Acordo Mercosul–União Europeia marca início de uma nova era para o agro brasileiro

Hugo Centurion e Patrícia Cesarino (*)

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia finalmente entrou em vigor, ainda que de forma provisória, em 1º de maio de 2026, marcando um dos movimentos mais relevantes da história recente do comércio internacional agrícola. Para o agronegócio brasileiro, o impacto é imediato, mas, sobretudo, estrutural

O acordo inaugura uma transição que começa agora e se estende por até 10 anos para exportações à UE e até 15 anos para abertura total do Mercosul, período necessário para que a liberalização tarifária alcance seu pleno potencial. É um acordo que já começa forte e cresce com o tempo.

Já no primeiro dia de vigência, mais de 80% das exportações brasileiras para a União Europeia passaram a contar com tarifa zero, abrangendo milhares de produtos, segundo o governo brasileiro. No agro, o impacto inicial também é significativo. A CNA avalia que 39% dos produtos agropecuários brasileiros podem entrar sem tarifa no primeiro ano. A União Europeia eliminará tarifas para até 92% das exportações do Mercosul, o que equivale a mais de US$ 60 bilhões.

No total, cerca de 95% dos produtos do Mercosul terão tarifas eliminadas pela União Europeia em prazos que podem variar de forma imediata até 12 anos A redução das tarifas será gradual e seletiva, com prazos diferenciados conforme a sensibilidade dos setores. O acordo começa relevante, mas seu verdadeiro impacto será percebido na consolidação de cadeias exportadoras ao longo dos próximos 5 a 10 anos.

O setor de frutas é, possivelmente, o maior beneficiado imediato do acordo pela baixa proteção europeia combinada com alta demanda por produtos tropicais. Diversas frutas brasileiras terão acesso ampliado com eliminação total de tarifas, muitas sem cotas. A uva de mesa tem tarifa zerada imediatamente. O abacate terá taxas zeradas em até 4 anos; limão, lima, melancia e melão em até 7 anos; e maçã em até 10 anos

Frutas como abacate, melão, uva e maçã não estarão sujeitas a cotas, o que elimina uma das principais barreiras históricas ao crescimento das exportações. O Brasil possui vantagens estruturais como produção contra-estação em relação à Europa, custos competitivos e ampla diversidade climática. O acordo, portanto, não cria competitividade, libera um potencial que já existia, mas estava travado por tarifas.

No caso do café, o impacto é ainda mais direto. O produto está entre aqueles com tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Isso beneficia especialmente café solúvel, industrializado e produtos com maior valor agregado porque o acordo estimula a exportação de produtos processados e não apenas de commodities. Em um mercado europeu sofisticado, com forte demanda por cafés especiais e industrializados, o Brasil pode ampliar margens, diferenciar produtos e consolidar marcas.

Embora menos evidentes, os hortícolas e produtos derivados também ganham espaço relevante. O acordo prevê redução de tarifas para vegetais processados, sucos e óleos, e estímulo à exportação com maior valor agregado. Esse movimento favorece cooperativas, agroindústrias e cadeias integradas.

Mas se o acordo abre portas, ele também eleva o nível de exigência. A União Europeia é um dos mercados mais rigorosos do mundo em rastreabilidade, resíduos químicos, sustentabilidade e certificações. O acesso ampliado vem acompanhado de regras mais rígidas e fiscalização intensificada.

Para transformar o acordo em resultado concreto, produtores e empresas do agro precisam agir desde já em cinco frentes estratégicas. A profissionalização e rastreabilidade exige que compliance agrícola, monitoramento de resíduos e certificações internacionais deixem de ser diferenciais e passam a ser pré-requisito. A adoção de tecnologia e manejo eficiente deve fortalecer a adoção de produtos mais modernos e sustentáveis, manejo integrado de pragas e, novamente, redução de resíduos. A competitividade virá da combinação entre produtividade e conformidade.

Os produtores também devem ampliar o foco pensando em valor agregado para potencializar ganhos com processamento, branding e diferenciação, particularmente em café e hortícolas. O planejamento de médio prazo é fundamental para garantir competitividade, é preciso se posicionar agora para conquistar mercados. Os próximos 3 a 5 anos serão decisivos. Finalmente, a integração com a cadeia fortalece produtores, cooperativas, exportadores e indústria para atuarem de forma coordenada com objetivo de ganhar escala, reduzir custos logísticos e atender a padrões internacionais.

O sucesso não será automático, dependerá da capacidade do produtor brasileiro de evoluir tecnicamente, comercialmente e estrategicamente. Mais do que vender mais, o desafio será vender melhor.

(*) Patrícia Cesarino é engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil.

