Embratur comemora segunda melhor marca da história com chegada de turistas internacionais em um quadrimestre

De janeiro a abril, as entradas de viajantes de outros países nos aeroportos internacionais do Brasil foi 16% mais alta que no mesmo período do ano passado; total de desembarques em quatro meses foi de 4,3 milhões

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil registrou o segundo melhor quadrimestre da história na chegada de turistas internacionais. O acumulado de janeiro a abril de 2026 foi beneficiado por um crescimento de 16% nas chegadas aéreas, que concentram viajantes com um ticket médio diário mais alto e permanecem por mais tempo nos destinos. O total de chegadas nos quatro primeiros meses deste ano foi de 4.333.423, apenas 2% menor que o acumulado de janeiro a abril de 2025 e 48% maior que no mesmo período de 2024.

Para abril, o registro de chegadas ficou em 591.049. Em ambos os casos, os números indicam a tendência de alta em relação à média histórica. As informações de entradas são da Embratur em parceria com o Ministério do Turismo (MTur) e a Polícia Federal. Considerando o número de viajantes de outros países que chegaram ao Brasil por via aérea nos quatro primeiros meses, o volume saltou de 2.396.664 em 2025 para 2.789.817 este ano.

O presidente da Embratur, Bruno Reis, destacou a importância dos resultados obtidos diante do cenário de instabilidade política e econômica global e da flutuação do preço do petróleo. “Observamos uma mudança qualitativa importante no fluxo turístico. Manter patamares superiores a 2024, com um salto expressivo no modal aéreo, demonstra que o Brasil mantém sua competitividade nos mercados de longa distância mesmo com o cenário de instabilidade global que estamos enfrentando este ano. Este desempenho é fruto de um trabalho estruturado nos últimos três anos junto a todo o trade, cujo pilar central é o Plano Brasis”, avaliou.

“Nossa estratégia de promoção internacional orientada por dados, inteligência de mercado e parcerias comerciais sólidas, nos possibilita atravessar momentos difíceis com resiliência. Estamos atraindo um turista que consome mais e permanece mais tempo no país, validando a eficácia das nossas ações de promoção”, acrescentou R

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, celebrou os resultados de abril e o consolidado no primeiro quadrimestre do ano. “Em apenas quatro meses já ultrapassamos metade da meta estabelecida para todo o ano de 2026, no que diz respeito ao recebimento de turistas internacionais. Foram mais de 4,3 milhões de estrangeiros chegando ao Brasil, o que representa 57,8% da meta definida para o ano no Plano Nacional de Turismo, que é de 7,5 milhões de turistas internacionais”, afirmou.

Principais estados e países emissores

Nos resultados do quadrimestre por estado, São Paulo ficou em primeiro lugar entre os que mais receberam turistas internacionais, com 1.071.368 de desembarques, 4,95% a mais que no mesmo período de 2025. O ranking segue com Rio de Janeiro em segundo lugar, com 1.065.011 chegadas e o maior crescimento percentual, 18,07%. O Rio Grande do Sul vem em terceiro, com 817.581 viajantes e queda de 28,57%; seguido por Santa Catarina, com 505.054 (+2,45%); e Paraná, com 456.129 (-14,13%).

Entre os países emissores, a Argentina ficou em primeiro com 1.807.639 turistas enviados aos destinos brasileiros; seguida pelo Chile (373.726); Estados Unidos (284.870); Uruguai (263.289); e Paraguai (255.165).

Turismo rodoviário

O cenário econômico na América do Sul também impactou na entrada de turistas internacionais. Houve um registro de queda nas chegadas por rodovias de países como Argentina e Uruguai. Somente em abril, por exemplo, na conta total, o Brasil ganhou 388 mil turistas aéreos a mais que em 2025, embora tenha perdido 446 mil turistas rodoviários.

(*) Com informações da Embratur

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FGV/Ibre: China impulsiona superávit comercial brasileiro e exportações aos EUA desabam

China amplia participação nas exportações brasileiras enquanto comércio com os Estados Unidos perde força e acende alerta sobre dependência externa.

