 7,02 bilhões e importações de US$ 5,5 bilhões.

No mês, as exportações somam US$ 16 bilhões e as importações, US$ 11,9 bilhões, com saldo positivo de US$ 4,2 bilhões e corrente de comércio de US$ 27,9 bilhões.

No ano, as exportações totalizam US$ 132,6 bilhões e as importações, US$ 103,6 bilhões, com saldo positivo de US$ 28,9 bilhões e corrente de comércio de US$ 236,2 bilhões. Esses e outros resultados foram apresentados, nesta segunda-feira (18/5), pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Nas exportações, comparadas as médias até a 2ª semana de maio/2026 (US$ 1,6 bilhão) com a de maio/2025 (US$ 1,4 bilhão), houve crescimento de 12,4%. Em relação às importações houve crescimento de 8,9% na comparação entre as médias até a 2ª semana de maio/2026 (US$ 1,185 bilhão) com a do mês de maio/2025 (US$ 1,088 bilhão).

Assim, até a 2ª semana de maio/2026, a média diária da corrente de comércio totalizou US$ 2.786,15 milhões e o saldo, também por média diária, foi de US$ 415,35 milhões. Comparando-se este período com a média de maio/2025, houve crescimento de 10,9% na corrente de comércio.

Exportações importações por Setor

No acumulado até a 2ª semana do mês de maio/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores exportadores pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 85,68 milhões (24,3%) em Agropecuária, e de US$ 121,01 milhões (16,7%) em produtos da Indústria de Transformação; queda de US$ 33,92 milhões (10,0%) em Indústria Extrativa.

No acumulado até a 2ª semana do mês de maio/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores importadores pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 0,81 milhões (3,4%) em Agropecuária; de US$ 3,37 milhões (7,4%) em Indústria Extrativa e de US$ 90,86 milhões (9,0%) em produtos da Indústria de Transformação.

(*) Com informações da Secex/MDIC

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