Hugo Centurion é engenheiro agrônomo e head da Ascenza Brasil

 

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CNI defende implantação de 30 medidas estratégicas para fortalecer parceria entre Brasil  e EUA

Divididas em nove temas, propostas são fundamentais para avançar na agenda bilateral e ampliar investimentos, reduzir barreiras, fortalecer cadeias produtivas e impulsionar a competitividade

Da Redação (*)

Brasília – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, nesta segunda-feira (11), um documento com mais de 30 medidas estratégicas para fortalecer a parceria entre Brasil e Estados Unidos. A Agenda Estratégica da Indústria Brasileira para os Estados Unidos será levada hoje aos debates entre setores público e privado do Brasil U.S. Industry Day, em Nova York. Para o setor produtivo, é fundamental avançar em uma agenda estruturada de cooperação para fortalecer a relação bilateral, considerada uma das mais relevantes e estratégicas para a economia brasileira.

Os EUA são o maior investidor estrangeiro no Brasil e o principal destino das exportações industriais do país. Segundo a CNI, a complementaridade produtiva, a integração de cadeias de valor e o potencial de cooperação em áreas como energia, transformação digital, saúde, defesa e tecnologias avançadas reforçam a importância do aprofundamento do diálogo econômico bilateral.

As recomendações da indústria foram divididas em nove temas: comércio e acesso a mercado; transformação digital; investimentos e ambiente de negócios; minerais críticos e cadeias produtivas estratégicas; segurança energética e indústria de baixo carbono; complexo econômico-industrial da saúde e inteligência artificial; defesa, aeroespacial e setores de uso tecnológico dual; formação de capital humano em altas tecnologias; e governança e diálogo institucional.

Destaques da agenda:

Comércio e acesso a mercado
O setor defende a eliminação de barreiras tarifárias e não tarifárias, além da negociação de acordos setoriais e mecanismos de cooperação regulatória que diminuam custos e aumentem a competitividade das exportações do Brasil. Propõe também modernização aduaneira, digitalização de processos e maior interoperabilidade regulatória para facilitar o comércio entre os países.

Transformação digital
As propostas incluem programas bilaterais de inovação para conectar empresas, universidades e centros de pesquisa, além de projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias emergentes aplicadas à produtividade, descarbonização e inserção do Brasil em cadeias globais de alto valor.

Investimentos e ambiente de negócios
Entre os destaques estão a negociação de um acordo para evitar dupla tributação (ADT) e fortalecer a parceria econômica, o fortalecimento dos mecanismos de proteção a investimentos e a harmonização de regras de propriedade intelectual

Minerais críticos e cadeias produtivas estratégicas
O objetivo é fomentar investimentos, inovação tecnológica e integração de cadeias produtivas ligadas à exploração, ao processamento e à transformação de minerais essenciais à transição energética, à segurança alimentar e à produção industrial com alto valor agregado.

Segurança energética e indústria de baixo carbono
A CNI quer aprofundar parcerias em hidrogênio de baixa emissão, biocombustíveis e soluções de captura e armazenamento de carbono (CCUS). A proposta inclui coordenação regulatória internacional, fortalecimento da liderança dos dois países no mercado global de biocombustíveis e ampliação do financiamento para projetos de resiliência energética.

Complexo econômico-industrial da saúde e inteligência artificial
A intenção é ampliar a cooperação em pesquisa e produção local de medicamentos, vacinas e insumos farmacêuticos ativos (IFAs), aproximar Anvisa e FDA em questões regulatórias e estimular investimentos em manufatura farmacêutica, biotecnologia e dispositivos médicos.

Defesa, aeroespacial e setores de uso tecnológico dual
O destaque é o fortalecimento da cooperação em tecnologias avançadas e setores de uso dual – civil e militar – como comunicações, biotecnologia, drones, segurança cibernética, sistemas autônomos e materiais avançados. A proposta inclui ampliar parcerias em defesa, desenvolver soluções conjuntas para segurança de fronteiras e aprofundar a cooperação aeroespacial – além de assinar o Acordo de Aquisição de Defesa Recíproca (RDPA).

Formação de capital humano em altas tecnologias
A proposta central é aproximar instituições do Brasil e dos EUA de ensino técnico, tecnológico e universitário para formação de profissionais com foco na indústria avançada. A agenda prevê o intercâmbio de pesquisadores, programas de atração de talentos e criação de centros binacionais em áreas como IA, computação quântica, materiais avançados e biotecnologia.

Governança e diálogo institucional
A CNI que um plano bilateral anual, com metas, indicadores e acompanhamento contínuo do setor público e privado. É importante reativar mecanismos de alto nível para garantir coordenação contínua em temas como defesa, energia, inovação, finanças e economia digital.