Estudo da FGV/Ibre projeta superávit de até US$ 75 bilhões em 2026, mas aponta riscos ligados à guerra comercial entre EUA e China e às tensões no Oriente Médio.

Da Redação (*)

Brasília – O comércio exterior brasileiro vive um momento de contrastes. Enquanto as exportações para a China avançam em ritmo acelerado, as vendas aos Estados Unidos acumulam nove meses seguidos de queda, segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta quinta-feira (15) pela FGV/Ibre.

Aposta no superávit
O estudo projeta superávit da balança comercial entre US$ 72 bilhões e US$ 75 bilhões em 2026, desde que o conflito no Oriente Médio não se prolongue e o presidente Donald Trump evite novas medidas que ampliem a instabilidade global.

Pressão americana sobre o Brasil
O relatório destaca que o governo brasileiro tenta negociar o fim de sobretaxas e de investigações comerciais abertas pelos Estados Unidos com base na Seção 301, envolvendo Pix, plataformas digitais, propriedade intelectual e etanol.

Além disso, Washington pressiona por concessões na área de minerais críticos, em meio ao avanço da disputa estratégica com a China.

China amplia protagonismo
O superávit brasileiro com os chineses chegou a US$ 11,6 bilhões entre janeiro e abril, o equivalente a 47% de todo o saldo comercial do país no período.

As exportações para a China cresceram 19,9% em volume, impulsionadas principalmente por soja e petróleo. Em abril, os chineses responderam por 34% das exportações brasileiras.

EUA perdem espaço
Na direção oposta, o déficit brasileiro com os Estados Unidos aumentou de US$ 1 bilhão para US$ 1,4 bilhão. O Icomex aponta redução tanto nas exportações quanto nas importações, sinalizando enfraquecimento das trocas comerciais entre os dois países.

Guerra e commodities no radar
A FGV alerta que a guerra envolvendo o Irã pode afetar exportações brasileiras de carnes, milho e compras de fertilizantes e combustíveis.

O petróleo segue como principal produto exportado pelo Brasil em 2026. Apenas em abril, o saldo comercial do setor alcançou US$ 4,1 bilhões.

Corrida pelos carros elétricos
Outro destaque foi o salto nas importações de veículos de passageiros, que cresceram mais de 100%. O movimento é atribuído à antecipação da entrada de carros elétricos antes da tarifa de importação subir para 35% em julho.

América do Sul ganha espaço
As exportações brasileiras também avançaram para países sul-americanos como Chile, Peru e Colômbia, com destaque para veículos, petróleo e carnes. Para a Venezuela, as vendas dispararam 34%, puxadas por arroz e milho.

(*) Com informações da FGV/Ibre

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EUA têm um dos piores desempenhos entre os grandes parceiros comerciais do Brasil, aponta Monitor da Amcham

Da Redação (*)

Brasília – O comércio entre Brasil e Estados Unidos segue em desaceleração em 2026, com retração tanto das exportações brasileiras quanto das importações originárias dos EUA, segundo dados do Monitor do Comércio Brasil-EUA da Amcham Brasil.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 10,9 bilhões entre janeiro e abril de 2026, uma queda de 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado representa o menor valor exportado para o mercado americano desde 2023. No acumulado do quadrimestre, os Estados Unidos responderam por 9,4% de tudo o que o Brasil exportou para o mundo no período.

Na comparação com os principais parceiros comerciais do Brasil, os Estados Unidos registraram um dos piores desempenhos entre os principais destinos das exportações brasileiras em 2026. Enquanto as exportações brasileiras para o mundo cresceram 9,2% no acumulado do ano, as vendas para os EUA recuaram 16,7%.

Fortes quedas nas exportações e importações

As importações brasileiras de produtos americanos também registraram retração no período. As compras originárias dos EUA recuaram 13% no acumulado do primeiro quadrimestre e 18,1% apenas em abril, influenciadas principalmente pela redução nas importações de motores e máquinas, aeronaves e partes e óleos combustíveis.