(*) Com informações da CNI

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“Relação entre Brasil e EUA é estratégica para a indústria brasileira”, diz presidente da CNI em Nova Iorque

Ricardo Alban abriu reunião do Conselho Empresarial dos dois países; agenda faz parte da programação da Semana do Brasil em Nova Iorque

Da Redação (*)

Brasília –  O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, disse nesta segunda-feira (11) que o fortalecimento da relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos é fundamental para o setor industrial brasileiro, e a CNI está empenhada em estreitar os laços entre os dois países como forma de buscar benefícios mútuos. De acordo com o dirigente, a importância estratégica dessa relação foi o que motivou a CNI a organizar, pela primeira vez, o Dia da Indústria Brasil-EUA, evento específico do setor que integra a programação da Semana do Brasil em Nova York.

“Reafirmamos aqui o compromisso de trabalhar em favor de um ambiente de negócios que beneficie tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e em busca de soluções e com foco em entregas que reforcem a parceria bilateral e ajudem a construir um futuro mais próspero, inovador e sustentável para os dois países”, disse Ricardo Alban.

O dirigente abriu, nesta segunda-feira, em Nova York, evento promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos (Cebeu). O encontro discutiu geopolítica e comércio internacional, prioridades do G20 e do B20 e estratégias para a construção de uma agenda comum na área de investimentos, transformação digital e minerais críticos.

Preocupação com política errática dos EUA

Alban destacou que a CNI tem acompanhado com atenção e preocupação as mudanças ocorridas na política comercial dos EUA, especialmente no último ano. E que, diante do impacto que as medidas tarifárias, o aumento de barreiras comerciais e as incertezas no ambiente de negócios têm provocado em setores relevantes da indústria, é imprescindível haver coordenação e atuação conjunta reforçando o trabalho integrado entre a CNI, a U.S. Chamber of Commerce e a Amcham Brasil.

“Precisamos olhar para a complementaridade entre nossas economias como uma oportunidade concreta para aprofundar as parcerias produtivas, as relações comerciais e a cooperação tecnológica. Devemos nos unir e desempenhar um papel mais agregador para definir prioridades e ampliar o engajamento do setor privado em ações que tragam resultados efetivos”, destacou o presidente.

Alban informou ainda que, como este é um ano de eleições presidenciais no Brasil, a CNI apresentará aos candidatos à Presidência da República um conjunto de recomendações para promover o crescimento econômico e a inclusão social no país. Segundo ele, as propostas destacam a importância da construção de uma agenda de integração com os Estados Unidos, refletindo a prioridade que a CNI atribui às relações entre os dois países a médio e longo prazo.

“Esperamos que os governantes possam dar passos concretos para a adoção de medidas que reflitam os interesses empresariais e permitam uma maior aproximação entre as duas economias”, pontuou o presidente da CNI.

(*) Com informações da CNI

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Rússia domina mercado brasileiro de óleo diesel e responde por 89,84% das importações em abril

Importação russa quase dobrou e domina mercado brasileiro

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil ampliou fortemente as compras de diesel da Rússia desde o início da guerra no Oriente Médio, após a suspensão das importações vindas da região. Dados do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mostram que Rússia e Estados Unidos passaram a liderar o fornecimento do combustível ao país nos últimos meses.

Em março e em abril, o Brasil importou US$ 1,76 bilhão em diesel. Desse total, US$ 1,43 bilhão tiveram origem na Rússia, equivalente a 81,25% das compras externas do produto. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com US$ 112,92 milhões, ou 6,42% do total.

Apenas em abril, a dependência do diesel russo aumentou ainda mais. O país comprou US$ 924 milhões do combustível da Rússia, o que correspondeu a 89,84% das importações no mês. Os Estados Unidos responderam por 10,98% das compras, enquanto o Reino Unido teve participação residual.

Principais números

  •    US$ 1,76 bilhão em diesel importado em março e abril
  •    81,25% do total vieram da Rússia
  •    US$ 924 milhões importados da Rússia apenas em abril
  •    89,84% de participação russa nas compras de abril

Antes do conflito, o Brasil ainda mantinha parte das importações vindas do Oriente Médio. Em março, o país recebeu carregamentos enviados antes do agravamento da guerra, incluindo compras dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita.

Os números mostram uma rápida escalada das compras russas. Em fevereiro, o Brasil importou US$ 433,22 milhões em diesel da Rússia. O valor subiu para US$ 505,86 milhões em março e se aproximou de US$ 1 bilhão em abril.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Balança comercial registra superávit de US$ 2,7 bilhões na primeira semana de maio; no ano, saldo já supera US$ 27 bilhões

No ano, as exportações totalizam US$ 125,6 bi e as importações, US$ 98,1 bi, com saldo positivo de US$ 27,5 bi e corrente de comércio de US$ 223,68 bi

Na 1ª semana de maio, a balança comercial registrou superávit de US$ 2,7 bilhões e corrente de comércio de US$ 15,4 bilhões, resultado de exportações no valor de US$ 9,04 bilhões e importações de US$ 6,3 bilhões.

No ano, as exportações totalizam US$ 125,6 bilhões e as importações, US$ 98,1 bilhões, com saldo positivo de US$ 27,5 bilhões e corrente de comércio de US$ 223,68 bilhões. Esses e outros dados foram divulgados nesta segunda-feira (11), pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Nas exportações, comparadas as médias até a 1ª semana de maio/2026 (US$ 1,807 bilhão) com a de maio/2025 (US$ 1,424 bilhão), houve crescimento de 26,9%. Em relação às importações houve crescimento de 16,1% na comparação entre as médias até a 1ª semana de maio/2026 (US$ 1,263 bilhão) com a do mês de maio/2025 (US$ 1,088 bilhão).

Assim, até a 1ª semana de maio/2026, a média diária da corrente de comércio totalizou US$ 3.071,55 milhões e o saldo, também por média diária, foi de US$ 544,39 milhões. Comparando-se este período com a média de maio/2025, houve crescimento de 22,2% na corrente de comércio.

Exportações e Importações por Setor

No acumulado até a 1ª semana do mês de maio/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores exportadores pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 134,64 milhões (38,1%) em Agropecuária e de US$ 264,32 milhões (36,4%) em produtos da Indústria de Transformação; houve queda de US$ 19,15 milhões (5,7%) em Indústria Extrativa.

No acumulado até a 1ª semana do mês de maio/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores importadores pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 187,83 milhões (18,6%) em produtos da Indústria de Transformação; queda de US$ 0,41 milhões (1,7%) em Agropecuária e de US$ 11,1 milhões (24,5%) em Indústria Extrativa.

(*) Com informações da Secex/MDIC

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Exportações para os EUA e América Latina têm forte alta e trazem otimismo ao setor calçadista

 

Da Redação (*)

Brasília – O quarto mês do ano trouxe uma notícia positiva para os calçadistas brasileiros. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex),  em abril foram embarcados 8,2 milhões por US$ 73,5 milhões, incremento de 9% em volume e queda de 7,3% em receita no comparativo com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do quadrimestre, as exportações somaram 34,5 milhões de pares e US$ 284,44 milhões, quedas de 11,7% e 18,5%, respectivamente, ante mesmo ínterim de 2025.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que abril trouxe sinais de recomposição das exportações de calçados em mercados estratégicos, especialmente Estados Unidos e países latino-americanos. “O crescimento dos embarques para os Estados Unidos indica, além da recomposição, uma antecipação de embarques ao destino após o alívio tarifário, uma vez que deixou de incidir a tarifa adicional de 50% e os calçados brasileiros passaram a competir sob alíquota isonômica de 10%”, diz.

Já o acumulado do ano, segundo o dirigente, segue refletindo os impactos do primeiro trimestre, marcado pelo choque tarifário norte-americano, pela perda de dinamismo em mercados tradicionais e por menores preços médios, associados à mudança de composição da pauta exportadora por produtos e destinos.

Outro fator que impulsionou o resultado das exportações de abril foram os embarques para os países da América Latina. Excluindo a Argentina, as exportações para os países latino-americanos cresceram 24,6% em valor e 53% em pares, em comparação ao mesmo mês do ano anterior.

Diante da melhora do cenário para as exportações, Ferreira ressalta o potencial da BFSHOW, maior feira calçadista da América Latina que acontece no Distrito Anhembi, em São Paulo/SP, entre os dias 18 e 20 de maio. “Neste contexto, a feira ganha ainda mais importância para garantir a recuperação dos embarques a partir do segundo semestre”, diz. Na mostra são esperados mais de 1,2 mil importadores dos principais mercados do mundo.

Ranking de destinos

Em abril, as exportações para os Estados Unidos contabilizaram 842,9 mil pares e geraram US$ 14,72 milhões, incrementos de 16,5% e 40,5%, respectivamente, ante o quarto mês do ano passado. Já no acumulado do quadrimestre, as exportações para lá somaram 3,8 milhões de pares e US$ 54,5 milhões, alta de 7,8% em volume e queda de 18,9% em receita no comparativo com o mesmo intervalo de 2025. “Apesar do otimismo na recuperação para os Estados Unidos, permanecem incertezas quanto aos desdobramentos da investigação da Seção 301 relacionada ao Brasil”, comenta Ferreira.