“A contração das trocas bilaterais em abril, com queda simultânea das exportações e importações, reforça a importância de aproveitar a janela de diálogo acordada entre os dois presidentes na semana passada para avançar rapidamente em negociações que evitem novas tarifas e permitam retomar o crescimento do comércio bilateral”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Apenas em abril, as exportações brasileiras aos EUA caíram 11,5%, alcançando US$ 3,1 bilhões — o nono mês consecutivo de queda nas vendas externas brasileiras para o mercado americano. Entre os principais fatores que pressionaram o desempenho estão a forte redução nas exportações de petróleo bruto (-45,6%) e café não torrado (-46,1%) no mês.

O levantamento da Amcham mostra ainda que os bens sem sobretaxas lideraram as perdas em abril, com queda de 25,2%, enquanto os produtos sujeitos à sobretaxa de 10% recuaram 7,6%. Já os itens impactados pela Seção 232 apresentaram crescimento de 22,5% no mês, puxados principalmente pelos embarques de aço e alumínio (+44,3%).

No acumulado do ano, tanto produtos sobretaxados quanto bens isentos apresentaram retração. Os produtos sujeitos à sobretaxa de 10% tiveram a maior queda entre os grupos analisados, com recuo de 23,7%. Com exportações em queda mais intensa do que as importações no acumulado de janeiro a abril, o déficit brasileiro na balança comercial com os Estados Unidos aumentou 35% no quadrimestre, alcançando US$ 1,3 bilhão. Em abril, no entanto, as importações recuaram em ritmo mais forte do que as exportações.

(*) Com informações da Amcham Brasil

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Brasil e Malásia projetam ampliar relações em setores estratégicos; MDIC defende diversificação das exportações

Da Redação

Brasília – Brasil e Malásia vão trabalhar para intensificar as relações bilaterais em setores estratégicos como semicondutores, petróleo e gás e também têm interesse em ampliar a cooperação tecnológica e empresarial. Essa disposição em reforçar o intercâmbio entre os dois países foi um dos temas tratados em reunião entre o presidente da Associação Brasileira da Indústria Eletro e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, e o embaixador da Malásia, Mohammad Ali Bin Selamat, no último dia 4 de maio, na sede da Associação, em São Paulo.

Segundo Humberto Barbato, “nesse encontro, demos continuidade a esse processo com a convicção de que o relacionamento entre a indústria brasileira de alta tecnologia e as empresas malaias pode gerar oportunidades concretas de inovação, investimento e integração produtiva, inclusive com vistas à inserção em cadeias globais de valor e no fortalecimento dos laços com a região da ASEAN”

O presidente da Abinee disse ainda que na reunião enfatizou-se a importância da transferência de tecnologia e o intercâmbio de conhecimento. Ele disse ainda que foram identificadas sinergias que se seguirão em encaminhamentos práticos para o desenvolvimento sustentável dos setores industriais de ambos os países.

Em sua visita a São Paulo, o Embaixador Selamat também participou de uma reunião com a CDIAL HALAL, certificadora considerada um marco importante na aproximação da Malásia com a indústria HALAL do Brasil.  A instituição vem desenvolvendo um trabalho fundamental dentro do marco segurança alimentar Brasil-Malásia.  Com certificado HALAL a agroindústria brasileira exporta hoje carne bovina, frango, açúcar e outros produtos para a Malásia.

Na reunião com a CDIAL HALAL, o Embaixador malaio ressaltou a importância do Brasil no ecossistema da indústria HALAL da Malásia, destacando que o Brasil é o principal parceiro comercial da Malásia na América Latina. O diplomata malaio convidou a CDIAL à reforçar a sua presença nas principais Feiras de Negócios na Malásia como #mihas #SIAL