No mês quatro, os embarques para a Argentina contabilizaram 474,82 mil pares e US$ 7,6 milhões, quedas de 55,4% em volume e de 55% em valor na relação com o mês correspondente do ano passado. “A retração dos embarques para o destino segue como o principal fator negativo para o desempenho externo do setor, sob um contexto de menor atividade econômica e consumo pressionado”, avalia o dirigente. No acumulado do quadrimestre, as exportações para a Argentina somaram 2 milhões de pares e US$ 31,3 milhões, quedas de 56,7% e 59,8%, respectivamente, ante o mesmo período de 2025.

No terceiro posto entre os destinos aparece o reflexo do melhor desempenho das exportações nos países latino-americanos. O Equador importou, no mês, 868,5 mil pares, pelos quais foram pagos US$ 6,64 milhões, altas de 11,3% e 57,1%, respectivamente, no comparativo com abril do ano passado. No acumulado do quadrimestre, o Equador somou a importação de 1,72 milhão de pares e US$ 14,55 milhões, incrementos de 22,6% e 24,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Exportações por estados

Seguindo como maior exportador de calçados do Brasil, no mês de abril o Rio Grande do Sul contabilizou o embarque de 2,73 milhões de pares, que geraram US$ 36,95 milhões, quedas de 6% e 6,6%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. Já no acumulado do ano, as exportações gaúchas somaram 10,9 milhões de pares e US$ 142,73 milhões, quedas de 4,9% e de 13,7% em relação ao mesmo ínterim de 2025.

O segundo exportador do País foi o Ceará. No mês de abril, partiram das fábricas cearenses 2,52 milhões de pares e US$ 11,4 milhões, incrementos de 76% e 5,6%, respectivamente, em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do quadrimestre, as exportações do Ceará somaram 10,68 milhões de pares e US$ 53,44 milhões, quedas de 21,4% e 27,3% ante o mesmo intervalo do ano passado.

Completando o ranking aparece São Paulo. Em abril, as fábricas paulistas embarcaram 585,47 mil pares por US$ 8,8 milhões, queda de 7,4% em volume e aumento de 0,1% em receita no comparativo com o mês correspondente do ano passado. No acumulado do ano, as exportações paulistas somaram 1,88 milhão de pares e US$ 27,95 milhões, quedas de 21,1% e 18,1%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2025.

(*) Com informações da Abicalçados

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Itamaraty e MTur divulgam nota conjunta sobre Isenção recíproca de vistos entre Brasil e China

Medida abarca viagens para fins de turismo, negócios, atividades artísticas, culturais, recreativas e desportivas, além de visita a familiares, participação de conferências, congressos ou reuniões

Da Redação (*)

Brasília – Os Ministérios das Relações Exteriores (MRE) e do Turismo (MTur) divlgaram hoje (11) nota informando que os governos do Brasil e da China chegaram a entendimento para a isenção recíproca de vistos a seus cidadãos para viagens de até 30 dias. A partir de hoje, 11 de maio de 2026, cidadãos chineses poderão viajar ao Brasil sem visto; cidadãos brasileiros já podem visitar a China sem visto desde maio de 2025. As isenções recíprocas têm validade até 31 de dezembro de 2026.

Segundo os Ministérios, a medida abarca viagens para fins de turismo, negócios, atividades artísticas, culturais, recreativas e desportivas, além de visita a familiares, participação de conferências, congressos ou reuniões.

Com a isenção, espera-se incremento significativo no número de turistas chineses no País. Em 2025, o Brasil registrou recorde histórico no número de turistas estrangeiros, com o ingresso no País de 9.287.196 viajantes estrangeiros.

A isenção contribuirá para o aprofundamento do intercâmbio e das relações entre os dois países, potencializando áreas como turismo, negócios, entretenimento, eventos artísticos e desportivos. Também reforçará a amizade e as trocas culturais, no momento em que se celebra o “Ano Cultural Brasil-China”.

(*) Com informações do MTur

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A reunião de Lula e Trump e as relações Brasil-EUA

Fernanda Brandão (*)

Na tarde da última quinta-feira, dia 7, o Presidente Lula foi recebido pelo Presidente Trump na Casa Branca. A expectativa em torno do encontro entre os dois presidentes era grande diante do cenário de relações diplomáticas recentes marcadas por tensionamento e aplicação de tarifas comerciais pelos Estados Unidos. A reunião aconteceu após um longo período de esforço diplomático brasileiro em reestabelecer canais de comunicação com o governo americano. Apesar da tensão que permeia a relação entre os dois países, as declarações feitas pela Casa Branca e pelo governo brasileiro sinalizaram que o encontro entre os dois chefes de estado foi considerado bem-sucedido por ambos os lados.

Havia expectativa da conversa entre os dois presidentes tratasse de temas como acesso a minerais críticos, combate ao crime organizado e o fim das tarifas de importação impostas pelo governo americano sobre produtos brasileiros. Havia também a expectativa de que os presidentes falassem em conjunto com a imprensa, o que foi cancelado sob a justificativa de que o encontro se estendeu para além da expectativa. O encontro durou cerca de três horas e as fotos divulgadas revelaram um clima amistoso entre os dois presidentes.

Em declaração à imprensa feita na Embaixada brasileira em Washington, o presidente Lula afirmou que os temas discutidos envolveram a remoção das tarifas de exportação, minerais críticos e terras raras e a formação de uma coalização para o combate ao crime organizado na região. Temas como o pix e a classificação de grupos de crime organizado brasileiros como o CV e o PCC como terroristas, considerados mais sensíveis, não fizeram parte da discussão. Foi anunciado também que os corpos diplomáticos dos dois países dariam continuidade a negociações com o objetivo de remover plenamente as tarifas sobre exportações brasileiras e dar continuidade à cooperação em outros temas abordados por ambos os presidentes.

Sobre minerais críticos e terras raras, o presidente Lula reafirmou a soberania nacional sobre o tema e a disposição do país de cooperar com parceiros que queiram investir na exploração e refinamento desses minerais em solo nacional, contribuindo para o desenvolvimento econômico do Brasil. O governo americano tem utilizado a imposição de tarifas sobre importações desproporcionais com o objetivo de forçar parceiros a renegociarem os termos de comércio entre os dois países e nesses acordos têm incluídos cláusulas de facilitação de investimento americano para exploração, mineração, extração, refinamento, processamento, transporte, distribuição e exportação de minerais críticos e terras raras.

Assegurar acesso a esses recursos tem sido uma das prioridades da política externa americana sob o governo Trump em um cenário em que a China domina a exploração desses minerais e tem praticamente o monopólio do processamento desses minerais. O Brasil tem as segundas maiores reservas conhecidas de minerais críticos e pode se tornar um importante parceiro para os Estados Unidos a fim de reduzir sua dependência da China nesse setor.

Além disso, a disposição em dar continuidade às negociações para eliminação das tarifas sobre os produtos brasileiros é reflexo também da crescente pressão interna que o presidente americano tem sofrido pelo aumento do preço dos alimentos e do custo de vida por causa das tarifas, agravado pelo conflito no Irã e o aumento dos preços dos combustíveis. A renegociação das tarifas sobre produtos alimentícios brasileiros pode contribuir para a redução de preços domesticamente, mas seu impacto será limitado diante da tendência inflacionária global por conta do aumento do preço dos combustíveis. Ainda assim, a remoção dessas tarifas terá impacto positivo sobre os exportadores brasileiros.

O encontro entre os dois presidentes deixou a percepção de que há um bom diálogo entre os dois países e boas perspectivas para o avanço da cooperação econômica entre os dois países. Trump parece ter adotado um tom menos agressivo em relação ao presidente brasileiro, apesar das divergências ideológicas entre os dois e sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, fazendo inclusive declarações sobre como admira a disposição e ânimo do presidente brasileiro. Os Estados Unidos continuam sendo o segundo parceiro comercial do Brasil, o que torna importante a manutenção de boas relações diplomáticas entre os dois países, principalmente em um cenário de crescente competição e fragmentação na economia internacional.

(*) Fernanda Brandão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

 

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Mercosul e União Europeia: Firjan apresenta ampla radiografia do acordo e seus reflexos na indústria brasileira

Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro esclarece os principais pilares dessa abertura comercial e fornece assessoria aos empresários

Da Redação (*)

Brasília – Desde o dia 1º de maio está em vigor o Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), que representa marco histórico para a economia global. A ação, resultado de mais de 26 anos de negociações, cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, unindo mais de 700 milhões de pessoas no mundo e um PIB mundial de US$ 22 trilhões.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que sempre acompanhou os processos ao longo desses anos em prol do desenvolvimento das indústrias fluminenses, está pronta para apoiar os empresários neste momento de adaptações. Como na emissão dos novos Certificados de Origem para as exportações voltadas ao mercado europeu, fortalecendo assim as oportunidades de negócios decorrentes desse marco. Para solicitar o Certificado de Origem ou obter outras informações, basta entrar em contato pelo e-mail certificadodeorigem@firjan.com.br ou pelo telefone (21) 2563-4225.

A parceria representa uma oportunidade para a inserção competitiva das indústrias fluminenses nos mercados europeus, aliada a mecanismos que garantam prazos para adaptação e a justa concorrência presentes no texto do Acordo. Para a Firjan, em um cenário atual com instabilidades internacionais e geopolíticas, o acordo provisório de comércio entre Mercosul e UE amplia o acesso a mercados internacionais para as empresas fluminenses, como também pode promover ambiente mais fértil para negócios com os mercados europeus.