Brasil quer ampliar comércio e diversificar pauta exportadora

A Malásia ocupa a 35ª. posição no ranking dos países de destino das exportações brasileiras e de janeiro a abril as exportações para o país asiático totalizaram US$ 783 milhões (com uma queda de 22,5% em comparação com o mesmo período de 2025. A Malásia foi o destino de 0,67% das exportações totais brasileiras no primeiro quadrimestre deste ano. Em contrapartida, as exportações malaias cresceram 5,6% para US$ 549 milhões. A corrente de comércio (exportações+importações) totalizou US$ 1,3 bilhão, com um superávit de US$ 235 milhões em favor do Brasil.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) o Brasil tem muito interesse em ampliar as trocas comerciais com a Malásia e, também, pretende trabalhar para que o aumento do intercâmbio bilateral se viabilize com uma mudança na pauta exportadora brasileira, fortemente concentrada em produtos básicos, de baixo valor agregado.

De janeiro a abril, essa continuou sendo a tônica no comércio malaio-brasileiro e os cinco principais produtos exportados foram commodities agrícolas e minerais. São eles minérios de ferro (US$ 313 milhões); minérios de cobre (US$ 110 milhões); milho não moído (US$ 89 milhões); açúcares e melaços (US$ 83 milhões); e algodão em bruto (US$ 43 milhões).

Por sua vez, a Malásia concentra suas exportações para o Brasil exclusivamente em produtos manufaturados. Os cinco itens mais vendidos ao Brasil no primeiro quadrimestre deste ano foram válvulas e tubos termiônicas (US$ 106 milhões); equipamentos de telecomunicações (US$ 36 milhões); máquinas automáticas de processamento de dados (US$ 36 milhões); obras de ferro ou aço (US$ 33 milhões); e margarina e reduções (US$ 32 milhões).

 

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Plataforma Brasil Exportação abre 30 vagas para prestadores de serviços de eventos, feiras e missões internacionais

Da Redação (*)

Brasília – A Plataforma Brasil Exportação, da ApexBrasil, está com 30 vagas abertas para prestadores de serviços especializados na organização de eventos, feiras e missões internacionais. O cadastro é gratuito e voltado a empresas interessadas em ampliar sua atuação junto ao ecossistema brasileiro de comércio exterior.

A proposta da plataforma é conectar fornecedores especializados a empresas exportadoras em um ambiente qualificado de negócios, fortalecendo a internacionalização de produtos e serviços brasileiros. Além da visibilidade nacional, os participantes passam a integrar uma rede estratégica voltada à geração de oportunidades comerciais e parcerias internacionais.

A Brasil Exportação reúne instituições como ApexBrasil, Sebrae, CNI, CNA, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e Ministério das Relações Exteriores (MRE), consolidando-se como um hub de apoio à internacionalização de empresas brasileiras.

A iniciativa busca ampliar o acesso das empresas exportadoras a soluções especializadas, contribuindo para tornar os processos de inserção internacional mais eficientes e conectados às demandas do mercado global.

Os interessados devem acessar o portal brasilexportacao.com.br para consultar o edital e realizar o cadastro.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Brasil leva delegação recorde à SIAL Shanghai 2026 com 182 empresas expositoras e cinco pavilhões

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) participa, nos dias 18 e 20 de maio, da SIAL China 2026, maior feira de alimentos e bebidas da Ásia e uma das principais vitrines globais do setor. Realizada anualmente em Xangai, a feira reúne mais de 5 mil expositores de 125 países e recebe cerca de 180 mil visitantes, entre compradores, distribuidores, investidores e representantes da indústria alimentícia internacional.

O ministro da Agricultura, André de Paula, o embaixador do Brasil na China, Marcos Galvão e o Cônsul-Geral Augusto Pestana estarão presentes no evento, além do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.

Participação recorde

Nesta edição, o Brasil participará com uma delegação recorde de 82 empresas expositoras, distribuídas em cinco pavilhões nacionais organizados pela ApexBrasil e por entidades parceiras. O número supera as 54 empresas presentes na edição anterior e reforça o avanço da presença brasileira no mercado asiático. A expectativa é gerar US$ 3,3 bilhões em negócios imediatos e futuros.

A participação brasileira será composta por empresas dos segmentos de alimentos processados, cafés especiais, frutas amazônicas, bebidas, proteínas animal e vegetal, mel, castanhas e produtos da sociobiodiversidade brasileira. Os pavilhões contarão com ações de degustação, encontros com compradores internacionais, fóruns empresariais e rodadas de negócios ao longo da feira.

Um dos destaques da participação brasileira será a presença inédita do programa Cooperar para Exportar na China. Após estrear internacionalmente durante a Gulfood 2026, em Dubai, o programa chega agora à SIAL Shanghai com um pavilhão exclusivo dedicado à agricultura familiar, reunindo 10 cooperativas de diferentes regiões do país.

Na SIAL China, o pavilhão do programa contará com cooperativas como CooperCaju, Coopercuc, Cooperativa Grande Sertão, Unicafes Bahia, AmazonBai, Nova Aliança e Vinícola Aurora, levando ao público chinês produtos como cafés especiais, castanhas, mel, vinhos, polpas de frutas, derivados de açaí e alimentos típicos da biodiversidade brasileira.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Estudo da ApexBrasil sobre comércio e investimentos identifica 385 oportunidades para exportações brasileiras na China

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lançou um novo estudo de inteligência comercial sobre a China, principal parceiro comercial do Brasil e um dos mercados mais estratégicos do mundo. O Perfil de Comércio e Investimentos China apresenta um panorama atualizado das relações econômicas bilaterais, identificando oportunidades para exportações, investimentos e diversificação da pauta brasileira no mercado chinês.

Com população de 1,4 bilhão de habitantes e Produto Interno Bruto estimado em US$ 19,5 trilhões em 2025, a China consolidou-se como o principal destino das exportações brasileiras. Em 2025, o comércio bilateral entre os dois países alcançou US$ 170,9 bilhões, sendo a China responsável por 28,7% das exportações do Brasil e por 42,6% do superávit comercial brasileiro.

O levantamento mostra que a pauta exportadora brasileira para o mercado chinês permanece concentrada em commodities. Soja, petróleo bruto e minério de ferro responderam juntos por 74,2% das exportações brasileiras para a China em 2025. Também se destacam produtos como carne bovina, celulose, açúcares e melaços, algodão e carnes de aves.

Oportunidades na exportação de produtos de maior valor agregado

Ao mesmo tempo, o estudo aponta espaço para ampliação e diversificação da presença brasileira no país asiático. O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou 187 oportunidades de abertura e consolidação para produtos brasileiros na China, abrangendo desde setores tradicionais até segmentos de maior valor agregado, como máquinas e equipamentos, medicamentos, aeronaves, produtos químicos e manufaturados. Nichos como gergelim, amendoins, óleos essenciais e minerais específicos também aparecem como promissores para empresas brasileiras.

“Em 2025, a China foi o segundo maior importador mundial de bens, com importações totalizando US$ 2,6 trilhões. As exportações do Brasil para o mercado chinês atingiram, pela segunda vez, a marca de US$ 100 bilhões, ficando atrás apenas das exportações para o país em 2023 (US$ 104 bilhões). Nos primeiros quatro meses de 2026, o valor exportado estabeleceu um novo recorde (US$ 35,6 bilhões), um crescimento de 25,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, consolidando a China como primeiro destino das exportações brasileiras, com contínuo desafio de diversificação.” afirma o gerente de Inteligência da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro.

Na área de investimentos, o levantamento destaca a relevância crescente da China no Brasil. O estoque de investimentos chineses no país alcançou US$ 41 bilhões, com presença significativa nos setores de energia elétrica, petróleo e gás, transporte e logística, infraestrutura e indústria. Empresas chinesas também ampliam aportes em segmentos como veículos elétricos, mineração e derivados de soja.