A Federação acredita também que a aproximação entre os blocos significa um potencial aumento da corrente de comércio, ao criar oportunidades de novos investimentos produtivos e crescimento do PIB industrial brasileiro.

Para orientar o setor industrial, a Firjan esclarece os principais pilares dessa abertura comercial:

O que é um acordo de livre comércio?

Os acordos de livre comércio são tratados bilaterais firmados entre países para facilitar os negócios entre as partes. Este acordo representa mais amplitude, porque dá abertura ao comércio de bens em menor expressividade, sem estabelecer limites mínimos ou máximos de comércio.

Qual é a importância do acordo Mercosul-UE e sua potencialidade?

De acordo com a última edição do Diagnóstico do Comércio Exterior do Estado do Rio de Janeiro, elaborado pela Firjan, 63% das empresas fluminenses respondentes eram favoráveis a uma maior abertura comercial por meio de novos acordos, sendo o acordo com a União Europeia um dos principais mencionados. Segundo levantamento do Governo Federal, estima-se um impacto positivo de R$ 37 bilhões sobre o PIB nacional até 2044. No mesmo período, é esperado o crescimento de cerca de 2,5% tanto das importações brasileiras (R$ 42,1 bilhões) quanto das exportações (R$ 52,1 bilhões).

O acordo impactará a geração de empregos?

Espera-se também um impacto na economia nacional e na criação de empregos no Brasil. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 21,8 mil empregos foram criados a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a União Europeia em 2024.

E abrange quais setores?

São eles: comércio de bens, regras de origem, facilitação de comércio, barreiras técnicas, medidas sanitárias e fitossanitárias, defesa comercial e salvaguardas, PMEs, propriedade intelectual/indicações geográficas, compras governamentais, ESG, cooperação, entre outros.

Em números, como se mostra o cenário do comércio internacional em contexto com o Brasil?

Em conjunto, os blocos representam aproximadamente um quinto da economia global, somando cerca de US$ 22 trilhões. Em 2025, o comércio internacional entre o Brasil e o mercado europeu superou US$ 100 bilhões, com destaque para a participação dos setores de petróleo e gás, farmacêutico, automotivo, metalmecânico, siderúrgico, aeronáutico, entre outros. No mesmo período, o bloco europeu foi o segundo maior parceiro comercial do estado do Rio de Janeiro, somando uma corrente de comércio de US$ 17 bilhões.

Como ficará a questão das linhas tarifárias das exportações e alíquotas?

Cerca de 95% das linhas tarifárias das exportações do Mercosul para a UE terão suas alíquotas zeradas por meio de desgravação imediata ou linear ao longo de prazos que variam entre quatro e 12 anos. Em paralelo, 91% das linhas tarifárias impostas pelo Mercosul serão liberalizadas de forma mais gradual para as importações com origem no bloco europeu, com cestas de produtos submetidos à desgravação imediata ou linear ao longo de prazos que variam entre 4 e 30 anos, este último caso para produtos sensíveis, como veículos automotivos baseados em novas tecnologias.

Em relação à importação e à exportação de petróleo, o que o acordo significa para o Brasil?

Observando o cenário do estado do Rio, percebe-se que mais de 90% da pauta exportadora fluminense para a UE é composta pela cadeia de petróleo e seus derivados, que atualmente já possuem alíquota zero para o mercado europeu. Considerando a baixa participação dos setores, além do petróleo, entende-se haver potencial ampliação de mercado proveniente do acordo.

Pelo lado da importação, a maior diversificação da pauta traz uma presença relevante de máquinas e equipamentos. Esse cenário favorece a redução de custos na aquisição de maquinário e promove uma maior integração das indústrias fluminenses às cadeias globais de valor, embora também sinalize um possível aumento de concorrência com bens equivalentes produzidos localmente.

Como o acordo impactará o PIB nacional?

Podem ser esperados aumentos tanto na balança comercial brasileira como no PIB. O governo brasileiro estima que, até 2044, o PIB do país poderá crescer aproximadamente R$ 37 bilhões. Por sua vez, os ganhos na balança comercial seriam de cerca de R$ 52 bilhões nas exportações e R$ 42 bilhões nas importações. Estima-se que o acordo aumentaria os investimentos estrangeiros diretos no Brasil em 0,8%, segundo dados divulgados pelo Governo Federal.

Como funcionará a desgravação tarifária?

No que diz respeito ao comércio entre os blocos, o acordo prevê a eliminação de tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo Mercosul para a União Europeia. Esse processo de desoneração ocorrerá de forma imediata para determinados itens ou será escalonado em períodos que variam de quatro a 12 anos, sendo que produtos de setores agrícolas específicos ficarão sujeitos a cotas e aumentos lineares de quantidade.

Em contrapartida, haverá a extinção de tarifas sobre 91% dos produtos exportados pela União Europeia para o Mercosul. O cronograma para essa abertura de mercado também contempla a isenção imediata em casos selecionados ou prazos de transição mais longos, estendendo-se por períodos de quatro até 30 anos.

E o que é Certificado de Origem para as exportações voltadas ao mercado europeu?

Trata-se de um documento necessário para comprovar que os produtos exportados foram produzidos ou processados no país. Com ele, os exportadores brasileiros ficam protegidos e também recebem tratamento especial em operações com nações que tenham acordos comerciais com o Brasil. Entre os benefícios estão a redução ou até mesmo a isenção do imposto de importação no destino.

A Firjan orienta os empresários na emissão do Certificado de Origem?

Sim. Há uma equipe técnica que oferece suporte em todo processo de emissão do documento, com atendimento ágil e personalizado. Em 2022, as federações de indústrias foram reconhecidas como entidades acreditadas para emissão de certificado de origem com a chancela da International Chamber of Commerce (ICC). Desde então, a Firjan tem emitido o documento com o selo de qualidade ICC, assegurando uma operação de alta integridade e credibilidade, reconhecida internacionalmente em todas as etapas do processo. Para solicitar o Certificado de Origem ou obter outras informações, basta entrar em contato com a equipe técnica pelo e-mail certificadodeorigem@firjan.com.br ou pelo telefone (21) 2563-4225.

Confira alguns pontos de atenção

  • Todos os países membros do Mercosul já concluíram os procedimentos legais de adesão ao acordo. Segundo fontes europeias, o acordo ainda está sujeito a questionamentos legais em cortes europeias.
  • O acordo cria um mecanismo para solução de controvérsias entre as partes, estabelecendo um rito de consultas, mediação ou a formação de um painel arbitral para avaliação do mérito da questão. Será preciso monitorar a implementação do mecanismo e seu funcionamento.
  • O Mercosul, por meio do acordo, reconhece 358 Indicações Geográficas (IG) de produtos europeus. Em paralelo, 37 indicações geográficas brasileiras serão reconhecidas pelo bloco europeu. Novas IGs poderão ser acrescentadas e protegidas em ambos os mercados após rito de consulta pública e aprovação pelo subcomitê de proteção intelectual.
  • Criação de figura para implementação e cooperação para o desenvolvimento de pequenas e médias empresas no âmbito do acordo.

(*) Com informações da Firjan

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Amcham  vê avanços importantes nas relações Brasil-EUA com encontro entre presidentes Lula e Trump

Da Redação (*)

Brasília – A Amcham Brasil avalia como positivo o encontro realizado, nesta quinta-feira (7/maio), entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, em Washington, D.C. A reunião reforça o diálogo no mais alto nível entre os dois governos e cria condições favoráveis para avanços em temas estratégicos para as duas economias.

“O encontro de hoje é um passo importante. A expectativa do setor empresarial é que ele abra caminho para resultados concretos em áreas como tarifas, minerais críticos, economia digital e energia, entre outras. Para isso, será fundamental avançar com pragmatismo e celeridade nas reuniões de trabalho acordadas entre os dois presidentes. Esperamos que esse esforço leve a uma solução para a investigação da Seção 301, evitando novas restrições comerciais, e impulsione uma agenda mais ampla de cooperação bilateral”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

A Amcham destaca a importância de que os dois governos estabeleçam com brevidade um cronograma de reuniões para os próximos 30 dias, com uma agenda de trabalho orientada a resultados concretos e com possibilidade de participação do setor empresarial ao longo do processo.

A relação econômica entre Brasil e Estados Unidos movimenta mais de US$ 100 bilhões por ano em comércio de bens e serviços, com elevada integração produtiva e presença relevante de investimentos mútuos nas duas economias. Os Estados Unidos são o principal investidor estrangeiro no Brasil e um dos principais destinos para investimentos produtivos brasileiros.

Pesquisa conduzida pela Amcham, em abril de 2026, mostra que 86% das empresas participantes estão preocupadas com novos aumentos tarifários para acesso ao mercado dos Estados Unidos, reforçando a importância de avanços que contribuam para maior previsibilidade na relação econômica bilateral.

A Amcham Brasil permanece à disposição para contribuir com esse processo e apoiar o aprofundamento da relação econômica entre Brasil e Estados Unidos.

(*) Com informações da Amcham Brasil

Sobre a Amcham Brasil

 

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