Atualmente, a ApexBrasil mantém 18 projetos setoriais com foco no mercado chinês, abrangendo áreas como alimentos e bebidas, agronegócio, moda, tecnologia e saúde, casa e construção, economia criativa e serviços.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Diplomacia da urgência – Agenda tenta conter desgaste político

Márcio Coimbra (*)

A diplomacia, por vezes, assemelha-se a um tabuleiro de xadrez jogado em meio a um terremoto. A visita de Lula à Casa Branca é a prova de que a necessidade política ignora afinidades ideológicas. O encontro, adiado por meses devido a atritos sobre Venezuela e Irã, ocorreu sob o signo do improviso e da urgência. Em um cenário onde nada ocorre no vácuo, o aperto de mãos entre Lula e Donald Trump é menos sobre amizade e mais sobre sobrevivência — tanto interna quanto global.

O pano de fundo imediato não está em Washington, mas em Pequim. Com uma viagem à China no horizonte, Trump busca “munição econômica”, e o Brasil detém aquilo que interessa aos americanos: a abundância de minerais críticos. Diante da tentativa chinesa de monopolizar as cadeias produtivas de energia limpa, o Brasil se consolida como um ativo estratégico. Para Lula, negociar o acesso a esses recursos não é apenas uma transação, mas o reconhecimento de uma relevância estratégica mútua com os Estados Unidos, oferecendo ao Brasil a chance de se consolidar como pilar da economia global.

Além disso, fica evidente que a principal razão para essa visita é a eleição de outubro. Com um Brasil rachado e o bolsonarismo ganhando força, Lula parece ter suavizado o discurso de esquerda em favor de uma estética de centro. A ida à Casa Branca é uma tentativa de convencer o eleitor moderado de que ele é o único capaz de manter o país relevante, independentemente de quem ocupe o Salão Oval. Entretanto, a manobra pode ser interpretada como sinal de fraqueza, pois ao buscar a validação de Trump para “furar a bolha”, Lula admite que sua base original já não basta. É um jogo perigoso que pode alienar a militância sem necessariamente converter moderados e o agro, setor que permanece vinculado à oposição.

Na economia, o cenário é de um otimismo modesto. Se o petróleo em alta favorece a balança comercial, o custo dos fertilizantes drena a vitalidade do campo. Lula tentou impedir novas tarifas americanas, tema que Trump confirmou ser central em seu perfil oficial, classificando o líder brasileiro como “dinâmico”. Embora o encontro tenha sido considerado positivo, os resultados concretos foram empurrados para o futuro, com representantes agendados para discutir “elementos-chave” nos próximos meses.

A segurança transnacional também pairou sobre a agenda. A tendência de Washington em designar facções criminosas como terroristas, algo necessário para enfrentar o crime, preocupa o Itamaraty por um suposto risco de intervenções em ativos financeiros que afetem a soberania bancária nacional. Infelizmente nada parece ter avançado neste ponto.

O saldo da visita é um misto de alívio momentâneo e incerteza. Lula conseguiu a foto, o adjetivo elogioso e uma agenda de trabalho, operando em um modo de gestão de danos. O presidente brasileiro saiu de Washington com promessas de diálogo, mas sem garantias sólidas contra o protecionismo. A visita mostrou um líder que, acuado pela polarização, está disposto a jogar o jogo transnacional de Trump. Se essa aposta resultará em votos, só o tempo dirá. Por ora, o que se vê é uma aliança que, embora nascida da conveniência, abre portas necessárias para o Brasil, dependendo agora da habilidade de Brasília em transformar a cortesia de Trump em benefícios permanentes. A conferir.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

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Acordo Mercosul–União Europeia marca início de uma nova era para o agro brasileiro

Hugo Centurion e Patrícia Cesarino (*)

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia finalmente entrou em vigor, ainda que de forma provisória, em 1º de maio de 2026, marcando um dos movimentos mais relevantes da história recente do comércio internacional agrícola. Para o agronegócio brasileiro, o impacto é imediato, mas, sobretudo, estrutural

O acordo inaugura uma transição que começa agora e se estende por até 10 anos para exportações à UE e até 15 anos para abertura total do Mercosul, período necessário para que a liberalização tarifária alcance seu pleno potencial. É um acordo que já começa forte e cresce com o tempo.

Já no primeiro dia de vigência, mais de 80% das exportações brasileiras para a União Europeia passaram a contar com tarifa zero, abrangendo milhares de produtos, segundo o governo brasileiro. No agro, o impacto inicial também é significativo. A CNA avalia que 39% dos produtos agropecuários brasileiros podem entrar sem tarifa no primeiro ano. A União Europeia eliminará tarifas para até 92% das exportações do Mercosul, o que equivale a mais de US$ 60 bilhões.

No total, cerca de 95% dos produtos do Mercosul terão tarifas eliminadas pela União Europeia em prazos que podem variar de forma imediata até 12 anos A redução das tarifas será gradual e seletiva, com prazos diferenciados conforme a sensibilidade dos setores. O acordo começa relevante, mas seu verdadeiro impacto será percebido na consolidação de cadeias exportadoras ao longo dos próximos 5 a 10 anos.

O setor de frutas é, possivelmente, o maior beneficiado imediato do acordo pela baixa proteção europeia combinada com alta demanda por produtos tropicais. Diversas frutas brasileiras terão acesso ampliado com eliminação total de tarifas, muitas sem cotas. A uva de mesa tem tarifa zerada imediatamente. O abacate terá taxas zeradas em até 4 anos; limão, lima, melancia e melão em até 7 anos; e maçã em até 10 anos

Frutas como abacate, melão, uva e maçã não estarão sujeitas a cotas, o que elimina uma das principais barreiras históricas ao crescimento das exportações. O Brasil possui vantagens estruturais como produção contra-estação em relação à Europa, custos competitivos e ampla diversidade climática. O acordo, portanto, não cria competitividade, libera um potencial que já existia, mas estava travado por tarifas.

No caso do café, o impacto é ainda mais direto. O produto está entre aqueles com tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Isso beneficia especialmente café solúvel, industrializado e produtos com maior valor agregado porque o acordo estimula a exportação de produtos processados e não apenas de commodities. Em um mercado europeu sofisticado, com forte demanda por cafés especiais e industrializados, o Brasil pode ampliar margens, diferenciar produtos e consolidar marcas.

Embora menos evidentes, os hortícolas e produtos derivados também ganham espaço relevante. O acordo prevê redução de tarifas para vegetais processados, sucos e óleos, e estímulo à exportação com maior valor agregado. Esse movimento favorece cooperativas, agroindústrias e cadeias integradas.

Mas se o acordo abre portas, ele também eleva o nível de exigência. A União Europeia é um dos mercados mais rigorosos do mundo em rastreabilidade, resíduos químicos, sustentabilidade e certificações. O acesso ampliado vem acompanhado de regras mais rígidas e fiscalização intensificada.

Para transformar o acordo em resultado concreto, produtores e empresas do agro precisam agir desde já em cinco frentes estratégicas. A profissionalização e rastreabilidade exige que compliance agrícola, monitoramento de resíduos e certificações internacionais deixem de ser diferenciais e passam a ser pré-requisito. A adoção de tecnologia e manejo eficiente deve fortalecer a adoção de produtos mais modernos e sustentáveis, manejo integrado de pragas e, novamente, redução de resíduos. A competitividade virá da combinação entre produtividade e conformidade.

Os produtores também devem ampliar o foco pensando em valor agregado para potencializar ganhos com processamento, branding e diferenciação, particularmente em café e hortícolas. O planejamento de médio prazo é fundamental para garantir competitividade, é preciso se posicionar agora para conquistar mercados. Os próximos 3 a 5 anos serão decisivos. Finalmente, a integração com a cadeia fortalece produtores, cooperativas, exportadores e indústria para atuarem de forma coordenada com objetivo de ganhar escala, reduzir custos logísticos e atender a padrões internacionais.

O sucesso não será automático, dependerá da capacidade do produtor brasileiro de evoluir tecnicamente, comercialmente e estrategicamente. Mais do que vender mais, o desafio será vender melhor.

(*) Patrícia Cesarino é engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil.

Hugo Centurion é engenheiro agrônomo e head da Ascenza Brasil

 

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